sábado, 7 de dezembro de 2019

The Art of Self-Defense

The Art of Self-Defense (The Art of Self-Defense, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Riley Stearns
Elenco – Jesse Eisenberg, Alessandro Nivola, Imogen Poots, Steve Terada, Phillip Andre Botello, Leland Orser.

Casey (Jesse Eisenberg) é um solitário e inseguro contador que após ser espancado sem motivos por uma gangue de motociclistas decide aprender karatê. 

Ele entra no “dojo” de um sensei (Alessandro Nivola) que a princípio parece ser um mestre que deseja ensinar os alunos a ganharem confiança, mas que aos poucos mostra sua verdadeira face. 

Escrito e dirigido por Riley Stearns de “Faults  e produzido pelos irmãos David e Nathan Zellner de “Kumiko, a Caçadora deTesouros”, este novo longa segue o mesmo estilo fora do comum. Os personagens são interpretados com uma aparente seriedade que esconde o absurdo da história que beira o humor negro em algumas sequências, principalmente nas de violência. 

Não sei de forma proposital ou por acaso, o roteiro passa a mensagem de que no mundo em que vivemos onde estamos a mercê de vários tipos de violência, a única forma de defesa é se impor, mesmo se tivermos de utilizar também da violência. 

É um filme razoável, mas que vale a sessão para quem tem curiosidade por obras que fogem do lugar comum.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Trial By Fire & O Segredo


Trial By Fire (Trial By Fire, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Edward Zwick
Elenco – Jack O’Connell, Laura Dern, Emily Meade, Chris Coy, Jade Pettyjohn.

Texas, 23 de dezembro de 1991. Cameron Todd Willingham (Jack O’Connell) sai desesperado de sua casa que está em chamas. Ele tenta voltar para salvar suas três filhas pequenas, porém não consegue. Por ser um sujeito complicado e conhecido por confusões na pequena cidade, rapidamente ele se torna o suspeito principal do incêndio.

E um julgamento com testemunhas controversas, Todd é condenado à morte. Alguns anos depois, uma coincidência faz com que a escritora Elizabeth Gilbert (Laura Dern) se torne amiga de Todd e inicie uma luta para provar sua inocência.

Baseado numa história real descrita em uma reportagem do jornal The New Yorker, este longa tenta fazer uma crítica a pena de morte e as falhas do sistema judiciário americano.

O filme explora algumas narrativas paralelas, sendo a principal a relação de amizade entre escritora e o detento, além de focar nos problemas familiares dos dois, com destaque para a insegurança da esposa de Todd (Emily Mead).

Vale citar a ótima atuação do inglês Jack O’Connell, criando um complexo personagem que é ao mesmo tempo revoltado e amoroso com as filhas, acertando até mesmo no sotaque texano.

O resultado é uma boa opção para quem gosta de drama.

O Segredo (The Chamber, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – James Foley
Elenco – Chris O’Donnell, Gene Hackman, Faye Dunaway, Lela Rochon, Robert Prosky, Bo Jackson, Raymond J. Barry, David Marshall Grant, Nicholas Pryor, Richard Bradford, Millie Perkins, Josef  Sommer, Jane Kaczmarek.

O advogado novato Adam Hall (Chris O’Donnell) decide conhecer seu avô Sam Cayhall (Gene Hackman) que está preso em uma cadeia no Mississippi prestes a ser executado por um terrível crime que cometeu trinta anos antes. 

Cayhall era membro da Ku Klux Klan e foi o responsável por um atentado que matou duas crianças e deixou o pai das mesmas com terríveis sequelas. A difícil decisão de defender o avô assassino faz com que segredos familiares venham à tona e transforme Adam em alvo de políticos e ativistas. 

Assim como as várias adaptações dos livros de John Grisham para o cinema, este longa tem um premissa extremamente interessante e um desenrolar da trama decepcionante. A histórias de Grisham parecem rodar, rodar e não sair do lugar, sem contar a falta de um clímax. 

A atuação de Chris O’Donnell é outro ponto negativo. Ator inexpressivo, O’Donnell não se firmou no cinema, mas conseguiu se acertar na série “NCIS – Los Angeles”. No elenco o destaque fica para Gene Hackman, assustador como o veterano racista. 

