domingo, 1 de agosto de 2021

O Turista



O Turista (The Tourist, EUA / França / Itália / Inglaterra, 2010) – Nota 5
Direção – Florian Henckel von Donnersmarck
Elenco – Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell, Christian De Sica.

Em Roma, uma mulher misteriosa (Angelina Jolie) é seguida por policiais e consegue despistá-los ao entrar em um trem. No trem, ela se aproxima de um turista americano (Johnny Depp), que logo demonstra interesse nela, porém que também está sendo perseguido, porém por um grupo criminoso. 

É difícil entender como o então promissor diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck entregou um filme tão vazio como este após o ótimo e doloroso “A Vida dos Outros” que venceu o Oscar de Filme Estrangeiro quatro anos antes. 

A produção caprichada e as ótimas locações na Europa escondem uma trama boba de suspense que tem um clímax constrangedor e atuações que parecem de um comercial de tv. A interpretação automática de Johnny Depp passa longe de seus melhores momentos, enquanto Angelina Jolie parece estar em um desfile de moda por todo filme. 

É um filme totalmente descartável.

sábado, 31 de julho de 2021

A Verdadeira História de Ned Kelly

 


A Verdadeira História de Ned Kelly (True History of the Kelly Gang, Austrália / Inglaterra / França, 2019) – Nota 5
Direção – Justin Kurzel
Elenco – George MacKay, Essie Davis, Charlie Hunnam, Russell Crowe, Nicholas Hoult, Claudia Karvan, Orlando Schwerdt, Thomasin McKenzie.

Ned Kelly foi um criminoso que se tornou lendário no interior da Austrália na segunda metade do século XIX. O personagem foi levado ao cinema outras vezes sendo interpretado pelo cantor Mick Jagger em 1970, pelo falecido Heath Ledger em 2003 e até pelo comediante australiano Yahoo Serious em 1988. 

Esta nova versão é um verdadeiro samba do australiano doido. As primeira parte é até interessante ao mostrar a família decadente em que vive o adolescente Ned Kelly (Orlando Schwerdt), em meio a brutalidade do deserto australiano. 

Quando o personagem chega na idade adulta (George McKay), o longa desanda para um misto de drama, violência e sexualidade como se fosse uma obra marginal dos anos setenta. 

O bandido é retratado como um sujeito inseguro, quase frágil durante parte da vida adulta, para no final se transformar em um maluco suicida. A bizarra sequência do clímax é o exemplo. 

Claramente a ideia do diretor e do roteirista foi inserir uma temática progressista que não tem ligação alguma com o que foi o verdadeiro personagem. É um filme para passar longe.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Freaky - No Corpo de um Assassino & Salve-se Quem Puder

 


Freaky – No Corpo de um Assassino (Freaky, EUA, 2020) – Nota 5,5
Direção – Christopher Landon
Elenco – Vince Vaughn, Kathryn Newton, Celeste O’Connor, Misha Osherovich, Emily Holder, Nicholas Stargel.

Uma série de crimes violentos ocorre em um subúrbio. Quando o serial killer (Vince Vaughn) cruza o caminho da adolescente Millie (Kathryn Newton) e a fere com um estranho punhal, os dois trocam de corpos de forma sobrenatural. Millie tem apenas vinte e quatro horas para reverter a situação e voltar para seu corpo. 

O diretor e roteirista Christopher Landon novamente segue o estilo de comédia com terror que rendeu filmes divertidos como “Como Sobreviver a um Ataque de Zumbis” e “A Morte Te Dá Parabéns!, mas também a fraca continuação do segundo. 

Aqui novamente Landon erra a mão, principalmente nas sequências bobas de comédia, típicas de filmes adolescentes ruins. Por mais que as mortes violentas sejam sangrentas e agradem quem curte o gênero, fica difícil encarar as piadas constrangedoras e o batido tema da troca de corpos.

Salve-se Quem Puder! (Save Yourselves!, EUA, 2020) – Nota 5
Direção – Alex Huston Fischer & Eleanor Wilson
Elenco – Sunita Mani, John Reynolds, Ben Sinclair, John Early.

Su (Sunita Mani) e Jack (John Reynolds) formam um casal que vive voltado para a tecnologia. Dependentes de celular e internet, eles decidem arriscar passar uma semana em um cabana isolada, sem contato algum com o mundo exterior. O problema é que enquanto estão isolados, o mundo é invadido por alienígenas. 

A ideia de fazer uma crítica em relação a dependência tecnológica na atualidade é interessante, o grande problema é que filme não se aprofunda nisso, não faz rir e ainda tem um casal de protagonistas irritantes. Na melhora nem mesmo quando surgem os alienígenas típicos de filme B. 

Eu não consegui entrar na brincadeira proposta pelo roteiro. No meu caso foi uma total perda de tempo.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

The Serpent

 


The Serpent (The Serpent, Inglaterra, 2021) – Nota 7,5
Direção – James Shankland & Hans Herbots
Elenco – Tahar Rahim, Billy Howle, Jenna Coleman, Ellie Bamber, Tim McInnerny, Amesh Edireweera, Mathilde Warnier, Gregoire Isvarine, William Brand, Apasiri Kulthanan.

Bangkok, Tailândia, 1976. Alan Gautier (Tahar Rahim) se apresenta como negociante de pedras preciosas, porém atrás da máscara esconde um sujeito frio e manipulador que junto com a namorada Monique (Jenna Coleman) e o amigo Ajay (Amesh Edireweera) drogam mochileiros para roubar seu dinheiro e pertences. 

O desaparecimento de um casal de holandeses chama a atenção do diplomata Herman Knippenberg (Billy Howle), que inicia uma investigação sem ajuda da polícia. Quando os corpos dos jovens aparecem carbonizados, Herman fica obcecado em descobrir quem cometeu o crime. 

Baseado em uma sinistra história real, esta minissérie em oito episódios detalha a vida de crimes do protagonista, que utilizava passaportes de suas vítimas parar viajar pelos países da Ásia negociando pedras preciosas com um nome falso, deixando um rastro de mortes pelo caminho. 

A minissérie intercala a narrativa principal em 1976 com flashbacks sobre a vida do criminoso em vários momentos cruciais antes do diplomata holandês seguir sua pista. Um dos destaques é a ótima reconstituição de época, incluindo locações em lugares decadentes da Ásia. 

É curioso que o assassino é interpretado de forma gelada pelo ótimo Tahar Rahim, enquanto o holandês vivido por Billy Howle se deixa levar pelas emoções. 

É mais uma ótima minissérie inglesa que merece ser conhecida.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Boy

 


Boy (Boy, Nova Zelândia, 2010) – Nota 7,5
Direção – Taika Waititi
Elenco – James Rolleston, Te Aho Eketone Whitu, Taika Waititi, Rachel House.

Interior da Nova Zelândia, 1984. O garoto conhecido como Boy (James Rolleston) vive com a avó e o irmão menor Rocky (Te Aho Eketone Whitu). 

Falante, esperto e fã de Michael Jackson, Boy sonha em conquistar uma garota de sua classe e também em reencontrar o pai que está preso (Taika Waititi). Quando o pai reaparece, Boy percebe que o homem está longe de ser o herói que ele imaginava. 

Antes de dirigir o sensacional “Jojo Rabbit” e o ótimo “A Incrível Aventura de Ricky Baker”, o diretor, roteirista e ator Taiki Waititi entregou este simpático longa sobre família e sonhos infantis. 

O roteiro consegue mesclar bem o drama do sofrimento do irmão pela perda da mãe e a desilusão do protagonista com as atitudes do pai, com sequências divertidas e inusitadas envolvendo os garotos e os amigos da escola. A sequência musical nos créditos finais é impagável. 

É um filme que merece ser conhecido e que mostra toda a criatividade de Taika Waititi.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Durante a Tormenta

 


Durante a Tormenta (Durante la Tormenta, Espanha, 2018) – Nota 7,5
Direção – Oriol Paulo
Elenco – Adriana Ugarte, Chino Darin, Javier Gutierrez, Álvaro Morte, Nora Navas, Miquel Fernandez, Clara Segura, Francesc Orella, Ana Wagener, Belen Rueda.

Espanha, oito de novembro de 1989, dia em que caiu o Muro de Berlim. O garoto Nico percebe algo estranho na casa do vizinho, resolve investigar e a situação termina em tragédia. 

Vinte e cinco anos depois, a enfermeira Vera (Adriana Ugarte) e seu marido David (Álvaro Morte) mudam para a mesma casa onde vivia o garoto. Vera encontra em um armário uma velha tv e fitas de vídeo. Ao assistir, ela terá uma enorme surpresa que a fará tentar mudar o curso natural da vida. 

O diretor e roteirista espanhol Oriol Paulo é um dos cineastas mais criativos que surgiram nos últimos anos. Mesmo sem ser tão espetacular como “Contratiempo” e “El Cuerpo”, este “Durante a Tormenta” tem uma complexa trama ligando duas épocas diferentes com toques de ficção. 

É o tipo de filme em que a protagonista sofre para convencer os personagens ao seu redor de que está falando a verdade. 

O único ponto que pode incomodar é que chega a ser fácil entender a motivação de um dos personagens e sua ligação com o passado. Mas com certeza é um suspense que agradará aos fãs do gênero.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

O Mistério das Duas Irmãs & Relíquia Macabra

 


O Mistério das Duas Irmãs (The Uninvited, EUA / Canadá / Alemanha, 2009) – Nota 6,5
Direção – The Guard Brothers (Charles & Thomas Guard)
Elenco – Emily Browning, Arielle Kebbel, David Straithairn, Elizabeth Banks, Maya Massar, Kevin McNulty.

Após passar algum tempo em uma instituição psiquiátrica por causa do trama pela morte da mãe, a jovem Anna (Emily Browning) volta para casa. Ela encontra o pai (David Straithairn) vivendo com a ex-cuidadora da mãe (Elizabetha Banks). Na casa também vive sua irmã Alex (Arielle Kebbel), que acredita que a mãe foi assassinada pela futura madrasta. 

