quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Ricardo Darin

Quem acompanha meu blog sabe que o foco principal é a resenha de filmes e seriados. Não tenho interesse em divulgar notícias sobre cinema ou sobre a vida particular de astros e estrelas.

Hoje abrirei uma exceção para comentar duas atitudes de Ricardo Darin, que mostram que além de grande ator, o sujeito parece ser uma pessoa de uma simplicidade e de um caráter acima da média.

Navegando pela internet encontrei um vídeo de parte de uma entrevista do ator onde ele comenta com muita firmeza porque não aceitou trabalhar em Hollywood, além da dar uma verdadeira lição de humildade no arrogante apresentador.

O vídeo de sete minutos pode ser visto neste link.

O outro fato é uma verdadeira lição de simplicidade e boa vontade. Um sujeito chamado Gonzalo Roldan, dono de uma locadora de filmes em Buenos Aires, conseguiu entrar em contato com Darin e enviar o roteiro de um filme amador. Roldan, que já havia filmado alguns curtas com os amigos, convidou Darin a fazer uma pequena participação. Para surpresa do cineasta iniciante, ao invés das duas horas que Darin se comprometeu a trabalhar de graça, o ator ficou quase o dia inteiro, ajudou Roldan no roteiro e ainda deu várias palpites sobre o filme.

O vídeo de dois minutos e meio com a participação de Darin no filme "El Destino del Lukong" pode ser visto neste link.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Entidade

A Entidade (Sinister, EUA / Inglaterra, 2012) – Nota 7,5
Direção – Scott Derrickson
Elenco – Ethan Hawke, Juliet Rylance, Fred Dalton Thompson, James Ransone, Michael Hall D’Addario, Clare Foley, Vincent D’Onofrio.

Ellison Oswalt (Ethan Hawke) é um escritor especializado em livros investigativos sobre crimes violentos. Ele fez grande sucesso com seu primeiro livro, porém suas obras posteriores fracassaram. 

Oswalt vê a chance de recuperar a fama escrevendo um livro sobre uma família que foi assassinada por enforcamento em uma árvore no quintal de casa, com mais um detalhe sinistro, uma criança desta família desapareceu. 

Oswalt decide se mudar para a casa onde ocorreu o crime, levando sua esposa (Juliet Rylance) e o casal de filhos (Michael Hall D’Addario e Clare Foley). Logo no primeiro dia na casa, Oswalt encontra no sótão uma caixa com filmes em super 8 que mostram outros crimes semelhantes. O conteúdo dos filmes abala o escritor, que tem de lidar ainda com fatos estranhos que começam a ocorrer na casa. 

O roteiro do diretor Scott Derrickson (do bom “O Exorcismo de Emily Rose” e da fraca refilmagem de “O Dia em Que a Terra Parou”), mistura as premissas de “O Chamado” e da série “Atividade Paranormal” com o clima de “Invocação de Mal”, resultando num competente longa de terror e suspense. 

Derrickson explora muito bem as cenas noturnas na casa, criando sustos que podem parecer clichês, mas que funcionam, além da coragem de entregar um final politicamente incorreto. 

Uma sequência já foi filmada e será em lançada em 2015.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias

O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (Brasil, 2006) – Nota 7,5
Direção – Cao Hamburger
Elenco – Michel Joelsas, Germano Haiut, Simone Spoladore, Caio Blat, Eduardo Moreira, Paulo Autran, Daniela Piepszyk, Liliana de Castro, Rodrigo dos Santos, Abrahão Farc.

No início de 1970, o menino Mauro (Michel Joelsas) sai de Belo Horizonte com os pais (Eduardo Moreira e Simone Spoladore) com destino ao bairro do Bom Retiro em São Paulo. O casal deixa o garoto na porta do edifício onde vive o avô (Paulo Autran), diz que estão saindo de férias e que voltarão até o início da Copa do Mundo do México no meio do ano. 

Praticamente abandonado, Mauro descobre que seu avô faleceu no dia anterior. Sem ter para onde ir, Mauro é acolhido a contragosto pelo vizinho judeu Shlomo (Germano Haiut), com quem criará um laço de amizade enquanto espera pela volta dos pais. 

