sábado, 28 de julho de 2012

Deus da Carnificina

Deus da Carnificina (Carnage, França / Alemanha / Polônia / Espanha, 2011) – Nota 7,5
Direção – Roman Polanski
Elenco – Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly.

Dois garotos brigam num parque e um deles perde dois dentes. Em seguida, a história pula para o apartamento dos pais do garoto ferido, onde eles e os pais do garoto que bateu se encontram para resolver a situação. Os pais do garoto que foi a vítima são de classe média, a mãe Penelope (Jodie Foster) tem interesse por livros, artes e principalmente nos problemas da África, enquanto o pai Michael (John C. Reilly) é um vendedor de utilidades domésticas que aprecia whisky e charutos. O outro casal representa a elite, a mãe Nancy (Kate Winslet) é uma dondoca corretora de imóveis e o pai Alan (Christoph Waltz) é um executivo de uma empresa farmacêutica. 

A princípio todos procuram mostrar seu lado educado, com os casais chegando a um acordo sobre o incidente, porém com o desenrolar da conversa as diferenças pessoais afloram e o encontro se transforma numa lavagem de roupa suja, onde cada personagem mostra sua verdadeira face. Preconceitos, rancores, valores e diferenças sociais são discutidas sem pudor, numa espécie de terapia coletiva, sempre entrecortada pelo celular do personagem de Christoph Waltz, que toca pelo menos umas vintes vezes durante o filme. 

Polanski acerta ao criar o apartamento onde se passa a trama como um local perfeito, onde tudo parece estar no lugar correto, assim como o início da relação entre os casais, até que a cena do vômito transforma o cenário num caos, em todos os sentidos. 

O roteiro é baseado numa peça teatral de Yasmina Reza, que é perfeita ao retratar o comportamento humano, que tende a mostrar suas virtudes num primeiro momento, mas se transforma completamente quando precisa defender seus interesses. Mesmo que algumas discussões sejam um pouco exageradas, na vida real com certeza os casais teriam terminado a conversa antes do último terço de filme, vale pelos temas abordados e o ótimo elenco, que cria personagens com temperamentos, virtudes e defeitos bem diferentes entre si.

7 comentários:

Amanda Aouad disse...

Gostei muito do filme. Realmente muita coisa ali é alegórica, exagerada, mas faz parte do drama mesmo... E aquela cena final, é ótima.

bjs

Thomás R. Boeira disse...

Ótimo filme!
É sempre bom ver o Polanski acertar.
Adoro como os personagens agem de forma infantil em certos momentos.

Abraço,
Thomás
http://brazilianmovieguy.blogspot.com.br/

! Marcelo Cândido ! disse...

Deve ser interessante, pois trata de relacionamentos humanos...

Maxwell Soares disse...

Vi este neste dias. Achei fantástico. Um bela sacada fazer desta peça um filme. A atuações de Kate Winslet e Jodie Foster. O que dizer? Fantásticas. Até logo...

Hugo disse...

Amanda - Concordo, o exagero em algumas cenas deve ter sido escolha do próprio Polanski.

Thomás - Extremamente infantis, como a maioria dos adultos quando deseja defender seus interesses.

Marcelo - É um bom filme.

Maxwell - Os quatro personagens estão perfeitos.

Abraço

Celo Silva disse...

Gosto desse filme, Polanski volta a filmes intimistas e de maneira contundente.

Hugo disse...

Celo - É um teatro filmado de ótima qualidade.

Abraço