quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Último Desafio

O Último Desafio (The Last Stand, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Jee Won Kim
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Forest Whitaker, Eduardo Noriega, Johnny Knoxville, Rodrigo Santoro, Jaimie Alexander, Luis Guzman, Peter Stormare, Harry Dean Stanton, Zach Gilford, Genesis Rodriguez.

Após uma década sem protagonizar um longa, sem contar as pequenas participações nos dois “Os Mercenários” e em “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, Schwarzenegger voltou às telas no seu estilo habitual, com uma trama policial de ação recheada de tiros e explosões. 

Schwarzenegger é o xerife Ray Owens da pequena cidade de Somerton no Arizona, onde leva uma vida pacata e comanda uma equipe que pouco tem a fazer no local. A situação muda quando um chefão do tráfico (Eduardo Noriega) é resgatado por seus comparsas e foge utilizando um carro modificado extremamente veloz. Enquanto isso, outra parte do seu bando está na pequena Somerton construindo uma ponte móvel para o chefão atravessar um canyon e chegar ao México. Ignorado pelo agente do FBI Bannister (Forest Whitaker), que acredita que o xerife é um maluco, Ray e seu pequeno grupo precisarão defender a cidade dos traficantes. 

Se você é fã do gênero, deixe de lado qualquer análise de roteiro ou dos personagens e divirta-se com os boas cenas de ação, mesmo com algumas exageradas. Para os mais exigentes, adianto que a década na política não ajudou o trabalho de Schwarzenegger como ator, ele continua com a mesma dificuldade em mostrar qualquer sentimento, mas seu carisma ainda funciona nas cenas de ação e em alguns diálogos engraçadinhos. 

Como curiosidade, este é o primeiro trabalho em Hollywood do diretor sul-coreano Jee Won Kim, que fez o elogiado “Eu Vi o Diabo”, filme que está na minha lista para conferir.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

The Doors

The Doors (The Doors, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Oliver Stone
Elenco – Val Kilmer, Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Frank Whaley, Kevin Dillon, Kathleen Quinlan, Billy Idol, Michael Wincott, Michael Madsen, Mimi Rogers, Crispin Glover, Dennis Burkley.

A morte do tecladista do conjunto "The Doors" Ray Manzarek nesta semana, fez todos lembrarem do filme de Oliver Stone.

Por alguns anos, Oliver Stone planejou levar a vida do cantor e poeta Jim Morrison ao cinema e conseguiu quando estava no auge da carreira. Stone vinha de sucessos como “Platoon” e “Wall Street”, lançando ainda o polêmico “JFK” no mesmo ano. 

As dificuldades encontradas por Stone estavam na negativa do pai de Morrison, que não queria ver vida do filho nas telas e da família de Pamela Courson, namorada de Morrison, que ficou com os poemas do sujeito após a morte da filha e não aceitou mostrá-los ao diretor. 

Mesmo assim, o projeto saiu do papel e Stone decidiu focar principalmente na polêmica, ao mostrar o relacionamento confuso entre Morrison (Val Kilmer) e a namorada Pamela (Meg Ryan), o acidente de automóvel na infância e as loucuras do sujeito no palco, inclusive o famoso show em Miami onde ele foi preso após praticar atos obscenos. 

Stone vai fundo ainda ao mostrar os exageros do cantor com a bebida e as drogas, inclusive em sequências de alucinação, como a "viagem" após usar peyote numa espécie de ritual com um xamã. 

O bom elenco de apoio acaba sendo apenas uma escada, já que o filme é todo do personagem principal, numa interpretação fantástica de Val Kilmer, de longe a melhor de sua carreira. 

O filme dividiu opiniões, mas vale como registro da vida de um personagem marcante.     

terça-feira, 21 de maio de 2013

Encontro Marcado

Encontro Marcado (Meet Joe Black, EUA, 1998) – Nota 7
Direção – Martin Brest
Elenco – Brad Pitt, Anthony Hopkins, Claire Forlani, Jake Weber, Jeffrey Tambor, Marcia Gay Harden.

