domingo, 19 de maio de 2019

Vice

Vice (Vice, EUA, 2018) – Nota 8
Direção – Adam McKay
Elenco – Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Jesse Plemons, Alison Pill, Eddie Marsan, Justin Kirk, LisaGay Hamilton, Bill Camp, Don McManus, Lily Rabe, Shea Whigham, Stephen Adly Guirgis, Tyler Perry.

Para quem acompanha política internacional, o nome do ex-vice presidente americano Dick Cheney (Christian Bale) ficou famoso durante o governo de George W. Bush (Sam Rockwell) por causa das aventuras do exército americano no Afeganistão e no Iraque. 

O roteiro escrito pelo diretor Adam McKay detalha a vida de Cheney desde sua complicada juventude em Wyoming, passando pelo ultimato dado pela então jovem esposa Lynne (Amy Adams) e a ligação com o senador Donald Rumsfeld (Steve Carell) até chegar à Casa Branca e se tornar o segundo homem mais poderoso do mundo. 

MacKay repete a narrativa detalhista com tons de ironia semelhante ao superior “A Grande Aposta”, também protagonizado por Christian Bale e Steve Carell. A atuação do elenco é sensacional. Bale engordou muitos quilos para encarnar Cheney, Steve Carell criou um Rumsfeld canalha até a medula, Amy Adams está perfeita como a ambiciosa esposa de político e Sam Rockwell acerta no tom do irresponsável Bush. 

Destaque também para o curioso papel de Jesse Plemons, que inclusive é o narrador da história. Seu personagem acaba tendo uma importância enorme na vida de Cheney, fato que muitas pessoas desconhecem. 

É uma biografia indicada para quem tem curiosidade sobre os bastidores da política.

sábado, 18 de maio de 2019

A Caminho de Casa

A Caminho de Casa (A Dog’s Way Home, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Charles Martin Smith
Elenco – Ashley Judd, Bryce Dallas Howard, Jonah Hauer King. Edward James Olmos, Alexandra Shipp, Chris Bauer, Barry Watson, Motell Gyn Foster, John Cassini, Brian Markinson, Patrick Gallagher.

Lucas (Jonah Hauer King) é um jovem estudante de medicina que luta para salvar uma família de gatos que vive debaixo dos escombros de uma casa abandonada. 

Um determinado fato faz com que Lucas encontre uma filhote de cão que ele batiza de Bella (voz de Bryce Dallas Howard). A cadela se torna o xodó de Lucas, de sua namorada (Alexandra Shipp) e de sua mãe (Ashley Judd).

Um desencontro termina por afastar Bella da família, que mesmo a muitos quilômetros de distância sonha em reencontrar seu dono. 

Esta produção é do tipo que agrada crianças e também adultos que não se incomodarem com os clichês, os absurdos e os furos no roteiro. 

A relação entre Bella e sua dono emociona, o que é normal em filmes com cães, porém o melhor é sem dúvida a segunda parte do longa que foca na aventura da volta para casa. 

O filme ganha pontos pela “atuação” canina, mesmo levando em conta que muitas cenas devem ter sido criadas em CGI. 

É basicamente uma sessão da tarde.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Hanna

Hanna (Hanna, EUA / Inglaterra / Alemanha, 2011) – Nota 6,5
Direção – Joe Wright
Elenco – Saoirse Ronan, Eric Bana, Vicky Krieps, Cate Blanchett.

A adolescente Hanna (Saoirse Ronan) vive com seu pai Erik (Eric Bana) em um local isolado na floresta. Os dois treinam lutas, tiros e formas de defesa pessoal. Logo, descobrimos que Erik é um agente secreto. 

Ao seguir para uma nova missão e deixar Hanna sozinha, um grupo de agentes liderados por Marissa (Cate Blanchett) é enviado para sequestrar a garota, que consegue escapar. É o início de uma corrida em busca do pai. 

O desenrolar da trama lembra os filmes de espionagem adolescentes dos anos oitenta, com muita correria, violência e alguns absurdos, além é claro de uma pequena surpresa no final. 

A bela e também boa atriz Saoirse Ronan dá conta do recado como a heroína adolescente, enquanto Cate Blanchett se mostra à vontade no papel da vilã. 

Agora em 2019 está sendo lançado um seriado com o mesmo título baseado neste longa.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

22 de Julho

22 de Julho (22 July, Noruega / Islândia / EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Anders Danielsen Lie, Jonas Strand Gravli, Jon Oigarden, Maria Bock, Thorbjorn Harr, Seda Witt, Isak Bakli Aglen.

No dia 22 de Julho de 2011, Anders Behring Breivik (Anders Danielsen Lee) colocou uma bomba em frente a edifícios do governo norueguês em Oslo. Após a explosão, o rapaz seguiu de carro para um acampamento de verão em uma ilha próxima e assassinou vários adolescentes. 

Considerado o pior ataque terrorista ocorrido na Noruega, este longa foi adaptado para o cinema pelo diretor Paul Greengrass, que se baseou em um famoso livro sobre o caso. 

Este é o quarto trabalho do diretor baseado em uma história real envolvendo violência como consequência de ódio e preconceito. Os ótimos “Domingo Sangrento”, “Voo United 93” e “Capitão Phillips” são superiores a este que comento, que mesmo assim é um bom filme. 

O longa pode ser dividido em duas partes. A primeira hora é bem mais intensa ao focar na ação do terrorista, chegando até o momento de sua captura. A parte final muda o chave e transforma a história em um drama que também é dividido em duas subtramas. O julgamento do protagonista e sua relação com seu advogado (Jon Oigarden) que é obrigado a defendê-lo e o sofrimento de um jovem sobrevivente (Jonas Strand Gravli) ao lado de sua família. 

O destaque do elenco fica para Anders Danielsen Lie, que aos poucos vai construindo uma boa carreira (“A Noite Devorou o Mundo” e “Oslo, 31 de Agosto”) e que aqui interpreta o assustador terrorista de sangue gelado e totalmente sem remorso. 

É um filme extremamente forte que merece ser conhecido.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Marcados Pela Guerra

Marcados Pela Guerra (Camp X-Ray, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Peter Sattler
Elenco – Kristen Stewart, Payman Maadi, John Carroll Lynch, Lane Garrison, Marco Kahn.

Cole (Kristen Stewart) é uma soldado que recebe a missão de trabalhar como guarda na prisão da Ilha de Guantánamo. 

Sem experiência alguma, a jovem se surpreende com a forma desumana como os presos são tratados, sem direito a visitas, advogados ou mesmo um julgamento. 

Aos poucos, ela cria uma complicada relação com Ali (Payman Maadi), que está preso no local há mais de oito anos. 

O roteiro escrito pelo diretor Peter Sattler faz uma crítica a forma como os prisioneiros são mantidos e principalmente sobre a questão da falta de direitos jurídicos.

Ao mesmo tempo, com o desenrolar da história o foco principal passa a ser a relação entre guarda e prisioneiro, que tentam demonstrar um pouco de humanidade, mesmo quebrando regras. 

No final ainda fica a dúvida se o personagem de Payman Maadi era mesmo terrorista. 

O resultado é um bom drama sobre um tema polêmico.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Oro & 1898: Os Últimos das Filipinas


Oro (Oro, Espanha, 2017) – Nota 7
Direção – Agustin Diaz Yanez
Elenco – Raul Arévalo, Bárbara Lennie, Oscar Jaenada, Jose Coronado, José Manuel Cervino, Antonio Dechent, Luis Callejo, Anna Castillo, Juan José Ballesta, Andrés Gertrudix.

Floresta Amazônia, século XVI. Uma expedição espanhola liderada por Don Gonzalo (José Manuel Cervino) procura uma lendária cidade de ouro. 

