quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O Refúgio & O Retorno

 


O Refúgio (The Nest. Inglaterra / Canadá, 2020) – Nota 6,5
Direção – Sean Durkin
Elenco – Jude Law, Carrie Coon, Oona Roche, Charlie Shotwell, Tanya Allen, Michael Culkin, Wendy Crewson.

Nova York, anos oitenta. O ambicioso Rory O’Hara (Jude Law) convence sua esposa Allison (Carrie Coon) a mudar para a Inglaterra, onde ele voltará para um antigo emprego. Eles tem um casal de filhos adolescentes. 

Ao invés de morar em Londres, Rory aluga um enorme casarão vitoriano na região rural de Surrey. Aos poucos, o sonho de uma nova vida é confrontado com os problemas causados pela excesso de ambição do protagonista. 

A premissa do sonho que caminha para o fracasso com o protagonista arrastando a família é cruel e ao menos interessante analisando como cinema. A frase popular “dar um passo maior que a perna” é o resumo da história deste longa. O roteiro explora a futilidade das reuniões entre ricos gananciosos, em que a aparência e os negócios são mais importantes do qualquer outro laço. 

O filme perde pontos por ser irregular e apresentar uma narrativa fria, mesmo nos momentos de crise. Vale citar que o diretor e roteirista Sean Durkin entregou um filme estranho e bastante superior chamado “Martha Marcy May Marlene”.

O Retorno (Dark River, Inglaterra, 2017) – Nota 5,5
Direção – Clio Barnard
Elenco – Ruth Wilson, Jonah Russell, Paul Robertson, Sean Bean, Una McNulty, Esme Creed Miles, Mark Stanley, Joe Dempsie.

Com a morte do pai (Sean Bean), Alice (Ruth Wilson) volta para casa no interior da Inglaterra com o objetivo de administrar a fazenda da família junto com o irmão Pete (Jonah Russell), que a princípio não gosta da situação. 

As divergências com o irmão, os problemas financeiros da fazenda e as lembranças da complicada relação com o pai atormentam Alice, que mesmo assim deseja ficar no local. 

Este drama sobre traumas e problemas familiares tem um narrativa bastante arrastada, que abusa dos flashbacks da protagonista. A história não empolga, pelo contrário, fica difícil criar empatia pelos personagens ou se envolver no drama. Eu esperava um filme melhor.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Tempo de Caça

 


Tempo de Caça (Sanyangeui Sigan, Coreia do Sul, 2020) – Nota 6,5
Direção – Sung Hyun Yoon
Elenco – Lee Jehoon, Jae Hong Ahn, Woo Sik Choi, Jeong Min Park, Hae Soo Park.

Em um futuro próximo, a Coreia do Sul sofre com uma terrível crise econômica. Neste contexto, ao sair da prisão por ter cometido um assalto, o jovem Jun Seok (Lee Jehoon) volta a se reunir com seus companheiros de crime e os convence a assaltar um cassino clandestino. A ação do grupo dá início a uma terrível caçada, que os coloca como alvo de outros criminosos. 

A primeira hora é intrigante e agitada, com bom desenvolvimento dos personagens e da situação em que vive o país. Após o assalto o ritmo da narrativa fica bastante irregular, mudando o foco para a caçada citada, intercalando sequências de violência com outras dramáticas que deixam um pouco a desejar. 

A longa duração de duras e horas e quinze minutos também atrapalha. Uns trinta minutos a menos deixaria o filme mais conciso e com certeza melhor. 

É mais um filme em que a boa premissa poderia ter sido melhor explorada.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert

 


A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (The Truth About the Harry Quebert Affair, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Jean Jacques Annaud
Elenco – Patrick Dempsey, Ben Schnetzer, Damon Wayans Jr., Kristine Froseth, Kurt Fuller, Victoria Clark, Wayne Knight, Matt Frewer, Colm Feore, Joshua Close, Virginia Madsen, Don Harvey, Ron Perlman, Vlasta Vrana.

Em 2008, numa pequena cidade próxima a divisa dos Estados Unidos com o Canadá, o corpo de uma adolescente desaparecida em 1975 é encontrado enterrado na propriedade do famoso escritor Harry Quebert (Patrick Dempsey), que vive no local desde aquela época. 

Harry é detido como principal suspeito, enquanto o jovem escritor Marcus Goldman (Ben Schnetzer), que foi seu aluno e é seu amigo, decide investigar o que realmente ocorreu. É o início de uma complexa história envolvendo diversas pessoas do local. 

Esta minissérie em dez episódios dirigida pelo francês Jean Jacques Annaud (“O Nome da Rosa” e “Sete Anos no Tibet”) tem um início bastante intrigante, deixando claro que a cidade tem muitos segredos e por outro lado explorando a dúvida em relação a culpa do protagonista através de duas narrativas paralelas. 

Temos a de 2008 detalhando a investigação do jornalista que se une a um detetive (Damon Wayans Jr.) e a segunda em 1975 quando descobrimos a relação entre a vítima (Kristine Froseth) e o escritor. 

A minissérie tem alguns problemas. O primeiro é o excesso de pequenas reviravoltas envolvendo coadjuvantes, quase todos tendo alguma relação com a garota desaparecida, o que torna a história forçada em alguns momentos. 

Este emaranhado de situações leva a uma narrativa irregular e cansativa em alguns episódios. A relação entre o protagonista e a garota também é alongada de forma excessiva. A produção bem cuidada termina escondendo um pouco estes defeitos. 

Eu considero uma minissérie mediana, que pelo premissa poderia ter sido melhor desenvolvida.

domingo, 17 de outubro de 2021

Minari - Em Busca da Felicidade

 


Minari – Em Busca da Felicidade (Minari, EUA, 2020) – Nota 7,5
Direção – Lee Isaac Chung
Elenco – Steven Yeun, Yeri Han, Alan Kim, Noel Cho, Yuh Jung Youn, Will Patton.

Arkansas, anos oitenta. Em busca de uma vida melhor, uma família coreana compra um pequeno pedaço de terra na região. O pai Jacob (Steve Yeun) planeja transformar o local em um fazenda, enquanto isso ele e sua esposa Monica (Yeri Han) trabalham em uma granja. 

A mudança de vida e as dificuldades para realizar o sonho também afetam o filho pequeno David (Alan Kim) e a filha pré-adolescente Anne (Noel Cho), além da avó (Yuh Jung Youn) que acaba vindo morar com eles. 

Este sensível drama foca de uma forma lenta e sóbria na luta de uma família em busca da felicidade, detalhando os obstáculos inesperados, a questão financeira e os pequenos conflitos familiares. 

É uma história que retrata uma realidade semelhante a de muitas famílias de imigrantes, sem apelar para o sentimentalismo ou situações polêmicas ligadas ao tema. 

Destaque para os interpretações de todo elenco, que tem ainda o veterano Will Patton como um religioso solitário que se torna amigo da família.

sábado, 16 de outubro de 2021

Uma Dia & Simplesmente Acontece

 


Um Dia (One Day, EUA / Inglaterra, 2011) – Nota 7,5
Direção – Lone Scherfig
Elenco – Anna Hathaway, Jim Sturgess, Patricia Clarkson, Rafe Spall, Tom Mison, Jodie Whittaker, Ken Stott.

O roteiro deste sensível drama romântico segue a vida de Emma (Anna Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess) da formatura no colégio em 1988 até 2011, sempre mostrando uma espécie de encontro anual no dia quinze de julho. 

É uma história de amor clássica, com encontros e desencontros, conflitos, momentos de felicidade, altos e baixos na vida pessoal e levando a um final que foge do lugar comum do gênero. 

O desenvolvimento dos personagens com o passar do tempo é outro destaque, tanto as mudanças físicas quanto o amadurecimento. A mudança dos figurinos também chama atenção, sem apelar para o exagero. 

É um filme que com certeza agradará quem curte o gênero.

Simplesmente Acontece (Love, Rosie, Alemanha / Inglaterra, 2014) – Nota 7
Direção – Christian Ditter
Elenco – Lily Collins, Sam Claflin, Christian Cooke, Jaime Winstone, Suki Waterhouse, Tamsin Egerton, Jamie Beamish, Lorcan Cranitch.

Amigos desde criança, Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin) não tem coragem de assumir o namoro ao comemorarem dezoito anos de idade. O destino faz com que suas vidas tomem caminhos diferentes, mesmo sempre mantendo contato e no fundo a esperança de ficarem juntos. 

Este simpático drama romântico detalha o complicado relacionamento dos protagonistas durante vários anos, explorando a premissa de que decisões aparentemente pequenas podem mudar para sempre a vida das pessoas. Esta ideia é bastante interessante e funciona bem, muito pela química entre o casal de protagonistas e a espontaneidade da atriz Lily Collins. 

Deixando de lado uma ou outra cena um pouco mais boba e exagerada, o longa cumpre o que promete ao entregar uma complexa história de amor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

À Espera do Amanhã

 


À Espera do Amanhã (The Tomorrow Man, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Noble Jones
Elenco – John Lithgow, Blythe Danner, Derek Cecil, Katie Aselton, Sophie Tatcher, Eve Harlow, Wendy Makkena.

Ed (John Lithgow) é um sujeito solitário que acredita que o mundo está prestes a entrar em colapso. Enquanto se prepara para o apocalipse, Ed sente-se atraído por Ronnie (Blythe Danner), uma enigmática senhora que ele conheceu no supermercado. Eles iniciam uma relação e aos poucos descobrem pequenas surpresas em relação a forma como cada um deles vê o mundo. 

O diretor e roteirista Noble Jones estreou aqui em um longa metragem explorando uma trama diferente que foca em temas como solidão, hábitos e relacionamentos. 

Destaque para as interpretações de John Lithgow, que cria um personagem paranoico em alguns momentos, mas que no fundo tem total noção do que está fazendo e de como isso impacta em sua vida e também para a veterana Blythe Danner, que olha para o mundo e encara seus problemas de uma forma também incomum. 

O final simbólico mostra que nem toda paranoia é injustificável.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Gente de Sorte

 


Gente de Sorte (The Lucky Ones, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Neil Burger
Elenco – Tim Robbins, Rachel McAdams, Michael Peña, Molly Hagan, Mark L. Young, John Heard, Katherine LaNasa, John Diehl, Annie Corley.

