quinta-feira, 21 de março de 2019

The Dark Side of the Moon

The Dark Side of the Moon (Die Dunkle Seite des Mondes, Alemanha / Luxemburgo / Inglaterra, 2015) – Nota 7
Direção – Stephan Rick
Elenco – Moritz Bleibtreu, Jurgen Prochnow, Nora von Waldstatten, André Hennicke, Doris Schretzmayer.

Urs (Moritz Bleitbreu) é um executivo de uma indústria farmacêutica que está liderando um processo de fusão com outra grande empresa. Uma determinada situação leva Urs a cruzar o caminho da jovem Lucille (Nora von Waldstatten). 

Mesmo casado com Evelyn (Doris Schretzmayer), ele se envolve com Lucille e aceita experimentar cogumelos alucinógenos. A “viagem” com a droga o transforma em uma pessoa diferente e perigosa. 

O filme é uma verdadeira viagem do protagonista ao inferno e coloca em discussão a questão de até que ponto uma droga pode despertar algo sinistro no usuário. A busca do personagem em descobrir o que aconteceu consigo mesmo é bastante interessante e também violenta. O filme perde alguns pontos pela passagem do tempo confusa e um pouca rápida. 

É um filme estranho, que foge do lugar comum, inclusive no final. 

quarta-feira, 20 de março de 2019

Mid90s

Mid90s (Mid90s, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Jonah Hill
Elenco – Sunny Suljic, Lucas Hedges, Katherine Waterston, Na-kel Smith, Olan Prenatt, Gio Galicia, Ryder McLaughlin.

Los Angeles, anos noventa. Stevie (Sunny Suljic) é um pré-adolescente que se sente isolado no mundo. 

Seu irmão mais velho (Lucas Hedges) o trata como saco de pancadas, enquanto sua mãe (Katherine Waterston) parece perdida em meio ao trabalho, as relações casuais com homens e a dificuldade em criar os filhos. 

A vida de Stevie ganha sentido quando ele faz amizade com um grupo de skatistas. É o início de uma fase de descobertas e erros. 

Este interessante longa marca a estreia na direção do ator Jonah Hill, que assina também o roteiro. Conhecido por comédias sem pudor, Jonah Hill explorou parte desta experiência para escrever os diálogos adolescentes cheios de gírias e palavrões, porém ao mesmo tempo conseguindo inserir uma enorme sensibilidade no desenvolvimento dos personagens. 

A princípio os skatistas parecem desajustados ao estilo dos filmes de Larry Clark, mas aos poucos descobrimos as histórias individuais e os sofrimentos enfrentados por cada um deles. 

O garoto Sunny Suljic entregue uma ótima interpretação misturando ingenuidade e vontade de experimentar. As situações vividas por ele e pelos amigos são típicas dos adolescentes dos anos noventa, época em que as aventuras na rua ainda não haviam sido trocadas pelos gadgets tecnológicos.

terça-feira, 19 de março de 2019

A Caminho da Fé

A Caminho da Fé (Come Sunday, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Joshua Marston
Elenco – Chiwetel Ejiofor, Jason Segel, Condola Rashad, Lakeith Stanfield, Martin Sheen, Danny Glover.

Carlton Pearson (Chiwetel Ejiofor) é um respeitado pastor de uma congregação protestante na cidade de Tulsa.

Após um fato ocorrido com seu tio (Danny Glover) e ao ver pela tv uma reportagem sobre pessoas morrendo de fome na África, Carlton afirma em culto para seus seguidores que todas as pessoas serão salvas do pecado, mesmo aquelas que não seguem a religião. 

A afirmação é recebida com surpresa pelo seu braço-direito na igreja (Jason Segel) e por seu mentor (Martin Sheen), que é reitor da universidade local. Pressionado, Carlton precisa decidir entre voltar atrás nas palavras para agradar as pessoas ao seu redor ou enfrentar as consequências por dizer algo em que acredita. 

Baseado em uma história real, este longa coloca em discussão a questão da fé baseada no medo. O ponto principal da crise provocada pelas palavras do pastor é fazer com que as pessoas acreditem que o inferno não existe, o que bate de frente com os dogmas de várias religiões que mantém os fiéis controlados através do medo de morrer e ir para o inferno. Para muitos, dizer que o inferno não existe acarretaria nas pessoas se afastando da igreja, ou seja, a empresa perderia seus clientes. 

Por mais que o tema seja interessante, o filme perde pontos pela narrativa arrastada. Quase todo o filme foca na crise que o protagonista vivido por Chiwetel Ejiofor precisa enfrentar. O resultado é no máximo razoável.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Sem Perdão

Sem Perdão (Shot Caller, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Ric Roman Waugh
Elenco – Nicolaj Coster Waldau, Omari Hardwick, Lake Bell, Jon Bernthal, Emory Cohen, Holt McCallany, Jeffrey Donovan, Evan Jones, Juan Pablo Raba, Matt Gerald, Max Greenfield, Benjamin Bratt, Jessy Schram.

Após vários anos preso, Jacob “Money” (Nicolaj Coster Waldau) ganha a liberdade. Recebido por um amigo (Jon Bernthal), rapidamente descobrimos que ele faz parte de uma gangue neonazista e que precisa cumprir uma missão. 

Em seguida, a trama intercala sequências em flashback detalhando como era a vida de Jacob antes da prisão e como os anos na cadeia o transformaram em outra pessoa. 

O diretor e roteirista Ric Roman Waugh tinha uma sólida carreira como dublê quando decidiu tentar a sorte como diretor. Antes deste trabalho ele havia entregado dois bons filmes policiais. O agitado “O Acordo” com Dwayne Johnson e o surpreendente “Felon” com Stephen Dorff e Val Kilmer, longa que também se passa em uma prisão e tem várias semelhanças com a obra que comento aqui. 

Este “Sem Perdão” surpreende pela complexa trama muito amarrada e a narrativa desenvolvida de forma competente, prendendo a atenção do início ao fim, com direito a uma pequena surpresa no desfecho. 

Waugh explora com talento e criatividade os clichês dos filmes de prisão, como as brigas no páteo, as armas improvisadas e o ódio racial, além de intercalar com um trama policial paralela sobre uma negociação criminosa. 

O ótimo Nicolaj Coster Waldau acerta na forma de como seu personagem se desenvolve e principalmente como consegue enfrentar os obstáculos com extrema inteligência. 

É um filme que não teve destaque quando foi lançado, mas que merece ser mais conhecido. 

domingo, 17 de março de 2019

Um Sonho Distante

Um Sonho Distante (Far and Away, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Tom Cruise, Nicole Kidman, Thomas Gibson, Robert Prosky, Barbara Babcock, Cyril Cusack, Colm Meaney, Michelle Johnson, Jared Harris.

Irlanda, 1862. Joe Donnelly (Tom Cruise) é o filho mais novo de um velho fazendeiro que morre após um conflito. Joe e seus irmãos são expulsos de casa pelo capataz (Thomas Gibson) que trabalha para o dono das terras (Robert Prosky). 

Disposto a vingar a morte do pai, Joe tenta matar o fazendeiro e falha, mas termina chamando a atenção da jovem filha do sujeito, a bela e rebelde Shannon (Nicole Kidman). Shannon convence Joe a fugir e juntos viajam de navio até os Estados Unidos em busca de uma nova vida. 

Lançado na época como se fosse um épico dividido em três partes que se passam na Irlanda, em Boston e por fim nas planícies de Oklahoma, este longa fracassou nas bilheterias americanas e também sofreu com as críticas ruins de forma merecida. 

Por mais que a produção seja caprichada e entregue algumas boas cenas de brigas, além da cavalgada final, o filme perde pontos pela longa duração que resulta em uma narrativa irregular e pela forma como o diretor Ron Howard insere pitadas de comédia em algumas sequências, principalmente nas briguinhas bobas entre o casal de protagonistas. 

As atuações quase juvenis de Tom Cruise e Nicole Kidman também não ajudam. Por sinal, o filme foi um veículo produzido especialmente para o então casal que era a sensação do momento no mundo das celebridades.

sábado, 16 de março de 2019

O Novato & O Assassino: O Primeiro Alvo


O Novato (The Recruit, EUA, 2003) – Nota 7
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Al Pacino, Colin Farrell, Bridget Moynahan, Gabriel Macht, Kenneth Mitchell.

