segunda-feira, 15 de julho de 2019

Em Busca do Tesouro Desaparecido

Em Busca do Tesouro Desaparecido (Los Buscadores, Paraguai, 2017) – Nota 7,5
Direção – Juan Carlos Maneglia & Tana Schembori
Elenco – Tomás Arredondo, Cecilia Torres, Christian Ferreira, Mario Toñanez, Sandra Sanabria, Leticia Panambi Sosa, Nelly Davalos, Martin Oviedo.

A Guerra do Paraguai que destruiu o país no século XIX rendeu a lenda de que as pessoas ricas teriam enterrado tesouros em vários locais com medo de serem roubadas pelas tropas argentinas e brasileiras. Desta lenda nasceram os chamados “Buscadores”, pessoas que utilizam mapas e pistas para tentar localizar os tesouros. 

Um destes mapas é encontrado pelo jovem Manu (Tomás Arredondo) dentro de um livro de seu avô que não consegue se comunicar por causa de um AVC. Junto com o amigo Fito (Christian Ferreira), Manu procura informações com o velho buscador Don Elio (Mario Toñanez) para decifrar o  mapa. 

Não demora para eles acreditarem que o tesouro do mapa está enterrado em um local onde foi construída uma embaixada. Manu decide se aproximar de uma empregada (Cecilia Torres) para tentar entrar na embaixada 

Cinco anos depois do ótimo “7 Caixas”, o melhor filme da história do cinema paraguaio, o casal de diretores Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori entregou outro ótimo longa que mistura aventura, policial e comédia. 

A busca pelo tesouro em meio a um local urbano rende criativas sequências de perseguição e violência. O roteiro amarra muito bem a trama sem apelar para exageros, fazendo com que vários personagens gananciosos se cruzem na caçada, entregando ainda algumas boas reviravoltas, além de brincar com a lenda de que a busca ao tesouro seria uma maldição. 

O longa é uma ótima surpresa.

domingo, 14 de julho de 2019

A Morte de Stalin

A Morte de Stalin (The Death of Stalin, Inglaterra / França / Bélgica / Canadá / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Armando Iannucci
Elenco – Steve Buscemi, Simon Russell Beale, Jeffrey Tambor, Michael Palin, Adrian McLoughlin, Jason Isaacs, Dermot Crowley, Paul Whitehouse, Andrea Riseborough, Olga Kurylenko, Rupert Friend, Paddy Considine.

Moscou, União Soviética, 1953. A súbita morte do ditador Josef Stalin (Adrian McLoughlin) desencadeia uma série de alianças e traições entre os membros do conselho soviético que desejam tomar o lugar do falecido. 

Baseado numa comic book sobre os bastidores da sucessão de Stalin, este longa dirigido pelo escocês Armando Iannucci é uma deliciosa sátira ao absurdo regime comunista. 

O roteiro explora o medo das pessoas em desagradar algum poderoso e assim serem colocada em uma lista de inimigos a serem enviados para prisão ou executados. Esta situação cria sequências bizarras como a repetição do concerto musical e o desespero do diretor do teatro em telefonar para Stalin no horário exato. 

Os divertidos diálogos e o desenvolvimento dos personagens são outros acertos. Steve Buscemi como um falante e desbocado Nikita Khrushchev, que sucederia Stalin, Simon Russell Beale perfeito como o rival canalha Beria e um impagável Jeffrey Tambor no papel do idiota Malenkov. 

Vale citar ainda o casal maluco de filhos de Stalin, que são utilizados como escada pelos conspiradores que desejam chegar ao poder. 

O resultado é um divertido longa para que gosta de uma sátira política de qualidade.

sábado, 13 de julho de 2019

Últimos Dias no Deserto

Últimos Dias no Deserto (Last Days in the Desert, EUA, 2015) – Nota 5,5
Direção – Rodrigo Garcia
Elenco – Ewan McGregor, Ciaran Hinds, Ayelet Zurer, Tye Sheridan.

Durante sua viagem de quarenta dias pelo deserto para jejuar, rezar e refletir, Jesus (Ewan McGregor) cruza o caminho de uma família que vive em meio a região inóspita. 

O pai (Ciaran Hinds) é um sujeito que viveu sempre no deserto e o considera sua casa. O filho (Tye Sheridan) sonha em conhecer o mundo e ter uma vida diferente do pai. A mãe (Ayelet Zurer) está doente e à beira da morte. 

A proposta do roteiro escrito pelo diretor Rodrigo Garcia em humanizar Jesus é interessante. O diretor detalha os medos e as inseguranças de Jesus através de cenas de pesadelos, de suas conversas com o que seria o diabo ou sua consciência e das sequências em que ele não sabe como agir para ajudar a família que o abrigou. 

Infelizmente os pontos positivos, inclusive a boa atuação de Ewan McGregor, se perdem em uma narrativa lenta e nos diálogos rasos. O resultado é uma boa premissa desperdiçada em uma realização vazia.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Mundo Ordinário & Hearts Beat Loud


Mundo Ordinário (Ordinary World, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Lee Kirk
Elenco – Billie Joe Armstrong, Fred Armisen, Judy Greer, Selma Blair, Chris Messina, John Doman, Brian Baumgartner, Kevin Corrigan, Mia Dillon, Dallas Roberts, Madisyn Shipman.

No dia em que completa quarenta anos de idade, Perry (Billie Joe Armstrong) sofre com uma espécie de crise da meia-idade ao relembrar o tempo em que era vocalista de uma banda de punk rock que ele abandonou quando sua esposa Karen (Selma Blair) engravidou. 

Levando uma vida ordinária ao lado da esposa e da filha (Madisyn Shipman) e sendo sócio do irmão (Chris Messina) em uma loja de ferragens, Perry decide aproveitar o dia para chamar os integrantes da banda e fazer uma festa em um hotel. 

O protagonista Billie Joe Armstrong é na vida real o vocalista da banda Green Day e por curiosidade, casado desde muito jovem e sendo pai de dois filhos, considerado um sujeito careta no meio do mundo do rock. 

O roteiro explora um pedaço da vida de Billie Joe para criar uma história de ficção imaginando como seria sua vida se ele tivesse abandonado a banda quando casou, o que sabiamente ele não fez. A proposta é bem interessante, mas funciona apenas em parte. 

Mesmo sem ser ator, Billie Joe entrega uma boa atuação como o sujeito atrapalhado que se sente frustrado com o trabalho. Por outro lado, algumas situações beiram o clichê, como a crise com o irmão e o reencontro com a ex-namorada (Judy Greer) que surge do nada. 

É um filme que entrega menos do que promete. 

Hearts Beat Loud (Hearts Beat Loud, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Brett Haley
Elenco – Nick Offerman, Kiersey Clemons, Blythe Danner, Toni Collette, Sasha Lane, Ted Danson.

Frank Fisher (Nick Offerman) é o dono de uma loja de discos prestes a fechar as portas. Sua filha Sam (Kiersey Clemons) também deve ir para a universidade em poucos dias. Frank tinha uma dupla musical com a falecida esposa e ainda sonha em retomar a carreira ao lado da filha, que a princípio estuda para ser tornar médica. 

Uma simples música gravada entre os dois se transforma em sucesso na internet e faz com que pai e filha sejam obrigados a decidir qual caminho de vida seguir. 

Este longa entrega uma história básica e simpática sobre relacionamento familiar e amor pela música. O roteiro não explora grandes dramas, ao contrário, em alguns momentos parece faltar história.O ponto alto são as várias sequências musicais em que pai e filha criam, gravam e cantam ao vivo. 

