sexta-feira, 25 de maio de 2018

A Mente que Mente

A Mente que Mente (The Great Buck Howard, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Sean McGinly
Elenco – John Malkovich, Colin Hanks, Emily Blunt, Ricky Jay, Steve Zahn, Tom Hanks, Griffin Dunne, Debra Monk, Adam Scott, Patrick Fischler, Wallace Langham.

Desmotivado com o curso de direito, Troy (Colin Hanks) abandona a universidade e sonha em se tornar escritor. Para pagar as contas, ele consegue um emprego como secretário do “mentalista” Buck Howard (John Malkovich), um sujeito que teve fama décadas atrás quando era convidado assíduo do programa de Johnny Carson. 

Esquecido pela mídia, Buck ganha a vida fazendo apresentações em pequenos teatros pelo país. Seu jeito peculiar de tratar as pessoas, suas manias e o sonho de voltar a ser famoso causam diversos problemas para Troy, que mesmo assim cria uma empatia pelo sujeito. A chance de voltar ao topo aparece de forma inusitada. 

O título nacional e o cartaz passam a impressão de ser uma comédia rasgada, porém o conteúdo se mostra bem mais interessante. O roteiro explora situações engraçadas criadas pela forma de agir do protagonista, mas também foca no tema das pessoas que por algum tempo tiveram fama e que depois foram obrigadas a conviver com o anonimato ou pelo menos com um número pequeno de fãs. 

Buck Howard é aquele sujeito que não acredita em “modernizar” seu show, para ele o que funciona deve continuar sendo feito da mesma maneira. O ápice de seu show é a forma como encontra seu dinheiro do cachê que ele mesmo pede para alguém da plateia esconder durante o intervalo. Até o final fica a dúvida se aquilo é real ou se existe alguma picaretagem que somente o protagonista sabe como funciona. 

A atuação de John Malkovich eleva a qualidade do longa. Ele consegue passar dignidade para um personagem extremamente excêntrico.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Blue Jay

Blue Jay (Blue Jay, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Alex Lehmann
Elenco – Mark Duplass, Sarah Paulson, Clu Gulager.

Quinze anos após terminarem a relação, Jim (Mark Duplass) e Amanda (Sarah Paulson) se reencontram por acaso em um supermercado na pequena cidade de Califórnia onde cresceram. 

Jim continua solteiro e passa por um complicado momento na vida profissional. Amanda se casou, criou dois filhos do casamento anterior de seu marido e retornou à cidade para visitar sua irmã. Durante algumas horas eles irão relembrar as alegrias e tristezas do passado. 

Apesar de explorar uma história simples sobre relacionamento, este sensível longa prende a atenção por vários detalhes. A química entre Mark Duplass e Sarah Paulson é perfeita, eles fazem o espectador acreditar na história de amor inacabada. 

A escolha de filmar em preto e branco passa um ar de nostalgia que se casa perfeitamente com os diálogos recheados de sentimentos entre o ex-casal. Outro acerto é guardar até o final a explicação sobre o rompimento da relação. 

Além de ser um prato cheio para os fãs de filmes românticos, a história vai além ao explorar também as frustrações que são carregadas por toda a vida por causa dos erros na juventude.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A Travessia de Cassandra

A Travessia de Cassandra (The Cassandra Crossing, Inglaterra / Itália / Alemanha Ocidental, 1976) – Nota 6
Direção – George Pan Cosmatos
Elenco – Sophia Loren, Richard Harris, Burt Lancaster, Martin Sheen, O. J. Simpson, Lionel Stander, Ann Turkel, Ingrid Thulin, Lee Strasberg, Ava Gardner, Lou Castel, John Phillip Law, Alida Valli.

Três terroristas invadem um laboratório do governo em Genebra, mas falham ao tentar detonar uma bomba. Eles são expostos a um terrível vírus. Um deles consegue fugir e entra em um trem que atravessará a Europa. Enquanto um Coronel (Burt Lancaster) envia uma equipe para localizar o terrorista infectado, diversas pessoas viajam no trem sem saber do perigo. 

