quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Mesa do Diabo

A Mesa do Diabo (The Cincinnati Kid, EUA, 1965) – Nota 8
Direção – Norman Jewison
Elenco – Steve McQueen, Edward G. Robinson, Ann Margret, Karl Malden, Tuesday Weld, Joan Blondell, Rip Torn, Jack Weston, Cab Calloway, Jeff Corey.

Este ótimo drama tem como tema principal a disputa do novo contra o velho, para saber quem é o melhor. Apesar do filme ter mais de quarenta anos o tema continua mais atual do que nunca, pois na velocidade em que sociedade se move, o novo está sempre querendo atropelar o velho em todos os sentidos, seja na tecnologia, nos produtos e até mesmo entre pessoas.

O filme se passa no anos trinta em Nova Orleans, quando o jogador de poquer Cincinnati Kid (Steve McQueen) é o grande nome das rodas de jogos clandestinos e há muito aguarda uma chance para jogar contra Lancey Howard (Edward G. Robinson), um veterano considerado o melhor jogador vivo. A chance aparece quando Lancey visita a cidade para jogar contra o milionário Slade (Rip Torn) e um outro jogador, Shooter (Karl Malden) arranja o tão esperado jogo para Cincinnati. 

O filme tem ainda como interesses românticos do protagonista a jovem Christian (Tuesday Weld) e a bela esposa de Shooter, Melna (Ann Margret). Os destaques do filme são o elenco de primeira, com McQueen e o grande Edward G. Robinson travando um duelo de palavras e gestos durante o jogo, o ótimo elenco de apoio que tem ainda Joan Blondell e um jovem Rip Torn, além do clima de suspense na batalha psicológica criada entre os jogadores.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

À Procura da Vingança

À Procura da Vingança (Seraphim Falls, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – David Von Ancken
Elenco – Pierce Brosnan, Liam Neeson, Michael Wincott, Ed Lauter, Xander Berkeley, Tom Noonan, Kevin J. O’Connor, John Robinson, Anjelica Huston, Angie Harmon, Robert Baker, Wes Studi.

Um caçador (Pierce Brosnan) está acampado em uma montanha gelada do oeste americano quando recebe um tiro. Rapidamente ele foge descendo a montanha em desespero. O tiro foi disparado por perseguidor (Liam Neeson) que diz para seus companheiros que deseja fazer o sujeito sangrar antes de capturá-lo vivo. 

Este é o início de uma caçada onde o espectador terá de esperar para saber aos poucos qual fato do passado une aqueles homens. Esta sequência inicial deste faroeste é muito bem filmada, por sinal a fotografia é um dos pontos altos do longa. 

A continuação da caçada tem boas cenas de ação com a participação de outros personagens que surgem pelo caminho, como um fazendeiro e seu casal de filhos, trabalhadores que estão construindo a ferrovia e um grupo de missionários, culminando com uma quase surrealista sequência no deserto. 

O desenrolar da trama tem bom ritmo até a meia-hora final, quando o espectador descobe o que aconteceu com os personagens no passado, porém a partir daí o ritmo cai, provavelmente numa escolha do diretor que preferiu deixar de lado o clímax comum ao gênero e criar um sequência de redenção.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Blue Bloods

Blue Bloods (EUA, 2010/2011)
Elenco - Donnie Wahlberg, Tom Selleck, Bridget Moynaham, Will Estes, Len Cariou, Amy Carlson, Jennifer Sposito, Nicholas Turturro, Bruce Altman.
Criação: Mitchell Burgess & Robin Green

Diferente das séries policiais atuais que utilizam tecnologia de ponta para capturar bandidos, como as franquias "CSI" e "Criminal Minds", esta "Blue Bloods" segue em sentido contrário, buscando inspiração em séries antigas como "Nova York Contra o Crime (NYPD Blue)", onde a investigação se baseava quase toda na perspicácia dos policiais.

