sexta-feira, 19 de abril de 2019

Jogador Nº 1

Jogador Nº 1 (Ready Player One, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller, Simon Pegg, Mark Rylance, Philip Zao, Win Morisaki, Ralph Ineson, Susan Lynch, Hannah John Kamen, Perdita Weeks.

Cleveland, 2045. Muitas pessoas moram em uma espécie de favela vertical e passam o dia vivendo uma realidade virtual através de um jogo chamado “Oasis” em que as pessoas criam seus próprios personagens. 

A morte do criador do jogo (Mark Rylance) deixa em aberto um enigma. Quem conseguir encontrar três chaves será o vencedor que receberá todas as ações da megacorporação proprietária do game. 

Enquanto uma corporação concorrente treina centenas de pessoas para resolverem o enigma, o jovem Wade (Tye Sheridan) e alguns amigos virtuais lutam também para serem os vencedores. 

Spielberg retorna as aventuras adolescentes utilizando uma roupagem atual voltada para a nova geração que adora os games. Ele consegue dividir a narrativa e as várias sequências de ação entre o mundo virtual e o real de forma competente nos dois formatos. 

As sequências virtuais agradam até mesmo quem não curte muito o estilo, como é o meu caso. As cenas no mundo real tem o selo Spielberg de qualidade. 

Está longe de ser sensacional como outros grandes trabalhos do diretor, mas por outro lado comprova que os efeitos por computador podem render filmes de qualidade desde que tenham uma boa história e um diretor com criatividade e talento.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O Mistério de Silver Lake

O Mistério de Silver Lake (Under the Silver Lake, EUA, 2018) – Nota 4
Direção – David Robert Mitchell
Elenco – Andrew Garfield, Riley Keough, Topher Grace, Rex Linn, Jimmi Simpson, Jeremy Bobb, Zosia Mamet.

Não é comum acontecer, mas vez ou outra após dez minutos de filme algo me diz que o melhor seria desistir e partir para outro. Este filme foi um destes casos, mas por teimosia e curiosidade decidi ver até o final. O resultado foram duas horas e vinte minutos desperdiçadas em um filme totalmente sem sentido. 

O diretor David Robert Mitchell recebeu elogios pelo superestimado “Corrente do Mal” e provavelmente acreditou que poderia copiar o estilo maluco de David Lynch, que por sinal eu também não gosto. Fica complicado até explicar a premissa. 

Um desempregado (Andrew Garfield) mora em um condomínio simples, passa o dia fumando maconha e observando mulheres na piscina. Ele se aproxima de uma vizinha (Riley Keough), que no dia seguinte desaparece.

O sujeito decide investigar o paradeiro da garota cruzando o caminho de personagens estranhos e situações bizarras. Ele frequenta festas modernas, se envolve no desaparecimento de um empresário, encontra um estranho compositor, entre várias outras situações sem muita explicação. 

O filme é uma total perda de tempo para o espectador.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Oh Lucy! & Jantar com Beatriz


Oh Lucy! (Oh Lucy!, Japão / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Atsuko Hirayanagi
Elenco – Shinobu Terajima, Josh Hartnett, Kaho Minami, Koji Yakusho, Shioli Kutsuna, Megan Mullaly, Reylo Aylesworth.

Em Tóquio, Setsuko (Shinobu Terajima) é uma solitária funcionária de um escritório que fica empolgada ao começar um bizarro curso de inglês indicado por sua sobrinha (Shioli Kutsuna). Setsuko se sente atraído pelo professor americano (Josh Hartnett), que tem o hábito de abraçar as alunos para criar um laço. 

Quando o professor e sua sobrinha fogem juntos para Los Angeles, ela e sua irmã (Kaho Minami) que se odeiam, decidem viajar para os EUA à procura do casal. É o início de uma complicada aventura em um país completamente novo. 

Este sensível drama tem semelhanças com o ainda mais estranho “Kumiko – A Caçadora de Tesouros”. A personagem principal aqui é uma pessoa cheia de defeitos, com atitudes incomuns e que vê no professor a chance de encontrar o amor. 

O roteiro utiliza a carência da personagem como combustível para criar sequências engraçadas, outras tristes e algumas constrangedoras, além de um final surpreendente. 