Este suspense é até agora o único longa dirigido pelos irmãos Guard, que conseguiram criar boas sequências de suspense mescladas com clichês do gênero, principalmente as alucinações da protagonista que deixam dúvida sobre o que realmente está acontecendo até a habitual reviravolta final.

Relíquia Macabra (Relic, Austrália / EUA, 2020) – Nota 5,5
Direção – Natalie Erika James
Elenco – Emily Mortimer, Robyn Nevin, Bella Heathcote.

Após a mãe (Robyn Nevin) desaparecer de sua casa no interior da Austrália, sua filha Kay (Emily Mortimer) e a neta Sam (Bella Heathcote) seguem para o local. Três dias depois, a mulher reaparece agindo de forma estranha e sem lembrar do que aconteceu. Enquanto tentam entender a situação, Kay e Sam percebem que existe algo de errado na casa. 

Este longa mistura o estilo australiano de produções estranhas comuns nos anos setenta, com o gênero atual de terror que tenta assustar através de um clima sinistro. Um dos problemas é o ritmo lento. A primeira hora é arrastada, um verdadeiro sonífero que fará muitos desistirem. O ritmo melhora na meia-hora final, porém jogando na tela algumas sequências violentas sem grandes explicações e um final mais que bizarro. 

Um ponto interessante e também sinistro é a forma simbólica como o roteiro tenta ligar a demência ao terror, mostrando como é assustador ver uma pessoa próxima esquecendo do mundo e mudando de comportamento de forma abrupta.

domingo, 25 de julho de 2021

O Homem Bicentenário

 


O Homem Bicentenário (Bicentennial Man, EUA, 1999) – Nota 6
Direção – Chris Columbus
Elenco – Robin Williams, Sam Neill, Embeth Davidtz, Oliver Platt, Kiersten Warren, Wendy Crewson, Bradley Whitford, John Michael Higgins, Stephen Root.

Em um futuro próximo, androides semelhantes a humanos foram criados. Neste contexto, um homem (Sam Neill) compra um androide (Robin Williams) para auxiliar sua família. 

Com um tempo de vida útil indefinido e programado para atender os humanos, aos poucos o androide batizado como Andrew passa a demonstrar carinho pela família e emitir opiniões. 

Seus questionamentos aumentam ao encontrar um cientista (Oliver Platt) que trabalha sozinho com androides em um laboratório improvisado. 

Baseado em uma história do escritor de ficção Isaac Asimov, este longa tenta antever até onde a ciência poderia chegar na criação de máquinas que fossem não apenas semelhantes aos humanos na parte física, mas também no desenvolvimento emocional. 

Esta premissa é desenvolvida de formar irregular, muito pelo longo tempo em que se passa a trama, obrigando o roteiro a acelerar a história pulando períodos. O teor melodramático de algumas sequências também incomoda, tentando forçar uma emoção que não convence. 

Mesmo com uma boa produção, atuações corretas e uma história interessante, o resultado é no máximo razoável.

sábado, 24 de julho de 2021

Becky

 


Becky (Becky, EUA, 2020) – Nota 6
Direção – Jonathan Millott & Cary Murnion    
Elenco – Lulu Wilson, Kevin James, Joel McHale, Robert Maillet, Amanda Brugel, Isaiah Rockcliffe, Ryan McDonald, James McDougall.

Becky (Lulu Wilson) é uma adolescente que se revoltou após a morte da mãe. Seu ódio aumenta quando seu pai (Joel McHale) a leva para passar um final de semana em uma casa de férias com a nova namorada e o filho pequeno dela. Tudo fica muito pior quando quatro bandidos que escaparam da prisão chegam no local em busca de algo desconhecido. 

Os pontos positivos deste longa são as violentas sequências de ação repletas de sangue, a atuação insana de Lulu Wilson e o comediante Kevin James no papel de vilão assassino. 

É uma pena que esses pontos percam a força em meio a um roteiro ruim recheado de clichês e que esconde uma motivação para os crimes que fica sem explicação. 

O resultado é um violento suspense genérico, que prende atenção, mas que logo será esquecido.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

The Young Offenders

 

The Young Offenders (The Young Offenders, Irlanda, 2016) – Nota 6,5
Direção – Peter Foott
Elenco – Alex Murphy, Chris Walley, Hilary Rose, Dominic MacHale, P.J. Gallagher.

Cork, Irlanda, 2007. Conor (Alex Murphy) e Jock (Chris Walley) são jovens sem grande perspectiva de vida e também extremamente imaturos. Quando Jock vê na tv a notícia que um carregamento de cocaína foi jogado no mar, ele convence Conor a procurar o produto. Além de ser um crime, eles precisam atravessar um longo caminho de bicicleta para chegar até o local. 

Baseado em um absurda história real, este longa tem traços que lembram “Trainspotting”, principalmente pelos personagens incomuns e algumas situações malucas envolvendo criminosos. 

O filme tem coisas engraçadas como os diálogos entre os protagonistas, a mãe de um deles vivida por Hilary Rose e o traficante na parte final. Por outro lado, as piadas são irregulares e o final beira o pastelão. 

O longa rendeu ainda uma série em 2018.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

The Last Champion & Utopia: O Caminho Para a Vitória

 


The Last Champion (The Last Champion, EUA, 2020) – Nota 7
Direção – Glenn Withrow[
Elenco – Cole Hauser, Sean H. Scully, Annika Markis, Randall Batinkoff, Hallie Todd, Peter Onorati, Bob McCracken, Casey Moss.

Após muitos anos, John Wright (Cole Hauser) volta para sua cidade natal para acompanhar o funeral de sua mãe. O problema é que John foi um astro da luta greco-romana que perdeu a medalha de ouro nos jogos olímpicos por causa doping. Visto com desconfiança por algumas pessoas do local, John tentará recomeçar a vida. 

Este sensível drama sobre redenção não apresenta surpresas, porém ganha muitos pontos pela sensibilidade com que a história é contada, além dos personagens com motivações reais que demonstram erros e acertos. 

Vale citar a boa atuação de Cole Hauser, ator acostumado com filmes de ação e policiais, aqui tem a chance de mostrar talento com um personagem complexo. 

O longa entrega ainda uma apoteótica sequência final comum aos dramas esportivos.

Utopia: O Caminho Para a Vitória (Seven Days in Utopia, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Matthew Dean Russell
Elenco – Robert Duvall, Lucas Black, Melissa Leo, Deborah Ann Woll, Brian Geraghty, Kathy Baker, Joseph Lyle Taylor, Jerry Ferrara.

Após ter um péssimo desempenho no primeiro torneio de golfe que disputou como profissional e em seguida discutir com o pai, Luke (Lucas Black) pega a estrada sem destino. 

Uma pequeno acidente o faz parar na esquecida cidade de Utopia. Enquanto espera seu carro ser consertado, Luke é “adotado” pelo golfista aposentado Johnny (Robert Duvall), que se oferece para treiná-lo por sete dias. 

Este drama é desenvolvido quase como uma fábula que explora uma fórmula muito semelhante ao clássico “Karatê Kid”. O jovem inseguro é guiado por um idoso que utiliza métodos incomuns de treinamento, focando muito mais no psicológico do que na técnica. A pequena cidade também é uma espécie de oásis do bem, muito diferente do mundo real. 

É um filme indicado para quem gosta de dramas leves sobre superação.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Poder e Corrupção

 


Poder e Corrupção (The Corrupted, Inglaterra, 2019) – Nota 6,5
Direção – Ron Scalpello
Elenco – Sam Claflin, Timothy Spall, Hugh Bonneville, Noel Clarke, David Hayman, Charlie Murphy, Joe Claflin, Naomi Ackie.

Londres, 2012. Após cumprir pena, o boxeador Liam (Sam Claflin) deseja recomeçar uma vida normal e se reaproximar da ex-namorada (Naomi Ackie) e de seu filho pequeno. 

As coisas fogem do controle quando Liam descobre que seu irmão (Joe Claflin, seu irmão na vida real) está envolvido com uma quadrilha que visa lucrar com obras na cidade por conta do Jogos Olímpicos. 

Por trás do esquema está um corrupto empresário de sucesso (Timothy Spall), que tem ligações com políticos e autoridades. 

Os letreiros iniciais citam ser um longa inspirado numa história real, porém não fica claro até que ponto o que é mostrado realmente aconteceu. 

O roteiro explora a clássica trama de um poderoso que manipula pessoas utilizando dinheiro e também a força quando necessário, sem nunca imaginar que seu reino possa ser abalado por conta de um sujeito qualquer, o protagonista no caso. 

As sequências de ação são bem produzidas e a narrativa é ágil, porém o desenvolvimento da história é bastante entrecortado, com situações sendo resolvidas rapidamente e algumas com certo exagero. 

É curioso ver o veterano e talentoso Timothy Spall como vilão em um filme genérico como este.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Rastros da Vingança

 


Rastros de Vingança (Red, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Trygve Alliste Diesen & Lucky McKee
Elenco – Brian Cox, Noel Fisher, Kyle Gallner, Shiloh Fernandez, Kim Dickens, Tom Sizemore, Richard Riehle, Ashley Laurence, Robert Englund, Amanda Plummer, Delaney Williams.

Avery Ludlow (Brian Cox) vive sozinho em uma pequena cidade do interior americano. Durante uma simples pescaria, três jovens (Noel Fisher, Kyle Gallner e Shiloh Fernandez) o encontram, começam uma discussão e matam seu cachorro Red. Inconformado e obstinado, Ludlow decide buscar justiça, dando início a série de situações que podem levar a um conflito mais violento. 

