terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Morte Passou Por Perto

A Morte Passou Por Perto (Killer’s Kiss, EUA, 1955) – Nota 7
Direção – Stanley Kubrick
Elenco – Frank Silvera, Jamie Smith, Irene Kane, Jerry Jarrett.

O decadente boxeador Vincent Rapallo (Frank Silvera) perde sua última luta e decide voltar para sua cidade. Antes disso, ele vê sua vizinha (Irene Kane) sendo atacada por um sujeito (Jamie Smith) e tenta ajudá-la, começando uma relação com a jovem. O problema é que o homem que a atacou é seu patrão, um gângster obcecado pela garota. 

Este longa é um típico filme de baixo orçamento dos anos cinquenta que aproveitava o estilo noir. Na época foram produzidos vários filmes B neste formato, geralmente com curta duração (este tem pouco menos de 70 minutos) com histórias sobre o submundo e personagens marginais. 

O diferencial deste trabalho é a direção de Stanley Kubrick antes da fama. Apesar deste trabalho ser hoje cultuado, seu primeiro filme com algum destaque foi “O Grande Golpe”,  longa produzido no ano seguinte (1956) tendo como trama um assalto ao jóquei clube.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Meu Primo Vinny - A Zebra no Oscar

Meu Primo Vinny (My Cousin Vinnie, EUA, 1992) – Nota 7
Direção – Jonathan Lynn
Elenco – Joe Pesci, Ralph Macchio, Marisa Tomei, Mitchell Whitfield, Lane Smith, Fred Gwynne, Bruce McGill, Maury Chaykin, James Rebhorn.

Ontem tentei assistir ao Oscar e novamente não tive paciência para ver até o final. As sátiras criadas especificamente para a cerimônia e as piadinhas estilo sitcom me cansam, além dos intermináveis intervalos comerciais. Há muitos anos que o Oscar se transformou de uma entrega de prêmios para um programa de tv, que precisa ter audiência para agradar aos anunciantes. Outra situação totalmente sem graça para o meu gosto é o chamado “Tapete Vermelho”, que é recheado de entrevistas fúteis, com sorrisos falsos e comentários de “especialistas” sobre as roupas das estrelas. 

Depois de falar mal do Oscar (rs) e para fugir do senso comum, nesta postagem comento sobre uma das maiores zebras da entrega do prémio, a vitória de Marisa Tomei como Atriz Coadjuvante por “Meu Primo Vinny”. Se na época existia aposta em dinheiro sobre o prêmio, alguém deve ter ficado rico com este resultado. Nada indicava que Marisa Tomei poderia vencer, já que ela disputava com quatro famosas atrizes: A australiana Judy Davis e as britânicas Vanessa Redgrave, Joan Plowright e Miranda Richardson. 

O filme era um comédia competente, porém simples, sobre dois amigos (Ralph Macchio e Mitchell Whitfield) que acabam presos por engano no Alabama e resolvem chamar um primo falastrão (Joe Pesci), que é formado em direito, mas nunca trabalhou como advogado. Marisa Tomei interpretava a namorada de Joe Pesci, uma jovem exagerada que fazia o tipo burra e gostosa. 

O ponto principal do filme era Joe Pesci, que interpretava um malandro que usava a lábia para tentar salvar os garotos da cadeia, já que o eterno “Karatê Kid” Ralph Macchio estava em declínio na carreira, o que se confirmou rapidamente. 

Para completar, até este filme, Marisa Tomei tinha feito apenas pequenas participações no cinema e na tv, sendo seu único papel de algum destaque, a filha de Sylvester Stallone na fracassada comédia “Oscar – Minha Filha Quer Casar”. 

Como curiosidade, existe uma lenda sobre esta premiação, onde alguns acreditam que o grande Jack Palance quando anunciou a vencedora do prêmio, apenas repetiu o nome da última candidata, dando a vitória para Marisa Tomei por engano.    

