sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Tickle Head, o Melhor Lugar da Terra & The Etruscan Smile


Tickle Head, o Melhor Lugar da Terra (The Grand Seduction, Canadá, 2013) – Nota 7
Direção – Don McKellar
Elenco – Brendan Gleeson, Taylor Kitsch, Gordon Pinsent, Liane Balaban, Cathy Jones.

Tickle Head é uma pequena e decadente vila de pescadores que estão proibidos de trabalhar por causa de uma lei. A maioria da população vive de cheques enviados pelo governo. A chance de mudar a situação surge quando uma indústria de petróleo indica ter interesse em construir uma fábrica de reciclagem de produtos químicos na região. A exigência principal é que a vila contrate um médico para morar no local.

Um determinado fato faz com que o médico Paul Lewis (Taylor Kitsch) seja obrigado a cumprir horas com a justiça trabalhando na vila por um mês. Liderados por Murray (Brendan Gleeson), os moradores criam uma verdadeira missão de espionagem para descobrir os desejos do médico e seduzi-lo para que ele fique em definitivo no local.

Este longa é uma refilmagem de outra produção canadense de 2005 que tinha o mesmo título original, sendo traduzido aqui como “A Grande Sedução”. Não vi o original para comparar, mas gostei bastante da premissa e da farsa criada pelo protagonista para seduzir o médico.

Algumas situações resolvidas de forma fácil demais não chegam a atrapalhar, principalmente pela simpatia dos personagens. O estilo da narrativa e a farsa lembram o superior “A Fortuna deNed”, que se passava em um povoado na Irlanda.

O resultado é um filme simples e inofensivo.

The Etruscan Smile (The Etruscan Smile, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Oded Binnun & Mihal Brezis
Elenco – Brian Cox, JJ Feild, Thora Birch, Rosanna Arquette, Treat Williams, Tim Matheson, Peter Coyote, Josh Stamberg.

Rory MacNeill (Brian Cox) passou toda sua vida em uma pequena vila na costa da Escócia. Viúvo e com indícios de que está doente, Rory decide ir para San Francisco encontrar seu filho Ian (JJ Feild) e fazer exames. 

O homem bruto, simples e inteligente rapidamente percebe que a aparente vida perfeita de Ian com a esposa Emily (Thora Birch) esconde um casal infeliz que não sabe como criar o filho que ainda é bebê. As diferenças de pensamento e valores vem à tona, dificultando a relação. 

Este longa segue o estilo das adaptações de livros sobre relações familiares que são sucesso entre o público ávido por tramas edificantes. O filme não é ruim, porém a história é totalmente previsível ao explorar o clichê do sujeito simples que se mostra mais sábio que o filho, mesmo com este último tendo saído de uma cidade no fim do mundo e conseguido se infiltrar na alta sociedade americana. 

O destaque fica para a atuação marcante de Brian Cox, ótimo ator que não tem tanta fama quanto merece, talvez por ter passado quase toda a carreira como coadjuvante. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Máquinas Mortais

Máquinas Mortais (Mortal Engines, EUA / Nova Zelândia, 2018) – Nota 6,5
Direção – Christian Rivers
Elenco – Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving, Jihae, Ronan Raferty, Leila George, Patrick Malahide, Colin Salmon.

Em um futuro pós-apocalíptico, as cidades se tornaram móveis, utilizando rodas e engrenagens para fugirem das chamadas “cidades predadoras” que buscam roubar seus recursos e destruí-las. 

Em meio a este mundo, a jovem Hester Shaw (Hera Hilmar) pretende assassinar Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), um dos líderes de uma cidade predadora. 

Seus planos são abortados pela ação do ingênuo historiador Tom (Robert Sheehan), que não sabe a verdade sobre Thaddeus. O fato faz com que Hester e Tom sejam obrigados a se unir para sobreviver. 

Este longa baseado em um livro de ficção fez algum barulho antes de ser lançado por ter Peter Jackson da trilogia “Senhor dos Anéis” como um dos produtores. A participação de Jackson parece ter servido apenas como marketing e na questão dos ótimos efeitos especiais, enquanto o desenvolvimento do roteiro e dos personagens deixam bastante a desejar. 

A história é claramente inspirada na saga “Star Wars”. Várias situações e soluções remetem aos filmes de George Lucas, porém desenvolvidas de uma forma confusa e sem grandes explicações. Os personagens sem carisma e o elenco fraco atrapalham bastante também. 