A diretora Atsuko Hirayanagi estreia no cinema adaptando a história que ela mesma filmou como curta-metragem três anos antes. Destaque para a atuação de Shinobu Terajima, perfeita como a atormentada protagonista.

Jantar com Beatriz (Beatriz at Dinner, EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Miguel Arteta
Elenco – Salma Hayek, John Lithgow, Connie Britton, Jay Duplass, Amy Landecker, Chloe Sevigny, David Warshofsky.

Em Los Angeles, Beatriz (Salma Hayek) é uma imigrante especializada em medicina alternativa que ajuda pacientes em um hospital. Uma de suas clientes é Kathy (Connie Britton), que mora em uma mansão e que aparentemente a considera uma amiga por ter ajudado a tratar de sua filha adolescente quando esta teve câncer. 

Após uma sessão de rotina com Kathy, Beatriz não consegue ir embora porque seu carro apresenta um problema. Kathy convida Beatriz para passar a noite na casa e até participar do jantar com dois casais de amigos. Não demora para as diferenças sociais e de valores virem à tona. 

O roteiro escrito pelo ator e diretor Mike White foca no desgastado tema da luta de classes e na diferença de valores entre as pessoas. Infelizmente o roteiro deixa bastante a desejar. Ele explora os clichês dos personagens masculinos ricos e inescrupulosos e as personagens femininas alienadas, enquanto a moral verdadeira estaria na simples trabalhadora vivida por Salma Hayek. 

Mesmo com o ponto alto do longa sendo as discussões entre Salma Hayek e o empresário interpretado com cinismo por John Lithgow, a história jamais decola. É um filme que beira o politicamente correto de uma forma ingênua.   

terça-feira, 16 de abril de 2019

Expedição Kon Tiki

Expedição Kon Tiki (Kon-Tiki, Inglaterra / Noruega / Dinamarca / Alemanha / Suécia, 2012) – Nota 7
Direção – Joachim Ronning & Espen Sandberg
Elenco – Pal Sverre Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Tobias Santelman, Gustaf Skarsgard, Odd Magnus Williamson, Jakob Oftebro, Agnes Kittelsen.

Polinésia, 1937. O jovem norueguês Thor Heyerdahl (Pal Sverre Hagen) e sua esposa Liv (Agnes Kittelsen) vivem em meio aos nativos.

Quando um ancião conta que seus ancestrais vieram pelo mar através do leste, da América do Sul, ou seja, mudando completamente a história oficial de que o povo local seria proveniente da Ásia, Thor fica obcecado em provar o fato. 

Desacreditado pelos historiadores da época, Thor decide embarcar numa aventura maluca. Depois de dez anos buscando financiamento para viagem, ele consegue o dinheiro junto ao governo do Peru.

Ao lado de cinco amigos, Thor monta uma enorme jangada para recriar a jornada que teria sido feita pelo Deus Tiki, saindo do Peru e velejando sem motores até a Polinésia. 

Esta história real é com certeza uma das aventuras mais malucas da história do mundo e ao mesmo tempo uma grande feito. A jornada de cem dias por mar aberto com uma jangada é detalhada sem muitas surpresas na questão dos conflitos entre os personagens. Os destaques ficam para as sequências mais tensas envolvendo tubarões e as cenas em meio a tempestade. 

O protagonista é mostrado como um sujeito arrogante e obcecado, que enfrentava seus próprios medos em busca do objetivo de entrar para a história. 

É um longa indicado para quem gosta de aventuras reais.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Quase Deuses

Quase Deuses (Something the Lord Made, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Joseph Sargent
Elenco – Alan Rickman, Mos Def, Kyra Sedgwick, Gabrielle Union, Merritt Weaver, Clayton LeBouef, Charles S. Dutton, Mary Stuart Masterson.

Nashville, anos trinta. Vivien Thomas (Mos Def) é um marceneiro que fica desempregado por conta da crise que passa o país. Sonhando em se tornar médico, porém com pouco dinheiro, Thomas consegue um emprego como faxineiro no laboratório da universidade da cidade. 

Sua inteligência e talento com as mãos chama a atenção do cirurgião e também pesquisador Alfred Blalock (Alan Rickman), que o transforma em seu assistente. É o início de uma parceria de mais de trinta anos, tendo como ponto alto a primeira cirurgia de coração realizada na história da medicina. 