Três militares voltando do Afeganistão se conhecem dentro do avião que segue para os Estados Unidos. Os três (Tim Robbins, Rachel McAdams e Michael Peña) sofreram algum tipo de ferimento durante a guerra. 

Chegando no país, um problema cancelou todo os voos domésticos. Os três decidem alugar um carro para chegar ao destino individual, iniciando uma viagem de descobertas. 

Esta sensível mistura de drama com pitadas de comédia explora temas mais fortes de uma forma leve e até descontraída em alguns momentos. 

A narrativa também apresenta alguns momentos mais tristes e outros de decisões complexas que impactam diretamente na vida de cada um deles. 

O filme funciona muita pela ótima química entre o trio principal, todos interpretando personagens que enfrentam problemas comuns e reagem de uma forma dentro da realidade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Druk - Mais uma Rodada

 


Druk – Mais uma Rodada (Druk, Dinamarca / Suécia / Holanda, 2020) – Nota 8
Direção – Thomas Vinterberg
Elenco – Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang, Las Ranthe, Maria Bonnevie, Helene Reingaard Neumann.

Quatro professores de meia-idade entediados com a vida profissional e pessoal decidem iniciar um inusitado experimento. Manter durante o dia um determinado nível de álcool no organismo, com o objetivo de analisarem suas reações e quem sabe darem uma nova perspectiva em suas vidas. 

Este longa vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro vai além da questão da bebida. O roteiro escrito pelo diretor Thomas Vinterberg em parceria com o também diretor Tobias Lindholm passa uma primeira impressão de que seria uma apologia ao álcool, quando na verdade o desenvolvimento da história se mostra bastante imparcial em relação ao tema. 

Ao mesmo tempo em que algumas sequências mostram a alegria que pode brotar nas pessoas que bebem, por outro lado vemos também as consequências desastrosas na vida de cada um. A proposta implícita do roteiro é mostrar que o ato de beber é uma liberdade individual, sendo assim, também as consequências são de responsabilidade da pessoa que assumiu os riscos. 

O longa não chega a ser tão bom quanto “A Caça” que Vinterbeg dirigiu em 2012 também com Mads Mikkelsen e Thomas Bo Larsen nos papéis principais, mas mesmo assim é um obra que foge do lugar comum e que faz o espectador pensar. 

O grande destaque do elenco fica para Mikkelsen, que “renasce” após começar a beber e que protagoniza uma marcante e simbólica sequência final.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Spare Parts & Criando Asas

 


Spare Parts (Spare Parts, EUA / México, 2015) – Nota 7
Direção – Sean McNamara
Elenco – George Lopez, Marisa Tomei, Jamie Lee Curtis, Carlos PenaVega, José Julian, David Del Rio, Oscar Javier Gutierrez II, Alexa PenaVega, Aubrey K. Miller, Esai Morales.

Fredi Cameron (George Lopez) é um engenheiro desempregado que busca uma vaga de professor de ciências em um colégio em Phoenix. Ele consegue o emprego e logo descobre que a maioria dos alunos são imigrantes mexicanos ilegais. 

A surpresa surge quando o aluno Oscar (Carlos PenaVega) o procura pedindo ajuda para criar um projeto e assim participar de um concurso de robótica envolvendo colégios e universidades. Oscar consegue recrutar outros três alunos, iniciando assim sua busca pelo sonho de uma vida melhor. 

Este simpático longa é baseado em uma inusitada história real que mostra como o talento e a dedicação são virtudes que independem de dinheiro ou classe social. O roteiro detalha a jornada dos garotos e do professor, dando também a habitual ênfase aos problemas familiares para aumentar o drama. 

Não espere surpresas em relação a narrativa, o foco é mostrar uma história de superação e assim quem sabe inspirar outras pessoas a perseguirem seus sonhos.

Criando Asas (A Birder's Guide to Everything, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Rob Meyer
Elenco – Kodi Smit McPhee, Alex Wolff, Michael Chen, Katie Chang, Ben Kingsley, James Le Gros, Daniela Lavender.

David (Kodi Smit McPhee) é um adolescente que adora observar e estudar pássaros, algo que aprendeu com sua mãe que faleceu faz pouco tempo. Ao fotografar um estranho pato que pode ser de uma espécie que estaria extinta, David se junta aos amigos Timmy (Alex Wolff) e Peter (Michael Chen), além da garota Ellen (Katie Chang) para uma viagem em busca do local para onde a ave pode ter ido. 

Este longa com cara de sessão da tarde aproveita o inusitado tema das observação de pássaros para explorar vários clichês dos filmes adolescentes. Cada personagem tem características específicas, o protagonista carrega um trama, tem um relacionamento difícil com o pai e no meio da trama ainda surgem rivais para o grupo, tudo isso de uma forma inofensiva. 

É uma filme para toda a família, que tem ainda a participação de Ben Kingsley como um veterano observador de pássaros.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Oslo & Ó Jerusalém

 


Oslo (Oslo, EUA, 2021) – Nota 6,5
Direção – Bartlett Sher
Elenco – Ruth Wilson, Andrew Scott, Salim Dau, Itzik Cohen, Doval’e Glickman, Waleed Zuaiter.

Em 1993, os líderes de Israel e da Palestina assinaram um acordo de paz em Oslo na Noruega intermediado aparentemente pelos Estados Unidos, o que na teoria foi um enorme avanço, mas que infelizmente durou somente dois anos até o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin. 

Este longa detalha os bastidores quase desconhecidos de como um casal norueguês (Ruth Wilson e Andrew Scott) utilizou seus contatos para reunir secretamente em Oslo representantes judeus e palestinos que costuraram os verdadeiros detalhes do acordo. 

Praticamente todo o filme se passa em um enorme casarão isolado focando nos debates entre os dois lados, as vezes discutindo temas banais e em outros momentos questões polêmicas como a disputa por Jerusalém. 

É um filme indicado basicamente para quem gosta de história e política.

Ó Jerusalém (O Jerusalem, França / Inglaterra / Itália / Grécia / Israel / Estados Unidos, 2006) – Nota 6
Direção – Élie Chouraqui
Elenco – JJ Feild, Said Taghmaoui, Maria Papas, Patrick Bruel, Ian Holm, Tovah Feldshuh, Mel Raido.

A criação do Estado de Israel em 1948 levou os palestinos a uma revolta que terminou em guerra contra os judeus. Neste contexto, nos Estados Unidos os jovens judeus Bobby (JJ Feild) e David (Patrick Bruel) decidem viajar para Israel junto com o amigo palestino Said (Said Taghmaoui) pouco antes de estourar a guerra. Os que eles não esperavam era encontrar um conflito recheado de ódio que os colocaria em lados opostos. 

O roteiro escrito pelo diretor Élie Chouraqui utiliza o fato real da guerra de 1948 para contar uma história fictícia de amizade destruída, além de tentar detalhar como foi o início do conflito. O grande problema é que a narrativa parece correr, pulando de uma situação para outra muito rapidamente, o que atrapalha bastante, inclusive o desenvolvimento dos personagens. 

O elenco também não empolga, com a melhor atuação sendo de Said Taghmaoui, que interpreta um personagem atormentado por acreditar que a paz ocorrerá sem derramamento de sangue. 

O resultado fica abaixo do esperado pela ótima premissa.

domingo, 10 de outubro de 2021

A Mulher na Janela

 


A Mulher na Janela (The Woman in the Window, EUA, 2021) – Nota 6,5
Direção – Joe Wright
Elenco – Amy Adams, Gary Oldman, Julianne Moore, Fred Hechinger, Jennifer Jason Leigh, Wyatt Russell, Brian Tyree Henry, Jeanine Serralles, Anthoy Mackie, Tracy Letts.

Anna (Amy Adams) sofre de agorafobia (medo de espaços abertos), vivendo reclusa em seu apartamento em Nova York. Observando os vizinhos pela janela, Anna acredita ter visto um assassinato. O problema é que o hábito de misturar medicamentos com bebida a leva a ter apagões, deixando em dúvida se o que ela viu realmente ocorreu. 

O roteiro escrito pelo ator Tracy Letts, que interpreta o psiquiatra da protagonista, se baseia em livro e tem como ponto principal nos dois primeiros terços explorar a dúvida sobre a sanidade da mulher. Na parte final a trama se volta para os clichês comuns dos suspenses, lembrando as obras do gênero dos anos noventa. 

Amy Adams se esforça para demonstrar o sofrimento da protagonista, o que cansa um pouco também pela narrativa irregular e por quase todas as sequências acontecerem dentro do apartamento. 

O resultado é mediano e esquecível.

sábado, 9 de outubro de 2021

Além das Profundezas

 


Além das Profundezas (Breaking Surface, Suécia / Noruega / Bélgica, 2020) – Nota 6
Direção – Joachin Heden
Elenco – Moa Gammel, Madeleine Martin, Trine Wigen.

Após algum tempo afastadas, as irmãs Ida (Moa Gammel) e Tuva (Madeline Martin) visitam a mãe (Trine Wigen) na Noruega com o objetivo de mergulhar. Um resfriado faz com que a mãe fique em casa, enquanto as irmãs seguem para as águas geladas da região. Um acidente deixa Tuva presa no fundo do mar, causando desespero em Ida, que precisará lutar contra o tempo para salvar a irmã. 

Este filme extremamente curto explora uma história simples sobre luta pela sobrevivência. As sequências aquáticas são bem filmadas e a correria da protagonista em busca da solução para a situação resulta em um suspense mediano. O destaque maior fica para as locações no gelado mar da costa da Noruega.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Tão Distante

 


Tão Distante (Distance, Japão, 2001) – Nota 6,5
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Arata Iura, Yusuke Iseya, Susumu Terajima, Yuo Natsukawa, Tadanobu Asano.

Três anos após membros de um culto terem envenenado o abastecimento de água em Tóquio matando centenas de pessoas, parentes das vítimas relembram os entes queridos. 

Um grupo de parentes segue para um retiro em uma cabana isolada, local onde os membros do culto planejaram o ataque e depois cometeram suicídio. 

O único sobrevivente do culto que desistiu de participar da ação demonstra remorso por não ter conseguido brecar os ex-companheiros. 

Ainda em início de carreira, o diretor Hirokazu Koreeda entregou este filme que é mais contemplativo e doloroso do que dramático. As sequências de lamentações em ritmo lento cansam um pouco, explorando mais o lado sensorial do espectador. 

