segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O Inimaginável

O Inimaginável (Den Blomstertid Nu Kommer, Suécia, 2018) – Nota 7,5
Direção – Victor Danell
Elenco – Christoffer Nordenrot, Lisa Henni, Jesper Barkselius, Pia Halvorsen, Magnus Sundberg.

Cidade de Vanga, Suécia, 2005. O jovem Alex (Christoffer Nordenrot) sofre com a desintegração da família, principalmente pelas atitudes de seu pai Bjorn (Jesper Barkselius). A crise faz também com que Alex se afaste de sua namorada Anna (Lisa Henni). 

Treze anos depois, Alex retorna à cidade para o enterro da mãe que morreu em um atentado terrorista. Ao mesmo tempo, seu pai que trabalha em uma central elétrica, acredita que os russos planejam invadir a Suécia. 

Esta produção sueca que mistura drama familiar, romance e conspiração apresenta um criativo roteiro que lembra os filmes B dos anos oitenta. 

O clima de tragédia é pontuado por uma sinistra trilha sonora, pela fotografia cinzenta e por uma quase incessante chuva que tem uma enorme importância na trama. É legal também a escalada da tensão. 

O estilo da narrativa é diferente e até um pouco estranho no começo, mas vale a pena conferir até o final, principalmente para quem gosta de obras que fogem do lugar comum.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Rapaz A

Rapaz A (Boy A, Inglaterra, 2007) – Nota 7,5
Direção – John Crowley
Elenco – Andrew Garfield, Peter Mullan, Kate Lyons, Jeremy Swift, Shaun Evans, Siobhan Finneran.

Após cumprir pena por um crime cometido quando era adolescente, Jack (Andrew Garfield) ganha um novo nome e uma chance de recomeçar a vida. O apoio do assistente social Terry (Peter Mullan) foi crucial para Jack ganhar a liberdade. 

Ao conseguir um emprego, Jack faz amizade com Dave (Jeremy Swift) e inicia um relacionamento com Michelle (Kate Lyons). Ele diz ser ex-presidiário, mas não conta a verdade sobre o crime que cometeu. O medo de ser descoberto e as dificuldades em levar um vida normal o atormentam. 

Este competente drama coloca em discussão a questão das causas da violência juvenil, deixando claro que um dos motivos principais é a falta de estrutura familiar. Depois que o jovem comete um crime, a chance de voltar para o caminho correto diminui bastante. Mesmo aqueles que querem mudar, sofrem por não conseguirem se desvencilhar dos erros do passado. 

Mesmo com uma atuação um pouco exagerada de Andrew Garfield e um final aberto, o longa passa uma mensagem forte sobre um tema que aparentemente não tem solução, ou melhor, mostra que a força da família é o único meio para criar jovens responsáveis.


sábado, 25 de janeiro de 2020

A Morte e Vida de John F. Donovan

A Morte e Vida de John F. Donovan (The Death and Life of John F. Donovan, Inglaterra / Canadá, 2018) – Nota 6,5
Direção – Xavier Dolan
Elenco – Kit Harington, Natalie Portman, Jacob Tremblay, Susan Sarandon, Kathy Bates, Ben Schnetzer, Thandie Newton, Jared Keeso, Chris Zylka, Amara Karan, Emily Hampshire, Michael Gambon, Sarah Gadon.

Nova York, 2006. John F. Donovan (Kit Harington) é o astro de uma série de TV que sofre com tristezas e frustrações em sua vida pessoal. 

Com um casamento falido e escondendo sua homossexualidade, John vê sua carreira desmoronar ao vir à tona as cartas que ele troca com um garotinho de onze anos que vive na Inglaterra.

Rupert Turner (Jacob Tremblay) é o garotinho que sonha em se tornar ator e que esconde de sua mãe (Natalie Portman) as cartas do ídolo. As vidas de Rupert e John jamais serão as mesmas. 

