sexta-feira, 23 de junho de 2017

X+Y

X+Y (X+Y, Inglaterra, 2014) – Nota 8
Direção – Morgan Matthews
Elenco – Asa Butterfield, Rafe Spall, Sally Hawkins, Eddie Marsan, Jo Yang, Martin McCann, Jake Davies, Alex Lawther, Alexa Davies.

Desde criança, Nathan Ellis (Asa Butterfield) demonstra uma incrível facilidade em aprender matemática e uma tremenda dificuldade em se relacionar com as pessoas, fato potencializado após a morte do pai.

Ao perceber que o filho tem um talento especial, a mãe (Sally Hawkins) procura um colégio melhor. Nathan se torna aluno de Martin Humprheys (Rafe Spall), que também foi uma criança prodígio em matemática, mas que não decolou na carreira por causa de uma grave doença e também pelos seus próprios erros.

Durante alguns anos, Martin prepara Nathan para participar de famosa Olimpíada de Matemática, que terá uma fase de preparação na China. A viagem para o país estranho e o relacionamento com outros jovens prodígios mudará para sempre a vida de Nathan.

Este simpático drama vai além da tramas comuns sobre jovens nerds. A dificuldade em se relacionar, os maneirismos de quem vê o mundo com outros olhos e a pressão para desenvolver todo seu potencial são obstáculos quase intransponíveis para estes jovens encontrarem a felicidade nas coisas simples da vida.

O protagonista vivido pelo garoto Asa Butterfield (“A Invenção de Hugo Cabret”) é quase uma versão mirim do matemátiva interpretado por Russell Crowe em “Uma Mente Brilhante’. Nos dois casos, a mente dos personagens funciona de uma forma extremamente racional. Quando as emoções entram em cena, a vida vira de ponta-cabeça.

Os vários adolescentes que passam pela tela entregam boa atuações, assim como os sempre competentes Sally Hawkins e Eddie Marsan, este último interpretando o professor que comanda a equipe inglesa de matemática. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tempo Limite & Tempo Esgotado


Tempo Limite (Term Life, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Peter Billingsley
Elenco – Vince Vaughn, Hailee Steinfeld, Bill Paxton, Jonathan Banks, Jordi Molla, Terrence Howard, Shea Whigham, Jon Favreau, William Levy, Mike Epps, Taraji P. Henson, Cain Velasquez, Annabeth Gish.

Nick Narrow (Vince Vaughn) é um picareta especializado em planejar assaltos e vender os planos para quadrilhas. Um destes planos resulta na morte dos assaltantes, que se tornam vítimas de policiais corruptos liderados por Joe Keenan (Bill Paxton). A situação de Nick se torna de vida ou morte, pois um dos ladrões mortos era filho de um chefão de drogas mexicano (Jordi Molla). Nick precisa correr para se salvar e também proteger a filha adolescente (Hailee Steinfeld), de quem ele estava afastado.

Baseado numa pouco conhecida graphic novel, este longa policial ganha pontos pelo bom ritmo da narrativa, por algumas cenas de ação interessantes e pela narração cínica do protagonista vivido por Vince Vaughn. Por outro lado, o roteiro é repleto de clichês e com exceção de pai e filha, os demais personagens são mal desenvolvidos, inclusive o policial vivido por Bill Paxton.

É um filme policial básico, daqueles que prendem a atenção, mas que são esquecidos rapidamente após o final da sessão.

Tempo Esgotado (Nick of Time, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – John Badham
Elenco – Johnny Depp, Christopher Walken, Charles S. Dutton, Peter Strauss, Roma Maffia, Marsha Mason, Bill Smitrovich, Gloria Reuben, G. D. Spradlin, Yul Vazquez, Courtney Chase.

Ao voltar do enterro da ex-esposa, Gene Watson (Johnny Depp) é atacado por estranhos e tem sua filha de seis anos sequestrada. De forma inusitada, os sequestradores deixam uma arma e uma fotografia. Logo, Gene entende que para salvar sua filha será necessário assassinar a pessoa da foto, que é ninguém menos que a governadora da Califórnia (Marsha Mason). Ele tem apenas uma hora e meia para descobrir quem sequestrou sua filha, senão será obrigado a cometer o crime. 

