terça-feira, 31 de agosto de 2021

Land

 


Land (Land, EUA, 2021) – Nota 6
Direção – Robin Wright
Elenco – Robin Wright, Demian Bichir, Sarah Dawn Pledge, Kim Dickens, Warren Christie, Finlay Wojtak Hissong, Brad Leland.

Após uma tragédia em sua vida, Edee (Robin Wright) abandona tudo para viver numa cabana em um local isolado nas montanhas do Wyoming. Não demora para ela descobrir como é difícil a vida em meio a natureza selvagem. 

Esta produção de baixo orçamento marca a estreia da Robin Wright na direção de um longa. Ela escolheu um história recheada de clichês sobre mudança de vida, trauma e redenção, porém tendo a seu favor as belíssimas paisagens de Alberta no Canadá, onde o longa realmente foi filmado. 

Algumas passagens na primeira parte são lentas e cansativas, com a história crescendo quando entra em cena o personagem de Demian Bichir. 

É um filme razoável, em que o cartão postal é melhor do que a narrativa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Morra Smoochy, Morra & Segredos de uma Novela

 


Morra Smoochy, Morra (Death to Smoochy, Inglaterra / Alemanha / EUA, 2002) – Nota 6
Direção – Danny DeVito
Elenco – Robin Williams, Edward Norton, Catherine Keener, Danny DeVito, Jon Stewart, Michael Rispoli, Pam Ferris, Danny Woodburn, Harvey Fierstein, Vincent Schiavelli, Robert Prosky.

Randolph (Robin Williams) é um famoso apresentador de um programa infantil de TV onde interpreta o personagem “Rainbow Randolph”. Sua vida é destruída quando o FBI o acusa de receber suborno dos pais para colocarem seus filhos no programa. 

Seu substituto é o jovem Sheldon (Edward Norton), criador do personagem Smoochy, um rinoceronte politicamente correto. Com ódio enorme de Sheldon, que também roubou sua amante (Catherine Keener). Randolph faz de tudo para tentar destruir seu substituto, sonhando em voltar a comandar o programa. 

Os bastidores dos programas infantis são repletos de histórias bizarras, assim como o programas de tv em geral, em que as pessoas escondem a verdadeira face quando a luz das câmeras é ligada. 

Este comédia dirigida por Danny DeVito brinca com esta situação através de sequências que beiram o humor negro com as atitudes patéticas dos envolvidos. Ele utiliza personagens caricatos para deixar tudo ainda mais insano, sem que isso seja de todo ruim, principalmente por causa do ótimo quarteto principal.

Segredos de uma Novela (Soapdish, EUA, 1991) – Nota 6,5
Direção – Michael Hoffman
Elenco – Sally Field, Kevin Kline, Robert Downey Jr., Elisabeth Shue, Cathy Moriarty, Whoopi Goldberg, Teri Hatcher, Paul Johansson, Kathy Najimy, Carrie Fisher, Costas Mandylor, Garry Marshall.

Celeste Tabert (Sally Field) é a temperamental estrela de uma novela que se sente ameaçada em perder seu espaço por estar envelhecendo. Com a audiência da novela caindo, o produtor (Robert Downey Jr.) e o diretor do canal (Garry Marshall) pensam em mudanças, até decidirem recontratar um antigo namorado de Celeste, o também temperamental Jeffrey Anderson (Kevin Kline). 

A premissa de mostrar os bastidores de uma novela em formato de comédia de costumes foi uma boa sacada que funcionou de forma apenas razoável. O estrelismo dos protagonistas, a inveja das jovens atrizes, o produtor sacana e outros personagens típicos do meio televisivo resultam em algumas sequências engraçadas e outras patéticas, mesmo entendendo que muito do mostrado aqui é a realidade dos conflitos entre famosos. 

Como curiosidade, onze depois em 2001, o diretor Michael Hoffman e o astro Kevin Kline voltariam a trabalhar juntos no superior “O Clube do Imperador”.

domingo, 29 de agosto de 2021

Assalto ao Banco da Espanha

 


Assalto ao Banco da Espanha (Way Down, Espanha, 2021) – Nota 7
Direção – Jaume Balagueró
Elenco – Freddie Highmore, Astrid Berges Frisbey, Sam Riley, Liam Cunningham, Jose Coronado, Luis Tosar, Emilio Gutierrez Caba, Axel Stein, Daniel Holguin, Famke Janssen.

Durante a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul em 2010, o caçador de tesouros Walter (Liam Cunningham) decide montar uma equipe para roubar antigas moedas valiosas que ele mesmo resgatou no mar, mas que foram tomadas pelo governo espanhol. O problema é que as moedas estão no Banco da Espanha, na região central de Madrid, dentro de um cofre aparentemente impenetrável. 

Para resolver o problema quase impossível, Walter convence o jovem e brilhante engenheiro Thom (Freddie Highmore) a participar do roubo, que deverá ser executado durante os jogos da seleção espanhola. 

Este bom filme segue todos os clichês das tramas sobre roubos, claramente inspirado na franquia “Onze Homens e um Segredo”, que chega a ser citada em um diálogo. 

Os aparatos tecnológicos utilizados e o cofre com aparência futurista e mecanismos de funcionamento no mínimo curiosos dão um ar de ficção em meio a ação. 

Não espere grandes interpretações ou surpresas, o que temos é um filme pipoca de boa qualidade e com um final que deixa escancarada a porta para uma sequência.

sábado, 28 de agosto de 2021

Tempos Modernos

 


Tempos Modernos (Modern Times, EUA, 1936) – Nota 10
Direção – Charles Chaplin
Elenco – Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Chester Conklin.

Um operário (Charles Chaplin) é designado para trabalhar com um moderna máquina automática que funciona ininterruptamente. Ao final do dia o operário está totalmente abalado, repetindo os movimentos e fazendo as pessoas ao redor acreditarem que ele está louco, fato que o leva para um sanatório. 

Este clássico de Chaplin é ao mesmo tempo uma genial crítica ao capitalismo e ao modelo de linha de montagem criado por Henry Ford, como também uma contradição, com Chaplin se valendo do capitalismo para ficar rico e famoso com seu talento, algo que numa sociedade comunista jamais aconteceria. Seu roteiro também visualizava as atitudes padronizadas, algo comum nos dias atuais e que pende muito para o comunismo/socialismo. 

