sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Dominados Pelo Ódio & Os Cinco de Chicago


O diretor e produtor Roger Corman é uma lenda vida do cinema independente. Hoje com oitenta e seis anos, Corman continua na ativa, já tendo produzido em torno de quatrocentos filmes. 

Sua carreira de diretor é conhecida pelos filmes terror que fez nos anos sessenta, vários deles protagonizados por Vincent Price. Nestes filmes Corman trabalhou ainda com veteranos com Boris Karloff e Peter Lorre, mas também em outros trabalhos abriu as portas do cinema para figuras como Jack Nicholson, Bruce Dern, Jonathan Demme, Joe Dante e vários outros nomes que se tornaram famosos.

Além dos filmes de terror que comentarei em outra postagem, aqui cito dois trabalhos de Corman como diretor no gênero gângster. 

Dominados Pelo Ódio (Machine Gun Kelly, EUA, 1958) – Nota 6,5
Direção – Roger Corman
Elenco – Charles Bronson, Susan Cabot, Morey Amsterdam, Richard Devon, Jack Lambert, Frank DeKova.

George “Machine Gun” Kelly (Charles Bronson) é um violento ladrão de bancos que age com sua namorada Flo Becker (Susan Cabot) e alguns comparsas. Quando um assalto dá errado, o casal decide mudar o foco e arma o sequestro da filha de um milionário, porém a truculência de Kelly transforma seus comparsas em inimigos, o que dificulta ainda mais o plano. 

Apesar das interpretações exageradas, o roteiro é curioso ao mostrar o assaltante como um sujeito fraco, que responde com violência quando é contrariado, mas por outro lado morre de pavor quando vê qualquer símbolo que esteja ligado a morte, além de ser dominado pela namorada, esta sim a personagem mais forte da trama. Não deixa de ser estranho ver Charles Bronson apavorado quando vê um caixão ou a tatuagem de uma caveira na mão de um sujeito. 

Os Cinco de Chicago (Bloody Mama, EUA, 1970) – Nota 6
Direção – Roger Corman
Elenco – Shelley Winters, Don Stroud, Robert De Niro, Pat Hingle, Bruce Dern, Diane Versi, Robert Waldem, Scatman Crothers.

Nos anos trinta, Ma Barker (Shelley Winters) é a líder de uma quadrilha de assaltantes de bancos que aterroriza as cidades do sul dos Estados Unidos (o Chicago do título é invenção de algum tradutor), com um detalhe, os quatro comparsas são seus filhos. 

Extremamente violento e com pitadas de incesto e estupro, esta incursão de Corman ao gênero policial segue um estilo exagerado, inclusive na construção dos personagens, com Shelley Winters criando uma assaltante quase histérica. A atriz que começou no cinema nos anos quarenta, aqui já estava em uma fase onde engordou bastante e passou a aceitar papéis bem diferentes das mocinhas frágeis do início de carreira  

A curiosidade são as participações dos ainda jovens e desconhecidos Robert De Niro como o filho drogado e Bruce Dern como amigo de outro filho, que por sinal também é amante de Ma Barker.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Área Q

Área Q (Brasil / EUA, 2011) – Nota 5,5
Direção – Gerson Sanginitto
Elenco – Isaiah Washington, Murilo Rosa, Tânia Khalil, Ricardo Conti.

Em 1979, na cidade de Quixadá no interior do Ceará, João Batista (Murilo Rosa) sai de seu sítio para buscar leite e desaparece, voltando algum tempo depois alegando que fora abduzido. 

Trinta anos depois, o jornalista americano Thomas Matthews (Isaiah Washington), que procura o filho que também desapareceu, recebe uma proposta para fazer uma matéria sobre luzes misteriosas e curas milagrosas em Quixadá. Relutante e incrédulo, Thomas aceita vir ao Brasil porque precisa do dinheiro do trabalho. 

Thomas terá como guia Eliosvaldo (Ricardo Conti), que conta diversas histórias sobre eventos sem explicação na região e o leva para entrevistar as testemunhas. Os depoimentos e algumas coincidências fazem com que Thomas passe a acreditar que existe algo fora do normal no local. Ao mesmo tempo, Thomas se envolve com Walquiria (Tânia Khalil), uma jornalista que acredita que os fatos estranhos sejam apenas histórias para aumentar o turismo na região. 

Esta ficção com cara e roteiro de filme B dos anos cinquenta é ruim tecnicamente e primária em sua narrativa, mas se torna interessante pela curiosa história que mistura religião e extraterrestres ambientada num local como o interior do Ceará. 

O filme foi detonado pela crítica, que analisando friamente tem toda a razão, mas como cinéfilo que gosta de ficção e principalmente de filmes diferentes, posso dizer que foi até divertido encarar as bizarrices da trama e os “defeitos especiais”. 

As luzes das aparições parecem efeitos dos anos setenta e algumas soluções são inacreditáveis, como a cena em que o personagem de Murilo Rosa é abduzido. Ele está em uma carroça que de repente se vê no meio de uma ventania, porém apenas a árvore ao lado balança, enquanto as que estão no fundo da cena continuam paradas. 

Outro erro foi a escolha de Tânia Kahlil, atriz típica de novelas que interpreta pessimamente uma personagem mal inserida na trama que tem um segredo absurdo. 

A sessão vale a curiosidade para quem gosta de ficção B e filmes trash.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rashomon

Rashomon (Rashomon, Japão, 1950) – Nota 8,5
Direção – Akira Kurosawa
Elenco – Toshiro Mifune, Machiko Kyô, Masayuki Mori, Takashi Shimura, Minoru Chiaki. Kichijiro Ueda.

Durante uma forte chuva, um rude aldeão (Kichijiro Ueda) procura se proteger debaixo de um portal abandonado na vila de Rashomon. No local, ele encontra um lenhador (Takashi Shimura) e um sacerdote (Minoru Chiaki) que aparentam tristeza. Os dois decidem contar porque estão tristes e cada um dá sua versão para um estupro seguido de assassinato no meio da floresta. 

Em seguida o espectador é apresentado a uma espécie de interrogatório, onde o assassino Tajomaru (Toshiro Mifune) e a jovem que foi violentada (Machiko Kyô) contam suas versões sobre o crime que culminou no assassinato do samurai marido da jovem (Masayuki Mori). Até mesmo a versão do samurai assassinado é contada através de um espírito que incorpora em uma mulher. 

Este longa dirigido por Akira Kurosawa venceu o Oscar de Filme Estrangeiro e foi o primeiro filme japonês a fazer sucesso mundial. A grande sacada é o roteiro do próprio Kurosawa, que mostra em flashback quatro versões do mesmo crime, deixando o espectador decidir qual a verdadeira. Cada personagem conta uma versão em que sua honra ficaria intacta, situação comum numa sociedade onde a honra era extremamente importante na época. 

Além disso, o roteiro é pessimista ao longo do filme, fazendo os personagens acreditarem apenas na maldade do ser humano, porém na sequência final Kurosawa deixa uma fio de esperança ao inserir um personagem que representa um futuro que pode ser melhor. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ônibus 174

Ônibus 174 (Brasil, 2002) – Nota 8,5
Direção – José Padilha
Documentário

O diretor José Padilha ficou famoso pelos dois ótimos “Tropa de Elite”, porém seu nome surgiu para o cinema neste tenso documentário baseado na tragédia ocorrida em 12 de Junho de 2000 no Rio de Janeiro que ficou conhecida como “O Sequestro do Ônibus 174”. 

A mesma história rendeu o interessante longa “Última Parada 174” de Bruno Barreto, que tratava a vida do assaltante Sandro do Nascimento de forma romanceada. Aqui a abordagem é real e extremamente tensa. 

Para quem não lembra, a história começa nebulosa, até hoje não se sabe ao certo o que pretendia o ex-presidiário Sandro do Nascimento que tomou de refém vários passageiros dentro de um ônibus, o 174 do título e durante várias horas ameaçou matá-los, mesmo com o local cercado de policiais, jornalistas e curiosos. O rapaz totalmente alucinado, coloca a arma na cabeça de várias passageiras, até o trágico final no período da noite. 

Padilha intercala as cenas reais do sequestro, que foi transmitido ao vivo pelos canais de tv, com depoimentos de psicólogos, da assistente social que conhecia Sandro desde criança, de amigos que cresceram com o rapaz nas ruas, de policiais e até de um criminoso amigo do sujeito. 

O grande acerto de Padilha foi dar voz a todos os lados, criando uma discussão não para justificar o ato insano do rapaz, mas para entender suas motivações através da vida miserável que ele teve aquele dia. 

Além dos erros da polícia e da sede por sangue da imprensa e dos populares que estavam no local, fica para reflexão analisar a sociedade cruel em que vivemos, onde a desestruturação familiar, a exclusão e a falta de perspectivas geram centenas de jovens como Sandro, que acreditam não ter nada a perder, nem mesmo a própria vida.     

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sem Medo de Viver & Passageiros


Sem Medo de Viver (Fearless, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Peter Weir
Elenco – Jeff Bridges, Isabella Rossellini, Rosie Perez, Tom Hulce, John Turturro, Benicio Del Toro, Deirdre O’Connell, John de Lancie.