James Clayton (Colin Farrell) é um universitário que desenvolveu um avançado projeto de criptografia de dados e por este motivo passou a receber convites de grandes empresas. Tudo muda quando ele é procurado por Walter Burke (Al Pacino), um recrutador da CIA que diz saber detalhes da morte de seu pai. 

Instigado, James aceita o convite para se tornar agente. Ele é levado para uma fazenda e ao lado de vários jovens inicia um duríssimo treinamento envolvendo lutas, torturas e humilhações. Aos poucos, James começa a desconfiar de que algo errado está ocorrendo naquele local. 

Os pontos altos do longa são a disputa entre os personagens de Colin Farrell e Al Pacino, além das várias reviravoltas do roteiro. Mesmo não sendo um primor, o roteiro acerta ao deixar o espectador e o protagonista em dúvida sobre em quem confiar. Algumas boas cenas de tensão e ação também fazem parte do cardápio. 

Não chega a ser um filme marcante, mas prende a atenção dos fãs do gênero.

O Assassino: O Primeiro Alvo (American Assassin, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Michael Cuesta
Elenco – Dylan O’Brien, Michael Keaton, Taylor Kitsch, Sanaa Lathan, Shiva Negar, David Suchet, Scott Adkins, Navid Negahban, Charlotte Vega.

Passando férias com a noiva nas praias de Ibiza, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) é surpreendido por um ataque terrorista. Ele fica ferido e sua noiva é assassinada. Enquanto se recupera fisicamente, Mitch planeja vingança. Na busca pelo terrorista que organizou o ataque, Mitch é interceptado por agentes da CIA. Ele termina recrutado por uma agente (Sanaa Lathan) e enviado para ser treinado por outro veterano agente (Michael Keaton), que tem uma espécie de escola para mercenários. 

Este longa pode ser comentado por dois ângulos. Ele é competente nas sequências de ação intercalando tiros, lutas e perseguições. Por outro lado, o desenrolar da trama deixa bastante a desejar. O exagero dramático e até piegas da sequência inicial do casal na praia, além da forma ingênua como o protagonista tenta se vingar são apenas o começo de várias soluções que não funcionam, além de um caminhão de clichês, incluindo o aluno rebelde (Taylor Kitsch) que também busca vingança contra seu mentor. 

O resultado é um filme de ação genérico e totalmente esquecível.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Bob Lazar: Area 51 & Flying Saucers

Bob Lazar: Area 51 & Flying Saucers (Bob Lazar: Area 51 & Flying Saucers, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Jeremy Kenyon Lockyer Corbell
Narração – Mickey Rourke
Documentário

Em 1989, o jornalista George Knapp entrevistou um homem que a princípio não se identificou e que afirmava ter trabalhado em um projeto secreto do governo americano na chamada Área 51 no deserto de Nevada. 

O projeto consistia em estudar e desenvolver uma tecnologia desconhecida na Terra, que aparentemente havia sido descoberta em contatos com naves alienígenas. Não demorou para o sujeito ser identificado e decidir dar uma entrevista de cara limpa. 

O homem era Bob Lazar, um jovem engenheiro que foi recrutado pelo governo e que ao mesmo tempo ficou assustado e fascinado com o projeto. A vida de Lazar virou de cabeça para baixo. Tratado como maluco por muitos e vigiado pelo governo, ele terminou se afastando das câmeras. 

Quase trinta anos depois, o documentarista Jeremy Kenyon Lockyer Corbell convenceu Lazar a contar novamente sua história. Por mais que seja difícil acreditar em alienígenas e tecnologias desconhecidas, algumas coisas que Lazar contou em 1989 se tornaram realidades, como o caso do scanner de ossos utilizado por uma empresa americana. 

Neste doc de 2018 ele repetiu tudo que disse em 1989, inclusive tendo passado pelo teste do polígrafo. Lazar por várias vezes cita que não ganhou nada contando sua história, pelo contrário, sua vida ficou muito mais difícil após o fato. 

Ao final do doc fica a clara sensação de que ele realmente foi testemunha de algo extraordinário. 

É um doc indicado para quem tem curiosidade sobre o tema.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Salyut-7

Salyut-7 (Salyut-7, Rússia, 2017) – Nota 7
Direção – Klim Shipenko
Elenco – Vladimir Vdovichenkov, Pavel Derevyanko, Aleksandr Samoylenko, Mariya Mironova, Oksana Fandera, Lyubov Aksyonova.

União Soviética, junho de 1985. A estação espacial Salyut-7 apresenta problemas e fica à deriva no espaço. Sem tripulação para fazer o conserto, a estação em pouco tempo cairá na Terra e poderá causar uma tragédia. 

Desesperados para resolver o problema antes dos americanos, os russos desejam acoplar uma segunda nave na estação, fato que jamais havia sido feito no espaço. 

O único astronauta apto para o trabalho quase suicida é Fedorov (Vladimir Vdovichenkov), que estava afastado do programa espacial russo após alegar ter visto anjos no espaço em sua última viagem. Ele é enviado para a nova missão ao lado do engenheiro espacial Alekhin (Pavel Derevyanko), para tentar fazer o milagre. 

Baseado numa história real, esta caprichada produção russa segue a linha hollywoodiana do gênero, criando tensas sequências de suspense dentro da estação espacial e também do lado de fora com os astronautas tentando fazer o reparo a todo custo. 

O roteiro explora também o drama das esposas dos astronautas e do chefe do programa espacial que é pressionado por seus superiores e também sofre tentando salvar os amigos na missão. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma boa opção.

quarta-feira, 13 de março de 2019

A Vida em Si

A Vida em Si (Life Itself, EUA / Espanha, 2018) – Nota 7
Direção – Dan Fogelman
Elenco – Oscar Isaac, Olivia Wilde, Annette Bening, Mandy Patinkin, Jean Smart, Olivia Cooke, Sergio Peris Mencheta, Antonio Banderas, Laia Costa, Àlex Monner, Isabel Durant, Lorenza Izzo, Samuel L. Jackson.

Em Nova York, Will (Oscar Isaac) é um sujeito em depressão profunda que participa de sessões com uma psiquiatra (Annette Bening). Alternando passado e presente, o roteiro detalha porque Will chegou naquele estado e as consequências do mesmo fato na vida de outras pessoas. 

É um roteiro que consegue ser ao mesmo tempo previsível e complexo. Ele é dividido em quatro partes com nomes de personagens, explorando épocas e até cidades diferentes, porém a coincidência final é tipicamente hollywoodiana. 

O que encobre um pouco esta previsibilidade é a questão do tema do “narrador não confiável” utilizado por uma personagem em sua tese de universidade e repetido vários vezes durante o filme. 

A proposta é mostrar que a narração de uma história sempre é feita de acordo com a visão, a experiência e a memória afetiva do narrador, nem sempre relatando a verdade. Esta situação é detalhada no prólogo em que o ator Samuel L. Jackson interpreta ele mesmo narrando uma versão da história de vida do personagem de Oscar Isaac. 

O filme em si é irregular e as vezes resvala para o melodrama, principalmente na parte da história que se passa na Espanha. Eu considero uma obra interessante, mesmo com as falhas citadas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Antiga Alegria

 Antiga Alegria (Old Joy, EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – Kelly Reichardt
Elenco – Daniel London, Will Oldham.

Mark (Daniel London) recebe uma ligação do antigo amigo Kurt (Will Oldham) o convidando para acampar numa floresta da região. Mark convence a esposa que está grávida e busca o amigo para passar o dia na floresta. 

Enquanto para Mark a aventura é uma espécie de sossego longe da vida ordinária que leva, Kurt vê o reencontro com o amigo como uma chance de relembrar o passado e quem sabe encontrar um novo caminho na vida. 