A história aqui gira em torno de uma família de policiais de origem irlandesa, tendo no comando Frank Reagan (Tom Selleck) como o comissário de policial de Nova York, filho de também de um antigo comissário (Len Cariou) e pai de dois policiais, o detetive durão Danny (Donnie Wahlberg) e o novato Jamie (Will Estes) e da assistente de promotoria Erin (Bridget Moynahan).

Apesar de cada episódio apresentar uma trama policial diferente, o roteiro segue em paralelo a vida pessoal da família com seus problemas, além de algumas subtramas, como o jovem Jamie sendo abordado por um grupo que investiga a morte de seu irmão que também era policial, além das disputas políticas que Frank Reagan precisa encarar no dia a dia.

Apesar da presença do astro Tom Selleck, na primeira temporada o grande protagonista é Donnie Wahlberg, que cria uma policial das antigas, daqueles que não mede esforços e as vezes até passa dos limites para solucionar um crime, sendo ainda um pai de família dedicado. A curiosidade é que este é mais um papel de policial na carreira de Donnie, que foi detetive em três filmes da franquia "Jogos Mortais", na cancelada série "Boomtown" e em filmes como "Redes do Crime" e "As Duas Faces da Lei".

No geral a série não apresenta novidades, porém utiliza com competência os clichês do gênero, os roteiros são bem amarrados, o elenco carismático tem o apoio de bons coadjuvantes e as cenas de ação são bem produzidas. E para quem gosta do gênero, tem ainda a locação em Nova York, cidade clássica para filmes e seriados policiais.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Halloween: O Início e Halloween II


Como já escrevi no blog sobre o clássico Halloween de John Carpenter, desta vez comento sobre a interessante refilmagem comandada pelo roqueiro Rob Zombie e a sua continuação apenas regular.

Halloween: O Início (Halloween, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Rob Zombie
Elenco – Malcolm McDowell, Scout Taylor Compton, Sheri Moon Zombie, Daeg Faerch, William Forsythe, Brad Dourif, Tyler Mane, Danielle Harris, Hanna Hall, Danny Trejo, Richard Lynch, Clint Howard, Udo Kier, Dee Wallace, Ken Foree, Sybil Danning, Sid Haig.

Esta nova versão do clássico de John Carpenter tem uma boa história e uma clima de terror B, que se é não tão bom quanto original, pelo menos é competente. O roteiro do roqueiro e diretor Rob Zombie acerta ao mostrar a infância de Michael Myers e o porquê dos seus crimes. 

A história começa acompanhando a vida de Michael (Daeg Faerch) ao dez anos, quando ele vive com sua mãe (Sheri Moon Zombie, esposa de Rob na vida real) que trabalha como stripper, sua irmã (Hanna Hall), seu padrastro bêbado (William Forsyhte) e sua irmã ainda bebê. Seu passatempo é torturar animais, até que num ataque de fúria mata um colega de escola que o inportunava e em seguida ataca a própria família. 

Michael acaba sendo levado a um sanatório onde é tratado pelo Dr. Loomis (Malcolm McDowell), sem sucesso algum. Depois a história pula quinze anos para mostrar Michael (agora vivido pelo grandalhão Tyler Mane) fugindo do sanatório e voltando para sua cidade atrás da pequena irmã que sobreviveu. 

A primeira parte do longa onde conhecemos a vida de Michael ainda criança é ótima, com o garotinho Daeg Faerch assustando o público com sua cara de psicopata, porém na parte final a história se torna previsível, seguindo a cartilha dos filmes de terror. 

Outro ponto que agradará aos cinéfilos que gostam de terror B é o elenco, que tem participações de Brad Dourif, que fez o espírito do boneco Chucky em “Brinquedo Assassino”,  Dee Wallace que trabalhou em “Quadrilha de Sádicos” e “Grito de Horror”, Sybil Danning que interpretou personagens sensuais em vários filmes de ficção dos anos oitenta como “Mercenários das Galáxias”, Ken Foree coadjuvante nos filmes de zumbi de George Romero, além de Danielle Harris que trabalhou nas partes quatro e cinco da série original. Apesar do falecido Donald Pleasence ser insubstituível como o Dr. Loomis original, aqui o estranho Malcolm McDowell também dá conta do recado.


