segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O Tratamento

O Tratamento (De Behandeling, Bélgica, 2014) – Nota 8
Direção – Hans Herbots
Elenco – Geert Van Rampelberg, Ina Geerts, Johan van Assche, Laura Verlinden, Dominique Van Malder.

O policial Nick Cafmeyer (Geert Van Rampelberg) sofre pelo desaparecimento do irmão quando ainda era criança. Como o corpo do garoto nunca foi encontrado, o suspeito Ivan Plettinckx (Johan van Assche) vive tranquilamente e ainda envia cartas enigmáticas para Nick. 

Quando ocorre um terrível crime sexual na cidade envolvendo um casal e uma criança, Nick acredita que o novo criminoso tenha alguma ligação com Plettinckx e com uma possível rede de pedofilia. 

Esta produção belga é um daqueles filmes que incomodam bastante o espectador. A forma de agir do psicopata que ataca famílias é sinistra, assim como sua própria figura e a motivação dos crimes. O clima de tragédia que permeia toda a história é potencializado pelas locações na pequena cidade rodeada de bosques e com ruas vazias. O roteiro amarra muito bem a trama, inclusive entregando um final que foge do lugar comum. 

Para quem curte um suspense policial, este longa é uma bela opção.

domingo, 21 de outubro de 2018

Sicário: Dia do Soldado

Sicário: Dia do Soldado (Sicario: Day of the Soldado, EUA / México, 2018) – Nota 7,5
Direção – Stefano Sollima
Elenco – Benicio Del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Catherine Keener, Manuel Garcia Rulfo, Matthew Modine, Shea Whigham, Elijah Rodriguez, Bruno Bichir.

Um atentado suicida em um supermercado no Kansas está ligado a entrada de terroristas no país com ajuda de um cartel de traficantes mexicanos. Como retaliação, o governo americano convoca o agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin) para iniciar uma guerra entre cartéis. 

Graver, seu parceiro Alejandro (Benicio Del Toro) e uma equipe de mercenários sequestram a filha adolescente (Isabela Moner) do chefão de um cartel, criando uma narrativa como se o crime tivesse sido cometido por um cartel rival. A situação sai do controle e os agentes precisam resolver o assunto sem envolver o governo americano. 

Nesta sequência do longa de 2015, o roteiro deixa de lado as aparências e vai direto ao serviço sujo que os agentes clandestinos da CIA se prestam a fazer. Enfrentar a violência sem limite dos cartéis que dominam as cidades na fronteira entre México e Estados Unidos levam os agentes a agirem da mesma forma. Não existem leis ou regras neste conflito. 

O diretor italiano Stefano Sollima, do ótimo “Suburra”, acerta no ritmo da narrativa, na forma como explora as várias sequências no deserto e na violência que permeia toda a história. A cena final ainda deixa um pequeno gancho para quem sabe uma nova sequência.

sábado, 20 de outubro de 2018

Batalha Incerta

Batalha Incerta (In Dubious Battle, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – James Franco
Elenco – James Franco, Nat Wolff, Vincent D’Onofrio, Selena Gomez, Ahna O’Reilly, Analeigh Tipton, Robert Duvall, Ed Harris, John Savage, Sam Shepard, Josh Hutcherson, Jack Kehler, Scott Haze.

Em meados dos anos trinta, durante a chamada Depressão Americana, os ativistas Mac (James Franco) e Jim (Nat Wolff) se infiltram entre trabalhadores que colhem maçãs com objetivo de agitar uma greve. 

Os trabalhadores, incluindo crianças e idosos, são explorados pelo dono da fazenda (Robert Duvall) que oferece um dólar por dia, descontando ainda o valor de alimentação e moradia. Não demora para a greve explodir, criando um violento cabo de guerra entre empregados e os capangas do patrão. 

Baseado em um livro de John Steinbeck, que por sinal se inspirou nas disputas reais que ocorreram no país na época, este longa detalha como as lideranças dos dois lados dos conflitos defendiam seus interesses, enquantos os trabalhadores eram apenas massa de manobra. 

O ativista veterano e manipulador vivido por James Franco usa de todos os artifícios para colocar os trabalhadores ao seu lado, enquanto o novato interpretado por Nat Wolff aos poucos é dominado pelo “vírus” da ideologia acima das pessoas. É interessante que a forma como os trabalhadores são manipulados continua a mesma nos dias atuais. 

