domingo, 30 de junho de 2013

Procurando Elly

Procurando Elly (Darbareye Elly, Irã / França, 2009) – Nota 8
Direção – Asghar Farhadi
Elenco – Golshifteh Farahani, Shahab Hosseini, Taraneh Alidoost, Merial Zare’i, Mani Haghighi, Peyman Moaadi, Ra’na Azadivar, Ahmad Mehranfar, Saber Abbar.

Três casais iranianos com seus filhos pequenos viajam de Teerã para passar o final de semana na praia. Junto segue Ahmad (Shahab Hosseini), um amigo que vive na Alemanha e que acabou de se divorciar. O passeio foi organizado por Sepideh (Golshifteh Farahani), que sem contar para os amigos e nem mesmo para o marido Amir (Mani Haghighi), decide levar a jovem Elly (Taraneh Alidoost) com o objetivo dela se aproximar de Ahmad, que por seu lado voltou ao Irã para encontrar outra esposa. O que seria um final de semana de diversão, se torna um pesadelo quando ocorre um acidente e em seguida Elly desaparece. 

Este ótimo longa foge do estilo comum do cinema iraniano, que geralmente dá ênfase a uma narrativa lenta e utiliza temas ligados a pobreza do país. Aqui o roteiro do diretor Asghar Farahdi foca na nova classe média iraniana, que procura usufruir de tudo que o mundo ocidental oferece. Os personagens não largam seus celulares, utilizam carros franceses, se divertem dançando e jogando vôlei, porém quando ocorre a crise com a desparecimento da jovem, todas as tradições e preconceitos vem à tona, criando conflitos entre os casais, com uma lavagem de roupa suja onde o machismo da sociedade iraniana se torna o ponto principal. 

A teia de pequenas mentiras e segredos criada para tentar amenizar a situação termina por aumentar os conflitos, inclusive com a chegada de um último personagem muito importante para a trama. 

A sequência do acidente e do conseqüente desaparecimento de Elly é tensa e extremamente bem filmada. São em torno de doze minutos de desespero, onde os vários personagens entram numa louca corrida para tentar resolver a situação. 

No geral é um ótimo drama, indicado para quem gosta do gênero e principalmente para quem deseja conhecer detalhes de uma cultura diferente da nossa, porém com pessoas que tem as mesmas virtudes e defeitos dos ocidentais.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Barcelona

Barcelona (Barcelona, EUA / Espanha, 1994) – Nota 7
Direção – Whit Stillman
Elenco – Taylor Nichols, Chris Eigeman, Tushka Bergen, Mira Sorvino, Jack Gilpin, Thomas Gibson.

Barcelona, início dos anos oitenta, Ted (Taylor Nichols) é um executivo americano sério e conservador que trabalha na cidade. Quando ele recebe a inesperada visita do primo Fred (Chris Eigeman), um oficial da marinha americana, Ted tem seu modo de vida confrontado pela forma relaxada do primo. 

A diferença de personalidades e pensamentos é posta à prova também porque Fred está na cidade de modo oficial, representando o governo americano e sendo visto como uma espécie de fascista, já que na Espanha ainda estava bem viva a lembrança dos anos de ditadura do General Franco. Por outro lado, Ted namora uma ativista de esquerda (Tushka Bergen). Mesmo sendo oficial da marinha, Fred gosta de aproveitar a vida e acaba se envolvendo com uma garota de programa (Mira Sorvino). 

Este inteligente longa brinca com o choque cultural, tanto entre americanos e espanhóis, como entre conservadores e liberais, tendo ao fundo a bela cidade de Barcelona como cenário. 

O filme é também o segundo longa de Whit Stillman, que estreou com “Metropolitan”, uma interessante crítica a um grupo de jovens de família ricas de Manhattan, trabalho independente que resultou em elogios da crítica. 

Depois deste “Barcelona”, Stillman dirigiu seu trabalho mais conhecido, o drama “Os Últimos Embalos da Disco”, isto em 1998 e em seguida desapareceu. Ele voltou em 2011 com um filme chamado “Descobrindo o Amor”, que não foi notado pela crítica e que eu ainda não assisti. 

Como curiosidade, nos três filmes anteriores de Stillman, o ator Chris Eigeman tem papel de destaque. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Passe Livre & Subterrâneos do Futebol


Passe Livre (Brasil, 1974) – Nota 7
Direção – Oswaldo Caldeira
Documentário

Analisando como cinema, este documentário é apenas correto, mas sua importância é enorme como registro de um fato histórico no futebol brasileiro. O doc conta o chamado “Caso Afonsinho”, o primeiro jogador de futebol brasileiro a conseguir o passe livre. Muitos da geração atual provavelmente não sabem como funcionava os contratos entre clubes e jogadores no Brasil até 1998 quando foi assinada a Lei Pelé. Até esta data, os jogadores ficavam presos aos clubes através de um instrumento chamado “passe”, que fora criado com a profissionalização do futebol no mundo no início do século passado. 

Para entender como funcionava, darei um exemplo. Um jogador que se destacasse nas categorias de base (na época chamada de juvenil) recebia do clube a oferta para assinar um contrato como profissional. O jogador que conseguia esta chance assinava sem pensar, porém ao final do contrato ele poderia mudar de clube apenas se fosse vendido ou se o seu clube o dispensasse, caso contrário ele era obrigado a assinar um novo contrato, na maioria das vezes por um salário indesejado ou ficar parado até mesmo por meses sem receber salário, até que fosse resolvida a situação. Esta relação quase feudal foi o estopim do “Caso Afonsinho”. 

Afonsinho apareceu para o futebol no Botafogo em meados dos anos sessenta, se tornou um jogador de destaque, inclusive sendo capitão do time. Os problemas começaram em 1970 quando ele teve um atrito com o treinador Zagalo. A diretoria do clube decidiu afastar o jogador e ao mesmo tempo o colocou à venda por um valor absurdo, o que fez com que ele fosse obrigado a aceitar jogar pelo pequeno clube chamado Olaria. Após seis meses ele retornou ao Botafogo e foi novamente afastado. 

A injustiça revoltou o jogador, que era na época estudante de medicina e tinha um nível cultural acima da média de um atleta comum. Para resolver o caso, ele contratou um advogado e entrou na justiça solicitando sua liberação do clube. Ele perdeu no Tribunal do Rio de Janeiro, mas venceu no Tribunal em Brasília, se tornando o primeiro jogador a ganhar o passe na justiça. O fato poderia ter mudado a relação entre atletas e clubes no país, porém a falta de união dos jogadores fez com o fato fosse uma vitória isolada, continuando a mesma relação até 1998. 

O fim do passe em 1998 foi uma conseqüência do chamado “Caso Bosman”, onde o jogador belga Jean Marc Bosman foi impedido de se transferir do Liege da Bélgica para o pequeno Dunquerque da França e recebeu como proposta de renovação de contrato um salário 75% menor do que recebia. Bosman entrou na justiça da Bélgica em 1990 e o caso rolou até 1996 quando a Corte Européia deu ganho de causa ao jogador, gerando uma jurisprudência que se tornou uma bola de neve e obrigou a Fifa e os clubes europeus a extinguir o passe, dando liberdade aos atletas mudarem de clube sem custos ao final do contrato. 

Subterrâneos do Futebol (Brasil, 1965) – Nota 6
Direção – Maurice Capovila
Documentário

Este curioso documentário mostra de forma superficial os problemas envolvendo o futebol brasileiro no início dos anos sessenta. A proposta do diretor Maurice Capovila é interessante, ele intercala momentos em que mostra Pelé no auge da fama após o Santos se campeão paulista em 1964, com os elogios e abraços de dirigentes e torcedores, com outros em que vemos brigas na torcida e a realidade de vida dos jogadores. 

