segunda-feira, 20 de maio de 2019

Sherrybaby, A Decadência de Joe Albany & Rush: Uma Viagem ao Inferno


Sherrybaby (Sherrybaby, EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Laurie Collyer
Elenco – Maggie Gyllenhaal, Brad William Henke, Danny Trejo, Ryan Simpkins, Giancarlo Esposito, Bridget Barkan, Sam Bottoms, Kate Burton, Rio Hackford.

Após cumprir pena por roubo, Sherry (Maggie Gyllenhaal) deseja mudar de vida. Ela tenta abandonar as drogas participando de um grupo de apoio e procura um emprego para trabalhar com crianças. Seu objetivo maior é cuidar da filha pequena (Ryan Simpkins) que está sendo criada por seu irmão (Brad William Henke) e sua cunhada (Bridget Barkan), que demonstram querer ficar com a criança. Os vários obstáculos se tornam um enorme desafio para Sherry. 

O grande acerto deste longa é mostrar de forma realista e até crua a dificuldade da protagonista em achar seu caminho, detalhando inclusive seus erros e acertos. Algumas situações incomodam o espectador, como a relação de Sherry com o pai (Sam Bottoms), que explica muito sobre seus problemas de comportamento. 

Vale destacar também a atuação da sempre desinibida Maggie Gyllenhaal, que aparece com a parte de cima nua em várias cenas e que se entrega de corpo e alma ao papel da complexa protagonista.

A Decadência de Joe Albany (Low Down, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Jeff Preiss
Elenco – John Hawkes, Elle Fanning, Glenn Close, Peter Dinklage, Flea, Lena Headey, Caleb Landry Jones, Taryn Manning, Billy Drago, Tim Daly, Burn Gorman.

Los Angeles, 1974. Joe Albany (John Hawkes) é um talentoso pianista de jazz que tocou com os grandes nomes do gênero, porém sua vida está uma bagunça por causa do vício em heroína. Sua filha adolescente Amy-Jo (Elle Fanning) tenta ajudá-lo sem sucesso, sofrendo também com a mãe (Lena Headey) que é alcoólatra e que vive sozinha. A situação é ainda pior por causa da condescendência da avó (Glenn Close), que não sabe lidar com o filho drogado. 

Baseado em livro da verdadeira Amy-Jo Albany que detalha sua relação familiar durante a adolescência, este longa é mais um exemplo de artista talentoso que enterra a vida e a carreira nas drogas. A história não tem surpresas, ela segue o caminho comum de um viciado, que diz desejar mudar de vida, mas que a cada novo problema ou tentação volta para a droga. 

Mesmo com as boas atuações do trio principal e de bons coadjuvantes como Peter Dinklage e o músico Flea, o filme acaba sendo mais do mesmo, igual a vários outros com personagens autodestrutivos. O resultado é apenas razoável.

Rush – Uma Viagem ao Inferno (Rush, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Lili Fini Zanuck
Elenco – Jason Patric, Jennifer Jason Leigh, Sam Elliott, Max Perlich, Gregg Allman, Tony Frank, William Sadler.

Texas, anos setenta. A policial novata Kristen Cates (Jennifer Jason Leigh) é escolhida para ser parceira de Jim Raynor (Jason Patric), detetive que trabalha disfarçado para chegar até um chefão do tráfico (Gregg Allman). Para conseguir negociar drogas com a gangue, Jim e Kristen são obrigados a experimentar o produto. Aos poucos eles se viciam e também se apaixonam, ao mesmo tempo em que precisam cumprir a missão. 

O ponto principal deste drama policial é sem dúvida a viagem ao mundo das drogas experimentada pelo casal de protagonistas. São cenas fortes de desespero e degradação. Destaque para as atuações de Jason Patric, Jennifer Jason Leigh e de um assustador Gregg Allman, falecido vocalista da banda The Allman Brothers. 

Vale citar que Jennifer Jason Leigh ao lado de Rosanna Arquette e Gina Gershon, atrizes que surgiram nos anos oitenta, se tornaram especialistas em personagens bagaceiras como drogadas, prostitutas e perturbadas. 

domingo, 19 de maio de 2019

Vice

Vice (Vice, EUA, 2018) – Nota 8
Direção – Adam McKay
Elenco – Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Jesse Plemons, Alison Pill, Eddie Marsan, Justin Kirk, LisaGay Hamilton, Bill Camp, Don McManus, Lily Rabe, Shea Whigham, Stephen Adly Guirgis, Tyler Perry.

