quarta-feira, 4 de março de 2015

The Strain

The Strain (The Strain, EUA, 2014/2015)
Criadores - Guilhermo Del Toro & Chuck Hogan
Elenco - Corey Stoll, David Bradley, Mia Maestro, Kevin Durand, Jonathan Hyde, Richard Sammel, Sean Astin, Miguel Gomez, Jack Kesy, Natalie Brown.

Um trio de médicos especializados em epidemias, um vampiro nazista, um milionário moribundo, um excêntrico agente de dedetização, um jovem criminoso hispânico, um veterano caçador de vampiros e uma estranha criatura chamada de "mestre", formam a espinha dorsal de uma das séries mais bizarras dos últimos anos.

Criado pelo ótimo diretor Guillermo Del Toro em parceria com Chuck Hogan, a trama começa com um avião chegando no aeroporto de Nova York sem que os pilotos entrem em contato com a torre. Assim que o avião pousa, as luzes se apagam e o silêncio toma conta da aeronave. Os médicos Ephraim Goodweather (Corey Stoll) e Nora Martinez (Mia Maestro) entram no avião e descobrem que os passageiros estão mortos, com exceção de quatro pessoas, entre elas o piloto.

Por questões políticas e pressão da imprensa, as autoridades liberam os sobreviventes, sem saber que eles carregam no corpo vermes que podem dar início a uma gigantesca epidemia. Os vermes transformam as pessoas num misto de vampiros e zumbis sedentos de sangue. Para combatê-los, os médicos se unem a Abraham Setrakian (David Bradley), um sobrevivente do Holocausto tratado como maluco a princípio, mas que prova como combater os vampiros. Este é apenas o início de uma complexa trama repleta de violência.

Por enquanto assisti até a metade da primeira temporada e ainda estou em dúvida sobre o que esperar dos próximos episódios e da segunda temporada que já está engatilhada. A série tem altos e baixos, com muitas perguntas ainda sem respostas.

A série tem um estilo moderno que lembra histórias em quadrinhos para atingir o público atual, na minha opinião com três claras inspirações. O episódio piloto com o sinistro avião e as várias perguntas sem resposta, assim como os diversos personagens que ainda irão se cruzar lembram "Lost". Os vampiros e os personagens como Abraham Setrakian e o piloto Redfern, são homenagens ao clássico "Drácula", assim com o medo dos zumbis em relação a luz do dia, sem contar as balas e facas de prata que brincam com o mito do "Lobisomem". A última inspiração vem da sensacional "The Walking Dead", ao criar uma epidemia e explorar cenas de ação recheadas de sangue e violência.

Até o momento "The Strain" é uma promessa, tem pontos altos como os personagens dos ótimos David Bradley e Kevin Durand, a narrativa ágil e o potencial do desenrolar do trama. A série ainda falha em alguns furos do roteiro, nos clichês dos dramas familiares e em alguns personagens que ainda no mostraram o porquê de estarem na trama. Vale um registro negativo também para a peruca do bom ator Corey Stoll.

Na segunda temporada descobriremos se a série tem história para se tornar um bom filhote de "The Walking Dead" ou se será uma enganação ao estilo "Heroes" e "The Event".

terça-feira, 3 de março de 2015

G.I. Joe: Retaliação

G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation, EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – Jon M. Chu
Elenco – Dwayne Johnson, Jonathan Pryce, Byung Hun Lee, Bruce Willis, Elodie Yung, Ray Stevenson, D. J. Cotrona, Adrianne Palicki, Channing Tatum, Ray Park, Luke Bracey, Walton Goggins, Arnold Vosloo, Joe Mazzello, RZA.

Analisando apenas como cinema, deixando de lado o lucro visado pelos produtores, esta sequência do filme de 2009 é totalmente desnecessária. 

O original tinha uma premissa legal, boas cenas de ação, porém um péssimo desenvolvimento dos personagens e diálogos ruins, resultando numa diversão passageira, não mais do que mediana. Aqui salvam-se apenas as cenas de ação repletas de efeitos especiais, o restante é um desperdício de tempo do espectador. 

A trama começa com uma sequência em que o comando G.I. Joe é atacado pelo próprio exército americano a mando do presidente (Jonathan Pryce), que na verdade é um impostor que deseja libertar o Comandante Cobra e utilizar seu disfarce para forçar os demais países a destruírem suas armas nucleares. Apenas três G. I Joes sobrevivem (Dwayne Johnson, D. J. Cotrona e Adrianne Palicki), para procurar a ajuda de outros ex-combatentes para enfrentar a situação. 

Não existe muito mais o que falar sobre a trama, a partir são cenas de ação seguidas e aparições de personagens caricatos, como um deslocado Bruce Willis soltando piadas infames. 

O roteiro ainda deixa a história aberta para mais uma continuação, que dificilmente sairá do papel após este fiasco. 

É um filme para passar longe. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Código do Silêncio

Código do Silêncio (Code of Silence, EUA, 1985) – Nota 7
Direção – Andrew Davis
Elenco – Chuck Norris, Henry Silva, Bert Remsen, Mike Genovese, Ron Henriquez, Molly Hagan, Ron Dean, Dennis Farina, John Mahoney.