Destaque também para a atuação de Nick Offerman, ator que fez grande parte da carreira na tv e que nos últimos vem conseguindo papéis de algum destaque em filmes como “Fome de Poder” e “Um Novo Mundo”.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

O Homem que Odiava as Mulheres

O Homem que Odiava as Mulheres (The Boston Strangler, EUA, 1968) – Nota 6,5
Direção – Richard Fleischer
Elenco – Tony Curtis, Henry Fonda, George Kennedy, Mike Kellin, Hurd Hatfield, Murray Hamilton, Jeff Corey, Sally Kellerman.

Boston, início dos anos sessenta. Várias mulheres de diferentes idades são encontradas estranguladas em suas residências. Sem sinais de arrombamento, a polícia acredita que as vítimas conheciam o assassino. 

Para acalmar a população, o governador indica um advogado (Henry Fonda) para ser o porta-voz do caso e também comandar a força-tarefa que investiga os crimes. 

Baseado na história de Albert De Salvo, que ficou conhecido como “O Estrangulador de Boston”, este longa peca em algumas escolhas e principalmente no formato que envelheceu bastante. 

A primeira hora é a mais interessante, com a polícia seguindo pistas através de um narrativa que foca na investigação e também com o diretor Richard Fleischer utilizando a criatividade e dividindo a tela em duas ou até três imagens simultâneas. 

Quando o assassino vivido por Tony Curtis entra em cena na hora final, o longa desce a ladeira ao abordar a questão da sanidade do sujeito ao estilo de uma drama psicológico raso. 

Consta que o roteiro modificou muitas situações e amenizou bastante a verdadeira personalidade do assassino, provavelmente para adequá-la com a imagem do então galã Tony Curtis. 

É uma história forte que merecia um nova versão para o cinema.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Hotel Artemis

Hotel Artemis (Hotel Artemis, Inglaterra / EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Drew Pearce
Elenco – Jodie Foster, Sterling K. Brown, Sofia Boutella, Jeff Goldblum, Dave Bautista, Brian Tyree Henry, Jenny Slate, Zachary Quinto, Charlie Day, Kenneth Choi.

Los Angeles, 2028. A escassez de água gera uma enorme revolta em Los Angeles. Em meio ao tumulto, um grupo de ladrões tenta assaltar um banco. Dois irmãos (Sterling K. Brown e Brian Tyree Henry) conseguem escapar com parte do produto do roubo, sendo que um deles está ferido.

Eles seguem para um hotel de fachada que na verdade é uma espécie de hospital clandestino para bandidos administrado por uma enfermeira (Jodie Foster). No local eles cruzam o caminho de outros criminosos perigosos, com cada um deles tendo seu próprio objetivo. 

A premissa é extremamente interessante e criativa, assim como a produção que é caprichada. Os personagens excêntricos também são outro acerto, mas infelizmente o filme perde pontos pelo desenvolvimento da história. 

A curta duração faz com que tudo aconteça rapidamente, sem grande aprofundamento, inclusive com algumas explicações para determinadas situações sendo puro clichê. As cenas de ação são bem legais, mas poucas também. 

Não é ruim, mas fica claro que pela premissa que o filme poderia ser bem melhor.

terça-feira, 9 de julho de 2019

A Mula

A Mula (The Mule, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Clint Eastwood, Bradley Cooper, Dianne Wiest, Andy Garcia, Laurence Fishburne, Michael Peña, Ignacio Serricchio, Taissa Farmiga, Robert LaSardo, Noel Gugliemi, Clifton Collins Jr.

Em Los Angeles, Earl Stone (Clint Eastwood) é um idoso divorciado que vê seu negócio de cultivo de flores falir. 

Um inusitado convite de um estranho durante a festa de noivado de sua neta leva Earl a transportar drogas para um grupo de traficantes ligados aos Cartel de Sinaloa. 

Enquanto se surpreende com o dinheiro ganho por cada viagem e tenta se reaproximar da ex-esposa (Dianne Wiest), seu trabalho chama a atenção de um agente do DEA (Bradley Cooper), que nem imagina que o transportador que ele procura seja um idoso. 

Baseado em um artigo publicado em uma revista, este longa foca na história real de um criminoso que jamais chamaria a atenção da polícia. 

Mesmo com quase noventa anos de idade, Clint Eastwood consegue dirigir o longa e interpretar o protagonista de forma competente. Ele esbanja carisma e espontaneidade, inclusive nas sequências mais tensas com os traficantes. 

A narrativa agradável e o bom desenvolvimento da trama são outros destaques. Vale citar ainda a relação familiar do protagonista e as táticas utilizadas pelo personagem de Bradley Cooper para chegar até o criminoso. 

É muito legal ver Clint Eastwood ainda na ativa e entregando trabalhos de qualidade.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Tempo de Crescer

Tempo de Crescer (Paper Man, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Kieran Mulroney & Michele Mulroney
Elenco – Jeff Daniels, Emma Stone, Ryan Reynolds, Lisa Kudrow, Kieran Culkin, Hunter Parrish.

Richard Dunn (Jeff Daniels) é um escritor que se muda para uma pequena cidade ao lado da esposa Claire (Lisa Kudrow) com o objetivo de escrever seu segundo livro. 

Além de viver um casamento desgastado, Richard sofre com um bloqueio criativo e ainda “conversa” com um amigo imaginário (Ryan Reynolds), que é uma espécie de super-herói. 

Enquanto tenta achar um caminho na vida, Richard cria uma inusitada amizade com a jovem Abby (Emma Stone), que também enfrenta problemas e carrega traumas. 

O roteiro escrito pelo casal Kieran e Michele Mulroney foca na dificuldade em enfrentar os desafios da vida adulta, principalmente quando a pessoa carrega consigo problemas que a afetam desde a infância. 

Outro ponto interessante é a questão da dificuldade das pessoas em se relacionar, seja em um casamento, na família ou com as amizades. 

A história não chega a empolgar, deixando até a sensação de faltar algo no final, porém o filme ganha alguns pontos pela química entre Jeff Daniels e Emma Stone, que interpretam personagens complexos e problemáticos. 

É basicamente um drama independente com pitadas de comédia.

domingo, 7 de julho de 2019

The Whiskey Bandit

The Whiskey Bandit (A Viszkis, Hungria, 2017) – Nota 7,5
Direção – Nimród Antal
Elenco – Bence Szalay, Zoltan Schneider, Viktor Klem, Piroska Móga, Andor Lukats, Barnabás Szabó.

Entre o final dos anos oitenta e início dos noventa, um criminoso batizado pela mídia como “O Bandido do Whisky” assaltou diversos bancos e agências do correio em Budapeste na Hungria. 

O roteiro escrito pelo diretor Nimród Antal divide esta história em duas narrativas. Uma segue o interrogatório comandado pelo chefe de polícia (Zoltan Schneider) após o assaltante Attila Ambrus (Bence Szalay) ser preso. A segunda narrativa detalha em flashbacks a vida de Attila desde a infância, passando pela adolescência vivida na Romênia e o retorno para a Hungria. 

Além da trama policial bem amarrada, o roteiro insere críticas em relação ao sistema comunista que dominava a Hungria e a Romênia na época. O filme também ganha pontos ao explorar o drama na vida do protagonista. A infância e a adolescência complicadas, a luta para reerguer a vida, os relacionamentos com amigos e com a namorada (Piroska Móga) e por fim a escolha de seguir o caminho do crime. 

O resultando é uma competente mistura de drama com policial.

sábado, 6 de julho de 2019

United

United (United, Inglaterra, 2011) – Nota 7,5
Direção – James Strong
Elenco – David Tennant, Jack O’Connell, Sam Claflin, Dougray Scott, Neil Dudgeon.

