sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sem Lei e Sem Alma & Paixão dos Fortes


Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the O.K. Corral, EUA, 1957) – Nota 7,5
Direção – John Sturges
Elenco – Burt Lancaster, Kirk Douglas, Rhonda Fleming, Jo Van Fleet, John Ireland, Earl Holliman, DeForest Kelley, Dennis Hopper, Ted De Corsia, Deforest Kelley, Martin Millner.

Hoje, o grande astro Kirk Douglas completa cem anos de idade. Como uma pequena homenagem, comento este western protagonizado por ele ao lado de outro monstro sagrado do cinema, Burt Lancaster. Eles trabalharam juntos em sete filmes. 

O longa é baseado na famosa história do tiroteio entre as famílias Earp e Clanton no Curral OK na cidade Tombstone. Tudo começa quando o Wyatt Earp (Burt Lancaster), que é xerife de Dodge City, volta para a cidade de Tombstone para ajudar os irmãos que enfrentam a violenta quadrilha dos Clantons. Após dois irmãos de Wyatt serem assassinados, ele se junta ao jogador beberrão Doc Hollyday (Kirk Douglas). São vários pequenos conflitos até o esperado confronto final.

Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, EUA, 1946) – Nota 8
Direção – John Ford
Elenco – Henry Fonda, Victor Mature, Walter Brennan, Linda Darnell, Tim Holt, Ward Bond, John Ireland.

Este clássico de John Ford é baseado na mesma história da versão de John Sturgess em 1957, porém com algumas diferenças. Aqui, Wyatt Earp (Henry Fonda) é um fazendeiro que após ter um irmão assassinado pela família Clanton, aceita se tornar xerife de Tombstone para enfrentá-los. Com ajuda do jogador Doc Hollyday (Victor Mature) e de seus outros dois irmãos, Wyatt se prepara para o confronto com os inimigos. 

Vale destacar que é um filme em preto e branco e que imortalizou a famosa canção “My Darling Clementine” que dá título ao longa.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sully: O Herói do Rio Hudson

Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Mike O’Malley, Anna Gunn, Jamey Sheridan, Holt McCallany, Chris Bauer, Ann Cuscak, Molly Hagan, Jane Gabbert.

Em 15 de janeiro de 2009, o comandante Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks) realiza um pouso de emergência no Rio Hudson em Nova York poucos minutos após decolar. Todos os passageiros se salvam e Sully se transforma em herói nacional. 

O longa detalha o processo burocrático da análise do acidente e como Sully foi obrigado a se defender para provar que fez a escolha certa em um momento crítico. 

A história é mais interessante do que filme, que se mostra morno, faltando tensão até mesmo na cena do acidente. 

Além da história, outro ponto positivo é a discussão sobre a capacidade do homem em relação a máquina. O roteiro tenta mostrar que por mais avançada que seja a tecnologia, a decisão humana sempre terá um peso enorme. 

O resultado é um drama correto, mas que será logo esquecido. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Depois do Casamento

Depois do Casamento (Efter Brylluppet, Dinamarca / Suécia / Inglaterra / Noruega, 2006) – Nota 8
Direção – Susanne Bier
Elenco – Mads Mikkelsen, Rolf Lassgard, Sidse Babett Knudsen, Stine Fischer Christensen, Christian Tafdrup.

Jacob (Mads Mikkelsen) é um dinamarquês que vive na Índia e administra um projeto social que cuida de órfãos. A falta de dinheiro para manter as crianças com uma vida digna, obriga Jacob a voltar para Dinamarca para encontrar um empresário que deseja conhecê-lo antes de fazer uma doação. 

Ao ser recebido por Jorgen (Rolf Lassgard), ele fica desconfiado pela falta de interesse do homem em conhecer o projeto. Antes de decidir sobre a doação, Jorgen convida Jacob para festa de casamento da filha. Precisando do dinheiro, Jacob aceita o convite sem imaginar que enfrentará uma enorme surpresa que mudará sua vida. 

