domingo, 1 de agosto de 2021

O Turista



O Turista (The Tourist, EUA / França / Itália / Inglaterra, 2010) – Nota 5
Direção – Florian Henckel von Donnersmarck
Elenco – Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell, Christian De Sica.

Em Roma, uma mulher misteriosa (Angelina Jolie) é seguida por policiais e consegue despistá-los ao entrar em um trem. No trem, ela se aproxima de um turista americano (Johnny Depp), que logo demonstra interesse nela, porém que também está sendo perseguido, porém por um grupo criminoso. 

É difícil entender como o então promissor diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck entregou um filme tão vazio como este após o ótimo e doloroso “A Vida dos Outros” que venceu o Oscar de Filme Estrangeiro quatro anos antes. 

A produção caprichada e as ótimas locações na Europa escondem uma trama boba de suspense que tem um clímax constrangedor e atuações que parecem de um comercial de tv. A interpretação automática de Johnny Depp passa longe de seus melhores momentos, enquanto Angelina Jolie parece estar em um desfile de moda por todo filme. 

É um filme totalmente descartável.

sábado, 31 de julho de 2021

A Verdadeira História de Ned Kelly

 


A Verdadeira História de Ned Kelly (True History of the Kelly Gang, Austrália / Inglaterra / França, 2019) – Nota 5
Direção – Justin Kurzel
Elenco – George MacKay, Essie Davis, Charlie Hunnam, Russell Crowe, Nicholas Hoult, Claudia Karvan, Orlando Schwerdt, Thomasin McKenzie.

Ned Kelly foi um criminoso que se tornou lendário no interior da Austrália na segunda metade do século XIX. O personagem foi levado ao cinema outras vezes sendo interpretado pelo cantor Mick Jagger em 1970, pelo falecido Heath Ledger em 2003 e até pelo comediante australiano Yahoo Serious em 1988. 

Esta nova versão é um verdadeiro samba do australiano doido. As primeira parte é até interessante ao mostrar a família decadente em que vive o adolescente Ned Kelly (Orlando Schwerdt), em meio a brutalidade do deserto australiano. 

Quando o personagem chega na idade adulta (George McKay), o longa desanda para um misto de drama, violência e sexualidade como se fosse uma obra marginal dos anos setenta. 

O bandido é retratado como um sujeito inseguro, quase frágil durante parte da vida adulta, para no final se transformar em um maluco suicida. A bizarra sequência do clímax é o exemplo. 

Claramente a ideia do diretor e do roteirista foi inserir uma temática progressista que não tem ligação alguma com o que foi o verdadeiro personagem. É um filme para passar longe.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Freaky - No Corpo de um Assassino & Salve-se Quem Puder

 


Freaky – No Corpo de um Assassino (Freaky, EUA, 2020) – Nota 5,5
Direção – Christopher Landon
Elenco – Vince Vaughn, Kathryn Newton, Celeste O’Connor, Misha Osherovich, Emily Holder, Nicholas Stargel.

Uma série de crimes violentos ocorre em um subúrbio. Quando o serial killer (Vince Vaughn) cruza o caminho da adolescente Millie (Kathryn Newton) e a fere com um estranho punhal, os dois trocam de corpos de forma sobrenatural. Millie tem apenas vinte e quatro horas para reverter a situação e voltar para seu corpo. 

O diretor e roteirista Christopher Landon novamente segue o estilo de comédia com terror que rendeu filmes divertidos como “Como Sobreviver a um Ataque de Zumbis” e “A Morte Te Dá Parabéns!, mas também a fraca continuação do segundo. 

Aqui novamente Landon erra a mão, principalmente nas sequências bobas de comédia, típicas de filmes adolescentes ruins. Por mais que as mortes violentas sejam sangrentas e agradem quem curte o gênero, fica difícil encarar as piadas constrangedoras e o batido tema da troca de corpos.

