terça-feira, 14 de julho de 2020

Piranhas

Piranhas (La Paranza dei Bambini, Itália, 2019) – Nota 7,5
Direção – Claudio Giovannesi
Elenco – Francesco Di Napoli, Viviana Aprea, Renato Carpentieri, Aniello Arena, Valentina Vannino, Luca Nacarlo.

Na periferia de Nápoles, um grupo de adolescentes liderados por Nicola (Francesco Di Napoli) tenta encontrar espaço no mundo do crime. A princípio obrigados a trabalhar para o chefão local, aos poucos Nicola arma um plano para tomar o poder. 

Baseado em um livro de Roberto Saviano, autor da obra que deu origem ao filme e a série “Gomorra”, este longa foca na questão de como uma região dominada pelo crime se torna atrativa para adolescentes sem perspectivas na vida seguirem o mesmo caminho. 

É interessante notar que o protagonista inicia sua caminhada no mundo do crime pensando em ajudar a mãe que é extorquida por mafiosos em sua pequena lavanderia. Algumas de suas atitudes visam criar um bairro melhor, ao mesmo tempo em que outras situações o leva a cometer crimes bárbaros. É como se o fim fosse a justificativa para os meios. 

É uma história que lembra bastante a vida nas periferias do Brasil dominadas por traficantes.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

A Menina do Outro Lado da Rua & O Mistério de Agatha


A Menina do Outro Lado da Rua (The Little Girl Who Lives Down the Lane, Suíça / França / Canadá, 1976) – Nota 7
Direção – Nicolas Gessner
Elenco – Jodie Foster, Martin Sheen, Alexis Smith, Mort Shuman, Scott Jacoby.

No subúrbio de Quebec no Canadá, a adolescente Rynn (Jodie Foster) vive aparentemente sozinha em uma casa isolada. Para cada pessoa que a visita, ela conta uma história diferente sobre seu pai que seria um poeta que está sempre ocupado. A situação fica mais pesada quando um pedófilo (Martin Sheen) passa a rondar sua casa.

No mesmo ano em que ficou conhecida pelo papel em “Taxi Driver”, Jodie Foster então com treze anos de idade protagonizou este suspense que explora um tema polêmico. Assim como em “Taxi Driver”, sua atuação é marcante ao viver uma garota sem medo, inteligente e que utiliza as mesmas artimanhas de um adulto.

O filme não tem cenas de ação e a violência é muito mais psicológica, principalmente nas sequências com o repulsivo personagem de Martin Sheen.

É um filme interessante, forte e que hoje com o politicamente correto, jamais sairia do papel.

O Mistério de Agatha (Agatha, Inglaterra, 1979) – Nota 6
Direção – Michael Apted
Elenco – Dustin Hoffman, Vanessa Redgrave, Timothy Dalton, Helen Morse, Celia Gregory, Timothy West, Alan Badel.

Londres, 1926. A escritora Agatha Christie (Vanessa Redgrave) passa por uma crise no casamento com Archibald (Timothy Dalton), que deseja o divórcio para se casar com a amante. Uma determinada situação leva Agatha a desaparecer. O jornalista americano Wally Stanton (Dustin Hoffman) se interessa pelo caso e descobre pistas do que realmente aconteceu. 

Este longa explora a história real do mistério do desaparecimento da escritora por onze dias, fato que jamais teve uma explicação oficial. O roteiro cria uma trama do que possivelmente pode ter ocorrido durante estes onze dias e principalmente o porquê do seu desaparecimento. 

Mesmo sendo apenas um palpite, a explicação oferecida pelo roteiro é bastante verossímil. Por outro lado, o filme peca pela narrativa irregular e a indecisão entre ser um drama ou um suspense. Vista hoje, a sequência do clímax é fraca. Vale destacar a ótima reconstituição de época. 

domingo, 12 de julho de 2020

Má Educação

Má Educação (Bad Education, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Cory Finley
Elenco – Hugh Jackman, Ray Romano, Allison Janney, Geraldine Viswanathan, Alex Wolff, Annaleigh Ashford, Rafael Casal, Ray Abruzzo, Kathrine Narducci.

