sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Os Amigos de Eddie Coyle

Os Amigos de Eddie Coyle (The Friends of Eddie Coyle, EUA, 1973) – Nota 7
Direção – Peter Yates
Elenco – Robert Mitchum, Peter Boyle, Richard Jordan, Steven Keats, Alex Rocco, Joe Santos, Mitchell Ryan, James Tolkan.

Eddie “Fingers” Coyle (Robert Mitchum) é um pequeno vigarista que está prestes a ser condenado por ter sido detido dirigindo um caminhão cheio de mercadorias roubadas. Com cinquenta anos de idade, mais esposa e filhos para cuidar, Eddie sabe que se for preso a vida de sua família se transformará em pesadelo. 

Para tentar se livrar da cadeia, ele aceita trabalhar como informante para um policial (Richard Jordan). Eddie negocia a compra de um lote de armas para uma gangue de assaltantes de banco, mas seu verdadeiro plano é entregar o traficante de armas e os ladrões para o policial como pagamento por sua liberdade. 

O diretor inglês Peter Yates ficou famoso pela clássica perseguição de automóveis em “Bullitt”, sequência que criou um estilo e que se transformou quase que obrigatória nos filmes do gênero. Apesar de ter dirigido alguns filmes interessantes, como este que comento aqui, Yates  jamais conseguiu alcançar sucesso semelhante a “Bullitt”. 

O longa aqui tem uma boa história e um protagonista que passa longe de ser um herói ou durão, mesmo tendo sido interpretado pelo astro Robert Mitchum, especialista em vilões. O título é quase uma ironia, pois ninguém é amigo de ninguém na história. Cada um defende seu lado e o pobre Eddie se torna um peão na mãos do policial e de outro informante interpretado por Peter Boyle. 

O filme peca um pouco pela narrativa lenta, mas vale como curiosidade para quem gosta dos longas policiais dos anos setenta.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Transcendense

Transcendense: A Revolução (Transcendense, Inglaterra / China / EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Wally Pfister
Elenco – Johnny Depp, Rebecca Hall, Paul Bettany, Cillian Murphy, Kate Mara, Cole Hauser, Morgan Freeman, Clifton Collins Jr, Josh Stewart.

Na sequência inicial, um sujeito (Paul Bettany) vaga de bicicleta por uma grande cidade, narrando em off que a civilização hoje sobrevive sem energia elétrica ou qualquer tecnologia. A história volta cinco anos, quando descobrimos que o narrador é Max Waters, amigo e parceiro de um brilhante casal de cientistas. 

Will (Johnny Depp) e Evelyn Caster (Rebecca Hall) trabalham em um projeto sobre inteligência artificial, tendo desenvolvido um computador denominado PIN, que é uma espécie de embrião para um objetivo maior, de criar um computador vivo, que pense, decida e tenha emoção como um ser humano qualquer. O trabalho do casal é alvo de protesto de um grupo terrorista, que após cometer um atentado, praticamente obriga Will a acelerar seu projeto, resultando em algo inesperado e extremamente perigoso. 

O cinema já explorou por diversas vezes o medo do avanço tecnológico sem limites, que é o ponto principal deste longa. O tema da inteligência artificial é atual, assim como os grupos que protestam contra este tipo de projeto, seja pelo medo desta tecnologia cair em mão erradas, por questões politicas e até mesmo religiosas. 

A trama também coloca em discussão a questão de até que o ponto a tecnologia pode chegar sem se transformar em uma ameaça. Essas discussões quase filosóficas não chegam a ser aprofundar e são deixadas de lado na parte final, quando o longa se transforma num filme de ação. 

O elenco competente recheado de bons atores e a ótima parte técnica superam a trama, que em alguns momentos é irregular, tem furos e um estranho pulo no tempo de dois anos. 

É um filme interessante, mas que fica claro que a premissa poderia ter rendido algo melhor.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Sem Perdão (1986 & 2013)


Estes dois longas policiais produzidos com quase trinta anos de diferença, tem como única ligação o mesmo título nacional, situação que começa a ser corriqueira e que muitas vezes confunde o espectador menos informado.

