terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Inimigo

O Inimigo (Neprijatelj, Sérvia / Bósnia / Croácia / Hungria, 2011) – Nota 7,5
Direção – Dejan Zecevic
Elenco – Aleksandar Stojkovic, Vuk Kostic, Tihomir Stanic, Ljubomir Bandovic, Slavko Stimac, Marija Pikic.

Poucos dias após a assinatura do tratado de paz que terminou com a Guerra dos Balcãs em 1995, um grupo de soldados sérvios tem a missão de desativar minas terrestres em uma região rural do país. 

Durante uma visita a uma fábrica abandonada, os soldados encontram um sujeito (Tihomir Stanic) que foi emparedado. O homem diz se chamar Daba e que foi preso por inimigos. Levado a uma casa onde fica uma espécie de base do grupo, o desconhecido aos poucos demonstra atitudes estranhas que despertam desconfiança no soldados. Quando dois outros soldados surgem tentando matar o homem, a situação fica ainda mais tensa. 

Este interessante longa de suspense explora as consequências psicológicas do terror da guerra na mente dos soldados para criar uma história que beira o sobrenatural. Não espere fantasmas ou sustos hollywoodianos, a proposta é fazer com que os personagens sejam influenciados pelo sinistro desconhecido somente com a sugestão de que ele seja mais poderoso do que parece. 

Situações como o ódio entre etnias, as consequências das temíveis minas terrestres e a desesperança das pessoas que tiveram suas vidas destruídas pela guerra são outros componentes da história. 

É um filme indicado para o cinéfilo que gosta de obras que fogem do lugar comum.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Apenas uma Noite

Apenas uma Noite (Last Night, EUA, 2010) – Nota 6
Direção – Massy Tadjedin
Elenco – Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes, Guillaume Canet, Griffin Dunne, Daniel Eric Gold, Stephanie Romanov.

Durante uma festa em Nova York, Joanna (Keira Knightley) desconfia que seu marido Michael (Sam Worthington) tenha um caso com a bela Laura (Eva Mendes), uma nova colega de trabalho do rapaz. Eles discutem em casa e aparentemente fazem as pazes. 

No dia seguinte, Michael viaja a trabalho para Filadélfia com Laura e com o amigo Andy (Daniel Eric Gold). Enquanto Michael parece despertar o desejo por Laura, sua esposa Joanna reencontra em Nova York um antigo amante. O francês Alex (Guillaume Canet) se reaproxima e aproveita a viagem de Michael para tentar seduzir Joanna. 

O roteiro escrito pela diretora iraniana Massy Tadjedin explora a dificuldade que os casais atuais tem em resistir as tentações durante momentos de crise. Relembrar um amor antigo ou curtir uma pessoa nova são dilemas que mexem com as pessoas, despertando ao mesmo tempo desejo por aventura e medo de perder o companheiro por causa da traição. 

O tema é comum ao cinema e já rendeu bons filmes, o problema aqui está na escolha da diretora em transformar a “noite da tentação” em uma discussão sem fim entre os dois casais clandestinos. Esse excesso de diálogos acaba cansando o espectador e resultando num longa no máximo razoável.   

domingo, 22 de janeiro de 2017

Almas Perversas & Desejo Humano


Almas Perversas (Scarlett Street, EUA, 1945) – Nota 7,5
Direção – Fritz Lang
Elenco – Edward G. Robinson, Joan Bennett, Dan Dureya, Margaret Lindsay.

No dia em que completa vinte e cinco anos de trabalho como caixa de banco, Christopher Cross (Edward G. Robinson) recebe um relógio como presente do patrão, além de uma confraternização com os colegas.

No caminho de volta para casa, ele vê uma jovem (Joan Bennett) sendo agredida por um sujeito (Dan Dureya). Motivado pela comemoração e pela bebida, ele ataca o sujeito e defende a mulher, que retribui o agrado com uma caminhada até sua casa. Christopher se apaixona pela jovem, sem saber que ela é gananciosa e amante do sujeito que a agrediu. Para piorar, Christopher vive ainda uma casamento falido com uma viúva desprezível (Margaret Lindsay).