Não sei como algum produtor ainda não tentou fazer um remake deste longa, que precisa ser analisado de duas formas. A história é ao mesmo tempo simples e também perfeita para render um ótimo filme de ação e suspense. Por outro lado, a realização deixa bastante a desejar. O elenco recheado de astros entrega atuações no piloto automática. 

O diretor italiano George Pan Cosmatos claramente seguiu a cartilha dos filmes catástrofes da época, apresentando aos poucos os vários personagens que se cruzam no trem em meio a tragédia. Cosmatos era um diretor de filmes divertidos e ruins que se tornaram quase cults, como “Stallone Cobra” e “Rambo II – A Missão”. Na minha opinião, seu melhor trabalho é o western “Tombstone – A Justiça Está Chegando”. 

Este “A Travessia de Cassandra” é um exemplo de cinema dos anos setenta que envelheceu no formato e que se mostra pior ainda do que era na época.  

terça-feira, 22 de maio de 2018

A Descoberta & Linha Mortal


A Descoberta (The Discovery, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Charlie McDowell
Elenco – Robert Redford, Jason Segel, Rooney Mara, Jesse Plemons, Ron Canada, Riley Keough, Mary Steenburgen.

Thomas (Robert Redford) é um cientista que alega ter provas da existência de vida após a morte. Sua descoberta detona uma terrível onda de suicídios, com pessoas desejando “chegar do outro lado”.

Algum tempo depois, seu filho Will (Jason Segel) tenta se reaproximar do pai que montou uma espécie de laboratório em um antigo hotel isolado em uma ilha, local onde vivem diversas pessoas que seguem o cientista, além do próprio irmão de Will, Toby (Jesse Plemons).

A chegada de Will ao laboratório coincide com o teste de uma máquina criada por Thomas para gravar imagens da vida após a morte, sendo necessário utilizar um cadáver como cobaia.

A premissa extremamente interessante se perde em meio a uma narrativa irregular e um roteiro confuso, principalmente nas respostas que surgem na sequência final. As sequências em que a máquina revela a consciência das pessoas são instigantes, mas pouco para transformar em um grande filme.

O destaque do elenco fica para Jason Segel em um papel sério. Ele consegue passar as angústias de seu personagem de forma convincente.

No final fica a clara sensação de uma ótima ideia que foi desperdiçada.

Linha Mortal (Flatliners, EUA, 1990) – Nota 7
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin, Oliver Platt.

O estudante de medicina Nelson (Kiefer Sutherland) convence quatro colegas de curso (Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin e Oliver Platt) a participarem de um projeto clandestino. A proposta é forçar a morte clínica de cada um deles e manter a pessoa neste estado o maior tempo possível, para em seguida ressuscitá-la e assim tentar decifrar o que existe na tênue linha entre a vida e a morte. 

O aparente sucesso do projeto após os primeiros testes escondem efeitos colaterais que logo surgem. Visões, paranoia e mudança de personalidade estão entre as anomalias que passam a acometer as cobaias. 

Além da intrigante curiosidade em saber o que acontece no momento da morte, o filme tem como destaque o clima de suspense, principalmente pelas diversas sequências noturnas. O elenco de jovens astros em ascensão é outro destaque. 

A história perde um pouco a força pela repetição de situações. Todos os personagens passam pela morte clínica e pelo suspense de voltar ou não a vida. 

Mesmo com algumas falhas, é um filme marcante que vale ser conhecido por quem tem curiosidade pelo tema. 

A história foi refilmada em 2017 tendo o título nacional de “Além da Vida”, porém com muitas críticas negativas. 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Nossa Irmã Mais Nova

Nossa Irmã Mais Nova (Unimachi Diary, Japão, 2015) – Nota 8
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Haruka Ayase, Masami Nagasawa, Kaho, Suzu Hirose, Ryo Kase, Ryohei Suzuki.

Três irmãs que vivem na mesma casa são avisadas que seu pai faleceu. O homem abandonou a família quando as filhas ainda eram crianças para viver com outra mulher. 

Ao chegarem na pequena cidade para participarem do funeral, as irmãs descobrem que o pai estava vivendo com uma terceira esposa e que deixou outra filha de seu casamento anterior, a adolescente Suzu (Suzu Hirose). 