Cansado pela idade, Don Gonzalo tenta manter seu poder em meio a um grupo heterogêneo de espanhóis e indígenas que sonham com o ouro e alguns também em possuir a bela esposa do líder (Bárbara Lennie), que por seu lado deseja o soldado Martin Dávila (Raul Arévalo). 

O violento capitão Gorriamendi (Oscar Jaenada) comanda alguns homens, enquanto o veterano sargento Bastaurrés (Jose Coronado) tenta manter a paz em meio a um inevitável conflito. 

Esta produção espanhola me surpreendeu de forma positiva. O roteiro explora com competência a questão da ambição por riqueza e poder, além da luta entre homem e natureza, sem contar os confrontos com os indígenas. 

As ótimas locações, as boas cenas de ação, a violência e o clima de tensão são destaques. A recriação do que seria uma expedição é bastante realista, com os soldados brutos, sujos e prontos para matar ou morrer. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma boa opção.

Os Últimos das Filipinas (1898. Los Últimos de Filipinas, Espanha, 2016) – Nota 6,5
Direção – Salvador Calvo
Elenco – Luis Tosar, Javier Gutierrez, Alvaro Cervantes, Karra Elejalde, Carlos Hipólito, Eduard Fernandez.

Ilha de Baler, Filipinas, 1898. Um grupo que luta pela independência do país ataca e mata praticamente todo um batalhão de soldados espanhóis. Tentando ainda manter a colônia, a Espanha envia um novo batalhão liderado pelo capitão De Las Morenas (Eduard Fernandez) e pelo tenente Martin Cerezo (Luis Tosar). O grupo recheado de jovens soldados inexperientes, logo se vê encurralado pelos locais no terreno de uma igreja. É o início de uma longa batalha. 

Baseado na história real do último regimento espanhol que lutou nas Filipinas, este longa tem uma boa premissa, algumas situações interessantes e uma narrativa bastante irregular. Ao mesmo tempo em que a longa duração de mais de duas horas deixa o filme um pouco cansativo, o roteiro também se mostra picotado por perder tempo em detalhes ao ter que cobrir um conflito que durou bastante tempo. 

A passagem do tempo se mostra confusa e algumas situações como a questão dos alimentos é muito mal explicada. A cenas de batalha são sangrentas e a relação entre os soldados tensas. O roteiro ainda coloca em discussão a questão da obediência cega dos militares frente a uma luta praticamente perdida. 

Pela qualidade da produção e a boa premissa, era esperado um filme bem melhor.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Estrangulado

Estrangulado (A Martfui Rem, Hungria, 2016) – Nota 7,5
Direção – Arpad Sopstis
Elenco – Karoly Hajduk, Gabor Jaszberenyi, Zsolt Anger, Peter Barnai, Zsolt Trill, Zsofia Szamosi.

Martfui, Hungria, 1956. Uma mulher é assassinada e a polícia prende o amante que havia abandonado a esposa há pouco tempo. Torturado pela polícia, Reti (Gabor Jaszberenyi) confessa o crime e termina condenado. 

Sete anos depois, ocorre um crime semelhante que desperta a curiosidade de um jovem promotor (Peter Barnai). Ao investigar o caso, o promotor descobre outros crimes que podem comprovar que Reti era inocente e que o verdadeiro assassino ainda está a solta. 

Esta história real lembra bastante os crimes cometidos pelo serial killer conhecido como Chikatilo que matou diversas pessoas em Rostov na União Soviética durante os anos oitenta e que rendeu os bons filmes “Cidadão X” e “Evilenko”

Assim como no caso soviético, aqui os crimes ficaram impunes por muitos anos por causa da corrupção, da incompetência policial e principalmente da arrogância das autoridades comunistas que se negavam a aceitar que pudesse existir um serial killer em seus países, fato que seria considerado uma fraqueza do regime. 

Este filme húngaro incomoda bastante o espectador por causa do clima sombrio e da forma crua como as sequências dos crimes são detalhadas, além das sinistras cenas de sexo ligadas aos assassinatos.

domingo, 12 de maio de 2019

Vidas que se Cruzam

Vidas que se Cruzam (The Burning Plain, EUA / Argentina, 2008) – Nota 6,5
Direção – Guillermo Arriaga
Elenco – Charlize Theron, Jennifer Lawrence, Kim Basinger, Joaquim de Almeida, John Corbett, JD Pardo, José Maria Yazpik, Danny Pino, Robin Tunney, Rachel Ticotin, Brett Cullen.

Um casal de amantes morre queimado em um trailer no deserto. O marido da adúltera não se conforma com a situação e culpa a família do amante da esposa. Os filhos de cada família tentam seguir a vida. 

Em outra narrativa, a gerente de um restaurante (Charlize Theron) tem uma confusa relação com o cozinheiro (John Corbett). 

O mexicano Guillermo Arriaga é conhecido pelos roteiros de “21 Gramas” e “Amores Brutos”, longas de Alejandro Gonzalez Iñarritu. Aqui Arriaga estreou na direção e tentou explorar o mesmo estilo de “Amores Brutos” através de três narrativas que se cruzam. O problema principal é que a trama se mostra previsível. Antes da metade do filme o cinéfilo mais experiente vai amarrar toda a história. 

É interessante citar que as personagens principais são as mulheres. Charlize Theron, Jennifer Lawrence ainda bem jovem e Kim Basinger carregam o filme à frente de um fraco elenco masculino, com exceção de Joaquim de Almeida. 

Vale destacar ainda as locações na divisa entre México e Estados Unidos.

sábado, 11 de maio de 2019

A Aparição

A Aparição (L'apparition, França / Bélgica / Jordânia, 2018) – Nota 6,5
Direção – Xavier Giannoli
Elenco – Vincent Lindon, Galatéa Bellugi, Patrick d’Assumçao, Anatole Taubman, Elina Lowensohn.

Jacques Mayano (Vincent Lindon) é um jornalista investigador especializado em cobrir zonas de conflito. Ele passa por uma crise após seu amigo fotógrafo e parceiro de trabalho ser assassinado durante uma reportagem. 

A chance de esquecer a tragédia surge quando um emissário do Vaticano oferece um inusitado trabalho. Mayano é convidado para se juntar a um grupo de pessoas que irá analisar se é verdade que uma adolescente (Galatéa Bellugi) fora testemunha da aparição da Virgem Maria. O grupo segue para uma pequena cidade do interior da França para encontrar a garota. 

A ótima premissa de detalhar o processo utilizado pelo Vaticano para analisar se realmente ocorreu um milagre ou se tudo é uma farsa infelizmente é desenvolvida de forma irregular. As quase duas horas e meia de duração atrapalham bastante o ritmo da narrativa. 

O roteiro tem algumas boas ideias, como colocar um protagonista cético que acredita apenas no concreto e ao mostrar que a politicagem e os preconceitos também são comuns no Vaticano e nos chamados especialistas. 

A explicação para o que realmente ocorreu também é interessante e plausível, porém até chegar lá muitos espectadores terão desistido no meio do caminho. É um filme que eu esperava mais.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Coragem Sob Fogo

Coragem Sob Fogo (Courage Under Fire, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – Edward Zwick
Elenco – Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamond Phillips, Matt Damon, Michael Moriarty, Scott Glenn, Bronson Pinchot, Seth Gilliam, Regina Taylor, Zeljko Ivanek, Tim Guinee, Sean Astin.

Na Guerra do Golfo, durante uma confusa batalha noturna, o oficial Nat Serling (Denzel Washington) dá a ordem para um ataque sem saber que o alvo era um tanque americano. O exército prefere abafar o caso. 

Serling recebe como novo trabalho entrevistar sobreviventes de um conflito no deserto que resultou na morte de uma oficial (Meg Ryan) após a queda de um helicóptero. A missão de Serling é dar o aval para a falecida receber uma medalha de forma póstuma. O problema é que os depoimentos dos sobreviventes são conflitantes, enquanto o próprio Serling sofre por guardar o segredo de seu erro. 