É um filme apenas razoável, indicado para os fãs de Grisham.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

The Spy

The Spy (The Spy, França, 2019) – Nota 7,5
Direção – Gideon Raff
Elenco – Sacha Baron Cohen, Noah Emmerich, Hadar Ratzon Rotem, Yael Eitan, Nassim Si Ahmed, Alexander Siddig, Moni Moshonov, Waleed Zuaiter.

Israel, 1961. Eli Cohen (Sacha Baron Cohen) trabalha em uma empresa em uma função burocrática, porém nos anos cinquenta atuou como espião para o o governo israelense enquanto vivia no Egito.

Sonhando voltar a trabalhar para o governo, Eli fica feliz ao ser novamente recrutado. O problema é que desta vez sua missão é muito mais complicada. 

Ele recebe uma nova identidade, inventa uma história mentirosa para a esposa (Hadar Ratzon Rotem) e utiliza suas raízes sírias para se infiltrar entre os poderosos empresários e políticos daquele país. Primeiro na Argentina durante um ano e em seguida direto em Damasco, capital da Síria. 

Aos poucos Eli consegue descobrir segredos vitais para Israel se defender do inimigo sírio, ao mesmo tempo colocando sua vida em risco. 

Baseado na incrível história real do espião Eli Cohen, esta minissérie em seis episódios faz um retrato dos bastidores da luta entre Israel e Síria durante os anos sessenta, situação que resultou na chamada “Guerra dos Seis Dias” em 1967. 

Numa época em que as mensagens por Código Morse era a forma de contato a longa distância que dificultava interceptações, Cohen viveu cinco anos utilizando uma identidade falsa praticamente sem apoio algum. Ele sabia que qualquer deslize seria uma sentença de morte. 

É interessante que ele entrou tão fundo na pele do personagem do empresário sírio, que nas poucas vezes em que voltou para casa demonstrou dificuldade em se relacionar com a esposa. 

A minissérie tem boas sequências de suspense, o roteiro detalha muito bem as relações do protagonista e inclusive sua participação em um Golpe de Estado na Síria que levou o general Amin Al Hafez (Waleed Zuaiter) ao poder. 

Vale destacar ainda a atuação sóbria do comediante Sacha Baron Cohen, que aproveita muito bem a chance de interpretar um papel sério. 

Os fãs de filmes de espionagem com estilo clássico com certeza irão curtir.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

John Carter: Entre Dois Mundos

John Carter: Entre Dois Mundos (John Carter, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Andrew Stanton
Elenco – Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Mark Strong, Ciaran Hinds, Dominic West, James Purefoy, Bryan Cranston, Polly Walker, Daryl Sabara.

Londres, 1881. O futuro escritor Edgar Rice Burroughs (Daryl Sabara) chega na Inglaterra para receber o testamento deixado por seu tio, o aventureiro John Carter (Taylor Kitsch). O item principal do testamento é um diário que narra uma incrível jornada de Carter. 

A trama volta para 1868 quando Carter era uma soldado do exército confederado americano que havia desertado por não acreditar na guerra e por sonhar encontrar uma caverna cheio de ouro. 

Um confronto de soldados com índios leva Carter a encontrar um artefato que o transporta para Marte, sendo jogado em outro conflito, desta vez entre povos alienígenas. 

Esta maluca história que mistura a Inglaterra Vitoriana, o Velho Oeste Americano e Marte saiu da mente do verdadeiro escritor Edgar Rice Burroughs, mais conhecido por ser o criador de Tarzan. 

Por mais absurda que seja, os pedaços da trama se encaixam de forma interessante, o problema acaba sendo a narrativa irregular e alguns diálogos que beiram a comédia. 

As sequências românticas entre o protagonista e a princesa marciana vivida por Lynn Collins também quebram o ritmo da narrativa, mesmo tendo importância na trama. 

O resultado é uma ficção razoável e esquecível.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O 12º Homem

O 12º Homem (Den 12. Mann, Noruega, 2017) – Nota 7,5
Direção – Harald Zwart
Elenco – Thomas Gullestad, Jonathan Rhys Meyers, Marie Blokhus, Mads Sjogard Pettersen, Vegar Hoel, Hakon T. Nielsen.

