segunda-feira, 31 de agosto de 2020

The Quarry & Shooting Heroin

 


The Quarry (The Quarry, EUA, 2020) – Nota 6
Direção – Scott Teems
Elenco – Shea Whigham, Michael Shannon, Catalino Sandino Moreno, Bobby Soto, Alvaro Martinez, Bruno Bichir.

Um homem (Shea Whigham) é resgatado após ser encontrado caído na beira de uma estrada. Um determinado fato faz com que este homem tome a identidade do sujeito que o resgatou (Bruno Bichir) e siga para uma pequena cidade do Texas se apresentando como o novo padre. Seu comportamento incomum chama a atenção de uma jovem moradora (Catalino Sandino Moreno) e do chefe de polícia (Michael Shannon). 

Com trabalhos em documentários e apenas o bom e pouco visto longa “O Sol da Noite” no currículo, o diretor e roteirista Scott Teems começa este “The Quarry” de uma forma bastante interessante. O personagem enigmático de Shea Whigham é o catalisador de algumas mudanças na pequena cidade, que na verdade quase um povoado. 

Mesmo com uma narrativa lenta, a medida em que a trama avança a tensão aumenta, porém até certo ponto apenas, chegando a um final que deixa bastante a desejar. 

O ponto positivo é a relação entre culpa e religião, mostrando que muitas pessoas sofrem por ser impossível voltar atrás para mudar o passado. Vale destacar as boas atuações de Shea Whigham e Michael Shannon. 

Como informação, o “The Quarry” do título significa “A Pedreira”. 

O resultado é curioso e apenas razoável. 

Shooting Heroin (Shooting Heroin, EUA, 2020) – Nota 6
Direção – Spencer T. Folmar
Elenco – Alan Powell, Sherilyn Fenn, Garry Pastore, Cathy Moriarty, Nicholas Turturro, Rachel Hendrix, Lawrence Hilton Jacobs, Brian O’Halloran.

Várias pessoas de uma pequena cidade da Pennsylvânia sofrem com mortes de parentes e amigos causadas pelo uso de drogas, inclusive por medicamentos prescritos por médicos. 

Um ex-militar (Alan Powell) que perdeu a irmã, uma mãe (Sherilyn Fenn) que viu dois filhos adolescentes morrerem de overdose e um sujeito indignado com a situação (Lawrence Hilton Jacobs) se unem para a princípio auxiliar o xerife (Garry Pastore), mas aos poucos percebem que a luta contra as drogas é quase impossível. 

O filme que se diz inspirado em uma história real, apresenta uma narrativa bastante interessante por pelo menos dois terços da trama. O clima de decadência da cidade ajuda a aumentar a tensão conforme a paciência dos personagens vai se esgotando. 

O problema é que o esperado clímax jamais acontece. O roteiro escrito pelo diretor Spencer T. Folmar entrega um final morno, que pode ter sido o que ocorreu na vida real, mas que quebra o ritmo e se mostra decepcionante.

domingo, 30 de agosto de 2020

Em Defesa de Jacob

 



Em Defesa de Jacob (Defending Jacob, EUA, 2020) – Nota 8,5
Direção – Morten Tyldum
Elenco – Chris Evans, Michelle Dockery, Jaeden Martell, Cherry Jones, Pablo Schreiber, Betty Gabriel, J.K. Simmons, Sakina Jaffrey, Daniel Henshall, Patrick Fishler, Poorna Jagannatan, Jordan Alexa Davis.

No subúrbio de Massachusetts, um adolescente é encontrado morto a facadas em um parque. O promotor Andy Barber (Chris Evans) é o responsável pelo caso junto com a polícia local. 

Para sua surpresa e de sua esposa Laurie (Michelle Dockery), as pistas levam até seu filho Jacob (Jaeden Martell), que é colega de escola da vítima. É o início do inferno na vida da família Barber. 

Baseado em um best seller, esta minissérie em oito episódios dirigida pelo norueguês Morten Tyldum, responsável pelos ótimos longas “Headhunters” e “O Jogo da Imitação”, explora o estilo clássico das obras que misturam drama jurídico com investigação policial. 