Max Klein (Jeff Bridges) é um dos poucos sobreviventes de um acidente aéreo. A tragédia faz com que Max mude sua personalidade e passe a acreditar ser imortal. Ele larga o emprego, perde todos os medos e passa a viver situações de risco. Sua atitude faz com que se distancie da esposa Laura (Isabella Rossellini). O psiquiatra Bill Perlman (John Turturro) o acompanha no tratamento, mas para fazer com que ele volte a realidade, o médico o apresenta a outra sobrevivente do acidente, Carla (Rosie Perez), que perdeu o bebê na tragédia e encara seus traumas de modo completamente diferente de Max. 

Este belo e sensível longa de Peter Weir (“O Show de Truman”, “Caminho da Liberdade”) hoje está quase esquecido, porém é outro grande trabalho deste ótimo cineasta. O filme é valorizado pelas ótimas interpretações de Jeff Bridgges e até de Rosie Perez, um atriz normalmente exagerada, mas que aqui a acerta o tom do papel. Vale destacar ainda a cena do acidente aéreo, uma sequência assustadora.  

Passageiros (Passengers, EUA, 2008) – Nota 6
Direção – Rodrigo Garcia
Elenco – Anne Hathaway, Patrick Wilson, David Morse, Andre Braugher, Dianne Wiest, Clea DuVall, William B. Davis.

Após um acidente aéreo, os sobreviventes são encaminhados para tratamento com a psicóloga Claire (Anne Hathaway). Um dos sobreviventes é Eric (Patric Wilson), que diz se sentir bem e ao invés de aceitar o tratamento, sente-se atraído pela psicóloga. Os outros sobreviventes formam um grupo onde Claire tenta fazer com que eles relembrem o acidente para tentar superar o trauma. Quando um dos participantes do grupo desaparece, Claire começa a suspeitar que a companhia aérea esteja perseguindo os sobreviventes para encobrir a verdadeira causa do acidente. 

O diretor colombiano Rodrigo Garcia, filho do escritor Gabriel Garcia Marquez, não acerta o tom neste suspense que apresenta um roteiro repleto de clichês, que apela ainda para uma grande reviravolta final, porém que não é tão surpreendente assim. Além das várias pistas durante o filme, o cartaz original praticamente entrega a trama. 

É uma pena, a premissa tinha potencial e um elenco recheado de bons atores, mas após um interessante início, a cena em que Patrick Wilson anda pela praia ao lado do avião em chamas lembra o primeiro episódio de “Lost”, a narrativa torna-se arrastada e não se define entre drama e suspense.   

domingo, 25 de novembro de 2012

Leviathan

Leviathan (Leviathan, EUA, 1989) – Nota 4
Direção – George Pan Cosmatos
Elenco – Peter Weller, Richard Crenna, Amanda Pays, Daniel Stern, Ernie Hudson, Hector Elizondo, Michael Carmine, Lisa Eilbacher, Meg Foster.

Numa base no fundo do mar, um grupo de mineradores está nos últimos dias de trabalho após quase três meses isolados no local. Dois tripulantes (Amanda Pays e Daniel Stern) saem para uma missão de rotina, quando por acaso encontram um navio russo afundado, o Leviathan. Eles trazem para a base alguns objetos do navio, entre eles uma pequena garrafa de vodka que eles não imaginam estar contaminado com algo desconhecido, uma espécie de vírus que causa uma mutação genética em um dos tripulantes. Entre os objetos existe também uma fita de vídeo onde o comandante do navio russo diz não saber porque seus subordinados estão morrendo. 

O falecido diretor italiano de origem grega George Pan Cosmatos até dirigiu filmes interessantes como “Fuga para Atenas” e “Tombstone”, porém é mais conhecido por exageros como “Cobra” e “Rambo II – A Missão”, os dois em parceria com Stallone. Em “Leviathan” o nível é ainda pior. 

O longa é uma produção da família de Dino de Laurentiis, que filmou na Itália esta cópia descarada de vários filmes. De “Alien – O Oitavo Passageiro” temos um grupo de pessoas de várias etnias presas num local e um alien que se alimenta de sangue e carne. De “Aliens – O Resgate” copiaram a grande corporação corrupta e o striptease de Sigourney Weaver, agora por conta da inglesa Amanda Pays. E de “O Enigma do Outro Mundo” sugaram a cena do teste do sangue e o personagem do médico desconfiado que resolve salvar o mundo mesmo que tenha de matar os companheiros. 

Para tentar dar um ar de seriedade, foi contratado um elenco de atores americanos conhecidos, entre eles Peter Weller que vinha do sucesso de “Robocop” e Richard Crenna da série “Rambo”, que parecem não acreditar nos péssimos diálogos que foram obrigados a representar, que por incrível que pareça são creditados a David Webb Peoples, responsável pelos roteiros de grandes filmes como “Blade Runner”, “O Feitiço de Áquila” e “Os Imperdoáveis”. 

Contrataram ainda o falecido mestre dos efeitos especiais Stan Winston, que criou um monstro que basicamente era uma cópia do alien. 

Para completar a bomba, a sequência final é uma das mais absurdas da história do cinema. Não contarei para não estragar “a supresa” de quem tiver a curiosidade de assistir.

sábado, 24 de novembro de 2012

Líbano

Libano (Lebanon, Israel / França / Líbano / Alemanha, 2009) – Nota 8
Direção – Samuel Maoz
Elenco – Ioav Donat, Itay Tiran, Oshri Cohen, Michael Moshonov, Zohar Strauss.

Em junho de 1982, Israel invadiu o Líbano com o objetivo de expulsar os muçulmanos que estavam em guerra civil contra os católicos do país. 

O diretor israelense Samuel Maoz utiliza este cenário para mostrar a ação de quatro jovens soldados israelenses que no primeiro dia desta guerra recebem a missão de entrar no Líbano comandando um tanque e dando apoio para um grupo de soldados em terra. Os quatro jovens inexperientes imaginam que seria uma missão tranquila, porém logo são abordados por um oficial (Zohar Strauss) extremamente preocupado e não demora para descobrirem o inferno que terão de enfrentar. 

Este ótimo drama de guerra lembra “A Fera da Guerra” de Kevin Reynolds, longa sobre um grupo de soldados soviéticos no Afeganistão e o clássico “O Barco – Inferno no Mar” de Wolfgang Petersen, um claustrofóbico filme de guerra que se passa dentro de um submarino alemão durante a 2º Guerra Mundial. 

Aqui a  narrativa é tensa, principalmente nas discussões entre os jovens soldados, que além de inexperientes são totalmente inseguros, acentuada pela claustrofobia causada pelo pequeno espaço completamente sujo. 

A grande sacada do diretor foi mostrar a guerra pelo ponto de vista da mira do tanque. Os soldados dentro do tanque se deparam com o horror da guerra através algumas cenas extremamente fortes, como o desespero da mãe em busca da filha, o morte do motorista do caminhão das galinhas e a tocante sequência das lágrimas do burro. 

O roteiro apresenta ainda algumas situações sobre a questão política, citando a participação no conflito de sírios e das milícias árabes. 

Com pouco menos de uma hora e meia, este longa é uma pérola que mostra a estupidez da guerra.  

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pat Garrett & Billy the Kid

Pat Garrett & Billy the Kid (Pat Garrett & Billy the Kid, EUA, 1973) – Nota 8
Direção – Sam Peckinpah
Elenco – James Coburn, Kris Kristofferson, Bob Dylan, Richard Jaeckel, Jason Robards, Katy Jurado, Chill Wills, Barry Sullivan, R. G. Armstrong, Luke Askew, John Beck, Matt Clark, Jack Elam, Emilio Fernandez, L. Q. Jones, Slim Pickens, Charles Martin Smith, Harry Dean Stanton, Rutanya Alda, Elisha Cook Jr, Dub Taylor.

Quando este longa foi produzido, o gênero western estava em decadência. Uma nova geração de cineastas (Coppola, Arthur Penn, Scorsese, entre outros) liderava as bilheterias com filmes urbanos e temáticas realistas. O diretor Sam Peckinpah que cinco anos antes havia comandado um dos últimos grandes westerns, o clássico “Meu Ódio Será Sua Herança”, resolveu voltar ao gênero num misto de homenagem e encerramento. Lógico que outros grandes westerns foram produzidos depois, porém de forma esporádica. 

Peckinpah escolheu escalar dois personagens míticos do western, o bandido Billy the Kid (Kris Kristofferson) e o xerife Pat Garrett (James Coburn), porém diferente dos clássicos que apresentavam duelos que envolviam até a honra, cavalgadas filmadas em planos abertos e música eletrizante, aqui ele mostra um oeste em fase de mudança, onde os velhos tempos em que homens duros decidiam suas vidas à bala estavam acabando e agora a lei se fazia presente. 

Este conflito é marcado pelos personagens principais que eram grandes amigos, mas a chegada dos novos tempos fez com que Pat Garrett mudasse de lado e se tornasse inimigo de Billy the Kid, que por seu lado não aceitava as mudanças que estavam por vir. Esta situação fica clara no desconforto que Garrett sente ao perseguir seu amigo, ele sabe que precisa cumprir seu papel de xerife, mas no fundo entende que se matar Billy estará matando um parte de si próprio. 