Para quem acompanha política internacional, o nome do ex-vice presidente americano Dick Cheney (Christian Bale) ficou famoso durante o governo de George W. Bush (Sam Rockwell) por causa das aventuras do exército americano no Afeganistão e no Iraque. 

O roteiro escrito pelo diretor Adam McKay detalha a vida de Cheney desde sua complicada juventude em Wyoming, passando pelo ultimato dado pela então jovem esposa Lynne (Amy Adams) e a ligação com o senador Donald Rumsfeld (Steve Carell) até chegar à Casa Branca e se tornar o segundo homem mais poderoso do mundo. 

MacKay repete a narrativa detalhista com tons de ironia semelhante ao superior “A Grande Aposta”, também protagonizado por Christian Bale e Steve Carell. A atuação do elenco é sensacional. Bale engordou muitos quilos para encarnar Cheney, Steve Carell criou um Rumsfeld canalha até a medula, Amy Adams está perfeita como a ambiciosa esposa de político e Sam Rockwell acerta no tom do irresponsável Bush. 

Destaque também para o curioso papel de Jesse Plemons, que inclusive é o narrador da história. Seu personagem acaba tendo uma importância enorme na vida de Cheney, fato que muitas pessoas desconhecem. 

É uma biografia indicada para quem tem curiosidade sobre os bastidores da política.

sábado, 18 de maio de 2019

A Caminho de Casa

A Caminho de Casa (A Dog’s Way Home, EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Charles Martin Smith
Elenco – Ashley Judd, Bryce Dallas Howard, Jonah Hauer King. Edward James Olmos, Alexandra Shipp, Chris Bauer, Barry Watson, Motell Gyn Foster, John Cassini, Brian Markinson, Patrick Gallagher.

Lucas (Jonah Hauer King) é um jovem estudante de medicina que luta para salvar uma família de gatos que vive debaixo dos escombros de uma casa abandonada. 

Um determinado fato faz com que Lucas encontre uma filhote de cão que ele batiza de Bella (voz de Bryce Dallas Howard). A cadela se torna o xodó de Lucas, de sua namorada (Alexandra Shipp) e de sua mãe (Ashley Judd).

Um desencontro termina por afastar Bella da família, que mesmo a muitos quilômetros de distância sonha em reencontrar seu dono. 

Esta produção é do tipo que agrada crianças e também adultos que não se incomodarem com os clichês, os absurdos e os furos no roteiro. 

A relação entre Bella e sua dono emociona, o que é normal em filmes com cães, porém o melhor é sem dúvida a segunda parte do longa que foca na aventura da volta para casa. 

O filme ganha pontos pela “atuação” canina, mesmo levando em conta que muitas cenas devem ter sido criadas em CGI. 

É basicamente uma sessão da tarde.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Hanna

Hanna (Hanna, EUA / Inglaterra / Alemanha, 2011) – Nota 6,5
Direção – Joe Wright
Elenco – Saoirse Ronan, Eric Bana, Vicky Krieps, Cate Blanchett.

A adolescente Hanna (Saoirse Ronan) vive com seu pai Erik (Eric Bana) em um local isolado na floresta. Os dois treinam lutas, tiros e formas de defesa pessoal. Logo, descobrimos que Erik é um agente secreto. 

Ao seguir para uma nova missão e deixar Hanna sozinha, um grupo de agentes liderados por Marissa (Cate Blanchett) é enviado para sequestrar a garota, que consegue escapar. É o início de uma corrida em busca do pai. 

O desenrolar da trama lembra os filmes de espionagem adolescentes dos anos oitenta, com muita correria, violência e alguns absurdos, além é claro de uma pequena surpresa no final. 

A bela e também boa atriz Saoirse Ronan dá conta do recado como a heroína adolescente, enquanto Cate Blanchett se mostra à vontade no papel da vilã. 

Agora em 2019 está sendo lançado um seriado com o mesmo título baseado neste longa.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

22 de Julho

22 de Julho (22 July, Noruega / Islândia / EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Anders Danielsen Lie, Jonas Strand Gravli, Jon Oigarden, Maria Bock, Thorbjorn Harr, Seda Witt, Isak Bakli Aglen.