Este pequeno longa que mistura drama e violência é uma agradável surpresa. A narrativa explora uma tensão crescente que é alimentada pelos extremos que as pessoas apelam quando querem conseguir algo ou se safar de algum problema. 

A obstinação do protagonista bate de frente com a arrogância dos jovens e de suas famílias, com o orgulho e até a questão financeira. 

Destaque para a atuação ao mesmo tempo forte e sóbria do veterano Brian Cox.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Your Honor

 


Your Honor (Your Honor, EUA, 2020) – Nota 7
Direção – Clark Johnson, Edward Berger, Eva Sorhaug & Bryan Cranston
Elenco – Bryan Cranston, Hunter Doohan, Michael Stuhlbarg, Hope Davis, Tony Curran, Lilli Kay, Carmen Ejogo, Isiah Whitlock Jr., Benjamin Flores Jr., Amy Landecker, Sofia Black D’Elia, Jimi Stanton, Keith Machekanyanga, Maura Tierney, Lorraine Toussaint.

Em um bairro pobre de Nova Orleans, o jovem Adam Desiato (Hunter Doohan) atropela um rapaz em uma bicicleta e foge do local. Adam é filho do juiz Michael Desiato (Bryan Cranston), conhecido por ser um sujeito extremamente justo. 

Ao descobrir que a vítima é o filho de um poderoso criminoso (Michael Stuhlbarg), Michael decide deixar a honestidade de lado e fazer de tudo para encobrir o crime e salvar Adam. É o início de uma série de situações que deixarão outras vítimas pelo caminho. 

Esta minissérie em dez episódios explora uma trama bastante previsível que busca mostrar a fragilidade da justiça e de suas instituições que podem ser manipuladas, além de passar a imagem de como o destino pode ser cruel. 

Além da previsibilidade, outro problema é que a série poderia ser mais concisa com seis ou oito episódios, evitando situações desnecessárias que cansam um pouco o espectador. 

As sequências do julgamento tem como destaque a pequena, mas importante participação de Maura Tierney como uma advogada sarcástica. 

O protagonista vivido por Bryan Cranston demonstra um enorme sangue frio em situações perigosas, enquanto o jovem Hunter Doohan se mostra totalmente inexpressivo. 

É uma série correta e mediana, nada mais do que isso.

domingo, 18 de julho de 2021

Os Implacáveis & Texas Ranger - Acima da Lei

 


Os Implacáveis (Blackthorn, Espanha / França / Bolívia / Inglaterra, 2011) – Nota 6,5
Direção – Mateo Gil
Elenco – Sam Shepard, Eduardo Noriega, Stephen Rea, Magaly Soler, Nikolaj Coster Waldau, Padraic Delaney, Dominique McElligott, Cristian Mercado.

Bolívia, 1927. O famoso criminoso Butch Cassidy (Sam Shepard) está vivo e utilizando o nome falso de James Blackthorn. Pensando em retornar aos EUA para viver seus últimos anos, ele é surpreendido por um sujeito (Eduardo Noriega) e termina perdendo suas economias. 

O homem é um engenheiro que diz estar sendo perseguido por ter roubado um empresário corrupto. Blackthorn decide ajudá-lo em troca de parte do dinheiro. 

Esta releitura da história de Buch Cassidy explora a lenda de que o local onde ele e Sundance Kid foram enterrados estava vazio ao ser aberto anos depois de sua morte oficial. 

O ponto alto é colocar como protagonista um veterano que precisa enfrentar perseguidores jovens e o inóspito território boliviano, tanto os Andes, como deserto de sal. 

Por outro lado, os flashbacks que mostram Butch (Nikolaj Coster Waldau) e Sundance (Padraic Delaney) na Bolívia em 1908 não convencem. 

Vale citar que o diretor Mateo Gil recentemente entregou um trabalho superior na minissérie “Os Favoritos de Midas”.

Texas Rangers – Acima da Lei (Texas Rangers, EUA / México, 2001) – Nota 5,5
Direção – Steve Miner
Elenco – James Van Der Beek, Dylan McDermott, Ashton Kutcher, Usher, Rachael Leigh Cook, Tom Skerritt, Randy Travis, Leonor Varela, Alfred Molina, Robert Patrick.

Após o final da Guerra Civil Americana, o governador do Texas decide recriar o grupo policial conhecido como “Texas Rangers” para enfrentar os bandidos que dominam o sul do Estado, na fronteira com o México. 

A liderança do grupo fica com Leander McNelly (Dylan McDermott), que ao lado de outros veteranos recrutam jovens para enfrentar principalmente a quadrilha de John Fisher King (Alfred Molina). 

O roteiro que é baseado em um livro explora o personagem real de Leander McNelly para tentar contar a história dos Texas Ranger que existem até hoje. A premissa tinha tudo para render um ótimo western, porém o resultado deixa bastante a desejar. 

As atuações são caricatas e até mesmo as sequências de ação estão longe de empolgar. Em alguns momentos parece uma produção para TV.

sábado, 17 de julho de 2021

O Mensageiro do Último Dia

 


O Mensageiro do Último Dia (The Empty Man, EUA / África do Sul / Inglaterra, 2020) – Nota 6
Direção – David Prior
Elenco – James Badge Dale, Marin Ireland, Sasha Frolova, Samantha Logan, Ron Canada, Stephen Root, Robert Aramaya, Aaron Poole.

Um intrigante prólogo de vinte minutos termina em tragédia em um local isolado. Na sequência a trama muda a locação para uma cidade do interior dos EUA, onde o desaparecimento de uma adolescente leva um atormentado ex-policial (James Badge Dale) a investigar o caso. 

Este longa com quase duas horas e vinte minutos de duração foi filmado em 2015 e engavetado até ser lançado em 2020 sem sucesso. 

Como citei no início, o prólogo passa a impressão de ser um bom filme, além de apresentar outras coisas interessantes como o clima sinistro pontuado por uma estranha trilha sonora e a investigação repleta de perguntas. 

Os problemas surgem quando o roteiro se mostra mais enrolado do que complexo, perdendo tempo em algumas situações sem sentido e na longa duração que deixa o ritmo irregular. 

A solução da trama tem semelhanças com o ótimo “Coração Satânico”, clássico de terror e suspense dos anos oitenta. 

No final fica a decepção de uma ótima premissa mal desenvolvida.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Sequestro Internacional

 


Sequestro Internacional (Infidel, EUA, 2019) – Nota 6
Direção – Cyrus Nowrasteh
Elenco – Jim Caviezel, Claudia Karvan, Hal Ozsan, Aly Kassem, Stelio Savante, Isabelle Adriani, Bijan Daneshmand.

Doug Rawlins (Jim Caviezel) escreve um blog sobre Cristianismo, mas tem como grande amigo o muçulmano Javid (Aly Kassem). Um desentendimento os afastam, até que Rawlins aceita participar de uma entrevista sobre religião no Egito. Ele termina sequestrado por um grupo radical, para desespero de sua esposa (Claudia Karvan) que trabalha no departamento de justiça do governo americano. 

A premissa de explorar um estrangeiro sendo mantido refém por extremistas islâmicos tinha potencial para um ótimo filme, o problema é que o diretor e roteirista Cyrus Nowrasteh erra a mão na narrativa e principalmente no roteiro que atropela várias situações com muita rapidez na parte final. Por sinal, a sequência de ação final deixa bastante a desejar. 

Os pontos positivos são a questão de mostrar o radicalismo contra o ocidente e a opressão contra a mulher, muito disso em relação ao Irã, país natal da família do diretor Nowrasteh.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Segredos Oficiais

 


Segredos Oficiais (Official Secrets, Inglaterra / EUA / Suíça / China, 2019) – Nota 7
Direção – Gavin Hood
Elenco – Keira Knightley, Matt Smith, Matthew Goode, Rhys Ifans, Adam Bakri, Ralph Fiennes, Conlet Hill, Indira Varma, Jeremy Northam, John Heffernan, Monica Dolan, Tamsin Greig.

Londres, 2003. Katharine Gun (Keira Knightley) trabalha em um órgão do governo inglês que espiona pessoas e coleta dados para interessados. Ao receber um email informando que o próximo alvo da espionagem são diplomatas do conselho de segurança da ONU, que seriam pressionados para apoiar os EUA na invasão ao Iraque, Katherine toma uma decisão radical de repassar o documento para a imprensa. 

Baseado em uma história real, este longa passa longe de ser empolgante ou de entregar algum suspense, o foco principal é mostrar como os governos manipulam as massas e utilizam de expedientes sujos para até mesmo chantagear inimigos. 

O filme se divide em duas narrativas na mesma época, com uma mostrando o sofrimento e o medo da protagonista em ser punida e a segunda detalhando os bastidores de como alguns jornalistas conseguiram veicular a notícia mesmo com o perigo de represálias. 

É um filme indicado para quem gosta de histórias sobre os bastidores sujos do poder.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Night Stalker: Tortura e Terror & Os Filhos de Sam: Loucura e Conspiração

 


Night Stalker: Tortura e Terror (Night Stalker: A Hunt of a Serial Killer, EUA, 2021) – Nota 7,5
Direção – James Carroll & Tiller Russell    
Documentário

Los Angeles, 1985. Uma série de violentos crimes aleatórios chama a atenção do novato detetive Gil Carrillo, que acredita ser obra de um serial killer. Desacreditado pelos colegas, Carrillo ganha a atenção de seu novo parceiro, o veterano Frank Salerno, que é considerado uma lenda no departamento por ter resolvido o caso do “Estrangulador de Hilside”, em que os criminosos eram a dupla de primos Bianchi e Buono. Quando pistas começam a corroborar a versão de Carrillo, a polícia cria uma força-tarefa em busca do assassino. 

Este documentário descreve em detalhes através de filmagens da época e nos depoimentos de Carrillo e Salerno a investigação que levou alguns meses até chegar ao assassino Richard Ramirez, que foi batizado pela imprensa como “Night Stalker”. 

