quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Para Sempre Lilya

Para Sempre Lilya (Lilja 4-Ever, Suécia / Dinamarca, 2002) – Nota 8
Direção – Lukas Moodysson
Elenco – Oksana Akinshina, Artyom Bogucharskiy, Lyubov Agapova, Liliya Shinkaryova, Elina Benenson.

Em uma cidade não identificada de algum país da ex-União Soviética, a adolescente Lilya (Oksana Akinshina) é abandonada pela mãe que se muda para os Estados Unidos com o namorado. A tia que deveria lhe ajudar, a coloca para morar em um decadente edifício. 

Solitária, Lilya se apega ao garoto Volodya (Artyom Bogucharskiy), que todos os dias é expulso de casa pelo pai. Sem dinheiro e sem perspectivas de melhorar a vida, aos poucos Lilya se afunda em escolhas erradas. 

Este doloroso longa é baseado em uma chocante história real que foca no pior lado do ser humano. A saga da garota Lilya é semelhante a de muitas jovens do leste europeu, que como consequência da pobreza causada pelo comunismo nestes países, foram obrigadas a lutar pela sobrevivência de alguma forma, seja se envolvendo em atitudes ilícitas ou tentando a sorte em cidades maiores e até mesmo em outros países. 

O roteiro escrito pelo diretor Lukas Moodysson mostra que os jovens são iguais em qualquer local do mundo, o que muda são as condições de vida que enfrentam. Uma família desestruturada, a pobreza e a falta de perspectivas tendem a ser fatores determinantes para uma vida sofrida. 

Vale destacar a trilha sonora e as sensíveis interpretações da jovem Oksana Akinshina e do garoto Artyom Bogucharskiy. 

O filme faz pensar. Ao mesmo tempo em que muitas pessoas se unem por amor, amizade e solidariedade, outras agem com crueldade e indiferença.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Uma Vida Comum

Uma Vida Comum (Still Life, Inglaterra / Itália, 2013) – Nota 7,5
Direção – Uberto Pasolini
Elenco – Eddie Marsan, Joanne Froggatt, Andrew Buchan, Karen Drury.

John May (Eddie Marsan) é um sujeito solitário que trabalha em um departamento público responsável por localizar parentes de pessoas mortas.

John encara seu trabalho com disciplina, como se fosse uma espécie de investigador que procura parentes ou amigos para dar um enterro com dignidade para pessoas solitárias como ele. 

Quando seu chefe informa que ele será dispensado para cortar custos do departamento, ao invés de se revoltar, John pede para finalizar seu último caso, o de um idoso que morava sozinho em um apartamento. 

O sensível roteiro escrito pelo diretor Uberto Pasolini tem como ponto principal a solidão, seja ela em vida ou na hora da morte. 

O metódico personagem de Eddie Marsan vê um reflexo dele mesmo naquelas pobres pessoas que foram abandonadas ou abandonaram família e amigos pelas mais diversas razões. Sua busca em encontrar parentes e amigos destas pessoas é como se fosse sua própria busca por um amor ou uma amizade. 

A ideia do diretor sobre a solidão é reforçada numa sequência próxima ao final, quando o personagem principal parece estar mudando de vida, mas acaba surpreendido pelo destino. 

É um pequeno filme que faz pensar sobre a vida e a morte.  

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Virando a Página

Virando a Página (The Rewrite, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Marc Lawrence
Elenco – Hugh Grant, Marisa Tomei, J. K. Simmons, Chris Elliott, Allison Janney, Caroline Aaron, Bella Heathcote, Steven Kaplan.

Quando jovem, o roteirista Keith Michaels (Hugh Grant) venceu o Oscar e imaginou que teria uma brilhante carreira pela frente. Seus filmes seguintes fracassaram, seu casamento acabou e as ofertas de trabalho desaparecerem. 

Precisando de dinheiro, Keith aceita um emprego como professor em uma pequena universidade. A princípio pensando apenas no dinheiro e se envolvendo com uma aluna (Bella Heathcote), Keith não dá a mínima para o trabalho. Após alguns percalços no novo emprego, ele percebe que a vida de professor também poder ser algo interessante. 

Esta simpática comédia que explora a clássica premissa do recomeço, com certeza seria um grande sucesso se tivesse sido produzida nos anos noventa. O galã Hugh Grant ainda não teria cabelos grisalhos e o sorriso de Marisa Tomei faria toda a diferença. Mesmo assim, o filme ainda é um bom divertimento. Coadjuvantes competentes como J. K. Simmons, Chris Elliott e Allison Janney ajudam a elevar a qualidade do longa. 

