domingo, 29 de março de 2015

Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Damien Chazelle
Elenco – Miles Teller, J. K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Austin Stowell, Nate Lang, Chris Mulkey.

Até que ponto se pode chegar na busca pela perfeição? Ou qual o limite de pressão que um professor pode exercer sobre seus alunos? Estas duas questões martelam a cabeça do espectador após assistir “Whiplash” e consequentemente geram discussões com diversos pontos de vista. 

A complexa relação entre o jovem estudante de música Andrew (Miles Teller) e seu professor Terence Fletcher (J. K. Simmons), resulta num dos mais fortes duelos de personagens dos últimos anos. Andrew é um jovem inexperiente que estuda na famosa escola de música Shaffer, tendo como objetivo se tornar o melhor baterista do mundo. Durante um ensaio, ele é escolhido pelo temido maestro Fletcher, que comanda a orquestra principal da escola e trata os alunos com uma dureza poucas vezes vista no cinema. 

A pressão psicológica criada pelo maestro assusta a todos alunos, ao mesmo tempo em que faz com que Andrew veja a situação como um desafio pessoal ser aceito como um grande músico pelo sujeito. O que a princípio parece ser uma relação entre algoz e vítima, aos poucos revela que os dois personagens são parecidos, sendo obcecados pela perfeição, mesmo que isto os transforme em figuras solitárias. 

As tensas sequências de ensaio, os solos de bateria do personagem principal e as interpretações da dupla professor/aluno são os pontos altos do longa. O jovem Miles Teller acerta na transformação do personagem durante o filme. O jovem inseguro do início, se torna um homem que se vê obrigado a enfrentar seus medos para tentar vencer. 

Do outro lado da disputa, o veterano J. K. Simmons dá um show como o maestro irônico, manipulador e até canalha em vários momentos. Simmons já tinha mais de quarenta anos e era quase um desconhecido quando ganhou o papel do detento neonazista Vern Schillinger em “Oz – A Vida É uma Prisão”. Seu desempenho canalha e cheio de fúria na série, lembra bastante o maestro que lhe rendeu o Oscar este ano. Para quem acompanhou a série, a figura de Simmons por si só é assustadora. 

No final, espectador algum ficará indiferente a forte história.

sábado, 28 de março de 2015

Prometheus

Prometheus (Prometheus, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direçõ – Ridley Scott
Elenco – Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall Green, Sean Harris, Rafe Spall, Emun Elliott, Benedict Wong, Kate Dickie.

Durante uma escavação, o casal de cientistas Elizabeth (Noomi Rapace) e Charlie (Logan Marshall Green), descobre vestígios de que a Terra fora visitada por povos de outros planetas na antiguidade. Em seguida, o filme pula para 2093, quando o casal está hibernando a bordo da nave Prometheus com destino à lua LV-223, local onde possivelmente os visitantes alienígenas vivem. 

A expedição foi patrocinada pelo milionário Peter Weyland (Guy Pearce, irreconhecível debaixo de uma maquiagem pesada), sendo comandada pela executiva Meredith Vickers (Charlize Theron), com auxílio de um robô quase humano chamado David (Michael Fassbender). Para os cientistas, o objetivo da expedição é entrar em contato com aqueles que seriam nossos criadores, enquanto a fria executiva pensa no investimento que foi feito. Além de uma tripulação eclética, no meio desta disputa está o robô David, que tem planos diferentes sobre a expedição. 

O longa é um prequel do clássico “Alien, o 8º Passageiro”. dirigido pelo próprio responsável pelo original, o inglês Ridley Scott. Esperado com ansiedade pelos fãs, o longa rendeu apenas críticas razoáveis em virtude de vários fatores. 

O filme tem uma boa premissa, mas é inferior ao original, inclusive na questão do elenco. Se Michael Fassbender e Charlize Theron estão bem, a protagonista sueca Noomi Rapace é quase uma cópia da Ripley de Sigourney Weaver, porém sem o carisma da atriz americana. 

O roteiro é interessante, mas peca em alguns momentos ao deixar perguntas no ar, provavelmente pensando em ser o início de uma nova franquia e ter outras histórias para explorar. A parte técnica é competente, com os aliens aparecendo em diversas formas, sempre assustadores. As cenas de ação são tensas, tendo como deslize apenas a exagerada sequência da cirurgia. 