Analisando somente como cinema, as sequências criadas por Chaplin são sensacionais, com gags visuais extremamente criativas valorizadas por sua habilidade corporal. 

É um clássico absoluto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Bill

 


Bill (Bill, EUA, 2007) – Nota 5,5
Direção – Bernie Goldman & Melissa Wallack
Elenco – Aaron Eckhart, Jessica Alba, Elizabeth Banks, Logan Lerman, Holmes Osborne, Todd Louiso, Timothy Oliphant, Craig Bierko, Reed Diamond, Kristen Wiig, Jason Sudeikis.

Bill (Aaron Eckhart) é sócio de um banco com o sogro e o cunhado, porém é tratado com desprezo pelos dois. Tudo piora quando ele descobre que sua esposa (Elizabeth Banks) está tendo um caso com um arrogante repórter de tv (Timothy Oliphant). Totalmente perdido, Bill consegue ajuda de onde menos espera, de um estudante (Logan Lerman) de quem ele se torna tutor escolar. 

Este é um filme difícil de gostar por causa da total falta de carisma do protagonista, não o ator, mas o personagem que é um bobalhão inseguro. Mesmo sendo uma comédia, suas atitudes e as situações que surgem são mais patéticas do que engraçadas. 

O filme tem apenas dois destaques. A beleza da personagem de Jessica Alba e o talento do sempre competente Logan Lerman, que tem o melhor personagem da história. 

O resultado é fraco e esquecível.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

O Retorno



O Retorno (Vozvrashchenie, Rússia, 2003) – Nota 8
Direção – Andrey Zvyagintsev
Elenco – Vladimir Garin, Ivan Dobronravov, Konstantin Lavronenko, Nataliya Vdovina.

Os irmãos Andrey (Vladimir Garin) e Ivan (Ivan Dobronravov) se assustam ao chegar em casa e encontrar o pai (Konstantin Lavronenko) que os abandonou com a mãe (Nataliya Vdovina) há doze anos. 

Sem explicar para os garotos onde estava ou porque retornou, o pai os leva para viajar durante alguns dias, com anuência da mãe. É o início de um complicado relacionamento entre pai e filhos. 

Este longa marcou a estreia na direção de Andrey Zvyagintsev, hoje conhecido por obras marcantes como “Leviathan” e “Sem Amor”. 

A proposta do roteiro não é dar respostas fáceis, mas sim deixar o espectador curioso junto com os garotos a respeito da vida do pai, que não fala praticamente nada sobre o que fez durante os doze anos de ausência. 

Algumas sequências em que o pai interage com estranhos, utiliza o telefone e encontra um determinado objeto são apenas pistas a serem analisadas e imaginadas. 

O desenvolvimento dos personagens é outro destaque. O pai é calado, o filho mais velho mostra felicidade ao reencontrá-lo, enquanto o garoto menor tem um caminhão de perguntas, não aceitando o silêncio do pai. 

Para quem gosta de dramas melancólicos, este longa é uma ótima opção.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Prova Final, Comportamento Suspeito & O Buraco

 


Prova Final (The Faculty, EUA, 1999) – Nota 6,5
Direção – Robert Rodriguez
Elenco – Elijah Wood, Jordana Brewster, Josh Hartnett, Shawn Hatosy, Clea Duvall, Robert Patrick, Salma Hayek, Bebe Neuwirth, Daniel Von Bargen, Jon Stewart, Piper Laurie, Christopher McDonald, Famke Janssen, Laura Harris, Usher.

Em um típico colégio americano, um grupo de alunos começa a perceber atitudes estranhas nos professores, incluindo um aparente assassinato em que a vítima volta à vida no dia seguinte. Tudo fica mais insano quando uma estranha espécime é encontrada no campo de futebol da escola. 

A união entre o criativo diretor Robert Rodriguez e o roteirista da franquia “Pânico” Kevin Williamson resultou em um gore adolescente que explora a clássica premissa de uma criatura utilizando humanos como hospedeiros semelhante a “O Enigma do Outro Mundo” e “Invasores de Corpos”. 

O filme está recheado de sangue e violência, ao estilo de Robert Rodriguez, porém deixa um pouco a desejar no desenvolvimento da trama. O elenco de jovens astros em ascensão segue o padrão dos filmes do gênero dos anos noventa.

Comportamento Suspeito (Disturbing Behavior, Austrália / EUA / Canadá, 1998) – Nota 6
Direção – David Nutter
Elenco – James Marsden, Katie Holmes, Nick Stahl, Tobias Mehler, Bruce Greenwood, William Sadler, Steve Railsback, Ethan Embry, Katharine Isabelle.

A família do adolescente Steve (James Marsden) muda de Chicago para a cidade pequena de Cradle Bay para tentar começar uma nova vida após o suicídio do outro filho. Perdido na nova escola, Steve termina se aproximando de Gabin (Nick Stahl) e Rachel (Katie Holmes), que também não se encaixam nos grupos comuns de adolescentes. 

Quando outros jovens começam a mudar de comportamento sem grande explicação, passando a agir de formas semelhantes, os novos amigos desconfiam de que algo fora do normal está ocorrendo no colégio. 

Este longa dirigido por David Nutter, responsável por vários episódios da série “Arquivo X”, explora o tema de uma aparente conspiração para criar sequências de tensão e suspense, além da dúvida em boa parte da narrativa se o que ocorre é algo sobrenatural. O roteiro tem alguns furos e as atuações também não ajudam, resultando em um suspense no máximo razoável.

O Buraco (The Hole, Inglaterra, 2001) – Nota 5,5
Direção – Nick Hamm
Elenco – Thora Birch, Desmond Harrington, Daniel Brocklebank, Laurence Fox, Keira Knightley, Embeth Davidtz, Steven Waddington, Anastasia Hille.

Em um colégio inglês, na véspera de um feriado, a jovem Liz (Thora Birch) convence o amigo Martin (Daniel Brocklebank) a mostrar um velho abrigo de guerra para outros três alunos. Mike (Desmond Harrington), Geoff (Laurence Fox) e Frankie (Keira Knightley) aceitam passar o feriado no local junto com Liz como aventura. O que eles não esperavam é que Martin desapareceria, deixando os quatro estudantes presos no abrigo. 