O filme prende atenção pela questão técnica e pelas cenas de ação, mas infelizmente é uma obra descartável e esquecível.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Coringa

Coringa (Joker, EUA / Canadá, 2019) – Nota 9
Direção – Todd Phillips
Elenco – Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Francis Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Glenn Fleshler, Leigh Gill, Josh Pais.

Gotham City, 1981. Na sequência inicial vemos uma cidade imunda por causa da greve dos lixeiros e um palhaço trabalhando em frente a uma loja. Ele tem seu cartaz de propaganda roubado por moleques, persegue os jovens meliantes e termina espancado. 

Em seguida descobrimos que o palhaço é Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um sujeito estranho, com dificuldade para se expressar e que vive com a mãe doente (Francis Conroy). Seu jeito de ser o faz enfrentar humilhações das mais variadas formas, situações que vão transformando aos poucos sua personalidade. 

A atuação insana e sensacional de Joaquin Phoenix já pode ser considerada clássica. Seus olhares, suas reações, a sinistra risada nervosa e as sequências de dança são perfeitas para a proposta do roteiro e da direção do surpreendente Todd Phillips. 

Com uma carreira toda voltada para comédias, a escolha de Todd Phillips para comandar este longa a princípio parecia um grande erro, porém a forma como a história foi desenvolvida misturando drama, comédia e tragédia mudou totalmente a percepção. 

Ele conseguiu criar um longa que critica toda a loucura do mundo atual sem apelar para ideologias ou vitimismo. O sofrimento enfrentado pelo protagonista independe de sistema político, o que vemos é a pior face do ser humano quando este quer defender seus interesses. 

O falso amigo que oferece a arma, a mãe manipuladora, o empregador que diz estar ajudando mas que trata pessimamente o funcionário, o político mentiroso e o apresentador canalha também vivido com maestria pelo grande Robert De Niro são várias faces da mesma moeda. 

O filme também é um exemplo de que existe espaço para que quadrinhos sejam adaptados de uma forma adulta, buscando um público diferente daquele que gosta do clássico embate entre o bem e o mal recheado de efeitos especiais. Quanto mais variadas as opções, maiores as chances de surgirem grandes filmes como este.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Operação Overlord

Operação Overlord (Overlord, EUA / Canadá, 2018) – Nota 7
Direção – Julius Avery
Elenco – Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier, Pilou Asbaek, John Magaro, Iain De Caestecker, Jacob Anderson, Dominic Applewhite.

Segunda Guerra Mundial, Dia D. Um grupo de paraquedistas americanos tem a missão de destruir uma torre de comunicação utilizada pelos nazistas em uma pequena vila francesa. 

Os poucos soldados que sobrevivem ao salto estão com medo, porém preparados para enfrentar os nazistas. Eles não imaginam que encontrarão algo ainda mais aterrador do que inimigos armados. 

Esta mistura de guerra com ficção e terror resulta em um competente filme repleto de ação e sangue. O roteiro escrito pelo também diretor Billy Ray (“Olhos da Justiça”) explora o fato real do avanço dos aliados no Dia D em meio as bizarras histórias e lendas envolvendo experimentos científicos nazistas. 

Não espere grandes reviravoltas ou personagens complexos, o foco principal são as sequências ação, que por sinal foram muito bem filmadas.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Labirinto de Mentiras

Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens, Alemanha, 2014) – Nota 7,5
Direção – Giulio Ricciarelli
Elenco – Alexander Fehling, André Szymanski, Friederike Becht, Johannes Krisch, Johann von Bullow, Gert Voss.

Frankfurt, Alemanha, 1958. Johann Radmann (Alexander Fehling) é um jovem promotor público relegado a atuar em pequenos casos de infrações. 

Quando o jornalista Thomas Gnielka (André Szymanski) tenta denunciar um ex-oficial nazista que está trabalhando como professor em um colégio de crianças e acaba ignorado por outros promotores, Radmann se mostra curioso com o caso. 

Aos poucos, o jovem percebe que os crimes cometidos por muitos nazistas foram jogados debaixo do tapete. Seu desejo em descobrir a verdade desperta a atenção de seu chefe de origem judaica. O veterano Fritz Bauer (Gert Voss) encarrega Radmann de investigar e se possível levar os criminosos nazistas a julgamento. 