Sem grandes surpresas, o filme diverte os fãs do gênero.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Amazônia em Chamas & O Curandeiro da Selva


Amazônia em Chamas (The Burning Season, EUA, 1994) – Nota 7,5
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Raul Julia, Sonia Braga, Nigel Havers, Kamala Dawson, Carmen Argenziano, Edward James Olmos, Tomas Milian, Esai Morales, Tony Plana, Luiz Guzman, Marco Rodriguez.

Produzido pela HBO, este longa que conta a vida do seringueiro, ambientalista e líder sindical Chico Mendes (Raul Julia), foi produzido para o mercado americano e por este motivo acabou muito criticado no Brasil, injustamente por sinal. Muito críticas ocorreram porque o filme é falado em inglês e o elenco formado por atores americanos de origem latina. A questão é que não houve envolvimento algum do Brasil no projeto, que foi comandado por produtores americanos e filmado no México. 

O roteiro detalha a luta de Chico Mendes contra os fazendeiros e madeireiros que exploravam e ainda exploram os trabalhadores e também as riquezas da região, além das desavenças com o governo. O personagem é mostrado como um pacifista, que terminou assassinado em 1988 e se tornou um mártir da causa ambiental. Como toda biografia, fica difícil saber o que realmente aconteceu, mas isso não tira pontos do longa. 

Além do grande interesse sobre a história, vale destacar também o elenco, com o falecido Raul Julia tendo uma grande atuação no papel do protagonista, sendo seu penúltimo trabalho no cinema. O ator já estava doente na época, o que fica claro na fisionomia abatida e no corpo magro. Raul Julia faleceria no ano seguinte. As atuações de Sonia Braga como a companheira do protagonista e de Edward James Olmos também foram elogiadas e renderam indicações a prêmios. 

Longe de ser um grande filme, este trabalho do falecido John Frankenheimer cumpre o objetivo de mostrar ao mundo um pouco da gananciosa exploração que a Amazônia sofre. 

O Curandeiro da Selva (Medicine Man, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – John McTiernan
Elenco – Sean Connery, Lorraine Bracco, José Wilker.

O Dr. Robert Campbell (Sean Connery) é um excêntrico cientista que após se separar da esposa, viaja para a Amazônia onde se isola do mundo e por três anos trabalha em uma pesquisa bancada por uma grande corporação. Sem explicar o porquê, Campbell solicita ao representante da empresa (José Wilker), que o visita de tempos em tempos, a contratação de um biólogo para auxiliá-lo. É enviada a Dra. Rae Crane (Lorraine Bracco), que a princípio não é aceita por Campbell por ser mulher. Sua forma dura de tratá-la e seus métodos pouco ortodoxos de pesquisa criam um conflito. 

Na verdade, Campbell acredita ter encontrado uma planta que seria o componente principal para cura do câncer, porém para desenvolver a fórmula precisaria da ajuda de um especialista. Para complicar a situação, ele precisa ainda enfrentar a ganância dos madeireiros que exploram as terras de uma tribo indígena, local onde cresce a importante planta. 

Como a maioria dos filmes americanos que se passam na Amazônia, esta produção recebeu duras críticas no Brasil. O longa também fracassou no resto do mundo, muito pelo ritmo irregular e a falta de jeito do diretor John McTiernan para manter a atenção do público tendo apenas dois personagens na maioria das cenas. A especialidade do diretor sempre foi filmes de ação, vide “Duro de Matar” e “O Predador”. O envolvimento amoroso dos dois personagens também não convence. 

O longa ganha pontos pela interessante premissa que utiliza a ideia, ou mito, de que a Amazônia esconderia plantas que poderiam curar todas as doenças, assim como a crítica às empresas que exploram a floresta. A fotografia também capta bem as belezas naturais da região, assim como um pouco da vida das tribos amazônicas. 

O resultado é apenas razoável, nada mais do que isso.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A Fuga de Mr. Moto

A Fuga de Mr. Moto (Misterious Mr. Moto, EUA, 1938) – Nota 6,5
Direção – Norman Foster
Elenco – Peter Lorre, Mary Maguire, Henry Wilcoxon, Erik Rhodes, Harold Huber, Leon Ames.

