terça-feira, 18 de junho de 2019

Glory

Glory (Slava, Bulgária / Grécia, 2016) – Nota 8
Direção – Kristina Grozeva & Petar Valchanov
Elenco – Stefan Denolyubov, Margita Gosheva.

Tzanko Petrov (Stefan Denolyubov) é um solitário funcionário do governo que faz manutenção nos trilhos de trem. Ao encontrar uma grande quantidade de dinheiro na beira dos trilhos, o honesto Tzanko avisa a polícia. 

A notícia se espalha e como o Ministério dos Transportes da Bulgária enfrenta um escândalo de desvio de verba, a Relações Públicas Julia Staykova (Margita Gosheva) decide utilizar o simplório Tzanko como propaganda do governo. 

Vestindo roupas simples e com uma terrível dificuldade em falar por conta de uma gagueira, o sujeito é visto como piada pelas pessoas que trabalham com Julia. Uma confusão por causa de um relógio usado por Tzanko dá início a uma série de desencontros e problemas. 

Muitos filmes produzidos nos antigos países socialistas como Romênia, Bósnia, Sérvia e neste caso a Bulgária mostram como a burocracia e a corrupção estatal continuam enraizadas nestas sociedades. 

O protagonista aqui é jogado em meio a uma situação que foge de seu controle e que mexe com algo pessoal que é tratado com desprezo pelos funcionários do governo, principalmente a arrogante personagem vivida por Margita Gosheva, que por seu lado também enfrenta uma crise em seu casamento. A série crescente de injustiças leva a um final forte, mas também não tão surpreendente. 

É ótimo um drama que merece ser conhecido.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Ponto Cego

Ponto Cego (Blindspotting, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Carlos López Estrada
Elenco – Daveed Diggs, Rafael Casal, Janina Gavankar, Jasmine Cepha Jones, Ethan Embry, Tisha Campbell Martin, Kevin Carroll.

Faltando três dias para acabar o período de liberdade condicional, Collin (Daveeg Diggs) se mostra ansioso e fica extremamente preocupado quando testemunha um policial (Ethan Embry) matando um bandido que estava fugindo. 

Ele precisa ainda lidar com o amigo Miles (Rafal Casal), um sujeito instável que é seu parceiro de trabalho em uma empresa de mudanças. Collin tenta também se reaproximar de sua ex-namorada (Janina Gavankar). 

Mesmo com algumas situações forçadas como a sequência na casa do policial, este longa ganha pontos pela criatividade da montagem e da narrativa, além da química entre os atores Daveed Diggs e Rafael Casal. 

O roteiro escrito pela dupla de atores foca no preconceito, mas também nos erros de seus próprios personagens, deixando de lado o vitimismo comum aos filmes atuais do gênero. Vale citar também as locações realistas na periferia da cidade de Oakland. 

É um bom filme sobre um tema polêmico.

domingo, 16 de junho de 2019

Perfeitos Desconhecidos

Perfeitos Desconhecidos (Perfetti Sconosciuti, Itália, 2016) – Nota 7,5
Direção – Paolo Genovese
Elenco – Giuseppe Battiston, Anna Foglietta, Marco Giallini, Edoardo Leo, Valerio Mastandrea, Alba Rohrwacher, Benedetta Porcaroli, Kasia Smutniak.

Três casais e um amigo divorciado se encontram no apartamento de um deles para um jantar. 

O que seria uma noite tranquila, vira de ponta de cabeça quando a psicanalista Eva (Kasia Smutniak) dá a sugestão de que todos coloquem o celular ligado na mesa e quando receberem qualquer tipo de mensagem ou ligação, revelem o conteúdo para os outros. Uma série de segredos e mentiras acabam vindo à tona. 

Antes do também criativo “Oportunistas”, o diretor italiano Paolo Genovese entregou este divertido longa que coloca em discussão a tecnologia sendo utilizada para esconder segredos e traições entre parceiros e amigos. 