Este longa explora a história real da investigação que levou diversos ex-nazistas a julgamento dentro da Alemanha utilizando dois personagens reais e um fictício. O promotor-chefe Fritz Bauer e o jornalista Thomas Gnielka foram alguns dos responsáveis pela caça ao criminosos, enquanto Johann Radmann foi criado para o filme como uma espécie de homenagem aos vários promotores que participaram do caso. 

O roteiro utiliza este personagem para mostrar como a geração que veio após o final da Segunda Guerra pouco sabia ou se interessava pelo ocorrido, com muitos ignorando o que realmente aconteceu nos campos de concentração. 

É interessante também a questão pouco citada sobre o que aconteceu com os soldados alemães após a guerra. Os que sobreviveram voltaram para suas vidas normais, muitos deles após cometerem crimes terríveis durante a guerra. A tentativa de enterrar o passado não funcionou para todos.

domingo, 13 de outubro de 2019

Spinning Man: Em Busca da Verdade

Spinning Man: Em Busca da Verdade (Spinning Man, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Simon Kaijser
Elenco – Guy Pearce, Pierce Brosnan, Minnie Driver, Alexandra Shipp, Odeya Rush, Jamie Kennedy, Clark Gregg, Sean Blakemore.

Uma adolescente (Odeya Rush) desaparece. A única pista leva ao professor universitário Evan Birch (Guy Pearce), que teria sido visto em seu carro próximo ao local do desaparecimento. 

O aparente pai de família correto se enrola ao tentar atrapalhar o trabalho do minucioso detetive Malloy (Pierce Brosnan), ao mesmo tempo em que começa a levantar suspeitas de sua própria esposa (Minnie Driver). 

O filme segue o estilo clássico dos suspenses policiais em que um protagonista que esconde segredos deixa o espectador em dúvida sobre ter ou não cometido o crime. Não tem muito mais o que falar do filme, a história entrega pequenas pistas para deixar o espectador continuar na dúvida até chegar ao ambíguo final, talvez sendo este o maior erro do roteiro. 

O elenco tem atuações aceitáveis, com a curiosidade de rever a sumida Minnie Driver, atriz que teve alguns lampejos de sucesso nos anos noventa e que nos últimos anos esteve relegada a papéis sem grande destaque na tv.

sábado, 12 de outubro de 2019

Gotti (1996 & 2018)


Gotti – No Comando da Máfia (Gotti, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Robert Harmon
Elenco – Armand Assante, William Forsythe, Richard C. Sarafian, Frank Vincent, Anthony Quinn, Dominic Chianese, Scott Cohen, Vincent Pastore, Tony Sirico, Al Waxman, Alberta Watson.

Nova York, 1973. O bandido de rua John Gotti (Armand Assante) é preso e assume sozinho a culpa por um crime, salvando a pele de um mafioso. Ao sair da cadeia ele entra para a família mafiosa Gambino, liderada por Paul Castellano (o diretor Richard C. Sarafian). Com o passar dos anos Gotti ganha poder dentro da família, planejando às escondidas um golpe para se tornar o chefão.

A vida real do mafioso John Gotti parece ter sido escrita para o cinema. É uma história de ascensão e queda repleta de violência, dinheiro e traições. Este longa detalha toda a trajetória de Gotti através de uma narrativa que explora muito bem os coadjuvantes, principalmente Sammy “The Bull” Gravano (William Forsythe) que se tornou o principal culpado pela queda do chefe e de vários outros mafiosos.

Outro destaque são as interpretações do elenco recheado de ítalo-americanos, perfeitos para os papéis de mafiosos. Este filme por sinal pode ser considerado uma prévia do seriado “A Família Soprano”. Frank Vincent, Dominic Chianese, Tony Sirico e Vincent Pastore que trabalham aqui, se tornaram também figuras importantes na série.

Vale citar que este longa é uma da produção da HBO, assim como "A Família Soprano".

Gotti: O Chefe da Máfia (Gotti, EUA, 2018) – Nota 4,5
Direção – Kevin Connolly
Elenco – John Travolta, Spencer Rocco Lofranco, Stacy Keach, Kelly Preston, Pruitt Taylor Vince, William DeMeo, Leo Rossi, Rhys Coiro, Christopher Kerson, Chris Mulkey.

Em 1999, John Gotti (John Travolta) que fora o chefão da família mafiosa Gambino está à beira da morte na prisão. Ele recebe a visita do filho (Spencer Rocco Lofranco) que está sendo processado e que negocia um acordo com os promotores para tentar escapar da cadeia.