A proposta do roteiro escrito pela diretora Kelly Reichardt foca aparentemente em dois pontos. A amizade e a natureza. Se por um lado as locações em meio a estrada deserta beirando a floresta, os córregos e a natureza em si sejam agradáveis, por outro lado os diálogos entre os personagens parecem não chegar a lugar a algum. 

Por mais que eles conversem sobre diversos assuntos, tudo parece muito superficial e as vezes até sem sentido. Pouca coisa é explicada sobre a vida deles, ficando claro apenas que Mark é um sujeito comum, enquanto Kurt é um cara totalmente perdido na vida, situação mostrada na simbólica sequência final. 

É um filme lento, contemplativo e vazio.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Papillon

Papillon (Papillon, República Tcheca / Espanha / EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Michael Noer
Elenco – Charlie Hunnam, Rami Malek, Roland Moller, Yorick van Wageningen, Michael Socha, Eve Hewson, Joel Basman.

Paris, 1931. O ladrão Henry “Papillon” Charriere (Charlie Hunnam) é preso acusado injustamente de assassinato. Ele é condenado a prisão perpétua e enviado para uma colônia penal em uma ilha na antiga Guiana Francesa. 

No navio que transporta os detentos, Papillon se aproxima do famoso falsificador Louis Dega (Rami Malek), um sujeito rico que acredita que conseguirá reverter sua condenação. Enquanto Papillon cuidará da segurança de Dega, este financiará a fuga desejada pelo novo parceiro. 

Esta cruel história real foi levada às telas em 1973 com Franklin J. Schaffner na direção e os astros Steve McQueen e Dustin Hoffman nos papéis principais, resultando em um clássico. 

A refilmagem que comento é um bom filme, porém sofre na comparação com a força do original. Mesmo inserindo alguns detalhes a mais como o prólogo em Paris e uma sequência final explicando o destino de Papillon, este novo longa pouco tem a acrescentar na história para quem viu o original. 

Para a nova geração que não viu ou não conhece o filme de Schaffner, encontrará aqui uma obra correta sobre crueldade, injustiças e amizade.

domingo, 10 de março de 2019

Grande Coisa

Grande Coisa (Big Nothing, Inglaterra / Canadá, 2006) – Nota 6,5
Direção – Jean Baptiste Andrea
Elenco – David Schwimmer, Simon Pegg, Alice Eve, Natasha McElhone, Jon Polito, Mimi Rogers.

Em uma cidade na divisa dos EUA com o Canadá, Charlie (David Schwimmer) está frustrado por não conseguir editora para publicar seu primeiro livro. 

Precisando trabalhar para ajudar a esposa que é policial (Natasha McElhone) a cuidar de sua filha pequena, Charlie consegue um emprego em um call center. Ele é dispensado no primeiro dia, porém faz amizade com Gus (Simon Pegg), que diz precisar de dinheiro para pagar uma cirurgia urgente de sua filha. 

Gus acredita ter o plano perfeito para conseguir dinheiro. Extorquir um padre que visita regularmente sites de pornografia. Com ajuda de Josie (Alice Eve), Gus e Charlie decidem colocar o plano em prática. 

A trama policial é desenvolvida no estilo do humor negro inglês, com piadas cínicas a cargo de Simon Pegg, misturando com a o jeito bobalhão de David Schwimmer e a agitação de Alice Eve. É até divertida a forma como o plano dá errado e os bandidos precisam eliminar os demais envolvidos. 

O filme ainda entrega a habitual reviravolta final com direito a mais uma piada de humor negro.

sábado, 9 de março de 2019

Sr. Ninguém

Sr. Ninguém (Mr. Nobody, Bélgica / Alemanha / Canadá / França / EUA / Inglaterra, 2009) – Nota 8
Direção – Jaco Van Dormael
Elenco – Jared Leto, Sarah Polley, Diane Kruger, Linh Dan Pham, Rhys Ifans, Natasha Little, Toby Regbo, Juno Temple, Clare Stone, Daniel Mays.

Em 2092, aos cento e dezessete anos de idade, Nemo Nobody (Jared Leto) é o último homem mortal vivendo na Terra. 

Com um programa de tv esperando por sua morte, um jornalista (Daniel Mays) consegue entrar no hospital para entrevistar o velho homem. Ao descrever sua vida, Nemo mistura três histórias, cada uma delas com esposas e profissões diferentes. 

Este longa escrito e dirigido pelo belga Jaco Van Dormael, do recente “O Novíssimo Testamento”, tem como objetivo principal mostrar como nossas escolhas podem mudar completamente nossas vidas. 

O filme é bastante longo (duas horas e trinta e cinco minutos) e repleto de idas e vindas. A primeira parte foca na vida de Nemo quando criança e adolescente, mostrando sua relação com os pais (Rhys Ifans e Natasha Little) até uma determinada situação em que ele precisa fazer uma escolha cruel. 

A consequência desta escolha leva o roteiro a dividir a vida adulta de Nemo em três histórias diferentes, que se modificam também de acordo com suas escolhas nesta fase. 

Esta forma maluca de como a história é detalhada se casa perfeitamente com a ótima parte técnica, que cria sequências que misturam sonho, memórias e realidade de um jeito quase surreal. 

É um filme que faz as pessoas pensarem em suas próprias escolhas. Pare e pense em determinadas escolhas que o levaram a sua vida atual, seja nas relações pessoais ou na questão profissional. Depois imagine ter tomado decisões diferentes e no que elas teriam modificado sua vida. 

Este longa é uma experiência diferente, um pouco cansativa pela duração, mas que vale a pena para pensarmos um pouco sobre nós mesmos.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Nossa Vida Sem Grace

Nossa Vida Sem Grace (Grace Is Gone, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – James C. Strouse
Elenco – John Cusack, Shélan O’Keefe, Grace Bednarczyk, Alessandro Nivola.

Ao receber a notícia de que sua esposa Grace morreu no Iraque, Stanley Phillips (John Cusack) não tem coragem de contar a verdade para suas filhas pequenas (Shélan O’Keefe e Grace Bednarczyk). 

Sem saber o que fazer, Stanley decide levar as garotas em uma viagem de carro até uma parque de diversões na Flórida. 

O roteiro escrito pelo diretor James C. Strouse explora o drama familiar através de um road movie de descobertas entre pai e filhas. 

O filme não tem grandes surpresas, o foco é o sofrimento do pai e a total insegurança em contar a verdade para as crianças. 

O longa ganha pontos na espontaneidade das meninas e nas atuações de John Cusack e Alessandro Nivola, este segundo vivendo o irmão do protagonista. 

É um filme sensível em sua simplicidade.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Um Segredo Entre Nós

Um Segredo Entre Nós (Fireflies in the Garden, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Dennis Lee
Elenco – Ryan Reynolds, Willem Dafoe, Emily Watson, Carrie Anne Moss, Julia Roberts, Ioan Gruffud, Hayden Panettiere, Shannon Lucio, Cayden Boyd, George Newbern.

Um acidente de automóvel termina com a morte de uma pessoa de uma família que estava prestes a se reunir. A tragédia faz segredos e frustrações virem à tona.

Michael (Ryan Reynolds) é o filho mais velho que escreveu um livro sobre a família e que pretende lançá-lo. Aparentemente ele conta segredos da tensa convivência com o pai (Willem Dafoe) quando era criança, das falhas da mãe em protegê-lo (Julia Roberts) e da relação com a tia (Emily Watson). Os fatos da infância de Michael (quando criança vivido por Cayden Boyd) são detalhados em flashbacks. 

A premissa de focar em famílias problemáticas é comum no cinema, muitas vezes rendendo filmes dolorosos ou de redenção. O roteiro do diretor Dennis Lee explora estas situações, porém deixando algumas perguntas sem resposta e criando uma espécie de perdão forçado no final. 

O desenvolvimento da trama é triste, principalmente nas cenas em flashback mostrando como um adulto pode ser cruel com uma criança ao tentar descontar suas frustrações. 

O ótimo elenco tem boas atuações e ajuda a apagar um pouco as falhas do roteiro. O resultado é no máximo mediano.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Filmes Brasileiros - Resenhas Rápidas

O Invasor (Brasil, 2002) – Nota 8 
Direção– Beto Brant 
Elenco – Marco Ricca, Alexandre Borges, Paulo Miklos, Mariana Ximenes, Malu Mader, Chris Couto, George Freire, Sabotage.