Este simpático longa tem um roteiro assinado por Claudio Galperin, Adriana Falcão, Bráulio Mantovani, Anna Muylaert e o diretor Cao Hamburger, este último que utilizou lembranças da própria infância para desenvolver a história. Cao é filho de professores que durante a ditadura foram presos por ajudar pessoas consideradas subversivas. O fato fez com Cao tivesse de passar alguns dias com os avós, sendo que um deles era judeu. 

A dificuldade do garoto em entender o modo de vida dos judeus ortodoxos e a tristeza pela distância dos pais em parte são compensadas pelas amizades com as crianças do bairro e o amor pela futebol, da mesma forma como deve ter acontecido com Cao. 

A atuação natural do garoto Michael Joelsas vale o destaque, ele que foi escolhido em meio a centenas de crianças candidatas ao papel. 

Este foi o penúltimo trabalho do grande Paulo Autran, que tem uma pequena participação e que faleceria no ano seguinte. 

Como informação, o bairro do Bom Retiro era o reduto da colônia judaica em SP até os anos noventa. A partir daí, as novas gerações de judeus se mudaram para bairros de classe média alta como Higienópolis e Pacaembu, enquanto o Bom Retiro foi tomado por coreanos e bolivianos. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Timecop, Morte Súbita & Aliança Mortal


O astro das artes marciais Jean Claude Van Damme e o diretor Peter Hyams trabalharam juntos em três filmes, sendo que os dois primeiros foram feitos na década de noventa em um momento onde a dupla tinha prestigio em Hollywood, enquanto o último longa produzido em 2013 é uma tentativa melancólica de ressuscitar suas carreiras.

Hyams, que também é roteirista, está na ativa desde o início dos anos setenta, tendo comandado bons filmes como "Outland - Comando Titânio" e "Mais Forte que o Ódio", os dois protagonizados por Sean Connery, além da curiosa sequência de "2001 - Uma Odisseia no Espaço", o criticado "2010 - O Ano em que Faremos Contato".

Quando a dupla se reuniu pela primeira vez, Van Damme estava no auge após os sucessos de "Soldado Universal" e "O Alvo", seus dois melhores filmes da carreira. 

Os dois filmes da dupla ("Timecop" e "Morte Súbita") são competentes e fizeram sucesso, inclusive com "Timecop" se tornando a maior bilheteria da carreira de Van Damme, porém em seguida, as carreiras de Hyams e Van Damme entrarem em declínio. Os dois tiveram vários fracassos em sequência, com o ator ainda tendo um sério problema com as drogas.

Nesta postagem comento rapidamente estes filmes da dupla Hyams/Van Damme.

Em breve pretendo fazer uma resenha dos piores filmes de Van Damme, que são vários por sinal.

Timecop – O Guardião do Tempo (Timecop, EUA / Canadá / Japão, 1994) – Nota 7
Direção – Peter Hyams
Elenco – Jean Claude Van Damme, Ron Silver, Mia Sara, Bruce McGill, Gloria Reuben, Kenneth Welsh.

Num futuro próximo, as viagens no tempo se tornaram possíveis e por consequência, criminosos passaram a utilizar a tecnologia para cometer crimes. O governo cria uma polícia específica para investigar estes crimes. Neste contexto, o policial Walker (Jean Claude Van Damme), que sofre pela morte da esposa (Mia Sara) que fora assassinada anos atrás, ao investigar um caso prende um suspeito que diz ter sido enviado ao passado por um político (Ron Silver), que deseja manipular os acontecimentos para se tornar presidente. Walker desconfia ainda que a morte de sua esposa pode estar ligada ao político. 

Sem grandes surpresas, mas com boas cenas de ação, um vilão competente (o falecido Ron Silver) e uma trama sobre viagem no tempo que não ofende a inteligência do espectador, o filme fez merecido sucesso e deixou a impressão de que Van Damme poderia se manter como astro por muitos anos, o que infelizmente não ocorreu.

Morte Súbita (Sudden Death, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Peter Hyams
Elenco – Jean Claude Van Damme, Powers Boothe, Raymond J. Barry, Dorian Harewood, Ross Malinger, Whittni Wright, Michael Gaston, Audra Lindley.

