quinta-feira, 30 de abril de 2020

The Collini Case

The Collini Case (Der Fall Collini, Alemanha, 2019) – Nota 7,5
Direção – Marco Kreuzpaintner
Elenco – Elyas M’Barek, Alexandra Maria Lara, Franco Nero, Heiner Lauterbach, Manfred Zapatka, Rainer Bock, Pia Stutzenstein, Peter Prager.

Berlim, 2001. Caspar Leinen (Elyas M’Barek) é um advogado recém-formado que trabalha na defensoria pública. 

Ele é designado para o caso de um italiano chamado Fabrizio Collini (Franco Nero) que assassinou um empresário (Manfred Zapatka) sem motivo aparente. O silêncio de Collini intriga Caspar, que deseja entender o porquê do crime. 

Tratado a princípio como inofensivo pelo promotor (Rainer Bock), pelo advogado da família (Heiner Lauterbach) e pela neta do empresário (Alexandra Maria Lara), conforme Caspar se aprofunda na investigação e descobre segredos, o clima entre se eles torna insustentável. 

O ponto alto deste longa é a trama que mexe com segredos que parte da sociedade alemã preferia deixar enterrados. Não vou me aprofundar nos detalhes para não estragar a surpresa de quem quiser conferir o filme. 

Vale destacar a presença do veterano ator italiano Franco Nero, famoso nos sessenta e setenta após protagonizar o clássico do western spaghetti “Django”.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

O Poço

O Poço (El Hoyo, Espanha, 2019) – Nota 4
Direção – Galder Gaztelu Urrutia
Elenco – Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan, Emilio Buale, Alexandra Masangkay.

Goreng (Ivan Massangué) acorda em uma estranha prisão dividida por níveis. Ele está no mesmo local que o veterano Trimagasi (Zorion Eguileor). 

No andar que é quadrado existe um enorme buraco no meio, em que desce um estranho elevador com restos de comida. Trimagasi explica que a comida vai descendo pelos andares e que cada preso tem que se alimentar rapidamente, deixando as sobras para os que estão nos andares abaixo. Goreng se revolta e tenta mudar a situação. 

Este é um daqueles filmes difíceis de ver até o final. O ar de cult e a sensação de ser uma crítica social pesada esconde um filme pretensioso e produzido apenas para chocar.

O simbolismo de criticar a hierarquia social através dos níveis, em que os que estão nos postos mais altos aproveitam as melhoras coisas e conforme a escala desce as pessoas ficam com a sobras é verdadeira apenas em parte nos países capitalistas, que por sinal é o sistema criticado aqui. 

Enquanto nos países socialistas a fome e a falta de liberdade são comuns, o capitalismo é o único sistema em que existe a possibilidade das pessoas crescerem e mudarem de classe social. 

No filme o protagonista grita logo no início para as pessoas racionarem a comida, enquanto seu companheiro o acusa de ser comunista, ou seja, temos uma inversão de valores. No comunismo existem racionamentos comandados pelo governo, não porque as pessoas queiram fazer, mas porque são obrigadas. 

No mundo capitalista cada pessoa vai buscar “seu alimento” através do trabalho, enquanto o foco do socialismo (comunismo disfarçado) é dar migalhas para calar a população. 

As sequências nojentas dos restos de comida e a violência ao estilo gore são utilizadas aqui para manipular o espectador e demonizar o capitalismo. 

O resultado é um péssimo filme ideológico.

terça-feira, 28 de abril de 2020

O Mafioso

O Mafioso (Kill the Irishman, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Jonathan Hensleigh
Elenco – Ray Stevenson, Vincent D’Onofrio, Val Kilmer, Christopher Walken, Linda Cardellini, Tony Darrow, Robert David, Fionnula Flanagan, Bob Gunton, Jason Butler Harner, Vinnie Jones, Tony Lo Bianco, Laura Ramsey, Steve R. Schirripa, Paul Sorvino, Mike Starr, Marcus Thomas, Vinny Vella Sr.

Cleveland, início dos anos setenta. Danny Greene (Ray Stevenson) é um descendente de irlandeses que consegue tomar o poder no sindicato de estivadores. 

A chance de ganhar dinheiro surge na aliança com mafiosos locais, principalmente John Nardi (Vincent D’Onofrio), com quem cria um laço de amizade. Conforme avançam suas transações com o submundo, Danny se torna alvo da polícia. 