A proposta da personagem em abrir a vida da pessoa através do conteúdo do celular mostra ao mesmo tempo como o ser humano se transformou dependente dos gadgets eletrônicos e também como o a traição entre casais nunca deixará de existir. 

Os diálogos variam entre discussões divertidas, conflitos patéticos e revelações dolorosas. O bom elenco ajuda bastante em elevar a qualidade do longa. 

Vale citar que a história já foi refilmada na Espanha e no México.

sábado, 15 de junho de 2019

O Quinto Elemento & Valerian e a Cidade dos Mil Planetas


O Quinto Elemento (The Fifth Element, França, 1997) – Nota 6,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Bruce Willis, Gary Oldman, Milla Jovovich, Ian Holm, Chris Tucker, Brion James, Luke Perry, Tommy “Tiny” Lister, Lee Evans, Charlie Creed Miles, John Neville, Mathieu Kassovitz.

Século XXIII. A Terra corre perigo. Um industrial milionário (Gary Oldman) se une a mercenários alienígenas para tentar recuperar quatro pedras místicas que seriam fundamentais para a tomada do planeta por uma entidade conhecida como Grande Mal. 

Para defender a Terra, cientistas criam uma humanóide batizada como Leeloo (Milla Jovovich), que termina escapando do laboratório. Ela cruza o caminho do ex-militar Korben Dallas (Bruce Willis) que ganha a vida como motorista de táxi. Os dois se unem para também procurar as pedras, além de tentar descobrir qual seria o quinto elemento da equação. 

Lançado na época com uma gigantesca campanha de marketing, esta produção marcou a guinada na carreira do diretor francês Luc Besson. Até então seus trabalhos seguiam um estilo próprio com visual caprichado mas sem os exageros deste longa. 

A ideia de Besson era lançar um blockbuster francês copiando o estilo hollywoodiano, inclusive utilizando astros como Bruce Willis que estava no auge da carreira e Gary Oldman. A então jovem Milla Jovovich era sua esposa e protagonizaria dois anos depois o também contestado “Joana D’Arc”. 

Besson acertou a mão no visual e no ritmo da narrativa, mas entregou uma história confusa com personagens exagerados e um deles extremamente irritante vivido pelo comediante Chris Tucker. 

O filme foi sucesso de bilheteria e se tornou um cult, mesmo com as falhas citadas. 

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets, França / China / Bélgica / Alemanha / Emirados Árabes Unidos / EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Sam Spruell, Alain Chabat, Kris Wu, Rutger Hauer, Louis Leterrier.

No futuro, diversas raças de alienígenas se uniram aos humanos e construíram uma Estação Espacial Intergaláctica. O major Valerian (Dane DeHaan) e sua namorada sargento Laureline (Cara Delevingne) trabalham para uma espécie de polícia espacial. Durante uma missão, um incidente em um determinado planeta coloca em risco a vida no universo. 

O diretor francês Luc Besson bancou esta caríssima produção baseada em um famoso comic book adolescente. Como é comum nos filmes do diretor, o visual é extremamente caprichado, colorido, repleto de criaturas estranhas e exagerado. 

Este tipo de visual e as cenas de ação ao estilo Star Wars agradam o público fã do gênero, porém para o espectador comum, o roteiro raso e os diálogos infantis cheios de piadinhas são difíceis de encarar até o final. 

Para piorar, as atuações de Dane DeHaan e Cara Delevingne são péssimas, lembrando personagens de algum sitcom adolescente. Nem mesmo a presença de coadjuvantes famosos como Clive Owen e Ethan Hawke ajudam, assim como a personagem de Rihanna que é inserida na trama apenas para ser um chamariz para adolescentes. 

É um filme para o espectador que gosta de obras adultas passar longe.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Stalingrado - A Batalha Final

Stalingrado – A Batalha Final (Stalingrad, Alemanha, 1993) – Nota 8
Direção – Joseph Vilsmaier
Elenco – Dominique Horwitz, Thomas Kretschmann, Jochen Nickel, Sebastian Rudolph, Dana Vavrova, Martin Benrath, Sylvester Groth.

