quinta-feira, 2 de abril de 2020

História de um Casamento

História de um Casamento (Marriage Story, Inglaterra / EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Noah Baumbach
Elenco – Adam Driver, Scarlett Johansson, Laura Dern, Ray Liotta, Alan Alda, Julie Hagerty, Azhy Robertson, Merritt Weaver, Wallace Shawn, Mark O’Brien, Annie Hamilto, Tunde Adebimpe.

Após dez anos de casamento, Charlie (Adam Driver) e Nicole (Laura Dern) decidem se separar. O fim da relação afeta o trabalho do casal. 

Ele é o diretor de uma companhia de teatro em Nova York e ela é uma atriz que abandona o grupo para voltar a viver em Los Angeles e tentar reativar a carreira no cinema. 

No meio da crise está o filho Henry (Azhy Robertson), um garoto que ainda não entende direito a nova situação. Tudo fica ainda mais complicado quando Nicole contrata uma advogada (Laura Dern) para cuidar da separação. 

O diretor e roteirista Noah Baumbach é especialista em dramas familiares, como se fosse um Woody Allen totalmente sério, sem os diálogos cínicos e os personagens engraçadinhos. 

Neste trabalho, a longa duração esconde uma história simples que se arrasta em situações repetitivas que chegam a irritar, como as discussões que não chegam a lugar algum e as reações contidas do personagem de Adam Driver, que é sugado para dentro de uma situação sem controle. 

A entrada em cena dos advogados cria um teatro de cartas marcadas com um preço extremamente alto para os envolvidos, tanto emocional quanto financeiro.

Além do casal principal, vale destacar as ótimas atuações de Laura Dern, Ray Liotta e do veteraníssimo Alan Alda interpretando os advogados. 

O título mais apropriado seria “História de uma Separação”

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O Mesmo Sangue

O Mesmo Sangue (La Misma Sangre, Argentina / EUA, 2019) – Nota 6
Direção – Miguel Cohan
Elenco – Oscar Martinez, Dolores Fonzi, Diego Velazquez, Paulina Garcia, Luis Gnecco, Norman Briski.

Elias (Oscar Martinez) perde o pai em um acidente com eletricidade na fazenda de sua propriedade. Sete anos depois, ele abandonou o emprego para se dedicar a fazenda e passa um complicado momento financeiro. 

Quando sua esposa Adriana (Paulina Garcia) morre em um acidente doméstico, seu genro Sebastian (Diego Velazquez) passa a desconfiar que Elias foi o responsável pelo morte. A desconfiança afeta também a filha do casal, Carla (Dolores Fonzi). 

O diretor Miguel Cohan (“Betibú”) explora o estilo de mostrar a mesma cena em ângulos diferentes através do olhar de personagens distintos para explicar determinada situação. 

Por mais que seja uma escolha criativa, o desenrolar da narrativa é lento, além do roteiro deixar pontas soltas e excluir personagens como a outra filha do casal e seu marido que aparecem apenas na festa e no enterro. 

Também não existe explicação para uma personagem que surge cobrando o protagonista. Não se sabe se é amiga, sócia, amante ou agiota. 

A ironia da sequência final é uma boa sacada, mas mesmo assim fica a impressão de que a história poderia render um filme bem melhor.

terça-feira, 31 de março de 2020

Ford vs Ferrari

Ford vs Ferrari (Ford v Ferrari, EUA / França, 2019) – Nota 7,5
Direção – James Mangold
Elenco – Matt Damon, Christian Bale, Jon Bernthal, Caitriona Balfe, Josh Lucas, Noah Jupe, Tracy Letts, Remo Girone, Ray McKinnon, JJ Feild, Corrado Invernizzi, Jack McMullen.

Início dos anos sessenta. O piloto de corridas Carroll Shelby (Matt Damon) é obrigado a abandonar a carreira por causa de um problema no coração. 

Por ter vencido as 24 de Horas de Le Mans na França, Shelby é procurado pelo executivo da Ford Lee Iacocca (Jon Bernthal), que pretende montar uma equipe de corridas da empresa para vencer a italiana Ferrari. 

Sendo obrigado a começar do zero na construção de um carro, Shelby leva consigo o corredor e também mecânico Ken Miles (Christian Bale), um sujeito que não mede palavras para defender suas ideias. 

Baseado numa história real, este longa segue o formato tradicional de histórias de conquistas em que um ou dois personagens enfrentam vários obstáculos, inclusive de pessoas que aparentemente estavam a seu lado. 

