terça-feira, 25 de setembro de 2018

Estranha Fascinação & Do Lodo Brotou uma Flor


Estranha Fascinação (I Walk Alone, EUA, 1947) – Nota 6,5
Direção – Byron Haskin
Elenco – Burt Lancaster, Lizabeth Scott, Kirk Douglas, Wendell Corey, Kristine Miller, George Rigaud, Marc Lawrence.

Após cumprir uma pena de catorze anos por transportar bebidas durante a Lei Seca, Frankie Madison (Burt Lancaster) deseja reativar a sociedade com seu parceiro Noll “Dink” Turner (Kirk Douglas). 

Recebido por seu irmão Dave (Wendel Corey), Frankie descobre que tudo mudou. Seu ex-amigo Dink hoje é dono de uma famosa casa noturna e Dave cuida da contabilidade do local. Dink utiliza a bela Kay (Lizabeth Scott) para entender o que fazer com Frankie, que por seu lado não se conforma ao perceber que fora deixado de lado nos negócios. 

A premissa é interessante e até atual ao detalhar como uma pessoa que se afasta por alguns anos de algo, ao retornar sofre para entender e aceitar que as coisas mudaram bastante. O personagem de Burt Lancaster não entende o novo mundo, mas sabe que foi enganado pelo parceiro, que por seu lado se mostra arrogante e ganancioso. 

Infelizmente a forma como o roteiro desenvolve a trama envelheceu bastante, principalmente no quesito do romance e também na reviravolta final. É um filme que vale apenas pela presença dos astros Burt Lancaster e Kirk Douglas.  

Do Lodo Brotou uma Flor (Ride the Pink Horse, EUA, 1947) – Nota 7
Direção – Robert Montgomery
Elenco – Robert Montgomery, Thomas Gomez, Wanda Hendrix, Rita Conde, Fred Clark, Art Smith, Iris Flores, Richard Gaines.

Gagin (Robert Montgomery) chega na pequena cidade de San Pablo na divisa dos Estados Unidos com o México à procura do gângster Frank Hugo (Fred Clark) para cobrar uma dívida. Um agente do FBI (Art Smith) segue seu rastro também com o objetivo de encontrar Hugo. A cidade está na véspera de comemorar a “Fiesta Mexicana”. 

Ao cobrar o gângster, Gagin se torna alvo de seus capangas e recebe a inusitada ajuda de dois moradores locais. O bonachão Pancho (Thomas Gomez), que comanda uma carrossel para crianças e a jovem Pila (Wanda Hendrix). 

O ator e diretor Robert Montgomery foi um dos pioneiros da tv americana ao abandonar o cinema no início dos anos cinquenta para se dedicar ao programa “Robert Montgomery Presents” em que ele era o apresentador dos episódios que contavam pequenas histórias sobre a vida real. Ele também é conhecido por ser pai da atriz Elizabeth Montgomery, famosa pela série “A Feiticeira”. 

Neste longa, Montgomery mistura uma trama ao estilo noir com uma ambientação próxima a um western. Seu personagem é o estranho que chega a cidade para incomodar o chefão local, ao mesmo tempo em que cria amizade com pessoas simples. 

O filme tem algumas boas cenas de suspense e violência, levando em conta a época em que foi produzido. 

Vale citar que Thomas Gomez, que era americano, foi indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por este filme, sendo o primeiro latino a disputar o prêmio.  

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Longe dos Homens

Longe dos Homens (Loin des Hommes, França, 2014) – Nota 7
Direção – David Oelhoffen
Elenco – Viggo Mortensen, Reda Kateb, Nicolas Giraud, Djemel Barek, Vincent Martin.

Argélia, 1954. Daru (Viggo Mortensen) é um professor que ministra aulas para crianças em uma pequena escola no meio do deserto argelino. O país passa por uma guerra entre os locais que desejam a independência e o exército francês colonizador. 

