terça-feira, 3 de maio de 2016

O Novíssimo Testamento

O Novíssimo Testamento (Le Tout Noveau Testament, Bélgica / França / Luxemburgo, 2015) – Nota 7,5
Direção – Jaco Van Dormael
Elenco – Benoit Poelvoorde, Phil Groyne, Catherine Deneuve, François Damiens, Yolande Moreau.

Deus (Benoit Poelvoorde) vive em Bruxelas na Bélgica. Ao invés de misericordioso como acreditam os religiosos, ele é um sujeito cruel que trata mal a esposa (Yolande Moreau) e a filha pequena Ea (Phil Groyne), além de culpar seu filho Jesus Cristo pela sua própria morte. Deus passa os dias de roupão, ofendendo a família e manipulando a vida das pessoas através de mensagens enviadas por um velho computador. 

Inconformada com as atitudes do pai, Ea decide enviar uma mensagem via celular para todas as pessoas na Terra informando o dia em que cada um morrerá. Em seguida, ela mesma decide sair de casa e procurar seis novos apóstolos. Revoltado, Deus segue a filha sem saber as consequências que terá de enfrentar. 

O roteiro escrito pelo diretor Jaco Van Dormael (“Sr. Ninguém”) em parceria com Thomas Gunzig faz uma crítica ácida a fé cega e coloca em questionamento porque as pessoas aceitam uma vida de sofrimento acreditando que este é o seu destino. A partir do momento que a pessoa sabe que terá um determinado tempo de vida marcado, ela muda suas atitudes e a forma de olhar para o mundo. 

É interessante também a forma como Deus manipula as pessoas através de leis idiotas que ele cria apenas para se divertir. Sabe quando algo acontece e não acreditamos por ser um azar enorme? Este filme diz que é apenas uma pegadinha de Deus. 

Apesar da fantasia fazer parte da trama, algumas situações são estranhas demais, como o peixe falante e o gorila apaixonado. Esse flerte com o surreal fazer o filme perder alguns pontos. 

Vale destacar a sensível interpretação da garotinha Phil Groyne, que narra a história e que deseja escrever um novo testamento com a ajuda de um velho morador de rua, que por sinal fica sem saber quando irá morrer porque não tem celular. 

É um longa que vale ser visto pela extrema originalidade e pela coragem de brincar com um tema sagrado para muitas pessoas.   

3 comentários:

Marília Tasso disse...

Maravilhoso, originalíssimo! Adoro o humor de Benoît Poelvoorde <3

Liliane de Paula disse...

Não conheço diretor nem os atores, o que não é novidade(risos).
Mas, achei a história estranha e gostei da imagem de um deus cruel.
Porque além de não acreditar nessa figura, acho que as pessoas, que acreditam, não veem como "ele" é cruel.

E vc deu uma boa nota, achei.

Hugo disse...

Marília - A originalidade é o ponto principal.

Liliane - O foco do roteiro é mostrar que Deus por não ser tão bonzinho como muitas pessoas acreditam.