terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Filmes com Jean Claude Van Damme


Kickboxer: O Desafio do Dragão (Kickboxer, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – Mark DiSalle & David Worth
Elenco – Jean Claude Van Damme, Dennis Alexio, Dennis Chan, Rochelle Ashana.

Após seu irmão (Dennis Alexio) ser brutalmente derrotado em um campeonato de kickboxing e terminar em uma cadeira de rodas, Kurt Sloane (Jean Claude Van Damme) fica obcecado em se vingar. Com o claro intuito de seguir o mesmo estilo do sucesso de “O Grande Dragão Branco” produzido dois anos antes, este longa também explora as cenas de lutas e ainda insere pitadas de “Karatê Kid” ao colocar o protagonista para treinar com um mestre. 

Cyborg: O Dragão do Futuro (Cyborg, EUA, 1989) – Nota 4
Direção – Albert Pyun
Elenco – Jean Claude Van Damme, Deborah Richter, Vincent Klein.

Em um futuro apocalíptico, Gibson Rickenbacker (Jean Claude Van Damme) descobre ser um ciborgue que carrega informações importantes para um grupo de cientistas. Quando uma cientista é sequestrada, Gibson precisa enfrentar uma gangue liderada por Fender (Vincent Klein). Filmado antes de Van Damme ficar famoso com “O Grande Dragão Branco”, este péssimo longa foi desengavetado pelos produtores em busca de lucro. É com certeza um dos piores filmes com o ator. A única curiosidade são os nomes do protagonistas que remetem a duas marcas famosas de guitarras.

Garantia de Morte (Death Warrant, Canadá / EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Deran Sarafian
Elenco – Jean Claude Van Damme, Cynthia Gibb, Robert Guillaume, Art LaFleur, Patrick Kilpatrick.

Para investigar uma série de assassinatos dentro de um presídio, o policial Louis Burke (Jean Claude Van Damme) entra no local disfarçado de prisioneiro. O roteiro explora todos os clichês dos filmes de prisão, mas mesmo assim agrada aos fãs da porradaria por ter Van Damme no auge da forma distribuindo pancadas nos coadjuvantes.

Leão Branco, o Lutador sem Lei (Lionheart, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Sheldon Lettich
Elenco – Jean  Claude Van Damme, Harrison Page, Deborah Renhard, Ashley Johnson, Lisa Pelikan, Brian Thompson.

Lyon (Jean Claude Van Damme) é um soldado que deserta da Legião Estrangeira e segue para os Estados Unidos com o objetivo de descobrir quem assassinou seu irmão. As pistas o levam a um circuito de lutas clandestinas. Apesar de não ser cult como “O Grande Dragão Branco”, este longa tem uma produção mais caprichada e boas sequências de luta. A carreira de Van Damme estava decolando.

Duplo Impacto (Double Impact, EUA, 1991) – Nota 5,5
Direção – Sheldon Lettich
Elenco – Jean Claude Van Damme, Geoffrey Lewis, Janet Julian, Alan Scarfe, Bolo Young.

Quando crianças, os gêmeos Alex e Chad (Jean Claude Van Damme em papel duplo) viram os pais serem assassinados pela Máfia Chinesa. Criados em países diferentes, vinte e cinco anos depois eles se reencontram em busca de vingança. O roteiro recheado de clichês é apenas uma desculpa para aproveitar o talento de Van Damme para as cenas de ação em dose dupla. Vale citar uma estranha disputa amorosa entre os dois personagens e a namorada de um deles.

Vencer ou Morrer (Nowhere to Run, EUA, 1993) – Nota 6,5
Direção – Robert Harmon
Elenco – Jean Claude Van Damme, Rosanna Arquette, Kieran Culkin, Tiffany Taubman, Ted Levine, Joss Ackland.

Sam Gillen (Jean Claude Van Damme) escapa do prisão e consegue abrigo na fazenda de uma viúva (Rosana Arquette) e seu casal de filhos pequenos. Não demora para ele se envolver com a mulher e se apegar as crianças, além de ter de enfrentar os capangas de um sujeito que deseja tomar as terras da viúva. Este razoável longa foca mais no drama do que na ação. Ele foi produzido em uma época em que o astro tentava consolidar sua carreira também pela atuação, algo que jamais se concretizou.

Street Fighter: A Última Batalha (Street Fighter, EUA, 1994) – Nota 3
Direção – Steven E. de Souza
Elenco – Jean Claude Van Damme, Raul Julia, Min Ken Wen, Damian Chapa, Kylie Minogue, Roshan Seth, Simon Callow, Wes Studi, Byron Mann.

O game “Street Fighter” era um grande sucesso no início dos anos noventa. Os produtores tiveram a ideia de transportar o game para a telona e escalar o astro Van Damme, o que acreditavam ser um sucesso garantido. O resultado é horroroso. Criaram uma história política sem pé nem cabeça sobre um golpe de Estado em um país fictício e transformaram os personagens em caricaturas. Até mesmo as cenas de ação são ruins. O filme será eternamente lembrado por ter sido o último trabalho do grande ator Raul Julia, que estava doente e faleceu pouco depois das filmagens e que dizem ter aceitado o papel para agradar seu filho que era fã do game. 

Desafio Mortal (The Quest, EUA / Canadá, 1996) – Nota 6
Direção – Jean Claude Van Damme
Elenco – Jean  Claude Van Damme, Roger Moore, James Remar, Janet Gunn, Jack McGee, Aki Aleong, Louis Mandylor.

Christopher Dubois (Jean Claude Van Damme) é um artista de rua em Nova York que após ajudar um grupo de crianças delinquentes que roubaram um valioso artefato, termina obrigado a fugir para o oriente, iniciando uma verdadeira saga até disputar um famoso torneio de Muay Thay. A carreira de Van Damme ainda não havia afundado quando ele resolveu dirigir esta mistura de filmes de aventura com seus antigos sucessos como “O Grande Dragão Branco” e “Kickboxer”. A curiosidade é ver o eterno 007 Roger Moore no papel de um golpista. 

Risco Máximo (Maximum Risk, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – Ringo Lam
Elenco – Jean Claude Van Damme, Natasha Henstridge, Jean Hughes Anglade, Zach Grenier, Stephane Audran

Um policial francês (Jean Claude Van Damme) descobre que tinha um irmão gêmeo que foi assassinado nos EUA. Ele viaja para a América para investigar o caso e se torna alvo da Máfia Russa, além de se envolver com a namorada do irmão (Natasha Henstridge). Este foi o primeiro e o melhor dos três filmes da parceria entre o astro Van Damme e o falecido diretor chinês Ringo Lam.

A Colônia (Double Team, EUA / Hong King, 1997) – Nota 4
Direção – Tsui Hark
Elenco – Jean Claude Van Damme, Dennis Rodman, Mickey Rourke, Natacha Lindinger, Paul Freeman.

Ao falhar na perseguição a um terrorista (Mickey Rourke na pior fase da carreira), o espião Jack Quinn (Jean Claude Van Damme) é sequestrado pela organização que trabalha e enviado para a Colônia, uma prisão para espiões e mercenários, onde entre os detentos está o jogador de basquete Dennis Rodman. Mesmo com a direção do chinês Tsui Hark, especialista em obras de ação, o fracasso deste péssimo longa marcou o início da decadência da carreira de Van Damme. 

Golpe Fulminante (Knock Off, Aruba / Hong Kong / EUA, 1998) – Nota 3
Direção – Tsui Hark
Elenco – Jean Claude Van Damme, Rob Schneider, Lela Rochon, Michael Fitzgerald Wong, Paul Sorvino.

Em Hong Kong, Marcus Ray (Jean Claude Van Damme) é um falsificador de roupas e calçados de marcas famosas que inicia uma sociedade com Tommy (Rob Schneider), sem saber que o novo amigo é um agente da CIA. Não contentes com o péssimo “A Colônia”, o astro Van Damme e o diretor Tsui Hark conseguiram entregar um filme ainda pior aqui. Além da trama policial sem sentido, o filme ainda resvala para a comédia com a presença do irritante Rob Schneider. 

