sábado, 16 de dezembro de 2017

Um Refúgio

Um Refúgio (The Keeping Room, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Daniel Barber
Elenco – Brit Marling, Hailee Steinfeld, Muna Otaru, Sam Worthington, Kyle Soller, Ned Dennehy, Amy Nutall, Nicholas Pinnock.

Sul dos Estados Unidos, 1865, final da Guerra da Secessão. Em uma fazenda, as irmãs Augusta (Brit Marling) e Louise (Hailee Steinfeld) vivem isoladas com a escrava Mad (Muna Otaru) e com poucas de esperanças de que pai e irmão voltem do campo de batalha. 

Quando Augusta vai até uma cidade próxima para procurar medicamentos para a irmã, dois violentos soldados confederados (Sam Worthington e Kyle Soller) decidem seguir seu rastro de volta até a fazenda. 

O roteiro explora uma história extremamente simples sobre como as mulheres foram obrigadas a fazer o trabalho dos homens enquanto estes foram lutar na guerra e acabaram derrotados. Além do trabalho pesado, elas precisavam se defender, pois muitas foram brutalmente atacadas e mortas pelos inimigos. 

Infelizmente a trama se mostra previsível e a narrativa arrastada. Alguns diálogos como a conversa final entre Augusta e um dos soldados tentam ser filosóficos, mas na verdade são vazios e inverossímeis. 

É um filme razoável e totalmente esquecível. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A Grande Esperança Branca

A Grande Esperança Branca (The Great White Hope, EUA, 1970) – Nota 6
Direção – Martin Ritt
Elenco – James Earl Jones, Jane Alexander, Lou Gilbert, Joel Fluellen, Robert Webber, R. G. Armstrong, Hal Holbrook, Moses Gunn.

No início do século XX, Jack Jefferson (James Earl Jones) se torna o primeiro boxeador negro campeão do mundo. O forte racismo da época nos Estados Unidos o transformou em alvo das autoridades que viam o sucesso de Jefferson como um exemplo que não deveria existir para a população negra. 

Para derrubá-lo, um promotor (Hal Holbrook) e um agente do FBI (Robert Webber) utilizam uma lei para acusá-lo de se aproveitar de uma jovem branca (Jane Alexander), que na verdade era sua própria noiva. 

Inspirado na vida real do boxeador, este longa tem como destaques a triste história de perseguição sofrida pelo protagonista e a presença de James Earl Jones interpretando um sujeito ao mesmo tempo inteligente e complicado. 

Infelizmente o formato do filme envelheceu bastante. As cenas dramáticas são teatrais, a passagem do tempo extremamente confusa, além da única cena de luta no final ser fraca. 

Vale citar que as críticas sociais marcaram a filmografia do diretor Martin Ritt, que entregou trabalhos bem melhores do gênero como “Norma Rae” e “Conrack”.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Leviatã

Leviatã (Leviafan, Rússia, 2014) – Nota 7,5
Direção – Andrey Zvyagintsev
Elenco – Aleksey Serebryakov, Elena Lyadova, Vladimir Vdovichenkov, Roman Madyanov, Aleksey Rozin, Sergey Pokhodaev.

Numa decadente cidade litorânea da Rússia, Nikolay (Aleksey Serebryakov) luta contra o prefeito corrupto (Roman Madyanov) para impedir que sua casa seja desapropriada.

Ele recebe ajuda de um amigo advogado (Vladimir Vdovichenkov) que vive em Moscou e que tenta reverter a decisão da prefeitura na justiça local. 

A dificuldade em enfrentar a burocracia da justiça, seu casamento desgastado com Lilya (Elena Lyadova) e a relação complicada com o filho adolescente (Sergey Pokhodaev) levam Nikolay a um caminho sem saída. 

Este doloroso drama sobre a destruição de uma família desnuda o lado obscuro da sociedade russa. A corrupção entranhada no serviço público, a violência dos corruptos, a falta de perspectivas de vida em uma cidade menor e a bebida como válvula de escape são os ingredientes principais desse triste mundo. 