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Paixões Sem Destino & O Crime que o Mundo Esqueceu


Nesta postagem comento dois filmes em algum produtor ou diretor resolveu transformar Nick Nolte e DebraWinger em par romântico, mesmo que sejam filmes mais voltados para o drama.

Na época, Nick Nolte era um ator em ascensão com o sucesso de "48 Horas" ao lado de Eddie Murphy e Debra Winger além de linda, era uma estrela após sucessos como "A Força do Destino" e "Laços de Ternura", mas nada indicava que os dois poderiam funcionar como par romântico nas telas, o que foi confirmado com estes dois filmes apenas razoáveis.

Paixões Sem Destino (Cannery Row, EUA, 1982) – Nota 6,5
Direção – David S. Ward
Elenco – Nick Nolte, Debra Winger, Audra Lindley, Frank McRae, M. Emmet Walsh.

Durante a Depressão Americana, Doc (Nick Nolte) é um biólogo que vai trabalhar na pequena Cannery Row, uma cidade decadente à beira do mar. Logo ele se envolve com Suzy (Debra Winger), mulher de personalidade forte, que fora prostituta e hoje é dona de um bar. Nasce entre os dois uma complicada paixão em meio a pobreza e falta de perspectivas da época. 

Este interessante drama de época é baseado num livro de John Steinbeck, que dedicou grande parte de sua carreira a escrever sobre as dificuldade de se viver nos anos trinta nos Estados Unidos, quando o país vive uma gigantesca crise econômica.

O Crime que o Mundo Esqueceu (Everybody Wins, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Karel Reisz
Elenco – Nick Nolte, Debra Winger, Will Patton, Judith Ivey, Kathleen Wilhoite, Jack Warden, Frank Converse, Frank Military.

Um detetive (Nick Nolte) é contratado por um prostituta de luxo (Debra Winger) que tem caso com vários homens influentes, para investigar um assassinato que levou um jovem (Frank Military) a cadeia, mas que ela diz ser inocente. O detetive acaba se envolvendo com a prostituta que tem um distúrbio de múltipla personalidade e se meterá numa teia de mentiras. 

Apesar do bom elenco e da história baseada em um conto de Arthur Miller, o falecido diretor theco Karel Reisz não consegue dar vida a trama, que parece nunca engrenar, um dos motivos talvez seja a falta de química entre o casal Nolte/Winger. O resultado final frustra em virtude de ser uma história com potencial para render um filme bem mais interessante.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fuga de Nova York

Fuga de Nova York (Escape From New York, EUA / Inglaterra, 1981) – Nota 10
Direção – John Carpenter
Elenco – Kurt Russell, Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Donald Pleasence, Isaac Hayes, Harry Dean Stanton, Adrienne Barbeau, Season Hubley, Tom Atkins, Charles Cyphers.

Este é um dos meus filmes favoritos, considero ainda o melhor trabalho da carreira de John Carpenter, que teve seu auge durante dez anos. Entre “Halloween” em 1978 e “Eles Vivem” em 1988, Carpenter fez onze filmes, além dos citados vale lembrar o ótimo “Enigma do Outro Mundo”, “Christine – O Carro Assassino”, “O Príncipe das Sombras” e o criticado porém divertido “Os Aventureiros do Bairro Proibido”. Estes filmes transformaram Carpenter é um diretor cult, já que todos seus trabalhos tinham tramas de filmes B com orçamento baixo e muita criativade, além das sinistras e inconfundíveis trilhas sonoras criadas por ele próprio. 

Em “Fuga de Nova York”, Carpenter consegue reunir todos os detalhes de um filme B e criar um longa que mistura ação e suspense numa história absurda (no melhor sentido da palavra) repleta de personagens carismáticos. A trama se passa em 1997, quando a cidade de Nova York foi transformada em um presídio e isolada completamente pelo rio que cerca a ilha de Manhattan. Todos os bandidos da cidade foram jogados no local numa espécie de prisão perpétua. 