Entre 1937 e 1939, o ator Peter Lorre (“M, O Vampiro de Dusseldorf”, “Muralhas do Pavor”) protagonizou oito filmes interpretando o agente secreto Mr. Moto, um japonês que trabalha para uma certa “polícia internacional” investigando crimes. Seis destes filmes foram dirigidos por Norman Foster. 

Este filme começa com Mr. Moto disfarçado de presidiário fugindo da temida prisão da Ilha do Diabo na Guiana junto com o famoso assassino francês Brissac (Leon Ames). A dupla consegue fugir pela floresta, depois pelo rio utilizando um barco e por final embarcam em um navio de volta para Europa. 

Em Londres, Mr. Moto mantém seu disfarce e aceita trabalhar para Brissac como mordomo, com o objetivo de desbaratar a “liga de assassinos”, organização a qual o francês pertence e principalmente descobrir quem é o líder da quadrilha. 

A trama é interessante, mesmo com um final um pouco apressado (são pouco mais de uma hora de duração), a narrativa é ágil, as cenas de ação são bem filmadas considerando a época e ver o pequenino Peter Lorre saindo na porrada e derrubando bandidos maiores do que ele é imperdível. 

Ainda não tive chance de assistir os demais filmes com o personagem, mas fiquei extremamente curioso.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Parceiro do Silêncio

Parceiro do Silêncio (Silent Partner, Canadá, 1978) – Nota 7
Direção – Daryl Duke
Elenco – Elliott Gould, Christopher Plummer, Susannah York, Céline Lomez, Michael Kirby, Sean Sullivan, Ken Pogue, John Candy.

Miles (Elliott Gould) é o caixa de um banco localizado dentro de um shopping center em Toronto, no Canadá. Num determinado dia, Miles percebe a atitude estranha de um sujeito vestido de Papai Noel (Christopher Plummer), que aparentemente pretende assaltar o local, mas que acaba sendo atrapalhado por uma criança. 

Acreditando que o sujeito volte para concretizar o assalto no dia seguinte, Miles arma um plano. Assim que o ladrão aparece na porta da agência, Miles esconde uma grande quantia de dinheiro em sua bolsa pessoal e entrega ao sujeito um pequeno valor, acionando a polícia em seguida. O assaltante consegue fugir, mas sabendo que foi enganado por Miles, decide persegui-lo, dando início a um jogo de gato e rato entre ladrões. 

A divertida premissa rende alguns bons momentos, como as trocas de telefonemas entre Miles e o ladrão e as engenhosas armações criadas pelo bancário para ficar com a grana.

O carisma de Elliott Gould é outro ponto alto. Apesar de ainda estar ativa e as vezes conseguindo bons papéis, o auge da carreira de Gould foi nos anos setenta. 

Vale destacar ainda o veterano Christopher Plummer como o violento assaltante e a pequena participação do falecido John Candy como um dos funcionários do banco.

terça-feira, 24 de março de 2015

Assassinato a Sangue Frio

Assassinato a Sangue Frio (The Onion Field, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Harold Becker
Elenco – John Savage, James Woods, Franklyn Seales, Ted Danson, Ronny Cox, David Huffman, Christopher Lloyd, Dianne Hull.

Los Angeles, 1963. Numa determinada noite, uma dupla de detetives (John Savage e Ted Danson) intercepta um carro com dois suspeitos (James Woods e Franklyn Seales) para averiguação. Os policiais são surpreendidos e sequestrados pelos bandidos, que os levam para a zona rural, especificamente para uma plantação de cebolas (o “Onion Field” do título original). Um dos policiais é assassinado com vários tiros, enquanto o outro consegue fugir. Na mesma noite os assassinos são presos, dando início a um processo judicial que se arrastará por anos. 

O longa é baseado numa história real descrita em um livro do ex-policial Joseph Wambaugh, que assina também o roteiro. Diferente de uma trama policial comum, este longa foca nas consequências do ocorrido naquela noite, tanto na vida do policial, que sofre pela falta de apoio dos superiores e por sentir-se culpado pela morte do colega, quanto na luta dos assassinos para escaparem do corredor da morte. 

Hoje o filme se mostra um pouco irregular na narrativa, mas ainda vale pelo conteúdo, que coloca em discussão as falhas do sistema judicial americano. 