Na história do futebol profissional, seis acidentes aéreos marcaram de forma trágica o esporte. O Torino da Itália em 1949, o The Strongest da Bolívia em 1969, o Alianza Lima do Peru em 1987, a seleção de Zâmbia em 1993 e o recente acidente com a Chapecoense em 2016 se juntaram ao sofrimento do Manchester United da Inglaterra em 1958. 

Este longa detalha a tragédia através dos olhos e das reações de dois personagens principais. Bobby Charlton (Jack O’Connell), então um jovem que sobreviveu ao acidente e se tornou talvez o maior jogador da história do futebol inglês e o assistente técnico Jimmy Murphy (David Tennant), que não estava na viagem. 

O grande acerto do longa é mostrar o sofrimento dos envolvimentos e de pessoas próximas nos dias seguintes ao acidente e a luta de Murphy para reerguer o clube mesmo em clima de tragédia. 

Não se pode deixar de citar a negligência absurda que resultou no acidente. Tudo levava a crer que algo estava errado com o avião, além da neve excessiva que tomava conta de Munique na Alemanha naquela tarde, porém pessoa alguma teve coragem de cancelar o voo. 

É uma história real que vai além do futebol.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Anjos Rebeldes & Constantine


Anjos Rebeldes (The Prophecy, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Gregory Widen
Elenco – Christopher Walken, Elias Koteas, Virginia Madsen, Eric Stoltz, Amanda Plummer, Viggo Mortensen, Adam Goldberg, Steve Hytner.

Dagget (Elias Koteas) é um policial que na juventude quase se tornou padre, até que perdeu a fé e desistiu. Num certo dia ao encontrar um cadáver aparentemente hermafrodita e sem olhos, Dagget não imagina que está testemunhando o início de uma guerra entre anjos. O anjo Gabriel (Christopher Walken) desceu à Terra em busca de uma alma pura para vencer a batalha. 

Hoje visto como obra cult, este longa fez algum sucesso no mercado de vídeo na época do lançamento por causa do tema que misturava religião e terror, além da marcante atuação de Christopher Walken como o assustador anjo. Vale citar ainda a participação de Viggo Mortensen como Lucifer e o clima de apocalipse. 

O filme tem defeitos, como o roteiro com soluções confusas e os efeitos com cara de produção B. 

O longa teve ainda duas sequências também protagonizadas por Christopher Walken, porém lançadas diretamente em vídeo.

Constantine (Constantine, EUA / Alemanha, 2005) – Nota 7<
Direção – Francis Lawrence
Elenco – Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Pruitt Taylor Vince, Gavin Rossdale, Tilda Swinton, Peter Stormare, Jose Zuniga.

John Constantine (Keanu Reeves) é um policial que morreu, foi para o inferno e voltou para o mundo para ter uma segunda chance de praticar o bem. Ao ser procurado pela também policial Angela Dodson (Rachel Weisz), que deseja provar que sua irmã gêmea que era católica fervorosa não cometeu suicídio, Constantine tem a sua chance de redenção. Ao investigar o caso, ele descobre que Satã (Peter Stormare) está preparando o caminho para seus discípulos invadirem o mundo. 

Esta adaptação de um conhecido comic book recebeu muitas críticas ruins e teve uma bilheteria abaixo do esperado, o que fez os produtores desistirem de uma continuação. O filme é interessante mesmo para quem não é fã de quadrinhos, prendendo a atenção através de uma trama que foca na luta entre bem e o mal. O bom clima de suspense é outro destaque. 

Para quem gosta do gênero, o longa é um bom passatempo.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Sem Amor

Sem Amor (Nelyubov, Rússia /  França / Alemanha / Bélgica, 2017) – Nota 8
Direção – Andrey Zvyagintsev
Elenco – Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Matvey Novikov, Aleksey Fateev, Marina Vasileva, Andris Keiss.

O casal Zhenya (Maryana Spivak) e Boris (Aleksey Rozin) ainda vive no mesmo apartamento, mas estão em avançado e conflituoso processo de divórcio. 

Os dois já tem novos parceiros fora de casa e tentam esconder do filho pré-adolescente Alyosha (Matvey Novikov) que pretendem colocá-lo em um colégio interno ou mesmo em uma orfanato. Quando o garoto desaparece sem deixar vestígios, a situação fica ainda mais terrível. 

O cinema atual dos antigos países comunistas/socialistas deixam claro que a sociedade nestes locais ainda sofre com as marcas deixadas pelo antigo regime. Corrupção, polícia despreparada, burocracia e principalmente a falta de sensibilidade nas relações. 

Nesta questão política e social vemos que assim como ocorrem em países da América Latina, o desaparecimento de um adolescente ou adulto é tratado com desprezo pelas autoridades, como se fosse uma fuga da pessoa, com a desculpa de que crimes são mais importantes. 

Quanto ao desenvolvimento dos protagonistas, o roteiro foca por quase metade do filme nas novas relações do casal em separação, incluindo cenas ousadas de sexo. 

A proposta do roteiro, assim como o título do filme, é mostrar que as pessoas não mudam sua essência mesmo após enfrentarem situações complexas e também confundem amor com paixão e desejo, sentimentos estes que duram apenas por algum tempo. 

Aqui vemos paixão, desejo, ódio e frustração, menos o amor.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Nostalgia

Nostalgia (Nostalgia, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Mark Pellington
Elenco – Jon Hamm, Catherine Keener, Ellen Burstyn, Bruce Dern, John Ortiz, Nick Offerman, Amber Tamblyn, Chris Marquette, James Le Gros, Arye Gross, Beth Grant.

Pequenas histórias sobre perdas e lembranças são interligadas em sequência. Tudo começa com um especialista em seguros (John Ortiz) que visita um velho viúvo (Bruce Dern) para analisar seus pertences antigos e na sequência atende uma idosa (Ellen Burstyn) que teve a casa consumida pelo fogo. 

A trama segue para o encontro de uma personagem com o dono de uma loja de objetos esportivos para colecionador (Jon Hamm), que em seguida viaja para visitar a irmã (Catherine Keener) que deseja esvaziar a casa dos pais que mudaram para a Flórida. 

O roteiro escrito por Alex Ross Perry foca nas lembranças que cada objeto pode trazer na vida de uma pessoa. O que parece insignificante em termos de valor monetário pode ter um valor sentimental imensurável para o dono. 

A questão da percepção de que a melhor parte da vida já tenha passado é outro fato explorado pelo roteiro, situação que causa tristeza e sofrimento. 

O ritmo lento pode não agradar, mas se casa perfeitamente com as pequenas tramas e principalmente com a ideia principal do roteiro. A “nostalgia” é lenta, triste e contemplativa. 

É um drama diferente que me agradou.

terça-feira, 2 de julho de 2019

O Favorito

O Favorito (The Front Runner, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Jason Reitman
Elenco – Hugh Jackman, Vera Farmiga, J. K. Simmons, Alfred Molina, Mamoudou Athie, Mark O’Brien, Molly Ephraim, Chris Coy, Alex Karpovsky, Josh Brener, Tommy Dewey, Kaitlyn Dever, Ari Graynor, John Bedford Lloyd, Steve Coulter, Bill Burr, Kevin Pollak, Mike Judge, Steve Zissis, Sara Paxton, Toby Huss.

Faltando apenas três semanas para a eleição presidencial americana em 1988, o senador Gary Hart (Hugh Jackman) estava doze pontos na frente de George Bush pai nas pesquisas. 

Com muito carisma e visto pelo público como alguém que faria uma grande renovação no país, Hart vê seu mundo ruir quando o acaso faz com que dois jornalistas o flagrem com a amante. 

A base da história é esta. O que o roteiro escrito por Jason Reitman em parceria com Matt Bai e Jay Carson apresenta de novidade são os detalhes dos bastidores da crise que levou Hart a renunciar a candidatura. 