O roteiro escrito pelo jovem diretor e também ator Xavier Dolan toca em vários temas atuais de uma forma genérica, sendo alguns deles clichês. O ator enrustido e deprimido, o vazio da vida das celebridades que são descartadas quando se envolvem em algo fora do politicamente correto, a maldade da mídia, a agente de atores arrogante (Kathy Bates), a jornalista que se considera superior (Thandie Newton), o garoto sensível que sofre bullying (Jacob Tremblay) e as mães frustradas que não sabem lidar com os filhos (Natalie Portman e Susan Sarandon). Praticamente todos os personagens que passam pela tela carregam algum tipo de sofrimento que interfere em suas vidas. 

O grande destaque do elenco fica para o garotinho Jacob Tremblay, novamente entregando uma atuação consistente e mostrando ter um enorme talento nato. É esperar para ver se ele conseguirá superar a difícil transição para a carreira de ator adulto.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Criminal

A Netflix produziu esta interessante série em doze episódios divididos por quatro países, sendo três episódios com elencos de cada país detalhando o funcionamento de um interrogatório em que um suspeito é pressionado por detetives que buscam uma confissão.

Todos os episódios foram filmados no mesmo cenário, em uma sala de interrogatório, o que resulta em uma narrativa um pouco limitada.

Vale citar que os atores e atrizes mais famosos interpretam os suspeitos, como se fossem convidados do episódio.

Criminal: Reino Unido (Criminal: UK, Inglaterra / França / Alemanha / Espanha, 2019)
Direção – Jim Field Smith
Elenco – Katherine Kelly, Lee Ingleby, Mark Stanley, Rochenda Sandall, Nicholas Pinnock, Shubham Saraf, David Tennant, Hayley Atwell, Youssef Kerkour.

No primeiro episódio os detetives interrogam um professor (David Tennant) suspeito de violentar e matar a enteada. O segundo foca em uma jovem (Hayley Atwell) que teria envenenado o cunhado e o terceiro em um motorista de caminhão (Youssef Kerkour) suspeito de ter transportado imigrantes ilegais e os abandonado presos em algum local isolado. O primeiro e o terceiro episódios são os melhores, com mais tensão, principalmente o terceiro. O segundo é um pouco cansativo.

Criminal: Alemanha (Criminal: Germany, Inglaterra / França / Alemanha / Espanha, 2019)
Direção – Oliver Hirschbiegel
Elenco – Eva Meckbach, Sylvester Groth,  Florence Kasumba, Christian Kuchenbuch, Jonathan Berlin, Deniz Arora, Nina Hoss, Peter Kurth, Christian Berkel.

O episódio inicial foca em um empresário da construção (Peter Kurth) suspeito de ter cometido um assassinado trinta anos atrás, na época em que o Muro de Berlim foi derrubado. O segundo apresenta um imigrante turco (Deniz Aroza) acusado de violência doméstica, mas que de forma surpreendente é defendido pelo advogado (Christian Berkel) contratado pelo sogro. O episódio final coloca um investigador (Sylvester Groth) tentando descobrir onde foi enterrado o corpo de uma jovem assassinada por uma serial killer (Nina Hoss). Estes episódios da Alemanha são os melhores da série, recheados de tensão e reviravoltas.

Criminal: France (Criminal: Germany, Inglaterra / França / Alemanha / Espanha, 2019)
Direção – Frederic Mermoud
Elenco – Margot Bancilhon, Laurent Lucas, Stephane Jobert, Anne Azoulay, Mhmaed Arezki, Eleonore Arnaud, Nacima Bektahaoui, Valentin Mertin, Nathalie Baye, Sara Giraudeau, Jeremie Renier.

O primeiro episódio explora a história real do atentado terrorista na boate Bataclan para colocar uma jovem (Sara Giraudeau) suspeita de estar explorando a tragédia sem ter estado no local. A segunda coloca uma empresária da construção (Nathalie Baye) como suspeita de ter participado de um acidente que vitimou um empregado. A história final foca em um vendedor (Jeremie Renier) suspeito de ter espancado um sujeito na saída de uma boate gay. Dos quatro países, estes episódios franceses são os mais fracos. O primeiro episódio é o único com algum destaque.