Sem Perdão (No Mercy, EUA, 1986) – Nota 7
Direção – Richard Pearce
Elenco – Richard Gere, Kim Basinger, Jeroen Krabbé, George Dzundza, William Atherton, Terry Kinney, Gary Basaraba, Bruce McGill, Ray Sharkey.

Eddie Jillette (Richard Gere) é um policial durão de Chicago, que após prender um pequeno traficante, descobre que o homem tem uma proposta para assassinar um poderoso. Junto com o parceiro Joe (Gary Basaraba), eles se apresentam como matadores de aluguel para o contratante (Terry Kinney) que está acompanhado da bela Michel (Kim Basinger), mas todos acabam surpreendidos por outro assassino. 

O contratante e Joe são assassinados, enquanto Eddie e Michel sobrevivem. Para vingar o parceiro morto, Eddie deixa de lado as regras policiais e segue o rastro de um chefão do tráfico (Jeroen Krabbé) que vive em New Orleans. Ele também se envolve com Michel, que se torna alvo por ser testemunha do crime. 

Produzido numa época em que Richard Gere e Kim Basinger eram astros absolutos em Hollywood, este bom filme policial surpreendentemente fracassou nas bilheterias e recebeu críticas ruins. A história do policial durão que decide resolver a situação na base da violência é tema comum ao gênero, porém o filme ganha pontos com as boas cenas de ação que exploram bem os cenários naturais da região do Rio Mississippi, incluindo no explosivo clímax. A química entre Richard Gere e a voluptuosa personagem de Kim Basinger também são destaque. 

É um filme indicado para quem gosta de se divertir com tramas policiais sem exigir muito.

Sem Perdão (Dead Man Down, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Niels Arden Oplev
Elenco – Colin Farrell, Noomi Rapace, Terrence Howard, Dominic Cooper, Isabelle Huppert, F. Murray Abraham.

O chefe do tráfico Alphonse (Terrence Howard) está recebendo ameaças anônimas e acredita que os responsáveis sejam os traficantes jamaicanos. Ele invade a sede dos rivais e inicia um violento tiroteio. Os jamaicanos são assassinados, mas mesmo assim Alphonse é salvo por Victor (Colin Farrell), um membro de sua gangue que se torna homem de confiança após o fato.

Em paralelo, Victor inicia um flerte com uma vizinha (Noomi Rapace) que tem várias cicatrizes no rosto, consequência de um acidente de carro. O que Victor não imagina é que a jovem tem uma estranha proposta para lhe fazer. 

A premissa é interessante, logo no inicio fica claro que Victor esconde um segredo e com a entrada da vizinha na trama, o roteiro abre espaço para outras possibilidades, que infelizmente não são muito bem exploradas. 

O diretor dinamarquês Niels Arden Oplev, responsável pelo ótimo primeiro filme da trilogia Millenium original, consegue até um criar um bom clima de suspense, com várias sequências noturnas, o problema é que a trama se torna previsível a partir da metade. A narrativa também é irregular, com alguns momentos mortos. 

No final, comprovamos que a boa premissa foi transformada em um filme burocrático.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Boulevard

Boulevard (Boulevard, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Dito Montiel
Elenco – Robin Williams, Kathy Baker, Roberto Aguire, Bob Odenkirk, Giles Matthey, Eleonore Hendricks.

Casado desde jovem com Joy (Kathy Baker), Nolan (Robin Williams) aparentemente leva uma vida normal em uma bela casa de subúrbio. Trabalhando há vinte e cinco anos em um pequeno banco, Nolan recebe uma proposta para se tornar gerente e comandar outra agência. 

O que seria motivo de alegria, na verdade se torna uma angústia para Nolan. Numa certa noite, ele contrata um garoto de programa (Roberto Aguire), com quem cria uma rápida relação de afeto, que mudará totalmente sua vida. 