Em Chicago, o policial Eddie Cusack (Chuck Norris) é mal visto pelos colegas por ter testemunhado contra outro policial que atirou em um adolescente. Quando começa uma violenta disputa entre duas quadrilhas mafiosas, incluindo vários assassinatos e o sequestro da filha de um chefão, Eddie percebe que está sozinho para investigar o caso. 

Ao lado do divertido “Comando Delta”, este longa policial é um dos poucos bons filmes da carreira de Chuck Norris. A trama é básica, sem grandes surpresas, os pontos positivos estão na narrativa bem construída pelo então desconhecido diretor Andrew Davis (“O Fugitivo”, “A Força em Alerta”) e as boas cenas de ação que misturam tiroteios e pancadaria de forma eficiente, além da explosiva sequência final. 

Vale destacar também o vilão interpretado pelo sinistro Henry Silva, ator especialista neste tipo de personagem, que voltou a trabalhar com o diretor Davis em “Nico – Acima da Lei”, filme que marcou a estreia de Steven Seagal no cinema. 

Para quem gosta de filmes policiais dos anos oitenta, esta produção é uma interessante opção.

domingo, 1 de março de 2015

A Reencarnação de Peter Proud, Os Dois Mundos de Jennie Logan & Em Algum Lugar do Passado


A Reencarnação de Peter Proud (The Reincarnation of Peter Proud, EUA, 1975) – Nota 6,5
Direção – J. Lee Thompson
Elenco – Michael Sarrazin, Jennifer O’Neill, Margot Kidder, Cornelia Sharpe, Paul Hecht.

O professor Peter Proud (Michael Sarrazin) sofre com sonhos constantes que se passam em um local que ele não conhece, além de ser assassinado em um lago por uma mulher desconhecida. Cada vez mais preocupado com a situação, Peter procura ajuda de um professor especialista em sonhos (Paul Hecht), que a princípio descobre que aparentemente Peter não tem sonho algum. Extremamente confuso, Peter passa a acreditar que pode estar tendo visões de uma vida passada. Após ver uma imagem na tv de um local que pode ser o do seu sonho, ele decide viajar para Nova Inglaterra levando a namorada (Cornelia Sharpe) para tentar descobrir a verdade sobre seus sonhos. 

A premissa é muito interessante, o sofrimento do professor na primeira parte é angustiante em algumas sequências. O filme vai bem até o momento em que Peter chega ao local dos sonhos e se infiltra na vida de alguns personagens. A partir daí, a trama perde ritmo, até chegar a um final previsível. O filme sofre também com a estranha trilha sonora, que hoje se mostra envelhecida e até irritante. 

Como informação, a bela Jennifer O’Neill nasceu no Brasil e teve bons papéis em filmes como “Houve Uma Vez um Verão”, “Scanners – Sua Mente Pode Destruir” e “Caravanas”, outro trabalho ao lado de Michael Sarrazin. Por sinal, a carreira do canadense Michael Sarrazin teve o auge nos setenta, com os filmes citados e outros como “Roy Bean – O Homem da Lei” e o clássico “A Noite dos Desesperados”. Infelizmente nos anos oitenta a carreira do ator entrou em decadência e ele ficou preso a papéis de coadjuvante em seriados de tv. Sarrazin morreu em 2011 praticamente esquecido pelo cinéfilos.   

Os Dois Mundos de Jennie Logan (The Two Worlds of Jennie Logan, EUA, 1979) – Nota 6
Direção – Frank De Felitta
Elenco – Lindsay Wagner, Marc Singer, Alan Feinstein, Linda Gray, Henry Wilcoxon.

O casal Michael (Alan Feinstein) e Jennie (Lindsay Wagner) tenta recomeçar a vida em uma enorme casa vitoriana na zona rural de Connecticut. Michael, que é professor, teve um caso com uma aluna e agora tenta se redimir, porém Jennie tem dificuldades em aceitar a reaproximação do marido. No sótão da nova casa, Jennie encontra um velho vestido e também um quadro em que uma bela mulher o está vestindo. 

Jenny fica apaixonada pelo vestido e decide experimentá-lo. Por um motivo inexplicado, ela passa mal, desmaia e em seguida acorda no mesmo local, porém décadas no passado, na época em que viveu a verdadeira dona do vestido. Após algumas “viagens” ao passado com o vestido, Jennie se apaixona pelo pintor David (Marc Singer) e tenta interferir nos acontecimentos para mudar a história de vida do sujeito. 

A premissa desta produção para a tv é interessante, porém o filme envelheceu mal. Os desmaios de Jenny são estranhos, assim como as sequências no passado lembram um filme amador, completando com interpretações ruins. 

Como informação, o elenco era formado por nomes famosos da tv na época. Lindsay Wagner era protagonista da série “A Mulher Biônica”, Marc Singer fez “V: A Batalha Final” e Linda Gray era famosa por seu papel no dramalhão “Dallas”. 

Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time, EUA, 1980) – Nota 7
Direção – Jeannot Szwarc
Elenco – Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer, Teresa Wright, Bill Irwin, William H. Macy.

