terça-feira, 30 de setembro de 2014

Taras Bulba

Taras Bulba (Taras Bulba, EUA / Iugoslávia, 1962) – Nota 6
Direção – J. Lee Thompson
Elenco – Yul Brynner, Tony Curtis, Christine Kaufmann, Sam Wanamaker, Brad Dexter, Guy Rolfe, Perry Lopez, George Macready.

No século XVI, a região da Ucrânia era dominada pelos poloneses, que quando se viram atacados pelos turcos, pediram ajuda aos cossacos, um povo guerreiro que vivia na região. Os turcos foram derrotados, porém os poloneses aproveitaram para dominar também os cossacos, que eram considerados inferiores. O líder dos cossacos era Taras Bulba (Yul Brynner), que aceita a situação a princípio, mas deixa claro que na primeira oportunidade tentará retomar suas terras. 

Anos depois, Taras envia seus filhos Andrei (Tony Curtis) e Ostap (Perry Lopez) para estudarem em Kiev, local também sob o domínio dos poloneses. Para sua surpresa, Andrei se apaixona pela bela Natalia (Christine Kaufmann) filha do governador, ao mesmo tempo em que Taras planeja reunificar seu povo para enfrentar os poloneses. 

Baseado num famoso romance russo de Nikolas Gogol, esta aventura comandada pelo inglês J. Lee Thompson (“Os Canhões de Navarone” e “Círculo do Medo”) resulta num filme irregular. O roteiro falha na passagem do tempo e deixa a impressão de que a história foi picotada. O filme também falha na escolha do diretor em criar algumas sequências com músicas e danças para mostrar que o povo cossaco era beberrão e festeiro. 

As cenas de ação são razoáveis, mas passam longe da qualidade de outros filmes da época que também apresentavam batalhas com vários figurantes. Vale destacar a agilidade de Tony Curtis, que pula muros, sobe em telhados e corre por todos os lados em algumas sequências. 

Algumas curiosidades marcam o filme. O astro Tony Curtis e a bela Christine Kaufman se conheceram durante as filmagens e se casaram pouco tempo depois, com o detalhe de que a garota tinha apenas dezesseis anos. O casal ainda trabalhou junto na divertida comédia “Monsieur Cognac”, antes de se separar em 1967. 

Tony Curtis, que faleceu em 2010, teve seis casamentos e vários filhos, entre eles a atriz Jamie Lee Curtis. 

Outra informação curiosa é que Yul Brynner era apenas cinco anos mais velho que Tony Curtis, mesmo assim foi escolhido para interpretar seu pai neste filme.

Finalizando, as filmagens ocorreram na Califórnia, na Iugoslávia e na Argentina.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Deus e o Diabo na Terra do Sol (Brasil, 1964) – Nota 7
Direção – Glauber Rocha
Elenco – Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Maurício do Valle, Lídio Silva, Sonia dos Humildes.

No sertão nordestino, o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) se revolta ao ser enganado por um fazendeiro e termina por matar o sujeito. Para fugir da perseguição da polícia e dos capangas do fazendeiro, Manuel e sua esposa Rosa (Yoná Magalhães) se juntam a um grupo de religiosos liderado por Sebastião (Lídio Silva) e posteriormente ao bando de cangaceiros comandado por Corisco (Othon Bastos), onde serão obrigados a enfrentar o assassino Antônio das Mortes (Maurício do Valle), que fora enviado para matá-los. 

Considerado pelos críticos como a obra prima de Glauber Rocha, este trabalho me parece superestimado, não que seja ruim, mas está longe de ser tão sensacional como muitos comentam. 

O ponto principal é o roteiro que não poupa críticas a religião, a vida dura do povo do sertão utilizado como massa de manobra e aos fazendeiros conhecidos como coronéis. 

É interessante também enfatizar a dualidade da trama, onde Deus e o Diabo se confundem, temos o religioso que domina o povo, ao mesmo em que o violento cangaceiro protege seus homens. 

O que me desagradou foi o estilo teatral das interpretações, que se mostram discursivas e exageradas, a narrativa lenta cheia de maneirismos, além das cenas de violência quase amadoras. 

