quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Marty

Marty (Marty, EUA, 1955) – Nota 7,5
Direção – Delbert Mann
Elenco – Ernest Borgnine, Betsy Blair, Joe Mantell, Esther Minciotti, Jerry Paris, Karen Steele, Augusta Ciolli.

Marty (Ernest Borgnine) é um açougueiro de trinta e quatro anos que vive em uma casa no Bronx com a mãe (Esther Minciotti). Após ver todos seus irmãos e irmãs casarem, Marty é pressionado pela mãe para encontrar uma esposa. Cansado de ser ignorado pelas mulheres e complexado por ser achar gordinho e feio, Marty passa seus dias entre o trabalho e a companhia de alguns amigos no bar, principalmente de outro solteirão, Angie (Joe Mantell). 

Mesmo a contragosto, Marty aceita ir com os amigos a um salão de danças e o destino o faz cruzar o caminho da tímida professora Clara (Betsy Blair), com quem rapidamente cria um laço. O que pode ser o amor de sua vida, fica complicado quando os amigos dizem que a garota é feia e sua mãe fica preocupada em perder o único filho solteiro. 

Este simples e sensível drama foi a maior zebra da história do Oscar, além de ter faturado também a Palma de Ouro em Cannes, sendo o primeiro filme americano a conseguir tal feito. 

Muitos críticos de cinema não gostam do longa por causa da simplicidade da trama e pelo conteúdo da história parecer datado nos dias de hoje, porém para analisar com imparcialidade é necessário entender o contexto da época em que foi produzido. 

O roteiro coloca como protagonistas duas pessoas inseguras, que eram pressionadas pela sociedade para casar em uma época em que ficar solteiro depois dos trinta anos era algo incomum. O roteiro mostra também o outro lado das complicações de um casamento. Temos o casal de primos de Marty (Jerry Paris e Karen Steele) que passa por uma crise por causa de um bebê e da sogra que vive com eles. Vemos ainda as duas senhoras que desejam morar com os filhos com medo da solidão e o amigo que se sente excluído quando Marty conhece Clara . 

O interessante é que por trás dos personagens comuns e da trama simples, vemos pessoas que aos se sentirem ameaçadas passam a mentir, discutir e agir para defender seu desejo, mesmo prejudicando quem está ao seu redor.

Como curiosidade, os jovens utilizam duas estranhas gírias para rotular as garotas. As bonitas são chamadas de “tomatoes” (tomates) e as feias de “dogs” (cães).

Finalizando, vale destacar a belíssima interpretação de Ernest Borgnine, que lhe rendeu um Oscar e pode ser considerado o maior papel de sua carreira. 

2 comentários:

Gustavo H. Razera disse...

A singeleza do filme é desarmante. Dois peixes fora d'água encontrando a beleza no amor que sentem um pelo outro. Às vezes, menos é mais e MARTY é prova disso.

Cumps.

Hugo disse...

Gustavo - Ótima colocação, algumas vezes o menos é mais.

Abraço