Considero uma experiência diferente e um filme mediano, abaixo na comparação com as obras posteriores do diretor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Uma Questão de Classe & O Marinho que Caiu em Desgraça com o Mar

 


Uma Questão de Classe (Class, EUA, 1983) – Nota 6,5
Direção – Lewis John Carlino
Elenco – Jacqueline Bisset, Cliff Robertson, Rob Lowe, Andrew McCarthy, Stuart Margolin, John Cusack, Alan Ruck, Virginia Madsen, Casey Siemaszko.

Jonathan (Andrew McCarthy) é um jovem do interior que consegue uma bolsa de estudos em uma renomada escola preparatória. Ele faz amizade com Skip (Rob Lowe), que vem de uma família rica e que decide ajudar o novo amigo a perder a virgindade. Jonathan termina por se envolver com Ellen (Jacqueline Bisset), sem saber que ela é a mãe de Skip. 

Este longa segue o estilo comum dos anos oitenta ao explorar a iniciação sexual adolescente misturando drama e comédia de costumes através de desencontros. 

Destaque para o elenco de jovens que ficariam famosos em seguida como Rob Lowe, Andrew McCarthy e John Cusack, além de Jacquelins Bisset e Cliff Robertson que estavam no auge da carreira.

O Marinheiro que Caiu em Desgraça com o Mar (The Sailor Who Fell from Grace with the Sea, Inglaterra, 1975) – Nota 5,5
Direção – Lewis John Carlino
Elenco – Sarah Miles, Kris Kristofferson, Jonathan Kahn, Margo Cunningham.
 
Anne (Sarah Miles) é uma viúva que mora em uma cidade litorânea na Inglaterra com o filho adolescente Jonathan (Jonathan Kahn). Quando um navio americano chega na região e Anne se envolve com o marinheiro Jon (Kris Kristofferson), Jonathan passa a sentir ciúmes e raiva do sujeito. 

Para deixar tudo ainda mais confuso, Jonathan participa de um grupo clandestino de garotos que prega obediência cega e ódio contra os adultos. 

Baseado em um livro do japonês Yukio Mishima, este longa toca em temas complexos como descobertas da sexualidade adolescente, falta de uma figura paterna e rebeldia contra a família. 

A narrativa estranha e o ritmo lento envelheceram mal, resultando em uma obra que vale apenas pela curiosidade.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

A Ilha

 


A Ilha (Grand Isle, EUA, 2019) – Nota 3
Direção – Stephen S. Campanelli
Elenco – Nicolas Cage, KaDee Strickland, Luke Benward, Kelsey Grammer, Zulay Henao, Emily Marie Palmer.

Buddy (Luke Benward) é contratado para consertar a cerca de uma bela casa em local afastado na região de Grand Isle. Recebido pelo excêntrico veterano do exército Walter (Nicolas Cage) e depois por Fancy (Kadee Strickland), que é a esposa sedutora do sujeito, Buddy não imagina a terrível situação que terá de enfrentar. 

Este suspense é com certeza um dos piores filmes protagonizados por Nicolas Cage nos últimos anos, mesmo comparando com outras bombas em que trabalhou. Novamente Cage interpreta um maluco com uma motivação bizarra para suas atitudes. As atuações são péssimas, algumas exageradas como a da esposa e a do policial religioso vivido por Kelsey Grammer. Vale citar ainda a estranha trilha sonora que parece de filme pornô. 

É um longa para passar longe.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Happy Valley

 


Happy Valley (Happy Valley, Inglaterra, 2014 e 2016) – Nota 7,5
Criadora – Sally Wainright
Elenco – Sarah Lancashire, Siobhan Finneran, Steve Pemberton, Charlie Murphy, Rhys Connah, James Norton, Karl Davies, Shane Zaza, George Costigan, Joe Armstrong, Vincent Franklin, Adam Long, Katherine Kelly, Shirley Henderson, Kevin Doyle.

Em uma cidade do interior da Inglaterra, a sargento Catherine Cawood (Sarah Lancashire) enfrenta uma série de problemas. Ela cuida de seu neto após o suicídio da filha, mora com a irmã (Siobhan Finneran) que é um drogada em recuperação, fica revoltada ao saber que o homem que violentou sua filha (James Norton) saiu da prisão, além das questões policiais, incluindo o sequestro de uma jovem. 

Nas duas primeiras temporadas (a terceira está programada para 2022) esta série segue o mesmo formato, alterando apenas alguns personagens. A narrativa principal foca na obsessão da protagonista em proteger o neto do criminoso que é o pai biológico do garoto. A outra narrativa explora um crime paralelo, sendo o sequestro na primeira temporada e uma série de assassinatos de prostitutas na segunda. 

Além das histórias serem bem amarradas, o grande destaque fica para a interpretação visceral de Sarah Lancashire. Explosiva e emotiva, a protagonista não mede esforços para conseguir o que deseja. 

É uma série de ótima qualidade, com histórias duras em que o “Happy” está apenas no título.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

O 3º Andar – Terror na Rua Malasaña

 


O 3º Andar – Terror na Rua Malasaña (Malasaña 32, Espanha / França, 2020) – Nota 7
Direção – Albert Pintó
Elenco – Begoña Vargas, Ivan Marcos, Bea Segura, Sergio Castellanos, José Luis de Madariaga, Ivan Renedo.

Madrid, 1976. Uma família do interior compra um apartamento no terceiro andar de um velho edifício. O que seria o início de uma nova vida se transforma em pesadelo quando aparições sobrenaturais começam a atormentá-los, primeiramente os filhos e depois os pais. 

Este interessante suspense espanhol apresenta a premissa batida da casa mal assombrada, porém ganhando pontos pelo clima de tragédia que se instala na família, inclusive afetando a questão financeira e profissional. 

A reconstituição de época de uma empobrecida Espanha também é destaque, assim como as sequências das aparições. 

Apesar de uma pequena falha no final, o longa entrega o que promete e com certeza agradará aos fãs do gênero.

domingo, 3 de outubro de 2021

Comédias com Tema Crimes - Resenhas Rápidas

 


Meu Vizinho Mafioso (The Whole Nine Yards, EUA, 2000) – Nota 6,5
Direção – Jonathan Lynn
Elenco – Bruce Willis, Matthew Perry, Rosanna Arquette, Natasha Henstridge, Michael Clarke Duncan, Amanda Peet, Kevin Pollak, Harland Williams.

Em um subúrbio de Montreal no Canadá, o dentista Oz (Matthew Perry) descobre que seu novo vizinho (Bruce Willis) é um assassino profissional que testemunhou contra um chefão mafioso. Sua ambiciosa esposa Sophie (Rosanna Arquette) o convence a procurar a Máfia para entregar a identidade do vizinho e assim receber uma recompensa. Esta comédia bebe na fonte da “A Máfia no Divã” produzido um ano antes, ao envolver um sujeito comum com um criminoso que tenta levar uma normal, mesmo isso sendo quase impossível. A química entre o durão Willis e o medroso Matthew Perry funciona, assim como a presença do assustador Michael Clarke Duncan. O filme teve uma sequência inferior em 2004.

Um Tira Muito Suspeito (Blue Streak, EUA, 1999) – Nota 6,5
Direção – Les Mayfield
Elenco – Martin Lawrence, Luke Wilson, Dave Chappelle, Peter Greene, William Forsythe, Nicole Ari Parker, Graham Beckel, Olek Krupa, Robert Miranda, Saverio Guerra, Richard C. Sarafian, Julio Oscar Mechoso, Tamala Jones, Steve Rankin, Carmen Argenziano, John Hawkes, Octavia Spencer, Frank Medrano.

Após cometer um roubo, Miles (Martin Lawrence) é traído por seu parceiro (Peter Greene) e termina preso. Antes disso, Miles consegue esconder o diamante fruto do crime. Ao sair da cadeia dois anos depois, ele descobre que o local onde escondeu o diamante agora é uma delegacia. Desesperado para conseguir a "fortuna", ele se faz passar por um novo detetive para ter acesso ao local, tendo ainda no encalço seu antigo parceiro. Esta divertida comédia de ação foi claramente inspirada no estilo de Eddie Murphy em um “Tira da Pesada”, com a curiosidade de que no mesmo ano os dois atores trabalharam juntos na comédia “Até que a Fuga os Separe”. O filme cumpre o que promete, com alguns boas sequências de ação e o humor agitado baseado no falatório exagerado de Martin Lawrence.

Cadê a Grana? (Where the Money Is, Alemanha / EUA / Inglaterra / Canadá, 2000) – Nota 6
Direção – Marek Kanievska
Elenco – Paul Newman, Linda Fiorentino, Dermot Mulroney, Susan Barnes, Anne Pitoniak.

Henry (Paul Newman) é um veterano ladrão que após sofrer um derrame é transferido para uma casa de repouso. Ele fica aos cuidados da enfermeira Carol (Linda Fiorentino), que passa por dificuldades financeiras com seu marido Wayne (Dermot Mulroney). A inusitada relação entre Carol e Henry é o passo inicial para o plano de um roubo. Esta simpática comédia foi um dos últimos trabalhos do astro Paul Newman, que parece se divertir no papel do veterano ladrão.

O Rapto de Sinatra (Stealing Sinatra, EUA, 2003) – Nota 5,5
Direção – Ron Underwood
Elenco – David Arquette, William H. Macy, James Russo, Ryan Browning, Thomas Ian Nicholas, Sam McMurray.

No final de 1963, o ambicioso Barry Keenan (David Arquette) convence dois amigos (William H. Macy e Ryan Browning) a participarem do sequestro de Frank Sinatra Jr (Thomas Ian Nicholas), filho do cantor Frank Sinatra (James Russo). Baseado em um inusitada história real, este longa desperdiça a boa premissa ao seguir o caminho das comédias bobas e pelo elenco fraco, com exceção de William H. Macy, que sozinho pouco pode fazer para ajudar. O protagonista vivido por David Arquette é insuportável. Existe a chance da história ganhar uma nova versão para o cinema em breve.

O Golpe (The Big Bounce, EUA, 2004) – Nota 5,5
Direção – George Armitage
Elenco – Owen Wilson, Morgan Freeman, Sara Foster, Gary Sinise, Charlie Sheen, Vinnie Jones, Willie Nelson, Harry Dean Stanton, Bebe Neuwirth, Gregory Sporleder.

