terça-feira, 30 de setembro de 2014

Taras Bulba

Taras Bulba (Taras Bulba, EUA / Iugoslávia, 1962) – Nota 6
Direção – J. Lee Thompson
Elenco – Yul Brynner, Tony Curtis, Christine Kaufmann, Sam Wanamaker, Brad Dexter, Guy Rolfe, Perry Lopez, George Macready.

No século XVI, a região da Ucrânia era dominada pelos poloneses, que quando se viram atacados pelos turcos, pediram ajuda aos cossacos, um povo guerreiro que vivia na região. Os turcos foram derrotados, porém os poloneses aproveitaram para dominar também os cossacos, que eram considerados inferiores. O líder dos cossacos era Taras Bulba (Yul Brynner), que aceita a situação a princípio, mas deixa claro que na primeira oportunidade tentará retomar suas terras. 

Anos depois, Taras envia seus filhos Andrei (Tony Curtis) e Ostap (Perry Lopez) para estudarem em Kiev, local também sob o domínio dos poloneses. Para sua surpresa, Andrei se apaixona pela bela Natalia (Christine Kaufmann) filha do governador, ao mesmo tempo em que Taras planeja reunificar seu povo para enfrentar os poloneses. 

Baseado num famoso romance russo de Nikolas Gogol, esta aventura comandada pelo inglês J. Lee Thompson (“Os Canhões de Navarone” e “Círculo do Medo”) resulta num filme irregular. O roteiro falha na passagem do tempo e deixa a impressão de que a história foi picotada. O filme também falha na escolha do diretor em criar algumas sequências com músicas e danças para mostrar que o povo cossaco era beberrão e festeiro. 

As cenas de ação são razoáveis, mas passam longe da qualidade de outros filmes da época que também apresentavam batalhas com vários figurantes. Vale destacar a agilidade de Tony Curtis, que pula muros, sobe em telhados e corre por todos os lados em algumas sequências. 

Algumas curiosidades marcam o filme. O astro Tony Curtis e a bela Christine Kaufman se conheceram durante as filmagens e se casaram pouco tempo depois, com o detalhe de que a garota tinha apenas dezesseis anos. O casal ainda trabalhou junto na divertida comédia “Monsieur Cognac”, antes de se separar em 1967. 

Tony Curtis, que faleceu em 2010, teve seis casamentos e vários filhos, entre eles a atriz Jamie Lee Curtis. 

Outra informação curiosa é que Yul Brynner era apenas cinco anos mais velho que Tony Curtis, mesmo assim foi escolhido para interpretar seu pai neste filme.

Finalizando, as filmagens ocorreram na Califórnia, na Iugoslávia e na Argentina.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Deus e o Diabo na Terra do Sol (Brasil, 1964) – Nota 7
Direção – Glauber Rocha
Elenco – Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Maurício do Valle, Lídio Silva, Sonia dos Humildes.

No sertão nordestino, o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) se revolta ao ser enganado por um fazendeiro e termina por matar o sujeito. Para fugir da perseguição da polícia e dos capangas do fazendeiro, Manuel e sua esposa Rosa (Yoná Magalhães) se juntam a um grupo de religiosos liderado por Sebastião (Lídio Silva) e posteriormente ao bando de cangaceiros comandado por Corisco (Othon Bastos), onde serão obrigados a enfrentar o assassino Antônio das Mortes (Maurício do Valle), que fora enviado para matá-los. 

Considerado pelos críticos como a obra prima de Glauber Rocha, este trabalho me parece superestimado, não que seja ruim, mas está longe de ser tão sensacional como muitos comentam. 

O ponto principal é o roteiro que não poupa críticas a religião, a vida dura do povo do sertão utilizado como massa de manobra e aos fazendeiros conhecidos como coronéis. 

É interessante também enfatizar a dualidade da trama, onde Deus e o Diabo se confundem, temos o religioso que domina o povo, ao mesmo em que o violento cangaceiro protege seus homens. 

O que me desagradou foi o estilo teatral das interpretações, que se mostram discursivas e exageradas, a narrativa lenta cheia de maneirismos, além das cenas de violência quase amadoras. 

É o primeiro filme de Glauber Rocha que assisto, não tenho ainda como comparar com seus outros trabalhos, mas a princípio fiquei com a impressão de que seu talento era muito melhor como roteirista do que diretor.

domingo, 28 de setembro de 2014

Skyline - A Invasão

Skyline – A Invasão (Skyline, EUA, 2010) – Nota 4,5
Direção – Colin & Greg Strause
Elenco – Eric Balfour, Scottie Thompson, Donald Faison, Brittany Daniel, David Zayas, Crystal Reed, Neil Hopkins.

Jarrod (Eric Balfour) e Elaine (Scottie Thompson) viajam a passeio para Los Angeles para visitar Terry (Donald Faison), um amigo de infância de Jarrod que ficou rico. O casal é levado para a cobertura de Terry que fica em um belíssimo edifício, onde participa de uma festa. 