O filme não apresenta surpresas e ainda perde alguns pontos pela decisão do personagem de James Franco no final.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Jogada de Rei & Mentes Perigosas


Jogada de Rei (Life of a King, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Jake Goldberger
Elenco – Cuba Gooding Jr, Malcolm M. Mays, Richard T. Jones, LisaGay Hamilton, Paula Jai Parker, Dennis Haysbert, Derrick L. McMillon.

Após cumprir uma pena de dezessete anos, Eugene Brown (Cuba Gooding Jr) ganha a liberdade. Mesmo com dificuldade em conseguir emprego por ser um ex-detento, Eugene tem o objetivo de mudar de vida. Ao ser contratado como faxineiro de um colégio em um bairro pobre, ele termina se envolvendo com uma classe de alunos rebeldes. Através de aulas de xadrez, jogo que aprendeu com um colega de cadeia (Dennis Haysbert), Eugene decide criar um clube para ajudar os garotos a pensarem num futuro melhor.

Seguindo a linha de filmes sobre personagens que procuram redenção, este longa se baseia numa história real. O protagonista pode ser considerado uma exceção por conseguir refazer sua vida após ficar muitos anos preso. Ao invés do ódio contra o mundo, Eugene Brown cultivou a vontade de ajudar o próximo e de se reconciliar com a família.

O filme tem algumas sequências dramáticas que passam um pouco do ponto, mas que não atrapalham o resultado e nem a proposta de mostrar uma história de superação.

Mentes Perigosas (Dangerous Minds, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – John N. Smith
Elenco – Michelle Pfeiffer, George Dzundza, Courtney B. Vance, Robin Bartlett, John Neville, Lorraine Toussaint, Renoly Santiago, Beatrice Winde, Wade Dominguez.

Após deixar as forças armadas, Louanne Johnson (Michelle Pfeiffer), inicia uma nova carreira como professora em uma escola pública em um bairro pobre de Los Angeles. A princípio ela tenta conseguir disciplina dos alunos utilizando os métodos que aprendeu no serviço militar, mas logo percebe que precisaria ser criativa para chamar a atenção daqueles jovens. Através de atividades incomuns como aulas de karatê e músicas como rap e hip hop, Louanne aos poucos tenta ajudar os alunos a encontrarem um caminho na vida. 

Baseado na história real de Louanne Johnson, que descreveu sua experiência em livro, este longa segue o caminho de obras que apresentam um professor como agente transformador na vida de jovens carentes. Apesar de lembrar longas como “O Preço do Desafio” e “Meu Mestre, Minha Vida”, aqui o diferencial está na marcante trilha sonora, que fez um enorme sucesso na época com a música “Gangsta's Paradise” do rapper Coolio. Vale citar ainda a força da interpretação de Michelle Pfeiffer, em seu maior sucesso como protagonista solo.  

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Um Laço de Amor

Um Laço de Amor (Gifted, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Marc Webb
Elenco – Chris Evans, McKenna Grace, Lindasy Duncan, Octavia Spencer, Jenny Slate, Glenn Plummer, John Finn, Elizabeth Marvel, John M. Jackson.

Após o suicídio da irmã, que era superdotada em matemática, Frank Adler (Chris Evans) criou sozinho a sobrinha Mary (McKenna Grace), que ainda era bebê. Aos sete anos de idade, Mary demonstra o mesmo talento da mãe para matemática. 

O fato desperta a atenção da avó Evelyn (Lindsay Duncan), que vê na neta a chance da família alcançar a fama que sua filha não conseguiu. É o início de uma batalha judicial pela guarda da menina. 

O roteiro é esquemático, mesmo com um pequena surpresa no final, o desenrolar da trama segue o estilo comum a este tipo de drama. O que eleva a qualidade é colocar em pauta a discussão sobre até que ponto vale a pena pressionar crianças a se dedicaram totalmente aos estudos, deixando a infância de lado. É uma tema extremamente atual. 

Todos conhecem pelo menos algum casal, pai ou mãe que paga uma fortuna em colégio particular e monta uma agenda de tarefas, cursos e estudos para seus filhos preencherem a semana, como se isso fosse garantia de sucesso na vida, esquecendo que a felicidade também está nas coisas pequenas e nas brincadeiras. 

É um filme que emociona em alguns momentos, mas que principalmente faz pensar sobre como criar uma criança.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Marshall: Igualdade e Justiça

Marshall: Igualdade e Justiça (Marshall, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Reginald Hudlin
Elenco – Chadwick Boseman, Josh Gad, Kate Hudson, Sterling K. Brown, Dan Stevens, James Cromwell, Keesha Sharp, Roger Guenveur Smith, John Magaro, Ahna O’Reilly, Derrick Baskin, Barrett Doss.

