domingo, 17 de junho de 2018

Conan, o Bárbaro & Conan, o Destruidor


Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian, EUA, 1982) – Nota 8
Direção – John Milius
Elenco – Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Max Von Sydow, Sandahl Bergman, Ben Davidson, Mako, Gerry Lopez, Valerie Quennessen, William Smith.

O personagem Conan foi criado na década de trinta como uma história em quadrinhos por Robert E. Howard e quase cinqüenta anos depois foi adaptado ao cinema pelo diretor John Milius (“Amanhecer Violento”, “O Vento e o Leão”), tendo sido o primeiro papel principal de Arnold Schwarzenegger. 

A história se passa há milhares de anos em uma época indefinida e começa com Conan ainda criança testemunhando sua vila sendo invadida pelo bando do feiticeiro Thulsa Doom (James Earl Jones) e seus pais acabando assassinados. 

Já adulto, agora vivido por Schwarzenegger, Conan se une a Valeria (Sandahl Berman) e Subotai (Gerry Lopez), dois ladrões que desejam receber uma recompensa para resgatar a filha do rei (Max Von Sydow) que foi seqüestrada por Thulsa Doom. O desejo maior de Conar é vingar a morte de seus pais. 

É um ótimo filme com cenas de ação competentes e muito sangue, além de bons coadjuvantes como James Earl Jones e Max Von Sydow. Até mesmo Schwarzenegger não compromete, em virtude de fazer seu melhor tipo de personagem, o do sujeito calado e violento. 

A história foi refilmada sem sucesso em 2011 com Jason Momoa no papel principal.

Conan, o Destruidor (Conan the Destroyer, EUA, 1984) – Nota 7
Direção - Richard Fleischer
Elenco - Arnold Schwarzenegger, Grace Jones, Wilt Chamberlain, Mako, Tracey Walter, Olivia D'Abo, Sarah Douglas, Sven Ole Thorsen.

O guerreiro Conan (Arnold Schwarzenegger) aceita um desafio da rainha Taramis (Sarah Douglas) acreditando que ela possa ressuscitar sua amada. A missão de Conan é roubar um artefato mágico que somente pode ser tocado por uma virgem, no caso a princesa Jehnna (Olivia D’Abo). 

Ao lado de Conan e da princesa seguem seu escudeiro Malak (Tracey Walter) e o grandalhão Bombaata (Wilt Chamberlain). Ao enfrentar os perigos do caminho, se unem ao grupo o feiticeiro Akiro (Mako) e a selvagem Zula (Grace Jones). 

Mesmo sem o impacto e a qualidade do primeiro filme, além de inserir algumas pitadas de comédia, esta sequência ainda é um bom filme de aventura. As cenas de ação continuam violentas e bem filmadas, com destaque para a agilidade de Grace Jones e o carisma de Schwarzenegger. O falecido astro de basquete Wilt Chamberlaind teve aqui seu único trabalho no cinema e até se saiu bem nas cenas de ação. 

sábado, 16 de junho de 2018

Kalinka

Kalinka (Au Nom de Ma Fille, França / Alemanha, 2016) – Nota 7
Direção – Vincent Garenq
Elenco – Daniel Auteuil, Sebastian Koch, Marie Josée Croze, Christelle Cornil.

Marrocos, 1974. André Bamberski (Daniel Auteuil) e sua esposa Dany (Marie Josée Croze) levam uma vida tranquila ao lado do casal de filhos pequenos. 

Quando André descobre que Dany está tendo um caso com um amigo do casal, o médico alemão Dieter Krombach (Sebastian Koch), a crise se inicia. André e Danny voltam para a França, mas ele descobre tempos depois que a esposa continua se encontrando com Krombach. O casal termina se separando. 

Em 1982, André vive com outra mulher (Christelle Cornil), enquanto a ex-esposa e o amante moram na Alemanha. No verão daquele ano, os filhos já adolescentes viajam para passar as férias com a mãe. De forma estranha, a filha Kalinka morre durante uma noite. Desesperado em descobrir o que ocorreu, André inicia uma investigação acreditando que Krombach matou sua filha. A luta para provar a culpa do médico seguirá até 2009. 

