sábado, 25 de março de 2017

Um Ano Mais

Um Ano Mais (Another Year, Inglaterra, 2010) – Nota 7,5
Direção – Mike Leigh
Elenco – Jim Broadbent, Ruth Sheen, Lesley Manville, Oliver Maltman, Peter Wight, David Bradley, Karina Fernandez, Imelda Stauton.

Gerri (Ruth Sheen) é uma psicóloga e seu marido Tom (Jim Broadbent) um engenheiro geólogo. Casados há mais de trinta anos, eles demonstram afeto e felicidade. Durante um ano, o filme mostra encontros do casal com familiares e amigos que dividem suas alegrias e sofrimentos. 

O roteiro escrito pelo diretor Mike Leigh divide o longa nas quatro estações do ano, focando em uma pequena história em cada uma delas. 

Acompanhamos a mudança de vida do filho Joe (Oliver Maltman), a solidão da amiga Mary (Lesley Manville) e do amigo Ken (Peter Wight) e por fim o sofrimento calado do irmão de Tom, Ronnie (David Bradley). 

A proposta de Leigh é mostrar como a vida afeta de formas diferentes cada pessoa. As decisões e atitudes vão se somando, resultando em alegrias, mas também em tristezas e frustrações que muitas vezes fogem ao controle emocional de cada um. 

É interessante e também triste ver que um casal feliz pode ser ao mesmo tempo modelo para quem está infeliz e também motivo de inveja. A cena final do jantar é tocante ao expor estas diferenças na vida e no pensamento de cada um. As vezes, algumas palavras de felicidade são uma verdadeira punhalada no coração de quem está infeliz. 

O elenco todo está bem, mas o grande destaque fica para a insegura e carente personagem vivida por Lesley Manville. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

A Raposa do Mar

A Raposa do Mar (The Enemy Below, EUA, 1957) – Nota 6,5
Direção – Dick Powell
Elenco – Robert Mitchum, Curt Jurgens, David Hedison, Theodore Bikel, Russell Collins.

Segunda Guerra, Sul do Atlântico. Um destroyer comandado pelo capitão Murrell (Robert Mitchum) e um submarino alemão seguindo ordens de Von Stolberg (Curt Jurgens) se enfrentam em um jogo de gato e rato. 

Os experientes comandantes criam estratégias a partir das coordenadas e do deslocamento do inimigo. Os dois sabem que qualquer erro de cálculo pode terminar em derrota e na morte de seus tripulantes. 

Recheado de diálogos técnicos sobre navegação, este longa tem alguns pontos interessantes, como a perspicácia dos protagonistas, o questionamento do capitão alemão em relação ao porquê da guerra e até mesmo um toque pacifista, mesmo com o clímax sendo violento. 

O longa perde alguns pontos pelo excesso de diálogos técnicos e pela lentidão da narrativa. Mesmo com pouco mais de uma hora e meia, a sensação é de uma duração maior. 

É basicamente um filme indicado para quem gosta de obras sobre batalhas no mar. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Deixa Ela Entrar

Deixa Ela Entrar (Lat Den Ratte Komma In, Suécia, 2008) – Nota 7,5
Direção – Tomas Alfredson
Elenco – Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar.

Subúrbio de Estocolmo, 1982. Oskar (Kare Hedebrant) é um garoto de doze anos que é perseguido na escola e que vive sozinho com a mãe divorciada, que passa o dia no trabalho. 

Morando em um condomínio simples, em uma certa noite Oskar encontra a garota Eli (Lina Leandersson) no pátio repleto de neve. Ele descobre que a garota é sua vizinha e que vive com um estranho sujeito (Per Ragnar). O que Oskar não sabe, é que a menina é uma vampira que precisa se alimentar de sangue. Mesmo assim, as duas crianças criam um forte laço de afeto. 

O grande acerto deste longa é ir além da história sobre vampiros. O filme é na verdade um drama sobre adolescência, solidão, vingança e até mesmo toques de sexualidade. 