Durante a final da Copa Stanley de hóquei, um grupo terrorista toma de sequestro o local da partida, ameaçando explodir o ginásio caso o governo não pague uma fortuna como resgaste. Entre público presente está o vice-presidente americano (Raimond J. Barry) e o bombeiro Darren McCord (Jean Claude Van Damme), este com seus dois filhos pequenos (Whittni Wright e Ross Malinger). Para tentar salvar os filhos, McCord decide enfrentar os terroristas utilizando sua habilidade física e o conhecimento do local. 

Claramente inspirado em “Duro de Matar”, este filme tem cenas de ação competentes, valorizadas por Van Damme que estava no auge da forma física. O longa tem ainda um ótimo vilão (Powers Boothe), resultando numa boa diversão para quem gosta de filmes de ação sem exigir muito. 

Aliança Mortal (Enemies Closer, EUA / Inglaterra, 2013) – Nota 5
Direção – Peter Hyams
Elenco – Jean Claude Van Damme, Tom Everett Scott, Orlando Jones, Linzey Cocker, Christopher Robbie, Kris Van Damme.

Henry (Tom Everett Scott) é um ex-fuzileiro que hoje trabalha como policial, sendo responsável pela segurança de uma ilha na fronteira entre Canadá e EUA utilizada por turistas para fazer trilha e atividades ecológicas. Numa determinada noite, Henry é surpreendido por um sujeito armado (Orlando Jones), que o culpa pela morte do irmão na Iraque. Ao mesmo tempo, uma quadrilha de traficantes lideradas pelo violento Xander (Jean Claude Van Damme), chega ao local em busca de uma carga de drogas que caiu no mar. Os dois novos inimigos são obrigados a se unir para enfrentar os traficantes. 

Como citei no início da postagem, este longa é uma melancólica tentativa do diretor Peter Hyams e do astro Jean Claude Van Damme em reviver a parceria de sucesso dos anos noventa. Aqui eles enfrentam um baixo orçamento, um roteiro ruim repleto de clichês, além de ficar claro que a dupla parou no tempo em relação ao que pensam sobre cinema. É um tipo de filme que poderia render alguns trocados nos anos oitenta sendo lançado direto em vhs, ou seja, o filme está atrasado quase trinta anos. 

Aqui temos também outros dois atores que foram promissores, mas que não conseguiram se firmar na carreira. Tom Everett Scott de “The Wonders” e Orlando Jones de “Evolução” não acertam um bom filme há mais de uma década. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

No Vale das Sombras

No Vale das Sombras (In the Valley of Elah, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Paul Haggis
Elenco – Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Jason Patric, Susan Sarandon, James Franco, Barry Corbin, Josh Brolin, Frances Fisher, Jonathan Tucker, Wes Chatham, Jake McLaughlin, Mehcad Brooks, Wayne Duvall, Roman Arabia, Brent Briscoe, Brent Sexton.

Em 2004, numa pequena cidade do Missouri, vive Hank Deerfield (Tommy Lee Jones), um sargento aposentado que trabalhava como investigador no exército. Ele recebe uma ligação informando que seu filho (Jonathan Tucker) desapareceu. O rapaz que estava lutando no Iraque, retornou aos Estados Unidos e sumiu da base sem deixar vestígios. 

Hank procura os oficiais do exército e os colegas de seu filho, porém sem conseguir informações concretas sobre o desaparecimento.No alojamento da base, ele recupera o celular utilizado pelo filho para filmar várias situações complicadas no Iraque. Percebendo que alguém está escondendo a verdade, Hank decide investigar por conta própria, pedindo um pequeno auxilio à polícia local, onde encontra a detetive Emily Sanders (Charlize Theron), que a princípio não dá atenção ao caso, mas que aos poucos se envolve na busca de Hank pela verdade. 

Após vencer o Oscar com o surpreendente “Crash – No Limite”, o roteirista Paul Haggis se aventurou novamente na direção causando expectativa quanto a comprovação seu talento. Mesmo não sendo tão bom quanto “Crash”, este “No Vale das Sombras” mexe em um assunto complexo, os traumas dos jovens soldados que voltam da guerra. 

O roteiro baseado numa reportagem de Mark Boal, descreve um caso verdadeiro, consequência do envio de jovens totalmente despreparados para a guerra. A violência do combate, situação a qual pessoa alguma é poupada, a lealdade obrigatória entre os soldados e o risco de vida diário, resultam em traumas irreparáveis para a maioria dos sobreviventes. 

