domingo, 21 de setembro de 2014

Gallipoli

Gallipoli (Gallipoli, Austrália, 1981) – Nota 8
Direção – Peter Weir
Elenco – Mel Gibson, Mark Lee, Bill Kerr, Bill Hunter, Harold Hopkins.

Na Austrália durante a Primeira Guerra Mundial, Archy Hamilton (Mark Lee) e Frank Dunne (Mel Gibson) são dois corredores que criam amizade durante uma competição e empolgados pela propaganda do exército que promete uma vida melhor para aqueles que aceitarem lutar na guerra, decidem se alistar como voluntários sem imaginar o inferno que os espera. 

Este ótimo drama sobre a sangrenta Batalha de Gallipoli em que australianos e neozelandeses enfrentaram os turcos, foi o primeiro filme que chamou a atenção da crítica internacional para o trabalho do diretor Peter Weir, que mesmo sem ser tão reconhecido como merece, fez uma belíssima carreira Hollywood. Trabalhos como “A Sociedade dos Poetas Mortos”, “O Show de Truman”, “A Testemunha” e “Caminho da Liberdade” são obras marcantes do diretor. 

Além das boas cenas de batalha e da triste história, “Gallipoli” tem como destaque a química entre a dupla principal, que tinha Mel Gibson antes de se tornar um grande astro, interpretando o sujeito mais racional e o australiano Mark Lee como o garoto sempre otimista. 

A trama é uma ficção, porém a batalha foi verdadeira e a forma como os ingleses usaram os soldados australianos e neozelandeses como bucha de canhão, além do dramático final, transformaram este longa em uma das grandes obras que mostram como a guerra é algo totalmente absurdo.   

sábado, 20 de setembro de 2014

Os Anos JK - Uma Trajetória Política

Os Anos JK – Uma Trajetória Política (Brasil, 1980) – Nota 7,5
Direção – Silvio Tendler
Documentário

Neste documentário produzido em 1980, época em que o Brasil vivia o período final da ditadura, quando o governo militar já havia assinado a lei da anistia e as liberdades começavam a ser restauradas, o diretor Silvio Tendler traçou o perfil do país desde o final do Estado Novo com a queda de Getúlio Vargas em 1945, até o final dos anos sessenta quando foi assinado o famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5. 

O foco principal do doc é a carreira política de Juscelino Kubitschek, que nasceu em Diamantina no interior de Minas Gerais em 1902 e com sua inteligência e habilidade política chegou à presidência do país em 1955. Entre erros e acertos, como opinião pessoal, a construção de Brasília foi seu grande erro, Juscelino alavancou a industrialização e por conseqüência o crescimento do país. 

O espectador interessado por história, tem aqui a oportunidade de conhecer os bastidores da política da época, com o diretor detalhando as disputas, as alianças, as tentativas de golpe, além da reação da população naqueles anos, fato que por sinal não era tão diferente do que ocorre nos dias de hoje. 

Os depoimentos de diversas pessoas envolvidas nos acontecimentos enriquecem o doc e dão uma visão diferente de cada fato e personagem. Entre os personagens citados e mostrados em imagens da época vemos Jânio Quadros, Carlos Lacerda, João Goulart, General Henrique Lott, Getúlio Vargas, Tancredo Neves, entre vários outros. 

Vale destacar também a sóbria narração do ator Othon Bastos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Bates Motel - 2º Temporada

Bates Motel (Bates Motel, EUA, 2013-2014)
Criador - Anthony Cipriano
Elenco - Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell.

O grande clássico "Psicose" de Alfred Hitchcock rendeu sequências fracas, algumas versões e serviu de referência para vários outros filmes, deixando a impressão de que qualquer novo projeto sobre o tema estaria fadado ao fracasso, porém o roteirista Anthony Cipriano teve a ótima sacada de criar uma história mostrando a vida de Norman Bates adolescente, quando os primeiros sintomas de loucura começaram a aparecer.

A primeira temporada foi uma espécie de apresentação dos personagens, dando ênfase aos problemas de Norman (Freddie Highmore) no colégio, com as garotas e a relação edipiana com Norma (Vera Farmiga), sua mãe superprotetora. A trama ainda focava na volta para casa do irmão mais velho de Norman, o rebelde Dylan (Max Thieriot) e a dificuldade da família em se estabelecer na pequena White Pine Bay, local onde compraram um velho motel, sem contar nos conflitos com alguns moradores da cidade.

Depois de algumas mortes na primeira temporada e na descoberta de que a cidade é uma grande produtora de maconha, fato que o xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) precisa aceitar e administrar para evitar conflitos, esta segunda temporada mantém o nível de qualidade e avança ao abordar os problemas atuais da família Bates e os segredos do passado que vem à tona causando sérias consequências.

Não vou me aprofundar nos detalhes da trama, a surpresa é sempre o melhor caminho, mas cito como ponto principal a evolução da loucura da Norman, que com suas atitudes intempestivas causa uma série de incidentes que por consequência resultam em conflitos e mortes na pequena cidade.