O mais terrível dos crimes é que as vítimas eram de todas as idades. O sujeito assassinava homens, mulheres, violentava mulheres e crianças, tanto meninos quanto meninas. Utilizava arma de fogo, faca, fios e até martelos como armas. Até então a polícia de Los Angeles jamais havia perseguido um serial killer com alvos variados, sem um foco específico. 

A série tem quatro episódios bastante didáticos, indicados para quem tem curiosidade sobre investigações de crimes famosos.

Os Filhos de Sam: Loucura e Conspiração (The Sons of Sam: A Descent Into Darkness, EUA, 2021) – Nota 7
Direção – Joshua Zeman
Documentário

Entre 1976 e 1977, os moradores de Nova York enfrentaram o medo de sair a noite após vários ataques a tiros contra casais. Sem motivo aparente para os crimes e poucas pistas, a polícia demorou quase um ano para chegar ao assassino David Berkowtiz, que terminou preso e condenado. O que seria o final da história, para o jornalista Maury Terry foi apenas o início de uma investigação que tomou o resto de sua vida. 

Este documentário em quatro episódios detalha a obsessão de Maury Terry em provar que Berkowitz não agiu sozinho, conseguindo diversas provas de que na verdade o assassino fazia parte de um culto satânico. 

Por mais bizarro que pareça a história, muito do que Terry descobriu deixa claro que Berkowitz era apenas parte de algo maior e que a polícia de Nova York queria a todo custo fechar o caso. 

Destaque para a narração do ator Pauk Giamatti, que interpreta os pensamentos do jornalista e suas frustrações, principalmente com a forma com que as autoridades desprezaram sua investigação. 

É mais um bom documentário para quem gosta de conhecer detalhes sobre criminosos famosos.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Coma: A Dimensão do Futuro

 


Coma: A Dimensão do Futuro (Koma, Rússia, 2019) – Nota 6,5
Direção – Nikita Argunov
Elenco – Rinal Mukhametov, Lyubov Aksyonova, Anton Pampushny, Milos Bikovic, Konstantin Lavronenko.

Um sujeito (Rinal Mukhametov) sofre um acidente e entra em coma. Ele desperta em um estranho mundo de fantasia, onde encontra outras pessoas que estão fugindo de uma espécie de “fantasma negro”. Logo, o homem descobre que está em um mundo criado por suas lembranças, onde somente conseguirá sair se acordar do coma. 

Esta estanha ficção russa apresenta uma premissa bastante criativa e efeitos especiais que parecem de um filme espírita por focar em cores claras e lugares limpos, quase assépticos. A surpresa que vem à tona na metade do filme é esperada, mudando o foco da trama. 

O resultado é curioso e no máximo mediano.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Um Dia Muito Claro

 


Um Dia Muito Claro (Hvitur, Hvitur Dagur, Islândia / Dinamarca / Suécia, 2019) – Nota 6,5
Direção – Hlynur Palmason
Elenco – Ingvar Sigurdsson, Ida Mekkin Hlynsdottir, Hilmir Snaer Gudnason, Sara Dogg Asgeirsdottir.

Ingimundur (Ingvar Sigurdsson) é um policial de uma pequena cidade no interior do Islândia que está sofrendo pela morte da esposa. Enquanto tenta se confortar no contato com a neta (Ida Mekkin Hlynsdottir), Ingimundur não sabe como encarar as sessões de terapia que é obrigado a participar. Tudo fica ainda pior quando ele descobre que sua esposa tinha um amante. 

Este drama policial apresenta uma narrativa lenta e gelada como a vida na pequena cidade onde se passa a história. A primeira hora é bastante cansativa, o que pode fazer muito cinéfilo desistir. O filme melhora na hora final quando o desespero do protagonista vem à tona resultando em ações no mínimo incomuns. 

Essa narrativa lenta esconde uma trama simples sobre luto e inconformismo, que tem ainda como destaque as belas locações na gelada Islândia.

domingo, 11 de julho de 2021

Willy's Wonderland

 


Willy’s Wonderland (Willy’s Wonderland, EUA, 2021) – Nota 7
Direção – Kevin Lewis
Elenco – Nicolas Cage, Emily Tosta, Beth Grant, Ric Reitzm, Chris Warner.

Um estranho (Nicolas Cage) tem os pneus furados por uma armadilha enquanto passava por uma pequena cidade. Sem dinheiro para pagar o conserto do carro, ele aceita trabalhar uma noite para limpar uma casa de diversões abandonada, a Willy’s Wonderland do título. O que ele não imagina que é os animatronics do local tem vida própria e são assassinos. 

Entre as várias tranqueiras que Nicolas Cage vem protagonizando nos últimos anos, alguns trabalhos chamam a atenção pela coragem em encarar histórias bizarras. 

Este longa se torna divertido pela história maluca que lembra as obras de ficção dos anos oitenta e pelas sequências de violência que são ao mesmo tempo fortes e absurdas. O calado protagonista vivido por Cage também é destaque, assim como suas manias cronometradas. 

Uma pequena curiosidade é que o diretor da segunda unidade é Grant Cramer, ator de filmes B que nos anos oitenta protagonizou um clássico da ficção tão bizarro quanto este, o absurdo e divertido “Palhaços Assassinos”.

sábado, 10 de julho de 2021

Adam (2009 & 2020)

 


Adam (Adam, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Max Mayer
Elenco – Hugh Dancy, Rose Byrne, Peter Gallagher, Amy Irving, Frankie Faison, Mark Lynn Baker, Haviland Morris, Adam LeFevre.

Após a morte do pai, Adam (Hugh Dancy) precisa enfrentar a vida sozinho, mesmo sofrendo da Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo leve. Seu jeito diferente desperta o interesse na nova vizinha Beth (Rose Byrne). Aos poucos eles iniciam uma complicado relacionamento. 

Mesmo explorando um tema incomum, o grande acerto do roteiro escrito pelo diretor Max Mayer foi criar uma história próxima da realidade. Por mais que o lado romântico seja importante na trama, os problemas que afetam um relacionamento entre pessoas tão diferentes se torna o ponto principal. 

A atuação de Hugh Dancy é no mínimo interessante, quase sempre mostrando uma dificuldade em expressar seu sentimentos e em alguns momentos colocando tudo para fora. 

É um filme sensível, triste e ao menos tempo esperançoso.

Adam (Quad, EUA, 2020) – Nota 6
Direção – Michael Uppendahl
Elenco – Aaron Paul, Lena Olin, Tom Berenger, Celia Weston, Michael Weston, Shannon Lucio, Paul Walter Hauser, Tom Sizemore, Jeff Daniels, Michael Elison.

Adam Niskar (Aaron Paul) está no auge da carreira ao conseguir uma promoção na empresa de venda de seguros em que trabalha. Ele começa também um relacionamento com a bela Christine (Shannon Lucio). A aparente vida perfeita vira de ponta cabeça quando Adam sofre um acidente que o deixa sem os movimentos nas pernas. 

Baseado em uma história real, este longa explora os clichês dos dramas do gênero ao focar na luta pela reabilitação e na difícil aceitação da nova realidade. É um filme bastante esquemático, que ainda perde alguns pontos pelas rápidas passagens de tempo que deixam a história concisa demais. 

A história vai agradar quem se emociona facilmente, sem se preocupar com os buracos na narrativa.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

First Cow: A Primeira Vaca da América

 


First Cow: A Primeira Vaca da América (First Cow, EUA, 2019) – Nota 5,5
Direção – Kelly Reichardt
Elenco – John Magaro, Orion Lee, Toby Jones, Ewen Bremner, Gary Farmer, Alia Shawkat, Rene Auberjonois.

Oregon, século XIX. Cookie (John Magaro) é um cozinheiro que acompanha um grupo de caçadores. Durante a caçada eles cruzam o caminho do chinês King Liu (Orion Lee), que se torna parceiro de Cookie. Os dois começam a produzir cookies (biscoitos ou bolachas) e chamam a atenção de um fazendeiro (Toby Jones) que tem a primeira vaca no Estado. 

O cinema da diretora Kelly Reichardt é lento, contemplativo e com histórias inusitadas. As vezes funciona como em “Wendy e Lucy”, mas também resulta em longas irregulares como “Certas Mulheres” e "Movimentos  Noturnos". 

Este “First Cow” tem as mesmas virtudes e defeitos de seus trabalhos anteriores, obrigando o espectador a abraçar a ideia incomum e a narrativa lenta para curtir. Eu não gostei, a história é peculiar demais e os personagens também não cativam. 

É um estranho misto de western e drama que foi difícil ver até o fim.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Filha de Deus

 


Filha de Deus (Exposed ou Daughter of God, EUA, 2016) – Nota 4
Direção – Declan Dale (Gee Malik Linton)
Elenco – Keanu Reeves, Ana de Armas, Mira Sorvino, Christopher McDonald, Ismael Cruz Cordova.

O detetive Galban (Keanu Reeves) investiga o assassinato do parceiro ocorrido nos corredores do metrô. As pistas de sua investigação apontam para uma quadrilhas de traficantes e também para uma jovem latina extremamente religiosa (Ana de Armas), que começa a agir de forma estranha após ter contato com uma aparição que ela acredita ser um anjo. 

Este drama policial tem uma trama confusa, uma narrativa entrecortada e diálogos que parecem escritos por um adolescente. As atuações de Keanu Reeve e Ana de Armas também são péssimas. 

Quase nada funciona neste longa equivocado, que causou inclusive um conflito entre a produtora Lionsgate e o diretor estreante Gee Malik Linton, que alegou ter sido excluído da montagem final. Por este motivo ele assinou o filme com o pseudônimo de Declan Dale. 