Produzido pela HBO, este longa é basicamente uma biografia da dupla de médicos, com destaque para a luta de Vivien Thomas contra o preconceito por ser negro em meio a uma profissão de elite na época.

O filme deixa claro que o sucesso de Blalock se deve em grande parte ao talento de Thomas, que por muitos anos viveu à margem da fama do colega. 

Mesmo com um roteiro didático, o filme ganha pontos pela história em si e por não ser panfletário em relação ao preconceito ou vitimismo. A proposta é mostrar que o preconceito era uma triste realidade na época.

domingo, 14 de abril de 2019

Um Ato de Esperança

Um Ato de Esperança (The Children Act, Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Richard Eyre
Elenco – Emma Thompson, Stanley Tucci, Fionn Whitehead, Ben Chaplin, Eileen Walsh, Nikki Amuka Bird, Rosie Cavaliero, Jason Watkins.

Em Londres, Fiona Maye (Emma Thompson) é uma juíza especializada em casos de família. Dedicando praticamente todo seu tempo ao trabalho, Fiona se afastou do marido (Stanley Tucci), que ameaça abandoná-la. 

A crise no casamento reflete nas decisões de Fiona referente o caso do adolescente Adam Henry (Fionn Whitehead), que com o apoio dos pais que são Testemunhas de Jeová se nega a receber uma transfusão de sangue que pode salvar sua vida. 

O roteiro baseado em livro de Ian McEwan tem uma premissa polêmica sobre a questão do conflito entre fé e ciência. O tema é bem desenvolvido na primeira parte do filme durante o julgamento do caso. 

Em um segundo momento a trama toma um rumo diferente, voltado para a questão da perda da fé e a busca de respostas para a vida. Infelizmente o filme se torna arrastado, muito por causa das crises de consciência da protagonista e do jovem doente. A personagem seca de Emma Thompson também não desperta empatia alguma com o espectador. 

É um filme que desperdiça a boa premissa.

sábado, 13 de abril de 2019

O Castelo de Vidro

O Castelo de Vidro (The Glass Castle, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Destin Daniel Cretton
Elenco – Brie Larson, Woody Harrelson, Naomi Watts, Ella Anderson, Max Greenfield, Josh Caras, Sarah Snook, Brigette Lundy Payne.

Jeannette (Brie Larson) é uma colunista social de um jornal em Nova York que está prestes a casar com um executivo (Max Greenfield). A vida aparentemente perfeita esconde um complicado passado familiar. 

Jeannette foi criada com duas irmãs e um irmão em uma família em que seu pai Rex (Woody Harrelson) e sua mãe Rose (Naomi Watts) mudavam constantemente de cidade. Rex vivia de bicos e de pequenos golpes, além de ser alcoólatra. 

A narrativa se divide em dois tempos. O presente em que Jeannette deseja se afastar dos pais e o passado mostrando em flashbacks todos os problemas causados pelo pai. 

O roteiro escrito pelo diretor Destin Daniel Cretton, do ótimo “Temporário 12” também protagonizado por Brie Larson, explora os dramas de uma família que sofre por causa dos problemas psicológicos do pai, que intercala momentos amorosos com os filhos, com outros em que o ódio toma conta. 

Em alguma situações o longa lembra o superior “Capitão Fantástico”, com destaque para o sempre marcante Woody Harrelson como o atormentado e sonhador pai. 

Vale citar que o Castelo de Vidro do título é a casa que o personagem do pai sonha em construir.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

1964: O Brasil Entre Armas e Livros


1964: O Brasil Entre Armas e Livros (Brasil, 2019) – Nota 10
Direção – Lucas Ferrugem, Henrique Viana & Felipe Valerim
Documentário

Os jornalistas do site Brasil Paralelo produziram este documentário que conta em detalhes a história política do Brasil de 1964 até a Constituição de 1988. 

O ponto de partida é o trabalho do jornalista brasileiro Mauro Abranches Kraenski e do polonês Vladimir Petrilak. Eles fizeram uma extensa pesquisa nos arquivos das polícias secretas da antiga Tchecoslováquia, hoje República Tcheca e da Polônia. 

Eles colheram provas que no final dos anos cinquenta e início dos sessenta, estes países com o apoio da União Soviética enviaram espiões para o Brasil com o objetivo de fomentar uma revolução comunista, o que foi abortado com a ação da forças armadas que tomaram o poder em 1964. 