É um filme indicado para quem gosta de uma comédia despretensiosa. 

domingo, 25 de setembro de 2016

Assalto ao Poder

Assalto ao Poder (Marauders, EUA, 2016) – Nota 5,5
Direção – Steven C. Miller
Elenco – Christopher Meloni, Bruce Willis, Dave Bautista, Adrian Grenier, Johnathon Schaech, Lydia Hull, Ryan O’Nan.

Os primeiros trinta minutos passam a impressão de que veremos um ótimo filme policial. Em duas boas sequências, um grupo de ladrões mascarados assaltam agências bancárias que pertencem ao milionário Hubert (Bruce Willis). O agente do FBI Montgomery (Christopher Meloni) lidera a investigação e desconfia de um grupo de policiais comandados por Mims (Johnathon Schaech). 

Esta ótima premissa é jogada na lata de lixo conforme a trama avança. A tentativa do roteiro em criar reviravoltas transforma a história numa enorme confusão, repleta de furos e com um final absurdo que chega a ser constrangedor. 

Nos últimos anos o astro Bruce Willis emendou uma série de filmes policiais ruins. Entre suas poucos acertos estão a ficção “Looper” e os dois primeiros “Os Mercenários”. 

O resultado aqui é uma perda de tempo para o espectador, até mesmo para os fãs do gênero. 

sábado, 24 de setembro de 2016

Elvis & Nixon

Elvis & Nixon (Elvis & Nixon, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Liza Johnson
Elenco – Michael Shannon, Kevin Spacey, Alex Pettyfer, Johnny Knoxville, Colin Hanks, Evan Peters, Sky Ferreira.

Dias antes do Natal de 1970, o rei do rock Elvis Presley (Michael Shannon) se mostra chateado com os protestos contra o governo por causa da Guerra do Vietnã e com o envolvimento dos jovens com drogas. 

Ele decide visitar o então presidente americano Richard Nixon (Kevin Spacey) para oferecer seu apoio e solicitar ser nomeado “agente federal”. Elvis quer se infiltrar em grupos contrários aos governo, para se tornar uma espécie de informante. 

Esta história maluca é baseada num encontro real ocorrido entre Elvis e Nixon que ficou registrado em uma famosa foto que é a mais procurada no Arquivo Nacional Americano. 

A grande sacada do roteiro é tirar um sarro de dois dos maiores ícones da história americana se aproveitando de um encontro que até hoje ninguém sabe ao certo porque ocorreu. 

As risadas são consequências naturais dos divertidos diálogos e das ótimas interpretações de Michael Shannon e Kevin Spacey. A sequência da reunião no salão oval é impagável, a conversa é surreal. 

Em menos de uma hora e meia, o espectador que gosta de fatos históricos e de uma comédia inteligente, vai se divertir com um dos encontros mais bizarros da história do cinema. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Daniel & A Traição do Falcão


Daniel (Daniel, EUA, 1983) – Nota 6
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Timothy Hutton, Mandy Patinkin, Lindsay Crouse, Edward Asner, Amanda Plummer, Ian Mitchell Smith, Jena Greco, Ellen Barkin, John Rubinstein, Tovah Feldshuh, Julie Bovasso.

Em meados dos anos sessenta, Daniel Isaacson (Timothy Hutton) tenta levar uma vida normal ao lado da esposa (Ellen Barkin) e da filha bebê, mas sofre pelas crises de sua irmã Susan (Amanda Plummer), que não conseguiu superar a morte dos pais que foram executados acusados de serem espiões da União Soviética. Tentando compreender o que realmente aconteceu, Daniel decide investigar o passado para chegar a uma conclusão da culpa ou não de seus pais. 

Em paralelo, o roteiro volta para o final dos anos quarenta, quando Paul Isaacson (Mandy Patinkin) e sua esposa Rochelle (Lindsay Crouse) são membros ativos do partido comunista. Após o casal ser preso, os então adolescentes Daniel (Ilan Mitchell Smith) e Susan (Jena Greco) são obrigados a viverem com outras pessoas e sofrem à espera da volta dos pais, o que nunca aconteceu. 

Baseado em um livro de ficção de E. L. Doctorow, que por sua vez utilizou como inspiração a história real do casal Julius e Ethel Rosenberg, este longa do grande Sidney Lumet é um dos seus trabalhos mais frios. Assim como a história real dos Rosenberg que até hoje é nebulosa, o livro adaptado aqui sofre por deixar muita coisa no ar. 

