sábado, 31 de dezembro de 2011

Dia 17 - Brasileirão

Cidade de Deus (Brasil, 2002) – Nota 10
Direção – Fernando Meirelles
Elenco – Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora, Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Phellippe Haagensen, Johnathan Haagensen, Douglas Silva, Graziela Moretto, Alice Braga, Gero Camilo.

O cinema brasileiro passou por fases complicadas com poucos filmes de qualidade como nos anos noventa ou durante os anos setenta em que as chamadas pornochanchadas dominavam o mercado, por este motivo são relativamente poucos os grandes filmes brasileiros. Posso citar como exemplo de qualidade filmes como “O Assalto ao Trem Pagador”, “Central do Brasil’ e os dois “Tropa de Elite”, porém vejo “Cidade de Deus” com o grande marco do nosso cinema. 

O longa é baseado num livro de Paulo Lins que mostra o crescimento da favela Cidade de Deus no Rio de Janeiro durante o período de 1960 a 1980 e diversos personagens (alguns reais) ligados ao crime. A história começa no início dos anos sessenta mostrando alguns bandidos que eram vistos como heróis por parte dos moradores, principalmente as crianças que ao crescer se tornariam líderes do tráfico no local. 

O ponto alto da história se passa nos anos setenta, quando a favela já cresceu muito e o tráfico é dominado pelo violento Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora) em parceria com Bené (Phellippe Haagensen). Zé Pequeno tem como inimigo Sandro Cenoura (Matheus Nachtergaele), porém Bené tenta manter a paz entre eles. A siuação explode quando Bené é assassinado e entra em cena Mané Galinha (Seu Jorge) que fora humilhado por Zé Pequeno e decide se vingar, tornando a favela um verdadeiro campo de guerra. No meio desta guerra vive Buscapé (Alexandre Rodrigues), que descobre a fotografia e percebe que este trabalho pode levá-lo a uma vida melhor, longe da violência. 

Os personagens são riquíssimos e muito bem explorados pelo ótimo roteiro de Bráulio Mantovani, apoiados numa sensacional montagem de Daniel Rezende e na fotografia de César Charlone, todos indicados merecidamente ao Oscar, além da direção de Meirelles. 

O filme abriu as portas de Hollywood ao diretor Fernando Meirelles, que em seguida faria dois ótimos filmes, os dramas “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre a Cegueira”.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dia 16 - Melhor Durão Que No Fundo É Coração Mole

Menina de Ouro (Million Dollar Baby, EUA, 2004) – Nota 9,5 Direção: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Hilary Swank, Morgan Freeman, Jay Baruchel, Mike Colter, Lucia Rijker, Brian F. O'Byrne, Anthony Mackie, Margo Martindale, Riki Lindhome, Michael Peña, Benito Martinez, Ned Eisenberg.

Clint Eastwood passou praticamente toda sua carreira de ator interpretando personagens durões, algumas vezes que matam bandidos sem piedade, mas sempre com a preocupação de justiça, nem que ela seja a da oeste americano ou a justiça pelas próprias mãos de Dirty Harry.

Seu melhor personagem que além de durão mostra ter um coração mole é sem dúvida o treinador de boxe Frankie Dunn que ele interpreta em "Menina de Ouro". Sua atuação ao lado de Morgan Freeman e de uma sensacional Hilary Swank são inesquecíveis.

Quem quiser ler um texto mais elaborado sobre o filme, visite minha postagem no link Menina de Ouro.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dia 15 - Melhor Horizonte (Fotografia Inesquecível)

Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, EUA, 1998) – Nota 8
Direção – Terrence Malick
Elenco – Sean Penn, Nick Nolte, Jim Caviezel, Ben Chaplin, Elias Koteas, Adrien Brody, Woody Harrelson, Jared Leto, John Cusack, John Travolta, George Clooney, Kirk Acevedo, Nick Stahl, John C. Reilly, Don Harvey, John Savage, Miranda Otto, Thomas Jane, Mark Boone Junior, Arie Verveen.

Este peculiar drama de guerra dirigido por Terrence Malick foi o merecido vencedor do Oscar de Fotografia, uma obra-prima de John Toll. 

A história se passa durante a 2º Guerra Mundial na Ilha de Guadalcanal no Pacífico, quando a Companhia C do exército tem a missão de tomar o local que está nas mãos dos japoneses. O roteiro segue vários personagens, principalmente o soldado Witt (Jim Caviezel) que tentou desertar, o sargento Welsh (Sean Penn) que capturou Witt, o general Tall (Nick Nolte) que pensa apenas em derrotar os japoneses, não se preocupando com seus próprios soldados, o que causa um conflito com o capitão Staros (Elias Koteas). 

A duração de quase três horas dá a oportunidade para a câmera de Malick captar as mais belas imagens possíveis da ilha, seja no campo de batalha ou da natureza. Uma das mais belas tomadas mostra um enorme campo repleto de capim ao vento, onde o espectador parece sentir o vento gelado saindo da tela. 

Não é um filme para todos os gostos, a lentidão da narrativa, os diálogos entre os soldados e as diversas cenas contemplativas são belíssimas, mas é preciso ter paciência para curtir. O filme chegou a ter cinco horas após o primeiro corte e na corte final vários atores como Gary Oldman, Jason Patric, Martin Sheen, Mickey Rourke e Billy Bob Thornton tiveram seus papéis excluídos. 

A curiosidade é que Malick estava há vinte anos sem filmar, o que criou um grande expectativa na crítica e no público.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dia 14 - Batendo Papo (Melhor Diálogo)

John Travolta e Samuel L. Jackson
"Royale with Chase"

O roteiro de Pulp Fiction é repleto de deliciosos diálogos criados por Quentin Tarantino e Roger Avary sobre os mais diferentes assuntos misturados a cultura pop.

Eu poderia citar vários diálogos deste filme, como a conversa de Travolta e Uma Thurman na lanchonete estilo anos cinquenta. a sequência inicial onde Tim Roth e Amanda Plummer trocam palavras meladas antes de praticar um violento assalto, além de praticamente todos os diálogos entre John Travolta e Samuel L. Jackson. Seja Jackson recitando a bíblia antes de matar algum sujeito, a discussão dentro do carro que acaba com a morte de um pobre coitado no banco traseiro ou ainda a história sobre Antwan, o samoano conhecido como Tony Rocky Horror.

Apesar destas ótimas cenas, o diálogo sobre a vida do personagem de Travolta na França e as diferenças culturais com os Estados Unidos, principalmente os lanches de McDonalds, é impagável. Por isso escolho a conversa sobre o Royale with Cheese.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Dia 13 - Maior Roubada Cinematográfica

A Reconquista (Battlefield Earth: A Saga of ther Year 3000, EUA, 2000) – Nota 2
Direção – Roger Christian
Elenco – John Travolta, Barry Pepper, Forest Whitaker, Kim Coates, Richard Tyson, Sabine Karsenti, Kelly Preston.

Muitas astros já se envolveram em projetos furados que naufragaram nas bilheterias e foram massacrados pelos críticos. Destes filmes, o que mais me chamou atenção pela falta de qualidade foi "A Reconquista", uma completa bomba estrelada por John Travolta.

Por ser baseado no livro de L. Ron Hubbard, o criador da Cientologia, religião a qual John Travolta é adepto (assim como outros famosos como Tom Cruise), o astro resolveu bancar a adaptação da história para o cinema. 

A trama se passa no ano 3000 quando a Terra é dominada po alienígenas gigantes liderados por Terl (o próprio Travolta) e os humanos vivem como escravos, até que Johnny (Barry Pepper) se torna uma espécie de salvador e comanda os humanos em uma revolta para derrubar os invasores. 

Rídicula ficção que erra em praticamente tudo, desde o elenco que parece perdido, inclusive o ótimo ator Forest Whitaker e principalmente Barry Pepper como o herói, passando pela história sem pé nem cabeça, pelas cenas filmadas com truques de câmera para mostrar os alienígenas como superiores em tamanho aos humanos e por fim o visual dos invasores, que usam dreadlocks como cantores de reagge. 

O resultado é muito dinheiro jogado na lata do lixo e um desperdício de tempo para quem teve coragem de assistir.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dia 12 - Melhor Ano da História do Cinema

Escolher o melhor ano da história do cinema é outro tópico muito complicado. Primeiro pensei em grandes clássicos e separei pelo ano de produção. No final listei um grande quantidade de filmes que foram produzidos nos mais diversos anos.