A história pesada pode não agradar a muitos, assim como a duração um pouco longa (duas horas e vinte minutos) e a narrativa em ritmo lento. 

É um filme indicado para quem gosta de dramas fortes que misturam crise familiar e crítica social. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas (Don’t Breathe, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Fede Alvarez
Elenco – Stephen Lang, Jane Levy, Dylan Minnette, Daniel Zovatto.

Os jovens Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) são ladrões que invadem casas de luxo enquanto os proprietários estão fora. 

A chance de roubar uma alta quantia surge quando Money descobre que um veterano de guerra (Stephen Lang) recebeu uma indenização pela morte da filha em um acidente automobilístico. 

O homem mora em um decadente bairro em que as casas ao redor estão vazias. Ao perceberem que o sujeito é cego, os jovens acreditam que será fácil entrar e sair do local. Eles não imaginam o inferno que enfrentarão. 

O diretor uruguaio Fede Alvarez estreou no cinema americano com a sangrenta e desnecessária refilmagem de “A Morte do Demônio” de Sam Raimi. Neste novo trabalho, Alvarez acerta mão no suspense, na violência e até na trama. Muito do acerto deve ser creditado ao diretor Sam Raimi, que aqui é o produtor. 

A ideia de transformar a casa em uma armadilha, explorando todos os cômodos para criar as cenas de suspense lembram bastante o original “A Morte do Demônio” e sua sequência “Uma Noite Alucinante”, com a diferença que naqueles filmes o “mal” era fruto de uma entidade, enquanto aqui a violência é totalmente humana. 

É um filme com uma violência que incomodará o espectador comum e que ao mesmo tempo agradará os fãs do gênero.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Rememory

Rememory (Rememory, Canadá / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Mark Palansky
Elenco – Peter Dinklage, Julia Ormond, Martin Donovan, Anton Yelchin, Matt Ellis, Evelyne Brochu, Henry Ian Cusick, Chad Krowchuk.

Em um acidente de automóvel, o modelista Sam Bloom (Peter Dinklage) perde seu irmão (Matt Ellis). Algum tempo depois, Sam assiste uma palestra do psiquiatra Gordon Dunn (Martin Donovan), que criou um aparelho que consegue mapear e gravar as memórias das pessoas. 

Antes do revolucionário aparelho ser lançado, Gordon morre de forma suspeita. Uma determinada situação faz com que Sam roube o aparelho e decida investigar o que realmente aconteceu com Gordon. Ele sai a procura das pessoas que participaram dos testes do psiquiatra, além de se envolver com a mulher do falecido (Julia Ormond). 

Além da trama de suspense e os toques de ficção, a proposta do roteiro é colocar em discussão até que ponto nossas memórias são verdadeiras e como elas afetam nossa vida atual. Teóricamente o aparelho criado pelo personagem seria uma ferramenta para ajudar as pessoas a superarem seus traumas, porém ele não imaginava os efeitos colaterais de reviver essas memórias. 

Vale destacar a boa atuação de Peter Dinklage e a participação de Anton Yelchin em um dos seus últimos trabalhos. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

As Horas Finais & Os Últimos na Terra


As Horas Finais (These Final Hours, Austrália, 2013) – Nota 7
Direção – Zak Hilditch
Elenco – Nathan Phillips, Angourie Rice, Jessica De Gow, Kathryn Beck, Daniel Henshall.

O sol se aproximou da Terra e destruiu parte do planeta. Faltando doze horas para a destruição chegar na região de Perth na Austrália, James (Nathan Phillips) abandona a namorada para aproveitar a última noite de vida em uma festa regada a sexo, bebidas e drogas. 