A intrigante premissa aos poucos se perde em meio a uma narrativa entrecortada com situações estranhas e atuações ruins. Os conflitos que explodem entre os jovens presos no abrigo beiram a caricatura em alguns momentos. A reviravolta na metade da trama não chega a ser uma grande surpresa, chegando até um final que deixa a desejar.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Taxi Driver

 


Taxi Driver (Taxi Driver, EUA, 1976) – Nota 9
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Robert De Niro, Cybill Shepherd, Harvey Keitel, Jodie Foster, Albert Brooks, Diahnne Abbott, Peter Boyle, Victor Argo, Martin Scorsese

Travis Bickle (Robert De Niro) é um veterano do Vietnã que tenta retomar uma vida normal como motorista de táxi em Nova York. Lutando contra os traumas causados pelos horrores que vivenciou na guerra, aos poucos Travis é engolido pela loucura da cidade. Sua relação com Betsy (Cybill Shepherd) não avança, enquanto ele sente o desejo de proteger uma prostituta adolescente (Jodie Foster) de seu cafetão (Harvey Keitel). 

Clássico absoluto dos anos setenta, este longa de Martin Scorsese foi um dos primeiros a explorar os traumas que atingiram muitos jovens que lutaram no Vietnã, misturando isso com a fauna da violenta e decadente Nova York dos anos setenta. Inferninhos, boates, cinemas pornô e figuras exóticas levam o protagonista a uma espiral de loucura. 

A atuação de Robert De Niro é uma das mais marcantes da história do cinema, com sequências fortes como o diálogo com o espelho, a filme erótico com a namorada e o clímax com o penteado moicano. 

Não se pode deixar de citar a atuação espontânea de Jodie Foster, em um papel que hoje dificilmente existiria por causa do politicamente correto.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A Tabacaria

 


A Tabacaria (Der Trafikant, Áustria / Alemanha, 2018) – Nota 7=
Direção – Nikolaus Leytner
Elenco – Simon Morzé, Bruno Ganz, Johannes Krisch, Emma Drogunova, Regina Fritsch, Karoline Eichhorn.

Áustria, 1938. Em uma pequena cidade do interior do país, Franz Huchel (Simon Morzé) é um jovem de dezessete anos que vive com a mãe. Pensando em dar um futuro melhor para o filho, ela o envia para Viena para trabalhar na tabacaria de Otto (Johannes Krisch). 

Ao mesmo tempo em que o jovem se apaixona por uma imigrante (Emma Drogunova) e fica maravilhado ao conhecer Sigmund Freud (Bruno Ganz), que é cliente da tabacaria, precisa também enfrentar a realidade do avanço nazista dominando a cidade. 

Baseado em um best seller, este longa detalha com sensibilidade o amadurecimento de um jovem em meio a uma época extremamente conturbada. Por sinal, a reconstituição de época é caprichada, inclusive nos pequenos detalhes da tabacaria. 

Mesmo com uma boa atuação de Bruno Ganz, o personagem de Freud é pouco explorado em relação ao seu conhecimento, sendo mais um coadjuvante de luxo. 

É um filme interessante com uma premissa que poderia ter rendido algo ainda melhor.

domingo, 22 de agosto de 2021

Target Number One

 


Target Number One (Targer Number One, Canadá, 2020) – Nota 7
Direção – Daniel Roby
Elenco – Josh Hartnett, Antoine Olivier Pilon, Stephen McHattie, Jim Gaffigan, Cory Lipman, Don McKellar, Amanda Crew, Rosie Marie Perreault.

Toronto, 1989. Daniel (Antoine Olivier Pilon) é um jovem viciado em drogas que consegue trabalho com o dono de um barco, o vigarista Glen (Jim Gaffigan), que negocia drogas e ao mesmo tempo é informante da polícia. Em paralelo, o jornalista Victor Malarek (Josh Hartnett) investiga o nebuloso caso de um traficante canadense preso na Tailândia. 

Inspirado em uma história real, este longa detalha um emaranhado de situações ilegais e imorais envolvendo diversos personagens, cada um deles com seu objetivo próprio. 

Não demora para o espectador amarrar as pontas da trama, mas isso não atrapalha no interesse em saber como tudo acabaria. O ideal é não ler sobre a história real antes de ver o filme. 

Destaque para as sequências em locais decadentes da Tailândia e para o personagem canalha vivido pelo comediante Jim Gaffigan, que vem mudando o foco da carreira nos últimos anos.

sábado, 21 de agosto de 2021

Collision & What Remains

 


Collision (Collision, Inglaterra, 2009) – Nota 6,5
Direção – Marc Evans
Elenco – Douglas Henshall, Kate Ashfield, Lucy Griffiths, Phil Davis, Claire Rushbrook, Paul McGann, Matt Ryan, David Bamber, Jo Woodcock, Christopher Fulford, Sylvia Sims.

Um acidente em uma rodovia envolvendo alguns veículos muda para sempre a vida de várias pessoas. Em paralelo aos dramas familiares, o inspetor John Tollin (Douglas Henshall) investiga o ocorrido e suas consequências, tentando entender a participação de cada pessoa no acidente. 

A premissa desta minissérie inglesa de cinco episódios é bastante curiosa ao explorar um múltiplo acidente como ponto zero da trama. Os dois primeiros episódios são os melhores, tanto pelo drama envolvendo as pessoas que de uma forma ou de outra foram atingidos pelo acidente, como pelas dúvidas em relação as atitudes de alguns personagens. 

Este suspense perde força nos episódios seguintes, muito por tentar inserir várias situações fora da lei que deixam a história um pouco forçada. O resultado é razoável, com a ideia inicial sendo melhor que a execução.

What Remains (What Remains, Inglaterra, 2013) – Nota 7
Direção – Coky Giedroyc
Elenco – David Threlfall, David Bamber, Indira Varma, Russell Tovey, Denise Gough, Steven Mackintosh, Alexander Arnold, Lisa Millett, Amber Rose Revah, Claudie Blakley, Jessica Gunning, Victoria Hamilton.