Percebendo o sofrimento da garota que não é bem tratada pela madrasta, a irmã mais velha Sachi (Haruka Ayasa) decide convidar a nova irmã para viver com elas. Suzu aceita o convite e dá início a um sensível relacionamento com as meia-irmãs, incluindo alegrias, tristezas e descobertas. 

Hirokazu Koreeda é com certeza o melhor diretor japonês da atualidade, especialista em abordar dramas familiares de forma sóbria e com muita sensibilidade. Para quem gostar deste longa, indico também os ótimos “Depois da Tempestade” e “Pais e Filhos”

Koreeda consegue explorar os dramas do estilo de vida oriental sem apelar para exageros ou discussões. Seus personagens demonstram suas emoções de forma contida, mesmo aqueles aparentemente mais agitados. 

Vale destacar as sequências que detalham hábitos japoneses, como a oração em casa, a reverência aos mortos e o sentimento de humanidade em relação ao tratamento com os doentes. 

O resultado é um belíssimo drama que foca em pessoas e em uma cultura muito mais civilizada do que a nossa.

domingo, 20 de maio de 2018

Terra Fria

Terra Fria (North Country, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Niki Caro
Elenco – Charlize Theron, Frances McDormand, Woody Harrelson, Sean Bean, Jeremy Renner, Richard Jenkins, Sissy Spacek, Michelle Monaghan, Rusty Schwimmer, Thomas Curtis, Elle Peterson, Brad William Henke, Linda Emond, Amber Heard, John Aylward, Xander Berkeley, Corey Stoll, Chris Mulkey.

Em 1989, Josey Aimes (Charlize Theron) abandona o marido violento e volta para a casa dos pais (Richard Jenkins e Sissy Spacek) em uma pequena cidade de Minnesota. 

O relacionamento complicado com o pai que não se conforma com a filha estar sozinha e ter um casal de filhos de pais diferentes, faz com que Josey aceite trabalhar em uma mina para conseguir seu próprio dinheiro. A mina é o local de trabalho das maioria dos moradores da cidade. 

Logo no primeiro dia ela percebe que terá de enfrentar algo que vai além do preconceito dos mineiros com as mulheres que trabalham no local. As piadas ofensivas, as brincadeiras exageradas, a falta de respeito e até o assédio sexual são práticas comuns na empresa. Quando Josey decide enfrentar o problema, a situação fica ainda pior. 

O roteiro cria uma obra de ficção utilizando como base um livro que conta a história real do primeiro processo de assédio sexual coletivo julgado nos Estados Unidos. Os personagens são fictícios e representam parte do que realmente ocorreu dentro da empresa. 

A diretora Niki Caro, dos recentes “McFarland dos EUA” e “O Zoológico de Varsóvia”, escolheu contar a história de uma forma até cruel. O sofrimento pessoal da protagonista é potencializado pelos abusos enfrentados dentro da mina, inclusive com algumas sequências revoltantes. 

É um filme feito para chocar o espectador.

sábado, 19 de maio de 2018

Intermediário.com

Intermediário.com (Middle Men, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – George Gallo
Elenco – Luke Wilson, Giovanni Ribisi, Gabriel Macht, James Caan, Jacinda Barrett, Kevin Pollak, Laura Ramsey, Rade Sherbedgia, Terry Crews, Kelsey Grammer, Robert Forster, John Ashton.

Houston, 1997. Jack Harris (Luke Wilson) recebe a proposta para comandar uma casa noturna em Los Angeles após um amigo ficar doente. Não demora para Jack transformar o local em sucesso. 

Em paralelo, o ex-engenheiro da Nasa Buck Dolby (Gabriel Macht) e seu amigo Wayne Beering (Giovanni Ribisi), descobrem por acaso uma forma de ganhar dinheiro pela internet. Ele digitalizam fotos de revistas de mulheres nuas, postam no site e passam a cobrar assinaturas direto pelo cartão de crédito. O que hoje é comum para qualquer compra on line, na época não existia. 