O diretor Dito Montiel é especialista em filmes sobre o submundo de Nova York, tendo sido muito elogiado em sua estreia no drama autobiográfico “Santos e Demônios”, em que ele era interpretado por Robert Downey Jr. Infelizmente, seus filmes posteriores fracassaram, mesmo seguindo um estilo parecido. 

Neste longa que comento agora, Montiel mudou o foco e a cidade, explorando os segredos reprimidos de um personagem que jamais teve coragem de assumir seus desejos. Como é normal aos filmes com tema semelhante, a história é dolorosa, com o sofrimento afetando tanto o personagem principal, quanto sua esposa.

Em um dos seus últimos trabalhos, Robin Williams interpreta com dignidade um papel complicado. 

O resultado é apenas razoável. O ritmo lento não ajuda e as crises enfrentadas pelo protagonista se mostram previsíveis.  

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Freaks & Geeks

Freaks & Geeks (Freaks & Geeks, EUA, 1999)
Criador - Paul  Feig
Produtor - Judd Apatow
Elenco - Linda Cardellini, John Francis Daley, James Franco, Jason Segel, Sam Levine, Seth Rogen, Martin Starr, Busy Phillips, Becky Ann Baker, Joe Flaherty.

Para a maioria das pessoas, o sucesso é consequência do talento e do trabalho, mas se esquecem que "estar no lugar certo, na hora certa" é primordial. Este item seria o que podemos chamar da diferença entre sorte e azar. É caso desta ótima série "Freaks & Geeks", que sofreu neste último item.

Lançado numa época em que ser nerd, geek ou diferente ainda não era "legal" como nos dias atuais, a série foi abortada ao final da primeira temporada após dezoito deliciosos episódios, deixando em aberta a história de jovens personagens cativantes.

A trama se passa em 1980 num colégio em Detroit, girando em torno de dois grupos de amigos. Os "freaks" são o rebelde Daniel (James Franco), sua namorada de personalidade forte Kim Kelly (Busy Phillips), o debochado Ken (Seth Rogen) e o ingênuo Nick (Jason Segel), que passa o dia fumando maconha e que sonha ser baterista de rock. No primeiro episódio, a garota Lindsay (Linda Cardellini) se aproxima do grupo com vontade de mudar sua imagem de menina perfeita.

Enquanto isso, os "geeks" são três garotos que sofrem no primeiro ano de colégio. O mirrado e tímido Sam (John Francis Daley) é irmão de Lindsay e parece ter menos idade dos que os demais colegas. Neal (Sam Levine) é apaixonado por Lindsay e tenta se mostrar maduro. O terceiro garoto é o estranho Bill (Martin Starr), que a princípio para ser meio bobalhão, mas que durante a série intercala frases com absurdas com pérolas inteligentes engraçadíssimas.

É uma pena que apenas uma temporada tenha sido produzida. O talento dos envolvidos foi provado com o sucesso que praticamente todo o elenco alcançou na sequência da carreira. James Franco, Seth Rogen e Jason Segel se tornaram astros, enquanto o produtor Judd Apatow pode ser considerado o pai de uma geração de comediantes.

Se a série tivesse sido produzida dez anos depois, talvez após o lançamento de "The Big Bang Theory", que transformou os nerds em "caras legais", com certeza "Freaks & Geeks" teria uma imensa legião de fãs.

Hoje, resta torcer que um dia Apatow consiga quem sabe reunir o elenco e produzir um longa mostrando a vida dos personagens vinte anos depois.

domingo, 31 de janeiro de 2016

99 Homes

99 Homes (99 Homes, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Ramin Bahrani
Elenco – Michael Shannon, Andrew Garfield, Laura Dern, Clancy Brown, Tim Guinee, Noah Lomax.