Halloween II (Halloween II, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Rob Zombie
Elenco – Malcolm McDowell, Scout Taylor Compton, Sheri Moon Zombie, Tyler Mane, Brad Dourif, Danielle Harris, Howard Hesseman, Margot Kidder, Richard Riehle, Dayton Callie, Mark Boone Junior, Daniel Roebuck, Silas Weir Mitchell, Weird Al Yankovic.

Um anos após o massacre de Haddonfield, as autoridades acreditam que Michael Myers (Tyler Mane) está morto, mesmo seu corpo não sendo encontrado. Enquanto isso a irmã de Michael, Laurie Strode (Scout Taylor Compton) que hoje vive com o xerife Bracket (Brad Dourif) e sua filha Anne (Danielle Harris), sofre com pesadelos sobre o massacre dias antes da noite de Halloween. Já o Dr. Loomis (Malcolm McDowell) divulga seu novo livro onde conta detalhes de sua relação com Michael Myers, quando este era seu paciente. Em paralelo, Michael Myers que vive numa cabana no meio da floresta, começa a ter visões de sua mãe (Sheri Moon Zombi), que pede para ele buscar a irmã. 

O roqueiro Rob Zombie acertou na refilmagem do original, criando uma obra que competente, mas esta continuação peca pelo fraco roteiro, que exagera nas visões que Michael e sua irmã tem da mãe toda vestida de branco ao lado de um cavalo branco, além de desenvolver muito mal a participação do personagem Dr. Loomis. 

Os pontos positivos são a assustadora sequência inicial e as cenas de mortes extremamente violentas e sanguinárias. Apesar dos altos e baixos, vale destacar que Zombie tem potencial para se tornar um bom diretor do gênero, basta escrever ou escolher roteiros melhores. 


domingo, 30 de outubro de 2011

A Quadrilha da Mão & Rebeldes e Heróis


A Quadrilha da Mão (Band of the Hand, EUA, 1986) – Nota 7
Direção – Paul Michael Glaser
Elenco – Stephen Lang, Michael Carmine, Lauren Holly, John Cameron Mitchell, Danny Quinn, Leon, Al Shannon, James Remar, Paul Calderon, Laurence Fishburne.

Cinco jovens com histórico de violência são recrutados para um estranho projeto de reabilitação. Levados a um pântano, os jovens precisam seguir um duro treinamento comandado por um ex-veterano do Vietnã (Stephen Lang). Ao final do treinamento o grupo é enviado de volta para a cidade em uma casa num bairro repleto de traficantes, dando início a um violento confronto. 

Filme típico dos ano oitenta, recheado de cenas violentas de ação e estrelado por jovens desconhecidos na época. Destaque para as presenças de coadjuvantes que posteriormante ficaram conhecidos como James Remar e Laurence Fishburne, este quando ainda assinava como Larry. O diretor e ator Paul Michael Glaser foi astro da antiga série “Starsky & Hutch” e dirigiu também “The Running Man – O Sobrevivente” com Schwarzenegger.

Rebeldes e Heróis (Toy Soldiers, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Daniel Petrie
Elenco – Sean Astin, Will Wheaton, Keith Coogan, Louis Gossett Jr, Denholm Elliott, Andrew Divoff, R. Lee Ermey, Mason Adams.

Um grupo de terroristas liderados por um sujeito violento (o eterno vilão Andrew Divoff, o Mikhail de “Lost”) invade um colégio de elite para exigir como resgate dos reféns a soltura de um chefão do tráfico. Vários alunos e professores são dominados, porém o rebelde Billy (Sean Astin) consegue escapar e se esconder dentro do colégio. Conhecendo bem todo o colégio e usando a esperteza, ele ajuda a policia que cerca o local na tentativa de salvar seus amigos. 