O que parecia ser uma solução contra a criminalidade, se torna um grande problema quando o avião do Presidente Americano (Donald Pleasence) cai na ilha e o chefão do local, Duque (o falecido cantor Isaac Hayes, que fazia também a voz do Chefe em “South Park”) o faz de refém. Para complicar ainda mais a situação, o Presidente carrega uma importane fita que acabaria com um iminente conflito mundial. 

Sem ter como invadir o local para resgatar o Presidente, o chefe de segurança Hauk (Lee Van Cleef) chama um ex-combatente que está preso, Snake Plissken (Kurt Russell) e oferece a liberdade para o sujeito, desde que ele traga o Presidente em menos de 22 horas. O rebelde Snake aceita, mas recebe em seu corpo uma droga para não tentar fugir. Ele terá apenas as 22 horas para voltar com o Presidente e receber o antídoto. Todos estes detalhes surgem em apenas quinze minutos de filme, a partir daí começa a correria de Snake para cumprir a missão. 

Além do grande desempenho de Kurt Russell, outro ponto positivo são os diversos personagens que aparecem na tela. Temos os já citados Lee Van Cleef como o policial durão, o veterano Donald Pleasence como o Presidente e Isaac Hayes como o bandidão Duque. Completando o elenco temos Ernest Borgnine como um taxista no meio de uma Nova York destruída, Harry Dean Stanton como um cientista conhecido como “Cérebro” e sua esposa vivida por Adrienne Barbeau, que na época era casada com o diretor John Carpenter. 

Apesar do baixo orçamento, as cenas de ação são bem legais, como por exemplo o pouso do aeroplano no World Trade Center e a sequência final da perseguição na ponte do Brooklin. 

Um clássico cult absoluto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fronteira da Violência

Fronteira da Violência (The Border, EUA, 1982) – Nota 6
Direção – Tony Richardson
Elenco – Jack Nicholson, Harvey Keitel, Valerie Perrine, Warren Oates, Elpidia Carrillo, Shannon Wilcox.

Charlie Smith (Jack Nicholson) trabalha como policial da imigração em Los Angeles e recebe um salário baixo. A situação desagrada a fútil esposa Marcy (Valerie Perrine), que acaba quase obrigando o marido a pedir transferência para El Paso, na fronteira com o México, onde uma amiga conseguiu uma bela casa para o casal morar. 

Mesmo sendo bem recebido pelos companheiros em El Paso, Charlie não está feliz. Sua esposa resolve gastar muito sem se preocupar com o que ele recebe e seu novo parceiro, Cat (Harvey Keitel), participa de um esquema onde recebe dinheiro para ajudar um grupo que cobra dos imigrantes ilegais para atravessá-los pela fronteira. Para complicar ainda mais a situação, Charlie resolve ajuda a jovem imigrante Maria (Elpidia Carrillo) que teve o filho seqüestrado. 

Este drama policial produzido há trinta anos toca num tema ainda extremamente atual, a imigração ilegal na fronteira México/Estados Unidos e toda a corrupção e violência que existe na região. Apesar do tema ser rico, a condução da trama é irregular, provavelmente pela direção do falecido inglês Tony Richardson, que não tem ligação alguma com o assunto, tendo como seu principal sucesso a comédia “As Aventuras de Tom Jones”. 

Os personagens tão são mal explorados, com exceção de Nicholson que interpreta bem o policial desanimado com a vida e a carreira, que procura algum sentido ao ajudar a jovem Maria, enquanto o restante do elenco é puro clichê. Harvey Keitel faz o sujeito corrupto, aquele personagem em que o espectador percebe rapidamente que existe algo de errado, Valerie Perrine repete seu irritante papel de mulher chata que lhe deu alguma fama como a amante de Lex Luthor no original “Surperman” e ainda temos o desperdício do bom ator e também falecido Warren Oates, que pouco aparece na história. 

Como curiosidade, a jovem mexicana Elípidia Carrillo trabalhou no primeiro “O Predador”, sendo a única mulher de um elenco recheado de brutamontes naquele filme.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cabana do Inferno

Cabana do Inferno (Cabin Fever, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Eli Roth
Elenco – Rider Strong, Jordan Ladd, James De Bello, Cerina Vincent, Joey Kern, Arie Verveen, Giuseppe Andrews.