No dia 22 de Julho de 2011, Anders Behring Breivik (Anders Danielsen Lee) colocou uma bomba em frente a edifícios do governo norueguês em Oslo. Após a explosão, o rapaz seguiu de carro para um acampamento de verão em uma ilha próxima e assassinou vários adolescentes. 

Considerado o pior ataque terrorista ocorrido na Noruega, este longa foi adaptado para o cinema pelo diretor Paul Greengrass, que se baseou em um famoso livro sobre o caso. 

Este é o quarto trabalho do diretor baseado em uma história real envolvendo violência como consequência de ódio e preconceito. Os ótimos “Domingo Sangrento”, “Voo United 93” e “Capitão Phillips” são superiores a este que comento, que mesmo assim é um bom filme. 

O longa pode ser dividido em duas partes. A primeira hora é bem mais intensa ao focar na ação do terrorista, chegando até o momento de sua captura. A parte final muda o chave e transforma a história em um drama que também é dividido em duas subtramas. O julgamento do protagonista e sua relação com seu advogado (Jon Oigarden) que é obrigado a defendê-lo e o sofrimento de um jovem sobrevivente (Jonas Strand Gravli) ao lado de sua família. 

O destaque do elenco fica para Anders Danielsen Lie, que aos poucos vai construindo uma boa carreira (“A Noite Devorou o Mundo” e “Oslo, 31 de Agosto”) e que aqui interpreta o assustador terrorista de sangue gelado e totalmente sem remorso. 

É um filme extremamente forte que merece ser conhecido.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Marcados Pela Guerra

Marcados Pela Guerra (Camp X-Ray, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Peter Sattler
Elenco – Kristen Stewart, Payman Maadi, John Carroll Lynch, Lane Garrison, Marco Kahn.

Cole (Kristen Stewart) é uma soldado que recebe a missão de trabalhar como guarda na prisão da Ilha de Guantánamo. 

Sem experiência alguma, a jovem se surpreende com a forma desumana como os presos são tratados, sem direito a visitas, advogados ou mesmo um julgamento. 

Aos poucos, ela cria uma complicada relação com Ali (Payman Maadi), que está preso no local há mais de oito anos. 

O roteiro escrito pelo diretor Peter Sattler faz uma crítica a forma como os prisioneiros são mantidos e principalmente sobre a questão da falta de direitos jurídicos.

Ao mesmo tempo, com o desenrolar da história o foco principal passa a ser a relação entre guarda e prisioneiro, que tentam demonstrar um pouco de humanidade, mesmo quebrando regras. 

No final ainda fica a dúvida se o personagem de Payman Maadi era mesmo terrorista. 

O resultado é um bom drama sobre um tema polêmico.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Oro & 1898: Os Últimos das Filipinas


Oro (Oro, Espanha, 2017) – Nota 7
Direção – Agustin Diaz Yanez
Elenco – Raul Arévalo, Bárbara Lennie, Oscar Jaenada, Jose Coronado, José Manuel Cervino, Antonio Dechent, Luis Callejo, Anna Castillo, Juan José Ballesta, Andrés Gertrudix.

Floresta Amazônia, século XVI. Uma expedição espanhola liderada por Don Gonzalo (José Manuel Cervino) procura uma lendária cidade de ouro. 

Cansado pela idade, Don Gonzalo tenta manter seu poder em meio a um grupo heterogêneo de espanhóis e indígenas que sonham com o ouro e alguns também em possuir a bela esposa do líder (Bárbara Lennie), que por seu lado deseja o soldado Martin Dávila (Raul Arévalo). 

O violento capitão Gorriamendi (Oscar Jaenada) comanda alguns homens, enquanto o veterano sargento Bastaurrés (Jose Coronado) tenta manter a paz em meio a um inevitável conflito. 

Esta produção espanhola me surpreendeu de forma positiva. O roteiro explora com competência a questão da ambição por riqueza e poder, além da luta entre homem e natureza, sem contar os confrontos com os indígenas. 

As ótimas locações, as boas cenas de ação, a violência e o clima de tensão são destaques. A recriação do que seria uma expedição é bastante realista, com os soldados brutos, sujos e prontos para matar ou morrer. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma boa opção.

Os Últimos das Filipinas (1898. Los Últimos de Filipinas, Espanha, 2016) – Nota 6,5
Direção – Salvador Calvo
Elenco – Luis Tosar, Javier Gutierrez, Alvaro Cervantes, Karra Elejalde, Carlos Hipólito, Eduard Fernandez.