No elenco repleto de bons nomes, o destaque é o personagem de Tommy Lee Jones, um veterano de guerra duro que acredita nos ideais americanos, mesmo indo contra o pensamento da esposa vivida por Susan Sarandon. Charlize Theron também dá conta do recado como a detetive desprezada pelos colegas homens, que precisa mostrar seu valor. 

É um filme indicado para quem gosta de um drama sóbrio, realista e sem heroísmos.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Retratos de Família & Retratos de uma Realidade



Retratos de Família (Junebug, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Phil Morrison
Elenco – Embeth Davidtz, Alessandro Nivola, Ben McKenzie, Amy Adams, Scott Wilson, Celia Weston, Frank Hoyt Taylor

Madeleine (Embeth Davidtz) é uma marchand de sucesso que vive em Chicago e que se casou com George (Alessandra Nivola) uma semana após conhecê-lo. Quando ela tem a missão de visitar um excêntrico pintor que vive no sul do país, George aproveita para levá-la a Carolina do Norte para conhecer sua família. O que a sofisticada Madeleine não esperava era encontrar uma família disfuncional que a visse com desconfiança, além é claro da diferença de costumes. 

A mãe de George (Celia Weston) não faz questão alguma de agradar, o pai (Scott Wilson) é um sujeito calado e distante, o irmão (Ben McKenzie) é um jovem bruto que parece ter raiva de tudo, inclusive da namorada Ashley (Amy Adams) que está grávida. A pobre Ashley é uma jovem carente ao extremo, que vê em Madeleine a chance de ter uma amiga ou uma irmã mais velha. 

O roteiro mistura o choque de culturas com a dificuldade de relacionamentos, causando situações constrangedoras por causa da falta de diálogo e da intolerância em entender o outro. Todos os integrantes da família carregam frustrações. A própria Madeleine se mostra esnobe em algumas situações e descobre da pior forma possível que não conhece seu marido, já que o casamento ocorreu muito mais pelo sexo e a paixão do que por amor. 

Como informação, a ótima interpretação da bela Amy Adams rendeu uma indicação ao Oscar. 

O resultado é um drama triste sobre ressentimentos e dificuldade de comunicação.

Retratos de uma Realidade (Cross Creek, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Martin Ritt
Elenco – Mary Steenburgen, Rip Torn, Peter Coyote, Dana Hill, Malcolm McDowell, Alfre Woodard, Joanna Miles, Jay O. Sanders.

Nos anos trinta, a escritora Marjorie Kinnan Rawlings (Mary Steenburgen) abandona a vida urbana de Nova York para morar em uma área rural na Flórida chamada Cross Creek. Sendo uma mulher independente e com pensamentos avançados para época, sua presença é vista com surpresa pela população local, ainda mais quando faz amizade com uma jovem negra (Alfre Woodard) e se envolve com um sujeito (Peter Coyote). 

Baseado na vida real da escritora, este sensível longa toca em temas como preconceito e intolerância, além do inevitável choque cultural entre as ideias liberais da mulher independente e a sociedade machista do local. 

Vale destacar também a ótima interpretação de Mary Steenburgen, que na era casada com Malcolm McDowell, que aqui tem um papel de coadjuvante. Hoje a atriz está casada com o astro de tv Ted Danson.

Hoje praticamente esquecido, o diretor Martin Ritt deixou uma bela carreira com várias obras em que a crítica social era o ponto principal, fato que o fez ser perseguido na época do Macartismo. Entre seus trabalhos se destacam “Hombre”, longa sobre um mestiço entre branco e índio interpretado por Paul Newman, “O Indomado”, novamente com Paul Newman interpretando um jovem rebelde, “Conrack” que tinha Jon Voight como um professor branco que aceitava lecionar numa comunidade de negros, “Testa-de-Ferro por Acaso” que era uma paródia sobre a perseguição que ele mesmo sofreu em Hollywood e seu principal sucesso, o drama “Norma Rae” em que Sallt Field interpreta uma personagem real que se tornou sindicalista e lutou contra a indústria têxtil no Alabama. Martin Ritt faleceu em 1990 e agora em 2014 faria cem anos se estivesse vivo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Amanhã Nunca Mais

Amanhã Nunca Mais (Brasil, 2011) – Nota 7
Direção – Tadeu Jungle
Elenco – Lázaro Ramos, Fernanda Machado, Milhem Cortaz, Maria Luiza Mendonça, Vic Militello, Luís Miranda, Paula Braun, Carlos Meceni, Imara Reis.