Costa da Noruega, Segunda Guerra Mundial, 1943. Um grupo com doze noruegueses tem a missão de sabotar uma espécie de centro de comunicações do nazistas. 

A missão falha e onze homens são presos. Apenas Jan Baalsrud (Thomas Gullestad) consegue escapar. 

Sem comida, troca de roupas e com apenas um sapato, Jan procura ajuda com os moradores da região para tentar chegar a Suécia, tendo em seu encalço um temido oficial nazista (Jonathan Rhys Meyers). 

Baseado numa incrível história real de perseverança e vontade de viver, este é mais um longa que comprova a quantidade quase inesgotável de histórias sobre a Segunda Guerra. 

Os letreiros iniciais citam que por mais absurdo que pareçam, os fatos mostrados aqui realmente ocorreram. É uma verdadeira saga enfrentada pelo protagonista. 

Os destaques ficam para a marcante atuação de Thomas Gullestad e as locações na gelada Noruega. Em algumas sequências dá para “sentir” o frio ao ver neve por todos os lados.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O Invencível

O Invencível (Invincible, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Ericson Core
Elenco – Mark Wahlberg, Greg Kinnear, Elizabeth Banks, Kevin Conway, Michael Rispoli, Kirk Acevedo, Michael Kelly, Dov Davidoff, Michael Nouri.

Filadélfia, 1976. Vince Papale (Mark Wahlberg) é um professor substituto de trinta anos que para completar o orçamento trabalha como bartender no estabelecimento de um amigo. 

Vince e um grupo de amigos são torcedores do time de futebol americano Philadelphia Eagles, que teve uma temporada terrível no ano anterior. Um novo treinador (Greg Kinnear) é contratado. 

Pensando em estreitar os laços com a torcida, ele promove um dia de “peneira”, ou seja, um treino para os torcedores demonstrarem sem algum tem condições de jogar profissionalmente. Para surpresa geral, Vince mostra seu talento e termina escolhido para treinar com os profissionais, tendo assim a chance de sua vida. 

Baseado numa incrível história real, este longa tem como ponto principal a persistência do protagonista vivido por Mark Wahlberg. Mesmo sendo uma gigantesca exceção, a história do personagem é um exemplo de como enfrentar os desafios da vida de cabeça erguida. 

Vale destacar também os problemas comuns enfrentados pelos amigos do protagonista, principalmente o desemprego e a falta de perspectivas de uma vida melhor. 

É um bom filme que vai além do drama esportivo. 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Possessão & Dominação


Possessão (The Possession, EUA / Canadá, 2012) – Nota 6
Direção – Ole Bornedal
Elenco – Jeffrey Dean Morgan, Kyra Sedgwick, Natasha Calis, Madison Davenport, Matisyahu, Grant Show.

Na sequência inicial, uma senhora tenta destruir uma enigmática caixa de madeira, mas termina sendo impedida por uma força sobrenatural. Algum tempo depois, Clyde (Jeffrey Dean Morgan), que está separado da esposa (Kyra Sedgwick), passa pelo local do ocorrido onde está ocorrendo uma venda de garagem e decide parar com suas filhas Emily (Natasha Calis) e Hannah (Madison Davenport). A mais nova Hannah fica empolgada com a caixa e a leva para casa. Não demora para a garota começar a ter atitudes estranhas, assustando a família.

O filme se diz baseado em fatos reais que aconteceram durante vinte e nove dias, mas fica difícil saber até que ponto isso é verdade. A história explora todos os clichês comuns aos filmes de possessão, com o diretor exagerando um pouco nos cortes que lembram as paradas para propagandas em produções de tv.

Vale a sessão por duas curiosidades. Ver Jeffrey Dean Morgan em um papel bem diferente do Negan de “The Walking Dead” e o inusitado personagem que surge na parte final para ajudar a família.

Dominação (Incarnate, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Brad Peyton
Elenco – Aaron Eckhart, Carice van Houten, Catalina Sandino Moreno, David Mazouz, Keir O’Donnell, Matt Nable, Emily Jackson.