Ilha de Baler, Filipinas, 1898. Um grupo que luta pela independência do país ataca e mata praticamente todo um batalhão de soldados espanhóis. Tentando ainda manter a colônia, a Espanha envia um novo batalhão liderado pelo capitão De Las Morenas (Eduard Fernandez) e pelo tenente Martin Cerezo (Luis Tosar). O grupo recheado de jovens soldados inexperientes, logo se vê encurralado pelos locais no terreno de uma igreja. É o início de uma longa batalha. 

Baseado na história real do último regimento espanhol que lutou nas Filipinas, este longa tem uma boa premissa, algumas situações interessantes e uma narrativa bastante irregular. Ao mesmo tempo em que a longa duração de mais de duas horas deixa o filme um pouco cansativo, o roteiro também se mostra picotado por perder tempo em detalhes ao ter que cobrir um conflito que durou bastante tempo. 

A passagem do tempo se mostra confusa e algumas situações como a questão dos alimentos é muito mal explicada. A cenas de batalha são sangrentas e a relação entre os soldados tensas. O roteiro ainda coloca em discussão a questão da obediência cega dos militares frente a uma luta praticamente perdida. 

Pela qualidade da produção e a boa premissa, era esperado um filme bem melhor.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Estrangulado

Estrangulado (A Martfui Rem, Hungria, 2016) – Nota 7,5
Direção – Arpad Sopstis
Elenco – Karoly Hajduk, Gabor Jaszberenyi, Zsolt Anger, Peter Barnai, Zsolt Trill, Zsofia Szamosi.

Martfui, Hungria, 1956. Uma mulher é assassinada e a polícia prende o amante que havia abandonado a esposa há pouco tempo. Torturado pela polícia, Reti (Gabor Jaszberenyi) confessa o crime e termina condenado. 

Sete anos depois, ocorre um crime semelhante que desperta a curiosidade de um jovem promotor (Peter Barnai). Ao investigar o caso, o promotor descobre outros crimes que podem comprovar que Reti era inocente e que o verdadeiro assassino ainda está a solta. 

Esta história real lembra bastante os crimes cometidos pelo serial killer conhecido como Chikatilo que matou diversas pessoas em Rostov na União Soviética durante os anos oitenta e que rendeu os bons filmes “Cidadão X” e “Evilenko”

Assim como no caso soviético, aqui os crimes ficaram impunes por muitos anos por causa da corrupção, da incompetência policial e principalmente da arrogância das autoridades comunistas que se negavam a aceitar que pudesse existir um serial killer em seus países, fato que seria considerado uma fraqueza do regime. 

Este filme húngaro incomoda bastante o espectador por causa do clima sombrio e da forma crua como as sequências dos crimes são detalhadas, além das sinistras cenas de sexo ligadas aos assassinatos.

domingo, 12 de maio de 2019

Vidas que se Cruzam

Vidas que se Cruzam (The Burning Plain, EUA / Argentina, 2008) – Nota 6,5
Direção – Guillermo Arriaga
Elenco – Charlize Theron, Jennifer Lawrence, Kim Basinger, Joaquim de Almeida, John Corbett, JD Pardo, José Maria Yazpik, Danny Pino, Robin Tunney, Rachel Ticotin, Brett Cullen.

Um casal de amantes morre queimado em um trailer no deserto. O marido da adúltera não se conforma com a situação e culpa a família do amante da esposa. Os filhos de cada família tentam seguir a vida. 

Em outra narrativa, a gerente de um restaurante (Charlize Theron) tem uma confusa relação com o cozinheiro (John Corbett). 

O mexicano Guillermo Arriaga é conhecido pelos roteiros de “21 Gramas” e “Amores Brutos”, longas de Alejandro Gonzalez Iñarritu. Aqui Arriaga estreou na direção e tentou explorar o mesmo estilo de “Amores Brutos” através de três narrativas que se cruzam. O problema principal é que a trama se mostra previsível. Antes da metade do filme o cinéfilo mais experiente vai amarrar toda a história. 

É interessante citar que as personagens principais são as mulheres. Charlize Theron, Jennifer Lawrence ainda bem jovem e Kim Basinger carregam o filme à frente de um fraco elenco masculino, com exceção de Joaquim de Almeida. 

