domingo, 8 de novembro de 2015

A Grande Virada

A Grande Virada (The Company Men, EUA / Inglaterra, 2010) – Nota 7
Direção – John Wells
Elenco – Ben Affleck, Tommy Lee Jones, Chris Cooper, Kevin Costner, Maria Bello, Craig T. Nelson, Rosemarie DeWitt, Eamonn Walker, Anthony O’Leary, Angela Rezza, John Doman.

Após divulgar o balanço anual, a corporação GTX vê suas ações despencarem. Para acalmar o mercado, o CEO Salinger (Craig T. Nelson) determina um grande corte de custos, começando pela dispensa de vários funcionários. 

Entre os dispensados está o executivo Bobby Walker (Ben Affleck), que é casado, tem dois filhos e um alto padrão de vida. Acreditando que conseguirá emprego rapidamente, Bobby inicia uma peregrinação, primeiro em uma empresa de recolocação, depois em diversas entrevistas frustantes. 

O roteiro escrito pelo próprio diretor John Wells, utiliza como premissa a crise financeira que os Estados Unidos passava na época e a consequente onda de desemprego que tomou conta do país. 

Além do personagem de Affleck, a trama acompanha também o vice-presidente da empresa vivido por Tommy Lee Jones, que começa a questionar sua vida profissional ao ver antigos amigos serem demitidos, como o diretor vivido por Chris Cooper e sua vida pessoal, como seu casamento falido e a relação com a amante ambiciosa (Maria Bello). 

A crítica sobre a ganância dos executivos das grandes empresas, os processos seletivos hipócritas e as falsas amizades profissionais são os pontos altos o longa. 

O filme perde pontos ao exagerar em uma determinada decisão de um personagem e querer compensar através de um final esperançoso, porém um pouco longe da realidade.  

sábado, 7 de novembro de 2015

Dope

Dope (Dope, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Rick Famuyiwa
Elenco – Shameik Moore, Toni Revolori, Kiersey Clemons, Kimberly Elise, Keith Stanfield, Blake Anderson, Rakim Mayers “A$ap Rocky”, Zoe Kravitz, De’aundre Bonds, Chanel Iman, Quincy Brown, Roger Guenveur Smith, Forest Whitaker.

Malcolm (Shameik Moore), Jib (Toni Revolori) e Diggy (Kiersey Clemons) são adolescentes que estão no último ano de colégio e pretendem entrar na universidade. A dificuldade encontrada por estes jovens é que eles vivem no violento bairro de Inglewood em Los Angeles. 

Verdadeiros geeks que se vestem e cortam o cabelo como se estivessem nos anos noventa e ainda curtem o hip-hop da época, o trio é visto como pessoas diferentes da maioria dos jovens do bairro. 

Quando Malcolm fica atraído pelo namorada de um jovem traficante e acaba convidado pela garota para ir a festa de aniversário do sujeito, ele e os amigos não imaginam que serão testemunhas de um tiroteio. Após fugirem da confusão, Malcolm descobre que alguém colocou vários pacotes de drogas em sua mochila. 

Quando o então jovem diretor John Singleton estreou aos vinte e três anos comandando “Boyz'n the Hood - Os Donos da Rua”, ele não imaginava que estaria criando um novo gênero, o de filmes sobre os bairros pobres de Los Angeles. 

O diretor Rick Famuyiwa bebe na fonte da obra de Singleton para criar uma história com a cara dos dias atuais. Diferente do longa de 1991, que era uma drama violento e pesado, aqui a violência se mistura a esperança de uma vida melhor, até mesmo utilizando toques de comédia em algumas sequências, dando um ar mais leve para narrativa. 

O trio de jovens retratados aqui são pessoas normais, que sofrem pela violência ao redor, mas que levam uma vida correta e acabam envolvidos com traficantes por conta do destino. 

É interessante também a forma como o roteiro faz com que os jovens resolvam a situação, utilizando seu conhecimento de tecnologia e fugindo dos clichês do gênero. 

Vale destacar a atuação espontânea do trio principal e a narração de Forest Whitaker.

Como curiosidade, no início do filme surge na tela uma explicação sobre a palavra dope. Uma gíria que pode significar drogas, sujeito drogado ou ainda uma pessoa ingênua.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Desaparecidos

Desaparecidos (Trade, EUA / Alemanha, 2007) – Nota 7,5
Direção – Marco Kreuzpaintner
Elenco – Kevin Kline, Cesar Ramos, Alicja Bachleda, Paulina Gaitan, Marco Perez, Linda Emond, Zack Ward, Kate Del Castillo, Tim Reid, Pascha D. Lychnikoff.

Na Cidade do México, Jorge (Cesar Ramos) ganha a vida enganando turistas com a ajuda de seus amigos. Quando sua irmã de apenas treze anos Adriana (Paulina Gaitan) é sequestrada por traficantes de pessoas, Jorge inicia uma busca desesperada pela garota. 