Dr. Ember (Aaron Eckhart) desenvolveu o poder de entrar na mente de pessoas que estão possuídas por algum espírito maligno e assim tentar expulsá-lo do hospedeiro. Ao ser procurado por uma representante do Vaticano (Catalina Sandino Moreno) para ajudar um garoto (David Mazouz) que está possuído, Ember descobre que o espírito é o mesmo que causou uma tragédia em sua vida. 

A premissa de misturar controle da mente com exorcismo é bastante criativa, assim como as cenas de luta entre o bem e o mal são tensas, porém o desenvolvimento do roteiro é repleto de clichês, inclusive o abrupto final. 

O destaque do elenco fica para o garoto David Mazouz, assustador nos momentos em que a entidade utiliza se corpo para se expressar.

O resultado é no máximo razoável.

sábado, 30 de novembro de 2019

Parasita

Parasita (Gisaengchung, Coreia do Sul, 2019) – Nota 8,5
Direção – Bong Joon Ho
Elenco – Kang Ho Song, Sun Kyun Lee, Yeo Jeong Jo, Woo Sik Choi, Hye Jin Jang, So Dam Park, Ji So Jung.

Uma família de desempregados que vive em um porão fazendo pequenos bicos para sobreviver, vê a chance de mudar de vida quando o filho Ki Woo (Woo Sik Choi) é indicado por um amigo e consegue um emprego para ensinar inglês para a filha adolescente de um casal rico. 

Este é o tipo de filme em que quanto menos o espectador souber maior será a surpresa, ou melhor, as surpresas. 

O roteiro escrito pelo ótimo diretor Bong Joon Ho, de filmes marcantes como “Expresso do Amanhã”, “Mother – A Busca Pela Verdade” e “Memórias de um Assassino” detalha uma história em que as aparências enganam. 

Uma sequência de mentiras que chegam a ser engraçadas na primeira hora se transformam em uma situação insustentável envolvendo ambição e preconceito, chegando até um pesado clímax. 

É mais um filme que comprova a alta qualidade do cinema sul-coreano.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Primeiro Ano

Primeiro Ano (Premiere Année, França, 2018) – Nota 7
Direção – Thomas Lilti
Elenco – Vincent Lacoste, William Lebghil, Michel Lerousseau, Darina Al Joundi.

Benjamin (William Lebghill) é um jovem que está iniciando o primeiro ano no curso de medicina influenciado pelo pai, porém deixa transparecer uma certa dúvida em relação a carreira. 

Antoine (Vincent Lacoste) repetiu duas vezes o primeiro ano e agora tem a última chance de realizar o sonho de se tornar médico. Os dois criam um laço de amizade e passam a estudar juntos para enfrentar o desafio. 

Citei em uma postagem recente do filme “Hipócrates” a história do diretor Thomas Lilti, que também é médico. Ele fez uma trilogia sobre a profissão que segue com “O Insubstituível” que eu ainda não conferi e termina com este “Primeiro Ano”. 

O foco aqui é mostrar a pressão que os alunos enfrentam no primeiro ano de curso de medicina na França, que é utilizado como peneira. No filme é citado que de 2500 alunos, apenas os 329 primeiros serão aprovados e poderão seguir para o segundo ano de curso. 

O roteiro escrito pelo diretor utiliza como exemplo dois protagonistas diferentes no pensamento em relação a profissão. Ele explora também a questão de como estudar. Enquanto alguns aprendem determinada matéria facilmente, outros estudam horas a fio e sofrem para entender ou memorizar. 

É interessante também um coadjuvante citando que os alunos que passam neste concorrido curso nem sempre são os melhores, mas geralmente são aqueles que entendem melhores “os códigos”, ou seja, focam direto no resultado sem preocupação no aprofundamento da matéria. 

É um bom filme para o público comum e provavelmente mais interessante para quem estuda ou estudou medicina.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O Segredo de Vera Drake

O Segredo de Vera Drake (Vera Drake, Inglaterra / França, 2004) – Nota 7,5
Direção – Mike Leigh
Elenco – Imelda Staunton, Phil Davis, Peter Wight, Daniel Mays, Eddie Marsan, Anna Keaveney, Jim Broadbent, Lesley Manville, Sally Hawkins, Ruth Sheen, Chris O’Dowd.

Londres, 1950. Vera Drake (Imelda Staunton) trabalha como doméstica em várias casas, ajuda alguns vizinhos que enfrentam problemas e ainda cuida de sua família. 