O ótimo roteiro explora o tema clássico do sujeito de meia-idade que leva uma vida ordinária e que decide arriscar tudo ao se apaixonar por uma jovem. A questão principal aqui é a falta de caráter de vários personagens, com exceção do protagonista que se deixa levar pela paixão e mostra uma ingenuidade enorme. O veterano Edward G. Robinson, famoso por interpretar gângsteres e personagens durões, aqui encarna um sujeito totalmente oposto. É uma história que chega a ser cruel e que resulta num interessantíssimo drama.

Desejo Humano (Human Desire, EUA, 1954) – Nota 7,5
Direção – Fritz Lang
Elenco – Glenn Ford, Gloria Grahame, Broderick Crawford, Edgar Buchanan.

Após lutar na Guerra da Coreia, Jeff Warren (Glenn Ford) volta para sua cidade natal no meio-oeste americano e retoma o trabalho em uma estação ferroviária. Ele termina por testemunhar um assassinato cometido por um casal. Carl (Broderick Crawford) e Vicki (Gloria Grahame) matam um ex-amante dela. 

Ao invés de delatar para polícia, Jeff prefere ficar calado e utilizar o fato para se aproximar de Vicki, por quem ele sente atração. É o início de um complicado triângulo onde os dois sujeitos tentam dominar a mulher e a situação. 

Baseado num livro de Emile Zola, este longa também é uma versão de “A Besta Humana”, clássico francês de Jean Renoir que é considerado por muitos um filme melhor e mais forte. Eu não assisti ao original para comparar. Gostei da versão de Fritz Lang, que cria um noir competente, daqueles em que personagem algum é confiável, com a curiosidade de utilizar a estação ferroviária como locação em várias sequências. Para quem gosta do gênero, é mais uma boa opção.

sábado, 21 de janeiro de 2017

A Qualquer Preço

A Qualquer Preço (At Any Price, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Ramin Bahrani
Elenco – Dennis Quaid, Zac Efron, Kim Dickens, Maika Monroe, Heather Graham, Chelcie Ross, Clancy Brown, Ben Marten, Red West, Dan Waller

Em Iowa, Henry Whipple (Dennis Quaid) é um grande fazendeiro que revende sementes de milho modificadas para os produtores locais. Sempre pensando em aumentar o negócio, Henry compra novas terras que pretende dar ao filho mais velho que está prestes a voltar para casa após servir o exército. Ele disputa mercado com outro grande fazendeiro (Clancy Brown). 

Seu filho mais novo Dean (Zac Efron) ajuda na fazenda, mas pretende se tornar corredor de Nascar. Ele disputa corridas locais e espera a grande chance. O conflito por causa da diferença de ideais é apenas um dos problemas que pai e filho precisarão enfrentar e resolver. 

O tema explorado pelo diretor Ramin Bahrani sobre a questão das sementes é incomum para o cinema, porém ao mesmo tempo é atual. A disputa entre fazendeiros para revender sementes e a negociação com a empresa que criou o produto modificado geneticamente foca na questão dos grandes negócios, onde todos tentam levar vantagem. 

O conflito entre pai e filho é clássico, inclusive mostrando que o sangue fala mais forte no momento de crise. Esta situação fica clara também nas atitudes da personagem de Kim Dickens, que interpreta a esposa do protagonista e mãe do jovem corredor. Muitas vezes as pessoas sacrificam até mesmo seu caráter para defender a família. 

Apesar de ter recebido críticas ruins, o longa é um interessante drama familiar, inclusive pesado em alguns momentos. 

Na sequência, Bahrani dirigiu outro drama sobre família e dinheiro, o mais bem elaborado “99 Homes”.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Águas Rasas

Águas Rasas (The Shallows, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Jaume Collet Serra
Elenco -  Blake Lively, Oscar Jaenada, Brett Cullen, Sedona Legge, Angelo Josue Lozano Corzo, Pablo Calva.