O documentário volta até a eleição de Juscelino Kubitschek em 1955 para detalhar os fatos que levaram o país à beira do caos em 1964. 

Por mais que os produtores sejam da chamada “direita”, apoiando o Livre Mercado e o Capitalismo, o documentário deixa claro também os erros de estratégia cometidos pelos governos militares que se sucederam até o início dos anos oitenta. 

O principal deles foi deixar a “esquerda” dominar as áreas de educação e cultura, transformando assassinos e terroristas em heróis, ou seja, recontando a história de uma forma deturpada. 

Outros absurdos cometidos pela esquerda como o terrível objetivo de transformar o país em uma ditadura do proletariado também é explicado através de depoimentos de diversas pessoas, entre elas os jornalistas William Wack e Percival Pugina, além dos filósofos Luiz Felipe Pondé e Olavo de Carvalho. 

Para quem deseja entender a história do Brasil nas últimas décadas sem o viés ideológico da esquerda, este documentário é uma ótima opção.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Sunderland Até Morrer

Sunderland Até Morrer (Sunderland ‘Til I Die, Inglaterra, 2018) – Nota 8
Documentário com Martin Bain e Chris Coleman

Na cena inicial, durante uma missa um padre reza pedindo sucesso para o time do Sunderland na temporada que está para iniciar.

É meados de 2017, o time foi rebaixado para a segunda divisão inglesa e tentará retornar à elite na nova temporada.

A expectativa por uma boa temporada perde força logo na derrota no primeiro amistoso e desaba a cada novo tropeço no campeonato. 

Para quem acompanha futebol, é muito interessante notar que os erros cometidos pelos dirigentes do Sunderland, pelo treinador e as reações da torcida são iguais ao que ocorre no Brasil. 

Entre os vários problemas mostrados no doc, temos o jogador bêbado falando mal dos companheiros, treinador pedindo contratações, diretor de futebol precisando lidar com orçamento baixo e olheiros confusos indicando muitos jogadores. 

O doc acerta também ao colher depoimentos de torcedores e funcionários do clube que sofrem com a péssima campanha. O torcedores de uma forma passional e os funcionários ainda mais preocupados com medo de perderem o emprego no caso de outro rebaixamento. 

O doc é basicamente uma lição de como não se deve administrar um time de futebol.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Corpo Fechado, Fragmentado & Vidro


Corpo Fechado (Unbreakable, EUA, 2000) – Nota 8
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright Penn, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Eammon Walker, M. Night Shyamalan, James Handy.

Apenas uma pessoa sobrevive a um terrível acidente de trem. David Dunn (Bruce Willis) trabalha como segurança em um estádio e passa por uma crise no casamento com Audrey (Robin Wright Penn). Sem entender como sobreviveu sem um arranhão sequer, David fica intrigado ao receber um cartão perguntando se alguma vez ele ficou doente. 

Ao lado do filho adolescente Joseph (Spencer Treat Clark), ele procura e encontra o autor da pergunta. Elijah Price (Samuel L. Jackson) é um sujeito que sofre de uma rara doença que enfraquece os ossos e por este motivo passou muito tempo de sua vida em casa e nos hospitais, se tornando um expert em histórias em quadrinhos. Elijah acredita que David possa ser um super-herói. 

O diretor e roteirista M. Night Shyamalan transformou esta premissa maluca em um drama sobre a busca de um novo caminho na vida. O angustiado personagem de Bruce Willis precisa montar um quebra-cabeça de lembranças para entender seu papel no mundo, assim como o excêntrico vivido por Samuel L. Jackson busca algo também totalmente fora do comum. 

Como era esperado na época por causa do sucesso de “O Sexto Sentido”, Shyamalan novamente guardou um segredo que é revelado na sequência final.

Fragmentado (Split, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – James McAvoy, Anya Taylor Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Izzi Coffey, Brad William Henke, Sebastian Arcelus.

Um sujeito (James McAvoy) sequestra três garotas que acordam em um quarto de subsolo de um local desconhecido. Para deixar a situação ainda mais sinistra, cada vez que o homem entra no quarto para falar com as garotas, ele demonstra uma personalidade completamente diferente da outra. Duas garotas (Haley Lu Richardson e Jessica Sula) ficam desesperadas, enquanto a terceira chamada Casey (Anya Taylor Joy) tenta se manter fria e analisar a situação para tentar se salvar. 