Depoimentos mostram como a vida de jogador de futebol era complicada naquela época, em especial do zagueiro Zózimo, que por uma década jogou no Bangu e foi campeão do mundo pela seleção brasileira em 1962, porém após uma derrota do clube em 1964, acabou acusado por um diretor de ter se vendido, foi dispensado e obrigado a jogar no clube pequeno, já que ficou marcado injustamente pela acusação. 

O documentário mostra o jogador como um objeto descartável, que tem poucos anos de carreira para tentar ganhar algum dinheiro, mas que por diversos fatos pode ter a carreira abortada e ficar sem opções para ter uma vida digna, isso no contexto daquela época. 

Esta abordagem melancólica é utilizada para o final da obra, que mostra uma famosa partida em 1964 na Vila Belmiro, o estádio do Santos, onde o alambrado desabou e dezenas de torcedores ficaram feridos. 

É uma pena que a narrativa não se aprofunde nos temas, já que o registro cinematográfico do futebol brasileiro é pequeno e a proposta inicial poderia ter rendido um documentário bem melhor.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Rock Brasília - Era de Ouro

Rock Brasília – Era de Ouro (Brasil, 2011) – Nota 8
Direção – Vladimir Carvalho
Documentário

Muitos da nova geração que escutam quem viveu nos anos oitenta comentar sobre o rock brasileiro da época não imaginam a força daquele movimento. Hoje muitos podem não levar a sério ao ver o Ultraje a Rigor como banda de programa de tv, chamar o Lobão de maluco a cada nova opinião polêmica ou nem saber quem foram “Inocentes”, “Garotos Podres”. “Zero” e “Plebe Rude”, entre várias outras bandas da época, porém o conteúdo das letras das músicas e a vontade de confrontar o sistema ajudaram a mudar a mentalidade da juventude. 

Um pouco desta mudança é retratada neste ótimo documentário que foca nas bandas de Brasília, principalmente “Legião Urbana, “Capital Inicial” e “Plebe Rude”. O documentário conta a história a partir do final dos setenta, quando um grupo de jovens amigos que ficariam conhecidos como a “Turma da Colina”, resultou na criação das três bandas. 

A colina era um condomínio dentro da Universidade de Brasília onde professores, funcionários públicos e diplomatas moravam com suas famílias. Quando os filhos destes chegaram a juventude, encontraram um país que ainda vivida a ditadura e a repressão. Eram todos filhos de famílias com bons recursos financeiros, porém a repressão e a própria cidade de Brasília que pouco oferecia para os jovens, se tornaram inspiração para criação das bandas. 

Tudo começou no encontro de Fê Lemos, hoje baterista do Capital Inicial e Renato Russo. Os dois adoravam o movimento Punk e junto com o sul-africano André Pretorius criaram o “Aborto Elétrico”, banda que durou algum tempo numa espécie de embrião e principalmente inspiração para as três bandas que surgiriam em seguida. A partir daí o doc conta toda a trajetória das bandas, como a inesperada chegada ao sucesso, os problemas que elas enfrentaram e como cada um segue a vida nos dias atuais. 

Fato muito citado durante o doc e extremamante importante é a questão da época, sendo que até 1994 o país sofria com a recessão e a inflação galopante, fatos que influenciaram muito a indústria fonográfica e o desempenho das bandas, lembrando que não existia Internet e a divulgação era feita apenas pelas gravadoras. A decadência do gênero no Brasil começou nos anos noventa, quando as gravadoras passaram a priorizar os sertanejos e as bandas de pagode. 

Voltando ao doc, vale destacar a importância dos Paralamas do Sucesso que abriram caminho para as bandas de Brasília nas gravadoras, com Herbert Viana e seu irmão Hermano, que é jornalista, levando as chamadas fitas demo para as gravadoras. Herbert, Hermano e Bi Ribeiro eram de Brasília e conviveram com a turma da colina antes de irem para o Rio de Janeiro. 

Os depoimentos de Dado Villa Lobos, Dinho Ouro Preto, os irmãos Fê e Flávio Lemos, de Phillip Seabra e André Mueller, as cabeças do “Plebe Rude”, são sensacionais, sem contar um depoimento datado de 1994 onde Renato Russo conta toda a história dos amigos. Os pais de vários destes personagens também dão seus depoimentos, com destaque para Briquet de Lemos,  pai dos irmãos Lemos que se emociona como criança no final do doc. 

Hoje pouco se fala na “Plebe Rude”, mas a importância da banda no cenário nacional foi enorme, quem estiver com curiosidade procure ouvir suas músicas, principalmente o primeiro disco chamado “O Concreto Já Rachou”. 

Como sugestão para quem gosta rock, procure ler o ótimo livro “Dias de Luta”, escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre que conta toda a história do rock nacional dos anos oitenta, leitura imperdível para os fãs do gênero.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O Espetacular Homem-Aranha

O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Marc Webb
Elenco – Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen, Sally Field, Irrfan Khan, Campbell Scott, Embeth Davidtz, C. Thomas Howell.

Conforme ficamos mais velhos, o tempo parece passar mais rápido e um período de dez anos deixa a impressão de não ser tanto tempo assim. Pensando desta forma, considero dez anos como pouco tempo para o reboot de uma franquia, como é o caso deste novo Homem-Aranha, sem contar que o terceiro filme da série original tem apenas cinco anos. 

Para tentar não ficar tão parecido com o original, os produtores e o diretor Marc Webb (“500 Dias com Ela”) decidiram utilizar um novo vilão, “O Lagarto” interpretado por Rhys Ifans, trocaram a namorada do herói Mary Jane por Gwen Sracy (Emma Stone) e principalmente criaram um novo Peter Parker (Andrew Garfield), mais forte do que o confuso nerd interpretado por Tobey Maguire. 

O roteiro cria um passado para Peter Parker, quando ainda bem criança é entregue pelos pais (Campbell Scoot e Embeth Davidtz) para os tios Ben e May (Martin Sheen e Sally Field). Depois pula para a adolescência quando algumas coincidências forçadas ligam Peter a Gwen Stacy, ao Dr. Connors (Rhys Ifans antes de se transformar no Lagarto) e ao inspetor de polícia (Denis Leary) que é pai de Gwenn, sem contar uma escavação no passado de seus pais. 

As cenas de ação são competentes, como é de costume nos filmes atuais de heróis, o protagonista Andrew Garfield (o Eduardo Saverin de “A Rede Social”) não perde na comparação com Tobey Maguire, tendo ainda uma boa atuação de Martin Sheen e a curiosa participação do sumido C. Thomas Howell, que foi uma das crianças de “E.T” e se tornou astro adolescente dos anos oitenta por filmes como “Vidas Sem Rumo” e o original “A Morte Pede Carona”. 

O filme resulta numa obra divertida, perfeita na parte técnica e inclusive uma continuação está sendo filmada, porém perde pontos com as coincidências do roteiro e após a sessão deixa um sentimento de que assistimos algo repetido.    

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Resgate

O Resgate (Stolen, EUA / Suécia, 2012) – Nota 5
Direção – Simon West
Elenco – Nicolas Cage, Josh Lucas, Danny Huston, Malin Akerman, Sami Gayle, M. C. Gainey, Mark Valley, Barry Shabaka Henley.

Em todo filme que assisto procuro destacar os pontos positivos e também não faço parte da turma que odeia determinado ator ou atriz. Cito estes fatos para comentar “O Resgate”, mais um filme de Nicolas Cage que foi detonado pelos críticos. Nos últimos anos, Cage fez várias escolhas ruins em meio a poucos bons filmes, resultando numa antipatia de boa parte do público pelo ator. Alguns destes filmes ruins até chegavam a divertir, porém fica difícil encontrar algo de bom neste “O Resgate”. 