É o primeiro filme de Glauber Rocha que assisto, não tenho ainda como comparar com seus outros trabalhos, mas a princípio fiquei com a impressão de que seu talento era muito melhor como roteirista do que diretor.

domingo, 28 de setembro de 2014

Skyline - A Invasão

Skyline – A Invasão (Skyline, EUA, 2010) – Nota 4,5
Direção – Colin & Greg Strause
Elenco – Eric Balfour, Scottie Thompson, Donald Faison, Brittany Daniel, David Zayas, Crystal Reed, Neil Hopkins.

Jarrod (Eric Balfour) e Elaine (Scottie Thompson) viajam a passeio para Los Angeles para visitar Terry (Donald Faison), um amigo de infância de Jarrod que ficou rico. O casal é levado para a cobertura de Terry que fica em um belíssimo edifício, onde participa de uma festa. 

De madrugada são surpreendidos por uma intensa luz, que logo se mostra um foco de energia que puxa as pessoas para uma espécie de nave estacionada no horizonte. O trio junto com duas outras mulheres, tentam se esconder da invasão alienígena e posteriormente buscar uma saída para fugir da cidade. 

Os irmãos Strause são especialistas em efeitos especiais que tentaram migrar para carreira de diretor e cometeram o péssimo “Aliens vs Predador II” e este fraquíssimo “Skyline”. O roteiro primário repleto de clichês é uma piada, assim como as péssimas atuações e o final absurdo. Até mesmo os efeitos especiais tem falhas, principalmente na primeira metade quando surge a estranha luz. 

O longa ganha alguns pontos pelos efeitos especiais a partir do momento em que aparecem as naves com o dia claro e quando as criaturas começam a atacar, mas é pouco para salvar o filme.

sábado, 27 de setembro de 2014

9.79*

9.79* (9.79*, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Daniel Gordon
Documentário

Quando o corredor jamaicano naturalizado canadense Ben Johnson venceu a prova dos cem metros rasos na Olimpíada de Seul em 1988 batendo o recorde mundial, o grande púbico jamais imaginaria que dois dias depois seria divulgado que o atleta fora pego no exame antidoping e assim perderia a medalha. O que era para ser o grande recorde da história do atletismo, se transformou no escândalo do século. 

Este ótimo documentário faz parte da fantástica série “30 for 30” produzida pela ESPN, que conta grandes histórias do esporte mundial. 

O diretor Daniel Gordon colheu depoimentos dos oitos corredores que disputaram aquela final do cem metros, incluindo de Ben Johnson e Carl Lewis, que eram os grandes rivais e favoritos para vitória. 

O grande acerto do documentário é ir fundo na questão do doping, com o diretor conseguindo um depoimento do chefe da equipe que realizou os exames antidoping na Olimpíada de Los Angeles em 1984 e que conta que uma quantidade enorme de atletas usava anabolizantes, o problema é que os exames da época não tinham como detectar o produto. Anos depois, ele mesmo testou as amostras colhidas pelos atletas e decidiu deixar de lado, pois se fosse fundo neste trabalho resultaria num gigantesco escândalo. 

Outros fatos chamam a atenção, como o depoimento de Ben Johnson, que confirma ter utilizado anabolizantes, porém alega que havia parado pelo menos um mês antes da disputa e que acredita ter sido sabotado por outro corredor chamado Andre Jackson a mando de Carl Lewis, denúncia que tem até algum sentido face aos fatos mostrados no doc. Outro ponto é que o próprio Carl Lewis foi pego no antidoping antes de Los Angeles 1984 e seu caso foi abafado pelas autoridades americanas. 

Para deixar o espectador ainda mais estarrecido, no final descobrimos que dois oito finalistas daquela disputa, seis foram pegos no antidoping pelo menos uma vez, apenas o brasileiro Robson Caetano e o americano Calvin Smith terminaram a carreira limpos. 