O roteiro explora duas outras narrativas. Logo, descobrimos que o homem trata do seu distúrbio de múltiplas personalidades com uma veterana psiquiatra (Betty Buckley). A terceira narrativa são flashbacks que mostram a adolescente Casey ainda criança (Izzi Coffey), enfrentando um sério problema familiar. 

Depois de alguns trabalhos que dividiram público e crítico, o diretor M. Night Shyamalan voltou a velha forma com este instigante suspense. O roteiro vai além das tramas sobre psicopatas ao explorar como um trauma pode mudar completamente a forma de uma pessoa encarar a vida ou até mesmo resultar em um distúrbio como o do protagonista. As atitudes do personagem de James McAvoy variam do assustador ao caricato, de acordo com a proposta do roteiro, dando uma ótima oportunidade para o ator demonstrar seu talento. 

Quem curte os trabalhos de Shyamalan ainda terá uma bela surpresa na cena final.

Vidro (Glass, EUA, 2019) – Nota 8
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – James McAvoy, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Sarah Paulson, Anya Taylor Joy, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Luke Kirby, Adam David Thompson, M. Night Shyamalan.

Dezenove anos após o acidente de trem que mudou sua vida, David Dunn (Bruce Willis) utiliza seu dom para resgatar pessoas sequestradas e eliminar bandidos, sempre com ajuda tecnológica de seu filho (Spencer Treat Clark). Quando David cruza o caminho do psicopata de múltiplas personalidades (James McAvoy), a situação sai do controle e os dois terminam presos em um hospital psiquiátrico onde também está detido Elijah “Mr. Glass” Price (Samuel L. Jackson). Enquanto uma doutora (Sarah Paulson) acredita que possa curar o trio, cada um deles em um objetivo diferente. 

A inusitada trilogia de M. Night Shyamalan é fechada de forma competente e criativa com este longa que une os três personagens excêntricos dos dois filmes anteriores. É praticamente uma obrigação ver “Corpo Fechado” e “Fragmentado” para entender este último filme. São diversas citações e alguns flashbacks, além da participação dos coadjuvantes dos longas anteriores, inclusive um pequeno papel do próprio M. Night Shyamalan. 

Ele conseguiu criar uma trilogia que mistura drama, suspense, ação e filme de super-herói de uma forma quase realista. Além da criatividade da trama que brinca com os clichês dos quadrinhos, o roteiro escrito pelo diretor ainda guarda um segredo no final que amarra muito bem os três filmes. 

O longa ganha ainda mais pontos pelas atuações marcantes do trio principal. 

São três filmes indicados para quem gosta dos trabalhos de Shyamalan.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Lost in London

Lost in London (Lost in London, EUA / Inglaterra, 2017) – Nota 6,5
Direção – Woody Harrelson
Elenco – Woody Harrelson, Owen Wilson, Eleanor Matsuura, Louisa Harland, Willie Nelson, Martin McCann, Peter Ferdinando.

Em 2002, o ator Woody Harrelson passou pelo que seria o pior dia da sua vida, que começou com um escândalo com prostitutas, seguiu por uma noitada com iranianos malucos e terminou na cadeia após brigar com um taxista. 

Woody resolveu transformou este dia em uma comédia filmada em tempo real que brinca consigo mesmo. Ele não tem pudor em mostrar seus erros daquela noite, como o medo de perder a esposa, a discussão com o amigo Owen Wilson e o desfile de coadjuvante bizarros que se aproximavam por causa de sua fama. 

Os diálogos que citam filmes e pessoas do cinema são divertidos, com destaque para a conversa sobre Wes Anderson e a participação quase surreal do cantor Willie Nelson. 

Conforme a narrativa avança, o filme se torna um pouco cansativo, principalmente após ele ser preso.

É um filme estranho, quase um documentário sobre uma noite de absurdos.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Pandorum

Pandorum (Pandorum, Alemanha / Inglaterra / EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Christian Alvart
Elenco – Ben Foster, Dennis Quaid, Cam Gigandet, Antje Traue, Cung Lee, Eddie Rouse, Norman Reedus, André Hennicke.

Os créditos iniciais citam que no futuro a Terra tem seus recursos naturais quase esgotados. A chance de sobrevivência surge com a descoberta de um planeta semelhante. 