Finalizando, é interessante ver James Woods e Ted Danson ainda bem jovens, além do então astro John Savage ("O Franco Atirador"), que desde os anos noventa está relegado a pequenos papéis e trabalhos em filmes de baixo orçamento.  

segunda-feira, 23 de março de 2015

O Homem do Lado

O Homem do Lado (El Hombre de al Lado, Argentina, 2009) – Nota 7,5
Direção – Mariano Cohn & Gastón Duprat
Elenco – Rafael Spregelburd, Daniel Aráoz, Eugenia Alonso, Inés Budassi.

Leonardo (Rafael Spregelburd) é um designer industrial que trabalha também como professor e que vive com a esposa e a filha adolescente na cidade de La Plata, em uma casa de estilo moderno desenhada pelo famoso arquiteto Le Corbusier. 

Quando o vizinho Victor (Daniel Aráoz) começa uma reforma em sua casa, abrindo uma nova janela na parede em frente a sala do designer, o fato deixa Leonardo furioso, criando uma disputa constrangedora e quase surreal. 

O curioso ponto de partida da trama é uma deixa para um desfile de preconceitos e arrogância, além de deixar o espectador acostumado com as produções americanas, à espera de um grande conflito ou uma explosão de ódio, porém ele ficará surpreso com a pequena reviravolta no final. 

O roteiro se apoia no desenvolvimento e nos diálogos entre os protagonistas. Leonardo é o típico emergente arrogante, que se considera superior e trata com desprezo seus alunos, porém não sabe dizer não para a fútil esposa, é ignorado pela filha adolescente e morre de medo cada vez que precisa conversar com Victor. Por outro lado, Victor é um sujeito forte, com uma voz aguda ameaçadora e que fala o que pensa de forma direta, sem meias palavras. 

O filme faz o espectador pensar sobre o direito a privacidade e o preconceito em relação a classe social e a educação, discussões universais e atuais.

domingo, 22 de março de 2015

Felon

Felon (Felon, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Ric Roman Waugh
Elenco – Stephen Dorff, Val Kilmer, Harold Perrineau Jr, Sam Shepard, Marisol Nichols, Nick Chinlund, Anne Archer, Johnny Lewis, Chris Browning, Greg Serano, Nate Parker.

Wade Porter (Stephen Dorff) tem um pequeno negócio de construção que está em expansão e uma família feliz ao lado da esposa (Marisol Nichols) e do filho pequeno. Numa determinada noite, Wade acorda ao ouvir um barulho em sua casa e encontra um sujeito tentando roubar algo. Ele corre atrás do ladrão e o mata com um golpe de bastão. A polícia não encontra arma com o ladrão e por isso a justiça não aceita a alegação de legítima defesa. Wade é condenado a três de cadeia. 

Durante a ida para a prisão, ocorre um assassinato de um detento dentro do ônibus e Wade se vê envolvido em novo crime. Ele praticamente é jogado em uma ala de segurança máxima, onde terá de conviver com assassinos e com violentos guardas comandados pelo cruel tenente Jackson (Harold Perrineau Jr). Para sobreviver, ele faz amizade com um temível sujeito que matou dezesseis pessoas por vingança, o enigmático John Smith (Val Kilmer). 

Filmes de prisão geralmente seguem o mesmo roteiro. Novato sofrendo na cadeia, violência, grupos divididos por raças e guardas corruptos. O que diferencia este longa é a tentativa de mostrar o lado pessoal de alguns personagens, se baseando na teoria de que qualquer pessoa pode ser tornar violenta para defender quem ama, assim como a violência também é consequência do meio onde o sujeito vive e dos problemas que ele enfrenta diariamente. 

Mesmo com estilo e orçamento de filme B, é legal ver os outrora astros e hoje decadentes Stephen Dorff e Val Kilmer em papéis que vão além do piloto automático que ligaram na carreira nos últimos anos. O personagem de Dorff é a vítima do acaso que precisa se adaptar ao sistema, criando forças na esperança de rever a família, enquanto Kilmer interpreta o sujeito que perdeu tudo na vida e decidiu fazer justiça com as próprias mãos, se tornando alguém que apenas espera a morte. Vale destacar ainda o papel de Harold Perrineau Jr (o Michael de “Lost”), que tenta ser um bom pai de família, mas que desconta todas as suas frustrações nos detentos. 