No Havaí, Jack (Owen Wilson) é um ex-presidiário que trabalha em um hotel que pertence a um juiz picareta (Morgan Freeman). Ao se envolver com a bela Nancy (Sara Foster), que é amante de um mafioso (Gary Sinise), Jack é convencido a participar do roubo ao cofre do sujeito. É o início de um plano repleto de mentiras e traições. Baseado em um livro de Elmore Leonard, este longa perde pontos pela escolha do diretor George Armitage em focar quase numa comédia de humor negro. O ótimo elenco acaba desperdiçado em sequências bobas e personagens caricatos.

Doce Trapaça (Heartbreakers, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – David Mirkin
Elenco – Sigourney Weaver, Jennifer Love Hewitt, Ray Liotta, Jason Lee, Gene Hackman, Anne Bancroft, Nora Dunn, Jeffrey Jones, Kevin Nealom, Elya Baskin, Ricky Jay, Julio Oscar Mechoso.

Max (Sigourney Weaver) e Page (Jennifer Love Hewitt) são mãe e filha que procuram milionários para aplicar golpes. O alvo do momento é o idoso William (Gene Hackman), que se apaixona por Max, dando início a uma série reviravoltas e traições entre as golpistas, além de envolver na confusão um mafioso (Ray Liotta), um jovem (Jason Lee) e um mágico picareta (Ricky Jay). É uma comédia divertida em alguns momentos e caricata em outros.

Ladrões de Cofre (Safe Men, EUA, 1998) – Nota 5,5
Direção – John Hamburg
Elenco – Sam Rockwell, Steve Zahn, Michael Lerner, Paul Giamatti, Mark Ruffalo, Josh Pais, Harvey Fierstein, Christina Kirk, Michael Schmidt.

Dois cantores decadentes (Sam Rockwell e Steve Zahn) são confundidos com ladrões especialistas em arrombar cofres e acabam contratados por um chefão mafioso judeu (Michael Lerner). Precisando de dinheiro, a dupla cria várias confusões tentando cumprir a “obrigação”, sendo pressionados pelo violento braço direito do mafioso (Paul Giamatti). O elenco de atores talentosos, que tem ainda Mark Ruffalo em papel de coadjuvante, é pouco para salvar esta comédia sem graça.

Era Uma Vez um Crime (Once Upon a Crime..., EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Eugene Levy
Elenco – John Candy, James Belushi, Cybill Shepherd, Sean Young, Richard Lewis, Ornella Muti, Giancarlo Giannini, George Hamilton, Joss Ackland.

Em Roma, os amigos Phoebe (Sean Young) e Julian (Richard Lewis) pretendem lucrar devolvendo um cão perdido a sua dona em Monte Carlo que oferece uma recompensa pelo animal. A morte desta pessoa transforma os amigos em suspeitos, assim como outro casal americano (James Belushi e Cybill Shepherd), além de um viajante (John Candy). Esta comédia filmada em Monte Carlo é o único filme dirigido pelo comediante Eugene Levy para o cinema. É basicamente um comédia de erros e traições com algumas sequências divertidas e nada mais.

Crime Desorganizado (Disorganized Crime, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – Jim Kouf
Elenco – Lou Diamond Phillips, Fred Gwynne, Ruben Blades, William Russ, Hoyt Axton, Corbin Bernsen, Ed O'Neill, Daniel Roebuck, Dean Norris.

Frank (Corbin Bernsen) arma um plano para assaltar um banco no México e convence quatro amigos a participarem do crime. Tudo se complica quando Frank é preso e os ladrões novatos decidem seguir o plano sem o líder. Esta comédia com algumas cenas divertidas e personagens caricatos tem a cara dos anos noventa. Destaque para a dupla de policias atrapalhados interpretados por Ed O’Neill e Daniel Roebuck.

sábado, 2 de outubro de 2021

O Físico

 


O Físico (The Physician, Alemanha, 2013) – Nota 7
Direção – Philipp Stozl
Elenco – Tom Payne, Ben Kingsley, Stellan Skarsgard, Olivier Martinez, Emma Rigby, Elyas M’Barek, Michael Marcus, Fahri Yardim, Stanley Townsend, Makram Khoury.

Inglaterra, Idade Média. Após ver a mãe morrer por uma doença aparentemente sem cura e seus irmãos serem vendidos, o garoto Rob Cole foge com um barbeiro (Stellan Skarsgard), que na verdade é um mascate que vende produtos medicinais. 

Quando adulto, Rob (Tom Payne) descobre através de árabes que a medicina está avançando no oriente. Mesmo sendo cristão e podendo ser assassinado por isso, Rob decide viajar até o oriente para aprender medicina com o famoso Ibn Sina (Ben Kingsley). É o início de uma série de aventuras. 

Este cuidadosa produção alemã é baseada numa trilogia de livros de Noah Gordon que descreve através do protagonista Rob Cole como a Europa estava atrasada na medicina na Idade Média em relação ao oriente. 

Em meio a esta premissa, o roteiro explora ainda uma história de amor proibido, o ódio entre povos e guerras em nome da religião. A narrativa segue o estilo clássico de aventuras medievais, se entregando aos clichês na parte final. 

No geral é um filme agradável, com ritmo ágil e boa dose de informações históricas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Paris

 


Paris (Paris, França, 2008) – Nota 6,5
Direção – Cédric Klapisch
Elenco – Romain Duris, Juliette Binoche, Fabrice Luchini, Albert Dupontel, François Cluzet, Gilles Lellouche, Mélanie Laurent, Karin Viard, Zinedine Soualem, Sabrina Ouazani.

Pierre (Romain Duris) é um ator que descobre estar sofrendo de uma doença cardíaca que pode abreviar sua vida. Este é o ponto de partida para que vários personagens cruzem seus destinos, entre eles a irmã divorciada de Pierre (Juliette Binoche), um professor (Fabrice Luchini) apaixonado por uma aluna (Mélanie Laurent) e um grupo de feirantes que brigam entre si, mas que estão sempre juntos. 

A proposta do roteiro escrito pelo diretor Cédric Klapisch é bastante interessante ao utilizar Paris quase como uma personagem para contar pequenas histórias. As várias sequências nas ruas são bem legais, porém faltou aquele algo a mais para finalizar as histórias, ao mesmo tempo em que o roteiro não se aprofunda em nenhuma delas. 

Quem gosta de drama vai acompanhar com tranquilidade, mas no final ficará o sentimento de que poderia ter sido um filme melhor.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Crisis

 


Crisis (Crisis, Canadá / Bélgica, 2021) – Nota 6,5
Direção – Nicholas Jarecki
Elenco – Gary Oldman, Armie Hammer, Evangeline Lilly, Greg Kinnear, Michelle Rodriguez, Luke Evans, Lily Rose Depp, Guy Nadon, Veronica Ferres, Scott Mescudi, Indira Varma, Martin Donovan, Mia Kirshner, Nicholas Jarecki, Michael Aronov.

O longa explora três histórias paralelas ligadas ao mundo dos opioides, que são drogas legalizadas utilizadas por pessoas comuns para diminuir alguma dor e que muitas vezes levam ao vício. 

O protagonista é um cientista (Gary Oldman) que se vê pressionado a alterar um estudo que ajudará a liberar um novo medicamento. O segundo protagonista é um policial infiltrado (Armie Hammer) que está prestes a desbaratar duas quadrilhas que traficam opioides. O terceiro elo é uma mãe (Evangeline Lilly) que deseja chegar até o assassino do filho que está ligado a uma destas quadrilhas. 

O roteiro escrito pelo diretor Nicholas Jarecki explora uma premissa extremamente atual, que tinha tudo para render um grande filme. A ligação entre os grandes laboratórios que despejam medicamentos perigosos no mercado e o consequente aumento de pessoas viciadas terminam por criar um espaço amplo para os traficantes, que suprem a demanda para aqueles que não tem como comprar de forma legal. 

Os problemas do longa são a meia-hora final que tenta resolver as três tramas de uma forma rápida, além da história da mãe que por mais que mostre a obsessão em buscar vingança, por outro lado cria algumas situações inverossímeis, mesmo com a boa atuação de Evangeline Lilly. 

Como curiosidade, o diretor Nicholas Jarecki é irmão do também diretor Andrew Jarecki, responsável por sensacionais documentários como “Na Captura dos Friedman” e “The Jinx”.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

O Rei da Califórnia & Tudo Por Você

 


O Rei da Califórnia (King of California, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Mike Cahill
Elenco – Michael Douglas, Evan Rachel Wood, Willi Burks II, Laura Kachergus. 

Após ser liberado de um instituto psiquiátrico, Charlie (Michael Douglas) é recebido por sua filha Miranda (Evan Rachel Wood) que espera levar uma vida normal com o pai, que ela acredita estar curado. 

Não demora para perceber que Charlie continua excêntrico. Tudo fica mais estranho quando ele diz ter conseguido o mapa de um tesouro espanhol que fora escondido por colonizadores na região. Charlie convence Miranda a participar de uma maluca busca pela fortuna. 

Esta simpática comédia aborda temas que vão além da relação pai e filha e da excentricidade do primeiro. A busca por um sonho e a liberdade individual são pontos interessantes em meio a absurda trama da caça ao tesouro. 

O personagem de Michael Douglas é o típico sujeito de espírito livre que não se encaixa no mundo em que vivemos. Esta busca pela liberdade, seja de vida ou pela riqueza leva a um final simbólico e bastante incomum. 

É um filme curioso e inofensivo.

Tudo Por Você (My One and Only, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Richard Loncraine
Elenco – Renée Zellwegger, Logan Lerman, Mark Rendall, Kevin Bacon, Nick Stahl, Chris Noth, David Koechner, Troy Garity, Eric McCormack, J.C. MacKenzie, Molly C. Quinn, Robin Weigert, Steven Webber.

Nova York, 1953. Após descobrir mais uma traição de seu marido Dan Devereaux (Kevin Bacon), que é um famoso líder de um grupo musical, Anne (Renée Zellwegger) decide abandoná-lo levando os dois filhos adolescentes (Logan Lerman e Mark Rendall). 

Com algum dinheiro e um automóvel, Anne inicia a viagem em busca de um nova vida e principalmente de um novo marido que possa sustentá-la. 

Esta comédia com toques de road movie brinca com a ideia das mulheres casamenteiras que buscam um parceiro por comodidade, não por amor. Renée Zellwegger é perfeita para este papel que se divide entre o interesse, a sensualidade e a ingenuidade em alguns momentos. 