A trama pula para uma estação espacial onde dois oficiais acordam após uma longa hibernação. Bower (Ben Foster) e Payton (Dennis Quaid) tentam entender o que está ocorrendo ao encontrarem a estação vazia e com problemas de navegação. Não demora para perceberem que algo fora do comum está vivendo na estação. 

A mistura de ficção e terror segue o estilo de filmes como a série “Aliens” ao inserir uma terrível ameaça em meio a uma expedição espacial. O roteiro é previsível, mesmo tendo uma pequena reviravolta no final. Os pontos altos são as cenas de ação e a produção caprichada. 

O diretor Christian Alvart, do razoável “Caso 39”, consegue criar tensão e suspense ao explorar a estação espacial como cenário de um jogo de gato e rato. 

É um filme indicado para quem curte o gênero.

domingo, 7 de abril de 2019

Caixa de Pássaros

Caixa de Pássaros (Bird Box, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Susanne Bier
Elenco – Sandra Bullock, Trevante Rhodes, John Malkovich, Sarah Paulson, Jacki Weaver, Rosa Salazar, Danielle Macdonald, Lil Rel Howery, Tom Hollander, BD Wong, Pruitt Taylor Vince, Parminder Nagra.

A história é contada em duas narrativas com diferença de cinco anos. A primeira detalha como as pessoas são afetadas por algo inexplicável que resulta em suicídio em massa. .

Os sobreviventes descobrem que não podem olhar para lugar algum que seja espaço aberto. Um grupo de sobreviventes fica preso em um grande casa, sem saber como enfrentar a situação. .

Entre as várias pessoas no local estão Malorie (Sandra Bullock), o revoltado Douglas (John Malkovich), Tom (Trevante Rhodes) e o dono casa Greg (BD Wong). 

A segunda narrativa avança em cinco anos e mostra Malorie tentando levar duas crianças rio abaixo à procura de uma espécie de santuário em meio ao caos. O detalhe sinistro é que Malorie e as crianças usam vendas nos olhos e precisam encontrar o caminho às escuras. .

O roteiro que é baseado em um livro é um cruzamento das premissas de “O Nevoeiro” de Stephen King com o recente “Uma Lugar Silencioso”. A diretora Susanne Bier foge do seu estilo normal focado em dramas para se aventurar nesta história que mescla ficção, suspense e aventura de uma forma competente. .

Ela consegue imprimir um bom ritmo alternando as narrativas e criando algumas boas sequências de tensão. Se a primeira parte é um pouco previsível, o final entrega uma interessante surpresa. .

Como curiosidade, pela falta de explicação lógica sobre o que realmente afetava as pessoas causando os suicídios, começaram a pingar na internet teorias sobre a história. A teoria mais complexa e bizarra tenta ligar a doença da depressão com o roteiro.

É um filme que ganha pontos também por fazer o espectador pensar após a sessão.

sábado, 6 de abril de 2019

Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?

Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez? (And When Did You Last See Your Father?, Inglaterra / Irlanda, 2007) – Nota 7
Direção – Anand Tucker
Elenco – Jim Broadbent, Colin Firth, Matthew Beard, Juliet Stevenson, Gina McKee, Elaine Cassidy, Sarah Lancashire.

Duas narrativas em paralelo detalham o relacionamento do escritor Blake Morrison (Colin Firth) com seu pai Arthur (Jim Broadbent). 

Nos dias atuais, Blake retorna à casa da família no interior da Inglaterra quando Arthur é diagnosticado com um câncer terminal. Ele percebe que é a última chance de resolver as pendências com o pai. 

A outra narrativa mostra Blake adolescente (Matthew Beard) sofrendo com o jeito expansivo e até intrometido do pai, que aparentemente trai sua esposa (Juliet Stevenson) com uma parente. 

O roteiro que é baseado em livro autobiográfico do verdadeiro Blake Morrison segue o estilo das histórias de relacionamentos familiares complicados. A difícil questão de enfrentar situações que incomodam e silêncios que dizem mais do que palavras são fatos comuns no retrato da família Morrison. 

Apesar de não apresentar surpresas, o filme ganha pontos pelas competentes interpretações de Jim Broadbent e Colin Firth, que criam personagens antagônicos, mas que se amam como pai e filho. 

O resultado é um sensível drama familiar.