Deixe de lado os furos do roteiro e divirta-se com este violento drama penitenciário, que vai além do que ocorre por trás das grades.

sábado, 21 de março de 2015

Copiando Tarantino - Resenhas Rápidas

O estrondoso sucesso de "Pulp Fiction" praticamente criou um novo gênero com histórias policiais com diversos personagens que se cruzam, misturando violência, cultura pop, diálogos engraçadinhos e humor negro.

Como a grande maioria dos diretores não tem o mesmo talento de Tarantino, este filão rendeu vários longas razoáveis e outros bem fracos.

Neste postagem comento rapidamente cinco exemplares deste gênero.

Fúria Urbana (All the Rage, EUA, 1999) – Nota 6,5
Direção – James D. Stern
Elenco – Joan Allen, Jeff Daniels, Andre Braugher, Robert Forster, Anna Paquin, David Schwimmer, Giovanni Ribisi, Josh Brolin, Bokeem Woodbine, Gary Sinise.

A trama começa com um empresário (Jeff Daniels) matando seu sócio que tinha um caso com sua esposa (Joan Allen). O assassino alega que pensou estar atirando em um desconhecido que estaria invadindo sua casa. Seu advogado (Andre Braugher) aceita o caso mesmo não acreditando na alegação do sujeito. Um detetive (Robert Forster) tenta provar que foi um crime premeditado, enquanto em paralelo, o advogado, que tem um romance com outro homem (David Schwimmer), acaba por se envolver com uma garota rebelde (Anna Paquin). Estes vários personagens terão suas vidas mudadas pela violência, principalmente pela presença de armas para resolver as desavenças. Apesar de irregular, a trama prende a atenção por passar a ideia de que qualquer pessoa com uma arma na mão pode ser tornar um assassino. O bom elenco também é destaque. 

Contrato de Risco (2 Days in the Valley, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – John Herzfeld
Elenco – Danny Aiello, Jeff Daniels, James Spader, Eric Stoltz, Glenne Headly, Greg Crutwell, Paul Mazursky, Marsha Mason, Teri Hatcher, Peter Horton, Keith Carradine, Charlize Theron, Louise Fletcher, Austin Pendleton.

Durante dois dias, vários personagens se cruzam em Los Angeles. Tudo começa com uma dupla de assassinos (Danny Aiello e Jeff Daniels) se preparando para um serviço. Durante a fuga, um deles toma como reféns um comerciante de artes (Greg Crutwell) e sua assistente (Glenne Headly).  O crime passa a ser investigado por um detetive corrupto (Keith Carradine). Some a estes personagens um diretor de tv suicida (James Spader) e duas mulheres voluptuosas (Charlize Theron e Teri Hatcher) para completar a rocambolesca trama. As várias situações inusitadas que surgem nestes dois dias, abusam do humor negro e de diálogos engraçadinhos, inclusive com uma patética sequência em que o veterano Danny Aiello mostra que usa peruca. O destaque é o elenco cheio de rostos conhecidos.   

Flypaper (Flypaper, EUA, 1999) – Nota 5
Direção – Klaus Hoch
Elenco – Craig Sheffer, Robert Loggia, Sadie Frost, John C. McGinley, Illeana Douglas, Talisa Soto, Sal Lopez, Shane Brolly, Lucy Alexis Liu, James Wilder, Jeffrey Jones, Julie White.

Na Califórnia, um veterano empresário (Robert Loggia) segue para um motel de beira de estrada para tentar ajudar a filha (Sadie Frost) a largar o vício em drogas e afastá-la do violento namorado (Craig Sheffer), que também tem interesse no dinheiro do sujeito. No mesmo local, outro homem (John C. McGinley) trai a noiva (Illeana Douglas) com uma jovem (Talisa Soto). Outros personagens (Lucy Liu, Shane Brolly) que vagam pelo local também tentam ganhar algum dinheiro com a situação. O destino destes personagens se cruza numa trama de violência, mentiras e traições. Um roteiro cheio de furos, diálogos constrangedores e muita violência dão o tom deste longa com cara de filme B. Vale destacar negativamente o canastrão Craig Sheffer como protagonista.