Este pouco conhecido longa detalha uma interessante história real que lembra as obras sobre a Máfia de Martin Scorsese. O diretor e roteirista Jonathan Hensleigh não tem o mesmo talento de Scorsese, mas mesmo assim entrega um bom filme sobre a clássica história de ascensão e queda dentro do crime. 

O protagonista era um trabalhador comum que viu a chance de ter poder e se envolveu em situações que em determinado momento saíram de seu controle. 

Além da história, o filme ganha pontos pelo ótimo elenco, com destaque para Christopher Walken como uma espécie de investidor criminoso, Val Kilmer como o policial que conhecia o protagonista desde a infância e o próprio personagem principal vivido de forma crua pelo irlandês Ray Stevenson. 

Vale citar também a grande quantidade de assassinatos através de bombas, várias delas colocadas em automóveis. 

O resultado é um bom filme para quem gosta de obras policiais sobre a Máfia.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Ligados Pelo Amor & Banquete do Amor


Ligados Pelo Amor (Stuck in Love, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Josh Boone
Elenco – Greg Kinnear, Jennifer Connelly, Lily Collins, Nat Wolff, Kristen Bell, Logan Lerman, Liana Liberato.

Após dois anos separado da esposa Erica (Jennifer Connelly), que o abandonou para casar com outro homem, o escritor Bill (Greg Kinnear) ainda acredita que conseguirá reatar o relacionamento. A separação afetou os filhos, que sonham em se tornar escritores igual o pai.

Samantha (Lily Collins) está afastada da mãe e não acredita no amor, além de se entregar ao sexo casual, enquanto Rusty (Nat Wolff) está apaixonado por uma colega de escola (Liana Liberato).

Este é mais um drama familiar que foca em relacionamentos confusos e amadurecimento. O roteiro escrito pelo diretor Josh Boone explora os clichês comuns do gênero, com direito a inserir problemas com drogas, sexo fácil, brigas e reconciliações.

O filme acaba ganhando pontos pelas boas atuações e os diálogos que variam entre o drama e a comédia, criando algumas situações patéticas que amenizam os problemas.

Está longe de ser um grande filme, mas agradará aos fãs do gênero.

Banquete do Amor (Feast of Love, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Robert Benton
Elenco – Morgan Freeman, Greg Kinnear, Radha Mitchell, Billy Burke, Selma Blair, Alexa Davalos, Toby Hemingway, Stana Katic, Jane Alexander, Fred Ward, Margo Martindale, Missi Pyle.

Harry (Morgan Freeman) é um professor universitário que vive com a esposa (Jane Alexander) e que está licenciado após ter perdido o filho morto por overdose. Sua forma sincera de tratar as pessoas o transforma em testemunha da complicada vida amorosa de seu amigo Bradley (Greg Kinnear), que é dono de uma cafeteria e de um jovem casal (Alexa Davalos e Toby Hemingway). 

O ponto principal deste longa é vender a ideia de que o amor é algo incontrolável, que tanto pode acontecer para unir um casal pela vida inteira, como pode separar quando um dos pares acredita estar amando uma terceira pessoa. 

A ciranda de amores aqui envolve principalmente o personagem de Greg Kinnear, que interpreta um sujeito fiel e sensível que sofre na mão de mulheres complicadas. 

É um filme mediano, intercalando drama e romance de forma comum ao gênero. 

Como informação, este foi o último trabalho do diretor Robert Benton, famoso pelo drama “Kramer vs. Kramer”.

domingo, 26 de abril de 2020

Troco em Dobro

Troco em Dobro (Spenser Confidential, EUA, 2020) – Nota 6
Direção – Peter Berg
Elenco – Mark Wahlberg, Winston Duke, Alan Arkin, Iliza Shlesinger, Michael Gaston, Bokeem Woodbine, Marc Maron, Coleen Camp.

Após cumprir pena de cinco anos de cadeia por ter espancado seu chefe, o Capitão Boylan (Michael Gaston), o ex-policial Spenser (Mark Wahlberg) é libertado. No mesmo dia da saída da cadeia, Boylen é assassinado. 

Mesmo tendo como álibi seu amigo Henry (Alan Arkin), Spenser decide investigar o caso quando a polícia incrimina um policial que também morreu, como se o sujeito tivesse cometido o crime e o posterior suicídio. Spenser terá de enfrentar a ira de ex-companheiros que podem estar envolvidos em uma conspiração. 