Decidi escolher um ano em que a quantidade de bons e ótimos filmes fosse grande, mesmo que não tenham tantos clássicos inesquecíveis. Depois desta análise, cheguei a conclusão de que o melhor ano (opinião pessoal) foi 1995.

Listei 25 bons filmes no ano.

Seven - Brad Pitt e Morgan Freeman caçando Kevin Spacey

Cassino - Robert DeNiro, Sharon Stone, Joe Pesci e Martin Scorsese no mundo dos gângsters

Os Suspeitos - Grande elenco, roteiro sensacional e Keyser Soze

Coração Valente - Mel Gibson contra os tiranos ingleses

O Ódio - O preconceito e a violência contra os imigrantes na França

Os Doze Macacos - Bruce Willis, Terry Gilliam e um amalucado Brad Pitt

Antes do Amanhecer - Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater numa poética história de amor

As Pontes de Madison - O amor impossível entre Clint Eastwood e Meryl Streep

Fogo Contra Fogo - DeNiro, Pacino, Val Kilmer e Jon Voight sobre a batuta de Michael Mann

Razão e Sensibilidade - Emma Thompson e Kate Winslet lutando pelos seus desejos na Inglaterra Vitoriana

Cidadão X - Stephen Rea, Donald Sutherland e Max Von Sydow caçando um assassino em série na antiga União Soviética

Kids - Larry Clark mostrando ao mundo uma juventude sem limites no sexo e nas drogas

Despedida em Las Vegas - Nicolas Cage e Elisabeth Shue no fundo do poço

Dead Man - Johnny Depp e Jim Jarmusch num filme sobre a discriminação contra os índios

Duro de Matar - A Vingança - O melhor roteiro e vilão (Jeremy Irons) da série de filmes com John McClaine (Bruce Willis)

Eclipse Total - Kathy Bates e Jennifer Jason Leigh escondendo um terrível segredo

Carlota Joaquina - Carla Camurati desmistificando a família real portuguesa

Mr. Holland - Adorável Professor - Grande lição com Richard Dreyfuss

Nixon - Polêmica biografia de Oliver Stone com grande interpretação de Anthony Hopkins

O Quatrilho - Troca de casais ao estilo antigo

O Outro Lado da Nobreza - Divertida comédia sobre os costumes da aristocracia inglesa

Os Bad Boys - Will Smith e Martin Lawrence detonando Los Angeles

Os Últimos Passos de um Homem - Susan Sarandon tentando salvar a alma de Sean Penn

Rápida e Mortal - O velho oeste aos olhos de Sam Raimi, com Sharon Stone, Leonardo DiCaprio, Russell Crowe e Gene Hackman

Toy Story - Viva os brinquedos

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dia 11 - Melhor Drama

A Lista de Schindler (Schindler’s List, EUA, 1993) – Nota 10
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Liam Neeson, Ben Kingsley, Ralph Fiennes, Caroline Goodall, Jonathan Sagall, Embeth Davidtz.

Poderia citar diversos filmes como melhor drama. Lembrei de “Cidadão Kane”, “Asas do Desejo”, “A Felicidade Não se Compra” e “O Pianista”, entre outros, porém ficarei com “A Lista de Schindler”. 

O longa conta a história do empresário alemão Oskar Schindler (Liam Neeson) que em 1939 após a Alemanha invadir a Polônia, compra uma fábrica falida na Cracóvia e contrata trabalhadores judeus para fornecer produtos aos nazistas. A princípio sua idéia é lucrar pagando quase nada de salário aos judeus, porém ao contratar o judeu Itzhak Stern (Ben Kingsley) para gerenciar o local, percebe que precisará ajudar os trabalhadores para evitar que sejam assassinados pelos nazistas. 

Tendo boa relação com os nazistas, Schindler e Stern conseguem subornar vários oficiais e ainda manter um certa relação com o sanguinário Amon Goeth (Ralph Fiennes), sujeito desequilibrado responsável por manter a ordem na cidade. 

O filme concorreu a doze prêmios Oscar e venceu sete, de Melhor Filme, Diretor, Trilha Sonora com John Williams, parceiro habitual de Speilberg, Direção de Arte, Edição, Fotografia com o polonês Janusz Kaminski e Roteiro Adaptado pelo também diretor Steven Zaillian. 

O longa é praticamente perfeito na parte técnica, com um roteiro que mescla com qualidade drama e violência, tudo isso valorizado pelo ótimo elenco. Neeson está competente como Schindler, Ben Kingsley dispensa comentários e Ralph Fiennes assustador como oficial nazista de coração gelado.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Dia 10 - Guilty Pleasure

Afinado no Amor (The Wedding Singer, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – Frank Coraci
Elenco – Adam Sandler, Drew Barrymore, Christine Taylor, Allen Covert, Angela Featherstone, Billy Idol, Matthew Glave, Steve Buscemi, Jon Lovitz, Alexis Arquette.

Considero Adam Sandler um bom ator, seu grande problema está na escolha dos papéis. Geralmente ele se envolve em comédias idiotas, mas as vezes acerta em filmes diferentes como “Reine Sobre Mim” e “Embriagado de Amor”. Dentres suas comédias, esta “Afinado no Amor” é uma deliciosa besteira que fica ainda mais agradável para quem viveu nos anos oitenta. 

O protagonista da trama é o cantor Robbie Hart (Sandler), que enquanto não consegue uma carreira, faz apresentações em casamentos. Durante um destes eventos, Robbie faz amizade com a doce garçonete Julia (Drew Barrymore), que namora o arrogante Glenn (Matthew Glave). Robbie está noivo de Linda (Angela Featherstone) com quem se casará na semana seguinte, porém ele não imagina que sua amada lhe deixará no altar. 

O roteiro segue o estilo dos filmes de desencontros amorosos, porém o diferencial aparece nas piadas sobre os costumes dos anos oitenta. Sandler aparece com um corte de cabelo típico da época, além de vestir blazers com ombreiras e outros adereços engraçados. As garotas parecem saídas de algum clip antigo da Madonna e o personagem de Matthew Glave é o exagero em pessoa, usando roupas coloridas e sendo alvo de um piada onde é comparado com o personsagem de Don Johnson em “Miami Vice”, uma das grandes séries dos anos oitenta que abusava dos exageros da moda. 

Outro ponto positivo é a trilha sonora repleta de músicas dos anos oitenta, tendo um pequena participação de Bily Idol e uma sequência de abertura engraçadíssima, com Sandler cantando “You Spin Me 'Round” do andrógino grupo “Dead or Alive” no momento do casamento em que todos os parentes e convidados se soltam. 

Finalizando, não posso deixar de citar a estranha interpretação do personagem de Alexis Arquette para o sucesso “Karma Chameleon” do grupo “Culture Club”. Ele canta está música várias vezes no filme em todos os casamentos, chegando a assustar os convidados.  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dia 9 - Filme Mais Romântico

Casablanca (Casablanca, EUA, 1942) - Nota 10
Direção – Michael Curtiz
Elenco – Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Sidney Greenstreet, Peter Lorre, Conrad Veidt.

A história do amor proibido entre o dono de um bar na África e uma aristocrática dama casada, se transformou em um dos maiores filmes de todos tempos, tanto pela suspense da trama, como pela difícil decisão do casal na sequência final.

A trama se passa durante a 2º Guerra Mundial, em Casablanca no Marrocos, onde nazistas, aliados e espiões se cruzam no ponto de fuga dos europeus para os EUA. Nesta cidade, Rick Blaine (Bogart) é dono de um café que mantém as aparências tratando bem um capitão nazista (Claude Rains), mas ao se apaixonar por Ilsa (Ingrid Bergman) que é casada com o líder da resistência Victor Laszlo (Paul Henreid), precisa decidir de qual lado ficar.

Outro ponto positivo é o ótimo elenco, com uma bela química entre o casal principal, além de coadjuvantes competentes como Paul Henreid e principalmente Claude Rains como o irônico e ardiloso oficial nazista

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Dia 8 - Filme Cebola (Mais Triste de Todos)

O Campeão (The Champ, EUA, 1979) - Nota 8
Direção – Franco Zeffirelli
Elenco – Jon Voight, Faye Dunaway, Ricky Schroeder, Jack Warden, Arthur Hill, Elisha Cook Jr, Dana Elcar.