Um grupo de cinco amigos de faculdade decide passar alguns dias de férias em uma cabana no meio de uma floresta. Enquanto um casal fica na cabana fazendo sexo, os outros três resolvem caçar esquilos e acabam cruzando com um sujeito (Arie Verveen) que está sangrando e com a pele cheia de feridas. O grupo afugenta o homem que morre dentro de um riacho, contaminando a água que transmitirá um estranho vírus para os jovens, transformando as férias em terror. 

Este longa é a estréia de Eli Roth (“O Albergue I e II”) na direção e já mostra o seu gosto por sangue, violência e sexo em altas doses, acima do normal dos típicos filmes de terror atuais. 

Apesar dos personagens caricatos, o filme fez grande sucesso e tem alguns detalhes interessante, como utilizar como vilão uma ameaça mais real que o sobrenatural comum a estas produções e as boas locações na floresta. 

Como curiosidade, James De Bello e Giuseppe Andrews trabalharam juntos três anos antes na simpática comédia “Detroit Rock City”.

O filme teve uma continuação em 2009 sem Eli Roth.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Budapeste

Budapeste (Brasil / Hungria / Portugal, 2009) – Nota 4
Direção – Walter Carvalho
Elenco – Leonardo Medeiros, Gabriella Hámori, Giovanna Antonelli, Ivo Canelas, Antonie Kamerling, Paola Oliveira, Débora Nascimento.

Pretensioso. É o adjetivo que cabe a este filme baseado no livro de Chico Buarque. Não li o livro e nem mesmo sou fã de Chico Buarque, mas fiquei curioso em relação ao filme em virtude de grande parte das cenas terem sido filmadas em Budapeste, a capital da Hungria, porém me decepcionei. 

A história tem como protagonista José Costa (o competente Leonardo Medeiros), um ghost writer que vive em crise por não ser reconhecido por seu trabalho, que tem ainda um casamento frio com a fútil jornalista Vanda (Giovanna Antonelli, linda com um belíssimo corpo, mas fraquinha como atriz). Suas únicas boas lembranças são de uma passagem rápida por Budapeste, cidade que ele vê como um local de poetas. Tentando encontrar algo diferente na vida, ele viaja para Budapeste onde se envolve com uma professora de húngaro (Gabriella Hámori), que o ajuda a aprender a língua local. 

Como grande parte dos críticos culturais aplaudem tudo que tenha o nome de Chico Buarque envolvido e também de outros nomes da MPB, esta se torna a única explicação para este filme não ter sido massacrado pela crítica. O resumo da história que tentei escrever é apenas parte de um filme chato, arrastado e repleto de personagens clichês, que exagera nas divagações e dramas existenciais do personagem principal nas suas idas e vindas entre Budapeste e Rio de Janeiro. 

O ponto alto para nós homens e a nudez total de várias atrizes, principalmente Giovanna Antonelli em cenas ousadas, além de rápidas participações de Paola Oliveira e Débora Nascimento. 

Voltando a um pouco de seriedade, outro ponto alto é a bela fotografia que utiliza bem os cenários naturais de Budapeste, mas isso é pouco para valer a sessão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Senna

Senna (Senna, Inglaterra, 2010) – Nota 9
Direção – Asif Kapadia
Documentário – Ayrton Senna, Alain Prost, Ron Dennis, Frank Williams.

Durante anos, o projeto de um filme sobre a vida de Ayrton Senna foi comentado pela imprensa, mas nunca saiu do papel. O boato era que o filme seria protagonizado por Antonio Banderas, que seria um grande fã de Senna.

Com este projeto engavetado, somente em 2010 o inglês de origem indiana Asif Kapadia resolveu montar um documentário sobre a história do piloto. O documentário é correto na parte técnica, sem inovações, porém o roteiro é perfeito ao contar a trajetória de Senna na Fórmula 1, mostrando suas vitórias inesquecíveis, seus títulos, acidentes, a disputa dentro e fora das pistas com Alain Prost, sua briga com o chefão da categoria na época, o francês Jean Marie Balestre, até a trágica corrida em Ímola, tudo isso recheado com imagens inéditas de bastidores da Fórmula 1 e da vida pessoal de Senna.