Nancy (Blake Lively) consegue chegar em um praia isolada, praticamente desconhecida, local que sua mãe visitou quando estava grávida dela. 

Deixada na praia por um morador local (Oscar Jaenada), Nancy entra no mar para enfrentar as ondas em sua prancha. Dois surfistas estão próximos, mas logo vão embora, enquanto a garota decide ficar. 

Um incidente faz com que Nancy seja atacada por um tubarão. Ela escapa do ataque, mas tem a perna ferida e fica presa em uma rocha no meio do mar, cercada pelo animal faminto. 

O diretor catalão Jaume Collet Serra consegue prender a atenção do espectador explorando um fio de história, com a atriz Blake Lively sozinha na tela por quase todo o longa. A curta duração também ajuda bastante para não deixar o filme cansativo.  

Vale destacar a interpretação da atriz, tanto nas cenas dramáticas, como nas sequências de ação em que ela demonstra talento para natação, inclusive em cenas submarinas. Não sei se era ela mesma nas cenas de surfe. Em caso positivo, destaque também para o talento em cima da prancha. 

O único ponto que desagradou um pouco foi a sequência final, quando o diretor se rendeu ao exagero para finalizar a trama. 

No geral, é um bom filme de suspense com uma ameaça assustadora e uma belíssima locação.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Ele Está de Volta

Ele Está de Volta (Er Ist Wieder Da, Alemanha, 2015) – Nota 7,5
Direção – David Wnendt
Elenco – Oliver Masucci, Fabian Busch, Katja Riemann, Christoph Maria Herbst, Franziska Wulf.

Setenta anos após o final da Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler (Oliver Masucci) acorda assustado no meio de um canteiro, sem saber que a guerra terminou e que estamos em 2015. 

Vestido com seu uniforme, Hitler anda pelas ruas de Berlim e acaba descoberto por um inseguro repórter freelancer (Fabian Busch), que acredita poder vender para um canal de tv a história do maluco que aparentemente imita o Fuhrer. Por mais louco que pareça, uma diretora de tv (Katja Reimann) vê no sujeito a chance de aumentar sua audiência. 

Esta sensacional premissa é desenvolvida como uma crítica social e política com toques de comédia de uma forma que brinca com a bizarra situação. Hitler é mostrado como uma figura que tem o dom da oratória e não tem medo de defender seus ideias. Suas palavras fortes inseridas no contexto atual em que a Alemanha enfrenta a questão dos refugiados, são as mesmas que ele utilizou na década de trinta para colocar o povo ao seu lado no que seria o Terceiro Reich. 

Várias sequências fazem paralelo entre a Alemanha Nazista e o país atual. Em algumas delas, as pessoas conversam com Hitler pensando que estão na frente de um personagem e soltam frases preconceituosas contra estrangeiros. Outro exemplo é a cena em que Hitler descobre a televisão e rapidamente entende o poder dela como instrumento para espalhar suas ideias. 

É um filme que deixa que claro que a forma que Hitler utilizou para manobrar massas é praticamente a mesma que os políticos atuais e a mídia exploram. Falam o que povo deseja ouvir, mas na verdade desejam apenas poder e dinheiro. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Elle

Elle (Elle, França / Alemanha / Bélgica. 2016) – Nota 7,5
Direção – Paul Verhoeven
Elenco – Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efra, Judith Magre, Christian Berkel, Jonas Bloquet, Alice Isaaz, Vimala Pons.

Na cena inicial, Michele (Isabelle Huppert) é estuprada por um sujeito mascarado no chão de sua cozinha. O que normalmente seria um trauma que poderia até destruir sua vida, para Michele é apenas mais um obstáculo a ser ultrapassado. 

Aos poucos, o espectador passa a conhecer a complexa figura de Michele. Ela é dona de uma empresa que desenvolve games, onde desperta um misto de amor e ódio nos funcionários. Sua vida pessoal é conturbada. Ela se mostra decepcionada com o filho, manipula o ex-marido, utiliza o marido da melhor amiga como amante e ainda cria uma estranha relação com o vizinho casado. 