Efeito Zero (Zero Effect, EUA, 1998) – Nota 5,5
Direção – Jake Kasdan
Elenco – Bill Pullman, Ben Stiller, Ryan O’Neal, Kim Dickens, Angela Featherstone

O famoso detetive particular Dary Zero (Bill Pullman) e seu assistente Steve Arlo (Ben Stiller) são contratados por um milionário (Ryan O’Neal) para descobrir quem o está chantageando. Durante a investigação, o excêntrico Zero se envolve com uma misteriosa mulher (Kim Dickens). Por mais que o personagem do detetive pareça interessante a princípio, tudo se perde no fraco roteiro, na narrativa em que pouca coisa acontece e nos diálogos enfadonhos. A falta de carisma de Bill Pullman também não ajuda.  O filme marcou a estreia na direção de Jake Kasdan, filho de Lawrence Kasdan. Este é um caso de filho que não conseguiu superar o pai em talento. Como informação, este é um dos poucos trabalhos de Ryan O’Neal para o cinema nos últimos vinte anos. O’Neal foi um dos grandes astros de Hollywood nos anos setenta, até sua carreira entrar em declínio nos anos oitenta e hoje ser um ator praticamente esquecido. 

Contragolpe (Thick as Thieves, EUA, 1999) – Nota 5
Direção – Scott Sanders
Elenco – Alec Baldwin, Andre Braugher, Michael Jai White, Rebecca DeMornay, Bruce Greenwood, Robert Miano, Janeane Garofalo, Richard Edson, Khandi Alexander, Ricky Harris.

Um experiente ladrão (Alec Baldwin) é contratado por um mafioso para cometer um roubo. Após fazer o serviço, o chefão decide enviar seus capangas para matar o ladrão, ao mesmo tempo em que o crime é investigado por uma obstinada policial (Rebecca DeMornay). Reviravoltas, violência e diálogos vazios são os pontos principais do roteiro que tenta transformar o filme em cult, mas que terminam por entregar uma obra fraca. É mais um exemplo de bom elenco desperdiçado.

sexta-feira, 20 de março de 2015

I Am Slave

I Am Slave (I Am Slave, Inglaterra, 2010) – Nota 6,5
Direção – Gabriel Range
Elenco – Wunmi Mosaku, Isaach De Bankolé, Lubna Azabal, Igal Naor, Hiam Abass, Nonso Anozie.

Uma vila no Sudão é atacada por mercenários que matam vários moradores e sequestram diversas crianças para serem vendidas como escravas. Entre as crianças sequestradas está Malia, filha do campeão de lutas da vila (Isaach De Bankolé) e considerada uma espécie de princesa do local. Desesperado, o pai tenta seguir o rastro dos mercenários para encontrar a filha. Em paralelo, a narrativa avança seis anos e mostra Malia (Wunmi Mosaku) já adulta e vivendo como escrava doméstica em Londres para uma família de origem árabe. 

Baseado na história real de uma refugiada do Sudão que foi mantida como escrava por seis anos, este drama pesado e ao mesmo tempo sensível, recria a saga da jovem pela liberdade, mostrando o sequestro, passando pelo tempo vivido como escrava de uma família em um país árabe não identificado, até ser levada para Londres onde sonha diariamente em fugir dos novos donos. 

Vale destacar a sensível interpretação da nigeriana Wunmi Mosaku, que com seu olhar desemparado e poucas palavras, passa todo o sofrimento que sua personagem sente. 

Um dos produtores do longa é o ator marfinense Isaach De Bankolé, que interpreta o pai da jovem e que tem uma vasta carreira internacional, tendo trabalhado quatro vezes com o diretor cult Jim Jarmusch e uma pequena participação em “007 – Cassino Royale”. 

Os créditos finais citam que apenas na Inglaterra são estimados mais de cinco mil imigrantes vivendo como escravos, assim como o tráfico humano infelizmente ainda é algo comum em algumas regiões da África.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O Protetor

O Protetor (The Equalizer, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Denzel Washington, Marton Csokas, Chloe Grace Moritz, David Harbour, Haley Bennett, Bill Pullman, Melissa Leo, Johnny Skourtis.

Robert McCall (Denzel Washington) é um sujeito solitário com um passado misterioso, que trabalha em um hipermercado de materiais para construção. Sofrendo de insônia, todas as noites ele visita uma lanchonete, local onde cruza o caminho da jovem prostituta Teri (Choe Grace Moritz), com quem cria um laço de amizade. 