Em um certo dia um policial francês surge na escola e entrega para Daru um simplório morador da região chamado Mohamed (Reda Kateb) que deve ser levado a uma cidade próxima para ser julgado por assassinato. 

Daru acolhe o homem e ao invés de levá-lo como prisioneiro, decide ajudá-lo. Os dois atravessam o deserto em meio a guerra e aos poucos criam um laço de amizade. 

Baseado num conto de Albert Camus, este longa utiliza a Guerra da Argélia como pano de fundo de uma história sobre amizade e lealdade. Os dois protagonistas com experiências de vida opostas descobrem que tem muito mais em comum do que aparentam. 

O roteiro foca também nos costumes árabes da região, inclusive a questão da vingança familiar no caso de um parente ser assassinado. 

As áridas paisagens do deserto é um dos destaques, assim como as boas atuações de Viggo Mortensen e Reda Kateb. Por sinal, Mortensen está desenvolto nos diálogos que em sua maioria são em francês. 

É um filme com uma tema interessante desenvolvido com sensibilidade.

domingo, 23 de setembro de 2018

Maze Runner: A Cura Mortal

Maze Runner: A Cura Mortal (Maze Runner: The Death Cure, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Wes Ball
Elenco – Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie Sangster, Ki Hong Lee, Will Poulter, Dexter Darden, Jacob Lofland, Rosa Salazar, Giancarlo Esposito, Barry Pepper, Patricia Clarkson, Aidan Gillen, Walton Goggins.

Thomas (Dylan O’Brien) e os jovens que conseguiram escapar da empresa que os tratavam como cobaias pretendem seguir para um local isolado usando um velho navio. 

Antes disso, eles conseguem salvar o que seria o último grupo de adolescentes que estava sendo transportado em um trem. Mesmo assim, alguns garotos não conseguem sair do trem e são levados pelos mercenários, entre eles está Minho (Ki Hong Lee). Inconformado, Thomas e mais quatro jovens seguem o rastro de Minho que está preso na última cidade que ainda não foi destruída pelos infectados. 

Este fechamento da trilogia baseada em livros adolescentes deixa bastante a desejar. O original foi uma ótima surpresa ao explorar uma trama instigante e muita ação dentro do labirinto. A sequência perdeu um pouco da qualidade ao levar a trama para um base militar, mas manteve a qualidade nas cenas de ação. 

Infelizmente este terceiro longa se rende aos clichês, as soluções fáceis e até ao sentimentalismo. O roteiro termina a história da forma mais previsível possível. Redenção de personagem, clímax com luta entre herói e vilão, salvação no último instante e até um coadjuvante que foi ressuscitado na trama. Fica a clara impressão de que faltou criatividade para encerrar a trilogia.

sábado, 22 de setembro de 2018

Beirute

Beirute (Beirut, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Brad Anderson
Elenco – Jon Hamm, Rosamund Pike, Dean Norris, Shea Whigham, Mark Pellegrino, Larry Pine, Johnny Coyne, Idir Chender, Kate Fleetwood.

Beirute, Líbano, 1972. Mason Skiles (Jon Hamm) trabalha para o governo americano como negociador. Durante uma festa, um grupo terrorista sequestra o garoto Karim e mata sua esposa. O menino estava para ser adotado pelo casal, que não sabia que ele tinha um irmão terrorista. 

Dez anos depois, Skiles trabalha nos Estados Unidos, vive sozinho e abusa da bebida. Ele recebe uma proposta de uma agência do governo para voltar ao Líbano. Mesmo relutante, ele aceita a missão de participar da negociação para resgatar um antigo amigo feito refém pelo mesmo grupo terrorista que assassinou sua esposa. 

O roteiro escrito por Tony Gilroy (diretor de “Duplicidade” e “O Legado Bourne”) não apresenta surpresas, o cinéfilo que acompanha o gênero vai encontrar rapidamente as respostas de boa parte da história. 

