sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Colossal

Colossal (Colossal, Canadá / EUA / Espanha / Coreia do Sul, 2016) – Nota 5,5
Direção – Nacho Vigalondo
Elenco – Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Austin Stowell, Tim Blake Nelson, Dan Stevens.

Desempregada e alcoólatra, Gloria (Anne Hathaway) é expulsa do apartamento pelo namorado (Dan Stevens).

Ela volta para sua cidade natal em um subúrbio de Nova York e logo reencontra o amigo de infância Oscar (Jason Sudeikis), que a convida para trabalhar em seu bar. 

Tentando retomar a vida, Gloria perde novamente o controle quando um enorme monstro aparece em Seul na Coreia do Sul. Ela passa a acreditar que suas atitudes estão ligadas com o aparecimento do monstro no outro lado do mundo. 

O diretor espanhol Nacho Vigalondo chamou a atenção com a ótima ficção “Crimes Temporais” em 2007. Seus trabalhos seguintes passaram batido, até chegar neste “Colossal” que desperta a curiosidade pelo estranha premissa. 

A primeira hora chega a ser interessante ao deixar a dúvida do porquê da provável ligação entre a protagonista e o monstro, assim como a relação dela com o personagem de Jason Sudeikis. Quando as explicações começam a surgir, o filme desce a ladeira, principalmente com uma maluca mudança de personalidade de um personagem. 

É um daqueles filmes que parecem um episódio dos “Simpsons”, que começa com uma determinada situação para em seguida mudar completamente a história para algo absurdo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Catch-22 (Minissérie e Filme)


Catch-22 (Catch-22, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – George Clooney, Grant Heslov & Ellen Kuras
Elenco – Christopher Abbott, Kyle Chandler, Daniel David Stewart, Rafi Gravon, Graham Patrick Martin, Kevin J. O’Connor, Austin Stowell, Jon Rudnistky, Gerran Howell, Teresa Ferrer, Lewis Pullman, Grant Heslov, George Clooney, Jay Paulson, Pico Alexander, Giancarlo Gianini, Hugh Laurie, Julie Ann Emery.

Ilha Pianosa, Itália, Segunda Guerra Mundial. John “Yo-Yo” Yossarian (Christopher Abbott) faz parte de um batalhão da Força Aérea Americana responsável por bombardear alvos nazistas no interior do país. Intercalando momentos de calmaria ao lado dos companheiros, geralmente aproveitando para nadar no mar, com o desespero das missões em que seu avião se torna alvo das baterias antiaéreas nazistas, Yossarian na verdade deseja voltar para casa. 

Sempre que ele está chegando perto de completar o número de missões combinadas, o coronel Cathcart (Kyle Chandler) aumenta o desafio. Desesperado para fugir da guerra, Yossarian toma pequenas atitudes que geram consequências, quase sempre trágicas para seus companheiros. 

Baseado em um famoso romance de Joseph Heller, esta minissérie em seis episódios explora uma mistura de drama e humor negro para criticar a guerra e também mostrar que pessoas comuns estavam arriscando sua vida para salvar o mundo da ameaça nazista. Os vários personagens que passam pela tela demonstram o lado complicado do ser humano. Mesmo tendo um bom coração, o protagonista é um covarde que deseja salvar a própria pele. 

Temos ainda o soldado negociador (Daniel David Stewart) que utiliza a guerra para ganhar dinheiro comprando e vendendo todo tipo de produto, o coronel que sabe apenas gritar (Kyle Chandler), o soldador apaixonado por uma prostituta (Austin Stowell), o major que foge das responsabilidades (Lewis Pullman), o general canalha (George Clooney), entre vários outros. 

É engraçado que o roteiro passa a mensagem de que tudo que o protagonista tentar fazer dará errado e que ele jamais conseguirá escapar da guerra antes do final, como se estivesse em um looping eterno. 

Como curiosidade, o “Catch-22” do título se refere a um artigo do regulamento das forças armadas que cita que para um soldado ser considerado louco ele precisa aceitar as missões suicidas, se ele se negar a participar seria considerado traidor e não maluco, ou seja, o artigo é uma pegadinha para impedir o soldado de ser dispensado.

Esta minissérie é um exemplo de uma nova versão que é muito melhor do que o longa original.

Ardil 22 (Catch-22, EUA, 1970) – Nota 6,5
Direção – Mike Nichols
Elenco – Alan Arkin, Martin Balsam, Jon Voight, Martin Sheen, Jack Gilford, Orson Welles, Paula Prentiss, Anthony Perkins, Buck Henry, Arthur Garfunkel, Bob Newhart, Richard Benjamin, Charles Grodin, Bob Balaban, Norman Fell.