Rapidamente eles ganham muito dinheiro, porém sendo malucos e drogados, terminam por se envolver com um mafioso russo (Rade Sherbedgia) e um advogado picareta (James Caan), que pensando em colocar ordem na "empresa" chama Jack para intermediar o problema. Visualizando a chance de ficar milionário, Jack se torna sócio dos dois malucos. 

Baseando numa absurda história real, este divertido longa lembra obras posteriores como o superior “O Lobo de WallStreet” e o semelhante “Cães de Guerra”. Nos três filmes temos um protagonista que narra em off sua aventura de modo cínico, que deixa a ética a até a honestidade de lado para lucrar e que principalmente aproveita as benesses da riqueza antes da queda. 

O que deixa este longa mais interessante é a questão histórica. Por mais absurda que seja a narrativa, a forma de vender produtos pela internet criada pelos protagonistas se tornou modelo mundial. 

O elenco abraça com competência a ideia de fazer rir com os absurdos. Além do personagem de Luke Wilson, a dupla de drogados vividos por Giovanni Ribisi e Gabriel Macht é impagável. 

É mais um bom filme pouco conhecido pelo público.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Motorista de Táxi

O Motorista de Táxi (Taeksi Woonjusa, Coreia do Sul, 2017) – Nota 8,5
Direção – Hun Jang
Elenco – Kang Ho Song, Thomas Kretschmann, Hae Jin Yoo, Jun Yeol Ryu.

Maio de 1980. Em Seul na Coreia do Sul, o taxista viúvo Kim (Kang Ho Song) luta para ganhar a vida e cuidar da filha de onze anos. 

No Japão, o jornalista alemão Peter (Thomas Kretschmann) decide viajar para Coreia quando surgem notícias não oficiais de que está ocorrendo uma revolta popular na cidade de Gwangju. 

Ao chegar em Seul, o acaso faz com que Peter contrate o táxi de Kim para ir até Gwangju. O taxista não acredita que possa estar ocorrendo violência naquela cidade. Chegando em Gwangju, Peter e Kim encontram o local isolado e uma terrível batalha nas ruas entre estudantes e o exército. 

O cartaz com o sorridente protagonista na porta do táxi passa a impressão de que o longa é uma comédia bobinha, quando na verdade a história é um forte drama baseado em uma triste história real. 

Hoje conhecido como "O Massacre de Gwangju", na época a ditadura que governava a Coreia do Sul fez de tudo para impedir que fosse noticiada a verdade. Os jornais do país citavam que o governo enfrentava uma ameaça comunista, quando na realidade eram pessoas que protestavam contra o toque de recolher imposto pelas autoridades. 

A inusitada relação que surge entre o simplório taxista e o jornalista é uma consequência da violência que eles se tornam testemunhas. As cenas de batalha entre jovens e soldados são extremamente realistas e filmadas de forma emocionante. 

É também ótima e emocionante a atuação de Kan Ho Song, que pode ser considerado o melhor ator sul-coreano do momento ao lado de Byung Hun Lee. 

Vale citar ainda o emocionado depoimento do verdadeiro jornalista alemão nos créditos finais.  

O filme é uma verdadeira pérola que poucos cinéfilos descobriram. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Doce Virginia

Doce Virginia (Sweet Virginia, Canadá / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Jamie M. Dagg
Elenco – Jon Bernthal, Christopher Abbott, Imogen Poots, Rosemarie DeWitt, Odessa Young, Joseph Lyle Taylor, Jonathan Tucker, Garry Chalk.

Um estranho (Christopher Abbott) entra em um bar numa pequena cidade e mata três homens sem motivo aparente. 

O crime mexe com várias pessoas da cidade, inclusive com o ex-peão de rodeio Sam Rossi (Jon Bernthal), que é amante de Bernadette (Rosemarie De Witt), casada com uma das vítimas. O assassino fica hospedado no motel em que Sam é gerente, esperando algo que é revelado aos poucos. 

O clima de decadência e solidão das cidades pequenas americanas sempre é um interessante palco para dramas e histórias policiais. Este clima de depressão é um dos pontos principais deste longa.

A atuação de Christopher Abbott como o psicopata é outro destaque. Com exceção do assassino, todos os outros personagens são pessoas comuns que tem suas vidas viradas de ponta de cabeça por causa dos assassinatos. 

