quarta-feira, 7 de julho de 2021

O Cântico dos Nomes

 


O Cântico dos Nomes (The Song of Names, Canadá / Hungria / Inglaterra / Alemanha, 2019) – Nota 6,5
Direção – François Girard
Elenco – Tim Roth, Clive Owen, Catherine McCormack, Stanley Townsend, Amy Sloan, Gerran Howell, Jonah Hauer King, Saul Rubinek.

Londres, 1951. Com um teatro lotado e uma orquestra a disposição, o músico principal não aparece para se apresentar. A partir daí, a narrativa se divide entre 1938 e 1986, tendo como protagonista Martin Simmonds (Tim Roth), que deseja reencontrar o músico que desapareceu no fatídico dia do concerto cancelado. Os flashbacks de 1938 mostram Martin e o jovem músico se tornando amigos, crescendo juntos e sendo criados pelos pais de Martin. 

Este drama que mistura guerra, música, religião e relações familiares é um pouco irregular, principalmente na hora final quando a questão religiosa se torna o ponto principal, começando por uma coincidência um pouco forçada. 

O foco segue neste final para as tradições judaicas, com destaque para o “cântico dos nomes” que tem uma origem extremamente dolorosa. 

É um filme diferente e pouco mais do que mediano.

terça-feira, 6 de julho de 2021

A Cura & Radio Flyer

 


A Cura (The Cure, EUA, 1995) – Nota 7,5
Direção – Peter Horton
Elenco – Joseph Mazzello, Brad Renfro, Annabella Sciorra, Diana Scarwid, Bruce Davison.

Erik (Brad Renfro) é um adolescente solitário que faz a amizade com o novo vizinho, o garoto Dexter (Joseph Mazzello). O ponto incomum é que Dexter tem o vírus HIV por conta de uma transfusão de sangue. Também solitário, mas tendo um ótimo relacionamento com a mãe (Annabella Sciorra), Dexter se torna amigo de Erik, que por seu lado coloca o objetivo de ajudar a encontrar a cura para a doença. 

A curiosidade deste longa é a sensível direção de Peter Horton, ator com um carreira sólida na tv que teve aqui seu único trabalho como diretor em um filme para o cinema. Seus demais trabalhos atrás das câmeras foram em episódios de seriados. Horton demonstra um enorme sensibilidade para contar uma história de amizade e esperança de forma sóbria, com emoções nos momentos certos. 

Destaque para as atuações dos garotos Joseph Mazzello e Brad Renfro, atores que infelizmente não conseguirem se firmar na carreira por motivos diferentes. Mazzello viveu alguns papéis interessantes como em “Jurassic Park” e na minissérie “The Pacific”, mas está longe de ser um astro. Brad Renfro teve um carreira melhor e com mais potencial, porém faleceu de overdose aos vinte e cinco anos.

Radio Flyer (Radio Flyer, EUA, 1992) – Nota 7
Direção – Richard Donner
Elenco – Elijah Wood, Joseph Mazzello, Lorraine Bracco, Tom Hanks, Adam Baldwin, John Heard, Ben Johnson.

Ao ver seus filhos brincando, Mike (Tom Hanks) decide contar a história de sua vida quando criança. Sua mãe (Lorraine Bracco) ao ser abandonada pelo marido mudou para o subúrbio com os filhos pequenos Mike (Elijah Wood) e Bobby (Joseph Mazzello), pouco tempo depois se casando com o truculento King (Adam Baldwin). 

Para escapar da tristeza do mundo real, Mike e Bobby criam brincadeiras e vivem aventuras no bairro, enquanto a mãe não percebe o mal que King faz para os garotos. 

Este doloroso drama sobre abuso e amizade foca em uma situação que infelizmente é comum até hoje, o problema de padrastos e madrastas que odeiam os enteados, enquanto o parceiro fecha os olhos para a situação. 

O diretor Richard Donner tenta amenizar o tema através de uma narrativa que lembra uma fábula em algumas sequências, dando ênfase também aos momentos de alegria entre os irmãos. 