As atitudes do casal Isaacson chegam a ser fantasiosas, inclusive suas escolhas de defesa, sendo que pouca coisa é explicada sobre o crime que eles teriam cometido. O ponto principal é o sofrimento dos filhos, que se tornaram vítimas da ideologia dos pais. A busca pela verdade do personagem de Timothy Hutton é muito filosófica em alguns momentos, com diálogos teatrais que não convencem. É uma pena, a polêmica história real tinha potencial para render um filme muito melhor.  

A Traição do Falcão (The Falcon and the Snowman, EUA / Inglaterra, 1985) – Nota 7
Direção – John Schlesinger
Elenco – Timothy Hutton, Sean Penn, Pat Hingle, Lori Singer, David Suchet, Dorian Harewood, Richard Dysart, Chris Makepeace.

Em meados dos anos sessenta, Christopher Boyce (Timothy Hutton) abandona a universidade para trabalhar na CIA através de uma indicação de seu pai (Pat Hingle), um agente aposentado do FBI. Christopher é colocado em um departamento responsável por mensagens secretas. Lendo o conteúdo destas mensagens, ele fica inconformado ao descobrir o envolvimento da CIA em conspirações internacionais, derrubadas de governo e eleições em outros países. O caso “Watergate” é outro combustível que alimenta a insatisfação de Christopher. 

Ele decide procurar ajuda de um amigo de infância, o hoje traficante Daulton Lee (Sean Lee), que tem contatos no México e que consegue se aproximar de um diplomata soviético (David Suchet) para tentar vender as mensagens secretas. 

Baseado em uma história real, este competente longa de espionagem fracassou nas bilheterias, muito provavelmente pelo tema espinhoso que mexia em segredos sujos do governo americano. 

O falecido diretor inglês John Schlesinger não acertava a mão desde o ótimo “Maratona da Morte” de 1976. Aqui, apesar do fracasso, este é com certeza seu melhor filme da última fase da carreira. 

Os destaques aqui ficam para a dupla principal, com a curiosidade de que Timothy Hutton era o mais promissor, porém Sean Penn foi quem se tornou um grande astro, até mesmo como diretor. Hutton faz uma carreira digna, mas jamais chegou perto do que o inicio da carreira demonstrava. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

This Is England 90

This Is England ’90 (This Is England ’90, Inglaterra, 2015) – Nota 8
Direção – Shane Meadows
Elenco – Joseph Gilgun, Vicky McClure, Thomas Turgoose, Chanel Cresswell, Stephen Graham, Andrew Shim, Michael Socha, Andrew Ellis, Jo Hartley, Rosamund Hanson.

Após um longa que se passava em 1983 e duas minisséries com histórias em 1986 e 1988, o diretor e roteirista Shane Meadows voltou à franquia “This Is England” mostrando a vida dos personagens em 1990. É uma série que para melhor ser entendida, o ideal seria assistir os trabalhos anteriores. 

Resumindo, a saga escrita por Meadows segue um grupo de amigos que na adolescência eram punks e que após enfrentarem traumas pessoais, problemas de relacionamento e violência, são obrigados a enfrentar o mundo dos adultos. 

O roteiro foca em algumas histórias. Temos o casal Woody (Joseph Gilgun) e Lol (Vicky McClure) que se preparam para casar após enfrentarem uma grande crise. Além disso, Lol decide contar um segredo que afetará a vida de sua irmã Kelly (Chanel Cresswell). O garoto Shaun (Thomas Turgoose) tenta retornar para universidade, enquanto Milky (Andrew Shim) não se conforma em saber que seu inimigo Combo (Stephen Graham), que era racista, está para sair da cadeia e se diz arrependido de seus erros. 

Para quem tiver a oportunidade de assistir desde o início, se surpreenderá com a força e ao mesmo tempo com a sensibilidade como é mostrada vida destes personagens em meio aos problemas dos anos oitenta na Inglaterra. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Nada a Perder

Nada a Perder (American Heart, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – Martin Bell
Elenco – Jeff Bridges, Edward Furlong, Lucinda Jenney, Don Harvey.

Após cumprir pena por roubo, Jack (Jeff Bridges) deseja retomar a vida ao lado do filho adolescente Nick (Edward Furlong). Ele consegue um emprego como limpador de janelas e se envolve com Charlotte (Lucinda Jenney), com quem trocava correspondência enquanto estava preso. 