Por sinal, Calvin Smith que era o recordista dos cem metros, deixa claro sua mágoa em saber que enquanto corria com base apenas nos treinos, a maioria de seus oponentes utilizava drogas para melhorar o desempenho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Grande Demais Para Quebrar

Grande Demais Para Quebrar (To Big To Fail, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Curtis Hanson
Elenco – William Hurt, Billyu Crudup, James Woods, Paul Giamatti, Topher Grace, Bill Pullman, Cynthia Nixon, Ayad Akhtar, Tony Shalhoub, Evan Handler, Edward Asner, John Heard, Kathy Baker, Amy Carlson, Michael O’Keefe, Joey Slotnick, Ajay Metha, Matthew Modine, Dan Hedaya, Peter Hermann.

Sei que economia é um tema que passa longe do gosto do grande público, principalmente pelo complexo mecanismo de funcionamento e os termos utilizados pelos profissionais da área que ajudam a afastar o interesse das pessoas, mas mesmo assim é necessário tentarmos entender um pouco, pois o que ocorre no mercado financeiro influencia direta e indiretamente nossa vida. 

Este longa de Curtis Hanson, junto com “Margin Call – O Dia Antes do Fim” e os documentários “Trabalho Interno” e “Capitalismo – Uma História de Amor”, são obras que se completam ao mostrar as causas da séria crise financeira que os Estados Unidos enfrentam desde 2008. Todas as situações mostradas nestas obras servem como exemplo para qualquer país capitalista, incluindo o Brasil, é claro. 

Este “Grande Demais Para Quebrar” foca a explosão da crise financeira americana em meados de 2008, quando o banco Lehman Brothers está à beira da falência e seu CEO (James Woods) ainda tenta lucrar com uma possível venda, mas falha nas negociações. 

O Secretário do Tesouro Americano, Henry Paulson (William Hurt), é acionado para tentar encontrar uma solução, pois a falência do Lehman Brothers causaria um efeito dominó e levaria para o buraco outros grandes bancos. 

Durante as reuniões com seus assessores, Paulson é informado por um consultor independente (Michael O’Keefe), que a empresa AIG, a maior seguradora do mundo, também passa por dificuldade e que com certeza iria a falência junto com os bancos, destruindo o sistema financeiro americano, pois todos os bancos utilizavam esta empresa para fazer seguro de seus empréstimos. 

Para tentar salvar a economia do país, Paulson reúne em um final de semana os CEOs dos maiores bancos americanos para tentar costurar uma solução antes do desastre. 

O roteiro baseado no livro do jornalista Andrew Ross Sorkin detalha todo o processo de negociações entres as autoridades dos governo e os chefões dos grandes bancos, com um detalhe, estes personagens são mostrados de uma forma imparcial, sem entrar em juízo de valores ou caráter, mesmo que a culpa pela crise e o quase colapso do país fossem de responsabilidade deles. 

Os quatro filmes que citei são recheados de diálogos, com uma infinidade de informações e personagens, mas são extremamente didáticos para quem deseja saber um pouco sobre o tema.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Homem da Máfia

O Homem da Máfia (Killing Them Softly, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Andrew Dominik
Elenco – Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta, Vincent Curatola, Trevor Long, Max Casella, Sam Shepard, Slaine.

O ladrão Frankie (Scoot McNairy) e o viciado Russell (Ben Mendelsohn) são contratados pelo picareta Johnny “Esquilo” Amato (Vincent Curatola) para assaltarem um clube de jogatina da Máfia. Como o local já fora assaltado anos atrás, Esquilo acredita que os chefões colocarão a culpa no gerente Mark (Ray Liotta), que foi o responsável por aquele assalto e acabou perdoado. A dupla de vagabundos comete o assalto e consegue fugir com o dinheiro. A organização criminosa contrata o assassino profissional Jackie (Brad Pitt) para descobrir quem são os assaltantes e assim eliminá-los. 

O diretor Andrew Dominik comandou o interessante “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, longa também protagonizado por Brad Pitt e deixou boa impressão, porém neste trabalho a parceria não deu bom resultado. Como uma trama totalmente clichê, o diretor tentou chamar atenção através de diálogos engraçadinhos e de personagens excêntricos, mas infelizmente falhou. O filme ficou no meio do caminho entre uma trama policial séria e uma comédia de humor negro involuntária. 

