sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Testemunha Muda

Testemunha Muda (Mute Witness, Rússia / Inglaterra / Alemanha, 1995) – Nota 7
Direção – Anthony Waller
Elenco – Marina Sudina, Fay Ripley, Evan Richards, Oleg Jankowskij, Alec Guinness.

A jovem Billy Hughes (Marina Sudina) é uma maquiadora muda que está em Moscou trabalhando em um filme de horror vagabundo produzido por sua irmã Karen (Fay Ripley) e dirigido por seu cunhado Andy (Evan Richards). 

Após um dia de filmagens, já na madrugada, Billy está andando pelos estúdios vazios quando encontra um local onde está sendo filmado aparentemente um longa pornô. Curiosa, Billy fica espiando a cena em que um sujeito mascarado está prestes a transar com uma jovem, porém para sua surpresa, o homem tira uma faca e mata a parceira. Assustada, Billy descobre que aquilo é um snuff movie. Ao perceber que foi vista, ela foge desesperada, sendo perseguida pelos produtores do filme que são ligados a Máfia Russa. 

Hoje praticamente esquecido, este agitado thriller mistura o submundo dos snuffs movies com uma conspiração que inclui ainda a KGB. A narrativa acelerada pela cidade de Moscou, valorizada pelo bom roteiro cheio de reviravoltas assinado pelo próprio diretor Anthony Waller, resulta em um interessante suspense. 

O diretor Anthony Waller ainda convenceu o veterano Alec Guinness a fazer uma pequena participação. Guinness estava praticamente aposentado do cinema. 

Infelizmente, o talento promissor de Waller se perdeu em trabalhos posteriores. Os fracos “Um Lobisomem Americano em Paris” e “O Culpado” abortaram sua carreira. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mad Max: Estrada da Fúria

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, Austrália / EUA, 2015) – Nota 8,5
Direção – George Miller
Elenco – Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoe Kravitz, Rosie Huntington Whiteley.

Primitivo, violento e alucinante. Após trinta e seis anos de carreira e há trinta sem fazer um filme de ação, o diretor australiano George Miller comanda aqui sua obra prima. Miller unificou as tramas da trilogia original e escreveu um novo roteiro priorizando as cenas de ação. O longa é basicamente uma violenta perseguição de duas horas pelo deserto australiano, recheadas de cenas sensacionais. 

Diferente do original em que vemos Mad Max Rockatansky (Tom Hardy) ainda como policial, aqui a história mostra o protagonista já vivendo em um mundo apocalíptico e sofrendo com alucinações por não ter conseguido salvar a família. Logo no início, Max é capturado por um grupo de selvagens carecas e totalmente pálidos, que o levam para um local conhecido como “Cidadela”. Max é utilizado como uma “bolsa de sangue” por um dos selvagens que está doente, Nux (Nicholas Holt). 

Quando Furiosa (Charlize Theron) foge em um carro tanque levando as cinco esposas de Immortan Joe (Hugh Keays Byrne), o líder da Cidadela, um grupo de selvagens é enviado para resgatar as mulheres. No grupo está Nux, que amarra Max na frente de seu carro como se fosse um troféu. Este é o início da alucinante perseguição. 

Minha impressão é que desta vez o diretor George Miller conseguiu reunir orçamento e autonomia para fazer o filme que sempre sonhou. O primeiro “Mad Max” era um filme de baixo orçamento que fez sucesso na raça. O segundo teve um maior investimento e resultou em um ótimo longa, porém longe dos recursos desta nova versão. O terceiro filme da série foi o mais fraco, com a mão pesada de um grande estúdio por trás e uma trama com pouca ação que decepcionou os fãs. 

O merecido sucesso já rende boatos de uma nova sequência.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A Epidemia

A Epidemia (The Crazies, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2010) – Nota 6,5
Direção – Breck Eisner
Elenco – Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, John Aylward, Glenn Morshower.

Na pequena cidade de Ogden Marsh em Iowa, um sujeito invade um jogo de beisebol com uma espingarda em punho e termina morto pelo xerife David (Timothy Olyphant). Na noite seguinte, outro homem coloca fogo na própria casa após trancar filho e esposa no quarto. Não demora para o exército invadir a cidade e levar os habitantes para uma espécie de quarentena em um local ao lado escola. O xerife, sua esposa (Radha Mitchell) e seu assistente (Joe Anderson), tentam fugir do cerco através das plantações da região, tendo de enfrentar ainda pessoas que ficaram loucas da noite para o dia. 