A vida da família é devastada, os amigos se afastam e a mídia transforma o garoto em culpado rapidamente. É interessante citar que o roteiro mantém por todos os episódios a dúvida se Jacob cometeu o assassinato ou se ele é apenas uma vítima das circunstâncias e de suas atitudes. 

O astro Chris Evans está correto como o protagonista, enquanto Michelle Dockery interpreta uma mãe que sofre com uma montanha-russa de emoções. O garoto Jaeden Martell está perfeito como o adolescente suspeito que parece esconder segredos. 

Vale citar ainda J.K.Simmons como um personagem forte que surge no meio da trama e o estranho Daniel Henshall como um pedófilo também suspeito do crime. 

A produção bem cuidada fecha os pontos positivos desta ótima minissérie dramática.

sábado, 29 de agosto de 2020

O Universo no Olhar

 


O Universo no Olhar (I Origins, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Mike Cahill
Elenco – Michael Pitt, Brit Marling, Steven Yeun, Astrid Berges Frisbey.

Ian (Michael Pitt) é um cientista que desenvolve uma pesquisa sobre os “olhos”. Extremamente cético e acreditando somente em dados concretos, Ian se apaixona pela jovem Sofi (Astrid Berges Frisbey), que é uma pessoa que acredita em espiritualidade. 

Conforme sua pesquisa avança em parceria com Karen (Brit Marling) e o auxílio do amigo Kenny (Steve Yeun), Ian tenta conciliar a paixão por Sofi com suas diferenças de pensamento, que em determinado momento serão colocadas à prova. 

Escrito e dirigido por Mike Cahill, do cult “A Outra Terra”, este longa surpreende na medida em que a trama avança tomando rumos inesperados. Além de ser uma história de amor, outro ponto importante e o “confronto filosófico” entre fé e ciência. 

Se a ciência consegue reproduzir situações e criar soluções que podem se confundir com homens brincando de Deus, por outro lado o roteiro faz o espectador e o protagonista terem que assimilar algo que não tem uma explicação lógica ou científica. 

Este é um tipo de filme diferente, daqueles que deixam o espectador pensando após a sessão. Vale citar que a atriz Brit Marling é conhecida por trabalhar em poucos projetos, sempre em filmes e séries com temáticas que fogem do lugar comum.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

ZeroZeroZero

 


ZeroZeroZero (ZeroZeroZero, Itália, 2019) – Nota 9
Direção – Stefano Sollima, Janus Metz e Pablo Trapero
Elenco – Andrea Riseborough, Dane DeHaan, Giuseppe De Domenico, Harold Torres, Adriano Chiaramida, Gabriel Byrne, Diego Cataño, Claudia Pineda, Francisco Colella.

Baseado em história de Roberto Saviano, criador das tramas de “Gomorra” e “Piranhas”, esta série em oito episódios detalha como funciona a negociação e o transporte de um carregamento de drogas que é levado do México até a Itália. 

Com episódios dirigidos pelo italiano Stefano Sollima, o dinamarquês Janus Metz e o argentino Pablo Trapero, a série intercala três narrativas que convergem em determinados momentos. 

Em Monterrey no México, um cartel que vendeu uma enorme quantidade de drogas não percebe o crescimento e a ambição do militar Miguel (Harold Torres), que inicia sua escalada ao poder. 

Na região da Calábria no interior da Itália, o veterano chefão Don Minu (Adriano Chiaramida) espera a chegada do carregamento para suprir as necessidades dos parceiros, enquanto precisa lidar com a provável traição do neto Stefano (Giuseppe De Domenico). 

Em Nova Orleans estão os intermediários da negociação e responsáveis por fazer o carregamento chegar ao destino. Edward Lynwood (Gabriel Byrne) e seus filhos Emma (Andrea Riseborogouh) e Chris (Dane DeHaan) precisam lidar com assassinos e corruptos para cumprir o prometido. 