Outro ponto interessante é a escolha de Bob Dylan, seu papel é quase de um espectador dentro do filme, tendo sua verdadeira força na trilha sonora. Várias de suas músicas pontuam o longa, inclusive a clássica "Knockin' on Heaven's Door" que é tocada em momentos importantes. 

O roteiro marca o fim de uma era, já a homenagem ao gênero está nos diversos coadjuvantes que passam pela tela. A lista de atores que fizeram quase toda a carreira em westerns é grande: Jack Elam, Chill Wills, R. G. Armstrong, Luke Askew, Emilio Fernandez, Slim Pickens, Elisha Cook Jr e Dub Taylor. Para a geração atual são nomes e rostos desconhecidos, mas para os fãs do gênero são figuras carimbadas que merecem a homenagem. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sombras da Noite

Sombras da Noite (Dark Shadows, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Tim Burton
Elenco – Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jackie Earle Haley, Jonny Lee Miller, Bella Heathcote, Chloe Grace Moretz, Gulliver McGrath, Christopher Lee, Alice Cooper.

Em 1776, Barnabas Collins (Johnny Depp) rejeita a jovem empregada Angelique (Eva Green), sem saber que ela é uma bruxa. Para se vingar, Angelique mata os pais de Barnabas, sua amada Josette (Bella Heathcote) e ainda o amaldiçoa o transformando em vampiro e liderando a população para enterrá-lo vivo. 

Quase duzentos depois, em 1972, Barnabas é desenterrado por engano e decide voltar para a antiga mansão da família, onde encontra seus descendentes vivendo em decadência. Barnabas reencontrará sua inimiga Angelique que se transformou em empresária e também a bela Victoria, jovem governanta da casa de sua família que parece ser a reencarnação de Josette. 

Depois do irregular “Alice no País das Maravilhas”, esperava-se que Tim Burton voltasse com um grande filme, mas infelizmente ele errou a mão e entregou provavelmente seu trabalho mais fraco da carreira. Mesmo com a habitual competência na parte técnica, Johnny Depp como protagonista e a boa trilha sonora de Danny Elfman repleta de músicas dos anos setenta, o filme falha no roteiro previsível, nos diálogos fracos e na tentativa de misturar terror e humor. 

Assim como Mia Wasikowska era fraca para ser Alice no filme anterior, a linda Bella Heathcote não convence aqui, além de sua personagem aparecer pouco. Os outros personagens também são irregulares, se Depp cumpre sua parte, Helena Bonham Carter tem um bom papel porém mal aproveitada, assim como Michelle Pfeiffer. Já o papel de Jonny Lee Miller é totalmente inútil. Para piorar, a participação especial do veteraníssimo Christopher Lee em uma das sequências somente pode ser compreendida como homenagem, já que não tem sentido prático algum na trama. 

Infelizmente o resultado fica abaixo do talento dos envolvidos.  

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

10.000 A.C.

10.000 A.C. (10,000 BC, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis, Joel Virgel, Ben Badra, Mo Zinal.

Num passado bem distante, uma tribo que sofre com a fome é atacada por outra que utiliza cavalos, por este motivo eles são chamados de “demônios de quatro patas”. Os sobreviventes do ataque são capturados e levados como escravos. Entre eles está a bela Evolet (Camilla Belle), considerada por um velha bruxa da tribo como a que seria mulher do”escolhido”. O escolhido é D’Leh (Steven Strait) que durante o ataque estava longe da tribo junto com Tic’Tic (Cliff Curtis), uma espécie de mentor do rapaz. A dupla inicia a jornada para resgatar Evolet e os outros amigos que foram capturados. Pelo caminho eles enfrentarão perigos pelas montanhas geladas e florestas, além de cruzar com outras tribos que se unirão para derrotar os inimigos. 

Massacrado pela crítica, eu esperava um bomba, porém tive uma surpresa agradável. Mesmo com um elenco ruim e quase todo desconhecido, o longa se sustenta pelas ótimas cenas de ação, os efeitos especiais de primeira, fato habitual na carreira do alemão Emmerich e até uma história razoável, mesmo sendo uma mistura maluca de vários temas. Outro ponto positivo é a duração, são 109 minutos concisos. 

O resultado é um filme pipoca divertido para ser assistido sem exigir muito.   

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cinco Vezes Jim Carrey

Ace Ventura – Um Detetive Diferente (Ace Ventura, EUA, 1994) – Nota 6
Direção – Tom Shadyac
Elenco – Jim Carrey, Sean Young, Courteney Cox, Tone Loc, Dan Marino, Noble Willingham, Troy Evans, Udo Kier.

Em Miami, o maluco detetive Ace Ventura (Jim Carre) é especialista em casos envolvendo animais. Seu escritório é uma bagunça completa, com o local repleto de animais. Quando o golfinho mascote da equipe de futebol americano Miami Dolphins é sequestrado, Ace Ventura é contratado para investigar o caso. 

Este longa, junto com “O Máskara” e “Débi & Lóide”, todos lançados em 1994, transformaram o desconhecido Jim Carrey em astro. Dos três este é o menos engraçado, tendo algumas boas piadas com animais e também sobre futebol americano, principalmente com o famoso jogador Dan Marino que participa do filme, em compensação outras piadas não funcionam tão bem, como as sequências em Jim Carrey resolve falar pelo traseiro. O sucesso deste filme gerou uma continuação no ano seguinte, com a trama levando o personagem de Carey para África, porém este eu não conferi. 

Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros (Dumb & Dumber, EUA, 1994) – Nota 7
Direção – Bobby & Peter Farrelly
Elenco – Jim Carrey, Jeff Daniels, Lauren Holly, Mike Starr, Teri Garr.

Lloyd (Jim Carrey) é um motorista de limousine que se apaixona por um garota que levou ao aeroporto. A garota deixou um mala no local e Lloyd a pega para tentar devolver, porém não sabe que o conteúdo da maleta é um grande quantia em dinheiro para pagamento de um resgate. Lloyd se junta ao amigo Harry (Jeff Daniels) para viajar a Aspen no Colorado, onde ele acredita que encontrará a garota, sem perceber que estão sendo perseguidos pelos sequestradores. 

Politicamente incorreto até a medula, o longa está repleto de sequências absurdas, muitas engraçadas e outras escatológicas. O resultado foi um grande sucesso nos cinemas e a sensação de que os irmãos Farrelly teriam um bela carreira, o que não ocorreu. Eles ainda fizeram o engraçado “Quem Vai Ficar com Mary?”, porém foi um oásis em meio a vários filmes ruins. O destaque é a dupla principal, que criam personagens idiotas e hilariantes.

O Máskara (The Mask, EUA, 1994) – Nota 7
Direção – Chuck Russell
Elenco – Jim Carrey, Peter Riegert, Peter Greene, Amy Yasbeck, Cameron Diaz.

Stanley Ipkiss (Jim Carrey) é um tímido funcionário de banco que após um péssimo dia resolve passear pela praia e encontra uma estranha máscara. Curioso, Stanley coloca a máscara e por magia se transforma numa estranha criatura de rosto verde. Além da parte física, Stanley perde a timidez e se transforma uma galanteador que conquista a bela Tina (Cameron Diaz) após dar um show na pista dança de um famoso clube. O problema maior é que a garota é namorada de um mafioso (Peter Riegert) que fica interessado na máscara. 

Grande sucesso nos cinemas, esta comédia agitada tem como ponto principal a perfomance acrobática de Jim Carrey, que abusa das habituais caretas e de talento corporal, além dos divertidos efeitos especiais. Como curiosidades, este trabalho foi a estreia no cinema de Cameron Diaz, que era modelo profissional, além disso filme gerou uma péssima continuação estrelada por Jamie Kennedy chamada “O Filho do Máskara”.

O Mentiroso (Liar Liar, EUA, 1997) – Nota 6,5
Direção – Tom Shadyac
Elenco – Jim Carrey, Maura Tierney, Justin Cooper, Jennifer Tilly, Swoosie Kurtz, Jason Bernard, Cary Elwes, Amanda Donohoe, Mitchell Ryan, Randall “Tex” Cobb, Cheri Oteri, Eric Pierpoint.

O advogado Fletcher Reede (Jim Carrey) é um mentiroso contumaz, tanto para seus clientes, como para a família. No aniversário do filho Max (Justin Cooper), ao apagar as velinhas o garoto deseja que o pai não minta pelo menos por um dia inteiro. Num passe de mágica, Fletcher não consegue mentir e passar a dizer todo o tipo de verdade na cara das pessoas, por mais constrangedoras que sejam, culminando no julgamento de uma esposa (Jennifer Tilly) que deseja tirar todo o dinheiro do marido, mas acaba atrapalhada pela sincerada de Fletcher, seu advogado. 

Após o fracasso merecido de “O Pentelho”, Jim Carrey voltou as comédias rasgadas e acertou a mão com esta trama simples e engraçada. Mesmo irregular em alguns momentos, com praticamente a mesma piada durante todo o filme, o resultado é uma boa sessão da tarde.

Eu, Eu Mesmo e Irene (Me, Myself & Irene, EUA, 2000) – Nota 5,5
Direção – Bobby & Peter Farrelly
Elenco – Jim Carrey, Renee Zellweger, Chris Cooper, Robert Forster, Richard Jenkins, Anthony Anderson, Mongo Bronwlee, Jerod Mixon, Michael Bowman, Traylor Howard, Tony Cox, Daniel Greene.