Ao atravessar a cidade, James testemunha eventos violentos e absurdos, até que cruza o caminho da garotinha Rose (Angourie Rice), que foi sequestrada por dois malucos. Ele resgata a menina, que deseja encontrar o pai antes do mundo acabar. É a chance de James fazer algo positivo no final da vida. 

O clima apocalíptico é potencializado pelo sinistra trilha sonora que acompanha a jornada do relutante protagonista em busca de uma espécie de redenção. Os absurdos cometidos pelos vários personagens que cruzam a tela são um exemplo do que as pessoas desesperadas fariam caso o mundo estivesse realmente para acabar. 

É basicamente um filme B que mistura drama e violência, além de explorar o exagero comum das produções australianas. Uma interessante opção para quem curte o gênero.

Os Últimos na Terra (Z For Zachariah, Islândia / Suiça / EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Craig Zobel
Elenco – Chiwetel Ejiofor, Margot Robbie, Chris Pine.

Após uma tragédia nuclear, o planeta entra em colapso. Sem explicação, Ann (Margot Robbie) sobreviveu sem que a radiação chegasse a um vale onde fica a casa de sua família, um pequeno mercado e uma capela. Sua solidão termina quando chega a região o cientista John (Chiwetel Ejiofor), que utilizou uma traje parecido com de um astronauta para se proteger da radiação. 

As enormes diferenciais entre os dois não atrapalham a vontade de tentar a seguir a vida. A situação fica estranha quando surge um terceiro sobrevivente. Caleb (Chris Pine) chega para modificar o pequeno mundo criado por Ann e John. 

A premissa de explorar a vida de poucos sobreviventes após uma catástrofe mundial já foi explorada diversas vezes pelo cinema, mas não deixa de ser algo intrigante. Infelizmente este ponto de partida não se desenvolve da melhor forma neste longa.

O roteiro não se preocupa em dar detalhes sobre o ocorrido, seu foco está na relação entre os três personagens, criando uma trama previsível voltada para o drama. O filme ganha alguns pontos pelas belíssimas locações, principalmente pelas cenas na pequena cachoeira. 

Finalizando, o “Z de Zacaria” do título original faz referência a um livro chamado “A de Adão” de uma coleção do alfabeto da bíblia que a personagem de Margot Robbie tem entre seus livros religiosos. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Marcas do Passado

Marcas do Passado (Aloft, Espanha / Canadá / França, 2014) – Nota 6
Direção – Claudia Llosa
Elenco – Jennifer Connelly, Cilian Murphy, Mélanie Laurent, Peter McRobbie, William Shimell.

Na sequência inicial, Nana (Jennifer Connelly) segue com seus dois filhos pequenos para uma região gelada e isolada no norte do Canadá. Um dos filhos de Nana está doente. O objetivo é encontrar um sujeito conhecido como o Arquiteto (William Shimell), que aparentemente tem poderes de cura. 

Vinte anos depois, Ivan (Cillian Murphy), que é um dos filhos de Nana, recebe a visita da jornalista Jannia (Mélanie Laurent) que deseja informações sobre a mulher. Afastado há anos da mãe, Ivan aceita acompanhar Jannia na busca por Nana. 

O roteiro intercala as duas narrativas como se fosse um quebra-cabeças que explica o porquê do afastamento entre mãe e filho. Ele explora ainda a questão da fé em momentos de desespero e como as pessoas se apegam ao curandeirismo em busca de um milagre. 

Apesar da premissa interessante e das belas locações na região gelada do Canadá, o longa perde pontos por causa da narrativa lenta e não se aprofunda no drama familiar. O final sem respostas tenta dar um ar de cult ao filme, mas não convence.

sábado, 9 de dezembro de 2017

A Informante

A Informante (The Whistleblower, Canadá / Alemanha, 2010) – Nota 7,5
Direção – Larysa Kondracki
Elenco – Rachel Weisz, Vanessa Redgrave, David Straithairn, Monica Bellucci, Nikolaj Lie Kaas, Roxana Condurache, Benedict Cumberbatch, David Hewlett, William Hope.