Em Orlando, na Flórida, sem conseguir pagar a hipoteca da casa onde mora desde criança, Dennis Nash (Andrew Garfield) é ignorado pelo juiz no tribunal, que dá ganho de causa ao banco credor. No dia seguinte, o corretor de imóveis Rick Carver (Michael Shannon) chega à casa de Dennis acompanhado de policiais para formalizar o despejo. 

Obrigado a sair de casa com a mãe (Laura Dern) e o filho pré-adolescente (Noah Lomax) e seguir para um motel, Dennis não se conforma com a situação. Um determinado fato o aproxima de Carver, que decide contratá-lo. O serviço de Dennis se torna ajudar Carver e sua equipe a expulsar devedores de suas casas. 

A crise financeira que explodiu nos Estados Unidos em 2008 resultou em alguns filmes interessantes como “Margin Call”, “Grande Demais Para Quebrar” e o atual “A Grande Aposta”, porém todos voltados para mostrar o problema no topo da pirâmide. A proposta aqui é diferente, o foco é descrever o sofrimento de pessoas que perderam o emprego durante a crise, não conseguiram pagar suas dívidas e foram despejadas de suas casas, ou seja, a consequência do caos financeiro na vida do cidadão comum. 

O roteiro escrito pelo diretor Ramin Bahrani explora também o mantra repetido por alguns espertos, que dizem que as “oportunidades surgem na crise”. Esta frase é o combustível do personagem de Michael Shannon, que se aproveita da crise para enriquecer com os despejos, sem demonstrar sentimento de remorso algum. 

Por sinal, as sequências dos despejos são angustiantes ao mostrar o desespero de alguns e o desemparo de outros, incluindo uma dolorosa cena com um idoso. 

É um filme triste, daqueles que causam revolta em relação a ganância e a falta de empatia dos seres humanos em relação ao próximo. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras

Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Robert Downey Jr, Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Rachel McAdams, Stephen Fry, Kelly Reilly, Eddie Marsan, Geraldine James.

Londres e Paris estão sofrendo com atentados à bomba que colocam a relação entre Inglaterra e França em crise. Em Londres, o detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) tem pistas que indicam como suspeito pelos atentados o Professor Moriarty (Jared Harris). 

Com seu jeito peculiar e exagerado, Sherlock consegue arrastar para a investigação seu amigo Dr. John Watson (Jude Law), que está prestes a casar e que não desejava problemas. As pistas levam a investigação da dupla por alguns países europeus, enfrentando os capangas de Moriarty pelo caminho. 

Assim como o longa original, o diretor Guy Ritchie entregou novamente um filme divertido, repleto de cenas de ação criativas, ótimos diálogos e uma boa trama, tudo apoiado no carisma de Robert Downey Jr. 

Vale destacar, que ao atualizar o personagem, o diretor correu o risco de cair no mesmo erro de vários filmes que tentaram transformar personagens clássicos em heróis de ficção, mas felizmente ele acabou se saindo muito bem. 

Quanto ao elenco, além da divertida química entre Downey e Jude Law, o destaque vai também para a pequena e marcante participação de Stephen Fry. Por outro lado, a boa atriz Noomi Rapace está apagada e parece um pouco deslocada na trama. 

Já existem rumores de um terceiro filme. Se for produzido, espera que mantenha a qualidade.  

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pegando Fogo

Pegando Fogo (Burnt, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – John Wells
Elenco – Bradley Cooper, Sienna Miller, Daniel Bruhl, Riccardo Scamarcio, Omar Sy, Sam Keeley, Henry Goodman, Stephen Campbell Moore, Emma Thompson, Uma Thurman, Alicia Vikander.

Após se afastar do trabalho por alguns anos, o chef Adam Jones (Bradley Cooper) reaparece em Londres com o objetivo de voltar a trabalhar em um restaurante de luxo e conseguir a cobiçada “terceira estrela” do guia gastronômico Michelin. 