A grande sacada do roteiro é mostrar a mesma situação através de pontos de vistas diferentes. O acidente do helicóptero e o conflito em terra contra os soldados iraquianos revelam versões que deixam em dúvida se a oficial morta era uma heroína ou uma covarde. 

O filme perde alguns pontos por ser previsível na questão das atitudes do protagonista em relação a sua crise pessoal. Esta situação leva a um final que beira o melodrama ao misturar redenção com a verdade sobre os dois casos.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Project Blue Book

Project Blue Book (Projeto Blue Book, EUA, 2019)
Criador – David O’Leary
Elenco – Aidan Gillen, Michael Malarkey, Laura Mennell, Ksenia Solo, Neal McDonough, Michael Harney, Robert John Burke.

Início dos anos cinquenta. O professor J. Allen Hynek (Aiden Gillen) recebe uma proposta para trabalhar em um projeto da Força Aérea Americana batizado como “Blue Book”. 

Ao lado do capitão Michael Quinn (Michael Malarkey), Hynek investiga diversos casos de aparecimentos de OVNIs, abudções e fatos a princípio sem explicação.

Enquanto uma dupla de generais (Neal McDonough e Michael Harney) deseja que Hynek encontre explicações para abafar os casos, o professor luta para descobrir a verdade. 

Esta série me chamou atenção pelo tema. Gosto muito deste tipo de ficção, porém a série deixou um pouco a desejar. As tramas são baseadas em casos reais estudados pelo verdadeiro J. Allen Hynek, que se tornou um expert um ufologia. 

Por mais que as premissas de cada episódio sejam interessantes, a série sofre do mal do gênero como acontecia em “Arquivo X” por exemplo. Os dez episódios da primeira temporada deixaram várias perguntas sem respostas, incluindo uma conspiração envolvendo coadjuvantes que se aproximam da esposa do professor (Laura Mennell), que é uma típica dona de casa dos anos cinquenta. Algumas soluções para os casos e os efeitos especiais também falham em alguns momentos. 

O sempre coadjuvante e geralmente vilão Aidan Gillen responde bem no papel do protagonista, se mostrando muito melhor que Michael Malarkey, ator sem carisma algum que interpreta seu parceiro. 

Uma segunda temporada deve ser produzida. Provavelmente verei pela curiosidade, mas eu esperava uma série um pouco melhor. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Headshot

Headshot (Headshot, Indonésia, 2016) – Nota 6,5
Direção – Kimo Stamboel & Timo Tjahjanto
Elenco – Iko Uwais, Chelsea Islan, Sunny Pang, Julie Estelle, Very Tri Yulisman.

Na sequência inicial, um chefão do crime (Sunny Pang) consegue fugir da cadeia em meio a uma violenta rebelião iniciada por um de seus capangas. 

Dois meses depois, um desconhecido (Iko Uwais) é encontrado desacordado em uma praia. Levado para o hospital, o rapaz chama a atenção de uma jovem médica (Chelsea Islan) e ao acordar não lembra sequer seu nome. Em paralelo, bandidos estão à sua procura. 

Iko Uwais é o atual grande astro de lutas marciais da Indonésia, tendo sido o protagonista dos sensacionais “Operação Invasão 1 e 2”. Neste trabalho, o ponto principal novamente são as sangrentas cenas de ação que intercalam lutas e tiroteios, mesmo com algumas delas sendo exageradas. Por sinal, violência extrema é a marca registrada da dupla de diretores Kimo e Timo. 

O roteiro é repleto de clichês e o desenvolvimento da trama que flerta com o melodrama nas sequências entre o protagonista e a médica também incomodam bastante. 

É um filme que fica abaixo do esperado, principalmente para quem procura uma história mais consistente.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Cypher & Impostor


Cypher (Cypher, EUA, 2002) – Nota 6
Direção – Vincenzo Natali
Elenco – Jeremy Northam, Lucy Liu, Nigel Bennett, Timothy Webber, David Hewlett.

Em um futuro próximo, o desempregado e submisso Morgan Sullivan (Jeremy Northam) consegue emprego em uma corporação para atuar como uma espécie de espião corporativo. Seu trabalho é visitar convenções e gravar as palestras de forma oculta.

Ele recebe documentos novos, troca sua identidade e abandona a esposa. A aparente excitante nova vida esconde um terrível segredo a respeito da empresa, além de uma disputa entre corporações.

Em 1997, o diretor Vincenzo Natali comandou o longa “Cubo”, uma das ficções mais criativas da história do cinema. Ao retornar para o gênero neste “Cypher”, Natali entregou um filme irregular, que hoje se mostra com efeitos especiais e desenho de produção envelhecidos.

A questão do protagonista mudar sua vida ao abraçar uma nova identidade é interessante, porém ao mesmo tempo as explicações para a disputa entre corporações é frágil, sem contar as bizarras cenas das palestras. Eu esperava algo melhor.

Impostor (Impostor, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Gary Fleder
Elenco – Gary Sinise, Madeleine Stowe, Vincent D’Onofrio, Tony Shalhoub, Tim Guinee,  Mekhi Phifer, Gary Dourdan, Lindsay Crouse, Elizabeth Peña.

Em 2079, a Terra está em conflito com alienígenas que criam androides que são cópias idênticas de seres humanos. Esses androides carregam bombas dentro do corpo que são detonadas ao chegarem perto de um alvo pré-determinado. 

Neste contexto, o agente do governo Hathaway (Vincent D’Onofrio) prende o funcionário público Spencer Olham (Gary Sinise) o acusando de ser um androide. Desesperado em provar sua inocência, Spencer foge e procura ajuda de sua esposa Maya (Madeleine Stowe), além de se envolver com um grupo de opositores do governo. 

Baseado em um livro de Philip K. Dick, este longa tem uma premissa comum ao gênero, que em alguns momentos lembra o superior “O Vingador do Futuro”. O diretor Gary Fleder ainda consegue entregar razoáveis sequência de ação e uma narrativa com bom ritmo. O problema é que mesmo com uma surpresa no final, o desenvolvimento da história é previsível e repleto de clichês. As atuações também são fracas, inclusive com o bom ator Vincent “D’Onofrio repetindo o papel de malvadão comum em sua carreira. É um filme descartável. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O.G.

O.G. (O.G., EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Madeleine Sackler
Elenco – Jeffrey Wright, Theotus Carter, William Fichtner, Boyd Holbrook, Mare Winningham, David Patrick Kelly, Yul Vazquez, Bahni Turpin, Ryan Cutrona, Ato Essandoh.

Faltando pouco mais de um mês para sair da cadeia, Louis (Jeffrey Wright) precisa lidar com diversas situações, sendo algumas perigosas como a tentativa de ajudar um jovem detento (Theotus Carter) e outras que mexem com seu psicológico como a questão de enfrentar um mundo completamente diferente do que ele conhecia. 

Além da boa atuação de Jeffrey Wright, o grande acerto deste longa é mostrar a vida na cadeia de uma forma sóbria e realista. O roteiro deixa de lado os clichês do gênero para focar na vida do protagonista dentro da cadeia. Vemos sua relação com outros presos, a vontade de mudar de vida, a ansiedade pela liberdade e a dificuldade em lidar com presidiários ligados a gangues. 

O roteiro também detalha o crime cometido pelo protagonista de uma forma inusitada através de uma espécie de sessão de terapia envolvendo outras pessoas. 

Ao mesmo tempo que o filme faz pensar sobre como o tempo passado na prisão afetará para sempre o homem, por outro lado ele também mostra que para muitos crimes não existe uma punição menor e nem mesmo perdão. 