Neste contexto, o roteiro coloca como vilões os arrogantes Henry Ford II (Tracy Letts) e seu braço-direito Leo Beebe (Josh Lucas), que desejam vencer Le Mans, mas não querem a presença do “rebelde” Ken Miles ao volante. 

Os bastidores desta disputa é um dos pontos principais da história, ao lado do desenvolvimento do automóvel, da relação familiar de Miles com a esposa (Caitriona Balfe) e filho (Noah Jupe) e claramente as sequências de corrida, com destaque para a meia-hora dedicada a disputa em Le Mans na parte final. 

Ao mesmo tempo em que é um bom filme, por outro lado é uma obra que não chega a ser marcante, sendo indicada para os fãs de corridas.  

segunda-feira, 30 de março de 2020

Nimitz - De Volta ao Inferno

Nimitz - De Volta ao Inferno (The Final Countdown, EUA, 1980) – Nota 5,5
Direção – Don Taylor
Elenco – Kirk Douglas, Martin Sheen, Katharine Ross, James Farentino, Ron O’Neal, Charles Durning, Soon Tek Oh.

O porta-aviões Nimitz está fazendo manobras de treinamento na região de Pearl Harbor quando é atingido por uma estranha tempestade magnética. 

Mesmo sem avarias, o capitão Yelland (Kirk Douglas), o oficial Owens (James Farentino) e o civil Lasky (Martin Sheen) ficam perplexos ao perceberem que o porta-aviões foi transportado para 1941, em meio a Segunda Guerra Mundial e um dia antes do ataque japonês a Pearl Harbor. Fica a dúvida se eles devem ou não intervir no ataque para mudar o curso da História. 

A premissa deste longa que mistura guerra e ficção é bastante interessante, porém o desenrolar da narrativa deixa bastante a desejar. Um dos pontos negativos é algo comum em muitos longas dos anos setenta, em que a narrativa se arrasta durante dois terços da trama para criar uma ou duas cenas de ação na parte final. 

Boa parte do filme foca em decolagens e aterrissagens de caças, algo que seria repetido de uma forma muito mais interessante em “Top Gun”. Os efeitos especiais também envelheceram demais. 

A trama ganha alguns pontos pela subtrama em relação ao senador vivido por Charles Durning, que é um personagem fictício, porém inserido em um contexto político verdadeiro. A surpresa da cena final também destaque. Fora isso, é um filme indicado apenas para os cinéfilos curiosos.

domingo, 29 de março de 2020

Luce

Luce (Luce, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Julius Onah
Elenco – Naomi Watts, Octavia Spencer, Tim Roth, Kelvin Harrison Jr., Norbert Leo Butz, Andrea Bang, Marsha Stephanie Blake, Omar Shariff Brunson Jr., Noah Gaynor, Astro.

Prestes a ir para a universidade e ser o orador da turma de formatura no colégio, Luce (Kelvin Harrison Jr.) é confrontado por sua professora Harriet (Octavia Spencer) ao escrever um artigo defendendo o uso da força para enfrentar inimigos, citando um revolucionário assassino de seu país de origem, a Eritreia. 

A professora entrega o artigo para a mãe adotiva de Luce, Amy (Naomi Watts), fato que desencadeia uma sucessão de desencontros e desconfiança entre os envolvidos, incluindo o pai de Luce (Tim Roth), o diretor do colégio (Norbert Leo Butz) e uma jovem de origem asiática (Andrea Bang). 

O sorriso forçado no rosto do personagem de Kelvin Harrison Jr durante o discurso na cena inicial deixa claro que existe algo de errado, assim como a entrada em cena da personagem de Octavia Spencer. A partir daí o roteiro entrega aos poucos os segredos e os defeitos de cada personagem, todos muito próximos da realidade. 

O aluno perfeito começa a mostrar seu lado obscuro, a professora idealista que coloca seu lado de ativista a frente do interesse dos alunos, os pais que deixam de lado a ética para ajudar o filho, ou seja, situações atuais e universais. 

É um filme que deixa uma sensação de tristeza em relação a sociedade, mostrando que nos momentos de crise cada pessoa defende seus interesses, mesmo que isso prejudique o próximo.

sábado, 28 de março de 2020

Uma Dia de Chuva em Nova York

Um Dia de Chuva em Nova York (A Rainy Day in New York, EUA, 2019) – Nota 5,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Timothée Chalamet, Elle Fanning, Liev Schreiber, Selena Gomez, Jude Law, Diego Luna, Cherry Jones, Will Rogers, Annaleigh Ashford, Rebecca Hall.