Os destaques ficam para Brad Pitt como o cínico assassino que leva a sério a profissão e a participação do falecido James Gandolfini como outro assassino, este um sujeito depressivo, mulherengo e beberrão. 

Como curiosidade, James Gandolfini, Vincent Curatola e Max Casella trabalharam juntos na série “The Sopranos”. 

Finalizando, o título brasileiro é sacana ao utilizar o mesmo nome do antigo seriado policial dos anos oitenta, sem que o filme tenha ligação alguma. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Munique 1972: Um Dia em Setembro

Munique 1972: Um Dia em Setembro (One Day in September, Suiça / Alemanha / Inglaterra, 1999) – Nota 8
Direção – Kevin Macdonald
Documentário

Este documentário narrado pelo ator Michael Douglas, mostra com detalhes a terrível tragédia ocorrida na Olimpíada de Munique na Alemanha em 1972, quando terroristas palestinos invadiram o parque olímpico e tomaram vários atletas israelenses como reféns, exigindo em troca a soltura de duzentos presos políticos ligados a causa palestina. 

Mais de quarenta anos depois, o tema continua atual, com o conflito entre palestinos e israelenses ainda causando sofrimento e morte aos dois povos. 

O doc não tem a pretensão de buscar as causas ou colocar em discussão o conflito, o diretor Kevin Macdonald foca somente no acontecimento utilizando depoimentos de personagens que participaram da ação, além das imagens da época, já que muitas câmeras estavam no local mostrando ao vivo as negociações entre terroristas e as autoridades alemãs. 

A narrativa disseca os diversos erros nas negociações e a falta de preparo dos alemães que resultaram na tragédia, além da total falta de sensibilidade do Comitê Olímpico Internacional. 

O diretor também ganha pontos ao ter conseguido localizar e convencer o único terrorista palestino vivo que participou da ação a dar seu depoimento sobre o fato. O sujeito conta sua vida e diz que não se arrepende do que fez, pois considera que a ação fez o mundo prestar atenção na causa palestina. 

Como informação, esta interessante obra venceu o “Oscar de Melhor Documentário” e após comandar outros docs, Kevin Mcdonald decidiu seguir carreira no cinema comercial, com destaque para bons filmes como “O Último Rei da Escócia” e “Intrigas do Estado”.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Separação

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã, 2011) – Nota 9
Direção – Asghar Farhadi
Elenco – Peyman Moaadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Babak Karimi, Kimia Hosseini, Ali Asghar Shahbazi.

Em Teerã, a professora Simin (Leila Hatami) e o bancário Nader (Peymar Moaadi) formam um casal à beira do divórcio. Enquanto ela deseja ir para o exterior, ele não quer abandonar o pai (Ali Asghar Shahbazi) que sofre do Mal de Alzheimer. O impasse aumenta com a posição da filha (Sarina Farhadi) que não quer sair do país e também não deseja a separação dos pais. 

Simin decide se mudar para a casa dos pais enquanto não resolve a situação, fato que obriga Nader a contratar uma cuidadora para seu pai. Nader escolhe Razieh (Sareh Bayat), mulher religiosa de família pobre que leva para o trabalho a filha pequena (Kimia Hosseini) e que não conta para o marido (Shahab Hosseini) que está trabalhando. Um determinado fato, somado a algumas pequenas mentiras, cria um conflito que mudará a vida das duas famílias. 

Este belíssimo longa vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro confirmou o talento do diretor Asghar Farhadi (do também ótimo “Procurando Elly”) em expor os problemas e preconceitos da sociedade iraniana na atualidade, onde a modernidade da classe média é o oposto do fundamentalismo religioso forte entre os pobres. 

A separação do casal é o gatilho de uma série de acontecimentos que misturam mentiras, hipocrisia, religião, família e diferenças sociais, numa espécie de variação da teoria do caos. 