Como informação, o “O.G.” do título significa “Original Gangster”.

domingo, 5 de maio de 2019

The Standoff at Sparrow Creek

The Standoff at Sparrow Creek (The Standoff at Sparrow Creek, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Henry Dunham
Elenco – James Badge Dale, Brian Geraghty, Patrick Fishler, Happy Anderson, Robert Aramayo, Gene Jones, Chris Mulkey.

Várias explosões ao longe chamam a atenção de Gannon (James Badge Dale), que ouvindo o rádio da polícia descobre que um atirador cometeu um ataque contra policiais durante o enterro de um colega de farda. 

Rapidamente ele segue para um galpão isolado onde encontra sete amigos que estão assustados. Logo, descobrimos que eles fazem parte de uma milícia e que sabem que se tornarão alvos da polícia. 

Como não houve plano algum para o ataque, eles precisam descobrir se algum deles cometeu a loucura de forma solitária e assim entregar o sujeito para os policiais. 

A premissa interessantíssima passa a impressão de que veremos algo como “Cães de Aluguel” ou pelo menos um longa que siga para o lado da ação.

Infelizmente o roteiro escrito pelo diretor Henry Dunham explora a desconfiança entre os personagens de uma forma frouxa e cansativa. 

Os interrogatórios são apenas razoáveis, com uma tensão abaixo do esperado pelo tema. A sequência do confronto final também deixa a desejar. 

O filme ganha pontos apenas pelo clima de desespero em alguns momentos e a dúvida sobre quem seria o culpado que é revelada com uma pequena reviravolta no final.

sábado, 4 de maio de 2019

The Jinx: A Vida e as Mortes de Robert Durst

The Jinx: A Vida e as Mortes de Robert Durst (The Jinx: The Life and Deaths of Robert Durst, EUA, 2015) – Nota 9
Direção – Andrew Jarecki
Documentário

Em 2010, o diretor Andrew Jarecki, responsável pelo sensacional documentário “Na Captura dos Friedmans”, comandou o longa “EntreSegredos e Mentiras” que tinha como base a história real do desaparecimento de Kathleen Durst em 1982. Ela era esposa de Roberto Durst, um milionário filho de um dos maiores construtores de edifícios em Nova York. 

Para surpresa de Jarecki, algum tempo depois o verdadeiro Robert Durst entrou em contato pelo telefone se oferecendo para dar uma entrevista sobre o caso e sobre sua vida. Aproveitando a chance, Jarecki decidiu fazer um documentário, sabendo também que Durst havia sido processado por outro crime, além de ser suspeito de mais um assassinato. 

Os seis episódios detalham a vida de Durst através de depoimentos dele próprio e de entrevistas com várias pessoas, tanto familiares do lado de sua esposa desaparecida, quanto de advogados, policiais e promotores que participaram dos casos envolvendo o sujeito. 

O talento do diretor para montar o documentário cria ao mesmo tempo uma expectativa em relação a se chegar a verdade que parece bem clara, mas também desperta empatia pelo assustador Robert Durst. 

Mesmo tendo nascido em berço de ouro, Durst passou por situações familiares que claramente destruíram seu psicológico e o transformaram em uma figura bizarra. 

Para quem tem curiosidade sobre detalhes de crimes famosos e também para tentar entender a mente de um assassino, este doc é uma ótima opção.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

O Despertar de um Assassino

O Despertar de um Assassino (My Friend Dahmer, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Marc Meyers
Elenco – Ross Lynch, Alex Wolff, Anne Heche, Dallas Roberts, Vincent Kartheiser, Tommy Nelson, Harrison Holzer.

Ohio, 1978. Jeffrey Dahmer (Ross Lynch) é um adolescente estranho que está no último ano do colégio e que sofre com as terríveis brigas entre seus pais (Anne Heche e Dallas Roberts). 

Uma determinada atitude maluca leva Dahmer a fazer amizade com John “Derf” Backderf (Alex Wolff) e mais dois garotos (Tommy Nelson e Harrison Holzer). Ao mesmo tempo, ele luta para controlar seu instinto assassino e seus desejos reprimidos. 

Para quem não sabe, o verdadeiro Jeffrey Dahmer se tornou um dos piores serial killers da história americana. Este longa é baseado na história real do assassino durante a adolescência, utilizando como fonte um livro de quadrinhos do cartunista John Backderf, que foi amigo de Dahmer. 

Não espere violência ou sangue jorrando, a proposta é detalhar as situações que levaram Dahmer a se tornar um assassino, principalmente sua doença mental que jamais foi detectada pela desestruturada família em que ele foi criado. 

O jovem Ross Lynch deixa de lado os papéis em séries adolescentes e mostra ter potencial para uma boa carreira ao encarnar com competência o jovem perturbado. A postura corporal, o forma de agir, as manipulações e os ataques que parecem surtos chegam a assustar. 

É um filme bastante interessante que explora uma premissa que lembra a série “Bates Motel”.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Agora Estamos Sozinhos, Os Domésticos & O Último Suspiro


Agora Estamos Sozinhos (I Think We're Alone Now, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Reed Morano
Elenco – Peter Dinklage, Elle Fanning, Paul Giamatti, Charlotte Gainsbourg.

Na sequência inicial, um sujeito (Peter Dinklage) anda pelas ruas vazias de uma típica cidade americana de subúrbio. Ele entra nas casas, arruma o local e leva para enterrar os corpos das pessoas mortas. Logo, percebemos que ele pode ser o único sobrevivente de uma espécie de apocalipse. Quando uma jovem (Elle Fanning) bate o automóvel numa rua da cidade, o homem ajuda a garota, mas fica desconfiado de que podem existir outros sobreviventes.

Apesar do ritmo lento, a primeira meia-hora do longa é instigante ao deixar o espectador curioso sobre o que realmente ocorreu e também sobre o passado do protagonista, que é um sujeito calado e que gosta da solidão.

Mesmo explorando a relação entre os dois personagens, o problema é que o roteiro parece não ter muito o que dizer além disso, criando uma nova situação na parte final que é mais estranha do que o próprio apocalipse.

O sempre ótimo Peter Dinklage acerta ao criar um personagem solitário e melancólico, mas infelizmente não consegue salvar o filme sozinho. É mais um caso de um boa premissa que acaba desperdiçada.

Os Domésticos (The Domestics, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Mike P. Nelson
Elenco – Kate Bosworth, Tyler Hoechlin, Sonoya Mizuno, Lance Reddick, Kaden Washington Lewis, Jacinte Blankenship.

Uma epidemia dizimou grande parte da população da Terra. Os sobreviventes precisam viver escondidos em suas casas com medo das gangues que surgiram após a tragédia. Nesta terra sem lei, um casal (Kate Bosworth e Tyler Hoechlin) decide atravessar o país para tentar encontrar os pais dela. 

Desta vez saem de cena os zumbis como vilões e entram os próprios humanos prontos para destruir o próximo. O roteiro não tem grandes surpresas e até algumas falhas, porém o filme ganha pontos pelas competentes cenas de violência e pelos sinistros coadjuvantes que cruzam o caminho do casal de protagonistas. 

É basicamente uma ficção B indicada para quem curte o gênero.

O Último Suspiro (Dans la Brume, França / Canadá, 2018) – Nota 6,5
Direção – Daniel Roby
Elenco – Romain Duris, Olga Kurylenko, Fantine Harduin, Michel Robin, Anna Gaylor.

Em um dia qualquer, Paris é tomada por uma gigantesca névoa. Todos que respiram a névoa morrem sufocados. Mathieu (Romain Duris) e Anna (Olga Kurylenko) estão em processo de separação, mas moram em edifícios na mesma rua, tudo porque a filha adolescente Sarah (Fantine Harduin) sofre de uma doença rara e vive dentro de uma espécie de cúpula construída no apartamento da mãe. 