De madrugada são surpreendidos por uma intensa luz, que logo se mostra um foco de energia que puxa as pessoas para uma espécie de nave estacionada no horizonte. O trio junto com duas outras mulheres, tentam se esconder da invasão alienígena e posteriormente buscar uma saída para fugir da cidade. 

Os irmãos Strause são especialistas em efeitos especiais que tentaram migrar para carreira de diretor e cometeram o péssimo “Aliens vs Predador II” e este fraquíssimo “Skyline”. O roteiro primário repleto de clichês é uma piada, assim como as péssimas atuações e o final absurdo. Até mesmo os efeitos especiais tem falhas, principalmente na primeira metade quando surge a estranha luz. 

O longa ganha alguns pontos pelos efeitos especiais a partir do momento em que aparecem as naves com o dia claro e quando as criaturas começam a atacar, mas é pouco para salvar o filme.

sábado, 27 de setembro de 2014

9.79*

9.79* (9.79*, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Daniel Gordon
Documentário

Quando o corredor jamaicano naturalizado canadense Ben Johnson venceu a prova dos cem metros rasos na Olimpíada de Seul em 1988 batendo o recorde mundial, o grande púbico jamais imaginaria que dois dias depois seria divulgado que o atleta fora pego no exame antidoping e assim perderia a medalha. O que era para ser o grande recorde da história do atletismo, se transformou no escândalo do século. 

Este ótimo documentário faz parte da fantástica série “30 for 30” produzida pela ESPN, que conta grandes histórias do esporte mundial. 

O diretor Daniel Gordon colheu depoimentos dos oitos corredores que disputaram aquela final do cem metros, incluindo de Ben Johnson e Carl Lewis, que eram os grandes rivais e favoritos para vitória. 

O grande acerto do documentário é ir fundo na questão do doping, com o diretor conseguindo um depoimento do chefe da equipe que realizou os exames antidoping na Olimpíada de Los Angeles em 1984 e que conta que uma quantidade enorme de atletas usava anabolizantes, o problema é que os exames da época não tinham como detectar o produto. Anos depois, ele mesmo testou as amostras colhidas pelos atletas e decidiu deixar de lado, pois se fosse fundo neste trabalho resultaria num gigantesco escândalo. 

Outros fatos chamam a atenção, como o depoimento de Ben Johnson, que confirma ter utilizado anabolizantes, porém alega que havia parado pelo menos um mês antes da disputa e que acredita ter sido sabotado por outro corredor chamado Andre Jackson a mando de Carl Lewis, denúncia que tem até algum sentido face aos fatos mostrados no doc. Outro ponto é que o próprio Carl Lewis foi pego no antidoping antes de Los Angeles 1984 e seu caso foi abafado pelas autoridades americanas. 

Para deixar o espectador ainda mais estarrecido, no final descobrimos que dois oito finalistas daquela disputa, seis foram pegos no antidoping pelo menos uma vez, apenas o brasileiro Robson Caetano e o americano Calvin Smith terminaram a carreira limpos. 

Por sinal, Calvin Smith que era o recordista dos cem metros, deixa claro sua mágoa em saber que enquanto corria com base apenas nos treinos, a maioria de seus oponentes utilizava drogas para melhorar o desempenho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Grande Demais Para Quebrar

Grande Demais Para Quebrar (To Big To Fail, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Curtis Hanson
Elenco – William Hurt, Billyu Crudup, James Woods, Paul Giamatti, Topher Grace, Bill Pullman, Cynthia Nixon, Ayad Akhtar, Tony Shalhoub, Evan Handler, Edward Asner, John Heard, Kathy Baker, Amy Carlson, Michael O’Keefe, Joey Slotnick, Ajay Metha, Matthew Modine, Dan Hedaya, Peter Hermann.

Sei que economia é um tema que passa longe do gosto do grande público, principalmente pelo complexo mecanismo de funcionamento e os termos utilizados pelos profissionais da área que ajudam a afastar o interesse das pessoas, mas mesmo assim é necessário tentarmos entender um pouco, pois o que ocorre no mercado financeiro influencia direta e indiretamente nossa vida. 

Este longa de Curtis Hanson, junto com “Margin Call – O Dia Antes do Fim” e os documentários “Trabalho Interno” e “Capitalismo – Uma História de Amor”, são obras que se completam ao mostrar as causas da séria crise financeira que os Estados Unidos enfrentam desde 2008. Todas as situações mostradas nestas obras servem como exemplo para qualquer país capitalista, incluindo o Brasil, é claro. 

Este “Grande Demais Para Quebrar” foca a explosão da crise financeira americana em meados de 2008, quando o banco Lehman Brothers está à beira da falência e seu CEO (James Woods) ainda tenta lucrar com uma possível venda, mas falha nas negociações. 