O empresário Bill Parrish (Anthony Hopkins) recebe a visita de um sujeito (Brad Pitt) que diz ser a morte e que veio para levá-lo. Bill tenta dissuadir a morte para que ela lhe dê um pouco mais tempo de vida e em troca ele seria uma espécie de guia para que a morte entenda como é a vida na Terra. A morte, que utiliza o corpo de um jovem que morreu atropelado numa cena impressionante, aos poucos se envolve na vida de Bill e parece uma criança descobrindo o mundo, como na cena da manteiga de amendoim. Para complicar ainda mais a situação, a morte se apaixona por Susan (Claire Forlani), a bela filha de Bill, que por seu lado não pode revelar a verdade para a jovem. 

Este ambicioso projeto do diretor Martin Brest foi lançado com três de duração e utilizando uma premissa no mínimo curiosa, fazer a morte entender a vida. A longa duração levou o filme ao fracasso de público.. Um longa com pouco mais de duas horas com certeza atingiria um público maior, pois a trama é interessante e extremamente sensível, ao tocar com inteligência nos medos da morte e da solidão, além da inusitada história de amor. 

O fracasso foi um duro golpe na carreira de Martin Brest, que havia comandado três ótimos filmes, o clássico “Um Tira da Pesada”, “Fuga à Meia-Noite” e “Perfume de Mulher”. Após este trabalho, ele ficou cinco anos sem filmar e voltou com um fracasso ainda maior, o longa “Contrato de Risco”, que acabou com a romance entre Jennifer Lopez e Ben Aflleck e com a carreira de Brest, que não mais voltou a filmar.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Copacabana

Copacabana (Brasil, 2001) – Nota 7
Direção – Carla Camurati
Elenco – Marco Nanini, Miriam Pires, Rogéria, Laura Cardoso, Walderez de Barros, Tonico Pereira, Louise Cardoso, Joana Fomm.

Faltando um dia para completar noventa anos de idade, o fotógrafo Alberto (Marco Nanini) que passou toda a vida no bairro de Copacabana, começa a relembrar fatos marcantes de seu passado, como os antigos bailes de carnaval, os amores e a inauguração do famoso hotel Copacabana Palace. Todas estas lembranças se confundem com as mudanças que ocorreram no bairro durante quase um século.

Após surpreender como diretora em “Carlota Joaquina”, Carla Camurati comandou este longa que é uma grande homenagem ao famoso bairro carioca, acertando na escolha do ótimo Marco Nanini para viver Alberto. Com ajuda de uma boa maquiagem, Nanini convence nas cenas da juventude e também da velhice, sem contar com sua simpática narração da vida do personagem.

O resultado é um sensível longa, que mesmo não sendo um grande filme, vale pelo talento do ator e pela visão nostálgica do bairro de Copacabana. 

domingo, 19 de maio de 2013

A Hora Mais Escura

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Kathryn Bigelow
Elenco – Jessica Chastain, Jason Clarke, Kyle Chandler, Mark Strong, Jennifer Ehle, James Gandolfini, Edgar Ramirez, Harold Perrineau, Fares Fares, Joel Edgerton, Mark Duplass, Fredric Lehne, Stephen Dillane.

Após vencer o Oscar com “Guerra ao Terror”, a diretora Kathryn Bigelow volta a mexer na ferida aberta com os atentados de 11 de Setembro, para desta vez contar a história da caçada a Osama Bin Laden. 

A história começa em 2003, quando a agente da CIA Maya (Jessica Chastain) chega ao Paquistão para trabalhar com outro agente, Dan (Jason Clarke), que capturou um integrante da Al Qaeda e o está interrogando. Na verdade, Dan está torturando o sujeito, fato que a princípio assusta a novata Maya, mas que ela não deixa transparecer. O torturado acaba revelando o nome de Abu Ahmed, que passa a ser considerado a ligação de Bin Laden com o mundo, porém o problema é que ninguém sabe exatamente quem é este sujeito. 

Nos oito anos seguintes, Maya se dedicará a tentar descobrir quem é e onde está Abu Ahmed, numa investigação minuciosa, onde aparecerão inúmeras pistas, sendo que várias delas não levarão a lugar algum, muitos personagens surgirão e várias mortes ocorrerão até que ela consiga chegar ao terrorista e consequentemente descobrir onde Bin Laden está escondido. 

