terça-feira, 26 de julho de 2016

Linha de Frente

Linha de Frente (Homefront, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Gary Fleder
Elenco – Jason Statham, James Franco, Izabela Vidovic, Winona Ryder, Kate Bosworth, Marcus Hester, Clancy Brown, Omar Benson Miller, Rachelle Lefevre, Frank Grillo, Chuck Zito, Pruitt Taylor Vince.

Após trabalhar infiltrado em uma gangue e ajudar a prender seus integrantes, o agente do DEA Phil Broker (Jason Statham) se aposenta e vai viver com sua filha Maddy (Izabela Vidovic) em uma pequena cidade utilizando uma nova identidade. Broker ficou marcado pela morte do filho do chefão da gangue, que jurou vingança. 

A vida tranquila na nova cidade se complica quando sua filha entra em uma briga com um garoto que é filho de uma viciada (Kate Bosworth) que tem como irmão um traficante de metanfetamina, o violento Gator (James Franco). 

Este razoável longa policial apresenta algumas curiosidades. O roteiro é assinado por Sylvester Stallone, que fez amizade com Jason Statham na franquia “Os Mercenários” e aqui deu de presente o papel de protagonista ao astro inglês. 

Outro ponto interessante é ver James Franco no papel de vilão. O ator que intercala papéis em dramas e comédias malucas, aqui muda o foco da carreira. Ele não chega a lutar como Statham, mas assusta bastante na primeira cena, quando surge na tela para afugentar um grupo de jovens drogados. 

Também não deixa de ser estranho ver a outrora estrela Winona Ryder interpretando uma viciada bagaceira. 

O roteiro tem vários furos e alguns personagens praticamente desaparecem da história, mas mesmo assim a narrativa ágil e as cenas de ação prendem a atenção do espectador fã do gênero.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O Homem Irracional

O Homem Irracional (Irrational Man, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey, Jamie Blackley.

Abe Lucas (Joaquin Phoenix) é um professor de filosofia questionador em relação ao mundo e as pessoas, além de estar atormentado por causa de um trauma. 

Ele inicia um novo trabalho em uma universidade em Newport, despertando a curiosidade em alunos e colegas professores. Ao mesmo tempo, Abe se envolve com a professora casada Rita (Parker Posey) e inicia um romance com sua aluna Jill (Emma Stone), que abandona o namorado (Jamie Blackley). Sua forma de encarar o mundo criará uma situação totalmente fora do normal. 

Neste trabalho, Woody Allen vai além do seu estilo habitual, criando uma curiosa e até sinistra reviravolta no roteiro que transforma o drama em um pequeno suspense. Lógico que as obsessões de Allen não são deixadas de lado. Temos o protagonista temperamental (geralmente escritor, roteirista ou professor) que se apaixona por uma garota muito mais jovem, além de adultério, paixão, promessas quebradas, sofrimento e diálogos afiados. 

O trio principal segura muito bem seus papéis, com destaque curioso para a proeminente barriga de Joaquin Phoenix e a boa interpretação de Parker Posey, atriz habitual de produções independentes. 

É um trabalho mediano de Allen para o público em geral, mas com certeza um bom espetáculo para os fãs do diretor.  

sábado, 23 de julho de 2016

Tempo de Decisão

Tempo de Decisão (Kicking and Screaming, EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Noah Baumbach
Elenco – Josh Hamilton, Chris Eigeman, Eric Stoltz, Jason Wiles, Carlos Jacott, Olivia d’Abo, Parkey Posey, Cara Buono, Elliott Gould, Noah Baumbach.

Quatro amigos se formam na universidade e passam o ano seguinte perdidos na vida, sem emprego, morando na mesma cidade e frequentando bares e festas de calouros. 

Grover (Josh Hamilton) sofre porque a namorada (Olivia d’Abo) foi estudar na Europa, Otis (Carlos Jacott) é inseguro e não tem coragem de mudar de cidade para trabalhar, Max (Chris Eigeman) é um mal humorado que tem um pai rico que banca sua vida, enquanto Skippy (Jason Wiles) escolhe fazer outro curso na universidade. O quinto elemento é Chet (Eric Stoltz), um sujeito mais velho metido a intelectual, que após vários anos continua na universidade fazendo doutorado e que trabalha como bartender. 