Sua relação com a esposa (Vera Farmiga) e a filha (Kaitlyn Dever), sua dificuldade em lidar e falar de sua vida privada, além das diversas figuras entre jornalistas e assessores que tentaram a todo custo defender seus lados. 

É um filme indicado para quem gosta de saber sobre os bastidores da política e do jornalismo.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Quatro Leões

Quatro Leões (Four Lions, Inglaterra / França, 2010) – Nota 7,5
Direção – Christopher Morris
Elenco – Riz Ahmed, Arsher Ali, Nigel Lindsay, Kayvan Novak, Adeel Akhtar, Julia Davis, Craig Parkinson, Preeya Kalidas.

Em Londres, quatro sujeitos de origem árabe planejam detonar bombas em um alvo a ser escolhido. 

Omar (Riz Ahmed) briga pela liderança do grupo com o nervoso Barry (Nigel Lindsay), enquanto Waj (Kayvan Novak) e Faisal (Adeel Akhtar) são dois idiotas que sonham em se tornar homens-bombas mesmo sem entender o porquê. 

O roteiro escrito pelo diretor Christopher Morris tira um sarro dos jihadistas misturando o humor negro tipicamente inglês com algumas cenas que beiram o pastelão, com destaque para a absurda sequência final durante a maratona. 

Tudo isso fica engraçado por causa dos divertidos diálogos que detonam a motivação para este tipo de atitude maluca e fazem rir através da estupidez dos terroristas. 

É impagável também a participação do quinto terrorista vivido por Arsher Ali, que interpreta um cantor de rap. 

É um filme indicado para quem gosta de comédias inteligentes.

domingo, 30 de junho de 2019

Eu, Você e a Garota que Vai Morrer

Eu, Você e a Garota que Vai Morrer (Me, and Earl and the Dying Girl, EUA, 2015) – Nota 8
Direção – Alfonso Gomez Rejon
Elenco – Thomas Mann, Olivia Cooke, RJ Cyler, Nick Offerman, Connie Britton, Molly Shannon, Jon Bernthal, Matt Bennett, Katherine Hughes, Masam Holden.

Greg (Thomas Mann) está no último ano do colégio e sempre preferiu ser invísivel. Cumprimenta a todos, mas não se envolve com grupo algum.

Seu único amigo é Earl (RJ Cyler), com quem cria paródias de filmes cult que eles aprenderam a gostar com o pai de Greg (Nick Offerman), um sociólogo natureba que passa o dia em casa de roupão. 

Quando a mãe de Greg (Connie Britton) praticamente o obriga a telefonar para a garota Rachel (Olivia Cooke), que descobriu estar com leucemia, o fato dá início a uma inesperada amizade. 

Filmes sobre doenças estão no final da minha lista de preferências, porém alguns acertam na forma por retratarem este tipo de situação sem exageros melodramáticos e com personagens complexos. É o caso deste ótimo longa que vai além da doença, focando também em amizade, na questão dos grupos que se formam no colégio, na decisão sobre qual carreira seguir e na forma como os pais olham para os filhos. 

Tudo isso fica ainda melhor por causa do elenco. O trio principal demonstra uma ótima química através de diálogos divertidos e inteligentes, além é claro das divertidas sátiras filmadas pela dupla de amigos. São impagáveis também o pai vivido por Nick Offerman e o professor gente fina interpretado por Jon Bernthal. 

É um filme recomendado para todos.

sábado, 29 de junho de 2019

Tudo o que Tivemos

Tudo o que Tivemos (What They Had, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Elizabeth Chomko
Elenco – Hilary Swank, Michael Shannon, Robert Forster, Blythe Danner, Taissa Farmiga, Josh Lucas, William Smilie.

Após receber a notícia de que a mãe (Blythe Danner) que sofre de Alzheimer desapareceu de casa, Bridget (Hilary Swank) viaja com a filha Emma (Taissa Farmiga) para encontrar o pai (Robert Forster) e o irmão Nick (Michael Shannon). 

A mãe logo é encontrada, mas Bridget se vê em meio a uma briga do irmão com o pai. Nick deseja que a mãe seja colocada em uma casa de repouso, fato refutado com ódio pelo pai. A própria Bridget também enfrenta problemas com o marido (Josh Lucas) e com a crise da filha que deseja largar a universidade. 

O roteiro escrito pela diretora Elizabeth Chomko explora os clichês comuns aos dramas familiares, misturando doenças e frustrações numa salada que funciona quando os diálogos são bons e o elenco afiado.

Aqui temos um ótimo elenco, porém o desenvolvimento da história é apenas razoável. Mesmo a pequena surpresa no final não chega a ser uma grande novidade em relação a situação que a família enfrenta. 

O filme vale a sessão apenas por causa do elenco.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

They Shall Not Grow Old

They Shall Not Grow Old (They Shall Not Grow Old, Inglaterra / Nova Zelândia, 2018) – Nota 7,5
Direção – Peter Jackson
Documentário

Para marcar o centenário do final da Primeira Guerra Mundial, o diretor Peter Jackson fez um trabalho de pesquisa para reunir o maior número possível de filmagens da época. Ele conseguiu preciosidades como cenas de treinamento, dos soldados comendo, brincando e até das trincheiras. 

O documentário é narrado através de relatos registrados por soldados que lutaram na guerra. Jackson seguiu um roteiro na narração mostrando que muitos jovens, inclusive menores de idade se alistaram pensando que a guerra acabaria rapidamente, o que se mostrou um enorme erro. As narrações seguem detalhando as surpresas desagradáveis que os jovens foram enfrentando até chegarem aos terríveis campos de batalha. 

Por mais que eu goste de filmes e documentários sobre guerras, o desenvolvimento da narrativa é um pouco cansativa. Para dar ênfase a determinadas situações, as narrações diferentes acabam repetindo as mesmas histórias algumas vezes. 

É uma obra indicada para pessoas que gostam de história.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Enigmas de um Crime & Perdita Durango


Enigmas de um Crime (The Oxford Murders, Espanha / Inglaterra / França, 2008) – Nota 5
Direção – Alex de la Iglesia
Elenco – Elijah Wood, John Hurt, Leonor Watling, Julie Cox, Jim Carter, Alex Cox, Burn Gorman, Dominique Pinon, Anna Massey, Danny Sapani.

Martin (Elijah Wood) é um matemático que vai fazer um mestrado na Universidade de Oxford na Inglaterra. Seu desejo é ter como tutor o famoso professor Arthur Seldom (John Hurt), um sujeito complexo e egocêntrico. 

O assassinato de um senhora amiga de Arthur, que também hospedava Martin em sua casa dá início a um complexo jogo em que o assassino envia mensagens com símbolos matemáticos relacionados ao que seria a próxima vítima. 

A premissa de utilizar a matemática como fonte de pistas para assassinatos é extremamente interessante, o problema é a forma como o roteiro desenvolve a situação e também o estilo do diretor espanhol Alex de la Iglesia. A narrativa beira a ironia em alguns momentos, com diálogos que variam entre o estranho e o exageradamente técnico em relação a matemática. A explicação para os crimes também não convence. 

É um filme para passar longe.

Perdita Durango (Perdita Durango, México / EUA / Espanha, 1997) – Nota 5
Direção – Alex de la Iglesia
Elenco – Rosie Perez, Javier Bardem, James Gandolfini, Harley Cross, Aimee Graham, Demian Bichir, Screamin Jay Hawkins, Don Stroud, Carlos Bardem, Santiago Segura, Alex Cox.