O que faz o filme ser interessante são a narrativa ágil que prende a atenção, as poucas e boas cenas de ação, além dos cenários de uma Beirute destruída, bem parecida com o que ocorreu na cidade durante a guerra civil dos anos setenta e oitenta. 

Jon Hamm defende bem o papel do sujeito frustrado com a vida, enquanto a curiosidade fica para a peruca de Dean Norris. 

É uma diversão passageira com uma trama política que agradará os fãs do gênero.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Vida Passada

Vida Passada (Past Life, Israel / Polônia, 2016) – Nota 7,5
Direção – Avi Nesher
Elenco – Nelly Tagar, Joy Rieger, Doron Tavory, Evgenia Dodina, Tom Avni, Rafael Stachowiak, Katarzyna Gniewkowska.

Berlim Ocidental, 1977. A israelense Sephi (Joy Rieger) é uma jovem cantora de um coral que está se apresentando na cidade. 

Após o evento, uma senhora polonesa (Katarzyna Gniewkowska) ofende a assustada Sephi acusando a jovem de ser filha de um assassino. A mulher é mãe de um famoso compositor (Rafael Stachowiak) que estava assistindo ao concerto. 

Ao voltar para Israel, Sephi conta o ocorrido para sua irmã Nana (Nelly Tagar), que é jornalista independente. A dúvida faz com que as irmãs decidam investigar o passado do pai (Doron Tavory), que viveu na Polônia durante a Segunda Guerra. 

O grande acerto deste longa é detalhar aos poucos a verdadeira história que ocorreu com o pai das jovens e principalmente fugir do lugar comum em relação a crimes de guerra ou algo do gênero.

É uma história triste de sobrevivência que marcou o passado de algumas pessoas e que é desenterrada afetando a nova geração de duas famílias. 

O longa também explora a música através das apresentações do coral. 

É um bom filme indicado para quem gosta de drama sobre traumas familiares.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Traffik

Traffik (Traffik, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Deon Taylor
Elenco – Paula Patton, Omar Epps, Laz Alonso, William Fichtner, Dawn Olivieri, Luke Goss, Roselyn Sanchez, Missy Pyle, Scott Anthony Leet.

Brea (Paula Patton) é uma repórter que está prestes a perder o emprego por não seguir as ordens de seu chefe (William Fichtner) que deseja que ela escreva matérias simples e diretas. 

Enquanto pensa em como superar o problema profissional, Brea e seu namorado John (Omar Epps) viajam pelo interior para passar uns dias na casa de um empresário que é amigo do casal. 

Uma parada em um posto de gasolina resulta em um enorme problema. Um grupo de motoqueiros discute com John e uma mulher (Dawn Olivieri) parece querer pedir ajuda, mas não consegue se expressar. É o início de uma noite de terror. 

Os letreiros iniciais citam que o filme é inspirado em uma história real. O ponto principal da trama foca em um tipo de crime cruel que envolve bandidos da pior espécie e muito dinheiro, o que por si só é uma ótima premissa para um filme de suspense. 

Infelizmente a forma como o roteiro desenvolve a ideia deixa a desejar, falhando inclusive nas duas sequências de ação que solucionam a situação fácil demais.  

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Luther

Luther (Luther, Inglaterra, 2010 a 2018)
Criador – Neil Cross
Elenco – Idris Elba, Warren Brown, Ruth Wilson, Dermot Crowley, Michael Smiley, Indira Varma, Paul McGann, Nikki Amuka Bird, Steven Mackintosh, Sienna Guillory, David O’Hara.

O explosivo inspetor John Luther (Idris Elba) se torna alvo da corregedoria após um pedófilo cair de um edifício abandonado. Ao mesmo tempo, ele sofre com a separação da esposa (Indira Varma) e precisa investigar um duplo assassinato de um casal. Luther suspeita da filha do casal, a extremamente fria e inteligente Alice Morgan (Ruth Wilson). 