Ao seguir a pista dos traficantes, Jorge cruza o caminho de Ray (Kevin Kline), um detetive particular americano que procura outra garota. Mesmo tendo vidas opostas e uma grande diferença de idade e de valores, o objetivo em comum faz com que juntem forças para a caçada. 

A premissa é instigante, assim como a primeira parte que se passa na Cidade do México e mostra os sequestros da menina Adriana e de uma garota polonesa (Alicja Bachleda) que se torna vítima do clássico golpe do emprego falso. 

O desenvolvimento da trama no estilo road movie durante a incessante busca também é competente, destacando ainda a crueldade com que os sequestradores tratam as vítimas. Algumas sequências de abusos são de virar o estômago. 

Alguns problemas do roteiro surgem no terço final, quando coincidências levam até um clímax que flerta com os clichês do gênero policial. 

Os letreiros finais citam o enorme número de pessoas que são vendidas como escravas em pleno século XXI e como as autoridades fecham os olhos para a situação. Por sinal, o “Trade” do título significa “Comércio”.  

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Narcos

Narcos (Narcos, EUA, 2015)
Direção - José Padilha, Fernando Coimbra, Guillermo Navarro & André Baiz
Elenco - Wagner Moura, Boyd Holbrook, Pedro Pascal, Joanna Christie, Maurice Compte, Paulina Gaitan, Danielle Kennedy, Richard T. Jones, Luis Guzman, Juan Pablo Raba, Raul Mendez, André Mattos, Roberto Urbina, Michael St. Spirit, Ana de la Reguera.

No final dos anos oitenta, o colombiano Pablo Escobar (Wagner Moura) se tornou um dos homens mais ricos do mundo ao comandar uma rota de tráfico internacional entre a Colômbia e os Estados Unidos.

Na época, o governo americano ainda estava mais preocupado com os comunistas do que com o tráfico de drogas. Mesmo assim, soldados americanos atuavam na Colômbia e o DEA enviou Steve Murphy (Boyd Holbrook) para analisar a situação das drogas no país.

A chegada de Murphy em Medellin coincide com a tentativa de Escobar em entrar para a política, fato que colocou o traficante no radar dos americanos e deu início a uma série de assassinatos, atentados e sequestros por toda a Colômbia.

Esta série com dez episódios é baseada na história real de Pablo Escobar, um sujeito frio, calculista, violento e obcecado pelo poder, que não aceitava ser confrontado. Ele nasceu pobre no bairro de Antioquia em Medellin e aos poucos foi construindo seu império através do tráfico e da violência, ao mesmo tempo em que tinha a simpatia de muitas pessoas humildes por construir casas, escolas, campos de futebol e até distribuir dinheiro.

A história de Escobar é um verdadeiro roteiro de cinema e demorou bastante para uma grande produção explorar o tema. Apenas "Profissão de Risco" de 2001 abordava parte da história de Escobar, porém seu personagem era um coadjuvante, pois a trama focava em George Jung (Johnny Depp), o sujeito que abriu as portas dos Estados Unidos para o tráfico de cocaína.

A série mistura com competência cenas de violência em paralelo com a corrupção da polícia e do exército, além dos bastidores políticos das negociações de Escobar com o governo e com outros traficantes. Um dos personagens mais importantes da série é o ex-presidente colombiano César Gaviria (Raul Mendez), que foi eleito após outro candidato que era seu amigo ser assassinado e obrigado a enfrentar uma enorme onda de violência.

Apesar de ser uma boa série, algumas coisas incomodam. É estranho ver Wagner Moura falando em espanhol e com um olhar perdido, como se estivesse sempre depressivo à espera de um motivo para descontar seu ódio em alguém.

O personagem de Boyd Holbrook não convence. Mesmo sendo o narrador da história, em momento algum ele passa a força que seu personagem deveria ter. Falta carisma e um pouco mais de talento para o ator,

Acredito ainda que com mais de dois ou três episódios a história fecharia mais compacta. O que restou da história real para a segunda temporada, a princípio parece pouca coisa para segurar mais dez episódios. Vamos esperar para conferir.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Na Próxima, Acerto no Coração

Na Próxima, Acerto o Coração (La Prochaine fois je Viserai le Coeur, França, 2014) – Nota 6,5
Direção – Cédric Anger
Elenco – Guillaume Canet, Ana Girardot, Jean Yves Berteloot, Patrick Azam, Douglas Attal.

Cidade de Osie, França, 1978. Uma garota de bicicleta é atropelada e brutalmente assassinada com um tiro sem motivo algum. O assassino é Franck Neuhart (Guillaume Canet), um jovem policial que trabalha na guarda nacional, a chamada Gendarmeria. 