Perdita Durango (Rosie Perez) e Romeo Dolorosa (Javier Bardem) formam um sinistro casal de criminosos que assaltam bancos, traficam drogas e até cadáveres para magia negra entre a fronteira do México e dos Estados Unidos. Após sequestrarem dois adolescentes (Harley Cross e Aimee Graham), o casal passa a ser perseguido pela polícia, por um ex-parceiro de Romeo (James Gandolfini) e por outros bandidos. 

O cinema insano do diretor espanhol Alex de la Iglesia não me agrada. Não se pode negar que ele tem um estilo próprio, frenético e ousado, mas está longe de agradar a todos. A violência recheada de humor negro e os personagens caricatos são comuns em seus trabalhos. Por mais que seja marcante sua atuação, também é difícil aguentar a histriônica Rosie Perez com sua voz irritante. 

É um filme indicado para um público específico.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Nunca Te Vi, Sempre Te Amei

Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road, Inglaterra / EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – David Jones
Elenco – Anne Bancroft, Anthony Hopkins, Judi Dench, Jean DeBaer, Mercedes Ruehl, Ian McNeice.

Helene Hang (Anne Bancroft) é uma escritora mal humorada e sarcástica que vive em Nova York. Helene adora livros raros que dificilmente são encontrados em sua cidade. 

Ela envia uma carta para uma pequena livraria em Londres em busca de alguns livros e recebe uma simpática resposta também por carta do proprietário Frank P. Doel (Anthony Hopkins). É o início de uma amizade à distância que se estenderá por vinte anos. 

Além das ótimas atuações de Anne Bancroft e Anthony Hopkins, outro grande acerto deste sensível drama é fazer o espectador se emocionar com a vida dos protagonistas através da leitura das cartas. Os protagonistas descrevem sonhos, frustrações, alegrias e tristezas que teriam dificuldades para contar cara a cara. 

O longa também é um exemplo de amor aos livros, indicado é claro para quem adora leitura.

terça-feira, 25 de junho de 2019

O Solista

O Solista (The Soloist, Inglaterra / França / EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Joe Wright
Elenco – Robert Downey Jr, Jamie Foxx, Catherine Keener, Tom Hollander, LisaGay Hamilton, Nelsan Ellis, Rachael Ellis, Stephen Root, Lorraine Toussaint, Justin Martin.

Los Angeles, 2005. O jornalista Steve Lopez (Robert Downey Jr) encontra por acaso em uma praça um morador de rua (Jamie Foxx) tocando violino. Ao se aproximar para conversar, Steve percebe que o sujeito tem problemas psicológicos, mas entende o que está acontecendo ao seu redor. 

O homem diz diz se chamar Nathaniel Ayres Jr e que teria estudado na famosa escola de música Juilliard. Steve pesquisa e descobre que o fato é verdadeiro. Ele decide saber mais sobre Nathaniel para escrever sua história no jornal em que é colunista. 

Baseado numa história real, este longa explora temas bem diferentes entre si como a pressão pelo sucesso e a vida dos moradores de rua, que em sua maioria são pessoas com problemas mentais ou viciadas. 

A relação que o jornalista tenta criar com o perturbado músico o faz entender aos poucos que algumas coisas não tem solução definitiva, além é claro da dificuldade em lidar com uma pessoa desequilibrada. 

O diretor tenta dar um ar poético para as sequências musicais, como se ocorresse uma imersão ao subconsciente do personagem de Jamie Foxx, mostrando que a música acalmaria sua loucura. 

É um filme interessante e ao mesmo tempo triste.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

O Gênio e o Louco

O Gênio e o Louco (The Professor and the Madman, Irlanda, 2019) – Nota 8
Direção – Farhad Safinia
Elenco – Mel Gibson, Sean Penn, Natalie Dormer, Stephen Dillane, Eddie Marsan, Jennifer Ehle, Jeremy Irvine, Steve Coogan, Ioan Gruffudd, David O’Hara, Anthony Andrews, Laurence Fox.

Inglaterra, final do século XIX. Especialista em línguas, o professor James Murray (Mel Gibson) é escolhido pela universidade de Oxford para elaborar um dicionário completo da língua inglesa, detalhando a origem de todas as palavras. 

Em paralelo, o americano Dr. William Chester Minor (Sean Penn) sofre com uma síndrome de perseguição após ter lutado na Guerra da Secessão. Seu problema mental faz com que ele mate um inocente pensando ser seu perseguidor. O médico é enviado para o manicômio, porém o destino faz com que a loucura de Minor e o trabalho de James Murray cruzem o mesmo caminho. 

Para quem ler a sinopse simples desta história real jamais imaginaria que a criação de um dicionário pudesse render um longa interessante e de ótima qualidade.

O roteiro escrito por quatro pessoas, entres eles o diretor Farhad Safinia e o veteraníssimo John Boorman de “Amargo Pesadelo” e “Inferno no Pacífico” foca na tênue fronteira entre a obsessão e a loucura. 

Enquanto o personagem de Mel Gibson é detalhista e obcecado em levar seu trabalho até o fim, o de Sean Penn atravessou a linha imaginária da loucura após vivenciar a violência da guerra. 

O roteiro explora também outros personagens extremamente interessantes como o psiquiatra de Stephen Dillane, o guarda do manicômio vivido por Eddie Marsan e a viúva de Natalie Dormer. 

Sobram ainda críticas para os bizarros tipos de tratamentos psiquiátricos da época. 

É um ótimo filme que desenvolve vários temas partindo de uma premissa simples, a questão da criação do dicionário.

domingo, 23 de junho de 2019

The End of the F***ing World

The End of the F***ing World (The End of the F***ing World, Inglaterra, 2017)
Direção – Jonathan Entwistle & Lucy Tcherniak
Elenco – Jessica Barden, Alex Lawther, Steve Oram, Wunmi Mosaku, Gemma Whelan, Christine Bottomley, Navin Chowdhry.

James (Alex Lawther) é um adolescente estranho e solitário que acredita ser um serial killer. Alyssa (Jessica Barden) também é uma jovem solitária que se sente desprezada pela mãe e odeia o padrasto. Ela é rebelde e fala o que vem na cabeça. 

Os dois se cruzam no colégio e após algumas situações decidem fugir de casa. Eles pegam a estrada e seguem o desejo de Alyssa em reencontrar o pai que não vê há muitos anos. 

Esta série em oito episódios de meia-hora cada mistura drama adolescente, violência e humor negro tipicamente inglês. Esqueça as histórias de amor água com açúcar, a jornada do jovem casal é repleta de sequências violentas e pequenos roubos em meio a coadjuvantes bizarros e canalhas. 

Um dos acertos da série é a narração em off dos protagonistas, que falam o que realmente estão pensando direto para espectador, contradizendo suas palavras e atitudes com os outros personagens. 

A atuação da dupla principal é outro ponto positivo. Alex Lawther está perfeito como o apático protagonista que demonstra dificuldade em se expressar e agir, enquanto Jessica Barden é a adolescente antissocial que esconde seu sofrimento na rebeldia de suas atitudes. 

A série tem um final que não chega a ser aberto, mas que dá margem a uma segunda temporada que deverá ser filmada ainda este ano.

sábado, 22 de junho de 2019

Vidas à Deriva

Vidas à Deriva (Adrift, Hong Kong / Islândia / EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Shailene Woodley, Sam Claflin, Jeffrey Thomas, Elizabeth Hawthorne.

A jovem Tami (Shailene Woodley) abandonou tudo para viver no Taiti, trabalhando no pier e aproveitando o mar.

Ao conhecer Richard (Sam Claflin), que também abandonou sua vida normal para se aventurar no mar com um barco, eles se apaixonam. 

A vontade de velejar pelo mundo se casa perfeitamente com a proposta de um casal amigo, que oferece a Richard o barco deles para ser levado do Taiti até San Diego na Califórnia. A viagem dos sonhos se transforma em pesadelo quando o barco é atingido por uma tempestade. 