Lincoln, Nebraska, 1999. A policial Kathryn Bolkovac (Rachel Weisz) tenta sem sucesso conseguir uma transferência para a cidade onde seus filhos foram morar com o ex-marido. 

Precisando de dinheiro, ela se inscreve em um programa para trabalhar como agente das Nações Unidas na Bósnia, país que ainda tentava se recuperar após a Guerra dos Balcãs que destruiu a região nos anos noventa. 

Com a missão de auxiliar a polícia local, rapidamente Kathryn percebe que muitos policiais bósnios são corruptos. Quando ela decide ajudar duas garotas russas que fugiram de uma casa de prostituição que escravizava imigrantes, descobre estar diante de uma complexa rede de tráfico humano. 

Baseado em uma história real, este longa foca no tema tabu do tráfico de garotas, que infelizmente deve ser muito maior do que imaginamos. Assim como o tráfico de drogas e o contrabando, esse “ramo” do crime envolve pessoas poderosas e muito dinheiro. 

A investigação da protagonista é sabotada de todas as formas possíveis, o que transforma o longa em um suspense com bastante tensão, além de incluir cenas fortes de violência. 

Vale destacar ainda o roteiro muito bem amarrado, que não apela para heroísmos e que cria situações possíveis. 

É um bom filme sobre uma situação de absurda crueldade.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Duelo em Diablo Canyon, A Última Carroça & A Hora da Pistola


Duelo em Diablo Canyon (Duel at Diablo, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Ralph Nelson
Elenco – James Garner, Sidney Poitier, Bibi Andersson, Dennis Weaver, Bill Travers, William Redfield, Ralph Nelson, John Hoyt.

Em território apache, Jess Remsberg (James Garner) consegue salvar a jovem Ellen Grange (Bibi Andersson) que estava sendo perseguida pelos índios e a leva para uma cidade próxima. O objetivo de Jess é encontrar o assassino de sua esposa que era uma índia comanche. Antes de chegar ao assassino, Jess é contratado pelo tenente McAllister (Bill Travers) para escoltar um batalhão de soldados em busca do chefe apache Chata. Com ajuda do domador de cavalos Toller (Sidney Poitier), o grupo segue na caça aos índios. 

Com uma trama clássica do gênero que explora vingança, ódio, preconceito entre brancos e índios, além de ótimas sequências de ação, este competente western prende a atenção do início ao fim. Além dos ótimos James Garner e Sidney Poitier, vale destacar a curiosa presença da sueca Bibi Andersson, famosa por seus trabalhos com Ingmar Bergman. 

A Última Carroça (The Last Wagon, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Delmer Daves
Elenco – Richard Widmark, Felicia Farr, Tommy Rettig, Susan Kohner, George Matthews, Douglas Kennedy, James Drury.

Comanche Todd (Richard Widmark) é um homem branco que foi criado pelos comanches e que está sendo acusado de assassinar três sujeitos. Capturado pelo xerife (George Matthews) e sendo levado de trem para ser enforcado, o destino termina por salvar Comanche Todd. Um ataque dos apaches mata várias pessoas no local, mas Todd sobrevive. Mesmo sendo considerado um assassino, sua experiência se torna a única chance de sobrevivência para um grupo de colonos. 

O roteiro mescla com competência as ótimas cenas de ação com uma história sobre ódio e preconceito. O protagonista é odiado pelos brancos, culpado por ter vivido como comanche, porém ao longo da história os demais personagens descobrem o verdadeiro caráter do sujeito. A trama é valorizada pela interpretação do sempre sisudo Richard Widmark, um dos grandes atores dos anos cinquenta e sessenta. 

A Hora da Pistola (Hour of the Gun, EUA, 1967) – Nota 7
Direção – John Sturges
Elenco – James Garner, Jason Robards, Robert Ryan, Albert Salmi, Jon Voight.