Long Island, 2002. O colégio público Roslyn é um exemplo de qualidade de ensino. Muito do sucesso vem do trabalho realizado pelo supervisor escolar Frank Tassone (Hugh Jackman). A aparente administração exemplar começa a ruir quando vem à tona que a diretora financeira (Allison Janney) desviou uma grande quantia de dinheiro. 

Com medo de perder o apoio da comunidade e ter de abortar o projeto de um novo prédio para o colégio, Tassone convence o diretor geral (Ray Romano) e os membros do conselho a esquecer o caso. O que eles não imaginam é que uma estudante (Geraldine Viswanathan) está interessada em fazer uma matéria para o jornal do colégio sobre o tal projeto. 

Baseado na história real do maior desvio de dinheiro ocorrido em um colégio público nos Estados Unidos, este longa produzido pela HBO foca nos detalhes absurdos do golpe de uma forma que mistura drama e pitadas de comédia, muito pelos personagens peculiares envolvidos. 

O grande destaque é para Hugh Jackman, que cria um personagem extremamente vaidoso, com talento político para esconder seus segredos e ainda ser respeitado. 

O resultado é um obra interessante pela história e também pelos personagens.

sábado, 11 de julho de 2020

Star Wars: A Ascensão Skywalker

Star Wars: A Ascensão Skywalker (Star Wars: The Rise of Skywalker, EUA, 2019) – Nota 5
Direção – J.J. Abrams
Elenco – Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Carrie Fisher, Mark Hamill, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Domhnall Gleeson, Richard E. Grant, Ian McDiarmid, Lupita Nyong’o, Keri Russell, Joonas Suotamo, Kelly Marie Train, Dominic Monaghan, Greg Grunberg, Billy Dee Williams.

A Resistência continua preparada para enfrentar a Primeira Ordem. Enquanto Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac) seguem lutando, Rey (Daisy Ridley) intensifica seu treinamento para se tornar uma Jedi. 

Ela também procura o caminho que a levaria às suas origens e provavelmente a uma batalha final contra Kyle Ren (Adam Driver). Nesse meio tempo, o imperador Palpatine (Ian McDiarmid) reaparece com o objetivo de criar um novo império. 

O fechamento desta terceira trilogia é com certeza o filme mais fraco da franquia principal “Star Wars”. A história é totalmente requentada, explorando situações que são cópias dos filmes anteriores e criando uma trama absurda ao ressuscitar personagens. A narrativa chega a ser piegas em vários momentos. Nem mesmo as sequências de ação empolgam. 

Para muitos, a culpa da queda na qualidade da franquia está na venda do direitos de George Lucas para a Disney, que preferiu seguir o caminho de popularizar a história no pior sentido possível. 

A trilogia original ainda continua insuperável.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

The Peanut Butter Falcon

The Peanut Butter Falcon (The Peanut Butter Falcon, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Tyler Nilson & Michael Schwartz
Elenco – Shia LaBeouf, Dakota Johnson, Zack Gottsagen, Thomas Haden Church, Bruce Dern, John Hawkes, Jon Bernthal, Yelawolf.

Zak (Zack Gottsagen) é um jovem com Síndrome de Down que mora em um asilo de idosos por não ter família e que sonha em se tornar astro de luta-livre. 

Assistindo repetidamente uma velha fita VHS de uma famoso lutador (Thomas Haden Church), Zak decide fugir do local para alcançar seu sonho. Ele cruza o caminho do pescador Tyler (Shia LaBeouf), que também está fugindo após entrar em conflito com outros pescadores.

A nova dupla de amigos inicia uma viagem para encontra o lutador, enquanto a assistente social Eleanor (Dakota Johnson) tenta localizar o fugitivo Zak. 