Baseado numa história real contada em um best seller, este longa se divide em duas narrativas. A primeira mostra o início do relacionamento do casal até a viagem e a segunda se passa no oceano depois do acidente na tempestade. 

A parte da relação segue a cartilha dos romances açucarados, enquanto as sequências em alto mar apesar de se alongarem um pouco mais do que o ideal, são angustiantes e bem filmadas, muito pelo talento do diretor islandês Baltasar Kormakur, especialista em aventuras e responsável pela ótima série “Trapped”. 

A história ainda revela uma surpresa no final. 

Com certeza os fãs do livro gostaram bastante da adaptação.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Farsa Trágica & A Noite do Demônio


Farsa Trágica (The Comedy of Terrors, EUA, 1963) – Nota 7,5
Direção – Jacques Tourneur
Elenco – Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff, Joyce Jameson, Basil Rathbone, Joe E. Brown.

New England, final do século XIX. Waldo Trumbull (Vincent Price) é o dono de uma decadente agência funerária. Ele é sócio do seu sogro Amos (Boris Karloff), um idoso que sofre de demência. Waldo exagera na bebida e ignora sua esposa Amaryllis (Joyce Jameson), que é uma cantora de ópera frustrada. Para tentar salvar seu negócio, ele e seu assistente Felix (Peter Lorre) passam a cometer assassinatos para conseguirem “novos clientes”.

Recheado de humor negro com diálogos ferinos e situações bizarras, este divertido longa foi um dos últimos trabalhos do diretor Jacques Tourneur. Ele conseguiu reunir uma espécie de trio de ouro do horror (Vincent Price, Peter Lorre e Boris Karloff) para tirar um sarro do gênero, muito bem auxiliados por coadjuvantes engraçados como Joyce Jameson e o guardião do cemitério vivido pelo impagável Joe E. Brown.

Boa diversão para quem gosta de humor negro sem exageros sanguinários.

A Noite do Demônio (Curse of the Demon ou Night of the Demon, EUA, 1957) – Nota 7
Direção – Jacques Tourneur
Elenco – Dana Andrews, Peggy Cummins, Niall MacGinnis, Maurice Denham.

A estranha morte de um amigo professor faz o Dr. John Holden (Dana Andrews) viajar dos EUA para a Inglaterra para descobrir o que ocorreu. O falecido estava investigando um culto satânico comandado pelo Dr. Karswell (Niall MacGinnis). Não demora para entrar em conflito com Karswell, que o amaldiçoa dizendo que ele morrerá em três dias, tempo que Holden terá para desmascarar o charlatão. 

Especialista em filmes de terror e suspense em que a sugestão era utilizada para assustar a plateia, o diretor francês Jacques Tourneur foi obrigado pelo produtor a inserir uma estranha criatura na parte final deste longa. O produtor queira algo explícito, fato que tirou um pouco da qualidade do filme e que hoje se mostra ainda pior. A briga resultou até mesmo em duas versões diferentes e dois títulos. O ponto principal acaba sendo o clima de tensão crescente que toma conta da narrativa resultando numa enorme pressão sobre o protagonista vivido por Dana Andrews. 

É um filme indicado para os fãs de terror antigo.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Entre Inimigos

Entre Inimigos (Into the White, Noruega / Suécia / França, 2012) – Nota 7,5
Direção – Peter Naess
Elenco – Florian Lukas, David Kross, Stig Henrik Hoff, Lachlan Nieboer, Rupert Grint.

No início da Segunda Guerra Mundial, alemães e ingleses lutavam para conquistar a Noruega por causa das reservas de minérios. O destino faz com que um avião de cada país faça um pouso de emergência na mesma região gelada da Noruega. 

Três alemães (Florian Lukas, David Kross e Stig Henrik Hoff) e dois ingleses (Lachlan Nieboer e Rupert Grint) se encontram em uma cabana isolada e precisam deixar a guerra de lado para sobreviver. 

Baseado numa história real, além da luta pela sobrevivência este longa foca na relação que se cria entre inimigos. O roteiro é inteligente ao retratar em diálogos as diferenças entre os personagens, a forma de cada um deles encarar a guerra e também a questão de porque considerar o próximo um inimigo somente porque ele nasceu em outro país. Os letreiros finais explicam um pouco mais sobre a inusitada relação de amizade. 

Vale também destacar as belas locações geladas. 

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Chernobyl

Chernobyl (Chernobyl, EUA / Inglaterra, 2019) – Nota 10
Direção – Johan Renck
Elenco – Jared Harris, Stellan Skarsgard, Emily Watson, Jessie Buckley, Paul Ritter, David Dencik, Ralph Ineson, Adam Nagaitis, Sam Troughton, Con O’Neill, Adrian Rawlins, Barry Keoghan, Donald Sumpter.

Em 26 de Abril de 1986, um reator da usina nuclear de Chernobyl explodiu causando o pior acidente do gênero na história do mundo. Esta minissérie produzida pela HBO em cinco episódios detalha as causa e as consequências do acidente. 

O roteirista Craig Mazin utilizou gravações deixadas pelo professor Valery Legasov, interpretado aqui por Jared Harris, como base para descrever os bastidores do ocorrido. O ponto principal da história é expor como a opressão e a arrogância do regime comunista criaram esta tragédia que por pouco não se transformou numa catástrofe gigantesca. 

O roteiro deixa claro como as relações profissionais e pessoais na antiga União Soviética eram ditadas pelo medo. Os funcionários da usina que perceberam que havia algo de errado morriam de medo de confrontar os chefes, que por seu lado ignoravam o perigo da usina. 

Este tipo de situação se repetia entre o líderes do conselho do soviético, que perceberam o risco de uma catástrofe ainda maior somente após Legasov bater de frente mostrando o que realmente ocorreu. 

A sequência de fatos absurdos e total falta de respeito com o ser humano é inacreditável, tudo em nome da soberania do maldito Estado Comunista. A forma como todos estes fatos são detalhados resulta numa minissérie sensacional que vai além da tragédia. 

Os destaques do elenco ficam para Jared Harris perfeito como o protagonista, Stellan Skarsgard acertando na composição do político Boris Shcherbina e de Emily Watson como uma cientista que os auxilia, sendo esta uma personagem fictícia. Vale citar os letreiros finais que explicam o porquê da personagem de Watson e os números da tragédia. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Glory

Glory (Slava, Bulgária / Grécia, 2016) – Nota 8
Direção – Kristina Grozeva & Petar Valchanov
Elenco – Stefan Denolyubov, Margita Gosheva.

Tzanko Petrov (Stefan Denolyubov) é um solitário funcionário do governo que faz manutenção nos trilhos de trem. Ao encontrar uma grande quantidade de dinheiro na beira dos trilhos, o honesto Tzanko avisa a polícia. 

A notícia se espalha e como o Ministério dos Transportes da Bulgária enfrenta um escândalo de desvio de verba, a Relações Públicas Julia Staykova (Margita Gosheva) decide utilizar o simplório Tzanko como propaganda do governo. 

Vestindo roupas simples e com uma terrível dificuldade em falar por conta de uma gagueira, o sujeito é visto como piada pelas pessoas que trabalham com Julia. Uma confusão por causa de um relógio usado por Tzanko dá início a uma série de desencontros e problemas. 

Muitos filmes produzidos nos antigos países socialistas como Romênia, Bósnia, Sérvia e neste caso a Bulgária mostram como a burocracia e a corrupção estatal continuam enraizadas nestas sociedades. 