O elenco é outro ponto positivo, com a bela Vera Farmiga muito bem como a mãe que carrega vários traumas e que tenta a todo custo proteger o filho, que ela saber ser problemático. O jovem Freddie Highmore deixa de lado os papéis infantis de filmes como "O Som do Coração" e "A Fantástica Fábrica de Chocolates" para criar um Norman Bates assustador nas cenas em que entra em parafuso e que mostra um olhar vazio, sem contar sua estranha voz que ajuda a dar um ar de maluco ao personagem.

O irmão vivido por Max Thierot tem uma atuação apenas aceitável, entre os coadjuvantes os destaques ficam para Olivia Cooke que vive Emma, uma garota que sofre de uma séria doença respiratória e que se torna amiga da filha e o xerife de Nestor Carbonell, personagem duro e justo interpretado pelo ator que ficou conhecido por seu trabalho em "Lost".

Para quem gosta de uma boa história com drama, suspense e violência, a série "Bates Motel" é uma ótima pedida.

Como informação, cada temporada tem apenas dez episódios.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Talk Radio - Verdades Que Matam

Talk Radio – Verdades Que Matam (Talk Radio, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Eric Bogosian, Ellen Greene, Alec Baldwin, John C. McGinley, Leslie Hope, John Pankow. Michael Wincott, Zach Grenier.

Analisando a filmografia dos grandes diretores, quase sempre encontramos algum longa pouco reconhecido, mas de ótima qualidade. É o caso deste “Talk Radio”, uma crítica feroz aos podres dos Estados Unidos nos anos oitenta e que ainda continua extremamente atual. 

O filme é baseado em uma peça de teatro escrita pelo ator Eric Bogosian, que na época era um desconhecido que conseguiu chamar a atenção de Oliver Stone e ainda foi escolhido como protagonista. 

O personagem principal é o radialista judeu Barry (Eric Bogosian), que vive em Dallas no Texas e apresenta um programa nas madrugadas onde recebe ligações de todos os tipos de ouvintes, sempre ávidos por questioná-lo sobre algum assunto polêmico, proferir ofensas ou até ameaçá-lo. Para cada ligação recebida, Barry provoca o ouvinte com opiniões contrárias, sempre com críticas pesadas aos políticos, as religiões, ao homossexualismo, as drogas, ou seja, todos temas que despertam ódio nas pessoas. 

Quando seu programa é comprado por uma grande estação que pretende transmiti-lo para o país inteiro, seu chefe Dan (Alec Baldwin) tenta persuadi-lo a diminuir o tom das críticas, fato que desperta ainda mais ódio em Barry, que ainda cria conflitos com sua equipe de trabalho (Leslie Hope e John C. McGinley) e precisa lidar com os sentimentos pela ex-esposa Ellen (Ellen Greene), que volta a rondar sua vida. 

É um filme que se sustenta nos inúmeros diálogos, que em várias sequências se transformam em discussões e no atormentado protagonista que não desperta simpatia alguma, seu papel é questionar os valores de uma sociedade hipócrita, mesmo que termine pagando caro por isso.  

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Segredos Mortais

Segredos Mortais (Down the Shore, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Harold Guskin
Elenco – James Gandolfini, Famke Janssen, Joe Pope, Edoardo Costa, John Magaro, Maria Dizzia.

Susan (Maria Dizzia) está em Paris quando conhece Jacques (Edoardo Costa), sujeito que trabalha em um parque cuidando de um carrossel. Algum tempo depois, Jacques chega a uma comunidade à beira da praia em New Jersey para encontrar Bailey (James Gandolfini), o irmão de Susan que comanda um decadente parque de diversões. 

Jacques avisa Bailey que sua irmã faleceu e que ela deixou um testamento doando metade da casa para ele, a mesma casa onde Bailey mora. Mesmo a contragosto, Bailey é obrigado a aceitar o sujeito em casa e o contrata para trabalhar no parque. Ao mesmo tempo, ele sofre por Mary (Famke Janssen), sua ex-namorada que o deixou para casar com seu amigo Wiley (Joe Pope), com quem teve um filho (John Magaro), hoje adolescente com deficiência mental e que também é dono do parque de diversões alugado para Bailey. A morte de Susan e a chegada de Jacques despertam naquelas pessoas sentimentos adormecidos e faz vir à tona um segredo que mudou a vida de todos. 

O título nacional passa a equivocada impressão do filme ser um suspense, quando na realidade é um drama sobre pessoas frustradas. 

A primeira parte é até interessante, enquanto o espectador fica na expectativa de entender porque o francês viajou para os Estados Unidos e decidiu morar com o cunhado desconhecido e também a explicação sobre a separação de Bailey e Mary, porém quando as respostas surgem, elas não convencem. O final então é vazio quase sem sentido. 

É uma pena que as boas interpretações do falecido James Gandolfini, da bela Famke Janssen e de Edoardo Costa não sejam suficientes para salvar o filme.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Ilha da Garganta Cortada & Despertar de um Pesadelo


A Ilha da Garganta Cortada (Cutthroat Island, EUA / França / Itália / Alemanha, 1995) – Nota 7
Direção – Renny Harlin
Elenco – Geena Davis, Matthew Modine, Frank Langella, Stan Shaw, Maury Chaykin, Rex Linn, Patrick Malahide, Harris Yulin.

