sexta-feira, 7 de março de 2014

Moça com Brinco de Pérola

Moça Com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring, Inglaterra / Luxemburgo, 2003) – Nota 7,5
Direção – Peter Webber
Elenco – Colin Firth, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson, Judy Parfitt, Cillian Murphy, Essie Davis, Joana Scanlan, Alakina Mann.

No século XVII na Holanda, Griet (Scarlett Johansson) é uma jovem de família pobre que começa a trabalhar como serviçal na casa do pintor Johannes Vermeer (Colin Firth). Vermeer é casado com Catarina (Essie Davis), com quem tem vários filhos mas uma relação fria, sem contar a presença da intrometida sogra (Judy Parfitt) que não ajuda em nada. 

Para sustentar a família, Vermeer pinta quadros por encomenda para Pieter Van Ruijven (Tom Wilkinson), um mecenas que paga pelo trabalho do pintor e lucra com a venda dos quadros. Cada vez que Vermeer deseja pintar algo por conta própria, a esposa e a sogra se mostram contrariadas, até que a chegada de Griet desperta no pintor o desejo de algo mais. A relação que se cria entre patrão e empregada, resulta no quadro dá título ao filme e que muitos anos depois se tornaria uma valiosa obra de arte. 

O diretor inglês Peter Webber estreou no cinema com este longa que é uma adaptação de um livro escrito nos anos noventa, que apresenta uma história de ficção para tentar mostrar como teria sido a inspiração do holandês Vermeer para pintar seu quadro mais famoso. 

O filme tem um pé na fábula ao mostrar a humilde protagonista sofrendo com a terrível família que a contratou e sendo tratada de forma humana apenas pelo pintor, que seria uma espécie de príncipe proibido. 

O longa ganha pontos com o belíssimo figurino, a fotografia e a direção de artes, itens que foram indicados ao Oscar, com a atuação do sempre competente Colin Firth como o atormentado pintor e a beleza de Scarlett Johansson. 

É um filme que com certeza é mais apreciado pelos especialistas em artes e pintura, para o público em geral é apenas um drama sensível e ao mesmo tempo um pouco cansativo pelo ritmo lento da narrativa.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Salve Geral

Salve Geral (Brasil, 2009) – Nota 7
Direção – Sergio Rezende
Elenco – Andrea Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor, Eucir de Souza, Kiko Mascarenhas, Michel Gomes, Giulio Lopes, Guilherme Santana, Taiguara Nazareth, Bruno Perillo, Chris Couto, Luciano Chirolli, Pascoal da Conceição.

No Dia das Mães de 2006, o grupo criminoso que comanda os presídios em São Paulo deflagrou diversas rebeliões por todo o Estado e dezenas de ataques nas ruas a policiais, bancos e ônibus, em retaliação a transferência de seus líderes para presídios de segurança máxima no interior de São Paulo. A ação do grupo parou São Paulo, assustou a população e mostrou toda a fraqueza do governo. 

Partindo deste fato real, o diretor Sergio Rezende criou uma trama de ficção protagonizada pela professora de piano Lúcia (Andréa Beltrão), que após a morte do marido é obrigada a mudar para periferia com o filho Rafa (Lee Thalor), que não se conforma com a nova situação. A vida que já estava complicada, se transforma num inferno quando  Rafa se envolve numa briga e mata uma pessoa. O jovem é condenado e enviado para um presídio que é dominado pelo grupo criminoso.

Durante uma visita ao filho, Lúcia cruza o caminho da advogada conhecida como Ruiva (Denise Weinberg), que trabalha para a organização. Precisando de dinheiro para sobreviver e ajudar o filho, aos poucos Lúcia passa a fazer pequenos trabalhos para a advogada, inclusive visitando presos para passar mensagens. Numa destas visitas, Lúcia conhece o Professor (Bruno Perillo), um dos líderes do grupo, sujeito com quem ela se envolve sexualmente. 

A crítica detonou o filme, por este motivo eu esperava algo bem pior, no estilo confuso de “400 Contra 1”, porém mesmo com um roteiro com muitos personagens e várias pequenas tramas, o longa prende a atenção pela boa narrativa e principalmente por mostrar o que realmente deve ter ocorrido nos bastidores do confronto entre bandidos versus polícia e governo. 

As retaliações dos dois lados, a negociação da trégua que foi negada pelo governo, mas que claramente ocorreu e até a emboscada dentro do galpão, são versões de fatos obscuros ocorridos na época. 

Algumas escolhas do diretor como o caso entre a personagem de Andréa Beltrão e o chefão atrás das grades tiram pontos do filme, porém o objetivo de fazer uma crítica ao sistema foi alcançado, ao mostrar que a corrupção é um mal que tomou conta de todos os níveis no pais.  

quarta-feira, 5 de março de 2014

Além da Estrada

Além da Estrada (Por el Camino, Uruguai / Brasil, 2010) – Nota 7,5
Direção – Charly Braun
Elenco – Esteban Feune de Colombi, Jill Mulleady, Hugo Arias, Guilhermina Giunle, Naomi Campbell.