Dois engenheiros (Alexandre Borges e Marco Ricca) armam um plano para assassinar o terceiro sócio (George Freire), mas não imaginam que após cometer o crime, o matador profissional (Paulo Miklos) decide se tornar sócio da empresa, transformando a vida da dupla em um pesadelo. Bom filme que mistura drama, suspense e policial com personagens desonestos e ambiciosos. Destaque também para a beleza de Malu Mader interpretando uma garota de programa

O Xangô de Baker Street (Brasil, 2001) – Nota 7
Direção – Miguel Faria Jr
Elenco – Joaquim de Almeida, Marco Nanini, Maria de Medeiros, Anthony O’Donnell, Claudia Abreu, Claudio Marzo, Thalma de Freitas, Caco Ciocler, Marcello Antony, Leticia Sabatella, Emiliano Queiroz, Antonio Pompeo, Jô Soares.

Divertido longa de ficção baseado no livro de Jô Soares que explora uma viagem de Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) ao Rio de Janeiro no século XIX. Os pontos altos são a ótima reconstituição de época e os diálogos que brincam com a diferença de costumes entre Holmes e os brasileiros.  Destaque para a sequência no terreiro de candomblé. O caso policial investigado pelo protagonista é previsível.

Boca de Ouro (Brasil, 1963) – Nota 7,5
Direção – Nelson Pereira dos Santos
Elenco – Jece Valadão, Odete Lara, Daniel Filho, Ivan Cândido, Mauricio do Valle.

Após a morte do excêntrico bicheiro Boca de Ouro (Jece Valadão), um jornalista (Ivan Cândido) tenta fazer uma reportagem sobre sujeito através de uma entrevista com a amante do falecido (Odete Lara). Baseado numa obra de Nelson Rodrigues, o filme detalha a vida bandido Boca de Ouro no submundo do Rio de Janeiro dos anos cinquenta.

O Que é Isso Companheiro? (Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Bruno Barreto
Elenco – Alan Arkin, Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Luis Fernando Guimarães, Nelson Dantas, Matheus Nachtergaele, Caroline Kava, Fisher Stevens, Claudia Abreu, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Caio Junqueira, Eduardo Moscovis.

Em 1969, um grupo revolucionário sequestrou o embaixador americano (Alan Arkin) exigindo a libertação de companheiros que estavam presos por crimes contra o governo. Baseado em um livro do jornalista e político Fernando Gabeira, que participou do sequestro, este longa foi uma tentativa de alçar um produção brasileira ao nível internacional, porém resultou em uma obra comercial no máximo mediana. As poucas cenas de tensão não convencem.

Guerra de Canudos (Brasil, 1997) – Nota 6,5
Direção – Sergio Rezende
Elenco – José Wilker, Paulo Betti, Marieta Severo, Claudia Abreu, Selton Mello, Roberto Bontempo, José de Abreu, Tuca Andrada, Tonico Pereira.

Esta superprodução brasileira resultou em uma obra irregular baseada na história de Antonio Conselheiro (José Wilker) que liderou uma revolução no interior da Bahia no final século XIX e que terminou em tragédia. As quase três de duração são cansativas, assim como as interpretações e a narrativa que não conseguem fugir do estilo das obras para tv. 

Quem Matou Pixote? (Brasil, 1996) – Nota 6
Direção – José Joffily
Elenco – Cassiano Carneiro, Luciana Rigueira, Joana Fomm, Tuca Andrada, Roberto Bomtempo, Maria Luisa Mendonça, Anselmo Vasconcelos.<

O sucesso do filme “Pixote” em 1981 deu chance ao protagonista Fernando Ramos da Silva (Cassiano Carneiro) trabalhar como ator, porém a falta de estudo, de uma família estruturada e seus próprios erros o levaram de volta ao ostracismo, em seguida ao crime e a sua morte aos dezenove anos. O filme tenta romantizar a história real, colocando o jovem como uma vítima do sistema em relação ao fracasso na carreira. Vale citar que do elenco de garotos desconhecidos em “Pixote”, Fernando foi o único que teve chance de fazer uma carreira como ator.

A Maldição do Sanpaku (Brasil, 1991) – Nota 6
Direção – José Joffily
Elenco – Patricia Pillar, Felipe Camargo, Roberto Bomtempo, Sergio Britto, Anselmo Vasconcelos, Rogéria, Jonas Bloch, Nelson Dantas.

Um ladrão pé-de-chinelo (Roberto Bomtempo) rouba uma pedra preciosa e por isso se torna alvo de uma quadrilha. Para tentar se safar, o sujeito envolve no crime seu melhor amigo (Felipe Camargo) e a namorada deste (Patricia Pillar). O longa tenta copiar o estilo noir misturado com a malandragem do brasileiro sem muito sucesso. A narrativa arrastada e a falta de ação também não ajudam. 

Baile Perfumado (Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Paulo Caldas & Lírio Ferreira
Elenco – Duda Mamberti, Luís Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Claudio Mamberti, Giovanna Gold, Jofre Soares.

Década de trinta, nordeste brasileiro. Um vendedor libanês (Duda Mamberti) decide arriscar a vida para filmar o dia a dia do bando de Lampião (Luís Carlos Vasconcelos). O sujeito acredita que o filme o deixará rico assim que Lampião for assassinado. O filme explora a folclórica e violenta história do cangaceiro Lampião através de uma narrativa que insere pitadas de humor. O filme fez sucesso com a crítica, mas está longe de ser uma obra que agrade ao público em geral.

A Terceira Morte de Joaquim Bolivar (Brasil, 2000) – Nota 5
Direção – Flávio Cândido
Elenco – Sérgio Siviero, Othon Bastos, Jonas Bloch, Antonio Pitanga, Maria Lúcia Dahl, Jorge Cherques.

A trama dividida em três épocas (1964, 1979 e 2000) foca na briga entre um barbeiro comunista Joaquim Bolivar (Sergio Siviero) e o Coronel Gaudêncio (Othon Bastos), o homem mais rico de uma cidade fictícia no interior do Rio de Janeiro. O roteiro tenta explorar a questão a corrupção política no país nas épocas citadas em uma trama que em momento algum empolga. É um drama com cara de teatro filmado.

O Quatrilho (Brasil, 1995) – Nota 6
Direção – Fábio Barreto
Elenco – Glória Pires, Patricia Pillar, Alexandre Paternost, Bruno Campos, Gianfrancesco Guarnieri, Claudio Mamberti, José Lewgoy, Cecil Thiré.

Interior do Rio Grande do Sul, 1910. A falta de dinheiro faz com que dois casais decidam morar na mesma casa. Em meio a pobreza, o marido de uma se apaixona pela esposa do outro e o novo casal foge. Os parceiros abandonados precisam enfrentar a situação juntos. A indicação deste drama triste e ao mesmo tempo previsível ao Oscar de Filme Estrangeiro foi um exagero que elevou o patamar do longa para mais alto do que realmente merece. As interpretações novelescas e o ritmo lento atrapalham bastante.

terça-feira, 5 de março de 2019

Risco Duplo & Evidências de um Crime


Risco Duplo (Double Jeopardy, EUA / Alemanha / Canadá, 1999) – Nota 7
Direção – Bruce Beresford
Elenco – Tommy Lee Jones, Ashley Judd, Bruce Greenwood, Annabeth Gish, Roma Maffia, Michael Gaston.

Libby (Ashley Judd) e seu marido Nick (Bruce Greenwood) estão velejando e curtindo o mar. Após uma noite de sono, Libby acorda ensanguentada e com uma faca na mão. Seu marido também desapareceu. Sem saber o que realmente ocorreu, Libby terminada condenada pelo assassinato do marido. Sua melhor amiga (Annabeth Gish) se torna tutora de sua filha pequena. Tempos depois, dentro da cadeia, Libby desconfia que o marido está vivo, mas terá que esperar terminar a pena para descobrir o que realmente ocorreu.