Gatsby (Timothée Chalamet) é um jovem rico de Nova York que foi obrigado pelo família a estudar em uma universidade em um local afastado. Sua namorada Ashleigh (Elle Fanning) é filha de um fazendeiro do Arizona que cursa jornalismo. 

O casal fica animado quando Ashleigh consegue um horário em um sábado para entrevistar um famoso escritor (Liev Schreiber) em Nova York. O que seria a chance do casal aproveitar a cidade, se transforma em passeios isolados quando a garota se encanta pelo escritor e recebe o convite de visitar um set de filmagem com ele. 

Esta comédia bobinha é o trabalho mais fraco de Woody Allen em muitos anos. As situações de desencontros, mentiras e traições comuns a seus filmes não convencem aqui, tanto pelos diálogos pouco inspirados, como pelas fracas atuações do elenco. A personagem de Elle Fanning chega a ser irritante. 

O ponto alto é a revelação da personagem de Cherry Jones que interpreta a mãe de Timothée Chalamet. É uma situação que mostra como muitas pessoas vivem de aparências, escondendo segredos. 

Vamos esperar que Woody Allen esteja mais inspirado em seu próximo filme.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Cemitério Maldito (1989, 1992 & 2019)


Cemitério Maldito (Pet Sematary, EUA, 1989) – Nota 6,5
Direção – Mary Lambert
Elenco – Dale Midkiff, Fred Gwynne, Denise Crosby, Brad Greenquist, Miko Hughes, Blaze Berdahl.

O médico Louis Creed (Dale Midkiff) e sua esposa Rachel (Denise Crosby) mudam para uma casa na zona rural do Maine com a filha Ellie (Blaze Berdahl) e o filho pequeno Gage (Miko Hughes). 

Quando o gato da família morre atropelado na estrada que passa ao lado da casa, Louis aceita o estranho conselho de um morador local para enterrar o animal em um antigo cemitério indígena que está abandonado. O local é considerado sagrado e com poderes de ressuscitar os mortos. A decisão de Louis dá início a um inferno na vida da família. 

Este longa é um das razoáveis adaptações de Stephen King para o cinema. Os pontos positivos são o clima de tragédia, o assustador gato e as sequências violentas na parte final. Por outro lado, os efeitos envelheceram bastante e o casal de protagonistas é bem fraco. O destaque do elenco fica para o falecido Fred Gwynne que era conhecido pelo série “Os Monstros”. 

Cemitério Maldito II (Pet Sematary II, EUA, 1992) – Nota 5,5
Direção – Mary Lambert
Elenco – Edward Furlong, Anthony Edwards, Clancy Brown, Darlanne Fluegell, Jared Rushton, Jason McGuire, Sarah Trigger.

Após sua mãe morrer eletrocutada em um set de filmagens, o garoto rebelde Jeff (Edward Furlong) e seu pai Chase (Anthony Edwards) se mudam para uma casa no Maine. Logo, Jeff faz amizade com Drew (Jason McGuire), que conta a história do cemitério indígena. Os garotos pensam em testar a lenda utilizando o cão de um deles, quando na verdade Jeff deseja ressuscitar a mãe. 

Esta continuação utiliza apenas a premissa do cemitério para contar uma nova história, que não foi escrita por Stephen King. Este é mais violento e acelerado do que o primeiro e com um elenco melhor, porém o roteiro é inferior.

O resultado é basicamente um filme de terror genérico ao estilo dos anos oitenta e noventa, cheio de falhas, mas que prende a atenção para quem não se importar com isso.

Cemitério Maldito (Pet Sematary, EUA / Canadá, 2019) – Nota 6
Direção – Kevin Kolsch & Dennis Widmyer
Elenco – Jason Clarke, Amy Seimetz, John Lithgow, Jeté Laurence.

O médico Louis (Jason Clarke) e sua esposa Rachel (Amy Seimtetz) mudam de Boston para uma casa em uma região isolada do Maine em busca de tranquilidade. Eles tem a filha pré-adolescente Ellie (Jeté Laurence) e o garoto Gage de três anos de idade. 

A morte do gato da família leva o vizinho Jud (John Lithgow) a indicar para Louis que o bicho seja enterrado em um local que fica além de um cemitério de animais localizado no bosque no fundo da propriedade da família. O que ele não explica é que o local tem o poder de ressuscitar os mortos. O gato volta à vida, deixando Louis perplexo e ao mesmo tempo curioso. 