Quando a jovem é espancada por seu cafetão, Robert mostra seu lado oculto. Ele visita o restaurante que serve de escritório para o cafetão, tenta negociar e termina por assassinar o sujeito e seus comparsas. O que Robert não sabe, é que os bandidos pertencem a máfia russa, que envia um assassino cruel (Marton Csokas) para descobrir quem cometeu os assassinatos. 

Treze anos após o ótimo “Dia de Treinamento”, o diretor Antoine Fuqua e o astro Denzel Washington se reencontram neste longa que é a adaptação de uma série que fez algum sucesso nos anos oitenta e que continua inédita por aqui. 

O roteiro é previsível, a história do sujeito que tenta esconder o passado e que precisa recorrer as suas habilidades em uma nova situação, já foi contada várias vezes. O que chama atenção aqui é o carisma de Denzel Washington, sempre à vontade no papel do anti-herói, além de sua ótima forma para cenas de ação, mesmo já estando na casa dos sessenta anos. 

O ritmo ágil e os criativos enquadramentos de câmera do diretor Fuqua também são interessantes. A trama deixa um pequeno gancho que pode render uma continuação, que por sinal está sendo especulada. 

Vale destacar ainda a garota Chloe Grace Moritz, que aos dezessete anos começa a deixar de lado os papéis de criança e já apresenta um corpo de mulher. 

Longe de ser um grande trabalho, este longa prende a atenção para quem gosta do gênero e não exige muito. 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Contra Todos

Contra Todos (Brasil, 2004) – Nota 7
Direção – Roberto Moreira
Elenco – Leona Cavalli, Silvia Lourenço, Giulio Lopes, Ailton Graça, Martha Meola, Dionísio Neto, Ismael de Araújo.

Em um bairro da periferia de São Paulo vive Teodoro (Giulio Lopes), sua esposa Cláudia (Leona Cavalli) e a filha de seu casamento anterior, a jovem Soninha (Silvia Lourenço). Por trás da família simples se escondem vários segredos. 

Teodoro aparenta ser um sujeito religioso, porém é amante de uma colega de igreja (Martha Meola) e tem como profissão ser um matador de aluguel, trabalhando com o parceiro Waldomiro (Ailton Graça). A insatisfeita Cláudia também tem um amante (Ismael de Araújo) e a filha Soninha deseja seduzir Waldomiro. Esta ciranda de mentiras e traições segue para um desfecho trágico. 

O roteiro do próprio diretor Roberto Moreira não poupa personagem algum, todos são culpados de algo. A crítica atinge ainda o estilo de vida da classe média baixa, a hipocrisia religiosa e a violência na periferia. 

É um filme seco, quase cru, com cenas fortes, nudez e personagens que não passam empatia alguma ao público. O único que chega próximo disso é Waldomiro, mesmo estando longe de ser uma pessoa confiável. 

As atuações aumentam a sensação de falta de valores. Teodoro é um sujeito frio, Cláudia é a suburbana falsa e a filha Soninha a adolescente rebelde. 

O resultado é um filme pesado, que deixa o espectador incomodado ao final da sessão.

terça-feira, 17 de março de 2015

True Detective

True Detective (True Detective, EUA, 2014)
Criador - Nic Pizzolatto
Direção - Cary Joji Fukunaga
Elenco - Matthew McConaughey, Woody Harrelson, Michelle Monaghan, Michael Potts, Tori Kittles.

Para os fãs do gênero policial, esta é com certeza uma da melhores séries já produzidas.

Com o padrão HBO de qualidade, a série em oito episódios é praticamente perfeita, tudo funciona. O ótimo roteiro, o suspense da narrativa, o clima de terror em algumas sequências, a assustadora música tema que gruda nos ouvidos e as grandes interpretações da dupla principal, que criam personagens extremamente complexos.

O roteiro divide a trama em duas narrativas, a primeira em 1995 e outra nos dias atuais.

Tudo começa em 1995 nos pântanos da Lousiana, quando o corpo de uma garota é encontrado ao lado de uma árvore com claros sinais de um ritual macabro. Para investigar o caso, são designados os detetives Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Marty Hart (Woody Harrelson).