O roteiro escrito pela diretora Susanne Bier detalha uma inusitada crise familiar através de pequenas surpresas que envolvem a esposa de Jorgen (Sidse Babett Knudsen), a filha do casal (Stine Fischer Christensen) e o genro (Christian Tafdrup). A opulência da festa de casamento e da casa de Jorgen escondem segredos dolorosos. O roteiro foca também nas escolhas pessoais e suas consequências. 

Os destaques do elenco ficam para a dupla principal. Mads Mikkelsen e Rolf Lassgard criam personagens fortes, com o segundo protagonizando pelo menos duas ótimas cenas dramáticas. 

Além do sucesso cult deste filme, Mikkelsen ficaria conhecido mundialmente no mesmo ano por interpretar o vilão de “007 – Cassino Royale”.         

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Filho de Saul

O Filho de Saul (Saul Fia, Hungria, 2015) – Nota 8
Direção – László Nemes
Elenco – Géza Rohrig, Levente Molnar, Urs Rechn, Todd Charmont.

No campo de concentração de Auschwtiz, Saul Auslander (Géza Rohrig) é um prisioneiro húngaro de origem judaica que faz parte de um grupo chamado Sonderkommando. 

O grupo é formado por prisioneiros que trabalham para os nazistas limpando o crematório e a câmara de gás. É uma espécie de elite de presos que sobrevive graças a este sinistro trabalho. 

Após uma “sessão” de assassinato coletivo na câmara de gás, Saul percebe que um garoto sobreviveu, porém em seguida, o menino é morto por um médico nazista. Criando um laço imaginário, Saul acredita que o jovem é seu filho e por isso inicia uma louca busca por um rabino e por um local para enterrar o garoto. Ao mesmo tempo, seus companheiros do Sonderkommando preparam uma rebelião. 

Indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, esta produção húngara é um daqueles longas que chamam a atenção por incomodar o espectador mostrando o Holocausto de forma crua. A câmera do diretor acompanha o protagonista em primeiro plano por todo o filme, muitas vezes focando de costas, de lado ou mostrando a sua visão dos acontecimentos, sempre de uma forma fechada, deixando os outros personagens e o espaço do campo de concentração como meros coadjuvantes. 

Em vários momentos o protagonista é praticamente jogado no meio da ação em sequências que são tensas e cruéis, como as cenas dos fuzilamentos nas valetas. A câmera na mão e os enquadramentos fechados criam uma sensação de angústia ainda maior para o espectador, o colocando praticamente como participante do horror naquele local. 

É mais um filme indicado para o cinéfilo que gosta de obras que fogem do lugar comum.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A Qualquer Custo

A Qualquer Custo (Hell or High Water, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – David Mackenzie
Elenco – Jeff Bridges, Chris Pine, Ben Foster, Gil Birmingham.

Os irmãos Tanner (Ben Foster) e Toby (Chris Pine) assaltam duas agências bancárias situadas em pequenas cidades do Texas. Eles precisam conseguir dinheiro para quitar uma dívida bancária e assim não perder a fazenda herdada dos pais. Toby também deseja pagar a pensão dos filhos adolescentes. 

Os assaltos chamam a atenção de um veterano Texas Ranger prestes a se aposentar. Marcus Hamilton (Jeff Bridges) e seu parceiro Alberto (Gil Birmingham) seguem o rastro da dupla entre o Texas e Oklahoma. 

Esqueça os filmes de perseguição policial agitados, a proposta aqui é mostrar um pouco do estilo de vida simples e duro das pessoas pobres que vivem em cidades pequenas do oeste americano, com pitadas de crítica social e personagens que tentam mudar a situação à força. 

O desenrolar da trama explica o porquê da atitude extrema dos irmãos. Pobreza, família desestruturada e a exploração dos bancos são os ingredientes. Duas sequências explicam o ódio da população da região em relação aos bancos, principalmente os pequenos fazendeiros. 