É um filme ao mesmo triste e esperançoso, com destaque para as atuações do então garotos Elijah Wood e Joseph Mazzello.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Viagem Sem Volta

 


Viagem Sem Volta (Night Train, EUA / Alemanha / Romênia) – Nota 6
Direção – Brian King
Elenco – Danny Glover, Leelee Sobieski, Steve Zahn, Matthias Schweighofer, Takatsuna Mukai, Togo Igawa.

Um estranho entra em um trem noturno que está quase vazio. Ele passa mal e morre em seguida. Uma jovem (Leelee Sobieski), um vendedor (Steve Zahn) e o fiscal do trem (Danny Glover) encontram uma estranha caixa com o sujeito, que parece ter algo extremamente valioso dentro. A ganância faz com que eles tentem esconder a morte do homem, sem saber que estão mexendo com algo totalmente fora do normal. 

Este curioso suspense explora o clichê dos personagens que ficam cegos pela ganância, com um elemento quase sobrenatural que muda o destino de cada um deles. O roteiro cria reviravoltas, alianças e traições, até a inevitável tragédia final, com direito a habitual cena derradeira recheada de cinismo. 

É um filme que prende a atenção, mas que será esquecido rapidamente.

domingo, 4 de julho de 2021

Era uma Vez um Sonho

 


Era uma Vez um Sonho (Hillbilly Elegy, EUA, 2020) – Nota 7,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Amy Adams, Glenn Close, Gabriel Basso, Haley Bennett, Freida Pinto, Owen Asztalos, Bo Hopkins.

Ohio, 1997. J.D. Vance (Owen Asztalos) é um adolescente que sofre com os problemas de sua família disfuncional, principalmente as explosões de ódio de sua mãe Bev (Amy Adams). Sua avó (Glenn Close) tenta contornar a situação, assim com a irmã mais velha de J.D. (Haley Bennett). 

Uma segunda narrativa pular para 2011, quando J.D. adulto (Gabriel Basso) luta para conseguir um estágio para pagar sua faculdade, mas precisa voltar para Ohio após sua mãe ser internada por causa de uma overdose. 

Baseado em um best seller autobiográfico escrito pelo verdadeiro J.D. Vance, este longa detalha uma história de dificuldades financeiras e principalmente frustrações que são detalhadas aos poucos. É um filme realista que mostra como a base familiar é o principal pilar para uma pessoa enfrentar seus problemas na idade adulta de forma racional. 

Destaque para as atuações de Amy Adams e Glenn Close e para a direção de Ron Howard, que mesmo as vezes sendo criticado por não apostar em soluções criativas, sempre entrega obras competentes e bem filmadas.

sábado, 3 de julho de 2021

Driveways

 


Driveways (Driveways, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Andrew Ahn
Elenco – Brian Dennehy, Lucas Jaye, Hong Chau, Jerry Adler, Christine Ebersole.

Kathy (Hong Chau) e seu filho pré-adolescente Cody (Lucas Jaye) viajam de carro até uma pequena cidade onde vivia a irmã dela que acabou de falecer. Ao chegar no local, Kathy se assusta com uma determinada situação, ao mesmo tempo em que o tímido Cody faz amizade com um vizinho, o militar aposentado Del (Brian Dennehy). 

Este filme de baixo orçamento desenvolve uma história simples de amizade entre pessoas bem diferentes entre si, mas quem tem em comum as dores causadas pelos percalços da vida. 

Não espere situações fortes ou reviravoltas, o foco é mostrar pessoas comuns que encontram amizade e solidariedade de onde menos esperam, mesmo que por um curto período de tempo. 

Este é um dos últimos trabalhos do veteraníssimo ator Brian Dennehy, que faleceu em 2020. Destaque também para a pequena participação de Jerry Adler, ator que tinha então noventa anos e que é conhecido por papéis de coadjuvantes em série de sucesso como “The Sopranos” e “Mad About You”.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Paraíso & Uma Estranha Viagem

 


Paraíso (Heaven, Inglaterra / França / Itália / Alemanha / EUA, 2002) – Nota 5,5
Direção – Tom Tykwer
Elenco – Cate Blanchett, Giovanni Ribisi, Remo Girone, Stefania Rocca, Mattia Sbragia.