Muitos críticos elogiam o trabalho de Noah Baumbach por filmes como “A Lula e a Baleia” e “Margot e o Casamento”, além deste “Tempo de Decisão” que marcou a estreia do diretor. Vejo estes trabalhos como obras pessoais extremamente verborrágicas, que rodam, rodam e não saem do lugar. Os diálogos repletos de referências a filmes e livros ao invés de serem cult ou pop se mostram vazios. Em alguns momentos parece que o diretor tenta copiar o estilo da sitcom “Seinfeld” sem a mesma qualidade no texto. Preciso assistir outros filmes de Baumbach para uma melhor análise, mas por enquanto, após estes três filmes, o vejo apenas como um roteirista pretensioso e um diretor mediano.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Círculo de Fogo

Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Max Martini, Robert Kazinsky, Clifton Collins Jr, Ron Perlman, Brad William Henke, Larry Joe Campbell.

Em futuro próximo, monstros gigantes surgem através de uma fenda que se abriu no fundo do mar. As criaturas são batizadas de Kaijus. 

Para enfrentar a terrível ameaça, os humanos desenvolvem robôs gigantes comandados pela atividade cerebral de duplas que sejam "neurocompatíveis" e que saibam lutar. Estes robôs são chamados de Jaegers. 

Após anos de batalhas, cientistas acreditam que os Kaijus se preparam para um ataque final. A última chance dos humanos é atacar a fenda utilizando os quatro robôs que restaram. 

O filme poderia ter o título de “Godzilla vs Transformers” ou “Guillerme Del Toro encarna Michael Bay e Roland Emmerich”. O diretor mexicano é um nerd craque em efeitos especiais e filmes influenciados por quadrinhos e games. Por outro lado, ele também já mostrou talento para escrever histórias nos ótimos “O Labirinto do Fauno” e “A Espinha do Diabo”. 

Aqui, Del Toro acerta no primeiro item e erra feio no segundo. A história é totalmente clichê, os diálogos são uma piada e as interpretações péssimas. Os efeitos especiais são de primeira qualidade, com certeza agradando muito ao público jovem que curte quadrinhos e games. 

Como preferência pessoal, vejo as cenas grandiosas de batalhas como cansativas e barulhentas, parecendo muito mais um game do que cinema. Acredito que o ideal é um meio-termo entre efeitos especiais, roteiro e interpretações. Quando os dois últimos são vistos como secundários, o resultado é igual a este filme, um produto chamativo como marketing e vazio no conteúdo. 

Finalizando, uma sequência deverá ser produzida até 2018.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Mais Forte Que Bombas

Mais Forte Que Bombas (Louder Than Bombs, Noruega / França / Dinamarca / EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Joachim Trier
Elenco – Gabriel Byrne, Jesse Eisenberg, Isabelle Huppert, Devin Druid, Amy Ryan, David Straithairn, Ruby Jerins, Megan Ketch, Rachel Brosnahan.

Quatro anos após a morte da fotógrafa Isabelle (Isabelle Huppert), sua família se prepara para uma exposição de suas fotos e também para um artigo que um jornalista amigo (David Straithairn) escreverá sobre sua vida, inclusive confirmando que o acidente de automóvel que matou Isabelle foi um suicídio. 

A situação traz à tona lembranças, frustrações e segredos que balançam a vida do viúvo Gene (Gabriel Byrne), de seu filho mais velho Jonah (Jesse Eisenberg) e principalmente do caçula, o adolescente Conrad (Devin Druid). 

O diretor dinamarquês Joachim Trier, do elogiado “Oslo, 31 de Agosto”, entrega aqui um drama familiar um tanto frio. Ele intercala duas narrativas. A primeira segue os dias atuais focando na crise de relacionamento entre Conrad e o pai, além das dúvidas de Jonah sobre seu próprio casamento. 

