segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Tempo

 


Tempo (Old, EUA, 2021) – Nota 7
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – Gael Garcia Bernal, Vicky Krieps, Rufus Sewell, Alex Wolff, Thomasin McKenzie, Abbey Lee, Nikki Amuka Bird, Ken Leung, Eliza Scanlen, Aaron Pierre, Embeth Davidtz, Emun Elliott, Gustaf Hammarsten, M, Night Shyamalan.

Algumas pessoas de férias em um resort ganham como brinde um passeio até uma praia isolada. O que a princípio parece ser um passeio fantástico, se transforma em pesadelo quando elas começam a passar mal e não conseguem encontrar uma saída da praia. 

Mesmo sendo baseado em uma graphic novel, o diretor M. Night Shyamalan consegue imprimir sua originalidade habitual na condução da trama e no desespero que toma conta dos personagens. Não é tão difícil descobrir o mistério, algumas pistas surgem durante a narrativa, mas isso não atrapalha o interesse pela história. 

A premissa da importância do tempo em nossas vidas e na crítica sobre como perdemos tempo com coisas bobas e pequenos conflitos é bem explorada pelo roteiro. 

Está longe de ser um grande filme, inclusive com um final um pouco apressado, mas mesmo assim vale a sessão para quem gosta de histórias diferentes e do estilo original do diretor M. Night Shyamalan.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Best Sellers

 


Best Sellers (Best Sellers, Canadá / EUA, 2021) – Nota 7
Direção – Lina Roessler
Elenco – Michael Caine, Aubrey Plaza, Scott Speedman, Ellen Wong, Cary Elwes, Veronica Ferres.

Lucy Stanbridge (Aubrey Plaza) é a herdeira de uma editora que está à beira da falência. Tentando manter o legado de seu pai, ela busca um novo livro de sucesso, chegando até o veterano escritor Harris Shaw (Michael Caine). 

O sujeito escreveu apenas um livro há quase cinquenta anos e desapareceu, mesmo tendo contrato para entregar uma segunda obra. Ao encontrar Harris, Lucy descobre um sujeito extremamente complicado. 

O roteiro deste drama com toques de comédia não tem surpresas ao seguir uma história semelhante a várias outras obras gênero. O filme tem algumas sequências engraçadas, outras dramáticas e até espaço para o absurdo, como as leituras do livro do protagonista ao público. 

O que aumenta o interesse é a interpretação de Michael Caine do alto dos seus oitenta e oito anos de idade. Seu personagem carrega traumas, frustrações e lembranças que o tornam ranzinza, mas também real. Ainda sobram críticas rasas ao sucesso na internet e a viralização de vídeos idiotas.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Elena

 


Elena (Elena, Rússia, 2011) – Nota 6,5
Direção – Andrey Zvyagintsev
Elenco – Nadezhda Markina, Andrey Smirnov, Aleksey Rozin, Elena Lyadova, Evgeniya Konushkina, Igor Ogurtsov.

Elena (Nadezhda Markina) e Vladimir (Andrey Smirnov) estão casados e tem filhos de relacionamentos anteriores. Ela vem de uma família simples, sempre ajudando o filho desempregado que não consegue sustentar esposa e dois filhos. Ele é rico e tem uma filha descompromissada, que apenas aproveita a vida com o dinheiro do pai. Uma determinada situação leva Elena a tomar uma atitude drástica. 

Diretor de filmes pesados sobre o comportamento humano como “O Retorno”, “Leviatã” e “Sem Amor”, Andrey Zvyagintsev entregou aqui uma obra complexa em que cada espectador deve buscar seu próprio entendimento da proposta. 

A narrativa é mais lenta do que seus outros trabalhos, com várias sequências de silêncio e poucos diálogos. A primeira hora é bastante arrastada, até que ocorre um fato que dá início as revelações da verdadeira face de cada personagem. 

O roteiro toca em temas como ganância, mesquinhez, acomodação e até pitadas de corrupção, lembrando um pouco o recente “Parasita”, porém com menos intensidade e qualidade. 

É uma obra incomum, que vale como exercício cinematográfico para o espectador que tiver paciência com a lentidão da narrativa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

 


Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime (Hitman's Wife's Bodyguard, EUA / Inglaterra, 2021) – Nota 6
Direção – Patrick Hughes
Elenco – Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Salma Hayer, Antonio Banderas, Stewart Alexander, Michael Gor.

Após perder sua licença de guarda-costas, Michael Bryce (Ryan Reynolds) é procurado por Sonia (Salma Hayek), que deseja ajuda para resgatar seu marido Darius Kincaid (Samuel L. Jackson), um assassino profissional que foi sequestrado. Mesmo sendo inimigo de Darius, Bryce é praticamente obrigado a seguir Sonia, se envolvendo numa explosiva conspiração. 

Esta sequência do filme de 2017 segue a mesma fórmula de diálogos engraçadinhos e cenas de ação explosivas e exageradas, além de inserir um vilão caricato (Antonio Banderas) e a temperamental esposa do assassino vivida por um desbocada Salma Hayek. 

A trama é ainda mais maluca do que o original, existindo apenas como desculpa para correria dos protagonistas em meio a ação quase ininterrupta. É um filme para o espectador deixar de lado os absurdos e tentar se divertir com a agitação.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Espíritos Obscuros & Livros de Sangue

 


Espíritos Obscuros (Antlers, EUA / México, 2021) – Nota 6,5
Direção – Scott Cooper
Elenco – Keri Russell, Jesse Plemons, Jeremy T. Thomas, Graham Greene, Scott Haze, Rory Cochrane, Amy Madigan, Sawyer Jones.