O corpo de uma mulher é encontrado no sótão de um velho casarão inglês que é dividido em apartamentos onde vivem algumas pessoas. 

O grande enigma é que o corpo estava no local há muito tempo, sem que morador algum tivesse percebido ou mesmo se preocupado com o sumiço da mulher que morava em um dos apartamentos. 

Mesmo prestes a se aposentar, o policial Len Harper (David Threlfall) fica obcecado em descobrir o que aconteceu, acreditando em um assassinato. 

Esta minissérie em quatro episódios tem como destaque a fauna de moradores do local, que guardam segredos levando esta situação a um ponto em que falta caráter a quase todos os envolvidos. 

São pistas que escondem a identidade e a motivação do assassino até o episódio final. A trama prende a atenção com base na investigação e nos segredos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Our Boys

 


Our Boys (Our Boys, Israel / EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Joseph Cedar & Tawfik Abu Wael
Elenco – Shlomi Elkbaetz, Johnny Arbid, Adam Gabay, Ruba Blal, Yaacov Cohen, Or Ben Melech, Eyal Shikrtazy, Lior Ashkenazi, Michael Aloni, Amittai.

Jerusalém, 2014. Três adolescentes israelenses são sequestrados por palestinos. Alguns dias depois os corpos são encontrados, causando uma enorme comoção no país, inclusive protestos pedindo vingança. Um ato absurdo cometido por alguns judeus da mesma família como vingança elevam a crise no país a um patamar ainda mais violento. 

Baseada em uma história real, esta minissérie em dez episódios detalha os dois lados da eterna guerra entre judeus e palestinos. Por sinal, a minissérie é dirigida por um judeu e um palestino, tentando dar um ar de igualdade no tratamento da história, mostrando os erros e os acertos dos dois lados. 

A narrativa prende a atenção através dos detalhes da investigação, dos interrogatórios, dos dramas familiares e por fim do julgamento, tudo isso com a religião e os costumes interferindo a todo momento, além do ódio. 

No final, o espectador terá uma visão bem detalhada de como é complicada a situação naquela região e que dificilmente algum dia terá uma solução levando a paz.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

O Homem do Coração de Ferro

 


O Homem do Coração de Ferro (HHhH, EUA / França / Inglaterra / Bélgica / Alemanha, 2017) – Nota 7
Direção – Cedric Jimenez
Elenco – Jason Clarke, Rosamund Pike, Jack O’Connell, Jack Reynor, Mia Wasikowska, Stephen Graham, Thomas M. Wright, Barry Atsma, Geoff Bell, Enzo Cilenti.

Este longa detalha praticamente duas histórias. A primeira parte explora a vida do nazista Reinhard Heydrich (Jason Clarke), que cresce dentro do partido ao se casar com a aristocrata Lina Von Osten (Rosamund Pike), até chegar ao topo da carreira como o administrador de Praga na Tchecoslováquia em 1942 durante a Segunda Guerra Mundial. 

A segunda parte foca na chamada “Operação Anthropoid”, em que dois tchecos que viviam na Inglaterra (Jack O’Connell e Jack Reynor) aceitam a missão de voltar ao seu país e ajudar a Resistência a assassinar Heydrich. 

As duas histórias são baseadas em fatos reais, o problema é que são muitas situações para um filme apenas. O crescimento de Heydrich na carreira é mostrado quase que em tópicos, sem muitos detalhes e deixando claro como o sujeito era um psicopata. 

A segunda parte é a melhor, mas perde pontos para quem viu o superior “Operação Anthropoid” produzido em 2016, que detalhava a mesma história com um desenvolvimento mais completo dos personagens. 

A produção é caprichada, tem bom elenco, porém faltou aquele algo a mais para ser um grande filme.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Máfia Digital

 


Máfia Digital (Crypto, EUA, 2019) – Nota 5,5
Direção – John Stalberg Jr.
Elenco – Beau Knapp, Luke Hemsworth, Kurt Russell, Jill Hennessy, Alexis Bledel, Vincent Kartheiser, Malaya Rivera Drew, Jeremie Harris.

Martin Duran (Beau Knapp) trabalha como auditor em um grande banco. Ao descobrir uma falcatrua e denunciar, ele acaba sendo transferido para uma pequena filial em sua cidade natal. 

Na pequena cidade, ele novamente encontra um esquema de corrupção, aparentemente ainda mais perigoso. Além disso, Martin precisa fazer as pazes com o pai (Kurt Russell) e o irmão (Luke Hemsworth) que são donos de uma fazenda que passa por dificuldades financeiras. 

A premissa de explorar corrupção financeira é bastante interessante, mas infelizmente o roteiro faz uma salada russa ao misturar outros temas como bitcoins, mafiosos e conflitos familiares. São várias situações que o roteiro cheio de falhas não se aprofunda, além de entregar um final apressado. 

É um filme com uma boa produção que esconde um história mal desenvolvida.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Manipulador de Cérebros



Manipulador de Cérebros (The Killing Room, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Jonathan Liebesman
Elenco – Chloe Sevigny, Peter Stormare, Timothy Hutton, Nick Cannon, Clea Duvall, Shea Whigham.

Os letreiros iniciais citam que órgãos secretos do governo americano comandaram experiências psicológicas em pessoas comuns durante os anos sessenta e setenta. 

Neste contexto, quatro desconhecidos (Timothy Hutton, Nick Cannon, Clea Duvall e Shea Whigham) são reunidos em uma estranha sala para o que seria uma pesquisa. Eles são observados por um sujeito (Peter Stormare) e uma especialista novata (Chloe Sevigny), até que a experiência se torna real e extremamente cruel. 

Nos trinta minutos iniciais o espectador vê uma trama intrigante, tentando entender o porquê da experiência. Quando começa a ação a narrativa se perde um pouco, até retomar o caminho de forma sinistra na parte final. 

No geral é um filme interessante, ao estilo de obras como “Cubo” e “Escape Room”, porém sem a mesma qualidade.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Vozes & Vem Brincar

 


Vozes (Voces, Espanha, 2020) – Nota 6,5
Direção – Angel Gomez Hernandez
Elenco – Rodolfo Sancho, Ana Fernandez, Ramon Barea, Belen Fabra, Lucas Blas, Nerea Barros.