Os vários pretendentes que passam por sua vida são estereótipos. Entre eles temos o milionário falido, o militar possessivo e o mulherengo que gosta jovens. O destaque do elenco fica para a atuação de Logan Lerman como o filho racional que tem as melhores falas do roteiro. 

É uma comédia simpática, estilo sessão da tarde.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Palavras nas Paredes do Banheiro

 


Palavras nas Paredes do Banheiro (Words on Bathroom Walls, EUA, 2020) – Nota 7
Direção – Thor Freudenthal
Elenco – Charlie Plummer, Andy Garcia, Taylor Russell, AnnaSophia Robb, Molly Parker, Walton Goggins, Beth Grant, Devon Bostick, Lobo Sebastian.

Adam (Charlie Plummer) é um adolescente que descobre sofrer de esquizofrenia. Sem medicamentos, Adam tem alucinações com amigos imaginários e vê situações que não existem, causando diversos problemas para ele e as pessoas ao seu redor. 

Baseado em um livro, este longa tem como um dos pontos positivos mostrar este sério problema mental de uma forma sóbria e até engraçada em alguns momentos, lógico que não deixando o drama de lado. 

Outro acerto é a narração do protagonista vivido por Charlie Plummer, que conta sua história direto para a câmera em meio a uma sessão de terapia, explicando as situações difíceis que enfrentou, sua complicada relação com a mãe (Molly Paker) e o padrasto (Walton Goggins) e com sua nova namorada (Taylor Russell). 

Um sacada curiosa e realista é quando ele cita que pessoas com doenças que podem levar a morte são tratadas com paciência e carinho, enquanto aquelas que sofrem com doenças mentais são vistas como problemáticas, com as pessoas se afastando. 

Destaque também para a participação de Andy Garcia como um padre e para os três amigos imaginários do protagonista vividos por AnnaSophia Robb, Devon Bostick e Lobo Sebastian, cada um deles sendo um espécie de parte do subconsciente do jovem. 

É um filme que me surpreendeu de forma positiva.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

A Incrível História da Ilha das Rosas

 


A Incrível História da Ilha das Rosas (L'incredibile storia dell'Isola delle Rose, Itália, 2020) – Nota 6,5
Direção – Sydney Sibilia
Elenco – Elio Germano, Leonardo Lidi, Matilda de Angelis, Tom Wlaschiha, Luca Zingaretti, Fabrizio Bentivoglio, François Cluzet, Violetta Zironi.

Itália, 1968, Após se formar em engenharia, Giorgio (Elio Germano) se mostra insatisfeito com a possível carreira e o mundo em geral. 

Em parceria com o amigo Maurizio (Leonardo Lidi), Giorgio decide criar uma nova nação, montando uma plataforma em águas internacionais na costa de Rimini, cidade próximo a Roma. 

Com ajuda de outras três pessoas, a princípio eles criam um clube para festas, até que Giorgio arrisca tentar legalizar seu sonho, transformando o local em um país independente de forma oficial.

Baseado em uma inusitada história real, este longa é ao mesmo tempo uma comédia bobinha em algumas sequências e em outras se vira para o drama quando coloca o Estado no encalço do protagonista. 

A questão da liberdade individual é tratada de forma leve e até certo ponto rasa, em um filme com o objetivo de ser mais divertido do que crítico.

domingo, 26 de setembro de 2021

Cry Macho: O Caminho para Redenção

 


Cry Macho: O Caminho para Redenção (Cry Macho, EUA, 2021) – Nota 6,5
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Clint Eastwood, Dwight Yoakam, Eduardo Minett, Natalia Trevan, Fernanda Urrejola, Horacio Garcia Rojas, Marco Rodriguez.

Texas, 1980. Um ano após perder o emprego de treinador de cavalos, o ex-vaqueiro de rodeios Mike Milo (Clint Eastwood) recebe uma proposta de seu antigo patrão (Dwight Yoakam). A missão é ir até o México para buscar o filho do homem, que vive com a mãe naquele país. Mike aceita, sem imaginar os problemas que terá de enfrentar. 

Aos noventa e um anos de idade, Clint Eastwood entrega mais um filme em que é diretor e protagonista, o que por si só é um enorme feito. A história do protagonista veterano que vê a chance de uma redenção no final da vida é puro clichê, mas isso não chega a atrapalhar, principalmente pela química que se cria entre ele e o garoto vivido por Eduardo Minett. As locações na fronteira do México com os EUA e a trilha sonora também são pontos positivos. 

Por outro lado, a reviravolta na segunda metade que transforma o longa em um misto de drama e romance deixa a narrativa irregular, assim como não funcionam as sequências em que Clint tenta demonstrar que ainda é durão. 

No geral, não interessa que este não seja um grande filme, temos que esperar e torcer que Clint ainda tenha forças para seguir a carreira. Ele é um ícone vivo do cinema e seus trabalhos sempre serão um prazer para os cinéfilos.

sábado, 25 de setembro de 2021

Clemência, Os Últimos Passos de um Homem & A Última Chance

 


Clemência (Clemency, EUA, 2019) – Nota 6
Direção – Chinonye Chukwu
Elenco – Alfre Woodard, Aldis Hodge, Richard Schiff, Wendell Pierce, Michael O’Neill, Danielle Brooks, Richard Gunn.

Bernardine Williams (Alfre Woodard) é a diretora de um presídio em que vários detentos estão no corredor da morte. Ela demonstra força, mas esconde seu sofrimento que resvala em seu casamento.

Quando é marcada a execução do detento Anthony Woods (Aldis Hodges), um sujeito que alega ser inocente, Bernardine fica ainda mais abalada por não ter como provar a alegação do sujeito ou mudar a situação. 

O roteiro escrito pela diretora Chinonye Chukwu defende a ideia de que a execução é algo cruel demais, mesmo para um criminoso que tenha cometido algo tão cruel quanto. Esta escolha leva a protagonista a sofrer por ser obrigada a cumprir seu dever, mesmo tendo dúvidas se acredita neste tipo de pena. 

Por mais polêmico que seja, o filme é no máximo mediano, muito pela narrativa lenta que cansa o espectador sem se aprofundar no debate, apenas criando uma série de sequências de lamentações, muitas com o atormentado personagem de Aldis Hodge.

Os Últimos Passos de um Homem (Dead Man Walking, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Tim Robbins
Elenco – Susan Sarandon, Sean Penn, Robert Prosky, Raymond J. Barry, Celia Weston, Lois Smith, Scott Wilson, Margo Martindale, R. Lee Ermey.

A freira Helen Prejean (Susan Sarandon) recebe uma carta do detento Matthew Poncelet (Sean Penn), que está no corredor da morte por conta de um crime terrível. A freira decide visitar o assassino e aos poucos cria uma relação de empatia, ao mesmo tempo em que o fato desagrada os familiares da vítima. Quanto mais próximo chega a data da execução, maior é a angústia de Helen e Matthew. 

Dirigido pelo ator Tim Robbins, que na época vivia com a atriz Susan Sarandon na vida real, este longa pode ser visto de duas formas. Analisando como cinema, o filme entrega uma narrativa dolorosa sobre remorso e medo da morte, levando até o angustiante clímax da execução. 

Por outro lado, a história que é baseada em um livro da verdadeira freira Helen Prejean, defende o perdão mesmo para crimes hediondos, o que no mundo atual é uma enorme ingenuidade. 

É um tema polêmico e um bom filme.

A Última Chance (Last Dance, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Bruce Beresford
Elenco – Sharon Stone, Rob Morrow, Randy Quaid, Peter Gallagher, Jack Thompson, Jayne Brook, Skeet Ulrich, Don Harvey.

Rick Hayes (Rob Morrow) é um advogado novato que consegue um emprego no comitê de clemência com ajuda de seu irmão (Peter Gallagher). O primeiro trabalho de Ricky é analisar o caso de Cindy (Sharon Stone), que está no corredor da morte por causa de um duplo assassinato. Mesmo parecendo um caso sem solução, aos poucos o jovem advogado passa a acreditar que pode conseguir o perdão para Cindy. 

Produzido quando Sharon Stone estava no auge da carreira, este é o típico filme com o objetivo de fazer uma estrela ser respeitada como atriz dramática. A tentativa falhou, tanto pela interpretação fraca da atriz e de Rob Morrow, como pela história previsível que jamais decola. 

O filme também foi ofuscado pelo similar e superior “Os Último Passos de um Homem” que foi produzido um ano antes. Por sinal, nos anos noventa era algo comum produções com temas semelhantes sendo lançadas em paralelo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Perigo Iminente

 


Perigo Iminente (Danger Close: The Battle of Long Tan, Austrália, 2019) – Nota 7,5
Direção – Kriv Stenders
Elenco – Travis Fimmel, Luke Bracey, Richard Roxburgh, Daniel Webber, Nicholas Hamilton.

Vietnã, agosto de 1966. Um batalhão de soldados australianos e neozelandeses liderados pelo Major Harry Smith (Travis Fimmel) sofre uma emboscada dos vietcongues. Cercados pelos inimigos, enquanto esperam apoio aéreo os soldados precisam lutar para sobreviver em meio a floresta. 

Baseado na história real que ficou conhecida como “A Batalha de Long Tan”, esta produção australiana tem a mesma qualidade dos bons filmes hollywoodianos do gênero. As sequências de ação são criativas e violentas, mesclando com momentos de tensão e emoção. 

O desenvolvimento dos personagens também é interessante, principalmente o protagonista durão vivido por Travis Fimmel e o jovem soldado interpretado por Daniel Webber. 

Para quem gosta de longas de guerra, este é uma ótima opção.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

O Mauritano

 

 
O Mauritano (The Mauritanian, Inglaterra / EUA, 2021) – Nota 7
Direção – Kevin Macdonald
Elenco – Tahar Rahim, Jodie Foster, Shailene Woodley, Benedict Cumberbatch, Zachary Levi, Corey Johnson, Denis Ménochet, Pope Jerrod.

Dois meses após os ataques de 11 de Setembro, a polícia da Mauritânia prende Mohamedou Ould Slahi (Tahar Rahim) e o entrega para o governo americano que o leva para a prisão de Guantánamo. 

Seis anos depois, o caso de Slahi é apresentado para a advogada Nancy Hollander (Jodie Foster), que aceita o desafio de o defender. Após os primeiros contatos com Slahi , além de descobrir que não existe acusação formal, Nancy percebe que o governo deseja manter sob sigilo tudo o que ocorre naquela prisão. 

