segunda-feira, 31 de março de 2025

Alguém lá em Cima Gosta de Mim & O Céu Continua Esperando

 

Alguém lá em Cima Gosta de Mim (Oh, God!, EUA, 1977) - Nota 7,5
Direção – Carl Reiner
Elenco – George Burns, John Denver, Ralph Bellamy, Donald Pleasence, Teri Garr, William Daniels, Barnard Hughes, Paul Sorvino, Barry Sullivan, David Ogden Stiers.

Jerry (John Denver) trabalha em um supermercado e leva uma vida comum com a esposa Bobbie (Teri Garr). Tudo mundo quando em um certo dia ele recebe um bilhete para encontrar com Deus. Mesmo acreditando ser uma piada, ele decide acreditar na brincadeira e termina de cara com o verdadeiro Deus (George Burns) que deseja que Jerry espalhe sua mensagem para as pessoas mudarem de vida antes que seja tarde. 

Esta divertida comédia fez grande sucesso por mostrar de uma forma leve como as pessoas tinham se afastado do caminho correto, algo que por sinal hoje está muito pior. O protagonista vivido pelo falecido cantor John Denver, que na época estava no auge da carreira musical, sofre para tentar provar que falou com Deus, sendo tratado de forma bizarra pelos conhecidos, por médicos e até religiosos. 

Outro destaque é atuação do comediante George Burns, que tinha oito e um anos e que soltava frases extremamente divertidas para provar sua existência. O sucesso rendeu uma sequência inferior em 1984.

O Céu Continua Esperando (Oh, God! You Devil, EUA, 1984) – Nota 5,5
Direção – Paul Bogart
Elenco – George Burns, Ted Wass, Ron Silver, Roxanne Hart

Nesta sequência, Deus (George Burns) luta contra o Diabo (George Burns em papel duplo) para tentar salvar a alma de um ídolo do rock (Ted Wass), que deseja fazer sucesso a qualquer preço, mesmo que tenha que vender sua alma. 

O longa brinca com a história de “Fausto” misturada a lenda de que as estrelas do rock faziam pacto com o diabo para crescer na carreira. O filme tem alguns diálogos divertidos, principalmente a batalha de palavras entre Deus e o Diabo, mas a história não decola. Faltou a originalidade do primeiro filme e um roteiro melhor.

domingo, 30 de março de 2025

Priscilla

 

Priscilla (Priscilla, Itália / EUA / Inglaterra, 2023) – Nota 6
Direção – Sofia Coppola
Elenco – Cailee Spaeny, Jacob Elordi, Ari Cohen, Dagmara Dominczyk, Tim Post, Lyne Griffin.

Em 1959, a adolescente Priscilla (Cailee Spaeny) vive na Alemanha com os pais, assim como Elvis Presley (Jacob Elordi) que está prestando serviço militar. Eles se conhecem em uma festa e iniciam uma relação repleta de altos e baixos que se estenderá até 1972. 

Este longa dirigido por Sofia Coppola é baseado no livro escrito por Priscilla Presley que detalha como foi sua relação com Elvis. A produção é caprichada e a protagonista Cailee Spaeny, que tinha vinte e cinco anos quando o filme foi rodado, convence como a adolescente que descobre o amor e que demora para amadurecer. 

Priscilla é mostrada como uma garota que a princípio é moldada por Elvis que tinha dez anos a mais de idade e que com o passar do tempo percebe que é impossível ter o marido somente para ela. Por outro lado, a atuação de Jacob Elordi é over, tanto no início quando se mostra melodramático, como nos momentos de fúria e no final quando se tornou um sujeito ainda mais complicado por causa do vício em medicamentos. 

Um dos problemas do filme é a narrativa fria que cria um distanciamento entre os personagens e o público. Não existem momentos mais pesados. Os coadjuvantes também são mal explorados, parecendo figurantes. A impressão ao final de sessão é que vimos na tela as páginas de um livro frio e previsível.

sábado, 29 de março de 2025

Neste Mundo e no Outro

 

Neste Mundo e no Outro (A Matter of Life and Death, Inglaterra, 1946) – Nota 7,5
Direção – Michael Powell & Emeric Pressburger
Elenco – David Niven, Kim Hunter, Robert Coote, Roger Livesey, Raymond Massey, Richard Attenborough, Mairus Goring.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o piloto Peter Carter (David Niven) está sozinho em um bombardeiro prestes a cair. Pensando em se despedir da mãe e das irmãs, ele envia uma mensagem pelo rádio que é recebida pela oficial June (Kim Hunter), que se apaixona pelas palavras de Peter. Ao pular para a morte com um paraquedas, Peter acorda em uma praia sem saber como sobreviveu, até ser procurado por alguém que vive em um outro mundo. 

A dupla de diretores ingleses Michael Powell e Emeric Pressburger fizeram vários filmes juntos, com destaque para “Narciso Negro” e este “Neste Mundo e no Outro”. O grande acerto aqui é a criatividade, tanto nos cenários bem diferentes dos filmes da época, quanto os vários temas que o roteiro aborda. 

O filme começa como uma história de amor em meio a uma quase tragédia, pula para a questão da vida após a morte, segue para uma discussão sobre psiquiatria e neurologia, até o debate final que coloca no mesmo pote discussões sobre fé, religião e política com um embate entre Estados Unidos e Inglaterra. 