Daniel (Rodolfo Sancho) e Sara (Belen Fabra) mudam para uma enorme casa em local isolado com o filho Eric (Lucas Blas), que logo começa a ouvir vozes. Uma tragédia leva a família a contatar um escritor especializado em eventos paranormais (Ramon Barea) para tentar descobrir o que ocorre na casa. 

É mais um filme que explora o batido tema do casarão antigo que esconde algo maligno relacionado ao passado. O clima de tragédia e algumas sequências mais fortes compensam a narrativa irregular e as atuações ruins. Outro ponto a destacar é a surpresa final. Apesar das falhas, é um suspense que prende a atenção.

Vem Brincar (Come Play, EUA, 2020) – Nota 6
Direção – Jacob Chase
Elenco – Gillian Jacobs, John Gallagher Jr., Azhy Robertson, Winslow Fegley.

Oliver (Azhy Robertson) é um garotinho que não consegue falar e passa seu tempo livre com aparelhos eletrônicos. Ao descobrir um estranho aplicativo com uma história sobre uma criatura chamada Larry, Oliver passa a ser perseguido por algo sobrenatural, afetando também seus pais (Gillian Jacobs e John Gallagher Jr.). 

O diretor Jacob Chase adaptou o seu próprio curta metragem que tem uma premissa incomum, porém uma trama bastante previsível. A escolha de utilizar um “aplicativo maligno” dá uma cara de modernidade, assim como de colocar como protagonista um garoto que se comunica utilizando um celular. Infelizmente o desenvolvimento da trama não tem surpresas, explorando clichês como luzes apagando, ventanias e vultos. É um filme no máximo razoável e totalmente esquecível.

domingo, 15 de agosto de 2021

A Verdade

 


A Verdade (La Verité, França / Japão / Suíca, 2019) – Nota 6
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Catherine Deneuve, Juliette Binoche, Ethan Hawke, Clementine Grenier, Manon Clavel, Alan Libolt, Christian Crahay, Rober Van Hool, Ludivine Sagnier.

Fabienne Dangeville (Catherine Deneuve) é um veterana atriz que está lançando um livro autobiográfico. Ela também participa como coadjuvante de um novo filme. Sua filha Lumie (Juliette Binoche) vem de Nova York com seu marido Hank (Ethan Hawk) e a filha Charlotte (Clementine Grenier) por causa do livro, sem imaginar que o conteúdo é bem diferente da realidade. 

Por mais que seja um filme sobre relacionamentos familiares complicados, especialidade do japonês Hirokazu Koreeda, fica difícil ver a mão do diretor no desenvolvimento da história e até mesmo no estilo da narrativa. 

Seus filmes anteriores exploravam dramas fortes com personagens complexos, diferente deste que parece ter sido dirigido por um diretor francês qualquer. 

É um filme sem emoção e cansativo, em que nem mesmo o ótimo trio principal e a questão da “verdade” ser considerada algo pessoal na proposta do roteiro faz o espectador manter o interesse.

sábado, 14 de agosto de 2021

Apocalypto

 


Apocalypto (Apocalypto, EUA / México / Inglaterra, 2006) – Nota 7,5
Direção – Mel Gibson
Elenco – Rudy Youngblood, Jonathan Brewer, Gerardo Taracena, Raoul Max Trujillo.

Durante o Império Maia, uma tribo que vive em paz na floresta é atacada por um grupo que deseja transformar os homens em escravos para construir obras para os deuses e depois sacrificá-los. Neste contexto, um jovem (Rudy Youngblood) vê sua aldeia ser destruída e se torna escravo, tendo de lutar para sobreviver. 

O roteiro escrito por Mel Gibson em parceria com Farhad Safinia destrói a versão histórica romantizada de que os Maias eram um povo evoluído. Eles provavelmente tinham conhecimento de astronomia e engenharia, mesmo sem saber exatamente o que seria, mas ao mesmo tempo eram selvagens que acreditavam em sacrifícios humanos, deuses vingativos e transformavam seu próprio povo em escravos. 

O filme é cru, violento e falado na linguagem Maia, com todas as sequências ao ar livre, sendo a maioria na floresta, além de uma longa sequência na cidadela. Por sinal, por mais que estas cenas na cidadela estejam dentro da proposta de mostrar os sinistros rituais, elas resultam na parte mais irregular do longa, chegando a ser cansativa. Isso acaba sendo compensado na eletrizante sequência final, mesmo com alguns exageros. 

Além de carismático como ator e polêmico, Mel Gibson também já comprovou ser um talentoso diretor.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Bloodlands

 


Bloodlands (Bloodlands, Inglaterra, 2021) – Nota 6,5
Direção – Pete Travis
Elenco – James Nesbitt, Lorcan Cranitch, Charlene McKenna, Lisa Dwan, Lola Petticrew, Chris Walley, Michael Smiley, Ian McElhinney, Peter Ballance.

Em uma cidade do interior da Irlanda do Norte, o sequestro de um homem ligado ao antigo grupo terrorista IRA leva o inspetor Tom Brannick (James Nesbitt) a ligar o fato a um caso ocorrido em 1998. 

O desaparecimento de três homens e da própria esposa de Brannick teriam sido obra de um assassino apelidado de Goliath que nunca teve sua identidade descoberta. 

Esta minissérie em quatro episódios explora uma trama extremamente complexa envolvendo política, manipulação e vingança. Uma grande surpresa ocorre no meio da minissérie, mudando completamente o foco do espectador em relação ao provável criminoso. 

Por mais que o clima seja tenso em alguns momentos e dramático em outros e a história prenda a atenção, não dá para deixar passar alguns furos, como por exemplo no clímax do episódio final. 

O roteiro ainda deixa algumas pontas em aberto para uma possível nova temporada.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Voice of Silence & The Witness

 


Voice of Silence (Sorido Eopsi, Coreia do Sul, 2020) – Nota 6,5
Direção – Eui Jeong Hong
Elenco – Ah In Woo, Yoo Jae Myung, Seung Ah Moon, Ka Eun Lee.

Na sequência inicial, Chang (Yoo Jae Myung) e Tae (Ah In Woo) estão vendendo ovos em uma vila como se fossem comerciantes comuns. Quando voltam para a granja de Chang, descobrimos que eles completam a renda trabalhando para uma quadrilha, enterrando corpos de desafetos que foram torturados pelos criminosos. 