No século XVII, quando um velho sujeito está morrendo, decide contar para sua filha Morgan (Geena Davis) sobre uma valioso tesouro escondido por seu pai. O problema é que o homem tem apenas um pedaço do mapa desenhado no couro cabeludo e escrito em latim, enquanto as outras duas partes estão em poder de seus irmãos. 

Para decifrar o mapa, Morgan compra o escravo Shaw (Matthew Modine), que sabe latim e que a ajudará na busca pelo tesouro. Para complicar, um dos tios que tem parte do mapa é o ganancioso Dawg (Frank Langella), que não deseja dividir o tesouro. A outra parte do mapa está com o outro tio, Reed (Maury Chaykin). 

Mesmo sendo um dos grandes fracassos da década de noventa, este longa é uma divertida aventura de ação ao estilo capa e espada, que infelizmente naufragou nas bilheterias sem ter uma aparente causa específica. 

Na época, o diretor Renny Harlin e a estrela Geena Davis estavam casados e no auge das carreiras. Harlin vinha de sucessos como “Duro de Matar 2” e “Risco Total”, enquanto Geena Davis ganhou fama por “Thelma & Louise” e “Uma Equipe Muito Especial” e até o hoje em baixa Matthew Modine tinha uma carreira respeitável. 

O fracasso praticamente enterrou o gênero de filmes com piratas, que já estava em baixa desde anos oitenta após o caro e fraco “Piratas” de Roman Polanski. O gênero teria um novo respiro quase uma década depois com a série “Piratas do Caribe”.

Despertar de um Pesadelo (The Long Kiss Goodnight, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – Renny Harlin
Elenco – Geena Davis, Samuel L. Jackson, Craig Bierko, Brian Cox, David Morse, Yvonne Zima, Tom Amandes, Patrick Malahide, G. D. Spradlin, Melina Kanakaredes, Rex Linn.

Samantha (Geena Davis) trabalha como professora e cuida da filha Caitlin (Yvonne Zima), porém não se lembra do seu passado. Anos atrás, ela foi encontrada desmaiada em uma praia quando estava grávida e com ferimentos. Tentando seguir uma vida normal, Samantha sofre um acidente de carro e uma violenta pancada na cabeça a faz lembrar de algumas situações do passado, quando ela era uma agente secreta do governo. 

Para tentar descobrir sobre sua vida passada, Samantha contrata um detetive picareta (Samuel L. Jackson), ao mesmo tempo em que a notícia do acidente chega a seus antigos parceiros de trabalho, que ficam preocupados com seu reaparecimento e assim decidem matá-la, para que ela não revele segredos. 

Após o fracasso de “A Ilha da Garganta Cortada”, o casal Renny Harlin e Geena Davis tentou novamente emplacar um filme de ação, desta vez com uma trama policial, porém o resultado foi semelhante ao trabalho anterior. O dinheiro investido foi bem menor, mas o filme também fracassou nas bilheterias, apesar de ter uma trama interessante e recheada de cenas de ação, mesmo que algumas um pouco exageradas. Estes dois fracassos marcaram o início do declínio da carreira do casal, que se separariam dois anos depois e jamais voltariam a ter um grande sucesso. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

The Rover - A Caçada

The Rover – A Caçada (The Rover, Austrália / EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – David Michod
Elenco – Guy Pearce, Robert Pattinson, Scoot McNairy, Tawanda Manyimo, David Field.

Deserto australiano, dez anos após o mundo sofrer um colapso econômico e social, as pessoas lutam para conseguir dinheiro e comida para sobreviver. 

Neste cenário, um sujeito (Guy Pearce) deixa seu carro na beira de uma estrada e entra em um decadente estabelecimento para beber algo. Poucos minutos depois, uma caminhonete com três homens que estão fugindo (Scoot McNairy, Tawanda Manyimo e David Field) sofre um acidente no mesmo local. Para continuar a fuga, eles roubam o carro do viajante solitário. O sujeito não se conforma, consegue fazer a caminhonete acidentada funcionar e parte na busca de seu carro. Pelo caminho, ele cruza com o irmão de um dos ladrões, o jovem Rey (Robert Pattinson) que está ferido e que aparentemente tem algum atraso mental. Os dois se juntam e seguem o rastro dos foragidos. 

Com clara referência ao clássico “Mad Max”, o diretor David Michod criou um longa pós-apocalíptico cru, violento e com um ritmo lento, que se casa perfeitamente com os personagens castigados pela vida e pelo sol australiano. 

Diferente do que o subtítulo nacional sugere, a trama está longe de ser um filme de ação, o que provavelmente decepcionou o espectador que esperava uma aventura eletrizante. As sequências de ação existem, porém a história é muito mais sobre dor e desesperança, onde cada personagem tenta se agarrar a alguma coisa para continuar sobrevivendo. 

O destaque é a sóbria interpretação de Guy Pearce, que deixa o espectador curioso sobre o porque da obsessão em recuperar o carro, situação esclarecida apenas na triste sequência final. 

Vale destacar ainda a ótima fotografia que explora as belezas naturais e rústicas do deserto australiano. 