Até agora esta série tem dezesseis episódios divididos em quatro temporadas. Além das investigações comuns ao gênero, a série foca na personalidade complexa do protagonista, que alterna momentos de fúria com outros em que utiliza sua perspicácia para resolver os casos, muitas vezes beirando a marginalidade. 

Entre os coadjuvantes o destaque fica para a psicopata vivida por Ruth Wilson, que se torna uma espécie de amiga e cúmplice do protagonista, criando uma estranha relação. 

Vale citar que a série tem muitas cenas de violência e os crimes investigados fogem do lugar comum. 

É uma ótima opção para quem gosta de tramas policiais.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Chappaquiddick & Jackie


Chappaquiddick (Chappaquiddick, Suécia / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – John Curran         
Elenco – Jason Clarke, Kate Mara, Ed Helms, Bruce Dern, Jim Gaffigan, Olivia Thirlby, Clancy Brown, Tayor Nichols, John Fiore.

Junho de 1969. Enquanto o povo americano aguardava a descida do homem na lua, o então senador Ted Kennedy (Jason Clarke) se envolve num acidente de carro que termina na morte da secretária Mary Jo Kopechne (Kate Mara), que trabalhara para seu irmão Bob que havia falecido um ano antes. Tentando manter sua carreira política e diminuir o tamanho do escândalo, Ted toma atitudes polêmicas e algumas até inconsequentes.

Este acidente é uma das várias tragédias envolvendo a família Kennedy, considerada por muitos como um clã amaldiçoado. São dois pontos principais neste longa. O primeiro foca no acidente, desde a festa que acontecia na casa de praia dos Kennedys e de onde saíram Ted e Mary Jo, até a forma como o político e um grupo de poderosos agiram para abafar o escândalo.

O segundo ponto é detalhar o caráter da figura de Ted Kennedy. Filho mais novo da família, Ted é mostrado como um inconsequente que sofria por não ter o mesmo talento e charme dos irmãos e por este motivo ser ignorado pelo pai (Bruce Dern).

O filme é uma versão do que teria acontecido, já que até hoje existem dúvidas se Ted estava embriagado, se ele tinha um caso com Mary Jo ou ainda se o acidente foi consequência de uma briga dentro do automóvel.

Vale citar a curiosidade de ter os comediantes Ed Helms e Jim Gaffigan em papéis sérios. Helms interpreta o primo de Ted, que era uma espécie de “faz tudo” da família, enquanto Gaffigan vive o Promotor Chefe de Massachusetts.

É um filme indicado para quem gosta de história e tem curiosidade com as tragédias da família Kennedy. 

Jackie (Jackie, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Pablo Larrain
Elenco – Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Billy Crudup, Greta Gerwig, John Hurt, Richard E. Grant, John Carroll Lynch, Beth Grant, Caspar Phillipson, Max Casella, Corey Johnson.

Uma semana após o funeral do presidente John Kennedy, sua esposa Jackie (Natalie Portman) chama um jornalista (Billy Crudup) para uma entrevista exclusiva em que pretende dar sua versão da vida do marido. Enquanto ela conversa com o jornalista, vemos em flashback o assassinato de Kennedy e as consequências na vida Jackie até o final do funeral. 

Mesmo numa época em que a imprensa de fofocas não era tão forte como nos dias atuais, a personagem de Jackie Kennedy foi um dos grandes alvos deste tipo de jornalismo. Este longa dirigido pelo chileno Pablo Larrain (dos superiores “No” e “O Clube”) mostra uma Jackie cheia de contradições em suas atitudes. 

O tom esnobe de se dirigir ao jornalista contradiz suas palavras sobre a preocupação com o povo, assim como sua ingenuidade em alguns momentos desaparece quando ela exige que organizem uma procissão para marcar o funeral do marido. 