Baseado numa história real, este longa foca na obsessão do pai que dedicou sua vida para buscar justiça para a filha. Do crime até a resolução do caso foram 27 anos, porém se contar desde o início da crise em 1974 seriam 35 anos de uma inacreditável história. 

Pela história ser extremamente longa, o diretor preferiu dividir a narrativa em tópicos referentes as situações mais importantes. Todo este período é condensado em menos de uma hora e meia. Isso não chega a atrapalhar o entendimento dos acontecimentos, mas termina pode deixar de lado alguns detalhes como a crise de relacionamento de André com seu filho na fase adulta e as informações sobre qual o trabalho do protagonista, que com certeza gastou uma fortuna para manter o caso vivo na justiça. 

É uma história que poderia render até uma minissérie, mas que mesmo de forma resumida merece ser conhecida pela tragédia e pelo absurdo das situações.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

De Encontro com a Vida

De Encontro com a Vida (Mein Blind Date Mit Dem Leben, Alemanha, 2017) – Nota 6,5
Direção – Marc Rothemund
Elenco – Kostja Ullmann, Jacob Matschenz, Anna Maria Muhe, Johann von Bullow, Alexandre Held.

Ainda no colégio, Saliya (Kostja Ullman) descobre que tem uma séria doença nos olhos. Após uma cirurgia, ele fica apenas com cinco por cento da visão. Mesmo com uma incrível dificuldade, Saliya termina os estudos em um colégio normal e sonha em conseguir trabalhar em algum hotel. 

Após várias negativas de hotéis, ele decide esconder seu problema e se candidatar a uma vaga em um hotel de luxo em Munique. Ele consegue um chance para trabalhar no local, mas tem de lutar diariamente para esconder sua deficiência e assim ser efetivado. 

Baseado em uma história real, este é o tipo de longa produzido para fazer o espectador se sentir bem, o que termina escondendo as falhas no roteiro e abusando um pouco do exagero. O filme tem algumas sacadas divertidas no estilo das comédias românticas americanas, como as cenas com o amigo descolado (Jacob Matschenz). O relacionamento com Laura (Anna Maria Muhe) também segue os clichês do gênero. 

Por mais que o espectador aceite a “liberdade artística”, fica complicado acreditar que poucas pessoas percebiam o problema visual do protagonista, além de algumas tarefas que seriam praticamente impossíveis dele fazer serem desempenhadas com naturalidade. 

A crise enfrentada pelo protagonista na parte final e a mudança drástica de atitude de um coadjuvante são outros pontos que incomodam bastante. 

Quem procura emoção fácil e algumas cenas engraçadinhas vai ser divertir com o longa, porém se o objetivo é ver algo mais próximo da realidade, o filme será uma decepção.

Finalizando, o protagonista é quase um sósia do ator Gael Garcia Bernal.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Era Uma Vez em Nova York

Era Uma Vez em Nova York (The Immigrant, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – James Gray
Elenco – Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner, Dagmara Dominczyk, Jicky Schnee.

Nova York, 1921. As irmãs polonesas Ewa (Marion Cotillard) e Clara (Jicky Schnee) chegam à cidade de navio e são barradas na imigração. Clara está com tuberculose e por isso é levada para um hospital onde terá de ficar pelo menos por seis meses, enquanto Ewa será deportada porque seus tios que deveriam estar esperando não apareceram no local. 

Desesperada, Ewa consegue ajuda de um sujeito chamado Bruno Weiss (Joaquin Phoenix), que aparentemente tem algum tipo de contato dentro da imigração. Bruno consegue libertar Ewa e promete ajudar sua irmã Clara, mas em troca a garota terá de trabalhar como prostituta. Mesmo relutante, ela acaba aceitando a proposta. Quando entra em cena o mágico Emil (Jeremy Renner), que é primo de Bruno, cria-se um complicado triângulo amoroso. 