Santiago (Esteban Feune de Colombi) é um argentino que chega ao Uruguai para resolver a questão de um terreno deixado pelos pais que faleceram num acidente de automóvel. A jovem belga Juliette (Jill Mulleady) chega ao mesmo tempo no país e tem como objetivo viajar até a pequena cidade de Rocha no interior do Uruguai, mesmo local onde fica o terreno de Santiago. Os dois se cruzam e Santiago oferece uma carona, dando início a uma viagem que cruzará o país. 

Esta co-produção Uruguai/Brasil é um road movie que mistura ficção com personagens reais que foram sendo inseridos na trama conforme cruzavam o caminho do diretor e da equipe de filmagem. A viagem pelo país apresenta um interior com cidades pobres, com exceção das sequências em Punta Del Leste, porém a câmera do diretor mostra os locais de forma carinhosa, assim como é o tratamento aos vários personagens que surgem na tela. 

Os protagonistas são estreantes em longas e provavelmente este frescor ajudou na composição dos personagens, que são um retrato de como os jovens buscam algo, mesmo sem saber o que. Santiago abandonou o emprego fixo e não sabe o que fazer, ficando dividido entre uma vida simples no interior e as baladas vazias da cidade, fato que fica claro nas sequências em que ele contracena com a brasileira Guilhermina Guinle, que interpreta uma fútil emergente. A jovem Juliette vaga pelas Américas em busca de uma vida melhor, ou como ela cita, tenta fugir do sistema que a força ser garçonete na Bélgica. 

É um simples, sincero e contemplativo longa, indicado para cinéfilos que gostam de narrativas que fogem do lugar comum e que principalmente apreciam filmes com bela fotografia, aqui um dos pontos principais. 

O diretor brasileiro Charly Braun mostra que tem potencial, agora é esperar seus novos trabalhos para confirmar ou não o talento.

O filme tem ainda uma curiosa participação da polêmica modelo Naomi Campbell.

terça-feira, 4 de março de 2014

OP Center

OP Center (OP Center, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Lewis Teague
Elenco – Harry Hamlin, Carl Weathers, Lindsay Frost, Wilford Brimley, Kim Cattrall, Deirdre Hall, Bo Hopkins, Ken Howard, Rod Steiger, John Savage, Kabir Bedi, Shaun Toub, Luis Avalos, France Nuyen, Sherman Howard, David Garrison.

No mesmo dia em que toma posse como chefe do Centro de Operações Antiterroristas, Paul Hood (Harry Hamlin) precisa lidar com uma situação que pode dar início a uma guerra nuclear. Agentes da KGB se rebelaram e roubaram duas ogivas nucleares com o objetivo de vendê-las para terroristas. Para recuperar as ogivas, um grupo de especialistas analisa para onde o material pode estar sendo levado e quais ações devem ser tomadas. Para complicar a situação, uma famosa repórter (Deirdre Hall) tem um caso com o presidente americano (Ken Howard) e assim descobre o ocorrido, sem contar que o próprio Hood enfrenta uma crise no casamento. 

Baseado num livro de Tom Clancy, esta bem cuidada produção para a tv tinha como objetivo seguir o rastro de sucessos dos filmes protagonizados pelo personagem Jack Ryan produzidos no início dos anos noventa e podemos dizer que conseguiu não fazer feio. 

A trama era atual na época, já que as histórias dos artefatos nucleares da antiga União Soviética desaparecendo eram comuns nos anos noventa, mesmo que muitas fossem na verdade apenas teorias de conspiração. 

A narrativa prende a atenção, seguindo o estilo dos filmes de espionagem que colocam legendas para designar os vários locais por onde ocorre a trama. 

O elenco é repleto de rostos conhecidos, como os outrora astros Rod Steiger e John Savage, o competente Harry Hamlin no papel principal e até a bela Kim Cattrall antes da fama de “Sexy and the City”. 

Eu assisti uma versão com pouco menos de duas horas que explica bem a trama, porém na tv americana o longa foi exibido com 170 minutos.    

segunda-feira, 3 de março de 2014

12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, EUA / Inglaterra, 2013) – Nota 8,5
Direção – Steve McQueen
Elenco – Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Sarah Paulson, Lupita Nyong’o, Paul Giamatti, Michael Kenneth Williams, Liza J. Bennett, J. D. Evermore, Alfre Woodard, Garret Dillahunt, Brad Pitt.

Em 1841, na cidade de Saratoga, o negro Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um homem livre, casado e com dois filhos, que tem o talento de tocar violino. Quando dois homens o convidam para tocar em um circo em Washington oferecendo um bom dinheiro pelo trabalho, Solomon aceita e não imagina que na verdade os sujeitos pretendem sequestrá-lo para vendê-lo como escravo. Solomon é levado para o sul do país onde viverá um inferno por doze anos, trabalhando em plantações, sendo obrigado a ficar calado, sofrendo e vendo outros escravos sendo humilhados e até assassinados. 

