sábado, 25 de outubro de 2014

Hillsborough

Hillsborough (Hillsborough, Inglaterra, 2014) – Nota 8
Direção – Daniel Gordon
Documentário

Em 15 de abril de 1989, o estádio Hillsborough em Sheffield seria o palco da semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nothingham Forest. O que era para ser um grande jogo, se transformou na maior tragédia da história do futebol inglês. Noventa e seis pessoas morreram esmagadas no alambrado que separava a geral do gramado atrás de um dos gols. 

Este documentário mostra com detalhes os erros da polícia na organização da entrada dos torcedores. O velho estádio tinha uma entrada que desembocava no local da tragédia, com um agravante de que o pequeno espaço tinha ainda grades aos lados, fato que fez com que centenas de pessoas ficassem sem ter por onde escapar. 

A tragédia é relatada por sobreviventes, por familiares das vítimas, por policiais e principalmente pelo escritor Phil Scraton, que dedicou anos pesquisando o caso e escreveu um livro provando que além da polícia errar na organização, os comandantes obrigaram os policiais a alterar seus relatórios para culpar os torcedores, quando na realidade estes foram vítimas. 

Um dos grandes absurdos foi a ordem do oficial responsável pela partida que autorizou abrirem os portões mesmo com o estádio superlotado, fato que aumentou a tragédia e que até hoje a polícia se nega a aceitar a culpa. 

Os tristes e emocionados depoimentos dos envolvidos são tão chocantes quanto as cenas reais da tragédia. 

A tragédia resultou também em profundas mudanças nos estádios ingleses, que foram reformados, tiveram suas capacidades diminuídas e foram obrigados a se adequar a um conjunto de regras. 

Se muitas destas mudanças melhoram os estádios, por outro lado o preço do ingresso aumentou e afastou os torcedores da classe baixa, fato semelhante ao que estamos vivendo no Brasil atualmente com a construção das arenas. 

O doc faz parte da sensacional série “30 for 30” da ESPN.   

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Alucinações do Passado

Alucinações do Passado (Jacob’s Ladder, EUA, 1990) – Nota 7,5
Direção – Adrian Lyne
Elenco – Tim Robbins, Elizabeth Peña, Danny Aiello, Matt Craven, Pruitt Taylor Vince, Jason Alexander, Patricia Kalember, Eriq LaSalle, Ving Rhames, Macaulay Culkin, Brian Tarantina, S. Epatha Merkerson.

Ao lado de Alan Parker e dos irmãos Ridley e Tony Scott, o diretor inglês Adrian Lyne faz parte de uma geração que migrou com sucesso da publicidade para o cinema. O capricho estético de seus trabalhos, aliado aos temas polêmicos ligados ao sexo, geralmente se sobrepõem ao conteúdo das obras. Filmes como “Nove e Meia Semanas de Amor”, “Atração Fatal” e “Proposta Indecente” ficaram marcados pela polêmica sexual, diferente deste esquecido “Alucinações do Passado”, que se mostra seu trabalho mais complexo. 

Aqui, Lyne consegue unir perfeitamente uma trama aparentemente confusa, com um visual assustador. É um filme impossível de ser enquadrado em um gênero, na realidade são três tramas ou narrativas que convergem para um final surpreendente. A história começa com Jacob (Tim Robbins) sendo resgatado ferido durante a Guerra do Vietnã. A segunda narrativa mostra o sujeito nos dias atuais vivendo em um apartamento simples com a namorada Jezebel (Elizabeth Peña) e sofrendo com alucinações, onde figuras estranhas o estão perseguindo. A sequência das alucinações no metrô é um dos grandes momentos do longa. A terceira via da trama volta ao passado de Jacob, quando ele estava casado com outra mulher e tinha uma filho, que faleceria e seria o estopim para a separação do casal. 

Durante boa parte do longa o espectador imagina que as alucinações de Jacob são consequência do trauma da guerra e da perda do filho, ao mesmo tempo em que o personagem acredita ter sido cobaia de alguma experiência do exército. 

Está longe de ser um filme comum, sua complexidade, o título original ligado a uma passagem da bíblia e os nomes bíblicos de vários personagens (Jacob, Jezebel, Sarah e Gabriel) fizeram muitos fãs da série “Lost” acreditar que ela tenha sido influenciada em parte por este longa. 