O policial rodoviário Charlie (Jim Carrey) se casa com Layla (Traylor Howard), que acaba traindo o pobre coitado com o motorista da limousine de seu casamento (o anão Tony Cox) e após ter três filhos do amante, abandona as crianças e o marido traído. Charlie é um sujeito que não é respeitado por ninguém, mas após engolir tantos desaforos cria uma segunda personalidade, o fanfarrão Hank, que inicia uma grande confusão quando foge com a atrapalhada Irene (Renee Zellweger), que está sendo perseguida por agentes corruptos (Chris Cooper e Richard Jenkins) a mando de seu ex-namorado bandido. 

Não gosto do humor dos Irmãos Farrelly, com exceção de “Quem Vai Fica com Mary?” e “Débi & Lóide”, os demais filmes que conferi não me agradaram e este por sinal é completamente idiota e sem sentido, o roteiro é um amontoado de cenas que deveriam ser engraçadas, mas que apelam para a escatologia apenas. O filme tem como destaque apenas a interpretação física de Jim Carrey, que no auge da forma tem como melhores cenas aquelas em que necessita usar seu corpo em contorcionismos e caretas, fora isso é um desperdício de tempo e de talento dos bons coadjuvantes Chris Cooper, Richard Jenkins e Renee Zellweger que mereciam um filme melhor.  

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Na Alegria e na Tristeza


O cartaz acima estampa a capa do site do Palmeiras neste terrível dia para o clube e seus torcedores. O texto é perfeito ao citar que a torcida é a mola propulsora deste clube vencedor quase centenário e ao mesmo tempo não comenta uma frase sequer sobre a responsabilidade das pessoas que comandam o clube. Esta omissão no texto se casa perfeitamente com a omissão do presidente, dos diretores e dos conselheiros que administram este gigante como se fosse um buteco. Montaram um time caro e ruim, mantiveram um treinador caro que se perdeu pelo caminho e manchou parte de seu passado glorioso no clube, deixaram a imprensa e a CBF nos desrespeitar, os juízes nos roubarem em várias partidas e não tiveram coragem sequer de reclamar. Um verdadeiro show de horrores.  

Como diz a frase "não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca acabe", em 2013 nós torcedores de verdade novamente empurraremos o time para seu devido lugar. Cito torcedores de verdade porque neste momento é que se separam os homens dos moleques. É muito fácil torcer para quem está ganhando, seguir a onda da alegria, o verdadeiro amor demonstramos nos momentos difíceis. Hoje vejo muitos "torcedores" que falam que não irão mais acompanhar o time, citam que "chega de sofrer" e alguns até comentam que torcem para times da Europa.

Eu passei toda minha infância e adolescência sem ver o time ganhar campeonato algum, sofri por dezesseis anos para ver o Palmeiras campeão quando tinha vinte e dois anos de idade. Para um maluco apaixonado por futebol foi uma sensação indescritível que lavou a alma pelos anos de sofrimento.

Respeito quem não vê importância no futebol, mas aqueles que gostam de festejar e tripudiar os adversários na vitória e abandonam o clube nas derrotas não merecem meu respeito. O sujeito que age desta forma é o mesmo que não vê problema em após vinte anos de casamento trocar a esposa por uma garotinha, já que o que interessa para ele é "estar entre os vencedores". Esta é a diferença entre paixão e amor. A paixão é só alegria, já o amor é para sempre.

domingo, 18 de novembro de 2012

O Auto da Compadecida & A Compadecida


O Auto da Compadecida (Brasil, 2000) – Nota 8
Direção – Guel Arraes
Elenco – Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Rogério Cardoso, Denise Fraga, Diogo Vilela, Marco Nanini, Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Luís Melo, Virginia Cavendish, Bruno Garcia, Enrique Dias, Mauricio Gonçalves, Aramis Trindade, Paulo Goulart.

João Grilo (Matherus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello) são dois sujeitos que vivem de pequenos golpes numa pequena cidade do nordeste brasileiro. Quando a dupla começa a trabalhar com o padeiro (Diogo Vilela) e se aproximam da fogosa esposa do sujeito (Denise Fraga), João Grilo descobre que pode ganhar dinheiro ao perceber que o cachorrinha da mulher está para morrer. Ele tenta enganar o padre (o falecido Rogério Cardoso) e o bispo (Lima Duarte) alegando que o cão deixará uma herança para igreja, mas em troca o animal teria de ser enterrado no cemitério e ter uma missa de sétimo dia em latim. 

Junte-se a esta situação maluca, um cangaceiro (Marco Nanini), a namorada de Chicó (Virginia Cavendish), o valentão da cidade (Bruno Garcia) e um julgamento celeste onde um cristo negro (Maurício Gonçalves), o diabo (Luís Melo) e a compadecida (Fernanda Montenegro) ouvem as explicações de João Grillo após sua morte para decidir seu destino. 

Esta ótima adaptação da peça de Ariano Suassuna em formato de minissérie rendeu um caminhão de risadas e ao mesmo tempo uma crítica mordaz ao egoísmo e a esperteza dos seres humanos, inclusive da Igreja Católica. 

Eu não vi a minissérie completa, assisti apenas a versão para o cinema que tem alguns cortes, mas mesmo assim não deixa de ser um ótimo espetáculo. Vale destacar o sensacional elenco, com Matheus Nachtergaele criando um João Grilo que é uma verdadeira metralhadora de palavras e esperteza, Selton Mello perfeito como o covarde Chicó e o ótimo elenco de apoio repleto de veteranos da tv.

A Compadecida (Brasil, 1969) – Nota 7
Direção – George Jonas
Elenco – Regina Duarte, Armando Bógus, Antonio Fagundes, Zózimo Bulbul, Felipe Carone, Ary Toledo, Jorge Cherques.

João Grilo (Armando Bógus) e Chicó (Antonio Fagundes) vivem numa cidade do nordeste do Brasil e sempre se metem em confusões para sobreviver. Quando o cão da mulher do padeiro morre, o malandro João Grilo tenta convencer o padre (Felipe Carone) e o bispo (Jorge Cherques) a enterrar o animal no cemitério e rezar uma missa de sétimo dia em latim. Grilo alega que o cão deixou uma quantia em dinheiro como testamento para Igreja. 

Baseado na peça teatral de Ariana Suassuna, esta versão foi o único trabalho de George Jonas no cinema, que entrega um filme tecnicamente razoável, que tem como maior destaque o julgamento onde um cristo negro (Zózimo Bulbul), o diabo e a compadecida (Regina Duarte) analisam se João Grilo e Chicó merecem ir para o céu, o inferno ou voltar para Terra. 

O resultado é divertido, porém inferior a versão de Guel Arraes. 

sábado, 17 de novembro de 2012

Amores Brutos

Amores Brutos (Amores Perros, México, 2000) – Nota 8,5
Direção – Alejandro Gonzalez Iñarritu
Elenco – Emilio Echevarria, Gael Garcia Bernal, Goya Toledo, Álvaro Guerrero, Vanessa Bauche, Jorge Salinas, Marco Perez, Humberto Busto, Rodrigo Murray.  
   
A estreia na direção do mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu foi num drama pesado que cruza três histórias de amor, violência e tragédia na Cidade do México, todas interligadas por cães, principalmente Cofi, que tem participação importantíssima na trama e por um trágico acidente de automóvel. 

A primeira história tem como protagonista Octavio (Gael Garcia Bernal), um jovem sem perspectivas que vive numa pequena casa com a mãe, o violento irmão Ramiro (Marco Perez) e a cunhada Susana (Vanessa Bauche) por quem ele é apaixonado. Um incidente faz com Octavio descubra “o talento” de seu cão Cofi para as violentas brigas entre cães em rinhas clandestinas, onde acontecem altas apostas em dinheiro que podem mudar sua vida. 

A segunda trama apresenta Daniel (Álvaro Guerrero), um executivo que abandona esposa e filhas para viver com a amante, a famosa modelo Valeria (Goya Toledo), porém a história de amor se complica em razão de uma tragédia. 

A última história é sobre El Chivo (Emilio Echevarria), um morador de rua que anda rodeado de cães, carrega a culpa por erros do passado e não tem coragem de se aproximar da filha que acredita que ele está morto. 

A narrativa que Iñarritu repetiria acentuando na tragédia em “21 Gramas” e beirando o estilo comercial em “Babel”, vale destacar que sempre com qualidade, aqui tem seu melhor momento ao criar um trama urbana com personagens fortes em situações extremas. Do elenco vale destacar o ótimo Gael Garcia Bernal, o veterano Emilio Echevarria e a bela Goya Toledo, todos com desempenhos marcantes. 

O título original faz um paralelo com os amores complicados e também com os cães, já que perros em espanhol significa cães. Finalizando, conforme declaração de Iñarritu, as várias cenas de brigas de cães foram supervisionadas e os animais usaram focinheiras disfarçadas para evitar machucados. Estas cenas ficaram extremamente realistas e assustadoras.   