A proximidade com os bandidos os obriga a cuidar de uma nova situação. Esconder uma pessoa que foi sequestrada até o resgate ser o pago. Tudo fica pior quando eles descobrem que a vítima é uma garotinha (Seung Ah Moon). 

Esta curiosa mistura de drama, policial e até humor negro amarra uma série de situações inusitadas que mudam completamente o destino dos envolvidos. O roteiro vai além da questão policial, inserindo ainda problemas familiares, ganância e tendo um rapaz mudo como um dos protagonistas. 

O papel de Ah In Woo, protagonista do superior “Em Chamas”, é o destaque. Seu desespero em demonstrar o que pensa ou que deseja sem poder falar é angustiante em algumas sequências. 

No geral é um filme diferente e irregular, que deixa ainda um final em aberto para o espectador imaginar o que aconteceu.

The Witness (Mok-Gyeok-Ja, Coreia do Sul, 2018) – Nota 7
Direção – Kyu Jang Cho
Elenco – Sung Min Lee, Kim Sang Ho, Jin Kyung, Si Yang Kwok.

Feliz por ter comprado um apartamento para morar com a esposa e a filha pequena, Sang (Sung Min Lee) vê sua vida virar de ponta a cabeça ao testemunhar o assassinato de uma garota. 

Da varanda de seu apartamento em um condomínio de vários prédios, ele viu um sujeito (Si Yang Kwok) cometer o crime durante uma madrugada. Com medo de se apresentar à polícia, Sang fica desesperado ao perceber que o assassinado está rondando sua casa. 

Este competente suspense sul-coreano segue a fórmula do filmes hollywoodianos do gênero. Não tem surpresas, são sequências de suspense intercaladas com violência e um policial (Kim Sang Ho) obcecado em encontrar o assassino, tudo isso levando até um inevitável clímax. 

A falta de coragem das pessoas em ajudar alguém em perigo é outro ponto explorado pelo roteiro, fato explicitado na cena final.


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

O Divo

 


O Divo (Il Divo, Itália / França, 2008) – Nota 7,5
Direção – Paolo Sorrentino
Elenco – Toni Servillo, Anna Bonaiuto, Flavio Bucci, Carlo Bucirosso, Giorgio Colangeli, Piera Degli Esposti.

Giulio Andreotti (Toni Servillo) foi um político que por quase cinquenta anos ocupou vários cargos no governo italiano, sendo por cinco vezes Primeiro-Ministro. 

Este longa escrito e dirigido por Paolo Sorrentino foca no último mandato de Andreotti que acabou em 1992 em meio a uma acusação de ligação com a Máfia Siciliana, a Costa Nostra. 

Com seu estilo peculiar de contar histórias com pequenas cenas que parecem aleatórias, outras em que a música é ponto importante e citando na tela os nomes e detalhes de cada personagem político, Sorrentino ajuda o espectador que gosta do tema a entender como funcionava os bastidores do poder na Itália na época. 

Quem não conhece pelo menos um pouco sobre a política italiano é melhor não arriscar, com certeza ficará perdido em meio a tantos detalhes, personagens e situações. 

Destaque para a ótima e minimalista atuação de Toni Servillo, parceiro de Sorrentino em outros trabalhos e que aqui parece ter incorporado o verdadeiro Andreotti.


terça-feira, 10 de agosto de 2021

O Convidado

 


O Convidado (The Wedding Guest, Inglaterra, 2018) – Nota 6,5
Direção – Michael Winterbottom
Elenco – Dev Patel, Radhika Apte, Jim Sarbh, Harish Kanna.

Em uma intrigante primeira parte, acompanhamos um personagem (Dev Patel) fazendo todo o percurso de avião e posteriormente de carro entre Londres e o interior do Paquistão. Ao chegar numa pequena vila, descobrimos que ele viajou por causa de um casamento, porém sem saber exatamente qual seu objetivo. 

Este início passa a impressão de que veremos um longa de suspense bastante interessante, até com alguma tensão que surge logo em seguida. O grande problema é que a história avança e muda o foco para algo mais pessoal, chegando até um final morno, sem clímax. 

O ponto alto são as locações pelo interior da Índia e do Paquistão, mostrando o contraste entre os hotéis de luxo e a vida normal das pessoas comuns. 

É tudo muito bem filmado, como é comum na carreira do diretor Michael Winterbottom, porém faltou uma conclusão melhor.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Doutor Castor

 


Doutor Castor (Brasil, 2021) – Nota 8,5
Direção – Marco Antonio Araujo
Documentário

Castor de Andrade foi um ícone no Rio de Janeiro dos anos sessenta até sua morte em meados do noventa, tanto para o bem, quanto para o mal. 

Este documentário em quatro episódios detalha a vida do homem que elevou para outro patamar o Jogo do Bicho, o time de futebol do Bangu e o carnaval do RJ através da escola de samba Unidos de Padre Miguel. São detalhados seus feitos e também toda a corrupção e violência por trás da “casca” de empresário. 

Os depoimentos são muitos interessantes por mostrarem visões diferentes do mesmo homem. Para as atletas que jogaram no Bangu Castor era um paizão que pagava altos salários e bichos gordos nas vitórias. 

Para os jornalistas Castor era um bandido disfarçado de empresário, com alguns depoimentos demonstrando até mesmo ódio. 

Enquanto que para outras pessoas que eram seus amigos, Castor era um benfeitor que ajudava todos que precisavam. 

É um doc indicado para quem gosta de futebol, samba e também para quem tem curiosidade sobre figuras públicas polêmicas.

domingo, 8 de agosto de 2021

Renascida do Inferno & Os Mensageiros

 


Renascida do Inferno (The Lazarus Effetct, EUA, 2015) – Nota 5,5
Direção – David Gelb
Elenco – Mark Duplass, Olivia Wilde, Sarah Bolger, Evan Peters, Donald Glover, Ray Wise.

Frank (Mark Duplass) e Zoe (Olivia Wilde) são um casal de cientistas que estuda regeneração de células. Em um destes experimentos, eles conseguem ressuscitar um cão. Junto com dois assistentes (Evan Peters e Donald Glover) e uma documentarista (Sarah Bolger), eles decidem esconder o resultado da experiência, até que um novo fato faz com que o grupo tente ir além, sem saber das consequências. 