O casal consegue escapar da névoa ao chegar no último andar do edifício no apartamento de um casal de idosos (Michel Robin e Anna Gaylor), porém a filha fica presa na cúpula andares abaixo. Fica o dilema de como manter a filha viva e eles mesmos sobreviverem. 

O roteiro copia a premissa de “O Nevoeiro” de Frank Darabont, porém é criativo ao inserir a questão da garota doente presa na “bolha”, criando ainda uma atmosfera assustadora permeada por algumas boas cenas de suspense e um final surpreendente. O filme perde pontos por ser um pouco irregular na narrativa e por uma ou outra solução exagerada. 

É um filme mediano indicado para quem gosta do tema.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Han Solo: Uma História Star Wars

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Joonas Suotamo, Emilia Clarke, Donald Glover, Thandie Newton, Paul Bettany, Erin Kellyman.

Na juventude, Han Solo (Alden Ehrenreich) vive de pequenos golpes em um planeta decadente. Quando surge a chance de fugir do local, algo dá errado e sua namorada Qi’ra (Emilia Clarke) termina presa. 

Anos depois, Solo se une ao grupo de um mercenário (Woody Harrelson) com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar uma nave e ter a chance de resgatar sua amada. 

O roteiro escrito por Lawrence e Jonathan Kasdan (pai e filho respectivamente) apresenta diversas situações para explicar o passado de Han Solo. Vemos o início da amizade com Chewbacca (Joonas Suatomo), a relação com Lando Calrissian (Donald Glover) e como ele conseguiu a nave Falcon Millenium. 

Eles inserem ainda um romance com a personagem de Emilia Clarke que não convence, sem contar que Alden Ehreinreich não tem carisma algum para o papel. 

É um filme que não tem a magia da franquia, parecendo uma obra de ficção aleatória e engraçadinha que funciona apenas como passatempo despretensioso para quem não exigir muito e nem for fã radical de Star Wars.

terça-feira, 30 de abril de 2019

True Detective - 3º Temporada

True Detective – 3º Temporada (True Detective, EUA, 2019) – Nota 7,5
Criador – Nic Pizzolatto
Direção – Nic Pizzolatto, Jeremy Saulnier & Daniel Sackheim
Elenco – Mahershala Ali, Carmen Ejogo, Stephen Dorff, Scoot McNairy, Ray Fisher, Sarah Gadon, Brett Cullen, Mamie Gummer, Michael Greyeyes, Jon Tenney, Rhys Wakefield, Scott Shepherd, Steven Williams.

Interior do Arkansas, 1980. Um casal de irmãos pré-adolescentes desaparece na floresta. Os detetives Wayne “Purple” Hays (Mahershala Ali) e Roland West (Stephen Dorff) são os responsáveis pela investigação. 

Entre os suspeitos estão os pais das crianças (Scoot McNairy e Mamie Gummer), um índio que vive de recolher lixo (Michael Greyeyes) e um enigmático sujeito de um olho só que ninguém conhece. 

A trama se divide em três narrativas intercaladas em períodos diferentes. Temos a investigação do crime em 1980, uma nova pista que faz o caso ser reaberto em 1990 e por fim uma entrevista concedida pelo então aposentado detetive Hays nos dias atuais. 

O roteiro tenta reeditar o estilo da primeira temporada em que um crime era investigado em duas épocas diferentes, sendo que aqui a inserção de mais um período deixa a narrativa um pouco cansativa por causa das idas e vindas. 

A falta de ação e de suspense é outro ponto que deixa um pouco a desejar. A sequência mais tensa é a do tiroteio envolvendo um coadjuvante, os policiais e um grupo de civis metidos a vigilantes. 

Por outro lado, o roteiro tem algumas boas sacadas, como a questão da perda de memória do personagem de Mahershala Ali, que utiliza a entrevista para tentar remontar o caso e ao mesmo tempo reavivar suas memórias perdidas, inclusive de seu relacionamento com a esposa (Carmen Ejogo). 

Mesmo sendo um pouco superior do que a temporada anterior, a primeira temporada com Matthew McConaughey e Woody Harrelson continua imbatível na qualidade.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Querido Menino

Querido Menino (Beautiful Boy, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Felix van Groeningen
Elenco – Steve Carell, Timothée Chalamet, Maura Tierney, Amy Ryan, Timothy Hutton, Kaitlyn Dever, Andre Royo, LisaGay Hamilton.

Aos dezoito anos, Nic Sheff (Timothée Chalamet) não consegue controlar seu vício nas drogas, inclusive usando a terrível metanfetamina. 

Seu pai, o jornalista David (Steve Carell) inicia uma verdadeira saga para tentar ajudar o filho a se livrar das drogas, tendo ajuda de sua atual esposa (Maura Tierney) e da mãe de Nic (Amy Ryan). 

Baseado em dois livros que detalham a história real da luta de uma família contra o vício do filho, este longa tem como um dos grandes acertos não apelar para o exagero, com o diretor preferindo uma narrativa sóbria, mesmo com alguns momentos tensos e outros emotivos. 

Os problemas enfrentados pela família são um verdadeiro manual do que ocorre com quem convive com um viciado, seja em drogas ou bebida. A dificuldade da pessoa aceitar que o vício está afetando sua vida, as mentiras para esconder os erros, os pequenos furtos de dinheiro e objetos da casa, a decadência física, as tentativas de reabilitação e as recaídas. Tudo isso é mostrado com extrema clareza. 

O destaque do elenco fica para Steve Carell, que fez grande parte de sua carreira em comédias, mas que a cada trabalho em dramas comprova ser um grande ator.

domingo, 28 de abril de 2019

Poderia Me Perdoar?

Poderia Me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me?, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Marielle Heller
Elenco – Melissa McCarthy, Richard E. Grant, Dolly Wells, Ben Falcone, Gregory Korostishevsky, Jane Curtin.

Nova York, 1991. Lee Israel (Melissa McCarthy) é uma escritora especializada em biografias que passa por um período conturbado na carreira. Desempregada e escrevendo um novo livro que sua agente (Jane Curtin) não tem intenção de publicar, Lee precisa conseguir dinheiro. 

A chance surge quando ela descobre um mercado de colecionadores que pagam por cartas escritas por celebridades mortas. Após vender uma carta original que ela recebeu de Katherine Hepburn por ter escrito a biografia da atriz, Lee passa a falsificar cartas de outros famosos para vender. 

Baseado numa absurda história real sobre um golpe totalmente incomum, este longa tem como maior destaque a interpretação de Melissa McCarthy longe das comédias. Ela utiliza o sarcasmo e a ironia para criar uma personagem inteligente, mentirosa e péssima nas relações sociais. Por isso mesmo seu único amigo acaba sendo o inglês beberrão e drogado vivido por um impagável Richard E. Grant, que em determinado momento se torna seu parceiro no golpe. 

É uma sessão que vale para quem quiser ver um lado diferente da atriz e descobrir esta maluca história real.

sábado, 27 de abril de 2019

A Peregrinação

A Peregrinação (Pilgrimage, Irlanda / Bélgica / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Brendan Muldowney       
Elenco – Tom Holland, Jon Bernthal, Richard Armitage, Stanley Weber, John Lynch, Hugh O’Conor, Ruaidhri Conroy.

Idade Média. O Papa envia um emissário (Stanley Weber) para uma pequena vila no interior da Irlanda onde um grupo de monges guarda uma pedra considerada sagrada. A missão do sujeito é levar a pedra até Roma. 

É formado um grupo com quatro monges (Tom Holland, John Lynch, Hugh O’Conor e Ruaidhri Conroy) e um serviçal mudo (Jon Bernthal) para a perigosa viagem. 

Mesmo com uma narrativa irregular e um claro baixo orçamento, o diretor Brendan Muldowney consegue entregar um filme com alguns pontos positivos. 