Um dos grandes acertos do diretor é passar a emoção na medida certa e não apelar para o dramalhão, o que poderia acontecer facilmente na parte final da história não mãos de algum diretor que quisesse lucrar com a polêmica.

Analisando o histórico de filmes sobre corridas, fiquei feliz que a vida de Senna tenha sido contada em um documentário através de imagens reais, já que uma produção de Hollywood provavelmente distorceria a história, que nós brasileiros conhecemos tão bem e principalmente admiramos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Atirando Para Matar

Atirando Para Matar (Shoot to Kill, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Roger Spottiswoode
Elenco – Sidney Poitier, Tom Berenger, Kirstie Alley, Clancy Brown, Richard Masur, Andrew Robinson, Frederick Coffin.

Hoje o grande ator Sidney Poitier (que está aposentado do cinema desde 2001) completa oitenta e cinco anos e como homenagem comento um filme que se não está entre seus grandes trabalhos, tem como destaque a magnífica forma física do ator na época, quando ele já tinha sessenta e um anos e encarou difíceis cenas de ação.

A trama tem como protagonista o agente do FBI Warren Stantin (Poitier), que persegue um perigoso assassino que se infiltra no meio de um grupo de turistas que visita uma montanha. Stantin chega a pequena cidade na beira da montanha e precisa de alguém para guiá-lo pela perigosa região. O escolhido é o arredio Jonathan Knox (Tom Berenger), que aceita o trabalho apenas quando descobre que o assassino está entre os turistas guiados por sua namorada (Kirstie Alley).

Como já citei, a performance de Poitier nas cenas de ação surpreende, lógico que nas cenas perigosas foram usados dublês, mas isso não diminui o suspense, nem tira a força destas cenas, que lembram um pouco o posterior “Risco Total” com Stallone.

Outro ponto de destaque é a relação entre os personagens de Poitier e Berenger, enquanto o primeiro é um sujeito urbano, o segundo é o chamado bicho do mato, o que causa um inevitável choque de personalidades e também cultural.

No geral é um bom divertimento para quem gosta de filmes de ação.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Entrevista & Romance e Cigarros


Steve Buscemi e John Turturro são talentosos atores da mesma geração. Os dois apareceram no final dos anos oitenta em papéis coadjuvantes e logo se tornaram figuras carimbadas no cinema. A carreira da dupla tem várias semelhanças além da geração: Os dois tem origem italiana, mesmo longe de serem galãs, são carismáticos e intercalam papéis em filmes sérios, produções europeias e comédias pastelão com Adam Sandler. 

Esta falta de medo de encarar todo tipo de papel levou a dupla a enfrentar o desafio atrás das câmeras. Turturro dirigiu quatro filmes, sendo "Mac" o que conseguiu melhores críticas. Já Buscemi treinou a direção em episódios de "Oz - A Vida É uma Prisão" e "A Família Soprano", até dirigir o razoável "O Solitário Jim".

Nesta postagem comento dois filmes dirigidos por estes atores, que apesar de não serem trabalhos ruins, ficam abaixo do que se poderia esperar em comparação ao talento da dupla na frente das câmeras.

Entrevista (Interview, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Steve Buscemi
Elenco – Steve Buscemi, Sienna Miller, Michael Buscemi, Tara Elders, MusMs.

Um jornalista especializado em política (Steve Buscemi) é escalado para entrevistar uma fútil atriz de seriados de tv (Sienna Miller). Enquanto ele vai para entrevista por obrigação e sem preparação alguma, pois gostaria de estar em Washington cobrindo uma crise política, a atriz chega muita atrasada e não se conforma com a atitude do jornalista. 