Este misto de policial, drama e suspense explora dois temas principais. A questão da aplicação da lei em relação aos crimes e também a vingança pelas próprias mãos, tema comum no cinema.

O roteiro não apresenta grandes surpresas, inclusive o “Double Jeopardy” do título original se refere a impossibilidade da mesma pessoa ser condenada duas vezes pelo mesmo crime, o que antecipa o final do longa.

Por outro lado, a narrativa ágil e tensa prende a atenção do espectador até a agitada meia-hora final. Além da bela Ashley Judd no auge da carreira, vale destacar Tommy Lee Jones como o agente da condicional. 

É um longa com a cara dos anos noventa.

Evidências de um Crime (Cleaner, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Renny Harlin
Elenco – Samuel L. Jackson, Ed Harris, Eva Mendes, Luis Guzman, Keke Palmer, Maggie Lawson, Jose Pablo Cantillo, Robert Forster.

Tom Cutler (Samuel L. Jackson) é um ex-policial que se tornou dono de uma empresa especializada em limpar cenas de crimes. Ele recebe um pedido para limpar uma casa num bairro de luxo. Um sofá sujo de sangue, assim como o chão da sala e a parede mostram que houve um assassinato. Tom faz o serviço e por acaso leva consigo a chave da casa. No dia seguinte ele volta para devolvê-la e encontra a dona da casa (Eva Mendes) que não sabe o que aconteceu e que diz que seu marido está viajando. É o início de um perigosa história para Tom. 

Este é mais um filme com uma premissa interessante e um pouco diferente ao focar em um “limpador” como protagonista. Infelizmente o que aparentemente seria uma trama complexa se revela em algo previsível e repleto de clichês. Fica fácil descobrir quem está por trás da armação, a única dívida é a questão da motivação. 

O roteiro ainda tenta inserir questões como corrupção no alto escalão da polícia e um segredo que o personagem de Samuel L. Jackson carrega, porém as duas subtramas são mal desenvolvidas. 

Os pontos positivos são as criativas cenas em que o diretor Renny Harlin coloca a câmera em ângulos inusitados e a sempre forte presença de Samuel L. Jackson. No restante é um filme que deixa a desejar.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Música e Rebeldia

Música e Rebeldia (Not Fade Away, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – David Chase
Elenco – John Magaro, Bella Heathcote, Jack Huston, Will Brill, Brahm Vacarella, Gregory Perry, James Gandolfini, Molly Price, Meg Guzulescu, Christopher McDonald, Brad Garrett, Isiah Whitlock Jr.

Anos sessenta, subúrbio de Nova Jersey.

Doug (John Magaro) abandona a universidade para tentar a sorte com um grupo de rock formado com alguns amigos.

Sua atitude desagrada muito seus pais (James Gandolfini e Molly Price).Doug também se envolve com a bela Grace (Bella Heathcote). 

O roteiro escrito pelo diretor David Chase, um dos responsáveis pela série “The Sopranos”, foca nas mudanças de comportamento dos jovens dos anos sessenta e o conflito de gerações com os pais conservadores. 

O personagem de John Magaro não tem medo de buscar seus sonhos, porém pelo caminho surgem obstáculos comuns da vida adulta. As divergências com os amigos da banda, a questão do comportamento sexual da namorada que era avançada para a época e a difícil relação com os pais que tinham um modo completamente diferente de encarar a vida. 

O roteiro foca também nas frustrações do casamento, que na época para muitas pessoas era algo indissolúvel.

As boas sequências musicais com a banda do protagonista é outro destaque.

É um filme bem interessante sobre um período de transição nos costumes, em que a vida era bem diferente dos dias atuais.

domingo, 3 de março de 2019

Robin Williams: Come Inside My Mind

Robin Williams: Come Inside My Mind (Robin Williams: Come Inside My Mind, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Marina Zenovich
Documentário

O suicídio de Robin Williams em 2014 deixou o mundo do cinema chocado. Este documentário detalha sem grandes surpresas a vida e a carreira do comediante e ator. 

Com depoimentos de amigos como o ator Billy Crystal, os diretores Mark Romanek e Bobcat Goldthwait, a atriz Pam Dawber que foi sua parceira na sitcom “Mork & Mindy” e que fala do amigo de forma emocionada, além de sua primeira esposa Valerie Velardie, descobrimos que Robin era um sujeito preocupado em fazer todas as pessoas ao seu redor darem risadas. Esta obsessão pela comédia também era um aparente motivo de angústia do ator. 

O doc recupera diversas cenas de shows de stand up em que um agitado Robin parecia uma metralhadora de piadas. A descoberta de uma doença degenerativa e de uma possível segunda moléstia que jamais foi confirmada, levaram o ator a depressão e por fim ao suicídio. 

O doc vale como registro de vida e carreira de um dos maiores comediantes da história do cinema, que por sinal também era um ótimo ator para papéis dramáticos.

sábado, 2 de março de 2019

Parallels

Parallels (Parallels, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Christopher Leone
Elenco – Mark Hapka, Jessica Rothe, Eric Jungmann, Constance Wu, Yorgo Constantine, Davi Jay, Michael Monks.

Ronan (Mark Hapka) e sua irmã Beatrix (Jessica Rothe) estão afastados há algum tempo. Os dois se reencontram na casa do pai, que deixou um estranho recado no celular pedindo para eles o encontrarem em um edifício no centro da cidade. 

Sem saber o que o pai deseja, os irmãos e o vizinho Harold (Eric Jungmann) seguem para o endereço indicado, que está abandonado. 

Pouco tempo após entrarem no local, um aviso sonoro e um tremor faz eles saírem correndo do edifício. Para surpresa geral, eles descobrem que estão numa cidade destruída, possivelmente uma versão paralela da Terra. 

Esta ficção de baixo orçamento apresenta uma premissa interessantíssima ao transformar um edifício em uma espécie de portal entre mundos. A primeira parte em que os personagens são jogados neste mundo paralelo é recheado de suspense, porém ao mesmo tempo surgem algumas escolhas bobas do roteiro. 

Conforme a trama avança, as falhas ficam mais claras e também a curiosidade do espectador aumenta. Infelizmente a história termina sem uma solução. 

Informações da época do lançamento citam que o filme poderia ser o piloto de uma série. Muito provavelmente o diretor e o produtor esperavam chamar a atenção de algum canal de tv para comprar a história e bancar uma série, o que acabou não acontecendo. 

Fica a decepção de uma premissa com grande potencial que foi desperdiçada.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Perversa Paixão

Perversa Paixão (Play Misty for Me, EUA, 1971) – Nota 7
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Clint Eastwood, Jessica Walter, Donna Mills, John Larch, Clarice Taylor, Don Siegel.

Dave Garver (Clint Eastwood) é um famoso DJ de uma rádio na cidade de Carmel na Califórnia. Comandando um programa noturno com músicas românticas, rock e poesia, Dave recebe diariamente a ligação de uma mulher pedindo a música “Misty”. 

Um certo dia, Dave é abordado em um bar por Evelyn (Jessica Walter), que diz ser a garota dos telefonemas. Após uma noite juntos, Evelyn acredita que encontrou o amor de sua vida e passa a perseguir Dave. 

Este drama com pitadas de suspense e violência com certeza serviu de inspiração para “Atração Fatal” de Adrian Lyne e provavelmente foi o primeiro longa a colocar uma mulher como “stalker” de um homem. 

O filme marcou também a estreia de Clint Eastwood na direção, tem inclusive uma pequena participação do diretor Don Siegel como ator. Siegel foi amigo e incentivador de Clint na carreira de diretor. 

Clint acerta a mão na tensão crescente e na falta de ação que toma conta de seu personagem, que se sente acuado pela jovem obcecada. O ritmo cai um pouco na desnecessária sequência do show ao ar livre, que se mostra datada com a cara dos anos sessenta. 

Vale destacar a atuação assustadora da atriz Jessica Walter.  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Aprisionados & O Ritual


Aprisionados (Let Us Prey, Inglaterra / Irlanda, 2014) – Nota 6,5
Direção – Brian O’Malley
Elenco – Liam Cunningham, Pollyanna McIntosh, Bryan Larkin, Hanna Stanbridge, Douglas Russell, Niall Greig Fulton, Jonathan Watson, Brian Vernel.