O Legionário (Legionnaire, EUA, 1998) – Nota 6
Direção – Peter MacDonald
Elenco – Jean Claude Van Damme, Adewale Akinnuoye Agbaje, Steven Berkoff, Nicholas Farrell, Ana Sofrenovic.

Marselha, França, anos 20. Alain Lefreve (Jean Claude Van Damme) é um lutador de boxe amador que não aceita entregar uma luta. Para sobreviver, ele foge e se alista na Legião Estrangeira, sendo enviado para lutar no Marrocos, então colônia francesa. Este longa foge um pouco do estilo da pancadaria para focar numa história de amizade e lealdade entre soldados lutando no deserto. Está longe de ser um grande filme e o roteiro até se perde na metade final, mas é curioso ver Van Damme em um longa com uma história razoável.

Inferno (Inferno ou Coyote Moon, EUA / França, 1999) – Nota 5
Direção – John G. Avildsen
Elenco – Jean Claude Van Damme, Pat Morita, Danny Trejo, Gabrielle Fitzpatrick, Larry Drake, Bill Erwin, Vincent Schiavelli, Shark Fralick, Silas Weir Mitchell, Jonathan Avildsen, Jeff Kober, Jaime Pressly.

Eddie Lomax (Jean Claude Van Damme) é um ex-soldado atormentado pelos horrores que viveu na guerra. Com sua moto, Eddie decide visitar um companheiro que vive numa pequena cidade. Ao chegar no local, ele entre em conflito com o grupo que comanda a região. O longa é ruim, mas tem algumas curiosidades. A história é uma cópia de “Rambo – Programado Para Matar” transportada para uma cidade no meio do deserto. O elenco tem rostos conhecidos de atores B como Pat Morita, Danny Trejo e Vincent Schiavelli. Este longa também foi o último trabalho do diretor John G. Avildsen, que por algum motivo utilizou um pseudônimo. Avildsen teve uma carreira irregular, mas deixou algumas obras marcantes como “Rocky, um Lutador” e “Karatê Kid”.

Soldado Universal: O Retorno (Universal Soldier: The Return, EUA, 1999) – Nota 4,5
Direção – Mic Rodgers
Elenco – Jean Claude Van Damme, Michael Jai White, Heidi Schanz, Bill Goldberg, Xander Berkeley, Daniel Von Bargen, Kiana Tom.

Sete anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, Luc (Jean Claude Van Damme) está casado e trabalhando em um novo projeto do “Soldado Universal”. Uma falha no supercomputador do projeto acorda os novos soldados que se revoltam. Luc é obrigado a enfrentá-los após sua filha ser sequestrada. Este longa deixa lado o que ocorreu com o protagonista no final do original de 1992 para seguir um roteiro absurdo recheado de cenas de ação ruins. Van Damme ainda voltaria ao personagem nas partes III e IV de 2009 e 2012 respectivamente.

Replicante (Replicant, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Ringo Lam
Elenco – Jean Claude Van Damme, Michael Rooker, Catherine Dent.

Um serial killer (Jean Claude Van Damme) está agindo em Seattle. Um policial (Michael Rooker) está obcecado em prendê-lo. A chance de enfrentar o psicopata surge quando uma experiência genética consegue utilizar o DNA do assassino para criar uma cópia, um replicante (Van Damme). O policial treinará o replicante para caçar o original. É um filme curioso por causa da premissa bizarra. As sequências em que o policial ensina coisas básicas ao replicante são até ingênuas. As cenas de ação são razoáveis. Este foi o segundo filme da parceira entre Van Damme e o hoje falecido diretor Ringo Lam.

A Irmandade (The Order, Aruba / EUA, 2001) – Nota 4,5
Direção – Sheldon Lettich
Elenco – Jean Claude Van Damme, Sofia Miles, Brian Thompson, Ben Cross, Charlton Heston, Vernon Dobtcheff.

Rudy Cafmeyer (Jean Claude Van Damme) é um contrabandista de artefatos antigos que precisa resgatar o pai que foi sequestrado por inimigos. A ideia foi criar um roteiro focando numa aventura ao estilo clássico passando por locais como Jerusalém e Aruba, porém o resultado parece mais com um vídeo turístico do que um filme de ação. Poucas sequências de ação se salvam. A curiosidade é a presença de Charlton Heston em seu penúltimo trabalho no cinema.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

As Rachaduras de Jara

As Rachaduras de Jara (Las Grietas de Jara, Argentina / Espanha, 2018) – Nota 6,5
Direção – Nicolás Gil Lavedra
Elenco – Oscar Martinez, Joaquin Furriel, Soledad Villamil, Sara Sálamo, Laura Novoa, Santiago Segura.

Uma garota (Sara Sálamo) entra em um pequeno escritório de uma construtora e pergunta sobre um sujeito chamado Nelson Jara. O arquiteto Pablo (Joaquin Furriel) e os donos da empresa (Soledad Villamil e Santiago Segura) dizem não conhecer a pessoa, porém fica claro que estão mentindo. 

O fato mexe com a vida do trio, principalmente de Pablo, que enfrenta uma crise no casamento e passa a relembrar o problema que ocorreu com Jara (Oscar Martinez) três anos atrás, além de se sentir atraído pela jovem curiosa. 

O roteiro escrito pelo diretor Nicolás Gil Lavedra prende a atenção do espectador utilizando os habituais flashbacks para mostrar o que realmente ocorreu entre os arquitetos e o estranho Jara. 

Um dos pontos principais é a mudança de comportamento do personagem de Joaquin Furriel, que é um sujeito com uma vida tranquila e ao mesmo tempo frustrante, que se vê em meio a algo novo que o obriga a tomar atitudes fora do convencional. 

Por mais interessante que seja o desenvolvimento da trama, a parte final deixa um pouco a desejar. Mesmo assim, este é mais um filme argentino de boa qualidade, indicado para quem curte o cinema portenho.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Simone

Simone (S1m0ne, EUA, 2002) – Nota 5
Direção – Andrew Niccol
Elenco – Al Pacino, Catherine Keener, Evan Rachel Wood, Jay Mohr, Rachel Roberts, Winona Ryder, Pruitt Taylor Vince, Jason Schwartzmann, Stanley Anderson, Daniel Von Bargen, Elias Koteas.

Viktor Taransky (Al Pacino) é um diretor de cinema que amarga fracassos seguidos e que vê sua última chance de trabalhar para um grande estúdio ir para o ralo quando uma estrelinha (Winona Ryder) abandona seu projeto atual. 

Prestes a ser despedido do estúdio por sua ex-esposa (Catherine Keener), Viktor descobre uma forma inusitada de se manter na ativa. Ele recebe como herança de um estranho (Elias Koteas) um programa de computador preparado para criar um avatar extremamente real. 

Viktor cria uma atriz virtual chamada Simone (Rachel Roberts) e consegue fazer um filme escondendo a verdade de todo mundo, como se a nova atriz fosse excêntrica e preferisse filmar suas cenas sozinha. 

O diretor Andrew Niccol é conhecido por obras de ficção com pitadas de crítica social como “Gattaca – A Experiência Genética” e “O Preço do Amanhã”. O tema da criação de avatar era algo que realmente estava prestes a acontecer no mundo real, enquanto o ponto principal seria a crítica em relação a indústria do cinema e o mundo das celebridades. 

Infelizmente ele escolheu um formato mais voltado para comédia, o que transformou a história em algo mais patético do que crítico. Os diálogos são ruins e várias sequências chegam a ser ingênuas, assim como o péssimo desenvolvimento dos personagens. Al Pacino tenta dar um pouco de dignidade ao protagonista, mas longe de ser o suficiente para salvar este filme equivocado.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Running with the Devil

Running with the Devil (Running with the Devil, Colômbia / EUA, 2019) – Nota 5,5
Direção – Jason Cabell
Elenco – Nicolas Cage, Laurence Fishburne, Barry Pepper, Leslie Bibb, Cole Hauser, Peter Facinelli, Clifton Collins Jr, Adam Goldberg, Natalia Reyes.