Este é o único trabalho do diretor e considerando a qualidade e o conflito, muito provavelmente o último também.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

O Cântico dos Nomes

 


O Cântico dos Nomes (The Song of Names, Canadá / Hungria / Inglaterra / Alemanha, 2019) – Nota 6,5
Direção – François Girard
Elenco – Tim Roth, Clive Owen, Catherine McCormack, Stanley Townsend, Amy Sloan, Gerran Howell, Jonah Hauer King, Saul Rubinek.

Londres, 1951. Com um teatro lotado e uma orquestra a disposição, o músico principal não aparece para se apresentar. A partir daí, a narrativa se divide entre 1938 e 1986, tendo como protagonista Martin Simmonds (Tim Roth), que deseja reencontrar o músico que desapareceu no fatídico dia do concerto cancelado. Os flashbacks de 1938 mostram Martin e o jovem músico se tornando amigos, crescendo juntos e sendo criados pelos pais de Martin. 

Este drama que mistura guerra, música, religião e relações familiares é um pouco irregular, principalmente na hora final quando a questão religiosa se torna o ponto principal, começando por uma coincidência um pouco forçada. 

O foco segue neste final para as tradições judaicas, com destaque para o “cântico dos nomes” que tem uma origem extremamente dolorosa. 

É um filme diferente e pouco mais do que mediano.

terça-feira, 6 de julho de 2021

A Cura & Radio Flyer

 


A Cura (The Cure, EUA, 1995) – Nota 7,5
Direção – Peter Horton
Elenco – Joseph Mazzello, Brad Renfro, Annabella Sciorra, Diana Scarwid, Bruce Davison.

Erik (Brad Renfro) é um adolescente solitário que faz a amizade com o novo vizinho, o garoto Dexter (Joseph Mazzello). O ponto incomum é que Dexter tem o vírus HIV por conta de uma transfusão de sangue. Também solitário, mas tendo um ótimo relacionamento com a mãe (Annabella Sciorra), Dexter se torna amigo de Erik, que por seu lado coloca o objetivo de ajudar a encontrar a cura para a doença. 

A curiosidade deste longa é a sensível direção de Peter Horton, ator com um carreira sólida na tv que teve aqui seu único trabalho como diretor em um filme para o cinema. Seus demais trabalhos atrás das câmeras foram em episódios de seriados. Horton demonstra um enorme sensibilidade para contar uma história de amizade e esperança de forma sóbria, com emoções nos momentos certos. 

Destaque para as atuações dos garotos Joseph Mazzello e Brad Renfro, atores que infelizmente não conseguirem se firmar na carreira por motivos diferentes. Mazzello viveu alguns papéis interessantes como em “Jurassic Park” e na minissérie “The Pacific”, mas está longe de ser um astro. Brad Renfro teve um carreira melhor e com mais potencial, porém faleceu de overdose aos vinte e cinco anos.

Radio Flyer (Radio Flyer, EUA, 1992) – Nota 7
Direção – Richard Donner
Elenco – Elijah Wood, Joseph Mazzello, Lorraine Bracco, Tom Hanks, Adam Baldwin, John Heard, Ben Johnson.

Ao ver seus filhos brincando, Mike (Tom Hanks) decide contar a história de sua vida quando criança. Sua mãe (Lorraine Bracco) ao ser abandonada pelo marido mudou para o subúrbio com os filhos pequenos Mike (Elijah Wood) e Bobby (Joseph Mazzello), pouco tempo depois se casando com o truculento King (Adam Baldwin). 

Para escapar da tristeza do mundo real, Mike e Bobby criam brincadeiras e vivem aventuras no bairro, enquanto a mãe não percebe o mal que King faz para os garotos. 

Este doloroso drama sobre abuso e amizade foca em uma situação que infelizmente é comum até hoje, o problema de padrastos e madrastas que odeiam os enteados, enquanto o parceiro fecha os olhos para a situação. 

O diretor Richard Donner tenta amenizar o tema através de uma narrativa que lembra uma fábula em algumas sequências, dando ênfase também aos momentos de alegria entre os irmãos. 

É um filme ao mesmo triste e esperançoso, com destaque para as atuações do então garotos Elijah Wood e Joseph Mazzello.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Viagem Sem Volta

 


Viagem Sem Volta (Night Train, EUA / Alemanha / Romênia) – Nota 6
Direção – Brian King
Elenco – Danny Glover, Leelee Sobieski, Steve Zahn, Matthias Schweighofer, Takatsuna Mukai, Togo Igawa.

Um estranho entra em um trem noturno que está quase vazio. Ele passa mal e morre em seguida. Uma jovem (Leelee Sobieski), um vendedor (Steve Zahn) e o fiscal do trem (Danny Glover) encontram uma estranha caixa com o sujeito, que parece ter algo extremamente valioso dentro. A ganância faz com que eles tentem esconder a morte do homem, sem saber que estão mexendo com algo totalmente fora do normal. 

Este curioso suspense explora o clichê dos personagens que ficam cegos pela ganância, com um elemento quase sobrenatural que muda o destino de cada um deles. O roteiro cria reviravoltas, alianças e traições, até a inevitável tragédia final, com direito a habitual cena derradeira recheada de cinismo. 

É um filme que prende a atenção, mas que será esquecido rapidamente.

domingo, 4 de julho de 2021

Era uma Vez um Sonho

 


Era uma Vez um Sonho (Hillbilly Elegy, EUA, 2020) – Nota 7,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Amy Adams, Glenn Close, Gabriel Basso, Haley Bennett, Freida Pinto, Owen Asztalos, Bo Hopkins.

Ohio, 1997. J.D. Vance (Owen Asztalos) é um adolescente que sofre com os problemas de sua família disfuncional, principalmente as explosões de ódio de sua mãe Bev (Amy Adams). Sua avó (Glenn Close) tenta contornar a situação, assim com a irmã mais velha de J.D. (Haley Bennett). 

Uma segunda narrativa pular para 2011, quando J.D. adulto (Gabriel Basso) luta para conseguir um estágio para pagar sua faculdade, mas precisa voltar para Ohio após sua mãe ser internada por causa de uma overdose. 

Baseado em um best seller autobiográfico escrito pelo verdadeiro J.D. Vance, este longa detalha uma história de dificuldades financeiras e principalmente frustrações que são detalhadas aos poucos. É um filme realista que mostra como a base familiar é o principal pilar para uma pessoa enfrentar seus problemas na idade adulta de forma racional. 

Destaque para as atuações de Amy Adams e Glenn Close e para a direção de Ron Howard, que mesmo as vezes sendo criticado por não apostar em soluções criativas, sempre entrega obras competentes e bem filmadas.

sábado, 3 de julho de 2021

Driveways

 


Driveways (Driveways, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Andrew Ahn
Elenco – Brian Dennehy, Lucas Jaye, Hong Chau, Jerry Adler, Christine Ebersole.

Kathy (Hong Chau) e seu filho pré-adolescente Cody (Lucas Jaye) viajam de carro até uma pequena cidade onde vivia a irmã dela que acabou de falecer. Ao chegar no local, Kathy se assusta com uma determinada situação, ao mesmo tempo em que o tímido Cody faz amizade com um vizinho, o militar aposentado Del (Brian Dennehy). 

Este filme de baixo orçamento desenvolve uma história simples de amizade entre pessoas bem diferentes entre si, mas quem tem em comum as dores causadas pelos percalços da vida. 

Não espere situações fortes ou reviravoltas, o foco é mostrar pessoas comuns que encontram amizade e solidariedade de onde menos esperam, mesmo que por um curto período de tempo. 

Este é um dos últimos trabalhos do veteraníssimo ator Brian Dennehy, que faleceu em 2020. Destaque também para a pequena participação de Jerry Adler, ator que tinha então noventa anos e que é conhecido por papéis de coadjuvantes em série de sucesso como “The Sopranos” e “Mad About You”.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Paraíso & Uma Estranha Viagem

 


Paraíso (Heaven, Inglaterra / França / Itália / Alemanha / EUA, 2002) – Nota 5,5
Direção – Tom Tykwer
Elenco – Cate Blanchett, Giovanni Ribisi, Remo Girone, Stefania Rocca, Mattia Sbragia.

Turim, Itália. Uma mulher (Cate Blanchett) segue todo um roteiro até entrar em um belo edifício e deixar uma maleta com uma bomba em uma sala. A explosão resulta em tragédia e a ela acaba presa. Enquanto é interrogada e aos poucos conta sua versão do fato, o policial que registra o depoimento (Giovani Ribisi) se sente atraído pela mulher, pensando no que fazer para ajudá-la. 

O diretor alemão Tom Tykwer, do ótimo “Corra Lola, Corra” e de “A Viagem” filmou aqui um roteiro do falecido diretor polonês Krzysztof Kieslowski, conhecido pela “Trilogia das Cores” e a série “Decálogo”. 

A intrigante sequência inicial se perde à partir do momento que começa o interrogatório, indo ladeira abaixo quando o casal foge iniciando uma estranha saga em busca de algo que nem eles mesmos sabem o que seria. 

Muitos filmes fazem o espectador pensar, analisando as entrelinhas, mas outros como este se mostram irritantes em vários momentos. São protagonistas perturbados que não cativam o espectador ou despertam qualquer interesse. Eu esperava um filme bem melhor.

Uma Estranha Viagem (Un Étrange Voyage, França, 1981) – Nota 6
Direção – Alain Cavalier
Elenco – Jean Rochefort, Camille de Casabianca.

Pierre (Jean Rochefort) é um pintor que fica perdido quando sua mãe desaparece durante uma viagem de trem entre Troyes e Paris. Sem pistas, a polícia desiste do caso, o que faz com que Pierre tome uma decisão incomum. Junto com a filha Amelie (Camille de Casabianca), ele resolve percorrer a pé o percurso do trem, seguindo os trilhos em busca de sua mãe ou de alguma informação. 

A premissa deste drama francês sobre desaparecimento é intrigante, assim como a construção do personagem principal é sóbria, sem desesperos ou loucuras, mesmo tomando uma decisão inusitada. O problema é que a narrativa é bastante irregular, com tempos mortos e situações que não levam a lugar algum. 