Verão de 1942, Segunda Guerra Mundial. Dominando grande parte da Europa, Hitler decide invadir a União Soviética.

Um grupo de soldados liderados pelo inexperiente tenente Hans von Witzland (Thomas Kretschmann) viaja de trem e ao chegar ao país encontra o caos. 

Os nazistas acreditando que vencerão a guerra rapidamente são derrotados aos poucos, primeiro nas duras batalhas contra os soviéticos e posteriormente com a chegada do implacável inverno. 

Pouco conhecido, este ótimo longa explora a visão de soldados alemães que foram obrigados a lutar mesmo sem acreditar nos absurdos ideais nazistas.

O roteiro detalha uma verdadeira saga deste grupo em busca da sobrevivência e da tentativa de manter a dignidade em meio a tragédia. Esqueça os heroísmos habituais do gênero, aqui vemos o sofrimento, o medo, o choro e o desespero de quem deseja apenas voltar para casa. 

Filme indicado para quem gosta de dramas de guerra com boas cenas de ação.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A Colina Escarlate

A Colina Escarlate (Crimson Peak, Canadá / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Guillermo del Toro
Elenco – Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam, Jim Beaver, Burn Gorman, Leslie Hope, Doug Jones, Jonathan Hyde.

Quando criança, Edith Cushing (Mia Wasikowska) viu a mãe morrer doente e passou a sofrer com pesadelos e visões do fantasma da falecida. Em todos os pesadelos o fantasma dizia para Edith tomar cuidado com a colina escarlate. 

Adulta, Edith ignora o médico Alan (Charlie Hunnam) e se apaixona pelo sedutor Thomas (Tom Hiddleston), que esconde uma estranha relação com a irmã (Jessica Chastain). 

Quando o pai de Edith (Jim Beaver) morre assassinado, a garota se casa com Thomas e muda para a mansão da família. É o início de uma relação de terror. 

Assim como em todos os trabalhos do diretor Guillermo del Toro, a parte técnica aqui é caprichada. Ótimos efeitos especiais nas aparições do fantasma, cenas de violência sangrentas e o figurino de época impecável. O problema é que tudo isso esconde uma trama totalmente previsível. 

É um filme com uma “casca” belíssima e um conteúdo requentado.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Black Summer

Black Summer (Black Summer, EUA, 2019)
Direção – John Hyams & Abram Cox
Elenco – Jaime King, Justin Chu Cary, Christine Lee, Sal Velez Jr., Kelsey Flower, Erika Hau, Gwynyth Walsh, Edsson Morales, Nyren B. Evelyn.

Uma forte sirene faz com que várias pessoas saiam correndo de suas casas em um bairro de subúrbio. Elas tentam chegar até os caminhões do exército que seguem para um estádio na região. 

A situação caótica ocorre porque os mortos se transformaram em zumbis extremamente agressivos. Neste contexto, vários personagens lutam para sobreviver e chegar até o estádio. 

Esta tentativa da Netflix em emplacar um sucesso no rastro de “The Walking Dead” resultou em uma divertida série ruim. O roteiro não se preocupa em desenvolver os personagens ou dar explicações para o que está ocorrendo, o foco é a correria desenfreada dos personagens e os confrontos com os zumbis. 

As cenas de ação, suspense e violência realmente prendem a atenção, inclusive com várias sequências de personagens correndo dos zumbis. Diferente de “The Walking Dead”, aqui os zumbis são extremamente rápidos. 

Por outro lado, a série deixa bastante a desejar nos personagens sem carisma, nos erros de continuidade e nos diálogos fracos. Por sinal, a série tem oito episódios, sendo que os dois últimos são bem curtos e praticamente sem diálogos. São sequências de ação ininterruptas até o final que deixa um gancho para a segunda temporada.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Carrasco Americano

Carrasco Americano (American Hangman, Canadá, 2019) – Nota 6
Direção – Wilson Coneybeare
Elenco – Donald Sutherland, Vincent Kartheiser, Paul Braunstein, Oliver Dennis, Joanne Boland, Paul Amato.