O resultado é um ótimo drama sobre pessoas comuns que colocam o orgulho acima da razão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pelé Eterno & Isto É Pelé


Pelé Eterno (Brasil, 2004) – Nota 6,5
Direção – Anibal Massaini Neto
Documentário
Narração – Fulvio Stefanini

Isto é Pelé (Brasil, 1974) – Nota 6,5
Direção – Luiz Carlos Barreto
Documentário
Narração – Sergio Chapelin

Realizados com trinta anos de diferença, este dois documentários sobre a vida e carreira de Pelé são ao mesmo tempo interessantes para quem gosta de ver gols de todos os tipos, especialidade do atleta do século e enfadonhos quando mostram sua vida fora dos campos. São registros que se encaixam perfeitamente com a figura de Pelé, que se foi fantástico dentro do campo, fora dele sempre passou uma imagem de político, se alinhando aos poderosos e colocando o marketing pessoal a frente da espontaneidade. 

O doc de Luiz Carlos Barreto é mais curto, com boa parte mostrando as cenas de jogos e os gols do Pelé, sem entrar em polêmicas ou problemas da vida pessoa, tendo sido produzido como uma espécie de propaganda para o atleta que encerrou sua carreira no Brasil em 1974. 

A obra de Anibal Massaini Neto tem uma produção mais caprichada e teve uma enorme divulgação, mas mesmo assim o resultado da bilheteria não foi o esperado. Por seguir um tempo muito mais longo na vida de Pelé, o doc se mostra mais completo, porém falha em alguns pontos chaves. A narração de Fulvio Stefanini parece trabalho de vídeo institucional, com um tom extremamente formal, assim como os depoimentos de Pelé e de sua família soam falsos e forçados, tudo ensaiado para evitar erros. 

O roteiro toca rapidamente em assuntos quase tabus na vida de Pelé, como os negócios que teve com o sócio conhecido como Pepe Gordo que foram a falência e também na questão da paternidade da falecida Silvia Regina, fato que Pelé foi obrigado a assumir perante a justiça depois de se negar a reconhecer a filha. 

Outro fato complicado é o depoimento de Pelé no início do doc, quando ele cita que tem orgulho da família e de ser negro, para em seguida passar pela tela as fotos das diversas mulheres de sua vida, com o detalhe de todas serem brancas, nem mesmo uma mulata ou morena Pelé assumiu como namorada ou esposa. 

Novamente o ponto positivo são as belas jogadas e os gols de Pelé. 

Resumindo, são docs indicados para os fãs de futebol, que podem utilizar o fast forward nas cenas da vida pessoal do atleta.

domingo, 21 de setembro de 2014

Gallipoli

Gallipoli (Gallipoli, Austrália, 1981) – Nota 8
Direção – Peter Weir
Elenco – Mel Gibson, Mark Lee, Bill Kerr, Bill Hunter, Harold Hopkins.

Na Austrália durante a Primeira Guerra Mundial, Archy Hamilton (Mark Lee) e Frank Dunne (Mel Gibson) são dois corredores que criam amizade durante uma competição e empolgados pela propaganda do exército que promete uma vida melhor para aqueles que aceitarem lutar na guerra, decidem se alistar como voluntários sem imaginar o inferno que os espera. 

Este ótimo drama sobre a sangrenta Batalha de Gallipoli em que australianos e neozelandeses enfrentaram os turcos, foi o primeiro filme que chamou a atenção da crítica internacional para o trabalho do diretor Peter Weir, que mesmo sem ser tão reconhecido como merece, fez uma belíssima carreira Hollywood. Trabalhos como “A Sociedade dos Poetas Mortos”, “O Show de Truman”, “A Testemunha” e “Caminho da Liberdade” são obras marcantes do diretor. 

Além das boas cenas de batalha e da triste história, “Gallipoli” tem como destaque a química entre a dupla principal, que tinha Mel Gibson antes de se tornar um grande astro, interpretando o sujeito mais racional e o australiano Mark Lee como o garoto sempre otimista. 

