terça-feira, 30 de junho de 2015

Livrai-nos do Mal

Livrai-nos do Mal (Deliver Us From Evil, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Scott Derrickson
Elenco – Eric Bana, Edgar Ramirez, Olivia Munn, Joel McHale, Chris Coy, Dorian Missick, Sean Harris, Lulu Wilson, Olivia Horton.

Trabalhando no turno da noite, o detetive Ralph Sarchie (Eric Bana) e seu parceiro Butler (Joel McHale) atendem a um chamado em que um ex-soldado (Chris Coy) agrediu sua esposa sem motivo. O sujeito totalmente descontrolado é levado em custódia. Na noite seguinte, outros dois chamados aleatórios, o primeiro no zoológico e o segundo na casa de uma família, resultam em situações sem explicação. 

Após entrar em cena um padre rebelde (Edgar Ramirez), que tem amizade com uma das pessoas envolvidas nos incidentes, o detetive Sarchie percebe que algo fora do normal está ocorrendo e que ele e sua família poderão ser afetados. 

Especialista em filmes de terror e suspense, o diretor Scott Derrickson volta ao gênero neste competente longa que mistura uma trama policial com pitadas do clássico “O Exorcista”. Mesmo sendo um pouco inferior a “O Exorcismo de Emily Rose” e “A Entidade”, outros trabalhos do diretor que seguem o mesmo estilo, este “Livrai-nos do Mal” prende a atenção do espectador pelo clima sinistro, com a maioria das cenas filmadas a noite e através do bom roteiro, que amarra de forma inteligente a trama, até o assustador final, mesmo que um pouco exagerado. 

O longa perde pontos nas fracas atuações de Eric Bana e Edgar Ramirez. O único destaque do elenco fica para Joel McHale, que tem boas tiradas e se torna o alívio cômico da pesada história. 

O curioso é que o filme é inspirado em um suposto fato real ocorrido em 2013, descrito pelo verdadeiro detetive Sarchie.  

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Skinning

Skinning (Skinning, Sérvia, 2010) – Nota 6,5
Direção – Stevan Filipovic
Elenco – Nikola Rakocevic. Viktor Savic, Natasa Solak, Nikola Kojo, Bojana Novakovic, Predrag Ejdus, Dragan Micanovic.

Em Belgrado na Sérvia, o adolescente Novica (Nikola Rakocevik) demonstra facilidade para aprender matemática, ao mesmo tempo em que se mostra inseguro em relação a vida. Quando Relja (Viktor Savic), um jovem que pertence ao um grupo neonazista se aproxima de Novica no colégio e o convida para assistir uma palestra de um professor que prega o nacionalismo, o garoto tem seu primeiro contato com o tema, ficando curioso em relação ao mundo dos skinheads.

Ao conhecer os jovens do grupo de Relja, Novica sente atração por Mina (Bojana Novakovic). Rapidamente, Novica se envolve com Mina e se integra ao grupo que prega ódio aos estrangeiros, homossexuais, judeus, muçulmanos e aos inimigos croatas. 

O polêmico tema tinha potencial para render um ótimo filme, muito por ser um problema atual em alguns países da Europa como a Sérvia, que sofreu com a sangrenta guerra civil dos Balcãs nos anos noventa e que até hoje mantém abertas as feridas entre os povos da região.

O problema do filme está na direção, que utiliza estranhos flashbacks e que falha na condução das fracas cenas de ação, que parecem terem sido produzidas para tv. A narrativa também falha ao mudar muito rapidamente o comportamento do protagonista, que passa de jovem inseguro para skinhead violento em pouquíssimo tempo. 

O ponto positivo está na abordagem do roteiro sobre a forma como intelectuais de direita, políticos e policiais corruptos utilizam estes grupos como massa de manobra para criarem confusões, propagarem sua ideias ou mesmo os transformarem em criminosos para esconderem seus próprios delitos. 

No final, fica a clara sensação de que a trama poderia render um filme bem melhor.  

domingo, 28 de junho de 2015

Meu Filho, Olha o Que Fizeste

Meu Filho, Olha o Que Fizeste (My Son, My Son, What Have Ye Done, EUA / Alemanha, 2009) – Nota 6
Direção – Werner Herzog
Elenco – Michael Shannon, Willem Dafoe, Chloe Sevigny, Udo Kier, Michael Peña, Grace Zabriskie, Brad Dourif, Irma P. Hall, Loretta Devine.

Em San Diego na Califórnia, o desajustado Brad (Michael Shannon) assassina a mãe (Grace Zabriskie) e se refugia armado em sua casa, aparentemente com dois reféns. A polícia é chamada e dois detetives (Willem Dafoe e Michael Peña) tentam a princípio negociar com o sujeito. Logo, chegam ao local a noiva do homem (Chloe Sevigny) e o diretor de teatro (Udo Kier) que o comandava em uma peça. Os dos contam aos detetives como Brad enlouqueceu no último ano, após voltar de uma viagem ao Peru. 