Por mais que a reconstituição de época seja sensacional, a história é basicamente um dramalhão novelesco. A questão da exploração sexual é abordada de forma até light demais, com o personagem de Joaquin Phoenix estando mais para uma paizão manipulador do que um cafetão violento. 

Os problemas do filme continuam nas interpretações teatrais e exageradas de Marion Cotillard e Joaquim Phoenix, principalmente na segunda parte quando entra em cena o personagem de Jeremy Renner. 

É um filme que não empolga. No meu caso faltou também empatia pelos personagens.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Lembranças de um Verão

Lembranças de um Verão (Hearts in Atlantis, EUA, 2001) – Nota 8
Direção – Scott Hicks
Elenco – Anthony Hopkins, Anton Yelchin, Hope Davis, Mika Boorem, David Morse, Alan Tudyk, Tom Bower, Celia Weston, Adam LeFevre, Will Rothhaar.

Após ser avisado da morte de um amigo de infância, o fotógrafo Bobby Garfield (David Morse) segue para acompanhar o funeral em sua cidade natal. A volta para a pequena cidade desperta lembranças do último verão que ele passou no local quando tinha onze anos de idade. 

A partir daí, a narrativa volta para os anos sessenta, quando Bobby (Anton Yelchin) aproveitava a infância ao lado de Sully (Will Rothhaar) e Carol (Mika Boreem). Neste último verão, a mãe de Bobby (Hope Davis) que era viúva, sonhava em conseguir uma promoção no emprego e também um novo companheiro. 

Precisando de dinheiro, ela aluga o andar de cima da casa para o Ted Brautigan (Anthony Hopkins), um homem misterioso que chegou a cidade e que termina por criar um estreito laço de amizade com Bobby. 

O ar de nostalgia que permeia a narrativa é um dos grandes acertos deste sensível longa sobre um tipo de infância e também um mundo que não existe mais. Por sinal, o filme é baseado em um conto de Stephen King e tem algumas semelhanças com o hoje clássico “Conta Comigo”. 

O roteiro explora também o amadurecimento do protagonista vivido pelo ótimo Anton Yelchin, que infelizmente faleceu de forma trágica em um acidente em 2016, quando tinha apenas vinte e sete anos e uma carreira consolidada. A química de seu personagem com o veterano Anthony Hopkins é sensacional, resultando em momentos emocionantes. 

É um filme marcante, que merece ser mais conhecido.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Quebra de Conduta

Quebra de Conduta (Mobius, França / Bélgica / Luxemburgo, 2013) – Nota 6
Direção – Eric Rochant
Elenco – Jean Dujardin, Cécile de France, Tim Roth, Emilie Dequenne, John Lynch, Wendell Pierce, Vladimir Menshov.

Em Paris, a bela Alice (Cécile de France) é uma especialista em finanças que está proibida de trabalhar nos Estados Unidos. A chance de voltar ao país surge quando a CIA a contrata para se aproximar do corrupto magnata russo Ivan Rostovsky (Tim Roth). 

Ela aceita a proposta, mas não sabe que o serviço secreto russo também está investigando Rostovsky. Um grupo liderado pelo agente Moise (Jean Dujardin) tem o objetivo de encontrar provas contra o magnata. A situação fica ainda mais complicada quando Moise se envolve com Alice sem revelar sua verdadeira identidade. 

A complexa trama de espionagem envolvendo dois governos e um corrupto milionário em momento algum engrena. O longa tem apenas uma cena de ação envolvendo uma briga dentro de um antigo elevador. O restante da história tem foco principal no relacionamento amoroso entre os protagonistas, transformando o que seria um suspense em um drama romântico. 

É uma pena, a premissa de espionagem tinha tudo para render um filme muito melhor.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Segurança em Risco & Assassinos Múltiplos


Segurança em Risco (Security, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Alain Desrochers
Elenco – Antonio Banderas, Ben Kingsley, Liam McIntyre, Cung Le, Chad Lindberg, Katherine Mary de la Rocha.