Em alguns diálogos fica claro também que ela tinha temor em ficar pobre, citando que viúvas de outros presidentes terminaram a vida de forma simples. Muito provavelmente este medo e também a ambição fez com que ela se casasse cinco anos depois com o milionário grego Aristóteles Onassis, fato que não é mostrado neste filme. 

É uma personagem interessante que ficou marcada na história pela tragédia, aqui retratada em um longa apenas razoável.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Olive Kitteridge

Olive Kitteridge (Olive Kitteridge, EUA, 2014) – Nota 9
Direção – Lisa Cholodenko
Elenco – Frances McDormand, Richard Jenkins, Bill Murray, John Gallagher Jr. Peter Mullan, Zoe Kazan, Jesse Plemons, Rosemarie DeWitt, Brady Corbett, Ann Dowd, Ken Cheeseman, Devin Druid.

Esta belíssima e triste minissérie produzida pela HBO em quatro episódios retrata vinte e cinco anos na vida da professora de matemática Olive Kitteridge (Frances McDormand), que vive numa pequena cidade do Maine. 

Dura e sem papas na língua, Olive esconde uma forte depressão causada pelo suicídio do pai. Seu marido é o farmacêutico Henry (Richard Jenkins), um sujeito educado, gentil e otimista, exatamente o oposto da esposa. 

Mesmo sem receber em troca o mínimo de carinho por parte da esposa, Henry tenta enfrentar a vida da melhor forma possível. As atitudes de Olive também tornam um inferno a vida do filho Christopher (Devin Druid na adolescência e John Gallagher Jr na vida adulta), que não suporta conviver com a mãe. 

Nestes vinte e cinco anos, diversas pessoas cruzam o caminho do casal Kitteridge e de uma forma ou outra tem suas vidas influenciadas por esta relação. O professor alcoólatra (Peter Mullan), o jovem entregador (Jesse Plemons), a ingênua atendente da farmácia (Zoe Kazan), a mãe bipolar (Rosemarie DeWitt), entre outros. 

São basicamente acontecimentos da vida real. Mortes, doença, casamento, divórcio, conflitos, amor e até suicídio são os ingredientes. Tudo isso ganha pontos pelas ótimas interpretações de Frances McDormand e Richard Jenkins, que criam um casal extremamente real, daqueles que mesmo frustrados levam o casamento até o final. A pequena participação de Bill Murray também é outro destaque. 

Vale citar que a minissérie venceu oito prêmios Emmy. 

domingo, 16 de setembro de 2018

The Strange Ones

The Strange Ones (The Strange Ones, EUA, 2017) – Nota 5
Direção – Christopher Radcliff & Lauren Wolkstein
Elenco – Alex Pettyfer, James Freedson Jackson, Emily Althaus, Gene Jones.

Nick (Alex Pettyfer) e seu irmão adolescente Sam (James Freedson Jones) viajam de carro com o objetivo de chegar a uma cabana em um local isolado.

A estranha relação entre os dois e a forma como Nick reage ao ver dois policiais em uma lanchonete deixam claro que existe algo de errado naquela viagem. 

É um filme sombrio, arrastado e com uma trama confusa. O roteiro escrito pela dupla de diretores utiliza flashbacks para explicar a relação dos personagens principais de uma forma sinistra. 

Pouco depois da metade do filme, o roteiro insere sem muita explicação um sujeito (Gene Davis) que é uma espécie de tutor de um grupo de crianças de adolescentes. 

O final simbólico e com um toque de sobrenatural fecha o filme de uma forma mais estranha ainda.

sábado, 15 de setembro de 2018

7 Dias em Entebbe

7 Dias em Entebbe (Entebbe, Inglaterra / EUA, 2018) – Nota 6
Direção – José Padilha
Elenco – Daniel Bruhl, Rosamund Pike, Eddie Marsan, Lior Ashkenazi, Denis Ménochet, Ben Schnetzer, Nonso Anozie, Mark Ivanir, Juan Pablo Raba, Amir Khoury, Ala Dakka.