A conversa entre pai e filho abre o caminho para flashbacks, que voltam para os anos setenta quando Gotti começou a crescer na família Gambino seguindo até o golpe que ele deu nos anos noventa para tomar o poder, fato que algum tempo depois rendeu uma sentença de prisão perpétua. 

Pouca coisa se salva nesta nova versão da vida de Gotti. O filme até começa interessante ao colocar o protagonista narrando sua história em off e citando que está morto. Seus diálogos com o personagem do veteraníssimo Stacy Keach é outro ponto positivo, porém fica nisso. 

A narrativa é extremamente confusa na linha do tempo e com várias situações sendo atropeladas por outras sem muita explicação. Para quem não conhece a história verdadeira, fica bastante complicado entender os detalhes do que aconteceu e principalmente a importância de alguns coadjuvantes. 

Para deixar tudo ainda pior, uma barulhenta trilha sonora chega a irritar por passar a impressão de estar totalmente fora do contexto do que é mostrado nela. 

O resultado é mais uma bomba na carreira de John Travolta e uma bola fora na de diretor do ator Kevin Connolly, conhecido por seu papel na série “Entourage”.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Marcação Cerrada

Marcação Cerrada (Varsity Blues, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – Brian Robbins
Elenco – James Van Der Beek, Jon Voight, Paul Walker, Ron Lester, Scott Caan, Amy Smart, Ali Larter, Richard Lineback, Eliel Swinton, Jesse Plemons.

Uma pequena cidade do Texas tem como seu grande orgulho o time de futebol americano colegial. Várias vezes campeão regional e duas vezes estadual, o treinador Kilmer (Jon Voight) é um espécie de Deus na cidade. 

Prestes a ganhar mais um título, Kilmer é obrigado a dar chance como quarterback ao jovem Mox (James Van Der Beek) após o astro da equipe (Paul Walker) sofrer uma séria lesão no joelho. O problema é que Kilmer não confia em Mox, que por seu lado não vê o esporte como prioridade. 

Este interessante drama esportivo muda o foco dos filmes em que o treinador é um exemplo que muda a vida dos atletas. Aqui logo se percebe que o treinador vivido por Jon Voight é um egocêntrico que deseja vencer de qualquer forma, tratando os jogadores como objetos. O personagem de James Van Der Beek se torna seu oponente ao bater de frente com seus métodos e suas ideias. 

O roteiro acerta também nas situações paralelas. Mesmo não se aprofundando, ele mostra como o esporte pode ser a única saída para uma vida melhor encontrada por jovens que não terão outra chance de ir para universidade e também para garotas que “colam” nestes atletas como se eles fossem a passagem para sair da cidade. 

É curioso que no elenco de rostos conhecidos como Scott Caan, Amy Smart e Ali Larter, na época o mais promissor era James Van Der Beek, que hoje tem uma carreira bastante irregular, enquanto o falecido Paul Walker que era coadjuvante se tornou o mais famoso do grupo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

City of Lies

City of Lies (City of Lies, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Brad Furman
Elenco – Johnny Depp, Forest Whitaker, Toby Huss, Dayton Callie, Neil Brown Jr, Shea Whigham, Louis Herthum, Xander Berkeley, Laurence Mason, Michael Paré, Glenn Plummer.

Los Angeles, 2015. O jornalista Jack Jackson (Forest Whitaker) tem a missão de escrever uma matéria sobre os assassinatos dos rappers Tupac Shakur em 1996 e Notorious B.I.G. em 1997. 

Jack procura o detetive aposentado Russell Poole (Johnny Depp), que investigou os casos na época e não conseguiu resolvê-los. Rapidamente, Russell refuta a teoria de que os assassinatos tinham sido reflexo de um briga entre os rappers, lenda que circula até hoje. 

Querendo saber o que realmente ocorreu, Jack convence o detetive a contar sua versão da investigação. O roteiro volta para 1997, quando um briga de trânsito entre dois policiais à paisana termina com a morte de um deles. A briga e o assassinato são o estopim de uma investigação que levou Russell a bater de frente com uma rede de corrupção policial que estaria ligada as mortes dos rappers. 

Baseado numa história real, este competente longa policial detalha uma versão sobre os dois assassinatos envolvendo várias personagens do submundo, pessoas ligadas aos rappers e policiais corruptos. 

A narrativa segue a linha investigativa, entregando pequenas respostas a cada nova ação e tentando desembaralhar uma trama extremamente complexa. 