Este é o início de uma noite de revelações e disputas entre dois personagens manipuladores e egocêntricos com personalidades problemáticas. Enquanto o jornalista é irônico, a atriz é falsa até a médula e nunca sabemos quem está sendo sincero nesta catarse de emoções que afloram nos diálogos afiados. 

Não é um grande filme, na verdade é praticamente um teatro filmado, mas que tem como destaque as interpretações da dupla principal, que segura o longa que se passa em grande parte num único cenário, o apartamento da atriz.

Romance e Cigarros (Romance & Cigarettes, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – John Turturro
Elenco – James Gandolfini, Susan Sarandon, Kate Winslet, Steve Buscemi, Mary Louise Parker, Mandy Moore, Aida Turturro, Bobby Cannavale, Christopher Walken, Barbara Sukowa, Elaine Stritch, Eddie Izzard.

Nick Murder (James Gandolfini) está casado há muitos anos com Kitty (Susan Sarandon), que com quem tem três filhas e uma relação desgastada, que piora quando ela descobre que Nick tem um caso com Tula (Kate Winslet), um vendedora vulgar e desbocada. A partir daí, Nick fica dividido em viver com a amante ou se reconciliar com a esposa. 

A história parece comum a diversos dramas familiares, porém o enfoque utilizado pelo ator John Turturro em seu terceiro trabalho atrás das câmeras é mesclar drama, musical e até humor negro. Esta mistura de estilos gera um filme irregular, com cenas e personagens exagerados, além de falhas na passagem do tempo. 

As cenas musicais são estranhas, tendo como mais interessante a participação de Christopher Walken, que faz o primo de Kitty metido a valentão. Walken especialista em vilões e personagens estranhos, faz com que suas cenas de dança sejam no mínimo curiosas, mas somente isso não vale a sessão.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Palco de Ilusões

Palco de Ilusões (Punchline, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – David Seltzer
Elenco – Tom Hanks, Sally Field, John Goodman, Mark Rydell, Kim Greist, Pam Matheson, Taylor Negron, Paul Mazursky, Damon Wayans.

Vinte anos antes da moda Stand Up chegar por aqui, este estilo de comédia já era famoso nos Estados Unidos e rendeu este pequeno filme que é um interessante misto de drama com comédia. 

A história tem como protagonistas, a dona de casa Lilah (Sally Field) e o jovem Steven (Tom Hanks). Lilah é casada e mãe de três filhos, mas tem como sonho se tornar comediante. O problema é que em suas primeira apresentações em clubes e bares ela não consegue fazer o público rir. Num destes locais ela conhece Steven, que também tenta se firmar como comediante, porém além da dificuldade normal da profissão, ele precisa enfrentar a oposição do pai que deseja que ele se torne médico assim como o irmão (John Goodman). Estas duas pessoas bem diferentes encontram nos problemas mútuos a forçar para tentar realizar um sonho. 

Hoje pode parece curioso, mas na época Sally Field era mais famosa que Tom Hanks, que começava naquele ano a ser reconhecido pela crítica como um bom ator, não apenas um comediante, principalmente após concorrer ao Oscar por “Quero Ser Grande”. 

O diretor David Seltzer tem diversos trabalhos como roteirista e outro filme ainda mais simpático e sensível, o drama adolescente “A Inocência do Primeiro Amor”. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

As Sete Faces do Dr. Lao

As 7 Faces do Dr. Lao (7 Faces of Dr. Lao, EUA, 1964) – Nota 7,5
Direção – George Pal
Elenco – Tony Randall, Barbara Eden, Arthur O’Connell, John Ericson, Kevin Tate, Noah Beery Jr.

Este longa foi um clássico absoluta da sessão da tarde nos anos oitenta. 

A história se passa no início do século XX numa pequena cidade americana onde chega o circo do chinês Dr. Lao (Tony Randall). O que parece ser apenas um local de espetáculos comuns, surpreenderá os habitantes da cidade com a presença de figuras como o Abominável Homem das Neves, Merlin o Mágico, Medusa, entre diversas outras atrações estranhas que influenciarão no destino de várias pessoas. 