Mesmo com pouco dinheiro, Jack não aceita a proposta de um ex-parceiro (Don Harvey) para voltar ao crime. O garoto Nick sonha em ter uma vida melhor e ir para o Alasca com o pai, mas enquanto a oportunidade não chega, ele vive pelas ruas de Seattle com outros garotos sem rumo. 

O roteiro explora a clássica história do sujeito que tenta mudar de vida, mas que sofre por não conseguir corrigir os erros do passado e principalmente se torna vítima das circunstâncias. A trama é previsível, quem conhece o gênero descobrirá rapidamente o final. 

A curiosidade fica para o elenco, com Jeff Bridges passando dignidade no papel do assaltante arrependido e o então promissor Edward Furlong dando conta do recado como seu filho. 

Apesar de continuar na ativa, Edward Furlong não conseguiu se firmar na carreira e também enfrentou problemas com drogas.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O Escapista

O Escapista (The Escapist, Inglaterra / Irlanda, 2008) – Nota 7
Direção – Rupert Wyatt
Elenco – Brian Cox, Joseph Fiennes, Liam Cunnigham, Seu Jorge, Damian Lewis, Dominic Cooper, Steven Mackintosh, Ned Dennehy.

Condenado a catorze anos, Frank Perry (Brian Cox) cumpre pena em um violento presídio em Londres. Ao receber uma carta em que alguém avisa que sua filha está entregue às drogas, Frank decide armar um plano para fugir do local. 

Com ajuda de três bandidos veteranos (Joseph Fiennes, Liam Cunningham e Seu Jorge), Frank elabora uma forma de fugir através dos tubos de ventilação escondidos na lavanderia, mas precisa ainda se manter longe do drogado Tony (Steven Mackintosh), que é irmão do bandido que domina a prisão (Damian Lewis) e que persegue o jovem Lacey (Dominic Cooper), companheiro de cela de Frank. 

O roteiro explora a clássica história das fugas de penitenciárias, unindo detentos com habilidades específicas e um líder que pensa em todos os detalhes. 

O filme se divide em duas narrativas, com uma delas mostrando a preparação da fuga e a outra seguindo a correria dos presos tentando superar os obstáculos para alcançar a liberdade. Este vai e vem da trama é bem elaborado, prendendo a atenção até a surpresa na sequência final. 

O destaque do elenco fica para o veterano Brian Cox, que geralmente interpreta o vilão e que aqui é o anti-herói. 

Outra curiosidade é a participação do brasileiro Seu Jorge, que mesmo não sendo grande ator, é um sujeito de boa presença, que poderia explorar um pouco mais sua carreira no cinema.  

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Zulu, Área de Risco & Zona de Perigo


Zulu (Zulu, França / África do Sul, 2013) – Nota 6
Direção – Jerome Salle
Elenco – Orlando Bloom, Forest Whitaker, Conrad Kemp, Inge Beckmann.

Cidade do Cabo, África do Sul. Uma jovem branca é encontrada assassinada por espancamento. A jovem é filha de uma famoso jogador de rugby. Ao investigar o caso, o detetive Ali Sokhela (Forest Whitaker) e seus parceiros Brian Epkeen (Orlando Bloom) e Dan Fletcher (Conrad Kemp) cruzam o caminho de uma violenta gangue de traficantes que está colocando no mercado uma nova droga que pode levar o usuário a loucura. 

Explorando clichês dos filmes policiais americanos, como o policial incorruptível, o detetive rebelde e beberrão, vilões cruéis e muita violência, este longa rodado na África do Sul ao mesmo tempo prende a atenção do espectador pelo ritmo da narrativa, mas falha ao apresentar um roteiro cheio de furos, além de uma exagerada vingança na parte final. 

É estranho ver Orlando Bloom fazendo papel de policial durão, enquanto Forest Whitaker parece interpretar o papel do traumatizado policial descendentes de Zulus apenas por uma questão étnica. 

Vale a sessão para quem curte o gênero policial e deseja ver locações diferentes, várias delas em locais pobres e violentos da Cidade do Cabo. 

Área de Risco (Dangerous Ground, EUA / África do Sul, 1997) – Nota 5,5
Direção – Darrell James Roodt
Elenco – Ice Cube, Elizabeth Hurley, Ving Rhames.

