domingo, 31 de maio de 2020

Um Novo Amor & Refém da Paixão


Um Novo Amor (At Middleton, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Adam Rodgers
Elenco – Andy Garcia, Vera Farmiga, Taissa Farmiga, Spencer Rocco Lofranco, Nicholas Braun, Tom Skerritt, Peter Riegert, Mirjana Jokovic, Daniella Garcia Lorido, Stephen Borrello.

George (Andy Garcia) é um cirurgião cardíaco que está levando seu filho Conrad (Spencer Rocco Lofranco) para visitar a Universidade de Middleton. Edith (Vera Farmiga) também acompanha sua filha Audrey (Taissa Farmiga). Conrad não demonstra interesse nesta universidade, mas Audrey está animada em conhecer um famoso escritor que é professor no local.

Enquanto os filhos seguem um monitor em uma excursão pelo campus, George e Edith terminam se separando do grupo. Mesmo tendo vidas bem diferentes, os dois parecem reencontrar a felicidade enquanto conversam e se aventuram pela universidade. 

Esta simpática comédia com toques de drama foca em momentos opostos da vida, de um lado os pais que precisam enfrentar a vida real cheia de frustrações e do outro os jovens que estão começando a vida e que acreditam saber tudo, quando na verdade não sabem praticamente nada. 

O ponto alto do longa é a química entre os personagens de Andy Garcia e Vera Farmiga. Diálogos espirituosos despertam sentimentos que estavam represados há muito tempo. Como se eles voltassem a ser jovens por um dia, tendo pelo menos a esperança de que a vida poderia ser diferente. 

Vale citar que as atrizes Vera e Taissa Farmiga que interpretam mãe e filha na verdade são irmãs. Ela tem onze anos de diferença na idade.

Refém da Paixão (Labor Day, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Jason Reitman
Elenco – Kate Winslet, Josh Brolin, Gattlin Griffith, Tobey Maguire, Tom Lipinski, Maika Monroe, Clark Cregg, James Van Der Beek. J.K. Simmons, Brooke Smith, Lucas Hedges.

Em 1987, numa pequena cidade na divisa com o Canadá, a divorciada Adele (Kate Winslet) e seu filho adolescente Henry (Gattlin Griffith) são abordados por Frank (Josh Brolin), um presidiário que fugiu do hospital após passar por uma cirurgia.

A depressiva Adele aceita esconder Frank em sua casa por uma noite. Aos poucos, o fugitivo cria um laço com Henry e se mostra um sujeito completamente diferente do que se espera de um criminoso. Em rápidos flashbacks surgem pistas de qual crime Frank cometeu.

O roteiro adaptado de um livro de sucesso pelo diretor Jason Reitman foca em personagens solitários que por um pequeno espaço de tempo acreditam que possam formar uma nova família. A protagonista vivida por Kate Winslet é depressiva, enquanto o filho tenta substituir o papel do pai que abandonou a família. O personagem de Josh Brolin é a esperança de uma nova vida.

O filme ganha pontos por não apelar para violência ou heroísmos, o foco principal acaba sendo os sentimentos de cada personagem. Vale citar a narração em off do personagem Henry já adulto, vivido por Tobey Maguire.

sábado, 30 de maio de 2020

Dois Lados de um Crime

Dois Lados de um Crime (A Crooked Somebody, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Trevor White
Elenco – Rich Sommer, Clifton Collins Jr., Joanne Froggatt, Ed Harris, Amy Madigan, Amanda Crew, Randee Heller, Paul Ben Victor, Greg Audino, Michael Mosley.

Michael Vaughan (Rich Sommer) é um médium picareta que engana as pessoas fazendo elas acreditaram que ele recebe mensagens dos mortos. 

Após uma palestra, Michael é sequestrado pelo atormentado Nathan (Clifton Collins Jr.), que anos atrás assassinou um homem. Nathan acreditou nas mentiras de Michael e agora deseja que o médium envie uma mensagem para a filha da vítima. 

Tudo fica ainda mais complicado e também interessante para Michael, quando este descobre que o crime de Nathan se refere a um famoso caso em que o corpo da vítima jamais foi encontrado. 

Esta produção sem grandes expectativas acerta em cheio ao entregar uma trama atual que explora a desonestidade de um profeta charlatão com a sede da mídia por tragédias. 

O talento do protagonista em manipular as pessoas cria uma situação bizarra que gera pelo menos duas reviravoltas, chegando até um final cheio de cinismo e hipocrisia. 

Sem grande nomes no elenco, a curiosidade fica para as pequenas participações de Ed Harris e Amy Madigan que interpretam os pais do protagonista e que são casados na vida real desde 1983, além de trabalharem juntos em diversos filmes.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Partida Fria

Partida Fria (The Coldest Game, Polônia / EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Lukasz Kosmicki
Elenco – Bill Pullman, Lotte Verbeek, James Bloor, Robert Wieckiewicz, Aleksey Serebryakov, Corey Johnson, Nicholas Farrell, Evgeniy Sidikhin, Cezary Kosinski.