Dois desconhecidos (Donald Sutherland e Paul Braunstein) acordam acorrentados em um porão. Um terceiro homem (Vincent Kartheiser) entra no local, liga algumas câmeras e dá ordens aos “prisioneiros” que precisam responder algumas questões. Tudo isso é transmitido ao vivo pela internet, chamando a atenção de uma hacker (Joanne Boland) que avisa a polícia. 

O início lembra bastante o primeiro “Jogos Mortais”, inclusive com um dos personagens citando o longa. Não demora para a história mudar de rumo e a verdadeira e inusitada motivação do sequestrador vir à tona. 

Esta motivação é criativa, porém o desenvolvimento capenga da história e as atuações sofríveis atrapalham bastante. O único destaque do elenco fica para o veterano Donald Sutherland, que tenta dar dignidade ao seu personagem que aos poucos revela sua identidade e caráter. 

É um filme curioso e ao mesmo tempo descartável.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

O Mensageiro

O Mensageiro (The Postman, EUA, 1997) – Nota 7
Direção – Kevin Costner
Elenco – Kevin Costner, Will Patton, Larenz Tate, Olivia Williams, James Russo, Daniel Von Bargen, Scott Bairstow, Joe Santos, Giovanni Ribisi, Shawn Hatosy, Tom Petty, Mary Stuart Masterson.

Para sobreviver em meio ao caos de um futuro apocalíptico, um sujeito (Kevin Costner) se passa por carteiro para visitar comunidades dizendo que o governo está sendo restaurado. 

O objetivo da mentira é trazer esperança às pessoas e criar uma motivação para enfrentarem um violento grupo liderado por um general (Will Patton) que deseja dominar o que sobrou do país. 

Assim como “Waterworld” que Costner dirigiu dois anos antes e foi massacrado pela crítica, este “O Mensageiro” nasceu praticamente “morto”, fracassando nas bilheteiras. 

Eu considero que são dois filmes interessantes, que sofreram por causa do altos orçamentos que irritaram os críticos e pelo próprio ego de Kevin Costner que teimou em montá-los com longa duração. 

Além da duração, as duas histórias guardam semelhanças por se passarem em mundos destruídos e por terem um protagonista misterioso vivido por Costner. 

A questão da duração deixa a narrativa irregular, falhando em alguns momentos de patriotismo exagerado.

Para quem gosta do gênero, o longa é muito bem produzido na parte técnica e entrega também boas cenas de ação.

domingo, 9 de junho de 2019

Galveston & Back Roads


Galveston (Galveston, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Mélaine Laurent
Elenco – Ben Foster, Elle Fanning, Beau Bridges, Robert Aramayo.

Diagnosticado com um câncer em estágio avançado, o criminoso Roy (Ben Foster) é enviado por seu chefe (Beau Bridges) para uma missão que na verdade é uma cilada. Roy mata três sujeitos e consegue escapar levando consigo a jovem prostituta Rocky (Elle Fanning), que pelo caminho pega sua filha pequena. Eles fogem em direção a cidade natal da garota, sabendo que estão marcados para morrer. 

Dirigido pela atriz francesa Mélanie Laurent, este longa chama a atenção por ser baseado em um livro de Nic Pizzolatto, roteirista da ótima série “True Detective”. 

Apesar das fortes atuações de Ben Foster e Elle Fanning e das locações por decadentes cidades do meio-oeste americano, eu esperava mais do filme. A carga dramática ligada ao passado dos protagonistas e a violência se perdem um pouco em meio a narrativa irregular e a história previsível. 

É um filme independente apenas razoável.