O clima de desolação é pontuado por uma sinistra trilha sonora que se mostra perfeita para o tema. As cenas de ação são bem filmadas e extremamente violentas. O roteiro ainda explora mesmo que de forma rasa, a questão da perda da fé em decorrência das injustiças e das mentiras contadas pelo emissário do Papa. 

Os destaques do elenco ficam para o hoje famoso Tom Holland como o jovem monge que descobre um novo mundo durante a peregrinação e o sempre sisudo Jon Bernthal arrebentando os inimigos nas sequências de ação. 

É um filme interessante e que prende a atenção para quem gosta de obras que misturam religião e violência.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Os Cavaleiros Brancos

Os Cavaleiros Brancos (Les Chevaliers Blancs, Bélgica / França, 2015) – Nota 7
Direção – Joachim Lafosse
Elenco – Vincent Lindon, Louise Bourgoin, Valérie Donzelli, Reda Kateb, Stéphane Bissot.

Jacques (Vincent Lindon) é o líder de uma ONG que viaja com um grupo de voluntários para um país africano em guerra com o objetivo de resgatar trezentas crianças que perderam os pais para serem levadas para França. 

O que a princípio parece ser uma causa nobre, as poucos é revelado o real motivo do trabalho. Além disso, não demora para surgirem problemas, inclusive conflitos entre os voluntários. 

O roteiro escrito pelo diretor Joachim Lafosse explora as consequências das guerras no interior da África e como grupos tentam se aproveitar da situação. Sobram críticas para as ONGs, para os líderes tribais, para os exércitos estrangeiros e para os rebeldes assassinos que não respeitam sequer mulheres e crianças. 

Mesmo com o filme apresentando falhas e entregando um final em aberto, ele cumpre a proposta de mostrar como em algumas regiões do planeta as pessoas ainda vivem de forma totalmente precária, com uma total falta de recursos e a mercê de grupos violentos.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Smashed: De Volta a Realidade

Smashed: De Volta a Realidade (Smashed, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – James Ponsoldt
Elenco – Mary Elizabeth Winstead, Aaron Paul, Nick Offerman, Megan Mullally, Octavia Spencer, Mary Kay Place, Kyle Gallner, Mackenzie Davis, Bree Turner.

Kate (Mary Elizabeth Winstead) é uma professora primária que exagera na bebida. Seu marido Charlie (Aaron Paul) é um jornalista que também adora beber e fumar maconha. 

Quando Kate vomita em plena sala de aula e inventa uma terrível mentira, é o início de uma grande crise em sua vida. A chance de mudar o rumo das coisas surge quando outro professor (Nick Offerman) a incentiva a participar de um grupo de apoio para viciados. 

O roteiro escrito pelo diretor James Ponsoldt não apresenta novidades em relação ao tema ou ao desenvolvimento da história. A abordagem é até certo ponto clean, sem apelar para exageros explícitos em relação as drogas. 

O sofrimento da protagonista é mostrado muito mais de uma forma psicológica do que física, inclusive focando na crise que se instala em seu casamento. 

O filme ganha pontos pela atuação da sempre simpática e espontânea Mary Elizabeth Winstead, atriz com uma beleza natural que chama bastante a atenção. 

É um filme mediano que explora um tema polêmico.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Halloween H20, Halloween: Ressurreição & Halloween (2018)


Halloween H20 – Vinte Anos Depois (Halloween H20: 20 Years Late, EUA, 1998) – Nota 7
Direção – Steve Miner
Elenco – Jamie Lee Curtis, Adam Arkin, Josh Hartnett, Michelle Williams, Adam Hann Byrd, Jodi Lyn O’Keefe, LL Cool J, Janet Leigh, Joseph Gordon Levitt.

Vinte anos após o massacre cometido por Michael Myers, sua irmã Laurie (Jamie Lee Curtis) mudou para a Califórnia, trocou de nome para Keri e trabalha como diretora de escola. Quando Michael descobre o paradeiro da irmã através do arquivo do hospital psiquiátrico onde está preso e escapa em seguida, Laurie volta a correr perigo. 

Este longa seria uma continuação das partes I e II, porém tudo o que ocorre aqui foi descartado na nova versão de 2018. O filme é competente na proposta de criar sequências de violência e suspense, seguindo o estilo comum dos anos noventa em que vários jovens se tornam vítimas do maníaco durante sua caçada, inclusive com o clássico clímax do enfrentamento cara a cara. 

É um bom filme, mas que acaba ficando deslocado por conta da nova versão.

Halloween: Ressurreição (Halloween: Resurrection, EUA, 2002) – Nota 5
Direção – Rick Rosenthal
Elenco – Jamie Lee Curtis, Brad Loree, Busta Rhymes, Bianca Kajlich, Sean Patrick Thomas, Thomas Ian Nicholas, Ryan Merriman, Tyra Banks.

Depois de matar um inocente pensando que teria assassinado seu irmão Michael Myers, Laurie (Jamie Lee Curtis) sofre uma espécie de colapso e termina internada em um hospital psiquiátrico. 

Em paralelo, um empresário ambicioso (Busta Rhymes) cria um reality show transmitido pela internet colocando seis pessoas presas na casa onde ocorreu o massacre original. O que ele não sabe é que o verdadeiro Michael Myers também está escondido na região.

O razoável sucesso do filme de 1998 resultou nesta desastrada continuação que tentava chamar a atenção do público com o tema dos reality shows que estavam em franca ascensão na época. Esta escolha acaba sendo apenas um gancho para Myers se divertir matando os participantes. 

Vale citar que o diretor Rick Rosenthal foi o responsável pela competente parte II da franquia, porém depois disso não fez filme algum que mereça ser lembrado. 

Halloween (Halloween, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – David Gordon Green
Elenco – Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Haluk Bilginer, James Jude Courtney, Nick Castle, Will Patton, Toby Huss, Rhian Rees, Jefferson Hall.

Quarenta anos após ter assassinado várias pessoas na noite de Halloween, o psicopata Michael Myers (James Jude Courtney e Nick Castle) escapa ao ser transferido de prisão.

Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), que sobreviveu ao ataque nos anos setenta, se preparou a vida inteira para enfrentar novamente o psicopata. Sua obsessão resultou numa relação conflituosa com a filha (Judy Greer), que por seu lado tenta manter sua filha Allyson (Andi Matichak) longe da avó. 

Este novo longa da franquia seria na verdade uma sequência dos dois primeiros filmes, o original clássico de John Carpenter produzido em 1978 e a sequência de 1981 dirigida por Rick Rosenthal. 

Os filmes seguintes que chegaram a parte seis foram ignorados, assim como o “Halloween H20” e “Halloween: Ressurreição” que também foram protagonizados por Jamie Lee Curtis em 1998 e 2002 respectivamente. 

Dito isso, esta sequência continua a história de forma correta, porém sem surpresas. O assassino continua assustador, deixando um rastro de vítimas até o inevitável conflito final. 

Por mais que aparentemente seja o último filme da franquia, não se pode duvidar da criatividade dos roteiristas e produtores em explorar a pequena dúvida que fica ao final da sessão.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Brexit

Brexit (Brexit, Inglaterra, 2019) – Nota 7
Direção – Toby Haynes
Elenco – Benedict Cumberbatch, Rory Kinnear, Simon Paisley Day, John Heffernan, Lee Boardman, Paul Ryan, Kyle Soller, Kate O’Flynn.

Em 2015, o então Primeiro-Ministro inglês David Cameron cumpre a promessa de realizar um referendo para a população decidir se gostaria que o país ficasse ou saísse da União Europeia. 

Enquanto o governo monta um grupo de pessoas para convencer a população a votar a favor da manutenção na União Europeia, congressistas da oposição brigam para unificar uma base a favor da saída. 