Baseado em um livro escrito pelo verdadeiro Mohamedou Ould Slahi, este longa tem como ponto principal mostrar os abusos cometidos pelo governo americano contra os detentos da prisão de Guantánamo, mesmo muitos deles sendo terroristas. 

As sequências de tortura das mais formas variadas são terríveis, assim como manter os sujeitos presos sem acusação formal alguma, em uma espécie de limbo jurídico. Por outro lado, a inocência total do protagonista deixa dúvidas, principalmente por sua ligação com a Al-Qaeda, que o filme e o livro citam ter ocorrido apenas nos anos noventa. 

O filme segue a cartilha das obras sobre injustiça e luta contra um adversário mais forte, no caso o governo americano. 

Destaque para a atuação de Tahar Rahim, cada vez mais se firmando como astro internacional e também ótimo ator.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Quanto Vale?

 


Quanto Vale? (What Is Life Worth, EUA / Inglaterra / Canadá, 2020) – Nota 7
Direção – Sara Colangelo
Elenco – Michael Keaton, Stanley Tucci, Amy Ryan, Tate Donovan, Shunori Ramanathan, Talia Balsam, Laura Benanti, Chris Tardio, Ato Blankson Wood, Victor Slezak, Marc Maron.

Após os ataques de 11 de Setembro, o governo americano procurou escritórios de advocacia para negociar as indenizações com os parentes das vítimas. 

O advogado Ken Feinberg (Michael Keaton) aceitou o trabalho sem cobrar valor algum, pensando em ajudar na situação. O que ele não imaginava seriam os vários problemas burocráticos que teria de enfrentar, as situações individuais específicas e o sofrimento do envolvidos. 

Baseado em uma história real, este longa não tem surpresas, ele segue o estilo das obras que detalham os pormenores de questões judiciais. O roteiro também escolhe contar algumas histórias individuais de familiares das vítimas como exemplos das consequências do atentado. Eu gosto deste estilo de filme, mesmo sendo previsível.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Possessor

 


Possessor (Possessor, Canadá / Inglaterra, 2020) – Nota 6
Direção – Brandon Cronenberg
Elenco – Andrea Riseborough, Christopher Abbott, Tuppence Middleton, Jennifer Jason Leigh, Rossi Sutherland.

Tasya Vos (Andrea Riseborough) é uma agente de um experimento clandestino em que uma corporação utiliza uma tecnologia para transportar a “mente” de uma pessoa para outra. O objetivo sempre é utilizar o hospedeiro para assassinar alguma pessoa a mando de um terceiro. 

Quando a “mente” de Tasya se funde a um novo hospedeiro (Christopher Abbott), algo dá erro, criando uma situação imprevisível que colocará ela e sua família em risco. 

Escrito e dirigido por Brandon Cronenberg, este longa segue o mesmo estilo do seu pai, o cultuado diretor David Cronenberg (“A Mosca” e “Gêmeos – Mórbida Semelhança”). Temos uma história inusitada, mortes violentas e um clima sinistro. 

É uma pena que a narrativa seja lenta e até um pouco confusa, resultando em uma obra quase experimental.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A Million Little Pieces & Gutterbug

 


A Million Little Pieces (A Million Little Pieces, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Sam Taylor Johnson
Elenco – Aaron Taylor Johnson, Billy Bob Thornton, Odessa Young, Charlie Hunnam, Giovanni Ribisi, Juliette Lewis, Dash Mihok, Charles Parnell, Ryan Hurst, David Dastmalchian, Tom Amandes, Eugene Byrd.

Ao chegar no fundo do poço por causa do vício em drogas e bebidas, James (Aaron Taylor Johnson) é internado pelo irmão (Charlie Hunnam) em uma clínica. Não acreditando que a terapia o ajude, mas ao mesmo tempo sabendo que não tem outra saída, James luta para enfrentar a situação em meio a outros pacientes com vidas tão complicadas quanto a dele. 

Dirigido pela esposa do ator Aaron Taylor Johnson, este longa explora o tema da difícil e muitas vezes impossível jornada de dependentes químicas em busca da reabilitação. O filme não chega a ser totalmente depressivo ou radical nas situações como outras obras sobre tema. Vemos sequências de abstinência e recaídas, porém as locações são clean e a mensagem final é de esperança. 

Destaque para o elenco recheado de rostos conhecidos, como Billy Bob Thornton no papel do sujeito que se torna mentor do protagonista.

Gutterbug (Gutterbug, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Andrew Gibson
Elenco – Andrew Yackel, Justin Pietropaolo, Hannah Mosqueda, Paul Kandarian, Mary Hronicek, Geoff van Wyck, Leigh Lanocha.

Bug (Andrew Yackel) é um jovem morador de rua viciado em drogas que sobrevive revirando lixeiras, reciclando objetos e cometendo pequenos furtos. Sem perspectivas ou objetivos, Bug segue sua vida perdida, até que escolhas ainda mais erradas e também o destino o levam por um caminho onde a mudança será inevitável. 

Este drama sobre o vício não é tão pesado quanto parece, muito pela narrativa que busca humanizar os personagens, inclusive explorando uma sincera narração em off do protagonista. 

A meia-hora final é uma contradição, começando com uma série de loucuras e chegando a um desfecho que beira o melodrama. Mesmo com esta escorregada do roteiro, o longa é uma interessante história sobre como é fácil se perder na vida.

domingo, 19 de setembro de 2021

More Than Miyagi: The Pat Morita Story

 


More Than Miyagi: The Pat Morita Story (More Than Miyagi: The Pat Morita Story, EUA, 2021) – Nota 7,5
Direção – Kevin Derek
Documentário

Noriyuki “Pat” Morita será sempre lembrado pelo icônico papel do Mr. Miyagi na série de filmes “Karatê Kid”, com destaque principal para o primeiro longa que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante. 

Este documentário revela detalhes de sua vida desde a infância quando sofreu com um sério problema na coluna e ainda foi levado com seus pais que eram japoneses para um campo de prisioneiros em Ohio durante a Segunda Guerra Mundial. 

A narrativa segue para a carreira como comediante de stand up, sua participação com sucesso na famosa série “Happy Days”, até o auge da fama com o primeiro “Karatê Kid”. 

Descobrimos também seus problemas pessoais e acompanhamos os últimos anos de carreira em que aceitava pequenos papéis em seriados e filmes de baixo orçamento. 

Vale citar os depoimentos de vários atores que trabalharam com ele como Ralph Macchio, William Zabka, Martin Kove, James Hong e Henry Winkler, entre outros. 

É mais uma história de ator e comediante talentoso que sofreu ao enfrentar seus próprios problemas.

sábado, 18 de setembro de 2021

Ronda Noturna


Ronda Noturna (Police, França / Bélgica / China, 2020) – Nota 6
Direção – Anne Fontaine
Elenco – Virginie Efira, Omar Sy, Grégory Gadebois, Payman Maadi.

Em Paris, os policiais Aristide (Omar Sy), Virginie (Virginie Efira) e Erik (Grégory Gadebois) enfrentam problemas pessoais. Numa certa noite eles são escalados para escoltar um imigrante ilegal (Payman Maadi) até o aeroporto para ser deportado, dando início a situações desconfortáveis entre o trio, que terá de tomar decisões complicadas. 

O ponto principal deste longa é a montagem entrecortada, que mostra algumas sequências por ângulos diferentes de acordo com a visão de cada personagem. Este acerto se perde na segunda parte durante a escolta, com a narrativa explorando uma situação com o objetivo de criar empatia pelo refugiado através de decisões ingênuas dos policiais. 

A premissa termina sendo melhor do que a realização.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Safe

 


Safe (Safe, Inglaterra, 2018) – Nota 7
Direção – Julia Ford, Daniel O’Hara & Daniel Nettheim
Elenco – Michael C. Hall, Amanda Abbington, Marc Warren, Amy James Kelly, Hannah Arterton, Nigel Lindsay, Audrey Fleurot, Freddie Thorp, Joplin Sibtain, Isabelle Allen, Louis Greatorex.

Uma festa de adolescentes em um condomínio de luxo nos arredores no Londres termina com a morte de um jovem e o desaparecimento de uma garota (Amy James Kelly). 

O pai da garota é o cirurgião Tom (Michael C. Hall), que com a ajuda de sua amigo Pete (Marc Warren), que também é médico, inicia uma investigação paralela à polícia descobrindo segredos sobre sua falecida esposa e outros moradores do local. 

Esta minissérie em oito episódios é baseada em um livro de Harlen Coben que detalha uma complexa trama de segredos e mentiras. São várias subtramas envolvendo coadjuvantes que algumas vezes parecem não ter muito sentido em relação ao geral, como a história entre o personagem de Pete e da policial Emma (Hannah Arterton). 

A série prende a atenção através da narrativa ágil e das dúvidas, porém um olhar mais apurado verá algumas brechas no roteiro também. No geral a minissérie cumpre o que promete, mesmo sendo esquecível.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

E Não Sobrou Nenhum & Rillington Place

 


E Não Sobrou Nenhum (And Then There Were None, Inglaterra, 2015) – Nota 7
Direção – Craig Viveiros
Elenco – Charles Dance, Maeve Dermody, Toby Stephens, Burn Gorman, Aidan Turner, Sam Neill, Miranda Richardson, Noah Taylor, Douglas Booth, Charlie Russell.

Oito desconhecidos são convidados para passar alguns dias em uma enorme casa em uma ilha. Um casal que cuida do local recepciona os convidados, pedindo para aguardar a chegada dos donos. O encontro se transforma em desespero quando ocorre uma morte e todos passam a ser suspeitos. 

Baseado em um livro de Agatha Christie, esta minissérie em três episódios consegue mesclar drama, suspense e violência de uma forma competente. Como é comum nas obras da autora, a dúvida em relação ao assassino é o ponto principal, enquanto o desenvolvimento da trama com as mortes é bastante previsível. Outro ponto interessante são os flashbacks que mostram os pecados de cada um dos personagens, dando pequenos pistas de quem seria o assassino.

Rillington Place (Rillington Place, Inlgaterra, 2016) – Nota 7
Direção – Craig Viveiros
Elenco – Tim Roth, Samantha Morton, Nico Mirallegro, Jodie Comer, Gilly Gilchrist.

