terça-feira, 7 de julho de 2020

Eu Não Sou um Serial Killer

Eu Não Sou um Serial Killer (I Am Not a Serial Killer, Irlanda / Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Billy O’Brien
Elenco – Max Records, Christopher Lloyd, Laura Fraser, Christina Baldwin, Karl Geary.

Em uma cidade do meio-oeste americano, John (Max Records) é um adolescente com uma personalidade perturbada que se trata com um psiquiatra para “domar” seus instintos, que poderiam transformá-lo em um assassino. 

A cabeça de John fica ainda mais confusa quando um serial killer real deixa um rastro de mortes na cidade. Sua curiosidade o leva a descobrir a surpreendente identidade do assassino. Ao invés de avisar a polícia, ele prefere vigiar as atitudes do criminoso. 

A premissa é bastante interessante ao colocar como protagonista um adolescente sociopata que luta contra sua falta de sentimentos, lembrando um pouco o superior “O Despertar de um Assassino” que detalhava a juventude do serial killer Jeffrey Dahmer. A diferença aqui é que o assassino é outro personagem, por sinal tão interessante como o protagonista em razão de detalhes que fogem do lugar comum. 

Por outro lado, o desenvolvimento da trama é um pouco confusa e o roteiro apresenta furos. A escolha do diretor em criar sequências de autópsias pode chocar alguns espectadores. Vale citar que a mãe do protagonista é uma agente funerária que tem sua empresa no porão da casa em que eles vivem. 

O resultado é razoável, ficando a impressão de que o bom potencial da trama foi mal explorado.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Timbuktu

Timbuktu (Timbuktu, Mauritânia / França, 2014) – Nota 6
Direção – Abderrahmane Sissako
Elenco – Ibrahim Ahmed, Abel Jafri, Toulou Kiki, Layla Walet Mohamed Mehdi A.G. Mohamed.

Timbuktu, Mali. Uma pequena vila em meio ao deserto é tomada por jihadistas islâmicos que desejam implantar a “Sharia”. 

Armados, o grupo exige que os moradores não ouçam músicas, cantem, fumem e que as mulheres cubram totalmente o corpo. 

Um desentendimento por uma vaca entre um morador do deserto e um pescador termina em morte, aumentando ainda mais a tensão no local. 

Esta curiosa produção foca no sofrimento que aflige diversas regiões na África por causa do avanço do fundamentalismo islâmico. São regiões isoladas e esquecidas que se tornam alvos fáceis para criminosos que acreditam estar defendendo sua religião. 

O diretor e roteirista Abderrahmane Sissako detalha com sensibilidade esta situação, porém ao mesmo tempo com uma lentidão exagerada na narrativa e com atuações amadoras. Além da denúncia da história, outro destaque fica para a bela fotografia. 

O resultado é um filme diferente e irregular.

domingo, 5 de julho de 2020

Um Plano Simples

Um Plano Simples (A Simple Plan, Inglaterra / Alemanha / França / EUA / Japão, 1998) – Nota 7
Direção – Sam Raimi
Elenco – Bill Paxton, Billy Bob Thornton, Gary Cole, Brent Briscoe, Bridget Fonda, Chelcie Ross.

Em uma gelada cidade de Minnesota, os irmãos Hank (Bill Paxton) e Jacob (Billy Bob Thornton), junto com o amigo Lou (Brent Briscoe), encontram no meio da floresta um pequeno avião acidentado e uma enorme quantia de dinheiro. 

Precisando de dinheiro, principalmente Hank que está casado com Sarah (Bridget Fonda) e prestes a ser pai, eles decidem ficar com a fortuna e gastar aos poucos, sem deixar que os demais moradores da região desconfiem de algo. 

Tudo fica mais complicado quando o xerife (Chelcie Ross) pede que eles ajudem um agente do FBI (Gary Cole) a encontrar os destroços do avião. 

Dirigido por Sam Raimi, este longa tem semelhanças com o superior “Fargo” que os irmãos Cohen comandaram dois anos antes.As semelhanças estão nas locações, nos personagens ambiciosos e nas consequentes traições. 

Esta premissa de amizades desfeitas pela ganância ficou imortalizada no clássico “O Tesouro de Sierra Madre” de John Huston, o primeiro grande filme a explorar o tema. 

Mesmo com a presença de astros da época como o falecido Bill Paxton e da aposentada Bridget Fonda, o destaque do elenco fica para o estranho personagem de Billy Bob Thornton.

sábado, 4 de julho de 2020

9. April

9. April (9. April, Dinamarca, 2015) – Nota 6,5
Direção – Roni Ezra
Elenco – Pilou Asbaek, Lars Mikkelsen, Elliott Crosset Hove, Gustav Dyekjaer Glese, Sebastian Bull Sarning.

Na manhã do dia 9 de abril de 1940, o governo dinamarquês é alertado que as tropas alemães estão prestes a atravessar a fronteira. O exército é acionado para tentar deter o avanço dos nazistas. 

O problema é que o exército tem poucos soldados, a maioria jovens mal treinados com pouca munição e que são enviados para lutar utilizando bicicletas como veículos. A resistência dura menos de um dia. 

Baseado na história real da tomada da Dinamarca pelos nazistas, o roteiro escrito pelo também diretor Tobias Lindholm cria um pelotão ficcional liderado pelo subtenente Sand (Pilou Asbaek), que desde a primeira cena deixa claro em seu olhar que todo esforço será inútil. 

O diretor Roni Ezra explora a questão emocional dos soldados e a luta pelo honra, porém o baixo orçamento atrapalha bastante nas cenas de ação. O clímax na ruas de uma pequena cidade não chega a empolgar. 