Alguns críticos americanos consideraram que o filme faz apologia a tortura, o que na minha visão é exatamente o contrário. As cenas de tortura mostradas aqui são o espelho do que realmente ocorreu após 11 de Setembro. Os escândalos de Abu Ghraib e Guantanamo confirmam as torturas, o que transforma a escolha da diretora Kathryn Bigelow em um ato corajoso ao não jogar para debaixo do tapete estes fatos, que nas mãos de outro cineasta poderiam ser ignorados, dando ênfase apenas ao “heroísmo americano”. 

O roteiro do jornalista Mark Boal, vencedor o Oscar por “Guerra ao Terror”, está perfeito ao escancarar a hipocrisia e as mentiras do governo americano, fato demonstrado com clareza numa cena em que os agentes da CIA assistem na tv o Presidente Obama dizendo que os Estados Unidos não utilizam a tortura. 

Apesar dos muitos personagens, o elenco tem como ponto principal a atuação de Jessica Chastain, que teve aqui seu primeiro papel como protagonista e aproveitou a chance com uma bela interpretação. Ela acerta na atuação desde a cena inicial, quando esconde o constrangimento para mostrar ser uma profissional, depois durante o filme vemos uma transformação da novata idealista e ambiciosa em alguém que procura vingança e está obcecada em atingir seu objetivo, deixando completamente de lado sua vida pessoal. A cena final é perfeita, ela mostra ao mesmo tempo a personagem se emocionando em saber que conseguiu o que queria, mas percebendo que por outro lado sua vida está vazia. 

sábado, 18 de maio de 2013

Bombas - Atores Famosos, Filmes Ruins - Parte IV

Hoje comento mais quatro filmes ruins protagonizados por famosos.

Hancock (Hancock, EUA, 2008) – Nota 5,5
Direção – Peter Berg
Elenco – Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman, Jae Head, Eddie Marsan.

John Hancock (Will Smith) é um super herói decadente e alcoólatra, que a cada salvamento deixa um rastro de destruição pelo caminho. Quando ele salva o relações públicas Ray (Jason Bateman), este vê em Hancock um potencial cliente, mesmo com sujeito tendo uma péssima reputação com a população. O relutante herói acaba aceitando a ajuda de Ray, mesmo com a esposa do sujeito, Mary (Charlize Theron) sendo totalmente contra. A primeira ação de Ray é fazer com que Hancock aceite ir para a prisão, conforme deseja uma promotora pública, acreditando que rapidamente os crimes aumentarão e todos pedirão a sua soltura. 

Fica difícil comentar mais sobre a trama, que a princípio deixa a impressão de que seria um filme de ação com humor negro, que iria explorar o mal comportamento do herói, porém o roteiro dá uma guinada e transforma a história numa maluca salada russa, que mistura imortalidade, amnésia e pitadas de drama até o final tipicamente hollywoodiano, no pior sentido. Basicamente, tentaram criar uma reviravolta na história através de um segredo absurdo, colocando como pontos principais os efeitos especiais e o carisma de Will Smith, o que acabou sendo pouco para salvar o longa.  

A Jurada (The Juror, EUA, 1996) – Nota 5
Direção – Brian Gibson
Elenco – Demi Moore, Alec Baldwin, Joseph Gordon Levitt, Anne Heche, James Gandolfini, Lindsay Crouse, Tony Lo Bianco, Michael Constantine, Matt Craven, Michael Rispoli.

A artísta plastica Annie Laird (Demi Moore) é escolhida para participar do juri no julgamento de um chefão mafioso (Tony Lo Bianco). O que por si só seria algo desconfortável, se torna um pesadelo quando um sujeito ligado ao mafioso (Alec Baldwin) ameaça Annie e seu filho pequeno (Joseph Gordon Levitt) para que ela convença os outros jurados a absolver o réu. 

Repleto de clichês, este longa foi produzido quando Demi Moore estava no auge da carreira, após o sucesso de filmes como “Proposta Indecente” e “Assédio Sexual”, porém este “A Jurada” marcou o início do declínio da carreira da atriz, que no mesmo ano fez o péssimo “Striptease”. O longa tem até alguns momentos interessantes de tensão, o problema principal é o roteiro totalmente previsível com várias soluções absurdas. 