Este é um daqueles filmes feitos para emocionar, mesmo resvalando em algumas cenas engraçadas e outras um pouco violentas. O grande destaque fica para a química entre Shia LaBeouf e Zak Gottsagen. Várias sequências entre eles parecem ter sido filmadas de forma espontânea, como se estivessem realmente brincando. 

O roteiro faz algumas concessões para deixar a história agradável, se preocupando em entregar um longa que faça o espectador se sentir bem no final.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Corpus Christi

Corpus Christi (Boze Cialo, Polônia, 2019) – Nota 8
Direção – Jan Komasa
Elenco – Bartosz Bielenia, Aleksandra Konieczna, Eliza Reycembel, Tomasz Zietek, Barbara Kurzaj, Leszek Wardejn, Lukasz Simlat.

Em Varsóvia na Polônia, Daniel (Bartosz Bielenia) é um jovem que está prestes a ser libertado do reformatório onde cumpre pena. A condição para saída é Daniel aceitar o trabalho em uma madeireira numa pequena cidade do interior do país. 

Enquanto esteve preso, ele descobriu sua vocação religiosa, auxiliando o padre do reformatório, porém seu passado criminoso o impede de entrar em um seminário. Ao chegar na pequena cidade, ao invés de se apresentar no emprego, Daniel decide se passar por padre, conseguindo enganar os moradores. 

Este ótimo drama vai muito além da mentira criada pelo protagonista, que se torna um catalisador de mudanças e conflitos na pequena cidade, muito por causa de uma tragédia que ocorreu no local antes de sua chegada. 

O roteiro explora temas como morte, perdão, ódio, celibato e poder para demonstrar como o ser humano é complexo e as religiões são repletas de contradições. 

Destaque também para a ótima atuação do jovem Bartosz Bielenia, que encontrou na fé uma chance de expurgar seus demônios. 

É um filme que merece ser conhecido.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Cobra & Jogo Bruto


Cobra (Cobra, EUA, 1986) – Nota 6,5
Direção – George Pan Cosmatos
Elenco – Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen, Reni Santoni, Andrew Robinson, Brian Thompson, John Herzfeld, Lee Garlington, Art LaFleur, Marco Rodriguez, Val Avery, David Rasche.

Marion “Cobra” Cobretti (Sylvester Stallone) é um policial que segue suas próprias regras em Los Angeles. Ele faz parte de um esquadrão especializado em investigar crimes violentos. Quando uma série de assassinatos ocorre na cidade, Cobra é encarregado de escoltar a provável próxima vítima, a modelo Ingrid (Brigitte Nielsen). 

Após o sucesso de “Rambo II – A Missão” no ano anterior, o astro Sylvester Stallone e o diretor George Pan Cosmatos repetiram a parceria neste longa policial que é um do mais odiados pela crítica de cinema. 

O filme foi detonado na época do lançamento, muito por causa de uma espécie de pré-politicamente correto que não gostou das várias cenas violentas, que hoje por sinal passam longe de ofender em comparação com muitos longas posteriores. 

A trama não tem grandes surpresas, o foco é a ação com um protagonista durão, estilo clássico dos anos oitenta. 

Jogo Bruto (Raw Deal, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – John Irvin
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Kathryn Harrold, Darren McGavin, Sam Wanamaker, Paul Shenar, Robert Davi, Steven Hill, Ed Lauter,  Joe Regalbuto.

Mark Kaminski (Arnold Schwarzenegger) é um ex-agente do FBI que trabalha como xerife em uma pequena cidade. O assassinato de uma testemunha que entregaria um chefão da Máfia da Chicago faz seu antigo superior (Darren Gavin) procurá-lo com a proposta de Mark se infiltrar na quadrilha do criminoso. Em troca, ele seria recontratado pelo FBI. 

Este “Jogo Bruto” é com certeza o filme menos lembrado da carreira de Schwarzenegger. O sucesso de “O Exterminador do Futuro” dois anos antes o transformou em astro, assim como explosivo e absurdo “Comando Para Matar”, porém antes de seguir carreira sozinho, Schwarzenegger tinha um contrato com o produtor italiano Dino de Laurentiis, para quem havia protagonista os dois “Conan” e “Guerreiros de Fogo”. Isso fez com que ele tivesse de aceitar este trabalho, que mesmo com um elenco recheado de rostos conhecidos dos anos oitenta, resulta em um filme genérico de ação. 