Há mais de vinte anos comandando apenas seriados, poucos lembram que o diretor John Badham é responsável por divertidos sucessos dos anos setenta e oitenta. Ele comandou o clássico “Os Embalos de Sábado a Noite” e longas policiais como “Tocaia” e “Alta Tensão”. Aqui, Badham imprime um ritmo agitado com o personagem de John Depp correndo por Los Angeles em busca da filha. As boas cenas de ação seguram o filme que explora uma interessante trama de conspiração. 

Os destaques ficam para Johnny Depp em um papel de pessoa comum, diferente dos personagens excêntricos que está acostumado a interpretar e para o sempre marcante Christopher Walken como o vilão por trás da conspiração.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A Grande Muralha

A Grande Muralha (The Great Wall, EUA / China / Hong Kong / Austrália / Canadá, 2016) – Nota 5,5
Direção – Zhang Yimou
Elenco – Matt Damon, Pedro Pascal, Tian Jing, Willem Dafoe, Andy Lau, Hanyu Zhang. Han Lu.

Um grupo de mercenários viaja pelo oriente à procura de pólvora, a grande descoberta da época. Após serem atacados por outro grupo e em seguida por uma criatura desconhecida, apenas William (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal) sobrevivem. 

Eles chegam até a grande muralha da China e se tornam prisioneiros do exército chinês, que por sua vez aguarda o ataque das mesmas criaturas que mataram os parceiros dos mercenários. O destino e a vontade de sobreviver fazem com que William e Tovar se unam ao chineses para defender a muralha. 

Esta superprodução hollywoodiana tem uma premissa simples e até interessante ao colocar mercenários em busca da pólvora, descoberta que mudou a forma de guerrear na época. Os problemas surgem com a escolha de transformar o filme em uma ficção apoiada apenas nos efeitos especiais. Os diálogos são ruins, assim como as interpretações e o previsível desenrolar da trama. 

Além disso, a forma como é apresentado o exército chinês é um enorme exagero. Desde que aparece na tela pela primeira vez, o exército é mostrado como se estivesse numa parada militar, com todos em posição de ataque com uniformes coloridos e impecáveis, inclusive as mulheres que parecem terem saído de um salão de beleza. As traquitanas utilizadas nas cenas de ação são armas antigas com visual futurista. 

É mais um filme que mistura cinema com game, sendo mais indicado para a nova geração que muitas vezes prefere tecnologia ao invés de história e interpretações.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Uma Caminhada na Floresta

Uma Caminhada na Floresta (A Walk in the Woods, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Ken Kwapis
Elenco – Robert Redford, Nick Nolte, Emma Thompson, Mary Steenburgen, Nick Offerman, Kristen Schaal, R. Keith Harris.

Bill Bryson (Robert Redford) é uma famoso escritor especializado em livros sobre viagens. Após uma entrevista em um programa qualquer, ao ser questionado porque nunca escreveu sobre lugares nos Estados Unidos, Bryson decide percorrer a pé a Appalachian Trail que atravessa o oeste americano por mais de 3500 km. 

Sua esposa (Emma Thompson) considera uma loucura, mas aceita a ideia do marido apenas se ele encontrar alguém para viajar junto. Após ser ridicularizado por amigos por causa da ideia, Bryson recebe um telefonema de Stephen Katz (Nick Nolte), um amigo de viagens e bebedeiras da juventude, que se convida para a aventura. 

Este simpático longa sobre amizade e desafios da terceira idade é uma adaptação de um livro autobiográfico do verdadeiro Bill Bryson, que nos anos noventa percorreu a trilha e relatou a aventura. 

A maior diferença entre a história real e o filme é a diferença de idade. O verdadeiro Bryson estava na casa dos quarenta e poucos anos, enquanto Redford beira os oitenta. Ao mesmo tempo em que levando em conta a idade verdadeira de Redford  e também de Nick Nolte a história fique absurda, por outro lado, o mesmo fato cria possibilidades para o roteiro brincar com a situação através de diálogos irônicos e das dificuldades próprias da idade. 