Divisão de Homicídios (Hollywood Homicides, EUA, 2003) – Nota 5
Direção – Ron Shelton
Elenco – Harrison Ford, Josh Hartnett, Lena Olin, Bruce Greenwood, Isaiah Washington, Lolita Davidovich, Keith David, Master P, Dwight Yoakam, Martin Landau, Lou Diamond Phillips, Gladys Knight, Kurupt, Eric Idle, Robert Wagner.

Em Los Angeles, a dupla de detetives Joe Gavilan (Harrison Ford) e K. C. Calden (Josh Hartnett) estão mais preocupados em suas carreiras paralelas do que no trabalho de policial. O veterano Gavilan que está prestes a se aposentar, dedica boa parte do seu tempo na tentativa de vender imóveis, enquanto o jovem Calden deseja se tornar ator. Quando a dupla tem a missão de investigar o assassinato de um cantor de rap, eles veem a chance de alavancar suas carreiras paralelas através do contato com pessoas influentes do mundo do showbiz. 

Misturar policial com comédia já rendeu bons filmes como “Um Tira da Pesada” e “Assalto Sobre Trilhos”, porém vários outros longas do gênero se perderam na tentativa de fazer graça com a ação policial, sendo o caso deste equivocado trabalho do bom diretor Ron Shelton. Shelton que é um especialista em filmes sobre esporte (“Cobb – A Lenda”, “O Jogo da Paixão” e “Homens Brancos Não Sabem Enterrar”), erra feio ao criar situações sem graça e uma trama policial muito fraca, sem contar que nem mesmo o carisma de Harrison Ford ajuda, deixando a impressão de que o ator está desconfortável. O resultado é um total desperdício do bom elenco. 

Invasão de Privacidade (Sliver, EUA, 1993) – Nota 4
Direção – Phillip Noyce
Elenco – Sharon Stone, William Baldwin, Tom Berenger, Polly Walker, Martin Landau, Colleen Camp, CCH Pounder.

A editora de livros Carly Norris (Sharon Stone) muda para um moderno edifício em Nova York, onde rapidamente se envolve com o misterioso Zeke (William Baldwin), que é dono do prédio e que colocou câmeras em todos os apartamentos para vigiar a vida dos moradores, sem que eles saibam. Ao mesmo tempo, Carly flerta com o escritor Jack Landsford (Tom Berenger), que também mora no local. Carly descobre ainda que algumas mulheres foram assassinados no edifício. Após alguns fatos, ela passa a desconfiar que o assassino possa ser Zeke ou Jack. 

O estrondoso sucesso de “Instinto Selvagem” fez com que os produtores tivessem pressa em utilizar a imagem de Sharon Stone como símbolo sexual e para isso não pouparam dinheiro, mas erraram completamente na escolha do filme. Os produtores pagaram uma fortuna pelo roteiro escrito pelo húngaro Joe Eszterhas, que também escreveu “Instinto Selvagem”, mas provavelmente não leram a história absurda e arrastada escrita pelo sujeito. A escolha do australiano Philip Noyce para a direção foi outro erro, ele que havia comandado o interessante “Jogos Patrióticos” no ano anterior, pouco pode fazer com um roteiro ruim. Para completar, o elenco não ajuda, os canastrões William Baldwin e Tom Berenger tem desempenhos abaixo da crítica. O filme teve uma razoável bilheteria em virtude das cenas quentes com Sharon Stone, mas por outro lado foi massacrado pela crítica, que colocou em dúvida a carreira da atriz.           

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cão Come Cão

Cão Come Cão (Perro Come Perro, Colômbia, 2008) – Nota 7,5
Direção – Carlos Moreno
Elenco – Marlon Moreno, Óscar Borda, Álvaro Rodriguez, Blas Jaramillo, Andres Toro, Julian Caicedo, Paulina Rivas, Diego Quijano.

O filme começa com Victor Peñarada (Marlon Moreno) e dois jovens comparsas torturando um sujeito, tentando fazer com que ele diga onde escondeu o dinheiro. O homem acaba morrendo e os bandidos são obrigados a vasculhar a casa. Victor encontra o dinheiro, mas decide não contar aos comparsas e nem mesmo ao homem que o contratou, Don Pablo (Diego Quijano), que por seu lado “presta serviços” para o chefão El Orejon (Blas Jaramillo). 