Junho de 1976. Dois terroristas alemães (Daniel Bruhl e Rosamund Pike) e dois palestinos (Amir Khoury e Ala Dakka) sequestram um avião da Air France que transportava vários judeus que viajavam de Tel Aviv para Paris. 

O avião é desviado para reabastecer na Líbia e depois segue para Uganda, país comandado pelo ditador Idi Amin Dada (Nonso Anozie), que oferece apoio do seu exército para manter os passageiros e a tripulação como reféns. 

Enquanto os palestinos exigem a libertação de companheiros presos em Israel, o primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi) e o ministro da defesa Shimon Peres (Eddie Marsan) divergem quanto a negociar com os terroristas ou enviar um comando para tentar resgatar os reféns. 

Baseado numa história real que já rendeu outros quatro filmes famosos, com destaque para “Operação Thunderbolt” e “Comando Delta”, por sinal duas versões diferentes dirigidas pelo mesmo Menahem Golan, este longa do brasileiro José Padilha deixa a desejar. Sua estreia americana com o remake de “Robocop” não teve surpresa alguma, mas foi pelo menos uma versão correta. 

Neste novo trabalho, Padilha mostra algumas escolhas equivocadas. Ele tenta humanizar o terrorista alemão vivido por Daniel Bruhl de uma forma ingênua, assim como falha ao descrever a motivação do mesmo a da jovem vivida por Rosamund Pike. 

A fraca cena de ação no clímax também deixa o espectador desapontado. Outra escolha inexplicável é a utilização de uma sequência de dança de uma coadjuvante em Israel em paralelo com a ação do clímax. 

O melhor do filme é a disputa política que gera discussões entre os personagens de Eddie Marsan e Lior Ashkenazi. Esta questão de bastidor entre os políticos israelenses foi praticamente ignorada nas versões anteriores. 

O resultado é um bola fora na carreira internacional de José Padilha.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Em Carne Viva

Em Carne Viva (In the Cut, Inglaterra / Austrália / EUA, 2003) – Nota 6
Direção – Jane Campion
Elenco – Meg Ryan, Mark Ruffalo, Jennifer Jason Lee, Nick Damici, Sharrieff Pugh, Kevin Bacon.

Ao testemunhar uma jovem fazendo sexo oral para um sujeito no banheiro escuro de um bar, a professora Frannie (Meg Ryan) se envolve numa complicada trama. 

Mesmo sem ter visto os rostos do casal no banheiro, Frannie se torna testemunha do possível assassinato da jovem, que foi encontrada morta na mesma noite. 

Os policiais Malloy (Mark Ruffalo) e Rodriguez (Nick Damici) investigam o caso. Frannie se envolve com Malloy e passa a desconfiar de que ele possa ser o assassino. Ela ainda tem de lidar com sua complicada irmã (Jennifer Jason Leigh). 

Este filme fez barulho na época do lançamento por causa da cena de sexo oral e as sequências quentes com Meg Ryan, mas infelizmente ficou nisso, a história não convence e o ritmo é bem irregular. 

A diretora neozelandesa Jane Campion que era famosa pelo drama “O Piano”, exagera também na tonalidade das cores da fotografia, principalmente em um amarelado estranho, além de inserir algumas cenas desfocadas que não ajudam em nada. 

O resultado é um filme polêmico e no máximo razoável.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Case

Case (Case, Islândia, 2015) – Nota 7
Direção – Baldvin Zophoniasson
Elenco – Steinunn Olina Porteinsdottir, Magnus Jonsson, Birna Run Eiriksdottir, Elma Stefania Agustsdottir, Bergur Por Ingolfsson, Johanna Vigdis Arnardottir, Porstein Bachmann, Halldora Geirharsdottir, Arnar Jonsson.

Reykjavic, Islândia. Uma adolescente é encontrada morta por enforcamento em um teatro. A perícia chega a conclusão de que foi suicídio, porém os policiais ao entrevistarem familiares e conhecidos percebem que existe algo de errado em relação a motivação da garota para acabar com a própria vida. 