Escrito e dirigido pelo ex-fuzileiro naval Jason Cabell, este longa tem uma premissa bastante interessante. A proposta é mostrar o caminho de um carregamento de drogas que sai da Colômbia, passa pelo México e Estados Unidos até chegar ao Canadá. 

Na sequência inicial são apresentados vários personagens em cidades diferentes, todos ligados pelo tráfico de drogas, incluindo uma dupla de agentes do DEA (Leslie Bibb e Peter Facinelli). 

Para proteger o carregamento a mando do chefão (Barry Pepper), dois traficantes (Nicolas Cage e Cole Hauser) escoltam na surdina as chamadas mulas, ou seja, os sujeitos que transportam a droga e que pagam com a própria vida se algo der errado. 

Além da premissa, outro acerto é a forma como o diretor detalha no mapa a movimentação da droga e o valor do produto que vai aumentando conforme ele passa de mão e mão, até chegar ao ponto final. 

Infelizmente estas boas ideias se perdem em meio a uma narrativa fria e irregular, as atuações canastronas e uma parte final que força uma reviravolta. 

É uma história que tinha tudo para render um grande filme na mão de um diretor talentoso.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Semper Fi

Semper Fi (Semper Fi, Inglaterra / EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Henry Alex Rubin
Elenco – Jai Courtney, Nat Wolff, Finn Wittrock, Beau Knapp, Arturo Castro, Leighton Meester.

Em 2005, na pequena Bridgewater na divisa dos EUA com o Canadá, um grupo de amigos trabalha durante a semana e treina com os fuzileiros aos sábados e domingos, pois são reservistas que podem ser chamados para lutar no Iraque a qualquer momento. 

Um determinado fato faz com que Oyster (Nat Wolff) seja afastado do grupo, enquanto seu irmão Callahan (Jai Courtney) que é policial e os outros três amigos (Finn Wittrock, Beau Knapp e Arturo Castro) sigam para a guerra. A vida dos amigos mudará para sempre, a única coisa que continuará igual será a amizade. 

Os letreiros iniciais citam ser um filme baseado em uma história real, porém no final não é explicado o habitual destino de cada personagem, o que deixa a dúvida sobre até que ponto a os fatos relatados aqui realmente ocorreram. 

Deixando isso de lado, o longa é um bom drama com pitadas de policial e guerra, mesclando sequências de violência com discussões sobre relacionamentos, amizade e família. 

O grande acerto é  a narrativa que vai direto ao pontos dos vários acontecimentos, sem enrolação ou excesso de diálogos. 

É o tipo de filme com algumas situações extremas, porém com personagens próximos da realidade.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Assassino Profissional & Rogue: O Assassino


Assassino Profissional (U-Neun Nam-Ja, Coreia do Sul, 2014) – Nota 6
Direção – Jeong Beom Lee
Elenco – Dong Gun Jang, Min Hee Kim, Brian Tee, Hee Won Kim, Jun Kim.

Gon (Dong Gun Jang) é um assassino profissional que fica traumatizado ao matar por engano uma garotinha filha de um empresário corrupto. Querendo abandonar o “emprego”, Gon é pressionado por seu chefe para uma última missão. Ele precisa recuperar um arquivo com transações financeiras que ficou em poder da mãe da menina assassinada e não deixar testemunhas.

Com locações nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, este longa perde pontos por explorar uma história repleta de clichês com uma narrativa com vários tempos mortos. As cenas de ação e violência são boas porém esparsas, com destaque para o tiroteio no prédio de moradia e o explosivo final no edifício comercial.

Conhecendo a qualidade do cinema sul-coreano, eu esperava um filme melhor.

Rogue – O Assassino (War, EUA / Canadá, 2007) – Nota 6
Direção – Philip G. Atwell
Elenco – Jet Li, Jason Statham, John Lone, Devon Aoki, Luis Guzman, Saul Rubinek, Ryo Ishibashi, Sung Kang, Matthew St. Patrick, Nadine Velazquez, Andrea Roth, Mark Cheng, Terry Chen.

Durante uma missão, os policiais Crawford (Jason Statham) e Tom (Terry Chen) não conseguem matar um cruel assassino conhecido como Rogue. Pouco tempo depois, Tom e sua família são assassinados. 

Três anos depois, Crawford acredita ter encontrado pistas de Rogue entre as evidências de um novo assassinato. Logo ele se vê envolvido numa disputa entre a máfia japonesa Yakuza e os criminosos chineses da Tríade, além da entrada em cena de um misterioso assassino (Jet Li). 

O encontro dos astros de ação Jet Li e Jason Statham começa de forma interessante ao criar uma expectativa sobre quem é o verdadeiro Rogue, porém com o desenrolar da narrativa a trama se perde em meio a escolhas bobas e uma reviravolta forçada. O ponto positivo são as boas cenas de violência e perseguição. 

O resultado é um filme de ação genérico e esquecível. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Mudança de Firma

Mudança de Firma (Jusqu'ici Tout va Bien, França / Bélgica, 2019) – Nota 5,5
Direção – Mohamed Hamidi
Elenco – Gilles Lellouche, Malik Bentalha, Sabrina Ouazani, Camille Lou, Karim Belkhadra, Nassim Si Ahmed.

Fred Bartel (Gilles Lellouche) é o proprietário de uma pequena agência de marketing no centro de Paris. 

Quando fiscais do governo descobrem que Fred utiliza um endereço falso na periferia para não pagar impostos, a empresa fica à beira da falência por causa de uma multa. 

Para manter a empresa funcionando, Fred é obrigado a transferir o escritório para o endereço falso que fica em um bairro decadente e violento, além de ter contratar pelo menos quatro funcionários que morem na região. 

Esta comédia começa de forma interessante, criando situações que geram desconforto explorando as diferenças sociais e culturais através de personagens clichês, porém a princípio divertidos. Infelizmente conforme a narrativa avança a história se perde, chegando a um final exagerado e ingênuo. 

Esta ingenuidade é outro defeito do roteiro. Talvez na ânsia de mostrar o lado bom da periferia, o diretor insere personagens fora da realidade, como os traficantes que se tornam amigos do empresário. 

É um filme que decepciona.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

O Homem que Inventou o Natal

O Homem que Inventou o Natal (The Man Who Invented Christmas, Irlanda / Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Bharat Nalluri
Elenco – Dan Stevens, Christopher Plummer, Jonathan Pryce, Morfydd Clark, Justin Edwards, Ger Ryan, Anna Murphy, Donald Sumpter, Simon Callow, Miriam Margolyes, Ian McNeice.

Londres, 1843. O escritor Charles Dickens (Dan Stevens) vive feliz com a esposa (Morfydd Clark) e os filhos pequenos, porém sofre com a falta de inspiração após seus três últimos livros fracassarem. 

Ao ver um enterro em que o morto é velado apenas por um idoso mal humorado (Christopher Plummer), Dickens tem a ideia de escrever uma história sobre um solitário sovina atormentado por fantasmas na noite de Natal. 

Sua ideia é vista com desprezo por seus editores e com receio por seu amigo e empresário (Justin Edwards). A dificuldade em desenvolver a história aumenta com a chegada de seu pai (Jonathan Pryce), de quem ele guarda mágoas. 

Baseado na história real do “nascimento” do livro clássico “A Christmas Carol”, este longa detalha o maluco processo de criação do escritor. Misturando a imaginação com sua própria experiência de vida, incluindo seus traumas de infância, Dickens “interagia” com seus personagens. 

Este fato é desenvolvido de forma criativa pelo diretor indiano Bharat Nalluri, que dá vida ao protagonista do livro vivido por Christopher Plummer e aos fantasmas que o atormentam e conversan com o escritor. 