Como curiosidade, o filho de Tim Robbins no filme (Gabe de Gabriel) é interpretado por Macaulay Culkin, que ficaria famoso no mesmo ano com “Esqueceram de Mim”. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Início do Fim

O Início do Fim (Fat Man and Little Boy, EUA, 1989) – Nota 7,5
Direção – Roland Joffe
Elenco – Paul Newman, Dwight Schultz, John Cusack, Laura Dern, Bonnie Bedelia, John C. McGinley, Natasha Richardson, Ron Frazier.

Em 1943, o general Leslie Groves (Paul Newman) é indicado pelo governo americano para comandar um experimento ultrassecreto chamado de “Projeto Manhattan”, que teria como objetivo desenvolver a bomba atômica em um local isolado no Novo México. 

Para liderar a parte técnica do projeto, Groves convence o cientista Robert Oppenheimer (Dwight Schultz) e a partir daí monta uma equipe para desenvolver os artefatos, que dois anos depois seriam utilizados nos ataques a Hiroshima e Nagasaki. 

O diretor Roland Joffé era famoso por filmes fortes baseados em histórias reais, como “A Missão”, que mostrava o trabalho dos jesuítas para catequizar os índios durante a conquista da América e “Os Gritos do Silêncio” que focava o genocídio no Camboja. Este “O Início do Fim” tinha como objetivo mostrar além da criação da bomba atômica, também o caráter e a vida pessoal dos envolvidos no projeto, principalmente Groves e Oppenheimer.

O roteiro disseca situações reais, como os embates entre estes dois personagens, o dilema moral que cresce quando fica claro que as bombas seriam utilizadas como arma de guerra, os problemas pessoais como o caso de Oppenheimer com uma jovem comunista (Natasha Richardson) e o jovem cientista (John Cusack) que sofre os terríveis efeitos pelo trabalho com radiação. Consta que o personagem de Cusack é um mix de algumas pessoas que participaram do projeto e se tornaram vítimas do perigoso trabalho. 

Como curiosidade, o ator Dwight Schultz era conhecido por um papel de maluco no seriado “Esquadrão Classe A” e foi considerada uma surpresa sua escolha para interpretar Oppenheimer. Mesmo tendo um bom desempenho, a carreira de Schultz no cinema não deu decolou, hoje seu trabalho é voltado para pequenas participações em séries e dublagem de animações e games.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Seis Graus de Separação

Seis Graus de Separação (Six Degrees of Separation, EUA, 1993) – Nota 7
Direção – Fred Schepisi
Elenco – Stockard Channing, Will Smith, Donald Sutherland, Ian McKellen, Mary Beth Hurt, Bruce Davison, Richard Masur, Anthony Michael Hall, Heather Graham, Eric Thal, Anthony Rapp, J. J. Abrams.

O casal Ouisa (Stockard Channing) e Flan (Donald Sutherland) são negociantes de artes que estão recebendo em sua casa um possível investidor (Ian McKellen), quando um jovem negro (Will Smith) bate na porta pedindo socorro. Ele mostra um pequeno ferimento de faca no abdômen, que diz ter sido consequência de um assalto que acabara de sofrer no Central Park. O jovem diz ainda se chamar Paul e ser filho do famoso ator e diretor Sidney Poitier. Extremamente educado e inteligente, o jovem rapidamente é acolhido pelo casal, sem saber que na verdade ele é um golpista. 

Baseado numa peça de teatro, este drama dirigido pelo australiano Fred Schepisi (“Roxanne”, “Um Grito no Escuro”) é uma crítica mordaz a vida da classe alta de Nova York, mostrando os adultos como fúteis e arrogantes e os jovens como verdadeiros idiotas. 

A narrativa lenta se apoia nos diálogos recheados com citações a até piadas sobre o estilo de vida dos ricos de Nova York, o que dificulta a ligação com o espectador comum com a trama. 

Os destaques ficam por conta do elenco, com um bom desempenho do sempre competente Donald Sutherland, com a ótima Stockard Channing concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz e um surpreendente Will Smith, ainda bem jovem e na época com experiência apenas na série “The Fresh Prince of Be-Air”, tendo aqui um grande desempenho que lhe abriu as portas do cinema. 