O protagonista aqui é jogado em meio a uma situação que foge de seu controle e que mexe com algo pessoal que é tratado com desprezo pelos funcionários do governo, principalmente a arrogante personagem vivida por Margita Gosheva, que por seu lado também enfrenta uma crise em seu casamento. A série crescente de injustiças leva a um final forte, mas também não tão surpreendente. 

É ótimo um drama que merece ser conhecido.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Ponto Cego

Ponto Cego (Blindspotting, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Carlos López Estrada
Elenco – Daveed Diggs, Rafael Casal, Janina Gavankar, Jasmine Cepha Jones, Ethan Embry, Tisha Campbell Martin, Kevin Carroll.

Faltando três dias para acabar o período de liberdade condicional, Collin (Daveeg Diggs) se mostra ansioso e fica extremamente preocupado quando testemunha um policial (Ethan Embry) matando um bandido que estava fugindo. 

Ele precisa ainda lidar com o amigo Miles (Rafal Casal), um sujeito instável que é seu parceiro de trabalho em uma empresa de mudanças. Collin tenta também se reaproximar de sua ex-namorada (Janina Gavankar). 

Mesmo com algumas situações forçadas como a sequência na casa do policial, este longa ganha pontos pela criatividade da montagem e da narrativa, além da química entre os atores Daveed Diggs e Rafael Casal. 

O roteiro escrito pela dupla de atores foca no preconceito, mas também nos erros de seus próprios personagens, deixando de lado o vitimismo comum aos filmes atuais do gênero. Vale citar também as locações realistas na periferia da cidade de Oakland. 

É um bom filme sobre um tema polêmico.

domingo, 16 de junho de 2019

Perfeitos Desconhecidos

Perfeitos Desconhecidos (Perfetti Sconosciuti, Itália, 2016) – Nota 7,5
Direção – Paolo Genovese
Elenco – Giuseppe Battiston, Anna Foglietta, Marco Giallini, Edoardo Leo, Valerio Mastandrea, Alba Rohrwacher, Benedetta Porcaroli, Kasia Smutniak.

Três casais e um amigo divorciado se encontram no apartamento de um deles para um jantar. 

O que seria uma noite tranquila, vira de ponta de cabeça quando a psicanalista Eva (Kasia Smutniak) dá a sugestão de que todos coloquem o celular ligado na mesa e quando receberem qualquer tipo de mensagem ou ligação, revelem o conteúdo para os outros. Uma série de segredos e mentiras acabam vindo à tona. 

Antes do também criativo “Oportunistas”, o diretor italiano Paolo Genovese entregou este divertido longa que coloca em discussão a tecnologia sendo utilizada para esconder segredos e traições entre parceiros e amigos. 

A proposta da personagem em abrir a vida da pessoa através do conteúdo do celular mostra ao mesmo tempo como o ser humano se transformou dependente dos gadgets eletrônicos e também como o a traição entre casais nunca deixará de existir. 

Os diálogos variam entre discussões divertidas, conflitos patéticos e revelações dolorosas. O bom elenco ajuda bastante em elevar a qualidade do longa. 

Vale citar que a história já foi refilmada na Espanha e no México.

sábado, 15 de junho de 2019

O Quinto Elemento & Valerian e a Cidade dos Mil Planetas


O Quinto Elemento (The Fifth Element, França, 1997) – Nota 6,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Bruce Willis, Gary Oldman, Milla Jovovich, Ian Holm, Chris Tucker, Brion James, Luke Perry, Tommy “Tiny” Lister, Lee Evans, Charlie Creed Miles, John Neville, Mathieu Kassovitz.

Século XXIII. A Terra corre perigo. Um industrial milionário (Gary Oldman) se une a mercenários alienígenas para tentar recuperar quatro pedras místicas que seriam fundamentais para a tomada do planeta por uma entidade conhecida como Grande Mal. 

Para defender a Terra, cientistas criam uma humanóide batizada como Leeloo (Milla Jovovich), que termina escapando do laboratório. Ela cruza o caminho do ex-militar Korben Dallas (Bruce Willis) que ganha a vida como motorista de táxi. Os dois se unem para também procurar as pedras, além de tentar descobrir qual seria o quinto elemento da equação. 

Lançado na época com uma gigantesca campanha de marketing, esta produção marcou a guinada na carreira do diretor francês Luc Besson. Até então seus trabalhos seguiam um estilo próprio com visual caprichado mas sem os exageros deste longa. 

A ideia de Besson era lançar um blockbuster francês copiando o estilo hollywoodiano, inclusive utilizando astros como Bruce Willis que estava no auge da carreira e Gary Oldman. A então jovem Milla Jovovich era sua esposa e protagonizaria dois anos depois o também contestado “Joana D’Arc”. 

Besson acertou a mão no visual e no ritmo da narrativa, mas entregou uma história confusa com personagens exagerados e um deles extremamente irritante vivido pelo comediante Chris Tucker. 

O filme foi sucesso de bilheteria e se tornou um cult, mesmo com as falhas citadas. 

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets, França / China / Bélgica / Alemanha / Emirados Árabes Unidos / EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Herbie Hancock, Sam Spruell, Alain Chabat, Kris Wu, Rutger Hauer, Louis Leterrier.

No futuro, diversas raças de alienígenas se uniram aos humanos e construíram uma Estação Espacial Intergaláctica. O major Valerian (Dane DeHaan) e sua namorada sargento Laureline (Cara Delevingne) trabalham para uma espécie de polícia espacial. Durante uma missão, um incidente em um determinado planeta coloca em risco a vida no universo. 

O diretor francês Luc Besson bancou esta caríssima produção baseada em um famoso comic book adolescente. Como é comum nos filmes do diretor, o visual é extremamente caprichado, colorido, repleto de criaturas estranhas e exagerado. 

Este tipo de visual e as cenas de ação ao estilo Star Wars agradam o público fã do gênero, porém para o espectador comum, o roteiro raso e os diálogos infantis cheios de piadinhas são difíceis de encarar até o final. 

Para piorar, as atuações de Dane DeHaan e Cara Delevingne são péssimas, lembrando personagens de algum sitcom adolescente. Nem mesmo a presença de coadjuvantes famosos como Clive Owen e Ethan Hawke ajudam, assim como a personagem de Rihanna que é inserida na trama apenas para ser um chamariz para adolescentes. 

É um filme para o espectador que gosta de obras adultas passar longe.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Stalingrado - A Batalha Final

Stalingrado – A Batalha Final (Stalingrad, Alemanha, 1993) – Nota 8
Direção – Joseph Vilsmaier
Elenco – Dominique Horwitz, Thomas Kretschmann, Jochen Nickel, Sebastian Rudolph, Dana Vavrova, Martin Benrath, Sylvester Groth.

Verão de 1942, Segunda Guerra Mundial. Dominando grande parte da Europa, Hitler decide invadir a União Soviética.

Um grupo de soldados liderados pelo inexperiente tenente Hans von Witzland (Thomas Kretschmann) viaja de trem e ao chegar ao país encontra o caos. 

Os nazistas acreditando que vencerão a guerra rapidamente são derrotados aos poucos, primeiro nas duras batalhas contra os soviéticos e posteriormente com a chegada do implacável inverno. 

Pouco conhecido, este ótimo longa explora a visão de soldados alemães que foram obrigados a lutar mesmo sem acreditar nos absurdos ideais nazistas.

O roteiro detalha uma verdadeira saga deste grupo em busca da sobrevivência e da tentativa de manter a dignidade em meio a tragédia. Esqueça os heroísmos habituais do gênero, aqui vemos o sofrimento, o medo, o choro e o desespero de quem deseja apenas voltar para casa. 

Filme indicado para quem gosta de dramas de guerra com boas cenas de ação.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A Colina Escarlate

A Colina Escarlate (Crimson Peak, Canadá / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Guillermo del Toro
Elenco – Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam, Jim Beaver, Burn Gorman, Leslie Hope, Doug Jones, Jonathan Hyde.