Apesar de explorar uma investigação semelhante a premissa da série “Trapped”, também produzida na Islândia, este “Case” se passa numa cidade maior durante os longos dias de verão, enquanto a série anterior tinha como locação uma cidade pequena durante o rigoroso inverno repleto de neve e gelo. 

Enquanto “Trapped” apresentava uma complexa trama muito bem amarrada e um ótimo desenvolvimento dos personagens, “Case” acaba passando do ponto no emaranhado da história. O que era para ser complexo resulta em uma trama um pouco confusa, com um excesso de subtramas e de personagens que escondem segredos. 

A ousadia em “Case” é maior na questão de mostrar nudez total, sexo, drogas e até uma rede de pornografia adolescente, ou seja, o conteúdo é bem mais pesado. 

Infelizmente além das falhas na trama, a série também perde alguns pontos pela falta carisma do elenco. A protagonista Steinunn Olina Porteinsdottir interpreta uma detetive que segue sempre pistas erradas, toma decisões equivocadas e se mostra uma personagem até mesmo irritante. 

A série não chega a ser ruim, mas eu esperava algo a mais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Rampage & Arranha-Céu


Rampage: Destruição Total (Rampage, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Brad Peyton
Elenco – Dwayne Johnson, Naomi Harris, Malin Akerman, Jeffrey Dean Morgan, Jake Lacy, Joe Manganiello, Marley Shelton, P. J. Byrne, Jack Quaid, Demetrius Gross, Breanne Hill, Matt Gerald, Will Yun Lee.

Uma estação espacial financiada por uma corporação que comanda um projeto clandestino de manipulação genética sofre um acidente. Três recipientes com amostras da experiência são lançadas de volta para Terra.

Uma destas amostras atinge um zoológico em San Diego e transforma um calmo gorila em um agitado monstro gigante. Davis Okoye (Dwayne Johnson) tenta entender o que aconteceu com seu “amigo” gorila, ao mesmo tempo em que dois outros animais em locais diferentes também sofrem uma terrível mutação genética.

Este agitado longa de ficção é uma mistura de “Godzilla” com “King Kong”, explorando o lado sentimental da relação entre homem e gorila, chegando a um clímax destruidor em Chicago.

Os diálogos são péssimos, principalmente os que saem da boca do personagem engraçadinho do agente do governo vivido por Jeffrey Dean Morgan, que parece estar em uma comédia. As absurdas cenas de ação com Dwayne Johnson também não podem ser levadas a sério.

É um blockbuster explosivo e exagerado, que vale como a diversão passageira.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (Skyscraper, EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Rawson Marshall Thurber
Elenco – Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han, Roland Moller, Noah Taylor, Byron Mann, Pablo Schreiber, McKenna Roberts, Noah Cottrell, Hannah Quinlivan, Kevin Rankin.

Durante uma ação para conter um sequestro, o agente do FBI Will Sawyer (Dwayne Johnson) e sua equipe são surpreendidos por uma explosão. Ele termina por perder uma perna. Dez anos depois, Will se tornou consultor de segurança e recebe uma ótima proposta de trabalho de um ex-companheiro (Pablo Schreiber).

O trabalho consiste em verificar a segurança do maior edifício do mundo que foi construído por um bilionário em Hong Kong. O que seria uma grande oportunidade, se transforma em desespero quando terroristas atacam o edifício e a família de Will fica presa no local. 

O roteiro escrito pelo diretor Rawson Marshall Thurber é repleto de clichês, inclusive utilizando ideias do clássico “Inferno na Torre”, fato que seria até aceitável neste tipo de filme. O problema maior está nas absurdas cenas de ação que transformam o protagonista numa espécie de super herói.

Não tem muito mais o que se falar deste longa que é mais um blockbuster exagerado.