Baseado em uma absurda história real, os malucos Werner Herzog (direção) e David Lynch (produção) entregam um filme estranho, com uma narrativa arrastada e vários momentos cansativos. 

A narrativa intercala o cerco policial com flashbacks que mostram o processo de enlouquecimento do personagem principal e sua fixação com a mãe dominadora, que aumenta após ele protagonizar uma peça de teatro baseada numa tragédia grega. 

Alguns pontos comuns a filmografia de Herzog estão aqui, como o personagem com problemas emocionais e a disputa do homem com a natureza, mostradas nas belas sequências na floresta peruana, local que Herzog adora e onde filmou "Fitzcarraldo" e "Aguirre - A Cólera dos Deuses.

O filme ganha pontos pela assustadora interpretação de Michael Shannon como o sujeito desequilibrado. Seu rosto duro e sua voz estranha são perfeitas para o papel. 

Vale destacar ainda Grace Zabriskie repetindo pela enésima vez o papel de mãe maluca e Brad Dourif como o excêntrico tio do personagem principal. 

sábado, 27 de junho de 2015

Stalker

Stalker (Stalker, EUA, 2014)
Criador - Kevin Williamson
Elenco - Dylan McDermott, Maggie Q, Victor Rasuk, Mariano Klaveno, Elisabeth Rohm, Mira Sorvino.

A grande quantidade de opções de séries, além de muitos filmes interessantes para assistir, faz com que tenhamos de fazer escolhas.

No meu caso, geralmente tento acompanhar duas, três ou no máximo quatro séries de cada vez.

Algumas vezes acabo perdendo o início da série e deixo de lado, como no caso de "Hannibal", que parece ter sido cancelada. Em outros casos, após poucos episódios desisto de acompanhar, geralmente por causa da trama. Um exemplo é "Grimm", achei a trama sem graça e os personagens fracos. É uma série mais voltada para o público adolescente.

Gosto de séries policiais, dramas, suspense e terror. Não tenho mais paciência para acompanhar sitcoms. Depois de assistir todos os episódios de "Seinfeld", hoje vejo um outro episódio esparso de alguma sitcom quando estou zapeando e nada mais,

Quando "Stalker" foi lançada, me chamou a atenção o foco principal, que seria a caçada da polícia aos "perseguidores" de pessoas, na maioria das vezes figuras desequilibradas que buscam ex-parceiros ou paixões platônicas para perseguir.

Acompanhei os vinte episódios por ser fã do gênero, mas infelizmente a série se resume a um amontoado de clichês, especialidade do roteirista Kevin Williamson, que fez a mesma coisa com "The Following", série que acompanhei apenas a primeira temporada. Seu estilo funcionou na série de filmes "Pânico", muito mais pelo talento do diretor Wes Craven e a sacada de transformar a franquia numa espécie homenagem aos clichês do gênero.

Aqui em "Stalker", por diversas vezes vemos perseguidores mascarados entrando nas casas sem explicação, vultos que passam no fundo da cena, portas batendo, policial atirando no criminoso no último segundo antes dele matar alguém, além dos dramas rasos entre os protagonistas, inclusive um caso de perseguição totalmente inverossímil.

O elenco também na ajuda. Dylan McDermott interpreta no controle remoto o policial que tenta reerguer sua vida, papel semelhante ao que fazia na série "Dark Blue". A havaiana Maqqie G como a chefe dos detetives se mostra totalmente inexpressiva e os coadjuvantes estão longe de serem marcantes.

Provavelmente para tentar alavancar a audiência, nos últimos episódios surgiu a personagem de Mira Sorvino, como uma policial que precisava resolver um caso envolvendo o ex-marido. Esta trama seria o gancho para a segunda temporada, porém a série acabou cancelada, deixando a história em aberto.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Julho Sangrento

Julho Sangrento (Cold July, EUA / França. 2014) – Nota 7
Direção – Jim Mickle
Elenco – Michael C. Hall, Sam Shepard, Don Johnson, Vinessa Shaw, Wyatt Russell, Nick Damici.

Julho de 1989, em uma pequena cidade do Texas, Richard Dane (Michael C. Hall) está dormindo com a esposa Ann (Vinessa Shaw) quando ouve um estranho barulho dentro da casa. Ele desce as escadas para verificar e encontra um sujeito encapuzado na sala. Assustado, Richard mata o sujeito com um tiro. 

O xerife (Nick Damici) rapidamente identifica o morto como sendo um perigoso bandido que estava foragido. O xerife considera a morte do bandido como legítima defesa e inocenta Richard. No dia seguinte, Richard fica muito preocupado ao descobrir que o bandido morto é filho de um ex-presidiário (Sam Shepard), que está na cidade para o enterro do sujeito. 