É um filme indicado para o cinéfilo que gosta de tramas que misturam drama e violência.  

domingo, 14 de setembro de 2014

Alta Tensão & O Santuário


Alta Tensão (Haute Tension, França / Itália / Romênia, 2003) – Nota 6,5
Direção – Alexandre Aja
Elenco – Cécile de France, Maiwenn, Philippe Nahon, Franck Khalfoun.

Marie (Cécile de France) e Alexia (Maiwenn) são amigas de universidade que viajam para o interior da França com destino a fazenda onde vivem os pais de Alexia. A fazenda fica num local isolado próximo a um sinistro milharal. As amigas chegam na fazenda a noite e assim que começam a dormir, surge um velho caminhão guiado por um psicopata (Philippe Nahon) que tem o objetivo de assassinar todas as pessoas da casa. 

Com um estilo cru e algumas cenas violentas quase insanas que lembram o superior “Wolf Creek”, este longa fez grande sucesso na França e abriu caminho para o diretor Alexandre Aja fazer carreira em Hollywood, tendo estreado com o interessante “Viagem Maldita”, boa refilmagem do clássico B “Quadrilha de Sádicos, obra de Wes Craven. 

Este “Alta Tensão” tem como pontos positivos o clima aterrador, com uma tensão constante e o vilão assustador, que usa um boné fazendo com que o espectador não consiga ver seus olhos. A atriz Cécile de France, que ficaria conhecida mundialmente em “O Impossível”, também dá conta do recado como a jovem que enfrenta o psicopata. 

Tudo isso poderia render um ótimo filme de terror, porém o problema surge com a surpresa final, que ao invés de qualificar a trama, acaba criando diversos furos no roteiro assinado pelo próprio diretor. O espectador que analisar com calma, perceberá que algumas situações não se encaixam por causa desta reviravolta. 

O resultado é um filme que incomoda por causa do sangue e do clima de terror, mas que infelizmente sente falta de um roteiro melhor.

O Santuário (The Shrine, Canadá, 2010) – Nota 5,5
Direção – Jon Knautz
Elenco – Aaron Ashmore, Cindy Sampson, Meghan Heffern, Trevor Matthews, Vieslav Krystyan.

A jornalista Carmen (Cindy Sampson) fica intrigada com a notícia do desaparecimento de um jovem mochileiro em uma pequena vila no interior da Polônia. A situação é ainda mais estranha, pois a bagagem do rapaz foi enviada de volta para casa. Carmen descobre que nos últimos anos vários jovens sumiram naquela região. Seu editor considera que a notícia não é interessante, mesmo assim, Carmen decide viajar para Polônia e investigar por conta própria. Para este trabalho, ela leva o namorado e fotógrafo Marcus (Aaron Ashmore) e a estagiária Sara (Meghan Heffern). 

Chegando na remota vila, eles percebem uma estranha fumaça no meio da floresta, ao mesmo tempo em que são recebidos pessimamente pelos moradores, que os expulsam do local. Lógico que eles não desistem e decidem descobrir o que existe na floresta, dando início a uma jornada de terror. 

Na última década se tornou comum ambientar filmes de terror e suspense no leste europeu, temos exemplos como “O Albergue” e “A Caverna”. Este “O Santuário” segue o estilo, porém a Polônia filmada aqui fica na verdade em Ontario no Canadá. Este fato não seria problema se o filme fosse bom. 

Os erros começam com o péssimo elenco, onde apenas o conhecido Aaron Ashmore tem uma atuação razoável e seguem pelo fraco roteiro que cria uma motivação simplista para os jovens viajarem por conta para investigar o caso. Como ponto positivo, temos o clima sinistro nas sequências no vilarejo e a interessante reviravolta no final. 

Em alguns momentos o filme lembra “A Vila” de M. Night Shyamalan, porém bem menos complexo e inferior na qualidade.

sábado, 13 de setembro de 2014

Blue Jasmine

Blue Jasmine (Blue Jasmine, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale, Max Casella, Michael Stuhlbarg, Louis C. K., Peter Sarsgaard.

Jasmine (Cate Blanchett) é uma madame que vê seu mundo desabar quando o marido (Alec Baldwin) é preso por dar um golpe em seus investidores. Após perder a casa, Jasmine teve um colapso nervoso e foi obrigada a morar com a irmã Ginger (Sally Hawkins) em um pequeno apartamento em New Jersey. 

Acostumada com uma vida luxuosa, Jasmine sofrerá por ter de trabalhar, sem contar que não suporta os filhos da irmã e nem o namorado desta (Bobby Cannavale). Jasmine ainda é acusada pelo ex-marido de Ginger, Augie (Andrew Dice Clay), de ser a culpada pelo fim de seu casamento, por ela ter insistido para que ele investisse seu dinheiro com o cunhado picareta. 

Todos os habituais conflitos dos filmes de Woody Allen estão presentes aqui, como a protagonista neurótica, as discussões familiares, as mentiras, o adultério, com o toque a mais da cutucada na crise financeira que os Estados Unidos sofre desde 2008, muito por culpa dos especuladores. 