Victor alega que o homem morto disse que o dinheiro estava com seu irmão gêmeo. Orejon exige o dinheiro e decide resolver dois problemas de uma só vez. Ele coloca Victor em um quarto de hotel junto com o negro Eusebio Benitez (Óscar Borda), para os dois trabalharem com o estranho Sierra (Álvaro Rodriguez) com a missão de encontrar o gêmeo fugitivo e o dinheiro, porém seu objetivo também é se vingar de Benitez, que teria matado um homem de sua organização. 

Este violento longa colombiano é uma boa surpresa que tem como inspiração os filmes de Tarantino misturados um pouco com o estilo dos irmãos Cohen, tanto nos personagens à margem da lei, quanto na violência estilizada e na câmera nervosa. 

Vale destacar a trilha sonora acelerada com músicas latinas e a montagem que procura ângulos inusitados, como nas cenas em que mostra por debaixo da cama o pequeno santuário criado por Benitez no canto do quarto. 

O roteiro utiliza ainda o tema do misticismo através do papel de uma velha bruxa (Paulina Rivas) que a mando de Orejon fez um trabalho para enlouquecer Benitez, fato que gera interessantes sequências de alucinação. 

Filmado todo em Cali, o diretor aproveita bem o cenário urbano com suas ruas repletas de pessoas, carros e pequenos comércios. 

O resultado é um interessante filme de um país sem tradição no cinema, mais que merece ser descoberto.   

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ran

Ran (Ran, Japão / França, 1985) – Nota 8
Direção – Akira Kurosawa
Elenco – Tatsuya Nakadai, Akira Terao, Jinpachi Nezu, Daisuke Ryu, Mieko Harada, Yoshiko Miyazaki.

No Japão Feudal, o veterano senhor da guerra Hidetora (Tatsuya Nakadai) decide passar a chefia da família para seu filho mais velho, Jiro (Jinpachu Nezu). O fiho do meio é Taro (Akira Terao), um sujeito fraco que é manipulado pela esposa (Mieko Harada). O filho mais novo é Saburo (Daisuke Ryu), que por enfrentar o pai acaba sendo expulso da família. Não demora para o velho Hidetora perceber seu erro, quando seus dois filhos mais velhos o renegam e ele fica abandonado com poucos samurais e com um bobo da corte. A disputa pelo poder leva os irmãos a uma sangrenta guerra, enquanto o velho pai se afunda na loucura. 

Este épico dirigido pelo grande Akira Kurosawa é uma adaptação da clássica obra de Shakespeare “Rei Lear”, aqui transportada para o Japão Feudal com maestria. Para o espectador ocidental, podem parecer estranhas as interpretações em estilo teatral japonês, principalmente nas cenas dramáticas, como nos delírios de Hidetora. Entendendo este tipo de atuação, temos um belíssimo filme sobre família, poder e vingança, com sangrentas sequências de batalhas que em nada devem aos grandes épicos de Hollywood, sem contar a bela fotografia. Kurosawa era um verdadeiro artesão, cada sequência que filmava era como um pintura, sempre preocupado em realçar detalhes e cores. 

O resultado é um filme obrigatório para os fãs do diretor, que por sinal concorreu ao Oscar por este trabalho.   

terça-feira, 14 de maio de 2013

Moonrise Kingdom

Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Wes Anderson
Elenco – Jared Gilman, Kara Hayward, Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman, Bob Balaban, Lucas Hedges.

Em 1965, numa ilha em New England, vive a garota Suzy (Kara Hayward) com seus pais (Bill Murray e Frances McDormand) e três irmãos menores. A mãe tem um caso com o único policial da ilha (Bruce Willis). Em paralelo, num acampamento de escoteiros do outro lado da ilha, os Escoteiro Chefe (Edward Norton) toma conta de uma tropa de garotos, tendo entre eles o órfão Sam (Jared Gilman). O que ninguém sabe é que Sam e Suzy trocam cartas há um ano e decidem fugir para viver uma aventura num belo local da ilha, o Moonrise Kingdom do título. 

Como opinião pessoal, este é o melhor filme de Wes Anderson, um cineasta elogiado pela crítica, mas que até agora não havia me convencido totalmente. A originalidade que ele sempre demonstrou em seus trabalhos, muitas vezes se perdiam na exagerada excentricidade dos personagens, fato que aqui parece ele ter encontrado o ponto ideal. 