O roteiro cita que na época o Natal era uma festa simples comemorada pelas pessoas mais pobres. Com o sucesso do livro de Dickens, a festa se expandiu para todos os círculos na Inglaterra e posteriormente para o mundo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Amelia

Amelia (Amelia, EUA / Canadá, 2009) – Nota 6
Direção – Mira Nair
Elenco – Hilary Swank, Richard Gere, Ewan McGregor, Christopher Eccleston, Joe Anderson, Cherry Jones, Mia Wasikowska, Aaron Abrams.

Amelia Earhart (Hilary Swank) ficou famosa nos anos trinta ao atravessar o Oceano Atlântico entre os EUA e o Reino Unido por duas vezes, sendo que na segunda vez pilotando sozinha um avião. 

Em 1937, ela e o navegador Fred Noonan (Christopher Eccleston) desapareceram no ar enquanto tentavam fazer uma volta ao mundo em um pequeno avião. 

O roteiro detalha a vida de Amelia à partir do momento em que ela conhece George Putnam (Richard Gere), que se torna seu empresário e futuro marido, para em seguida mostrar seus feitos, sua vida conjugal e até mesmo seu affair com o político Gene Vidal (Ewan McGregor), pai do futuro escritor Gore Vidal e que era também exímio aviador. 

Por ser uma biografia o longa não apresenta surpresas quanto a história. O desenvolvimento da narrativa é frio, mesmo na sequência que antecede o desaparecimento do avião. 

O destaque fica para uma Hilary Swank irriquieta e muito parecida com a personagem real. 

A vida de Amelia Earhart rendeu também um telefilme chamado “A Rainha do Ar” em 1994 com Diane Keaton na papel principal.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Fratura

Fratura (Fractured, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Brad Anderson
Elenco – Sam Worthington, Lily Rabe, Lucy Capri, Stephen Tobolowski, Adjoa Andoh.

Ray (Sam Worthington), sua esposa Joanne (Lily Rabe) e a filha pequena Peri (Lucy Capri) estão viajando de automóvel pelo interior dos EUA. 

Ao parar o carro em um posto de gasolina, um acidente faz com que Ray tenha que correr com a filha para um hospital. 

Após dar entrada no local, a esposa e a filha entram em uma ala para fazer um exame e desaparecem. Desesperado, Ray tenta descobrir o que aconteceu. 

O ponto principal do roteiro é deixar o espectador em dúvida se o protagonista é maluco, se ele estava atordoado por causa do acidente ou se existe uma conspiração para se aproveitar da situação. Várias pistas surgem durante a narrativa, porém a resposta é dada apenas na sequência final. 

Mesmo com a narrativa prendendo a atenção do espectador, o filme é um suspense genérico, parecido com vários outros comuns ao gênero.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Kler

Kler (Kler, Polônia, 2018) – Nota 8,5
Direção – Wojciech Smarzowski
Elenco – Arkadiusz Jakubik, Robert Wieckiewicz, Jacek Braciak, Janusz Gajos, Joanna Kulig, Adrian Zaremba.

Na sequência inicial, três padres se divertem bebendo e cantando paródias religiosas em um apartamento. No dia seguinte eles voltam para a vida normal, ou melhor, não tão normal assim. 

Padre Lisowski (Jacek Braciak) é um sujeito ambicioso e manipulador que trata de negociatas da Igreja para construção de um enorme templo. Ele também deseja ser transferido para Roma. 

Padre Trybus (Robert Wieckiewicz) divide seu tempo entre a bebida, o namoro escondido com Hanka (Joanna Kulig) e os pedidos de doação para os fiéis. O terceiro elo é o Padre Kukula (Arkadiusz Jakubik), que também trabalha como professor em um colégio e que se vê acusado de pedofilia. 

Este longa causou uma enorme polêmica na Polônia, sendo repudiado pela Igreja Católica e ao mesmo tempo se tornando um grande sucesso de bilheteria. 

O objetivo do roteiro é mostrar o lado obscuro da Igreja Católica, que pode ser também comparado com outras religiões e seitas, em que fatos terríveis como disputa pelo poder, negócios escusos, chantagens, sexo e pedofilia são jogados para debaixo do tapete. 

Um dos acertos do roteiro é mostrar as consequências destas situações na vida dos padres e não somente na questão dos fiéis enganados. Toda a pressão enfrentada pelos padres, incluindo o absurdo celibato são gatilhos para depressão, alcoolismo e até mesmo suicídio. 

Os pecados do trio de protagonistas são explicados em rápidos flashbacks que deixam claro que o sofrimento por qual eles passaram terminaram por moldar o caráter, tanto para o bem, quanto para o mal. 

O resultado é um ótimo drama, bastante pesado e extremamente atual.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A Single Rider

A Single Rider (Sing-Geul-Ra-I-Deo, Coreia do Sul, 2017) – Nota 7,5
Direção – Zoo Young Lee
Elenco – Byung Hun Lee, Hyo Jin Kong, Sohee, Jack Campbell.

Um escândalo financeiro leva a falência a empresa de investimentos em que Kang Jae Hoon (Byung Hun Lee) trabalha em Seul. 

Envergonhado por ter perdido dinheiro de muitas pessoas incluindo amigos e parentes, Kang ainda passa por uma crise no casamento com Soo (Hyo Jin King), que mora há dois anos na Austrália com o filho pequeno do casal. 

Sem saber o que fazer, Kang resolve viajar para Austrália para reencontrar a esposa. Ao chegar no local, uma surpresa o deixa ainda mais perdido. 

Este surpreendente e melancólico drama foge do estilo sul-coreano de cinema. Acostumados com thrillers ou dramas pesados, este longa se desenvolve de uma forma sensível, sem pressa e com pequenos detalhes surgindo a cada nova sequência. 

Apesar de todas as pistas estarem na cara do espectador, a reviravolta final é uma ótima sacada. 

Destaque para a atuação contida de Byung Hun Lee, que sofre calado ao ver seu mundo desmoronar. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A Casa de Jogos

A Casa de Jogos (The Poker House, EUA, 2008) – Nota 6
Direção – Lori Petty
Elenco – Jennifer Lawrence, Selma Blair, Bokeem Woodbine, Sophi Bairley, Chloe Grace Moritz.

Interior de Iowa, 1976. A adolescente Agnes (Jennifer Lawrence) sofre por viver com a mãe (Selma Blair) que é uma prostituta viciada que aluga a casa para um cafetão (Bookem Woodbine) que a transformou num misto de bordel e local para jogos de baralho. 

Sonhando em sair da cidade e ao mesmo tempo cuidando das irmãs menores (Sophie Bairley e Chloe Grace Moritz), Agnes precisa ainda enfrentar o ódio da mãe e a pressão da mesma para que ela inicie “a carreira” de prostituta. 

Este longa autobiográfico foi escrito e dirigido pela atriz Lori Petty (“Uma Equipe Muito Especial”), que detalha sua complicada vida na adolescência. A narração em off da protagonista e algumas sequências em flashback mostram os motivos da família ter sido destruída. 

É uma história triste e depressiva, porém que perde o fôlego pelo ritmo lento e pelas várias sequências que pouco acrescentam a trama. A falta de uma explicação para o que aconteceu com suas irmãs é outro ponto negativo. 

O filme termina por ser muito mais uma sessão de terapia pessoal da atriz do que algo de interesse para o público.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O Doutor da Felicidade & Doc Hollywood


O Doutor da Felicidade (Knock, França / Bélgica, 2017) – Nota 6
Direção – Lorraine Lévy
Elenco – Omar Sy, Alex Lutz, Ana Girardot, Sabine Azéma, Pascal Elbé, Audrey Dana, Andrea Ferreol, Rufus.

França, anos cinquenta. Knock (Omar Sy) é um golpista que para fugir de parceiros enfurecidos se candidata e consegue um emprego de médico em um navio, mesmo sem nunca ter estudado para a profissão.