Na primeira noite de trabalho como policial em uma pequena cidade da Escócia, Rachel (Pollyanna McIntosh) é recebida de forma bruta pelo sargento e por dois colegas de farda. Quando um desconhecido (Liam Cunningham) é detido, a noite se transforma em um inferno. O sujeito parece saber todos os segredos dos policiais, de um médico e de dois presos, que aos poucos se mostram desesperados. 

Típico terror B, este longa tem uma sinistra sequência inicial marcada por uma forte trilha sonora e a presença de pássaros de mal agouro pela cidade. A premissa do desconhecido assustador é bem interessante, porém o desenvolvimento da trama é apenas regular, sem grandes surpresas. Os destaques ficam para tensão e a violência que aumentam até o explosivo clímax. O filme perde pontos por causa das péssimas interpretações, com exceção do veterano Liam Cunningham. 

O resultado é um longa mediano, indicado para quem curte obras violentas de terror.

O Ritual (The Ritual, Inglaterra, 2017) – Nota 6,5
Direção – David Bruckner
Elenco – Rafe Spall, Arsher Ali, Robert James Collier, Sam Troughton, Paul Reid.

Cinco amigos de universidade se reencontram em um pub e tentam combinar uma viajar em conjunto. Um assalto em uma loja de conveniência termina com a morte de um deles. Meses depois, os quatro amigos decidem homenagear o falecido fazendo uma caminhada por uma trilha no interior da Noruega. Ao entrarem em uma floresta, eles passam a ser perseguidos por algo fora do normal. 

Este longa explora com alguma competência os clichês dos filmes de terror. A tensão aumenta gradativamente, assim como os conflitos entre os amigos que entram em desespero. Se por um lado tudo isso é previsível, por outro as locações na sinistra floresta se mostram um ponto positivo, tanto nas sequências noturnas como nas cenas durante o dia. 

É um filme para o fã de terror conferir sem grande expectativa.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

The Square: A Arte da Discórdia

The Square: A Arte da Discórdia (The Square, Suécia / Alemanha /  França / Dinamarca, 2017) – Nota 5,5
Direção – Ruben Ostlund
Elenco – Claes Bang, Elisabeth Moss, Dominic West, Terry Notary.

Christian (Claes Bang) é o curador de um famoso museu em Estocolmo na Suécia. Sua missão atual é promover uma nova obra de arte batizada de “The Square”, que nada mais é do que um quadrado desenhado no chão. 

Ele precisa lidar com os funcionários moderninhos do museu, com uma dupla de publicitários, uma jornalista deslumbrada (Elisabeth Moss), além de organizar um jantar para arrecadar fundos e ainda resolver problemas na sua vida pessoal. 

A proposta do diretor Ruben Ostlund em fazer uma crítica a elite que convive no mundo da arte rendeu um filme extremamente chato, com situações que se mostram mais ingênuas do que críticas, principalmente as cenas aleatórias com moradores de rua. 

A bizarra sequência do ator (Terry Notary) interpretando um macaco no jantar é muito mais marcante por causa do mal gosto do que por representar qualquer tipo de crítica social. 

O filme ganhou muitos admiradores no Brasil e tornou superestimado em virtude da discussão sobre exposições absurdas que aconteceram no país na época. 

É interessante a premissa de mostrar que muito do que as pessoas consideram arte na verdade são apenas embustes de artistas egocêntricos, mas por outro lado, o filme resulta numa obra tão vazia quanto o mundo da arte que o diretor pretendia criticar.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Não Deixe Rastros

Não Deixe Rastros (Leave No Trace, EUA / Canadá, 2018) – Nota 7,5
Direção – Debra Granik
Elenco – Ben Foster, Thomasin Harcourt McKenzie, Jeff Kober, Dale Dickey, Dana Millican.

Will (Ben Foster) e sua filha adolescente Tom (Thomasin Harcourt McKenzie) vivem como eremitas em um parque florestal em Portland. Ao serem encontrados por policiais, eles são levados para o departamento de assistência social analisar a situação. 

A solução surge quando é oferecido para Will um emprego em uma fazenda. Ele e a filha mudam para uma casa no local, porém Will sente muita dificuldade em se adaptar a uma vida normal. 

Em seu longa anterior chamado “Inverno da Alma”, a diretora e roteirista Debra Granik tinha como protagonista uma jovem vivida por Jennifer Lawrence que era obrigada a enfrentar os problemas da vida adulta em meio a um comunidade de pessoas brutas. 

Aqui em “Não Deixe Rastros”, apesar de ter outra jovem que precisa tomar um rumo na vida como um dos personagens principais, o foco muda para a solidariedade. Os personagens que cruzam o caminho dos protagonistas são pessoas comuns que terminam por ajudá-los. 

O roteiro explora também o relacionamento entre pai e filha. O personagem de Ben Foster, que tem um atuação sóbria, claramente sofre de problemas psicológicos, porém é um sujeito calado e pacífico. Seu passado pode ser imaginado através de pequenos detalhes que são revelados durante a narrativa. 

Vale destacar também a sensível atuação da pouca conhecida Thomasin Harcourt McKenzie, que parece ter potencial para uma carreira sólida. 

É um filme com um narrativa cadenciada e com foco em personagens marcados pela simplicidade.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

The Giant Mechanical Man

The Giant Mechanical Man (The Giant Mechanical Man, EUA / Polônia, 2012) – Nota 7,5
Direção – Lee Kirk
Elenco – Jenna Fischer, Chris Messina, Malin Akerman, Rich Sommer, Topher Grace, Lucy Punch, Bob Odenkirk, Sarab Kamoo.

Tim (Chris Messina) é um artista que trabalha pelas ruas usando um terno prateado e andando com pernas de pau como se fosse um robô. Ele passa por uma crise na relação com sua namorada Pauline (Lucy Punch). 

Janice (Jenna Fischer) sofre com o desemprego e a falta de rumo em sua vida. Ela é obrigada a morar com a irmã (Malin Akerman) e o cunhado (Rich Sommer) que a pressionam para arrumar um namorado. O destino faz com que Tim e Janice se cruzem. 

Este sensível longa mistura drama, romance e pitadas de comédia em uma história aparentemente previsível, porém que ganha pontos pela química entre o casal principal e principalmente pela sobriedade. 

Os personagens são pessoas comuns, com problemas de dinheiro, de trabalho e que procuram a felicidade de forma simples. Enquanto para alguns a felicidade está no sucesso e no dinheiro, para outras as pequenas coisas são o suficiente. 

O alívio cômico da trama surge no patético personagem do escritor de autoajuda vivido por Topher Grace. 

O resultado é um simpático filme sobre relacionamento e também sobre como olhar para a vida.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Pergunte-me Tudo

Pergunte-me Tudo (Ask Me Anything, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Allison Burnett
Elenco – Britt Robertson, Christian Slater, Justin Long, Molly Hagan, Martin Sheen, Robert Patrick, Kimberly Williams Paisley, Max Carver, Max Hoffman, Gia Mantegna.

Ao invés de ir para a universidade, a jovem Katie Kampenfeldt (Britt Robertson) decide tirar um ano sabático para pensar o que fazer da vida. 

Aproveitando uma ideia de sua conselheira escolar, Katie decide criar um blog para escrever sobre sua vida, utilizando um pseudônimo. 

Ao mesmo tempo em que descreve suas experiências, inclusive sexuais, a jovem fica dividida entre o namorado adolescente (Max Carver) e um professor (Justin Long). 

À primeira vista o espectador acredita que verá mais um filme sobre uma adolescente insegura e problemática, o que não deixa de ser verdadeiro, porém com o desenrolar da história vem à tona situações adultas extremamente complicadas. 

A protagonista está longe de ser uma jovem confiável, suas atitudes movidas a paixão e desejo resultam em consequências nem sempre agradáveis. 

É interessante citar que o diretor e roteirista Allison Burnett adaptou seu próprio livro para o cinema, que apesar de ser ficção, entrega uma final surpreendente que deixa a impressão de que poderia ser uma história real. 