Esta ficção mistura ideias do clássico “Frankenstein” com longas como “Linha Mortal” e “Alucinações do Passado” entregando uma trama repleta de clichês. As discussões na parte inicial sobre vida após a morte pareciam promissoras, até isso ser deixado de lado em prol do habitual rastro de violência deste tipo de filme, com direito a um final aberto. 

Para quem conhece o gênero, este é mais um filme da Blumhouse, produtora especializada em suspense e terror.

Os Mensageiros (The Messengers, EUA, 2007) – Nota – 5,5
Direção – Danny & Oxide Pang
Elenco – Dylan McDermot, Penelope Ann Miller, Kristen Stewart, John Corbett, William B. Davis, Brent Briscoe, Dustin Milligan, Jodelle Ferland.
 
O casal Roy (Dylan McDermot) e Denise (Penelope Ann Miller) tenta recomeçar a vida com a filha adolescente Jess (Kristen Stewart) e o filho de dois anos Ben em uma fazenda na Dakota do Norte. Não demora para aparições assombrarem a família, principalmente Jess, que a princípio é a única a sofrer. 

Os irmãos chineses Pang foram responsáveis pela edição do sensacional “Conflitos Internos”, refilmado com sucesso por Scorsese no premiado “Os Infiltrados” e tiveram um certo reconhecimento dirigindo os filmes de terror “Visões I e II”, o que abriu as portas para o mercado americano. 

Infelizmente este “Os Mensageiros” e na sequência “Perigo em Bagnkok” com Nicolas Cage fracassaram, sendo que este segundo ainda é melhor do que o filme que comento aqui. 

Este “Os Mensageiros” explora os clichês do gênero, o que muitas vezes dá certo, porém falha pelo roteiro ruim que entrega uma reviravolta cheio de furos no clímax. 

Os fracassos destes longas levaram os irmãos Pang de volta para filmar na China.

sábado, 7 de agosto de 2021

O Diabo de Cada Dia

 


O Diabo de Cada Dia (The Devill All the Time, EUA, 2020) – Nota 7,5
Direção – Antonio Campos
Elenco – Tom Holland, Bill Skarsgard, Robert Pattinson, Haley Bennett, Riley Keogh, Jason Clarke, Sebastian Stan, Kristin Griffith, Eliza Scanlen, Harry Melling, Michael Banks Repeta.

Em três épocas diferentes (1945, 1957 e 1964), em duas cidades das zona rural de Ohio e West Virginia, as vidas de vários personagens se cruzam em meio a violência, a maldade e o fanatismo religioso. É um filme que quanto menos detalhes o espectador souber, mais interessante será ao ser visto. 

Não é um história de grandes surpresas, na verdade o cinéfilo mais experiente vai desconfiar rapidamente de como o destino levará alguns dos personagens a acertos de contas que terminarão da pior forma possível. 

A proposta do roteiro escrito pelo diretor Antonio Campos em parceria com seu irmão Paulo é mostrar como a religião pode ser distorcida pela ignorância de alguns e também pela maldade de outros. 

Os destaques do elenco ficam para o confuso veterano de guerra vivido por Bill Skasgard e o pastor canalha de Robert Pattinson. 

É um filme que deixa claro que o mal é algo real causado pelo próprio ser humano.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Os Miseráveis

 

Os Miseráveis (Les Misérables, França, 2019) – Nota 8
Direção – Ladj Ly
Elenco – Damien Bonnard, Alexis Manenti, Djebril Zonga.

Stephane Ruiz (Damien Bonnard) é um policial que pediu transferência de uma cidade do interior para Paris. No primeiro dia na nova delegacia ele é designado para trabalhar com Chris (Alexis Manenti) e Gwada (Djebril Zonga). 

O que seria um dia para conhecer o trabalho, se torna um inferno quando um determinado fato dá início a uma série de situações que criam uma enorme tensão entre gangues. 

Nascido em Mali, o diretor e roteirista Ladj Ly detalha a vida na periferia de Paris onde policiais e gangues de imigrantes vivem em um eterno conflito. O ódio contra a polícia alimenta as novas gerações, o que faz com que muitos jovens vejam as gangues como a chance de serem respeitados. 

O roteiro explora a tênue linha que os policiais enfrentam entre cumprir a lei gerando o caos ou criar soluções à margem desta para tentar manter uma aparente paz. A história deixa claro que este mundo é uma panela de pressão prestes a explodir. 

O resultado é um filme bastante realista sobre um problema que parece não ter fim.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Fúria Incontrolável

 


Fúria Incontrolável (Unhinged, EUA / Inglaterra, 2020) – Nota 7
Direção – Derrick Borte
Elenco – Russell Crowe, Caren Pistorius, Gabriel Bateman, Jimmi Simpson, Austin P. McKenzie, Juliene Joyner.

Na sequência inicial, um sujeito (Russell Crowe) invade uma bela casa de subúrbio, mata um casal e coloca fogo no local. No dia seguinte, Rachel (Caren Pistorius) está levando seu filho Kyle (Gabriel Bateman) para a escola quando se envolve em uma discussão de trânsito com o mesmo homem. Ao invés de tudo acabar ali, o assassino decide perseguir Rachel, dando início a um dia infernal na vida da  mulher. 

Este violento longa de ação e suspense com uma trama previsível explora todos os clichês possíveis do gênero de uma forma bastante competente. Acaba sendo uma contradição, o que seria algo ruim resulta em uma obra ágil que prende a atenção do início do fim. 

A curta duração, as sequências de perseguição de automóvel e um sinistro Russell Crowe totalmente acima do peso são os destaques. 

Vale citar que as motivações do protagonista lembram um pouco o hoje clássico “Um Dia de Fúria”, porém com uma explosão de ódio muito mais violenta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Procura-se

 


Procura-se (The Vanished, EUA, 2020) – Nota 5,5
Direção – Peter Facinelli
Elenco – Thomas Jane, Anne Heche, Jason Patrick, Peter Facinelli, Alex Haydon, Aleksei Archer, Kristopher Wente, John D. Rickman, KK Heim.