Apesar de ser baseado em um livro, onde provavelmente existam maiores detalhes, o roteiro não se preocupa em explicar porque a menina é uma vampira e qual sua verdadeira relação com o homem que mora com ela, deixando as respostas para a imaginação do espectador. 

O filme perde alguns pontos pelos efeitos especiais ruins, principalmente na sequência dos gatos. 

Em 2010, a história foi refilmada em Hollywood, porém não assisti para comparar.

quarta-feira, 22 de março de 2017

O Impostor

O Impostor (The Forger, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Philip Martin
Elenco – John Travolta, Christopher Plummer, Tye Sheridan, Abigail Spencer, Anson Mount, Marcus Thomas, Jennifer Ehle, Travis Aaron Wade, Julio Oscar Mechoso.

Ray Cutter (John Travolta) é um falsificador de quadros que cumpre pena. Desesperado para sair da cadeia por causa de seu filho Will (Tye Sheridan) que está doente, Ray faz um acordo com o traficante Keegan (Anson Mount) que suborna um juiz. Em troca, Ray terá de falsificar um famoso quadro e trocá-lo pelo original durante uma exposição. 

Apesar das críticas ruins, este longa prende a atenção através de uma boa narrativa e um roteiro que explora com simplicidade a relação entre pais e filhos. Além da relação entre os personagens de Travolta e Sheridan, é interessante também a participação do veteraníssimo Christopher Plummer como o avô golpista aposentado e a de Jennifer Ehle como a mãe viciada em drogas. O roteiro ainda insere uma reviravolta no final. 

É um filme básico, que funciona como divertimento imediato. 

Um detalhe, a tradução correta do título seria “O Falsificador”.

terça-feira, 21 de março de 2017

Beleza Colateral

Beleza Colateral (Collateral Beauty, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – David Frankel
Elenco – Will Smith, Edward Norton, Kate Winslet, Michael Peña, Helen Mirren, Naomi Harris, Keira Knightley, Jacob Latimore, Ann Dowd.

Howard (Will Smith) é um publicitário de sucesso dono de uma agência. Após perder a filha de seis anos, Howard entra em uma espécie de depressão profunda. O trabalho fica de lado, o que afeta diretamente sua empresa. 

Temendo ver a empresa quebrar, seus sócios (Edward Norton, Michael Peña e Kate Winslet) tomam uma atitude radical. Contratam uma detetive particular (Ann Dowd) e três atores (Jacob Latimore, Keira Knightley e Helen Mirren) para seguirem Howard e conseguirem provas de que ele não tem condições psicológicas de comandar a empresa. 

A quantidade de consumidores do mercado de autoajuda é gigantesca. Livros, dvds, palestras e também o cinema são braços atuantes deste mercado. A forma de levar este “conteúdo” ao público sempre explora frases de efeito para passar uma falsa sensação de bem estar às pessoas que estão enfrentando algum problema ou trauma. É basicamente o que ocorre neste longa. 

Tudo parece perfeito à primeira vista. Elenco recheado de astros, personagens com problemas pessoais, cenas filmadas para emocionar o espectador, além de um toque de fé e espiritualidade, porém para quem gosta de realidade, vai se decepcionar com o excesso de clichês. 

Praticamente toda a história e muitas reações dos personagens soam falsas. É o tipo de filme para agradar um determinado público que gosta de emoções fáceis, algo semelhante ao trabalho de um hipnotizador, que sempre procura as pessoas suscetíveis, aquelas que querem ser hipnotizadas, senão o truque não funcionará.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Um Limite Entre Nós

Um Limite Entre Nós (Fences, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Denzel Washington
Elenco – Denzel Washington, Viola Davis, Stephen McKinley Anderson, Jovan Adepo, Russell Hornsby, Mykelti Williamson, Saniyya Sidney.

Pittsburgh, anos cinquenta. Troy Maxson (Denzel Washington) é um homem de meia-idade que trabalha como lixeiro e que pretende se tornar o primeiro motorista negro de caminhão de lixo da cidade. 