O personagem de Alec Baldwin é a representação do sujeito ganancioso, mentiroso e picareta, daqueles que ostentam com o dinheiro alheio, enquanto a protagonista de Cate Blanchett é a esposa cúmplice, que fecha os olhos para as falcatruas do marido em troca das benesses compradas pelo dinheiro. Ela é ao mesmo tempo vítima e culpada pela situação em que se encontra, não dá para o espectador sentir pena de que alguém que considerava a irmã simples uma estorvo e que no momento de desespero à procura por ajuda. 

Este caráter duvidoso da personagem resulta numa belíssima interpretação de Cate Blanchett, reforçada pela narrativa imposta por Allen, que mostra em paralelo a vida luxuosa e mentirosa com o marido rico e a dificuldade em lidar com os dias atuais.

Para quem é fã do estilo de Allen, este é mais um bom trabalho do diretor.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Cinema, Aspirinas e Urubus

Cinema, Aspirinas e Urubus (Brasil, 2005) – Nota 8
Direção – Marcelo Gomes
Elenco – Peter Ketnath, João Miguel, Hermila Guedes, Osvaldo Mil, Irandhir Santos.

Em 1942, em meio a Segunda Guerra Mundial, o alemão Johann (Peter Ketnath) viaja pelas cidades do sertão nordestino em um pequeno caminhão vendendo a novidade da medicina na época, aspirinas. Para vender o produto, a cada nova cidade que visita, Johann monta uma tela de cinema ao ar livre onde passa cenas da cidade de São Paulo para impressionar os humildes moradores e também propagandas do produto. 

Acostumado a dar caronas para diversas pessoas pelas estradas isoladas, Johann acaba contratando como ajudante o falante Ranulpho (João Miguel), um morador da região que deseja ir para Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. A convivência entre os dois sujeitos de personalidades e culturas completamente diferentes, resulta em um inusitado laço de amizade. 

Este road movie no agreste brasileiro foi uma agradável surpresa, principalmente pela química entre a dupla de protagonistas e pelo triste retrato de uma região abandonada pelos governantes, fato que infelizmente mudou pouco setenta anos depois. 

O bom roteiro pontua a trama com as notícias da guerra através do rádio, o grande meio de comunicação da época. 

Outro ponto positivo são os personagens que surgem na tela, como o “coronel” vivido pos Oswaldo Mil e a jovem Jovelina interpretada com frescor pela ótima Hermila Guedes. 

É interessante notar a forma como são desenvolvidos os dois personagens principais. O alemão de Peter Ketnath trata todos com igualdade, sem preconceitos com os mais humildes, enquanto o personagem de João Miguel é crítico em relação as pessoas da sua região, de uma forma como se ele não fizesse parte daquilo. 

O resultado é um belíssimo filme. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Profissão de Risco

Profissão de Risco (The Bag Man, EUA / Bahamas, 2014) – Nota 5,5
Direção – David Grovic
Elenco – John Cusack, Robert De Niro, Rebecca da Costa, Crispin Glover, Dominic Purcell, Sticky Fingaz, Martin Klebba.

O assassino profissional Jack (John Cusack) é contratado pelo chefão milionário Dragna (Robert De Niro) para buscar uma mala que deverá ser entregue sem que ele veja o conteúdo. Com a mala em mãos, Jack vai para o local de encontro com Dragna, um motel vagabundo de beira de estrada. O problema é que além de um capanga de Dragna que tentou matá-lo, Jack percebe que o motel está sendo vigiado por dois agentes do FBI, sem contar que terá de lidar ainda com o estranho recepcionista (Crispin Glover), com uma dupla de cafetões (Sticky Fingaz e Martin Klebba) e uma prostituta (Rebecca da Costa). 

Alguns diretores acreditam que podem fazer um filme cult por encomenda, o que é um grande erro, um longa se torna cult por diversos fatores, menos pela pretensão. O diretor estreante David Grovic cai nesta armadilha e acaba entregando um filme pretensioso, vazio e previsível. Provavelmente ele acreditou que colocando dois grandes atores como Cusack e De Niro em uma história com toques de noir com personagens coadjuvantes excêntricos seria o suficiente, porém esqueceu que uma trama bem trabalhada é ponto primordial para qualquer filme. Outra situação que irrita é a fotografia escura, resultando em várias sequências visualmente confusas. 

A dupla de astros trabalha no piloto automático, com De Niro usando ainda um estranho topete grisalho. A modelo brasileira Rebecca da Costa serve apenas para mostrar o belo corpo em algumas sequências e nada mais que isso. O único destaque do elenco é o esquisito Crispin Glover como o sinistro recepcionista do motel.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mel Brooks - Parte Final

Alta Ansiedade (High Anxiety, EUA, 1977) - Nota 7
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Madeline Kahn, Cloris Leachman, Harvey Korman, Dick Van Patten, Ron Carey, Barry Levinson.