Com uma personalidade egocêntrica e um passado ligado ao vício em drogas, bebidas e mulheres, a volta de Adam é vista com desconfiança pelos amigos e concorrentes. Ele consegue um emprego de modo pouco sutil ao pressionar o jovem Tony (Daniel Bruhl), um herdeiro milionário que comanda um famoso hotel. De volta à cozinha, Adam precisa lidar com a pressão do trabalho, com sua obsessão pela perfeição e o talento de uma jovem cozinheira chamada Helene (Sienna Miller). 

Hoje vivemos uma época em que os programas de tv e os reality shows transformaram chefs de cozinha em celebridades, sem contar os aventureiros que surgem apresentando seus “pratos maravilhosos”. Confesso que não tenho a mínima paciência com este tipo de programa e considero a chamada “alta gastronomia” uma grande bobagem, que serve apenas para ricos gastarem seu dinheiro em pratos minúsculos por causa do status. 

Dito isso, analisando apenas como cinema, a obra deixa a desejar. O roteiro é repleto de clichês e os personagens totalmente previsíveis. Próximo ao final, uma pequena surpresa com um personagem passa a impressão de que veríamos algo diferente em relação ao destino do protagonista, porém, na sequência a história volta ao rumo do convencional com uma explicação tola. 

O elenco internacional não compromete, mas vários deles são mal aproveitados, como Emma Thompson e Uma Thurman que parecem terem sido escaladas apenas para dar um pouco mais de credibilidade à história. 

Finalizando, é um filme indicado para a geração que curte “Master Chef” e similares, mas mesmo para eles eu indicaria “A Festa de Babette” de Gabriel Axel e “A Grande Noite” que foi dirigido a quatro mãos pelos atores Stanley Tucci e Campbell Scott e que mostra um delicioso banquete italiano, além de apresentar uma sensível história.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Lições em Família

Lições em Familia (Wish I Was Here, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Zach Braff
Elenco – Zach Braff, Kate Hudson, Josh Gad, Mandy Patinkin, Alexander Chaplin, Allan Rich, Jim Parsons, Donald Faison, Pierce Gagnon, Joey King.

Aidan Bloom (Zach Braff) não consegue deslanchar na carreira de ator e por causa disso é sustentado pela esposa Sarah (Kate Hudson), que tem um emprego burocrático e com quem tem um casal de filhos. 

Quando seu pai Gabe (Mandy Patinkin) avisa que está doente e que não poderá mais pagar a mensalidade do colégio dos netos, Aidan se vê numa encruzilhada. Ele precisa decidir se abandona a carreira de ator para tentar outra coisa que lhe garanta uma renda, o que para ele seria desistir do sonho de uma vida. 

O ator Zach Braff ficou conhecido ao protagonizar a sitcom “Scrubs” e surpreendentemente enveredou também para a carreira de diretor, tendo estreado no sensível drama “Hora de Voltar” em 2004. Dez anos depois, Braff arriscou novamente atrás das câmeras e entregou outro simpático drama sobre família, carreira e também religião. 

Além de ser obrigado a decidir qual caminho profissional seguir, o personagem de Braff também precisa se acertar com o pai, com quem tem grandes diferenças, tanto pela escolha da carreira de ator, como na questão religiosa. O pai é um judeu praticante que pagava um colégio judaico para os netos, enquanto Aidan abandonou a fé na adolescência. Aidan lida ainda com o irmão (Josh Gad) que vive em um trailer e que não se relaciona com o pai. 

É um simpático indicado para quem gosta de histórias sobre famílias comuns.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Gibraltar

Gibraltar (Gibraltar, França / Canadá, 2013) – Nota 7
Direção – Julien Leclercq
Elenco – Gilles Lellouche, Tahar Rahim, Riccardo Scamarcio, Raphaelle Agogué, Mélanie Bernier, Philippe Nahon, Aidan Devine, Vlasta Vrana.

Península de Gibraltar, 1987. Marc Duval (Gilles Lellouche) saiu de Paris em busca do sonho de viver próximo ao mar. Ao lado da esposa Clara (Raphaelle Agogué) e da filha ainda bebê, ele comprou um bar e também um barco, porém se afundou em dívidas. 