O escritor Richard Collier (Christopher Reeve) é visitado por uma senhora durante a estreia de sua peça, sendo presenteado por ela com um antigo relógio. Em seguida, a senhora pede que ele volte para ela. Intrigado, Richard começa a investigar e descobre que a mulher é uma antiga atriz, que faleceu logo após lhe entregar o relógio. Vendo a foto dela quando jovem (Jane Seymour), ele fica obcecado em voltar ao passado para conhecê-la. 

Esta mistura de romance com ficção fez muito sucesso na época, tanto pela história de amor, quanto pelo carisma de Christopher Reeve, que vinha em alta depois de estrear no cinema com o hoje clássico “Superman – O Filme”. 

Deixando de lado alguns furos no roteiro, inclusive a estranha forma que o personagem de Reeve utiliza para voltar no tempo, o filme agrada aos fãs de histórias românticas.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Longe do Paraíso

Longe do Paraíso (Far from Heaven, EUA / França, 2002) – Nota 7,5
Direção – Todd Haynes
Elenco – Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, Viola Davis, James Rebhorn, Michael Gaston, Celia Weston.

Anos cinquenta, em um subúrbio de classe alta em Connecticut, Frank (Dennis Quaid) e Cathy (Julianne Moore) parecem formar a família perfeita. Com um casal de filhos, morando em uma bela casa e com Frank trabalhando como executivo em uma grande empresa, tudo parece dentro dos padrões. 

Aos poucos, o espectador percebe que nem tudo está normal. Frank tenta esconder da esposa sua atração por outros homens, mantendo casos esporádicos, até que em um determinado dia, Cathy o procura no escritório da empresa e o encontra nos braços de um amante. 

Tentando manter a aparência de dona de casa perfeita, Cathy decide ajudar Frank a tentar mudar seu comportamento, levando o marido para sessões com um psquiatra. Em paralelo, Cathy faz amizade com o jardineiro negro Raimond (Dennis Haysbert), fato que passa a ser visto pelos vizinhos como um afronta à sociedade. 

O diretor Todd Haynes se baseou no drama dos anos cinquenta “Tudo o Que Céu Permite” de Douglas Sirk para escrever a base deste roteiro. Naquele filme, a rica vivida por Jane Wyman se apaixonava pelo jardineiro interpretado por Rock Hudson. Aqui, Haynes apimentou a trama transformando o personagem do jardineiro em um negro, alterando o preconceito social pelo racial e inserindo o marido homossexual enrustido. 

A trama poderia cair no dramalhão, mas Haynes conduz a história de uma forma sóbria, onde o preconceito aparece nos olhares, em poucas palavras e pequenos gestos. O roteiro de Haynes mostra claramente a hipocrisia da sociedade americana da época, que era extremamente machista, fechando os olhos para as traições do marido e condenando a esposa apenas por suspeitas. 

O longa concorreu a quatro prêmios Oscar, de trilha sonora, fotografia, melhor atriz para a bela interpretação de Julianne Moore e a direção de Todd Haynes.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Inferno na Torre

Inferno na Torre (The Towering Inferno, EUA, 1974) – Nota 8
Direção – John Guillermin
Elenco – Paul Newman, Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway, Robert Vaughn, Fred Astaire, Jennifer Jones, O. J. Simpson, Robert Wagner, Susan Blakely, Richard Chamberlain, Dabney Coleman.

O sucesso de “Aeroporto” em 1970 deu início ao chamado “Cinema Catástrofe”, que rendeu várias produções até 1980, tendo neste “Inferno na Torre” seu melhor e mais famoso filme do gênero. 

O grande nome associado ao gênero foi o do produtor Irwin Allen. Veterano da tv, Allen era famoso por séries como “Túnel do Tempo”, “Viagem ao Fundo do Mar” e “Perdidos no Espaço”. Ele também já havia produzido filmes de ficção B no anos sessenta e percebendo o potencial dos filmes catástrofe, em 1972 comandou o sucesso “O Destino do Poseidon” protagonizado por Gene Hackman e Ernest Borgnine. 

Em seguida, Allen investiu forte em “Inferno na Torre”, escalando um elenco de estrelas encabeçado por Paul Newman e Steve McQueen. Sei que muitos críticos não gostam do filme, mas eu considero um ótimo divertimento, com certeza está na minha lista de favoritos. 

A trama se passa na festa de inauguração de um arranha-céu de 138 andares, que ocorre no último andar do edifício. Na primeira parte, o roteiro faz uma apresentação dos convidados e mostra alguns pequenos dramas. O arquiteto responsável pelo projeto (Paul Newman) tem divergências com o dono do empreendimento (William Holden) por causa da participação do genro ganancioso (Richard Chamberlaind) nas decisões. Entre os convidados, estão a amante do arquiteto (Faye Dunaway), um senador (Robert Vaughn) e um casal de idosos (Fred Astaire e Jennifer Jones). 

