quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O Abutre

O Abutre (Nightcrawler, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Dan Gilroy
Elenco – Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton, Riz Ahmed, Kevin Rahm, Ann Cusack.

Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um ladrão que sobrevive com pequenos roubos em Los Angeles e que procura uma chance para ganhar dinheiro. A oportunidade surge quando Louis passa por um acidente de automóvel em uma rodovia e vê dois sujeitos filmando a tragédia. No dia seguinte, ao ver a filmagem em um programa de tv, Louis decide “comprar” um rádio de polícia e uma câmera em uma loja de penhor, dando início a sua carreira de freelancer. 

Com olhar apurado para detalhes e sem escrúpulo algum para filmar pessoas feridas ou invadir cenas de crime, Louis consegue filmar um terrível acidente e vender as imagens para uma produtora de tv, a veterana Nina (Rene Russo, esposa do diretor Dan Gilroy), que vê na ousadia do rapaz a chance de alavancar a audiência. 

O papel da imprensa sensacionalista foi abordado diversas vezes pelo cinema, tendo “A Montanha dos Sete Abutres” com Kirk Douglas como um dos filmes principais, porém este “O Abutre” vai além na discussão, ao mostrar a total falta de limites deste tipo de “jornalista”. 

O roteiro de Dan Gilroy, que faz aqui sua estreia como diretor, não faz julgamentos morais ou éticos, ele prefere utilizar o protagonista como um comunicador da tragédia através das imagens, praticamente um psicopata ganancioso e egocêntrico, focado em resultados e dinheiro. 

A interpretação de Jake Gyllenhaal é perfeita, o sujeito diz ser um autodidata que aprendeu tudo na internet e que despeja suas ideias e objetivos de forma direta, seja na frente do assustado assistente (Riz Ahmed) ou da executiva durona (Rene Russo), sempre finalizando com um maquiavélico sorriso no rosto. 

Por mais que o personagem de Louis Bloom seja o vilão, ele somente se sobressai porque existem pessoas para “consumir” a tragédia, sejam os executivos de tv em busca de audiência e consequente lucro e o publico em geral que se torna cúmplice na exploração da infelicidade alheia. 

Vale destacar ainda a bela fotografia noturna de Los Angeles e a ótima sequência de perseguição na parte final.

5 comentários:

Gustavo H. Razera disse...

Realmente, Lou é doente da cabeça e mau caráter, mas ele só triunfa porque outros consomem o que ele vende. Thriller incisivo!

Hugo disse...

Gustavo - A indústria da tragédia é lucrativa, por isso devem existir muitos como Louis Bloom.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Filme incrível, a forma como ele vai mostrando a trajetória de Lou, os bastidores do jornalismo sensacionalista e a forma como isso "triunfa", é impressionante.

bjs

Hugo disse...

Amanda - O pior é que devem existir vários exemplos semelhantes na vida real.

Bjos

Pedrita disse...

todas as oportunidades que ele procura são fora da lei. o protagonista é um desequilibrado, mas o mais assustador é o mercado que consome o que ele produz, e os q não gostam do que está sendo realizado mas continuam participando como cúmplices. o ator está impressionante. beijos, pedrita