O relacionamento entre pai e filha também não empolga, mesmo com a boa atuação do falecido Jean Rochefort. Vale citar que a atriz Camille de Casabianca é filha do diretor e roteirista Alain Cavalier.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Enquanto a Guerra Durar

 


Enquanto a Guerra Durar (Mientras Dure la Guerra, Espanha / Argentina, 2019) – Nota 6
Direção – Alejandro Amenabar
Elenco – Karra Elejalde, Eduard Fernandez, Santi Prego, Nathalie Poza, Luis Bermejo, Tito Valverde, Inma Cuevas, Patricia Lopez Arnaiz, Luis Zahera.

Salamanca, Espanha, 1936. Liderados por um grupo de oficiais, parte do exército do espanhol inicia uma revolução contra o governo de esquerda, que flerta com o comunismo. 

Neste contexto, o escritor Miguel de Unamuno (Karra Elejalde) é reconduzido ao cargo de reitor na universidade local e acredita que a revolução possa ser o passo certo para a pacificação da Espanha. Quando seus amigos socialistas são presos, o escritor percebe que a mudança levará o país a uma nova ditadura. 

O famoso diretor Alejandro Amenabar se baseou na história real do final da vida do escritor Miguel de Unamuno para contar sua versão do início da Revolução Espanhola. 

Se por um lado a ditadura de Franco foi péssima e durou quase quarenta anos, por outro lado o diretor deixa de mostrar como o outro lado dos socialistas também era terrível, ou seja, o país não tinha como escapar de um governo ditatorial. 

O filme é bem cuidado, assim como a reconstituição de época e as interpretações, mas no fundo se mostra uma obra ideológica.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

O Desaparecimento

 


O Desaparecimento (Still Here, EUA, 2020) – Nota 5
Direção – Vlad Feier
Elenco – Maurice McRae, Johnny Whitworth, Zazie Beetz, Afton Williamson, Larry Pine, Jeremy Holm.

Uma garotinha negra desaparece sem deixar vestígios em um condomínio de classe baixa em Nova York. Seu pai (Maurice McRae) se mostra desesperado e obcecado em encontrá-la. 

A notícia chama a atenção de um jornalista (Johnny Whitworth), que decide escrever sobre o caso. Sua matéria leva a polícia até um suspeito, mas também dá início a uma série de fatos dolorosos. 

Inspirado em uma história real, este longa tem uma premissa intrigante, porém que se perde em meio a uma narrativa confusa e a tentativa de demonizar a polícia. 

As interpretações também deixam a desejar, variando de personagens exagerados como o pai e outros inexpressivos como o jornalista. 

O final deixa a impressão de ser uma história que foi modificada para criar polêmica. Eu esperava algo bem melhor.


terça-feira, 29 de junho de 2021

Altos Negócios

 


Altos Negócios (Betonrausch, Alemanha, 2020) – Nota 6,5
Direção – Cuneyt Kaya
Elenco – David Kross, Frederick Lau, Pierre Kiwitt, Sophia Thomalia.

O jovem Viktor (David Kross) sai do interior da Alemanha para tentar a vida em Berlim. Sem dinheiro ou emprego, Viktor usa a criatividade e também a malandragem para conseguir onde morar. Ao conhecer Gerry (Frederick Lau), eles criam uma amizade e dão início a um negócio imobiliário ilegal que cresce acima do que esperavam. 

A história e o estilo da narrativa claramente utilizam como inspiração “O Lobo de Wall Street”, porém com resultado muito abaixo na comparação. A ascensão e queda do protagonista é mostrada de forma bastante rápida, com uma narrativa agitada envolvendo dinheiro, corrupção, drogas e sexo. 

Pelo formato e a curta duração, a passagem do tempo parece atropelada em alguns momentos. As falhas tiram um pouco da qualidade, resultando em uma obra mediana.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

A Última Chance & Resgate em Alta Velocidade

 


A Última Chance (Line of Duty, EUA, 2019) – Nota 5
Direção – Steven C. Miller
Elenco – Aaron Eckhart, Courtney Eaton, Ben McKenzie, Giancarlo Esposito, Jessica Lu, Dina Meyer.

Frank Penny (Aaron Eckhart) é um veterano policial que ainda trabalha patrulhando as ruas. Ao responder um chamado, Frank se envolve no caso do sequestro da filha do tenente Volk (Giancarlo Esposito), que fora seu parceiro em um caso que terminou em tragédia. 

Tentando se redimir, Frank decide procurar a filha do ex-parceiro, sendo obrigado a levar consigo a jovem blogueira Ava (Courtney Eaton), que cruzou seu caminho durante o chamado. 

A premissa de policial decadente tentando se redimir é um clichê básico do gênero que muitas vezes funciona. A ideia de dar uma cara moderna ao inserir a jovem com a câmera filmando a ação também é uma boa sacada. 

O problema é que o diretor Steven C. Miller é muito fraco. O roteiro tem várias furos, com soluções absurdas, um vilão com motivação maluca e sequências de ação exageradas. 

É um filme que até prende a atenção e pode agradar quem não se preocupar com os absurdos.

Resgate em Alta Velocidade (Getaway, EUA / Bulgária, 2013) – Nota 4
Direção – Courtney Solomon
Elenco – Ethan Hawke, Selena Gomez, Jon Voight, Rebecca Budig, Paul Freeman, Bruce Payne.

Em Sofia na Bulgária, Brent Magna (Ethan Hawke) é um ex-piloto de corridas que faz pequenos serviços sujos para sobreviver. Quando sua esposa (Rebecca Budig) é sequestrada e um desconhecido exige que ele roube um carro e siga suas instruções, Brent inicia uma louca corrida para tentar salvar a vida da esposa. 

A trama explora clichês de filmes sobre sequestro em que o vilão manipulador e inteligente tem um objetivo que é revelado aos poucos. O problema é que o desenvolvimento da trama é péssimo. 

Praticamente todo o filme é um grande perseguição de automóveis em que o personagem de Ethan Hawke junto com a de Selena Gomez, que é a dona do carro roubado, rodam por toda cidade fugindo de policiais e bandidos. É um festival de furos no roteiro e de absurdos de ação. 

O resultado é um longa para passar longe.

domingo, 27 de junho de 2021

Run Hide Fight

 


Run Hide Fight (Run Hide Fight, EUA, 2020) – Nota 7
Direção – Kyle Rankin
Elenco – Isabel May, Eli Brown, Thomas Jane, Radha Mitchell, Olly Sholotan, Treat Williams. Barbara Crampton, Cyrus Arnold, Britton Sear.

Em um dia qualquer, três adolescentes e uma garota invadem a escola onde estudam. Eles estão armados, matam alguns alunos e tomam outros como reféns na cafeteria. 

Enquanto isso, a adolescente Zoe (Isabel May) consegue escapar e avisar alunos e professores de outras salas sobre a situação, tentando evacuar o local e colocando sua própria vida em perigo. 

Tendo apenas os veteranos Thomas Jane, Radha Mitchell e Treat Williams como rostos conhecidos em papéis de coadjuvantes, este longa surpreende ao explorar os espaços do colégio para criar uma tensão crescente com boas sequências de ação e violência, com a desconhecida Isabel May dando conta do recado como protagonista. 

Outro acerto é a utilização da internet como ferramenta dos jovens assassinos para divulgar seu ataque desesperado, com o roteiro explorando ainda temas como bullying e celebridade instantânea. 

Para o cinéfilo com mais idade ou aquele curte filmes antigos, este longa lembra bastante “Rebeldes e Heróis” protagonizado por Sean Astin em 1991.

sábado, 26 de junho de 2021

The Stranger

 


The Stranger (The Stranger, EUA, 2020) – Nota 6,5
Direção – Veena Sud
Elenco – Mayka Monroe, Dane DeHaan, Avan Jogia.

Em Los Angeles, a jovem Clare (Mayka Monroe) trabalha como motorista de aplicativo há apenas cinco dias. Ela atende um chamado para uma corrida em uma região de casas de luxo, abrindo as portas de seu carro para um desconhecido (Dane DeHaan), que logo demonstra ser um psicopata. É o início de uma noite infernal em que Clare fará de tudo para salvar sua vida. 

Esta é mais uma microssérie com treze episódios que variam de seis a nove minutos de duração cada. Este formato é basicamente um longa dividido em pequenos capítulos a serem vistos seguidamente. 

A narrativa é ágil, com boas sequências de violência e suspense, porém a trama é previsível, com reviravoltas comuns ao gênero. Vale destacar a fotografia e as locações noturnas por Los Angeles. 

A diretora e roteirista canadense Veena Suda entregou séries melhores como “The Killing” e “Seven Seconds”.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Fukushima: Ameaça Nuclear

 


Fukushima: Ameaça Nuclear (Fukushima 50, Japão, 2020) – Nota 6,5
Direção – Setsurô Wakamatsu
Elenco – Koichi Sato, Ken Watanabe, Hidetaka Yoshioka, Naoto Ogata, Shohei Ino.

Em 2011, um terremoto seguido de um tsunami atingiu a usina nuclear de Fukushima no Japão, causando um terrível dano que poderia resultar em uma tragédia gigantesca. 

Baseado em um fato real, este longa tenta explorar o sucesso da recente minissérie “Chernobyl”, porém sem o mesmo sucesso ou qualidade. 

O roteiro explora a luta dos funcionários da usina em conter a provável tragédia, inclusive arriscando a própria vida em várias situações. 

Os dois personagens principais são o chefe da seção da usina que foi atingida (Koichi Sato) e o gestor geral (Ken Watanabe), que precisa tomar decisões delicadas sob pressão e ainda lidar com políticos que parecem não entender a gravidade do que aconteceu. 