A chance de quitar as dívidas surge quando um amigo indica Marc para ser informante de um agente francês da aduaneira (Tahar Rahim), que tem o objetivo de interceptar cargas de drogas transportadas pelo mar. A ânsia por lucrar, faz Marc se envolver num complicado esquema de crime internacional, com ramificações na Itália, França, Espanha, Inglaterra e Marrocos. 

Por mais absurda que pareça, esta complexa trama que passa por vários países e cruza diversos personagens é baseada numa história real. O personagem principal se torna um peão nas mãos de traficantes, bandidos e das autoridades, com cada lado tentando conseguir seus objetivos a qualquer custo. 

Mesmo com várias situações que mudam o rumo da trama e alguns pulos no tempo, o filme prende a atenção pela curiosidade em saber como terminaria esta confusão. 

O final é um misto de crueldade, hipocrisia e mentiras.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Brooklyn

Brooklyn (Brooklyn, Irlanda / Inglaterra / Canadá, 2015) – Nota 8
Direção – John Crowley
Elenco – Saoirse Ronan, Domhnall Gleeson, Emory Cohen, Jim Broadbent, Julie Walters, Jane Brennan, Fiona Glascott, Jessica Paré.

Em meados dos anos cinquenta, a jovem Eilis Lacei (Saoirse Ronan) deixa uma pequena cidade na Irlanda para viver em Nova Iorque.

Mesmo com a ajuda de um padre (Jim Broadbent) que a indica para um emprego e consegue um bom lugar para morar, Eilis a princípio sofre com a distância da mãe e da irmã, até conhecer Tony (Emory Cohen), um jovem filho de italianos.

Uma determinada situação faz Eilis voltar à sua cidade, fato que a deixa em dúvida sobre a comodidade de morar em casa ou o sonho de viver na América. 

Poucas vezes o cinema retratou o tema da imigração de forma tão sensível, sem apelar para o melodrama, focando apenas em uma jovem comum que sonha com uma vida melhor através do trabalho. Os pequenos dramas do dia a dia que a garota Eilis enfrenta são situações universais, lógico que voltados para a realidade dos anos cinquenta. 

O ótimo roteiro é valorizado pela grande interpretação de Saoirse Ronan, que é americana descendente de irlandeses e pela belíssima recriação de época. 

É um ótimo drama que merece ser visto.  

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Quarto do Jack

O Quarto do Jack (Room, Irlanda / Canadá, 2015) – Nota 8,5
Dreção – Lenny Abrahamson
Elenco – Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy, Tom McCamus, Sean Bridges, Wendy Crewson.

O longa começa com uma mãe (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) em um pequeno quarto que tem apenas uma luz natural que vem da claraboia no teto. Eles passam o dia brincando, inventando coisas para fazer e assistindo tv. Quando um estranho homem entra no quarto, o espectador descobre que mãe e filho estão presos no local. 

A trama é ao mesmo tempo simples e complexa. Simples ao explorar uma premissa que lembra um filme se suspense comum e complexa a partir do momento em que mãe e filho precisam encontrar seu lugar na sociedade. Ela sente dificuldades em se readaptar, incluindo ter de aceitar mudanças ocorridas em sua família, enquanto o garoto de apenas cinco anos descobre que o mundo é muito maior do que o quarto em que ele vivia. 

É um doloroso drama sobre traumas e descobertas, apoiado principalmente nas ótimas interpretações da dupla de protagonistas. O garoto Jacob Tremblay apresenta umas das interpretações mais espontâneas e sensíveis dos últimos anos, com uma sinceridade cativante. Brie Larson já havia demonstrado talento para o drama no ótimo “Temporário 12” e tem tudo para se tornar uma grande atriz nos próximos anos. 

Para quem gosta do gênero, este longa é obrigatório.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Creed: Nascido Para Lutar

Creed: Nascido Para Lutar (Creed, EUA, 2015) – Nota 8
Direção – Ryan Coogler
Elenco – Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Tony Bellew, Ritchie Coster, Wood Harris.