Esta refilmagem de “O Exército do Extermínio” de George A. Romero é um razoável longa que utiliza vários elementos da história original, mas infelizmente não tem o mesmo clima de paranoia e desespero. A trama aqui é mais voltada para a ação, com os personagens tentando fugir da cidade, diferente do original em que um dos pontos do roteiro era a discussão sobre o que fazer para resolver a situação. Aqui tudo é resolvido da forma mais fácil, sem qualquer tipo de debate com o exército. Fica como ponto positivo, o final pessimista ao estilo de todos os filmes do grande Romero.  

terça-feira, 1 de setembro de 2015

C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor

C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y., Canadá, 2005) – Nota 8
Direção – Jean Marc Vallée
Elenco – Michel Côte, Marc André Grondin, Danielle Proulx. Émile Vallée, Pierre Luc Brillant, Maxime Tremblay, Alex Gravel, Natasha Thompson.

O diretor canadense Jean Marc Vallée (“Clube de Compras Dallas” e “Livre”) entregou aqui um belíssimo filme sobre a vida da família Beaulieu no período entre 1960 e o início dos anos oitenta. 

O personagem principal é Zac (Émile Vallée aos seis anos de idade e Marc André Grondin na adolescência e fase adulta), que narra sua história desde seu nascimento em um Dia de Natal, passando por sua infância quando uma determinada marca fez com que sua mãe (Danielle Proulx) acreditasse que ele tivesse o poder de curar as pessoas, pela difícil fase da adolescência com a dúvida sobre sua sexualidade, até a idade adulta. 

O ponto principal da história é o difícil relacionamento familiar, principalmente entre Zac e seu pai Gervais (Michel Côte), um machão de bom coração, que teme que seu filho seja homossexual. O roteiro foca também no relacionamento de Zac com seus quatro irmãos, todos com aptidões e estilos de vidas diferentes entre si e o conflito com seu irmão mais velho, o rebelde Raymond (Pierre Luc Brillante). 

Além da ótima direção de atores, vale destacar a competente reconstituição de época através de roupas, carros, utensílios domésticos e principalmente pela trilha sonora recheada de músicas famosas. 

Este belo filme foi o primeiro trabalho do diretor Vallée que chamou atenção da crítica internacional.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Estrada 47 & For All - O Trampolim da Vitória


A Estrada 47 (Estrada 47, Portugal / Itália / Brasil, 2013) – Nota 6,5
Direção – Vicente Ferraz
Elenco – Daniel de Oliveira, Francisco Gaspar, Júlio Andrade, Thogun, Ivo Canelas, Sergio Rubini, Richard Sammel, Milhem Cortaz.

No final de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, um pelotão de soldados brasileiros está no meio do combate em uma montanha em Monte Castelo na Itália, quando o avanço do inimigo resulta em um ataque de pânico coletivo. Dois soldados morrem, alguns voltam para o posto de comando, enquanto quatro outros fogem montanha abaixo. Após se acalmarem, o tenente Penha (Júlio Andrade), o sargento Laurindo (Thogun) e os soldados Guima (Daniel de Oliveira) e Piauí (Francisco Gaspar) precisam decidir qual caminho tomar. Voltar para a base correndo o perigo de serem acusados de covardia ou seguir em frente e tentar desarmar as minas na Estrada 47 para liberar o caminho para as tropas americanas. Quando entram em cena um desertor italiano (Sergio Rubini) e um oficial alemão (Richard Sammel), o grupo resolve enfrentar o desafio e encontrar a estrada. 

Esta co-produção recheada de atores brasileiros tem como ponto principal a impecável parte técnica, aproveitando dos cenários gelados de uma montanha coberta de neve na Itália. Por mais que a premissa também seja original, acredito que seja a primeira vez que uma produção enfoque a luta dos soldados brasileiros durante a Segunda Guerra, com exceção de alguns documentários, o longa deixa a desejar na lentidão da narrativa e na total falta de emoção. A única cena de ação é um rápido tiroteio contra soldados nazistas. Até mesmo na sequência do desarmamento das minas falta emoção. 