Este remake do longa de 1989 muda algumas situações para tentar apresentar algo novo, porém entrega um final exagerado e até cínico que deixa bastante a desejar. O ponto positivo é o sinistro clima de terror e a assustadora mata ao redor da casa da família. 

O resultado é mais um remake que pouco acrescenta ao original.

quinta-feira, 26 de março de 2020

A Espiã Vermelha

A Espiã Vermelha (Red Joan, Inglaterra, 2018) – Nota 6,5
Direção – Trevor Nunn
Elenco – Judi Dench, Sophie Cookson, Stephen Campbell Moore, Tom Hughes, Tereza Sborva, Ben Miles.

Londres, ano 2000. A morte de um político traz à tona uma pequena rede de espiões ingleses que passavam informações para os soviéticos nos anos cinquenta. O fato leva a octogenária Joan Stanley (Judi Dench) a ser interrogada por agentes do governo. 

Enquanto tenta se defender, a trama volta para a Universidade de Cambridge nos anos cinquenta, quando a jovem Joan (Sophie Cookson) participava de reuniões com alunos comunistas, ao mesmo tempo em que trabalhava em um projeto secreto do governo para desenvolvimento da bomba atômica. 

Este longa é inspirado na história real de Melita Norwood, que teve seu segredo revelado décadas depois do ocorrido. O filme peca um pouco por pender demais para o lado romântico, ao colocar a personagem de Sophie Cookson em um triângulo amoroso entre um comunista e um professor. 

Os motivos que levam a personagem a se envolver com os espiões e acreditar no comunismo são ingênuos e por incrível que pareça muito semelhantes ao jovens que nos dias de hoje tentam defender regimes sanguinários e corruptos baseados no comunismo e no socialismo. 

O filme vale pela curiosidade da história, a reconstituição de época e a sensível atuação da veterana Judi Dench.

quarta-feira, 25 de março de 2020

O que as Pessoas Vão Dizer

O que as Pessoas Vão Dizer (Hva Vil Folk Si, Noruega / Alemanha / Suécia / França / Dinamarca, 2017) – Nota 7,5
Direção – Iram Haq
Elenco – Maria Mozhdah, Adil Hussain, Ekavali Khanna. Rohit Saraf.

Nisha (Maria Mozhdah) é uma adolescente de dezesseis anos que vive na Noruega com os pais que são imigrantes paquistaneses.

Quando seu pai (Adil Hussain) encontra Nisha no quarto com o namorado, a vida da garota se transforma em um inferno. 

O pai e a mãe (Ekavali Khanna) se revoltam com a garota preocupados em como seus vizinhos imigrantes vão olhar para a família. Eles tomam uma decisão radical que mudará para sempre a vida de Nisha. 

O roteiro escrito pela diretora Iram Haq provavelmente parte de sua experiência pessoal com a comunidade paquistanesa na Noruega, sendo ela mesmo descendente assim como a protagonista.

A diretora vai direto ao ponto na crítica ao fundamentalismo religioso, situação em que o amor familiar ou mesmo o carinho são deixados de lado para seguir uma tradição absurda. 

A questão da aceitação em um grupo é outro ponto importante do roteiro. As atitudes dos pais e também do irmão (Rohit Saraf) colocam as regras do grupo que eles acreditam pertencer acima da felicidade da filha. 

A atuação da jovem Maria Mozhdah é destaque. Sua dor, frustração e sentimento de estar presa a algo sem ter feito nada de errado é perfeita. Ela consegue se transformar de uma jovem alegre em uma pessoa oprimida, como se sua alma tivesse sido roubada. 

É um daqueles filmes que deixam o espectador revoltado ao final da sessão.

terça-feira, 24 de março de 2020

Carbono

Carbono (Carbone, França / Bélgica, 2017) – Nota 7
Direção – Olivier Marchal
Elenco – Benoit Magimel, Laura Smet, Gerard Depardieu, Michael Youn, Gringe, Idir Chender, Dani, Moussa Maaskri.

Antoine Roca (Benoit Magimel) é um empresário que está à beira da falência e que enfrenta uma crise no casamento por conta das atitudes do arrogante sogro, o milionário Aron Goldstein (Gerard Depardieu). 

Em uma conversa informal com seu advogado (Michael Youn), surge a ideia de vender licenças de carbono para empresas que precisam pagar uma espécie de taxa para produzir materiais que poluem o meio ambiente. 