Criminal: Spain (Criminal: Germany, Inglaterra / França / Alemanha / Espanha, 2019)
Direção – Mariano Barroso
Elenco – Emma Suarez, Jorge Bosch, Alvaro Cervantes, Maria Morales, José Angel Egido, Daniel Chamorro, Javi Coll, Nuria Mencia, Milo Taboada, Imma Cuesta, Carmen Machi, Eduard Fernandez.

O episódio inicial tem uma empresária (Carmen Machi) suspeita de ter ajudado o irmão a assassinar seu amante. O segundo e mais dramático explora o desespero de uma jovem perturbada (Imma Cuesta) suspeita de ter assassinado a irmã autista. O melhor episódio é o terceiro, em que um veterano traficante de drogas (o ótimo Eduard Fernandez) é pressionado para confessar outros crimes.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Bons Meninos

Bons Meninos (Good Boys, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Gene Stupnitsky
Elenco – Jacob Tremblay, Keith L. Williams, Brady Noon, Molly Gordon, Midori Francis, Izaac Wing, Millie Davis, Josh Caras, Will Forte, Lil Rel Howery, Retta.

Max (Jacob Tremblay), Lucas (Keith L. Williams) e Thor (Brady Noon) são amigos que tentam a se adaptar a mudança de idade e a ida para sexta série no colégio. 

Ao receberem um convite para uma “festa do beijo” na casa de uma colega, o trio vê a chance de ser aceito com a nova turma. O problema é que eles causam um acidente com o drone do pai de Max e precisam resolver a situação antes do homem voltar para casa. 

Produzido por Seth Rogen e Evan Goldberg, esta divertida comédia é praticamente uma versão infantil de “Superbad – É Hoje”. Ao invés de adolescentes querendo comprar cerveja, aqui temos crianças de onze anos correndo pela cidade em busca de um drone, fugindo de duas adolescentes (Molly Gordon e Midori Francis) que querem suas drogas de volta e enfrentando situações engraçadas. 

Esta longe de ser um filme bobinho ou politicamente correto, sendo este um dos acertos, com destaque para as divertidas piadas maliciosas que brincam com a ingenuidade dos garotos, que ainda estão na fase de transição entre a infância e a adolescência. 

Mesmo sabendo que nem sempre o astro infantil consegue fazer uma carreira adulta, vale que citar que Jacob Tremblay é um dos atores infantis mais promissores de Hollywood e que tem tudo para se firmar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O Relatório

O Relatório (The Report, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Scott Z. Burns
Elenco – Adam Driver, Annette Benning, Jon Hamm, Maura Tierney, Michael C. Hall, Ted Levine, Scott Shepherd, Corey Stoll, Sarah Goldberg, John Rothman, Victor Slezak, Alexander Chaplin, Tom Blake Nelson, Ian Blackman, Joanne Tucker, Joseph Siravo, Carlos Gomez, Ben McKenzie, Daniel London, Jennifer Morisson, Matthew Rhys.

Washington, 2007. Daniel J. Jones (Adam Driver) é um assessor da senadora Dianne Feinstein (Annette Benning). A congressista lidera um grupo que analisa as ações da CIA em relação aos interrogatórios de prisioneiros ligados ao terrorismo. 

Ela consegue que a CIA mostre documentos relacionamentos ao assunto. Daniel é indicado para analisar os documentos e fazer uma relatório. Mesmo praticamente sem ajuda e sendo desencorajado por pessoas ligadas ao governo, durante alguns anos Daniel analisa milhares de documentos para tentar comprovar que a CIA utilizou da tortura para conseguir confissões e também prendeu inocentes. 