Alguns congressistas atuando nos bastidores oferecem a liderança da campanha para o ex-político Dominic Cummings (Benedict Cumberbatch), um sujeito polêmico que não acredita na política tradicional. 

Esta produção para tv inglesa detalha os bastidores da batalha que resultou na saída da Grã-Bretanha da União Europeia, fato denominado de Brexit. Este referendo é um verdadeiro marco de mudança em relação às eleições tradicionais. 

Foi o primeiro caso em que um grupo utilizou as redes sociais e as novas tecnologias para mapear os eleitores e conseguir os votos não somente dos indecisos, mas também daqueles que não tinham interesse em política. 

Este novo formato de campanha resultou na eleição de novos políticos na maioria dos países ocidentais, onde o acesso a internet se popularizou e virou uma ferramenta primordial de interação entre candidatos e eleitores. Cada vez mais fica difícil enganar o povo com mentiras e populismo. 

A velocidade da informação e as redes sociais transformaram todas as pessoas em fiscais e jornalistas, disseminando notícias e rebatendo inverdades. É uma nova era em que os políticos precisam ouvir a voz do povo para se manterem nos cargos.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Sequestro

Sequestro (Kapringen, Dinamarca, 2012) – Nota 7,5
Direção – Tobias Lindholm
Elenco – Pilou Asbaek, Soren Malling, Dar Salim, Roland Moller, Gary Skjoldmose Porter, Abdihakin Asgar.

Um navio de cargo a caminho da Índia é sequestrado por piratas somalis. O negociador dos piratas (Abdihakin Asgar) escolhe o cozinheiro do navio chamado Mikkel (Pilou Asbaek) como uma espécie de representante do tripulantes. 

Enquanto isso, na sede da empresa proprietária do navio na Dinamarca, o CEO Peter (Soren Malling) decide tomar a frente das negociações com os piratas. Com apoio de um negociador experiente (Gary Skjoldmose Porter) e usando seu próprio conhecimento, Peter decide não pagar os valores exigidos pelos sequestradores, criando um enorme impasse na situação. 

O roteiro escrito pelo diretor Tobias Lindholm tenta mostrar de uma forma racional as atitudes das três partes envolvidas na terrível situação. Os piratas que a princípio são mostrados como selvagens, em outros momentos criam até mesmo um laço com dois tripulantes. 

Os tripulantes variam do desespero para a esperança e novamente para o desespero com a demora na negociação. Os executivos também de início encaram como uma negociação igual a que teriam com outra empresa, tratando os reféns quase como produtos, até que a tensão se torna quase insuportável. 

É um filme competente e realista, que acerta ao entregar cenas tensas e dramáticas, além de deixar claro que a ideologia e o poder muitas vezes são colocadas acima do ser humano,

domingo, 21 de abril de 2019

Escape at Dannemora

Escape at Dannemora (Escape at Dannemora, EUA, 2018) – Nota 8
Direção – Ben Stiller
Elenco – Benicio Del Toro, Patricia Arquette, Paul Dano, Eric Lange, Bonnie Hunt, David Morse, Jeremy Bobb, Michael Beasley, Calvin Dutton, Dominic Colon, Antoni Corone, Skipp Sudduth, Michael Imperioli.

Cidade de Clinton, Nova York, penitenciária de Dannemora. Em 2015, Joyce “Tilly” Mitchell (Patrick Arquette) é a supervisora da confecção do local que ensina detentos a costurar. 

Chegando na meia-idade, frustrada com o trabalho e em crise no casamento com o guarda prisional Lyle (Eric Lange), Tilly se envolve sexualmente com dois prisioneiros. David (Paul Dano) e Richard (Benicio Del Toro) utilizam a situação para que Tilly os ajude em um plano de fuga. 

Esta minissérie em sete episódios dirigida de forma surpreendente pelo ator Ben Stiller detalha a história real da fuga de um presídio que era considerado impossível de alguém escapar. Além de mostrar todos os detalhes da fuga de uma forma bem clara, a minissérie também tem como destaque o desenvolvimento dos personagens e as atuações. 

Benicio Del Toro está perfeito como o prisioneiro manipulador e com um talento nato para a pintura. Patricia Arquette engordou muitos quilos para criar a mulher frustrada que despreza o marido e que vê no relacionamento com os prisioneiros a chance de ter um pouco de prazer e aventura em sua vida monótona. 

Vale citar ainda o eterno coadjuvante Eric Lange, de séries como “Narcos “ e “Wacko”, que aqui tem o melhor papel de sua carreira, estando irreconhecível como o caipira sem personalidade. 

Destaque para o episódio em flashback que detalha os crimes que levaram os dois personagens à cadeia e também a vida pregressa de Tilly. É um episódio que dá a verdadeira dimensão do caráter de cada personagem. 

Apesar do pequeno deslize do último episódio ser longo demais, a minissérie é ótima para quem gosta do gênero, sendo um grande acerto na carreira de Ben Stiller como diretor.

sábado, 20 de abril de 2019

Oportunistas

Oportunistas (The Place, Itália, 2017) – Nota 7,5
Direção – Paolo Genovese
Elenco – Valerio Mastandrea, Marco Giallini, Alessandro Borghi, Silvio Muccino, Alba Rohrwacher, Vittoria Puccini, Sabrina Ferilli, Silvia D’Amico.

Um sujeito (Valerio Mastandrea) passa o dia inteiro em uma mesa de uma cafeteria recebendo pessoas que desejam algo. Para o desejo da pessoa se realizar, o desconhecido designa uma tarefa após ler uma folha qualquer de uma agenda que está sempre ao seu lado. 

Os desejos variam de “ficar mais bonita”, “recuperar a visão”, “ser amado por uma modelo”, entre outros. Para serem realizados as pessoas devem cumprir tarefas bizarras como “matar uma criança”, “cometer um assalto” ou “uma freira que precisa engravidar”. 

O engenhoso roteiro escrito pelo diretor Paulo Genovese deixa o espectador e os coadjuvantes em dúvida sobre quem seria o homem que realiza os desejos. Deus, o diabo, um chefão do crime, um psiquiatra ou um pesquisador. 

O roteiro também amarra as histórias dos personagens, tanto o que eles sonham conseguir, quanto as tarefas inusitadas que eles precisam decidir se valem a pena serem executadas. 

A trama dá margem a várias interpretações. Na minha visão, tudo se resume a livre escolha de cada pessoa e como isso influenciará sua vida. 

O filme tem cenário único, se passando inteiro dentro da cafeteria, porém mesmo assim está longe de ser cansativo.

É uma obra que prende atenção através dos ótimos diálogos e das histórias absurdas.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Jogador Nº 1

Jogador Nº 1 (Ready Player One, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, T.J. Miller, Simon Pegg, Mark Rylance, Philip Zao, Win Morisaki, Ralph Ineson, Susan Lynch, Hannah John Kamen, Perdita Weeks.

Cleveland, 2045. Muitas pessoas moram em uma espécie de favela vertical e passam o dia vivendo uma realidade virtual através de um jogo chamado “Oasis” em que as pessoas criam seus próprios personagens. 

A morte do criador do jogo (Mark Rylance) deixa em aberto um enigma. Quem conseguir encontrar três chaves será o vencedor que receberá todas as ações da megacorporação proprietária do game. 

Enquanto uma corporação concorrente treina centenas de pessoas para resolverem o enigma, o jovem Wade (Tye Sheridan) e alguns amigos virtuais lutam também para serem os vencedores. 

Spielberg retorna as aventuras adolescentes utilizando uma roupagem atual voltada para a nova geração que adora os games. Ele consegue dividir a narrativa e as várias sequências de ação entre o mundo virtual e o real de forma competente nos dois formatos. 

As sequências virtuais agradam até mesmo quem não curte muito o estilo, como é o meu caso. As cenas no mundo real tem o selo Spielberg de qualidade. 