A história do decadente ex-boxeador Billy (Jon Voight) que leva uma vida difícil cuidando do filho pequeno T. J.(Ricky Schroeder), que foi abandonado pela mãe Annie (Faye Dunaway) tem provavelmente o final mais triste da história do cinema.

A situação piora quando sua ex-esposa Annie reaparece e deseja retomar a guarda do pequeno T. J., que prefere viver com o pai. Precisando de dinheiro para a disputa no tribunal, Billy resolve voltar aos ringues, situação que terminará tragicamente

Infelizmente Schroeder não conseguiu se firmar na carreira quando adulto, tendo como papel mais importante sua participação em três temporadas da série "Nova York Contra o Crime" (NYPD Blue).

Nos últimos anos ele foi coadjuvante em uma temporada da série "Scrubs" e outra de "24 Horas".

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dia 7 - Comédia Tonta Que Não Prejudica os Neurônios


A comédia pastelão americana dos anos trinta aos cinquenta, era protagonizada por grupos como "Os Três Patetas", "Os Irmãos Marx", "Abbott & Costello" e "O Gordo e o Magro". Começando um pouco antes, Chaplin e Harold Lloyd utilizavam também o humor físico. Os grupos citados foram se acabando no início dos anos sessenta, com o avançar da idade e o falecimento de alguns participantes. Nesta época, o grande nome da comédia era Jerry Lewis, que também fazia o tipo atrapalhado e se baseava no humor físico.

O início da mudança de estilo veio em 1968, quando Mel Brooks que havia criado em parceria com Buck Henry o seriado de sucesso "Agente 86", que parodiava os filmes de espionagem, resolveu levar seu estilo para o cinema e criou o sucesso "Primavera para Hitler". Nos anos seguintes Brooks transformou a paródia em gênero com filmes como "Banzé na Rússia", "Banzé no Oeste" e "O Jovem Frankenstein".

Em 1980, três jovens resolveram dar um passo a frente nas idéias de Brooks. O chamado "Trio ZAZ", Jim Abrahams e os irmãos Jerry e David Zucker criaram "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu", uma paródia devastadora aos filmes de suspense em avião. O trio ressuscitou a carreira de vários atores veteranos que estavam esquecidos, como Leslie Nielsen, Peter Graves, Lloyd Bridges e Robert Stack.

Ainda nos anos oitenta o trio se separou e cada um partiu para a carreira solo. Nesta postagem cito dois filmes de Jim Abrahams que são filhotes legítimos do estilo que ele ajudou a criar, mas que infelizmente se esgotou e hoje em dia é copiado da pior forma possível por vários diretores picaretas.

Top Gang – Ases Muito Loucos (Hot Shots!, EUA, 1991) – Nota 8
Direção – Jim Abrahams
Elenco – Charlie Sheen, Cary Elwes, Valeria Golino, Jon Cryer, Lloyd Bridges, William O'Leary, Kevin Dunn, Kristy Swanson, Efrem Zimbalist Jr, Bill Irwin, Heidi Sweedberg, Bruce A. Young, Ryan Stiles.

Topper Harley (Charlie Sheen) é um piloto traumatizado que foi afastado de seu posto e resolveu se isolar do mundo. Quando seu antigo comandante (um hilário Lloyd Bridges) solicita seu retorno para uma missão importante, Topper aceita e precisa enfrentar seus medos com a ajuda de um psiquiatra (a bela Valeria Golino). 

O filme é um engraçadíssima paródia de “Top Gun – Ases Indomáveis”, com direito a Charlie Sheen imitando os trejeitos de Tom Cruise naquele filme. Várias cenas se destacam, como a gozação em cima de “Nove e Meia Semanas de Amor”, quando Sheen frita até um ovo na barriga de Valeria Golino. O elenco de apoio também é hilário. Cary Elwes faz o rival de Sheen, Lloyd Bridges é o oficial com placas de metal por todo o corpo e Jon Cryer é um piloto que não enxerga um palmo a frente e usa uma óculos com lentes garrafais. 

O curioso é que Sheen e Cryer voltariam a se encontrar na série de sucesso “Two and Half Man”, sem contar a pequena participação de Ryan Stiles, que também atua na série.

Top Gang 2 – A Missão (Hot Shots! Part Deux, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Jim Abrahams
Elenco – Charlie Sheen, Lloyd Bridges, Valeria Golino, Richard Crenna, Brenda Bakke, Miguel Ferrer, Mitchell Ryan, Andreas Katsulas, Rowan Atkinson.

Esta sequência é uma verdadeira metralhadora de piadas que aponta principalmente para “Rambo II – A Missão”, com Charlie Sheen parodiano Stallone ao utilizar o mesmo corte de cabelo e a fita vermelha na testa. Para ajudar na piada, o filme tem até mesmo a participação de Richard Crenna, que interpretava o Coronel Trautman na série Rambo. 

A história começa com Topper Harley (Sheen) que está aposentado, sendo chamado de volta a ativa pelo agora presidente Thomas “Tug” Benson (Lloyd Bridges), seu antigo comandante na marinha, para resgatar um grupo de resgate (é isso mesmo) que foi aprisionado no Iraque. 

Novamente cenas hilárias, com direito a galinhas nas pontas de flechas e Sadam Hussein com peitos e marca de sutiã. É um dos casos em que a continuação é tão boa quanto o original.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dia 6 - Com o Coração na Boca (Melhor Suspense/Terror)

O Exorcista (The Exorcist, EUA, 1973) – Nota 10
Direção – William Friedkin
Elenco – Ellen Burstyn, Linda Blair, Jason Miller, Max Von Sydow, Lee J. Cobb, Kitty Wynn, Jack MacGowran, William O’Malley.

Os gêneros suspense e terror já renderam grandes filmes, porém "O Exorcista" é algo incomparável no quesito de assustar. Com um ótimo roteiro, personagens marcantes e todo um leque de maldições e lendas por trás da produção, este filme pode ser considerado o melhor do gênero em todos os tempos.

O filme é baseado num livro de William Peter Blatty e conta a história da pré-adolescente Regan (Linda Blair), que começa a ter atitudes estranhas, falar com voz masculinizada e ameaçar a própria mãe, a atriz Chris MacNeill (Ellen Burstyn). De início a mãe acredita que a filha possa ter algum problema médico, mas depois de uma bateria de exames que não detecta problema algum, Chris leva a filha para a um psiquiatra. 

Durante a sessão, Regan ataca violentamente o médico, sem motivo aparente. Desesperada, Chris resolve procurar a igreja e encontra o padre Karras (Jason Miller), que passando por um período de questionamento da fé, não acredita em possessão. No desenrolar da trama, a garota fica ainda mais violenta, o que chama a atenção de um detetive (Lee J. Cobb) e como última esperança, o padre Karras chama um outro padre especialista em exorcismo, o veterano Lankester Merrin (Max Von Sydow). 

Parece incrível, mas quase quarenta anos depois, o filme ainda assusta. As cenas de possessão da garota são violentas e até profanas, a falta de fé do personagem de Jason Miller é posta à prova e a pequena e importante participação de Max Von Sydow é vital para o entendimento do que aconteceu com a garota. 

Algumas cenas são clássicas, como a a conhecida cena do crucifixo, que deixou a Igreja Católica revoltada, a chegada do padre Merrin à casa da garota durante uma sinistra noite, cena que se transformou no cartaz original e o assustador ritual do exorcismo no clímax do longa. 

Como curiosidade, as histórias de acidentes no set de filmagem, algumas mortes de pessoas ligadas a produção e até mesmo a carreira de Linda Blair que não vingou, criaram um clima de maldição sobre o filme e isso ajudou ainda mais a aumentar o culto por este clássico

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dia 5 - Atriz e Ator Preferidos

Poderia citar uma lista enorme de atrizes e atores de grande talento, mas escolhi apenas três nomes. Ainda tomei a liberdade de citar dois atores, que considero de talento equivalente.

Meryl Streep é praticamente uma unanimidade como sendo uma das maiores atrizes de todos os tempos. Com quase trinta e cinco de carreira, ela é recordista em indicações ao Oscar, foram dezesseis vezes e duas vitórias por "A Escolha de Sofia" e "Kramer vs Kramer", além de vinte e cinco indicações ao Globo de Ouro com sete vitórias.