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Melancolia

Melancolia (Melancholia, Dinamarca / Suécia / França / Alemanha, 2011) – Nota 7,5
Direção – Lars Von Trier
Elenco – Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Alexander Skarsgard, Stellan Skarsgard, John Hurt, Charlotte Rampling, Brady Corbett, Cameron Spurr, Jesper Christensen, Udo Kier.

Deixando a lado as polêmicas comuns aos trabalhos de Von Trier e especificamente seu comentário sobre o nazismo que o tornou persona non grata em Cannes, aqui ele entrega um filme que retrata com perfeição os efeitos da depressão personificada na ótima interpretação de Kirsten Dunst, provavelmente no melhor papel de sua carreira. 

O longa se passa numa casa de campo enorme e é dividido em duas partes, com a primeira se passando no casamento de Justine (Kirsten Dunst) e a parte final na angústia de sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) em relação ao planeta que vem em direção à Terra. 

Na primeira hora durante o casamento, o filme dá ênfase aos relacionamentos falsos, as amarguras e principalmente o desequilíbrio de Justine. Os sorrisos que Justine mostra no início ao lado do noivo (Alexander Skasrgard), logo se transformam em desconforto ao ter de lidar com as palavras duras da mãe (Charlotte Rampling), a irresponsabilidade do pai (John Hurt), a falta de caráter do sogro (Stellan Skarsgard) e as reclamações do cunhado milionário (Kiefer Sutherland). 

A segunda parte se passa semanas depois do casamento, quando Justine está em depressão profunda e decide passar os dias que antecedem a chegada do planeta Melancolia ao lado da irmã, do cunhado e do filho pequeno do casal (Cameron Spurr). A agitação da primeira parte é substituída por um clima desolador, acentuado pelo tempo nublado e a enorme propriedade quase deserta. Neste momento a personagem principal passa a ser Claire, que fica dividida entre o conformismo da irmã, que acredita que o mundo vai acabar e o falso otimismo do marido, que tente acalmá-la através de mentiras. 

O ritmo extremamente lento pode cansar, principalmente na angustiante parte final, que no meu entender poderia ser mais curta. Por outro lado a bela fotografia, as interpretações a trilha sonora pontuada por músicas clássicas passam toda a desesperança do provável fim do mundo, numa narrativa bem diferente do estilo hollywoodiano que transformaria esta segunda parte em um caos. Aqui o caos está apenas nas mentes dos três personagens principais, uma conformada, outra procurando respostas e o terceiro mentindo para si mesmo. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Poltergeist - A Trilogia


Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist, EUA, 1982) – Nota 8
Direção – Tobe Hooper
Elenco – Craig T. Nelson, Jobeth Williams, Beatrice Straight, Dominique Dunne, Oliver Robins, Heather O’Rourke, Zelda Rubinstein, James Karen.

A família Freeling se muda para uma bela casa em um novo condomínio. A alegria pelo novo lar rapidamente se transforma em preocupação quando começam ocorrer estranhos eventos. Objetos se movem sozinhos e a televisão não sintoniza canal algum. A filha caçula Carol Anne (Heather O’Rourke) passa a conversar com algo que está dentro da tv e acaba desaparecendo. O incrédulo pai (Craig T. Nelson) e a mãe (Jobeth Williams) ficam desesperados quando percebem que a voz da filha pequena parece vir de dentro da tv para pedir socorro. O casal chama uma paranormal (Zelda Rubinstein) para descobrir o paradeiro da menina. 

Este clássico do terror dos anos oitenta pode ser considerado muito mais um filme de Steven Spielberg (que escreveu o roteiro e participou da montagem) do que de Tobe Hooper. No mesmo período Spielberg preparava “ET” e por este motivo deixou a direção a cargo de Hooper, que ficou famoso com o clássico “O Massacre da Serra Elétrica”. O problema é que os estilos dos diretores eram extremamente opostos, enquanto Spielberg pensava em enfatizar a luta da família, Hooper tinha intenção de criar um longa totalmente de terror, mas como não tinha controle total sobre o projeto, acabou cedendo e deixando a palavra final com Spielberg. Analisando os péssimos trabalhos posteriores de Hooper, a decisão de Spielberg foi acertada ao misturar suspense, terror e a questão familiar. 

O filme fez merecido sucesso, várias cenas prendem o espectador na cadeira, como os galhos da árvore que invadem o quarto, o boneco do palhaço que tenta agarrar o garoto (Oliver Robins) e a piscina de cadáveres na sequência final. 

Como curiosidade trágica, algumas mortes transformaram a trilogia em maldita para muitas pessoas. Quando este filme foi lançado, a atriz Dominique Dunne que interpretava a filha mais velha do casal foi assassinada pelo namorado. Durante as filmagens do segundo longa, o ator Julian Beck que interpretava um sinistro padre faleceu e o ator Will Sampson (o índio de “Um Estranho no Ninho”) morreu durante uma cirurgia no ano seguinte. Para completar a sinistra coincidência, a garotinha Heather O’Rourke faleceu ao final das filmagens da parte III. 

Poltergeist II – O Outro Lado (Poltergeist II: The Other Side, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – Brian Gibson
Elenco – Craig. T. Nelson, Jobeth Williams, Heather O'Rourke, Oliver Robbins, Zelda Rubinstein, Will Sampson, Julian Beck, Geradine Fitzgerald.

Após sobreviveram aos ataques do espírito maligno no filme anterior, a família Freeling se muda para uma nova casa (sem a filha mais velha, já que atriz havia falecida) tentando reconstruir a vida. Logo o inferno recomeça, quando o espírito reaparece reencarnado num sinistro padre (Julian Beck), que tem o objetivo de levar a pequena Carol Anne (Heather O’Rourke) para o outro lado. Novamente a paranormal Tangina (Zelda Rubinstein) é chamada para intervir, assim como a participação de um índio (Will Sampson), uma espécie de curandeiro que terá papel importantíssimo na trama. 

Sem Spielberg no projeto, o filme caiu no colo do falecido diretor inglês Brian Gibson que pouco pode fazer com o confuso roteiro que mistura mistérios do passado do padre, cenas de terror explícitas como quando o personagem de Craig T. Nelson vomita o espírito e até tenta transformar a mãe interpretada por Jobeth Williams em vidente. 

O filme fez sucesso pela curiosidade dos fãs em conferir a sequência da história, além dos bons efeitos especiais para época, que inclusive concorreram ao Oscar.

Analisando hoje, o longa até assusta em alguns momentos em comparação com vários filmes atuais do gênero, mas mesmo assim é pouco para ser
considerado um bom filme.

 Poltergeist III (Poltergeist III, EUA, 1988) – Nota 5
Direção – Gary Sherman
Elenco – Tom Skerritt, Nancy Allen, Heather O'Rourke, Zelda Rubinstein, Lara Flynn Boyle, Richard Fire, Nathan Davis.

Os pais de Carol Anne (Heather O’Rourke) a enviam para passar um tempo com os tios (Tom Skerritt e Nancy Allen) em Chicago e estudar em uma escola especial. Carol Anne é levada a um terapeuta (Richard Fire) que tenta curar os traumas da garota, mas acaba fazendo com que o espírito maligno do padre (interpretado agora por Nathan Davis) volte atormentar a menina. 

Esta terceira parte pode ser considerada um caça-níquel em que o diretor picareta Gary Sherman tinha a intenção de manter a franquia viva para produzir pelo menos mais um filme, o que foi abortado pela morte da garota Heather O’Rourke. 

Sherman que também escreveu o roteiro, improvisou inventando a história dos tios porque Craig T. Nelson e Jobeth Williams não quiseram voltar aos papéis e para modificar um pouco mais, ele transportou a ação das casas de subúrbio dos filmes anteriores para um edifício de vidro. 

O resultado é um longa totalmente dispensável que enterrou a franquia. Mesmo assim, nos anos noventa Sherman ainda produziu uma série de tv chamada “Poltergeist – O Legado”, que tinha uma trama completamento diferente e apenas utilizava o nome do famoso filme. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Histórias Mínimas

Histórias Mínimas (Historias Mínimas, Argentina, 2002) – Nota 8
Direção – Carlos Sorin
Elenco – Javier Lombardo, Antonio Benedicti, Javiera Bravo, Julia Solomonoff, Anibal Maldonado, Mariela Diaz.

Na pequena comunidade de Fitzroy, interior da Argentina na região da Patagônia, três personagens iniciam uma jornada em direção a cidade de San Julian, cada com um objetivo aparentemente simples, porém de grande importância pessoal. 

A jovem Maria (Javiera Bravo) é sorteada para participar de um programa de televisão onde concorrerá a prêmios. Preocupada em viajar com o filho pequeno e deixar o marido, ela acaba convencida por uma amiga (Mariela Diaz). 

O segundo personagem é Roberto (Javier Lombardo), um vendedor que viaja pelo país e prepara uma surpresa para o aniversário do filho de uma cliente por quem ele está apaixonado. 

O terceiro é mais sensível personagem é o idoso Dom Justo (Antonio Benedicti), que é proprietário de um mercadinho na beira da rodovia e vive com o filho e a nora. Quando um amigo avisa Dom Justo que seu cachorro Malacara que havia desaparecido há alguns anos está em um armazém em San Julian, o idoso decide viajar pedindo carona, já que seu filho não aprova que o pai viaje 300 km para buscar o cão. 