Esta ótima série é repleta de pontos positivos. O principal é o roteiro que consegue detalhar sem ser didático como funciona o mundo das drogas em locais e culturas extremamente distintas. 

A violência extrema dos cartéis mexicanos e a traições entre assassinos na máfia italiana são formas de dominação diferentes porém com o mesmo objetivo. 

Os episódios na África mostram uma terceira via de violência e da corrupção, neste caso inserindo ainda a questão religiosa. 

A série entrega ainda boas sequências de ação e suspense, subtramas interessantes e ótimas locações em várias partes do mundo. Para quem gosta do gênero, a série é uma ótima opção.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A Maldição da Casa Winchester

 


A Maldição da Casa Winchester (Winchester, Austrália / EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Michael & Peter Spierig
Elenco – Helen Mirren, Jason Clarke, Sarah Snook, Finn Scicluna O’Prey, Emm Wiseman, Angus Sampson, Bruce Spence.

San José, Califórnia, 1906. Acionistas da indústria de armamentos Winchester contratam o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke) para comprovar que a viúva Sarah Winchester (Helen Mirren) não tem mais condição mental de administrar a empresa. 

Sarah vive em uma enorme mansão com a nora (Sarah Snook), o neto (Finn Scicluna O’Prey) e vários empregados, além de manter uma equipe que trabalha incessantemente na construção de novos quartos. 

Enquanto Eric tenda entender o que se passa com Sarah e a casa, ele também precisa enfrentar seus próprios demônios. 

Inspirado em uma história real, este longa tem como foco principal a excentricidade da protagonista, que carrega a culpa por ser a esposa do inventor do famoso rifle Winchester, arma que dizimou milhares de vidas na guerra civil americana. 

Por mais que seja interessante a premissa, o desenvolvimento da trama segue o estilo comum dos filmes de terror e suspense através de sustos, gritos e estranhas aparições, mas passando longe de meter medo no espectador. 

Os irmãos alemães Michael e Peter Spierig entregaram trabalhos melhores como “O Predestinado” e “2019: O Ano da Extinção”, os dois protagonizados por Ethan Hawke.



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Horror em Amityville

 


Horror em Amityville (The Amityville Horror, EUA, 2005) – Nota 7
Direção – Andrew Douglas
Elenco – Ryan Reynolds, Melissa George, Jesse James, Jimmy Bennett, Chloe Grace Moritz, Rachel Nichols, Philip Baker Hall, Isabel Conner.

Em 1974, o jovem Ronald Defeo assassinou sua família dentro de casa no subúrbio de Long Island. Um ano depois, George (Ryan Reynolds) e sua esposa Kathy (Melissa George) compram a casa e se mudam para o local com os três filhos do primeiro casamento dela. 

Logo nos primeiros dias coisas estranhas começam a acontecer, principalmente com a filha mais nova Chelsea (Chloe Grace Moritz), que entra em contato com o fantasma de uma garota. Com o passar dos dias, a vida da família se transforma em um inferno. 

Se o original que é baseado em uma história real explorava mais o terror psicológico através de um clima de medo e com sustos em momentos específicos, este remake se volta totalmente para o estilo jump scare, explorando sustos e violência em meio a loucura que domina a casa. 

O filme é competente em sua proposta para se diferenciar do original.

Terror em Amityville (The Amityville Horror, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Stuart Rosenberg
Elenco – James Brolin, Margot Kidder, Rod Steiger, Don Stroud, Murray Hamilton, Michael Sacks, Helen Shaver, John Larch.

A história é a mesma que citei no texto do remake, inclusive com o roteiro escrito por Sandor Stern para este original tendo sido utilizado como base para o longa de 2005. 

Durante vinte e oito dias, o casal Lutz (James Brolin e Margot Kidder) e seus três filhos sofrem com fenômenos paranormais inexplicáveis, semelhantes aos citados por Ronald Defeo como “culpados” por ter assassino sua família em 1974. 

O diretor Stuart Rosenberg consegue dosar na medida certa drama, clima de medo e cenas de sustos em meio ao inferno que se torna a vida da família. 