O elenco dá conta do recado, com destaque para Francisco Gaspar como Piauí, o soldado nordestino mal tratado pelo tenente, que cria um laço de amizade com o nazista vivido por Richard Sammel, vilão da série “The Strain”. O personagem assustado de Daniel de Oliveira, que também narra a história, é outro ponto forte do filme. 

A tentativa é válida, a base da história é comum aos filmes de Segunda Guerra, mas infelizmente faltou um diretor com maior afinidade para cenas de ação e agilidade na narrativa.

For All – O Trampolim da Vitória (For All, Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Luiz Carlos Lacerda & Buza Ferraz
Elenco – José Wilker, Betty Faria, Paulo Gorgulho, Caio Junqueira, Erik Svane, Alexandre Lippiani, Luiz Carlos Tourinho, Flávia Bonato, Daniela Gracindo, Edson Celulari, Claudio Mamberti, Buza Ferraz.

Pela sua posição estratégica, a cidade de Natal no Rio Grande do Norte foi escolhida para receber a maior base militar americana na América Latina durante a Segunda Guerra Mundial. Consta que mais de quinze mil soldados passaram pela base, causando curiosidade na população e influenciando os costumes da região. Esta história foi contada nesta comédia leve sobre as relações que foram criadas em brasileiros e americanos. 

São vários personagens que se cruzam em pequenas histórias, tendo como a mais importante a do casal interpretado por José Wilker e Betty Faria. Vale destacar ainda o engraçado Luiz Carlos Tourinho e o canastrão Edson Celulari como um agente nazista. 

Como curiosidade, o “For All” do título se refere as festas que ocorriam entre americanos e brasileiros. Como os segundos não sabiam falar inglês, traduziram o nome das festas para Forró, que de festa se transformou no conhecido gênero musical nordestino. 

Está longe de ser um grande filme, tendo alguns momentos divertidos e outros exagerados, mas é superior em comparação com as comédias atuais. 

O filme foi o grande vencedor do Festival de Gramado em 1997.  

domingo, 30 de agosto de 2015

2012

2012 (2012, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Roland Emmerich
Elenco – John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Thandie Newton, Oliver Platt, Tom McCarthy, Woody Harrelson, Danny Glover, Liam James, Morgan Lily, Zlatko Buric, Beatrice Rosen, Johann Urb.

O alemão Roland Emmerich já demonstrou ter talento para o gênero ação realizando bons filmes como “Stargate”, “Soldado Universal” e o pouco conhecido “Estação 44 – O Refúgio dos Exterminadores”. Até mesmo “Independence Day” eu considero um filme legal, que fez grande sucesso de bilheteira e ao mesmo tempo foi detonado pelos críticos. O problema é que este sucesso subiu à cabeça do diretor, que achou por bem destruir o mundo nas telas mais algumas vezes, repetindo a fórmula no razoável “Godzilla”, no fraco “O Dia Depois do Amanhã” e neste exagerado “2012”. 

Aqui, Emmerich utiliza como premissa a lenda dos Maias sobre o fim do mundo em 2012, resultando num filme histérico, absurdo e extremamente acelerado, mas que pelo menos prende atenção do espectador que não se importar com o roteiro ruim, as interpretações fracas e todo tipo de clichê possível. 

A trama foca no escritor Jackson Curtis (John Cusack), que após o encontro com um maluco adepto de conspirações (Woody Harrelson, o melhor personagem do filme), descobre que a Terra está prestes a entrar em colapso e que o governo teria construído naves para salvar uma ínfima parte da população. Grande parte da trama segue a correria de Jackson, sua ex-esposa (Amanda Peet), o marido atual dela (Tom McCarthy) e o casal de filhos tentando chegar as naves citadas. 

A segunda narrativa acompanha o geólogo Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor), o primeiro cientista a ser alertado sobre o problema na crosta terrestre por um outro geólogo indiano. Helmsley se torna conselheiro do Presidente (Danny Glover) e de um assessor arrogante (Oliver Platt). 

É um filme para ser assistido sem ser preocupar com análises ou furos no roteiro, o que vale é tentar se divertir em meio à correria desenfreada e as cenas de ação grandiosas. 

sábado, 29 de agosto de 2015

Mesmo Se Nada Der Certo

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – John Carney
Elenco – Mark Ruffalo, Keira Knightley, Catherine Keener, James Corden, Hailee Steinfeld, Yasiin Bey “Mos Def”, Adam Levine.