Quando começa o incêndio, pessoa alguma percebe, porém assim que fogo se alastra, os convidados ficam desesperados e tentam fugir do local de todas as formas, causando brigas e mortes. O arquiteto tenta acalmar as pessoas e organizar uma forma de saírem do edifício. Enquanto isso, do lado de fora, os bombeiros liderados pelo chefe Mike O’Hallorhan (Steve McQueen) tentam conter o fogo e subir pelas escadas para tentar salvar os convidados. 

Algumas sequências são marcantes, como o cabo de aço que tenta tirar as pessoas do edifício, a cena do elevador panorâmico e a engenhosa solução no clímax do filme. 

É uma ótima diversão para quem gosta do gênero. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

The Flamingo Kid & A Cidade do Jogo


The Flamingo Kid (The Flamingo Kid, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – Garry Marshall
Elenco – Matt Dillon, Richard Crenna, Jessica Walter, Hector Elizondo, Janet Jones, Fisher Stevens, Brian McNamara, John Turturro.

Bronx, 1963, o garoto Jeffrey (Matt Dillon) pretende ir para a universidade, porém antes disso, durante o verão, seu pai (Hector Elizondo) conseguiu para ele um emprego de office boy. Antes de iniciar o trabalho, Jeffrey é convidado por dois amigos para visitar um clube privativo que fica na praia, o Flamingo. Após se divertir durante um dia, Jeffrey recebe a proposta de trabalhar como manobrista no local e aceita. 

Aos poucos, Jeffrey faz amizade com as pessoas do clube e se envolve com a jovem Carla (Janet Jones), que o convida para jantar em sua casa, onde ele conhece o tio da garota, Mr. Brody (Richard Crenna), que é dono de uma concessionária de automóveis e considerado um grande jogador de cartas. Mr. Brody passa a tratar Jeffrey como um pupilo, dando dicas sobre trabalho e a vida, situação que desagrada o pai do garoto, que é um honesto encanador. 

Típico filme sobre adolescentes dos anos oitenta, este longa mistura descobertas da idade, mulheres bonitas de biquíni, um pouco de comédia e uma pitada rasa de drama. 

A curiosidade fica por conta do elenco, com um Matt Dillon ainda bem jovem, o falecido canastrão Richard Crenna e o hoje veteraníssimo Hector Elizondo, ator habitual nos filmes do diretor Garry Marshall. O elenco tem ainda jovens como Fisher Stevens e Brian McNamara, que trabalharam em alguns seriados e uma pequena participação de John Turturro na sequência da corrida de cavalos. 

No geral é uma sessão da tarde sem compromisso.

A Cidade do Jogo (The Big Town, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Ben Bolt
Elenco – Matt Dillon, Diane Lane, Tommy Lee Jones, Bruce Dern, Lee Grant, Suzy Amis, David Marshall Grant, Tom Skerritt, Don Francks, Del Close.

Em meados dos anos cinquenta, J. C. Cullen (Matt Dillon) é um jovem ambicioso com talento para o jogo de dados. Pensando em ganhar muito dinheiro, ele sai de uma pequena cidade em Iowa e segue para Chicago, onde aos poucos se infiltra nos clubes de jogos. 

Logo, Cullen passa a trabalhar para um veterano jogador (Bruce Dern), que ficou cego após ser atacado com ácido por um rival. O garoto começa a namorar a doce Aggie (Suzy Amis), ao mesmo tempo em que se envolve com Lorry (Diane Lane), esposa de George Cole (Tommy Lee Jones), o poderoso dono de uma casa de jogos. 

Rivalidade, traições e ganância são os pontos principais deste drama sobre o mundo da jogatina no submundo de Chicago. 

A trama lembra um pouco o ótimo “A Mesa do Diabo” (“The Cincinnati Kid”), longa de 1965 dirigido por Norman Jewison, que tinha Steve McQueen como um jovem jogador de cartas. Matt Dillon não tem o talento que McQueen tinha e o roteiro aqui é bem inferior ao clássico dos nos sessenta. 

Vale destacar os bons coadjuvantes, como Tommy Lee Jones, Bruce Dern e Tom Skerritt.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um Santo Vizinho

Um Santo Vizinho (St. Vincent, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Theodore Melfi
Elenco – Bill Murray, Melissa McCarthy, Jaeden Lieberher, Naomi Watts, Chris O’Dowd, Terrene Howard, Kimberly Quinn, Lenny Venito, Dario Barosso, Ann Dowd.

Após se separar do marido, Maggie (Melissa McCarthy) leva o filho Oliver (Jason Lieberher) para morar em uma nova casa. A empresa que faz a mudança causa um acidente danificando o carro do vizinho, o solitário Vincent (Bill Murray). O sujeito que também é mal educado e ranzinza, cobra os danos e deixa claro que não quer contato com os novos vizinhos. 

Um problema na escola com Oliver e o desencontro com Maggie, faz com que o garoto fique algumas horas na casa de Vincent aguardando a chegada da mãe. O estranho solitário e o garoto franzino e inteligente, acabam criando um laço de amizade, que mudará a vida dos dois. 