Esta premissa passa a impressão de que a história seguiria o caminho da vingança, comum a muitos filmes do gênero, com o veterano bandido pressionando a família do sujeito que por acaso matou seu filho, porém o roteiro apresenta duas interessantíssimas reviravoltas, que mudam completamente o relacionamento, a atitude e o destino dos personagens. 

Além da dupla principal, vale destacar ainda o veterano Don Johnson, que entra em cena no meio da trama com um papel importante. 

É legal também a estética dos anos oitenta nos cortes de cabelo dos personagens, nos carros e principalmente na trilha sonora. 

É um filme diferente, que ganha pontos por fugir do lugar comum das produções do gênero.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Grandes Olhos

Grandes Olhos (Big Eyes, EUA / Canadá, 2014) – Nota 7
Direção – Tim Burton
Elenco – Amy Adams, Christoph Waltz, Danny Huston, Krysten Ritter, Jason Schwartzman, Terence Stamp, Jon Polito, Delaney Raye, Madeleine Arthur.
Direção – Tim Burton

Em 1958, a dona de casa Margaret (Amy Adams) abandona o marido e leva a filha pequena (Delaney Raye) para morar em San Francisco. Sem nunca ter trabalhado e com experiência apenas nas pinturas que produzia como hobbie, Margaret consegue emprego em uma fábrica de móveis para decorar berços com pinturas infantis. 

Num domingo, ao expor seus quadros em uma feira em um parque, ela conhece o também pintor Walter Keane (Christoph Waltz), um sujeito extrovertido com boa conversa. Logo, eles se casam e juntos tentam vender seus quadros. Para surpresa de Walter, os quadros de Margaret, que mostram crianças com olhos enormes, é que chamam a atenção do público após um inusitado incidente. Aproveitando da insegurança da esposa, Walter diz ser o autor das obras, transformando os quadros da esposa em sucesso comercial. Por muitos anos a mentira é mantida em sigilo, até se tornar um fardo pesado demais para Margaret. 

Baseado num absurdo fato real, este longa é o trabalho mais convencional da carreira de Tim Burton, mas fica longe de ser um demérito. Diferente de seus outros filmes, em que a parte técnica colorida e chamativa é sensacional, aqui Burton está comedido, o incomum deixa de ser a estética para focar na história maluca. 

Vale destacar a ótima reconstituição de época, principalmente nos carros, no figurino, nos utensílios domésticos e nos penteados da protagonista muito bem interpretada por Amy Adams, que passa toda a angústia de sua personagem, que guarda o segredo durante anos. Christoph Waltz também se destaca como o ganancioso Walter Keane. 

Não o coloco entre os melhores trabalhos de Burton, considero um filme simpático e apenas mediano. Algumas escolhas do roteiro não funcionam, como o personagem de Jason Schwartzman, que fica calado mesmo aparentemente sabendo da mentira e as passagens de tempo que pulam anos sem muita explicação.  

terça-feira, 23 de junho de 2015

Alemanha Ano Zero

Alemanha Ano Zero (Germania Anno Zero, Itália / França / Alemanha, 1948) – Nota 8
Direção – Roberto Rossellini
Elenco – Edmund Meschke, Ernst Pittschau, Ingetraud Hinze, Franz Otto Kruger.

Existem pensamentos e frases que de tanto serem repetidas se tornam verdades no inconsciente popular, enquanto na realidade não passam de mito. A história de que durante uma crise ou após uma tragédia a solidariedade aumenta, na minha opinião é um destes mitos. O diretor italiano Roberto Rossellini, um dos pais do Neo-Realismo, provavelmente tinha a mesma opinião, que fica explicitada neste triste filme sobre as consequências da Segunda Guerra para a população alemã. 

Filmado em Berlin, quando grande parte da cidade ainda estava destruída, a trama tem como protagonista Edmund (Edmund Meschke), um garoto de doze anos que vaga pela cidade tentando conseguir dinheiro e comida para a família sobreviver. Sua família é composta por um pai doente, uma irmã que ganha trocados dançando com estrangeiros em um night club e um irmão que está escondido com medo de ser preso por ter sido soldado nazista durante a guerra. A família vive em um decadente edifício de dois andares em que o dono foi obrigado pelo governo a abrir os apartamentos para cinco famílias. 

A saga do garoto Edmund é uma das mais cruéis da história do cinema. Tentando ser esperto, mas com a ingenuidade comum a um menino de sua idade, Edmund é enganado e maltratado por várias pessoas que cruzam seu caminho, todas extremamente egoístas, que desejam apenas lucrar ou sobreviver em meio ao caos, mesmo que para isso façam seus semelhantes sofrerem. 

É um filme doloroso que deixa o espectador deprimido com a mesquinhez do ser humano.