Analfabeto e falastrão, ao mesmo tempo em que demonstra amor pela esposa Rose (Viola Davis), Troy também é um sujeito duro, teimoso e frustrado por não ter tido reconhecimento em sua carreira de jogador de beisebol. Ele tem dificuldades em se relacionar com os filhos (Jovan Adepo e Russell Hornsby) e com o irmão (Mykelti Williamson) que sofre com sequelas da Segunda Guerra. 

Este longa é basicamente um teatro filmado que se apoia nos diálogos e nas ótimas interpretações do elenco, com destaque para Denzel Washington, Viola Davis e Mykelti Williamson. 

A complexidade dos personagens principais é outro ponto forte. O protagonista é um poço de contradições, defende sua obrigação em sustentar a família, ao mesmo tempo em que deixa a desejar em outros quesitos e cobra exageradamente seu filho adolescente. A personagem de Viola Davis é a típica mulher dos anos cinquenta, que coloca a família em primeiro lugar, deixando de lado seus sonhos. 

O filme perde alguns pontos pelo excesso de diálogos e a duração um pouco longa que termina cansando o espectador.

 No geral, é um interessante filme sobre pessoas e também uma época em que o conceito de família era muito mais forte do que hoje.

domingo, 19 de março de 2017

Ilusões Perigosas & A Casa dos Sonhos


Ilusões Perigosas (Haunted, Inglaterra / EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Lewis Gilbert
Elenco – Aidan Quinn, Kate Beckinsale, Anthony Andrews, John Gielgud, Anna Massey, Alex Lowe.

Nos anos vinte, o professor de parapsicologia David Ash (Aidan Quinn) segue para uma pequena cidade do interior da Inglaterra para investigar fenômenos sobrenaturais em uma antiga mansão. No local, ele conhece a bela jovem Christina (Kate Beckinsale). Não demora para David e Christina se envolverem amorosamente, mesmo com os estranhos fenômenos assombrando a mansão. Aos poucos, os acontecimentos fazem David começar a duvidar de sua própria sanidade. 

É um longa mais voltado para o drama sobrenatural do que para o suspense. Mesmo as cenas mais tensas exploram a sugestão, não esperem sangue ou violência. Vale destacar a caprichada reconstituição de época e a beleza de Kate Beckinsale com apenas vinte e dois anos de idade. 

Finalizando, este foi o penúltimo trabalho do diretor inglês Lewis Gilbert, que há poucos dias completou noventa e sete anos e que comandou bons filmes como “O Despertar de Rita” e três longas da franquia 007. 

A Casa dos Sonhos (Paperhouse, Inglaterra, 1988) – Nota 6,5
Direção – Bernard Rose
Elenco – Charlotte Burke, Ben Cross, Glenne Headly, Elliott Spiers, Gemma Jones.

Anna (Charlotte Burke) é um solitária garota de onze anos que ao ficar doente passa o tempo desenhando. Ao criar uma casa de papel, Anna descobre que pode visitar o local através dos sonhos. Na casa desenhada, ela encontrada um garoto deficiente (Elliott Spiers) e um mundo de fantasia com figuras estranhas e assustadoras. Cada vez que ela modifica o desenho, seus sonhos se tornam mais perigosos. 

Este longa é uma curiosa ficção que mistura fantasia e terror, estilo que teve vários exemplares nos anos oitenta. Os pontos positivos são as sequências no mundo do sonhos e o clima assustador em alguns momentos. Por outro lado, as interpretações são fracas, principalmente da protagonista, que aqui teve seu único trabalho no cinema. Vale citar que o diretor Bernard Rose é mais conhecido pelo terror “O Mistério da Candyman”.

sábado, 18 de março de 2017

Cronos

Cronos (Cronos, México, 1993) – Nota 5,5
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Federico Luppi, Ron Pearlman, Claudio Brook, Margarita Isabel, Tamara Shanath.

México, século XVI. Um alquimista cria um estranho objeto batizado como Cronos, que daria a vida eterna a quem o utilizar. Quatrocentos anos depois, um terremoto derruba um edifício e o corpo do alquimista é encontrado cheio de deformações. 