Bridgeport, Connecticut, 1940. O motorista negro Joseph Spell (Sterling K. Brown) é acusado de estuprar e tentar matar a esposa de seu patrão, a bela Eleanor Strubing (Kate Hudson). 

Para defendê-lo, a associação dos direitos dos negros envia o advogado Thurgood Marshall (Chadwick Boseman), que por ser de outra cidade, é autorizado apenas a ser assistente de outro advogado, o judeu Sam Friedman (Josh Gad), que a princípio não quer aceitar o caso, mas aos poucos se envolve totalmente na defesa de Spell. 

Baseado numa história real, este longa foca no processo que fez o advogado Thurgood Marshall ficar famoso. Nos anos sessenta, Marshall se tornaria o primeiro juiz negro da Suprema Corte Americana. O ponto principal do roteiro é o racismo que na época dividia o país, anos antes de entrar em vigor os chamados Direitos Civis. 

Apesar de alguns momentos mais tensos e de discussões fortes sobre preconceito, o filme é didático. Mesmo para quem não conhece a história, não é difícil entender o que realmente ocorreu na noite do crime, fato que vem à tona na parte final do julgamento.

É um filme competente, porém longe de ser marcante.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Covil de Ladrões

Covil de Ladrões (Den of Thieves, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Christian Gudegast
Elenco – Gerard Butler, Pablo Schreiber, O’Shea Jackson Jr., Curtis “50 Cent” Jackson, Meadow Williams, Maurice Compte, Brian Van Holt, Evan Jones, Mo McRae, Kaiwi Lyman, Dawn Olivieri, Eric Braeden, Jordan Bridges, Cooper Andrews, Oleg Taktarov.

Big Nick O’Brien (Gerard Butler) é o policial responsável pela equipe de “Grandes Crimes” da polícia de Los Angeles. Ray Merrimen (Pablo Schreiber) é o líder de uma quadrilha especializada em assaltar bancos. 

Entre os dois está o motorista de fuga Donnie (O’Shea Jackson Jr.), que trabalha para Merrimen e está sendo pressionado por Big Nick para entregar qual seria o alvo do próximo assalto do bando. Enquanto Big Nick tenta descobrir o alvo, Merrimen prepara sua equipe para um ousado assalto ao banco da Reserva Federal. 

O clássico jogo de gato e rato entre policiais e bandidos é o ponto principal deste competente longa. Mesmo em lados opostos da lei, o modus operandi dos dois grupos é semelhante. Os policiais seguem suas próprias regras, não muito diferente dos bandidos. 

As sequências de suspense e ação são muito bem filmadas, repletas de tensão e violência, como manda o manual dos bons filmes policiais. O roteiro amarra bem a história e ainda guarda uma surpreendente reviravolta para o final. 

É uma ótima opção para quem gosta do gênero. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Depois Daquela Montanha

Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Hany Abu Assad
Elenco – Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Dermot Mulroney.

Alguns dias antes do ano novo. A jornalista Alex Martin (Kate Winslet) e o cirurgião Ben Bass (Idris Elba) ficam presos no aeroporto de Idaho por causa do mal tempo. Ela tem seu casamento marcado para o dia seguinte, enquanto ele precisa operar um garoto. 

A pressa faz com que a dupla alugue um monomotor pilotado por um veterano (Beau Bridges) que costuma levar seu cão nas viagens. Durante o voo sobre as montanhas, o sujeito tem um ataque e perde o controle do avião. Ele morre, enquanto Alex e Ben sobrevivem junto com  cachorro. É o início de uma luta pela sobrevivência. 

Baseado em um best seller, este longa sofre com o problema comum a muitas adaptações deste tipo de livro: exagerar na dose de melodrama ou romance para fisgar um determinado público. O ponto principal da luta do casal para se manter vivo, se alimentar e por final atravessar as montanhas geladas a pé tem um pouco de exagero, porém suportável, inclusive pela simpática presença do cachorro. 

Quando o romance se torna o ponto principal, o filme desanda. As pequenas discussões sobre relacionamento que ocorrem na primeira metade são um prévia para o romance “proibido” que leva o casal às lágrimas no final. É um daqueles filmes que parecem perfeitos, onde tudo se encaixa, mas que num olhar mais crítico se mostra vazio e esquemático.

domingo, 14 de outubro de 2018

Radius

Radius (Radius, Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Caroline Labreche & Steeve Leonard
Elenco – Diego Klatenhoff, Charlotte Sullivan, Brett Donahue.

