segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Cymbeline & Hamlet - Vingança e Tragédia


A proposta do diretor Michael Almereyda em transportar duas obras de Shakespeare para os dias atuais utilizando os diálogos originais, resultaram em filmes no mínimo estranhos. Para meu gosto considero filmes cansativos e arrastados, como se fossem peças de teatro intermináveis, no pior sentido possível. Os fãs de Shakespeare podem desfrutar da premissa original, mas para o restante do público, mesmo o cinéfilo que gosta de experiências diferentes, fica difícil encarar estes dois filmes até o final.

Fiz apenas uma sinopse das tramas.

Cymbeline (Cymbeline, EUA, 2014) – Nota 4
Direção – Michael Almereyda
Elenco – Ethan Hawke, Ed Harris, Milla Jovovich, John Leguizamo, Penn Badgley, Dakota Johnson, Anton Yelchin, Peter Gerety, Kevin Corrigan, Vondie Curtis Hall, James Ransone, Spencer Treat Clark, Bill Pullman, Delroy Lindo, Harley Ware.

Posthumus (Penn Badgley) é um jovem que está apaixonado por Imogen (Dakota Johnson), filha de Cymbeline (Ed Harris), que é o chefão de uma quadrilha de motoqueiros e que não aceita o romance. Cymbeline também está em conflito com policiais corruptos, que querem uma parte do seu negócio. A situação de Posthumus fica mais complicada quando aceita uma aposta com Iachimo (Ethan Hawke), que pretende seduzir Imogen antes do amigo.

Hamlet – Vingança e Tragédia (Hamlet, EUA, 2000) – Nota 5
Direção – Michael Almereyda
Elenco – Ethan Hawke, Kyle MacLachlan, Diane Venora, Liev Schreiber, Julia Stiles, Bill Murray, Karl Geary, Steve Zahn, Sam Shepard, Paul Bartel, Dechen Thurman, Jeffrey Wright, Casey Affleck.

Após ser assassinado, o fantasma do CEO da Corporação Dinamarca (Sam Shepard), aparece para seu filho Hamlet (Ethan Hawke) e conta que fora assassinado por seu irmão Claudius (Kyle MacLachlan), que se tornou chefão da empresa e ainda se casou com a viúva (Diane Venora). Atormentado pela visão do pai, Hamlet prepara sua vingança. 

domingo, 13 de setembro de 2015

O Franco-Atirador

O Franco-Atirador (The Gunman, EUA / Espanha / Inglaterra / França, 2015) – Nota 6,5
Direção – Pierre Morel
Elenco – Sean Penn, Jasmine Trinca, Javier Bardem, Ray Winstone, Mark Rylance, Idris Elba, Peter Franzen.

Congo, 2006. Terrier (Sean Penn) trabalha aparentemente em uma empresa que presta segurança para uma ONG que atua no país. Ele está envolvido com a bela médica Annie (Jasmine Trinca), que não sabe que na realidade Terrier faz parte de um grupo de mercenários internacionais. Após cometer um assassinato durante uma missão, ele é obrigado fugir do país. 

Oito anos depois, Terrier está de volta ao Congo trabalhando para uma ONG, quando é alvo de um atentado. Ele sobrevive e segue para Londres onde encontra um antigo contato (Ray Winstone) e em seguida para Barcelona com o objetivo de descobrir quem deseja matá-lo. Na cidade, ele reencontra sua antiga namorada casada com seu amigo Felix (Javier Bardem). 

O diretor francês Pierre Morel é especialista em filmes eletrizantes de ação, como “Busca Implacável” e “Dupla Implacável”. Aqui, era esperado outro filme no mesmo estilo, com muita correria, tiroteios e uma história minimamente verossímil. Infelizmente o resultado fica aquém dos filmes anteriores citados. 

A trama rocambolesca de espionagem se mostra mais confusa do que verossímil, com personagens perdidos na história, como o agente interpretado por Idris Elba e o amigo mercenário vivido por Ray Winstone. 

Estes detalhes poderiam não atrapalhar se as cenas de ação fossem o ponto principal, mas desta vez até mesmo neste quesito o diretor fica devendo. São poucas as cenas de ação, com alguns tiroteios preguiçosos e nada mais. Nem mesmo as clássicas sequências de perseguição de automóvel existem. 

Apesar de ser um bom ator, Sean Penn parece deslocado como herói de ação, um tipo de papel que ele jamais havia interpretado. 