O roteiro escrito pelo próprio diretor Theodore Melfi não apresenta surpresas, ele segue o estilo das histórias sobre mudanças de vida consequências de uma nova amizade, além de apresentar personagens considerados perdedores. Temos o velho solitário que não consegue superar traumas, o garoto que precisa aprender a se defender, a mãe gordinha divorciada e até a prostituta imigrante (Naomi Watts). A simpatia destes personagens faz o espectador entrar no clima da história, valorizada pela química entre Bill Murray e o garoto Jaeden Lieberher. Por sinal, o papel de Murray é perfeito para seu estilo de interpretação. 

Sensível e agradável, este filme pode ser considerado uma boa sessão da tarde. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Operação Sombra: Jack Ryan

Operação Sombra: Jack Ryan (Jack Ryan: Shadow Recruit, EUA / Rússia, 2014) – Nota 7
Direção – Kenneth Branagh
Elenco – Chris Pine, Kevin Costner, Keira Knightley, Kenneth Branagh, Lenn Kudrjawizki, Alec Utgoff, Peter Andesson, Nonso Anozie, Colm Feore, Gemma Chan.

Em 2001, Jack Ryan (Chris Pine) é um jovem estudante de economia que fica estarrecido com os atentados de 11 de Setembro e decide abandonar a universidade para se alistar no exército. Após ser ferido com gravidade em um ataque no Iraque, Jack é enviado para um centro de recuperação onde é visitado pelo agente Thomas Harper (Kevin Costner), que o convida para trabalhar na CIA. Jack aceita, retorna os estudos e tem como objetivo conseguir um emprego em Wall Street, para ter acesso a dados de movimentações bancárias internacionais e assim descobrir possíveis financiamentos de ataques terroristas. 

Dez anos depois, Jack percebe uma enorme movimentação de dinheiro feita por uma corporação russa comandada por Viktor Cherevin (Kenneth Branagh). Para investigar o que está por trás dos negócios do magnata russo, Jack e Harper seguem para Moscou e descobrem que um novo ataque terrorista está prestes a acontecer. 

Este é o quinto filme do personagem Jack Ryan criado pelo escritor Tom Clancy, sendo que Chris Pine é o quarto ator a interpretar o herói. Antes disso, Alec Baldwin, Harrison Ford em dois filmes e Ben Affleck encarnaram o agente da CIA. Esta novo longa é um recomeço do personagem no cinema, que mostra um inexperiente Ryan em sua primeira missão como agente de campo. 

O filme é correto, tem uma primeira parte morna, com apenas uma boa sequência de ação na luta entre Ryan e o grandalhão interpretado por Nonso Anozie. O filme esquenta na segunda metade, com algumas boas sequências de suspense e a correria habitual, inclusive com uma perseguição automobilística. 

Quanto ao elenco, Chris Pine é apenas razoável, não vejo grande talento ou mesmo carisma no ator. O veterano Kevin Costner está bem como o mentor do agente e a bela Keira Knightley se mostra uma personagem dispensável, tendo sido inserida na trama apenas para ser o obrigatório par romântico do protagonista.

No geral é um filme correto, que prende a atenção, diverte, mas não apresenta surpresa alguma.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Seriados Antigos (Anos 80 e 90)

Projeto Alf (Project: ALF, EUA, 1996)
Direção – Dick Lowry
Elenco – Miguel Ferrer, Martin Sheen, Ray Walston, Ed Begley Jr, William O’Leary.

O divertido seriado “Alf – O Eteimoso” durou quatro temporadas (1986 a 1990) agradando crianças e adultos através de um humor simples e um personagem principal carismático. Este telefilme produzido seis anos após o final da série se mostra fraco e com uma trama equivocada. O seriado terminou com Alf voltando para seu planeta. Este longa começa com ele sendo capturado por militares durante a viagem de volta para casa. Detido em uma unidade militar secreta, Alf tem ajuda de dois médicos para fugir. O grande barato da série era o relacionamento de Alf com a família Tanner e as confusões que ele aprontava com vizinhos e outros personagens. Infelizmente isto se perdeu totalmente neste longa. 

Curto Circuito (Misfits of Ciencie, EUA, 1985)
Direção – Dean Zanetos
Elenco – Dean Paul Martin, Kevin Peter Hall, Mark Thomas Miller, Courteney Cox, Mickey Jones, Jennifer Holmes, Max Wright, Diane Cary.

Um grupo de jovens com poderes especiais é reunido em um instituto de ciências para algumas experiências. Quando eles descobrem que serão tratados como cobaias, decidem fugir e passam a ser perseguidos.  O divertido episódio piloto fez sucesso no Brasil, porém a série durou apenas uma temporada. Hoje, a premissa de jovens com super poderes é comum em vários seriados, mas na época era noviddade. As curiosidades da série estão no elenco, que tinha Courteney Cox ainda bem jovem interpretando uma garota com poderes telecinéticos e o falecido gigante Kevin Peter Hall, que seria o predador dois anos depois, interpretava um cientista que tinha o poder de ficar minúsculo. O elenco tinha ainda um jovem roqueiro (Mark Thomas Miller) que soltava raios pelas mãos e o homem gelado (Mickey Jones), que apareceu apenas no piloto e que vivia dentro de um carro de sorvete. 