Cinco anos depois, Knock se apresenta em uma pequena vila do interior do país para substituir o médico que está de mudança. Ambicioso e manipulador, aos poucos ele ganha a confiança das pessoas do local ao receitar medicamentos mesmo para aqueles que não tem problema algum. Sua forma de agir chama a atenção do padre (Alex Lutz), que desconfia de suas atitudes.

Esta comédia baseada em um peça se apoia totalmente na atuação de Omar Sy, que cria um personagem cheio de contradições. Ao mesmo tempo em que seu objetivo é lucrar com a medicina e se tornar uma pessoa importante, por outro lado ele realmente tenta ajudar as pessoas que precisam, como se fosse uma espécie de psicologia involuntária que dá um novo propósito de vida aos moradores.

Mesmo que de forma rasa, o roteiro também tenta colocar em discussão a questão do uso de medicamentos e o atendimento médico como um negócio, situação que se tornou comum nos dias atuais.

O filme acaba ficando no meio do caminho entre a comédia e o drama, além de pitadas de romance, resultando numa obra apenas razoável. 

Dr. Hollywood: Uma Receita de Amor (Doc Hollywood, EUA, 1991) – Nota 6,5
Direção – Michael Caton Jones
Elenco – Michael J. Fox, Julie Warner, Barnard Hughes, Woody Harrelson, David Ogden Stiers, Bridget Fonda, Roberts Blossom, George Hamilton, Frances Sternhagen.

Ben Stone ( Michael J. Fox) é um cirurgião plástico que após conseguir o emprego dos sonhos em uma clínica em Hollywood, segue viagem de carro até Los Angeles. No caminho ele sofre um acidente em uma pequena cidade, derrubando a cerca de uma casa. O problema é que a casa pertence ao juiz do local (o veterano Roberts Blossom), que o condena a trabalhar duas semanas como médico na cidade. 

Mesmo com medo de perder o novo emprego, Ben é obrigado a cumprir a pena. Aos poucos, o jovem médico se envolve com a motorista da ambulância (Julie Warner) e percebe que a vida na cidade pequena pode ser agradável. 

Este longa é uma típica comédia ingênua no estilo sessão da tarde, formato muito comum nos anos oitenta e noventa. O roteiro previsível é superado pelo carisma de Michael J. Fox, então no auge da carreira e antes de vir à tona a doença que infelizmente mudou completamente sua vida. Ele ainda conseguiu trabalhar regularmente até 2001 no seriado “Spin City”. Depois disso apareceu apenas em pequenos papéis na tv. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Dramática Travessia

Dramática Travessia (Night Crossing, Inglaterra / EUA / Alemanha Ocidental, 1982) – Nota 6,5
Direção – Delbert Mann
Elenco – John Hurt, Jane Alexander, Beau Bridges, Doug McKeon, Glynnis O’Connor, Ian Bannen, Klaus Lowitsch, Gunter Meisner.

Jena, Alemanha Oriental, 1978. Cansado de ver as injustiças cometidas pelos agentes do governo e vivendo em uma eterna vigilância com medo de ser tornar alvo da temida polícia secreta Stasi, Peter (John Hurt) convence seu amigo Gunter (Beau Bridges) a ajudá-lo a construir um balão para fugirem com suas famílias para o lado ocidental. 

O desafio começa na compra dos tecidos, passa por encontrar um local seguro para construção do balão, chegando até o medo de serem descobertos e suas famílias sofrerem uma punição severa.

Baseado numa história real de superação, este longa hoje vale como curiosidade cinematográfica e como exemplo para entender como funcionava a vida nos terríveis países comunistas. 

Para quem não sabe, as pessoas comuns eram proibidas de viajar para fora do país e punidas até mesmo com a morte quando tentavam fugir. O caso das duas Alemanhas era ainda mais cruel, pois famílias viviam separadas pelo chamado “Muro da Vergonha”. 

O filme é razoável como diversão, tem algumas sequências de suspense simples e apenas uma cena de violência logo no início. Vale citar que o estilo “light” da abordagem segue a fórmula Disney de cinema da época, que produzia filmes de aventura ou mesmo de suspense para a família. 

Como curiosidade, o diretor Delbert Mann fez quase toda sua carreira na tv, porém também foi o responsável por uma da maiores zebras da história do Oscar. Ele foi o diretor de “Marty”, que venceu de forma totalmente surpreendente o Oscar de Melhor Filme em 1955.                           

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Acusada

Acusada (Acusada, Argentina / México, 2018) – Nota 7
Direção – Gonzalo Tobal
Elenco – Lali Espósito, Leonardo Sbaraglia, Inés Estévez, Daniel Fanego, Gerardo Romano, Gael Garcia Bernal, Margarita Molfino.

Após dois anos e meio do ocorrido, a jovem Dolores (Lali Espósito) é formalmente acusada de ter assassinado sua melhor amiga. Os pais de classe média alta (Leonardo Sbaraglia e Inés Estévez) não poupam esforços e dinheiro para salvar a filha da condenação. 

Eles pagam um advogado caro (Daniel Fanego) e uma relações públicas (Margarita Molfino) para ajudar na imagem da filha. Enquanto vários fatos vem à tona durante o julgamento, Dolores nega veementemente ter cometido o crime. 

O ponto principal deste longa é focar nos bastidores e nas consequências de um crime que chama a atenção da mídia por causa dos envolvidos. 

A tentativa de manipulação da imprensa pelas pessoas ao lado da acusada é uma espécie de resposta aos jornalistas sensacionalistas que condenam antes do julgamento oficial, aqui representado pela pequena participação de Gael Garcia Bernal como o apresentador de um programa de tv. 

A questão do dinheiro para criar uma defesa forte é outro ponto atual, assim como a do bullying virtual retratado durante o julgamento. 

Mesmo um pouco irregular na narrativa e com um final simbólico que explica o crime, o longa é uma interessante visão dos temas citados.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Os Aventureiros do Bairro Proibido

Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Littler China, EUA, 1986) – Nota 7,5
Direção – John Carpenter
Elenco – Kurt Russell, Kim Cattrall, Kate Burton, Victor Wong, Dennis Dun, James Hong, Suzee Pai.

O motorista de caminhão Jack Burton (Kurt Russell) leva seu amigo Wang (Dennis Dun) para o aeroporto com objetivo buscar a noiva dele que está chegando da China. 


Uma confusão com uma advogada (Kim Cattrall) e com alguns integrantes da máfia chinesa termina com a jovem sendo sequestrada. 

Jack e Wang perseguem os bandidos até o bairro oriental de Chinatown, se envolvendo numa guerra entre quadrilhas rivais e com um sinistro grupo de chineses com poderes sobrenaturais. 

Clássico dos anos oitenta, este longa que mistura aventura e ficção foge um pouco do estilo do grande diretor John Carpenter. Praticamente toda sua carreira foi voltada para filmes de terror, ficção e suspense, com exceção do fracasso da comédia “Memórias de um Homem Invisível”. 

Aqui Carpenter flerta com a comédia através de diálogos irônicos e algumas piadinhas em meio a correria das sequências de ação, o que acaba funcionando. 

Os efeitos especiais que hoje parecem datados, na época era o que existia de melhor. 

E como sempre, vale citar a atuação cínica de Kurt Russell, parceiro de Carpenter em cinco filmes.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Quem Somos Agora

Quem Somos Agora (Who We Are Now, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Matthew Newton
Elenco – Julianne Nicholson, Emma Roberts, Zachary Quinto, Jimmy Smits, Lea Thompson, Jess Weixler, Scott Cohen, Jason Biggs, Camila Perez.

Em liberdade após cumprir uma pena de dez anos, Beth (Julianne Nicholson) tenta recomeçar a vida.

Sua maior dificuldade está em recuperar o filho que era bebê quando ela foi presa e que foi criado por sua irmã (Jess Weixler) e seu cunhado (Scott Cohen), que não desejam dividir a guarda. 