Eddie Deacon (Antonio Banderas) é um veterano do exército que estava desempregado há mais de um ano e que consegue um emprego de segurança noturno em um shopping. Na primeira noite de trabalho junto com uma equipe de quatro outros seguranças, Eddie encontra uma adolescente (Katherine Mary de la Rocha) pedindo socorro na porta do shopping. Ele dá abrigo a garota que está sendo perseguida por uma quadrilha de assassinos por ser testemunha de um crime. É o início de uma noite terror dentro do shopping.

Por mais que o roteiro explore uma típica história de policial B repleta de clichês, este longa resulta num interessante passatempo para quem gosta de ação. Não espere boas interpretações ou realidade, a proposta é prender a atenção através das boas cenas de ação recheadas de tiros e violência.

Os astros Antonio Banderas e Ben Kingsley parecem se divertir como herói e vilão respectivamente. 

Assassinos Múltiplos (Acts of Vengeance, Bulgária, 2017) – Nota 5,5
Direção – Isaac Florentine
Elenco – Antonio Banderas, Paz Vega, Karl Urban, Johnathon Schaech, Robert Forster.

Frank Valera (Antonio Banderas) é um bem sucedido advogado que fez carreira defendendo criminosos. Quando sua esposa e filha são assassinadas, Frank se entrega a culpa e a bebida. Um determinado fato faz com que ele procure retomar o rumo de sua vida com o objetivo de encontrar o assassino de sua família. 

Os clichês cinematográficos as vezes são bem explorados como no filme que comentei acima, mas quase sempre são sinônimos de falta de criatividade do diretor e do roteirista. Este “Assassinos Múltiplos” se encaixa na segunda opção. A jornada do protagonista vivido por Antonio Banderas do sucesso profissional até o fundo do poço, seguido pelo reviravolta em busca da vingança, além de previsível está recheada de absurdos, incluindo alcoolismo, brigas clandestinas e autoajuda para superar o trauma. 

Uma verdadeira salada russa dirigida pelo péssimo Isaac Florentine e uma enorme bola fora na carreira de Antonio Banderas.

domingo, 10 de junho de 2018

Escrito nas Estrelas

Escrito nas Estrelas (Serendipity, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Peter Chelsom
Elenco – John Cusack, Kate Beckinsale, Jeremy Piven, Bridget Moynahan, Molly Shannon, Eugene Levy, John Corbett.

Alguns dias antes do Natal, Jonathan (John Cusack) e Sara (Kate Beckinsale) se cruzam numa famosa loja de departamentos em Nova York. Mesmo estando em outros relacionamentos, Jonathan e Sara passam algumas horas juntos pela cidade. 

Como Sara acredita no destino, ela cria algumas situações que terão de se confirmar para os dois poderem trocar telefones e voltarem a se ver. Os desafios dão errado e eles perdem o contato. 

Anos depois, Jonathan está se preparando para casar com Halley (Bridget Moynahan), enquanto Sara também está prestes a casar com o músico Lars (John Corbett). Mesmo assim, os dois ainda sonham em se reencontrar. A partir daí, eles precisarão novamente da ajuda do destino. 

Esta simpática comédia romântica bebe na fonte de sucessos dos anos noventa como “Mensagem Para Você” e “Enquanto Você Dormia”, com a diferença de explorar o destino como cupido. Este é o ponto principal que o espectador deve aceitar para se divertir com a história. 

Por mais que seja absurdo, o roteiro foca nas pequenas pistas que influenciam nas decisões de cada pessoa. Pode ser um objeto, um local ou uma música que nos faça lembrar de alguém ou ainda escolher algo de acordo como nossa intuição.  

Tudo isso ganha pontos pelas simpáticas interpretações e pela química entre John Cusack e a belíssima Kate Beckinsale. Vale destacar ainda as divertidas participações de Molly Shannon e Eugene Levy. 