O longa começa com um grupo de ladrões se preparando para roubar um banco, tendo Will Montgomery (Nicolas Cage) como mentor do plano. Um desentendimento entre Will e seu parceiro Vince (Josh Lucas) estraga o plano e faz com que Will seja preso pelo FBI. Após oito na cadeia, Will consegue a liberdade e no mesmo dia é perseguido pelo agente do FBI Harlend (Danny Huston) que deseja descobrir o local onde ele teria escondido o dinheiro do assalto. Para piorar a situação, Will é rejeitado pela filha adolescente (Samy Gayle), que em seguida é sequestrada pelo ex-parceiro que também deseja a grana. 

A trama é clichê puro, o que não impediria de render pelo menos um filme bem amarrado, mas infelizmente o roteiro é um dos piores dos últimos anos. São vários furos na trama, situações em que o espectador não precisa pensar muito para ver que são absurdos, como a estupidez total dos agentes do FBI, incluindo o personagem de Danny Huston usando um chapéu idêntico ao que o personagem Popeye Doyle interpretado por Gene Hackman usou no clássico “Operação França”. O que era interessante quarenta anos atrás, aqui se tornou ridículo. 

O vilão então é um dos personagens mais bizarros dos últimos anos, na minha opinião uma grande vergonha para a carreira do outrora promissor Josh Lucas. Temos ainda a coitada da personagem interpretada pela garota Sami Gayle, atriz do seriado “Blue Bloods”, que aqui passa quase todo o filme trancada no porta-malas de um táxi. 

Finalizando, ainda sobra espaço para um diálogo em sueco entre Cage e Malin Akerman, fato que tem como única explicação ser o filme uma co-produção sueca. 

O resultado é totalmente descartável e mais erro na irregular carreira de Cage.    

domingo, 23 de junho de 2013

Os Profissionais

Os Profissionais (The Professionals, EUA, 1966) – Nota 8
Direção – Richard Brooks
Elenco – Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Woody Strode, Jack Palance, Ralph Bellamy, Claudia Cardinale.

Um rico fazendeiro (Ralph Bellamy) contrata quatro mercenários (Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan e Woody Strode) para viajarem até o México e resgatarem sua esposa (Claudia Cardinale) que ele alega ter sido sequestrada pelo bandido Jesus Raza (Jack Palance). Os mercenários aceitam a missão pelo dinheiro oferecido, sendo dez mil dólares para cada um, porém eles não acreditam na história do fazendeiro, já que dois deles (Burt Lancaster e Lee Marvin) lutaram ao lado de Raza na Revolução Mexicana e o conhecem bem. O quarteto atravessa o deserto e enfrenta vários obstáculos para chegar até o México, inclusive a relutância da jovem esposa em voltar para o marido. 

Hoje quase esquecido, este ótimo faroeste dirigido por Richard Brooks (“A Sangue Frio”, “Gata em Teto de Zinco Quente”) segue um estilo parecido com os chamados “Western Spaghetti”, principalmente por ser mais violento do que a maioria dos filmes americanos do gênero, formato que resultaria em clássicos produzidos quase em seguida como “Meu Ódio Será Sua Herança” e “Era Uma Vez no Oeste”, por sinal longas ainda melhores que este. 

O elenco é outro grande destaque, principalmente na química entre os personagens de Lancaster e Marvin, dois mitos do cinema, tendo ainda ao lado os grandes Robert Ryan e Jack Palance como um mexicano, além de Woody Strode, o primeiro ator negro a ter papéis de destaque no gênero western, sem contar ainda a bela italiana Claudia Cardinale, que voltaria ao gênero em “Era Uma Vez no Oeste”. 

Para quem gosta do gênero, o filme é uma ótima pedida

sábado, 22 de junho de 2013

Um Novo Despertar

Um Novo Despertar (The Beaver, EUA / Emirados Árabes, 2011) – Nota 7
Direção – Jodie Foster
Elenco – Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence, Cherry Jones, Riley Thomas Stewart.

Walter Black (Mel Gibson) é um executivo que sofre de depressão profunda, situação que faz sua empresa passar por dificuldades e principalmente causa sofrimento em sua família. A esposa Meredith (Jodie Foster) não aguenta mais a inércia do marido, o filho mais velho Porter (Anton Yelchin) sofre cada vez que repete alguma atitude que lembra o pai e o caçula Henry (Riley Thomas Stewart) vive isolado, seja em casa ou na escola. 

Quando Meredith decide expulsar Walter de casa, ele segue para um hotel e no meio de várias tranqueiras que carrega, encontra um velho castor de pelúcia, que após uma situação constrangedora, se torna uma espécie de alter ego. Walter passa a utilizar o boneco como fantoche, muda sua atitude perante a família e o trabalho, além de criar uma nova voz com um estranho sotaque. A situação bizarra a princípio parece dar certo, mas a loucura por trás da atitude resultará em sérias conseqüências. 

A atriz Jodie Foster estava há dezesseis anos sem dirigir, desde o razoável “Feriados em Família” de 1995 e decidiu retornar com este inusitado drama que tem como ponto principal o chamado “Mal do Século XXI”, a terrível depressão. Jodie escolheu um roteiro que poderia descambar para um filme absurdo, mas a interessante narrativa que segue a tentativa de Walter em mudar sua vida, pode funcionar desde que o espectador aceite a premissa maluca. 

Vale destacar também a história do filho do casal vivido por Anton Yelchin, trama que corre em paralelo e mostra sua relação com uma garota (Jennifer Lawrence) e sua dificuldade em aceitar a doença do pai. 

O filme pode ser visto também como uma tentativa do próprio Mel Gibson em retomar a carreira de ator e expurgar seus demônios. Mesmo tendo protagonizado “O Fim da Escuridão” em 2010, Gibson vinha de poucos trabalhos desde “Sinais” em 2002 e além disso, durante a década enfrentou problemas conjugais, vício no álcool e acusações de agressão e preconceito. Um dos maiores astros dos anos oitenta e noventa, Gibson mostrou aqui que ainda é um bom ator, tem carisma e que pode seguir a carreira em bom nível.    

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Angie - O Adeus a James Gandolfini

Angie (Angie, EUA, 1994) – Nota 6,5
Direção – Martha Coolidge
Elenco – Geena Davis, James Gandolfini, Aida Turturro, Stephen Rea, Philip Bosco, Jenny O'Hara, Michael Rispoli.

Nesta semana o cinema perdeu o ator James Gandolfini, o eterno Tony Soprano. A carreira de Gandolfini foi um exemplo de como um papel pode mudar completar o destino de um ator ou atriz. Quando foi escolhido para viver Tony Soprano, Gandolfini era apenas um coadjuvante quase sempre escolhido para interpretar algum vilão menor ou um descendente de italiano, já que sua origem estava clara nos traços, no tamanho e no sotaque de New Jersey. 

O sucesso da série transformou o ator em astro mundial, uma fama inesperada e uma mudança radical na carreira. Até ontem eu pouco sabia sobre sua vida pessoal e descobri que durante a série ele se separou da esposa e enfrentou problemas com álcool e drogas, fatos talvez desencadeados pelo sucesso. 

Para fugir do lugar comum, resolvi comentar sobre um dos primeiros trabalhos do ator no cinema, esta comédia dramática onde contracenou com a então estrela Geena Davis. Geena Davis é Angie, uma jovem do Brooklin que namora a bastante tempo com Vinnie (James Gandolfini), um sujeito filho de italianos, com um jeito ao mesmo tempo rústico e inseguro em relação a casamento. Quando Angie engravida, Vinnie então resolve casar, porém agora jovem é quem decide ter a criança sozinha e mudar sua vida, não aceitando ficar com o namorado por causa do filho. 