Um sujeito (Diego Klatenhoff) acorda na beira de uma estrada sem lembrar o próprio nome. Ao mexer em seus documentos, ele descobre se chamar Liam e percebe que sofreu um acidente de automóvel. 

Ao voltar para o endereço que consta em seus documentos em busca de pistas, Liam encontra uma garota (Charlotte Sullivan) que também sofre de amnésia. 

Para deixar a situação ainda mais estranha, cada vez que Liam se afasta da garota e chega perto de outra pessoa, esta morre de forma instantânea. Os dois desconhecidos precisam descobrir o que aconteceu e o que fazer para resolver a situação. 

Esta produção canadense de baixo orçamento começa deixando a impressão de que seria mais um filme sobre apocalipse, porém o desenrolar da trama segue o caminho de uma ficção em que as respostas estão nos próprios protagonistas. 

O desespero do protagonista ao descobrir que se tornou uma ‘arma de matar” resulta em algumas boas cenas de suspense. O criativo roteiro leva ainda a história a uma sinistra reviravolta no final. 

É uma boa surpresa para quem gosta de ficção B. 

sábado, 13 de outubro de 2018

Os Fugitivos

Os Fugitivos (Lonely Hearts, Alemanha / EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Todd Robinson
Elenco – John Travolta, James Gandolfini, Jared Leto, Salma Hayek, Scott Caan, Laura Dern, John Doman, Michael Gaston, Dan Byrd, Alice Krige, Dagmara Dominczyk.

Final dos anos quarenta. Ray Martin (Jared Leto) e Martha Beck (Salma Hayek) são golpistas que se apaixonam e passam a atuar juntos. 

Utilizando anúncios de mulheres solitárias em revistas, eles conseguem se aproximar das vítimas para tomar suas economias antes de matá-las. 

Os detetives Elmer Robinson (John Travolta), que sofre pelo suicídio da esposa e Charles Hilderbrandt (James Gandolfini) seguem as pistas deixadas pelo casal de assassinos. 

Baseado numa história real, este longa tem erros e acertos. Os pontos positivos estão na ótima reconstituição de época e nas sinistras interpretações de Jared Leto e Salma Hayek. O casal está assustador, alternando momentos de paixão e loucura. 

Por outro lado, a narrativa irregular deixa a desejar. O ritmo pausado passa a impressão de que a história nunca vai engatar. Praticamente não temos cenas de ação e nem de suspense. As de violência são rápidas e bizarras. 

É um filme que detalha uma história forte, mas que poderia ser desenvolvido de uma forma bem melhor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Um Dia Para Viver

Um Dia Para Viver (24 Hours to Live, África do Sul / China / EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Brian Smrz
Elenco – Ethan Hawke, Qing Xu, Paul Anderson, Rutger Hauer, Liam Cunningham, Tyrone Keone, Nathalie Bolt.

Travis Conrad (Ethan Hawke) é um assassino profissional que vive com o sogro (Rutger Hauer) e passa os dias enchendo a cara para esquecer a trágica morte da esposa e do filho. 

O antigo empregador oferece uma fortuna para Travis cumprir uma última missão. Eliminar um sujeito que está sob proteção da Interpol. O inevitável confronto com os policiais, principalmente com uma agente chinesa (Qinq Xu), termina com uma surpresa desagradável para Travis. A partir deste ponto, o roteiro apela para o exagero incluindo uma solução absurda com cara de ficção B. 

O diretor Brian Smrz é especialista em cenas de ação, sua escolha para a direção geral aqui deixa claro que o objetivo dos produtores era um filme com foco total na ação e para ser lançado direto no mercado de vídeo. 

O filme funciona nas cenas de ação e prende a atenção do espectador que deixar de lado qualquer tentativa de encontrar realidade na trama, além de não se importar com os clichês. A sequência final dentro da sede da empresa é totalmente inspirada nos filmes do gênero produzidos nos anos oitenta. 

É basicamente um filme de ação absurdo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Desconhecida

Desconhecida (Complete Unknown, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Joshua Marston
Elenco – Rachel Weisz, Michael Shannon, Michael Chernus, Azita Ghanizada, Omar Metwally, Kathy Bates, Danny Glover, Frank de Julio, Condola Rashad, Chris Lowell.