O filme tem ainda uma trama paralela, onde um homem rico (Arthur O’Connell) tem a intenção de intermediar a chegada da ferrovia à cidade, sendo combatido por um jornalista (John Ericson), que se envolve com um viúva (Barbara Eden, a Jeannie é um Gênio do seriado). 

Os trunfos do filme são a ótima interpretação de Tony Randall, que interpreta além do Dr. Lao, todos os outros personagens do circo, temos ainda a história simpática e os efeitos especiais extremamente bem produzidos para a época. 

O diretor George Pal comandou também outro clássico da ficção, o ótimo “A Máquina do Tempo” produzido em 1960, que foi refilmado com resultado inferior há alguns anos com Guy Pearce no papel principal.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fomos Heróis

Fomos Heróis (We Were Soldiers, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Randall Wallace
Elenco – Mel Gibson, Madeleine Stowe, Sam Elliott, Greg Kinnear, Chris Klein, Keri Russell, Barry Pepper, Ryan Hurst, Jsu Garcia, Clark Gregg, Dylan Walsh, Blake Heron, Desmond Harrington, Daniel Roebuck.

O filme conta a história da primeira batalha da Guerra do Vietnã em 1965, quando 400 soldados americanos liderados pelo Tenente-Coronel Hal Moore (Mel Gibson) receberam a missão de tomar uma espécie de colina com a certeza de enfrentar uma dura batalha, porém sem saber que teriam 2000 soldados vietnamitas para defender o local. 

Este péssimo planejamento foi uma prévia da longa guerra que os americanos enfrentariam e seriam derrotados definitivamente nove anos depois. 

O longa mescla bem as ótimas cenas de batalha com os dramas das mulheres dos oficiais que ficaram na América e tem principalmente a bela Madeleine Stowe num bom papel, como a esposa do Coronel Moore, que se encarrega de entregar as cartas oficiais dos mortos em batalha para as esposas. 

Mesmo assim, o forte são as cenas de batalha que não poupam sangue e lembram muito o realismo de filmes como “O Resgate do Soldado Ryan” e “Coração Valente”.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mal dos Trópicos

Mal dos Trópicos (Sud Pralad ou Tropical Malady, Tailândia / França / Alemanha / Itália, 2004) – Nota 7
Direção – Apichatpong Weerasethakul
Elenco – Banlp Lomnoi, Sakda Kaewbuadee.

Desde que assisti o estranho “Tio Boonmee, que Pode Recodar Suas Vidas Passadas”, fiquei curioso em descobrir a filmografia do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, mais conhecido como “Joe”. Descobri e gostei de “Síndromes e um Século”, provavelmente seu filme mais normal, apesar de ser lento e contemplativo. 

Este “Mal dos Trópicos” tem os mesmos elementos que o diretor utiliza nos outros filmes, o contraste entre as vidas urbana e rural na Tailândia, uma bela fotografia que aproveita bem as florestas tailandesas e a integração entre homem, animal e natureza, através de lendas e simbolismos. 

O filme é dividido em duas partes. Na primeira, o soldado Keng (Banlop Lomnoi) está de folga do trabalho e se aproxima do jovem Tong (Sakda Kaewbuadee, ator habitual nos filmes de Joe). O que parece ser uma amizade, se revela uma história de amor. Na segunda parte a história vai para selva, onde o soldado Keng se separa do seu grupo para perseguir um tigre, que teria matado algumas vacas na região. Conforme uma lenda local, o tigre é representado por um homem, no filme representado pelo jovem Tong, que corre nu pela selva fugindo do soldado, porém aos poucos o perseguidor se sente acuado pela floresta e seus mistérios. 

Este filme venceu o prêmio do Jurí do Festival de Cannes em 2004 e por ser o primeiro trabalho de Joe que foi visto no ocidente, é considerado por muitos como seu melhor filme. Como eu assisti primeiro outros filmes, o impacto deste longa foi menor. Gostei mais de “Tio Boonmee” e principalmente de “Síndromes e um Século”, o que não tira a força deste trabalho, totalmente diferente em relação ao cinema ocidental.