No início, vemos uma pichação em um muro com os dizeres: “fiz três turnos no Iraque e agora o banco se nega a renegociar minha hipoteca”. Mais a frente, após um assalto dos irmãos, uma testemunha dentro de uma lanchonete diz: “vi os ladrões que me roubam há trinta anos serem assaltados hoje”. 

O elenco também é destaque. Ben Foster interpreta novamente um personagem marginal, enquanto Chris Pine é o cérebro por trás dos assaltos. O destaque maior fica para Jeff Briges como o policial texano clássico, daqueles que não tem papas na língua e que dá um bico no politicamente correto a cada diálogo. É mais uma grande atuação do veterano astro.   

domingo, 4 de dezembro de 2016

Passos na Noite

Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends, EUA, 1950) – Nota 7,5
Direção – Otto Preminger
Elenco – Dana Andrews, Gene Tierney, Gary Merrill, Bert Freed, Tom Tully, Karl Marlden, Ruth Donnelly, Craig Stevens, Neville Brand.

O detetive Mark Dixon (Dana Andrews) é um sujeito durão mal visto por seu chefe por exagerar na forma como aborda os suspeitos. 

Quando um sujeito é assassinado em uma jogatina clandestina comandada por seu desafeto Tommy Scalise (Gary Merrill), Dixon acredita que enfim poderá prendê-lo. Ao pressionar uma testemunha, ocorre um acidente que muda toda a situação. 

Em paralelo, Dixon se envolve com a bela Morgan (Gene Tierney), que também estava presente no jogo antes de ocorrer o assassinato. 

O diretor Otto Preminger explora uma Nova York noturna, repleta de pessoas e letreiros luminosos, como se fosse uma personagem da complexa trama em que o protagonista imagina estar controlando. O personagem principal apresenta um interessante desenvolvimento, inclusive carregando um passado complicado que explica suas atitudes. 

Ao mesmo tempo, a atuação de Dana Andrews deixa a desejar. Ele demonstra a mesma feição carrancuda durante todo o filme, lembrando as atuações de Charles Bronson. Nem mesmo nos momentos mais emotivos ele muda a expressão do rosto. Isso não chega a atrapalhar o longa, que se mostra um competente noir.

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Campeão da Temporada

O Campeão da Temporada (That Championship Season, EUA, 1982) – Nota 6,5
Direção – Jason Miller
Elenco – Bruce Dern, Stacy Keach, Robert Mitchum, Martin Sheen, Paul Sorvino.

Scranton, Pensilvânia, 1977. Quatro ex-jogadores da equipe de basquete do colégio local se reúnem com seu antigo treinador após vinte anos do título estadual para comemorar a data. 

George (Bruce Dern) é o atual prefeito que concorre a reeleição em meio a acusações da oposição. Seu maior apoiador é Phil (Paul Sorvino), empresário que vive na cidade. O terceiro elemento do grupo é James (Stacey Keach), diretor do colégio. O quarto componente é Tom (Martin Sheen), irmão de James, que volta para cidade por causa da comemoração. O treinador é Delaney (Robert Mitchum), uma espécie de paizão do grupo. O que começa como festa, se torna uma lavagem de roupa suja que dura uma interminável noite. 

Este interessante longa é uma adaptação da peça escrita pelo ator Jason Miller. Consta que o filme seria dirigido por William Friedkin, que desistiu do projeto e fez com que o próprio Jason Miller fosse o diretor, sendo seu único trabalho na função. O falecido Miller é muito mais conhecido pelo papel do Padre Karras no clássico “O Exorcista” e também por ser pai do ator Jason Patric. 

A origem teatral da história resulta em um filme um pouco cansativo, com um excesso de diálogos que desnudam as frustrações e fraquezas do sujeitos de meia-idade unidos pelo passado. O elenco é o ponto alto do filme, com cada ator defendendo bem seu personagem. 