É basicamente um filme independente que resulta em um violento drama policial.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Encontro Sangrento em Rancher Town


Meu amigo Darci Fonseca é o maior especialista em westerns no Brasil. 

Seu blog http://westerncinemania.blogspot.com.br/ é uma verdadeira bíblia do gênero.

Faça a uma visita ao blog para conhecer este belíssimo trabalho.

A paixão pelo western levou Darci a se reunir com outros amantes do gênero para produzir três filmes caseiros que são homenagens a clássicos do faroeste.

Estes filmes estão disponíveis no Youtube pelos links abaixo:




terça-feira, 15 de maio de 2018

Assassinato no Expresso do Oriente (1974 & 2017)


Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, Inglaterra, 1974) – Nota 7,5
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Jacqueline Bisset, Ingrid Bergman, Sean Connery, Michael York, John Gielgud, Jean Pierre Cassel, Vanessa Redgrave, Richard Widmark, Rachel Roberts, Colin Blakely, Wendy Hiller.

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, Malta / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Kenneth Branagh
Elenco – Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Johnny Depp, Judi Dench, Olivia Colman, Willem Dafoe, Josh Gad, Leslie Odom Jr, Daisy Ridley, Derek Jacobi, Manuel Garcia Rulfo, Penélope Cruz, Lucy Boynton, Marwan Kenzari.

As duas versões não apresentam surpresas, a história é a mesma.

Em Istambul na Turquia, antes de entrar em férias, o inspetor Poirot (Albert Finney no original, Kenneth Branagh no remake) recebe a missão de voltar para Londres para investigar um caso. Utilizando o trem conhecido como Expresso do Oriente, que no meio do caminho fica preso em uma nevasca, Poirot é obrigado a investigar o assassinato de um bandido (Richard Widmark original, Johnny Depp remake) que pode ter ligações com várias pessoas que estão na mesma viagem.

As diferenças entre os dois filmes estão na parte técnica e nos altos e baixos das atuações. O original de Sidney Lumet tem um elenco melhor, tanto na questão de nomes, como nas atuações. É um filme que tem mais os pés no chão, focando em bons diálogos e no carisma de Albert Finney como o inspetor Poirot.

O remake explora inclusive efeitos especiais na sequência inicial e no descarrilamento do trem. Como opinião pessoal, está tentativa de modernizar o formato desvia o foco da previsibilidade da trama e também das atuações. Vários personagens são mal explorados. Para quem viu o original, esta refilmagem se mostra desnecessária.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Classe Operária

Classe Operária (Moonlighting, Inglaterra, 1982) – Nota 7,5
Direção – Jerzy Skolimowski
Elenco – Jeremy Irons, Eugene Lipinski, Jiri Stansilav, Eugenius Haczkiewciz.

Dezembro de 1981. O empreiteiro polonês Nowak (Jeremy Irons) viaja para Inglaterra com três ajudantes para reformarem a casa que seu chefe tem em Londres. 

O trabalho renderá aos quatro homens o equivalente a um ano de salário na Polônia. Nowak é o único que fala inglês e por isso é o responsável pela compra de materiais, ferramentas e mantimentos. 

Após alguns dias, Nowak descobre pela tv que o governo polonês decretou uma lei marcial no país, fechando as fronteiras e desligando as linhas telefônicas. Preocupado em terminar o serviço, ele decide esconder o fato dos ajudantes, além de precisar economizar o dinheiro para conseguir voltar para casa. 

O roteiro escrito pelo diretor polonês Jerzy Skolimowski cria uma trama de ficção em meio ao acontecimento real da lei marcial que vigorou na Polônia do final de 1981 até 1983. 

A narração do protagonista vivido por Jeremy Irons e as reações de seus ajudantes frente a situações comuns demonstram como a vida no países comunistas eram precárias e atrasadas. Fatos simples como assistir televisão em cores ou comprar um relógio de pulso se transformavam em eventos para os pobres poloneses. 

A sequência logo no início em que eles entram no mercado e ficam de boca aberta ao ver a variedade de produtos diz muito sobre o terrível comunismo. É curiosa e também desonesta a artimanha utilizada pelo protagonista para levar produtos de um mercado sem pagar. 