Seu talento misturado a predileção pelo gênero drama (o preferido da Academia) são os responsáveis por tantas indicações. No início dos anos noventa ela se arriscou em algumas comédias de humor negro que fracassaram, como "Ela é o Diabo" e "A Morte Lhe Cai Bem". Apenas na última década sua escolha de comédias foram acertadas. O sucesso de "Adaptação" e "O Diabo Veste Prado" coroaram a carreira de um atriz talentosa e versátil.

Atores da mesma geração, Al Pacino e Robert De Niro se tornaram astros no início dos anos setenta e por coincidência no mesmo filme, "O Poderoso Chefão II". Pacino também trabalhou no primeiro filme ao lado de Marlon Brando e James Caan, mas na segunda parte ele foi o dono do show, já que apesar do papel de De Niro ser tão importante quanto, a história era contada em duas épocas em paralelo. De Niro tinha feito no ano anterior "Caminhos Perigosos' com Martin Scorsese, mas foi na saga da família Corleone que teve seu primeiro grande papel.

A dupla consolidou a carreira nos anos setenta e partir daí trabalharam em diversos filmes de sucessos interpretando grandes papéis. De Niro fez "Taxi Driver", "O Franco Atirador", "Touro Indomável", "Os Intocáveis", "Cassino" e "Os Bons Companheiros", grande parte em parceria com Scorsese. Já Pacino trabalhou em "Um Dia de Cão", "Scarface", "Perfume de Mulher" e "O Pagamento Final".

Trabalharam juntos três vezes, sendo que a primeira em "O Poderoso Chefão II" eles não contracenaram. Voltaram a atuar juntos, desta vez como inimigos em "Fogo Contra Fogo" e por último como policiais parceiros em "As Duas Faces da Lei".

domingo, 18 de dezembro de 2011

Dia 4 - Melhor Diretor

Escolher o melhor diretor é algo muito difícil, por este motivo tentei usar como parâmetro toda a carreira dos nomes que pensei, a quantidade de filmes e a importância de suas obras.

Dois nomes atuais podem daqui alguns anos entrarem nesta briga de melhor diretor, são eles Quentin Tarantino e Christopher Nolan. Suas obras são marcantes e originais, a questão é esperar um pouco mais para conferir se eles conseguirão mantém o nível de qualidade.

Estava em dúvida em outros três nomes com carreiras fantásticas. O primeiro foi o grande John Ford, responsável por grandes westerns como "Rastros de Ódio" e "O Homem que Matou o Facínora", além de dramas fortes como "As Vinhas da Ira" e "Como Era Verde o Meu Vale".

O segundo nome lembrado foi de Steven Spielberg, o homem que criou o chamado "Cinema Pipoca" e deu início a era dos Blockbusters com o sucesso de "Tubarão". Spielberg mostrou que seu cinema vai além das aventuras ao dirigir grandes filmes como "A Cor Púrpura" e "A Lista de Schindler".

A terceira lembrança é para Martin Scorsese. Se Coppola elevou os filmes de gângster a clássicos com "O Poderoso Chefão", Scorsese foi além ao mostrar que este mundo da marginalidade podia render grandes histórias com todo o tipo de personagem ligado a máfia e ao crime. Obras como "Os Bons Companheiros" e "Cassino" são exemplos, junto com "Taxi Driver", "Touro Indomável", "Os Infiltrados" e tantos outros filmes mostram o talento deste diretor.

Escolhi Alfred Hitchcock pela regularidade de sua carreira, praticamente todos os seus filmes tem um nível acima da média. Hitchcock criou ainda famosas aparições em seus filmes, com o público ficando a espera para saber em qual cena ele apareceria como figurante. Sua habilidade em criar cenas marcantes, como a vertigem do personagem de James Stewart em "Um Corpo que Cai", o assassinato no chuveiro em "Psicose" e a tentativa de assassinato no concerto em "O Homem que Sabia Demais" são exemplos únicos de talento e criatividade.

O gênero suspense foi seu predileto, com filmes como o citado "Psicose", "Pacto Sinistro" e "Festim Diabólico". Outro tema recorrente em sua filmografia era a do inocente azarado, que acabava sendo acusado e perseguido por algo que não fez. São exemplos obras como "O Homem Errado", "O Homem que Sabia Demais" e Frenesi".

Consta que Hitchcock teve uma criação religiosa muito forte, foi casado uma única vez, mas que utilizava seus desejos reprimidos em personagens e histórias, sendo claro seu fetiche por loiras. Kim Novak, Doris Day, Tippi Hedren e Grace Kelly foram algumas da loiras que trabalharam com o diretor.

Finalizando, uma frase de Hitchcock resume bem seu carreira. Ele disse que "o que me interessa não é a história, mas a forma como ela é contada".

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dia 3 - Sessão da Tarde Inesquecível


Quem foi criança ou adolescente na primeira metade dos anos oitenta, acompanhou três tipos de filmes que se repetiam a exaustão na Sessão da Tarde. Os filmes de Elvis Presley, o dos Trapalhões e os de Jerry Lewis. Todos filmes que hoje em dia são clássicos, apesar de não serem grandes produções e que muitas vezes eram apresentados durante uma semana inteira. Cada um ao seu estilo, eles divertiam o público da época.

Deste três citados, meus filmes favoritos eram os de Jerry Lewis com Dean Martin. Os dois trabalharam em parceira em dezessete filmes, além do sucesso em shows de comédia que a dupla apresentava em cassinos e teatros, porém algumas brigas fizeram a dupla se separar em 1956 após filmarem a "A Farra dos Malandros". Eles nunca falaram a razão oficial da separação, muitas fontes citam ciúme de Dean Martin que acreditava estar sendo usado por Jerry Lewis, que priorizava suas cenas de pastelão. Um rumor sensacionalista cita a morte de uma mulher num quarto de hotel com a dupla como motivo da separação, situação retratada extraoficialmente no filme "A Verdade Nua" (clique para ver a resenha no blog).

Após a separação, Jerry Lewis partiu para carreira solo no cinema e fez sucesso até o final dos anos sessenta, principalmente como "O Professor Aloprado". Nos anos setenta ele teve um problema de coluna, se viciou em remédios e sua carreira declinou. Apenas no final dos anos oitenta ele voltou a ser lembrado pela crítica ao interpretar um mafioso na série "O Homem da Máfia", mostrando que era mais do que um comediante. Lewis tem 86 anos, porém há algum tempo está afastado do cinema.

Já Dean Martin seguiu sua carreira de cantor, ator e comediante. Suas apresentações com o "Rat Pack" (com Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joe Bishop) nos cassinos de Las Vegas eram famosas. Ele teve ainda alguns bons papéis no cinema, principalmente ao lado de John Wayne em "Onde Começa o Inferno" e "Os Filhos de Katie Elder". Martin faleceu em 1995.

Os dois filmes que escolhi são os meus preferidos da dupla.

A Farra dos Malandros (Living It Up, EUA, 1954) – Nota 7,5
Direção – Norman Taurog
Elenco – Jerry Lewis, Dean Martin, Janet Leigh, Edward Arnold, Sheree North.

Numa pequena cidade do meio oeste Americano, o médico Steve Harris (Dean Martin) ao tirar um raio-x de Homer Flagg (Jerry Lewis), um confuso funcionário da estação de trem, acredita que o rapaz esteja contaminado por radiação. 

A história logo se espalha e uma repórter de Nova York, a bela Wally Cook (Janet Leigh), viaja até a pequena cidade para levar a dupla até Nova York com toda estadia paga, onde Homer poderá passar seus últimos dias com tranqüilidade. 

O problema é que Steve descobre que no momento do raio-x, Homer tinha um relógio no bolso, não tendo problema de saúde algum, porém para aproveitar a chance de conhecerem a cidade grande, a dupla resolve manter a mentira, que em algum momento será descoberta. 

O roteiro tira sarro do jornalismo sensacionalista, muito em voga nos dias atuais, mostrando que há mais de cinqüenta anos muitos já se aproveitavam da tragédia alheia para tentar lucrar. 

Ou Vai ou Racha (Hollywood or Bust, EUA, 1956) – Nota 7,5
Direção – Frank Tashlin
Elenco – Jerry Lewis, Dean Martin, Anita Ekberg, Pat Crowley.