A vitória deste longa em Cannes está ligada a dois fatores: a interpretação de Isabelle Huppert e as polêmicas da história que envolvem sexo e traição. A ótima atriz francesa consegue transmitir com competência as complicadas atitudes da protagonista. Ela jamais se coloca como vítima, mesmo nos momentos em que relembra o estupro, suas atitudes são de reação. 

Ela manipula as pessoas ao seu redor, inclusive mostrando crueldade no trato com a mãe e ódio pelo pai, com quem é obrigada a carregar um pesado trauma de infância. O sexo é outra forma que a personagem utiliza para controlar as pessoas e conseguir o que deseja. Mesmo quando parece que estar sendo usada, na verdade ela está no comando. 

Não considero que seja um grande filme, na verdade é uma interessante obra que pode ser considerada um detalhado estudo sobre uma personalidade complexa e totalmente fora do comum, valorizada pela ótima interpretação de Isabelle Huppert.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Um Ato de Coragem & O Sequestro do Ônibus 657


Um Ato de Coragem (John Q, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Nick Cassavetes
Elenco – Denzel Washington, Robert Duvall, James Woods, Anne Heche, Kimberly Elise, Eddie Griffin, David Thornton, Shawn Hatosy, Ray Liotta, Laura Harring, Ethan Suplee, Obba Babatunde, Kevin Connolly.

John Quincy Archibald (Denzel Washington) sofre com problemas financeiros, mas mesmo assim leva uma vida aparentemente feliz com a esposa (Kimberly Elise) e o filho. Sua vida entra em parafuso quando o filho sofre um mal súbito durante um jogo de beisebol e no hospital descobrem que a garoto precisa de um transplante de coração urgente. O seguro saúde de John não cobre as despesas para o transplante, que desesperado por não ter como arrecadar o valor, decide tomar de refém parte do corpo clínico do hospital, exigindo em troca a cirurgia do filho. 

Por mais que a trama seja absurda, existe um boato de que algo semelhante ocorreu no Canadá nos anos noventa, servindo de inspiração para o filme. O longa precisa ser analisado por perspectivas distintas. A loucura cometida pelo pai é também uma crítica ao sistema de saúde americano, que assim como acontece no Brasil, oferece facilidades para quem tem dinheiro, enquanto os trabalhadores sofrem para conseguir atendimento minimamente humano. É apenas cinema, mas imaginem a dor de um pai ao saber que o filho pode morrer porque ele não tem dinheiro. É algo revoltante.

Por outro lado, analisando como cinema, o filme é competente ao criar uma crescente de tensão valorizada pela interpretação de Denzel Washington e na relação desenvolvida com o negociador da polícia vivido por Robert Duvall. No elenco, vale destacar ainda Ray Liotta como o chefe de polícia e James Woods que interpreta um médico. O longa perde alguns pontos por levar a um final previsível, tipicamente hollywoodiano.

O Sequestro do Ônibus 657 (Heist, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Scott Mann
Elenco – Jeffrey Dean Morgan, Robert De Niro, Dave Bautista, Gina Carano, Morris Chestnut, Lydia Hull, Kate Bosworth, D . B. Sweeney, Mark Paul Gosselaar, Stephen Cyrus Sepher.

Precisando de dinheiro para pagar um transplante para a filha pequena, Vaughn (Jeffrey Dean Morgan) é ignorado por seu patrão Pope (Robert De Niro), que é dono de um barco cassino. Desesperado e revoltado, Vaughn se une a um segurança do cassino (Dave Bautista), que junto com outros dois comparsas decidem roubar o local. O plano dá errado e ao fugirem do cassino os assaltantes são perseguidos por capangas de Pope. Eles terminam por sequestrar um ônibus e passam a ser caçados também pela polícia. 