A trama é uma ficção, porém a batalha foi verdadeira e a forma como os ingleses usaram os soldados australianos e neozelandeses como bucha de canhão, além do dramático final, transformaram este longa em uma das grandes obras que mostram como a guerra é algo totalmente absurdo.   

sábado, 20 de setembro de 2014

Os Anos JK - Uma Trajetória Política

Os Anos JK – Uma Trajetória Política (Brasil, 1980) – Nota 7,5
Direção – Silvio Tendler
Documentário

Neste documentário produzido em 1980, época em que o Brasil vivia o período final da ditadura, quando o governo militar já havia assinado a lei da anistia e as liberdades começavam a ser restauradas, o diretor Silvio Tendler traçou o perfil do país desde o final do Estado Novo com a queda de Getúlio Vargas em 1945, até o final dos anos sessenta quando foi assinado o famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5. 

O foco principal do doc é a carreira política de Juscelino Kubitschek, que nasceu em Diamantina no interior de Minas Gerais em 1902 e com sua inteligência e habilidade política chegou à presidência do país em 1955. Entre erros e acertos, como opinião pessoal, a construção de Brasília foi seu grande erro, Juscelino alavancou a industrialização e por conseqüência o crescimento do país. 

O espectador interessado por história, tem aqui a oportunidade de conhecer os bastidores da política da época, com o diretor detalhando as disputas, as alianças, as tentativas de golpe, além da reação da população naqueles anos, fato que por sinal não era tão diferente do que ocorre nos dias de hoje. 

Os depoimentos de diversas pessoas envolvidas nos acontecimentos enriquecem o doc e dão uma visão diferente de cada fato e personagem. Entre os personagens citados e mostrados em imagens da época vemos Jânio Quadros, Carlos Lacerda, João Goulart, General Henrique Lott, Getúlio Vargas, Tancredo Neves, entre vários outros. 

Vale destacar também a sóbria narração do ator Othon Bastos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Bates Motel - 2º Temporada

Bates Motel (Bates Motel, EUA, 2013-2014)
Criador - Anthony Cipriano
Elenco - Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nestor Carbonell.

O grande clássico "Psicose" de Alfred Hitchcock rendeu sequências fracas, algumas versões e serviu de referência para vários outros filmes, deixando a impressão de que qualquer novo projeto sobre o tema estaria fadado ao fracasso, porém o roteirista Anthony Cipriano teve a ótima sacada de criar uma história mostrando a vida de Norman Bates adolescente, quando os primeiros sintomas de loucura começaram a aparecer.

A primeira temporada foi uma espécie de apresentação dos personagens, dando ênfase aos problemas de Norman (Freddie Highmore) no colégio, com as garotas e a relação edipiana com Norma (Vera Farmiga), sua mãe superprotetora. A trama ainda focava na volta para casa do irmão mais velho de Norman, o rebelde Dylan (Max Thieriot) e a dificuldade da família em se estabelecer na pequena White Pine Bay, local onde compraram um velho motel, sem contar nos conflitos com alguns moradores da cidade.

Depois de algumas mortes na primeira temporada e na descoberta de que a cidade é uma grande produtora de maconha, fato que o xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) precisa aceitar e administrar para evitar conflitos, esta segunda temporada mantém o nível de qualidade e avança ao abordar os problemas atuais da família Bates e os segredos do passado que vem à tona causando sérias consequências.

Não vou me aprofundar nos detalhes da trama, a surpresa é sempre o melhor caminho, mas cito como ponto principal a evolução da loucura da Norman, que com suas atitudes intempestivas causa uma série de incidentes que por consequência resultam em conflitos e mortes na pequena cidade.

O elenco é outro ponto positivo, com a bela Vera Farmiga muito bem como a mãe que carrega vários traumas e que tenta a todo custo proteger o filho, que ela saber ser problemático. O jovem Freddie Highmore deixa de lado os papéis infantis de filmes como "O Som do Coração" e "A Fantástica Fábrica de Chocolates" para criar um Norman Bates assustador nas cenas em que entra em parafuso e que mostra um olhar vazio, sem contar sua estranha voz que ajuda a dar um ar de maluco ao personagem.

O irmão vivido por Max Thierot tem uma atuação apenas aceitável, entre os coadjuvantes os destaques ficam para Olivia Cooke que vive Emma, uma garota que sofre de uma séria doença respiratória e que se torna amiga da filha e o xerife de Nestor Carbonell, personagem duro e justo interpretado pelo ator que ficou conhecido por seu trabalho em "Lost".