Londres. Entre os anos quarenta e cinquenta, Reg Christie (Tim Roth) assassinou jovens mulheres em sua casa em Nothing Hill com a cumplicidade calada de sua esposa Ethel (Samantha Morton). Entre as vítimas está o casal Beryl (Jodie Comer) e Timothy (Nico Mirallegro), que ao tentar iniciar uma vida cheia de sonhos, se tornam alvos do psicopata. 

Este minissérie em três episódios é baseada numa sinistra história real que já foi levada às telas em 1971. Os pontos altos são a reconstituição de época que recria uma Londres suja e decadente, assim como apartamento em que vive os protagonista e a a atuação de Tim Roth. Seu personagem demostra uma calma assustadora e um jeito manso de falar que escondem um maluco capaz de atrocidades, um lado que por muitos anos somente sua esposa conhecia. 

É uma minissérie indicada para quem tem curiosidade em conhecer detalhes de crimes famosos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A Garota da Cafeteria

 


A Garota da Cafeteria (The Girl in the Café, Inglaterra / EUA, 2005) – Nota 7
Direção – David Yates
Elenco – Bill Nighy, Kelly Macdonald, Ken Stott, Anton Lesser, Meneka Das, Paul Ritter.

Lawrence (Bill Nighy) é um sujeito solitário, tímido e inseguro que trabalha como assessor do ministro das relações exteriores da Inglaterra. O destino o faz conhecer a também solitária Gina (Kelly Macdonald) em uma cafeteria. Mesmo com muita dificuldade em expressar seus sentimentos, Lawrence convida Gina para viajar até a Islândia, onde ele participará da reunião do G8. 

Este sensível drama sobre solidão e relacionamentos vai bem até a parte final, com o espectador sem saber do passado da garota e com o personagem de Bill Nighy demonstrando uma insegurança assustadora. Os diálogos incômodos entre os dois criam uma química interessante e ao mesmo tempo triste. 

A surpresa na parte final é extremamente ingênua, buscando um tipo de esperança no mínimo improvável, o que faz o longa perder alguns pontos.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

The Virtuoso

 


The Virtuoso (The Virtuoso, EUA, 2021) – Nota 6,5
Direção – Nick Stagliano
Elenco – Anson Mount, Abbie Cornish, Anthony Hopkins, David Morse, Eddie Marsan, Richard Brake, Diora Baird, Chris Perfetti.

Um assassino profissional (Anson Mount) recebe a missão de eliminar um alvo. Seu chefe (Anthony Hopkins) passa apenas um código denominado “White Rivers” e uma localidade. O sujeito precisa utilizar sua experiência para descobrir quem é seu alvo em meio a alguns suspeitos em um decadente café de beira de estrada. 

Este longa pode ser resumido com a frase “um bom filme ruim”. O protagonista Anson Mount é um canastrão que funciona bem no papel do assassino que fala pouco e narra seus pensamentos para o espectador. A dúvida sobre quem é o alvo, a sinistra trilha sonora e os coadjuvantes estranhos ajudam a manter a atenção até o final. 

O grande Anthony Hopkins parece se divertir no papel do enigmático “empresário” do assassino, com a curiosidade de aparecer somente em dois cenários, mesmo sendo várias cenas. Ele divide seu trabalho entre as sequências no escritório de sua casa e no cemitério, sempre com diálogos cínicos. 

É um filme melhor do que o esperado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Little Boy - Além do Impossível

 


Little Boy – Além do Impossível (Little Boy, México / EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Alejandro Monteverde
Elenco – Jakob Salvati, Emily Watson, David Henrie, Michael Rapaport, Cary Hiroyuki Tagawa, Tom Wilkinson, Ben Chaplin, Ted Levine, Kevin James, Ali Landry, Abraham Benrubi.

Anos quarenta. Em uma pequena cidade da Califórnia, o garoto de oito anos chamado Pepper (Jakob Salvati) é apelidado de Little Boy por ser pequeno para sua idade. 

Ele não se conforma com a ida do pai (Michael Rapaport) para lutar na Segunda Guerra Mundial, ficando apenas com a mãe (Emily Watson) e o irmão mais velho (David Henrie). 

O desejo de que seu pai volte o leva a buscar respostas na religião e também na crença de que seu pensamento tem poderes que podem mudar as coisas. 

O roteiro escrito pelo diretor mexicano Alejandro Monteverde explora uma história de esperança inserindo pitadas de fantasia que deixam o longa com cara de fábula em alguns momentos. 

A história toca também em temas fortes como preconceito e ódio por causa da guerra, tudo levando o garoto a amadurecer. 

A reviravolta no final também vale ser destacada, assim a atuação espontânea do garotinho Jakob Salvati.

domingo, 12 de setembro de 2021

Loucos de Paixão & Febre da Selva

 


Loucos de Paixão (White Palace, EUA, 1991) – Nota 6,5
Direção – Louis Mandoki
Elenco – Susan Sarandon, James Spader, Jason Alexander, Kathy Bates, Eileen Brennan, Rachel Levin, Corey Parker.

Max (James Spader) é um advogado que perdeu a esposa recentemente. O destino o faz cruzar o caminho da garçonete Nora (Susan Sarandon), que também passou por uma tragédia e que tem vinte anos a mais do que a idade de Max. Uma forte atração faz com que eles comecem um tórrido relacionamento, até que as diferenças vem à tona. 

Além das cenas picantes, os pontos altos deste longa são a química entre James Spader e Susan Sarandon e a questão da complexidade das relações entre pessoas de idade, classe social e nível intelectual diferentes.

Febre da Selva (Jungle Fever, EUA, 1991) – Nota 6
Direção – Spike Lee
Elenco – Wesley Snipes, Annabella Sciorra, Spike Lee, John Turturro, Lonette McKee, Samuel L. Jackson, Ossie Davis, Ruby Dee, Anthony Quinn, Halle Berry, Tim Robbins, Brad Dourif, Nicholas Turturro, Frank Vincent, Michael Imperioli.

Flipper (Wesley Snipes) é um arquiteto casado que se envolve com sua secretária de origem italiana (Annabella Sciorra). O fato desencadeia conflitos entre as famílias dos dois, tanto por ser um caso extraconjugal, como pela questão racial. 

Como é habitual em sua filmografia, Spike Lee explora um roteiro que cria um caldeirão de discussões raciais. O destaque fica para a atuação de Samuel L. Jackson como o irmão drogado do protagonista. 


sábado, 11 de setembro de 2021

O Espião Inglês

 


O Espião Inglês (The Courier, Inglaterra / EUA, 2021) – Nota 7
Direção – Dominic Cooke
Elenco – Benedict Cumberbatch, Merab Ninidze, Rachel Brosnahan, Jessie Buckley, Angus Wright, Zeljko Ivanejk, Anton Lesser, Keir Hills.

Início dos anos sessenta. Oleg Pendovsky (Merab Ninidze) é um coronel soviético que arrisca a vida para enviar informações secretas para os EUA. Pendovsky acredita que o governo soviético planeja iniciar uma guerra nuclear. 

Para conseguir contato direto com o sujeito, a CIA e o MI6 inglês decidem utilizar como espião o empresário de vendas Greville Wynne (Benedict Cumberbatch), que mesmo com medo aceita a missão.

Baseado em uma história real, este competente longa de suspense detalha as formas como espiões trocavam mensagens naquela época e também como este “serviço” transformava o homem em descartável. 

O ponto alto da trama é a descoberta de que os soviéticos estavam utilizando Cuba como base para misseis apontados para os EUA, o que resultou no que hoje é conhecido como “A Crise dos Misseis de Cuba”, que por pouco não levou o mundo a uma catástrofe nuclear. 

É um filme em que a história se mostra mais importante do que as interpretações e também do que a ótima reconstituição de época.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

O Rebelde no Campo de Centeio

 


O Rebelde no Campo de Centeio: A Vida de J.D. Salinger (Rebel in the Rye, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Danny Strong
Elenco – Nicholas Hoult, Kevin Spacey, Victor Garber, Hope Davis, Sarah Paulson, Zooey Deutch, Lucy Boynton, Brian D’Arcy James, Eric Bogosian, Jefferson Mays, Bernard White, James Urbaniak.

Nova York, 1939. Jerome David Salinger (Nicholas Hoult) é um jovem de classe alta que deseja se tornar escritor. Ao frequentar o curso do editor Whit Burnett (Kevin Spacey), Salinger é obrigado a enfrentar rejeições, fato comum com escritores iniciantes. 

Após ser convocado e lutar na Segunda Guerra Mundial, sua visão do mundo se modifica, rendendo o clássico livro “O Apanhador no Campo de Centeio” e também a vontade de se afastar da sociedade. 

O roteiro escrito pelo diretor Danny Strong é baseado em livro que detalha a vida de Salinger até o início dos anos cinquenta, quando ele e sua esposa foram viver reclusos até sua morte em 2010. 

A proposta do longa é detalhar os motivos que levaram Salinger ao isolamento após se tornar famoso. É interessante que a paixão por escrever se manteve, o que Salinger perdeu foi o desejo de dividir seus livros e sua vida com o público. 

É um biografia sóbria a agradável, que cumpre o que promete.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Passageiro Acidental

 


Passageiro Acidental (Stowaway, Alemanha / EUA, 2021) – Nota 5,5
Direção – Joe Penna
Elenco – Anna Kendrick, Daniel Dae Kim, Shamier Anderson, Toni Collette.

Uma missão especial enviada para Marte com três astronautas (Anna Kendrick, Daniel Dae Kim e Toni Collette) sofre um abalo pouco tempo depois da partida quando eles encontram um sujeito ferido (Shamier Anderson) preso em um compartimento. 

A princípio mesmo com uma pequena avaria, a situação parece ser controlável, até que um novo fato colocará em risco a vida do então quarteto. 

Este segundo longa dirigido pelo brasileiro Joe Penna tem as mesmas virtudes e defeitos de seu trabalho anterior chamado “Arctic”. Os pontos positivos são a ótima produção e a bela fotografia, que no anterior era ainda melhor por ser em local aberto. 

Estes acertos se perdem em meio a um narrativa lenta e extremamente cansativa. São diálogos, situações e sequências que em tese teriam de ser tensas, mas que não passam emoção alguma. A trama também é bastante simples e recheada de clichês que não funcionam pela apatia da narrativa. 