O roteiro utiliza as tradições das famílias italianas para criar um conflito entre a rebeldia pela liberdade da jovem Angie, sua família e o personagem de Gandolfini que se sente perdido quando é rejeitado. O resultado é apenas razoável, mas provavelmente a interpretação de Gandolfini tenha ajudado na escolha para ser Tony Soprano. 

Como curiosidade, Michael Rispoli e Aida Turturro trabalharam novamente com Gandolfini em “The Sopranos”. Rispoli apenas na primeira temporada a Aida no importante papel da irmã de Tony..   

terça-feira, 18 de junho de 2013

Submundo

Submundo (Edmond, EUA, 2005) – Nota 6,5
Direção – Stuart Gordon
Elenco – William H. Macy, Rebecca Pidgeon, Joe Mantegna, Denise Richards, Vincent Guastaferro, Ling Bai, Dulé Hill, Debi Mazor, Mena Suvari, Jeffrey Combs, George Wendt, Julia Stiles, Patricia Belcher, Bruce A. Young, Dylan Walsh, Bokeem Woodbine.

Após um dia de trabalho, o entediado executivo Edmond (William H. Macy), decide parar numa cigana para saber seu futuro por causa de uma coincidência numérica. Após a sessão com a cigana, Edmond resolve largar a esposa (Rebecca Pidgeon) e sua vida tranquila para viver uma noite de aventuras pela cidade. Este é o início de uma jornada por clubes e inferninhos onde nosso protagonista cruzará com prostitutas, cafetões, ladrões e será enganado de todas as formas possíveis, além de encarar violência e degradação numa situação que não terminará nada bem. 

O longa tem roteiro do escritor e também diretor de cinema David Mamet, que se baseia em sua própria peça sobre a jornada ao fundo do poço de um sujeito que tem tudo, mas ao mesmo tempo sente que não tem nada e acredita que vai encontrar felicidade na ilusão da noite, mas descobrirá da pior forma possível que os anos que acredita ter perdido em sua vida, não serão compensados em um única noite de exageros. 

O ponto negativo do filme em minha opinião é o excesso de divagações do personagem principal, que em muitas cenas após sua descoberta da nova vida, fala sem parar e na maioria das vezes sem sentido algum. Mesmo assim, a interpretação de Macy é perfeita, passando do sujeito introspectivo e aparentemente sem sentimentos, para alguém que se descobriu uma nova pessoa, mesmo que não da melhor forma. 

Como curiosidade, o diretor Stuart Gordon foi o responsável pelo clássico trash de terror “Re-Animator”.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fogo no Céu & A Invasão


Fogo no Céu (Fire in the Sky, EUA, 1993) – Nota 7
Direção – Robert Lieberman
Elenco – D. B. Sweeney, Robert Patrick, Peter Berg, Craig Sheffer, Bradley Gregg, James Garner, Noble Willinghan, Henry Thomas, Kathleen Wilhoite.

Em 1975, numa pequena cidade do Arizona, seis lenhadores retornam para casa em uma caminhonete quando uma forte luz aparece próxima a estrada. Eles param o veículo e um dos ocupantes, Travis Walton (D. B. Sweeney), decide descer para chegar mais perto da luz. Um enorme clarão surge e Walton desaparece. Desesperados, os amigos voltam para a cidade e avisam a polícia sobre a estranha ocorrência. A absurda situação faz os policiais (James Garner e Noble Willingham) acreditarem que os sujeitos mataram o amigo e estão tentando encobrir o fato. Os cinco homens são acusados de assassinato, porém para supresa geral, Travis Walton reaparece após cinco dias alegando ter sido abduzido. 

Baseado no livro do próprio Travis Walton, que relatou sua inexplicável experiência que se tornou um dos mais famosos casos de abdução da história, este filme é um interessante suspense misturado com drama e ficção indicado para os fãs do gênero. 

A primeira parte é mais voltada para o suspense, começando com a cena da abdução e seguindo pelo inferno que se torna a vida dos cinco acusados, que inclusive fizeram o teste do polígrafo que comprovou que eles estavam dizendo a verdade. Quando Travis Walton retorna da nave,  a história vai mais para o lado do drama com a repercussão do caso e assusta ao mostrar as cenas das experiências em que os alienígenas teriam submetido Walton. O verdadeiro Travis Walton não gostou destas sequências, que foram filmadas de modo diferente aos seu relatos. 

O resultado é um interesssante filme que fez algum sucesso no cinema pegando carona um pouco também no sucesso de “Arquivo X” que estava na primeira temporada na tv.    

A Invasão (The Arrival, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – David Twohy
Elenco – Charlie Sheen, Ron Silver, Lindsay Crouse, Teri Polo, Richard Schiff.

O astrônomo Zane Zaminsky (Charlie Sheen) trabalha em um grande observatório e durante suas análises decobre um sinal vindo de anos luz da Terra. Para Zane é a comprovação de que existe vida fora da Terra, mas logo que informa a descoberta para seu superior (Ron Silver), acaba demitido e colocado numa espécie de lista negra. Obcecado em ir a fundo na história, Zane cria uma forma de captar os sinais através de antenas de tv e descobre que um sinal semelhante vem do México, local para onde ele segue e encontra uma cientista (Lindsay Crouse) que também acredita que algo fora do normal está para ocorrer. 

Esta competente ficção com trama de filme B foi uma grata surpresa na época, ao criar um clima de suspense constante com boas sequências e uma grande conspiração, fato comum aos longas do gênero. 

Charlie Sheen deu conta do recado como o herói por acaso e o falecido Ron Silver deixou mais uma vilão em sua carreira. 

O diretor e roteirista David Twohy fez outros bons filmes de ficção e suspense de baixo orçamento, como “Eclipse Mortal” e “Submersos”. 

Como curiosidade, “A Invasão” teve uma sequência em 1998 com outro elenco e diretor.

domingo, 16 de junho de 2013

Contrabando

Contrabando (Contraband, EUA / Inglaterra / França, 2012) – Nota 7
Direção – Baltasar Kormákur
Elenco – Mark Wahlberg, Kate Beckinsale, Ben Foster, Giovanni Ribisi, Lukas Haas, Caleb Landry Jones, Diego Luna, J. K. Simmons, David O’Hara, William Lucking, Olafur Darri Olafson, Kevin “Lucky” Johnson.

Chris Farraday (Mark Wahlberg) é um ex-contrabandista que abandonou o crime após o pai (William Lucking) acabar na cadeia. Chris trabalha agora com instalação de alarmes e está casado com Kate (Kate Beckinsale) com quem tem dois filhos. A vida que parece tranquila se complica quando seu cunhado (Caleb Landry Jones) joga no mar um carregamento de cocaína para não ser preso e por isso fica em dívida com um violento traficante (Giovanni Ribisi), que ameaça o rapaz e toda sua família. Para conseguir o dinheiro e pagar a dívida, Chris é obrigado a voltar ao crime, decidindo contrabandear uma carregamento de notas falsas através de um navio que irá para o Panamá e voltará para os Estados Unidos em seguida. 

O diretor islandês Baltasar Kormákur consegue imprimir um bom ritmo na narrativa e criar competentes cenas de ação, mesmo com alguns absurdos comuns ao gênero. O roteiro tenta esconder sua simplicidade através de algumas reviravoltas manjadas, mas nada que atrapalhe quem procura uma diversão rápida e sem pretensão. 