O que o marido (Phil Davis) e o casal de filhos adultos (Daniel Mays e Anna Keaveney) não sabem é que Vera também auxilia jovens solteiras grávidas que querem abortar. A vida da família vira um inferno quando um determinado fato leva Vera a enfrentar a justiça. 

Especialista em dramas que focam em pessoas comuns enfrentando problemas da vida real, neste longa o diretor Mike Leigh explora o polêmico tema do aborto sem apelar para panfletagem. 

Ele deixa claro que a forma que a protagoniza utiliza para auxiliar as jovens é totalmente errada, mas ao mesmo tempo ele cria uma pequena narrativa em paralelo com a personagem de Sally Hawkins mostrando como as pessoas da classe alta na época tinham facilidade para resolver este “problema” pelas vias normais. É um tema que até hoje desperta discussões acaloradas e que acredito que jamais terá um consenso. 

Vale destacar a brilhante atuação de Imelda Staunton, que praticamente cria duas personagens diferentes no mesmo filme. Na primeira parte se mostrando feliz e pronta para ajudar, enquanto na segunda afundando na tristeza ao ver sua vida ser destruída. 

É um drama forte que merece ser conhecido.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Stuber

Stuber (Stuber, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Michael Dowse
Elenco – Kumail Nanjiani, Dave Bautista, Mira Sorvino, Natalie Morales, Iko Uwais, Betty Gilpin, Karen Gillan, Jimmy Tatro.

Vic (Dave Bautista) é um policial que teve a parceira assassinada por um terrorista (Iko Uwais). 

Algum tempo depois, no dia em que fez uma cirurgia para correção de um problema nos olhos, surge uma pista do paradeiro do sujeito.

Mesmo com a visão prejudicada, Vic decide seguir a pista, porém logo tem um acidente com o carro. Obcecado, ele chama o Uber do pobre Stu (Kumail Nanjiani), que se torna seu inusitado parceiro na caçada ao assassino. 

Esta divertida mistura de ação e comédia bebe na fonte dos filmes do gênero dos anos oitenta ao unir o brutamontes Dave Bautista com o comediante Kumail Nanjiani. 

Mesmo com alguns exageros habituais do gênero, o longa tem vários pontos positivos como a química entre a dupla de atores, as agitadas cenas de ação e correria com a boa participação do astro indonésio Iko Uwais, além de diálogos divertidos, vários deles com referência a outros filmes. 

Não se pode deixar de citar também a enorme propaganda do Uber. 

Para um gênero tão desgastado quanto a comédia, este longa acaba sendo uma agradável surpresa.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A Freira & Exorcismos e Demônios


A Freira (The Nun, EUA, 2018) – Nota 5,5
Direção – Corin Hardy
Elenco – Demian Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet, Bonnie Aarons, Ingrid Bisu, Patrick Wilson, Vera Farmiga, Lili Taylor.

Interior da Romênia, 1952. Em um convento isolado, duas freiras são atacadas por uma força sobrenatural. O corpo de uma delas é encontrado por um jovem aldeão (Jonas Bloquet). O Vaticano envia o padre Burke (Demian Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) para investigar o ocorrido. Na vila próxima ao convento, os moradores demonstram medo acreditando que o local é amaldiçoado. 

O sucesso dos ótimos “Invocação do Mal  1 e 2” abriu caminho para franquias paralelas explorando o mesmo universo, resultando nos três filmes “Annabelle”, em “A Maldição da Chorona” e este "A Freira" que comento aqui. 

O longa começa de forma interessante ao apresentar um clima de tragédia e uma locação sinistra, porém o desenrolar do roteiro e da narrativa deixam bastante a desejar. A história é previsível e várias sequências parecem perdidas, sem grande conexão. São sequências que intercalam sustos com o padre e a noviça, porém sem aprofundamento algum na roteiro. 

É um filme fraco indicado apenas os fãs radicais do gênero.

Exorcismos e Demônios (The Crucifixion, Inlgaterra / Romênia / EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Xavier Gens
Elenco – Sophie Cookson, Corneliu Ulici, Ada Lupu, Brittany Ashworth, Catalin Babliuc, Matthew Zajac.