Por mais que entregue várias sequências tensas, o filme é irregular e um pouco longo, perdendo tempo em situações que poderiam ser cortadas. 

É uma história que assusta por te sido um fato real.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

O Imortal

 


O Imortal (L'immortale, Itália / Alemanha, 2019) – Nota 7,5
Direção – Marco D’Amore
Elenco – Marco D’Amore, Giuseppe Aiello, Salvatore D’Onofrio, Gianni Vastarella, Marianna Robustelli, Martina Attanasio, Gennaro Di Colandrea, Nello Mascia, Aleksey Guskov.

Ciro (Marco D’Amore) é um mafioso que é alvejado por seus parceiros e jogado no Golfo de Nápoles. A morte certa é evitada ao ser resgatado por pescadores e depois recrutado por uma quadrilha rival que o envia para Riga na Letônia. 

Ciro se torna um intermediário entre seu novo chefe e uma quadrilha local. Em flashbacks, descobrimos que por várias vezes Ciro enfrentou a morte e venceu, ganhando o apelido de “Imortal”. 

Escrito, dirigido e protagonizado por Marco D’Amore, este longa vai além dos filmes sobre as regras e as relações entre mafiosos, para contar uma história de superação e sobrevivência dentro do mundo do crime. 

A transformação do protagonista de um cara esperto e falante para um adulto calado, taciturno e frio é detalhada através do vários obstáculos que enfrentou na vida. 

As locações no submundo decadente da Letônia e as sequências de violência também são destaque. 

O longa é mais uma boa surpresa do cinema italiano.


quarta-feira, 23 de junho de 2021

A Sala dos Espelhos & À Procura do Destino

 



A Sala dos Espelhos (WUSA, EUA, 1970) – Nota 5,5
Direção – Stuart Rosenberg
Elenco – Paul Newman, Joanne Woodward, Anthony Perkins, Laurence Harvey, Pat Hingle, Don Gordon, Cloris Leachman, Moses Gunn, Wayne Rogers.

Reinhardt (Paul Newman) é um sujeito cínico e beberrão que consegue um emprego como locutor em uma rádio tradicional. Mesmo não acreditando no trabalho, ele aceita seguir as ordens da chefia. 

Em paralelo, Reinhardt conhece e se envolve com a bela Geraldine (Joanne Woodward) e vai morar em condomínio simples onde ele desconta sua frustração através de diálogos cortantes com o vizinho Rainey (Anthony Perkis), um idealista que trabalha com serviços sociais. 

A tentativa de fazer uma crítica social se perde em meio a discursos vazios e diálogos que se transformam em divagações que não levam a lugar. Desde o início fica claro o papel de cada personagem no roteiro. Newman é o sujeito que não se importa com nada, apenas com ele mesmo, Woodward é a sonhadora que apanhou muito na vida e Perkins o idealista ingênuo que tenta fazer a diferença sem sucesso algum. 

Por mais que o mundo ainda continue com esta briga de ideologias, o filme se mostra datado na narrativa e no formato.

À Procura do Destino (Inside Daisy Clover, EUA, 1965) – Nota 6
Direção – Robert Mulligan
Elenco – Natalie Wood, Robert Redford, Christopher Plummer, Ruth Gordon, Roddy McDowall.

Hollywood, anos trinta. A adolescente Daisy Clover (Natalie Wood) é descoberta por um produtor (Christopher Plummer) e rapidamente se torna estrela. O sonho alcançado aos poucos revela a face obscura do sucesso, como o difícil relacionamento com um astro (Robert Redford) e o lado controlador do produtor, que se considera dono da carreira da jovem. 

Este foi um dos primeiros filmes a mostrar de forma mais aberta os bastidores complicados de Hollywood e a vida pessoal de famosos, mesmo que sem grande aprofundamento. Os contratos quase vitalícios que muitos atores e atrizes eram obrigados a aceitar até o final dos anos sessenta é um destes pontos, em uma época em que os grandes estúdios tinham total poder sobre seus comandados. 

Vemos ainda de forma implícita a questão das jovens atrizes que se envolvem com homens mais velhos e poderosos, o que mesmo tendo os dois lados da moeda, para muitos é uma forma de abuso. A questão principal é que tudo isso perde um pouco a força pela narrativa irregular e o estilo datado, se tornando cansativo. 

Vale destacar o ótimo elenco, que além do trio principal ainda tem a marcante Ruth Gordon vivendo a mãe da protagonista.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Too Late

 


Too Late (Too Late, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Dennis Hauck
Elenco – John Hawkes, Crystal Reed, Natalie Zea, Robert Forster, Jeff Fahey, Dichen Lachman, Joanna Cassidy, Dash Mihok, Rider Strong, Sydney Tamiia Poitier.

Em Los Angeles, uma jovem (Crystal Reed) liga para o investigador particular Samson (John Hawkes) marcando um encontro. Aparentemente eles tem alguma ligação forte. O sujeito vai até o local, porém algo inesperado aconteceu antes. Sem encontrar a garota, Samson inicia uma busca que pode se transformar em vingança. 

O roteiro escrito pelo diretor Dennis Hauck divide o filme em cinco atos não lineares que vão se encaixando até a surpresa na parte final. Ele explora também uma narrativa ao estilo dos filmes noir, com diálogos sarcásticos sobre a vida em Los Angeles, celebridades, filmes e sexo. Por sinal, a personagem de Dichen Lachman desfila totalmente nua na tela por vários minutos. 

Em um noir não pode faltar a violência, o submundo e o protagonista decadente, vivido com destaque pelo ótimo John Hawkes. 

É um filme para um público específico.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Miss Stevens


Miss Stevens (Miss Stevens, EUA, 2016) – Nota 5,5
Direção – Julia Hart
Elenco – Lily Rabe, Timothée Chalamet, Lili Reinhart, Anthony Quintal, Oscar Nuñez, Rob Huebel.

Miss Stevens (Lily Rabe) é uma solitária professora de colégio que aceita levar três alunos para participarem de uma competição de teatro durante um final de semana em um hotel. 

Margot (Lili Reinhart) é uma estudante certinha, Billy (Timothée Chalamet) é o rebelde que vive a base de medicamentos e Sam (Anthony Quintal) é homossexual. Será um final de semana de frustrações e descobertas. 

O roteiro escrito pela diretora Julia Hart cria personagens totalmente clichês preparados para enfrentar problemas previsíveis. Além disso, falta carisma aos personagens, até mesmo para a protagonista que carrega um trauma a ser superado. Por mais que eu goste de dramas, este passou longe de empolgar.

 

domingo, 20 de junho de 2021

Synchronic & Infinite

 


Synchronic (Synchronic, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Justin Benson & Aaron Moorhead
Elenco – Anthony Mackie, Jamie Dornan, Katie Aselton, Ally Ioannides, Ramiz Monsef.

Steve (Anthony Mackie) e Dennis (Jamie Dornan) são paramédicos e amigos de longa data. Em uma série de ocorrências que variam entre mortes e acidentes bizarros, Steve encontra em todos estes locais uma embalagem de um droga sintética legal chamada Syncronic. Quando Steve descobre ter um tumor no cérebro e pouco tempo de vida, ele decide comprar esta droga e experimentar para descobrir os efeitos. 

A premissa é intrigante, assim como os efeitos do uso da droga que transforma o longa em uma curiosa ficção. O problema é que a história é desenvolvida de forma apenas mediana, com algumas situações clichês enfrentadas pelo protagonista e efeitos especiais que deixam a desejar. 

A criatividade da premissa tinha tudo para resultar em um filme bem melhor.

Infinite (Infinite, EUA, 2021) – Nota 5,5
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Mark Wahlberg, Chiwetel Ejiofor, Sophie Cookson, Dylan O’Brien, Jason Mantzoukas, Rupert Friend, Toby Jones, Johannes Haukur Johannesson.

Em um futuro próximo, algumas pessoas tem o poder de lembrar suas vidas passadas. Estas pessoas se dividem em dois grupos que lutam em busca de um objeto que poderia acabar com a vida no planeta. 

Neste contexto, Evan McCauley (Mark Wahlberg) é perseguido pelos dois lados que o consideram uma espécie de Messias. O próprio Evan não sabe que suas alucinações diagnosticadas como esquizofrenia são na verdade lembranças de outras vidas. 

A premissa das vidas passadas era ótima e tinha tudo para render um bom longa de ficção, mas infelizmente o diretor Antoine Fuqua se perdeu totalmente em meio a exageros de ação e uma péssimo desenvolvimento da trama. 

O filme começa e termina com duas sequências de ação absurdas, daquelas que parecem game em que o protagonista tem diversas vidas. Entre as duas sequências o roteiro entrega um infinidade de clichês em meio a uma narrativa que por mais estranho que pareça é arrastada para contar os detalhes da vida do protagonista. Por sinal, Mark Wahlberg atua no piloto automático como sempre, enquanto Chiwetel Ejiofor está totalmente caricato como o vilão. 

É um filme que decepciona.

sábado, 19 de junho de 2021

Os Favoritos de Midas

 


Os Favoritos de Midas (Los Favoritos de Midas, Espanha, 2020) – Nota 7
Direção – Mateo Gil
Elenco – Luis Tosar, Marta Belmonte, Guillermo Toledo, Carlos Blanco, Goize Blanco, Jorge Andreu, Daniel Holguin, Marta Milans.

Victor Genovés (Luis Tosar) é o CEO de uma corporação espanhola que controla várias empresas, entre elas um antigo jornal impresso. 

Ao receber uma carta anônima informando que teria um pequeno tempo para efetuar um pagamento milionário, caso contrário uma pessoas aleatória seria assassinada, Victor ignora. O assassinato ocorre e uma nova carta chega, o forçando a buscar ajuda da polícia, na pele do inspetor Conte (Guillermo Toledo). 