Percebendo que o negócio virtual da venda de licenças é fácil de ser manipulado, Antoine e seu advogado se unem a dois irmãos trambiqueiros (Gringe e Idir Chender), criando várioas empresas de fachada para lucrar. O negócio acaba envolvendo um perigoso grupo de bandidos árabes. 

O roteiro explora o fato real do golpe da venda de licenças de carbono que ocorreu na França há alguns anos para criar uma trama com personagens fictícios envolvendo o submundo do crime em Paris. 

É interessante notar que o esquema de passar o dinheiro por várias empresas para dificultar o rastreio das autoridades é habitual nos grandes esquemas de golpes milionários. 

Esta ótima premissa se desenvolve bem até pouco mais da metade, para no final o roteiro passar a impressão de que acelerou as situações para não alongar a duração. 

O filme passa longe de ser ruim por causa disso, mas fica claro que uma trama como esta, com os muitos detalhes e vários coadjuvantes interessantes, com certeza renderia uma obra melhor nas mãos de um diretor mais talentoso.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Joias Brutas

Joias Brutas (Uncut Gems, EUA, 2019) – Nota 7,5
Direção – Benny Safdie & Josh Safdie
Elenco – Adam Sandler, LaKeith Stanfield, Julia Fox, Kevin Garnett, Eric Bogosian, Judd Hirsch, Idina Menzel.

Howard Ratner (Adam Sandler) é um judeu negociante de pedras preciosas que passa por um momento conturbado e também decisivo em sua vida. 

Ele enfrenta um casamento falido, tem que lidar com a amante (Julia Fox) que é sua funcionária, além de ser pressionado por seu cunhado (Eric Bogosian) e seus capangas por causa de uma dívida. 

A chance de quitar os débitos surge quando ele recebe uma enorme pedra preciosa que vale uma fortuna, joia esta que que atiça o desejo do jogador de basquete Kevin Garnett (interpretando ele mesmo), que no mesmo momento da chegada da pedra está visitando a loja de Howard. 

Este curioso longa dirigido pelos irmãos Safdie guarda semelhanças no estilo nervoso da narrativa e nos personagens marginais com o filme anterior da dupla, o interessante “Bom Comportamento”. 

Aqui a câmera dos irmãos explora ângulos inusitados e criativos, como nas sequências inicial e final que se casam perfeitamente, de uma forma cruel por sinal. 

O lado “nervoso” fica por conta do comportamento agitado do protagonista vivido por Adam Sandler e dos diálogos que parecem discussões intermináveis repletas de palavrões. Em várias sequências fica difícil acompanhar os diálogos, a gritaria e as discussões. Mas fica claro que isso é uma opção dos diretores, que desejavam criar um clima de loucura em torno do protagonista. 

Assim como aconteceu com comediantes como Eddie Murphy, Jim Carrey e o falecido Robin Williams, Adam Sandler mostra seu verdadeiro talento em filmes diferentes como este, deixando as comédias bobas de lado. 

Sandler entregou bons desempenhos em longas como “Embriagado de Amor”, “Reine Sobre Mim” e “Homens, Mulheres e Filhos”, repetindo a qualidade neste “Joias Brutas”. 

Mesmo sem entrar em detalhes, não posso deixar de citar o surpreendente, marcante e ousado final deste longa.

domingo, 22 de março de 2020

Os Irmãos Sisters

Os Irmãos Sisters (The Sisters Brothers ou Les Frères Sisters, França / Espanha / Romênia / Bélgica / EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Jacques Audiard
Elenco – Joaquin Phoenix, John C. Reilly, Jake Gyllenhaal, Riz Ahmed, Rutger Hauer, Carol Kane, Rebecca Root.

Oregon, 1851. Charlie (Joaquin Phoenix) e Eli Sisters (John C. Reilly) são irmãos e caçadores de recompensa que trabalham para o Comendador (Rutger Hauer). 

A missão atual é capturar Herman Kermit Warm (Riz Ahmed), que teria roubado algo e fugido. No rastro do foragido está John Morris (Jack Gyllenhaal), que ao encontrar Herman avisará os irmãos do paradeiro do fugitivo. 

Este curioso western dirigido pelo francês Jacques Audiard foge do estilo habitual do gênero ao inserir temas incomuns como a química em referência a profissão do personagem de Riz Ahmed, ao colocar um homem vestido de mulher como dono de um saloon e criar conflitos que vão além dos tiroteios. 