Para quem gosta de uma boa história com drama, suspense e violência, a série "Bates Motel" é uma ótima pedida.

Como informação, cada temporada tem apenas dez episódios.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Talk Radio - Verdades Que Matam

Talk Radio – Verdades Que Matam (Talk Radio, EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Eric Bogosian, Ellen Greene, Alec Baldwin, John C. McGinley, Leslie Hope, John Pankow. Michael Wincott, Zach Grenier.

Analisando a filmografia dos grandes diretores, quase sempre encontramos algum longa pouco reconhecido, mas de ótima qualidade. É o caso deste “Talk Radio”, uma crítica feroz aos podres dos Estados Unidos nos anos oitenta e que ainda continua extremamente atual. 

O filme é baseado em uma peça de teatro escrita pelo ator Eric Bogosian, que na época era um desconhecido que conseguiu chamar a atenção de Oliver Stone e ainda foi escolhido como protagonista. 

O personagem principal é o radialista judeu Barry (Eric Bogosian), que vive em Dallas no Texas e apresenta um programa nas madrugadas onde recebe ligações de todos os tipos de ouvintes, sempre ávidos por questioná-lo sobre algum assunto polêmico, proferir ofensas ou até ameaçá-lo. Para cada ligação recebida, Barry provoca o ouvinte com opiniões contrárias, sempre com críticas pesadas aos políticos, as religiões, ao homossexualismo, as drogas, ou seja, todos temas que despertam ódio nas pessoas. 

Quando seu programa é comprado por uma grande estação que pretende transmiti-lo para o país inteiro, seu chefe Dan (Alec Baldwin) tenta persuadi-lo a diminuir o tom das críticas, fato que desperta ainda mais ódio em Barry, que ainda cria conflitos com sua equipe de trabalho (Leslie Hope e John C. McGinley) e precisa lidar com os sentimentos pela ex-esposa Ellen (Ellen Greene), que volta a rondar sua vida. 

É um filme que se sustenta nos inúmeros diálogos, que em várias sequências se transformam em discussões e no atormentado protagonista que não desperta simpatia alguma, seu papel é questionar os valores de uma sociedade hipócrita, mesmo que termine pagando caro por isso.  

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Segredos Mortais

Segredos Mortais (Down the Shore, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Harold Guskin
Elenco – James Gandolfini, Famke Janssen, Joe Pope, Edoardo Costa, John Magaro, Maria Dizzia.

Susan (Maria Dizzia) está em Paris quando conhece Jacques (Edoardo Costa), sujeito que trabalha em um parque cuidando de um carrossel. Algum tempo depois, Jacques chega a uma comunidade à beira da praia em New Jersey para encontrar Bailey (James Gandolfini), o irmão de Susan que comanda um decadente parque de diversões. 

Jacques avisa Bailey que sua irmã faleceu e que ela deixou um testamento doando metade da casa para ele, a mesma casa onde Bailey mora. Mesmo a contragosto, Bailey é obrigado a aceitar o sujeito em casa e o contrata para trabalhar no parque. Ao mesmo tempo, ele sofre por Mary (Famke Janssen), sua ex-namorada que o deixou para casar com seu amigo Wiley (Joe Pope), com quem teve um filho (John Magaro), hoje adolescente com deficiência mental e que também é dono do parque de diversões alugado para Bailey. A morte de Susan e a chegada de Jacques despertam naquelas pessoas sentimentos adormecidos e faz vir à tona um segredo que mudou a vida de todos. 

O título nacional passa a equivocada impressão do filme ser um suspense, quando na realidade é um drama sobre pessoas frustradas. 

A primeira parte é até interessante, enquanto o espectador fica na expectativa de entender porque o francês viajou para os Estados Unidos e decidiu morar com o cunhado desconhecido e também a explicação sobre a separação de Bailey e Mary, porém quando as respostas surgem, elas não convencem. O final então é vazio quase sem sentido. 

É uma pena que as boas interpretações do falecido James Gandolfini, da bela Famke Janssen e de Edoardo Costa não sejam suficientes para salvar o filme.