Por sinal, a química entre Redford e Nolte é um dos pontos altos. Outro destaque são as belas paisagens naturais da trilha. Vale citar que Redford comprou os direitos do livro ainda nos anos noventa e planejava levar a história para o cinema com Paul Newman ao seu lado, reeditando a dupla de sucesso de “Butch Cassidy” e “Golpe de Mestre”. Infelizmente o plano não saiu do papel enquanto Newman estava vivo. 

É um filme simples e despretensioso, uma verdadeira sessão da tarde.    

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O Mago das Mentiras

O Mago das Mentiras (The Wizard of Lies, EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Barry Levinson
Elenco – Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Alessandro Nivola, Nathan Darrow, Hank Azaria, Kristen Connolly, Lily Rabe, Michael Kostroff, Steve Coulter.

Dezembro de 2008. O megainvestidor Bernie Maddof (Robert De Niro) vê seu império ruir com a crise financeira consequência da explosão da chamada “Bolha Imobiliária”. Seus investidores começaram a sacar o dinheiro do fundo e a verdade veio à tona. 

Em paralelo com a companhia de seguros que seus filhos (Alessandro Nivola e Nathan Darrow) administravam de forma correta, Bernie comandava uma empresa fantasma de investimentos que utilizava um esquema de pirâmide. Bernie arrecadava dinheiro com novos investidores e pagava os antigos com o mesmo dinheiro. Sua fama de fazer todo investimento lucrar chamava novos investidores e por este motivo o esquema durou quinze anos até desmoronar em 2008. 

Baseado na história real da maior fraude da história do sistema financeiro americano, este longa dirigido por Barry Levinson e produzido para a HBO por seu parceiro Tom Fontana, responsáveis por ótimas séries como “Oz – A Vida É Uma Prisão” e “Homicide: Life on the Street”, vai além dos detalhes sobre o crime. 

O foco principal é mostrar como a revelação do esquema destruiu a família de Maddof. Seus filhos e sua esposa (Michelle Pfeiffer) não imaginavam que o pai era capaz de algo assim e muito menos que a vida deles se transformaria em um inferno, assim como ocorreu com centenas de pessoas que sofreram prejuízos financeiros com o golpe, sendo que muitos perderam todas as suas economias. 

No elenco são três destaques. O principal vai para Robert De Niro, que depois de muito tempo tem a chance de interpretar um papel complexo e não decepciona. Suas explicações para o crime que cometeu e sua frieza em vários momentos criam um protagonista assustador pela falta de empatia e pelo egoísmo. 

A competente Michelle Pfeiffer, ainda belíssima com quase sessenta anos de idade, volta a interpretar a esposa de Robert De Niro assim como fez em “A Família” de 2013, seu último filme antes deste. O terceiro destaque vai para Hank Azaria. Com uma carreira voltada para comédia, inclusive sendo um dos dubladores de “Os Simpsons”, Azaria tem aqui a chance de brilhar ao interpretar o braço-direito de Maddof na empresa fantasma. Falastrão, cínico e canalha, seu personagem rouba as cenas em que aparece. 

Sei que é um tema que não agrada ao público em geral, mas por outro lado, a história é muito parecida com o que está ocorrendo no nosso país nos dias atuais. A empresa fraudulenta dentro da empresa verdadeira é algo idêntico ao que ocorreu com uma grande construtora por aqui, a diferença é que nos EUA Maddof foi condenado a cento e cinquenta e anos de cadeia e todos os seu bens foram confiscados, enquanto por aqui muitos que enriqueceram de forma ilícita ainda estão soltos ou cumpriram míseros dois, três anos de pena. 

domingo, 18 de junho de 2017

A Nona Vida de Louis Drax

A Nona Vida de Louis Drax (The 9th Life of Louis Drax, Inglaterra / Canadá / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Alexandre Aja
Elenco – Jamie Dornan, Sarah Gadon, Aaron Paul, Aiden Longworth, Oliver Platt, Molly Parker, Terry Chen, Julian Wadham.