No final, fica a sensação de que era mais um filme perfeito para ter Liam Neeson como protagonista e um Pierre Morel com liberdade para criar suas cenas de ação tresloucadas. 

sábado, 12 de setembro de 2015

The Living

The Living (The Living, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Jack Bryan
Elenco – Fran Kranz, Jocelin Donohue, Kenny Wormald, Chris Mulkey, Joelle Carter.

Em Auburn, Pennsylvania, Teddy (Fran Kranz) acorda com uma tremenda ressaca, sem lembrar nada da noite anterior. Ao chamar a esposa Molly (Jocelin Donohue), percebe que ela saiu da casa. Teddy vai procurá-la na casa da sogra (Joelle Carter) e descobre que a espancou enquanto estava bêbado. Desesperado, Teddy pede desculpas, se mostra arrependido e tenta se reaproximar da esposa, que pede um tempo. 

A mãe de Molly passa a incitar seu filho Gordon (Kenny Wormald) para vingar a surra da irmã. O inseguro Gordon não tem coragem de encarar Teddy, porém com a indicação de um amigo, ele procura um assassino profissional para matar o cunhado. Gordon encontra o psicopata Howard (Chris Mulkey), que aceita a proposta. 

Este interessante drama independente foca em personagens comuns, que após atitudes impensadas são obrigados a conviver com as consequências, sendo algumas delas um caminho sem volta. 

O destaque do elenco fica para o assassino interpretado pelo veterano Chris Mulkey. Ator relegado a papéis de coadjuvante sem destaque, aqui interpreta o personagem mais marcante de sua carreira. Ele toma conta do filme como o sujeito frio, com sensor de humor sinistro e sem sentimento algum para o próximo. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Comédias Sobre Conflitos de Relacionamento

A Guerra dos Roses (The War of the Roses, EUA, 1989) – Nota 5
Direção – Danny DeVito
Elenco – Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny DeVito, Marianne Sagebrecht, Sean Astin, Heather Fairfield, G. D. Spradlin.

O advogado Gavin (Danny DeVito) está conversando com um cliente sobre divórcio e decide contar ao sujeito a história de um casal de amigos. Em flashback, o espectador vê Oliver (Michael Douglas) e Barbara (Kathleen Turner) se conhecerem durante as férias, se apaixonarem e se casarem. Com o passar dos anos, Oliver faz uma carreira bem sucedida em uma empresa, enquanto Barbara continua trabalhando como garçonete e cuidando dos filhos. Quando Barbara tem a oportunidade de abrir uma empresa de alimentação e se equiparar financeiramente ao marido, inclusive comprando uma bela casa no subúrbio, a relação do casal desanda, dando início a uma guerra por causa do divórcio. 

O trio Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny DeVito fez sucesso em meados dos anos oitenta com as divertidas aventuras de “Tudo Por Uma Esmeralda” e “A Joia do Nilo”. Este terceiro filme mudou totalmente o foco da aventura para o humor negro, resultando numa obra que decepcionou o público na época. A proposta do filme é o exagero, desde o romance melado no início da trama, passando pela crise no casamento e terminando com a ridícula guerra entre o casal. É o tipo de filme em que o espectador precisa aceitar a proposta do absurdo para tentar se divertir.     

Os Rivais (Tin Men, EUA, 1987) – Nota 6
Direção – Barry Levinson
Elenco – Richard Dreyfuss, Danny DeVito, Barbara Hershey, John Mahoney, Seymour Cassell, Bruno Kirby, J. T. Walsh, Richard Portnow, Matt Craven, Alan Blumenfeld.

Baltimore, 1963. Bill “BB” Babowsky (Richard Dreyfuss) e Ernest Tilley (Danny DeVito) são vendedores de alumínio que não se conhecem, até o momento em que se envolvem em pequeno acidente de automóvel que resulta em um ódio mortal entre eles. Além de vendedores, os dois também adoram seus carros e por este motivo culpam um ao outro pelo acidente. A partir daí, como se fossem duas crianças, os sujeitos iniciam uma guerra que resultará em situações ridículas, até mesmo envolvendo Nora (Barbara Hershey), que é esposa de Ernest. 

A premissa é simples e as piadas irregulares. Os destaques são a reconstituição de época de Baltimore, cidade sempre retratada com carinho pelo diretor Barry Levinson e o carisma da dupla principal que estava no auge da carreira na época. É uma descartável sessão da tarde e nada mais que isso.