Em Nova York, Dan (Mark Ruffalo) é um produtor musical que passa por uma grande crise pessoal e profissional. Separado da esposa (Catherine Keener) e sem descobrir um novo artista há muito tempo, Dan está entregue à bebida e prestes a perder o emprego. 

A inglesa Gretta (Keira Knightley) deseja voltar para seu país após uma grande desilusão. Em um pequeno bar, um amigo de Gretta, o cantor de rua Steve (James Corden), praticamente obriga a amiga a cantar. Ignorada pelas pessoas do local, Gretta se surpreende ao ser procurada por Dan, que se diz encantando com sua música e que deseja contratá-la. O inusitado encontro se mostrará um divisor de águas na vida dos dois personagens. 

Este simpático longa foca em dois temas principais: mas relações amorosas, familiares e profissionais e nas mudanças do mercado da música atual. A dupla principal precisa enfrentar uma crise pessoal, ao mesmo tempo em que não abre mão de seus princípios, mesmo que isso dificulte a carreira musical que almejam. 

O bom roteiro tem os pés no chão em relação as conturbadas relações pessoais, sem apelar para os clichês comuns ao gênero. 

É interessante também a forma como o roteiro mostra que nos nos dias atuais existem outros caminhos além das gravadoras para quem deseja divulgar suas músicas, inclusive pintando estas empresas como exploradoras. 

Tudo isto é valorizado pela química entre Mark Ruffalo e Keira Knightley. O talentoso ator junto com o charme e beleza de Keira Knigthley se mostram perfeitos para os papéis. É difícil para algum homem resistir ao sorriso de menina da bela atriz inglesa. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Satanás

Satanás (Satanas, Colômbia / México, 2007) – Nota 7,5
Direção – Andrés Baiz
Elenco – Damian Alcazar, Marcela Mar, Blas Jaramillo, Marcela Valencia, Andrés Parra, Diego Vazquez, Isabel Ganoa.

Eliseo (Damian Alcazar) é um ex-soldado que serviu nos Estados Unidos e voltou para Colômbia onde trabalha como professor particular de inglês. Sujeito solitário e frustrado, Damian não consegue se relacionar com as pessoas e vive em guerra com a velha mãe que divide com ele um apartamento. 

Paola (Marcela Mar) é uma jovem que trabalha como vendedora informal em um mercado na cidade e que para mudar de vida, aceita ajudar dois vigaristas que a usam para atrair homens com o objetivo de dar o famoso golpe do “Boa Noite Cinderella”. 

Padre Ernesto (Blas Jaramillo) sofre quando uma fiel mata seus próprios filhos para “libertá-los” da pobreza e questiona sua vocação também por sentir-se atraído por uma jovem que trabalha em sua igreja. 

Focando em três personagens complexos, que tentam enfrentar seus próprios demônios, este forte drama colombiano é baseado numa trágica história real. 

Os acontecimentos na vida dos três protagonistas se desenrolam misturando frustrações, preconceito, sexo e violência, inclusive com uma polêmica cena de estupro. 

O filme pode ser considerado uma ótima surpresa que merece ser descoberta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Velozes & Furiosos 7

Velozes & Furiosos 7 (Furious Seven, EUA / Japão, 2015) – Nota 6
Direção – James Wan
Elenco – Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Dwayne Johnson, Kurt Russell, Lucas Black, Nathalie Emmanuel, Elsa Pataki, Toni Jaa, Djimon Hounsou, Sung Kang, Noel Guglielmi, Ronda Rousey.

Tentando levar uma vida normal, a turma de Dom Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Pau Walker) é obrigada a volta para ativa quanto o mercenário inglês Deckard Shaw (Jason Statham) surge em busca de vingança pela quase morte de seu irmão no filme anterior. 

Transformados em alvos por Deckard, Dom e seus amigos aceitam trabalhar para um figurão que comanda operações secretas do governo americano, sujeito que se autodenomina Sr. Ninguém (Kurt Russell). Dom, Brian e seus amigos seguem o rastro de outro mercenário (Djimon Hounsou), que sequestrou um hacker que desenvolveu um dispositivo capaz de localizar qualquer pessoa no mundo. Localizando o artefato, eles poderão encontrar e matar Deckard. 