Vale destacar ainda as locações na divisa entre México e Estados Unidos.

sábado, 11 de maio de 2019

A Aparição

A Aparição (L'apparition, França / Bélgica / Jordânia, 2018) – Nota 6,5
Direção – Xavier Giannoli
Elenco – Vincent Lindon, Galatéa Bellugi, Patrick d’Assumçao, Anatole Taubman, Elina Lowensohn.

Jacques Mayano (Vincent Lindon) é um jornalista investigador especializado em cobrir zonas de conflito. Ele passa por uma crise após seu amigo fotógrafo e parceiro de trabalho ser assassinado durante uma reportagem. 

A chance de esquecer a tragédia surge quando um emissário do Vaticano oferece um inusitado trabalho. Mayano é convidado para se juntar a um grupo de pessoas que irá analisar se é verdade que uma adolescente (Galatéa Bellugi) fora testemunha da aparição da Virgem Maria. O grupo segue para uma pequena cidade do interior da França para encontrar a garota. 

A ótima premissa de detalhar o processo utilizado pelo Vaticano para analisar se realmente ocorreu um milagre ou se tudo é uma farsa infelizmente é desenvolvida de forma irregular. As quase duas horas e meia de duração atrapalham bastante o ritmo da narrativa. 

O roteiro tem algumas boas ideias, como colocar um protagonista cético que acredita apenas no concreto e ao mostrar que a politicagem e os preconceitos também são comuns no Vaticano e nos chamados especialistas. 

A explicação para o que realmente ocorreu também é interessante e plausível, porém até chegar lá muitos espectadores terão desistido no meio do caminho. É um filme que eu esperava mais.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Coragem Sob Fogo

Coragem Sob Fogo (Courage Under Fire, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – Edward Zwick
Elenco – Denzel Washington, Meg Ryan, Lou Diamond Phillips, Matt Damon, Michael Moriarty, Scott Glenn, Bronson Pinchot, Seth Gilliam, Regina Taylor, Zeljko Ivanek, Tim Guinee, Sean Astin.

Na Guerra do Golfo, durante uma confusa batalha noturna, o oficial Nat Serling (Denzel Washington) dá a ordem para um ataque sem saber que o alvo era um tanque americano. O exército prefere abafar o caso. 

Serling recebe como novo trabalho entrevistar sobreviventes de um conflito no deserto que resultou na morte de uma oficial (Meg Ryan) após a queda de um helicóptero. A missão de Serling é dar o aval para a falecida receber uma medalha de forma póstuma. O problema é que os depoimentos dos sobreviventes são conflitantes, enquanto o próprio Serling sofre por guardar o segredo de seu erro. 

A grande sacada do roteiro é mostrar a mesma situação através de pontos de vistas diferentes. O acidente do helicóptero e o conflito em terra contra os soldados iraquianos revelam versões que deixam em dúvida se a oficial morta era uma heroína ou uma covarde. 

O filme perde alguns pontos por ser previsível na questão das atitudes do protagonista em relação a sua crise pessoal. Esta situação leva a um final que beira o melodrama ao misturar redenção com a verdade sobre os dois casos.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Project Blue Book

Project Blue Book (Projeto Blue Book, EUA, 2019)
Criador – David O’Leary
Elenco – Aidan Gillen, Michael Malarkey, Laura Mennell, Ksenia Solo, Neal McDonough, Michael Harney, Robert John Burke.

Início dos anos cinquenta. O professor J. Allen Hynek (Aiden Gillen) recebe uma proposta para trabalhar em um projeto da Força Aérea Americana batizado como “Blue Book”. 

Ao lado do capitão Michael Quinn (Michael Malarkey), Hynek investiga diversos casos de aparecimentos de OVNIs, abudções e fatos a princípio sem explicação.

Enquanto uma dupla de generais (Neal McDonough e Michael Harney) deseja que Hynek encontre explicações para abafar os casos, o professor luta para descobrir a verdade. 

Esta série me chamou atenção pelo tema. Gosto muito deste tipo de ficção, porém a série deixou um pouco a desejar. As tramas são baseadas em casos reais estudados pelo verdadeiro J. Allen Hynek, que se tornou um expert um ufologia. 

Por mais que as premissas de cada episódio sejam interessantes, a série sofre do mal do gênero como acontecia em “Arquivo X” por exemplo. Os dez episódios da primeira temporada deixaram várias perguntas sem respostas, incluindo uma conspiração envolvendo coadjuvantes que se aproximam da esposa do professor (Laura Mennell), que é uma típica dona de casa dos anos cinquenta. Algumas soluções para os casos e os efeitos especiais também falham em alguns momentos. 