O personagem Spenser é baseado numa série de livros policiais que nos anos oitenta renderam a série “Spenser: For Hire” protagonizada pelo falecido Robert Urich. Na série, Spenser era um detetive particular. 

Esta versão para o cinema segue o estilo do diretor Peter Berg, especialista em longas com boas cenas de ação, trilha sonora marcante e roteiros ruins recheados de piadinhas. É um filme para ser visto sem muita expectativa com a realidade e sem preocupação com os furos na história, vale se divertir com a correria. 

Esta é por sinal a quinta parceria entre o diretor e o astro Mark Wahlberg e também o filme mais fraco ao lado do anterior “22 Milhas”.

sábado, 25 de abril de 2020

Jojo Rabbit

Jojo Rabbit (Jojo Rabbit, Nova Zelândia / República Tcheca / EUA, 2019) – Nota 8
Direção – Taika Waititi
Elenco – Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Taika Waititi, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Rebel Wilson, Alfie Allen, Archie Yates.

Alemanha, Segunda Guerra Mundial. O garoto Jojo (Roman Griffin Davis) tem como seu grande ídolo e também amigo imaginário o líder nazista Adolf Hitler (Taika Waititi). 

Participando de um grupo de crianças e adolescentes nazistas, Jojo acredita em todas as loucuras inventadas pelo Fuhrer e seus oficiais. 

Quando ele descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) esconde a garota judia Elsa (Thomasin McKenzie) em um quarto secreto em casa, Jojo a princípio quer eliminar a inimiga, mas aos poucos percebe que a jovem é uma pessoa normal, igual a ele. 

O diretor neozelandês Taika Waititi, do sensível e divertido “A Incrível Aventura de Rick Baker”, repete aqui a escolha de um garoto como protagonista. O Jojo vivido pelo ótimo estreante Roman Griffin Davis é o exemplo de como uma criança pode ser manipulada por adultos e seguir ideias absurdas como se fosse algo normal. 

O processo de descoberta da verdade ocorre no relacionamento com a adolescente interpretada pela também ótima Thomasin McKenzie, que já havia mostrado seu talento no drama “Sem Rastros”. 

A escolha de fazer piada com temas polêmicos se mostra um grande acerto, muita pela criatividade das sequências e pela qualidade do texto, além das marcantes atuações do elenco. 

O diretor Taika Waititi como Hitler, Sam Rockwell como um oficial nazista cínico e Rebel Wilson vivendo uma fanática estão impagáveis, assim como o garotinho Archie Yates no papel do melhor amigo de Jojo. 

O resultado é um ótimo longa, que foge do lugar comum e comprova o talento do diretor.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

The Last Full Measure

The Last Full Measure (The Last Full Measure, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Todd Robinson
Elenco – Sebastian Stan, William Hurt, Christopher Plummer, Samuel L. Jackson, Bradley Whitford, Ed Harris, Jeremy Irvine, Linus Roache, Michael Imperioli, Amy Madigan, Peter Fonda, Diane Ladd, Robert Pine, Alison Sudol, John Savage, Dale Dye, Lisagay Hamilton.

Washington, 2009. O veterano médico Tulley (William Hurt) procura o então Secretário de Defesa do governo americano solicitando uma medalha de bravura para seu amigo Willian “Pits” Pitsenbarger (Jeremy Irvine), que morreu em combate durante a Guerra do Vietnã. 

A análise do caso é passada para o burocrata carreirista Scott Huffman (Sebastian Stan), que é obrigado a aceitar o trabalho. A má vontade inicial em relação ao caso aos poucos desaparece após Scott entrevistar outros veteranos que sobreviveram a mesma batalha que vitimou Pits e que carregam terríveis traumas. 

Este sensível drama baseado numa história real tem como ponto principal a questão dos traumas de guerra, neste caso a específica batalha que ficou conhecida como “Operação Abilene” que dizimou um grande número de soldados americanos e deixou os sobreviventes traumatizados pelo resto da vida. 

A narrativa intercala as entrevistas nos dias atuais em que os personagens interpretados por astros veteranos como Samuel L. Jackson, Ed Harris e o recém falecido Peter Fonda detalham sua experiência na guerra, com as sequências da própria batalha em que o jovem Pits perdeu a vida ao salvar vários companheiros. 

É um filme feito para emocionar, principalmente na sequência final e nos pós-créditos com depoimentos dos soldados reais que enfrentaram a terrível batalha.