Apesar de continuar fazendo sucesso, na minha opinião, a série já esgotou a fórmula e cada vez mais tenta atrair o público com tramas mirabolantes e cenas de ação absurdas. É uma pena, como comentei na postagem do filme anterior, o auge da série foi a ótima parte cinco, que incorporou novos elementos à trama, misturando uma boa história com cenas de ação competentes. 

A partir do filme passado, o exagero se tornou o ponto principal da série, chegando aqui ao cúmulo da horrorosa sequência do carro atravessando dois arranha-céus. 

A morte de Paul Walker seria outro fator para encerrar as coisas por aqui, mas ao que parece um novo episódio já está em pré-produção e com um boato de que Cody Walker, irmão mais novo de Paul Walker, pode fazer o papel que era do irmão falecido.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Projeto Almanaque

Projeto Almanaque (Projetc Almanac, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Dean Israelite
Elenco – Jonny Weston, Sofia Black D’Elia, Sam Lerner, Allen Evangelista, Virginia Gardner, Amy Landecker.

David Raskin (Jonny Weston) é um especialista em tecnologia que está no último ano de colégio e que recebe a notícia de que foi aceito no famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. O problema é que ele conseguiu apenas uma bola de cinco mil dólares, sendo necessário mais quarenta mil para pagar o curso. 

Pensando em criar um novo projeto para tentar uma bolsa integral, David decide mexer nas coisas antigas de seu pai, um inventor que faleceu cedo em um acidente de carro. Para sua surpresa, David encontra escondido um projeto de uma máquina para viajar no tempo, além de uma filmadora com as imagens que colocam o David atual em sua própria festa de sete anos de idade. Com ajuda de dois amigos (Sam Lerner e Allen Evangelista) e da irmã (Virginia Gardner), David decide construir a máquina, sem imaginar os efeitos colaterais de viajar no tempo e alterar o passado. 

A trama não apresenta novidades em relação aos filmes de viagens no tempo, todos os clichês surgem. Temos a ânsia por mudar acontecimentos do passado, a ganância em conseguir dinheiro e as consequências alterando o presente, mas isso acaba não atrapalhando. 

O filme compensa a previsibilidade com uma narrativa envolvente, com uma boa química entre os personagens e a escolha de filmar tudo pela câmera utilizada pelos próprios personagens, situação comum em filmes de terror e suspense atuais. 

A primeira parte é a mais interessante ao abordar de forma criativa as tentativas do grupo de jovens em criar a máquina, inclusive com efeitos especiais simples e competentes. A parte final é voltada mais para o clichê de como fazer as coisas voltarem ao normal após o passado ter sido alterado de uma forma drástica. 

O resultado é um divertido passatempo sem compromisso. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A Vida em Motéis

A Vida em Motéis (The Motel Life, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Alan & Gabriel Polsky
Elenco – Emile Hirsch, Stephen Dorff, Dakota Fanning, Kris Kristofferson, Joshua Leonard, Noah Harpster.

Os irmãos Frank (Emile Hirsch) e Jerry Lee (Stephen Dorff) ficaram órfãos ainda criança e sofreram para se manter juntos, vivendo sempre em quartos de motéis. Quando Jerry Lee se envolve em um acidente de automóvel e decide fugir para não ser preso, a vida dos irmãos fica ainda mais complicada. Em paralelo, Frank sofre por ter abandonado a namorada Annie (Dakota Fanning). 

Esta produção independente tem algumas ideias interessantes, principalmente a de revelar aos poucos a história dos irmãos utilizando pequenos flashbacks. 

Outro ponto interessante é situar a trama em 1990, sendo que o ano jamais é citado, o espectador fica sabendo apenas pela inserção na trama da famosa luta de boxe que marcou a primeira derrota da carreira de Mike Tyson, quando foi nocauteado pelo inexpressivo James “Buster” Douglas. 

Também é uma ótima sacada as animações que surgem na tela para ilustrar as histórias de aventura e sexo que Frank inventa para entreter o irmão e a namorada. 

É basicamente um filme sobre pessoas sofredoras, que tentam seguir em frente, mesmo sendo sempre obrigadas a enfrentar novos problemas.  