Os destaques são a história, que mostra a ingenuidade do governo dinamarquês, as bonitas locações e a atuação melancólica de Pilou Asbaek.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes & Snatch: Porcos e Diamantes


Estes dois longas de estilos semelhantes são as duas obras de artes da carreira de Guy Ritchie, que mesmo entregando posteriormente alguns outros bons filmes, jamais conseguiu repetir a mesma qualidade. Os dois filmes descrevem tramas ligadas ao submundo de Londres com muito humor negro, violência, cortes rápidos e trilha sonora agitada. 

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, Inglaterra, 1998) – Nota 10
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Jason Flemyng, Dexter Fletcher, Nick Moran, Jason Statham, Steven Mackintosh, Vinnie Jones, Sting, Vas Blackwood, Stephen Marcus, Nicholas Rowe,

Eddy (Nick Moran) convence seus amigos (Jason Flemyng, Dexter Fletcher e Jason Statham) a apostarem suas economias em um jogo de pôquer. Eddy se considera um grande jogador, porém tudo dá errado e eles ficam devendo uma fortuna para um gângster. O prazo para pagar a dívida e salvar a pele é de apenas uma semana.

A estreia de Guy Ritchie no cinema foi nada menos que sensacional. Como poucos, ele conseguiu explorar o humor negro de forma perfeita. As confusões que aos amigos se envolvem para conseguir dinheiro são absurdas, assim como são impagáveis os personagens que surgem na tela. No meio da trama ainda temos os importantes “canos fumegantes” do título, que são duas armas antigas de colecionador.

Snatch: Porcos e Diamantes (Snatch, Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 10
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Benício Del Toro, Dennis Farina, Brad Pitt, Jason Statham, Vinnie Jones, Rade Sherbedgia, Stephen Graham, Alan Ford, Lennie James, Ade, Ewen Bremner, Jason Flemyng, Goldie, Robbie Gee, Mike Reid, Ade.

Um ladrão de diamantes (Benício Del Toro) que pretende lucrar com o produto de um roubo, um chefão da máfia americana (Dennis Farina) interessado no diamante, dois promotores de lutas clandestinas (Jason Statham e Stephen Graham) que precisam convencer um boxeador cigano (Brad Pitt) a perder uma luta, um criminoso russo (Rade Sherbedgia) envolvido, um chefe do crime em Londres (Alan Ford) que pressiona os promotores, um assassino maluco (Vinnie Jones) e dois capangas idiotas (Lennie James e Robbie Gee). 

Este festival de personagens bizarros, a maioria deles com apelidos formam o elenco de um dos melhores filmes das últimas décadas. O emaranhado da trama cheia de traições resulta em situações absurdas, engraçadas e violentas. 

Além de bizarros, alguns personagens são impagáveis, como o assassino psicopata vivido por Vinnie Jones e o boxeador de Brad Pitt que fala um língua totalmente estranha que somente seus amigos ciganos entendem. 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Charlie, um Grande Garoto

Charlie, um Grande Garoto (Charlie Bartlett, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Jon Poll
Elenco – Anton Yelchin, Robert Downey Jr, Hope Davis, Kat Dennings, Tyler Hilton, Mark Rendall.

Charlie Bartlett (Anton Yelchin) é um adolescente de família rica que é expulso de mais um colégio de elite após vender carteiras de motorista falsificadas. 

Ele vive com sua mãe (Hope Davis), que sem opção, decide enviá-lo para uma escola pública. Rapidamente, Charlie cria na nova escola uma rede de comércio ilegal de medicamentos antidepressivos, incluindo ainda uma sessão de terapia no banheiro. 

Esta comédia despretensiosa faz uma crítica a questão do uso indiscriminado de medicamentos para melhorar o ânimo e enfrentar os problemas do dia a dia. 

Mesmo sem se aprofundar no tema e com algumas sequências bobinhas recheadas de clichês, é interessante a forma como o roteiro tenta mostrar que todas as pessoas sofrem em algum momento e que na maioria das vezes não são necessários medicamentos para enfrentar estes problemas. 

A questão do uso de drogas ilícitas também está ligado a isso, na vontade de “esquecer” os problemas através de uma falsa sensação de bem estar. 

O destaque do filme fica para a atuação de Anton Yelchin, ator extremamente talentoso que faleceu ainda muito jovem em 2016 vitima de um bizarro acidente com seu carro que desengatou sozinho o freio por causa de um defeito.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Ataque ao Prédio

Ataque ao Prédio (Attack the Block, Inglaterra / França / EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Joe Cornish
Elenco – John Boyega, Jodie Whittaker, Alex Esmail, Leeon Jones, Franz Drameh, Simon Howard, Luke Treadaway, Nick Frost.

Em um condomínio de classe baixa na periferia de Londres, um grupo de adolescentes liderados por Moses (John Boyega) assalta a solitária Sam (Jodie Whittaker). 

No mesmo instante, uma espécie de meteoro cai no local, de onde sai uma estranha criatura que é morta pelo grupo. Enquanto eles vibram por terem matado algo incomum, novos meteoros chegam na Terra trazendo criaturas ainda mais perigosas. 

Esta divertida mistura de ficção e terror bebe na fonte dos filmes do gênero dos anos oitenta, colocando como protagonistas adolescentes para enfrentar criaturas que são uma mistura de ursos com gremlins. 

O diretor e roteirista Joe Cornish acertou em cheio nas ótimas sequências de ação e nas perseguições pelo condomínio e seus arredores, explorando suspense, violência e comédia.

Os diálogos afiados são outro destaque, assim como os coadjuvantes. O falador Pest (Alex Esmail), os dois garotos de nove anos com os fogos de artifício e a dupla de drogados vividos por Luke Treadaway e Nick Frost são impagáveis. 

Para quem gosta do gênero, este filme é uma ótima diversão.