A trama pula para o início dos anos noventa, quando um homem rico e doente (Claudio Brook) obriga seu sobrinho (Ron Pearlman) a procurar o Cronos que estaria escondido dentro de uma estátua de anjo. Sem explicação alguma, a estátua está em poder do dono de uma loja de antiguidades (Federico Luppi), que utiliza o objeto sem saber o efeito. 

Esse foi o primeiro longa do diretor Guillermo Del Toro, que aqui já mostrava o gosto pelo sangue, por monstros e situações bizarras. Por mais que o diretor demonstre criatividade no formato do Cronos e no estranho clima, o roteiro é fraco e previsível. Para piorar, as interpretações são caricatas. 

Algumas das ideias utilizadas aqui, Del Toro adaptou de forma bem mais consistente na atual série “The Strain”. 

O longa vale apenas como curiosidade para os fãs do diretor ou para que curte filmes vagabundos de terror.


sexta-feira, 17 de março de 2017

O Clube do Imperador

O Clube do Imperador (The Emperor’s Club, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Michael Hoffman
Elenco – Kevin Kline, Emile Hirsch, Embeth Davidtz, Paul Dano, Jesse Eisenberg, Rishi Mehta, Rob Morrow, Edward Herrmann, Harris Yulin, Patrick Dempsey, Joel Gretsch, Steven Culp, Roger Rees.

No início dos setenta, Mr. Hundert (Kevin Kline) é um professor de história especializado em Grécia e Roma que leciona numa famosa escola para garotos. Hundert tenta ir além do ensino formal, seu objetivo é formar homens de caráter. 

A dificuldade normal em lidar com adolescentes aumenta quando um jovem filho de um senador (Emile Hirsch) chega ao colégio. O garoto rebelde se torna um desafio para o professor. 

Seguindo a linha de filmes sobre professores idealistas, este longa se passa em duas épocas distintas. A primeira parte é que a citei. A segunda se passa vinte anos depois, quando o professor é convidado para uma reunião com o ex-alunos. 

Além dos conflitos normais deste tipo de filme, é interessante como roteiro mostra os alunos ainda adolescentes e depois como adultos e pais de família. Nesta segunda parte podemos analisar qual o tamanho da influência do professor na vida de cada  um deles e também entender que mesmo com bons exemplos, no final o caráter e a ética é algo individual que dificilmente se modificará. 

Além do sempre competente Kevin Kline, vale destacar Emile Hirsch, Paul Dano e Jesse Eisenberg, que eram adolescentes pouco conhecidos e que hoje são astros. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

A Autópsia

A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe, EUA / Inglaterra, 2016) – Nota 7
Direção – André Ovredal
Elenco – Emile Hirsch, Brian Cox, Ophelia Lovebond, Michael McElhatton, Olwen Catherine Kelly.

Tommy Tilden (Brian Cox) é um veterano patologista proprietário de uma funerária. Seu filho Austin (Emile Hirsch) é seu assistente. Eles trabalham no subsolo da casa onde vivem. 

Quando a polícia atende um chamado e encontra um casal assassinado, se surpreende ao ver que não existem pistas de que alguém tenha entrado na casa. Para ficar mais estranho, eles encontram o corpo intacto de uma jovem (Olwen Catherine Kelly) enterrado no porão. 

Com urgência para saber a causa da morte da garota, o corpo é levado para a funerária da família Tilden. Pai e filho iniciam a autópsia normalmente durante a noite, porém aos poucos percebem que existe algo fora do normal com o corpo. 

Com menos de uma hora e meia de duração, um fio de história e toda a trama passada dentro da funerária, este interessante longa prende a atenção pela simplicidade e pelo clima sinistro.

A tensão cresce em paralelo com as descobertas de pai e filho durante a autópsia, que por sinal é mostrada de forma realista, não indicada para quem tem estômago fraco. 

É um bom longa, indicado para quem gosta de tramas de filme B em uma produção mais caprichada. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Eu, Daniel Blake

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake, Inglaterra / França / Bélgica, 2016) – Nota 8,5
Direção – Ken Loach
Elenco – Dave Johns, Hayley Squires, Brianna Shann, Dylan McKiernan.