Tom (Michael Shannon) precisa decidir entre participar de um projeto em seu trabalho ou uma mudança de cidade com a esposa Ramina (Azita Ghanizada) que iniciará um negócio. 

No dia de seu aniversário, Tom se surpreende ao ver seu parceiro de trabalho Clyde (Michael Chernus) chegar para a festa acompanhado da bela Alice (Rachel Weisz), que diz ser a pesquisadora que estará ajudando a dupla no projeto. Fica claro que Tom conhece Alice de algum lugar. Aos poucos, o espectador descobrirá qual a ligação entre eles. 

Os primeiros quarenta minutos do filme são instigantes ao explorar o incômodo enfrentado pelo personagem de Michael Shannon e suas reações perante ao inesperado problema. Conforme as perguntas vão sendo respondidas, a narrativa segue para um drama sobre relacionamentos, incluindo alguns diálogos filosofais sobre decisões de vida. 

Algumas situações do roteiro são um pouco exageradas, principalmente a forma de vida da personagem de Rachel Weisz, que fica sem explicação de como ela conseguiu fazer tantas coisas diferentes. A sequência na residência do casal de idosos vividos por Danny Glover e Kathy Bates é outra situação um pouco estranha. 

Apesar da crítica ter detonado o filme, considero uma obra mediana, com algumas ideias criativas e outras nem tanto.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Small Town Crime

Small Town Crime (Small Town Crime, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Eshom & Ian Nelms
Elenco – John Hawkes, Anthony Anderson, Octavia Spencer, Robert Forster, Cliffton Collins Jr, Michael Vartan, Jeremy Ratchford, James Lafferty, Don Harvey, Daniel Sunjata, Stephanie Scott, Caity Lotz, Dale Dickey.

Mike Kendall (John Hawkes) é um ex-policial alcoólatra que ainda sonha em voltar ao antigo posto. 

Ao encontrar uma garota atropelada na beira da estrada e levá-la para o hospital, Mike decide investigar o caso, mesmo sendo avisado por seus antigos colegas de polícia para se afastar. 

Se passando por detetive particular, Mike se aproxima de familiares da garota e descobre que ela estava envolvida em uma perigosa rede de prostituição. 

Este despretensioso longa policial explora elementos comuns aos filmes do gênero dos anos setenta, atualizando a roupagem. O protagonista é o anti-herói alcoólatra que carrega culpa por um enorme erro do passado e que tenta se redimir, mesmo que muitas vezes tomando decisões erradas que afetam as pessoas ao redor, como por exemplo seu cunhado vivido por Anthony Anderson. 

O sempre coadjuvante John Hawkes tem aqui um raro papel de protagonista e acaba se saindo muito bem. A escolha de entregar uma narrativa cínica em vários momentos também é outro ponto que lembra os policiais dos anos setenta. As cenas de violência com perseguições e tiroteios são bem filmadas e sem exageros. 

Considero o filme uma agradável surpresa, indicada para quem curte o gênero.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Soundtrack

Soundtrack (Soundtrack, Brasil, 2017) – Nota 7
Direção – Bernardo Dutra & Manitou Felipe
Elenco – Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Thomas Chaanhing, Lukas Loughran.

Cris (Selton Mello) é um artista que trabalha em um projeto que mistura música e fotografia. Ele consegue permissão para viajar para uma estação de pesquisa na gelada Islândia. 

Ao chegar na isolada região, Cris é recebido por quatro cientistas que trabalham em projetos individuais e que a princípio olham com desprezo para seu trabalho. 

O inglês Mark (Ralph Ineson) se torna uma espécie de padrinho que tenta explicar como funcionam as coisas no local. Além do difícil relacionamento com pessoas muito diferentes, Cris precisa enfrentar ainda seus problemas emocionais. 

Não é um filme simples para qualquer público, mas também a trama está longe de ser complexa. O diferencial está na narrativa que foca principalmente no desenvolvimento dos personagens excêntricos que desenvolvem trabalhos extremamente específicos, além de inserir pitadas de filosofia através de diálogos que tentam dar alguma profundidade ao porquê de alguém passar meses em uma região inóspita por causa de um projeto. 

O grande destaque é a parte técnica. Em momento algum é possível perceber que todas as cenas foram filmadas em um estúdio no Rio de Janeiro. De forma perfeita, o espectador se vê em meio ao gelo, a neve e ao frio. 

É um filme que vale a pena ser visto por quem gosta de obras que fogem do lugar comum.