Além dos atores citado, vale destacar ainda Ben Foster num papel fundamental como o amigo do protagonista e a presença de Lukas Haas, que trabalha como ator desde os seis anos de idade e que como nove teve papel importantíssimo no ótimo “A Testemunha” com Harrison Ford.

sábado, 15 de junho de 2013

Recontagem

Recontagem (Recount, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Jay Roach
Elenco – Kevin Spacey, Bob Balaban, Ed Begley Jr, Laura Dern, Dennis Leary, Tom Wilkinson, John Hurt, Bruce McGill, Bruce Altman, Jayne Atkinson, Gary Basaraba, Mitch Pileggi, Derek Cecil, Adam LeFevre.

A confusa eleição para presidente dos Estados Unidos em 2000 foi uma prévia do que o país enfrentaria nos anos seguintes, tendo o péssimo George W. Bush como seu comandante. Todo tipo de artifício sujo foi utilizado pelos republicanos para atravancar a recontagem de votos e assim garantir a eleição de Bush, pois eles sabiam que quase com certeza Gore seria o vencedor após uma recontagem manual. 

O roteiro desta produção para a HBO foca nas disputas entre republicanos e democratas para se chegar ao final da contagem de votos no Estado da Flórida, que por sinal tinha o irmão de Bush como governador. O personagem principal é Ron Klain (Kevin Spacey), que era o coordenador da campanha de Gore, foi demitido, retornou para a campanha pouco antes da eleição em um cargo menor e acabou se tornando novamente o líder quando a bagunça na Flórida estourou. 

No final da contagem dos votos no país, a mídia noticiou a vitória de Gore na Flórida, voltando atrás poucas horas depois dando a vitória para Bush, que foi quase ratificada, porém vários condados do Estado ainda estavam em contagem. A princípio a contagem final deu a vitória para Bush com pouco mais de mil votos de diferença, o que fez com os aliados de Gore pedissem uma recontagem, fato que deu início a enorme bagunça e uma interminável disputa na justiça. 

A grande quantidade de absurdos que ocorreram na eleição somente foram desvendados por causa da briga pela recontagem, que começou quando idosos votantes na Flórida alegaram terem intenção de votar em Gore, mas por causa da confusa cédula criada por uma burocrata, eles acreditavam terem votado por engano em Pat Buchanan. 

De uma forma inacreditável, a votação funcionava através de furinhos no meio de uma cartela onde existiam nomes de candidatos dos dois lados, confundindo os eleitores. Para os brasileiros mais velhos que viveram nos anos setenta e oitenta, as cartelas lembram os antigos jogos da loteria esportiva em que o apostador recebia uma cartela com furos marcando os resultados de sua escolha. Para piorar, as cartelas americanas eram contadas por máquinas, que muitas vezes não consideravam furos parciais. Além disso, milhares de eleitores foram proibidos de votar por terem nomes semelhantes ao de pessoas condenadas. 

Um dos pontos positivos do filme é o elenco, com Kevin Spacey competente como de costume, destacando ainda o ótimo Tom Wilkinson como o Secretário James Baker, aliado antigo da família d Bush e Laura Dern como a inacreditável Katherine Harris, a tapada Secretária de Governo da Flórida que tomou decisões absurdas e merecidamente virou motivo de piada. 

Para quem está acostumado com as sujeiras da política brasileira, fica a comparação de como honestidade é algo raro para quem está ou deseja chegar ao poder, não importando qual o país dos envolvidos.   

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Leonera

Leonera (Leonera, Argentina / Coréia do Sul / Brasil / Espanha, 2008) – Nota 7,5
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Martina Gusman, Elli Medeiros, Rodrigo Santoro, Laura Garcia, Leonardo Sauma.

A jovem Julia (Martina Gusman) é presa acusada de assassinar o noivo e ferir outro homem numa briga em seu apartamento. O que realmente aconteceu nunca fica claro, já que o sobrevivente (Rodrigo Santoro), que era amante do sujeito morto e da própria Julia, alega ter sido atacado, enquanto Julia se defende dizendo que os dois homens brigavam entre si quando ela chegou ao apartamento. 

Para piorar a situação, Julia está grávida e por este motivo é colocada numa área do presídio onde vivem apenas mulheres com filhos, pois a lei argentina permite que as presas fiquem com seus filhos até os quatro anos de idade. Enquanto espera o julgamento, Julia vai se adaptando ao local, onde faz amizade com Marta (Laura Garcia), que a ajuda na gravidez, mais ainda após o nascimento do filho e com quem cria uma relação de carinho que termina na cama. Julia sofre ainda com o complicado relacionamento com a mãe (Elli Medeiros). 

O cinema do diretor Pablo Trapero sempre procura mostrar o lado obscuro da sociedade argentina, seja a corrupção policial de “O Outro Lado da Lei”, a fraude em seguros do ótimo “Abutres” e a comunidade pobre dominada pela tráfico em “Elefante Branco”. Aqui o alvo é a triste realidade das mulheres grávidas nas prisões. 

O “Leonera” do título significa o local onde ficam os leões, no caso do filme são as leoas (presas) que mesmo trancafiadas precisam cuidar de suas crias. 

O grande destaque é a atuação de Martina Gusman, esposa do diretor Trapero na vida real, que acerta ao criar a atormentada jovem Julia, que acaba se apegando ao filho como única esperança de uma nova vida e que por ele se transforma numa verdadeira leoa em algumas sequências. 

A pequena participação de Rodrigo Santoro também é importante, seu personagem é crucial para o destino de Julia, mas sua escalação no papel de um argentino se explica apenas por ter Walter Salles como um dos produtores. 

É um filme triste, melancólico, lento em algumas passagens, mas que vale pela força da interpretação da personagem principal e pela história de luta pela liberdade. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Hitchcock

Hitchcock (Hithcock, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Sacha Gervasi
Elenco – Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Michal Stuhlbarg, Michael Wincott, Jessica Biel, James D’Arcy, Richar Portnow, Kurtwood Smith, Ralph Macchio, Wallace Langham.

Misturando os bastidores da produção do clássico “Psicose” com ficção, o diretor estreante Sacha Gervasi cria um simpático longa, principalmente para os fãs do diretor Alfred Hitchcock.

Tudo começa em 1959 após o lançamento de “Intriga Internacional”, quando alguns críticos questionaram se não estava na hora de Hitchcock (Anthony Hopkins) se aposentar. Chateado com a situação, Hitchcock passa a procurar uma ideia para um novo filme e descobre o livro “Psicose”, baseado na história real do psicopata Ed Gein, que matou várias mulheres e desenterrou a própria mãe para viver com ela.

O sinistro tema desagrada os críticos e o chefão da Paramount, que não aceita produzir o filme. Com apoio da esposa Alma (Helen Mirren) e de seu agente (Michael Stuhlbarg), Hitch decide bancar o filme com o próprio dinheiro, num investimento extremamente arriscado. Além dos problemas comuns de uma produção de cinema, a vida de Hitch fica ainda mais complicada com o flerte do escritor picareta Whitfield Cook (Danny Huston) em cima de sua esposa.

Um dos acertos do roteiro é mostrar Hitchcock como um sujeito comum cheio de manias e problemas, de uma forma até engraçada em alguns momentos, como a briga com a esposa para não fazer dieta, os diálogos irônicos com o censor (Kurtwood Smith) ou a obsessão em encarar as belas atrizes, principalmente Janet Leigh interpretada por Scarlett Johansson, sem contar os diálogos imaginários com o personagem do próprio assassino Ed Gein (Michael Wincott).

Um ponto que deixou um pouco a desejar foi a maquiagem, mesmo entendendo a dificuldade que seria “recriar” alguém com a silhueta do diretor, a transformação de Anthony Hopkins parece estranha em várias sequências.