O prêmio principal de um bingo é um carro conversível. O salão está lotado, porém ninguém sabe que Steve Wiley (Dean Martin) falsificou todos os números possíveis para ganhar o automóvel. Steve não esperava que o número sorteado original estivesse nas mãos de Malcolm Smith (Jerry Lewis). Com dois vencedores para apenas um prêmio, a situação fica confusa. 

Para resolver o problema, após uma discussão a dupla entra em acordo. Steve quer vender o carro, mas Malcolm deseja antes disso viajar todo o país para tentar conhecer uma estrela de cinema (Anita Ekberg) por quem é apaixonado. Assim a dupla embarca numa viagem maluca, onde Steve tentará enganar o atrapalhado Malcolm, que leva ainda seu enorme cachorro na viagem, que protagoniza uma das cenas mais engraçadas do filme. 

Este filme foi o último trabalho da dupla Lewis e Martin e lembra um pouco o posterior “Antes Só do Que Mal Acompanhado”. 

É curioso ver no papel da atriz a bela sueca Anita Ekberg ainda bem jovem, que ficaria famosa poucos anos depois ao estrelar a “A Doce Vida” de Fellini.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dia 2 - Melhor Sequência Inicial e Melhor Sequência Final


Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, EUA, 1984) – Nota 10
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Harrison Ford, Kate Capshaw, Ke Huy Quan, Amrish Puri, Roshan Seth, Philip Stone, Roy Chiao, David Yip, Ric Young, Dan Aykroyd.

Os Suspeitos (The Usual Suspects, EUA, 1995) – Nota 10
Direção – Bryan Singer
Elenco – Stephen Baldwin, Gabriel Byrne, Kevin Spacey, Chazz Palminteri, Kevin Pollak, Benicio Del Toro, Pete Postlethwaite, Suzy Amis, Giancarlo Sposito, Dan Hedaya, Paul Bartel.

Na escolha da Melhor Sequência Inicial, lembrei de outros três filmes que merecem destaque. O mais antigo é o clássico "A Marca da Maldade" dirigido por Orson Welles, que começa com o casal Charlton Heston (que interpreta um policial mexicano) e Janet Leigh atravessando a fronteira dos México com os Estados Unidos, andando em paralelo com um automóvel. A sequência sem cortes termina com uma bomba explodindo o carro. 

A segunda sequência que merece destaque é do filme "Olhos de Serpente", em que a câmera de Brian De Palma segue sem cortes durante oito minutos o personagem de Nicolas Cage dentro de um ginásio onde ocorrerá um luta de boxe, culminando com um nocaute forjado.

A sequência inicial que me deixou em dúvida foi a de "O Resgate do Soldado Ryan". A sensação de medo e angústia dos soldados americanos desembarcando na praia no Dia D, tendo enfrentar os nazistas e suas metralhadoras, se transforma num banho de sangue que deixa no espectador um sentimento de horror e perplexidade.

Escolhi "Indiana Jones e o Templo da Perdição" pela sequência inicial misturar várias situações. Começa com um número musical em um restaurante em Shangai, mostrando em seguida a chegada de  Indiana Jones (Harrison Ford) que arruma uma tremenda confusão com um gângster chinês por causa de um diamante, com direito a envenenamento, brigas e  Indiana matando um bandido com um espeto de assar frango. A sequência fica mais engraçada quando Indiana, a cantora Willie Scott (Kate Capshaw, esposa de Spielberg) e o garoto Short Round (Ke Huy Quan) fogem de carro pela cidade, com o menino dirigindo o automóvel com uma caixa amarrada ao sapato para alcançar os pedais, finalizando com o trio saltando de um avião sem piloto utilizando um bote salva-vidas como paraquedas. Nada menos que sensacional.

Na escolha de Melhor Sequência Final também lembrei de dois outros filmes. Minha menção honrosa vai para duas sequências finais traumáticas. A primeira é a de "Seven", com a reação do personagem de Brad Pitt ao descobrir o que está dentro da caixa entregue pelo vilão Kevin Spacey. A segunda menção vai para provavelmente o final mais cruel da história do cinema, com o desespero do personagem de Thomas Jane na última cena do apocalíptico "O Nevoeiro".

Assim que lembrei de "Os Suspeitos" não tive dúvidas, o sensacional roteiro que cita durante todo o filme o assustador Keyzer Soze sem que ninguém saiba quem é o sujeito, deixa o espectador de boca aberta aos ligar os diversos pontos da história na sequência final. O filme é uma aula de como dar um nó na cabeça do espectador, algo semelhante ao ótimo "O Sexto Sentido". A interpretação de Kevin Spacey é sensacional, coroando um ano fantástico em sua carreira, quando também interpretou o vilão de "Seven".

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dia 1 - Filme da Minha Vida

Os Intocáveis (The Untouchables, EUA, 1987) - Nota 10
Direção - Brian De Palma
Elenco - Kevin Costner, Sean Connery, Robert De Niro, Andy Garcia, Charles Martin Smith, Richard Bradford, Billy Drago, Patricia Clarkson.

Escolher o filme favorito entre a grande quantidade que já assisti, na teoria não seria fácil, porém "Os Intocáveis" tem um lugar especial nesta galeria, inclusive foi tema da primeira postagem no blog.

Assisti no cinema na época do lançamento e a sensação foi extraordinária. Anos depois voltei a assistir pelo menos mais umas três vezes e por incrível que pareça o filme nunca perdeu a força.

São vários os pontos altos do filme, começando pelo elenco impecável, com Kevin Costner perfeito em seu primeiro papel principal, Robert De Niro interpretando um assustador Al Capone e Sean Connery vencendo o Oscar de Ator Coajudvante como o policial irlandês Malone. Junto com este trio, temos um jovem Andy Garcia, o simpático Charles Martin Smith e até o canastrão Billy Drago em seu melhor papel como o gélido assassino Frank Nitti.

A trilha sonora de Ennio Morricone é uma das mais marcantes da história do cinema, pontuando com maestria cenas inesquecíveis como o sensacional tiroteio nas escadarias da estacão de trem, cena que causa uma tremenda agonia no espectador por ter sido montada em câmera lenta, além de colocar no meio da ação uma mãe desesperada e um carrinho de bebê desgovernado.

Não podemos esquecer também da ótima reconstituição de época  e da bela fotografia, destacada principalmente na cena em que os personagens principais estão a cavalo na fronteira do Canadá.

Finalizando, não se pode esquecer da direção de Brian De Palma. Ele fez parte da turma de Martin Scorsese, William Friedkin e Michael Cimino, entre outros grandes diretores que ficaram famosos nos anos setenta. De Palma fez ótimos filmes dos gêneros suspense e policial, como "Vestida para Matar", "Carrie, a Estranha" e "O Pagamento Final", errou algumas vezes quando tentou a comédia "Fogueira das Vaidades" e a ficção "Missão Marte", mas no geral "Os Intocáveis" é sua obra-prima.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

1 Mês, 31 Filmes

O amigo Silvano dos blogs Discurso Humanista e Cinema Detalhado me convidou para participar deste meme, onde o objetivo é listar um filme de minha preferência para cada dia do mês de acordo com a lista abaixo.

Não vai ser fácil cumprir o prazo, mas não deixarei de participar.

As categorias do Meme Um Mês, 31 Filmes são:

Dia 1 - Filme da Minha Vida
Dia 2 - Melhor sequência inicial e melhor sequência final
Dia 3 - Sessão da tarde Inesquecível 
Dia 4 - Melhor diretor 
Dia 5 - Atriz e ator preferidos 
Dia 6 - Com o coração na boca (melhor suspense/terror)
Dia 7 - Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios
Dia 8 - Filme Cebola (mais triste de todos)
Dia 9 - Filme mais romântico 
Dia 10 - Guilty pleasure
Dia 11 - Melhor drama
Dia 12 - Melhor Ano da História do Cinema
Dia 13 - Maior roubada cinematográfica
Dia 14 - Batendo Papo (melhor diálogo)
Dia 15 - Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível)
Dia 16 - Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole
Dia 17 - Brasileirão
Dia 18 - Melhor Animação
Dia 19 - O melhor Faroeste
Dia 20 - Melhor comédia romântica
Dia 21 - Preto no Branco (Melhor Noir)
Dia 22 - So you think you can dance (melhor musical) 
Dia 23 - Melhor DR
Dia 24 - Melhor par romântico 
Dia 25 - Meu Vilão Favorito nos Filmes 
Dia 26 - Unha e Carne (Melhor Amizade)
Dia 27 - Porrada (melhor cena de violência) 
Dia 28 - Quente e Úmido (melhor sequência de sexo)
Dia 29 - Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição)
Dia 30 - Nunca mais (filme mais traumático)
Dia 31 - Minha Vida em 3 sequências

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

007 - O Espião Que Me Amava

007 – O Espião Que Me Amava (The Spy Hwo Loved Me, Inglaterra, 1977) – Nota 8
Direção – Lewis Gilbert
Elenco – Roger Moore, Barbara Bach, Curt Jurgens, Richard Kiel, Caroline Munro, Bernard Lee, Lois Maxwell, Desmond Llewellyn.