Salve-se Quem Puder! (Save Yourselves!, EUA, 2020) – Nota 5
Direção – Alex Huston Fischer & Eleanor Wilson
Elenco – Sunita Mani, John Reynolds, Ben Sinclair, John Early.

Su (Sunita Mani) e Jack (John Reynolds) formam um casal que vive voltado para a tecnologia. Dependentes de celular e internet, eles decidem arriscar passar uma semana em um cabana isolada, sem contato algum com o mundo exterior. O problema é que enquanto estão isolados, o mundo é invadido por alienígenas. 

A ideia de fazer uma crítica em relação a dependência tecnológica na atualidade é interessante, o grande problema é que filme não se aprofunda nisso, não faz rir e ainda tem um casal de protagonistas irritantes. Na melhora nem mesmo quando surgem os alienígenas típicos de filme B. 

Eu não consegui entrar na brincadeira proposta pelo roteiro. No meu caso foi uma total perda de tempo.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

The Serpent

 


The Serpent (The Serpent, Inglaterra, 2021) – Nota 7,5
Direção – James Shankland & Hans Herbots
Elenco – Tahar Rahim, Billy Howle, Jenna Coleman, Ellie Bamber, Tim McInnerny, Amesh Edireweera, Mathilde Warnier, Gregoire Isvarine, William Brand, Apasiri Kulthanan.

Bangkok, Tailândia, 1976. Alan Gautier (Tahar Rahim) se apresenta como negociante de pedras preciosas, porém atrás da máscara esconde um sujeito frio e manipulador que junto com a namorada Monique (Jenna Coleman) e o amigo Ajay (Amesh Edireweera) drogam mochileiros para roubar seu dinheiro e pertences. 

O desaparecimento de um casal de holandeses chama a atenção do diplomata Herman Knippenberg (Billy Howle), que inicia uma investigação sem ajuda da polícia. Quando os corpos dos jovens aparecem carbonizados, Herman fica obcecado em descobrir quem cometeu o crime. 

Baseado em uma sinistra história real, esta minissérie em oito episódios detalha a vida de crimes do protagonista, que utilizava passaportes de suas vítimas parar viajar pelos países da Ásia negociando pedras preciosas com um nome falso, deixando um rastro de mortes pelo caminho. 

A minissérie intercala a narrativa principal em 1976 com flashbacks sobre a vida do criminoso em vários momentos cruciais antes do diplomata holandês seguir sua pista. Um dos destaques é a ótima reconstituição de época, incluindo locações em lugares decadentes da Ásia. 

É curioso que o assassino é interpretado de forma gelada pelo ótimo Tahar Rahim, enquanto o holandês vivido por Billy Howle se deixa levar pelas emoções. 

É mais uma ótima minissérie inglesa que merece ser conhecida.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Boy

 


Boy (Boy, Nova Zelândia, 2010) – Nota 7,5
Direção – Taika Waititi
Elenco – James Rolleston, Te Aho Eketone Whitu, Taika Waititi, Rachel House.

Interior da Nova Zelândia, 1984. O garoto conhecido como Boy (James Rolleston) vive com a avó e o irmão menor Rocky (Te Aho Eketone Whitu). 

Falante, esperto e fã de Michael Jackson, Boy sonha em conquistar uma garota de sua classe e também em reencontrar o pai que está preso (Taika Waititi). Quando o pai reaparece, Boy percebe que o homem está longe de ser o herói que ele imaginava. 

Antes de dirigir o sensacional “Jojo Rabbit” e o ótimo “A Incrível Aventura de Ricky Baker”, o diretor, roteirista e ator Taiki Waititi entregou este simpático longa sobre família e sonhos infantis. 

O roteiro consegue mesclar bem o drama do sofrimento do irmão pela perda da mãe e a desilusão do protagonista com as atitudes do pai, com sequências divertidas e inusitadas envolvendo os garotos e os amigos da escola. A sequência musical nos créditos finais é impagável. 