A segunda narrativa destrincha o passado, mostrando como o trabalho de Isabelle influenciou nos problemas familiares. Isabelle era uma fotógrafa que viajava o mundo, deixando marido e filhos em segundo plano, mesmo demonstrando que os amava no pouco tempo em que ficavam juntos. 

A história não é tão forte como o título sugere, na verdade é um drama mediano sobre pessoas que se amam, mas que demonstram dificuldades em se relacionar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Contra Corrente

Contra Corrente (Undertow, EUA, 2004) – Nota 6
Direção – David Gordon Green
Elenco – Jamie Bell, Josh Lucas, Devon Alan, Dermot Mulroney, Kristen Stewart.

O adolescente Chris (Jamie Bell) e seu irmão Tim (Devon Alan) vivem com o pai John (Dermot Mulroney) na região rural de uma cidade da Georgia. 

Chris é um jovem rebelde que sofre pela falta da mãe e também por ser proibido de namorar Lila (Kristen Stewart), que é controlada pelo pai. 

Quando Deel (Josh Lucas) aparece na casa da família e se apresenta como irmão de John, Chris e Tim descobrem que o sujeito é um tio que estava cumprindo pena. O objetivo de Deel não é fazer as pazes com o irmão, na verdade ele deseja encontrar uma coleção de moedas de ouro deixadas pelo pai e fará de tudo para levar sua parte. 

O diretor David Gordon Green já comandou comédias absurdas como “Segurando as Pontas” e um drama forte com “Joe”. Aqui o resultado é uma mistura bizarra de drama e violência, pontuada por uma trilha sonora de Philip Glass (da trilogia “Koyaanisqatsi”) que lembra os filmes de terror dos anos oitenta. 

A narrativa é irregular, com uma espécie de clímax ocorrendo antes da metade do filme. A partir daí, a história se arrasta por um bom tempo até o inevitável confronto na sequência final. 

Jamie Bell e o garoto Devon Alan tem boas interpretações, enquanto o canastrão Josh Lucas exagera no papel de vilão. 

Finalizando, o filme se diz baseado numa história real, por sinal totalmente maluca se for realmente verdadeira.

domingo, 17 de julho de 2016

45 Anos

45 Anos (45 Years, Inglaterra, 2015) – Nota 7,5
Direção – Andrew Haigh
Elenco – Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Geraldine James, Dolly Wells.

Na semana em que estão se preparando para a festa de comemoração de 45 anos de casamento, o casal Kate (Charlotte Rampling) e Geoff (Tom Courtenay) recebe uma notícia que mexe com o relacionamento. 

Um carta endereçada a Geoff informa que o corpo de uma ex-namorada foi encontrado congelado nos Alpes Suíços. Mesmo com o acidente que vitimou a garota tendo ocorrido há mais de cinquenta anos, o fato novo abala Geoff e faz vir à tona alguns segredos. 

Relacionamentos são complicados, por mais que pessoas vivam juntas por décadas, sempre existirão altos e baixos. Este sensível longa aborda o tema de uma forma sóbria, mostrando que mesmo algo ocorrido há muitos anos pode abalar a estrutura de um casamento aparentemente perfeito. 

O roteiro toca em vários temas ligados ao casamento. O casal vive numa bela casa em uma área rural com um cão. Eles não tem filhos, seus alicerces estão fincados na relação a dois, por isso a história da ex-namorada se torna maior do que realmente é. A convivência com amigos que falam de filhos e netos também é algo que incomoda. Além disso, remoer o passado faz com que eles percebam que estão no final da vida e que as chances de mudarem o rumo praticamente inexiste. 

A solidão e a vida pacata do casal é pontuada por uma narrativa sem trilha sonora. As músicas que tocam no decorrer do filme são incidentais, como na cena de dança na sala da casa, no passeio de carro e na festa da parte final. 

É basicamente um filme sobre relacionamentos, vida a dois e terceira idade, com destaque para os sensíveis desempenhos de Charlotte Rampling e Tom Courtenay.

sábado, 16 de julho de 2016

Morte Por Um Ideal

Morte Por Um Ideal (Formosa Betrayed, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Adam Kane
Elenco – James Van Der Beek, Wendy Crewson, John Heard, Will Tiao, Tzi Ma, Leslie Hope, Kenneth Tsang, Chelcie Ross, Sahajak Boonthanakit.