O filme vale também por várias curiosidades, entre elas as citações de outros trabalhos do diretor, como a mágoa que ele tinha da atriz Vera Miles (Jessica Biel), o pássaro que pousa no seu ombro na sequência final e algumas cenas em que Hitch espia uma bela loira pelo persiana de seu escritório nos estúdios da Paramount. Esta loira com porte de modelo é uma citação a Tippi Hedren (mãe de Melanie Griffith), que trabalhava no estúdio e praticamente não tinha experiência como atriz, mas que acabou descoberta pelos olhos de Hitch e escolhida para protagonizar “Os Pássaros” e “Marnie – Confissões de uma Ladra”.

Finalizando, vale ainda conferir a pequena participação de Ralph Macchio, o eterno “Karatê Kid” como o perturbado roteirista de "Psicose".

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dezessete Anos em Seis Segundos


Do apito do árbitro, passando pelos nove passos de Evair em direção a marca do pênalti, até a bola tocar no fundo da rede, foram seis segundos que valeram por dezessete anos de sofrimento e fizeram o torcedor palmeirense soltar o grito de campeão entalado na garganta.

Eu estava lá naquela tarde inesquecível. O recibo do ingresso é uma simples lembrança perto de emoção de ter vivenciado tudo aquilo ao vivo, sentimento que ficará marcado pelo resto da minha vida.

Hoje é dia de comemorar os vinte anos da grande conquista!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bombas - Filmes Policiais com Ray Liotta

São vários os atores que chegaram ao sucesso com bons filmes e algum tempo depois, por causa de escolhas erradas ou acomodação, acabaram  estragando a carreira em trabalhos ruins. As vezes até conseguem um papel em algum bom filme, mas na maioria das vezes escolhem trabalhos medíocres.

Nesta lista estão bons atores Val Kilmer, Cuba Gooding Jr, Eric Roberts, Nicolas Cage e Ray Liotta, este último a quem dedico a postagem comentando três filmes.

Herói (Hero Wanted, EUA, 2008) – Nota 5,5
Direção – Brian Smrz
Elenco – Cuba Gooding Jr, Ray Liotta, Norman Reedus, Kim Coates, Tommy Flanagan, Jean Smart, Christa Campbell, Ben Cross, Samantha Hanratty, Todd Jensen, Steven Kozowski, Gary Cairns.

O lixeiro Liam Case (Cuba Gooding Jr) presencia um violento acidente de automóvel e consegue salvar a garotinha Marley (Samantha Hanratty) que estava presa no carro em chamas. Liam se torna um herói local, mas o fato não o faz esquecer da morte da esposa também em um acidente de carro, quando ela estava grávida. Alguns anos depois, Liam está flertando com uma caixa de banco (Christa Campbell) quando o local é tomado por um grupo de assaltantes que atira na garota e no próprio Liam, que sobrevive. Querendo vingança, Liam decide perseguir os assaltantes com o objetivo de matar um a um. 

Entre os vários filmes de ação ruins que Cuba Gooding Jr protagonizou nos últimos anos, este pelo menos tem alguns pontos interessantes, pena que mal aproveitados, provavelmente pela inexperiência do diretor Smrz, que na verdade é um dublê de cenas de ação. Fica claro que o sujeito conhece de ação, o longa é recheado de tiroteios e violentas brigas, além de alguns ângulos interessantes, como a câmera voadora que passeia em meio aos tiros da sequência final. 

A ideia de contar a história de forma não linear também é boa, mesmo com a montagem sendo um pouco confusa. O que atrapalha é o desenrolar do roteiro, que cria algumas situações absurdas e um final melodramático. Mesmo com Cuba Gooding Jr trabalhando no piloto automático, o elenco é interessante, tem Ray Liotta como um policial e Norman Reedus (O Daryl de“The Walking Dead”) como amigo do protagonista. 

No final fica a impressão de que a premissa tinha potencial para um filme melhor.   

Os Reis da Rua 2 (Street Kings 2: Motor City, EUA, 2011) – Nota 5
Direção – Chris Fisher
Elenco – Ray Liotta, Shawn Hatosi, Clifton Powell, Kevin Chapman, Charlotte Ross, Inbar Lavi.

Numa armadilha da polícia para prender um traficante, o detetive Marty Kingston (Ray Liotta) leva um tiro na perna, mas o bandido acaba preso. Três anos depois, um antigo parceiro de Marty é assassinado. O caso é entregue para ele investigar com um novo parceiro, o novato Dan Sullivan (Shawn Hatosi). Marty, que manca em virtude do tiro que levou, não faz força para investigar, enquanto Sullivan resolve ir a fundo, principalmente quando novos assassinatos ocorrem e Sullivan acredita serem crimes por vingança. 

Esta sequência do filme de 2008 com Keanu Reeves, não tem ligação alguma com o original, sendo um produção que tentou lucrar alguns trocados enganando o público. A trama é puro clichê, rapidamente fica claro o que realmente está ocorrendo, até o inevitável clímax com um acerto de contas. 

Identidade Assassina (Pilgrim, Canadá / Inglaterra / México, 2000) – Nota 5,5
Direção – Harley Cockeliss
Elenco – Ray Liotta, Gloria Ruben, Armin Mueller Stahl, Daniel Kash.

Um sujeito (Ray Liotta) acorda no meio do deserto sem saber quem é ou como foi para naquele local. Procurando um caminho para chegar em algum lugar, ele encontra a artista plástica Vicky (Gloria Reuben), que mesmo em dúvida quanto a história do sujeito, aceita ajudá-lo. Com o passar dos dias, o homem começa a lembrar de alguns fatos que envolvem violência e fica preocupado acreditando que possa ser um bandido. Ao mesmo tempo, um outro homem chamado Mac (Armin Mueller Stal) o encontra e deixa a entender ter contas para acertar com ele. 

Utilizando o clichê do personagem sem memória, o roteiro falha ao tentar prender a atenção do espectador através de flashbacks manjados e uma trama sem surpresas. O bom ator Ray Liotta é o típico operário do cinema. Após ficar famoso pelo papel em “Os Bons Companheiros”, ele ao invés de direcionar a carreira para bons projetos, prefere aceitar todo tipo de proposta, principalmente em longas policiais e de suspense, trabalhando numa média de quatro filmes por ano. Esta escolha fez sua carreira se tornar extremamente irregular.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Headhunters

Headhunters (Hodejegerne, Noruega / Alemanha, 2011) – Nota 8
Direção – Morten Tyldum
Elenco – Aksel Hennie, Nikolaj Coster Waldau, Synnove Macody Lund, Eivind Sander, Julie R. Olgaard.

Roger Brown (Aksel Hennie) trabalha como recrutador (“headhunter”) de uma corporação e leva uma vida de luxo muito acima do seu ganho, sempre pensando em tratar como rainha a bela esposa Diana (Synnoce Madoy Lund). Para manter o status, Roger rouba quadros valiosos trocando por cópias e os vende com a ajuda de um agente de segurança (Eivind Sander). Para completar, Roger ainda tem uma amante (Julie R. Olgaard) e vive pressionado pela esposa para ter um filho. 

Quando a esposa, que tem uma galeria de arte, apresenta ao marido o executivo Clas Greve (Nikolaj Coster Waldau), que se diz aposentado, Roger vê no sujeito a chance de lucrar milhões ao descobrir que ele possui um valioso quadro que fora roubado pelos nazistas. Roger decide convidar Clas para uma entrevista com o objetivo de descobrir mais detalhes e planejar o roubo, porém não imagina que homem também tem um objetivo secreto. 

Este ótimo longa norueguês começa dando a impressão de ser uma clássica trama policial sobre roubos, com o protagonista narrando uma lista de regras que precisar seguir durante seu “trabalho”, mas quando entra em cena o personagem do executivo, a história muda de figura e se torna uma sangrenta caçada, uma espécie de jogo de gato e rato extremamente violento entre os dois personagens, com direito a um roteiro muito bem elaborado e uma inteligente armadilha no final. 