É uma história semelhante ao que ocorre com a população de países como Cuba e Venezuela no dias de hoje.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Law & Order True Crime: The Menendez Murders

Law & Order True Crime: The Menendez Murders (Law & Order True Crime: The Menendez Murders, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Fred Berner, Holly Dale, Lesli Linka Glatter & Michael Pressman
Elenco – Edie Falco, Gus Halper, Miles Gaston Villanueva, Chris Bauer, Sam Jaeger, Anthony Edwards, Julianne Nicholson, Josh Charles, Heather Graham, Dominic Flores, Constance Marie, Elizabeth Reaser, Molly Hagan, Lolita Davidovich, Carlos Gomez, Mark Moses.

Los Angeles, vinte de agosto de 1989. O casal Jose (Carlos Gomez) e Kitty Menendez (Lolita Davidovich) é assassinado com vários tiros de grosso calibre dentro de sua mansão em Beverly Hills. 

A princípio a polícia acredita que o crime seja obra de alguma gangue. Com o passar do tempo, novas pistas apontam para os filhos do casal. Os irmãos Lyle (Miles Gaston Villanueva) e Erik (Gus Halper) são acusados dos assassinatos. Para defendê-los a família contrata a polêmica advogada Leslie Abramson (Edie  Falco). É o inicio de uma maratona judicial que durará sete anos. 

Seguindo o sucesso de “American Crime Story – The People v. O. J. Simpson”, o roteirista e produtor Rene Balcer, criador das franquias “Law & Order”, investiu em uma nova versão da série focando em uma história fechada contada em oito episódios com a primeira temporada detalhando o famoso crime dos irmãos Menendez. 

Os assassinatos foram explorados pela imprensa durante três anos, até o final do primeiro julgamento. Um verdadeiro circo foi armado, com câmeras transmitindo ao vivo o julgamento, pessoas envolvidas no caso tentando lucrar ou conseguir alguma fama, além dos depoimentos sobre o inferno que ocorria na casa da família Menendez. 

Enquanto a promotoria e os investigadores tinham certeza que a motivação dos crimes era o dinheiro, a advogada Leslie Abramson acreditava na história dos irmãos que alegavam terem sido vítimas de abuso, inclusive sexual por parte do pai com a conivência da mãe. 

A série fica claramente ao lado dos acusados, fornecendo detalhes que aparentemente comprovam os abusos sofridos pelos irmãos. 

Como é uma história ocorrida há quase trinta anos, para os mais novos o ideal é conferir a série sem ler os detalhes do caso real, deixando para comparar após o episódio final.  

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O Desaparecimento de Alice Creed


O Desaparecimento de Alice Creed (The Disappearance of Alice Creed, Inglaterra, 2009) – Nota 7
Direção – J Blakeson
Elenco – Gemma Arterton, Eddie Marsan, Martin Compston.

Sem diálogo algum nos dez minutos iniciais, acompanhamos uma dupla (Eddie Marsan e Martin Compston) comprando materiais e preparando um local para ser o cativeiro de um sequestro. A vítima (Gemma Arterton) é levada dentro de um furgão e posteriormente amarrada em uma cama. 

Quando se iniciam os diálogos, a primeira impressão é de um sequestro normal, em que o violento líder (Eddie Marsan) se mostra preparado para tudo e obriga o submisso parceiro (Martin Compston) a acatar sua ordens. Com o desenrolar da trama, surpresas vem à tona.

A grande sacada do roteiro escrito pelo diretor J Blakeson é oferecer duas reviravoltas inesperadas até a metade do longa, explorando a ganância, a desconfiança e as mentiras entre os três personagens. Estas situações levam o cinéfilo mais curioso a ver algumas semelhanças com o superior “Cova Rasa” de Danny Boyle. 

Por mais que J Blakeson tenha mostrado potencial aqui, seu trabalho posterior como diretor foi o fracasso “A 5º Onda”. 

Finalizando, vale destacar as atuações do elenco, inclusive por algumas cenas que fogem do lugar comum.