Chicago, 1983. Um conhecido professor universitário de origem chinesa é assassinado. A policial encarregada do caso (Leslie Hope) recebe auxílio de uma dupla de agentes do FBI. 

O veterano Tom Braxton (John Heard) e o jovem Jake Kelly (James Van Der Beek) seguem pistas que o levam a dois suspeitos, que conseguem fugir para Taiwan. O FBI decide enviar Kelly para observar a investigação que será comandada pelo polícia local. No país estranho e sem poder de polícia, Kelly sofre ao ver a repressão sobre o povo de Taiwan e ao perceber que a morte do professor pode estar ligada a interesses do próprio governo. 

Inspirado em uma história real, este longa policial explora uma trama de conspiração política internacional que teria sido acobertada pelos governos de Taiwan e dos Estados Unidos, inclusive com ligações com o famoso caso “Irã Contras” que viria a público em 1986. 

Analisando como cinema, o longa prende a atenção, tem alguns bons momentos de suspense, interessantes locações em Taiwan e um roteiro um pouco confuso. 

É filme indicado para quem gosta de tramas policiais mais voltadas para o drama do que para ação.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Rastros de Justiça

Rastros de Justiça (Five Minutes of Heaven, Inglaterra / Irlanda, 2009) – Nota 7
Direção – Oliver Hirschbiegel
Elenco – Liam Neesom, James Nesbitt, Ana Maria Marinca, Richard Dormer.

Lurgan, interior da Irlanda do Norte, 1975. Quatro jovens protestantes ligados a um grupo que defende a separação do país do Reino Unido, recebem a missão de assassinar um católico. Um dos jovens assassina o sujeito aos olhares de um garoto de nove anos que é irmão da vítima. 

Mais de trinta anos depois, um programa sensacionalista de tv deseja reunir os dois homens para uma conversa sobre o crime e quem sabe uma reconciliação. Alistar (Liam Neesom) é o assassino que cumpriu pena e que vive de palestras sobre sua vida, enquanto Joe (James Nesbitt) é um sujeito comum que carrega o trauma de não ter ajudado o irmão. 

O roteiro de Guy Hibbert (do recente “Decisão de Risco”) lembra o drama “Acerto Final” dirigido por Sean Penn em 1995. Nos dois filmes, um crime marca para sempre a vida do autor e de um familiar da vítima. O primeiro atormentado pelo remorso, enquanto o segundo dedica parte de sua vida em busca de vingança. 

Neste longa dirigido pelo alemão Oliver Hirschbiegel, o roteiro ainda coloca fogo na situação com a questão do programa de tv, onde os produtores se mostram atenciosos, mas no fundo desejam a polêmica para conseguir audiência, além do eterno conflito entre cristãos e protestantes na Irlanda do Norte. 

Apesar de ser irregular e estar bem abaixo do sensacional “A Queda! As Últimas Horas de Hitler”, este trabalho de Hirschbiegel é superior ao fraco “Invasores” que foi detonado por crítica e público. 

A dupla de protagonistas ajuda a manter o interesse na triste história. principalmente o agitado personagem de James Nesbitt.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Carandiru

Carandiru (Brasil, 2003) – Nota 8
Direção – Hector Babenco
Elenco – Luiz Carlos Vasconcelos, Milton Gonçalves, Ivan de Almeida, Ailton Graça, Maria Luisa Mendonça, Aida Lerner, Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Lázaro Ramos, Caio Blat, Wagner Moura, Floriano Peixoto, Ricardo Blat, Milhem Cortaz, Antonio Grassi, Sabotage, Rita Cadillac.

Ontem o cinema perdeu o diretor Hector Babenco. Argentino naturalizado brasileiro, Babenco deixou uma carreira com dez longas e um documentário. 