A pressão para conseguir um emprego fixo é outro entrave na luta de Beth, que retoma as esperanças ao cruzar o caminho da jovem advogada Jess (Emma Roberts), que trabalha para uma empresa sem fins lucrativos. 

O ponto alto deste drama é a atuação da Julianne Nicholson. Sua vontade de recuperar o filho a leva a tomar atitudes que beiram o desespero e a humilhação, colocando alguns personagens detestáveis em seu caminho. 

O roteiro acerta ao esconder por mais da metade da história o crime que a levou para prisão, algo muito mais voltado para irresponsabilidade juvenil do que para maldade. 

É um filme doloroso, sobre pessoas que pagam a vida toda por um erro.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Sombra Lunar

Sombra Lunar (In the Shadow of the Moon, EUA, 2019) – Nota 6
Direção – Jim Mickle
Elenco – Boyd Holbrook, Cleopatra Coleman, Bokeem Woodbine, Michael C. Hall, Rudi Dharmalingam, Rachel Keller.

Numa noite na Filadélfia em 1988, três pessoas em locais distintos morrem em decorrência de uma estranha hemorragia que chega a derreter o cérebro. 

Na mesma noite, o policial Locke (Boyd Holbrook) persegue uma suspeita (Cleopatra Coleman) que termina morta. Na sequência ele perde a esposa durante um parto e ganha uma filha que sobrevive. 

Nove anos depois, agora como detetive, Locke é assombrado por casos semelhantes que ocorrem na mesma data e pela possível aparição da mesma mulher que foi morta na perseguição. 

Esta produção da Netflix começa instigante ao mostrar numa rápida sequência um mundo devastado em 2024, para em seguida deixar o espectador curioso sobre o porquê das mortes e do provável apocalipse.

Infelizmente, conforme o filme avança a trama perde força, tanto pela decadência um pouco forçada do protagonista, mas principalmente pela explicação para os crimes, que se revela algo ligado a uma alarmista militância ideológica, chegando a um final que beira o piegas. 

Pela premissa e a parte inicial, eu esperava um filme bem melhor.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

12 Horas

12 Horas (Gone, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Heitor Dhalia
Elenco – Amanda Seyfried, Daniel Sunjata, Jennifer Carpenter, Sebastian Stan, Wes Bentley, Nick Searcy, Emily Wickersham, Socratis Otto, Joel David Moore, Michal Paré.

Jill (Amanda Seyfried) é uma jovem traumatizada por um sequestro. Ela escapou, mas não conseguiu convencer a polícia que acredita que tudo tenha sido fruto de sua mente. 

Quando sua irmã Molly (Emily Wickersham) desaparece de forma semelhante, Jill tem certeza que o mesmo sequestrador voltou a atacar. Novamente a polícia a ignora e ela decide investigar por conta própria. 

O diretor brasileiro Heitor Dhalia, de bons filmes como “O Cheiro do Ralo” e “À Deriva”, estreou no cinema americano com este suspense policial recheado de clichês. 

O melhor do filme é a atuação desesperada de Amanda Seyfried, que tenta descobrir a identidade do sequestrador de todas as formas possíveis. Por outro lado, o restante do elenco é muito fraco e os personagens coadjuvantes tomam decisões erradas seguidamente. 

É um filme genérico que prende a atenção e nada mais.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Scary Stories to Tell in the Dark, EUA / Canadá, 2019) – Nota 7
Direção – André Ovredal
Elenco – Zoe Margaret Colletti, Michael Garza, Gabriel Rush, Austin Abrams, Austin Zajur, Dean Norris, Gil Bellows, Natalie Ganzhorn, Lorraine Toussaint, Kathleen Pollard.

Halloween, 1968. Em uma típica cidade do interior americano, alguns adolescentes decidem passar a noite em um velho casarão abandonado e considerado maldito. 

Eles encontram um quarto secreto onde uma garotinha supostamente foi mantida prisioneira pela família. No local, Stella (Zoe Margaret Colletti) encontra um livro com algumas histórias de terror escritas a mão. De forma assustadora, novas histórias começam a ser escritas no livro citando cada um dos garotos como protagonistas e prováveis vítimas. 

Seguindo a moda atual de utilizar adolescentes como protagonistas, este interessante longa de terror acerta no tom dos sustos, nas sequências de terror e até mesmo na história, mesmo não apresentando grandes surpresas. 

Outro acerto foi levar a trama para os anos sessenta aos invés do oitenta, o que seria comum atualmente, inserindo algumas sequências com costumes antigos, sem os gadgets atuais ou mesmo oitentistas. 

As pequenas histórias de cada personagem convergem para um final que deixa um gancho para uma provável sequência.

sábado, 7 de dezembro de 2019

The Art of Self-Defense

The Art of Self-Defense (The Art of Self-Defense, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Riley Stearns
Elenco – Jesse Eisenberg, Alessandro Nivola, Imogen Poots, Steve Terada, Phillip Andre Botello, Leland Orser.

Casey (Jesse Eisenberg) é um solitário e inseguro contador que após ser espancado sem motivos por uma gangue de motociclistas decide aprender karatê. 

Ele entra no “dojo” de um sensei (Alessandro Nivola) que a princípio parece ser um mestre que deseja ensinar os alunos a ganharem confiança, mas que aos poucos mostra sua verdadeira face. 

Escrito e dirigido por Riley Stearns de “Faults  e produzido pelos irmãos David e Nathan Zellner de “Kumiko, a Caçadora deTesouros”, este novo longa segue o mesmo estilo fora do comum. Os personagens são interpretados com uma aparente seriedade que esconde o absurdo da história que beira o humor negro em algumas sequências, principalmente nas de violência. 

Não sei de forma proposital ou por acaso, o roteiro passa a mensagem de que no mundo em que vivemos onde estamos a mercê de vários tipos de violência, a única forma de defesa é se impor, mesmo se tivermos de utilizar também da violência. 

É um filme razoável, mas que vale a sessão para quem tem curiosidade por obras que fogem do lugar comum.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Trial By Fire & O Segredo


Trial By Fire (Trial By Fire, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Edward Zwick
Elenco – Jack O’Connell, Laura Dern, Emily Meade, Chris Coy, Jade Pettyjohn.

Texas, 23 de dezembro de 1991. Cameron Todd Willingham (Jack O’Connell) sai desesperado de sua casa que está em chamas. Ele tenta voltar para salvar suas três filhas pequenas, porém não consegue. Por ser um sujeito complicado e conhecido por confusões na pequena cidade, rapidamente ele se torna o suspeito principal do incêndio.

E um julgamento com testemunhas controversas, Todd é condenado à morte. Alguns anos depois, uma coincidência faz com que a escritora Elizabeth Gilbert (Laura Dern) se torne amiga de Todd e inicie uma luta para provar sua inocência.

Baseado numa história real descrita em uma reportagem do jornal The New Yorker, este longa tenta fazer uma crítica a pena de morte e as falhas do sistema judiciário americano.

O filme explora algumas narrativas paralelas, sendo a principal a relação de amizade entre escritora e o detento, além de focar nos problemas familiares dos dois, com destaque para a insegurança da esposa de Todd (Emily Mead).

Vale citar a ótima atuação do inglês Jack O’Connell, criando um complexo personagem que é ao mesmo tempo revoltado e amoroso com as filhas, acertando até mesmo no sotaque texano.

O resultado é uma boa opção para quem gosta de drama.

O Segredo (The Chamber, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – James Foley
Elenco – Chris O’Donnell, Gene Hackman, Faye Dunaway, Lela Rochon, Robert Prosky, Bo Jackson, Raymond J. Barry, David Marshall Grant, Nicholas Pryor, Richard Bradford, Millie Perkins, Josef  Sommer, Jane Kaczmarek.

O advogado novato Adam Hall (Chris O’Donnell) decide conhecer seu avô Sam Cayhall (Gene Hackman) que está preso em uma cadeia no Mississippi prestes a ser executado por um terrível crime que cometeu trinta anos antes. 