A peça rendeu uma segunda versão produzia para TV em 1999 dirigida por Paul Sorvino, que desta vez interpreta o treinador.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Codinome Cassius 7

Codinome Cassius 7 (The Double, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Michael Brandt
Elenco – Richard Gere, Topher Grace, Martin Sheen, Tamer Hassan, Stephen Moyer, Chris Marquette, Odette Annable.

Um senador que estava sob investigação é assassinado. A CIA e o FBI acreditam que o crime foi cometido por um antigo assassino russo conhecido como Cassius. 

Um diretor da CIA (Martin Sheen) pede auxílio ao aposentado agente Paul Shepherdson (Richard Gere), que durante anos perseguiu Cassius sem sucesso. Para trabalhar com Shepherdson é designado o novato agente do FBI Ben Geary (Topher Grace), que estudou a fundo os crimes de Cassius. 

O roteiro deste longa de espionagem trabalha basicamente com duas reviravoltas. A primeira ocorre com menos de meia hora de filme e não chega a ser uma surpresa. A segunda é mais complexa e acontece no clímax, ao mesmo tempo em que se revela um grande furo no roteiro. A premissa nas mãos de um diretor e roteirista melhor teria potencial para um longa interessante. 

O filme perde pontos pelos inexpressivos coadjuvantes, além do jovem Topher Grace passar longe de convencer como agente do FBI. O veterano astro Richard Gere não compromete, mas também pouco pode fazer para melhorar o longa. 

O resultado é um filme totalmente esquecível.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Invasão Zumbi

Invasão Zumbi (Busanhaeng ou Train to Busan, Coreia do Sul, 2016) – Nota 8
Direção – Sang Ho Yeon
Elenco – Yoo Gong, Soo An Kim, Yu Mi Jeong, Dong Seok Ma, Woo Sik Choi, Ahn So Hee, Eui Sung Kim.

Enquanto várias pessoas se preparam para viajar de trem de Seul, capital da Coreia do Sul, com destino a cidade de Busan, explode uma terrível epidemia. Pessoas infectadas atacam desconhecidos de forma selvagem, que ao serem mordidos também se transformam em predadores. 

Uma jovem infectada que consegue entrar no trem pouco tempo antes dele partir, é o ponto zero da epidemia no local, dando início a uma verdadeira viagem ao inferno para os passageiros. 

Este ótimo filme que mistura terror e ação explora a premissa das primeiras temporadas de “The Walking Dead”, quando a grande ameaça as pessoas ainda eram o zumbis, diferentes das disputas quase paramilitares das últimas temporadas. A escolha do diretor em filmar pelo menos oitenta por cento das cenas dentro do trem resultam numa assustadora tensão crescente. 

Os personagens também são bem desenvolvidos. Temos o executivo egoísta que precisa aprender a trabalhar em grupo para salvar sua filha pequena e a si mesmo, o sujeito forte que enfrenta os zumbis na porrada e faz de tudo para ajudar a esposa grávida, o jovem jogador de beisebol que transforma seu taco em arma e por fim, o covarde canalha que não hesita em trair as pessoas para tentar se salvar. 

Apesar de muitas cenas violentas, o filme não chega a ser um gore, acaba assustando muito mais pelo desespero em busca da sobrevivência. 

De forma ousada, a trama ainda apresenta uma sequência final de cortar o coração.  

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Viagem de Meu Pai

A Viagem de Meu Pai (Floride, França, 2015) – Nota 7,5
Direção – Philippe Le Guay
Elenco – Jean Rochefort, Sandrine Kiberlain, Laurent Lucas, Anamaria Marinca, Clement Metayer.