Baseado numa história real, este longa detalha como a chamada “Guerra ao Terror” foi utilizada como desculpa por alguns grupos para agir fora da lei e por outros para lucrar, como o caso absurdo da dupla de psicólogos (Ted Levine e Scott Shepherd) que vendeu um projeto com formas de tortura disfarçadas de técnicas de interrogação. 

A narrativa segue o estilo dos filmes sobre bastidores da política, explorando jogos entre poderosos, mentiras e traições. Não é um filme que chega a empolgar, mesmo com algumas sequências fortes de tortura, o ponto principal são as discussões políticas. 

Adam Driver defende bem o papel do obcecado protagonista e a veterana Annette Benning encarna a política que se divide entre a vontade de chegar até a verdade e o medo de perder a eleição seguinte. 

É uma obra indicada para quem gosta de drama político.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Próxima Parada: Apocalipse & Estado de Calamidade


Próxima Parada: Apocalipse (How It Ends, EUA, 2018) – Nota 5,5
Direção – David M. Rosenthal
Elenco – Theo James, Forest Whitaker, Grace Dove, Kat Graham, Kerry Bishpé, Mark O’Brien, Nicole Ari Parker.

Quando Will (Theo James) está conversando pelo celular com sua esposa Sam (Kat Graham) que está grávida e do outro lado do país, algo inexplicável ocorre e as comunicações são cortadas. O desespero leva Will a se juntar com seu sogro Tom (Forest Whitaker), um ex-fuzileiro naval para atravessar o país com o objetivo de encontrar Sam. É o início de uma jornada em meio ao caos.

Explorando a temática do apocalipse, este longa começa de forma intrigante ao não explicar as causas do desastre, deixando ansiosos personagens e espectadores. A escolha de transformar a busca em um road movie também começa bem, com a dupla de protagonistas enfrentando obstáculos dos mais variados, inclusive a violência.

O grande problema surge na meia-hora final, quando toda a história é jogada na lata do lixo. A parte final além de ser totalmente absurda em relação a situação de dois personages, o filme ainda termina deixando um gancho gigantesco, não sei se pensando em uma sequência ou apenas para deixar o espectador sem saber o que ocorreu.

A tradução do título original seria “Como Isto Termina”, mas na realidade teria de ter uma interrogação no final, pois nem o diretor sabia como finalizar a obra.

Estado de Calamidade (The Humanity Bureau, Canadá / EUA / Inglaterra, 2017) – Nota 4,5
Direção – Rob W. King
Elenco – Nicolas Cage, Sarah Lind, Jakob Davies, Hugh Dillon, Vicellous Shannon, Kurt Max Runte.

Em um futuro próximo, a natureza e a economia entraram em colapso. O governo americano cercou o país com muros e criou a “Agência da Humanidade” para analisar os casos de pessoas que pouco produzem para a sociedade e que são realocadas para uma cidade chamada “Nova Eden”. 

Noah Kross (Nicolas Cage) é um agente que analisa cada situação e determina se a pessoa deve ou não ser realocada. Ao atender o caso de um idoso e posteriormente visitar a mãe solteira Rachel (Sarah Lind) e seu filho Lucas (Jakob Davies), Noah percebe que existe algo de errado com o programa e decide mudar sua atitude. 

Esta é mais um produção de baixo orçamento que o maluco Nicolas Cage aceitou protagonizar. Nada funciona neste longa. A história repleta de clichês, os personagens caricatos, as bizarras cenas de luta e por fim o péssimo clímax são os ingredientes para quem quiser encarar esta bomba.  


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Força Maior

Força Maior (Turist, Suécia / França / Noruega / Dinamarca, 2014) – Nota 6,5
Direção – Ruben Ostlund
Elenco – Johannes Kuhnke, Lisa Loven Kongsli, Clara Wettergren, Vincent Wettergren, Kristofer Hivju, Fanni Metelius, Brady Corbett, Karen Myrenberg.

Tomas (Johannes Kuhnke), sua esposa Ebba (Lisa Loven Kongsli) e o casal de filhos estão de férias nos Alpes Franceses. 