Eu prefiro a primeira fase da carreira, quando entregou filmes com temáticas marginais como “O Rei da Noite”, “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” e “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, com estes dois últimos com certeza entrando na lista de melhores da história do cinema brasileiro. Gosto também da complexa adaptação de “Brincando nos Campos do Senhor” e deste polêmico “Carandiru” que comento aqui. 

Apesar das críticas terem sido as mais diversas possíveis, com alguns elogiando bastante e outros odiando o resultado, esta adaptação do livro de Dráuzio Varella é um grande filme, que foca na vida dentro daquele que foi o maior maior presídio da América Latina, o Carandiru, culminando com o massacre ocorrido em 1992. 

Através da narração do médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que trabalhou no presídio durante os anos oitenta e noventa, o espectador é apresentado a diversos personagens, suas histórias de vida repletas de violência e sofrimento, além de conhecer as regras de um mundo a parte. 

Passam pela tela um travesti (Rodrigo Santoro), seu namorado (Gero Camilo), um assaltante que tem duas esposas (Ailton Graça), o jovem que assassinou o estuprador da irmã (Caio Blat), o assassino que abraçou a religião (Milhem Cortaz) e um veterano que espera soltura (Milton Gonçalves), além de várias outras figuras. 

Um ponto polêmico foi a simpatia do roteiro com os presidiários, que é semelhante ao retratado no livro. Em um país como o Brasil, onde o trabalhador honesto sofre com salário miserável, desemprego e violência, é inevitável que este tipo de olhar a favor do presos gere desconforto, mas lógico que isso não justifica o terrível massacre. 

Por sinal, a sequência da lavagem da escada misturando água e sangue é uma das mais fortes do filme, simbolizando o inferno que ocorreu naquele local. 

Considero o filme tão forte como o livro e para finalizar, cito uma frase que um amigo proferiu quando o livro foi publicado: “Em cada parágrafo que leio, parece que sinto o cheiro de mofo das celas”. 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Clube

O Clube (El Club, Chile, 2015) – Nota 7,5
Direção – Pablo Larrain
Elenco – Alfredo Castro, Antonia Zegers, Roberto Farias, Marcelo Alonso, Jaime Vadell, Alejandro Goic, Alejandro Sieveking.

Um padre pedófilo é enviado para uma casa onde vivem quatro outros padres que a Igreja Católica deseja manter afastados das paróquias. A casa fica num local isolado em uma pequena cidade litorânea do Chile. Uma freira (Antonia Zegers) trabalha como uma espécie de governanta da casa. 

A chegada do padre pedófilo resulta numa tragédia, o que faz com que a Igreja envie outro padre (Alfredo Castro) para analisar a situação e decidir ser a cada deverá ser fechada. 

O diretor Pablo Larrain, do interessante “No”, explora aqui um tema polêmico, a atitude da Igreja Católica em esconder padres acusados de crimes ou que são considerados ameaças para a imagem da instituição. 

A casa é ao mesmo tempo um retiro e uma prisão. Os padres são proibidos de manter contato com as pessoas da cidade e utilizam a governanta como mensageira. A chegada do padre mais jovem, que tem a clara a ideia de fechar a casa, abala a vida de todos, que tomam atitudes drásticas para manter o local. 

O roteiro ainda foca em um personagem triste e patético, que teve a vida destruída por um padre e que se mostra extremamente importante na trama. 

Vale destacar a dolorosa sequência próxima do final com os cães, além de dois espancamentos.

É um filme com um ritmo lento, bonita fotografia e personagens marcados pela vida.

terça-feira, 12 de julho de 2016

100 Code

100 Code (Suécia / Alemanha, 2015)
Criador – Roberto Moresco
Elenco – Michael Nyqvist, Dominic Monaghan, Felice Jankell, Charlotta Jonsson, Danilo Bejarano, Peter Eggers.

Ao perseguir um serial killer pelas ruas de Nova York, o detetive Tommy Conley (Dominic Monaghan de “Lost”) mata seu parceiro por acidente.

Algum tempo depois, crimes semelhantes aos ocorridos em Nova York acontecem em Estocolmo na Suécia, onde jovens loiras são assassinadas em duplas e deixadas em locais diferentes. 

