sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Trial By Fire & O Segredo


Trial By Fire (Trial By Fire, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Edward Zwick
Elenco – Jack O’Connell, Laura Dern, Emily Meade, Chris Coy, Jade Pettyjohn.

Texas, 23 de dezembro de 1991. Cameron Todd Willingham (Jack O’Connell) sai desesperado de sua casa que está em chamas. Ele tenta voltar para salvar suas três filhas pequenas, porém não consegue. Por ser um sujeito complicado e conhecido por confusões na pequena cidade, rapidamente ele se torna o suspeito principal do incêndio.

E um julgamento com testemunhas controversas, Todd é condenado à morte. Alguns anos depois, uma coincidência faz com que a escritora Elizabeth Gilbert (Laura Dern) se torne amiga de Todd e inicie uma luta para provar sua inocência.

Baseado numa história real descrita em uma reportagem do jornal The New Yorker, este longa tenta fazer uma crítica a pena de morte e as falhas do sistema judiciário americano.

O filme explora algumas narrativas paralelas, sendo a principal a relação de amizade entre escritora e o detento, além de focar nos problemas familiares dos dois, com destaque para a insegurança da esposa de Todd (Emily Mead).

Vale citar a ótima atuação do inglês Jack O’Connell, criando um complexo personagem que é ao mesmo tempo revoltado e amoroso com as filhas, acertando até mesmo no sotaque texano.

O resultado é uma boa opção para quem gosta de drama.

O Segredo (The Chamber, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – James Foley
Elenco – Chris O’Donnell, Gene Hackman, Faye Dunaway, Lela Rochon, Robert Prosky, Bo Jackson, Raymond J. Barry, David Marshall Grant, Nicholas Pryor, Richard Bradford, Millie Perkins, Josef  Sommer, Jane Kaczmarek.

O advogado novato Adam Hall (Chris O’Donnell) decide conhecer seu avô Sam Cayhall (Gene Hackman) que está preso em uma cadeia no Mississippi prestes a ser executado por um terrível crime que cometeu trinta anos antes. 

Cayhall era membro da Ku Klux Klan e foi o responsável por um atentado que matou duas crianças e deixou o pai das mesmas com terríveis sequelas. A difícil decisão de defender o avô assassino faz com que segredos familiares venham à tona e transforme Adam em alvo de políticos e ativistas. 

Assim como as várias adaptações dos livros de John Grisham para o cinema, este longa tem um premissa extremamente interessante e um desenrolar da trama decepcionante. A histórias de Grisham parecem rodar, rodar e não sair do lugar, sem contar a falta de um clímax. 

A atuação de Chris O’Donnell é outro ponto negativo. Ator inexpressivo, O’Donnell não se firmou no cinema, mas conseguiu se acertar na série “NCIS – Los Angeles”. No elenco o destaque fica para Gene Hackman, assustador como o veterano racista. 

É um filme apenas razoável, indicado para os fãs de Grisham.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

The Spy

The Spy (The Spy, França, 2019) – Nota 7,5
Direção – Gideon Raff
Elenco – Sacha Baron Cohen, Noah Emmerich, Hadar Ratzon Rotem, Yael Eitan, Nassim Si Ahmed, Alexander Siddig, Moni Moshonov, Waleed Zuaiter.

Israel, 1961. Eli Cohen (Sacha Baron Cohen) trabalha em uma empresa em uma função burocrática, porém nos anos cinquenta atuou como espião para o o governo israelense enquanto vivia no Egito.

Sonhando voltar a trabalhar para o governo, Eli fica feliz ao ser novamente recrutado. O problema é que desta vez sua missão é muito mais complicada. 

Ele recebe uma nova identidade, inventa uma história mentirosa para a esposa (Hadar Ratzon Rotem) e utiliza suas raízes sírias para se infiltrar entre os poderosos empresários e políticos daquele país. Primeiro na Argentina durante um ano e em seguida direto em Damasco, capital da Síria. 

Aos poucos Eli consegue descobrir segredos vitais para Israel se defender do inimigo sírio, ao mesmo tempo colocando sua vida em risco. 

Baseado na incrível história real do espião Eli Cohen, esta minissérie em seis episódios faz um retrato dos bastidores da luta entre Israel e Síria durante os anos sessenta, situação que resultou na chamada “Guerra dos Seis Dias” em 1967. 