Os adultos representados aqui são inseguros, parecem ter perdido as esperanças de sonhar, se deixando levar por uma vida mecânica cheia de frustrações, enquanto a dupla de crianças protagonistas que são vistas como problemáticas pelos adultos, na realidade são os personagens mais maduros e que ainda sonham com amor e aventura. 

Se a construção dos personagens é cativante, a parte técnica não fica atrás, Wes Anderson beira a perfeição na mistura de cores, nos cenários que parecem saídos de um conto infantil e na bela fotografia, sem contar o figurino de cada personagem. Esta gama de ponto positivos casa-se perfeitamente com a bela história de amor juvenil com toques sexuais ingênuos, como na sequência do furo na orelha e a dança dos garotos na praia. 

O resultado é um belíssimo e original filme.  

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Rocha

A Rocha (The Rock, EUA,1996) – Nota 8
Direção - Michael Bay
Elenco – Sean Connery, Nicolas Cage, Ed Harris, Michael Biehn, David Morse, Tony Todd, William Forsythe, John Spencer, John C. McGinley, Xander Berkeley, John Laughlin, Bokem Woodbine, Vanessa Marcil, Greg Collins.

O general Francis Hummel (Ed Harris) toma como reféns várias pessoas que visitam a ilha de Alcatraz, tendo apoio de seus comandados que pertencem a um grupo de elite do exército. Hummel tem em seu poder armas químicas, que ele ameaça lançar sobre São Francisco caso o governo não aceite suas exigências. Ele quer cem milhões de dólares para serem pagos para as famílias de soldados que morreram em missões secretas e que não tiveram apoio algum do governo. 

Para tentar evitar a tragédia, o governo convoca Stanley Goodspeed (Nicolas Cage), um especialista em armas químicas e o obriga a trabalhar com o detento John Patrick Mason (Sean Connery), um espião inglês condenado e único sujeito que conseguiu escapar da prisão de Alcatraz.  A dupla terá a missão de chegar até Alcatraz e encontrar as armas químicas antes que o general decida detoná-las. 

Sensacional como filme de ação, este longa conseguiu reunir a presença marcante do veterano Sean Connery, em um dos seus últimos trabalhos, com Michael Bay e Nicolas Cage no melhor momento de suas carreiras. 

Michael Bay que começou dirigindo vídeo clips, havia estreado como diretor de cinema no ano anterior com o ótimo “Os Bad Boys” e mesmo já demonstrando gosto pelas cenas de ação em câmera lenta, a trilha sonora barulhenta e os cortes rápidos, ainda não era um megalomaníaco de exageros como “Pearl Harbor” e “Os Bad Boys II”. 

Já Nicolas Cage havia vencido o Oscar de Melhor Ator também no ano anterior por “Despedida em Las Vegas” e engataria uma sequência de sucessos como “Con Air”, “A Outra Face”, “Cidade dos Anjos”, Olhos de Serpente’ e “8 MM”. 

Além deste trio, o longa tem ainda coadjuvantes respeitáveis como David Morse, Michael Biehn, o soturno Tony Todd e o falecido John Spencer, sem contar o ótimo Ed Harris como o vilão. 

O resultado é uma diversão de primeira qualidade para os fãs do gênero ação.

domingo, 12 de maio de 2013

A Bela da Tarde

A Bela da Tarde (Belle de Jour, França, 1967) – Nota 7,5
Direção – Luis Buñuel
Elenco – Catherine Deneuve, Jean Sorel, Michel Piccoli, Genevieve Page, Pierre Clementi.

A jovem Severine (Catherine Deneuve) está casada com o médico Pierre (Jean Sorel), porém não consegue consumar seu casamento na cama. Mesmo na difícil situação, o marido é paciente e apaixonado. Em flashbacks, vemos que Severine sofreu abuso quando criança, sendo isso o motivo de sua frieza. 

O comportamento de Severine muda quando um amigo do casal, o galanteador Husson (Michel Piccoli), que está atraído por ela, cita como funciona um bordel que ele frequenta em Paris. Entediada e curiosa, Severine vai conhecer o local e começa a trabalhar para Madame Anais (Genevieve Page), utilizando o nome de “Bela da Tarde”. A situação se complica quando um de seus clientes, o ladrão Marcel (Pierre Clementi) fica obcecado por ela e ameaça contar a verdade para o inocente e traído marido. 

