quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Que Está Por Vir

O Que Está Por Vir (L’Avenir, França / Alemanha, 2016) – Nota 7
Direção – Mia Hansen Love
Elenco – Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob.

Nathalie (Isabelle Huppert) é uma professora de filosofia e escritora que aparentemente tem uma vida tranquila ao lado do marido Heinz (André Marcon). Seu casal de filhos tem suas próprias vidas. Seu maior problema é dar atenção a mãe (Edith Scob), um pessoa carente e complicada. 

Respeitada em seu trabalho e também sendo uma espécie de tutora para um ex-aluno (Roman Kolinka) que pretende lançar seu primeiro livro, aos poucos, situações inesperadas abalam sua vida pessoal e profissional. 

O roteiro escrito pela diretora Mia Hansen Love foca nas mudanças que ocorrem à revelia nas vidas das pessoas. A protagonista de meia-idade precisa enfrentar estas mudanças e se adaptar as novas situações. O roteiro explora também as questões políticas e sociais. As reuniões da protagonista com seus editores deixam claro que cultura só interessa quando gera lucro. As conversas com o ex-aluno também são outro ponto alto. 

É um filme interessante com situações bem próximas da realidade.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Secuestro

Secuestro (Secuestro, Espanha, 2016) – Nota 7,5
Direção – Mar Targarona
Elenco – Blanca Portillo, Antonio Dechent, Jose Coronado, Vicente Romero, Marc Domenech, Nausicaa Bonnin, Andrés Herrera, Macarena Gomez.

Um garoto (Marc Domenech) é encontrando perdido em uma estrada com um pequeno ferimento no rosto. Levado para delegacia, o inspetor Requena (Antonio Dechent) entra em contato com a mãe do garoto, a importante advogada Patricia de Lucas (Blanca Portillo). 

O garoto que é surdo e tem dificuldade na fala, alega que foi sequestrado por um homem na porta da escola e que conseguiu fugir do cativeiro. O retrato falado leva a polícia a acreditar que o culpado é o ex-presidiário Charlie (Andrés Herrera), que nega sua participação crime. 

Quando a notícia do sequestro é divulgada na mídia, o fato dá início uma série de desencontros e mentiras. 

Mesmo não tendo o mesmo impacto dos ótimos "El Cuerpo" e “Contratiempo” dirigidos por Oriol Paulo, que aqui escreveu apenas o roteiro, este longa é competente na proposta de criar suspense através de uma trama complexa. 

O emaranhado de situações leva até um surpreendente final, especialidade do roteirista e diretor Oriol Paulo. O roteiro explora todos os pontos habituais do gênero. A trama policial envolve corrupção, manipulação, mentiras e violência. 

É mais uma boa opção para quem curte o gênero.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Uma Dia Difícil

Um Dia Difícil (Kkeut-Kka-Ji-Gan-Da, Coreia do Sul, 2014) – Nota 7,5
Direção – Seong Hun Kim
Elenco – Sun Kyun Lee, Jin Woong Jo, Man Sik Jeong, Dong Young Kim.

Seguindo para a funerária para tratar do enterro da mãe, o detetive Go Geon Soo (Sun Kyun Lee) atropela e mata um sujeito. Desesperado, ele esconde o corpo no porta-malas. 

Na mesma noite, policiais da corregedoria encontram dinheiro de suborno na sua gaveta, incriminando Go e seus parceiros detetives. É o início de uma corrida desesperada para para tentar escapar da cadeia e se livrar do corpo. 

Com toques de humor negro, este criativo longa sul-coreano brinca com a “teoria do caos” em um primeiro momento, quando um fato desencadeia uma sequência de situações que complicam a vida do protagonista. Na segunda metade, a trama insere um perigoso personagem e transforma a trama num jogo de gato e rato. 

Tirando de lado alguns exageros, principalmente no clímax, o longa prende a atenção do início do fim e ainda faz o espectador rir com alguma peripécias do protagonista. 

Vale que citar que o título nacional é enganoso, a trama começa em uma noite e se desenrola por mais de um dia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O Sistema & Matem-me Se Puderem


O Sistema (The Glass House, EUA, 1972) – Nota 7,5
Direção – Tom Gries
Elenco – Alan Alda, Vic Morrow, Clu Gulager, Billy Dee Williams, Dean Jagger.

O professor universitário Jonathon Paige (Alan Alda) é condenado a prisão após cometer um assassinato sem intenção. Levado para uma prisão de segurança máxima, Paige encontra um terrível mundo de violência, injustiças e corrupção, além de ter de ser proteger contra um perigoso bandido (Vic Morrow). 

Este drama sobre a vida na cadeia é baseado numa história escrita pelo famoso Truman Capote em parceria com Wyatt Cooper, que fizeram uma pesquisa com detentos verdadeiros. 

A narrativa seca imposta pelo diretor Tom Gries resulta num clima de assustadora realidade. Enquanto o protagonista tenta sobreviver, se torna também testemunha das atrocidades cometidas no local. Um personagem jovem que é perseguido e estuprado é o exemplo do desespero daqueles que caíram no inferno. 

Este é sem dúvida um dos filmes mais realistas sobre a vida na prisão, mesmo sendo apenas uma produção para TV. 

Matem-me Se Puderem (Kill Me If You Can, EUA, 1977) – Nota 7,5
Direção – Buzz Kulik
Elenco – Alan Alda, Talia Shire, John Hillerman, Barnard Hughes, John P. Ryan, John Randolph, Philip Baker Hall, James Sikking.