Vale citar o casal apaixonado vivido por David Niven, famoso por ótimos papéis nos anos cinquenta e sessenta e pela bela Kim Hunter, que ficaria marcada pela personagem da cientista Zira no clássico “O Planeta dos Macacos”.

sexta-feira, 28 de março de 2025

Terrorismo em Nova York

 

Terrorismo em Nova York (New York'ta Bes Minare, Turquia / EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – Mahsun Kirmizigul
Elenco – Haluk Bilginer, Mahsun Kirmizigul, Mustafa Sandal, Danny Glover, Gina Gershon, Robert Patrick, Scott William Winters.

Dois policiais turcos (Mahsun Kirmizigul e Mustafa Sandal) viajam aos Estados Unidos para escoltar de volta ao seu país um sujeito (Haluk Bilginer) acusado de ser o financiador de um grupo terrorista. O homem vive na América há décadas, tem família e alega que jamais se envolveu com terrorismo. Aos poucos, os policiais percebem que existe algo de errado com a situação. 

Esta co-produção entre Turquia e Estados Unidos dirigida, escrita e protagonizado por Mahsun Kirmizigul é melhor do que parece à primeira vista. A narrativa tem falhas, assim como uma sequência de ação mais forte deixa a desejar, porém a história é bastante interessante. O roteiro toca na questão do radicalismo sem ser panfletário, na importância da família e também no ódio, com direito a uma criativa reviravolta na parte final.

quinta-feira, 27 de março de 2025

O Passageiro: Profissão Repórter

 

O Passageiro: Profissão Repórter (Professione: Reporter, Itália / França / Espanha, 1975) – Nota 7,5
Direção – Michelangelo Antonioni
Elenco – Jack Nicholson, Maria Schneider, Jenny Runacre, Ian Hendry, Steven Berkoff.

Locke (Jack Nicholson) é um repórter de guerra que está na região do Deserto do Saara para fazer uma matéria sobre a guerrilha local. Chegando a uma simples pousada onde encontraria um sujeito que passaria informações sobre a situação, Locke encontra o homem morto no quarto. Ao invés de avisar a polícia, ele decide se apropriar da identidade do falecido, que é muito parecido com ele e assim buscar uma nova vida. O problema é que o homem era um traficante de armas. 

A premissa lembra a de um filme de ação sobre identidades trocadas, porém o desenvolvimento segue um linha completamente diferente. Por mais que o protagonista se envolva em algo perigoso e faça de tudo para não ser encontrado, a narrativa é lenta ao estilo diretor italiano Michelangelo Antonioni. As locações abertas e as posições da câmera são tão importantes quanto o restante para o diretor, que cria uma sequência final em que as imagens dizem tudo.

quarta-feira, 26 de março de 2025

O Diário de um Maquinista

 

O Diário de um Maquinista (Dnevnik Masinovodje, Sérvia / Croácia, 2016) – Nota 7
Direção – Milos Radovic
Elenco – Lazar Ristovski, Petar Korac, Mirjana Karanovic, Jasna Djuricic, Mladen Nelevic, Nina Jankovic.

Ilija (Lazar Ristovski) é um veterano maquinista que já matou diversas pessoas em acidentes nos trilhos. Não que ele seja um assassino, são casos de pessoas que escolhem cometer suicídio ou que tentam atravessar os trilhos com carros que ficam presos. 

Um certo dia, Ilija cruza o caminho do garoto Sima (Petar Korac), um órfão que ele adota. Anos mais tarde, Sima deseja ser maquinista, enquanto Ilija prefere que o garoto encontre outra profissão. 

Este curioso longa que mistura drama com humor narra de forma inusitada um relação que no fundo é comum entre pai e filho. São conflitos por causa de pensamentos e objetivos diferentes. 

A narrativa é criativa na forma de mostrar o porquê das atitudes de Ilija, que carrega uma enorme frustração. As locações na decadente linha ferroviária mostram como o interior dos antigos países socialistas ainda está atrasado. 

É um filme diferente que vale ser conhecido.

terça-feira, 25 de março de 2025

Fúria Primitiva

 

Fúria Primitiva (Monkey Man, EUA / Canadá / Singapura / Índia, 2024) – Nota 7,5
Direção – Dev Patel
Elenco – Dev Patel, Sharlto Copley, Pitobash, Sikandar Kher, Sobhita Dhulipala, Makrand Deshpande, Ashwini Kalsekar, Adithi Kalkunte.

Kid (Dev Patel) tenta sobreviver ganhando trocados em lutas clandestinas onde “interpreta” o personagem de um macaco. Aos poucos, a narrativa mostra que o objetivo de Kid vai além de ganhar dinheiro para ter uma vida melhor. Na verdade ele procura vingança por algo que aconteceu em sua infância. 

O ator Dev Patel estreou na direção de um longa com essa mistura insana de “John Wick” com “Clube da Luta”. São basicamente três atos. A primeira hora foca na elaboração e execução do plano de vingança, até chegar a um resultado que não era o esperado. Os trinta minutos seguintes detalha uma jornada espiritual, para na meia-hora final explodir a violência. 

Essa parte espiritual quebra o ritmo da narrativa, mesmo tendo uma explicação na trama, que por sinal é bem amarrada detalhando ainda questões políticas e corrupção. O ator Dev Patel mostra talento nas sequências de ação, como já fez outras vezes e também atrás das câmeras.