Em paralelo, a jornalista Monica (Marta Belmonte) faz uma reportagem sobre venda de armas da Espanha para rebeldes sírios, aumentando a tensão no país, com grupos protestando com violência contra o governo, principalmente em Madrid. 

Esta minissérie em seis episódios mistura temas como disputa pelo poder empresarial, ética na imprensa, limites da polícia nas investigações e principalmente em como a força invisível dos poderosos manipula a sociedade. 

A história bate na tecla de que a maioria das pessoas defende o correto até um determinado ponto. Quando ela passa a sentir que pode ser prejudicada, tende a modelar sua ética para se salvar. 

Pode ser até que a ideia do diretor e roteirista Mateo Gil tenha um posicionamento ideológico nas entrelinhas, mas a meu ver a crítica vai para os poderosos em geral, independente de sistema político ou ideologia. 

O ponto negativo é a enrolação em algumas passagens. Com um ou até dois episódios a menos o resultado seria ainda melhor.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Em Trânsito

 


Em Trânsito (Transit, Alemanha / França. 2018) – Nota 6,5
Direção – Christian Petzold
Elenco – Franz Rogowski, Paula Beer, Godehard Giese, Lilien Batman.

Na França ocupada por nazistas, Georg (Franz Rogowski) assume a identidade de um escritor que faleceu para tentar sair do país, ao mesmo tempo em que se apaixona pela esposa do sujeito (Paula Beer), que está à procura do marido. 

A sacada criativa deste longa é explorar o contexto da invasão alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial, porém utilizando elementos dos dias atuais, como o figurino e os carros. 

A história em si é um drama sobre a perseguição aos judeus e também sobre o amor impossível que leva os protagonistas a tomarem decisões dolorosas em meio a um cenário de vida ou morte. 

O ritmo lento com passagens melancólicas deixa o filme cansativo em alguns momentos. 

É um filme para o público que gosta de obras introspectivas e personagens sofredores.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Coincidências do Amor, Amor a Distância e Será Que?

 


Coincidências do Amor (Switch, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Josh Gordon & Will Speck
Elenco – Jason Bateman, Jennifer Aniston, Patrick Wilson, Jeff Goldblum, Juliette Lewis.

Wally (Jason Bateman) e Kassie (Jennifer Aniston) são amigos desde a juventude, porém jamais deram um passo adiante para um relacionamento amoroso. Quando ela diz para ele que pretende ter um filho sozinha através de inseminação artificial e que quer ajuda para encontrar um doador, a amizade toma outro rumo, até que um fato tresloucado deixa tudo ainda mais complicado. 

Esta curiosa comédia explora o clichê da amizade que esconde o amor, porém desenvolvendo o tema de uma forma até bizarra relacionada a um fato incomum. Jennifer Aniston e Jason Bateman dão conta do recado e repetem o mesmo estilo de personagens que estão habituados a interpretar em outras comédias.

Amor a Distância (Going the Distance, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – Nanette Burstein
Elenco – Justin Long, Drew Barrymore, Charlie Day, Jason Sudeikis, Christina Applegate, Ron Livingston, Oliver Jackson Cohen, Jim Gaffigan, Natalie Morales, Kelli Garner.

Garrett (Justin Long) conhece e se apaixona por Erin (Drew Barrymore). Quando o relacionamento avança, surgem os problemas das diferenças na carreira e a chances de trabalharem em cidades diferentes. Eles tentam acertar a situação, até chegar um ponto onde será necessário tomar uma decisão final. 

É uma típica comédia romântica com pequenos desencontros e problemas a serem superados intercalados com situações engraçadinhas e outras patéticas. As cenas mais engraçadas ficam por conta dos coadjuvantes Charlie Day, Jason Sudeikis e Christina Applegate, esta última vivendo a irmã da protagonistas. Destaque também para a boa química entre Justin Long e Drew Barrymore.

Será Que? (What If (The F Word), Canadá / Irlanda, 2013) – Nota 6,5
Direção – Michael Dowse
Elenco – Daniel Radcliffe, Zoe Kazan, Megan Park, Adam Driver, Mackenzie Davis, Rafe Spall, Sarah Gadon, Lucius Hoyos, Jemima Rooper.

Um anos após ter rompido um namoro e abandonado a faculdade de medicina, Wallace (Daniel Racliffe) deseja voltar a ter uma vida normal. Em uma festa ele conhece Chantry (Zoe Kazan), com quem cria rapidamente um laço, porém de amizade, porque ela vive com o namorado (Rafe Spall). Wallace decide aceitar a situação, mesmo estando cada vez mais apaixonado por Chantry. 

É uma comédia romântica previsível, como são a maioria por sinal, com um boa química entre o casal principal que rende várias discussões sobre relacionamento e algum drama. É um filme que cumpre o que promete, mas está longe de entregar algo novo.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

O Primeiro Ministro

 


O Primeiro Ministro (De Premier, Bélgica, 2016) – Nota 6,5
Direção – Erik Van Looy
Elenco – Koen De Bouw, Tine Reymer, Charlotte Vandermeersch, Dirk Roofhooft, Stjin Van Opstal, Saskia Reeves, Adam Godley, Willy Thomas.

O Primeiro Ministro da Bélgica (Koen De Bouw) é sequestrado e tem sua família mantida refém por um grupo desconhecido. Para manter esposa e filhas vivas, ele precisa aceitar a missão de assassinar a presidente americana (Saskia Reeves) que visitará o país naquele dia para uma encontro com outros líderes europeus. É o início de uma corrida maluca pela sobrevivência. 

O diretor e roteirista Erik Van Looy e o astro Koen De Bown também foram parceiros no ótimo longa policial “O Caso Alzheimer”. Neste longa que comento aqui, a trama explora uma premissa utilizada em obras americanas sobre um inocente que precisa cometer um crime para salvar a família, com a diferença de que neste caso o provável assassino é um político. 

A narrativa é tensa, com várias sequências violentas, algumas um pouco exageradas e um final apressado, mas condizente com a proposta.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Relatos do Mundo

 


Relatos do Mundo (News of the World, EUA, 2020) – Nota 7
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Tom Hanks, Helena Zengel, Ray McKinnon, Mare Winningham, Elizabeth Marvel, Michael Angelo Covino, Fred Hechinger, Thomas Francy Murphy, Bill Camp.

Ao final da Guerra Civil Americana, o capitão Jefferson Kyle Kidd (Tom Hanks) roda pelo oeste do país de cidade em cidade lendo as notícias de jornais para a população. 

Em uma de suas viagens, Kidd cruza o caminho da garotinha Johanna (Helena Zengel), que foi raptada pelos índios anos atrás e que fala apenas o idioma dos Kiowa. 

Ele decide levar a garota a reencontrar os familiares que sobreviveram, porém terá de enfrentar vários perigos pela jornada, além de tentar ganhar a confiança da menina. 

Baseado em um livro, este longa apresenta uma premissa que lembra o clássico de John Ford “Rastros de Ódio”, porém desenvolvida de uma forma bastante previsível. 

Esta falta de surpresas não chega a ser ruim, o filme tem um ritmo agradável e uma ótima química entre Tom Hanks e garota alemã Helena Zengel, além de um bela fotografia. 

As sequências de leituras de notícias do protagonista também são destaque, como se fosse uma televisão antes dela ser inventada. 

É um filme que com certeza agradará a maioria das pessoas.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Olhar do Desejo

 


Olhar do Desejo (Hallam Foe, Inglaterra, 2007) – Nota 7
Direção – David Mackenzie
Elenco – Jamie Bell, Ruthie Milne, Ciaran Hinds, Claire Forlani, Lucy Holt, Jamie Siveis, Ewen Bremner, John Paul Lawler.

O jovem Hallam (Jamie Bell) vive com o pai (Ciaran Hinds) e a madrasta (Claire Forlani) em um enorme casarão em local afastado. Hallam passa o dia em uma casa na árvore observando as poucas pessoas da região. 

Ele também acredita que a morte da mãe foi causada pelo pai e a madrasta. Um determinado fato o leva para Londres, onde seu jeito peculiar de ver o mundo e o trauma pela morte da mãe afetarão suas atitudes e relações. 

Alguns filmes são tão complexos que fica difícil comentar. Neste longa ocorre isso, sendo que a complexidade não está na trama, mas no desenvolvimento dos personagens. 

Tanto o protagonista vivido por Jamie Bell, como a madrasta de Claire Forlani e a funcionária do hotel interpretada por Ruthie Milne são personagens cheios de contradições, com atitudes que atingem diretamente as pessoas que estão ao lado. 

Destaque também para os diálogos e as sequências de sexo ousadas, assim como o voyeurismo do protagonista.

domingo, 13 de junho de 2021

Viver Duas Vezes

 


Viver Duas Vezes (Vivir Dos Veces, Espanha, 2019) – Nota 7
Direção – Maria Ripoli
Elenco – Oscar Martinez, Inma Cuesta, Mafalda Carbonell, Nacho Lopez.

Com pouco mais de setenta anos de idade, o professor universitário de matemática Emilio (Oscar Martinez) descobre estar sofrendo de Alzheimer. 

Com a mente começando a falhar e sabendo que logo irá esquecer de toda sua vida, Emilio decide tentar reencontrar seu amor de infância, fato que a princípio desagrada sua filha (Inma Costa), com quem tem uma difícil relação. 

O pesado tema da doença é desenvolvido de forma sóbria e sensível neste longa que ainda explora as confusas relações familiares, no caso também o casamento da filha do protagonista. 

O filme ganha pontos pela química entre o sempre ótimo ator argentino Oscar Martinez e a garota Mafalda Carbonell que interpreta sua neta adolescente. A descoberta do mundo digital e as diferenças na forma de encarar o mundo entre os dois personagens é bastante interessante. 

O roteiro ainda guarda uma surpresa no final, mas que com certeza muitos cinéfilos vão descobrir antes ou pelo menos desconfiar pelas pistas na história.