Como curiosidade, o título é inspirado na teoria de que no mundo são necessários no máximo seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas, fato que é citado pela personagem de Stockard Channing. 

Como informação, a peça de teatro que deu origem ao filme é baseada em um fato real que se tornou piada entre os ricos de Nova York.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Padre & Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros


Padre (Priest, EUA, 2011) – Nota 5,5
Direção – Scott Stewart
Elenco – Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q, Lily Collins, Brad Dourif, Stephen Moyer, Christopher Plummer, Alan Dale, Madchen Amick.

Num futuro pós-apocalíptico, as cidades estão sob o domínio da Igreja, que comanda com mão de ferro após ter vencido a guerra contra os vampiros. A Igreja treinou padres guerreiros que derrotaram os vampiros e acredita que estes não mais existem. Tudo muda quando um padre (Paul Bettany) é avisado por um xerife (Cam Gigandet) que sua sobrinha fora raptada por vampiros em um local no interior. O padre tenta liberação para buscar a sobrinha, porém é negada pelo Monsenhor (Christopher Plummer). Assim ele decide romper com a Igreja e parte em busca da garota com a ajuda do xerife. 

Baseado em um mangá, esta ficção tem uma premissa interessante ao criar um guerra entre padres e vampiros, porém pouco se salva no desenvolvimento da trama. O roteiro e os diálogos são repletos de clichês, sendo os mais previsíveis possíveis. As cenas de ação que poderiam ajudar, também não são grande coisa, pelo menos para o meu gosto. Estas sequências são exageradas, seguindo o estilo “videogame” comum a muitos longas de ficção atuais. 

O final dá margem a uma continuação, porém não acredito que saia do papel.  

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Timur Bekmambetov
Elenco – Benjamin Walker, Dominic Cooper, Anthony Mackie, Mary Elizabeth Winstead, Rufus Sewell, Marton Csokas, Jimmi Simpson.

No início do século XIX, o futuro presidente americano Abraham Lincoln é um garoto que vê sua mãe ser assassinada por um traficante de escravos (Marton Csokas). Uma década depois, Lincoln (interpretado por Benjamin Walker) ainda planeja se vingar da morte da mãe, sem saber que seu alvo é na verdade um vampiro. O inexperiente Lincoln acaba salvo por Henry Sturges (Dominic Cooper), que se apresenta como um caçador de vampiros e se torna uma espécie de mentor para o jovem. Henry treina Lincoln para enfrentar os vampiros, com a condição de que ele espere o momento certo para a vingança. 

Baseado em uma graphic novel, este longa também tem uma interessante premissa ao transformar o mito Abraham Lincoln em herói de ação e fazer um paralelo com a história americana ao mostrar os escravagistas do sul como vampiros. 

A primeira hora prende a atenção com o desenvolvimento do personagem de Lincoln e seu namoro como Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead), porém na segunda parte o roteiro desanda na confusa passagem de tempo, quando a história pula vinte ou trinta anos sem explicação e nas cenas de ação exageradas, principalmente o absurdo climax. 

Nesta segunda parte vem à tona o estilo histriônico do diretor russo Timur Bekmambetov, responsável por filmes exagerados como “Guardiões da Noite” e “Guardiões do Dia”.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mudança de Hábito

Mudança de Hábito (Sister Act, EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Emile Ardolino
Elenco – Whoopi Goldberg, Maggie Smith, Harvey Keitel, Bill Nunn, Lori Petty, Kathy Najimi, Wemdy Makkena, Richard Portnow.

Deloris (Whoopi Goldberg) trabalha como cantora em um casino em Las Vegas e namora o chefão do local, o violento Vince LaRocca (Harvey Keitel). Quando por acaso Deloris testemunha Vince assassinando um sujeito, ela foge e pede ajuda à polícia antes de ser assassinada também. 

Para manter Deloris a salvo antes de levar Vince a julgamento, o FBI decide escondê-la em um convento, mesmo a contragosto da madre superiora (Maggie Smith), que aceita com uma condição: Deloris terá de agir como freira e não revelar sua verdadeira identidade para as outras freiras. Lógico que a agitada e desbocada cantora arrumará diversas confusões no local. 