Rosenberg dirigiu outros bons filmes como “Brubaker” e “Nos Calcanhares da Máfia”, além do clássico “Rebeldia Indomável”. 

Amityville 2: A Possessão (Amityville II: The Possession, EUA, 1982) – Nota 6
Direção – Damiano Damiani
Elenco – Burt Young, Rutanya Alda, James Olson, Jack Magner, Moses Gunn, Diane Franklin, Andrew Prine.

Long Island, início dos anos setenta. A família Montelli muda para uma enorme casa em um local isolado. O que seria uma nova vida para a família, se torna um inferno quando fatos estranhos começam a ocorrer e o filho mais velho (Jack Magner) demonstra um comportamento violento. O pais (Burt Young e Rutanya Alda) são obrigados a recorrer da ajuda de um padre (James Olson), que fica estarrecido com a situação. 

Esta sequência do filme de 1979 na verdade é um prequel inspirado na história real dos assassinatos cometidos pelo jovem Ronald Defeo em 1974. Diferente do original que explorava também o medo psicológico, este longa segue mais para o lado do terror explícito, com sequências violentas e sangrentas que lembram um pouco o clássico “O Exorcista”. 

O filme vai bem durante os dois primeiros terços, até chegar a um final que deixa bastante a desejar.

Amityville 3: O Demônio (Amityville 3-D, EUA, 1983) – Nota 4
Direção – Richard Fleischer
Elenco – Tony Roberts, Tess Harper, Candy Clark, Robert Joy, Meg Ryan, Lori Loughlin.

John Baxter (Tony Roberts) é um jornalista especializado em desmascarar pessoas que alegam terem presenciado algum evento sobrenatural. Para provar ainda mais sua teoria, ele compra a casa onde ocorreram os assassinatos de Amityvile. Não demora para John descobrir que a casa esconde algo maligno que fará novas vítimas. 

Este longa que fecha trilogia tem uma premissa interessante e um péssimo desenvolvimento da história. As mortes são ridículas, os efeitos especiais ruins a as atuações totalmente exageradas. 

O diretor Richard Fleischer que fez bons filmes como “20 Mil Léguas Submarinas” e “Conan, o Destruidor” entregou aqui seu pior trabalho. 

O 3-D do título original se refere a tecnologia que na época era novidade e que alguns filmes utilizaram em determinadas cenas para tentar assustar a plateia. O problema é que geralmente eram filmes ruins como este e também “Tubarão III”. Demorou um bom tempo para o 3-D se tornar popular. 

A série Amityville continuou com vários outros filmes ruins, em sua maioria lançados direto em vídeo.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Dezessete

 


Dezessete (Diecisiete, Espanha, 2017) – Nota 7,5
Direção – Daniel Sanchez Arevalo
Elenco – Biel Montoro, Nacho Sanchez, Lola Cordon, Itsaso Arana, Chani Martin.

Por ser reincidente em pequenos crimes, o adolescente Hector (Biel Montoro) é denunciado pelo irmão Ismael (Nacho Sanchez) e termina preso em uma reformatório. 

Dois anos depois, prestes a completar dezoito anos e também a ser libertado, Hector participa de uma espécie de terapia com cães dentro do reformatório. Um determinado fato leva o jovem a fugir e praticamente obrigar o irmão a ajudá-lo em duas tarefas incomuns. 

Este sensível drama espanhol explora temas que normalmente mexem com os fãs do gênero. Temos a família desestruturada, o amor pelos cães, a rebeldia adolescente e um problema de saúde. Tudo isso é mostrado de uma forma sóbria, com alguns momentos engraçados e situações curiosas. 

Muito da simpatia do filme vem dos ótimos diálogos e das atuações dos protagonistas. Biel Montoro está perfeito com o jovem antissocial e extremamente inteligente, criando uma ótima química com o irmão que não consegue controlar a situação vivido por Nacho Sanchez. 

Vale destacar também as belas paisagens do interior da Espanha.