sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Skin

 


Skin (Skin, Holanda, 2008) – Nota 7,5
Direção – Hanro Smitsman
Elenco – Robert de Hoog, John Buijsman, Juda Goslinga, Sylvia Poorta, Juliann Ubbergen.

Holanda, 1979. Frankie (Robert de Hoog) é um adolescente que tem um relacionamento complicado com o pai (John Buijsman), que é um judeu sobrevivente do Holocausto que carrega vários traumas. 

Quando a mãe de Frankie (Sylvia Poorta) é internada com uma doença terminal, seu ódio em relação ao pai aumenta e ele termina se envolvendo com um grupo de neonazistas. 

O filme é dividido em duas narrativas paralelas, com a principal mostrando a crescente rebeldia e ódio que nasce no protagonista, enquanto a segunda pula para alguns meses a frente quando o jovem está preso por um crime que será revelado apenas na parte final. 

A história é basicamente um estudo de como uma família desestruturada afeta um adolescente, mesmo neste caso sendo em grande parte uma obra do destino os problemas enfrentados pelos pais. 

A atuação visceral de Robert de Hoog é destaque, variando entre explosões de rebeldia com sequências de carinho pelo mãe e por final a terrível sensação de abandono. 

O resultado é um drama forte e pouco conhecido que merece ser descoberto pelos cinéfilos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Bar Doce Lar & Um Ano em Nova York

 


Bar Doce Lar (The Tender Bar, EUA, 2021) – Nota 7,5
Direção – George Clooney
Elenco – Ben Affleck, Tye Sheridan, Lily Rabe, Daniel Ranieri, Christopher Lloyd, Max Martini, Rhenzy Feliz, Briana Middleton, Max Casella, Sonda James, Michael Braun, Matthew Delamater, Ivan Leung.

Long Island, 1973. O garoto JR (Daniel Ranieri) e sua mãe (Lily Rabe) mudam para a casa dos avós após não terem onde viver. Enquanto a mãe sofre por se sentir fracassada, o garoto aproveita a vida ao lado do tio (Ben Affleck), que é dono de um bar. Uma segunda narrativa pula para 1986, quando JR (Tye Sheridan) consegue uma bolsa de estudos para Yale e inicia sua vida adulta. 

Este simpático longa dirigido pelo ator George Clooney é baseado nas memórias do escritor J.R. Moehringer. Além de detalhar o início da vida adulta do protagonista, o roteiro toca em temas bastante interessantes como a questão do abandono paterno e da busca do adolescente por uma figura que o substitua, no caso aqui pelo personagem do tio vivido por Ben Affleck. 

Os conselhos dados pelo tio são extremamente simples e diretos, sem problematizações ou culpas, com o objetivo de mostrar o melhor caminho para o jovem. O legal é que um filme sobre personagens próximos da realidade e que enfrentam problemas comuns. 

Destaque para as atuações de Affleck e de Tye Sheridan, jovem que vem construindo uma carreira sólida.

Um Ano em Nova York (My Salinger Year, EUA, 2020) – Nota 5,5
Direção – Philippe Falardeau
Elenco – Margaret Qualley, Sigourney Weaver, Douglas Booth, Seana Kerskale, Brian F. O’Byrne, Colm Feore, Hamza Haq.

Nova York, 1995. Joanna (Margareth Qualley) abandona a universidade e consegue uma emprego de assistente da agente literária Margaret (Sigourney Weaver), que por seu lado cuida da carreira do então recluso escritor J.D. Salinger. O objetivo de Joanna é aprender sobre o mercado literário e se tornar escritora, porém terá de enfrentar alguns desafios em sua jornada. 

Baseado em um livro autobiográfico da escritora Joanna Smith Raskoff, este longa detalha o ano que foi primordial em sua vida profissional e pessoal. É aquele tipo de história que é mais interessante para quem viveu, a escritora no caso, do que para o espectador. 

O roteiro explora o conflito sobre a carreira, os problemas em um relacionamento amoroso, a melhor amiga que toma outro rumo, ou seja, tudo bastante previsível. É um filme correto, porém totalmente esquecível e descartável.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Beckett

 


Beckett (Beckett, Itália / Brasil, 2021) – Nota 7
Direção – Ferdinando Cito Filomarino
Elenco – John David Washington, Boyd Holbrook, Vicky Krieps, Alicia Vikander, Yorgos Pirpassopoulos, Michael Stuhlbarg.