Filme indicado para quem curte uma comédia romântica.

sábado, 9 de junho de 2018

Columbus Circle

Columbus Circle (Columbus Circle, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – George Gallo
Elenco – Selma Blair, Amy Smart, Jason Lee, Giovanni Ribisi, Beau Bridges, Kevin Pollak, Jason Antoon, Robert Guillaume, Samm Levine.

Uma idosa é assassinada dentro do próprio apartamento em um edíficio de luxo no bairro de Columbus Circle em Nova York. A vizinha da frente é a reclusa Abigail (Selma Blair), que não sai do apartamento há anos. 

Quando um casal (Amy Smart e Jason Lee) muda para o apartamento da vítima, Abigail cria um laço de amizade com a garota que sofre com os abusos do marido. 

Enquanto uma dupla de detetives (Giovanni Ribisi e Jason Antoon) investiga a morte da idosa, Abigail não imagina que ela mesma pode ser um novo alvo do criminoso. 

A primeira parte do longa prende a atenção enquanto detalha aos poucos a causa do isolamento da protagonista e também as falsas aparências de alguns personagens. Infelizmente na parte final o roteiro cria uma reviravolta cheia de furos. 

Personagens como o detetive interpretado por Giovanni Ribisi e o amigo da protagonista vivido por Beau Bridges são mal desenvolvidos. 

O resultado é um suspense que deixa a desejar.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

O Jantar

O Jantar (The Dinner, EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Oren Moverman
Elenco – Richard Gere, Laura Linney, Steve Coogan, Rebecca Hall, Michael Chernus, Seamus Davey Fitzpatrick.

Paul Lohman (Steve Coogan) e sua esposa Claire (Laura Linney) são convidados para jantar em um restaurante de luxo com o irmão dele, o candidato a governador Stan (Richard Gere) e sua mulher Katelyn (Rebecca Hall). 

Paul é um professor de história cínico que fala o que vem a cabeça, que aparentemente é tratado com carinho pela esposa, porém desprezado pelo filho adolescente (Seamus Davey Fitzpatrick). 

O que Paul ainda não sabe é o porquê do convite do irmão, com quem tem um relação complicada e que esconde um problema a ser resolvido. Assim que os casais se encontram no restaurante, os conflitos surgem e o motivo do jantar vem à tona. 

A premissa do roteiro escrito pelo diretor Oren Moverman, que se baseou em livro, tem um bom potencial, porém a montagem é confusa e a narrativa cansativa. As discussões no restaurante são intercaladas por uma narrativa que explora dois flashbacks. A primeira mostra o fato que envolve os filhos de cada casal e que causou o encontro, enquanto a segunda detalha os problemas enfrentados pelo personagem de Steve Coogan. 

A participação do ator inglês é curiosa. Sua atuação é a melhor do elenco, mas ao mesmo tempo seu personagem é insuportável. 

A tentativa do diretor em fazer uma crítica social aos hábitos da classe alta e dos jovens sem limites se perde nos erros citados anteriormente. É uma pena, o material tinha tudo para render um filme bem melhor.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cobra Kai

Cobra Kai (Cobra Kai, EUA, 2018)
Elenco – Ralph Macchio, William Zabka, Courtney Henggeler, Xolo Maradueña, Tanner Buchannan, Mary Mouser, Jacob Bertrand, Nichole Brown, Griffin Santopietro, Gianni Decenzo.

Esta série é com certeza a maior surpresa do ano. Quem poderia imaginar que trinta e quatro anos depois, a franquia “Karatê Kid” renasceria com uma história divertida, com pitadas de drama e as clássicas lutas de karatê. 

A história começa mostrando Johnny Lawrence (William Zabka), que foi derrotado na adolescência por Daniel LaRusso (Ralph Macchio), hoje como um sujeito fracassado que perdeu o emprego, está divorciado e tem um péssimo relacionamento com o filho Robby (Tanner Buchannan). 

Em paralelo, Daniel é dono de uma rede de concessionárias de automóveis, tem uma bela esposa (Courtney Henggeler) e um casal de filhos (Mary Mouser e Griffin Santopietro). 