Por sinal, as cenas de ação são apenas razoáveis, assim como a trama é repleta de clichês. O filme vale apenas como curiosidade para quem gosta do estilo de ação da época.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Eu Não Sou um Serial Killer

Eu Não Sou um Serial Killer (I Am Not a Serial Killer, Irlanda / Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Billy O’Brien
Elenco – Max Records, Christopher Lloyd, Laura Fraser, Christina Baldwin, Karl Geary.

Em uma cidade do meio-oeste americano, John (Max Records) é um adolescente com uma personalidade perturbada que se trata com um psiquiatra para “domar” seus instintos, que poderiam transformá-lo em um assassino. 

A cabeça de John fica ainda mais confusa quando um serial killer real deixa um rastro de mortes na cidade. Sua curiosidade o leva a descobrir a surpreendente identidade do assassino. Ao invés de avisar a polícia, ele prefere vigiar as atitudes do criminoso. 

A premissa é bastante interessante ao colocar como protagonista um adolescente sociopata que luta contra sua falta de sentimentos, lembrando um pouco o superior “O Despertar de um Assassino” que detalhava a juventude do serial killer Jeffrey Dahmer. A diferença aqui é que o assassino é outro personagem, por sinal tão interessante como o protagonista em razão de detalhes que fogem do lugar comum. 

Por outro lado, o desenvolvimento da trama é um pouco confusa e o roteiro apresenta furos. A escolha do diretor em criar sequências de autópsias pode chocar alguns espectadores. Vale citar que a mãe do protagonista é uma agente funerária que tem sua empresa no porão da casa em que eles vivem. 

O resultado é razoável, ficando a impressão de que o bom potencial da trama foi mal explorado.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Timbuktu

Timbuktu (Timbuktu, Mauritânia / França, 2014) – Nota 6
Direção – Abderrahmane Sissako
Elenco – Ibrahim Ahmed, Abel Jafri, Toulou Kiki, Layla Walet Mohamed Mehdi A.G. Mohamed.

Timbuktu, Mali. Uma pequena vila em meio ao deserto é tomada por jihadistas islâmicos que desejam implantar a “Sharia”. 

Armados, o grupo exige que os moradores não ouçam músicas, cantem, fumem e que as mulheres cubram totalmente o corpo. 

Um desentendimento por uma vaca entre um morador do deserto e um pescador termina em morte, aumentando ainda mais a tensão no local. 

Esta curiosa produção foca no sofrimento que aflige diversas regiões na África por causa do avanço do fundamentalismo islâmico. São regiões isoladas e esquecidas que se tornam alvos fáceis para criminosos que acreditam estar defendendo sua religião. 

O diretor e roteirista Abderrahmane Sissako detalha com sensibilidade esta situação, porém ao mesmo tempo com uma lentidão exagerada na narrativa e com atuações amadoras. Além da denúncia da história, outro destaque fica para a bela fotografia. 

O resultado é um filme diferente e irregular.

domingo, 5 de julho de 2020

Um Plano Simples

Um Plano Simples (A Simple Plan, Inglaterra / Alemanha / França / EUA / Japão, 1998) – Nota 7
Direção – Sam Raimi
Elenco – Bill Paxton, Billy Bob Thornton, Gary Cole, Brent Briscoe, Bridget Fonda, Chelcie Ross.

Em uma gelada cidade de Minnesota, os irmãos Hank (Bill Paxton) e Jacob (Billy Bob Thornton), junto com o amigo Lou (Brent Briscoe), encontram no meio da floresta um pequeno avião acidentado e uma enorme quantia de dinheiro. 