O elenco também é competente, com o desconhecido Aksel Hennie acertando na composição do personagem que se mostra ao mesmo tempo frio e calculista para o mundo, mas que esconde uma incrível insegurança em relação a esposa. Nikolaj Coster Waldau (de “Game of Thrones”) também está perfeito como o assustador inimigo do protagonista, tendo ainda a belíssima Synovve Macody Lund como terceiro elo da trama. 

O resultado é ótimo filme que mistura ação, policial e drama.     

domingo, 9 de junho de 2013

Bem-Vindos à Cidade Maligna

Bem-Vindos à Cidade Maligna (Welcome To Bloody City, EUA / Canadá, 1977) – Nota 5,5
Direção – Peter Sasdy
Elenco – Jack Palance, Keir Dullea, Samantha Eggar, Barry Morse, Hollis McLaren, Chris Wiggins.

Quatro homens e uma mulher acordam no meio do deserto, vestindo uma espécie de uniforme cinza sem saber como chegaram ao local ou nem mesmo lembrando o próprio nome. A única informação que conseguem é através um cartão no bolso de cada um que cita o nome da pessoa. Logo, o grupo é atacado por dois sujeitos que matam um dos homens e violentam a mulher (Hollis McLaren). Em seguida, surge Freedlander (Jack Palance), o xerife de uma cidade ao estilo velho oeste, que leva os sobreviventes como escravos. 

Na estranha cidade existem três grupos: Os pistoleiros que se vestem de preto com uma cruz vermelha no peito onde aparece uma numeração. Outros que usam camisa xadrez e são capangas da elite de pistoleiros e por final os escravos vestindo cinza, que para se tornarem cidadãos precisam matar um pistoleiro. Não demora para o espectador descobrir que o local é na verdade um experimento virtual, com cientistas monitorando e alterando os acontecimentos, sempre a procura de pessoas que se destaquem e possam se tornar líderes no mundo real. 

Do grupo de escravos quem se destaca é Lewis (Keir Dullea de “2001: Uma Odisseia no Espaço”), que passa a receber atenção especial da cientista Katherine (Samantha Eggar de “O Colecionador”), que se sente atraída pelo homem, mas que também sente prazer ao agir como uma espécie Deus, decidindo o destino de cada personagem. 

Esta obscura produção foi lançada apenas em VHS nos anos oitenta e era um daqueles filmes que ficavam escondidos nos cantos empoeirados das locadoras. Vi várias a fita na locadora e sempre deixei de lado, mas acabei encontrando agora na internet uma versão ripada de VHS sem legendas e resolvi conferir. 

A trama de início lembra uma mistura do ótimo “Cubo” com o estranho “Westworld – Onde Ninguém Tem Alma”, ficção com Yul Brynner, dois filmes que já comentei no blog, porém a sequência da história apresenta algumas ideias que veríamos vinte anos depois em “Matrix”, como o mundo virtual e o vilão interpretado por Jack Palance, que pode ser comparado ao Sr. Smith de Hugo Weaving, principalmente numa sequência próxima ao final quando ele parece se multiplicar para perseguir o personagem de Keir Dullea. 

É uma pena que a interessante premissa se perca no desenrolar da história em uma narrativa lenta, na fraca direção do húngaro Peter Sasdy, que teve praticamente toda a carreira em seriados de tv e na paupérrima produção.
   

sábado, 8 de junho de 2013

Na Velha Chicago

Na Velha Chicago (In Old Chicago, EUA, 1937) – Nota 7
Direção – Henry King
Elenco – Tyrone Power, Alice Faye, Don Ameche, Alice Brady, Andy Devine, Brian Donlevy, Tom Brown, Sidney Blackmer.

Em meados do século XIX, a família O’Leary sai de uma pequena cidade do meio-oeste americano para tentar a vida em Chicago, porém durante a viagem o patriarca sofre um acidente e morre. A mãe (Alice Brady) segue com os três filhos para a cidade grande e chegando lá ganha a vida lavando roupas. O filho mais jovem Bob (Tom Brown) é o menos ambicioso, enquanto os outros dois irmãos tem grandes objetivos: Dion (Tyrone Power) se apaixona pela jovem cantora Belle (Alice Faye) e juntos almejam abrir uma casa de espetáculos, enquanto Jack (Don Ameche) se torna advogado e no futuro pretende se candidatar a prefeito. Todos estes planos mudam quando um incêndio destrói grande parte da cidade de Chicago. 

O lendário produtor Darryl F. Zanuck gastou um milhão e oitocentos mil dólares (uma fortuna na época) para filmar este longa baseado na história real do incêndio que consumiu Chicago em 1871, utilizando ainda como base a versão mais  pitoresca do acontecimento. Esta versão diz que o incêndio começou no estábulo da família de origem irlandesa O’Leary, onde uma vaca teria derrubado uma lamparina que caiu sobre o feno e em seguida o clima seca e o ventos fortes espalharam rapidamente o fogo pela cidade. O filme tem um bom roteiro que mostra as alegrias e os dramas da família O’Leary, porém o auge é sem dúvida a sequência do incêndio. 

Como curiosidade, o ator Don Ameche teve boa carreira durante os anos trinta e quarenta, porém a partir daí seus trabalhos se resumiram a participações em filmes e seriados de tv. Apenas em 1983, já com quase 75 anos, Ameche teve nova chance no cinema, primeiro na ótima comédia “Trocando as Bolas” e na sequência em “Cocoon”, que trazia um elenco quase todo de veteranos. Este filme ressuscitou a carreira de vários atores e atrizes, como Hume Cronyn, Jessica Tandy e Maureen Stapleton, além do próprio Ameche que continuou trabalhando até sua morte em 1993.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Heróis de Barro & Sangue Sobre o Sol


Heróis de Barro (They Came to Cordura, EUA, 1959) – Nota 7
Direção – Robert Rossen
Elenco – Gary Cooper, Rita Hayworth, Van Heflin, Tab Hunter, Richard Conte, Dick York, Michael Callan.

Em 1916, durante a luta do exército americano contra os revolucionários de Pancho Villa na fronteira dos Estados Unidos com o México, o major Tom Thorn (Gary Cooper) ganha fama de covarde e como castigo é obrigado a acompanhar numa viagem até o forte de Cordura, cinco soldados que concorrem a uma medalha de honra por bravura.

A ideia dos oficiais é fazer com que Thorn aprenda o que é heroísmo na companhia do grupo. Segue junto com o grupo a americana Adelaide (Rita Hayworth) acusada de cooperar com os rebeldes mexicanos. A dura viagem pelo deserto faz com que cada um dos soldados mostre sua verdadeira, bem diferente do heroísmo apontado pelos oficiais, obrigando ao humilhado major Thorn tomar a frente do grupo e quem sabe recuperar sua honra. 

Este western com toques de drama utiliza uma premissa comum ao gênero, colocar à prova um personagem taxado de covarde que tem a chance de mostrar seu valor, tendo como destaque o ótimo elenco. O sempre competente Gary Cooper divide a tela com a bela Rita Hayworth, aqui bem longe do estilo mulher fatal, tendo ainda nomes como Van Heflin (“Os Brutos Também Amam” e “Galante e Sanguinário”) e jovens como Tab Hunter, Richard Conte e Dick York, este o futuro astro da série “A Feiticeira”. 

Como curiosidade, o diretor Robert Rossen comandou também o ótimo “Desafio à Corrupção” com Paul Newman, longa que teve uma espécie de sequência em “A Cor do Dinheiro” de Martin Scorsese, onde Newman interpretava o mesmo papel. 