Ao completar nove anos de idade, Louis Drax (Aiden Longworth) despenca de um penhasco para dentro mar. Ele é resgatado e milagrosamente sobrevive, mesmo entrando em coma. 

Narrado pelo próprio Louis, descobrimos que em outras oitos vezes ele passou perto da morte. Sua mãe (Sarah Gadon) alega que desta vez seu ex-marido (Aaron Paul), que está desaparecido, foi quem jogou Louis no mar. 

O médico (Jamie Dornan) que trata de Louis acredita na teoria de que pessoas em coma possam se comunicar com quem estiver próximo. O médico termina também por ser envolver com a mãe do garoto. 

O roteiro que mistura drama, policial e fantasia foi escrito pelo ator Max Minghella (“A Rede Social”), que se baseou em um livro. Foi o primeiro roteiro escrito pelo ator, que este ano deverá estrear também como diretor levando às telas um novo roteiro dele mesmo. 

O ponto alto deste longa é a fluidez da narrativa, muito por causa da interpretação do garoto Aiden Longworth. Seu personagem tem ao mesmo tempo a ingenuidade de uma criança nas pequenas atitudes com a família e também a língua ferina de um adulto que solta verdades doloridas para quem está ao lado. 

As cenas de fantasia também são outro ponto alto. Estas sequências são criadas para ilustrar os pensamentos do garoto enquanto está em coma. Por trás destes detalhes, a história é simples. Não é difícil entender o caráter dos personagens e também o que realmente aconteceu no penhasco, fato que é revelado próximo do final.  

Finalizando, o diretor Alexandra Aja é especialista em filmes de terror e suspense. Este trabalho é uma mudança de foco na carreira do diretor. 

sábado, 17 de junho de 2017

Versões de um Crime

Versões de um Crime (The Whole Truth, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Courtney Hunt
Elenco – Keanu Reeves, Renee Zellweger, Gugu Mbatha Raw, Gabriel Basso, James Belushi, Jim Klock.

O advogado milionário Boone (James Belushi) é assassinado dentro de casa. Seu filho Mike (Gabriel Basso) confessa o crime. Para defender o jovem, a mãe Loretta (Renee Zellweger) contrata o amigo da família Ramsey (Keanu Reeves). 

O julgamento começa e Ramsey não sabe como defender seu cliente, pois Mike se nega a conversar. Resta ao advogado tentar descobrir se as testemunhas estão mentindo e utilizar seus depoimentos para salvar Mike. Para isso, Ramsey tem o auxílio de uma jovem advogada (Gugu Mbatha Raw). 

O ponto principal deste interessante drama que se passa praticamente todo no tribunal é o roteiro escrito por Nicholas Kazan, filho do falecido diretor Elia Kazan. Nicholas explora a ideia de que todos mentem para defender seus interesses. Esta situação é exposta em cada depoimento. Enquanto a testemunha conta sua versão, em flashbacks vemos a situação verdadeira. Mesmo com o roteiro deixando pistas sobre como realmente ocorreu o crime, o final se mostra surpreendente. 

Quem gosta de filmes de tribunal e não se importar com a habitual interpretação robotizada de Keanu Reeves e nem com a voz irritante de Renee Zellweger, vai encontrar aqui um bom passatempo.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

8MM & Morte ao Vivo


8MM – Oito Milímetros (8MM, Alemanha / EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Nicolas Cage, Joaquin Phoenix, James Gandolfini, Peter Stormare, Anthony Heald, Catherine Keener, Chris Bauer, Amy Morton.

Após a morte do marido, que era um velho milionário, sua esposa também idosa encontra um filme em 8MM que mostra uma jovem sendo torturada e morta por um sujeito mascarado. Angustiada em saber se o vídeo é verdadeiro, a velha senhora contrata o detetive particular Tom Welles (Nicolas Cage) para investigar o caso. 