Precisando de dinheiro, principalmente Hank que está casado com Sarah (Bridget Fonda) e prestes a ser pai, eles decidem ficar com a fortuna e gastar aos poucos, sem deixar que os demais moradores da região desconfiem de algo. 

Tudo fica mais complicado quando o xerife (Chelcie Ross) pede que eles ajudem um agente do FBI (Gary Cole) a encontrar os destroços do avião. 

Dirigido por Sam Raimi, este longa tem semelhanças com o superior “Fargo” que os irmãos Cohen comandaram dois anos antes.As semelhanças estão nas locações, nos personagens ambiciosos e nas consequentes traições. 

Esta premissa de amizades desfeitas pela ganância ficou imortalizada no clássico “O Tesouro de Sierra Madre” de John Huston, o primeiro grande filme a explorar o tema. 

Mesmo com a presença de astros da época como o falecido Bill Paxton e da aposentada Bridget Fonda, o destaque do elenco fica para o estranho personagem de Billy Bob Thornton.

sábado, 4 de julho de 2020

9. April

9. April (9. April, Dinamarca, 2015) – Nota 6,5
Direção – Roni Ezra
Elenco – Pilou Asbaek, Lars Mikkelsen, Elliott Crosset Hove, Gustav Dyekjaer Glese, Sebastian Bull Sarning.

Na manhã do dia 9 de abril de 1940, o governo dinamarquês é alertado que as tropas alemães estão prestes a atravessar a fronteira. O exército é acionado para tentar deter o avanço dos nazistas. 

O problema é que o exército tem poucos soldados, a maioria jovens mal treinados com pouca munição e que são enviados para lutar utilizando bicicletas como veículos. A resistência dura menos de um dia. 

Baseado na história real da tomada da Dinamarca pelos nazistas, o roteiro escrito pelo também diretor Tobias Lindholm cria um pelotão ficcional liderado pelo subtenente Sand (Pilou Asbaek), que desde a primeira cena deixa claro em seu olhar que todo esforço será inútil. 

O diretor Roni Ezra explora a questão emocional dos soldados e a luta pelo honra, porém o baixo orçamento atrapalha bastante nas cenas de ação. O clímax na ruas de uma pequena cidade não chega a empolgar. 

Os destaques são a história, que mostra a ingenuidade do governo dinamarquês, as bonitas locações e a atuação melancólica de Pilou Asbaek.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes & Snatch: Porcos e Diamantes


Estes dois longas de estilos semelhantes são as duas obras de artes da carreira de Guy Ritchie, que mesmo entregando posteriormente alguns outros bons filmes, jamais conseguiu repetir a mesma qualidade. Os dois filmes descrevem tramas ligadas ao submundo de Londres com muito humor negro, violência, cortes rápidos e trilha sonora agitada. 

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, Inglaterra, 1998) – Nota 10
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Jason Flemyng, Dexter Fletcher, Nick Moran, Jason Statham, Steven Mackintosh, Vinnie Jones, Sting, Vas Blackwood, Stephen Marcus, Nicholas Rowe,

Eddy (Nick Moran) convence seus amigos (Jason Flemyng, Dexter Fletcher e Jason Statham) a apostarem suas economias em um jogo de pôquer. Eddy se considera um grande jogador, porém tudo dá errado e eles ficam devendo uma fortuna para um gângster. O prazo para pagar a dívida e salvar a pele é de apenas uma semana.

A estreia de Guy Ritchie no cinema foi nada menos que sensacional. Como poucos, ele conseguiu explorar o humor negro de forma perfeita. As confusões que aos amigos se envolvem para conseguir dinheiro são absurdas, assim como são impagáveis os personagens que surgem na tela. No meio da trama ainda temos os importantes “canos fumegantes” do título, que são duas armas antigas de colecionador.

Snatch: Porcos e Diamantes (Snatch, Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 10
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Benício Del Toro, Dennis Farina, Brad Pitt, Jason Statham, Vinnie Jones, Rade Sherbedgia, Stephen Graham, Alan Ford, Lennie James, Ade, Ewen Bremner, Jason Flemyng, Goldie, Robbie Gee, Mike Reid, Ade.