Durante o café da manhã à beira da montanha, uma inesperada avalanche passa a impressão de que vai destruir o local. Tomas foge desesperado, enquanto Ebba tenta proteger os filhos. A possível tragédia termina como apenas um susto, porém a relação entre Tomas e Ebba nunca mais será a mesma. 

Conhecido mundialmente por causa do superestimado “The Square – A Arte da Discórdia”, o diretor e roteirista sueco Ruben Ostlund chamou a atenção da crítica primeiramente por este drama familiar. 

Ostlund tem muito talento na parte técnica, filmando espaços abertos com uma bela fotografia, enquadramentos criativos e capricho visual nos detalhes. Por outro lado, sua forma de desenvolver a narrativa e os personagens é bastante pretensiosa, com um ritmo lento e sequências que as vezes não agregam nada a história. 

O foco principal da trama é a questão da perda de confiança entre o casal e o inevitável desgaste da relação. O marido não assume que teve medo e a esposa passa a desprezá-lo, inclusive na presença de amigos. 

O estilo de narrativa de Ostlund não me agrada, mesmo ressaltando novamente o capricho na produção. 

Agora em 2020 será lançado um remake americano com Will Ferrell e Julia Louis Dreyfus, provavelmente mais voltado para comédia.

domingo, 19 de janeiro de 2020

It: Capítulo Dois

It: Capítulo Dois (It Chapter Two, Canadá / EUA, 2019) – Nota 6
Direção – Andy Muschietti
Elenco – Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone, Andy Bean, Bill Skarsgard, Jaeden Martell, Wyatt Oleff, Jack Dylan Grazer, Finn Wiolfhard, Sophia Lillis, Chosen Jacobs, Jeremy Ray Taylor, Xavier Dolan, Stephen King, Peter Bogdanovich.

Vinte e sete após derrotarem o sinistro palhaço Pennywise (Bill Skarsgard), o grupo de amigos volta a se reunir quando outras crianças começam a desaparecer. Agora adultos, eles precisam relembrar como enfrentaram o medo quando eram crianças para poder derrotar novamente Pennywise. 

O frescor e a vitalidade na jornada das crianças em busca do amigo sequestrado pelo palhaço no primeiro filme era a grande força da história, situação que se perde nesta sequência. A escolha de dividir a história em duas narrativas, focando a primeira na vida das crianças pouco tempo depois dos acontecimentos do filme anterior e a principal na dificuldade dos adultos em lidar com suas lembranças resulta em uma obra extremamente longa e irregular. 

Perde-se muito tempo na sequências em que cada personagem adulto segue um caminho pela cidade e precisa enfrentar seus medos de forma individual. Estas sequências lembram aqueles episódios de seriados produzidos apenas para encher a temporada, em que o foco se fecha em um personagem, deixando de lado a trama principal. As sequências com as crianças são mais interessantes, assim como os próprios personagens infantis são melhores. A exceção entre os adultos fica para a atuação de Bill Hader. 

Vale citar ainda a aleatória sequência inicial que não tem ligação alguma com a trama, utilizada apenas como marcação de terreno ideológico para defender uma causa, fato que está se tornando comum em filmes e seriados atuais. 

Infelizmente esta sequência decepciona.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Injustiça

Injustiça (Injustice, Inglaterra, 2011) – Nota 7,5
Direção – Colm McCarthy
Elenco – James Purefoy, Charlie Creed Miles, Dervla Kiwan, Nathaniel Parker, Sasha Behar, Robert Whitelock, Kirsty Bushell.

William Travers (James Purefoy) é um advogado criminalista que abandonou sua carreira em um grande escritório em Londres após um complexo caso. Ele e sua esposa Jane (Dervla Kiwan) mudaram para a pequena cidade de Ipswich. 

No novo escritório, William é procurado por uma advogada (Sasha Behar) que diz estar representando um antigo amigo do casal (Nathaniel Parker), que está preso acusado de matar sua secretária, que também era sua amante. A antiga amizade faz William aceitar o caso, mesmo sem ter certeza se o amigo é inocente. 