Cayhall era membro da Ku Klux Klan e foi o responsável por um atentado que matou duas crianças e deixou o pai das mesmas com terríveis sequelas. A difícil decisão de defender o avô assassino faz com que segredos familiares venham à tona e transforme Adam em alvo de políticos e ativistas. 

Assim como as várias adaptações dos livros de John Grisham para o cinema, este longa tem um premissa extremamente interessante e um desenrolar da trama decepcionante. A histórias de Grisham parecem rodar, rodar e não sair do lugar, sem contar a falta de um clímax. 

A atuação de Chris O’Donnell é outro ponto negativo. Ator inexpressivo, O’Donnell não se firmou no cinema, mas conseguiu se acertar na série “NCIS – Los Angeles”. No elenco o destaque fica para Gene Hackman, assustador como o veterano racista. 

É um filme apenas razoável, indicado para os fãs de Grisham.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

The Spy

The Spy (The Spy, França, 2019) – Nota 7,5
Direção – Gideon Raff
Elenco – Sacha Baron Cohen, Noah Emmerich, Hadar Ratzon Rotem, Yael Eitan, Nassim Si Ahmed, Alexander Siddig, Moni Moshonov, Waleed Zuaiter.

Israel, 1961. Eli Cohen (Sacha Baron Cohen) trabalha em uma empresa em uma função burocrática, porém nos anos cinquenta atuou como espião para o o governo israelense enquanto vivia no Egito.

Sonhando voltar a trabalhar para o governo, Eli fica feliz ao ser novamente recrutado. O problema é que desta vez sua missão é muito mais complicada. 

Ele recebe uma nova identidade, inventa uma história mentirosa para a esposa (Hadar Ratzon Rotem) e utiliza suas raízes sírias para se infiltrar entre os poderosos empresários e políticos daquele país. Primeiro na Argentina durante um ano e em seguida direto em Damasco, capital da Síria. 

Aos poucos Eli consegue descobrir segredos vitais para Israel se defender do inimigo sírio, ao mesmo tempo colocando sua vida em risco. 

Baseado na incrível história real do espião Eli Cohen, esta minissérie em seis episódios faz um retrato dos bastidores da luta entre Israel e Síria durante os anos sessenta, situação que resultou na chamada “Guerra dos Seis Dias” em 1967. 

Numa época em que as mensagens por Código Morse era a forma de contato a longa distância que dificultava interceptações, Cohen viveu cinco anos utilizando uma identidade falsa praticamente sem apoio algum. Ele sabia que qualquer deslize seria uma sentença de morte. 

É interessante que ele entrou tão fundo na pele do personagem do empresário sírio, que nas poucas vezes em que voltou para casa demonstrou dificuldade em se relacionar com a esposa. 

A minissérie tem boas sequências de suspense, o roteiro detalha muito bem as relações do protagonista e inclusive sua participação em um Golpe de Estado na Síria que levou o general Amin Al Hafez (Waleed Zuaiter) ao poder. 

Vale destacar ainda a atuação sóbria do comediante Sacha Baron Cohen, que aproveita muito bem a chance de interpretar um papel sério. 

Os fãs de filmes de espionagem com estilo clássico com certeza irão curtir.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

John Carter: Entre Dois Mundos

John Carter: Entre Dois Mundos (John Carter, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Andrew Stanton
Elenco – Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Mark Strong, Ciaran Hinds, Dominic West, James Purefoy, Bryan Cranston, Polly Walker, Daryl Sabara.

Londres, 1881. O futuro escritor Edgar Rice Burroughs (Daryl Sabara) chega na Inglaterra para receber o testamento deixado por seu tio, o aventureiro John Carter (Taylor Kitsch). O item principal do testamento é um diário que narra uma incrível jornada de Carter. 

A trama volta para 1868 quando Carter era uma soldado do exército confederado americano que havia desertado por não acreditar na guerra e por sonhar encontrar uma caverna cheio de ouro. 

Um confronto de soldados com índios leva Carter a encontrar um artefato que o transporta para Marte, sendo jogado em outro conflito, desta vez entre povos alienígenas. 

Esta maluca história que mistura a Inglaterra Vitoriana, o Velho Oeste Americano e Marte saiu da mente do verdadeiro escritor Edgar Rice Burroughs, mais conhecido por ser o criador de Tarzan. 

Por mais absurda que seja, os pedaços da trama se encaixam de forma interessante, o problema acaba sendo a narrativa irregular e alguns diálogos que beiram a comédia. 

As sequências românticas entre o protagonista e a princesa marciana vivida por Lynn Collins também quebram o ritmo da narrativa, mesmo tendo importância na trama. 

O resultado é uma ficção razoável e esquecível.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O 12º Homem

O 12º Homem (Den 12. Mann, Noruega, 2017) – Nota 7,5
Direção – Harald Zwart
Elenco – Thomas Gullestad, Jonathan Rhys Meyers, Marie Blokhus, Mads Sjogard Pettersen, Vegar Hoel, Hakon T. Nielsen.

Costa da Noruega, Segunda Guerra Mundial, 1943. Um grupo com doze noruegueses tem a missão de sabotar uma espécie de centro de comunicações do nazistas. 

A missão falha e onze homens são presos. Apenas Jan Baalsrud (Thomas Gullestad) consegue escapar. 

Sem comida, troca de roupas e com apenas um sapato, Jan procura ajuda com os moradores da região para tentar chegar a Suécia, tendo em seu encalço um temido oficial nazista (Jonathan Rhys Meyers). 

Baseado numa incrível história real de perseverança e vontade de viver, este é mais um longa que comprova a quantidade quase inesgotável de histórias sobre a Segunda Guerra. 

Os letreiros iniciais citam que por mais absurdo que pareçam, os fatos mostrados aqui realmente ocorreram. É uma verdadeira saga enfrentada pelo protagonista. 

Os destaques ficam para a marcante atuação de Thomas Gullestad e as locações na gelada Noruega. Em algumas sequências dá para “sentir” o frio ao ver neve por todos os lados.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O Invencível

O Invencível (Invincible, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Ericson Core
Elenco – Mark Wahlberg, Greg Kinnear, Elizabeth Banks, Kevin Conway, Michael Rispoli, Kirk Acevedo, Michael Kelly, Dov Davidoff, Michael Nouri.

Filadélfia, 1976. Vince Papale (Mark Wahlberg) é um professor substituto de trinta anos que para completar o orçamento trabalha como bartender no estabelecimento de um amigo. 

Vince e um grupo de amigos são torcedores do time de futebol americano Philadelphia Eagles, que teve uma temporada terrível no ano anterior. Um novo treinador (Greg Kinnear) é contratado. 

Pensando em estreitar os laços com a torcida, ele promove um dia de “peneira”, ou seja, um treino para os torcedores demonstrarem sem algum tem condições de jogar profissionalmente. Para surpresa geral, Vince mostra seu talento e termina escolhido para treinar com os profissionais, tendo assim a chance de sua vida. 

Baseado numa incrível história real, este longa tem como ponto principal a persistência do protagonista vivido por Mark Wahlberg. Mesmo sendo uma gigantesca exceção, a história do personagem é um exemplo de como enfrentar os desafios da vida de cabeça erguida. 

Vale destacar também os problemas comuns enfrentados pelos amigos do protagonista, principalmente o desemprego e a falta de perspectivas de uma vida melhor. 

É um bom filme que vai além do drama esportivo. 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Possessão & Dominação


Possessão (The Possession, EUA / Canadá, 2012) – Nota 6
Direção – Ole Bornedal
Elenco – Jeffrey Dean Morgan, Kyra Sedgwick, Natasha Calis, Madison Davenport, Matisyahu, Grant Show.