A Inveja Mata (Envy, EUA, 2004) – Nota 5
Direção – Barry Levinson
Elenco – Ben Stiller, Jack Black, Rachel Weisz, Amy Poehler, Christopher Walken.

Tim (Ben Stiller) e Nick (Jack Black) são vizinhos e grandes amigos. Enquanto Tim é um trabalhador esforçado, Nick é um sonhador que sempre tem ideias mirabolantes que não funcionam. Quando Nick diz ter desenvolvido um produto que faz a poeira e outros tipos de sujeira desaparecerem, ele oferece uma sociedade no negócio para Tim, porém o amigo não leva a sério a proposta. Para surpresa geral, o estranho produto se torna sucesso e enriquece Nick, causando uma enorme inveja em Tim e por consequência um conflito entre os antigos amigos. 

As piadas totalmente sem graça, os personagens chatos de Stiller e Black e a história fraca transformaram o longa em um grande fracasso, sendo o pior filme da carreira de Barry Levinson até então. 

Uma Família em Pé de Guerra (Tank, EUA, 1984) – Nota 5,5
Direção – Marvin J. Chomsky
Elenco – James Garner, C. Thomas Howell, Shirley Jones, G. D. Spradlin, Jennilee Harrison, Dorian Harewood, Mark Herrier, James Cromwell.

O Major Zak Carey (James Garner) se muda com a família para um quartel em uma pequena cidade da Georgia. Inconformado com uma situação no quartel, Zak decide parar em um bar local para beber e acaba por dar uma surra em um sujeito que agredia uma garota. Somente depois ele descobre que o sujeito (James Cromwell) é um figurão da cidade que manda até mesmo no xerife corrupto (G. D. Spradlin). Como vingança, o xerife utiliza uma acusação falsa para prender Billy (C. Thomas Howell), filho de Zak, que toma uma decisão radical para salvar o garoto. 

A trama é de filme policial, porém o roteiro dá ênfase a comédia, com poucas situações engraçadas e um climax exagerado que envolve até mesmo um tanque de guerra. Mesmo tendo sido produzido para o cinema, a obra tem todo jeito de filme para tv. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Invasores: Nenhum Sistema Está a Salvo

Invasores: Nenhum Sistema Está a Salvo (Who Am I – Kein System ist Sicher, Alemanha, 2014) – Nota 8
Direção – Baran Bo Odar
Elenco – Tom Schilling, Elyas M’Barek, Wotan Wilke Mohring, Antoine Monot Jr, Hannah Herzsprung, Trine Dyrholm, Stephan Kampwirth.

Benjamin (Tim Schilling) é o típico jovem perdedor. Órfão criado pela avó que agora sofre de Alzheimer, ignorado pelos colegas na escola e estudante medíocre, hoje sobrevive entregando pizzas. O único talento que o jovem descobriu com a solidão foi a facilidade em invadir sistemas. 

Após cometer um erro em uma tentativa de invasão, Benjamin é sentenciado a cumprir horas de trabalho comunitário. Durante o trabalho, ele conhece Max (Elyas M’Barek), outro hacker especialista em sistemas. Junto com outros dois sujeitos, Max e Benjamin criam um grupo de hackers que pregam a anarquia. A brincadeira sai do controle quando o grupo decide invadir o sistema de um órgão do governo. 

Este surpreendente longa alemão tem um engenhoso roteiro repleto de reviravoltas, com ótimos diálogos e uma trama narrada pelo protagonista. O roteiro recicla ideias de dois ótimos filmes americanos dos anos noventa, fato que o cinéfilo mais atento vai descobrir durante a reviravolta final. Não citarei os filmes, pois estragaria a surpresa. 

Outro ponto positivo é transformar os hackers em aventureiros. Diferente do perfil do nerd que fica apenas na frente do computador, aqui os jovens invadem prédios, pulam cercas e despistam seguranças para cumprir seus objetivos. 

O longa é uma agradável surpresa para quem gosta de suspense, ação e uma boa trama. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Submarine & O Duplo


Submarine (Submarine, Inglaterra / EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Richard Ayoade
Elenco – Craig Roberts, Yasmin Paige, Noah Taylor, Paddy Considine, Sally Hawkins, Darren Evans.