Back Roads (Back Roads, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Alex Pettyfer
Elenco – Alex Pettyfer, Nicola Peltz, Jennifer Morrison, Juliette Lewis, Robert Patrick, Tom Everett Scott, Danika Yarosh, Chiara Aurelia, Hala Finley, Robert Longstreet.

Pennsylvania, 1993. O jovem inseguro Harley (Alex Pettyfer) carrega a responsabilidade de cuidar das três irmãs mais novas após sua mãe (Juliette Lewis) matar o marido abusivo e ser presa. 

Amber (Nicola Peltz) é a irmã rebelde que entra em conflito diário com o irmão, enquanto a adolescente Misty (Chiara Aurelia) parece indiferente ao crime cometido pela mãe e a pequena Jody (Hala Finley) tenta se adaptar a situação. 

Quando Harley se torna íntimo de Callie (Jennifer Morrison), que é casada, segredos vem à tona complicando ainda mais a vida da família. 

O ator Alex Pettyfer estreia como diretor de forma positiva neste complexo drama familiar. Por sinal, seu trabalho como diretor é bem melhor que sua atuação, em que exagera na insegurança do personagem. 

Isto não chega a atrapalhar a história, que foca em segredos e abusos, entregando ainda uma pequena surpresa no final. Destaque para o clima de desesperança que permeia toda a narrativa.

sábado, 8 de junho de 2019

O Velho e a Arma

O Velho e a Arma (The Old Man & the Gun, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – David Lowery      
Elenco – Robert Redford, Casey Affleck, Sissy Spacek, Danny Glover, Tom Waits, Gene Jones, John David Washington.

Anos oitenta, meio-oeste americano. Com mais de setenta anos de idade, Forrest Tucker (Robert Redford) ainda insiste em assaltar bancos. 

Com ajuda de dois veteranos (Danny Glover e Tom Waits), Forrest utiliza a simples tática de mostrar uma arma na cintura para a caixa do banco ou gerente e assim levar o dinheiro. 

Um destes assaltos chama a atenção do policial texano John Hunt (Casey Affleck), que decide investigar a fundo. Ao mesmo tempo, o velho assaltante se envolve com uma simpática viúva (Sissy Spacek). 

Baseado numa história real, este longa ganha pontos pela carismática interpretação de Robert Redford, que por sinal chegou a dizer que esse pode ter sido seu último trabalho como ator. 

O roteiro explora o clássico tema do criminoso “bonzinho”, mas que ao mesmo tempo não consegue abandonar a adrenalina dos assaltos. 

Mesmo com uma interessante perseguição automobilística, o foco passa longe de ser a ação. 

É basicamente um passatempo inofensivo.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Natureza do Tempo

A Natureza do Tempo (En Attendant les Hirondelles, França / Argélia / Alemanha, 2017) – Nota 7
Direção – Karim Moussaoui
Elenco – Mohamed Djouhri, Hania Amar, Hassan Kachach, Mehdi Ramdani, Sonia Mekkiou, Aure Atika.

Na Argélia, três histórias são interligadas por pequenas situações. O veterano engenheiro Mourad (Mohamed Djouhri) precisa lidar com a ex-mulher, com o filho que está prestes a desistir do curso de medicina e com a esposa atual que deseja voltar para França. Ao se tornar testemunha de um determinado fato, Mourad é obrigado a tomar um decisão. 

A segunda trama segue o motorista de Mourad, Djalil (Mehdi Ramdani), que é contratado para levar a família do vizinho até uma cidade do interior para o casamento da filha mais velha (Hania Amar). O problema é que existe uma atração entre a jovem noiva e Djalil. 

A terceira trama tem como protagonista o médico Dahman (Hassan Kachach), que está prestes a se casar quando descobre que está sendo acusado por uma mulher de algo grave que ele teria cometido quando era jovem. 

O grande acerto desta produção argelina é a simplicidade da narrativa e a forma como as pequenas surpresas afetam a vida dos personagens, que são pessoas comuns. 