Romênia, 2004. Numa pequena vila, um exorcismo comandando por um padre termina na morte da freira que aparentemente estava possuída por um demônio. A notícia chega aos Estados Unidos e a jovem repórter Nicole (Sophie Cookson) consegue convencer seu editor a enviá-la para Romênia para fazer uma matéria sobre o fato. Ao chegar no local e começar sua investigação, a descrente Nicole passa a sofrer com pesadelos e alucinações, ficando em dúvida se realmente o que ocorreu foi algo sobrenatural. 

Os créditos iniciais citam que o filme é baseado em uma história real e a primeira sequência do exorcismo chega a assustar. O clima de misticismo da vila também é interessante, mas infelizmente os pontos positivos ficam por aí. 

O desenvolvimento da história é repleto de clichês ao explorar sustos, personagens bizarros e segredos religiosos. O filme perde pontos também pelas fracas atuações do elenco. 

Como acontece muito neste gênero, a boa premissa acaba desperdiçada, resultando em um obra abaixo do razoável.  

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Tristeza e Alegria

Tristeza e Alegria (Sorg og Glaede, Dinamarca, 2013) – Nota  7,5
Direção – Nils Mamros
Elenco – Jakob Cedergren, Helle Fagralid, Ida Dwinger, Kristian Halken, Nicolas Bro, Soren Pilmark.

Dinamarca, 1984. O diretor de cinema Johannes (Jakob Cedergren) volta de viagem e descobre que sua esposa Signe (Helle Fagralid) matou o bebê do casal. 

Tentando entender os motivos que levaram a mulher a cometer um ato tão terrível e ao mesmo tempo sendo obrigado a lidar com a questão judicial, Johannes é entrevistado por um psiquiatra forense (Nicolas Bro). 

A conversa abre o caminho para flashbacks que detalham a relação do casal e principalmente como o estado mental de Signe foi se deteriorando. 

Este longa é baseado em um fato real ocorrido na vida do diretor Nils Mamros, que por sinal explorou situações de sua vida pessoal em todos os seus trabalhos. Este “Tristeza e Alegria” é considerado pelo diretor como o fechamento de sua carreira. 

É interessante verificar que ele mesmo faz um mea-culpa em relação a forma como tratava a esposa antes da tragédia, sempre demonstrando uma espécie de superioridade intelectual. 

O roteiro escrito por ele também foca em como o ser humano é influenciado por seus sentimentos. A tristeza e a alegria do título muitas vezes surgem da forma como encaramos uma determinada situação ou um simples comentário. 

Apesar do tema forte no início, o filme é sóbrio e realista, que faz pensar sobre o porquê de nossas atitudes e também sobre a complexidade dos relacionamentos.

domingo, 24 de novembro de 2019

O Sonho de Cassandra

O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream, EUA / Inglaterra / França, 2007) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Ewan McGregor, Colin Farrell, Tom Wilkinson, Hayley Atwell, Sally Hawkins, John Benfield, Clare Higgins, Phil Davis.

Em Londres, os irmãos Ian (Ewan McGregor) e Terry (Colin Farrell) tem vidas e objetivos bem diferentes, mas em comum a necessidade de conseguir dinheiro. 

Ian administra o restaurante dos pais, mas deseja investir em uma rede de hotéis nos EUA, enquanto Terry perdeu um fortuna no jogo de cartas e precisa de dinheiro com urgência. 

A aparente chance de resolver seus problemas surge quando o tio rico que vive nos EUA (Tom Wilkinson) vem para Londres visitar a família. Ao pedir dinheiro para o tio, os irmãos recebem uma inusitada contraproposta. 

Apesar das críticas ruins na época, este longa segue o estilo comum aos filmes de Woody Allen, explorando situações habituais como relacionamentos, traições, ganância e até uma pitada de violência, além é claro dos diálogos recheados de sarcasmo e ironia. 

Além do trio de ótimos atores britânicos, vale destacar no elenco a bela e então jovem Hayley Atwell e a pouco conhecida na época Sally Hawkins, as duas interpretando as namoradas dos protagonistas. 

Pode parecer repetitivo, mas filmes de Woody Allen são indicados para quem gosta do estilo do diretor. O espectador comum pode ficar um pouco decepcionado com a história e a narrativa.