Seguindo a pista de jovens desaparecidas, Welles é levado até Hollywood e cruza o caminho de um balconista de videolocadora (Joaquin Phoenix) que tem contatos na indústria pornográfica. O rapaz o apresenta a um produtor de filmes pornô (James Gandolfini), que por sua vez o leva a conhecer o estranho diretor Dino Velvet (Peter Stormare), que pode estar ligado a produção da fita. 

O roteiro deste polêmico longa tenta criar uma linha tênue entre o cinema pornô e os terríveis snuff movies, estes últimos que muitos acreditam ser apenas uma lenda urbana. A trama não chega a se aprofundar no tema da produção dos snuff movies, resultando muito mais em um filme de suspense e violência. 

O longa não teve boa recepção da crítica muito por causa dos nomes de Joel Schumacher e de Nicolas Cage, porém o filme é competente em sua proposta, com uma narrativa que prende a atenção e bons momentos de suspense. 

Mesmo com bons filmes no currículo como “Um Dia de Fúria” e “Os Garotos Perdidos”, Joel Schumacher carregará para sempre os fracassos dos dois Batmans. O astro Nicolas Cage estava no auge da carreira na época, protagonizando filmes muito melhores dos que as bombas que tem trabalhado nos últimos anos.

Morte ao Vivo (Tesis, Espanha, 1996) – Nota 7,5
Direção – Alejandro Amenabar
Elenco – Ana Torrent, Fele Martinez, Eduardo Noriega, Xabier Elorriaga, Miguel Picazo.

Angela (Ana Torrent) é uma aluna de jornalismo em uma universidade em Madrid. Ao procurar seu professor de mestrado, ela o encontro morto em uma sala de vídeo. O homem passou mal e faleceu ao assistir uma estranha fita de vídeo. 

Curiosa, Angela rouba fita e descobre que o conteúdo é um “snuff movie”. Angela pede auxílio a um estranho aluno chamado Chema (Fele Martinez), especialista em filmes de violentos, que rapidamente identifica a moça assassinada no filme como uma aluna que estava desaparecida há algum tempo. Ao invés de acionar a polícia, a dupla decide investigar por conta própria. 

Este competente suspense marcou a estreia na direção do chileno Alejandro Amenabar (“Os Outros”, “Regressão”). Os pontos positivos do longa são o clima de suspense potencializado por algumas sequências dentro dos porões da universidade e o bom roteiro que até próximo ao final deixa dúvidas quanto ao verdadeiro psicopata. 

Como curiosidade, Ana Torrent, a protagonista assustada, é atriz desde criança, tendo trabalhado com Carlos Saura no clássico espanhol “Cria Cuervos” quando tinha apenas dez anos de idade.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Entre a Vida e a Morte

Entre a Vida e a Morte (The Lazarus Project, EUA / Canadá / Inglaterra, 2008) – Nota 6
Direção – John Patrick Glenn
Elenco – Paul Walker, Piper Perabo, Bob Gunton, Lambert Wilson, Linda Cardellini, Tony Curran, Shawn Hatosy, Malcolm Goodwin, Brooklyn Proulx.

Ben Garvey (Paul Walker) é um ex-detento que retomou a vida normal ao lado da esposa (Piper Perabo) e da filha pequena (Brooklyn Proulx). A chegada do irmão que saiu da cadeia (Shawn Hatosy) e uma inesperada demissão levam Ben de volta ao crime. 

Para não entregar muito da história, pulo direto para a segunda parte do longa que se passa num local isolado, onde Ben tem a chance de recomeçar a vida. O problema é que ele não sabe como chegou naquele local e seu real desejo é voltar para família. 

Este estranho longa começa com uma trama policial, insere pitadas de drama e depois se transforma numa ficção que tenta esconder a explicação até perto do final. O cinéfilo acostumado ao gênero descobrirá esta surpresa na metade da história, sem contar que o título original é quase uma explicação completa para a trama. 

O filme perde pontos também pela narrativa irregular e por algumas sequências que deveriam ser tensas e que na realidade não passam emoção alguma. 