Este clássico dirigido pelo grande Luis Buñuel hoje perde um pouco do impacto da história em virtude da liberdade sexual dos dias atuais, bem diferente da época em que o filme foi feito, onde uma personagem como Severine, que procurava apenas a satisfação sexual era uma exceção. 

O filme vale como registro de época e pelas ótimas interpretações de Deneuve, bem jovem e extremamente linda e do grande Michel Piccoli. 

sábado, 11 de maio de 2013

A Fortaleza Infernal

A Fortaleza Infernal (The Keep, Inglaterra, 1983) – Nota 5,5
Direção – Michael Mann
Elenco – Scott Glenn, Alberta Watson, Jurgen Prochnow, Robert Prosky, Gabriel Byrne, Ian McKellen, William Morgan Sheppard.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, um grupamento nazista chega a um vilarejo na Romênia escondido entre as montanhas. O capitão Woermann (Jurgen Prochnow), que lidera o grupo, decide montar uma espécie de quartel general dentro de uma antiga construção considerada sagrada pelo povo do local. Várias cruzes de cobre estão coladas nas paredes da construção e o guardião do local diz que elas não podem ser retiradas de forma alguma. Durante a noite, dois soldados nazistas decidem arrancar uma das cruzes e liberam uma estranha força que os mata. Ao mesmo tempo na Grécia, um sujeito (Scott Glenn) parece receber a força liberada pelos nazistas e decide seguir viagem até o vilarejo romeno. 

Esta estranha produção inglesa foi o segundo longa para o cinema dirigido por Michael Mann (“O Informante”, “Fogo Contra Fogo”) e nem de longe lembra o estilo mostrado em seus filmes posteriores. 

Mesmo relevando os efeitos especiais hoje ultrapassados, fica complicado entender o sentido do roteiro maluco, que mistura misticismo, guerra e ficção pontuados também por uma estranhíssima música eletrônica do grupo alemão Tangerine Dream. 

O personagem de Scott Glenn é incompreensível, assim como a gratuita cena de sexo entre ele a jovem Alberta Watson, que faz a filha do professor judeu interpretado por Ian McKellen, a princípio apenas um coadjuvante, mas que no final do longa tem um papel mais importante do que os personagens considerados principais. 

O longa vale apenas como curiosidade para os fãs de Michael Mann.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Príncipe Guerreiro & Sheena - A Rainha das Selvas


O Príncipe Guerreiro ou O Senhor das Feras (The Beastmaster, EUA / Alemanha Ocidental, 1982) – Nota 6,5
Direção – Don Coscarelli
Elenco – Marc Singer, Tanya Roberts, Rip Torn, John Amos.

Numa época indefinida, o sacerdote Maax (Rip Torn) alega que seu Deus deseja como oferenda a morte do filho do rei que irá nascer, mas na verdade Maax tem medo de uma profecia das bruxas do reino. Nela consta que o filho do rei matará o sacerdote. Com ajuda das bruxas, Maax transforma o rei em prisioneiro e a rainha é assassinada, porém o bebê acaba salvo por um homem que decide criá-lo em sua aldeia. 

Anos depois, o garoto cresceu e ganhou o nome de Dar (Marc Singer), mas não sabe que é o filho do rei. Durante um ataque de urso, Dar descobre que pode se comunicar com os animais, mas isso não impede que sua aldeia seja destruída por um povo inimigo, os violentos Juns. Com ajuda de um cachorro, Dar se torna um único sobrevivente do massacre e decide procurar vingança. Pelo caminho ele cruzará com animais que se tornarão seus amigos e  o ajudarão na vingança e também na tentativa de salvar a bela escrava Kiri (Tanya Roberts). 

Lançado no mesmo ano que “Conan – O Bárbaro”, esta produção B tem uma trama semelhante, porém tem algumas pitadas de comédia, principalmente nas sequências em que o herói interpretado pelo canastrão Marc Singer (astro da série original “V – A Batalha Final”) interage com os animais. O sujeito tem ajuda de um cachorro, uma águia, um tigre negro e dois furões, por sinal muito bem treinados. O elenco tem ainda o bom ator Rip Torn, que aqui está exagerado como vilão e a fraquinha Tanya Roberts como interesse amoroso do protagonista. Tanya Roberts ficou conhecida pelo seriado “As Panteras”, onde trabalhou nas duas últimas temporadas. Seu último trabalho mais conhecido foi a participação no seriado “That’70s Show”. 