Walter (Lázaro Ramos) é um médico anestesista inseguro e sem personalidade. Casado com a bela Solange (Fernanda Machado), ele sofre calado na praia por causa de um sujeito que flerta com sua esposa e ainda é obrigado a aceitar as opiniões da sogra (Vic Militello). 

No dia em que Solange prepara a festa de aniversário da filha, Walter diz que após o trabalho buscará o bolo. A esposa fica desconfiada, já que Walter está acostumado a ficar preso no trabalho no hospital, mas aceita a proposta do marido, que por seu lado vê como uma chance de agradar Solange. Os planos de Walter começam a se complicar durante uma cirurgia que atrasa sua saída do hospital e por consequência transforma a volta para casa numa corrida infernal quando vários obstáculos surgem pelo caminho. 

O roteiro escrito pelo diretor Tadeu Jungle em parceira com Mauricio Arruda e Marcelo Muller, mistura ideias de filmes como “Depois de Horas” e “Vivendo no Limite”, obras de Martin Scorsese em que os protagonistas sofrem com as angústias e as loucuras de uma grande metrópole como Nova York. Semelhante a “Depois de Horas” é a fauna de personagens que cruzam o caminho de Walter e de “Vivendo no Limite” temos a angústia causada pelo trânsito maluco de São Paulo. 

Por mais que o final seja previsível, é interessante acompanhar a jornada quase surreal do protagonista, que cruza com personagens estranhos como a doceira esotérica, a prostituta, os motoboys e a bêbada maluca. 

Além de Lázaro Ramos competente como o sofrido protagonista, vale destacar o sempre marcante Milhem Cortaz como um médico mulherengo e Maria Luiza Mendonça no papel da bêbada. 

Como informação, o filme marcou a estreia na direção de Tadeu Jungle, figura conhecida como produtor de tv e por sua carreira na publicidade.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Palo Alto

Palo Alto (Palo Alto, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Gia Coppola
Elenco – James Franco, Emma Roberts, Jack Kilmer, Nat Wolff, Zoe Levin, Val Kilmer.

Baseado em um livro escrito pelo ator James Franco com pequenas histórias sobre a cidade de Palo Alto na Califórnia, local onde nasceu e cresceu, este longa foca na vida de adolescentes do subúrbio que passam o tempo entre a escola e festas regadas a bebidas, drogas e sexo. 

Os personagens principais são April (Emma Roberts) e Teddy (Jack Kilmer). Os dois se gostam, porém sofrem com as dúvidas da adolescência e não tem coragem de assumir o sentimento. April precisa lidar ainda com as investidas do professor de futebol (James Franco), sujeito divorciado, de palavras doces, para quem ela trabalha como babá. Teddy tem talento para as artes, mas se deixa levar pela amizade com o confuso Fred (Nat Wolff), o típico adolescente que tenta se mostrar rebelde através de transgressões, mas que na verdade esconde sua angústia. 

A princípio, o estilo lembra os filmes de Larry Clark (“Kids” e “Ken Park”), porém mesmo com várias sequências com sexo e drogas, o desenrolar da narrativa não apela para a polêmica, preferindo enfatizar o drama. 

Todos os adolescentes vivem em boas casas no subúrbio, mas por outro lado pertencem a famílias desestruturadas, sem pai, sem mãe ou com pais no segundo casamento, sempre com relações vazias e distantes entre pais e filhos. 

Este vazio nas relações e os conflitos adolescentes são mostrados com alguma frieza, resultando em um filme com tema interessante, mas que ao mesmo tempo deixa a impressão de que faltou experiência na direção. Por sinal, a diretora estreante Gia Coppola é neta de Francis Ford Coppola. 

O elenco tem ainda outros filhos de famosos. A promissora Emma Roberts é sobrinha de Julia e filha de Eric Roberts, enquanto o garoto Jack Kilmer é filho de Val Kilmer, que tem uma ponta no filme e da atriz Joanne Whalley.   

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Os Inocentes

Os Inocentes (The Innocents, Inglaterra / EUA, 1961) – Nota 7,5
Direção – Jack Clayton
Elenco – Deborah Kerr, Peter Wyngarde, Megs Jenkins, Michael Redgrave, Martin Stephens, Pamela Franklin.