O roteiro de Pablo Solarz é extremamente sensível ao criar três histórias interpretadas por personagens comuns que levam uma vida simples numa região quase deserta. Durante a jornada, cada um dos protagonistas cruza com personagens interessantes, alguns que também estão viajando, como a bióloga Julia (Julia Solomonoff) e outros que abrem o coração para ajudar, como o mestre de obras Fermin (Anibal Maldonado). Vale destacar ainda a bela fotografia, que aproveita a paisagem natural das estradas da Patagônia. 

Como curiosidade, grande parte do elenco de apoio é formado por pessoas da região onde o longa foi filmado, inclusive o protagonista Antonio Benedicti, que interpreta com grande naturalidade o obstinado Dom Justo. Por sinal, este filme consta como único trabalho deste senhor como ator, assim como a jovem Javiera Bravo. 

O resultado é um pequeno grande filme que merece ser descoberto. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Poderoso Chefão III

O Poderoso Chefão III (The Godfather: Part III, EUA, 1990) – Nota 8
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola, Raf Vallone, Helmut Berger, John Savage.

Nova York, 1979, Michael Corleone (Al Pacino) está separado de Kay (Diane Keaton), velho, sem boa saúde e tentando se redimir do seu passado criminoso através de algumas ações. Ao mesmo tempo em que faz um doação de cem milhões para a Igreja, Michael se envolve com a cúpula católica numa negociação que poderá dar a ele o controle do banco do Vaticano. 

Além disso, Michael precisa enfrentar um crise na sua família mafiosa. Através de sua irmã Connie (Talia Shire), Michael é apresentado a Vinnie (Andy Garcia), filho ilegítimo de seu falecido irmão Sonny. O problema é que Vinnie deseja ter voz ativa na família, mas tem uma disputa com outro mafioso (Joe Mantegna). 

Coppola demorou dezesseis anos  para comandar o fechamento da trilogia da família Corleone e provavelmente pela questão do timing, não conseguiu equiparar a qualidade das geniais partes I e II. Mesmo assim ele cria um bom espetáculo, que mostra um Michael Corleone velho e isolado, diferente do jovem furioso da parte II, que intimamente faz um levantamento de sua vida se arrependendo de ter estragado seu casamento e principalmente por ter mandado assassinar seu irmão Fredo. 

O elenco bem diferente dos filmes anteriores, tem como destaque a entrada de Andy Garcia e como ponto negativa a fraca atuação de Sofia Coppola. Por sinal, sua escolha foi detonada pela crítica na época e provavelmente foi um dos motivos que fez com que Sofia deixasse a carreira de atriz de lado e alguns anos depois seguisse o caminho da direção, onde se mostrou muito mais talentosa. 

O resultado é uma conclusão digna de umas maiores trilogias da história do cinema.    

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Thor

Thor (Thor, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Kenneth Branagh
Elenco – Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgard, Kat Dennings, Clark Gregg, Colm Feore, Idris Elba, Ray Stevenson, Tadanobu Asano, Josh Dallas, Jaimie Alexander, Rene Russo, Adriana Barraza, Jeremy Renner.

No planeta Asgard, o rei Odin (Anthony Hopkins) prepara seu primogênito, o príncipe Thor (Chris Hemsworth) para sucessão ao trono. Thor é um jovem impetuoso e arrogante, bem diferente de seu soturno irmão Loki (Tom Hiddleston). Quando o rei Laufy (Colm Feore), inimigo de Odin, envia alguns soldados para resgatar um objeto valioso em Asgard, Thor fica furioso e decide invadir o planeta de Laufy como vingança, levando seus amigos guerreiros. 

O fato irrita Odin, que como punição expulsa Thor de Asgard, o enviando para Terra e tirando seus poderes. Como um mero mortal, Thor encontra a cientista Jane (Natalie Portman), seu parceiro Erik (Stellan Skarsgard) e a ajudante Darcy (Kat Dennings) que a princípio não acreditam em sua história, mas aos poucos percebem que algo de verdade existe quando o governo envia a equipe secreta Shield para investigar o caso. 

Durante alguns anos a Marvel preparou a adaptação para o cinema de “Os Vingadores” e como estratégia produziu filmes com seus heróis como protagonistas solitários. Com uma quantidade grandes de produções, algumas situações se repetiram, porém com resultados irregulares. 

Por exemplo, "Thor" e "Capitão América" tem muita coisa em comum . Os dois filmes tem protagonistas fracos, roteiros cheios de clichês, boas cenas de ação e uma parte técnica exuberante. É o tipo de diversão descartável extremamente comum no cinema atual, onde os efeitos especiais e os cortes rápidos são trunfos do diretor para hipnotizar a plateia, sem grande preocupação em desenvolver melhor a história ou os personagens. 

O curioso aqui é que ainda tentaram dar um ar de seriedade ao escalar o ótimo ator inglês Kenneth Branagh na direção. Ele que comandou para o cinema boas adaptações de Shakespeare, além de “Frankestein de Mary Shelley” e “Voltar a Morrer”, até consegue melhorar um pouco a qualidade das interpretações com ajuda de Anthony Hopkins, que por sinal não precisa se esforçar para criar o mítico Odin e a surpresa de Tom Hiddleston, bom ator que interpreta Loki e que trabalhou com Brannagh na ótima série inglesa “Wallander”. 

O resultado é superior a “Capitão América”, mas fica bem abaixo em comparação com as melhores adaptações da Marvel, como “Homem de Ferro” e “Homem-Aranha”.

domingo, 11 de novembro de 2012

Os Mercenários (1968)

Os Mercenários (The Merceneries ou Dark After Sun, EUA / Inglaterra, 1968) – Nota 7
Direção – Jack Cardiff
Elenco – Rod Taylor, Jim Brown, Yvette Mimieux, Peter Carsten, Kenneth More, André Morell, Olivier Despax, Calvin Lockhart.

O presidente do Congo (Calvin Lockhart) contrata a dupla de mercenários Currie (Rod Taylor) e Ruffo (Jim Brown) para viajarem até o interior do país  com o objetivo de resgatarem moradores de uma comunidade, além de transportarem com segurança um lote diamantes que vale milhões e está em poder do líder do local. O problema é que a região está tomada pelos Simbas, um grupo rebelde que tenta derrubar o governo. Para completar a missão, os mercenários levam um grupo de soldados liderados por um ex-oficial nazista (Peter Carsten). 

Típico filme de ação dos anos sessenta, com muitas cenas de tiroteios e violência, uma trama com pano de fundo político e a boa química entre o australiano Rod Taylor e o negro Jim Brown. Duas falhas atrapalham um pouco. A participação apenas como enfeite feminino da bela francesa Ivete Mimieux, que não agrega nada a trama e o final que mostra um remorso exagerado de um dos personagens. 

No geral é um filme que diverte, um bom passatempo sem compromisso.

sábado, 10 de novembro de 2012

Assalto ao 13º DP - 1976 & 2005


Assalto ao 13º DP (Assault on Precinct 13, EUA, 1976) – Nota 7,5
Direção – John Carpenter
Elenco – Austin Stoker, Darwin Joston, Laurie Zimmer, Martin West, Tony Burton, Charles Cyphers, Nancy Loomis.

Em Anderson na Califórnia, o 13º Distrito está sendo desativado e para encerrar as atividades é indicado o tenente Ethan Bishop (Austin Stoker), que tem o auxílio de duas jovens e um velho sargento. Pouco antes de anoitecer, um ônibus penitenciário que carrega três condenados que estão sendo transferidos a outra cadeia é obrigado a parar na delegacia porque um dos detentos está passando mal. Ao mesmo tempo, uma gangue se prepara para atacar a delegacia como retaliação a morte de alguns membros na noite anterior. Quando começa o ataque, policiais e presos condenados precisam se unir para sobreviver. 

Este foi o segundo longa do diretor John Carpenter (o primeiro foi “Dark Star”) e aqui já vemos os elementos que se tornaram comuns a sua filmografia. Temos a inconfundível trilha sonora criada por ele mesmo com sintetizadores, o clima de filme B e os personagens marcantes, mesmo que representados por canastrões, sendo que em vários de seus filmes Carpenter utiliza um ator branco e outro negro como protagonistas. 

O curioso é que o cerco a delegacia é feito por quase um exército de bandidos, que não falam nada e atacam furiosamente e sem medo, lembrando muito os zumbis dos longas de George Romero, outro mestre dos filmes B que com certeza influenciou Carpenter. 

Pelo estilo dos personagens, se o filme fosse produzido anos depois, com certeza Carpenter escalaria Kurt Russell como o detento condenado a morte que se une ao tenente negro. 

O resultado é um divertido filme B de ação.

Assalto ao 13º DP (Assault on Precinct 13, EUA / França, 2005) – Nota 7
Direção – Jean François Richet
Elenco – Ethan Hawke, Laurence Fishburne, Gabriel Byrne, John Leguizamo, Ja Rule, Drea DeMatteo, Brian Dennehy, Maria Bello, Matt Craven, Kim Coates, Dorian Harewood, Aisha Hinds, Titus Welliver.