O sempre coadjuvante e geralmente vilão Aidan Gillen responde bem no papel do protagonista, se mostrando muito melhor que Michael Malarkey, ator sem carisma algum que interpreta seu parceiro. 

Uma segunda temporada deve ser produzida. Provavelmente verei pela curiosidade, mas eu esperava uma série um pouco melhor. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Headshot

Headshot (Headshot, Indonésia, 2016) – Nota 6,5
Direção – Kimo Stamboel & Timo Tjahjanto
Elenco – Iko Uwais, Chelsea Islan, Sunny Pang, Julie Estelle, Very Tri Yulisman.

Na sequência inicial, um chefão do crime (Sunny Pang) consegue fugir da cadeia em meio a uma violenta rebelião iniciada por um de seus capangas. 

Dois meses depois, um desconhecido (Iko Uwais) é encontrado desacordado em uma praia. Levado para o hospital, o rapaz chama a atenção de uma jovem médica (Chelsea Islan) e ao acordar não lembra sequer seu nome. Em paralelo, bandidos estão à sua procura. 

Iko Uwais é o atual grande astro de lutas marciais da Indonésia, tendo sido o protagonista dos sensacionais “Operação Invasão 1 e 2”. Neste trabalho, o ponto principal novamente são as sangrentas cenas de ação que intercalam lutas e tiroteios, mesmo com algumas delas sendo exageradas. Por sinal, violência extrema é a marca registrada da dupla de diretores Kimo e Timo. 

O roteiro é repleto de clichês e o desenvolvimento da trama que flerta com o melodrama nas sequências entre o protagonista e a médica também incomodam bastante. 

É um filme que fica abaixo do esperado, principalmente para quem procura uma história mais consistente.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Cypher & Impostor


Cypher (Cypher, EUA, 2002) – Nota 6
Direção – Vincenzo Natali
Elenco – Jeremy Northam, Lucy Liu, Nigel Bennett, Timothy Webber, David Hewlett.

Em um futuro próximo, o desempregado e submisso Morgan Sullivan (Jeremy Northam) consegue emprego em uma corporação para atuar como uma espécie de espião corporativo. Seu trabalho é visitar convenções e gravar as palestras de forma oculta.

Ele recebe documentos novos, troca sua identidade e abandona a esposa. A aparente excitante nova vida esconde um terrível segredo a respeito da empresa, além de uma disputa entre corporações.

Em 1997, o diretor Vincenzo Natali comandou o longa “Cubo”, uma das ficções mais criativas da história do cinema. Ao retornar para o gênero neste “Cypher”, Natali entregou um filme irregular, que hoje se mostra com efeitos especiais e desenho de produção envelhecidos.

A questão do protagonista mudar sua vida ao abraçar uma nova identidade é interessante, porém ao mesmo tempo as explicações para a disputa entre corporações é frágil, sem contar as bizarras cenas das palestras. Eu esperava algo melhor.

Impostor (Impostor, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Gary Fleder
Elenco – Gary Sinise, Madeleine Stowe, Vincent D’Onofrio, Tony Shalhoub, Tim Guinee,  Mekhi Phifer, Gary Dourdan, Lindsay Crouse, Elizabeth Peña.

Em 2079, a Terra está em conflito com alienígenas que criam androides que são cópias idênticas de seres humanos. Esses androides carregam bombas dentro do corpo que são detonadas ao chegarem perto de um alvo pré-determinado. 

Neste contexto, o agente do governo Hathaway (Vincent D’Onofrio) prende o funcionário público Spencer Olham (Gary Sinise) o acusando de ser um androide. Desesperado em provar sua inocência, Spencer foge e procura ajuda de sua esposa Maya (Madeleine Stowe), além de se envolver com um grupo de opositores do governo. 

Baseado em um livro de Philip K. Dick, este longa tem uma premissa comum ao gênero, que em alguns momentos lembra o superior “O Vingador do Futuro”. O diretor Gary Fleder ainda consegue entregar razoáveis sequência de ação e uma narrativa com bom ritmo. O problema é que mesmo com uma surpresa no final, o desenvolvimento da história é previsível e repleto de clichês. As atuações também são fracas, inclusive com o bom ator Vincent “D’Onofrio repetindo o papel de malvadão comum em sua carreira. É um filme descartável.