Esta despretensiosa comédia se tornou um grande sucesso de bilheteria graças ao desempenho de Whoopi Goldberg, que com seu jeito espontâneo fez o espectador dar algumas boas risadas. Whoopi estava no melhor momento da carreira, logo após ter se transformado em estrela por seu papel em Ghost. 

O filme em si é não é grande coisa, a trama é fraca, repleta de clichês e o final forçado, o que vale é a interpretação de Whioopi. 

O sucesso gerou uma inevitável sequência, sem o mesmo sucesso. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, EUA / Inglaterra / França, 2013) – Nota 8
Direção – Joel & Ethan Cohen
Elenco – Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, Garrett Hedlund, Ethan Phillips, Robin Bartlett, Max Casella, Jerry Grayson, Jeanine Serralles, Adam Driver, Stark Sands, F. Murray Abraham.

Nova York, inverno de 1961, Llewyn Davis (Oscar Isaac) é um cantor de música folk que não sabe qual caminho seguir após a morte do amigo com quem fazia dupla. Sua vida está um caos, ele não tem dinheiro, toda noite procura a casa de alguma pessoa conhecida para dormir e sua carreira está estagnada. 

A proposta dos irmãos Cohen aqui foi mostrar a vida de um talentoso perdedor, do sujeito que poderia ter uma bela carreira, mas que se torna vítima do destino, em seguida se perde completamente em decisões equivocadas e na falta de coragem para assumir responsabilidades. 

A trajetória do cantor é contada através da relação com diversos personagens que cruzam seu caminho. Temos o casal de cantores Jean e Jim (Carey Mulligan e Justin Timberlake), os intelectuais pais de seu parceiro morto (Ethan Phillips e Robin Bartlett), sua irmã dona de casa (Jeanine Serralles), o canalha dono da casa de shows (Max Casella) e o empresário picareta (Jerry Grayson). 

Entre todos os coadjuvantes, o destaque fica por conta de John Goodman, que interpreta um veterano e arrogante músico de jazz, que está no fundo do poço, mas que ainda faz de tudo para se mostrar superior. 

Com participações em vários filmes dos irmãos Cohen, coloco John Goodman ao lado de Bill Murray como dois comediantes que conseguiram se reinventar na carreira através de personagens que misturam comédia com melancolia, fazendo rir da própria tristeza e das frustrações. 

Por sinal, para amenizar a melancolia da trama, o toque de comédia dado pelos irmãos Cohen é fundamental para criar um filme agradável, sem exageros. 

Estou longe de ser especialista em música folk, posso citar apenas Bob Dylan e Joan Baez, mas reconheço que a trilha sonora aqui é sensacional, a melancolia das canções interpretadas pelo próprio Oscar Isaac se casa perfeitamente com a trama. 

A interpretação de Oscar Isaac é outro grande acerto, ele que também é cantor é já interpretou papel semelhante em “10 Anos de Pura Amizade”, tem aqui seu melhor trabalho na carreira até agora. 

Como curiosidade, os irmãos Cohen utilizaram livremente o clássico “A Odisséia” de Homero como premissa do divertido “E Aí Meu Irmão, Cadê Você?” e aqui a jornada de Llewyn Davis novamente tem o clássico como referência, inclusive  no nome do gato que tem papel importante na trama. O bichano é batizado de Ulisses, mesmo nome do herói de “A Odisséia”.

sábado, 18 de outubro de 2014

À Procura

À Procura (The Captive, Canadá, 2014) – Nota 7
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Ryan Reynolds, Scott Speedman, Rosario Dawson, Mireille Enos, Kevin Durand, Alexia Fast, Bruce Greenwood, Peyton Kennedy.

Em Niagara Falls no Canadá, Matthew (Ryan Reynolds) estaciona sua caminhonete para comprar uma torta em uma lanchonete na beira da estrada, deixando sua filha Cass (Peyton Kennedy) no banco traseiro. Ele demora menos de cinco minutos no estabelecimento e quando retorna percebe que Cass desapareceu. 