Na sequência inicial, uma senhora tenta destruir uma enigmática caixa de madeira, mas termina sendo impedida por uma força sobrenatural. Algum tempo depois, Clyde (Jeffrey Dean Morgan), que está separado da esposa (Kyra Sedgwick), passa pelo local do ocorrido onde está ocorrendo uma venda de garagem e decide parar com suas filhas Emily (Natasha Calis) e Hannah (Madison Davenport). A mais nova Hannah fica empolgada com a caixa e a leva para casa. Não demora para a garota começar a ter atitudes estranhas, assustando a família.

O filme se diz baseado em fatos reais que aconteceram durante vinte e nove dias, mas fica difícil saber até que ponto isso é verdade. A história explora todos os clichês comuns aos filmes de possessão, com o diretor exagerando um pouco nos cortes que lembram as paradas para propagandas em produções de tv.

Vale a sessão por duas curiosidades. Ver Jeffrey Dean Morgan em um papel bem diferente do Negan de “The Walking Dead” e o inusitado personagem que surge na parte final para ajudar a família.

Dominação (Incarnate, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Brad Peyton
Elenco – Aaron Eckhart, Carice van Houten, Catalina Sandino Moreno, David Mazouz, Keir O’Donnell, Matt Nable, Emily Jackson.

Dr. Ember (Aaron Eckhart) desenvolveu o poder de entrar na mente de pessoas que estão possuídas por algum espírito maligno e assim tentar expulsá-lo do hospedeiro. Ao ser procurado por uma representante do Vaticano (Catalina Sandino Moreno) para ajudar um garoto (David Mazouz) que está possuído, Ember descobre que o espírito é o mesmo que causou uma tragédia em sua vida. 

A premissa de misturar controle da mente com exorcismo é bastante criativa, assim como as cenas de luta entre o bem e o mal são tensas, porém o desenvolvimento do roteiro é repleto de clichês, inclusive o abrupto final. 

O destaque do elenco fica para o garoto David Mazouz, assustador nos momentos em que a entidade utiliza se corpo para se expressar.

O resultado é no máximo razoável.

sábado, 30 de novembro de 2019

Parasita

Parasita (Gisaengchung, Coreia do Sul, 2019) – Nota 8,5
Direção – Bong Joon Ho
Elenco – Kang Ho Song, Sun Kyun Lee, Yeo Jeong Jo, Woo Sik Choi, Hye Jin Jang, So Dam Park, Ji So Jung.

Uma família de desempregados que vive em um porão fazendo pequenos bicos para sobreviver, vê a chance de mudar de vida quando o filho Ki Woo (Woo Sik Choi) é indicado por um amigo e consegue um emprego para ensinar inglês para a filha adolescente de um casal rico. 

Este é o tipo de filme em que quanto menos o espectador souber maior será a surpresa, ou melhor, as surpresas. 

O roteiro escrito pelo ótimo diretor Bong Joon Ho, de filmes marcantes como “Expresso do Amanhã”, “Mother – A Busca Pela Verdade” e “Memórias de um Assassino” detalha uma história em que as aparências enganam. 

Uma sequência de mentiras que chegam a ser engraçadas na primeira hora se transformam em uma situação insustentável envolvendo ambição e preconceito, chegando até um pesado clímax. 

É mais um filme que comprova a alta qualidade do cinema sul-coreano.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Primeiro Ano

Primeiro Ano (Premiere Année, França, 2018) – Nota 7
Direção – Thomas Lilti
Elenco – Vincent Lacoste, William Lebghil, Michel Lerousseau, Darina Al Joundi.

Benjamin (William Lebghill) é um jovem que está iniciando o primeiro ano no curso de medicina influenciado pelo pai, porém deixa transparecer uma certa dúvida em relação a carreira. 

Antoine (Vincent Lacoste) repetiu duas vezes o primeiro ano e agora tem a última chance de realizar o sonho de se tornar médico. Os dois criam um laço de amizade e passam a estudar juntos para enfrentar o desafio. 

Citei em uma postagem recente do filme “Hipócrates” a história do diretor Thomas Lilti, que também é médico. Ele fez uma trilogia sobre a profissão que segue com “O Insubstituível” que eu ainda não conferi e termina com este “Primeiro Ano”. 

O foco aqui é mostrar a pressão que os alunos enfrentam no primeiro ano de curso de medicina na França, que é utilizado como peneira. No filme é citado que de 2500 alunos, apenas os 329 primeiros serão aprovados e poderão seguir para o segundo ano de curso. 

O roteiro escrito pelo diretor utiliza como exemplo dois protagonistas diferentes no pensamento em relação a profissão. Ele explora também a questão de como estudar. Enquanto alguns aprendem determinada matéria facilmente, outros estudam horas a fio e sofrem para entender ou memorizar. 

É interessante também um coadjuvante citando que os alunos que passam neste concorrido curso nem sempre são os melhores, mas geralmente são aqueles que entendem melhores “os códigos”, ou seja, focam direto no resultado sem preocupação no aprofundamento da matéria. 

É um bom filme para o público comum e provavelmente mais interessante para quem estuda ou estudou medicina.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O Segredo de Vera Drake

O Segredo de Vera Drake (Vera Drake, Inglaterra / França, 2004) – Nota 7,5
Direção – Mike Leigh
Elenco – Imelda Staunton, Phil Davis, Peter Wight, Daniel Mays, Eddie Marsan, Anna Keaveney, Jim Broadbent, Lesley Manville, Sally Hawkins, Ruth Sheen, Chris O’Dowd.

Londres, 1950. Vera Drake (Imelda Staunton) trabalha como doméstica em várias casas, ajuda alguns vizinhos que enfrentam problemas e ainda cuida de sua família. 

O que o marido (Phil Davis) e o casal de filhos adultos (Daniel Mays e Anna Keaveney) não sabem é que Vera também auxilia jovens solteiras grávidas que querem abortar. A vida da família vira um inferno quando um determinado fato leva Vera a enfrentar a justiça. 

Especialista em dramas que focam em pessoas comuns enfrentando problemas da vida real, neste longa o diretor Mike Leigh explora o polêmico tema do aborto sem apelar para panfletagem. 

Ele deixa claro que a forma que a protagoniza utiliza para auxiliar as jovens é totalmente errada, mas ao mesmo tempo ele cria uma pequena narrativa em paralelo com a personagem de Sally Hawkins mostrando como as pessoas da classe alta na época tinham facilidade para resolver este “problema” pelas vias normais. É um tema que até hoje desperta discussões acaloradas e que acredito que jamais terá um consenso. 

Vale destacar a brilhante atuação de Imelda Staunton, que praticamente cria duas personagens diferentes no mesmo filme. Na primeira parte se mostrando feliz e pronta para ajudar, enquanto na segunda afundando na tristeza ao ver sua vida ser destruída. 

É um drama forte que merece ser conhecido.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Stuber

Stuber (Stuber, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Michael Dowse
Elenco – Kumail Nanjiani, Dave Bautista, Mira Sorvino, Natalie Morales, Iko Uwais, Betty Gilpin, Karen Gillan, Jimmy Tatro.

Vic (Dave Bautista) é um policial que teve a parceira assassinada por um terrorista (Iko Uwais). 

Algum tempo depois, no dia em que fez uma cirurgia para correção de um problema nos olhos, surge uma pista do paradeiro do sujeito.

Mesmo com a visão prejudicada, Vic decide seguir a pista, porém logo tem um acidente com o carro. Obcecado, ele chama o Uber do pobre Stu (Kumail Nanjiani), que se torna seu inusitado parceiro na caçada ao assassino. 

Esta divertida mistura de ação e comédia bebe na fonte dos filmes do gênero dos anos oitenta ao unir o brutamontes Dave Bautista com o comediante Kumail Nanjiani. 

Mesmo com alguns exageros habituais do gênero, o longa tem vários pontos positivos como a química entre a dupla de atores, as agitadas cenas de ação e correria com a boa participação do astro indonésio Iko Uwais, além de diálogos divertidos, vários deles com referência a outros filmes. 

Não se pode deixar de citar também a enorme propaganda do Uber. 

Para um gênero tão desgastado quanto a comédia, este longa acaba sendo uma agradável surpresa.