Numa época em que as mensagens por Código Morse era a forma de contato a longa distância que dificultava interceptações, Cohen viveu cinco anos utilizando uma identidade falsa praticamente sem apoio algum. Ele sabia que qualquer deslize seria uma sentença de morte. 

É interessante que ele entrou tão fundo na pele do personagem do empresário sírio, que nas poucas vezes em que voltou para casa demonstrou dificuldade em se relacionar com a esposa. 

A minissérie tem boas sequências de suspense, o roteiro detalha muito bem as relações do protagonista e inclusive sua participação em um Golpe de Estado na Síria que levou o general Amin Al Hafez (Waleed Zuaiter) ao poder. 

Vale destacar ainda a atuação sóbria do comediante Sacha Baron Cohen, que aproveita muito bem a chance de interpretar um papel sério. 

Os fãs de filmes de espionagem com estilo clássico com certeza irão curtir.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

John Carter: Entre Dois Mundos

John Carter: Entre Dois Mundos (John Carter, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Andrew Stanton
Elenco – Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Mark Strong, Ciaran Hinds, Dominic West, James Purefoy, Bryan Cranston, Polly Walker, Daryl Sabara.

Londres, 1881. O futuro escritor Edgar Rice Burroughs (Daryl Sabara) chega na Inglaterra para receber o testamento deixado por seu tio, o aventureiro John Carter (Taylor Kitsch). O item principal do testamento é um diário que narra uma incrível jornada de Carter. 

A trama volta para 1868 quando Carter era uma soldado do exército confederado americano que havia desertado por não acreditar na guerra e por sonhar encontrar uma caverna cheio de ouro. 

Um confronto de soldados com índios leva Carter a encontrar um artefato que o transporta para Marte, sendo jogado em outro conflito, desta vez entre povos alienígenas. 

Esta maluca história que mistura a Inglaterra Vitoriana, o Velho Oeste Americano e Marte saiu da mente do verdadeiro escritor Edgar Rice Burroughs, mais conhecido por ser o criador de Tarzan. 

Por mais absurda que seja, os pedaços da trama se encaixam de forma interessante, o problema acaba sendo a narrativa irregular e alguns diálogos que beiram a comédia. 

As sequências românticas entre o protagonista e a princesa marciana vivida por Lynn Collins também quebram o ritmo da narrativa, mesmo tendo importância na trama. 

O resultado é uma ficção razoável e esquecível.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O 12º Homem

O 12º Homem (Den 12. Mann, Noruega, 2017) – Nota 7,5
Direção – Harald Zwart
Elenco – Thomas Gullestad, Jonathan Rhys Meyers, Marie Blokhus, Mads Sjogard Pettersen, Vegar Hoel, Hakon T. Nielsen.

Costa da Noruega, Segunda Guerra Mundial, 1943. Um grupo com doze noruegueses tem a missão de sabotar uma espécie de centro de comunicações do nazistas. 

A missão falha e onze homens são presos. Apenas Jan Baalsrud (Thomas Gullestad) consegue escapar. 

Sem comida, troca de roupas e com apenas um sapato, Jan procura ajuda com os moradores da região para tentar chegar a Suécia, tendo em seu encalço um temido oficial nazista (Jonathan Rhys Meyers). 

Baseado numa incrível história real de perseverança e vontade de viver, este é mais um longa que comprova a quantidade quase inesgotável de histórias sobre a Segunda Guerra. 

Os letreiros iniciais citam que por mais absurdo que pareçam, os fatos mostrados aqui realmente ocorreram. É uma verdadeira saga enfrentada pelo protagonista. 

Os destaques ficam para a marcante atuação de Thomas Gullestad e as locações na gelada Noruega. Em algumas sequências dá para “sentir” o frio ao ver neve por todos os lados.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O Invencível

O Invencível (Invincible, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Ericson Core
Elenco – Mark Wahlberg, Greg Kinnear, Elizabeth Banks, Kevin Conway, Michael Rispoli, Kirk Acevedo, Michael Kelly, Dov Davidoff, Michael Nouri.

Filadélfia, 1976. Vince Papale (Mark Wahlberg) é um professor substituto de trinta anos que para completar o orçamento trabalha como bartender no estabelecimento de um amigo. 

Vince e um grupo de amigos são torcedores do time de futebol americano Philadelphia Eagles, que teve uma temporada terrível no ano anterior. Um novo treinador (Greg Kinnear) é contratado. 