Conley é enviado para trabalhar com a polícia sueca e se torna parceiro do veterano Mikael Eklund (Michael Nyqvist de “Trilogia Millenium”) que comanda um pequeno grupo de detetives. Durante a investigação, eles descobrem que podem estar lidando com mais de um serial killer. 

A primeira temporada com doze episódios apresenta uma premissa instigante, de ligar crimes em dois países distantes e criar o inevitável conflito entre o estilo bruto dos policiais americanos e a investigação detalhada dos nórdicos. 

Não demora para o roteiro abrir o leque com uma pequena reviravolta que aumenta a complexidade da trama, além de algumas subtramas, como o envolvimento da filha de Eklund com um policial mais velho e a atração de Conley por uma bartender, além de conflitos pessoais entre a equipe de investigadores. 

O roteiro explora ainda os traumas que cada personagem carrega e como isso influencia na investigação. 

Em alguns momentos a trama parece se alongar demais, talvez uns dois episódios a menos deixariam a série ainda melhor. 

Uma segunda temporada está sendo planejada. Agora é esperar para conferir.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Trem Noturno Para Lisboa

Trem Noturno Para Lisboa (Night Train to Lisbon, Alemanha / Suíça / Portugal, 2013) – Nota 7
Direção – Bille August
Elenco – Jeremy Irons, Jack Huston, Martina Gedeck, Mélanie Laurent, Tom Courtenay, August Diehl, Bruno Ganz, Lena Olin, Marco D’Almeida, Christopher Lee, Charlotte Rampling, Burghart Klaussner.

Ao cruzar o caminho de um jovem que está prestes a cometer suicídio, o professor Raimund Gregorius (Jeremy Irons) consegue salvá-la. 

Pouco tempo depois, a jovem desaparece e deixa um casaco com o professor, que encontra em um dos bolsos um livro escrito por um português e passagens para Lisboa. Raimund tenta localizar a garota na estação de trem e impulsivamente decide utilizar a passagem. 

Durante o trajeto, ele fica fascinado com o livro e ao chegar em Lisboa, resolve procurar o escritor, dando início a uma jornada de descobrimento dele mesmo e do passado de Portugal. 

A crítica não gostou deste longa baseado em um famoso livro, muito provavelmente por compará-lo com a obra literária, mas isso não quer dizer que o filme seja ruim. 

A trama se divide em duas narrativas. No presente, o professor vivido por Jeremy Irons procura pessoas ligadas ao escritor para saber como era a vida do sujeito. A segunda narrativa detalha o passado do escritor e de seus amigos que participaram da resistência contra a ditadura de Salazar. 

Além da história interessante, os destaques ficam para as locações que exploram a cidade de Lisboa e o elenco internacional.

domingo, 10 de julho de 2016

Amizades Improváveis

Amizades Improváveis (The Fundamentals of Caring, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Rob Burnett
Elenco – Paul Rudd, Craig Thomas, Selena Gomez, Jennifer Ehle, Julia Denton, Megan Ferguson.

Ben (Paul Rudd) é um escritor que está desempregado e que decide fazer um curso de cuidador. Após receber o certificado, ele é enviado para uma entrevista na casa da inglesa Elsa (Jennifer Ehle), que precisa de uma pessoa para cuidar de seu filho adolescente Trevor (Craig Roberts), que sofre de uma doença que atrofia os músculos. 

Trevor vive em uma cadeira de rodas e desconta sua frustração através de piadas mórbidas e pegadinhas com os cuidadores. O que teria tudo para dar errado, se transforma em uma inusitada amizade entre Ben e Trevor. 

Baseado em um livro sobre as dificuldades que cuidadores e pacientes enfrentam, este longa lembra o ótimo francês “Intocáveis”, com a diferença de que aqui a narrativa é mais leve, intercalando pequenos dramas com piadas, além de boa parte da trama ser um simpático road movie. 

A química entre Paul Rudd e Craig Thomas é outro ponto alto. A participação da cantora Selena Gomez também não compromete. Apenas a sequência perto do final no “poço mais fundo do mundo” é um pouco exagerada, tentando forçar uma espécie de redenção do protagonista.