É um filme típico do Supercine, daqueles que esquecemos rapidamente. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Invencível

O Invencível (Champion, EUA, 1949) – Nota 7,5 
Direção – Mark Robson
Elenco – Kirk Douglas, Arthur Kennedy, Marilyn Maxwell, Paul Stewart, Ruth Roman, Lola Albright.

Os irmãos Midge (Kirk Douglas) e Connie (Arthur Kennedy) viajam de carona de Chicago até Los Angeles acreditando terem comprado uma parte de um lanchonete. Ao chegarem no local, descobrem que foram enganados e acabam aceitando trabalhar no estabelecimento. 

O ambicioso Midge tem o objetivo de ganhar dinheiro a qualquer custo. Seu temperamento explosivo chama a atenção de um empresário de boxe (Paul Stewart). Midge então decide se tornar lutador profissional. 

O roteiro escrito por Carl Foreman foca na saga enfrentada por Midge até se tornar campeão mundial, detalhando os obstáculos e também as pessoas que ele vai usando e abandonando pelo caminho, inclusive mulheres. 

É basicamente uma filme sobre ambição, em que o protagonista não mede esforços para chegar ao topo, sempre colocando o dinheiro e o poder em primeiro lugar. 

Este é também um dos primeiros filmes a mostrar os bastidores sujos do boxe, com empresários negociando resultados de lutas e tratando os boxeadores como descartáveis. 

O astro Kirk Douglas teve aqui sua primeira e merecida indicação ao Oscar. 

Mesmo sendo uma história que hoje parece repetitiva, pois já vimos muitos filmes semelhantes produzidos posteriormente, não se pode negar a força dramática deste longa.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Fique Comigo

Fique Comigo (Asphalte, França, 2015) – Nota 7
Direção – Samuel Benchetrit
Elenco – Isabelle Huppert, Michael Pitt, Gustave Kervern, Valeria Bruni Tedeschi, Jules Benchetrit, Tassadit Mandi.

Um velho edifício na periferia de Paris é o local de três histórias. A mais sensível foca num sujeito solitário (Gustave Kerven) que após um incidente se vê preso numa cadeira de rodas. Ele tenta retomar a vida ao conhecer por acaso uma insegura enfermeira (Valeria Bruni Tedeschi). 

Na segunda história, um jovem (Jules Benchetrit) cria um laço de amizade com sua nova vizinha (Isabelle Huppert), uma veterana atriz frustrada com a carreira. 

A terceira trama é surreal. Um astronauta americano (Michael Pitt) pousa com seu módulo espacial no topo do edifício. Sem saber onde está, ele pede abrigo a uma moradora de origem árabe (Tassadit Mandi). A simpática senhora acolhe o estranho como seu fosse um filho. 

O roteiro escrito pelo diretor Samuel Benchetrit foca em temas contemporâneos de uma forma inusitada. Nas três histórias, o aparente absurdo das situações esconde um enfoque sensível sobre a solidão, as frustrações da meia-idade e até as diferenças entre árabes e americanos. 

Não espere soluções profundas ou emoções fortes, a proposta é abordar estes temas em meio a vida de pessoas comuns, inclusive do astronauta. Por mais que seja uma profissão incomum, o diálogo entre ele e a senhora árabe em frente a tv ao assistir uma novela é de uma simplicidade sensacional.   

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Hannah Arendt

Hannah Arendt (Hannah Arendt, Alemanha / Luxemburgo / França / Israel, 2012) – Nota 7,5
Direção – Margarethe von Trotta
Elenco – Barbara Sukowa, Axel Milberg, Janet McTeer, Julia Jentsch.

Em 1961, o Mossad, serviço secreto israelense, sequestrou o criminoso nazista Adolf Eichmann na Argentina e o levou para ser julgado em Israel. 

A famosa escritora judia e alemã Hannah Arendt (Barbara Sukowa), que vivia em Nova York e que fugiu com o marido de um campo de concentração na França durante a guerra, decide ir até Israel como correspondente de um jornal para acompanhar o julgamento. O objetivo de Hannah é entender porque uma pessoa seria capaz de cometer crimes terríveis como os praticados pelos nazistas. 