Durante uma viagem de férias na Grécia, o casal de namorados Beckett (John David Washington) e April (Alicia Vikander) sofre um acidente. A situação fica ainda mais complicada quando Beckett passa a ser perseguido em consequência de algo que ele presenciou após o acidente. 

Esta mistura de suspense e aventura com toques de conspiração política resulta em um longa com ritmo ágil que agradará aos fãs do gênero. O roteiro explora o clichê do sujeito comum que por conta do destino se envolve algo perigoso, muito maior do que ele. Algumas soluções fáceis e coincidências para amarrar a trama não chegam a atrapalhar a diversão. 

Vale citar que a história ainda entrega uma pequena reviravolta no final relativa a motivação dos perseguidores do protagonista. As locações na Grécia também são destaque.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Cinzas da Guerra

 


Cinzas da Guerra (The Grey Zone, EUA, 2001) – Nota 7
Direção – Tim Blake Nelson
Elenco – David Arquette, Harvey Keitel, Allan Corduner, Steve Buscemi, Daniel Benzali, David Chandler, Michael Stuhlbarg, Velizar Binev, Mira Sorvino, Natasha Lyonne, Kamelia Grigorova, Brian F. O’Byrne, Jessica Hecht, Lee Wilkoff.

No campo de concentração de Auschwitz, alguns judeus de origem húngara trabalhavam como ajudantes dos nazistas levando outros judeus para as câmaras de gás. Estes homens eram conhecidos como “Sonderkommando” e sabiam que mesmo assim seriam executados em algum momento. 

Neste contexto, eles planejam uma fuga contando com a ajuda do médico Miklos Nyiszli (Allan Corduner), um húngaro que para sobreviver se tornou auxiliar do terrível Joseph Mengele. 

Escrito e dirigido pelo ator Tim Blake Nelson, este longa é baseado em uma história real contada em livro pelo verdadeiro Miklos Nyiszli. A premissa explora o mesmo tema do filme húngaro “O Filho de Saul” produzido em 2015 e que levou o Oscar de Filme Estrangeiro. 

Os dois filmes mostram de um forma extremamente dolorosa o martírio dos judeus em meio a crueldade nazista. São várias sequências fortes em dramaticidade, como a fila de pessoas nuas entrando na câmara de gás, a discussão por causa de um relógio e o assassinato com o travesseiro. 

Não chega a ser um grande filme, mas deixa sua marca ao mostrar como a loucura da época fez pessoas comuns se tornarem traidoras e ajudar na morte de outros iguais a elas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Wicked City

 


Wicked City (Wicked City, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Steven Baigelman
Elenco – Jeremy Sisto, Taissa Farmiga, Gabriel Luna, Ed Westwick, Erika Christensen, Jaime Ray Newman, Evan Ross, Karolina Wydra, Anne Winters, Kirk Baltz, W. Earl Brown, Lew Temple.

Los Angeles, 1982. Um serial killer (Ed Westwick) escolhe como vítimas garotas que frequentam os clubes da então famosa Sunset Strip, até se envolver com uma jovem divorciada (Erika Christensen) que se torna sua parceira nos crimes. 

No seu encalço está o detetive Jack Roth (Jeremy Sisto) e seu parceiro Paco Contreras (Gabriel Luna), enquanto uma jovem aspirante a jornalista (Taissa Farmiga) também se interessa pelo caso após conhecer pessoalmente o assassino. 

Esta série foi desenvolvida com a ideia de contar histórias diferentes em cada temporada, porém foi cancelada logo após a exibição do terceiro episódio. São oito episódios e mesmo deixando um gancho no final ficou com cara de minissérie. No geral a série é irregular, com os dois primeiros episódios sendo intrigantes, para em seguida o desenvolvimento da trama se transformar em mais do mesmo. 

O elenco também não é dos melhores. Os destaques ficam para os policiais vividos por Jeremy Sisto e Gabriel Luna, enquanto o assassino de Ed Westwick é caricato e as personagens de Erika Christensen e Taissa Farmiga inexpressivas. 