Por mais que a premissa seja um grande clichê, o desenvolvimento da trama durante sua primeira hora prende a atenção pela agilidade da narrativa e pelas boas cenas de ação, incluindo a perseguição ao ônibus que lembra o ótimo “Velocidade Máxima”

A história desanda na meia-hora final. Por mais que o roteiro escrito pelo também ator Stephen Cyrus Sepher, que interpreta um do assaltantes, tenha uma surpresa esperta em relação ao plano de assalto, ela se perde em meio a um final vergonhoso. São alguns absurdos que forçam para terminar a história de forma positiva, com direito a um diálogo totalmente piegas e incompatível com o restante do filme. A nota seis vale apenas pela primeira hora.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Traços da Lei

Traços da Lei (Brasil, 2013) – Nota 5,5
Direção – Alessandro Luz Braz
Elenco – Alessandro Luz Braz, Gabriela Ramos, Elaine Baldanza, Jackson Junior, Binho Chaveiro.

Marlon das Neves (Alessandro Luz Braz) é um policial civil que investiga uma rede de pedofilia no subúrbio do Rio do Janeiro. Em meio ao trabalho, ele se envolve com a policial militar Carla (Gabriela Ramos). 

Esta produção independente de baixo orçamento foi filmada durante um ano e meio sem verba pública, apenas com apoio de pequenas empresas e dos envolvidos e lançada diretamente no Youtube. 

As interpretações são amadoras, assim como algumas cenas em que pedófilos são espancados que foram filmadas com a imagem distorcida e ângulos estranhos para esconder a falta de talento dos atores para luta. 

O roteiro explora clichês do gênero, como o protagonista que sofre com o passado e que precisa decidir entre seguir a lei ou fazer justiça com as próprias mãos. 

O filme vale como curiosidade e pelo esforço dos envolvidos em fazer cinema com pouco dinheiro. 

A mesma produtora está filmando um novo longa policial que deverá ser lançado em 2017.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Ruína Azul

Ruína Azul (Blue Ruin, EUA / França, 2013) – Nota 7,5
Direção – Jeremy Saulnier
Elenco – Macon Blair, Devin Ratray, Amy Hargreaves, Kevin Kolack, Eve Plumb, David W. Thompson.

Um solitário (Macon Blair) que mora em um carro velho e sobrevive de pequenos furtos, é avisado por uma policial, que aparentemente o conhece, sobre o caso de um detento que fora libertado após cumprir pena por duplo assassinato. Sem dizer palavra alguma, o sujeito decide procurar o ex-presidiário para se vingar. 

Este interessante e violento longa explora a clássica premissa da justiça pelas próprias mãos de uma forma detalhista. Aos poucos, o espectador descobre a motivação da vingança, como ela afetou a vida do solitário andarilho e de algumas pessoas ao seu redor. 

Apesar de várias cenas violentas, a narrativa é sóbria, quase calculista, assim como a vingança planejada pelo protagonista. 

O diretor e roteirista Jeremy Saulnier se mostra extremamente promissor, com ótimo domínio da parte técnica e da narrativa. Seu trabalho seguinte foi o ainda mais violento “Sala Verde”. Agora é esperar para conferir se Saulnier confirmará seu talento nos próximos trabalhos.

sábado, 14 de janeiro de 2017

A Estalagem Maldita

A Estalagem Maldita (Jamaica Inn, Inglaterra, 1939) – Nota 6,5
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Charles Laughton, Maureen O’Hara, Robert Newton, Leslie Banks, Marie Ney.

Cornwal, litoral da Inglaterra, 1819. Após a morte dos pais, a jovem irlandesa Mary (Maureen O’Hara) chega na região para viver com os tios em um hotel chamado “Jamaica Inn”. 

Rapidamente ela descobre que o tio (Leslie Banks) utiliza o local para esconderijo de ladrões e assassinos que formam uma gangue especializada em causar naufrágios para roubar as cargas dos navios. 

A princípio, Mary acredita que possa ser ajudada por Sir Pengallan (Charles Laugton), o magistrado da cidade. Ela não imagina que o homem é o líder por trás da quadrilha. 