Viajantes do Tempo (Voyagers, EUA, 1982)
Direção – Winrich Kolbe
Elenco – Jon Erik Hexum, Meeno Peluce, Susan Barnes, Ed Begley Jr.

Phineas Bogg (John Erik Hexum) era um pirata que foi escolhido por um povo conhecido como “Voyagers” para viajar no tempo e reparar erros históricos. Phineas utiliza um relógio como máquina do tempo, que quando tem uma luz vermelha piscando, mostra que algo precisa ser corrigido. Um defeito no relógio leva Phineas para 1982, onde ele encontra o garoto Jeffrey (Meeno Peluce). Um acidente faz com que Phineas salve Jeffrey, mas seja obrigado a levar o garoto em suas viagens pelo tempo. A ótima premissa rendeu um bom filme piloto e os episódios fizeram sucesso por aqui, mas a série foi cancelada ao fim da primeira temporada. A nota trágica é que o ator John Erik Hexum faleceu em 1984 num estranho acidente com uma arma. Algumas notícias citavam suicídio e outras um acidente, fato que jamais foi totalmente explicado.

M. A. N. T. I. S. (M. A. N. T. I. S., EUA, 1994)
Direção – Eric Laneuville
Elenco – Carl Lumbly, Roger Rees, Bobby Hosea, Gina Torres, Steve James.

O cientista Miles Hawkins (Carl Lumbly) tem uma bela carreira e uma família perfeita. Durante um tumulto, Hawkins é atingido por um dísparo de um policial e fica paraplégico. Hawkins trabalhava no desenvolvimento de uma espécie de armadura que funcionaria acoplada ao cérebro da pessoa que a utilizasse. Ele decide se tornar a cobaia do próprio experimento e descobre que a armadura funciona. Ele consegue voltar a andar, ganhando força e agilidade. Apelidado de Mantis (louva-deus), pelo capacete parecer com o inseto, Hawkins utiliza a armadura para se tornar uma espécie de vigilante combatendo bandidos. É mais uma série com premissa interessante, que tinha Sam Raimi como produtor, mas que sobreviveu por apenas uma temporada.

A Volta dos Gatões (The Dukes of Hazzard: Reunion, EUA, 1997)
Direção – Lewis Teague
Elenco – John Schneider, Tom Wopat, Catherine Bach, Denver Pyle, James Best, Ben Jones, Stella Stevens.

O seriado “Os Gatões” (The Dukes Of Hazzard) fez grande sucesso rendendo sete temporadas, de 1979 a 1985. A trama se passava na pequena cidade de Hazzard, na Georgia, onde os primos Luke (Tom Wopat) e Bo (John Schneider) se metiam em confusões com o xerife Roscoe (James Best), que era dominado pelo chefão da cidade Boss Hogg (Sorrel Booke). O elenco tinha ainda a prima gostosa Daisy (Catherine Bach) e o Tio Jesse (Denver Pyle). A inspiração da série veio do sucesso de “Agarra-me se Puderes” com Burt Reynolds, longa que mostrou o potencial de audiência do público do sul dos Estados Unidos. Este telefilme mostra a reunião dos primos após alguns anos, que voltam para Hazzard com o objetivo de ajudar o Tio Jesse, que está sendo pressionado por uma empresária (Stella Stevens) para vender sua fazenda. O filme resgata as ótimas cenas de perseguição de carros, que eram o ponto principal da série, junto com o carro cor de laranja dos primos batizado de General Lee. A série ainda rendeu outro telefilme com o elenco original em 2000 e uma versão para o cinema com outro elenco em 2005. 

Missão Secreta (Once a Thief, Canadá, 1996)
Direção – John Woo
Elenco – Ivan Sergei, Sandrine Holt, Nicholas Lea, Robert Ito, Michael Wong.

No mesmo ano em que comandou o ótimo “A Outra Face”, John Woo emprestou seu talento neste curioso piloto de uma série policial que não decolou, rendendo apenas uma temporada. Com as limitações das produções de tv, John Woo foi obrigado a diminuir a violência, dando ênfase também a um triângulo amoroso. A trama começa em Hong Kong com o casal de ladrões Li Ann (Sandrine Holt) e Marc (Ivan Sergei) fugindo da máfia chinesa. Li Ann escapa, mas Marc acaba preso por uma organização secreta, que deseja recrutá-lo como agente. Algum tempo depois, Marc é enviado para o Canadá para encontrar Li Ann, que fica surrpesa ao vê-lo, pois ela já está vivendo com outro ladrão, Victor (Nicholas Lea). Após alguns desencontros, os três ladrões se tornam agentes e recebem a missão de eliminar um antigo companheiro de crime que vive em Hong Kong. O nome de John Woo neste telefilme é mais como uma grife, longe da qualidade dos seus trabalhos para o cinema.

Stingray (Stingray, EUA, 1985)
Direção – Richard A. Colla
Elenco – Nick Mancuso, Susan Blakely, Gregory Sierra, Lee Richardson.