Esta competente minissérie em cinco episódios apresenta uma complexa trama que deixa o espectador em dúvida sobre quem é o verdadeiro autor do crime. O roteiro foca ainda em um segredo do protagonista que é investigado por um violento policial (Charlie Creed Miles) que desconta suas frustrações na esposa (Kristy Bushell). 

A “injustiça” do título é o retrato tanto do sistema judiciário que muitas vezes é manipulado pelos envolvidos, como pela solução das tramas que passam longe da legalidade. 

O canastrão James Purefoy não chega a atrapalhar, ficando o destaque principal do elenco para o pouco conhecido Charlie Creed Miles.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Silvio e os Outros

Silvio e os Outros (Loro, Itália, 2018) – Nota 6
Direção – Paolo Sorrentino
Elenco – Toni Servillo, Elena Sofia Ricci, Ricardo Scamarcio, Kasia Smutniak, Fabrizio Bentivoglio, Euridice Axe, Anna Bonaiuto.

A ideia do diretor Paolo Sorrentino, do ótimo “A Grande Beleza”, foi tentar detalhar os bastidores da polêmica vida do ex-Primeiro-Ministro italiano Silvio Berlusconi (Toni Servillo) no período em que tentava voltar ao poder, mesmo estando no meio de vários escândalos. 

Sorrentino chegou a lançar o filme dividido em duas partes com mais de três de duração no total e posteriormente a versão única com duas horas e meia, sendo esta que eu vi. 

Provavelmente por ter dividido em dois longas a princípio, a história também é contada em duas partes distintas. A primeira hora foca na vida do cafetão Sergio Morra (Ricardo Scamarcio), que vive na pequena cidade de Taranto e que coloca como objetivo se aproximar de Berlusconi, sabendo que o político adorava festas recheadas de mulheres. Morra se alia a cafetina albanesa Kira (Kasia Smutniak), uma das amantes do político. 

A segunda parte volta a câmera para Berlusconi, dividindo entre a carreira política através de conversas e alianças com outros políticos e poderosos, com sua vida pessoal, principalmente a crise no casamento com sua segunda esposa (Elena Sofia Ricci). 

Por mais que este tipo de abordagem sobre a vida de um personagem tão complexo como Berlusconi possa ser interessante, o filme deixa a desejar por causa da narrativa extremamente irregular e de sequências longas e aleatórias que pouco agregam a trama, mesmo sendo na versão mais curta. 

A sequência mais complexa é a discussão entre Berlusconi e sua esposa, em que a verdadeira face do homem vem à tona ao ser confrontado por seus erros, para em seguida ele mesmo fazer uma mea culpa na conversa com um amigo. 

Quanto ao elenco, o destaque maior fica para a atuação de Toni Servillo, perfeito como o protagonista inteligente, egocêntrico e malandro. 

É um filme indicado para quem gosta de obras sobre bastidores políticos e que conheça um pouco da política italiana.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Dublin Murders

Dublin Murders (Dublin Murders, Inglaterra, 2019) – Nota 7
Direção – John Hayes, Saul Dibb & Rebecca Gatward
Elenco – Sarah Greene, Killian Scott, Eugene O’Hare, Tom Vaughan Lawlor, Moe Dunford, Conleth Hill, Peter McDonald, Leah McNamara, Amy Macken.

Dublin, Irlanda, 2007. Uma adolescente é encontrada morta em uma área florestal, local onde um grupo de arqueólogos trabalha em uma escavação. 

A investigação fica por conta dos detetives Rob Reilly (Killian Scott) e Cassie Maddox (Sarah Greene), que acreditam que o caso tenha ligação com o desaparecimento de duas crianças na mesma região em 1984. 

Além da dificuldade em ligar crimes ocorridos em épocas diferentes, Rob e Cassie escondem segredos pessoais que podem interferir na investigação. 