Um ladrão de diamantes (Benício Del Toro) que pretende lucrar com o produto de um roubo, um chefão da máfia americana (Dennis Farina) interessado no diamante, dois promotores de lutas clandestinas (Jason Statham e Stephen Graham) que precisam convencer um boxeador cigano (Brad Pitt) a perder uma luta, um criminoso russo (Rade Sherbedgia) envolvido, um chefe do crime em Londres (Alan Ford) que pressiona os promotores, um assassino maluco (Vinnie Jones) e dois capangas idiotas (Lennie James e Robbie Gee). 

Este festival de personagens bizarros, a maioria deles com apelidos formam o elenco de um dos melhores filmes das últimas décadas. O emaranhado da trama cheia de traições resulta em situações absurdas, engraçadas e violentas. 

Além de bizarros, alguns personagens são impagáveis, como o assassino psicopata vivido por Vinnie Jones e o boxeador de Brad Pitt que fala um língua totalmente estranha que somente seus amigos ciganos entendem. 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Charlie, um Grande Garoto

Charlie, um Grande Garoto (Charlie Bartlett, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Jon Poll
Elenco – Anton Yelchin, Robert Downey Jr, Hope Davis, Kat Dennings, Tyler Hilton, Mark Rendall.

Charlie Bartlett (Anton Yelchin) é um adolescente de família rica que é expulso de mais um colégio de elite após vender carteiras de motorista falsificadas. 

Ele vive com sua mãe (Hope Davis), que sem opção, decide enviá-lo para uma escola pública. Rapidamente, Charlie cria na nova escola uma rede de comércio ilegal de medicamentos antidepressivos, incluindo ainda uma sessão de terapia no banheiro. 

Esta comédia despretensiosa faz uma crítica a questão do uso indiscriminado de medicamentos para melhorar o ânimo e enfrentar os problemas do dia a dia. 

Mesmo sem se aprofundar no tema e com algumas sequências bobinhas recheadas de clichês, é interessante a forma como o roteiro tenta mostrar que todas as pessoas sofrem em algum momento e que na maioria das vezes não são necessários medicamentos para enfrentar estes problemas. 

A questão do uso de drogas ilícitas também está ligado a isso, na vontade de “esquecer” os problemas através de uma falsa sensação de bem estar. 

O destaque do filme fica para a atuação de Anton Yelchin, ator extremamente talentoso que faleceu ainda muito jovem em 2016 vitima de um bizarro acidente com seu carro que desengatou sozinho o freio por causa de um defeito.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Ataque ao Prédio

Ataque ao Prédio (Attack the Block, Inglaterra / França / EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Joe Cornish
Elenco – John Boyega, Jodie Whittaker, Alex Esmail, Leeon Jones, Franz Drameh, Simon Howard, Luke Treadaway, Nick Frost.

Em um condomínio de classe baixa na periferia de Londres, um grupo de adolescentes liderados por Moses (John Boyega) assalta a solitária Sam (Jodie Whittaker). 

No mesmo instante, uma espécie de meteoro cai no local, de onde sai uma estranha criatura que é morta pelo grupo. Enquanto eles vibram por terem matado algo incomum, novos meteoros chegam na Terra trazendo criaturas ainda mais perigosas. 

Esta divertida mistura de ficção e terror bebe na fonte dos filmes do gênero dos anos oitenta, colocando como protagonistas adolescentes para enfrentar criaturas que são uma mistura de ursos com gremlins. 

O diretor e roteirista Joe Cornish acertou em cheio nas ótimas sequências de ação e nas perseguições pelo condomínio e seus arredores, explorando suspense, violência e comédia.

Os diálogos afiados são outro destaque, assim como os coadjuvantes. O falador Pest (Alex Esmail), os dois garotos de nove anos com os fogos de artifício e a dupla de drogados vividos por Luke Treadaway e Nick Frost são impagáveis. 

Para quem gosta do gênero, este filme é uma ótima diversão.