É um filme que poderia ser muito melhor.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Mais Perto da Lua

 


Mais Perto da Lua (Closer to the Moon, Romênia / EUA / Itália / Polônia / França, 2014) – Nota 6,5
Direção – Nae Caranfil
Elenco – Vera Farmiga, Mark Strong, Harry Lloyd, Anton Lesser, Joe Armstrong, Christian McKay, Tim Plester, Allan Corduner.

Bucareste, Romênia, 1959. Ao ver uma filmagem na rua, o jovem garçom Virgil (Harry Lloyd) decide procurar emprego em um estúdio e se torna assistente de um diretor beberrão (Allan Corduner). 

Um ano depois, eles recebem a missão de fazer um longa educativo para o governo romeno. Virgil se surpreende ao descobrir que os atores (quatro homens e uma mulher) são presos políticos obrigados a trabalhar no filme para cumprir parte da pena, antes de serem executados. 

Em flashbacks o espectador descobre o motivo que levou um oficial romeno (Mark Strong), sua amante (Vera Farmiga) e mais três amigos para a prisão. 

Por mais maluca que pareça a trama, ele é baseada em uma história real comprovada nos créditos finais com cenas do filme original. O roteiro detalha em vários momentos os absurdos do comunismo na Romênia. Julgamento de cartas marcadas, disputa entre oficiais, vizinhos delatores e propaganda mostrando um paraíso que não existe. 

A narrativa é um pouco irregular e as pitadas de comédia deixam o longa mais leve do que a gravidade da história real demonstraria. O resulto é curioso e mediano.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Glorious 39 & Summerland

 


Glorious 39 (Glorious 39, Inglaterra, 2009) – Nota 6
Direção – Stephen Poliakoff
Elenco – Romola Garai, Bill Nighy, Eddie Redmayne, Juno Temple, Charlie Cox. David Tennant, Christopher Lee, Corin Redgrave, Jeremy Northam, Jenny Agutter, Julie Christie, Hugh Bonneville, Toby Regbo.

Um jovem (Toby Regbo) visita dois parentes bem mais velhos (Christopher Lee e Corin Redgrave) que são os últimos ainda vivos que conheceram a bela Anne (Romola Garay), que seria sua tia. Ele busca informações sobre Anne.

A trama volta para 1939 nos arredores de Londres, onde Anne era filha adotiva do político Alexander (Bill Nighy) e tinha uma boa vida ao lado dos irmãos Ralph (Eddie Redmayne) e Celia (Juno Temple), além de namorar Lawrence (Charlie Cox). 

Tudo muda quando um amigo da família que também era político comete suicídio e algumas pistas levam a Anne a acreditar que na verdade ele foi assassinado. 

Escrito e dirigido por Stephen Poliakoff, este drama começa de forma promissora deixando claro que a morte do político estava ligada aos bastidores de uma disputa entre favoráveis a um acordo com Hitler e o grupo que tinha certeza que a guerra seria inevitável. 

Os grandes problemas deste longa são o ritmo lento que deixa a narrativa bastante cansativa, além do roteiro que cria uma trama complexa, porém que no fundo esconde uma motivação até trivial para a perseguição que a protagonista enfrenta. 

Vale destacar a ótima reconstituição de época e o elenco repleto de grandes nomes do cinema inglês.

Summerland (Summerland, Inglaterra, 2020) – Nota 6
Direção – Jessica Sawle
Elenco – Gemma Arterton, Gugu Mbatha Raw, Penelope Wilton, Tom Courtenay, Lucas Bond, Dixie Egerickx.

Kent, interior da Inglaterra, década de quarenta. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas famílias com pais lutando ou trabalhando para ajudar as forças armadas enviavam seus filhos para interior do país como forma de proteção por causa ataques aéreos contra Londres. 

Neste contexto, o garoto Frank (Lucas Bond) é enviado para Kent, ficando na guarda da estudiosa Alice (Gemma Arterton), que a princípio não queria cuidar de criança alguma. Aos poucos a ranzinza Alice se apega ao garoto e relembra um amor que ficou no passado. 

Por mais que seja uma história sensível, daquelas feitas com momentos específicos para emocionar, falta algo a mais neste drama. Tudo é muito certinho, até mesmo a reviravolta final feita para agradar um determinado público. No meu conceito é uma obra bonita na fotografia, mas apenas razoável no resultado.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Uma Semana

 


Uma Semana (One Week, Canadá, 2008) – Nota 7,5
Direção – Michael McGowan
Elenco – Joshua Jackson, Liane Balaban, Chuck Samata, Fiona Reed, Caroline Cave, Campbell Scott.

Prestes a se casar, Ben (Joshua Jackson) descobre que está com um câncer extremamente agressivo e provavelmente com pouco tempo de vida. O susto faz Ben tomar uma atitude incomum, decidindo fazer uma viagem de moto durante alguns dias, mesmo a contragosto de sua noiva (Liane Balaban). Enquanto viaja pelo interior do Canadá, ele repensa sua vida. 

Este sensível drama é um pouco diferente dos longas que exploram doenças. O roteiro não foca no dramalhão à beira da morte, a proposta é mostrar como tomamos decisões durante a vida por motivos variados, muitas vezes não sendo exatamente o que queremos. 

O protagonista passa por isso ao perceber que sua vida é bem diferente do que ele sonhava, que o medo ou insegurança de tomar decisões arriscadas ou incomuns o levaram ao caminho da infelicidade. 

Destaque para a narração em off do ator Canmpbel Scott, que se revela uma surpresa na sequência final. 

É um longa simples, que explora as paisagens canadenses em estradas, pontos turísticos e pequenas cidades para mostrar como a liberdade é fundamental na vida.

domingo, 5 de setembro de 2021

Fugitive Pieces

 


Fugitive Pieces (Fugitive Pieces, Grécia / Canadá, 2007) – Nota 7,5
Direção – Jeremy Podeswa
Elenco – Stephen Dillane, Rade Sherbedgia, Rosamund Pike, Ayelet Zurer, Devon Bostick, Robbie Kay, Nina Dobrev, Diego Matamoros, Sarah Orenstein, Ed Stoppard, Rachelle Lefevre.

Polônia, Segunda Guerra Mundial. O garotinho Jakob (Robbie Kay) consegue fugir após presenciar sua família ser assassinada pelos nazistas. Ele é resgatado pelo arqueólogo grego Athos Roussos (Rade Sherbedgia), com quem consegue atravessar a fronteira. 

Quando adulto, Jakob (Stephen Dillane) se tornou escritor, mas ainda sofre pelo que aconteceu na infância e também por não ter certeza se sua irmã sobreviveu. 

Baseado em um livro, esta sensível história mesmo sendo fictícia explora o sofrimento e os traumas que os sobreviventes da Segunda Guerra carregaram por toda a vida. 

O desenvolvimento do protagonista que utiliza a escrita para enfrentar seus fantasmas é bastante realista, valorizada pela interpretação do ótimo ator inglês Stephen Dillane. 

Destaque também para a reconstituição de época e a atuação de Rade Sheberdgia, ator acostumado a papéis de vilão, que aqui vive um intelectual bondoso.

sábado, 4 de setembro de 2021

Sparring

 


Sparring (Sparring, França. 2017) – Nota 6,5
Direção – Samuel Jouy
Elenco – Mathieu Kassovitz, Olivia Merilahti, Souleymane M’Baye, Billie Blain, Tomy Leconte.

Steve Landry (Mathieu Kassovitz) é um veterano boxeador que passa por problemas financeiros. Mesmo a contragosto de sua esposa (Olivia Merilahti), Steve aceita o emprego de sparring de um boxeador famoso que está se preparando para disputar o título europeu. 

Para quem não sabe, sparring é um boxeador contratado para treinar com um profissional, muitas vezes sofrendo mais golpes do que em uma luta oficial. 

Este longa é um drama sobre os personagens do lado B do esporte. A fama chega para poucos no esporte profissional. A maioria dos atletas sofre com a falta de dinheiro e precisa enfrentar ainda o lado psicológico da derrota quase constante. 

O protagonista sabe que sua carreira foi um fracasso, ser sparring se torna um forma de ganhar um pouco de dinheiro antes abandonar de vez o esporte. 

Destaque para a melancólica atuação de Mathieu Kassovitz e para lutas, com algumas chegando a ser patéticas.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Collateral & The Accident

 


Collateral (Collateral, Inglaterra, 2018) – Nota 5,5
Direção – S.J. Clarkson
Elenco – Carey Mulligan, John Simm, Nicola Walker, Jeany Spark, Nathaniel Martello White, Hayley Squires, Kae Alexander, Ahd, Billie Piper, Richard McCabe, Ben Miles.

Um entregador de pizzas é assassinado a sangue frio na frente de um apartamento durante o trabalho. O crime dá início a uma complexa investigação liderada pela novata Kip Glaspie (Carey Mulligan), que está grávida. 

Este minissérie em quatro episódios começa de forma intrigante, despertando a curiosidade do espectador em descobrir quem seria o assassino e qual sua motivação. Tudo começa a se perder ainda no primeiro episódio quando a identidade do assassino é revelada e outras subtramas emergem na história. Nos três episódios seguintes estas subtramas pouco se desenvolvem, criando situações sem interesse ou emoção. A própria trama principal não convence. 

Gosto muito das séries inglesas, porém esta apesar da boa produção habitual, deixa bastante a desejar no geral.

The Accident (The Accidente, Inglaterra, 2019) – Nota 5,5
Direção – Sandra Goldbacher
Elenco – Sarah Lancashire, Sidse Babbet Knudsen, Joanna Scanlan, Genevier Barr, Jade Croot, Mark Lewis Jones, Nabhaan Rizwan, Adrian Scarborough.

Em uma pequena cidade no País de Gales, um grupo de adolescentes invade a construção de uma fábrica resultando em tragédia. Enquanto os familiares lutam por justiça, a empresa responsável pela obra se defende, fatos que levam a uma disputa judicial. 

Esta minissérie em quatro episódios tem uma premissa bastante interessante que cria um questionamento polêmico na busca pelos culpados. Tanto os adolescentes invasores como a empresa tem sua parcela de culpa, porém o roteiro claramente toma um lado comum nos dias atuais, a de minimizar atitudes irresponsáveis de jovens. 

Além disso, a série deixa a desejar na longa passagem do tempo, que resulta em uma narrativa irregular. Infelizmente é uma série que desperdiça ótima premissa.