Sem levantar suspeitas dos companheiros de trabalho, Franck participa ativamente da busca pelo assassino, que ele é mesmo, além de enviar cartas para a polícia ameaçando cometer outros assassinatos. 

Baseado numa história real, este longa policial avisa nos letreiros iniciais que o espectadora verá uma história absurda, que foi transportada para o cinema a partir dos documentos oficiais da investigação. 

O ponto principal do roteiro não é o suspense, desde o início o espectador sabe quem é o assassino, a proposta é dissecar a personalidade distorcida do protagonista, mostrando seu incômodo ao conversar com os pais, o carinho pelo irmão menor, as mentiras no trabalho e a complexa relação de amor e ódio com a doce namorada (Ana Girardot). 

Quase tudo é estranho no filme, começando pelo protagonista, passando pela narrativa, até a trilha sonora que parece de filme de terror B. 

No final, a história se mostra mais interessante que o filme.   

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Aliança do Crime

Aliança do Crime (Black Mass, EUA / Inglaterra, 2015) – Nota 8
Direção – Scott Cooper
Elenco – Johnny Depp, Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson, Kevin Bacon, Peter Sarsgaard, Jesse Plemons, Rory Cochrane, David Harbour, Adam Scott, Corey Stoll, Julianne Nicholson, W. Earl Brown, Bill Camp, Juno Temple.

Sul de Boston, 1975. Jimmy “Whitey” Bulger (Johnny Depp) comanda um grupo de bandidos descendentes de irlandeses que dominam a região. Quando o amigo de infância John Connolly (Joel Edgerton) volta para o bairro, agora trabalhando como agente do FBI, nasce um insólito acordo. 

O objetivo do ambicioso Connolly é acabar com a Máfia Italiana que é inimiga dos irlandeses. Para isso, Connolly promete proteger Whitey em troca de informações que levem os mafiosos italianos para prisão. Para a situação ficar ainda mais complexa, Whitey tem um irmão que é Senador (Benedict Cumberbatch). Esta relação de favores e corrupção durará mais de vinte anos. 

Baseado numa história real que lembra a corrupção no Brasil, este ótimo drama policial apresenta mais uma grande atuação de Johnny Depp, que novamente se transforma na aparência, estando quase careca e na voz soturna que faz gelar a alma dos inimigos. 

O roteiro segue com detalhes a violenta saga de Whitey, um personagem complexo e contraditório. Ele se mostra ao mesmo tempo amoroso com sua família e totalmente cruel com os inimigos, principalmente aqueles que ele considera traidores. Uma contradição, levando em conta que ele mesmo era informante do FBI, mas não aceitava ser considerado um delator. 

Vale destacar ainda o ótimo elenco de apoio, com Peter Sarsgaard como um bandido pé-de-chinelo, o estranho Jesse Plemons como um capanga e o braço-direito de Whitey vivido por Rory Cochrane, ator promissor nos anos noventa, que há muito não conseguia um bom papel no cinema. 

Não tem a mesma qualidade ou o talento do envolvidos, mas mesmo assim o longa lembra um pouco o clássico “Os Bons Companheiros”. 

Para quem gosta do estilo, o filme é uma ótima opção.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Nocaute

Nocaute (Southpaw, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Jake Gyllenhaal, Rachel McAdams, Forest Whitaker, Oona Laurence, Curtis “50 Cent” Jackson, Miguel Gomez, Skylan Brooks, Naomi Harris.

Após vencer mais uma luta pelo título mundial de boxe e manter sua invencibilidade na carreira, Billy Hope (Jake Gyllenhaal) fica dividido entre o desejo da esposa Maureen (Rachel McAdams) para que ele abandone a carreira e a pressão de seu empresário (Curtis “50 Cent” Jackson) para assinar um milionário contrato que prevê mais três combates. Antes de decidir qual caminho seguir, um fato inesperado mudará completamente a vida de Billy. 

Mesmo tendo perdido espaço na mídia nos últimos anos para o MMA, o boxe ainda é um esporte com potencial para grandes histórias, tanto pelo talento, carisma e ambição dos lutadores, quanto pela violência, ganância dos empresários e corrupção. 

Esta incursão do diretor Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”, “O Protetor”) no gênero explora todos estes detalhes, incluindo os altos e baixos da carreira do boxeador e de sua vida pessoal. 

O roteiro não apresenta surpresas, as situações mostradas aqui nós já vimos em vários filmes sobre boxe, como a série “Rocky” e o clássico “Marcado Pela Sarjeta” com Paul Newman, mas isso não é demérito, Fuqua consegue manter o interesse na trama durante todo o filme, através de uma boa narrativa e pelo talento de atores como Gyllenhaal e Forest Whitaker. 

Não é nada que irá revolucionar o cinema, mas se mostra um competente drama sobre o mundo do boxe.