Baseado em dois livros da escritora Tana French, esta minissérie em oito episódios começa extremamente intrigante, porém perde um pouco o foco ao inserir um segundo crime no meio da trama. Fica claro que a ideia foi amarrar os dois livros, o que infelizmente deixou a narrativa desconexa em alguns momentos. 

Por outro lado, vale destacar a complexidade da trama principal da morte da garota e as personalidades perturbadas da dupla de protagonistas. 

O resultado é mediano e indicado apenas para quem gosta de tramas policiais

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Limites

Limites (Boundaries, Canadá / EUA, 2018) – Nota 6
Direção – Shana Feste
Elenco – Vera Farmiga, Christopher Plummer, Lewis MacDougall, Christopher Lloyd, Bobby Cannavale, Peter Fonda, Kristen Schaal, Yahia Abdul Mateen II.

Quando seu pai Stanley (Christopher Plummer) é expulso da casa de repouso em que vive, Laura (Vera Farmiga) é obrigada a atravessar o país para levá-lo até a casa de sua irmã. Seu filho pré-adolescente Henry (Lewis MacDougall) a acompanha na viagem. 

O roteiro escrito pelo diretora Shana Feste segue o estilo comum dos road movies que exploram dramas familiares com pitadas de comédia. O ponto principal é a conturbada relação entre pai e filha. 

Christopher Plummer interpreta o pai irresponsável, enquanto Vera Farmiga vive a filha que o culpa por suas frustrações e pelos problemas que enfrenta na vida adulta. O garoto Lewis MacDougall é o adolescente solitário que utiliza seu talento nas artes para criar desenhos no mínimo polêmicos. 

É um filme agradável, porém que não apresenta surpresas e que rapidamente será esquecido.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Fora de Alcance & Caçado


Fora de Alcance (Beyond the Reach, EUA, 2014) – Nota 5
Direção – Jean Baptiste Leonetti
Elenco – Michael Douglas, Jeremy Irvine, Hanna Mangan Lawrence, Ronny Cox.

O jovem Ben (Jeremy Irvine) trabalha como guia de caça no deserto de Mojave. No mesmo dia em que sua namorada (Hanna Mangan Lawrence) deixa a cidade para começar a universidade, ele é contratado pelo arrogante milionário Madec (Michael Douglas) para caçar um animal selvagem. O rápido e complicado relacionamento entre Ben e Madec se transforma em uma caçada humana no deserto após um terrível acidente.

Este longa aproveita a premissa criada nos anos sessenta no clássico “Inferno no Pacífico” ao colocar dois personagens antagônicos em conflito no meio da natureza selvagem. Nos dois primeiros terços o filme é até razoável ao criar algumas sequências interessantes de suspense. Tudo vai por água abaixo nos vinte minutos finais. A solução da situação chega a ser ingênua e a sequência final é de um absurdo enorme, totalmente sem sentido. Fica a sensação de que o diretor desejava criar uma reviravolta a todo custo. 

Caçado (The Hunted, EUA, 2003) – Nota 6
Direção – William Friedkin
Elenco – Tommy Lee Jones, Benicio Del Toro, Connie Nielsen, Leslie Stefanson, José Zuñiga, Ron Canada, Rex Linn, Eddie Velez, John Finn.

Aarom Hallam (Benicio Del Toro) é um ex-soldado de elite especialista em matar. Ele utiliza seu treinamento para assassinar caçadores em uma floresta no Oregon. Aarom termina preso pelo instrutor militar L.T. Bonham (Tommy Lee Jones), mas ao ser levado para a cidade consegue escapar. É o início de uma perseguição insana entre Bonham e Hallam. 

O grande diretor William Friedkin não estava nos seus melhores dias quando dirigiu este longa que parece um remake de “Rambo: Programado Para Matar”, porém bastante inferior na comparação e com uma trama previsível. O ponto alto são as sequências de perseguição na floresta, que mesmo com alguns furos se mostram competentes ao explorar os belos e rústicos cenários naturais. O resultado é no máximo razoável.