Alguns submarinos nucleares britânicos e soviéticos foram roubados. O serviço secreto inglês envia James Bond (Roger Moore) ao Egito para seguir uma pista, acreditando que alguém estaria vendendo as rotas marítimas destes submarinos em um microfilme. No Egito, Bond cruza com a espiã soviética Anya Amasova (Barbara Bach, ex-mulher de Ringo Star) e juntos passam pela Itália e Áustria até encontrarem o vilão Stromberg (Curt Jurgens). 

O longa foi um dos maiores sucessos da série, conta com Roger Moore no auge do personagem e teve até três indicações ao Oscar (Direção de Arte, Trilha Sonora e Canção). É também o primeiro filme após a separação dos produtores Harry Saltzman, que passava por problemas financeiros e pessoais e Albert R. Broccoli, que passou a ser o dono da série até sua morte. Hoje a produção está nas mãos de sua filha, Barbara Broccoli. 

A produção teve outros problemas, como as mudanças que os roteiristas fizeram na história, que ficou bem diferente do livro de Ian Fleming. Este atraso acarretou a saída do diretor Guy Hamilton, que foi o responsável pelos dois filmes anteriores da série com Roger Moore, além de dois outros com Sean Connery. Em seu lugar entrou Lewis Gilbert, que havia dirigido “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”, longa com Conney no papel principal. 

Como todos os filmes de Roger Moore no papel de Bond, este também tenta cenas que chegam a ser engraçadas, graças ao estilo irônico de Moore e algumas cenas de ação exageradas, como a perseguição inicial nos Alpes, que termina com Bond pulando num penhasco e abrindo um paraquedas com a bandeira do Reino Unido.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Anaconda & Serpentes a Bordo


Anaconda (Anaconda, EUA / Brasil / Peru, 1997) – Nota 7
Direção – Luis Llosa
Elenco – Jennifer Lopez, Ice Cube, Jon Voight, Eric Stoltz, Jonathan Hyde, Owen Wilson, Kari Wuhrer, Vincent Castellanos, Danny Trejo.

Uma equipe viaja para Amazônia com o objetivo de filmar um documentário sobre uma tribo. Eles contratam Paul Sarone (Jon Voight) como guia, porém não sabem que o sujeito na verdade deseja capturar a temível cobra sucuri (Anaconda do título), levando o grupo para uma caçada mortal. 

Filmado na Amazônia (parte no Brasil e parte no Peru), o filme utiliza todos os clichês do gênero terror vindo da natureza, com direito a piadinhas infames e cenas violentas. O ponto principal sem dúvida é o elenco recheado de rostos conhecidos, com Jennifer Lopez como a gostosona sem medo, o carrancudo Ice Cube, Eric Stoltz como o intelectual e o vilão totalmente canastrão interpretado por Jon Voight. 

Não sendo  levado a sério, o filme é uma boa sessão para os fãs do gênero.

Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane, EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – David R. Ellis
Elenco – Samuel L. Jackson, Julianna Margulies, Nathan Phillips, Rachel Blanchard, Flex Alexander, Lin Shaye, Sunny Mabrey, Lin Shaye, Keith Dallas.

O agente do FBI Neville Flynn (Samuel L. Jackson) é encarregado de escoltar Sean Jones (Nathan Phillips de “Wolf Creek”) durante um vôo do Havaí para Los Angeles. Sean foi testemunha de uma execução e acabou sendo obrigado a confirmar em juízo. A situação fica ainda pior, pois o mandante do assassinato consegue colocar uma caixa repleta de cobras venenosas dentro do avião. 

Este longa de terror trash se transformou em cult antes mesmo de ser filmado. A história vazou na internet junto com o nome de Samuel L.Jackson para ser o protagonista e rapidamente cresceu a expectativa dos fãs do gênero. 

O resultado é quase uma sátira aos filmes de terror, com o irregular diretor David R. Ellis abusando da violência ao mostrar os ataques da cobras, mesmo que utilizando efeitos especiais que lembram produções B. Ele fez filmes melhores como “Premonição 2’ e “Celular – Um Grito de Socorro”, porém a produção citada aqui está mais próxima do péssimo “Premonição 4”. 

Como curiosidade, fica claro que Samuel L. Jackson se divertiu tanto nas filmagens como na promoção do filme, o que ajudou muito no relativo sucesso do trabalho, mesmo que o resultado não sendo grande coisa.  

domingo, 11 de dezembro de 2011

Assassinato Por Morte

Assassinato Por Morte (Murder by Death, EUA, 1976) – Nota 8
Direção – Robert Moore
Elenco – Peter Sellers, David Niven, Peter Falk, Alec Guinness, James Coco, Eileen Brennan, Elsa Lanchester, Maggie Smith, Nancy Walker, Estelle Winwood, James Cromwell, Richard Narita.

O milionário Lionel Twain (o escritor Truman Capote) convida os maiores detetives do mundo para um encontro em sua mansão. Quando todos estão reunidos para o jantar, Lionel informa que os convidou para uma desafio. Eles terão de desvendar um crime, que seria a morte do próprio Lionel Twain. Quem descobrir o assassino, receberá um milhão. O problema é que aos poucos cada um descobre que todos tem algum problema com Lionel e qualquer um pode ser o assassino. 

Esta deliciosa sátira aos filmes de detetive reúne um grande elenco em papéis que foram baseados em famosos detetives do cinema e da literatura. Temos Peter Sellers como um detetive chinês satirizando Charlie Chan, Peter Falk como Sam Diamond (satirizando Sam Spade), David Niven e Maggie Smith seriam Nick e Nora Charles, a dupla criada por Agatha Christie, que também inspirou os personagens de James Coco (Poirot) e Elsa Lanchester (Miss Marple), tendo ainda o grande Alec Guinness como o hilário e assustador mordomo cego. 

A história se passa em apenas uma noite repleta de situações engraçadas, com um final inteligente que se casa perfeitamente com o ótimo roteiro do dramaturgo Neil Simon.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Che - Parte I

Che – Parte I (Che: Part One, França/Espanha/EUA, 2008) – Nota 8
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Benicio Del Toro, Demian Bichir, Santiago Cabrera, Catalina Sandino Moreno, Jsu Garcia, Rodrigo Santoro, Julia Ormond, Yul Vazquez, Jorge Perugorria, Victor Rasuk.

O diretor Steven Soderbergh e o astro Benicio Del Toro se uniram para adaptar o livro de memórias do mito Ernesto “Che” Guevara para o cinema e o resultado foi dividido em dois filmes. 

Esta primeira parte foca basicamente a revolução liderada por Fidel Castro (Demian Bichir) para derrubada do governo de Fulgêncio Batista em Cuba, mostrada pelos olhos e co-liderança de Che (Benicio Del Toro). 

A história começa em 1956 no México, quando o então médico Che é apresentado ao exilado cubano Fidel Castro em uma pequena reunião com outros cubanos, onde a idéia seria planejar o início de uma revolução. Pouco tempo depois tempo um grupo segue do México para Cuba clandestinamente utilizando um barco e se instala no meio da floresta num local chamado Sierra Maestra, onde iniciam um treinamento junto com outros cubanos que são contra o governo de Batista. Em menos de três anos aquele grupo se transforma num exército, com adesão de muitos camponeses e aos poucos vão tomando cidade por cidade, até chegar em Havana. 