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Cazuza - O Tempo Não Para & Garrincha - Estrela Solitária


Cazuza – O Tempo Não Para (Brasil, 2004) – Nota 6
Direção – Sandra Werneck & Walter Carvalho  
Elenco – Daniel de Oliveira, Marieta Severo, Reginaldo Faria, Emílio de Melo, Andréa Beltrão, Cadu Fávero, Débora Falabella, André Gonçalves, Leandra Leal.

A dupla de diretores Sandra Werneck e Walter Carvalho claramente tinha como um dos objetivos fazer um filme sobre a vida do polêmico cantor Cazuza para agradar ao público em geral, amenizando algumas situações e aumentando a intensidade do drama nos momentos finais da vida do personagem. 

O longa é baseado no livro escrito pela mãe de Cazuza (Marieta Severo no filme) e por este motivo sendo a visão de alguém que amava o protagonista, diferente do que seria uma obra escrita por um jornalista independente. 

A história começa quando Cazuza ainda bem jovem participa de uma peça no famoso Circo Voador, passa pela entrada e o sucesso na banda “Barão Vermelho”, até a descoberta da doença e os últimos anos de vida na carreira solo. 

Não sou daqueles que consideram Cazuza um gênio ou algo parecido, respeito sua obra, realmente ele fez músicas interessante, algumas com parceiros, mas o que o transformou em mito foi a coragem de assumir a doença e a homossexualidade numa época em que ainda era muito difícil este tipo de atitude. 

Como citei no início, o filme é apenas correto, com o roteiro seguindo os pontos principais da carreira em paralelo com algumas situações da vida pessoal, em que até mesmo os relacionamentos e os problemas com as drogas são mostrados de forma leve, para não chocar o público comum. 

O grande destaque fica para a caracterização de Daniel de Oliveira, que com perfeição recriou os gestos e os maneirismos do cantor. Se fosse um filme de Hollywood sobre a biografia de algum personagem americano, o ator teria grande chance de ser indicado ao Oscar. 

Garrincha – Estrela Solitária (Brasil, 2003) – Nota 4
Direção – Milton Alencar Jr
Elenco – André Gonçalves, Taís Araújo, Ana Couto, Alexandre Schumacher, Henrique Pires, Tatiana Merino, Marília Pêra, Jece Valadão, Chico Diaz, Romeu Evaristo, Eduardo Silva, Robert Rodrigues.

Nos anos noventa, o jornalista Ruy Castro escreveu a biografia de Mané Garrincha, um dos maiores ícones da história do futebol brasileiro e ao mesmo tempo uma figura controversa. O livro rendeu um processo impetrado pelas filhas e também por uma ex-companheira de Garrincha que rolou durante anos na justiça. Este péssimo filme é baseado no livro citado. 

O equívoco começa com o elenco encabeçado por André Gonçalves e Taís Araújo. A interpretação de André Gonçalves é uma das piores já vistas no cinema brasileiro. Sua composição beira o ridículo nos momentos em que o personagem está bêbado e nas cenas durante o carnaval quando um letárgico Garrincha desfila em uma escola de samba. Taís Araújo também cria uma exagerada Elza Soares, ao estilo das interpretações novelescas. 

O roteiro também é ruim, a maioria das sequências dão ênfase as lendas criadas sobre a vida do jogador, como seu apetite sexual e as frases de efeito inventadas por jornalistas. 

A conturbada vida de Garrincha (alcoolismo, analfabetismo, as amantes, a esposa e as filhas abandonadas) tinha tudo para render um grande filme nas mãos de um diretor competente e um roteiro bem escrito, diferente desta bomba que merece ser esquecida.

domingo, 23 de agosto de 2015

Imperador

Imperador (Emperor, Japão / EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Peter Webber
Elenco – Matthew Fox, Tommy Lee Jones, Eriko Hatsune, Masayoshi Haneda, Toshiyuki Nishida, Colin Moy.

No final da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945, após a rendição do Japão, o governo americano envia o General Douglas MacArthur (Tommy Lee Jones) para comandar a reconstrução do país e ao mesmo tempo julgar os japoneses considerados criminosos de guerra. 