Após doze anos vivendo nos Estados Unidos, Vusi Madlazi (Ice Cube) volta para Joanesburgo na África do Sul em busca do irmão caçula que desapareceu. Mesmo com o fim da Apartheid, o país ainda é um local violento, com uma feroz divisão de classes e com algumas regiões tomadas por gangues.

Aparentemente, seu irmão desapareceu por estar envolvido com uma gangue. A única pista que Vusi encontra é a relação do jovem com uma prostituta (Elizabeth Hurley). 

O diretor sul-africano Darrell James Roodt é especialista em filmes de ação, mostrando competência nas sequências de tiroteio e violência. O problema é que a trama é previsível e os personagens caricatos, inclusive o vilão interpretado por Ving Rhames. A curiosidade são as locações nos bairros pobres de Joanesburgo.

Zona de Perigo (Danger Zone, Canadá / África do Sul / EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Allan Eastman
Elenco – Billy Zane, Ron Silver, Robert Downey Jr, Cary Hiroyuki Tagawa, Lisa Collins.

Em um país fictício da África, o engenheiro Rick Morgan (Billy Zane) entra em conflito com seu amigo Jim Scott (Robert Downey Jr) que deseja despejar lixo tóxico na região. Durante a discussão, surge uma grupo de homens armados que rouba o lixo e assassina algumas pessoas. Ricky sobrevive, mas volta para os Estados Unidos. 

Algum tempo depois, ele é procurado por um empresário (Ron Silver) que oferece a chance de recuperar o lixo tóxico e assim aparentemente ajudar pessoas que poderiam ser contaminadas. O que o engenheiro não imagina é que está se envolvendo numa conspiração política. 

É basicamente um filme B de ação, que apresenta um roteiro que explora uma conspiração internacional repleta de clichês e muita violência. Na época, foi uma tentativa falha de emplacar o ator Billy Zane como astro de ação, ele que no mesmo ano protagonizou a fracassada adaptação de “O Fantasma”. Outro detalhe a se destacar é a participação de Robert Downey Jr, desperdiçado em um papel bem abaixo do seu talento.  

domingo, 18 de setembro de 2016

River

River (River, Inglaterra, 2015) – Nota 8
Direção – Tim Fywell, Jessica Hobbs & Richard Laxton
Elenco – Stellan Skarsgard, Nicola Walker, Lesley Manville, Eddie Marsan, Adeel Akhtar, Owen Teale, Georgina Rich, Turlough Convery.

John River (Stellan Skarsgard) é um solitário detetive da polícia inglesa que entra em crise após o assassinato de sua parceira Jackie (Nicola Walker). 

Na metade do primeiro episódio, o espectador descobre que River conversa com os mortos. Ele não vê fantasmas, na verdade são manifestações criadas por sua própria mente. É como se o sujeito se desligasse do mundo para conversar consigo mesmo, fato que causa momentos constrangedores em sua vida. 

Com o apoio de sua chefe (Lesley Manville) e de um novo parceiro (Adeel Akhtar), River se aprofunda na investigação para descobrir quem matou Jackie e o porque do crime. 

Esta minissérie em seis capítulos explora a “loucura” do protagonista de uma forma curiosa, utilizando a conversa dele com seus fantasmas para contar segredos, frustrações e medos, como se fosse uma terapia de choque. 

Um dos fantasmas é vivido por Eddie Marsan, que é basicamente o lado negro da personalidade de River que vem à tona para atormentá-lo. 

Além da sensibilidade das relações, a trama policial por trás do assassinato também é interessante, prendendo a atenção até o episódio final. 

Vale destacar a ótima interpretação de Stellan Skarsgard, que dá vida a uma personagem complexo. 

sábado, 17 de setembro de 2016

Idiocracia

Idiocracia (Idiocracy, EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – Mike Judge
Elenco – Luke Wilson, Maya Rudolph, Dax Shepard, Terry Crew, Justin Long.

O soldado Joe Bauers (Luke Wilson) é um sujeito comum que trabalha no arquivo do exército. Por ser um cara ordinário, ele é escolhido para ser cobaia de um experimento secreto. Ele é colocado em uma câmara de hibernação, ao lado de uma outra em que a cobaia é uma prostituta (Maya Rudolph). 

O experimento é deixado de lado e o casal é esquecido hibernando durante quinhentos anos. Um pequeno desastre acorda Joe, que descobre estar num novo mundo ainda mais idiota que o atual, onde ele se torna o sujeito mais inteligente do mundo. Sua inteligência chama atenção do Presidente Camacho (Terry Crews), que vê no sujeito a chance de resolver os problemas do mundo. 