Matthew procura a polícia e se torna suspeito aos olhos do detetive Jeffrey (Scott Speedman), enquanto a detetive Nicole (Rosario Dawson) se mostra apreensiva com a situação. Ao mesmo tempo, sua esposa Tina (Mireille Enos) o culpa pelo sumiço da filha. Apenas oito anos depois, a dupla de detetives descobre uma pista do paradeiro de Cass, fato que dá nova esperança ao casal, que mesmo ainda vivendo junto, se distanciaram por causa da culpa e do sofrimento. 

Os filmes do diretor Atom Egoyan (“Exótica”, “A Verdade Nua”) geralmente apresentam uma narrativa fria, com personagens que sofrem com segredos, tragédias ou situações mal resolvidas. É o caso de “À Procura”, que começa de forma instigante, apresentando o desaparecimento da criança e posteriormente criando idas e vindas na trama para o espectador entender o que realmente aconteceu. 

O diretor acerta também em não esconder o vilão e ao desenvolver a crise no casamento dos pais da criança em paralelo com o envolvimento romântico entre os detetives, porém algumas situações do roteiro deixam a desejar. 

A citada frieza da narrativa também incomoda, em alguns momentos a trama parece não sair do lugar e em outros alguns personagens somem por muito tempo da tela. 

O resultado é um filme mediano, sem grandes cenas de ação ou suspense, que se apoia no drama para manter o interesse do espectador.

Como informação, a trama é livremente baseada numa história real ocorrida no Canadá.

domingo, 12 de outubro de 2014

No Limite do Amanhã

No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, EUA / Austrália, 2014) – Nota 8
Direção – Doug Liman
Elenco – Tom Cruise, Emily Blunt, Brendan Gleeson, Bill Paxton, Noah Taylor, Jonas Armstrong, Tony Way, Kick Gurry, Franz Dameh, Dragomir Mrsic, Charlote Riley.

De uma forma engraçadinha, o filme pode ser definido como uma mistura de “Feitiço do Tempo” com “Guerra dos Mundos”. O que pode parecer bizarro, resulta num interessante filme de ação, com efeitos especiais de primeira e uma história bem bolada, mesmo com pequenos furos no roteiro e um final duvidoso. 

A trama começa como o oficial Cage (Tom Cruise) chegando em Londres, onde uma espécie de coalizão mundial se prepara para uma ofensiva contra os invasores alienígenas que tomaram grande parte da Europa. No local, Cage encontra o General Brigham (Brendan Gleeson), que o surpreende informando que sua a missão é registrar o ataque da coalização ao vivo, o que ele não aceita. 

Cage é na verdade um publicitário especialista em fazer propaganda para o exército, que jamais foi treinado para ser soldado. Sua negativa faz com que Brigham mande prendê-lo. Cage tente fugir e acaba dominado por soldados. Ele acorda em uma base militar, descobrindo que foi tratado como desertor e que será enviado ao combate como um soldado normal. 

O desespero de Cage aumenta quando um determinado fato durante a batalha, faz com que volte para o início do dia, acordando na base militar e vivendo uma espécie de looping eterno naquele fatídico dia. 

Desde “A Identidade Bourne” de 2002, que o bom diretor Doug Liman não acertava um grande filme. Mesmo com as falhas citadas, a diversão é garantida pela narrativa ágil e a trama que prende a atenção. 

É um filme pipoca para se divertir sem exigir muito. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Sombras do Mal

Sombras do Mal (Night and the City, Inglaterra, 1950) – Nota 8
Direção – Jules Dassin
Elenco – Richard Widmark, Gene Tierney, Googie Withers, Hugh Marlowe, Francis L. Sullivan, Herbert Lom, Stanislaus Zbyszko, Mike Mazurki.

Em Londres, Harry Fabian (Richard Widmark) é um pequeno golpista que trabalha enviando clientes para a boate do casal Helen (Googie Withers) e Philip Nosseross (Francis L. Sullivan), mesmo local onde sua namorada Mary (Gene Tierney) se apresenta cantando. 

Fabian sonha em se tornar empresário, sempre se mostrando empolgado com oportunidades que apenas ele vê e que invariavelmente se transformam em frustração, além do prejuízo financeiro. 

