sábado, 21 de fevereiro de 2026

Amnésia Criminosa

 

Amnésia Criminosa (Den Sidste Viking, Dinamarca / Suécia, 2025) – Nota 7,5
Direção – Anders Thomas Jensen
Elenco – Mads Mikkelsen, Nikolaj Lie Kaas, Sofie Grabel, Soren Malling, Nicolas Bro, Lars Ranthe, Bodil Jorgensen, Lars Brygmann, Kardo Razzazi.

Após cumprir quinze ano de cadeia por conta de um assalto, Anker (Nikolaj Lie Kaas) volta para casa onde reencontra seu irmão (Manfred), que escondeu o dinheiro roubado. O problema é que Manfred sofre de uma psicose dissociativa e o dinheiro está enterrado na antiga casa da família em uma região rural, onde agora vive um casal. 

O título traduzido faz pensar que o longa é uma obra policial comum ou um suspense, quando na realidade a história explora uma violenta trama de humor negro. Os personagens que surgem pelo caminho da dupla são tão psicóticos quanto o estranho Manfred, resultando em situações que são engraçadas por causa dos absurdos. O roteiro ainda guarda uma pequena surpresa ligada a um trama de infância. 

Destaque para mais uma ótima interpretação de Mads Mikkelsen, que está impagável como o sujeito perturbado e ao mesmo inofensivo para quem está em volta, não para ele mesmo. Para quem gosta do estilo, esse longa é uma boa opção.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Hardcore: No Submundo do Sexo & Crime e Paixão

 

Hardcore: No Submundo do Sexo (Hardcore, EUA, 1979) – Nota 7,5
Direção – Paul Schrader
Elenco – George C. Scott, Peter Boyle, Dick Sargent, Leonard Gaines, Seasen Hubley, Gary Graham

Jake VanDorn (George C. Scott) é um homem de negócios extremamente religioso que vive em uma cidade do oeste americano. Quando sua filha desaparece durante uma viagem à Califórnia, ele contrata um detetive particular (Peter Boyle) que descobre que a jovem está trabalhando em filmes pornográficos clandestinos. A pista leva Jake a procurar sua filha pelo submundo de Los Angeles. 

Paul Schrader iniciou sua carreira nos anos setenta como roteirista e logo em seguida também como diretor, intercalando as posições nos últimos cinquenta anos. Considero Schrader melhor roteirista do que diretor, mas nesse longa ele entrega uma obra forte e extremamente competente. 

Schrader aproveitou a explosão do cinema pornô na época para escrever uma trama pesada em que um pai conservador enfrenta uma saga pelo inferno que ele sequer imaginava existir. A atuação atormentada de George C. Scott é perfeita na proposta de criar um conflito de gerações em uma situação extrema, como uma viagem do céu ao inferno. 

É com certeza um filme que merecia ser mais lembrado.

Crime e Paixão (Hustle, EUA, 1975) – Nota 6
Direção – Robert Aldrich
Elenco – Burt Reynolds, Catherine Deneuve, Ben Johnson, Paul Winfield, Eileen Brennan, Eddie Albert, Ernest Borgnine, James Hampton, Catherine Bach

Phil Gaines (Burt Reynolds) é um policial amargo e cínico que investiga a morte de uma atriz pornô. Gaines vive também um momento complicado em sua vida pessoal, por conta do relacionamento com a garota de programa Nicole Britton (Catherine Deneuve). Ele precisa também lidar com o pai da garota morta (Ben Johnson), que faz a sua própria investigação. 

O melhor deste filme irregular dirigido pelo bom diretor Robert Aldrich é a mistura de um clima de tragédia com a premissa do protagonista tentando resolver o crime em meio ao submundo de Los Angeles. Por outro lado, a narrativa é monótona, com pouca coisa importante acontecendo até o aceitável final. É uma pena, pelo bom elenco e a direção de Aldrich, o filme tinha tudo para ser melhor.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Justiça Artificial

 

Justiça Artificial (Mercy, EUA, 2026) – Nota 7
Direção – Timur Bekmambetov
Elenco – Chris Pratt, Rebecca Ferguson, Kali Reis, Annabelle Wallis, Chris Sullivan, Kylie Rogers, Jeff Pierre, Rafi Gavron, Kenneth Choi.

Em um futuro próximo, o policial Chris Raven (Chris Pratt) acorda preso em um cadeira de réu em um tribunal virtual comandado por um avatar de inteligência artificial chamado Maddox (Rebecca Ferguson). 

Acusado de matar a própria esposa, Chris tem noventa minutos para provar sua inocência utilizando as evidências colhidas no local e uma infinidade de vídeos e ligações telefônicas que foram gravadas pela sua família e por câmeras espalhadas pelas ruas e estabelecimentos. 

Este interessante longa explora a dúvida atual sobre até qual ponto pode chegar a utilização da inteligência artificial. O roteiro é uma trama policial básica sobre um sujeito tentado provar sua inocência, porém com a utilização da tecnologia para chegar a verdade. 