Daniel Blake (Dave Johns) é um marceneiro viúvo que após sofrer um infarto precisa enfrentar toda a burocracia do sistema previdenciário inglês para tentar receber seu benefício. 

Em uma de suas tentativas de resolver a situação, Daniel cruza o caminho de uma jovem mãe solteira de duas crianças (Hayley Squires), que também sofre para conseguir receber seus direitos junto ao governo. Os dois criam um laço de amizade e ajuda mútua em busca de uma vida melhor. 

Em qualquer que seja o país, a relação entre indivíduo e Estado é cruel. Por mais que o país seja organizado, a burocracia tende a dificultar a vida de quem precisa solicitar algum serviço para o Estado. Em nome de uma falsa igualdade, o Estado trata o indivíduo como um número, que precisa se adequar as regras impostas. Se ele reclamar, é até mesmo ameaçado. O fator humano nunca é levado em conta. 

Este terrível contexto que vemos diariamente no Brasil, é retratado de uma forma crua neste longa de Ken Loach, diretor especialista em filmes com críticas sociais. Além da sensibilidade com que Loach trata seus personagens, vale destacar que o roteiro não explora algum viés ideológico ou político, a proposta é mostrar que o Estado é um obstáculo na vida do indivíduo. 

Outro ponto alto é a interpretação do desconhecido Dave Johns. Ator com experiência na tv inglesa, aqui ele faz sua estreia no cinema da melhor forma possível. Ele passa todo o sentimento de desilusão e também de preocupação com o próximo. É o retrato do sujeito honesto que passou toda a vida trabalhando com as mãos e quando mais precisa de ajuda é descartado pela sociedade. 

É um filme simples, doloroso e realista, daqueles que nos deixam com um sentimento de impotência.  

terça-feira, 14 de março de 2017

O Quinto Poder

O Quinto Poder (The Fifth Estate, EUA / Índia / Bélgica, 2013) – Nota 7
Direção – Bill Condon
Elenco – Benedict Cumberbatch, Daniel Bruhl, David Thewlis, Laura Linney, Alicia Vikander, Anthony Mackie, Stanley Tucci, Moritz Bleitbreu, Carice Van Houten, Peter Capaldi, Dan Stevens, Alexander Siddig, Jamie Blackley.

Em 2010, o site WikiLeaks recebeu de uma fonte milhares de documentos secretos do governo americano que desmascaravam os erros e absurdos cometidos na chamada “Guerra ao Terror” e também nas relações com diversos países. 

O fato transformou Julian Assange (Benedict Cumberbatch) em herói para muitos e em persona no grata pelo governo americano. O longa apresenta uma breve introdução sobre o caso e volta para o final de 2007, quando Assange era um mero desconhecido que criou o site e se uniu ao alemão Daniel Berg (Daniel Bruhl). 

O roteiro acompanha os dois anos seguintes quando a dupla transformou o pequeno site em uma espécie de organização jornalística independente focada em revelar segredos, sempre pautando pelo anonimato das fontes. 

Além dos fatos conhecidos pelo público, o roteiro explora também a relação entre Assange e Berg. Como diz uma personagem durante o filme, Assange era o “profeta louco”, sujeito egocêntrico e manipulador, fato reforçado pela interpretação afetada de Cumberbatch, enquanto Berg se mostrava o lado racional da parceria, que procurava levar em conta as consequências da divulgação dos segredos. 

Mesmo com uma boa história para quem gosta de fatos políticos e conspirações, muitos podem se cansar da linguagem técnica sobre informática.  

Não chega a ser um grande filme, mas cumpre seu papel de mostrar o lado oculto de Assange e do WikiLeaks.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Narcos - 2º Temporada

Narcos (Narcos, EUA, 2015/2016)
Direção - Andrés Baiz, Gerardo Naranjo & Josef Kubota Wladyka
Elenco - Wagner Moura, Boyd Holbrook, Pedro Pascal, Damian Alcazar, Paulina Gaitan, Raul Mendez, Jorge Monterossa, Paulina Garcia, Diego Cataño, Joanna Christie, Alberto Ammann, Bruno Bichir, Leynar Gomez.