Na véspera de ano novo, o 13º Distrito está prestes a ser desativado, com o sargento Jake (Ethan Hawke) sendo o responsável por organizar os guardas para vigiarem os presos na último noite no local. Os problemas começam quando um grupo policial que está transferindo o perigoso bandido Marion Bishop (Laurence Fishburne) não consegue atravessar a estrada cheia de neve e decide passar a noite na delegacia. O que eles não contavam é que o bando de Bishop cercaria o local com o objetivo de resgatar o sujeito. 

Esta refilmagem do longa B de John Carpenter é competente e se não tem o clima que Carpenter costuma dar a suas obras, pelo menos o diretor francês Jean François Richet consegue criar ótimas cenas de ação sem apelar para os exageros, com exceção da sequência final fora da delegacia. O elenco cheio de rostos conhecidos ajuda a dar uma cara diferente do original. 

Em relação as dezenas de refilmagens ruins dos últimos anos, este longa respeita se destaca por respeitar o original e não decepcionar como filme de ação. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Para Roma, com Amor

Para Roma, com Amor (To Rome, with Love, EUA / Espanha / Itália, 2012) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Judy Davis, Roberto Benigni, Jesse Eisenberg, Ellen Page, Alison Pill, Flavio Parenti, Alessandro Tiberi, Alessandra Mastronardi, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Greta Gerwig, Fabio Armiliato.

Novamente tendo a Europa como palco, desta vez Woody Allen utiliza a beleza clássica de Roma para contar quatro histórias aleatórias que falam de amor, traição, desejo e celebridades misturando personagens americanos e italianos. 

A primeira trama apresenta um casal de americanos (Allen e Judy Davis) que viaja a Roma para conhecer o namorado da filha. Allen interpreta um produtor musical aposentado que por acaso ouve o sogro de sua filha cantando ópera no chuveiro e acredita que poderá transformar o sujeito em astro. O problema inusitado é que o homem somente consegue cantar tomando banho. 

A segunda história tem como protagonista Leopoldo (Roberto Benigni), um italiano burocrata que se torna celebridade, a princípio ficando assustado com a situação, mas que aos poucos passa a desfrutar da fama se entregando aos exageros das celebridades. 

A terceira trama segue o jovem Jack (Jesse Eisenberg) que mora com a namorada (Greta Gerwig) e estuda arquitetura. Quando ele encontra por acaso um famoso arquiteto americano (Alec Badwin), este passa a ser uma espécie de consciência sentimental do jovem ao dar opiniões cheias de sarcasmo sobre a chegada da complicada Monica (Ellen Page), um atriz desempregada que decide ficar alguns dias com o casal e por quem Jack se apaixona. 

A quarta história e mais fraca de todas tem um casal de jovens italianos (Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi) que chegam a Roma após se casar com o objetivo de encontrarem os tios do jovem que lhe prometeram um emprego. Alguns desencontros fazem com que a moça se envolva com um ator canastrão e o jovem com uma prostituta (Penélope Cruz). 

As críticas não foram das melhores e realmente o filme é irregular, mas não deixará de agradar aos fãs de Allen. As quatro premissas são boas, mas nem todas se desenvolvem da melhor forma. 

Na minha opinião a melhor história é a primeira, principalmente quanto aos diálogos e as situações absurdas criadas pelo personagem de Allen para fazer o tenor cantar. 

A trama como Roberto Benigni é uma crítica a criação de celebridades, onde qualquer situação pode transformar um sujeito comum em astro e logo depois descartá-lo. Propositalmente o roteiro de Allen não dá explicação alguma para a situação, o que não deixa de estar perto da vida atual, onde qualquer um pode ter seus minutos de fama, mesmo que não tenha talento algum. 

A trama com Jesse Eisenberg é típica dos trabalhos de Allen, ao mostrar um sujeito comum que fica em dúvida entre a namorada leal e a aventura sexual, com o plus da pequena e ótima participação de Alec Baldwin. 

Como citei anteriormente, a fraca história do casal de italianos segue o estilo das comédias de costumes cheias de encontros e desencontros, porém falta carisma a dupla de atores, que são engolidos pela beleza selvagem de Penélope Cruz. 

Numa análise simples, o resultado pode ser considerando como quatro curtas que se transformaram num longa irregular.
      

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos

A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos (National Treasure: Book of Secrets, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Jon Turteltaub
Elenco – Nicolas Cage, Justin Bartha, Diane Kruger, Jon Voight, Ed Harris, Helen Mirren, Harvey Keitel, Bruce Greenwood, Ty Burrell, Albert Hall, Alicia Coppola.

Durante uma palestra, o historiador Ben Gates (Nicolas Cage) e seu pai Patrick (Jon Voight) são confrontados por Mitch Wilkinson (Ed Harris) que apresenta o pedaço de um documento que comprovaria a participação do avô de Patrick como mentor do assassinato de Abraham Lincoln. Para provar a inocência do ancestral, pai e filho decidem investigar o caso com a ajuda de Riley Poole (Justin Bartha) e da ex-namorada de Ben, Abigail Chase (Diane Kruger). A investigação leva o grupo ao Palácio de Buckingham em Londres, a Casa Branca e ao Monte Rushmore. 

O longa original era divertido e apesar dos furos no roteiro e alguns exageros o resultado era aceitável, porém esta continuação tem um roteiro primário com algumas sequências totalmente absurdas. É o tipo de filme para assistir com o cérebro desligado e assim tentar se divertir com os exageros. A premissa é legal, principalmente para quem gosta de história, mas quando os protagonistas conseguem entrar em alguns dos lugares mais protegidos do mundo de forma tranquila, fica difícil aceitar. 

Em comparação com o original vale destacar a presença de Helen Mirren num papel diferente do que costuma interpretar, fazendo a mãe de Nicolas Cage de uma forma divertida. A entrada de Ed Harris no elenco também poderia ser um plus, porém seu personagem sofre com o roteiro, que muda sua personalidade algumas vezes, ele passa de vilão a amigos dos protagonistas, volta a ser vilão e no final tem uma decisão que muda tudo novamente. Um roteiro decente poderia ter rendido uma aventura muito melhor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A Morte de um Bookmaker Chinês

A Morte de um Bookmaker Chinês (The Killing of a Chinese Book, EUA, 1976) – Nota 7
Direção – John Cassavetes
Elenco – Ben Gazzara, Timothy Carey, Seymour Cassell, Robert Phillips, Morgan Woodward.

Cosmo Vitelli (Ben Gazzara) é o dono de uma boate em Los Angeles que anda rodeado por strippers e tem o vício do pôquer. Por conta deste vício, Cosmo fica devendo uma grande quantia a um bookmaker e seus parceiros. Sem dinheiro para pagar, Cosmo recebe uma proposta dos credores. Para diminuir sua dívida, ele teria de assassinar um rival do grupo, um bookmaker chinês que vive cercado de capangas em Chinatown. 

Para o público comum, o falecido John Cassavetes foi ator de alguma fama, tendo trabalhado em clássicos como “Os Assassinos”, “O Bebê de Rosemary” e “Os Doze Condenados”, porém sua carreira como diretor também foi marcante. Ainda no final dos anos cinquenta, ele procurou criar uma carreira fora do esquema de Hollywood e se aventurou na direção com “Sombras”. Nos anos sessenta e setenta ele comandou outros filmes independentes como “Faces” e “Uma Mulher Sob Influência”, que foram elogiados pelo crítica mas passaram longe do público. Seu filme mais popular com certeza é o drama policial “Gloria” de 1980, protagonizado por sua esposa Gena Rowlands e que foi refilmado com Sharon Stone no papel principal. 

Eu assisti apenas o interessante “Gloria” e este diferente “A Morte de um Bookmaker Chinês”, que lembra um pouco na temática os primeiros filmes de Scorsese, como “Caminhos Violentos”, mas segue um estilo diferente, onde a câmera de Cassavetes passeia livre por ângulos inusitados e mostra toda a fauna da noite e do submundo de Los Angeles nos anos setenta, longe do glamour dos bairros ricos da cidade. 

Está longe de ser um filme fácil, alguns diálogos chegam a ser filosóficos e ao mesmo tempo tristes, as situações fogem do estilo tradicional de Hollywood e os personagens são decadentes. 

Cassavetes pode ser considerado um visionário, numa época em que os filmes independentes eram raridades (poucos cineastas se arriscavam a produzir seus filmes, o principal nome independente era Roger Corman), ele entendeu que o cinema americano passaria por grandes mudanças e arriscou bancar seus próprios filmes e impor sua peculiar visão do cinema e da vida.   

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Obsessão Fatal & O Vizinho


Obsessão Fatal (Unlawful Entry, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – Jonathan Kaplan
Elenco – Kurt Russell, Ray Liotta, Madeleine Stowe, Roger E. Mosley, Ken Lerner, Carmem Argenziano, Debora Offner.

O casal Michael (Kurt Russell) e Karen (Madeleine Stowe) chega em casa e descobre que ela fora assaltada. Eles chamam a polícia que envia o oficial Pete Davis (Ray Liotta). A princípio o policial se mostra atencioso e preocupado com a situação, inclusive se oferecendo para fazer uma ronda pelo bairro nos dias seguintes. O que o casal não esperava é que Pete começasse a se intrometer na vida deles, aparecendo em horas inoportunas e aparentemente tendo interesse na bela Karen. A situação se transforma num inferno para o casal, que precisa se defender do piscopata que se esconde atrás da farda de policial. 