O longa é uma boa surpresa, que foge do lugar comum dos dramas adolescentes.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Adam: Memórias de uma Guerra

Adam: Memórias de uma Guerra (Adam Resurrected, Alemanha / EUA / Israel, 2008) – Nota 6
Direção – Paul Schrader
Elenco – Jeff Goldblum, Willem Dafoe, Derek Jacobi, Ayelet Zurer, Hana Laslo, Joachim Król, Evgenia Dodina.

Israel, 1962. Adam Stein (Jeff Goldblum) é um sobrevivente do Holocausto que sofre com problemas psicológicos e por este motivo está internado em uma espécie de manicômio que cuida apenas de judeus que sobreviveram ao nazismo. 

Antes da guerra, Adam foi um grande artista especialista em comédia e ilusionismo. Ele utiliza seu talento para tentar entreter os demais sobreviventes e também para ele mesmo esquecer o passado. Em paralelo, vemos em flashbacks a vida de Adam entre início dos anos trinta até o final da guerra. 

O tema habitual do sobrevivente traumatizado é desenvolvido de uma forma totalmente fora do normal, incluindo situações bizarras que surgem quando entra em cena um garoto com um diferente distúrbio de personalidade. 

As sequências do protagonista como artista são criativas, ao mesmo tempo em que as cenas no campo de concentração são humilhantes e transformam o longa em uma estranha experiência sobre perda de personalidade e crueldade. 

Mesmo com uma ótima atuação de Jeff Goldblum, este é um filme que agradará poucas pessoas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A Oitava Página & A Trajetória de Worricker


A Oitava Página (Page Eight, Inglaterra, 2011) – Nota 7
Direção – David Hare
Elenco – Bill Nighy, Rachel Weisz, Ewen Bremner, Michael Gambon, Judy Davis, Felicity Jones, Tom Hughes, Saskia Reeves, Ralph Fiennes, Alice Krige, Rakhee Thakhar, Kate Burdette, Marthe Keller.

Johnny Worricker (Bill Nighy) é um veterano analista do serviço secreto inglês, o MI5. Quando seu chefe e amigo de longa data Benedict Baron (Michael Gambon) recebe de um informante um documento que compromete o primeiro ministro inglês (Ralph Fiennes), os dois se tornam alvos de uma conspiração governamental. Ao mesmo tempo, Worricker se une a uma ativista (Rachel Weisz) que deseja vingança porque seu irmão foi assassinado em Israel. 

Este drama sobre espionagem tem como pontos positivos a trama bem amarrada com personagens escondendo segredos e criando alianças para sobreviverem no cargo, além da boa atuação de Bill Nighy como o sujeito frio e meticuloso. 

Por outro lado, o longa perde pontos pela total falta de ação. Até mesmo os poucos momentos de suspense se resolvem sem grande agitação. Acredito que esta escolha tenha ocorrido tanto por ser uma produção de tv, como pela presença do veterano Bill Nighy como protagonista. Com um ator mais jovem, com certeza o longa teria cenas de ação ou pelo menos sequências de suspense um pouco mais tensas. 

Caribe: A Trajetória de Worricker (Turks & Caicos, Inglaterra, 2014) – Nota 6,5
Direção – David Hare
Elenco – Bill Nighy, Helena Bonham Carter, Christopher Walken, Winona Ryder, Ewen Bremner, Rupert Graves, Dylan Baker, James Naughton, Zach Grenier, Malik Yoba, Meredith Eaton, Rajoh Fiennes.

Alguns meses após ter fugido da Inglaterra, o ex-agente Johnny Worricker (Bill Nighy) está vivendo no paraíso de Turks & Caicos. A aparente vida tranquila se torna perigosa quando um agente da CIA (Christopher Walken) o reconhece. O sujeito está espionando um grupo de empresários corruptos que pretendem construir um hotel no país. 

Com ajuda de um amigo jornalista (Ewen Bremner), Worricker descobre que os empresários tem ligações com um magnata inglês (Rupert Graves) que tem como seu braço-direito a antiga agente do MI5 Margot Tyrrell (Helena Bonhan Carter). 

Assim como no filme anterior, a trama aqui é complexa envolvendo poderosos e agentes do governo. Por mais que tenham coadjuvantes interessantes como Christopher Walken e Winona Ryder em papéis importantes, este longa tem ainda menos suspense que o anterior. É o tipo de filme que tudo se resolve com conversas, ameaças veladas e documentos. Faz passar o tempo, mais fica a clara impressão de que poderia ser bem melhor. 

Europa: A Trajetória de Worricker (Salting the Battlefield, Inglaterra, 2014) – Nota 6
Direção – David Hare
Elenco – Bill Nighy, Helena Bonham Carter, Ewen Bremner, Judy Davis, Felicity Jones, Saskia Reeves, Ralph Fiennes, Rupert Graves, Kate Burdette, Olivia Williams.

Neste final da trilogia, Johnny Worricker (Bill Nighy) está vivendo escondido na Europa com sua namorada Margot (Helena Bonham Carter), sempre preocupado com algum espião que possa encontrá-lo e também com sua filha (Felicity Jones) que ficou na Inglaterra e que está sendo vigiada pelo governo. 

Percebendo que não terá condições de fugir para sempre, Worricker utiliza seu amigo jornalista (Ewen Bremner) para divulgar documentos que comprometem seu maior inimigo, o primeiro ministro inglês (Ralph Fiennes). 

O roteiro explora novamente um emaranhado de intrigas políticas envolvendo várias autoridades e transporta a história por algumas cidades da Europa. O final em que tudo parece voltar a estaca zero resume bem essa razoável trilogia produzida para tv.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O Quebra-Cabeça

O Quebra-Cabeça (Puzzle, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Marc Turtletaub
Elenco – Kelly Macdonald, Irrfan Khan, David Denman, Bubba Weiler, Austin Abrams, Liv Hewson.

Agnes (Kelly Macdonald) é uma dona de casa desligada do mundo que vive numa pequena cidade de subúrbio próxima a Nova York. 

Seu marido Louie (David Denman) é dono de uma oficina mecânica e seus dois jovens filhos (Bubba Weiler e Austin Abrams) ainda procuram um caminho na vida. Agnes dedica sua vida a cuidar da casa, da família e de ações na igreja. 

Ao ganhar de presente um quebra-cabeça, Agnes descobre um novo prazer. Por acaso ela encontra um sujeito (Irrfan Kahn) que disputa campeonatos de montagem de quebra-cabeça. Esta descoberta será o gatilho para uma grande mudança em sua vida. 

Em um primeiro olhar, este longa passa a impressão de ser uma história sobre uma pessoa sofrida que deseja mudar de vida, porém analisando a fundo, o que fica é uma tentativa forçada de mostrar que as mulheres tem apenas dois caminhos a escolher. Ela pode ser a dona de casa submissa ou a mulher independente que ignora a família. 

O que falta neste filme e até mesmo no mundo real na atualidade é o chamado meio-termo. Mesmo com pensamentos arcaicos, o marido da protagonista é um sujeito correto, trabalhador e carinhoso com a esposa. 

Sendo um filme, o roteiro pode seguir o caminho que o escritor desejar, porém ao invés de tentar resolver uma relação através de conversas verdadeiras, a mensagem que se passa é “destrua tudo”. 

A história é um reflexo da vida real, em que as pessoas preferem pular de galho em galho em busca de uma felicidade que jamais será plena

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Mandy

Mandy (Mandy, EUA / Bélgica / Inglaterra, 2018) – Nota 6,5
Direção – Panos Cosmatos
Elenco – Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache, Ned Dennehy, Richard Brake, Bill Duke, Olwen Fouéré, Line Pillet.

Red (Nicolas Cage) e Mandy (Andrea Riseborough) levam uma vida simples em uma casa isolada no meio da floresta. 

Quando um grupo de fanáticos religiosos chega na região e o líder chamado Jeremiah (Linus Roach) fica obcecado por Mandy, tudo muda. Os seguidores de Jeremiah se unem a um sinistro grupo de motoqueiros para sequestrar Mandy. Red é torturado, porém sobrevive e inicia sua busca por vingança. 