Como o filme é baseado nas memórias do próprio Che, fica clara a simpatia dos envolvidos com o personagem, mas mesmo assim o roteiro não deixa de mostrar o lado violento do mito, que matou muitos soldados na luta e inclusive rebeldes desertores, tudo em nome da revolução. 

A caracterização de Fidel deixa claro a força do homem, que é mostrado como um líder que via na luta armada a única chance de derrubar o governo e libertar o povo cubano, pena que ele mesmo quando chegou ao poder, não foi capaz de instalar uma democracia no país. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Do Inferno à Vitória & Operação Esmeralda


Do Inferno à Vitória (From Hell to Victory, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Umberto Lenzi
Elenco – George Peppard, George Hamilton, Horst Buchholz, Anny Duperey, Jean Pierre Cassel, Capucine, Sam Wanamaker, Lambert Wilson.

Em 24 de agosto de 1939, seis amigos de diferentes nacionalidades se encontram num café em Paris e combinam se retornarem ao mesmo local todo ano, sempre no mesmo dia de agosto. O problema é que em seguida explode a 2º Guerra e cada um dos personagens seguirá um caminho diferente. Dois se tornam agentes dos aliados (Geroge Peppard e George Hamilton), outro se torna oficial nazista (Horst Buchholz) e um francês (Jean Pierre Cassel, pai de Vincent Cassel) entra para resistência. 

Este interessante drama de guerra passou diversas na TV aberta nos anos oitenta e cumpre bem seu papel. Tem um bom roteiro que utiliza o conflito para colocar em questão se a amizade pode sobreviver a uma guerra. As boas cenas de suspense também prendem a atenção, mesmo que o longa seja protagonizado por canastrões famosos, como Peppard, Hamilton e Buchholz.

Operação Esmeralda (Code Name: Emerald, EUA, 1985) – Nota 7
Direção – Jonathan Sanger
Elenco – Ed Harris, Max Von Sydow, Horst Buchholz, Helmut Berger, Cyrielle Claire, Eric Stoltz, Patrick Stewart.

Em 1944 durante a 2º Guerra, o tenente Andy Wheeler (Eric Stoltz) é capturado pelos nazistas e se torna peça chave no quebra-cabeças do conflito. O tenente tem informações secretas sobre o Dia D, mas não cede mesmo sob tortura. Para tentar extrair as informações do oficial, os nazistas colocam em sua cela outro prisioneiro americano Gus Lang (Ed Harris) que para eles é um agente duplo. A questão é que Lang na verdade trabalha para os aliados e conseguiu se infiltrar no exército nazista como se fosse um traidor, com a missão de proteger a qualquer custos as informações sobre o Dia D. 

Este drama de guerra é baseado numa história real que virou livro na mão de Ronald Bass, que aqui assina também o roteiro, seu primeiro para o cinema, que abriu as portas para diversos outros trabalhos, inclusive para o roteiro vendedor do Oscar de “Rain Man”. 

O filme foi um fracasso na época do lançamento, mas tem uma história interessante, um bom roteiro e um elenco muito bom, que tem ainda o ótimo Max Von Sydow e os alemães Horst Buchholz e Helmut Berger, figuras conhecidas no cinema.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Deja Vu

Deja Vu (Déjà Vu, EUA, Inglaterra, 2006) – Nota 7
Direção – Tony Scott
Elenco – Denzel Washington, Paula Patton, Val Kilmer, Jim Caviezel, Adam Goldberg, Elden Henson, Erika Alexander, Bruce Greenwood, Matt Craven, Elle Fanning, Brian Howe.

O agente Doug Carlin (Denzel Washington) é chamado para investigar uma explosão numa balsa que causou diversas mortes. Como foi um atentado terrorista, o caso também é investigado pelo FBI, através do agente Paul Prizwarra (Val Kilmer). 

No mesmo local do atentado, a polícia descobre o corpo de Claire Kuchever (Paula Patton) que parece ter sido morta antes da explosão, o que intriga Doug. Quando o agente Prizwarra apresenta a Doug uma nova máquina que pode mapear o passado através de uma espécie de consciência da pessoa que morreu, este fica obcecado em descobrir o que houve com a bela Claire. É o início de uma investigação que levará o agente Doug a vivenciar o passado da garota, por quem ele se sentirá cada vez mais atraído, mesmo sabendo que está morta. 

O roteiro no mínimo absurdo, utiliza como ponto principal o tema da viagem no tempo e a questão de tentar modificar o passado, podendo ser divertido caso o espectador não leve a sério a premissa. 

Este longa foi a terceira parceria (de cinco filmes até agora) entre o diretor Tony Scott e o astro Denzel Washington, tendo a curiosidade de ter sido o primeiro trabalho filmado em New Orleans após o furacão Katrina. O filme tem ainda boas sequências de ação e o resultado pode ser chamado de “um bom filme ruim”

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Halloween II & III


Halloween II (Halloween II, EUA, 1981) – Nota 7,5
Direção – Rick Rosenthal
Elenco – Jamie Lee Curtis, Donald Pleasence, Charles Cyphers, Lance Guest, Jeffrey Kramer, Leo Rossi.

Esta sequência começa exatamente onde terminou o original, com o Dr. Loomis (Donald Pleasence) desesperado dizendo que atirou várias vezes em Michael Myers, mas mesmo assim Myers fugiu. O Dr. Loomis pressiona o Xerife Bracket (Charles Cyphers) a caçar Myers. Enquanto isso a jovem Laurie (Jamie Lee Curtis), sobrevivente do massacre, é levada para o hospital da cidade e nem imagina que Myers continuará a sua procura. 

O grande sucesso do original fez com que os produtores preparessem uma sequência com maior orçamento, porém não contavam que John Carpenter desistisse de dirigir. Mesmo sendo inferior ao original, o filme é competente e tem um roteiro que segue a história com integência, tendo até mesmo um final que poderia encerrar a série, mas os produtores criaram uma terceira parte que não tem ligação alguma com a história e depois praticamente ressuscitaram a série na parte quatro.

Halloween III (Halloween III: Season of the Witch, EUA, 1982) – Nota 5,5
Direção – Tommy Lee Wallace
Elenco – Tom Atkins, Stacey Nelkin, Dan O’Herlihy, Michael Currie.

O Dr. Dan Challis (Tom Atkins) trabalhando em um hospital recebe um paciente totalmente alucinado que fala sobre uma conspiração. Em seguida um outro sujeito mata o homem e põe fogo no próprio corpo. A filha do homem assassinado, Ellie (Stacey Nelkin) se junta ao médico para investigar o que aconteceu com seu pai. A dupla chega até a cidade de Santa Mira na Califórnia e descobre algo estranho na fábrica de Conal Cochran (Dan O’Herlihy), que fabrica máscaras para Halloween e produziu um lote gigantesco para as crianças usarem na data que se aproxima. 

O filme tem de ser analisado por dois ângulos, o primeiro diz respeito a série “Halloween”, que mesmo sendo considerando um filme oficial, a história não tem ligação alguma com o assassino Michael Myers. Tommy Lee Wallace que estreava na direção, alega que a idéia seria criar uma nova história dentro da franquia, o que acabou levando o filme ao fracasso. 

Por outro lado, analisando apenas como um filme de terror sem ligação com a série, o resultado é até aceitável, comparando com outras produções do gênero à época. O longa é violento, com diversas cenas de mortes, uma história interessante e até um bom vilão, o irlandês Dan O’Herlihy. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dark Blue


Dark Blue (Dark Blue, EUA, 2009 a 2010)
Criadores - Danny Cannon & Doug Jung
Elenco - Dylan McDermott, Omari Hardwick, Logan Marshall Green, Nicki Aycox, Tricia Helfer.

Esta série policial que teve apenas 20 episódios divididos em duas temporadas, acabou cancelada em virtude da queda de audiência. A série tinha uma boa premissa, foi bem produzida na parte técnica, mas falhou pela falta de carisma do elenco e pelos roteiros previsíveis.

A série que foi produzida por Jerry Bruckheimer, aborda o dia a dia de uma esquadrão de policiais que trabalha disfarçado em casos para desmantelar quadrilhas que atuam com tráfico de drogas, de armas, contrabando, lavagem de dinheiro, sempre crimes que rendem muito dinheiro e que são comandados por violentos chefões.