É uma série que infelizmente desperdiçou o bom potencial da premissa.

domingo, 23 de janeiro de 2022

Pânico ao Anoitecer & Assassino Invisível

 


Pânico ao Anoitecer (The Town That Dreaded Sundown, EUA, 1976) – Nota 5,5
Direção – Charles B. Pierce
Elenco – Ben Johnson, Andrew Prine, Dawn Welles, Jimmy Clem, Jim Citty, Charles B. Pierce.

Texarkana, 1946. Na pequena cidade na divisa do Texas com o Arkansas, um assassino desconhecido ataca jovens casais que estão namorando dentro de carros em locais isolados. A falta de pistas, mesmo com o auxílio de policiais de outras cidades leva a população a se trancar em casa a noite com medo do assassino. 

Baseado em uma história real, este longa que se tornou cult bebe na fonte do sucesso de “O Massacre da Serra Elétrica” que foi produzido dois anos antes, além de ter uma trama que lembra o “Zodíaco”. A narração sinistra e o estilo quase documental são semelhantes, porém as sequências de suspense e violência neste longa deixam bastante a desejar. 

O roteiro que foca na investigação também é bastante simplório, assim como as interpretações e até a tentativa de comédia com o personagem de um policial atrapalhado vivido pelo próprio diretor Charles B. Pierce. É uma história que merece um filme melhor até mesmo do que a refilmagem que comento abaixo.

Assassino Invisível (The Town That Dreaded Sundown, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Alfonso Gomez Rejon
Elenco – Addison Timlin, Veronica Cartwright, Anthony Anderson, Travis Hope, Gary Cole, Ed Lauter, Joshua Leonard, Edward Herrmann, Denis O’Hare, Spencer Treat Clark.

No início do longa, uma narração over explica que a cidade de Texarkana na divisa do Texas com Arkansas sofreu com um serial killer conhecido como “Fantasma” que agiu em 1946 e que jamais foi preso. Em 1976 um filme sobre os assassinatos foi produzido e considerado maldito pela população. 

A trama pula para 2013, quando um casal de namorados (Addison Timlin e Spencer Treat Clark) é atacado após assistirem ao filme em um drive-in e o rapaz termina morto. O assassino deixa a garota viva e diz que o crime é por causa de “Mary”. Quando ocorre um segundo crime com as mesmas características, a polícia acredita que um novo Fantasma seja o assassino. 

Este longa é ao mesmo tempo uma refilmagem e uma sequência da obra de mesmo título produzida em 1976, o que por si só é uma bela premissa, principalmente porque o criminoso original jamais foi preso, o que abriria várias possibilidades para o roteiro. 

Infelizmente o desenvolvimento da trama se perde em meio a clichês, principalmente no péssimo final, no mau aproveitamento de personagens coadjuvantes interessantes como o Ranger de Anthony Anderson e o sinistro cineasta interpretado por Denis O’Hare, além da inexpressiva atriz principal. 

O diretor pelo menos consegue criar um clima de suspense e alguns sustos melhores do que o fraco filme original.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Em Busca da Honra

 


Em Busca da Honra (In Pursuit of Honor, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Ken Olin
Elenco – Don Johnson, Craig Sheffer, Gabrielle Anwar, Bob Gunton, James Sikking, John Dennis Johnston, Rod Steiger.

Em 1932, uma grupamento da cavalaria americana liderada pelo sargento Libbey (Don Johnson) recebe uma ordem para sacrificar diversos cavalos. Com apoio do jovem tenente Marshall Buxton (Craig Sheffer), Libbey bate de frente com o coronel Hardesty (Bob Gunton) e decide salvar os animais, se tornando alvo do próprio exército. 

O grande destaque deste longa é ser baseado em uma história real que faz pensar sobre o dilema de quem se nega a cumprir uma ordem oficial que é injusta ou mesmo ilegal. Esta discussão da disputa entre a obediência cega e a os valores pessoais continua atual. 

O filme em si é irregular, variando entre discussões ideológicas e sequências em que os soldados guiam os cavalos em busca da salvação.