Claude Lherminier (Jean Rochefort) é um industrial aposentado que vive numa belíssima casa de campo e que sofre com demência em fase inicial. Para mantê-lo em casa, sua filha Carole (Sandrine Kiberlain) está sempre à procura de uma empregada que consiga entender a situação e que não desista do trabalho. Conforme a doença avança, fica mais difícil tomar conta do pai, além da situação interferir diretamente nas relações pessoais de Carole. 

Com o avanço da medicina e a expectativa de vida cada vez mais longa, a quantidade de pessoas idosas também aumenta e por consequência as doenças degenerativas que são incuráveis se tornam mais comuns e visíveis para sociedade. 

Nos últimos anos o cinema vem explorando este tema em vários filmes, algumas vezes focando apenas na parte do sofrimento e em outras criando histórias duras, porém sem apelar para o melodrama. Este sensível “A Viagem do Meu Pai” segue a segunda linha, mostrando as dificuldades enfrentadas pelo protagonista e sua filha de um modo sóbrio. 

A proposta do roteiro é detalhar a fase inicial deste tipo de doença, quando a pessoa começa a confundir nomes, datas e locais, variando de conversas normais para situações em que passa a agir como criança. 

O ponto interessante do filme é intercalar o avanço da doença com a sequência de uma viagem de avião para Miami, local que o protagonista tem obsessão por causa de uma filha que se mudou da França para lá. O problema é que a filha faleceu e o homem não se lembra do ocorrido. 

O destaque do elenco fica para o veteraníssimo Jean Rochefort (“O Marido da Cabeleireira”), que entrega uma sensível e belíssima interpretação do alto dos seus oitenta e cinco anos de idade. 

Para quem conhece ou convive com alguma pessoa que sofre de demência, com certeza vai entender as situações enfrentadas por pai e filha.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chape

A paixão que tenho por cinema é do mesmo tamanho da paixão pelo Palmeiras. Este sentimento pelo clube foi passado pelo meu pai que nos deixou em julho último após sofrer por alguns anos com uma terrível doença.

A tristeza pela passagem do meu pai foi confortada por saber que ele não sofreria mais. Como diz a linguagem popular, ele acabou descansando.

Tenho quarenta e cinco anos de idade e desde os oito frequento estádios e acompanho o Palmeiras. Vou em praticamente todos os jogos em nosso estádio, agora uma belíssima arena.

Domingo passado estive lá e festejei muito o título brasileiro ao lado de amigos que conquistei nestes anos. Por uma coincidência do destino, o adversário era a brava Chapecoense, que hoje infelizmente protagonizou o momento mais triste da história do esporte brasileiro, talvez semelhante a morte de Ayrton Senna. Com certeza, é o momento mais triste do futebol brasileiro, derrota alguma jamais irá doer tanto como esta tragédia.

É difícil imaginar o sofrimento dos familiares dos jogadores, da comissão técnica e dos jornalistas que perderam suas vidas, além é claro da comoção que a cidade de Chapecó enfrenta. Para potencializar ainda mais a tragédia, o clube faria amanhã na Colômbia o jogo mais importante de sua história. Para os envolvidos, seria como uma decisão de mundial. É um destino cruel demais.

E este destino cruel ligou a última partida desta equipe contra o Palmeiras. Nossa torcida com certeza é uma das mais sensibilizadas. As mais de quarenta mil pessoas que assistiram ao jogo na Arena com certeza estão com o coração apertado. É muito difícil lembrar que estivemos perto de várias pessoas que perderiam a vida dois dias depois, mesmo que não existisse outra ligação naquele momento. Além disso, algumas das vítimas trabalharam no Palmeiras. O treinador Caio Júnior, os jogadores Ananias e Josimar, além do comentarista Mário Sérgio que foi jogador nos anos oitenta.

A direção do Palmeiras está tomando a frente para prestar homenagens e ajudar a Chapecoense. É um gesto pequeno que não mudará o sofrimentos dos envolvidos, mas que mostra o mínimo que o ser humano deveria ter: "solidariedade".