País de Gales, anos oitenta. Oliver Tate (Craig Roberts) é um garoto tímido que se apaixona por Jordana (Yasmin Paige), uma colega de escola com quem ele não sabe como se aproximar. Um fato inusitado abra o coração de Jordana para Oliver. Ao mesmo tempo em que Oliver começa a descobrir como funciona um relacionamento, ele percebe uma crise no casamento de seus pais (Noah Taylor e Sally Hawkins) e a atração da mãe por um ex-namorado (Paddy Considine), que ministra palestras que misturam autoajuda com música new age, ou seja, um tremendo picareta. 

O inglês Richard Ayoade estreou na direção e escreveu o roteiro deste sensível longa sobre relacionamentos e descobertas da adolescência, misturando drama e comédia na medida certa. O estilo da narrativa lembra os filmes de Wes Anderson (não o visual), focando em situações e personagens que a princípio podem parecer exagerados ou excêntricos, mas que se mostram reais quando analisamos o todo. 

Muito da qualidade do filme está nos diálogos e nos personagens. Os adolescentes são espontâneos nas interpretações e os pais vividos por Noah Taylor e Sally Hawkins são o típico casal que se ama, mas que não sabe como demonstrar o sentimento. 

É um filme que vale a sessão para quem gosta de histórias simples contadas com sensibilidade.

O Duplo (The Double, Inglaterra, 2013) – Nota 6,5
Direção – Richard Ayoade
Elenco – Jesse Eisenberg, Mia Wasikowska, Wallace Shawn, Noah Taylor, Yasmin Paige, James Fox, Cathy Moriarty, Craig Roberts.

Em uma época indeterminada, Simon James (Jesse Eisenberg) é um funcionário burocrata de uma empresa especializada em controle de dados e informações. Tímido e inseguro, Simon é ignorado por quase todas as pessoas, até mesmo pelo porteiro que todos os dias pede sua identificação, como se jamais o tivesse visto. A insegurança de Simon faz com que tenha dificuldades para se aproximar de Hannah (Mia Wasikowska), colega de empresa por quem se sente atraído. Sua vida triste fica ainda mais complicada quando a empresa contrata James Simon (o próprio Jesse Eisenberg), sujeito idêntico a ele, porém com uma personalidade expansiva e um caráter duvidoso. Aos poucos, Simon percebe que está sendo substituído por James, sentindo como se sua vida estivesse sendo roubada. 

Baseado livremente em uma peça de Dostoevsky, este longa apresenta algumas ideias interessantes, como a questão da invisibilidade das pessoas tímidas na sociedade, que sofrem e muitas vezes acabam descartadas por possíveis parceiros, chefes e até amigos. 

É interessante também o contraste envolvendo cenários e história. Ao mesmo tempo em a trama parece mostrar a empresa como parte de uma sociedade futurista ao estilo “1984”, os cenários e os utensílios do escritório são retrô, como as mesas e cadeiras, os biombos e as máquinas. 

Infelizmente, o filme perde força no ritmo arrastado da narrativa e no roteiro quase todo previsível, com exceção do final que remete a um antigo clássico cult de Roman Polanski, que não citarei para não estragar a surpresa. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

2:37 - É Só uma Questão de Tempo

2:37 – É Só uma Questão de Tempo (2:37, Austrália, 2006) – Nota 7,5
Direção – Murali K. Thalluri
Elenco – Teresa Palmer, Frank Sweet, Sam Harris, Charles Baird, Joel Mackenzie, Marni Spillane, Clementine Mellor.

Em uma escola de ensino médio na Austrália, uma tragédia ocorre as 2:37 da tarde. A câmera do diretor Murali K. Thalluri acompanha os problemas de seis alunos durante o fatídico dia, cruzando situações e deixando o espectador à espera de quem seja a vítima. 

Temos a jovem angustiada (Teresa Palmer), seu ambicioso irmão (Frank Sweet), o atleta metido a garanhão (Sam Harris), o garoto com problemas de saúde (Charlie Baird), a patricinha apaixonada (Marni Spillane) e o jovem que assumiu ser homossexual (Joel Mackenzie). 

Com um estilo que lembra filmes como “Elephant” de Gus Van Sant e as obras polêmicas de Larry Clark, o novato diretor australiano consegue imprimir uma narrativa sóbria e criar situações verossímeis sobre o mundo dos adolescentes, além de mostrar o colégio como uma verdadeira selva de vaidades, mentiras, violência psicológica e preconceitos. 

Vale destacar ainda os depoimentos dos personagens para a câmera, em cenas isoladas onde falam de si mesmos como se fosse uma entrevista. 

Não espere um final explosivo ou algum massacre, a proposta é mostrar o complicado universo adolescente e as suas consequências.