Apesar das falhas do roteiro e das interpretações exageradas, o filme diverte, tem cenas de ação legais e um clima de aventura estilo sessão da tarde. Como curiosidade, o filme foi lançado na época como “O Senhor das Feras”.

Sheena – A Rainha das Selvas (Sheena, EUA / Inglaterra, 1984) – Nota 6
Direção – John Guillermin
Elenco – Tanya Roberts, Ted Wass, Donovan Scott, Elizabeth of Toro, France Zobda, Trevor Thomas.

Durante um safari na África, os pais da pequena Sheena morrem em um acidente e a criança é encontrada por uma nativa. Esta mulher que tem o dom de falar com os animais, cria Sheena como sua filha numa tribo. Anos depois já adulta, Sheena (Tanya Roberts) recebe da mãe adotiva o dom de se comunicar com os animais. Quando um príncipe cruel decide utilizar sua força política para tomar o território onde vive a tribo de Sheena, ela terá de utilizar seu dom para lutar com o sujeito, tendo apoio apenas de um repórter americano (Ted Wass) que se envolve na disputa. 

Baseado numa história em quadrinho, este longa foi uma tentativa de transformar a bela Tanya Roberts em estrela de cinema, porém sua beleza e até agilidade para as cenas de ação não foram suficientes para suprir sua falta de talento. Ela ainda foi uma Bond Girl em "007 na Mira dos Assassinos" produzido no ano seguinte, último filme de Roger Moore como o agente inglês.

O filme é agitado, tem várias cenas de ação interessantes, algumas até com a participação de animais e pode divertir numa sessão sem compromisso, nada mais que isso. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Era da Estupidez

A Era da Estupidez (The Age of Stupid, Inglaterra, 2009) – Nota 7
Direção – Franny Armstrong
Elenco – Pete Postlethwaite

Esta produção mistura ficção e documentário para novamente alertar o público sobre o perigo do aquecimento global. A diretora Franny Armstrong é uma ativista que comandou esta obra para ser utilizada como propaganda na luta contra a diminuição da emissão de gases na atmosfera. O documentário foi lançado pouco tempo antes do Congresso da ONU sobre Mudança de Clima que seria realizado em Copenhagen na Dinamarca em 2009. 

O filme coloca o ator Pete Postlethwaite (falecido em 2011) em 2055 quando a Terra foi devastada pela natureza, com seu personagem vivendo num prédio futurista que se tornou um arquivo mundial com imagens do que foi o planeta antes da tragédia. Ele utiliza um painel para ver imagens da atualidade que mostram depoimentos de vários personagens ligados ao meio ambiente, tanto para o bem, quanto para o mal. Neste ponto surge o documentário real, onde conheceremos os personagens. 

O primeiro é um velho guia turístico francês que vive aos pés do pico Mont Blanc e que vê o gelo do local diminuir ano após ano. Temos um cientista que perdeu tudo com a passagem do Furação Katrina por New Orleans e que por ironia do destino, fez toda sua carreira como funcionário da Shell, umas das petrolíferas que mais prejudicam o meio ambiente. Conhecemos ainda as ideias distorcidas de um empresário indiano dono de uma empresa aérea que ele considera popular. Em contrapartida, é triste ver a luta de um especialista em energia eólica que vê seu sonho de implantar energia limpa e renovável desmoronar na Inglaterra por culpa de parte da população de uma região que não quer perder a bela vista, que no pensamento deles seria estragada pelas hélices e os balões da estrutura do projeto. Além disso, o documentário foca ainda a vida de crianças iraquianas refugiadas na Jordânia e a destruição causada pela Shell com a conivência do governo nigeriano no interior do país. 

Para muitos, o documentário pode parecer alarmante e exagerado, mas analisando com os pés no chão, a apresentação está bem próxima da realidade, deixando claro que as tragédias pontuais que ocorrem hoje são culpa do homem e que estas situações podem ocorrer numa escala maior e bem mais perigosa se a forma como as empresas, os governos e as pessoas comuns não mudarem hoje o pensamento e as atitudes.