Seu braço-direito é o General Bonner Fellers (Matthew Fox), que recebe a missão de investigar o envolvimento do Imperador Japonês na guerra e fazer um relatório considerando se o homem deve ser julgado ou inocentado. 

A investigação de Fellers esbarra nos complicados costumes dos japoneses, que dificilmente são diretos em seus depoimentos e que demonstram atitudes diferentes dos ocidentais em relação a honra e lealdade. Para complicar, Fellers tenta localizar um antigo amor, a japonesa Aya (Eriko Hatsune), com quem ele se relacionou antes da guerra e foi obrigado a deixá-la no Japão com o início do conflito mundial. 

Baseado em um livro que descreve a história real por trás da retomada das relações entre Japão e Estados Unidos, focando nos generais Fellers e MacArthur, este longa se mostra bem produzido, com interpretações competentes, porém com uma narrativa fria que faz com que o espectador pouco se envolva na trama. Basicamente, falta emoção, até mesmo nas cenas em flashback entre Fellers e Aya. 

No final, fica a impressão de que estamos vendo uma aula sobre os bastidores da história e nada mais.

sábado, 22 de agosto de 2015

Bloodline

Bloodline (Bloodline, EUA, 2015)
Criadores - Glenn Kessler, Todd A. Kessler & Daniel Zelman
Elenco - Kyle Chandler, Ben Mendelsohn, Linda Cardellini, Norbert Leo Butz, Sissy Spacek, Sam Shepard, Jacinda Barrett, Jamie McShane, Enrique Murciono, Chloe Sevigny, Glenn Morshower, Katie Finneran.

Em Florida Keys, a família Rayburn é proprietária de uma tradicional pousada à beira a mar. Após décadas vivendo e trabalhando no local, o casal Robert (Sam Shepard) e Sally (Sissy Spacek) será homenageado pela prefeitura.

O casal tem três filhos que vivem próximos. John (Kyle Chandler) é um respeitado policial, casado com Diana (Jacinda Barrett), com quem tem um casal de filhos e que está sempre pronto para resolver os problemas da família. Kevin (Norbert Leo Butz) é o irmão do meio, dono de um pequeno estaleiro e que tem um temperamento forte. Ele é casado com Belle (Katie Finneran). A caçula é a advogada Meg (Linda Cardellini), que trabalha para os pais na pousada e está noiva do policial Marco (Enrique Murciano).

O que seria uma festa para a aparente família feliz, se transforma em preocupação quando o filho mais velho Danny (Ben Mendelsohn) retorna para casa. Considerado a ovelha negra da família e carregando um trauma que envolve os pais e os irmãos, Danny será o gatilho para desenterrar segredos, mentiras e criar um verdadeiro caos na família.

Esta ótima série de dez episódios produzida pelo Netflix surpreende por utilizar um tema batido como o drama familiar e misturar com uma violenta trama policial, resultando numa história de crescente tensão. Os cinco primeiros episódios focam nos conflitos familiares leves, com um narrativa lenta, onde aos poucos vamos conhecendo a fundo os personagens. Nos cinco últimos episódios a tensão aumenta e a violência explode,

Os produtores acertaram ao apresentar pílulas de situações futuras intercaladas com flashbacks, sem exagerar nos detalhes. Por sinal, a narração em off do personagem principal interpretado por Kyle Chandler deixa o espectador curioso até o complexo episódio final.

O ótimo elenco é outro ponto positivo da série. Kyle Chandler (das séries "Early Edition" e "Friday Night Lights") está perfeito como o irmão certinho que esconde seus sentimentos, o desconhecido Norbert Leo Butz acerta ao interpretar o irmão inseguro e de pavio curto, além da sempre ótima Sissy Spacek como a mãe que foge dos conflitos.

O grande destaque fica para o australiano Ben Mendelsohn como o complexo Danny. Como uma carreira quase toda voltada para vilões secundários, o ator tem aqui seu melhor papel. Ele cria um Danny calculista, que planeja cada passo de forma meticulosa, sempre se alimentando da mágoa que carrega da família.

Como opinião pessoal, acredito que a série seria perfeita para uma história fechada, porém os produtores deixaram algumas pontas em aberto para uma segunda temporada. Um destes ganchos eu vejo como um clichê. Fica a dúvida se a série conseguirá manter o ótimo nível.