O final da primeira temporada deixou a impressão de que restaria pouca história para ser contada em mais dez episódios. Para minha surpresa, a segunda temporada se mostrou ainda melhor que a primeira.

A trama principal desta temporada é a caçada das autoridades colombianas em parceria com os agentes americanos Steve Murphy (Boyd Holbrook) e Javier Peña (Pedro Pascal) na busca por Pablo Escobar (Wagner Moura).

Enquanto se esconde com sua família e seus capangas, Escobar acredita que ainda possa negociar com as autoridades. Por outro lado, até mesmo o presidente colombiano César Gaviria (Raul Mendez) lava as mãos, seu desejo é que Escobar seja assassinado.

Percebendo que o reinado de Escobar estava desmoronando, seus antigos parceiros do Cartel de Cali decidem tomar seu lugar. Gilberto Orejuela (Damian Alcazar) faz um acordo com mercenários que atuam na selva colombiana para estes atacarem os laboratórios e parceiros de Escobar. Os malucos acabam se autodenominando "Los Pepes".

Se na primeira temporada a questão política era muito forte, na segunda a violência explode de todas as formas. Uma verdadeira guerra é travada nas ruas de Medellin entre o exército colombiano, os mercenários dos Los Pepes e os sicários de Pablo Escobar.

Mesmo com um nível melhor nesta temporada, alguns detalhes continuam negativos. A atuação de Wagner Moura é no mínimo estranha. Ele se mostra um psicopata no controle dos negócios e um pai amoroso para filhos e esposa, situação comum ao retratar vilões, o problema é que parece demonstrar a mesma expressão em todas as sequências, além do espanhol que ele fala quase de uma forma teatral.

O personagem de Boyd Holbrook, que narra a história é que era o principal rival de Escobar na caçada da temporada anterior, aqui perde espaço para o ótimo Pedro Pascal. O detetive Peña se torna peça fundamental nas investigações e na relação com outros traficantes, fato que o transformará em um dos protagonistas da terceira temporada, que seguirá a história detalhando a caçada ao Cartel de Cali.

Por sinal, outra peça que será importante na próxima temporada é o mexicano Damian Alcazar, que interpreta o líder do Cartel do Cali.

Aqui é esperar e torcer para que a qualidade da série continue em alta.

domingo, 12 de março de 2017

Quando Fala o Coração

Quando Fala o Coração (Spellbound, EUA, 1945) – Nota 7,5
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Ingrid Bergman, Gregory Peck, Michael Chekhov, Leo G. Carroll, Rhonda Fleming, John Emery.

Em um hospital psiquiátrico nos arredores de Nova York, Constance Petersen (Ingrid Bergman) é uma jovem doutora que não gosta de demonstrar suas emoções. 

Quando chega ao local um novo diretor chamado Edwards (Gregory Peck), o sujeito mexe com o coração de Constance. Logo, as atitudes estranhas do diretor escondem um segredo que é revelado para Constance. Ao invés de contar a verdade, ela decide ajudar o amado, embarcando numa perigosa investigação. 

O roteiro escrito por Ben Hecht mistura uma trama policial com romance e psicanálise de forma curiosa. Em várias sequências os diálogos envolvem termos da psicanálise, inclusive com diversas citações a Freud, fazendo um contraponto as atitudes da personagem de Ingrid Bergman, que por estar apaixonada deixa de lado a racionalidade para acreditar no coração. 

Os astros Gregory Peck e Ingrid Bergman tem atuações apenas razoáveis. O destaque fica para o pouco conhecido Michael Chekhov como um famoso psicanalista que tenta ajudar o casal. 

Não se pode deixar de citar a criatividade de Hitchcock na narrativa e nos enquadramentos. Algumas cenas em que câmera procura ângulos inusitados são extremamente criativas, como a sequência do copo de leite e a do revólver perto do final, além é claro da sequência do sonho que foi criada pelo pintor Salvador Dali. 

Mesmo com o conteúdo das discussões estando um pouco envelhecidas, o longa ainda é uma interessante obra.