A narrativa é um pouco irregular, principalmente a partir do momento em que a questão da perseguição sofre uma reviravolta e os personagens mudam o objetivo. As boas atuações do quarteto principal também são o destaque. 

Vale citar que este é um dos últimos trabalhos do recentemente falecido Rutger Hauer, que por ironia do destino tem sua última cena neste filme dentro de um caixão.

sábado, 21 de março de 2020

O Culpado & Suspeito Zero


O Culpado (The Guilty, Inglaterra / EUA / Canadá, 2000) – Nota 7
Direção – Anthony Waller
Elenco – Bill Pullman, Devon Sawa, Gabrielle Anwar, Angela Featherstone, Joanne Whalley, Darcy Belsher, Jaimz Woolvett, Bruce Harwood.

O jovem Nathan (Dewon Sawa) consegue a liberdade após cumprir pena por roubo de automóveis. Sua mãe decide contar que Nathan na verdade é filho de um famoso advogado chamado Callum Crane (Bill Pullman), que está prestes a se tornar juiz. 

Enquanto Nathan planeja encontrar o pai, Crane violenta sua secretária (Gabrielle Anwar) que se recusava a se envolver com ele. Mesmo acreditando estar acima de lei, Crane se desespera ao ser confrontado pela vítima. Um fato novo faz com que pai e filho, os dois criminosos, cruzem o mesmo caminho. 

Esta interessante mistura de suspense e policial tem como ponto alto as pequenas reviravoltas, naquele tipo de história em que todos os personagens tem um lado obscuro. 

O eterno canastrão Bill Pullman defende bem o papel do advogado canalha, enquanto o mais canastrão ainda Devon Sawa comprova porque não conseguiu se firmar na carreira. 

Apesar disso, o filme cumpre o que promete ao prender a atenção do espectador que curte o gênero.

Suspeito Zero (Suspect Zero, EUA, 2004) – Nota 6
Direção – E. Elias Merhige
Elenco – Aaron Eckhart, Ben Kingsley, Carrie Anne Moss, Harry Lennix.

Após ser acusado de ter passado dos limites ao prender um suspeito de ser um serial killer, o agente do FBI Thomas Mackelway (Aaron Eckhart) é enviado para trabalhar em um pequena agência em Albuquerque no Novo México.

Um assassinato ocorre no primeiro dia em que Mackelway incia seu trabalho, seguido por duas outras mortes que podem estar ligadas ao antigo caso do serial killer. A investigação ao lado de uma nova parceira (Carrie Anne Moss) leva Mackelway a um novo suspeito (Ben Kinglesy). 

O diretor E. Elias Merhige tem uma carreira curiosa, quase toda voltada para curtas e com apenas dois longas no currículo. O intrigante “A Sombra do Vampiro” com John Malkovich e Willem Dafoe e este policial “Suspeito Zero” que apresenta uma premissa promissora, mas que resulta em um filme apenas razoável. 

O desenvolvimento do roteiro é cheio de furos e as atuações de Aaron Eckhart e Carrie Anne Moss deixam bastante a desejar. Mesmo aparecendo pouco, Ben Kingsley entrega um personagem marcante. O final é outro ponto fraco.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Zumbilândia: Atire Duas Vezes

Zumbiândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap, EUA / Canadá, 2019) – Nota 7
Direção – Ruben Fleischer
Elenco – Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin, Zoey Deutch, Avan Jogia, Rosario Dawson, Luke Wilson, Thomas Middleditch.

Dez anos após o início do apocalipse zumbi, o grupo formado por Tallahasse (Woody Harrelson), Columbus (Jesse Eisenberg), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) continuam a viajar pelo país procurando um local seguro para viver. 

Após uma estadia na Casa Branca, Wichita e Little Rock decidem sair sozinhas pelo estrada, para logo depois se separarem também. Wichita retorna para a Casa Branca, o que faz com Tallahasse e Columbus voltem a se unir para procurar a amiga desaparecida. 

Esta sequência não é tão divertida quanto o original, mas mesmo assim entrega algumas sequências e ideias bastante criativas. O zumbi “Homer”, a maluquinha personagem de Zoey Deutch, os diálogos engraçados, as piadas em relação a Elvis Presley, a tiração de sarro em cima de “Walking Dead” quando o grupo chega na cidadela e por fim a sequência aleatória com Bill Murray durante os créditos finais garantem o divertimento. 

É um bom passatempo para quem gosta do estilo sangue e comédia.