Como é habitual, vale destacar a atuação de Johnny Depp em dois momentos distintos. Nos dias atuais como o policial cansado, aposentado e frustrado e no passado como o detetive minucioso que acreditava ter chance de chegar até o final do caso. 

Para quem gosta de obras policiais focadas em investigação, este longa é um boa opção.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O Terremoto

O Terremoto (Skjelvet, Noruega, 2018) – Nota 7
Direção – John Andreas Andersen
Elenco – Kristoffer Joner, Ane Dahl Torp, Edith Haagerund Sande, Kathrine Thorborg Johansen, Jonas Hoff Oftebro.

Três anos após sobreviver a uma tragédia natural em sua cidade no interior da Noruega, Kristian (Kristoffer Joner) está vivendo sozinho na mesma região, enquanto sua esposa (Ane Dahl Torp) e o casal de filhos mudaram para Oslo. 

Obcecado em prevenir um novo terremoto, Kristian passa seus dias monitorando a região. Quando um antigo colega morre em um acidente dentro de um túnel e em seguida ele recebe uma correspondência do falecido, Kristian chega a conclusão de que um gigantesco terremoto está prestes a ocorrer em Oslo. Desesperado, ele tenta avisar outros antigos colegas de trabalho e também salvar sua família. 

O filme segue o mesmo estilo de “A Onda” de 2015, com a diferença de levar a tragédia de um montanha para o centro de uma grande cidade. O clima de suspense é muito bem construído, assim como a correria do protagonista em busca da esposa e dos filhos. 

O espectador que não se importar com os exageros da sequência final dentro do edifício vai se divertir com o estilo de cinema-catástrofe.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Íntimo e Pessoal

Íntimo & Pessoal (Up Close & Personal, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – Jon Avnet
Elenco – Robert Redford, Michelle Pfeiffer, Stockard Channing, Joe Mantegna, Kate Nelligan, Glenn Plummer, James Rebhorn, Scott Bryce, Raymond Cruz, Dedee Pfeiffer, Miguel Sandoval, Noble Willingham, James Karen, Brian Markinson.

Tally Atwater (Michelle Pfeiffer) é uma jovem do interior que após enviar fitas de vídeo para diversos canais de tv acaba contratada por uma emissora de Miami. 

Totalmente inexperiente, Tally sofre no início do trabalho, mas logo se torna protegida do jornalista Warren Justice (Robert Redford) que comanda os programas do canal. A relação profissional se transforma em romance, ao mesmo tempo em que Tally começa a ver sua carreira decolar. 

O projeto deste filme começou sendo voltado para focar na vida de Jessica Savitch, uma jornalista que foi a primeira mulher a se tornar âncora na tv americana. Como a história real era pesada, bem diferente do glamour da tv, os produtores modificaram completamente o roteiro transformando o longa em um drama romântico água-com-açúcar. 

O roteiro dá algumas pinceladas em temas polêmicos como favorecimento por causa de relacionamento, inveja entre celebridades de tv e a mudança de foco no jornalismo da época, que começava a deixar de lado a seriedade comum dos telejornais ao inserir notícias amenas e misturá-las com entretenimento. Tudo isso é mostrado de forma rasa e se perde em meio ao romance que não convence, além de finalizar a história em uma sequência totalmente piegas. 

O destaque principal do longa é o ótimo elenco.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Creed II

Creed II (Creed II, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Steven Kaple Jr.
Elenco – Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Dolph Lundgreen, Florian Munteanu, Russell Hornsby, Wood Harris, Milo Ventimiglia, Brigitte Nielsen.

Três anos após se tornar campeão mundial, Adonis Creed (Michael B. Jordan) coloca seu título em jogo e consegue mantê-lo mesmo apanhando bastante. 

A insegurança em voltar a lutar é colocada à prova quando o ex-lutador russo Ivan Drago (Dolph Lundgreen) lança seu filho Viktor (Florian Munteanu) como oponente em disputa do título. 

Adonis tenta convencer Rocky (Sylvester Stallone) a aceitar o desafio de treiná-lo, assim como também precisa lidar com a resistência de sua noiva (Tessa Thompson). 

Se o longa original apresentava um roteiro que explorava os clichês da série “Rocky” de forma criativa dando uma nova cara à franquia, por outro lado esta sequência praticamente copia a história de “Rocky IV”, adaptando paras os dias atuais e colocando a nova geração de lutadores como oponentes. 