O esquadrão é liderado por Carter Shaw (Dylan McDermott de "O Desafio" e a atual "American Horror Story"), um sujeito solitário que é implacável na caça aos bandidos, nem que para isso tenha de distorcer um pouco a lei. A equipe é composta por Ty Curtis (Omari Hardwick), o único que é casado e sofre no relacionamento com a esposa em virtude do complicado trabalho, pelo jovem Dean (Logan Marshall Green) que faz o tipo rebelde sem causa e Jaimie Allen (Nicki Aycox), uma ex-drogada que trocou de nome para poder ser aceita na polícia.

Quando comecei a acompanhar, tinha a expectativa de que a história poderia seguir algo parecido com "The Shield", onde policiais comuns se tornam corruptos e gananciosos, mas aos poucos percebi que a série ficaria no lugar comum, com tramas independentes a cada episódio, sem se aprofundar na construção dos personagens.

Ao final da primeira temporada houve uma queda na audiência, porém o produtor Jerry Bruckheimer apostou em mais dez episódios numa segunda temporada, incluindo uma nova personagem, a agente do FBI, Alex Rice (Tricia Helfer), que se torna líder do esquadrão e tem um romance com Carter. Esta mudança fez pouco efeito e a série continuou morna, explicando pouco do passado dos personagens e trazendo soluções fáceis para a vida pessoal de cada um, culminando num final de temporada que lembrou uma telenovela.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

400 Contra 1

400 Contra 1 (Brasil, 2010) – Nota 6
Direção – Caco Souza
Elenco – Daniel de Oliveira, Fabrício Boliveira, Daniela Escobar, Branca Messina, Lui Mendes, Negra Li, Rodrigo Brassoloto, Jonathan Azevedo.

No início dos anos setenta, o ladrão de bancos William da Silva Lima (Daniel de Oliveira) conhecido com “O Professor” volta para mais uma temporada no presídio da Ilha Grande no Rio de Janeiro. Apesar de jovem, William era um veterano de cadeia que conhecia todos os meandros do local, o que facilitava para ele se aproximar de alguns presos políticos, utilizando do conhecimento adquirido com estes ativistas para comandar um grupo de detentos que ficariam conhecidos dez anos depois como “O Comando Vermelho”. 

O filme é baseado no livro do próprio William da Silva Lima, que conta parte de sua vida e como surgiu o “Comando Vermelho”, além de conhecermos o dia a dia e os conflitos dentro do temido presídio da Ilha Grande. A premissa é interessante, porém a realização do diretor estreante Caco Souza derrapa nas exageradas idas e vindas do roteiro. 

Na minha opinião o ideal seria trabalhar apenas com duas linhas tempo, começando em 1971 e percorrendo a década de setenta, enquanto a história poderia ser intercalada com 1980 e 81. Vemos situações ocorridas em 1971, depois em 1980, retornando para 1978, voltando para 1972 e assim por diante, uma verdadeira salada russa que confunde o espectador e deixa de explicar várias situações, principalmente as fugas. 

Para piorar, a parte final é apressada ao mostrar o destino de cada personagem em cenas rápidas e sem explicação alguma, com exceção do tiroteio no conjunto residencial, que mesmo sendo mais trabalhado, se mostra exagerado. 

domingo, 4 de dezembro de 2011

S.O.S. Submarino Nuclear

S.O.S. Submarino Nuclear (Gray Lady Down, EUA, 1978) – Nota 7
Direção – David Greene
Elenco – Charlton Heston, David Carradine, Stacy Keach, Ned Beatty, Ronny Cox, Stephen McHattie, Dorian Harewood, Charles Cioffi, Michael O’Keefe, Christopher Reeve, David Clennon, Michael Cavanaugh.

O submarino nuclear Gray Lady se choca com um navio norueguês e afunda, ficando preso no fundo do mar. O capitão Paul Blanchard (Charlton Heston) tenta acalmar os sobreviventes e manter a ordem, porém com passar do tempo as chances de salvamento diminuem. Enquanto isso numa porta-aviões, o Capitão Bennett (Stacy Keach) tem esperança de resgatar os homens através de um pequeno submarino experimental criado pelo Capitão Gates (David Carradine) e o Oficial Mickey (Ned Beatty). 

Mesmo produzido há mais de trinta anos com efeitos especiais extremamente simples comparando com a atualidade, o filme prende a atenção com boas cenas de suspense, criando uma tensão crescente entre os sobreviventes presos no submarino. 

Não pode ser considerado um filme especial ou diferenciado, inclusive lembras as produções do cinema catástrofe da época, mas mesmo assim é competente em sua proposta. 

Como curiosidade temos a pequena participação de Christopher Reeve um pouco antes de ficar famoso como “Superman”. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Nenhum Passo em Falso & Na Trilha dos Assassinos


Nos anos oitenta, o diretor John Frankenheimer estava em baixa após fracassos como o terror "A Semente do Diabo" e o suspense político "O Documento Holcroft". Seus dois próximos trabalhos foram filmes policiais que mesmo não fazendo sucesso no cinema, mostraram que o diretor ainda poderia dar a volta por cima, o que ocorreu nos anos noventa com bons filmes como "Attica: A Solução Final", "Amazônia em Chamas" e principalmente "Ronin". Frankenheimer faleceu num acidente de automóvel em 2002 aos 71 anos.

Nenhum Passo em Falso (52 Pick-Up, EUA, 1986) – Nota 7,5
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Roy Scheider, Ann Margret, John Glover, Vanity, Kelly Preston, Doug McClure, Clarence Williams III, Robert Trebor.

O executivo Harry Mitchell (Roy Scheider) tem uma ótima vida, com uma empresa de sucesso, muito dinheiro e uma bela esposa (Ann Marget), porém resolve ter um caso com uma jovem dançarina (Kelly Preston). Num destes encontros, ao invés da moça estar esperando por Harry no quarto do hotel, três sujeitos mascarados o dominam e mostram uma fita com imagens de Harry e a dançarina, exigindo uma grande quantia para não divulgar o material. 

A empresa de Harry tem negócios com o governo e sua esposa pretende se candidatar a vereadora, o que em tese faria o sujeito pagar a quantia e se calar, mas ao invés disto, Harry conta toda a história para sua esposa e resolve não pagar os chantagistas, dando início a uma intrincada disputa com os bandidos. 

O roteiro é baseado num livro policial do especialista no gênero Elmore Leonard e foi adaptado por ele mesmo para o cinema, contando de modo enxuto uma história simples, mas ao mesmo tempo bem amarrada e que prende a atenção do espectador. 

O filme foi um fracasso na época, chegando a ter um outro título aqui no Brasil, chamado de “A Hora da Brutalidade”, mas merecia melhor sorte. O protagonista Roy Scheider era competente, o vilão John Glover assustador, além da sensualidade das belas Kelly Preston (hoje esposa de John Travolta) e da aposentada morena Vanity. 

O fracasso foi conseqüência da produção ser da extinta Cannon, a conhecida produtora picareta dos israelenses Menahem Golam e Golan Globus, que eram especialistas em filmes de ação de baixo orçamento, o que acabava rotulando outras produções melhores e levando-as ao fracasso no cinema. 

Na Trilha dos Assassinos (Dead Bang, EUA, 1989) – Nota 7
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Don Johnson, Penelope Ann Miller, William Forsythe, Bob Balaban, Tim Reid, Frank Military, Tate Donovan, Michael Jeter, Charles Haid.

Jerry Beck (Don Johnson) é um policial alcoólatra que precisa investigar o assassinato de outro policial. Sujeito problemático, ele trabalha sozinho e não aceita a ingerência do FBI no caso quando descobre que os assassinos pertecem a um grupo de extremistas brancos. 

Este filme foi o primeiro papel principal de Don Johnson no cinema, que havia ficado famoso com a série “Miami Vice” e aqui tentava emplacar como astro de cinema, mas infelizmente o filme fracassou, apesar de ter uma história interessante. O que ajudou no fracasso foram as poucas cenas de ação, que deixaram o filme lento e até voltado para o drama em algumas passagens. 

Mesmo protagonizando outros filmes, Don Johnson nunca se tornou um grande astro, inclusive voltando para a tv em meados dos anos noventa com outra série policial chamada “Nash Bridges”. 

Como curiosidade, o filme tema uma cena inusitada, onde o personagem de Johnson persegue um bandido a pé e quando o alcança, acaba vomitando em cima do sujeito.