O Dr. Richard H. Thorndyke (Mel Brooks) é escolhido para ser o novo administrador de um sanatório após a misteriosa morte do anterior. Ao começar seu trabalho, Thorndyke, que também sofre de ansiedade, precisa lidar com a assustadora enfermeira Diesel (Cloris Leachman) e o Dr. Montague (Harvey Korman) que deseja ser o administrador do local. Quando Thorndyke participa de um congresso sobre psiquiatria, ele é procurado por Victoria (Madeline Kahn), filha de um rico industrial que está preso no sanatório como parte de um plano de Diesel e Montague, que mantém pessoas normais internadas para receber os pagamentos pelo tratamento fajuto. 

O foco da paródia de Brooks neste longa são os filmes de Alfred Hitchcock, começando pelo cartaz que lembra “Um Corpo que Cai” e passando por sequências que são homenagens a diversos trabalhos do mestre do suspense. Mesmo sendo um pouco irregular, o resultado diverte o espectador, principalmente aquele que reconhecer nas cenas as homenagens aos filmes de Hitchcock.

A História do Mundo – Parte I (History of the World: Part I, EUA, 1980) – Nota 7
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Dom DeLuise, Madeline Kahn, Gregory Hines, Harvey Korman, Cloris Leachman, Ron Carey, Pamela Stephenson, Syd Caesar.

Dividindo o filme em segmentos para contar a primeira parte da história do mundo a sua maneira, Mel Brooks criou uma divertida e quase insana comédia que apresenta vários personagens históricos. São pequenas histórias, como a primeira que mostra uma importante descoberta do homem, o segmento da Idade da Pedra narrado por Orson Welles, a confusão de Moisés com Os Dez Mandamentos, a gozação em cima do Império Romano com a participação de Jesus Cristo, seguido da Inquisição Espanhola e da Revolução Francesa. 

Como sempre o elenco está recheado dos amigos de Brooks, que interpreta cinco personagens. Os destaques ficam para Dom De Luise como Nero e Gregory Hines como um escravo malandro na época do Império Romano. 

Sou ou Não Sou (To Be or Not To Be, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Alan Johnson
Elenco – Mel Brooks, Anne Bancroft, Charles Durning, Tim Matheson, José Ferrer, Christopher Lloyd, George Wyner,

Em Varsóvia, durante a invasão nazista na Segunda Guerra, Dr. Frederick Bronski (Mel Brooks) é um ator que vive interpretando “Hamlet” no teatro ao lado da esposa Anna (Anne Bancroft) e de uma trupe de atores. Durante o momento em que Bronski recita o monólogo da peça, sua esposa encontra o jovem tenente Sobinski (Tim Matheson) às escondidas. Quanto o cerco nazista aos judeus aumenta, Sobinski revela ser da Resistência e decide ajudar o casal Bronski e a trupe de atores a fugir do país. 

Refilmagem de um comédia de Ernest Lubitsch de 1942, este longa mesmo não tendo Brooks como diretor oficial, fica clara sua influência no estilo da piadas. As trapalhadas que o grupo de atores enfrenta para fugir do país e as diversas cenas da peça de teatro com Brooks interpretando um ator canastrão são típicas de sua carreira. 

Como curiosidade, este foi o único filme em que Brooks contracenou com sua esposa Anne Bancroft. Além disso, também foi o primeiro filme de Brooks sem pelo menos um de seus colaboradores habituais como Dom DeLuise, Madeline Kahn, Harvey Korman e Cloris Leachman.

S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (Spaceballs, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Bill Pullman, Daphne Zuniga, John Candy, Rick Moranis, George Winner, Michael Winslow, John Hurt, Dick Van Patten.

Mesmo tendo sido produzido dez anos depois do sucesso do original “Guerra nas Estrelas”, esta paródia é um dos filmes mais divertidos de Mel Brooks e com certeza seu último trabalho de qualidade. 

O planeta Spaceball sofre com problemas na atmosfera e para salvá-lo, o Presidente Skroob (Mel Brooks) ordena que seu oficial Dark Helmet (Rick Moranis) sequestre a Princesa Vespa (Daphne Zuniga) do vizinho planeta Druidia, para exigir em troca todo o ar do local. O Rei Roland (Dick Van Patten) contrata a dupla de mercenários espaciais Lone Starr (Bill Pullman) e Barf (John Candy) para resgatar sua filha. 

A história absurda é apenas um pretexto para as piadas. Algumas sequências são muito engraçadas, como a entrada em cena de Dark Helmet, que revela ser o pequeno Rick Moranis, as sequências em que Mel Brooks aparece como Mestre Yogurt, a participação de John Hurt tirando um sarro de seu papel em “Alien” e ainda as piadas sonoras do sumido Michael Winslow de “Loucademia de Polícia”.  

A Louca! Louca História de Robin Hood (Robin Hood: Men in Tights, EUA, 1993) – Nota 5,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Cary Elwes, Richard Lewis, Roger Rees, Amy Yasbeck, Dave Chappelle, Isaac Hayes, Mel Brooks, Dom DeLuise, Tracey Ullman, Patric Stewart

Após lutar nas Cruzadas, Robin Hood (Cary Elwes) é preso em Jerusalém, mas consegue escapar com a ajuda de outro prisioneiro (o cantor Isaac Hayes). Em troca da ajuda, o sujeito pede que Robin ajude seu filho (Dave Chappelle) que vive na Inglaterra. Após voltar a Inglaterra, Robin encontra o sujeito e se alia a outros homens para lutar contra o Príncipe John (Richard Lewis) e o malvado Xerife de Rottingham (Roger Rees). 