A vida de Johnny começa a mudar quando cruza o caminho do jovem latino Miguel (Xolo Maradueña). Mesmo relutante, ele aceita ajudar o garoto a aprender karatê para se defender dos valentões da escola. Quando Daniel descobre que Johnny pretende reabrir o dojo Cobra Kai, os conflitos do passado entre os dois voltam à tona. 

O roteiro praticamente atualiza a história de Karatê Kid, brincando com as diferenças entre as gerações, com o politicamente correto e deixando claro que personagem algum é perfeito. 

A série também é um renascimento para os atores Ralph Macchio e William Zabka. Macchio foi um grande astro com os três filmes “Karatê Kid” e com o cult “A Encruzilhada”, porém sua carreira praticamente acabou nos anos oitenta, tendo somente papéis esporádicos nos anos seguintes. 

Zabka tem semelhanças com seu personagem aqui. Ele sempre foi um desconhecido, sua carreira jamais decolou após “Karatê Kid”, tendo apenas papéis pequenos nos últimos trinta anos. Por uma estranha curiosidade, o personagem de Zabka aqui é mais interessante do que o de Macchio, assim como sua interpretação é melhor também. 

Por enquanto foram dez episódios de trinta minutos cada, porém um gancho enorme e o surpreendente sucesso com certeza renderão uma merecida segunda temporada.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Serpico

Serpico (Serpico, EUA, 1973) – Nota 8
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Al Pacino, John Randolph, Jack Kehoe, Tony Roberts, Cornelia Sharp, Biff McGuire, James Tolkan, M. Emmet Walsh, Kenneth McMillan, F. Murray Abraham, Allan Rich, Barbara Eda Young.

Na sequência inicial, o detetive Frank Serpico (Al Pacino) é levado para a emergência de um hospital após ser baleado. A trama volta para o final dos anos sessenta, quando Serpico se formou na academia e iniciou sua carreira na polícia. 

Não demora para ele perceber a corrupção que domina a polícia de Nova York. Ao se recusar de participar da arrecadação de dinheiro extorquido pelos parceiros, Serpico se torna persona non grata dentro da corporação. 

Sua relação com Leslie (Cornelia Sharpe) o leva a conhecer a contracultura e sua rebeldia vem à tona, fato que dificulta ainda mais sua relação com os colegas. Com o passar do tempo, Serpico sofre ao ter que decidir se denuncia a corrupção ou se fecha os olhos e segue sua vida. 

Dois anos antes do diretor Sidney Lumet e o astro Al Pacino entregarem o clássico “Um Dia de Cão”, a dupla fez este ótimo longa sobre a corrupção policial baseado num livro de Peter Maas. 

Esqueçam a Manhattan globalizada dos dias atuais, aqui vemos a ameaçadora Nova York dos anos setenta, uma cidade suja, repleta de traficantes, prostitutas e policiais corruptos. 

O roteiro escrito por Waldo Salt detalha de uma forma humana o sofrimento do honesto protagonista em meio a tentação do dinheiro do fácil e a pressão dos parceiros. São várias situações em que Serpico é tratado com desprezo por outros policiais, enganado por superiores e forçado a mudar de delegacia imaginando encontrar um mundo melhor. 

O resultado é um filme obrigatório.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Marcando Território

Marcando Território (Standoff, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Adam Alleca
Elenco – Thomas Jane, Laurence Fishburne, Ella Ballentine, Jim Watson, Joanna Douglas.

Durante um funeral em um cemitério isolado, um assassino profissional (Laurence Fishburne) mata a viúva, o padre e dois seguranças que acompanhavam a cerimônia. 

Antes de fugir, ele percebe que uma garotinha (Ella Balletine) tirou fotos do crime. O assassino mata o tio da menina, que foge até chegar a uma casa numa pequena fazenda. 