O Secretário do Tesouro Americano, Henry Paulson (William Hurt), é acionado para tentar encontrar uma solução, pois a falência do Lehman Brothers causaria um efeito dominó e levaria para o buraco outros grandes bancos. 

Durante as reuniões com seus assessores, Paulson é informado por um consultor independente (Michael O’Keefe), que a empresa AIG, a maior seguradora do mundo, também passa por dificuldade e que com certeza iria a falência junto com os bancos, destruindo o sistema financeiro americano, pois todos os bancos utilizavam esta empresa para fazer seguro de seus empréstimos. 

Para tentar salvar a economia do país, Paulson reúne em um final de semana os CEOs dos maiores bancos americanos para tentar costurar uma solução antes do desastre. 

O roteiro baseado no livro do jornalista Andrew Ross Sorkin detalha todo o processo de negociações entres as autoridades dos governo e os chefões dos grandes bancos, com um detalhe, estes personagens são mostrados de uma forma imparcial, sem entrar em juízo de valores ou caráter, mesmo que a culpa pela crise e o quase colapso do país fossem de responsabilidade deles. 

Os quatro filmes que citei são recheados de diálogos, com uma infinidade de informações e personagens, mas são extremamente didáticos para quem deseja saber um pouco sobre o tema.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Homem da Máfia

O Homem da Máfia (Killing Them Softly, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Andrew Dominik
Elenco – Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta, Vincent Curatola, Trevor Long, Max Casella, Sam Shepard, Slaine.

O ladrão Frankie (Scoot McNairy) e o viciado Russell (Ben Mendelsohn) são contratados pelo picareta Johnny “Esquilo” Amato (Vincent Curatola) para assaltarem um clube de jogatina da Máfia. Como o local já fora assaltado anos atrás, Esquilo acredita que os chefões colocarão a culpa no gerente Mark (Ray Liotta), que foi o responsável por aquele assalto e acabou perdoado. A dupla de vagabundos comete o assalto e consegue fugir com o dinheiro. A organização criminosa contrata o assassino profissional Jackie (Brad Pitt) para descobrir quem são os assaltantes e assim eliminá-los. 

O diretor Andrew Dominik comandou o interessante “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, longa também protagonizado por Brad Pitt e deixou boa impressão, porém neste trabalho a parceria não deu bom resultado. Como uma trama totalmente clichê, o diretor tentou chamar atenção através de diálogos engraçadinhos e de personagens excêntricos, mas infelizmente falhou. O filme ficou no meio do caminho entre uma trama policial séria e uma comédia de humor negro involuntária. 

Os destaques ficam para Brad Pitt como o cínico assassino que leva a sério a profissão e a participação do falecido James Gandolfini como outro assassino, este um sujeito depressivo, mulherengo e beberrão. 

Como curiosidade, James Gandolfini, Vincent Curatola e Max Casella trabalharam juntos na série “The Sopranos”. 

Finalizando, o título brasileiro é sacana ao utilizar o mesmo nome do antigo seriado policial dos anos oitenta, sem que o filme tenha ligação alguma. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Munique 1972: Um Dia em Setembro

Munique 1972: Um Dia em Setembro (One Day in September, Suiça / Alemanha / Inglaterra, 1999) – Nota 8
Direção – Kevin Macdonald
Documentário

Este documentário narrado pelo ator Michael Douglas, mostra com detalhes a terrível tragédia ocorrida na Olimpíada de Munique na Alemanha em 1972, quando terroristas palestinos invadiram o parque olímpico e tomaram vários atletas israelenses como reféns, exigindo em troca a soltura de duzentos presos políticos ligados a causa palestina. 

Mais de quarenta anos depois, o tema continua atual, com o conflito entre palestinos e israelenses ainda causando sofrimento e morte aos dois povos. 

O doc não tem a pretensão de buscar as causas ou colocar em discussão o conflito, o diretor Kevin Macdonald foca somente no acontecimento utilizando depoimentos de personagens que participaram da ação, além das imagens da época, já que muitas câmeras estavam no local mostrando ao vivo as negociações entre terroristas e as autoridades alemãs. 

A narrativa disseca os diversos erros nas negociações e a falta de preparo dos alemães que resultaram na tragédia, além da total falta de sensibilidade do Comitê Olímpico Internacional. 

O diretor também ganha pontos ao ter conseguido localizar e convencer o único terrorista palestino vivo que participou da ação a dar seu depoimento sobre o fato. O sujeito conta sua vida e diz que não se arrepende do que fez, pois considera que a ação fez o mundo prestar atenção na causa palestina. 

Como informação, esta interessante obra venceu o “Oscar de Melhor Documentário” e após comandar outros docs, Kevin Mcdonald decidiu seguir carreira no cinema comercial, com destaque para bons filmes como “O Último Rei da Escócia” e “Intrigas do Estado”.