Misto de suspense e policial com cara de filme de tv, este longa fez até um certo sucesso na época, principalmente por ter Kurt Russell no auge da carreira de Ray Liotta pouco tempo de depois de ficar famoso com “Os Bons Companheiros”.  

É um filme que prende atenção pelo incômodo da situação que cria uma tensão crescente, mas que o espectador acostumado com o gênero descobrirá o final rapidamente. 

O Vizinho (Lakeview Terrace, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Neil LaBute
Elenco – Samuel L. Jackson, Patrick Wilson, Kerry Washington, Ron Glass, Justin Chambers, Jay Hernandez.

O casal Chris (Patrick Wilson) e Lisa (Kerry Washington) compra uma casa num condomínio nos arredores de Los Angeles, porém a alegria pela aquisição do imóvel dura pouco. Logo eles descobrem que o vizinho é o policial Abel Turner (Samuel L. Jackson), um sujeito arrogante e racista que passa a atormentar a vida do casal. Turner não aceita que Chris sendo branco tenha um relacionamento com Kerry que é negra. As atitudes de Abel dão início a uma guerra entre vizinhos que não terminará bem. 

Briga entre vizinhos infelizmente é fato comum, mas aqui o roteiro aumenta a tensão incluindo a questão do racismo, mostrando inclusive que pessoas preconceituosas existem em todas as raças e locais. O desenrolar da trama é tenso, principalmente pela boa atuação de Samuel L. Jackson, perfeito como o policial cheio de rancor, que elege os vizinhos como inimigos. O filme perde pontos em virtude de falhas do roteiro, que apresenta coadjuvantes mal aproveitados, alguns que desaparecem da trama e a escolha de um final tipicamente hollywoodiano. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Crimes Temporais

Crimes Temporais (Los Cronocrimenes, Espanha, 2007) – Nota 8
Direção – Nacho Vigalondo
Elenco – Karra Elejalde, Candela Fernandez, Bárbara Goenaga, Nacho Vigalondo.

Hector (Karra Elejalde) e sua esposa Clara (Candela Fernandez) se mudam para uma casa num local isolado no interior da Espanha. Do quintal, Hector tem o hábito de utilizar um binóculo para ver a floresta que fica nos arredores de sua bela casa. Durante uma espiada ele vê um bela jovem (Bárbara Goenaga) se despindo numa clareira. O fato desperta curiosidade e atração no sujeito de meia-idade, que decide vasculhar o local. Ele encontra a jovem aparentemente morta e do nada recebe uma tesourada no braço, fugindo sem ver quem o atacou. Desesperado, Hector busca abrigo numa propriedade no meio da floresta e descobre que o local é um laboratório ao encontrar um cientista (o diretor Nacho Vigalondo), que pede para ele se esconder em uma espécie de tanque, porém Hector não imagina que aquilo é uma máquina do tempo. 

Esta ficção B produzida na Espanha é um exemplo de como uma boa história e um diretor criativo são mais importantes que muito dinheiro para se fazer um bom filme. 

O roteiro aparentemente maluco, brinca com o tema viagem no tempo ao criar três situações que se amarram em uma única história e que faz o espectador quebrar a cabeça para acompanhar, além de apresentar um final que não soluciona absolutamente nada, porém que se mostra totalmente de acordo com a proposta do roteiro. 

Se as interpretações são fracas, apenas o protagonista pode ser considerado um ator razoável, por outro lado a direção de Nacho Vigalondo é promissora. Ele com certeza é um cinéfilo, já que o filme utiliza ideias de diversos longas. O cinéfilo mais atento verá citações a “Janela Indiscreta”, “Efeito Borboleta”, “Corra Lola, Corra”, “De Volta Para o Futuro” e até ao ótimo e esquecido “Darkman – Vingança Sem Rosto” de Sam Raimi. Por todos estes motivos, é um longa obrigatório para quem gosta de filmes com temáticas fora do comum.

domingo, 4 de novembro de 2012

Frankenstein (1910)

Frankenstein (Frankenstein, EUA, 1910) – Nota 6,5
Direção – J. Searle Dawley
Elenco – Augustus Phillips, Charles Ogle, Mary Fuller.

Produzido pela companhia de Thomas Edison, esta curiosa versão do livro de Mary Shelley tem a duração de doze minutos e se passa em três cenários simples. 

Em seu laboratório, dr. Frankenstein (Augustus Phillips) testa uma fórmula com o objetivo de criar vida. Utilizando um caldeirão que parece ser de uma bruxa, ele mistura sua fórmula que reage e cria um monstro (Charles Ogle), que mais parece um homem das cavernas. O monstro o ataca e foge assim que o dr. Frankestein desmaia. Quando o doutor volta para casa e encontra a noiva Elizabeth (Mary Fuller), o monstro o segue e o ataca novamente ao sentir ciúmes da jovem. Uma terceira sequência se passa também na casa do doutor, após ele se casar com Elizabeth. O monstro reaparece e a história termina com um curioso truque do espelho, onde o diretor procura mostrar a ligação entre criador e criatura. 

O filme vale ser visto por ser uma relíquia dos primórdios do cinema,  porém perde em comparação com os trabalhos de Georges Melies, que eram bem mais criativos. Como informação, o filme está disponível no Youtube.

sábado, 3 de novembro de 2012

O Homem que Queria Ser Rei & Khartoum


O Homem que Queria Ser Rei (The Man Who Would Be King, Inglaterra / EUA, 1975) – Nota 8
Direção – John Huston
Elenco – Sean Connery, Michael Caine, Christopher Plummer, Saed Jaffrey, Shakira Caine.

Após três anos de uma inacreditável aventura, Peachy Carnehan (Michael Caine) reencontra o jornalista e escritor Rudyard Kipling (Christopher Plummer) para contar como ele e Daniel Dravot (Sean Connery) se transformaram em reis na inóspita região do Cafiristão na Índia no final do século XIX. 

Em flashback, o espectador conhecerá a história da dupla, que eram dois ex-soldados ingleses que perambulavam pela Índia em busca de riqueza, até que chegaram ao Cafiristão e foram atacados por nativos. Dravot recebe uma flechada no peito, mas como usava um colete de metal, nada aconteceu. O fato fez os nativo acreditarem que eles eram deuses imortais, situação que os transformou em reis. Porém a ganância por poder e riqueza fez com que a farsa não terminasse bem. 

Baseado no livro do indiano filho de ingleses Rudyard Kipling (escritor de “O Livro da Selva”), este longa é uma ótima aventura dirigida pela grande John Huston. A já citada questão da ganância do ser humano foi tema que Huston tratou em outros filmes, como o clássico “O Tesouro de Sierra Madre” e que tem aqui nas interpretações de Caine e Connery os maiores trunfos para retratar novamente esta situação. 

O longa tem algumas curiosidades: Shakira Caine que interpreta a nativa por quem o personagem de Connery se apaixona, nasceu na Guiana Inglesa e se casou com Michael Caine em 1973, com quem vive até hoje. A segunda curiosidade é que o filme tem situações e diálogos que são ligados diretamente a preceitos da maçonaria, constando inclusive que o escritor Kipling era maçom, assim como o astro Michael Caine.    

Khartoum (Khartoum, Inglaterra, 1966) – Nota 7
Direção – Basil Dearden
Elenco – Charlton Heston, Laurence Olivier, Richard Johnson, Ralph Richardson, Alexander Knox, Michael Hordern, Johnny Sekka, Nigel Green.

Em 1893, o exécito egípcio liderado por um general inglês atravessa o deserto para enfrentar os muçulmanos liderados por Mohammed Ahmed (Laurence Olivier quase irreconhecível), que se autodenomina o “Mahdi”, aquele que seria o escolhido por Maomé. Os egípcios são facilmente derrotados, o que resulta numa crise no governo inglês, que é apontado como culpado pelo desastre no deserto. 

O primeiro ministro inglês Gladstone (Ralph Richardson) se vê pressionado pela opinião pública para enviar o exército com o objetivo de enfrentar Mahdi e não deixar os muçulmanos tomarem a cidade de Khartoum no Sudão. Para acalmar a situação, Gladstone envia o general Gordon (Charlton Heston), um herói nacional que acabou com a escravidão no Sudão, para que ele comande a retirada dos egípcios de Khartoum, porém o envolvimento de Gordon com o povo do Sudão é grande, o que faz com que ele tome a frente e lidere a defesa da cidade contra os muçulmanos, fato que desagradará muito o líder inglês Gladstone.

Baseado na história real do cerco a Khartoum, o filme é interessante ao mostrar as maquinações políticas do governo inglês quando este ainda tinha colônias e influência nos países africanos, pensando sempre na questão de manter o poder, mesmo que para isso tivesse de sacrificar milhares de vidas. 

O ponto falho é o ritmo irregular, em parte pela mão pesada do diretor Deardon e também pela duração de pouco mais de duas horas, provavelmente uns vinte a menos deixaria o filme mais consistente. 

Por outro lado as batalhas são bem filmadas, com muitos figurantes e com a dose certa de violência, mesmo não tendo a grandiosidade de outras clássicos do gênero. 

Finalizando, este é mais um longa em que Heston interpretou um personagem famoso da história, como Moisés, Michelangelo, El Cid e Thomas Jefferson.