Inspirado no sucesso de “A Super Máquina”, o roteirista e produtor Stephen J. Cannell criou esta série sobre um ex-agente secreto (Nick Mancuso), que viajava de cidade em cidade dirigindo um Corvette Stingray e ajudando pessoas em perigo. Ele não pedia dinheiro, a pessoa que era ajudada ficava devendo um favor, que mais tarde ele poderia cobrar das mais variadas formas. A premissa era legal e o personagem principal misterioso, porém a série durou apenas uma temporada. 

The Flash (The Flash, EUA, 1990)
Direção – Robert Iscove
Elenco – John Wesley Shipp, Amanda Pays, Alex Desert, Paula Marshall, Tim Thomerson, M. Emmet Walsh, Robert Hooks.

Após um acidente com produtos químicos, o cientista Barry Allen (John Wesley Shipp) descobre que se transformou no homem mais rápido do mundo. Sem saber como controlar este poder, Barry pede ajuda a cientista Tina McGee (Amanda Pays). Após a morte de seu irmão, Barry decide se transformar em um vingador caçando bandidos, para isso desenvolve uma roupa especial. Esta divertida série de ficção foi cancelada prematuramente após a primeira temporada. Mesmo com o ator John Wesley Shipp sendo um canastrão, os episódios eram recheados de ação, os efeitos especiais eram bons para época e até mesmo os vilões eram interessantes. Atualmente uma nova versão da série está no ar, mas não tive oportunidade de conferir. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Jesus de Montreal

Jesus de Montreal (Jésus de Montréal, Canadá / França, 1989) – Nota 7
Direção – Denys Arcand
Elenco – Lothaire Bluteau, Catherine Wilkening, Johanne Marie Tremblay, Remy Girard, Robert Lepage, Gilles Peletier.

Daniel (Lothaire Bluteau) é um talentoso e desconhecido ator que é contratado por um padre (Gilles Peletier) para atualizar uma peça sobre a vida e o calvário de Jesus Cristo. A peça, que é encenada há mais de quarenta anos nos jardins de uma enorme igreja em Montreal, tem o texto alterado por Daniel, que convida dois atores e duas atrizes para completarem o elenco. O grupo cria um forte laço de amizade resultando em uma belíssima peça. Para surpresa dos atores, o padre e seus superiores não gostam da modernização da peça e tentam proibir as apresentações. 

O roteiro do diretor canadense Denys Arcand (“O Declínio do Império Americano” e “As Invasões Bárbaras”) faz um paralelo entre os dogmas que a Igreja Católica tenta passar para seus seguidores e a falta de moral e ética do mundo atual, situação esta exemplificada na sequência da seleção de atores para o comercial. 

A peça escrita pelo personagem de Daniel humaniza Jesus Cristo, o que faz com que o padre a veja como um perigo para a Igreja. O padre é um modelo de hipocrisia, ele tem uma amante e confessa que não abandona o sacerdócio para não perder as regalias que tem direito dentro da Igreja. Em outro diálogo, o padre diz a Daniel que as pessoas não querem a verdade, mas sim ouvir que Jesus e Deus amam a todos, mesmo que ele próprio não acredite nisto. A parte final é quase surreal, se mostrando como uma parábola da ressurreição de Cristo. 

Não é um filme para todos os públicos, parte das sequências são as encenações da peça, além disso, o estilo de Denys Arcand é recheado de diálogos, tem um ritmo lento e uma curiosa trilha sonora instrumental.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Aposta Máxima

Aposta Máxima (Runner Runner, EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – Brad Furman
Elenco – Justin Timberlake, Ben Affleck, Gemma Arterton, Anthony Mackie, Michael Esper, Oliver, Cooper, Christian George, Yul Vazquez, John Heard, Bob Gunton, James Molina, Louis Lombardi, Vincent Laresca.

O ambicioso Richie Furst (Justin Timberlake) é um aluno da Universidade de Princeton. que para pagar seus estudos trabalha como uma espécie de agenciador de apostas virtual, cooptando jovens alunos a participarem de jogos em um determinado site de apostas online. Quando o reitor (Bob Gunton) ameaça o expulsar da universidade caso ele continue com o esquema, Richie decide apostar suas economias no próprio site e acaba perdendo tudo. 

Com auxílio de um amigo hacker, Richie descobre que fora roubado pelo site. Ousado, ele decide viajar até a Costa Rica para tentar encontrar o dono do site, Ivan Block (Ben Affleck), que saiu dos Estados Unidos por estar sendo investigado. Para surpresa de Richie, Block o recebe e lhe oferece um emprego, prometendo muito dinheiro pelo trabalho. Ele aceita, sem imaginar que está entrando num jogo que pode custar caro em todos os sentidos. 

Com propagandas espalhadas por diversos sites na internet, chamadas nos canais de tv a cabo e até mesmo patrocinando uniformes de equipes de futebol, os sites de apostas online se multiplicaram nos últimos anos, rendendo milhões a grupos desconhecidos que comandam este mercado. 

O tema tinha tudo para render um ótimo filme, porém o roteiro repleto de clichês e os personagens caricatos resultaram numa pequena bomba. As interpretações da dupla de protagonistas também não ajudam. Justin Timberlake até funcionou como coadjuvante em filmes como “A Rede Social” e “Alpha Dog”, mas falta talento para ser protagonista. Enquanto isso, Ben Affleck mostra novamente seu lado canastrão como o vilão. 