Na Inglaterra Vitoriana, Miss Giddens (Deborah Kerr) é contratada por um aristocrata (Michael Redgrave) para ser a responsável pela criação de seus dois sobrinhos. As crianças perderam os pais e o tio foi obrigado a adotá-las, porém sem interesse algum de ter contato com elas. 

As duas crianças, a pequena Flora (Pamela Franklin) e o menino Miles (Martin Stephens) vivem num enorme casarão no interior do país, sendo cuidados pela governanta Mrs. Grose (Megs Jenkins), além do contato com os outros criados.

A princípio, a ingênua Miss Giddens é toda felicidade, acreditando ter encontrado duas crianças maravilhosas para cuidar. Esta alegria dura pouco, logo as crianças a passam a agir de forma estranha, principalmente Miles. Para complicar ainda mais a situação, a pobre Miss Giddens começa a ter visões de um homem e uma mulher que morreram no local. 

Praticamente esquecido, este suspense com toques de terror filmado em preto e branco assusta através da sugestão, explorando as atuações das crianças que deixam o espectador em dúvida se elas são realmente ingênuas ou maquiavélicas. 

Outro ponto positivo é a atuação da estrela Deborah Kerr, que interpreta a solitária e reprimida Miss Giddens, mulher madura que aos poucos vai perdendo o contato com a realidade. 

O filme é baseado na famosa obra “A Volta do Parafuso” de Henry James. 

O diretor Jack Clayton faria ainda a primeira versão de “O Grande Gatsby”, longa apenas razoável com Robert Redford e Mia Farrow nos papéis principais.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

29 Palms

29 Palms (Twentynine Palms, França / Alemanha / EUA, 2003) – Nota 3
Direção – Bruno Dumont
Elenco – David Wissak, Ykaterina Golubeva.

Alguns diretores acreditam que podem planejar um filme cult, quando na verdade um longa se torna cult por uma conjunção de fatores, não existindo uma receita específica. Este “29 Palms” do francês Bruno Dumont entra na lista das obras que na verdade se mostram pretensiosas e vazias ao invés de cult. 

A trama segue a viagem de Katia (Ykaterina Golubeva) e David (David Wissak) pelo deserto na Califórnia até a pequena cidade de “29 Palms”. O filme é dividido em sequências, que terminam em cenas de sexo ou discussão entre o casal, até as duas exageradas e violentas sequências finais. 

Encontrei na internet uma crítica sobre este filme em que o autor citava Wim Wenders e Michelangelo Antonioni como inspirações para esta obra. Por mais que eu procure ter paciência em entender a proposta do diretor, fica difícil encontrar algo de bom neste filme ou compará-lo com os trabalhos de Wenders por exemplo. A proposta aqui é o nada intercalado com sexo e violência, inclusive com algumas cenas explícitas. O resultado é um desperdício de tempo na vida do espectador.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

November Man: Um Espião que Nunca Morre

November Man: Um Espião que Nunca Morre (The November Man, EUA / Rússia, 2014) – Nota 6,5
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Pierce Brosnan, Luke Bracey, Olga Kurylenko, Bill Smitrovich, Amila Terzimehic, Lazar Ristovski, Will Patton, Mediha Musliovic, Eliza Taylor.

Durante uma operação para garantir a segurança de uma autoridade, o agentes da CIA Deveraux (Pierce Brosnan) e Mason (Luke Bracey) se desentendem e uma tragédia acontece. Cinco anos depois, Deveraux, que está aposentado e vivendo em Lausanne na Suiça, é procurado por seu antigo superior (Bill Smitrovich), que o convida para voltar a ativa numa missão que tem o objetivo de resgatar uma agente (Mediha Musliovic) que pretende denunciar os crimes de Arkady Federov (Lazar Ristovski), que é candidato a presidência na Rússia. Por ser ex-namorado da agente, Deveraux aceita a missão, sem saber que está se envolvendo numa complexa trama de mentiras e traições. 

O diretor australiano Roger Donalson tem experiência em tramas intrincadas, como demonstram bons filmes como “Sem Saída” de 1987 com Kevin Costner e o mais recente “Efeito Dominó” com Jason Statham. 