O filme tem algumas falhas e a chance do protagonista se salvar aumenta por ele ser policial e conhecer técnicas de investigação. Fica claro que o julgamento apenas por fatos “frios” sem o contexto humano está longe de ser perfeito. O resultado é um filme ágil que vai agradar quem gosta do gênero.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quarta-Feira de Cinzas

 

Quarta-Feira de Cinzas (Ash Wednesday, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Edward Burns
Elenco – Edward Burns, Elijah Wood, Rosario Dawson, James Handy, Oliver Platt, Michael Mulheren, Peter Gerety, Malachy McCourt, Julie Hale.

Hell’s Kitchen, Nova York, início dos anos oitenta. Três anos após ser dado como morto, Sean (Elijah Wood) é visto no bairro. Sua aparição reacende o conflito entre dois grupos de criminosos, colocando no meio dessa confusão seu irmão Francis (Edward Burns). 

O diretor, ator e roteirista Edward Burns foge um pouco aqui dos dramas românticos que costuma dirigir para focar na violenta vida de pequenos criminosos. Mesmo assim, ele novamente explora temas comuns como relações familiares, lealdade e religião. 

É um filme que lembra as obras de Martin Scorsese, porém com menos dinheiro na produção e uma trama mais simples. São quase sempre interessantes os filmes que mostram o submundo de Nova York.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Apocalipse Now

 

Apocalipse Now (Apocalipse Now, EUA, 1979) – Nota 10
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Martin Sheen, Marlon Brando, Robert Duvall, Dennis Hopper, Harrison Ford, Scott Glenn, Frederic Forrest, Sam Bottoms, G.D. Spradlin.

Durante a Guerra do Vietnã, o capitão Willard (Martin Sheen) recebe a missão de localizar e matar o coronel Kurtz (Marlon Brando) que desertou, aparentemente enlouqueceu e criou um pequeno império no meio da floresta. Esta obra é mais do que um simples filme, na verdade é uma jornada sombria que afeta psicologicamente um militar na busca pelo coronel perturbado. 

São várias sequências clássicas, como o monólogo absurdo do personagem de Marlon Brando e a praia sendo bombardeada a mando do coronel vivido por Robert Duvall que deseja surfar, isso ao som da “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner. 

Por sinal, essa postagem é uma homenagem ao grande Robert Duvall, que faleceu n    essa semana deixando um legado de papéis memoráveis, muitos deles em filmes da chamada Nova Hollywood nos anos setenta. 

Vale citar que do início das filmagens até o lançamento de “Apocalipse Now” foram quase quatro anos, levando o diretor Francis Ford Coppola à falência. Mas no final, todo o esforço e as loucuras foram válidas, resultando em um clássico eterno,

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Gangues de Nova York

 

Gangues de Nova York (Gangs of New York, EUA, 2002) – Nota 8
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Leonardo Di Caprio, Daniel Day Lewis, Cameron Diaz, Jim Broadbent, Henry Thomas, Liam Neeson, Brendan Gleeson, John C. Reilly, Gary Lewis, Stephen Graham, Alec McCowen, Larry Gilliard Jr, Cara Seymour, David Hemmings.

Em meio à violência das ruas de Nova York no século XIX, a rivalidade entre gangues é extremamente violenta. O jovem Amsterdam (Leonardo Co Caprio) retorna para acertar contas com o temido Bill “The Butcher (Daniel Day Lewis), em um cenário de caos político e social. 

Entre conflitos étnicos e disputas de poder, a cidade surge como um personagem vivo, brutal e em transformação. A luta pessoal do protagonista se mistura ao nascimento turbulento da mais famosa metrópole moderna. A recriação histórica é detalhista e imersiva, reforçando o clima de tensão constante. 

A atuação intensa de Daniel Day-Lewis é um dos grandes destaques. Seu personagem é carismático e cruel na mesma medida, dominando cada cena em que aparece. Destaque também para o elenco recheados de grandes atores e a ótima direção de Martin Scorsese. 

É uma obra sobre poder, identidade e as raízes conflituosas da sociedade americana.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Sorry, Baby

 

Sorry Baby (Sorry, Baby, EUA / Espanh / França, 2025) – Nota 5,5
Direção – Eva Victor
Elenco – Eva Victor, Naomi Ackie, Louis Cancelmi, Kelly McCormack, Lucas Hedges, John Carrol Lynch, Hetienne Park, Jordan Mendoza.

Agnes (Eva Victor) é uma professora universitária solteira que vive em uma cidade do interior. A visita da amiga Lydie (Naomi Ackie) que mora em outra cidade é uma alegria. Três anos depois desse encontro, Agnes precisa lidar com um trauma pesado, tendo apoio apenas da amiga. 

Este drama independente tem o estilo inusitado da produtora A24. A primeira parte é arrastada ao focar no reencontro das amigas e nos diálogos quase infantis. O filme melhora depois que muda o foco para o drama envolvendo o sofrimento da protagonista, mas mesmo assim a narrativa é cansativa. É basicamente um daqueles filme que tenta ser cult e moderninho.