O que parecia ser um crime cometido por um psicopata, se mostra algo muito maior quando os detetives descobrem pistas que ligam o assassinato da garota com outros crimes cometidos na região, principalmente desaparecimentos de crianças e mulheres.

Em paralelo, a segunda narrativa se passa nos dias atuais, quase vinte anos após o assassinato original, quando os detetives não mais trabalham na polícia e estão passando informações sobre o caso para uma outra dupla de policiais (Michael Potts e Tori Kittles), que estão investigando um novo assassinato semelhante ao antigo caso.

Marty agora é um investigador particular, enquanto Rust trabalha como atendente em um decadente bar. Mesmo fora da polícia e com as vidas pessoais complicadas, o caso da garota assassinada ainda assombra os ex-detetives, que terão um nova chance de resolver o caso.

As narrativas intercaladas mostram aos poucos os depoimentos de cada personagem em paralelo ao que realmente ocorreu durante a investigação. Estas idas e vindas entre verdade e versão, vai deixando pistas sobre o caso e amarrando a história de uma forma que aguça a curiosidade do espectador.

Tudo isso é valorizado pelos ótimos personagens principais. O detetive de Matthew McConaughey é um sujeito estranho, frio, avesso as amizades, que diz o que pensa para todo mundo e que carrega um trauma familiar. Sua composição do personagem é fantástica, tal qual seu trabalho em "Clube de Compras Dallas".

O personagem de Woody Harrelson é o oposto. Ele faz o típico policial machista, que gosta de falar e que muitas vezes age pela emoção ao invés da razão, fato que afeta drasticamente seu casamento com a personagem de Michelle Monaghan.

A diferença de personalidades, pensamentos e atitudes é um dos pontos altos da série, rendendo vários diálogos sensacionais e algumas sequências de tensão.

A série terá uma segunda temporada, porém como era uma história fechada e a proposta é criar uma trama diferente, com personagens diferentes em cada temporada, infelizmente não teremos mais a oportunidade de ver esta dupla em cena. O criador Nick Pizzolatto terá um grande desafio em criar uma nova história tão interessante quanto esta primeira temporada.

Quem gostou da série jamais vai esquecer de Carcosa e o Rei de Amarelo. Se você não tem a mínima ideia do que seja, assista a série.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Gigantes de Aço

Gigantes de Aço (Real Steel, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Shawn Levy
Elenco – Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Kevin Durand, Hope Davis, James Rebhorn, Karl Yune, Olga Fonda, John Gatins.

Em 2020, para saciar a fome do público por violência, as lutas de boxe são disputadas por robôs de última geração. Neste contexto, Charlie Kenton (Hugh Jackman) é um ex-boxeador que tenta ganhar algum dinheiro comandando um robô em lutas clandestinas pelo país. 

Cheio de dívidas, Charlie tem seu robô destruído durante uma luta e parece ter chegado ao fundo do poço. Ele busca ajuda com a amiga Bailey (Evangeline Lilly) e vê a chance de conseguir um bom dinheiro quando sua ex-cunhada (Hope Davis) deseja fazer um acordo para ficar com a guarda do filho de Charlie, o garoto Max (Dakota Goyo) que ele sequer conhece e que perdeu a mãe recentemente. 

Charlie faz um acordo com o marido da ex-cunhada (James Rebhorn). Ele recebe um valor alto para ficar com o garoto durante o verão e devolvê-lo em seguida, para que casal possa viajar tranquilamente para Europa, porém não imagina que o violento esporte de luta entre robôs também é uma paixão para Charlie. 

Esta divertida colcha de retalhos produzida por Spielberg tem ótimos efeitos especiais, uma narrativa ágil e um roteiro repleto de clichês. A história baseada em um conto de Richard Matheson, falecido roteirista de dezenas de filmes e da série “Além da Imaginação”, parece juntar pedaços de vários filmes.

A relação entre pai irresponsável ex-lutador de boxe e filho pequeno lembra o clássico “O Campeão” de Franco Zefirelli, porém sem drama. Lembra também a trama de “Falcão – O Campeão dos Campeões”, bomba estrelada por Stallone nos anos oitenta. A luta de boxe entre os robôs é quase uma cópia do final de “Rocky – Um Lutador” em estilo videogame. 

O resultado é um filme para não ser levado a sério, valendo apenas como diversão passageira.