Ilha Pianosa, Itália, Segunda Guerra Mundial. Após ver um companheiro morrer durante uma missão aérea, John Yossarian (Alan Arkin) decide fazer de tudo para ser enviado de volta para casa, inclusive fingir que está maluco. O problema é que enquanto ele tenta escapar do inferno da guerra, seus superiores pensam apenas em lucrar e não estão nem aí com o sofrimento dos soldados. 

Esta versão do livro de Joseph Heller foca mais na crítica ao absurdo da guerra utilizando um estilo comum do cinema dos anos sessenta. O filme não segue uma ordem cronológica, o diretor Mike Nichols preferiu intercalar sequências em flashback através do ponto de vista de Yossarian, inclusive algumas que beiram o surreal. 

Vendo hoje o filme se mostra estranho e irregular, com poucas sequências engraçadas. O destaque fica para o elenco recheado de astros da época.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

The Looming Tower

The Looming Tower (The Looming Tower, EUA, 2018) – Nota 8,5
Direção – Craig Zisk, John Dahl, Ali Selim, Michael Slovis & Alex Gibney
Elenco – Jeff Daniels, Tahar Rahim, Peter Sarsgaard, Wrenn Schmidt, Bill Camp, Michael Stuhlbarg, Alec Baldwin, Louis Cancelmi, Virginia Kull, Ella Rae Peck, Sullivan Jones, Ali Suliman, Annie Parisse, Yul Vazquez, Jennifer Ehle, Tony Curran.

Esta ótima minissérie politica em dez episódios retrata o período de 1998 até 2001, começando com os atentados terroristas contra as embaixadas americanas em Dar es Salaam na Tanzânia e Nairobi no Quênia, finalizando com a queda das Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001. 

O ponto principal do roteiro é detalhar como a falta de comunicação e principalmente uma disputa política por poder entre a CIA e o FBI deixaram caminho aberto para os terroristas cumprirem suas missões. 

O roteiro claramente coloca a CIA como vilã ao apontar personagens ambiciosos como Martin Schmidt (Peter Sarsgaard) e sua braço-direito Diane Marsh (Wrenn Schmidt) que esconderam informações que seriam cruciais para o FBI, destacados na pele do explosivo diretor John O’Neill (Jeff Daniels) e do agente de origem libanesa Ali Soufan (Tahar Rahim). 

A quantidade de detalhes, pistas e ligações políticas criaram uma complexa rede de informações que não eram compartilhadas, o que transformava a investigação do FBI em algo parecido como procurar um pequeno objeto no escuro. Vale citar como o destino foi irônico com John O’Neill, resultando em um fato que parece mentira. 

Mesmo com algumas sequências de tortura e pressão, não espere ação, a proposta desta minissérie é detalhar os bastidores dos fatos que levaram até a tragédia de 11 de Setembro.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Operação Manila

Operação Manila (Buybust, Filipinas, 2018) – Nota 6,5
Direção – Erik Matti
Elenco – Anne Curtis, Brandon Vera, Victor Neri, Arjo Atayde, Levi Ignacio, Alex Calleja, Lao Rodriguez, Joross Gamboa.

Um grupo de policiais recebe a missão de prender um grande traficante que está escondido com seus capangas em uma favela de Manila, capital das Filipinas. 

Durante a ação, eles descobrem que foram traídos e terminam encurralados em meio aos becos da favela. É o início de uma violenta luta para sobreviver. 

O diretor filipino Erik Matti, responsável pelo bom longa policial “Em Serviço”, entrega aqui uma obra explosiva, com sequências de ação do início ao fim. Mas diferente do longa anterior que citei, este “Operação Manila” tem apenas um fio de história, o ponto principal são as violentas sequências de lutas e tiroteios. 

Conforme a narrativa se desenvolve, a violência aumenta de forma exponencial. A utilização de um número enorme de coadjuvantes atacando os policiais com todo tipo de objeto passa do criativo para o exagero em algumas sequências. Vale citar a curiosa reviravolta na cena final. 

Para quem gosta do estilo, eu indicaria “Operação Invasão I e II’. São longas filmados na Indonésia com cenas de ação de melhor qualidade e uma trama mais bem trabalhada.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O Inimaginável

O Inimaginável (Den Blomstertid Nu Kommer, Suécia, 2018) – Nota 7,5
Direção – Victor Danell
Elenco – Christoffer Nordenrot, Lisa Henni, Jesper Barkselius, Pia Halvorsen, Magnus Sundberg.