Sem saber o que é desistir, Fabian acredita ter descoberto um pote de ouro quando presencia a briga entre o empresário de luta-livre Kristo (Herbert Lom) e seu pai Gregorius (Stanislaus Zbyszko), este um famoso lutador aposentado. Fabian se aproxima do velho Gregorius e consegue seu apoio para promover lutas, dando início a uma perigosa disputa com Kristo. 

Praticamente esquecido, este clássico noir ambientado no submundo de Londres foge dos clichês do gênero, deixando de utilizar detetives, policiais e mulheres fatais, para colocar como protagonista um golpista cego de ambição e até ingênuo em alguns momentos. 

Este personagem é valorizado pela interpretação de Richard Widmark, ator que ficou marcado por personagens durões e que no mesmo ano protagonizou outro clássico esquecido, o ótimo “Pânico nas Ruas”

Aqui vale destacar ainda o talento do diretor Jules Dassin, que tinha preferência por filmar em locações e que explora bem a cidade de Londres, inclusive os locais decadentes. Dassin era americano, mas preferiu sair do país quando foi pressionado pelo “Macartismo” para delatar os supostos comunistas em Hollywood. Ele continuou sua carreira na Eupora e não mais voltou aos Estados Unidos. 

Uma nova versão da história foi produzida em 1992 com Robert De Niro e Jessica Lange nos papéis principais, porém com resultado inferior.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Santo Marcos

Santo Marcos (Brasil, 2013)
Direção – Thiago Di Fiore, Fabio Di Fiore & Adolfo Rosenthal
Documentário

Numa época em que praticamente todos os jogadores de futebol citam a palavra “profissionalismo” como desculpa para trocarem de times ou quebrarem contratos quando recebem propostas de um salário maior, o goleiro Marcos se notabilizou por fazer uma carreira de quase vinte dentro do Palmeiras, dizendo não para propostas milionárias e assim se tornando ídolo eterno do clube. 

Como ele mesmo disse várias vezes, em um determinado momento da carreira ele deixou de ser profissional para se tornar um torcedor dentro do campo. Sua paixão pelo clube e a retribuição dos torcedores foram o combustível para enfrentar como poucos uma sequência de contusões que atrapalharam sua carreira, que poderia ter sido ainda mais vencedora. 

Este documentário detalha toda a vida do jogador, desde o inicio no interior de SP, passando pelos grandes momentos no Palmeiras e na Seleção Brasileira, até a famosa “Procissão para São Marcos”, que a torcida organizou no início de 2012 antes do jogo contra o Ajax da Holanda. Mais de cinco mil torcedores saíram do estádio Palestra Itália e foram a pé até o Pacaembu como homenagem ao jogador, que havia anunciado o final da carreira alguns dias antes. 

O doc apresenta depoimentos de jogadores, treinadores, dirigentes, jornalistas e amigos que contam histórias divertidas da convivência com Marcos. 

O ponto alto são as defesas do goleiro, principalmente na Libertadores de 1999 e o pênalti defendido contra nosso inimigo em 2000. 

Como doc o resultado é apenas correto, mas o conteúdo vale como ouro para torcida palmeirense.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Interlúdio

Interlúdio (Notorius, EUA, 1946) – Nota 7,5
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains, Louis Calhern, Leopoldine Konstantin, Reinhold Schunzel.

Quando seu pai é condenado a vinte de anos de prisão por ter sido espião para a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, a bela Alicia Huberman (Ingrid Bergman) se torna alvo do serviço secreto americano, que envia o agente Devlin (Cary Grant) para fazer uma proposta. 

Devlin convence Alicia a trabalhar para o governo, tendo como primeira missão viajar para o Rio de Janeiro e se aproximar de um velho conhecido de seu pai, o milionário Alex Sebastian (Claude Rains), sujeito que participa de um grupo que trama algo contra os americanos. 

Não demora para Devlin e Alicia se apaixonarem, porém quando seu chefe (Louis Calhern) informa que o objetivo da missão é infiltrar Alicia na casa de Sebastian, as coisas se complicam, pois o sujeito também é apaixonado por ela. 

Em razão da magnífica carreira de Hitchcock, o patamar de comparação entre seus filmes é sempre o maior possível, por isso não colocaria este longa entres seus melhores trabalhos, mesmo sendo interessante. 