A garota é recebida pelo dono (Thomas Jane), que a leva para o primeiro andar, enquanto o assassino chega a térreo. Os dois homens trocam tiros e ficam feridos, iniciando uma terrível disputa física e psicológica. 

A guerra entre apenas dois homens se tornou comum no cinema após o sucesso do clássico “Inferno no Pacífico” dirigido por John Boorman em 1968. O tema foi explorado com diversas variações, até mesmo em um conflito em outro planeta no ótimo “Inimigo Meu”. 

A simplicidade deste tipo de trama funciona de acordo com a criatividade do diretor e a qualidade dos diálogos. Neste filme que comento, o acerto está em colocar uma garota como estopim do conflito e inserir um trauma do passado na vida do personagem de Thomas Jane. 

As cenas de ação são bem filmadas, porém o pouco espaço do local limita a criatividade para algo diferente neste tipo de sequência. Os diálogos e o climax são previsíveis. 

O resultado é um filme que prende a atenção para quem não exigir muito.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O Relógio Verde & Envolto nas Sombras


O Relógio Verde (The Big Clock, EUA, 1948) – Nota 8
Direção – John Farrow
Elenco – Ray Milland, Charles Laughton, Maureen O’Sullivan, George Macready, Rita Johnson, Elsa Lanchester.

George Stroud (Ray Milland) é um executivo de uma grande editora que planeja sair de férias com sua esposa Georgette (Maureen O’Sullivan) após anos de trabalho sem descanso para o empresário Earl Janoth (Charles Laughton). 

Especialista em encontrar pessoas que se escondem por causa de escândalos ou que são foragidas da lei, George é pressionado por Janoth para aceitar mais um trabalho ao invés de sair de férias. A crise que se instala entre os dois aumenta quando a bela atriz Pauline (Rita Johnson), que é amante de Janoth, decide se aproximar de George. 

Este ótimo longa noir tem como ponto principal a rocambolesca trama, em que o protagonista vivido por Ray Milland utiliza toda sua inteligência e criatividade para resolver um crime que ocorre no meio da história. 

Destaque também para o trabalho do esquecido diretor John Farrow, que consegue imprimir um ritmo ágil e criar soluções divertidas para manter o suspense, com a maioria destas cenas filmadas dentro do edifício da editora. 

As atuações de Ray Milland e do grande Charles Laughton são outros positivos, com o segundo perfeito como o empresário arrogante. 

É uma ótima opção para que gosta de longas antigos do gênero.

Envolto nas Sombras (The Dark Corner, EUA, 1946) – Nota 7
Direção – Henry Hathaway
Elenco – Mark Stevens, Lucille Ball, Clifton Webb, William Bendix, Kurt Krueger, Cathy Downs.

Após cumprir dois anos de prisão, Bradford Galt (Mark Stevens) tenta retomar a vida como detetive particular. Ao ser seguido por um estranho (William Bendix), Galt acredita que o sujeito esteja trabalhando para seu antigo parceiro Tony Jardine (Kurt Krueger). 

Quando Jardine é assassinado, Galt se torna o principal suspeito. Com a ajuda de sua secretária (Lucille Ball), o detetive precisa descobrir quem encomendou o assassinato e assim provar sua inocência. 

Este competente longa de estilo noir inclui ainda um velho milionário (Clifton Webb) e sua jovem esposa interesseira (Cathy Downs), resultando numa trama repleta de mentiras, traições e violência. 

O diretor Henry Hathaway era uma verdadeiro operário de Hollywood. Dos anos trinta até o início dos setenta, Hathaway dirigiu quase setenta filmes, a maioria deles policiais e westerns, com destaque para “Os Filhos de Katie Elder” e o original “Bravura Indômita”, os dois protagonizados por John Wayne. 

A curiosidade neste longa que comento é a participação da atriz Lucille Ball em um papel sério. Ela que no início dos anos cinquenta, ainda nos primórdios da tv, ficaria famosa com o seriado “I Love Lucy”. Ela repetiu a personagem Lucy em diversos filmes para a tv e em cinco versões do seriado em épocas diferentes.