O estilo de Mel Brooks aqui já se mostrava desgastado, as piadas com a história clássica de Robin Hood não funcionam, sendo mais bobas que engraçadas. O elenco também não ajuda, com exceção das pequenas participações de Isaac Hayes e Dom DeLuise, o restante dos personagens não tem carisma algum.  

Drácula – Morto Mas Feliz (Dracula: Dead and Loving It, EUA / França, 1995) – Nota 6
Direção – Mel Brooks
Elenco – Leslie Nielsen, Peter McNicol, Mel Brooks, Amy Yasbeck, Steven Weber, Lysette Anthony, Harvey Korman.

O último trabalho de Mel Brooks na direção foi esta sátira ao clássico Drácula, resultando num filme um pouco melhor que o fraco “A Louca! Louca História de Robin Hood”, mas mesmo assim longe dos melhores longas de sua carreira. 

As piadas são apenas razoáveis, o que salva o filme é o elenco que se entrega a brincadeira. Mel Brooks como Val Helsing, Peter McNicol com o maluco Renfield e principalmente Leslie Nielsen como um Drácula paspalhão, conseguem tirar algumas risadas do espectador. 

Brooks tinha quase setenta anos na época e provavelmente juntando a idade com o desgaste do seu estilo, ele encerrou a carreira como diretor e continuou apenas com participações especiais em seriados e como dublador em algumas animações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Mel Brooks - Parte I

Mel Brooks começou sua carreira como roteirista em seriados de tv na década de cinquenta, chegando ao sucesso em 1965 quando junto com Buck Henry, criou a marcante série "Agente 86".

O sucesso da série abriu as portas para o cinema, onde estreou em 1968 comandando o clássico "Primavera Para Hitler", que lhe rendeu o Oscar de Roteiro Original.

A partir daí, Brooks seguiu carreira como um dos mais criativos comediantes da história do cinema, sendo o pai dos "filmes paródia", estilo hoje totalmente desgastado, mas que nos anos setenta e oitenta rendeu divertidas comédias.

Brooks dirigiu apenas onze filmes, além de um que não chegou a assinar como diretor, mas foi o mentor intelectual. Dividirei as resenhas em duas postagens, sendo que não assisti apenas "Que Droga de Vida!", um dos últimos trabalhos do diretor.

Primavera Para Hitler (The Producers, EUA, 1968) – Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Zero Mostel, Gene Wilder, Kenneth Mars, Dick Shawn, Estelle Winwood, Lee Meredith.

O produtor Max Bialystock (Zero Mostel) seduz mulheres idosas ricas para bancar suas peças de teatro, que invariavelmente resultam em fracassos. Quando Max conhece o contador Leo Bloom (Gene Wilder), este diz que um fracasso pode ser mais lucrativo que o sucesso, desde que seja vendido um percentual da peça para um grande números de pessoas. A dupla decide aplicar o golpe, vendendo mais de mil por cento em cotas de um musical onde o personagem principal é um Hitler cantor (Kenneth Mars). O que seria a certeza de um fracasso, se torna uma comédia de sucesso que deixa a dupla de golpistas em apuros. Além da ótima dupla principal, o falecido Kenneth Mars está impagável como o imitador de Hitler.

Banzé na Rússia (The Twelve Chairs, EUA, 1970) – Nota 6,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Ron Moody, Frank Langella, Dom DeLuise, Mel Brooks, Andréas Voutsinas, Diana Coupland.

Em 1920 na União Soviética, um aristocrata (Ron Moody) que ficou pobre em consequência da Revolução Russa, descobre que sua sogra deixou uma fortuna em joias escondida dentro de uma cadeira. O problema é que a mulher tinha doze cadeiras idênticas e cada uma delas ficou com uma pessoa diferente. Para piorar a situação, um padre (Dom DeLuise), seu antigo criado (Mel Brooks) e um ladrão (Frank Langella) também ficam sabendo do segredo e partem em busca da fortuna. 

Baseada numa peça de teatro russa que satirizava a revolução ocorrida no país, este filme lembra de longe o clássico “Deu a Louca no Mundo”, onde vários personagens procuravam um tesouro escondido, porém o resultado é irregular, principalmente porque algumas piadas com contexto histórico não funcionam.

Banzé no Oeste (Blazing Saddles, EUA, 1974) - Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Gene Wilder, Cleavon Little, Mel Brooks, Madeline Kahn, Dom DeLuise, Harvey Korman, Slim Pickens, Alex Karras, David Huddleston, John Hillerman.

Numa pequena cidade do velho oeste, onde quase todos os moradores tem o sobrenome Johnson, quando o xerife é assassinado pelos capangas do vilão Hedley Lamar (Harvey Korman), o governador (Mel Brooks) decide dar o cargo para Bart (Cleavon Little), que se torna o primeiro xerife negro do velho oeste. Para tentar colocar ordem na cidade, Bart recebe ajuda de um pistoleiro bêbado (Gene Wilder) e ainda precisa enfrentar os brancos racistas. 