Baseado na triste história real de Solomon Northup, este longa pode ser considerado um dos melhores já produzidos sobre a escravidão nos Estados Unidos, principalmente pela forma realista como mostra a relação entre donos e escravos, onde mesmo aqueles proprietários que viam os negros como pessoas, não tinham coragem de tomar alguma atitude para mudar a situação. Um exemplo é o personagem de mestre Ford (Benedict Cumberbatch), que prefere vender Solomon ao invés de soltá-lo, mesmo sabendo que ele era um homem livre. 

A crueldade de algumas sequências passam todo o sofrimento e a angústia dos escravos, além do medo quando precisavam encarar seus donos, muitos deles cruéis, aqui representados de forma sinistra por personagens como de Paul Dano e do casal Epps, interpretados por Michael Fassbender e Sarah Paulson. 

Além do sempre competente Michael Fassbender, os grandes destaques são as interpretações de Chiwetel Ejiofor como o protagonista e da jovem negra Lupita Nyong’o, que sofre o diabo nas mãos do casal Epps, num papel que merecidamente lhe valeu o Oscar de Atriz Coadjuvante. 

A vitória como Melhor Filme no Oscar não surpreende, pois os membros da Academia adoram premiar histórias de sofrimento e superação.    

domingo, 2 de março de 2014

10 Anos de Pura Amizade

10 Anos de Pura Amizade (10 Years, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Jamie Linden
Elenco – Channing Tatum, Rosario Dawson, Justin Long, Max Minghella, Oscar Isaac, Chris Pratt, Kate Mara, Lynn Collins, Brian Geraghty. Scott Porter, Ari Graynor, Jeanna Dewan Tatum, Anthony Mackie, Ron Livingston, Aubrey Plaza, Eiko Nijo, Kelly Noonan, Aaron Yoo.

Um grupo de amigos do colégio se reúne para comemorar dez anos da formatura. Além da diversão na festa de reencontro, o evento é uma oportunidade para os amigos resolverem questões pendentes.

Jake (Channing Tatum) leva a atual namorada, mas sua vontade é rever a ex (Rosario Dawson), que por sua vez aparece com o marido. Os amigos Marty (Justin Long) e A. J. (Max Minghella) passam a noite tentando seduzir a fogosa Anna (Lynn Collins), enquanto Reeves (Oscar Isaac) se tornou cantor e vê no reencontro a chance de conquistar Elise (Kate Mara), por quem nunca teve coragem de se declarar. Por fim, o grandalhão Cully (Chris Pratt) que era o sujeito folgado que perseguia os nerds, agora está casado, tem dois filhos e deseja utilizar o evento para se desculpar de suas atitudes de adolescente.

O grande acerto do roteiro do próprio diretor Jamie Linden foi deixar a história fluir sem forçar a barra para um drama como o clássico “O Reencontro” de Philip Kaufman ou apelar para a comédia rasteira. O meio termo resultou num simpático filme que chega próximo ao que realmente ocorre na vida de um grupo de pessoas que decide se reencontrar após muitos anos. Alguns alcançaram um sucesso inesperado, enquanto outros enfrentaram percalços que mudaram completamente suas vidas, todos tendo em comum um misto de alegrias e tristezas.

Mesmo deixando uma mensagem final de esperança, o longa não deixa de mostrar que este tipo de reunião é em parte melancólica, assim como são as lembranças do passado e a certeza de que nada será como antes.

sábado, 1 de março de 2014

Um Dia na Vida

Um Dia na Vida (Brasil, 2010) – Nota 7
Direção – Eduardo Coutinho
Documentário

O diretor Eduardo Coutinho, que foi assassinado pelo filho há poucos dias, deixou um extensa carreira de documentários, entre eles “Um Dia na Vida” que é considerado seu trabalho proibido, por nunca ter sido lançado comercialmente por causa dos problemas com direitos autorais dos canais de tv. 

O doc é uma coletânea de imagens da programação de vários canais de tv gravadas durante 24 horas seguidas em 2009. Deste extenso material, Coutinho montou em ordem cronológica o que seria o retrato de uma dia na tv aberta brasileira, resultando num conteúdo que varia entre a desinformação, o fútil e o bizarro. 

Com sua experiência e perspicácia, ele montou o filme com situações em sequência que são semelhantes ou que se completam. Por exemplo, pela manhã durante os comerciais de um abominável programa infantil, duas lojas de departamento anunciam promoções idênticas visando as crianças como consumidores e utilizando crianças como atores. 

Em seguida, temos uma igreja pedindo donativo para transformar a vida das pessoas, enquanto em outro canal um programa quer transformar a aparência de uma pessoa simples através de uma série de tratamentos estéticos e o chamado “banho de  loja”. 

Foi difícil ter estômago para assistir até o final, provavelmente por isso não posso dar uma nota maior ao longa, mas entendo a importância desta experiência, que deveria servir como exemplo por mostrar a péssima qualidade da tv aberta no Brasil, que se reflete da pior forma possível nos hábitos e na cultura da população.  

Finalizando, até alguns dias o doc estava disponível no Youtube.