Que Deus conforte os familiares.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Mistério da Viúva Negra & Tentação Perigosa


O Mistério da Viúva Negra (Black Widow, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção – Bob Rafelson
Elenco – Debra Winger, Theresa Russell, Sami Frey, Dennis Hopper, Nicol Williamson, James Hong, Terry O'Quinn, Diane Ladd, D. W. Moffet, Lois Smith, Leo Rossi, Rutanya Alda, Mary Woronov.

Catharine (Theresa Russell) é uma vigarista especializada em casar com homens ricos e assassiná-los para ficar com a herança. Após um destes crimes e uma fuga para o Havaí, Catharine é perseguida pela investigadora Alexandra (Debra Winger). Ao mesmo tempo em que Alexandra de forma disfarçada faz amizade com Catherine, ela também se apaixona por uma empresário (Sami Frey) que é o novo alvo da assassina. 

O diretor Bob Rafelson estava há seis anos sem filmar desde o ótimo “O Destino Bate à sua Porta” e terminou por decepcionar um pouco a crítica e o público com este suspense que em momento algum engrena, nem mesmo no clímax.

O destaques ficam para a sensualidade de Theresa Russell e Debra Winger, duas atrizes que eram musas dos anos oitenta.

Tentação Perigosa (Impulse, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Sondra Locke
Elenco – Theresa Russell, Jeff Fahey, George Dzundza, Alan Rosenburg, Lynne Thigpen, Shawn Elliott.

Lottie Mason (Theresa Russell) é uma detetive que trabalha disfarçada de prostituta nas ruas de Los Angeles. Envolvida com um promotor (Jeff Fahey) com quem trabalha em um caso e ex-amante de um tenente da polícia (George Dzundza), Lottie termina por se enrolar ainda mais quando aceita dinheiro de um desconhecido para fazer um programa. O sujeito termina assassinado por outro desconhecido enquanto ela se escondia no banheiro do quarto de hotel. Ela tenta apagar seus rastros e foge do local com medo de ser descoberta. 

Este razoável longa policial com toques de suspense fez algum sucesso na época do lançamento por causa de dois fatores. A presença da voluptuosa Theresa Russell como protagonista em um papel até certo ponto ousado. O outro fator é a direção de Sondra Locke. O destaque não vai para o talento da diretora, mas por ter sido seu primeiro trabalho após uma barulhenta separação do astro Clint Eastwood, com quem ela viveu por quinze anos e também protagonizou vários filmes. Sua carreira como diretora jamais decolou e a de atriz também terminou por aqui.  

domingo, 27 de novembro de 2016

Traffic (2000 & 2004)



Traffic (Traffic, EUA / Alemanha, 2000) – Nota 8
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Michael Douglas, Catherine Zeta Jones, Benício Del Toro, Don Cheadle, Dennis Quaid, Luis Guzman, Steven Bauer, Erika Christensen, Topher Grace, Jacob Vargas, Clifton Collins Jr, Miguel Ferrer, Amy Irving, Peter Riegert, James Brolin, Benjamin Bratt, Tomas Milian, Albert Finney.

Três histórias principais e diversos personagens tem seus destinos cruzados pelo tráfico. O juiz Robert Wakefield (Michael Douglas) é indicado para ser o líder do governo americano no combate às drogas, sem saber que sua filha (Erika Christensen) está viciada em crack.

Em San Diego, um dupla de agentes do DEA (Don Cheadle e Luis Guzman) trabalha em um caso com o objetivo de prender o traficante Carlos Ayala (Steven Bauer), que é o representante do Cartel de Tijuana nos EUA. Sua fútil esposa Helena (Catherine Zeta Jones) leva uma vida de luxo sem saber de onde vem o dinheiro do marido.

A terceira história se passa em Tijuana, onde dois policiais mexicanos (Benício Del Toro e Jacob Vargas) se envolvem com o General Salazar (Tomas Milian), que diz lutar contra o tráfico, mas que esconde seus verdadeiros interesses. 