O filme é correto, as sequências de luta são bem filmadas e o drama fora dos ringues é aceitável, porém tudo extremamente previsível. Ao que parece a franquia chegou ao seu limite em termos de criatividade.

domingo, 6 de outubro de 2019

Caçada Brutal & Perigo na Montanha


Caçada Brutal (First Kill, Inglaterra / EUA / Canadá, 2017) – Nota 5,5
Direção – Steven C. Miller
Elenco – Hayden Christensen, Bruce Willis, Ty Shelton, Megan Leonard, Gethin Anthony, William DeMeo.

O executivo Will (Hayden Christensen) viaja com sua esposa Laura (Megan Leonard) e o filho Danny (Ty Sheldon) para passar o final de semana em sua cidade natal e ensinar o garoto a caçar. Durante a caçada na floresta, Will se torna testemunha de uma negociação entre criminosos e termina matando um deles. Uma nova decisão ruim faz com que ele e seu filho se tornem alvos das pessoas que desejam recuperar uma fortuna que foi roubada de um banco.

O diretor Steven C. Miller é especialista em filmes policiais genéricos recheados de brigas e tiroteios, tendo em comum sempre um roteiro repleto de clichês. Em três destes trabalhos ele teve a ajuda do astro Bruce Willis em papéis de coadjuvante. Aqui Willis é o chefe de polícia que investiga o crime, entregando mais uma atuação pra lá de canastrona.

Vale citar ainda o péssimo Hayden Christensen como protagonista, ator que teve uma enorme chance de se tornar astro com a franquia “Star Wars”, mas a cada novo trabalho comprova sua falta de talento.

O filme acaba ganhando pontos pelo ritmo ágil e algumas boas cenas de ação e violência, além da locação numa daquelas cidadezinhas americanas rodeada por uma floresta. O resultado é um filme agitado e descartável.

Perigo na Montanha (Braven, Canadá, 2018) – Nota 6
Direção – Lin Oeding
Elenco – Jason Momoa, Garret Dillahunt, Stephen Lang, Jill Wagner, Brendan Fletcher, Sasha Rossof.

Joe Braven (Jason Momoa) é o supervisor de uma empresa de exploração de madeiras na floresta do Canadá. Ao decidir levar o pai (Stephen Lang) para passar um dia na cabana da família em um local isolado pensando em resolver um problema familiar, Joe não imagina que seu funcionário Weston (Brendan Fletcher) escondeu um carregamento de drogas no local. Joe e seu pai se tornam alvos de uma quadrilha de traficantes liderada por Kassen (Garret Dillahunt). 

A história não apresenta surpresas, seguindo o estilo dos filmes de ação e suspense B, porém com o atrativo das locações na floresta gelada e as boas sequências de violência e correria. 

É um razoável passatempo para quem deseja um filme rápido e agitado.

sábado, 5 de outubro de 2019

O Novo Mundo

O Novo Mundo (The New World, EUA / Inglaterra, 2005) – Nota 7
Direção – Terrence Malick
Elenco – Colin Farrell, Q’orianka Kilcher, Christopher Plummer, Christian Bale, August Schellenberg, Wes Studi, David Thewlis, Yorick van Wageningen, Raoul Max Trujillo, Michael Greyeyes, Kalani Queypo, Ben Mendelsohn, Noah Taylor, Brian F. O’Byrne, Ben Chaplin, Eddie Marsan, Jake Curran, John Savage.

Em 1607, dois navios ingleses chegaram na costa da Virginia. O comandante (Christopher Plummer) tem como missão criar uma colônia. A princípio vistos com curiosidade pelos indígenas e tratados de forma pacífica, tudo muda quando um incidente dá início a um conflito. 

Enquanto o comandante volta para Inglaterra em busca de suprimentos e pessoas, os colonos ficam sob a liderança do Capitão Smith (Colin Farrell), que termina se envolvendo com a índia Pocahontas (Q’orianka Kilcher). 

Este longa foi o segundo trabalho do diretor Terrence Malick após o hiato de vinte anos sem filmar. Seu trabalho anterior foi sete anos antes com o  belíssimo e também extremamente lento “Além da Linha Vermelha”. 

Este “O Novo Mundo” tem vários semelhanças com o filme citado, principalmente na questão da fotografia explorando as locações naturais, além do conflito que resulta em competentes sequências de violência. 

A narrativa fica um pouco cansativa na parte final quando entra em cena o personagem de Christian Bale e a história segue definitivamente para o drama. 

Na comparação com os trabalhos seguintes do diretor como os tremendamente chatos “Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”, este longa se mostra muito mais interessante.