Em uma pequena cidade do Oregon, a professora Julia (Keri Russell) está recomeçando a vida morando com o irmão Paul (Jesse Plemons), que é o xerife do local. Ao observar um solitário garoto de sua classe (Jeremy T. Thomas) que é perseguido por alguns colegas, Julia tenta se aproximar sem se saber que o menino esconde um terrível segredo. 

Esta mistura de terror e suspense produzida por Guillermo Del Toro é bem desenvolvida durante os dois primeiros terços da história, com uma narrativa intrigante e um clima assustador. No terço final o roteiro se rende aos clichês do gênero entregando o clássico clímax do bem contra o mal e um final que deixa uma ponta em aberto. 

Vale destacar também as locações na região nublada e as sequência violentas.

Livros de Sangue (Books of Blood, EUA, 2020) – Nota 6,5
Direção – Brannon Braga
Elenco – Britt Robertson, Rafi Gavron, Anna Friel, Freda Foh Shen, Nicholas Campbell, Yul Vazquez, Andy McQueen, Paige Turco, Glenn Lefchak, Saad Siddiqui, Kenji Fitzgerald, Brett Rickaby.

Três histórias sinistras e a princípio individuais estão na verdade ligadas pelo sobrenatural. Uma jovem traumatizada (Britt Robertson), uma professora cética (Anna Friel) e uma dupla de ladrões (Yul Vazquez e Andy McQueen) tem suas vidas colocadas à prova. 

Baseado em obra do especialista em histórias de terror Clive Barker, este longa amarra de forma competente e também violenta as três sinistras histórias indicadas para os fãs do gênero, com direito até mesmo a uma pequena surpresa na parte final. 

A narrativa tem uma certa irregularidade e nem todos os personagens são interessantes, mas isso não chega a atrapalhar. O filme acaba ficando acima na comparação com a maioria das obras atuais do gênero.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

The Same Sky

 


The Same Sky (The Same Sky, Alemanha, 2017) – Nota 6
Direção – Oliver Hirschbiegel
Elenco – Tom Schilling, Sofia Helin, Friederike Becht, Ben Becker, Jorg Schuttauf, Hannes Wagener, Stephanie Amarell, Godehard Giese, Anja Kling, Daniel Zillman, Steven Brand, Claudia Michelsen.

Em 1974 durante a Copa do Mundo na Alemanha Ocidental, a polícia secreta da Alemanha Oriental denominada Stasi envia o jovem agente Lars (Tom Schilling) para uma missão. Ele deve se aproximar de Lauren Faber (Sofia Helin), uma divorciada de meia-idade que trabalha para o serviço secreto inglês. 

Em paralelo, o roteiro explora outras três histórias. Em Berlim Oriental, a irmã mais nova de Lars é uma atleta da natação que enfrenta a pressão da mãe e do treinador. Na mesma cidade, um grupo está construindo um túnel para tentar fugir para o lado ocidental. Por fim, um oficial americano e sua filha trabalham para o serviço de inteligência do governo investigando ações políticas. 

Esta minissérie em seis episódios explora as consequências da construção do Muro do Berlim e a divisão que foi criada no povo alemão. O roteiro é bastante interessante nos primeiros três episódios, intercalando as tramas através das questões políticas e pessoais. 

Vemos pessoas comuns espionando vizinhos na Alemanha Oriental, a frustração de outros que precisam esconder seu descontentamento com o terrível socialismo, o agente que aos poucos percebe que a vida no ocidente pode ser mais interessante e até mesmo a questão de doping de atletas que veio à tona quando a Alemanha Oriental desmoronou. 

O grande problema é que nos últimos episódios nada se resolve. Não existe um clímax ou um fechamento, as histórias ficam no limbo. Não sei se a ideia era fazer uma segunda temporada ou se foi uma escolha deixar tudo em aberto.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Eu Me Importo

 


Eu Me Importo (I Care a Lot, EUA / Inglaterra, 2020) – Nota 6
Direção – J Blakeson
Elenco – Rosamund Pike, Peter Dinklage, Dianne Wiest, Eiza Gonzalez, Chris Messina, Isiah Whitlock Jr., Macon Blair, Alicia Witt, Damian Young, Nicholas Logan.

Marla Grayson (Rosamund Pike) trabalha como tutora de idosos que não tem familiares. O aparente trabalho social na verdade é uma forma de Marla se apropriar dos bens dos clientes. 

Seu esquema desonesto funciona até ela conseguir a interdição de uma senhora rica (Dianne Wiest) e interná-la em uma casa de repouso, sem imaginar que a ação trará sérias consequências. 

A premissa do inusitado tipo de golpe é criativa, o grande problema que vejo é a escolha do diretor em misturar a trama policial com comédia, o que deixa a narrativa estranha, beirando o humor negro em alguns momentos. 

Outra coisa que atrapalha é que fica impossível ter alguma empatia pela protagonista, mesmo quando sua ações se voltam contra ela. 

Talvez a ideia do diretor e roteirista J Blakeson tenha sido fazer uma crítica contra a ganância e os falsos defensores dos necessitados, mas tudo isso acabou funcionando somente em parte.