Produzido há quase oitenta anos, este longa é uma obra menor na carreira de Hitchcock, fruto ainda de seus trabalhos da chamada “fase inglesa” da carreira. 

Visto hoje, várias sequências filmadas em estúdio se mostram estranhas, assim como as interpretações que são caricatas, com exceção de uma bem jovem Maureen O’Hara, que já vivia uma personagem forte, o que repetiria várias vezes em sua carreira. 

É um filme que hoje vale apenas como curiosidade cinematográfica para os fãs do diretor. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Lenny, O Show Deve Continuar & Star 80


Lenny (Lenny, EUA, 1974) – Nota 7,5
Direção – Bob Fosse
Elenco – Dustin Hoffman, Valerie Perrine, Jan Miner, Stanley Beck.

No início dos anos sessenta, o comediante Lennie Bruce (Dustin Hoffman) ganha fama na vida noturna ao falar de temas tabus como sexo, drogas e preconceito em um show de stand up. A língua solta do comediante também chama a atenção das autoridades, resultando em prisões e processos por ser acusado de desrespeitar os chamados “bons costumes”.

O falecido diretor e coreógrafo Bob Fosse escolheu contar a história real de Lenny Bruce como se fosse um documentário. A vida Lenny é mostrada em flashback desde o início de carreira quando era considerado um imitador medíocre, passando pelo complicado relacionamento com sua esposa Honey (Valerie Perrine) que era stripper, até chegar ao sucesso e aos problemas com as autoridades e com as drogas. Tudo isto é intercalado com depoimentos da esposa, do seu agente (Stanley Beck) e de sua mãe (Jan Milner).

Várias sequências são dos shows de Lennie, que era um sujeito complicado e ao mesmo tempo a frente do seu tempo em relação a falar abertamente sobre tudo. Ele falava há cinquenta anos, sem pudor algum, o que os comediante atuais falam.

O filme e a história de Lennie beiram a depressão. Ele parece angustiado até mesmo nos momentos de felicidade. Vale destacar a atuação exuberante de Dustin Hoffman e a melancolia de Valerie Perrine, que protagoniza algumas cenas ousadas para época. O filme é todo em preto e branco.

O Show Deve Continuar (All That Jazz, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Bob Fosse
Elenco – Roy Scheider, Jessica Lange, Ann Reinking, Leland Palmer, Bem Vereen, Cliff Gorman, Sandahl Bergman, John Lithgow, Max Wright.

Joe Gideon (Roy Scheider) é um famoso diretor de cinema e coreógrafo que trabalha na edição de seu último filme e nos ensaios de um novo musical. Abusando de bebidas, cigarros, drogas e sexo, Joe sofre um infarto que o deixa à beira da morte. Enquanto luta para sobreviver, ele relembra sua vida através de memórias que se transformam em números musicais e conversas com as mulheres de sua vida. 

Este longa é um registro quase autobiográfico da vida e carreira de Bob Fosse. Tendo dirigido apenas cinco filmes e trabalhado como coreógrafo em vários outros, Fosse foi um sujeito que viveu no limite e que faleceu aos sessenta anos em 1987. 

O longa fez grande sucesso, tendo sido indicado para nove Oscars e vencido em quatro categorias. Para quem gosta de musicais ousados, o filme é uma ótima pedida. Para meu gosto, é um filme apenas interessante. 

Star 80 (Star 80, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Bob Fosse
Elenco – Mariel Hemingway, Eric Roberts, Cliff Robertson, Carroll Baker, Roger Rees, David Clennon, Josh Mostel.

No final dos anos setenta, Dorothy Stratten (Mariel Hemingway) é uma jovem canadense que sonha em se tornar modelo e atriz. Seu namorado Paul Snider (Eric Roberts) vê a chance de lucrar investindo na carreira da garota, que logo consegue trabalhos, inclusive posando para a revista Playboy comandada pelo milionário Hugh Hefner (Cliff Robertson). 