Pensando em estreitar os laços com a torcida, ele promove um dia de “peneira”, ou seja, um treino para os torcedores demonstrarem sem algum tem condições de jogar profissionalmente. Para surpresa geral, Vince mostra seu talento e termina escolhido para treinar com os profissionais, tendo assim a chance de sua vida. 

Baseado numa incrível história real, este longa tem como ponto principal a persistência do protagonista vivido por Mark Wahlberg. Mesmo sendo uma gigantesca exceção, a história do personagem é um exemplo de como enfrentar os desafios da vida de cabeça erguida. 

Vale destacar também os problemas comuns enfrentados pelos amigos do protagonista, principalmente o desemprego e a falta de perspectivas de uma vida melhor. 

É um bom filme que vai além do drama esportivo. 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Possessão & Dominação


Possessão (The Possession, EUA / Canadá, 2012) – Nota 6
Direção – Ole Bornedal
Elenco – Jeffrey Dean Morgan, Kyra Sedgwick, Natasha Calis, Madison Davenport, Matisyahu, Grant Show.

Na sequência inicial, uma senhora tenta destruir uma enigmática caixa de madeira, mas termina sendo impedida por uma força sobrenatural. Algum tempo depois, Clyde (Jeffrey Dean Morgan), que está separado da esposa (Kyra Sedgwick), passa pelo local do ocorrido onde está ocorrendo uma venda de garagem e decide parar com suas filhas Emily (Natasha Calis) e Hannah (Madison Davenport). A mais nova Hannah fica empolgada com a caixa e a leva para casa. Não demora para a garota começar a ter atitudes estranhas, assustando a família.

O filme se diz baseado em fatos reais que aconteceram durante vinte e nove dias, mas fica difícil saber até que ponto isso é verdade. A história explora todos os clichês comuns aos filmes de possessão, com o diretor exagerando um pouco nos cortes que lembram as paradas para propagandas em produções de tv.

Vale a sessão por duas curiosidades. Ver Jeffrey Dean Morgan em um papel bem diferente do Negan de “The Walking Dead” e o inusitado personagem que surge na parte final para ajudar a família.

Dominação (Incarnate, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Brad Peyton
Elenco – Aaron Eckhart, Carice van Houten, Catalina Sandino Moreno, David Mazouz, Keir O’Donnell, Matt Nable, Emily Jackson.

Dr. Ember (Aaron Eckhart) desenvolveu o poder de entrar na mente de pessoas que estão possuídas por algum espírito maligno e assim tentar expulsá-lo do hospedeiro. Ao ser procurado por uma representante do Vaticano (Catalina Sandino Moreno) para ajudar um garoto (David Mazouz) que está possuído, Ember descobre que o espírito é o mesmo que causou uma tragédia em sua vida. 

A premissa de misturar controle da mente com exorcismo é bastante criativa, assim como as cenas de luta entre o bem e o mal são tensas, porém o desenvolvimento do roteiro é repleto de clichês, inclusive o abrupto final. 

O destaque do elenco fica para o garoto David Mazouz, assustador nos momentos em que a entidade utiliza se corpo para se expressar.

O resultado é no máximo razoável.

sábado, 30 de novembro de 2019

Parasita

Parasita (Gisaengchung, Coreia do Sul, 2019) – Nota 8,5
Direção – Bong Joon Ho
Elenco – Kang Ho Song, Sun Kyun Lee, Yeo Jeong Jo, Woo Sik Choi, Hye Jin Jang, So Dam Park, Ji So Jung.

Uma família de desempregados que vive em um porão fazendo pequenos bicos para sobreviver, vê a chance de mudar de vida quando o filho Ki Woo (Woo Sik Choi) é indicado por um amigo e consegue um emprego para ensinar inglês para a filha adolescente de um casal rico. 

Este é o tipo de filme em que quanto menos o espectador souber maior será a surpresa, ou melhor, as surpresas. 

O roteiro escrito pelo ótimo diretor Bong Joon Ho, de filmes marcantes como “Expresso do Amanhã”, “Mother – A Busca Pela Verdade” e “Memórias de um Assassino” detalha uma história em que as aparências enganam. 

Uma sequência de mentiras que chegam a ser engraçadas na primeira hora se transformam em uma situação insustentável envolvendo ambição e preconceito, chegando até um pesado clímax. 

É mais um filme que comprova a alta qualidade do cinema sul-coreano.