Em meio a chamada “Crise dos Mísseis de Cuba” em 1962, uma partida de xadrez entre os campeões americano e russo está marcada para Varsóvia, na Polônia. 

A morte inesperada do campeão americano leva o governo a “raptar” o antigo jogador Joshua Mansky (Bill Pullman), hoje um professor entregue a bebida. Ele aceita o desafio, sem imaginar que estará se envolvendo em uma complexa trama de espionagem, que vai muito além disputa de xadrez. 

O roteiro escrito pelo diretor polonês Lukasz Kosmicki utiliza a a história real da Crise dos Mísseis para criar uma trama de espionagem com toques de cinismo, ironia e violência. O filme tem traições, agentes duplos e poucas cenas de suspense. As sequências dos jogos de xadrez acabam ficando em segundo plano. 

Bill Pullman interpreta um personagem atormentado que lembra seu papel na série “The Sinner”, enquanto o destaque fica para o polonês Robert Wieckiewicz como o gerente do hotel que também adora beber e que leva o protagonista para um passeio noturno por Varsóvia. 

Como curiosidade, realmente ocorreu uma partida de xadrez entre o campeão americano Bobby Fischer e o russo Boris Spassky, porém na Islândia em 1972, tema que inclusive rendeu o filme “O Dono do Jogo” em 2014. 

O resultado aqui é um filme mediano, correto e esquecível.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Ad Astra: Rumo às Estrelas

Ad Astra: Rumo às Estrelas (Ad Astra, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – James Gray
Elenco – Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Ruth Negga, Donald Sutherland, Kimberly Elise, Loren Dean, John Ortiz, Donnie Keshawarz, John Finn, Lisagay Hamilton, Sean Blakemore, Bobby Nish, Liv Tyler.

Em um futuro próximo, os humanos criaram estações espaciais, sendo uma delas na lua. 

Quando estranhas rajadas elétricas começam a atingir a Terra, o governo convoca o astronauta Roy McBride (Brad Pitt) para uma complicada missão de encontrar um foguete que desapareceu há dezesseis anos que era comandado por seu pai (Tommy Lee Jones). 

O governo acredita que esta espaçonave desaparecida é a responsável pelas alterações na Terra. A nova missão é a chance Roy tentar reencontrar o pai e também salvar o planeta. 

Esta ficção foi claramente inspirada nos sucessos de “Perdido em Marte” e  “Interestelar”, porém sem a mesma qualidade no desenvolvimento da história. 

O roteiro escrito pelo diretor James Gray tenta criar um clima “filosofal” através da narrativa do protagonista vivido por um angustiado Brad Pitt, mas no fundo esconde uma história simples de filho que deseja conseguir a atenção do pai. 

A narrativa irregular e os personagens atormentados são comuns na filmografia de Gray, a curiosidade é transportar este estilo para uma ficção científica. 

Os destaques ficam para a produção caprichada e para as poucas, porém boas sequências de tensão. 

O resultado é interessante, indicado para quem gosta de ficção misturada com drama.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

A Chave de Sarah

A Chave de Sarah (Elle S'Appelait Sarah, França, 2010) – Nota 7
Direção – Gilles Paquet Brenner
Elenco – Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup, Frederic Pierrot, Aidan Quinn, Michel Duchuassoy, Dominique Frot.

Paris, 2009. Ao pesquisar para escrever um artigo sobre a colaboração francesa com os nazistas em 1942, quando milhares de judeus foram detidos e enviados para campos de concentração, a jornalista Julia (Kristen Scott Thomas) fica perplexa ao descobrir que o apartamento herdado por seu marido (Frederic Pierrot) pode ter sido o lar de uma família judia que teve seus bens tomados pelo governo na época. 

Enquanto Julia se aprofunda na busca pela verdade, uma segunda narrativa em flashbacks detalha como uma família foi expulsa deste apartamento e a filha pré-adolescente Sarah (Mélusine Mayance) ficou obcecada em salvar o irmão menor. 

Baseado em um livro de ficção, este longa explora um tema pouco visitado pelo cinema, a triste história da “França de Vichy” em que o Marechal Philippe Pétain liderou a rendição para os nazistas entregando os próprios cidadãos franceses que eram de origem judaica, que a princípio foram detidos no velódromo da cidade que foi transformado em uma prisão temporária. 

As histórias paralelas prendem a atenção, mesmo com uma certa frieza nas narrativas e com algumas soluções fáceis, como por exemplo a fuga do campo de concentração e a sequência no trem de passageiros. 

É um bom filme, sem grandes surpresas e que agradará ao público fã de adaptações de livros. 

terça-feira, 26 de maio de 2020

O Caminho de Volta & Arremesso de Ouro


O Caminho de Volta (The Way Back, EUA, 2020) – Nota 7
Direção – Gavin O’Connor
Elenco – Ben Affleck, Al Madrigal, Janina Gavankar, Michaela Watkins, Brandon Wilson, John Aylward, Matthew Glave, Glynn Turman, T.K. Carter, Jeremy Ratchford, Dan Lauria.