Boa parte da trama aqui é bem conduzida, passando por vários países como Suiça, Rússia e Sérvia e criando um jogo de gato e rato entre o experiente personagem de Pierce Brosnan e o jovem agente interpretado por Luke Bracey. Os problemas surgem na parte final, quando o roteirista cria uma reviravolta forçada e a solução da trama se mostra apressada e totalmente clichê. 

Mesmo com uma atuação correta e o carisma de sempre, Brosnan demonstra que aos sessenta anos fica complicado fazer cenas de ação, situação que também faz o filme perder pontos. 

Algo que me irrita é quando a tradução do título tenta ligar um filme a outro de sucesso, fato que na minha opinião é desonesto, uma falta de respeito ao espectador comum, que aqui pode imaginar ser mais um filme da série 007. O subtítulo engraçadinho pode até funcionar em uma comédia, mas neste caso parece o tipo de piada que quem dá risada é apenas a pessoa que conta.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O Corte

O Corte (Le Couperet, Bélgica / França / Espanha, 2005) – Nota 7,5
Direção – Costa Gavras
Elenco – José Garcia, Karin Viard, Geordy Monfils, Christa Théret, Ulrich Tukur, Olivier Gourmet.

Após quinze anos trabalhando em uma empresa de papel e celulose, o executivo Bruno Davert (José Garcia) é dispensado junto com outros seiscentos funcionários. Formado em engenharia e com um belo currículo, Davert não imaginava que após dois anos e meio, uma infinidade de currículos enviados e diversas entrevistas, ele ainda estaria desempregado. A situação abala sua autoestima e por consequência seu relacionamento com a esposa (Karin Viard) e filhos, além das dificuldades financeiras que começam a aparecer. 

Após ver uma propaganda onde Raymond Machefer (Olivier Gourmet), executivo de uma grande empresa de papel chamada Arcadia, mostra o sucesso do seu trabalho e abre as portas para a contratação de mais um executivo, Davert cria um plano absurdo. Ele decide que será o dono da vaga e para garantir ser o escolhido, Davert planeja matar seus concorrentes, inclusive o próprio Machefer. 

Misturando crítica social com pitadas de humor negro, o diretor grego Costa Gravas desta vez aponta seu dedo para o desemprego que assola a Europa desde a virada do século. O roteiro baseado em um livro de Donald E. Westlake (escritor de “À Queima Roupa” e roteirista de “Os Imorais”) é rico em detalhes sobre como o desemprego afeta o homem, principalmente o sujeito de meia-idade, além de mostrar a busca pelo emprego como uma caça onde poucos sobrevivem. 

Os desempregados que Davert considera seus concorrentes e se tornam seus alvos, sofrem tanto quanto ele. Um deles está revoltado com o mundo trabalhando de garçom, outro enfrenta um problema com a jovem filha que tem um caso com um homem casado e o mais trágico é o sujeito depressivo que foi abandonado pela família e hoje tenta sobreviver como vendedor de ternos em uma loja. 

Todos que já ficaram desempregados alguma vez na vida se identificarão com os problemas enfrentados pelo personagem principal, lógico que deixando de lado o plano maluco colocado em prática pelo sujeito.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Showgirls

Showgirls (Showgirls, França / EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Paul Verhoeven
Elenco – Elizabeth Berkley, Kyle MacLachlan, Gina Gershon, Glenn Plummer, Robert Davi, Alan Rachins, Gina Ravera.

Na história do cinema, vários filmes se transformaram em obras malditas. Casos de mortes durante as filmagens (“O Corvo”, “No Limite da Realidade”), mortes trágicas de várias pessoas ligadas a produção (“Poltergeist – O Fenômeno”, “Sangue de Bárbaros”), estouro absurdo de orçamento (“O Portal do Paraíso”, “Waterworld – O Segredo das Águas”), mas não lembro de filme algum que tenha sido tão massacrado por causa do conteúdo como este “Showgirls”. 

Para entender o filme é necessário conhecer um pouco da carreira do diretor holandês Paul Verhoeven e do roteirista húngaro Joe Eszterhas. A dupla chegou ao auge três anos antes com o polêmico e competente “Instinto Selvagem”, filme que alavancou também a carreira de Sharon Stone, misturando trama policial, violência e erotismo quase explícito. 

Por sinal, o sexo está presente na maioria dos roteiros escritos por Eszterhas, em alguns casos rendendo bons filmes como “Flashdance” e “Atraiçoados”, em outros resultando em bombas como “Jade” e “Invasão de Privacidade”. 