Está longe de ser sensacional como outros grandes trabalhos do diretor, mas por outro lado comprova que os efeitos por computador podem render filmes de qualidade desde que tenham uma boa história e um diretor com criatividade e talento.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O Mistério de Silver Lake

O Mistério de Silver Lake (Under the Silver Lake, EUA, 2018) – Nota 4
Direção – David Robert Mitchell
Elenco – Andrew Garfield, Riley Keough, Topher Grace, Rex Linn, Jimmi Simpson, Jeremy Bobb, Zosia Mamet.

Não é comum acontecer, mas vez ou outra após dez minutos de filme algo me diz que o melhor seria desistir e partir para outro. Este filme foi um destes casos, mas por teimosia e curiosidade decidi ver até o final. O resultado foram duas horas e vinte minutos desperdiçadas em um filme totalmente sem sentido. 

O diretor David Robert Mitchell recebeu elogios pelo superestimado “Corrente do Mal” e provavelmente acreditou que poderia copiar o estilo maluco de David Lynch, que por sinal eu também não gosto. Fica complicado até explicar a premissa. 

Um desempregado (Andrew Garfield) mora em um condomínio simples, passa o dia fumando maconha e observando mulheres na piscina. Ele se aproxima de uma vizinha (Riley Keough), que no dia seguinte desaparece.

O sujeito decide investigar o paradeiro da garota cruzando o caminho de personagens estranhos e situações bizarras. Ele frequenta festas modernas, se envolve no desaparecimento de um empresário, encontra um estranho compositor, entre várias outras situações sem muita explicação. 

O filme é uma total perda de tempo para o espectador.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Oh Lucy! & Jantar com Beatriz


Oh Lucy! (Oh Lucy!, Japão / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Atsuko Hirayanagi
Elenco – Shinobu Terajima, Josh Hartnett, Kaho Minami, Koji Yakusho, Shioli Kutsuna, Megan Mullaly, Reylo Aylesworth.

Em Tóquio, Setsuko (Shinobu Terajima) é uma solitária funcionária de um escritório que fica empolgada ao começar um bizarro curso de inglês indicado por sua sobrinha (Shioli Kutsuna). Setsuko se sente atraído pelo professor americano (Josh Hartnett), que tem o hábito de abraçar as alunos para criar um laço. 

Quando o professor e sua sobrinha fogem juntos para Los Angeles, ela e sua irmã (Kaho Minami) que se odeiam, decidem viajar para os EUA à procura do casal. É o início de uma complicada aventura em um país completamente novo. 

Este sensível drama tem semelhanças com o ainda mais estranho “Kumiko – A Caçadora de Tesouros”. A personagem principal aqui é uma pessoa cheia de defeitos, com atitudes incomuns e que vê no professor a chance de encontrar o amor. 

O roteiro utiliza a carência da personagem como combustível para criar sequências engraçadas, outras tristes e algumas constrangedoras, além de um final surpreendente. 

A diretora Atsuko Hirayanagi estreia no cinema adaptando a história que ela mesma filmou como curta-metragem três anos antes. Destaque para a atuação de Shinobu Terajima, perfeita como a atormentada protagonista.

Jantar com Beatriz (Beatriz at Dinner, EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Miguel Arteta
Elenco – Salma Hayek, John Lithgow, Connie Britton, Jay Duplass, Amy Landecker, Chloe Sevigny, David Warshofsky.

Em Los Angeles, Beatriz (Salma Hayek) é uma imigrante especializada em medicina alternativa que ajuda pacientes em um hospital. Uma de suas clientes é Kathy (Connie Britton), que mora em uma mansão e que aparentemente a considera uma amiga por ter ajudado a tratar de sua filha adolescente quando esta teve câncer. 

Após uma sessão de rotina com Kathy, Beatriz não consegue ir embora porque seu carro apresenta um problema. Kathy convida Beatriz para passar a noite na casa e até participar do jantar com dois casais de amigos. Não demora para as diferenças sociais e de valores virem à tona. 

O roteiro escrito pelo ator e diretor Mike White foca no desgastado tema da luta de classes e na diferença de valores entre as pessoas. Infelizmente o roteiro deixa bastante a desejar. Ele explora os clichês dos personagens masculinos ricos e inescrupulosos e as personagens femininas alienadas, enquanto a moral verdadeira estaria na simples trabalhadora vivida por Salma Hayek. 

Mesmo com o ponto alto do longa sendo as discussões entre Salma Hayek e o empresário interpretado com cinismo por John Lithgow, a história jamais decola. É um filme que beira o politicamente correto de uma forma ingênua.   

terça-feira, 16 de abril de 2019

Expedição Kon Tiki

Expedição Kon Tiki (Kon-Tiki, Inglaterra / Noruega / Dinamarca / Alemanha / Suécia, 2012) – Nota 7
Direção – Joachim Ronning & Espen Sandberg
Elenco – Pal Sverre Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Tobias Santelman, Gustaf Skarsgard, Odd Magnus Williamson, Jakob Oftebro, Agnes Kittelsen.

Polinésia, 1937. O jovem norueguês Thor Heyerdahl (Pal Sverre Hagen) e sua esposa Liv (Agnes Kittelsen) vivem em meio aos nativos.

Quando um ancião conta que seus ancestrais vieram pelo mar através do leste, da América do Sul, ou seja, mudando completamente a história oficial de que o povo local seria proveniente da Ásia, Thor fica obcecado em provar o fato. 

Desacreditado pelos historiadores da época, Thor decide embarcar numa aventura maluca. Depois de dez anos buscando financiamento para viagem, ele consegue o dinheiro junto ao governo do Peru.

Ao lado de cinco amigos, Thor monta uma enorme jangada para recriar a jornada que teria sido feita pelo Deus Tiki, saindo do Peru e velejando sem motores até a Polinésia. 

Esta história real é com certeza uma das aventuras mais malucas da história do mundo e ao mesmo tempo uma grande feito. A jornada de cem dias por mar aberto com uma jangada é detalhada sem muitas surpresas na questão dos conflitos entre os personagens. Os destaques ficam para as sequências mais tensas envolvendo tubarões e as cenas em meio a tempestade. 

O protagonista é mostrado como um sujeito arrogante e obcecado, que enfrentava seus próprios medos em busca do objetivo de entrar para a história. 

É um longa indicado para quem gosta de aventuras reais.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Quase Deuses

Quase Deuses (Something the Lord Made, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Joseph Sargent
Elenco – Alan Rickman, Mos Def, Kyra Sedgwick, Gabrielle Union, Merritt Weaver, Clayton LeBouef, Charles S. Dutton, Mary Stuart Masterson.

Nashville, anos trinta. Vivien Thomas (Mos Def) é um marceneiro que fica desempregado por conta da crise que passa o país. Sonhando em se tornar médico, porém com pouco dinheiro, Thomas consegue um emprego como faxineiro no laboratório da universidade da cidade. 

Sua inteligência e talento com as mãos chama a atenção do cirurgião e também pesquisador Alfred Blalock (Alan Rickman), que o transforma em seu assistente. É o início de uma parceria de mais de trinta anos, tendo como ponto alto a primeira cirurgia de coração realizada na história da medicina. 

Produzido pela HBO, este longa é basicamente uma biografia da dupla de médicos, com destaque para a luta de Vivien Thomas contra o preconceito por ser negro em meio a uma profissão de elite na época.

O filme deixa claro que o sucesso de Blalock se deve em grande parte ao talento de Thomas, que por muitos anos viveu à margem da fama do colega. 

Mesmo com um roteiro didático, o filme ganha pontos pela história em si e por não ser panfletário em relação ao preconceito ou vitimismo. A proposta é mostrar que o preconceito era uma triste realidade na época.