É um filme que merece ser conhecido e que mostra toda a criatividade de Taika Waititi.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Durante a Tormenta

 


Durante a Tormenta (Durante la Tormenta, Espanha, 2018) – Nota 7,5
Direção – Oriol Paulo
Elenco – Adriana Ugarte, Chino Darin, Javier Gutierrez, Álvaro Morte, Nora Navas, Miquel Fernandez, Clara Segura, Francesc Orella, Ana Wagener, Belen Rueda.

Espanha, oito de novembro de 1989, dia em que caiu o Muro de Berlim. O garoto Nico percebe algo estranho na casa do vizinho, resolve investigar e a situação termina em tragédia. 

Vinte e cinco anos depois, a enfermeira Vera (Adriana Ugarte) e seu marido David (Álvaro Morte) mudam para a mesma casa onde vivia o garoto. Vera encontra em um armário uma velha tv e fitas de vídeo. Ao assistir, ela terá uma enorme surpresa que a fará tentar mudar o curso natural da vida. 

O diretor e roteirista espanhol Oriol Paulo é um dos cineastas mais criativos que surgiram nos últimos anos. Mesmo sem ser tão espetacular como “Contratiempo” e “El Cuerpo”, este “Durante a Tormenta” tem uma complexa trama ligando duas épocas diferentes com toques de ficção. 

É o tipo de filme em que a protagonista sofre para convencer os personagens ao seu redor de que está falando a verdade. 

O único ponto que pode incomodar é que chega a ser fácil entender a motivação de um dos personagens e sua ligação com o passado. Mas com certeza é um suspense que agradará aos fãs do gênero.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

O Mistério das Duas Irmãs & Relíquia Macabra

 


O Mistério das Duas Irmãs (The Uninvited, EUA / Canadá / Alemanha, 2009) – Nota 6,5
Direção – The Guard Brothers (Charles & Thomas Guard)
Elenco – Emily Browning, Arielle Kebbel, David Straithairn, Elizabeth Banks, Maya Massar, Kevin McNulty.

Após passar algum tempo em uma instituição psiquiátrica por causa do trama pela morte da mãe, a jovem Anna (Emily Browning) volta para casa. Ela encontra o pai (David Straithairn) vivendo com a ex-cuidadora da mãe (Elizabetha Banks). Na casa também vive sua irmã Alex (Arielle Kebbel), que acredita que a mãe foi assassinada pela futura madrasta. 

Este suspense é até agora o único longa dirigido pelos irmãos Guard, que conseguiram criar boas sequências de suspense mescladas com clichês do gênero, principalmente as alucinações da protagonista que deixam dúvida sobre o que realmente está acontecendo até a habitual reviravolta final.

Relíquia Macabra (Relic, Austrália / EUA, 2020) – Nota 5,5
Direção – Natalie Erika James
Elenco – Emily Mortimer, Robyn Nevin, Bella Heathcote.

Após a mãe (Robyn Nevin) desaparecer de sua casa no interior da Austrália, sua filha Kay (Emily Mortimer) e a neta Sam (Bella Heathcote) seguem para o local. Três dias depois, a mulher reaparece agindo de forma estranha e sem lembrar do que aconteceu. Enquanto tentam entender a situação, Kay e Sam percebem que existe algo de errado na casa. 

Este longa mistura o estilo australiano de produções estranhas comuns nos anos setenta, com o gênero atual de terror que tenta assustar através de um clima sinistro. Um dos problemas é o ritmo lento. A primeira hora é arrastada, um verdadeiro sonífero que fará muitos desistirem. O ritmo melhora na meia-hora final, porém jogando na tela algumas sequências violentas sem grandes explicações e um final mais que bizarro. 

Um ponto interessante e também sinistro é a forma simbólica como o roteiro tenta ligar a demência ao terror, mostrando como é assustador ver uma pessoa próxima esquecendo do mundo e mudando de comportamento de forma abrupta.