O diretor parece ter um fetiche por filmar automóveis em movimento. São várias sequências em que ele provavelmente com uma câmera em cima de um caminhão filma o automóvel de algum personagem em movimento pelas ruas da cidade e também pela estrada deserta. São interessantes também as locações que variam da cidade para o interior e a citada estrada. 

Por outro lado, o filme perde alguns pontos pela falta de fechamento para as histórias. Outro ponto estranho é uma sequência musical surreal no meio do deserto, que lembra as produções indianas. 

É um longa indicado para quem gosta de obras produzidas em países fora do eixo comum ao cinema.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O Clube dos Meninos Bilionários

O Clube do Meninos Bilionários (Billionaire Boys Club, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – James Cox
Elenco – Ansel Elgort, Kevin Spacey, Taron Egerton, Emma Roberts, Ryan Rottman, Jeremy Irvine, Thomas Cocquerel, Bokeem Woodbine, Judd Nelson, Barney Harris, Walid Zuaiter.

Los Angeles, 1983. Dean Karny (Taron Egerton) e Joe Hunt (Ansel Elgort) se reencontram alguns anos após terem sido amigos no colégio preparatório onde estudaram na adolescência. 

O falante Dean convence Joe que é especialista em finanças para começarem um negócio de investimentos como sócios. Como Dean ainda tinha contatos com filhos de pessoas ricas que estudaram com ele e Joe era o cérebro para finanças, eles decidem convencer estes jovens a investirem em sua empresa. 

A dupla cria o “Billionaire Boys Club”, que a princípio se mostra um sucesso, até a dupla se envolver com um investidor picareta chamado Ron Levin (Kevin Spacey). 

Baseado em uma história real, este longa tem a seu favor os fatos absurdos que ocorreram após a empresa da dupla de amigos crescer de forma descontrolada.

A narrativa segue bem durante a primeira hora, até que a crise bate à porta da empresa e eles decidem tentar a sorte através de uma jogada bizarra. 

Deste momento em diante o diretor se perde, resolvendo situações com pressa e de forma confusa, como se fosse uma corrida para terminar o filme dentro de uma determinada duração. É uma pena, pois a história tem semelhanças com o sensacional “O Lobo de Wall Street”. 

O destaque do elenco fica ára Kevin Spacey, sempre competente interpretando personagens cínicos e canalhas. 

Existe uma versão produzida para tv em 1987 com Judd Nelson de “O Clube do Cinco” como protagonista, ele que aqui tem um pequeno, porém importante papel como o pai de Joe Hunt.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Ikari

Ikari (Ikari, Japão, 2016) – Nota 7
Direção – Sang-il Lee
Elenco – Ken Watanabe, Mirai Moriyama, Aoi Miyazaki, Satoshi Tsumabuki, Gô Ayano, Suzu Hirose, Ken’ichi Matsuyama.

Um casal é assassinado de forma brutal dentro de casa. As autoridades acreditam que o criminoso mudou detalhes do rosto para não ser reconhecido. A notícia desperta a desconfiança de algumas pessoas em relação a estranhos que escondem o passado em três cidades do Japão. 

Em Tóquio, um executivo se preocupa por não saber o passado de seu amante, um pai (Ken Watanabe) na cidade de Chiba desconfia de seu funcionário que namora sua filha e por fim, na ilha de Okinawa um casal de irmãos faz amizade com um desconhecido mochileiro. 

A premissa de intercalar três histórias que não se cruzam, mas que são afetadas pelo mesmo crime é extremamente interessante e criativa. O problema é que o roteiro perde muito tempo com situações banais que se repetem e deixam a trama irregular e até arrastada em alguns momentos. As duas horas e vinte minutos de duração são exageradas. Com uns trinta minutos a menos o filme prenderia mais a atenção. 

Mesmo com a revelação do criminoso não sendo exatamente com um clímax, o longa melhora bastante na meia-hora final quando as tramas se fecham. 

É uma obra interessante, mas que tinha potencial para ser melhor.