O casal Paul (Thomas Jane) e Wendy (Anne Heche) viaja com sua filha pequena Taylor (KK Heim) para um acampamento de trailers na beira de um lago. Pouco tempo após chegarem no local a garota desaparece sem deixar vestígios. A polícia é chamada e inicia uma busca, ao mesmo tempo em que cresce o desespero do casal. 

Este suspense policial escrito e dirigido pelo ator Peter Facinelli tem uma premissa batida, mas bastante interessante e uma surpresa final também bem amarrada. O problema está no desenvolvimento da história e nas atuações do elenco recheado de canastrões. 

Fica difícil levar a sério uma trama em que a investigação policial é uma piada repleta de furos. Os personagens policiais de Jason Patrick e do próprio Peter Facinelli são pessimamente desenvolvidos. 

Infelizmente é um longa que desperdiça totalmente o potencial da premissa.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Rainha de Copas & O Affair

 


Rainha de Copas (Dronningen, Dinamarca / Suécia, 2019) – Nota 7,5
Direção – May El-Toukhy
Elenco – Trine Dyrholm, Gustav Lindh, Magnus Krepper, Liv Esmar Dannemann.

Anne (Trine Dyrholm) é uma advogada de meia-idade que vive um casamento comum com Peter (Magnus Krepper), com quem tem filhas gêmeas pré-adolescentes. Quando Gustav (Gustav Lindh), que é filho de Peter de seu primeiro casamento vem morar com a família, tudo muda. A difícil relação de Gustav com o pai é apenas o início do problema que aumenta quando o jovem se envolve sexualmente com Anne. 

Esta complexa produção com cenas de sexo ousadas explora também a questão do abuso. A protagonista defende casos em que suas clientes sofreram algum tipo de abuso, além do roteiro deixar no ar que ela mesma foi vítima quando jovem. 

A contradição surge quando ela se envolve com o enteado de dezessete anos, situação que vai contra tudo o que a personagem defende no dia a dia. A relação consensual aos poucos se transforma em algo mais complicado, colocando o caráter da protagonista em julgamento. 

É um filme que faz pensar sobre como as pessoas escondem segredos e desejos.

O Affair (En Affaere, Noruega, 2018) – Nota 7
Direção – Henrik Martin Dahlsbakken
Elenco – Andrea Braein Hovig, Tarjei Sandvik Moe, Carsten Bjornlund, Anneke von der Lippe, Agnes Kittelsen.

Anita (Andrea Braein Hovig) inicia em um emprego como professora de educação física em um colégio. Vivendo um casamento frio com Hasse (Carsten Bjornlund) e frustrada sexualmente, Anita termina por se envolver com o aluno Markus (Tarjei Sandvik Moe). O que começa com uma aventura sexual, se torna uma obsessão que afetará a vida de outras pessoas ao redor. 

O roteiro escrito pelo diretor Henrik Martin Dahlsbakken explora a questão da frustração sexual que em um determinado momento explode de uma forma proibida e de como para alguns o sexo é uma arma poderosa de manipulação. 

Destaque para as cenas ousadas e para a interpretação de Andrea Braein Hovig, que navega da insegurança para o risco, passando pela manipulação e o arrependimento.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

A Sombra de Stalin

 


A Sombra de Stalin (Mr. Jones, Polônia / Inglaterra / Ucrânia, 2019) – Nota 7
Direção – Agnieszka Holland
Elenco – James Norton, Vanessa Kirby, Peter Sarsgaard, Joseph Mawle, Kenneth Cranham, Celyn Jones, Krzysztof Pieczynski.

Londres, 1934. O jovem Gareth Jones (James Norton) é um assessor do primeiro-ministro inglês Lloyd George (Kenneth Cranham) que é tratado com desprezo e perde o emprego após alertar as autoridades de seu país que Hitler pretende iniciar um guerra em breve, com o objetivo de dominar a Europa. Pouco tempo antes, Jones havia feito uma entrevista com o próprio Hitler e com Joseph Goebbels. 

Mesmo sem emprego, ele decide ir até a União Soviética para tentar entrevistar Stalin, acreditando que uma aliança entre soviéticos e ingleses seja o caminho para enfrentar Hitler. O que ele não imaginava era encontrar outro sistema cruel que estava longe do paraíso divulgado pelos soviéticos e socialistas ao resto do mundo. 

Baseado em uma história real, este longa dirigido pela polonesa Agnieszka Holland mostra o fim de um sonho para o protagonista, que fica revoltado ao descobrir a perseguição politica em Moscou e devastado ao ver e vivenciar a fome na Ucrânia, no que ficou como conhecido como “Holodomor”, em que milhões de ucranianos morreram de fome. 

Além do protagonista, o roteiro ainda cita dois personagens reais famosos. O jornalista americano Walter Duranty (Peter Sarsgaard), colaborador do regime soviético que fechou os olhos para as atrocidades cometidas no país e o escritor George Orwell (Joseph Mawle), que utilizou os relatos de Jones para escrever a fábula adulta “A Revolta dos Bichos” e em seguida o assustador “1984”, obras que infelizmente ainda continuam bastante atuais.

domingo, 1 de agosto de 2021

O Turista



O Turista (The Tourist, EUA / França / Itália / Inglaterra, 2010) – Nota 5
Direção – Florian Henckel von Donnersmarck
Elenco – Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell, Christian De Sica.

Em Roma, uma mulher misteriosa (Angelina Jolie) é seguida por policiais e consegue despistá-los ao entrar em um trem. No trem, ela se aproxima de um turista americano (Johnny Depp), que logo demonstra interesse nela, porém que também está sendo perseguido, porém por um grupo criminoso. 

É difícil entender como o então promissor diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck entregou um filme tão vazio como este após o ótimo e doloroso “A Vida dos Outros” que venceu o Oscar de Filme Estrangeiro quatro anos antes. 

A produção caprichada e as ótimas locações na Europa escondem uma trama boba de suspense que tem um clímax constrangedor e atuações que parecem de um comercial de tv. A interpretação automática de Johnny Depp passa longe de seus melhores momentos, enquanto Angelina Jolie parece estar em um desfile de moda por todo filme. 

É um filme totalmente descartável.