Quando criança, Edith Cushing (Mia Wasikowska) viu a mãe morrer doente e passou a sofrer com pesadelos e visões do fantasma da falecida. Em todos os pesadelos o fantasma dizia para Edith tomar cuidado com a colina escarlate. 

Adulta, Edith ignora o médico Alan (Charlie Hunnam) e se apaixona pelo sedutor Thomas (Tom Hiddleston), que esconde uma estranha relação com a irmã (Jessica Chastain). 

Quando o pai de Edith (Jim Beaver) morre assassinado, a garota se casa com Thomas e muda para a mansão da família. É o início de uma relação de terror. 

Assim como em todos os trabalhos do diretor Guillermo del Toro, a parte técnica aqui é caprichada. Ótimos efeitos especiais nas aparições do fantasma, cenas de violência sangrentas e o figurino de época impecável. O problema é que tudo isso esconde uma trama totalmente previsível. 

É um filme com uma “casca” belíssima e um conteúdo requentado.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Black Summer

Black Summer (Black Summer, EUA, 2019)
Direção – John Hyams & Abram Cox
Elenco – Jaime King, Justin Chu Cary, Christine Lee, Sal Velez Jr., Kelsey Flower, Erika Hau, Gwynyth Walsh, Edsson Morales, Nyren B. Evelyn.

Uma forte sirene faz com que várias pessoas saiam correndo de suas casas em um bairro de subúrbio. Elas tentam chegar até os caminhões do exército que seguem para um estádio na região. 

A situação caótica ocorre porque os mortos se transformaram em zumbis extremamente agressivos. Neste contexto, vários personagens lutam para sobreviver e chegar até o estádio. 

Esta tentativa da Netflix em emplacar um sucesso no rastro de “The Walking Dead” resultou em uma divertida série ruim. O roteiro não se preocupa em desenvolver os personagens ou dar explicações para o que está ocorrendo, o foco é a correria desenfreada dos personagens e os confrontos com os zumbis. 

As cenas de ação, suspense e violência realmente prendem a atenção, inclusive com várias sequências de personagens correndo dos zumbis. Diferente de “The Walking Dead”, aqui os zumbis são extremamente rápidos. 

Por outro lado, a série deixa bastante a desejar nos personagens sem carisma, nos erros de continuidade e nos diálogos fracos. Por sinal, a série tem oito episódios, sendo que os dois últimos são bem curtos e praticamente sem diálogos. São sequências de ação ininterruptas até o final que deixa um gancho para a segunda temporada.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Carrasco Americano

Carrasco Americano (American Hangman, Canadá, 2019) – Nota 6
Direção – Wilson Coneybeare
Elenco – Donald Sutherland, Vincent Kartheiser, Paul Braunstein, Oliver Dennis, Joanne Boland, Paul Amato.

Dois desconhecidos (Donald Sutherland e Paul Braunstein) acordam acorrentados em um porão. Um terceiro homem (Vincent Kartheiser) entra no local, liga algumas câmeras e dá ordens aos “prisioneiros” que precisam responder algumas questões. Tudo isso é transmitido ao vivo pela internet, chamando a atenção de uma hacker (Joanne Boland) que avisa a polícia. 

O início lembra bastante o primeiro “Jogos Mortais”, inclusive com um dos personagens citando o longa. Não demora para a história mudar de rumo e a verdadeira e inusitada motivação do sequestrador vir à tona. 

Esta motivação é criativa, porém o desenvolvimento capenga da história e as atuações sofríveis atrapalham bastante. O único destaque do elenco fica para o veterano Donald Sutherland, que tenta dar dignidade ao seu personagem que aos poucos revela sua identidade e caráter. 

É um filme curioso e ao mesmo tempo descartável.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

O Mensageiro

O Mensageiro (The Postman, EUA, 1997) – Nota 7
Direção – Kevin Costner
Elenco – Kevin Costner, Will Patton, Larenz Tate, Olivia Williams, James Russo, Daniel Von Bargen, Scott Bairstow, Joe Santos, Giovanni Ribisi, Shawn Hatosy, Tom Petty, Mary Stuart Masterson.

Para sobreviver em meio ao caos de um futuro apocalíptico, um sujeito (Kevin Costner) se passa por carteiro para visitar comunidades dizendo que o governo está sendo restaurado. 

O objetivo da mentira é trazer esperança às pessoas e criar uma motivação para enfrentarem um violento grupo liderado por um general (Will Patton) que deseja dominar o que sobrou do país. 

Assim como “Waterworld” que Costner dirigiu dois anos antes e foi massacrado pela crítica, este “O Mensageiro” nasceu praticamente “morto”, fracassando nas bilheteiras. 

Eu considero que são dois filmes interessantes, que sofreram por causa do altos orçamentos que irritaram os críticos e pelo próprio ego de Kevin Costner que teimou em montá-los com longa duração. 

Além da duração, as duas histórias guardam semelhanças por se passarem em mundos destruídos e por terem um protagonista misterioso vivido por Costner. 

A questão da duração deixa a narrativa irregular, falhando em alguns momentos de patriotismo exagerado.

Para quem gosta do gênero, o longa é muito bem produzido na parte técnica e entrega também boas cenas de ação.

domingo, 9 de junho de 2019

Galveston & Back Roads


Galveston (Galveston, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Mélaine Laurent
Elenco – Ben Foster, Elle Fanning, Beau Bridges, Robert Aramayo.

Diagnosticado com um câncer em estágio avançado, o criminoso Roy (Ben Foster) é enviado por seu chefe (Beau Bridges) para uma missão que na verdade é uma cilada. Roy mata três sujeitos e consegue escapar levando consigo a jovem prostituta Rocky (Elle Fanning), que pelo caminho pega sua filha pequena. Eles fogem em direção a cidade natal da garota, sabendo que estão marcados para morrer. 

Dirigido pela atriz francesa Mélanie Laurent, este longa chama a atenção por ser baseado em um livro de Nic Pizzolatto, roteirista da ótima série “True Detective”. 

Apesar das fortes atuações de Ben Foster e Elle Fanning e das locações por decadentes cidades do meio-oeste americano, eu esperava mais do filme. A carga dramática ligada ao passado dos protagonistas e a violência se perdem um pouco em meio a narrativa irregular e a história previsível. 

É um filme independente apenas razoável.

Back Roads (Back Roads, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Alex Pettyfer
Elenco – Alex Pettyfer, Nicola Peltz, Jennifer Morrison, Juliette Lewis, Robert Patrick, Tom Everett Scott, Danika Yarosh, Chiara Aurelia, Hala Finley, Robert Longstreet.

Pennsylvania, 1993. O jovem inseguro Harley (Alex Pettyfer) carrega a responsabilidade de cuidar das três irmãs mais novas após sua mãe (Juliette Lewis) matar o marido abusivo e ser presa. 

Amber (Nicola Peltz) é a irmã rebelde que entra em conflito diário com o irmão, enquanto a adolescente Misty (Chiara Aurelia) parece indiferente ao crime cometido pela mãe e a pequena Jody (Hala Finley) tenta se adaptar a situação. 

Quando Harley se torna íntimo de Callie (Jennifer Morrison), que é casada, segredos vem à tona complicando ainda mais a vida da família. 

O ator Alex Pettyfer estreia como diretor de forma positiva neste complexo drama familiar. Por sinal, seu trabalho como diretor é bem melhor que sua atuação, em que exagera na insegurança do personagem. 

Isto não chega a atrapalhar a história, que foca em segredos e abusos, entregando ainda uma pequena surpresa no final. Destaque para o clima de desesperança que permeia toda a narrativa.