Este complexo painel do tráfico de drogas entre México e Estados Unidos é na minha opinião o melhor filme do diretor Steven Soderbergh. Com uma parte técnica perfeita que utiliza cores de fotografia diferentes para cada história e uma narrativa muito bem intercalada apesar dos vários personagens que passam pela tela, o longa prende a atenção do início ao fim. 

Vale citar que a história é uma versão de uma minissérie inglesa produzida em 1989 com seis episódios.

Traffic (Traffic, EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – Stephen Hopkins & Eric Bross
Elenco – Cliff Curtis, Elias Koteas, Martin Donovan, Mary McCormack, Balthazar Getty, Ritchie Coster, Nelson Lee, Tony Musante, Justin Chatwyn, Eden Roundtree, Brian George.

Vários personagens tem o destino ligado por ações em Seattle e no Afeganistão. Em solo americano, um imigrante checheno (Cliff Curtis) fica obcecado em descobrir o que aconteceu com esposa e filha que viajavam clandestinamente em um navio que naufragou próximo a Seattle.

Na mesma cidade, um jovem recém formado (Balthazar Getty) descobre que o pai (Tony Musante) utiliza sua empresa de importação para fazer negócios com um mafioso chinês (Nelson Lee).

A terceira trama se passa no Afeganistão, onde um agente de CIA (Elias Koteas) aparentemente abandona tudo para se juntar a um contrabandista local (Ritchie Coster) em busca de uma carga de ópio. Enquanto isso, sua esposa (Mary McCormack) sofre para cuidar do filho adolescente (Justin Chatwin). 

Esta minissérie em três episódios de uma hora e meia cada, mistura a premissa do longa “Traffic” de Steven Soderbergh, com o medo que se espalhou nos americanos nos anos seguintes aos atentados de 11 de Setembro.

Assim como o filme de Soderbergh, os personagens aqui tem suas vidas complicadas por causa do tráfico, seja de drogas ou de pessoas. O roteiro tenta fazer uma crítica a esta situação e a facilidade com que este comércio ilegal consegue funcionar.

A narrativa falha por ser muito entrecortada, as histórias são intercaladas com rapidez e as vezes cortadas abruptamente. O final das histórias também é simplista, deixando a sensação de que faltou algo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Viagem à Lua de Júpiter

Viagem à Lua de Júpiter (Europa Report, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Sebastian Cordero
Elenco – Michael Nyqvist, Sharlto Copley, Anamaria Marinca, Christian Camargo, Daniel Wu, Karolina Wydra, Embeth Davidtz, Dan Fogler, Isiah Whitlock Jr.

Uma expedição internacional é enviada para Júpiter após cientistas acreditarem que existe água embaixo do gelo que cobre aquele planeta. O grupo de astronautas é composto por quatro homens e duas mulheres. 

Tudo segue perfeito até metade do caminho, quando por algum problema a nave perde contato com a Terra. Mesmo assim, eles decidem seguir a missão sem imaginar os perigos que poderão enfrentar. 

Produzido com um baixo orçamento, esta competente ficção apresenta a maioria das cenas gravadas dentro do pequeno espaço da nave, criando uma tensão crescente de acordo com a aproximação do destino. 

O diretor equatoriano Sebastian Cordero explora uma narrativa não linear, utilizando imagens das câmeras de segurança da nave, intercaladas com depoimentos dos astronautas e das autoridades que comandavam a missão na Terra. 

A parte técnica também é destaque. Ela é extremamente clean e com interessantes variações de ângulos, além dos depoimentos em close ao estilo documentário. 

É curioso que o filme tenha sido produzido pouco tempo antes do sucesso de “Interestelar” e “Perdido em Marte”, que são melhores e que exploram temas semelhantes. O normal seria este filme ter sido produzido depois, para tentar faturar no rastro do sucesso destes blockbusters.