Durante o julgamento, Hannah se surpreende ao perceber que Eichmann era apenas um burocrata medíocre que seguia ordens do alto comando nazista, bem diferente do monstro que imaginava encontrar. Após escrever sobre o assunto em uma série de artigos, Hannah é bombardeada de críticas pela comunidade judaica. 

Baseado numa história real, este longa toca em um ponto extremamente polêmico. A princípio, as pessoas consideram a intolerância algo terrível, porém a maioria acaba se mostrando intolerante em algum momento da vida para defender suas ideias. 

Hannah Arendt entendeu rapidamente que muitos nazistas na verdade eram pessoas medíocres que apenas seguiam ordens com medo de perderem privilégios ou serem castigados, até mesmo com prisão e morte, fato que ela chamou de “A Banalidade do Mal”. 

Ao constatar este fato em público, a intolerância mudou de lado e os próprios judeus mostraram o preconceito contra alguém que “pensou fora da caixa” e que fugiu da mesmice do pensamento corporativista. 

Até sua morte em 1975, a escritora Hannah Arendt voltou várias vezes ao tema da “banalidade do mal” em seus livros.

domingo, 11 de junho de 2017

Quem Bate à Minha Porta?

Quem Bate à Minha Porta? (I Call First ou Who’s That Knocking at My Door?, EUA, 1967) – Nota 7
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Harvey Keitel, Zina Bethune, Lennard Kuras, Michael Scala.

J. R. (Harvey Keitel) é um jovem desempregado descendente de italianos que passa os dias em companhia dos amigos, principalmente de Joey (Lennard Kuras) e Sally Gaga (Michael Scala). 

Ele cruza o caminho de uma jovem (Zina Bethune), por quem se apaixona e inicia um namoro. Quando a garota resolve contar um segredo para J. R., como forma de confiança na relação, as coisas não resultam como ela imaginava. 

Este longa marcou a estreia na direção do grande Martin Scorsese, que aqui já utilizava elementos que seriam comuns em seus trabalhos posteriores. A vida de jovens italianos no Brooklyn remete a sua própria experiência de vida, assim como a importância da religião e da sexualidade. 

O ponto mais importante do longa, que com certeza foi mais contundente na época do lançamento, era a discussão sobre a virgindade das mulheres em contraste com a liberdade sexual dos homens. O roteiro insere ainda a questão das crenças religiosas do protagonista, outro ponto de contradição com suas atitudes. 

Vale destacar Harvey Keitel ainda bem jovem e as cenas pelas ruas de Nova York. 

sábado, 10 de junho de 2017

Antes de Dormir

Antes de Dormir (Before I Go To Sleep, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Rowan Joffe
Elenco – Nicole Kidman, Colin Firth, Mark Strong, Anne Marie Douff.

Todas as manhãs ao acordar, Christine (Nicole Kidman) não lembra absolutamente nada sobre seus últimos vinte anos de vida. Seu marido Ben (Colin Firth) explica repetidamente que ela sofreu um acidente que resultou na perda da memória. 

Em paralelo, um psiquiatra (Mark Strong) passa a tratar de Christine sem que Ben saiba. Todos os dias ele entra em contato com Christine pelo telefone para explicar a relação entre eles e a incentiva a gravar suas memórias. Aos poucos, Christine percebe que Ben nem sempre conta a verdade, situação que faz com ela passe a desconfiar do marido. 

A premissa da personagem sem memória já foi explorada um sem número de vezes no cinema. Como é hábito no gênero, o segredo é revelado através de uma reviravolta na parte final, mantendo até então um certo interesse, principalmente pelo clima de tristeza pontuado por uma estranha trilha sonora e reforçado pela atormentada protagonista vivida por Nicole Kidman. 

Mesmo com a reviravolta citada, o roteiro é não é dos melhores. Não demora para descobrir quem é o vilão. Algumas explicações também não convencem, além da melodramática cena final. 

Como informação, o diretor Rowan Joffe é filho do também diretor e roteirista Roland Joffé, famoso nos anos oitenta por filmes como “A Missão” e “Os Gritos do Silêncio”.