Em 1948, a polícia de Los Angeles prendeu Caryl Chessman (Alan Alda) com acusações de roubo, sequestro e estupro. Extremamente inteligente e arrogante, Chessman dispensou advogados e se defendeu sozinho perante a justiça, alegando inocência até ser executado em 1960. 

Chessman ficou conhecido como “O Bandido da Luz Vermelha”, denominação que a imprensa brasileira copiou para um criminoso que atuou em São Paulo nos anos sessenta e que ficou preso por trinta anos, até ser assassinado poucos meses depois de ser posto em liberdade em 1998. 

O longa é um interessante drama sobre a vida no corredor da morte e principalmente sobre um personagem forte como Chessman, que chegou a escrever livros durante os doze anos em que ficou preso. Vale citar que Chessman foi condenado com provas circunstanciais, deixando dúvidas até hoje no processo. 

A interpretação do ótimo Alan Alda é outro destaque neste longa produzido para TV.

domingo, 26 de novembro de 2017

O Mistério de Stella

O Mistério de Stella (The Driftless Area, Canadá / EUA, 2015 – Nota 6
Direção – Zachary Sluser
Elenco – Anton Yelchin, Zooey Deschanel, John Hawkes, Alia Shawkat, Frank Langella, Ciaran Hinds, Aubrey Plaza.

Em uma pequena cidade americana na fronteira com o Canadá, o destino liga a vida de três personagens. O assaltante Shane (John Hawkes), o barman Pierre (Anton Yelchin) e a enigmática Stella (Zooey Deschanel). 

A história é narrada por Carrie (Alia Shawkat), que é amiga de Pierre e ainda abre espaço para outros personagens estranhos como o solitário Tim Geer (Frank Langella), um vendedor de carros corrupto (Ciaran Hinds) e sua funcionária (Aubrey Plaza). 

Alguns filmes são tão estranhos que fica difícil até mesmo escrever uma simples sinopse. É o caso deste longa que mistura drama, crime e até ficção com toques de espiritismo. A trama não é toda linear, com a narrativa explorando algumas idas e vindas na história. Não é difícil acompanhar a trama, o problema está na explicação da situação. O espectador precisa comprar a ideia para aceitar o final totalmente fora do comum. 

É basicamente um filme independente e esquecível.

sábado, 25 de novembro de 2017

Z - A Cidade Perdida

Z – A Cidade Perdida (The Lost City of Z, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – James Gray
Elenco – Charlie Hunnam, Robert Pattinson, Sienna Miller, Tim Holland, Edward Ashley, Angus Macfadyen, Ian McDiarmid, Clive Francis.

Irlanda, 1906. O major e também cartógrafo Percy Fawcett (Charlie Hunnam) recebe uma proposta da Sociedade de Geografia Real da Inglaterra para viajar até a Amazônia e mapear a fronteira entre Brasil e Bolívia.

Mesmo sabendo dos perigos, Fawcett deixa esposa (Sienna Miller) e um filho pequeno para enfrentar o desafio. Ao lado do explorador Henry Costin (Robert Pattinson), Fawcett fica encantado com a floresta e com a possibilidade de existir uma cidade perdida. Ele dedicará boa parte de sua vida para procurar a cidade. 

O diretor James Gray se baseou em um livro que conta a fantástica história real do explorador Percy Fawcett e sua busca pela cidade perdida que ele mesmo batizou de Z. Não espere uma aventura agitada, o ritmo é cadenciado, focando nas pequenas descobertas e nos perigos básicos de uma expedição selvagem. Este enfoque desagradou o público que procurava ação. 

Mesmo tendo duas horas e vinte minutos de duração, a história é recheada de acontecimentos que poderiam render um filme ainda mais longo. O diretor preferiu inserir pulos no tempo para diminuir a duração, solução que deixou o filme um pouco irregular, além de resumir a quantidade de viagens do protagonista. O verdadeiro Fawcett participou de sete expedições ao Amazonas. 

No geral, é um filme muito bom na parte técnica, com um bonita fotografia que explora aos cenários naturais da floresta e uma história intrigante. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Regressão

Regressão (Mindscape ou Anna, Espanha / EUA / Inglaterra / França, 2013) – Nota 7
Direção – Jorge Dorado
Elenco – Mark Strong, Taissa Farmiga, Brian Cox, Saskia Reeves, Richard Dillane, Indira Varma, Alberto Ammann, Noah Taylor.

Num futuro próximo, uma empresa desenvolveu uma máquina que utiliza sensitivos para acessarem as memórias de pessoas comuns. Os resultados das “viagens” na memória servem até mesmo para elucidar crimes. 

Um destes detetives da memória é John Washington (Mark Strong), que volta ao trabalho algum tempo após perder a esposa. Ele recebe a missão de fazer a adolescente Anna (Taissa Farmiga) interromper uma espécie de greve de fome. 

A garota é filha de milionários e tem um QI extremamente elevado, porém se envolveu em diversos problemas. Conforme John se aprofunda no caso, surge a dúvida se as memórias da garota são verdadeiras ou se ela está manipulando suas lembranças. 

A premissa é muito interessante. Por mais que tentar descobrir o gatilho para traumas através do passado seja algo comum na psicologia e psicanálise, a chance das lembranças pessoais serem distorcidas é enorme. 

As pessoas tendem a lembrar de algum fato importante de sua vida de acordo com o tipo de sentimento que ele traz, ou seja, muitas vezes amplificando o que realmente aconteceu. As sessões mostradas no filme seguem este caminho. 

Por outro lado, mesmo com a dúvida sobre quem está dizendo verdade, o roteiro se mostra previsível e até um pouco apressado e confuso no final. 

É um filme que vale a sessão pela interessante ideia e pelo clima de suspense que se mantém por boa parte da história.