Turim, Itália. Uma mulher (Cate Blanchett) segue todo um roteiro até entrar em um belo edifício e deixar uma maleta com uma bomba em uma sala. A explosão resulta em tragédia e a ela acaba presa. Enquanto é interrogada e aos poucos conta sua versão do fato, o policial que registra o depoimento (Giovani Ribisi) se sente atraído pela mulher, pensando no que fazer para ajudá-la. 

O diretor alemão Tom Tykwer, do ótimo “Corra Lola, Corra” e de “A Viagem” filmou aqui um roteiro do falecido diretor polonês Krzysztof Kieslowski, conhecido pela “Trilogia das Cores” e a série “Decálogo”. 

A intrigante sequência inicial se perde à partir do momento que começa o interrogatório, indo ladeira abaixo quando o casal foge iniciando uma estranha saga em busca de algo que nem eles mesmos sabem o que seria. 

Muitos filmes fazem o espectador pensar, analisando as entrelinhas, mas outros como este se mostram irritantes em vários momentos. São protagonistas perturbados que não cativam o espectador ou despertam qualquer interesse. Eu esperava um filme bem melhor.

Uma Estranha Viagem (Un Étrange Voyage, França, 1981) – Nota 6
Direção – Alain Cavalier
Elenco – Jean Rochefort, Camille de Casabianca.

Pierre (Jean Rochefort) é um pintor que fica perdido quando sua mãe desaparece durante uma viagem de trem entre Troyes e Paris. Sem pistas, a polícia desiste do caso, o que faz com que Pierre tome uma decisão incomum. Junto com a filha Amelie (Camille de Casabianca), ele resolve percorrer a pé o percurso do trem, seguindo os trilhos em busca de sua mãe ou de alguma informação. 

A premissa deste drama francês sobre desaparecimento é intrigante, assim como a construção do personagem principal é sóbria, sem desesperos ou loucuras, mesmo tomando uma decisão inusitada. O problema é que a narrativa é bastante irregular, com tempos mortos e situações que não levam a lugar algum. 

O relacionamento entre pai e filha também não empolga, mesmo com a boa atuação do falecido Jean Rochefort. Vale citar que a atriz Camille de Casabianca é filha do diretor e roteirista Alain Cavalier.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Enquanto a Guerra Durar

 


Enquanto a Guerra Durar (Mientras Dure la Guerra, Espanha / Argentina, 2019) – Nota 6
Direção – Alejandro Amenabar
Elenco – Karra Elejalde, Eduard Fernandez, Santi Prego, Nathalie Poza, Luis Bermejo, Tito Valverde, Inma Cuevas, Patricia Lopez Arnaiz, Luis Zahera.

Salamanca, Espanha, 1936. Liderados por um grupo de oficiais, parte do exército do espanhol inicia uma revolução contra o governo de esquerda, que flerta com o comunismo. 

Neste contexto, o escritor Miguel de Unamuno (Karra Elejalde) é reconduzido ao cargo de reitor na universidade local e acredita que a revolução possa ser o passo certo para a pacificação da Espanha. Quando seus amigos socialistas são presos, o escritor percebe que a mudança levará o país a uma nova ditadura. 

O famoso diretor Alejandro Amenabar se baseou na história real do final da vida do escritor Miguel de Unamuno para contar sua versão do início da Revolução Espanhola. 

Se por um lado a ditadura de Franco foi péssima e durou quase quarenta anos, por outro lado o diretor deixa de mostrar como o outro lado dos socialistas também era terrível, ou seja, o país não tinha como escapar de um governo ditatorial. 

O filme é bem cuidado, assim como a reconstituição de época e as interpretações, mas no fundo se mostra uma obra ideológica.