Após passar por vários lares adotivos e reformatórios, o adolescente Adonis Johnson é localizado por Mary Anne Creed (Phylicia Rashad) e descobre ser filho ilegítimo do falecido campeão de boxe Apollo Creed. 

Anos depois, adulto, formado e trabalhando, Adonis (Michael B. Jordan) sonha em se tornar boxeador como o pai que ele jamais conheceu. Para tristeza de Mary Anne, Adonis abandona tudo para se dedicar ao boxe. Ele segue para Filadélfia com objetivo de convencer o antigo campeão Rocky Balboa (Sylvester Stallone) para treiná-lo. 

O diretor e roteirista Ryan Coogler chamou a atenção do público com o drama “Fruitvale Station”, quer tinha o mesmo Michael B. Jordan como protagonista. O sucesso do longa independente abriu caminho para Coogler emplacar esta sequência da franquia Rocky, colocando o velho personagem como coadjuvante. 

A premissa é simples, Coogler utiliza o personagem Adonis como uma última chance para Rocky sentir o calor do ringue, mesmo estando do lado de fora das cordas. Ao mesmo tempo, é como se fosse uma passagem de bastão de mestre para aluno, algo parecido com que o personagem Mickey interpretado por Burgess Meredith fez com Rocky nos dois primeiros filmes da série. 

É interessante também a forma como a câmera de Coogler capta as lutas. Com planos fechados, quase cara a cara com os boxeadores, o espectador fica com a sensação de que está assistindo o combate na primeira fila. 

Longe de apresentar surpresas, o filme ganha pontos pela simplicidade da trama e das emoções, tanto na vida pessoal dos personagens, como nas violentas lutas. 

O filme já rendeu um Globo de Ouro de Ator Coadjuvante para Stallone e tem grandes chances de levar o Oscar neste categoria, o que seria uma bela homenagem ao ator e ao personagem.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Rocky Balboa

Rocky Balboa (Rocky Balboa, EUA, 2006) – Nota 8
Direção – Sylvester Stallone
Elenco – Sylvester Stallone, Burt Young, Antonio Tarver, Geraldine Hughes, Milo Ventimiglia, Tony Burton, A. J. Benza, James Francis Kelly III, Talia Shire.

O ex-boxeador Rocky Balboa (Stallone) está aposentado, viúvo e vivendo como dono de um restaurante na Filadélfia. Rocky passa seus dias contando histórias sobre suas lutas para os fregueses e tentando se aproximar do filho (Milo Ventimiglia). 

Sua vida tem uma nova reviravolta após um canal de TV criar em computador uma luta virtual entre ele e o atual campeão de boxe Mason Dixon (Antonio Tarver). O sucesso da luta virtual faz com que os empresários de Dixon convidem Rocky para um luta de exibição, com o objetivo de aumentar a simpatia pelo campeão, que não tem carisma algum junto ao grande público. 

Quando este “Rocky Balboa” foi lançado, Stallone estava há dez anos enfrentando fracassos sucessivos no cinema. Seu último trabalho de qualidade havia sido “Copland” de 1997, que também havia fracassado nas bilheterias. O retorno ao personagem que o transformou em astro foi uma espécie de última cartada, que surpreendentemente deu certo. 

O grande acerto do roteiro escrito por Stallone está na simplicidade da história, que recicla a ideia do primeiro filme transportando o herói de volta ao mundo das pessoas comuns e tendo de enfrentar situações universais como a perda de um ente de querido, a dificuldade em lidar com o filho e os problemas da idade. Até mesmo a luta exibição que a princípio seria uma loucura, é retratada de uma forma que envolve o espectador. 

Este longa aparentemente encerraria com extrema dignidade a saga deste interessante personagem. Poucos imaginavam que Rocky teria uma nova chance no cinema com outro filme surpreendente, o atual “Creed”.