Sangue Sobre o Sol (Blood on the Sun, EUA, 1945) – Nota 5,5
Direção – Frank Lloyd
Elenco – James Cagney, Sylvia Sidney, Porter Hall, John Emery, Robert Armstrong, Wallace Ford.

Nos anos trinta, o jornalista Nick Condon (James Cagney) trabalha no Japão em um jornal chamado Tokyo Chronicles. Após escrever um artigo criticando o Primeiro Ministro Tanaka (John Emery), ela passa a ser perseguido pela polícia secreta japonesa. Em paralelo, seu amigo jornalista Olli Miller (Wallace Ford) é assassinado e deixa papéis que comprovam o plano do governo japonês para destruir os Estados Unidos. Para recuperar o documento, Tanaka envia uma bela espiã (Sylvia Sidney) para seduzir Nick.

Produzido quando a Segunda Guerra estava acabando, este longa com uma trama absurda foi mais uma ação de Hollywood no chamado esforço de guerra, transformando os inimigos japoneses em cruéis assassinos, inclusive criando um ditador que é chamado de “Hitler Japonês” nas legendas dos créditos iniciais. 

O astro James Cagney é o herói sem armas, que enfrenta o corrupto governo japonês sem medo, inclusive em cenas de ação onde luta judô, sendo uma delas contra um oficial japonês pelos menos meio metro mais alto do que ele. 

O ponto positivo é a recriação de Tóquio em estúdio, que inclusive venceu o Oscar de Direção de Arte e que funciona com simplicidade, sendo realçado pela bela fotografia em preto e branco. 

Deve-se levar em conta a época em que foi produzido o longa para aceitar a trama exagerada, inclusive as atuações, várias delas com atores americanos interpretando japoneses debaixo de maquiagem e assim quem sabe se divertir com os absurdos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Momento Crítico

Momento Crítico (Executive Decision, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Stuart Baird
Elenco – Kurt Russell, Steven Seagal, Halle Berry, John Leguizamo, Oliver Platt, Joe Morton, David Suchet, J. T. Walsh, Whip Hubley, Andreas Katsulas, B. D. Wong, Len Cariou, Mary Ellen Traynor

Um avião com destino a Washington é sequestrado por terroristas islâmicos que exigem a libertação de seu líder (o inglês David Suchet) que está preso num local de segurança máxima. O governo americano convoca o especialista em terrorismo David Grant (Kurt Russell) para analisar a situação e este acredita que o verdadeiro objetivo do grupo é atacar a capital do país com uma bomba química. Sem querer negociar com os terroristas e com medo do ataque, o governo decide enviar um grupo de elite liderado pelo Coronel Austin Travis (Steven Seagal), que terá o próprio Grant como companheiro na missão. A estratégia de ataque é enviar um avião fora do radar e fazer com que ele acople no avião sequestrado em pleno voo,  para assim desembarcar os soldados. 

Este competente suspense agrada pela trama simples mas bem amarrada e principalmente pelas sequências de ação dentro do avião, além do elenco recheado de rostos conhecidos, inclusive uma ainda jovem Halle Berry como uma aeromoça que tem papel importante na história. 

Para quem não assistiu, não leia este parágrafo. Na época parte do público ficou irritado ao descobrir que o personagem de Steven Seagal morria com pouco mais de vinte minutos de filme, sendo que seu nome dividia o cartaz com Kurt Russell, como se ele fosse um dos protagonistas da trama. O fato não interfere na qualidade do filme, mas para alguns ficou a sensação de ser enganado. 

Finalizando, este foi o primeiro trabalho na direção do inglês Stuart Baird, que já era um veterano montador, tendo desempenhado esta função em grandes filmes como “Superman”, “O Feitiço de Áquila” e “Máquina Mortífera”. Como diretor, Baird faria ainda o bom “U.S. Marshals – Os Federais” e “Stark Trek – Nêmesis”. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Trocando as Bolas

Trocando as Bolas (Trading Places, EUA, 1983) – Nota 8
Direção – John Landis
Elenco – Dan Aykroyd, Eddie Murphy, Jamie Lee Curtis, Ralph Bellamy, Don Ameche, Denholm Elliott, James Belushi.

Dois velhos irmãos milionários (Don Ameche e Ralph Bellamy) discutem sobre qual seria o fator mais importante para o sucesso profissional. Para um deles seria a genética e para o outro o meio social em que o sujeito vive. O impasse leva a dupla a fazer uma aposta. Eles decidem fazer uma troca no comando de sua empresa de investimentos, a  “Duke & Duke”. Demitem o executivo mais promissor da empresa, Louis Winthorpe III (Dan Aykroyd), um jovem de classe alta considerado extremamente capacitado e no seu lugar colocam Billy Ray Valentine (Eddie Murphy), um vagabundo que vive de pequenos golpes na rua. A troca maluca a princípio transforma a vida de Louis num inferno, enquanto o malandro Billy Ray aproveita das mordomias de um executivo. 

Esta é uma da melhores comédias dos anos oitenta, com um roteiro inteligente e divertido, que na base da piada faz uma crítica ao capitalismo e aos preconceitos da elite. Os envolvidos no longa estavam na melhor fase da carreira. O diretor John Landis vinha de duas comédias de grande sucesso, “O Clube dos Cafajestes” e “Os Irmãos Cara de Pau” que tinha também Dan Aykroyd como protagonista ao lado do falecido John Belushi. A outra ponta tinha apenas Eddie Murphy em seu segundo filme. Murphy havia chamado atenção um ano antes no divertido “48 Horas”, dando início a uma série de ótimas comédias durante os anos oitenta. Vale destacar ainda Jamie Lee Curtis e o impagável Denholm Elliott como o mordomo. 

Como curiosidade, Murphy e Aykroyd surgiram nos anos setenta no programa “Saturday Night Live” (no ar até hoje) junto com um grupo que tinha nomes como Chevy Chase, John Belushi, Steve Martin, Gilda Radner, Bill Murray e Billy Crystal. Uma verdadeira seleção de comediantes que se tornaram astros de cinema.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Casa de Alice

A Casa de Alice (Brasil, 2007) – Nota 7
Direção – Chico Teixeira
Elenco – Carla Ribas, Berta Zemel, Zé Carlos Machado, Vinícius Zihn, Ricardo Vilaça, Felipe Massuia, Renata Zhaneta, Luciano Quirino, Mariana Leighton.

Alice (Carla Ribas) é uma manicure na casa dos quarenta anos que vive um casamento infeliz com o taxista infiel Lindomar (Zé Carlos Machado). O casal vive num apartamento com os três filhos e a velha mãe de Alice (Berta Zemel). O filho mais velho (Vinícius Zihn) é soldado e ao mesmo tempo trabalha como michê. O filho do meio (Ricardo Vilaça) rouba dinheiro da avó para comprar objetos, enquanto o caçula (Felipe Massuia) ainda está na fase das descobertas. Um esperança de mudança surge na vida de Alice quando ela reencontra um antigo amor (Luciano Quirino), um malandro mulherengo casado com uma cliente do salão de beleza.

O filme marca a estreia de Chico Teixeira na direção de um longa de ficção, com um roteiro escrito por ele próprio que foca um microcosmo familiar totalmente desestruturado, onde não existe carinho e nem mesmo diálogo, ao invés disso o que vemos são egoísmo, ressentimentos e frustrações.

O destaque é a interpretação da quase desconhecida Carla Ribas, que cria com perfeição uma mulher de meia idade frustrada e arrependida de suas escolhas, que tenta tomar um novo rumo de uma forma tão complicada quanto sua vida atual.

Sem ser brilhante, o filme é um interessante drama familiar.