O longa tem vários pontos positivos, como a química entre Cary Grant e a belíssima Ingrid Bergman, reforçada pelos diálogos fortes para época, repletos de conotações sexuais, a bela fotografia do Rio de Janeiro, mesmo com as cenas com Grant e Bergman tendo sido filmadas em estúdio, além da criatividade de Hitch em filmar por ângulos inusitados. A sequência com as chaves, o beijo do lado de fora da adega e a tontura que a personagem de Bergman sofre são alguns exemplos do talento do diretor. 

O filme falha na questão do suspense, falta emoção nos momentos importantes, até mesmo na sequência final. 

A trama é muito mais uma história de amor do que um suspense. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta (Brasil, 2013) – Nota 8
Direção – Fernando Coimbra
Elenco – Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Paulo Tiefenthaler, Thalita Carauta, Tamara Taxman, Emiliano Queiroz, Isabelle Ribas.

No subúrbio carioca, ao buscar a filha na escola, Sylvia (Fabiula Nascimento) descobre que a menina foi levada por outra pessoa que se apresentou como sua amiga. Ao procurar a polícia, Sylvia é questionada pelo delegado (Juliano Cazarré) sobre detalhes de sua vida e casamento, para logo em seguida chegar o marido Bernardo (Milhem Cortaz) acusando sua amante Rosa (Leandra Leal) de ter sequestrado a criança para se vingar dele. Rosa é levada à delegacia para responder a acusação e a princípio nega o envolvimento no desaparecimento da criança. A partir daí, o espectador verá em flashbacks as versões dos três personagens sobre acontecimentos relativos ao triângulo amoroso que podem ter causado o sequestro. 

Este drama policial é baseado livremente numa história real ocorrida nos anos sessenta, que não vale a pena contar mais detalhes para não estragar as surpresas, principalmente a assustadora cena final. 

O filme marca a promissora estréia do diretor Fernando Coimbra em um longa, que além de amarrar muito bem o roteiro, acerta também ao explorar o subúrbio do Rio de Janeiro como cenário, sem apelar para o clichê da violência ou das favelas. A lente do diretor se vira para os bairros com casas simples, as pessoas comuns e o trem como símbolo principal da região. 

O elenco também merece destaque, tendo bons desempenhos de Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento como o casal em crise, de Juliano Cazarré como o delegado e principalmente de Leandra Leal, que cria uma personagem cheia de nuances, que em boa parte do filme deixa o espectador na dúvida sobre seu caráter. 

É muito bom quando algum diretor brasileiro foge do lugar comum das comédias rasteiras e se arrisca em uma trama mais complexa.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Caçada Mortal

Caçada Mortal (A Walk Among the Tombstones, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Scott Frank
Elenco – Liam Neesom, Dan Stevens, Brian “Astro” Bradley, David Harbour, Adam David Thompson, Eric Nelsen, Olafur Darri Olafsson.

Matt Scudder (Liam Neesom) é um policial aposentado que agora trabalha como investigador particular. Em uma noite, ele é procurado por um sujeito (Eric Nelsen) que o conheceu na reunião do AA. O rapaz o leva para encontrar seu irmão (Dan Stevens), um traficante que teve a esposa sequestrada e morta, com o detalhe macabro de que os bandidos receberam o dinheiro do resgate e mesmo assim mataram a mulher. A princípio Matt não quer aceitar o caso, mas acaba sendo convencido pelo traficante e assim dá início a uma investigação que o levará a outros sequestros que terminaram da mesma forma. 

Diferente dos últimos trabalhos de Liam Neesom voltados mais para ação, este longa foca na trama investigativa prendendo a atenção do espectador. O ritmo da narrativa é cadenciado e a história vai sendo amarrada as poucos, através de um roteiro que não apela para os exageros. 

O filme é baseado em um livro e se passa em 1999, quando a internet ainda estava se popularizando e muito se falava no “Bug do Milênio” ou “Y2K”, fato que não se concretizou e que é citado durante o desenrolar da trama. 

Além de Neesom novamente interpretando o sujeito durão e solitário, vale destacar a presença do garoto Brian “Astro” Bradley que se torna seu parceiro por acaso. 

É um bom filme indicado para que gosta de tramas de investigação.