A carreira de Verhoeven é marcada por filmes que mostram as falhas de caráter do ser humano e da sociedade em que vivemos. As corporações e os governos gananciosos de “O Vingador do Futuro”. “Robocop” e “Tropas Estelares” e a violenta Idade Média retratada em “Conquista Sangrenta”, são repletos de personagens amorais, violentos e desonestos. A junção de pensamentos destes dois sujeitos rendeu a trama de “Showgirls”, uma luta sem escrúpulos por poder, sucesso e dinheiro, com doses fartas de erotismo e vulgaridade. 

A personagem principal é Nomi (Elizabeth Berkley), uma jovem ambiciosa que chega de carona a Las Vegas com objetivo de subir na vida a qualquer custo. De dançarina de boate, para corista de um show em cassino, até chegar a ser a estrela principal, Nomi se envolve com o produtor do show (Kyle MacLachlan) e enfrenta a protagonista (Gina Gershon), sem contar outros conflitos que surgem pelo caminho, numa sucessão de mentiras, traições e até violência. 

Ao meu ver, a escolha de Las Vegas como cenário, com suas luzes de neon, decoração cafona e personagens canalhas foram uma forma de chamar atenção do público ao mostrar o que ser humano tem de pior de uma forma exagerada e caricata, numa verdadeira crítica a ambição sem limites tão comum nas últimas décadas. 

O mesmo roteiro poderia ter sido adaptado para um drama dentro de uma corporação, de um hospital ou qualquer outro local onde pessoas estivessem disputando cargos e poder. Esta escolha do diretor em explorar o exagero ajudou a aumentar as críticas negativas ao filme e também as interpretações, que realmente são bem ruins. 

A atriz Elizabeth Berkley era protagonista da série adolescente “Saved By the Bell” e aqui seria sua grande chance de se tornar estrela de cinema, porém o gigantesco fracasso praticamente enterrou sua carreira. 

Visto hoje, este longa se tornou uma curiosidade cinematográfica e não se mostra tão ruim como foi rotulado.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

No

No (No, Chile / EUA / França / México, 2012) – Nota 7,5
Direção – Pablo Larrain
Elenco – Gael Garcia Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco, Néstor Cantillana, Antonia Zegers, Pascal Montero.

Em 1988, o Chile completava quinze anos da violenta ditadura do general Augusto Pinochet. Com as mudanças que ocorriam no mundo, principalmente com a queda das ditaduras na América Latina, a comunidade internacional pressionava o governo chileno para promover eleições e exigia a liberdade de expressão da mídia e do povo. 

Para tentar se manter no poder e legitimar seu governo, Pinochet promoveu um plebiscito onde o “Sim” significava manter a constituição da forma que estava e por consequência ficar no poder por mais alguns anos. Enquanto o “Não” mostraria que o povo queria mudanças na constituição e nas eleições, o que enfraqueceria seu governo. 

Este longa do chileno Pablo Larrain mostra com detalhes os bastidores das campanhas publicitárias do governo (sim) e da oposição (não) misturando imagens reais da época, com a reconstituição dos acontecimentos e dos personagens envolvidos. 

O personagem principal é o publicitário René Saavedra (Gael Garcia Bernal), filho de um político assassinado pelo regime de Pinochet, ele viveu muitos anos no exílio e ao voltar para o país já adulto, conseguiu trabalho com Lucho Guzman (Alfredo Castro). René é convidado pelo político de oposição José Tomás Urrutia (Luis Gnecco) para comandar a campanha do “Não”, enquanto Guzman presta serviços ao governo na campanha do “Sim”. 

É curioso que a tensão entre os dois publicitários permeia todo o período da disputa, inclusive com Guzman tentando sabotar René, porém mesmo assim eles continuam trabalhando juntos na empresa e apresentando projetos para outros clientes. 

Para quem gosta de política, vale frisar que a disputa mostrada aqui lembra muito as eleições ocorridas em nosso país este ano. De um lado um governo corrupto que cria uma campanha suja utilizando o medo com o objetivo de conseguir os votos da população, enquanto a oposição procura mostrar que era o momento de mudar para crescer. No Chile a oposição venceu, infelizmente em nosso país o medo foi o ganhador.