Jack (Ben Affleck) foi um astro do basquete colegial que na vida adulta enfrenta a separação no casamento após a morte do filho. Descontando a frustração na bebida, Jack se surpreende ao receber o convite do colégio católico em que estudou para treinar a equipe de basquete. Ao lado de um auxiliar (Al Madrigal), ele tenta transformar o catado de garotos do colégio em um verdadeiro time, mas também precisa vencer seus próprios demônios.

Ao mesmo tempo em que este longa segue a cartilha das histórias de superação, o roteiro consegue entregar um final um pouco diferente e mais realista do que as obras similares. Temos os altos e baixos do protagonista, os problemas de relacionamento, mas também a mensagem de que aceitar um choque de realidade pode ser fundamental para quem deseja colocar a vida nos trilhos.

Mesmo longe de ter uma grande atuação, Ben Affleck não chega a atrapalhar o resultado. O diretor Gavin O’Connor e o astro Ben Affleck também trabalharam juntos no superior “O Contador”.

Arremesso de Ouro (Million Dollar Arm, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Craig Gillespie
Elenco – Jon Hamm, Aasif Mandvi, Suraj Sharma, Madhur Mittal, Pitobash, Lake Bell, Alan Arkin, Bill Paxton, Gregory Allan Williams, Allyn Rachel, Tzi Ma.

Los Angeles, 2008. JB Bernstein (Jon Hamm) é um agente de atletas profissionais que passa por uma fase complicada, praticamente sem clientes. Ao ver pela tv uma partida de críquete na Índia, JB tem a ideia de transformar atletas deste esporte em lançadores de beisebol. O objetivo também é abrir o mercado naquele país para vender produtos ligados ao esporte. Ele consegue um patrocinador (Tzi Ma) e segue para Índia onde promove um concurso para encontrar novos jogadores. 

Produzido pela Disney, este longa baseado numa história real segue o estilo das obras do gênero ao explorar uma premissa incomum que se tornou um êxito de superação. Não se pode deixar de citar que a premissa está muito mais ligada a questão financeira e comercial do que esportiva, mesmo com o roteiro amenizando esta situação e criando uma pequena mudança na personalidade do agente vivido por Jon Hamm. 

A grande força da história está nos jogadores indianos (Suraj Sharma e Madhur Mittal) e no intérprete (Pitobash), faltando ao filme o clímax comum ao gênero. As duas sequências de testes no final são apenas corretas, sem grande emoção. 

É um filme que prende a atenção pela simpatia da história e nada mais.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Ozark

Ozark (Ozark, EUA, 2017 a 2020)
Criadores – Bill Dubuque & Mark Williams
Elenco – Jason Bateman, Laura Linney, Sofia Hublitz, Skylar Gaertner, Julia Garner, Lisa Emery, Charlie Tahan, Jordana Spiro, Jason Butler Harner, Peter Mullan, Carson Holmes, Janet McTeer, Kevin L. Johnson, Trevor Long, Marc Menchaca, McKinley Belcher III, Nelson Bonilla, Harris Yulin, Esai Morales, Tom Pelphrey, Jessica Frances Dukes, Felix Solis, Michael Mosley, Joseph Sikora, John Bedford Lloyd.

No episódio inicial, descobrimos que o especialista em investimentos Marty Byrde (Jason Bateman) utiliza seu conhecimento para lavar dinheiro de um cartel de drogas mexicano. 

Um determinado fato obriga Marty a mudar com sua esposa Wendy (Laura Linney) e o casal de filhos Charlotte (Spfia Hublitz) e Jonah (Skylar Gaertner) de Chicago para a pequena cidade de Ozark no Missouri, local conhecido pelos lagos que são visitados por turistas no verão. 

Para provar ao cartel que ainda é confiável e assim salvar sua vida e de sua família, ele precisa lavar uma enorme quantidade de dinheiro em pouco tempo. 

Esta ótima série que até agora tem três temporadas com dez episódios cada guarda algumas semelhanças com a já clássica “Breaking Bad”, principalmente por colocar uma família aparentemente normal tentando sobreviver no violento mundo do tráfico de drogas. 

Diferente de “Breaking Bad” que explorava bastante o humor negro e tinha como destaques os personagens peculiares, esta “Ozark” segue uma linha mais séria. O roteiro desenvolve a história criando em todo episódio algum problema urgente e as vezes de vida ou morte a ser resolvido pelo protagonista e por sua esposa. 

Eles não conseguem respirar tranquilidade, muito por causa dos ótimos coadjuvantes, praticamente todos desonestos de alguma forma. Este emaranhado de situações e reviravoltas prendem a atenção do espectador em todos os episódios. 

O roteiro explora ainda os problemas familiares causados pela profissão do pai e como este “trabalho” influencia no destino de outros personagens, com destaque para Ruth (Julia Garner), a jovem infratora que se torna parceira dos protagonistas. Conte ainda com uma grande dose de violência. 

Agora é esperar a quarta temporada.