Para piorar, as reviravoltas da trama são confusas e exageradas, transformando a parte final numa correria onde se tudo se resolve rapidamente e de forma inverossímil. O diretor Brad Furman foi muito mais feliz no drama policial “O Poder e a Lei”, mas falhou feio aqui. 

Como curiosidade, a trama sobre ambição e corrupção, lembra o melhor “O Primeiro Milhão” protagonizado por Giovanni Ribisi, produzido em 2000 e que se passava em uma corretora de valores em Wall Street. Naquele filme, o mesmo Ben Affleck tinha uma ponta como um corretor milionário sem escrúpulos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Boyhood: Da Infância à Juventude

Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Richard Linklater
Elenco – Ethan Hawke, Patricia Arquette, Ellar Coltrane, Lorelei Linklater, Libby Villari, Marco Perella, Brad Hawkins.

Mais do que filme, este trabalho de Richard Linklater é uma interessante experiência cinematográfica que demorou doze anos para ser filmada. A ideia inteligente e ao mesmo tempo simples de seguir a vida de uma família durante doze anos, focando principalmente no crescimento e desenvolvimento pessoal do garoto Mason (Ellar Coltrane), rendeu um ótimo filme. 

Tudo começa quando Mason tem seis anos, sua irmã Samantha (Lorelei Linkalert, filha do diretor na vida real) oito e seus pais estão separados há dois anos. As crianças vivem com a mãe (Patricia Arquette) e ficam felizes quando o pai (Ethan Hawke) volta a morar na mesma cidade e passa conviver com eles durante os finais de semana. A história segue por doze anos, até Mason completar dezoito e entrar na universidade. 

Não esperem grandes traumas, dramas ou reviravoltas, o objetivo do roteiro de Linklater é mostrar pequenas situações do dia a dia, como descobertas, frustrações, alegrias e escolhas que pessoas comuns enfrentam todos os dias. 

Não existe uma marcação do tempo, o espectador percebe as mudanças no desenvolvimento das feições e do corpo dos personagens, nos cabelos diferentes, nas roupas e nos coadjuvantes que parecem importantes num certo período e que desaparecem na sequência seguinte. 

Os lapsos de tempo na narrativa podem parecer estranhos, porém a proposta é semelhante ao que acontece na vida real, principalmente nas rápidas mudanças da adolescência. Um grande amigo aos treze anos, pode não ter importância alguma aos quinze, ou uma paixão aos dezesseis, pode durar poucos meses e ser esquecida rapidamente. 

Mesmo com o foco principal no personagem de Ellar Coltrane, as mudanças também são percebidas na irmã interpretada por Lorelei Linklater e nos pais, que passam por outros relacionamentos, acertam, erram e sofrem como pessoas normais. 

Como informação, o processo de filmagem era feito em torno de três ou quatro dias por ano, com as cenas sendo filmadas em sequência e posteriormente montadas em 2014, resultando nesta interessante obra.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Caçada Humana

Caçada Humana (The Chase, EUA, 1966) - Nota 9
Direção – Arthur Penn
Elenco – Marlon Brando, Robert Redford, Jane Fonda, Angie Dickinson, Robert Duvall, James Fox, Janice Rule, E. G. Marshall, Martha Hyer, Miriam Hopkins, Jocelyn Brando, Richard Bradford.

Na sequência inicial, vemos dois homens com roupas de presidiário fugindo, sendo perseguidos por policiais e cães. Quando chegam à estrada, um deles mata um motorista e rouba seu carro, deixando para trás Bubby Reeves (Robert Redford). A notícia da fuga chega ao xerife Calder (Marlon Brando), sujeito honesto, porém tripudiado pelos moradores da cidade que o consideram puxa-saco do milionário Val Rogers (E. G. Marshall). 

Para complicar ainda mais a situação, o filho de Val, Jake (James Fox) tem um caso com a mulher do fugitivo Bubber, a bela Anna (Jane Fonda). O fato faz com que Val envie seus capangas para caçar Bubber, enquanto Calder fica entre a cruz e a espada. Se ficar quieto sua reputação ficará ainda pior, mas se fazer valer a lei, entrará em confronto com o poderoso milionário. 

Analisando apenas como cinema, é difícil entender como um grande filme como este foi crucificado pela crítica quando lançado, mas por outro lado, o conteúdo repleto de traições, adultérios, violência e preconceito era muito pesado para época. 

Mesmo fracassando nas bilheterias, o trabalho do diretor Arthur Penn chamou a atenção do astro Warren Beatty, com quem havia trabalhado em “Mickey One” no ano anterior e por este motivo foi o escolhido para comandar “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas”, longa que mudaria os parâmetros da violência e da censura no cinema americano. 

Além do roteiro, neste “Caçada Humana” é necessário destacar o ótimo elenco, que além dos nomes citados, tem ainda Robert Duvall como um covarde e Angie Dickinson como a esposa do personagem de Brando, que o pressiona para matar o fugitivo interpretado por Redford. 

Hoje quase esquecido, este ótimo drama merece uma revisita.