A premissa é bem interessante, tirar um sarro da estupidez humana, mostrando que o mundo pode ficar ainda pior. O problema é que o diretor e roteirista Mike Judge exagera na dose, ele transforma o que poderia ser uma comédia escrachada, em um festival de besteiras e piadas adolescentes, que funcionavam na animação “Beavis and Butt-Head”, a qual ele foi criador, mas que perde a graça ao ser transportada para o cinema. 

Algumas críticas são engraçadas e inteligentes, como a sequência do hospital ou a utilização de uma estranho refrigerante verde no lugar da água, mas no geral é um filme indicado apenas quem curte besteirol adolescente.  

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Perdão de Sangue

Perdão de Sangue (The Forgiveness of Blood, EUA / Albânia / Dinamarca / Itália, 2011) – Nota 7,5
Direção – Joshua Marston
Elenco – Tristan Halilaj, Refet Abazi, Sindi Lacej, Kol Zefi.

Em uma pequena cidade no interior da Albânia, Mark (Refet Abazi) entra em conflito com um antigo inimigo e o sujeito acaba assassinado. Mark foge, enquanto seu tio que também participou da briga termina preso. 

Os moradores da região seguem um antigo código de ética conhecido com Kanun, que dá direito de vingança à família da vítima. Enquanto estes familiares não concederem perdão, os homens da família de Mark são obrigados a ficarem dentro de casa para respeitar o luto e evitar uma vingança. 

O fato transforma a vida da família. O filho mais velho Nik (Tristan Halilaj) não se conforma com a situação, enquanto sua irmã Rudina (Sindi Lacej) é obrigada a tomar o lugar do pai na venda de pães que ele fazia diariamente percorrendo a região. Até mesmo duas crianças menores são mantidas dentro da casa, enquanto a mãe volta a trabalhar, mas nada pode fazer para mudar a situação. 

O diretor Joshua Marston volta a se aventurar em tema específico, que foge do lugar comum. Semelhante ao competente “Maria Cheia de Graça”, aqui temos como protagonistas adolescentes que precisam enfrentar uma situação terrível por causa de erros dos pais ou de adultos próximos. 

O roteiro escrito por Marston em parceria com o albanês Andamion Murataj, detalha o beco sem saída para onde estes jovens foram jogados, além de mostrar como um código arcaico que lembra o “olho por olho, dente por dente” ainda sobrevive num mundo em que as pessoas tem acesso a celulares, computadores e games. Esse abismo entre passado e presente se torna inaceitável para o casal de irmãos. 

É uma história bem diferente, com um narrativa lenta, sem trilha sonora e que faz pensar porque o ser humano ainda se prende a regras absurdas impostas por religiões ou tradições ultrapassadas.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Almas Gêmeas

Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, Nova Zelândia / Alemanha, 1994) – Nota 7
Direção – Peter Jackson
Elenco – Melanie Lynskey, Kate Winslet, Sarah Peirse, Diana Kent, Clive Merrison, Simon O’Connor.

Nova Zelândia, meados dos anos cinquenta. Pauline (Melanie Lynskey) é uma garota tímida de uma família de classe média. A inglesa Juliet (Kate Winslet) é filha de um professor universitário e de uma madame. 

As duas garotas aparentemente diferentes, criam um laço de amizade baseada em um conto de fadas que elas mesmas estão escrevendo. A amizade fica cada dia mais forte, causando desconforto nos pais e revolta nas garotas quando elas descobrem que podem ser separadas. 

Baseado numa trágica história real, este longa dirigido por Peter Jackson flerta com a fantasia, estilo em que o diretor se tornou especialista. A história criada pelas garotas é encenada em várias sequências, algumas com bonecos de massinha gigantes e outras em campos floridos e castelos, sempre beirando a loucura. 

A sequência mais interessante para o cinéfilo começa com as garotas saindo do cinema após assistirem ao clássico “O Terceiro Homem” e correndo pelo cidade como se estivessem sendo perseguidas pelo personagem de Orson Welles. 

Por outro lado, esta escolha de fantasiar a história utilizando os textos do verdadeiro diário de Pauline, cansa em alguns momentos. 

Vale destacar as ótimas atuações das então adolescentes Melanie Lynskey e Kate Winslet. 

É um filme que vale como curiosidade, principalmente para os fãs do diretor.