O diretor Panos Cosmatos é filho do falecido George Pan Cosmatos, responsável por filmes como “Rambo II: A Missão” e “Tombstone”. Diferente do pai que era um diretor de filmes comerciais, Panos se mostra um sujeito com predileção para o bizarro, começando pela escolha das cores num estilo psicodélico que variam entre verde, vermelho e amarelo, além do ritmo pausado que passa a impressão de que estamos vendo um filme em câmera lenta. Os personagens sinistros e o banho de sangue que ocorre na segunda parte beiram o exagero. 

Vale destacar a atuação animalesca de Nicolas Cage, que se entrega totalmente ao personagem. Cage mostra novamente que é um bom ator, seu problema principal está na escolha de papéis em filmes ruins. 

Este “Mandy” é indicado para quem gosta de um terror extremamente violento, que lembra os filmes dos gênero dos anos oitenta.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O Impostor

O Impostor (The Imposter, Inglaterra, 2012) – Nota 7,5
Direção – Bart Layton
Documentário

Zona rural de San Antonio, Texas, 1994. O garoto Nicholas Barclay de apenas treze anos desaparece sem deixar pistas. Após mais de três anos, a família recebe uma ligação informando que o adolescente foi encontrado na cidade de Linares na Espanha. É início de uma absurda história real. 

Como o título do doc deixa claro, o rapaz encontrado na Espanha é um impostor. Desde o início o próprio impostor conta sua versão da história de uma forma cínica, descrevendo as situações bizarras que ele criou para enganar várias pessoas. 

Com vinte minutos de documentário minha vontade foi de desligar a tv, porém a curiosidade para saber como algo tão absurdo ocorreu me fez ir até o final e acabei não me arrependendo. 

A princípio é difícil aceitar que a família tenha acreditado que uma pessoa tão diferente fisicamente fosse o filho desaparecido, porém com o desenrolar da narrativa surge uma reviravolta tão maluca quanto o golpe dado pelo rapaz, fato que acaba criando uma justificativa para o ocorrido.   

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O Terceiro Assassinato

O Terceiro Assassinato (Sandome no Satsujin, Japão, 2017) – Nota 6,5
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Masaharu Fukuyama, Kôji Yakusho, Shinnosuke Mitshushima, Suzu Hirose, Kotaro Yoshida.

Misumi (Kôji Yakusho) confessa ter matado seu patrão após ter sido dispensado do emprego. Três advogados são encarregados de defender Misumi, que por seu lado a cada momento conta uma história diferente sobre o crime. 

Sem saber no que acreditar, Shigemori (Masaharu Fukuyama), que é um dos advogados, decide investigar a vida de Misumi. Uma pista leva Shigemori a acreditar que o assassinato tenha ligação com a filha da vítima, a adolescente Sakie (Suzu Hirose), que tem um problema na perna e dificuldade para andar. 

O ótimo diretor japonês Hirokazu Koreeda desta vez não conseguiu transmitir para o espectador a dor dos personagens, situação em que ele se mostrou especialista em seus trabalhos anteriores.

A dúvida sobre quem realmente cometeu o assassinato e sobre o porquê do crime se torna cansativa e repetitiva cada vez que o advogado conversa com o possível assassino. Falta emoção até mesmo nas cenas do julgamento. O ponto interessante é conhecer um pouco sobre como funciona o sistema judiciário japonês. 

O resultado é um filme apenas mediano.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Verão de 84

Verão de 84 (Summer of 84, Canadá / EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – François Simard, Anouk Whissell & Yoann Karl Whissell
Elenco – Graham Verchere, Judah Lewis, Caleb Emery, Cory Gruter Andrew, Tiera Skovbye, Rich Sommer, Jason Gray Stanford, Shauna Johannesen.

Em um bairro de subúrbio, quatro adolescentes aproveitam as férias do verão de 1984. 

A notícia de que garotos da região estão desaparecendo desperta a curiosidade em Davey (Graham Verchere), que passa a desconfiar do vizinho, um policial solitário (Rich Sommer). Davey convence os amigos a seguirem o policial e investigarem sua vida. 

O trio de diretores conhecido pelo cult “Turbo Kid”, aqui utiliza como premissa uma trama que bebe na fonte do clássico “Conta Comigo” e da recente série “Stranger Things”. 

É muito legal ver a diferença da vida de adolescentes dos anos oitenta em comparação com a forma que se vive no dias atuais. Os garotos brincando de polícia e ladrão durante a noite, rodando de bicicleta pela cidade e se divertindo com coisas simples da época. Um tipo de vida que deixou de existir. 

O roteiro segue os clichês do gênero até próximo ao final, criando algumas sequências de suspense interessantes. A grande e arriscada aposta dos diretores está na reviravolta que leva a um final bem diferente dos filmes do gênero. É um final forte que inclusive deixa um gancho para uma possível continuação.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Gênio Diabólico

Gênio Diabólico (Evil Genius: The True Story of America's Most Diabolical Bank Heist, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Barbara Schroeder & Trey Borzillieri
Documentário

Erie, Pensilvânia, 2003. Um entregador de pizza entra em um banco com uma bomba presa ao pescoço, anuncia um assalto e tenta fugir com um saco de dinheiro. Perseguido pela polícia, o sujeito fica à espera de ajuda do esquadrão antibombas, que demora para chegar. O colar explore e o homem morre no local. 

A polícia encontra no carro do ladrão algumas folhas que indicam um roteiro que o homem teria que seguir para encontrar a chave para abrir o artefato e salvar a própria vida. É o início de uma bizarra história real que foi batizada pela mídia como “The Pizza Bomber Heist”. 

Este documentário da Netflix conta a história em quatro episódios, detalhando várias situações estranhas ligadas ao crime inicial, inclusive outras mortes. Entre os vários personagens envolvidos de uma forma ou de outra, os dois que se destacam pela inteligência e também pela loucura são Marjorie Diehl Armstrong e Bill Rothstein. 

Ela era uma belíssima jovem que por causa de problemas mentais se transformou numa mulher manipuladora e perigosa, enquanto ele era um antigo namorado que também acreditava ter uma inteligência superior. 

Para quem não conhece a história, como eu mesmo não conhecia, o ideal é assistir o doc com o mínimo de informações. Como diz o subtítulo original, este com certeza é um dos crimes mais diabólicos e absurdos que já foi colocado em prática. 

Mesmo entendendo que o doc poderia ser ainda melhor com apenas dois ou três episódios, não deixa de ser uma obra extremamente interessante para quem tem curiosidade sobre crimes reais e absurdos como neste caso.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Megan Leavey

Megan Leavey (Megan Leavey, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Gabriela Cowperthwaite
Elenco – Kate Mara, Edie Falco, Ramon Rodriguez, Common, Tom Felton, Will Patton, Bradley Whitford, Miguel Gomez.

Em 2003, a jovem Megan Leavey (Kate Mara) leva uma vida sem perspectivas após a morte de um amigo. Desempregada e tendo um péssimo relacionamento com a mãe (Edie Falco), ela decide se alistar no exército. 

Após enfrentar um difícil treinamento e conseguir se formar, Megan ainda se mostra perdida. Tudo muda quando surge a chance de treinar um cão para ser farejador de explosivos. É o início de uma belíssima amizade com o animal e também a oportunidade de mostrar seu valor como soldado.

Baseado numa história real, este interessante longa pode ser dividido em duas partes. A primeira foca no treinamento da protagonista e na sua atuação no deserto do Iraque. A segunda metade muda a história ao criar uma situação em que Megan é obrigada a lutar de uma forma diferente da guerra. 

Ao mesmo tempo em que a história de vida da protagonista é dura e cheia de desafios, fica claro também que ela é uma pessoa complicada, muito por causa do relacionamento com a família. 

Mesmo com Kate Mara sendo boa atriz, fica um pouco estranho acreditar nela no papel de soldado. A verdadeira Megan Leavey, que aparece rapidamente no longa, é bem mais forte que a atriz. 

O resultado é um bom filme, que emociona em alguns momentos através da relação da protagonista com o cão.