Cidade de Vanga, Suécia, 2005. O jovem Alex (Christoffer Nordenrot) sofre com a desintegração da família, principalmente pelas atitudes de seu pai Bjorn (Jesper Barkselius). A crise faz também com que Alex se afaste de sua namorada Anna (Lisa Henni). 

Treze anos depois, Alex retorna à cidade para o enterro da mãe que morreu em um atentado terrorista. Ao mesmo tempo, seu pai que trabalha em uma central elétrica, acredita que os russos planejam invadir a Suécia. 

Esta produção sueca que mistura drama familiar, romance e conspiração apresenta um criativo roteiro que lembra os filmes B dos anos oitenta. 

O clima de tragédia é pontuado por uma sinistra trilha sonora, pela fotografia cinzenta e por uma quase incessante chuva que tem uma enorme importância na trama. É legal também a escalada da tensão. 

O estilo da narrativa é diferente e até um pouco estranho no começo, mas vale a pena conferir até o final, principalmente para quem gosta de obras que fogem do lugar comum.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Rapaz A

Rapaz A (Boy A, Inglaterra, 2007) – Nota 7,5
Direção – John Crowley
Elenco – Andrew Garfield, Peter Mullan, Kate Lyons, Jeremy Swift, Shaun Evans, Siobhan Finneran.

Após cumprir pena por um crime cometido quando era adolescente, Jack (Andrew Garfield) ganha um novo nome e uma chance de recomeçar a vida. O apoio do assistente social Terry (Peter Mullan) foi crucial para Jack ganhar a liberdade. 

Ao conseguir um emprego, Jack faz amizade com Dave (Jeremy Swift) e inicia um relacionamento com Michelle (Kate Lyons). Ele diz ser ex-presidiário, mas não conta a verdade sobre o crime que cometeu. O medo de ser descoberto e as dificuldades em levar um vida normal o atormentam. 

Este competente drama coloca em discussão a questão das causas da violência juvenil, deixando claro que um dos motivos principais é a falta de estrutura familiar. Depois que o jovem comete um crime, a chance de voltar para o caminho correto diminui bastante. Mesmo aqueles que querem mudar, sofrem por não conseguirem se desvencilhar dos erros do passado. 

Mesmo com uma atuação um pouco exagerada de Andrew Garfield e um final aberto, o longa passa uma mensagem forte sobre um tema que aparentemente não tem solução, ou melhor, mostra que a força da família é o único meio para criar jovens responsáveis.


sábado, 25 de janeiro de 2020

A Morte e Vida de John F. Donovan

A Morte e Vida de John F. Donovan (The Death and Life of John F. Donovan, Inglaterra / Canadá, 2018) – Nota 6,5
Direção – Xavier Dolan
Elenco – Kit Harington, Natalie Portman, Jacob Tremblay, Susan Sarandon, Kathy Bates, Ben Schnetzer, Thandie Newton, Jared Keeso, Chris Zylka, Amara Karan, Emily Hampshire, Michael Gambon, Sarah Gadon.

Nova York, 2006. John F. Donovan (Kit Harington) é o astro de uma série de TV que sofre com tristezas e frustrações em sua vida pessoal. 

Com um casamento falido e escondendo sua homossexualidade, John vê sua carreira desmoronar ao vir à tona as cartas que ele troca com um garotinho de onze anos que vive na Inglaterra.

Rupert Turner (Jacob Tremblay) é o garotinho que sonha em se tornar ator e que esconde de sua mãe (Natalie Portman) as cartas do ídolo. As vidas de Rupert e John jamais serão as mesmas. 

O roteiro escrito pelo jovem diretor e também ator Xavier Dolan toca em vários temas atuais de uma forma genérica, sendo alguns deles clichês. O ator enrustido e deprimido, o vazio da vida das celebridades que são descartadas quando se envolvem em algo fora do politicamente correto, a maldade da mídia, a agente de atores arrogante (Kathy Bates), a jornalista que se considera superior (Thandie Newton), o garoto sensível que sofre bullying (Jacob Tremblay) e as mães frustradas que não sabem lidar com os filhos (Natalie Portman e Susan Sarandon). Praticamente todos os personagens que passam pela tela carregam algum tipo de sofrimento que interfere em suas vidas. 

O grande destaque do elenco fica para o garotinho Jacob Tremblay, novamente entregando uma atuação consistente e mostrando ter um enorme talento nato. É esperar para ver se ele conseguirá superar a difícil transição para a carreira de ator adulto.