A grande chance de alavancar a carreira de atriz surge quando um renomado cineasta (Roger Rees) a contrata para um filme. O que seria um sonho realizado, se transforma em terror quando seu namorado passa a acreditar que está sendo traído. A obsessão do sujeito levará a uma tragédia. 

Baseado na história real da atriz e modelo Dorothy Stratten, este longa foi o último trabalho do diretor Bob Fosse. O filme foca nos bastidores da fama e na paixão doentia de Paul Snider pela jovem. Na vida real, o cineasta com quem Stratten teria tido um caso foi Peter Bogdanovich, que a dirigiu na comédia “Muito Riso e Muita Alegria” de 1981. O roteiro não cita o nome de Bogdanovich, provavelmente para evitar algum processo. 

O filme fracassou nas bilheterias, mas rendeu boas críticas para a atuação de Eric Roberts, que na época era um ator promissor, mas que infelizmente se tornou um “operário” do cinema.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Spectral

Spectral (Spectral EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Nic Mathieu
Elenco – James Badge Dale, Emily Mortimer, Max Martini, Bruce Greenwood, Clayne Crawford, Cory Hardrict, Gonzalo Menendez, Ursula Parker, Stephen Root.

Um soldado das Forças Especiais Americanas é assassinado por algo aparentemente sobrenatural durante uma Guerra Civil na Moldávia. Uma espécie de espectro é captado pelos óculos especiais utilizado pelo soldado. 

Para tentar entender o que aconteceu, um general (Bruce Greenwood) convoca o engenheiro que criou os óculos para analisar a imagem. Clyne (James Badge Dale) fica surpreso ao ver a imagem. Com o auxílio de uma agente da CIA (Emily Mortimer) e de um grupo de soldados liderados pelo Capitão Sessions (Max Martini), Clyne instala uma câmera de maior potência em um tanque e juntos seguem para o campo de batalha com o objetivo de filmar novamente a criatura. É o início de uma terrível batalha. 

Esta produção da Netflix resulta num eficiente longa de ação, ficção e terror, que tem como ponto principal as eletrizantes cenas de ação. A parte técnica muito bem trabalhada é um complemento, incluindo os cenários da cidade destruída e a imagem da “ameaça” que ataca os soldados. 

O roteiro também não compromete, criando até mesmo uma explicação interessante para o que ocorreu, fato revelado na parte final. 

É basicamente um filme pipoca que agradará aos fãs do gênero. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Café Society

Café Society (Café Society, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Steve Carell, Blake Lively, Corey Stoll, Jeannie Berlin, Ken Stott, Sari Lennick, Stephen Kunken, Parker Posey, Paul Schneider, Sheryl Lee.

Nos anos trinta, Bobby (Jesse Eisenberg) viaja de Nova York para Los Angeles com o objetivo de conseguir trabalho com seu tio Phil (Steve Carell), que é um importante agente de atores em Hollywood. 

Bobby começa como uma espécie de office boy do tio, que aos poucos o apresenta para os famosos em grandes festas. A vida na alta sociedade não seduz Bobby, que fica mais interessante na jovem secretária do tio, Vonnie (Kristen Stewart). Em paralelo, seu irmão Ben (Corey Stoll) faz carreira como gângster em Nova York, inclusive utilizando um clube noturno como fachada. 

O olhar crítico de Woody Allen para Hollywood mais uma vez é um dos pontos principais neste simpático longa, além é claro do carinho que demonstra pelos tempos passados. A Hollywood dos anos trinta é mostrada como um local de glamour e futilidades, assim como o paralelo que é feito com submundo novaiorquino, onde bandidos e celebridades se divertiam nos mesmos locais. 

Como é habitual nos filmes de Allen, o roteiro explora ainda os desencontros do amor, as traições e as piadas sobre judaísmo e família. 

A boa química entre Jesse Eisenberg e Kristen Stewart é outro destaque, assim como a interpretação de um contido Steve Carell. 

É mais um bom filme de Allen, indicado principalmente para seus fãs.