Esta sátira aos clichês do western é um dos trabalhos mais divertidos de Mel Brooks. Sobram farpas para todos os lados. O nome do vilão é uma gozação com a atriz Hedy Lamarr, o personagem de Wilder é o esteriótipo do pistoleiro bêbado comum em vários filmes do gênero, além de Madeline Kahn interpretando uma mulher sedutora ao estilo Marlene Dietrich. Não se pode deixar de destacar o trabalho do falecido Cleavon Little como o protagonista e a absurda sequência final.

O Jovem Frankenstein (The Young Frankenstein, EUA, 1974) – Nota 8
Direção – Mel Brooks
Elenco – Gene Wilder, Peter Boyle, Marty Feldman, Teri Garr, Cloris Leachman, Madeline Kahn, Kenneth Mars, Gene Hackman.

O Dr. Frankenstein (Gene Wilder) é um neurocirurgião que viaja para Transilvânia após receber a notícia da morte do avô. O velho tinha fama de maluco por fazer experiências estranhas. Chegando ao castelo do avô, ele encontra a bela Inga (Teri Garr), que era assistente do velho, o sinistro mordomo Igor (Marty Feldman) e a estranha governanta Frau Blucher (Cloris Leachman). Após encontrar um livro em que seu avô descrevia suas experiências, o jovem médico acredita ter descoberto a fórmula de dar vida aos mortos. Para colocar a experiência em prática, o médico e seus novos amigos desenterram o corpo de um assassino (Peter Boyle), porém o resultado é inesperado. 

Desta vez a sátira de Brooks tinha como alvo os filmes de terror da Universal dos anos trinta e quarenta, utilizando a clássica história do monstro de Frankenstein como ponto de partida para muitas piadas. Vários diálogos são trocadilhos e jogos de palavras intraduzíveis, mesmo assim é impossíveç não rir das situações absurdas. Uma das sequências mais engraçadas é o encontro do monstro com o cego barbudo interpretado por Gene Hackman.

A Última Loucura de Mel Brooks (Silent Movie, EUA, 1976) – Nota 7,5
Direção – Mel Brooks
Elenco – Mel Brooks, Marty Feldman, Dom DeLuise, Bernadette Peters, Sid Caesar, Burt Reynolds, James Caan, Liza Minelli, Paul Newman, Anne Bancroft, Marcel Marceau, Barry Levinson, Howard Hesseman, Harold Gould, Valerie Curtin.

Nesta hilariante comédia, Mel Brooks faz o papel de um diretor de cinema que tem a brilhante ideia de fazer um filme mudo nos dias atuais para tentar salvar o estúdio da falência. Contando com a ajuda dos amigos (o estranho e engraçado Marty Feldman e o gorducho Dom DeLuise), ele sai à caça de astros para participarem de seu filme e assim conseguir financiamento, porém arruma muita confusão ao encontrar figuras como Burt Reynolds, James Caan e Paul Newman, com um detalhe, o filme é sonoro mas tem não tem diálogo algum. 

Esta ótima homenagem ao cinema mudo está recheada de gags e fica ainda mais engraçada com os astros convidados interpretando eles mesmos, não falando uma palavra sequer e ainda sendo alvos das desastradas sequências. 

sábado, 6 de setembro de 2014

Sem Novidade no Front

Sem Novidade no Front (All Quieto on the Western Front, EUA, 1930) – Nota 8
Direção – Lewis Milestone
Elenco – Lew Ayres, Louis Wolheim, John Wray, Ben Alexander, William Bakewell, Slim Summerville.

Início da Primeira Guerra Mundial, uma pequena cidade da Alemanha faz festa para os soldados que seguirão para o campo de batalha. Com uma euforia de patriotismo tomando conta do lugar, um professor faz um belo discurso sobre honra para seus alunos, incentivando os jovens a se alistarem. Vários deles seguem o conselho do professor sem saber que enfrentarão um verdadeiro inferno na linha de frente da guerra. 

Baseado num livro do alemão Erich Maria Remarque, este longa que venceu os Oscars de Melhor Filme e Direção, é uma belíssima obra pacifista, que mostra de forma cru o sofrimento dos jovens que sequer sabiam porque lutavam. Diferente dos filmes sobre a Segunda Guerra, que em sua maioria focavam no heroísmo dos combatentes, esta obra tem como ponto principal o lado humano do soldado. 

Assim que os jovens se apresentam para o treinamento, são surpreendidos ao encontrar o carteiro da cidade como sargento, que os trata como estranhos, inclusive com humilhações. Quando são enviados aos front, descobrem que falta comida, precisam se esconder em trincheiras e chegam ao desespero durante o primeiro bombardeio que enfrentam. No local, eles são “adotados” pelo veterano Kat (Louis Wolheim), que se torna uma espécie de pai para o grupo de jovens, principalmente para Paul (Lew Ayres), o protagonista que terá sua vida transformada pelos horrores da guerra. 

Mesmo sendo impossível comparar, tanto pela diferença de quase sessenta anos entre as produções, quanto pelos estilos dos diretores, este ótimo filme com certeza foi uma das inspirações de Stanley Kubrick para comandar “Nascido Para Matar”.