Colocar um adolescente para enfrentar terroristas é algo absurdo, mas o interessante é que isto funciona neste filme. Não se deve levar a sério a premissa, mas sim aproveitar as boas cenas de suspense e ação que prendem a atenção até o final. 

É curioso ver Sean Astin muitos anos antes de “O Senhor do Anéis”, quando era quase astro adolescente, que havia ficado conhecido por seu papel em “Os Goonies”. Astin tem a companhia de outros dois ídolos adolescentes da época, Will Wheaton e Keith Coogan, que não conseguiram consolidar as carreiras. 

O elenco de apoio também ajuda, além do canastrão Divoff, temos o competente Louis Gosser Jr, o carrancudo R. Lee Ermey como um general e o falecido Denholm Elliott da série “Indiana Jones” como o diretor da escola.

sábado, 29 de outubro de 2011

Conversando com Deus

Conversando com Deus (Conversations with God, EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – Stephen Deutsch
Elenco – Henry Czerny, Vilma Silva, T. Bruce Page, Ingrid Boulting.

Neale Donald Walsch (Henry Czerny) sofre um acidente e por ficar afastado acaba perdendo o emprego. Neale não consegue um novo trabalho e sua vida desmorona quando é despejado do apartamento onde mora por não ter como pagar o aluguel. Ele passa a morar numa barraca em um parque público, onde faz amizade com outras pessoas sem teto e sente na pele as dificuldades da situação. Sua vida parece mudar quando consegue um novo emprego, porém ele encontra paz apenas quando começa a conversar com Deus. 

Este filme é baseado num livro do próprio Neale Walsch, que se tornou um best seller onde ele conta sua experiência de vida. Não posso opinar sobre o livro, mas o filme passa longe de ser cinema de qualidade. 

A direção do desconhecido Stephen Deutsch se preocupou apenas em passar uma mensagem de auto ajuda através da superação dos dramas enfrentados pelo protagonista, porém o roteiro é primário. Pouco sabemos a respeito da vida de Neale antes do acidente, as passagens de tempos são mal explicadas, além da tentativa de conseguir a simpatia do público pela emoção fácil, mascarando a historia mal contada. 

A mensagem subliminar sobre conversar com Deus é até interessante, seria algo como a pesssoa se encontrar internamente, mas infelizmente o filme é repleto de falhas.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Exército do Extermínio

Exército do Extermínio (The Crazies, EUA, 1973) – Nota 7
Direção – George A. Romero
Elenco – W. G. McMillan, Lane Carroll, Harold Wayne Jones, Lloyd Hollar, Richard France.

Numa pequena cidade americana, um homem enlouquece, mata a esposa e coloca fogo na casa antes de ser preso. Este é o início de um suspense de baixo orçamento dirigido pelo pai dos filmes de zumbi, George A Romero. 

Na sequência, enquanto os bombeiros tentam apagar as chamas, a cidade é tomada pelo exército que tem a missão de fechar todas as saídas e deixar a população em quarentena, em razão de um vírus mortal ter sido liberado na região após um acidente de avião, infectando pessoas que passam a ter alucinações e se tornam violentas. Como consequência, o caos toma conta da região, potencializado por erros absurdos do comando do exército, que até mesmo pensa em utilizar uma bomba atômica para acabar com o problema. 

O diretor Romero utiliza um argumento hoje extremamente batido, mas que na época era original e mostrava como seria quase impossível deter uma epidemia que se alastrava no ar. Da mesma forma dos seus filmes de zumbis, os personagens são apenas um detalhe, sempre interpretados por rostos desconhecidos que servem de escada para o diretor espalhar o medo e a paranoia, entregando um final totalmente sem esperança. 

O longa foi refilmado em 2010 sendo lançado por aqui com o título “A Epidemia”.