Este curioso western tem como cena inicial o famoso tiroteio no OK Curral em que Doc Holliday (Jason Robards), Wyatt Earp (James Garner) e seus irmãos enfrentam a família Clanton liderada pelo patriarca Ike (Robert Ryan). Esta clássica sequência foi o clímax dos filmes “Paixão dos Fortes” e “Sem Lei e Sem Alma”. Aqui o tiroteio é a premissa, a proposta do roteiro é mostrar os fatos seguintes ao conflito. A vingança dos Clantons que sobreviveram é um destes fatos. É um western competente que utiliza todos os elementos do gênero. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Ghost Story

A Ghost Story (A Ghost Story, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – David Lowery
Elenco – Casey Affleck, Rooney Mara.

Um músico (Casey Affleck) morre em um acidente de automóvel ocorrido em frente de sua própria casa. Enquanto sua esposa (Rooney Mara) sofre com a perda e tenta seguir a vida, o fantasma do marido vaga pela casa tentando se conectar com ela. 

Com efeitos especiais simples e colocando o ator Casey Affleck debaixo de um lençol branco como se fosse um fantasma de uma brincadeira de criança, este longa é quase uma obra experimental. 

Com planos-sequências longos e pouquíssimos diálogos, a primeira impressão é de um filme monótono. O espectador que tiver a paciência para aguentar os extremamente lentos trinta minutos iniciais, vai se surpreender e até se emocionar com a história. 

Não é um filme de terror, a premissa do roteiro é fazer o público pensar sobre a questão do desapego após a morte, tanto das pessoas que ficam, como daquele que se foi. É uma interessante premissa que lembra a doutrina espírita. 

Vale citar ainda a ótima sequência do monólogo maluco de um personagem em uma festa. 

É um filme indicado para quem gosta de obras fora do comum.  

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Theodore Melfi
Elenco – Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monae, Kevin Costner, Kristen Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali, Aldis Hodge, Glen Powell, Kimberly Quinn, Olek Krupa.

Em 1961, o governo americano vivia o auge da disputa pela conquista espacial contra a União Soviética. O país ainda sofria com uma forte divisão racial. Na Nasa não era diferente. Funcionários negros trabalhavam separados dos brancos. 

Neste contexto, as amigas Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monae) eram funcionárias do departamento de cálculos. Com inteligência acima da média, as três amigas são obrigadas a enfrentar o preconceito para mostrar seu talento e tentar crescer na carreira. 

Baseado numa história real, este longa detalha a vida profissional de três mulheres que conseguiram vencer a barreira do racismo e se destacar em meio a um sistema perverso. Ao mesmo tempo em que vemos uma história de superação e sucesso, é possível imaginar quantas outras pessoas também foram importantes no desenvolvimento espacial da Nasa e que hoje estão esquecidas, independente da cor da pele. 

É interessante fazer um paralelo com os dias atuais, não na questão racial, mas quanto a disputa entre funcionários dentro de qualquer empresa. A questão mostrada aqui com o personagem de Jim Parsons que prefere não dividir seus conhecimentos com a de Taraji P. Henson, infelizmente ainda é fato comum. Geralmente quem está em uma posição superior na hierarquia não gosta de passar conhecimentos para quem está abaixo com medo de perder seu cargo no futuro. 

O resultado é um bom filme com uma história que merece ser conhecida. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Velozes e Furiosos 8

Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious, China / EUA / Japão, 2017) – Nota 5
Direção – F. Gary Gray
Elenco – Vin Diesel, Jason Statham, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Charlize Theron, Kurt Russell, Nathalie Emmanuel, Luke Evans, Elsa Pataky, Kristofer Hivju, Scott Eastwood, Patrick St. Espirit.

Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão vivendo tranquilamente em Havana quando uma desconhecida (Charlize Theron) aborda Dom e o chantageia com algo misterioso. 

Em paralelo, Hobbs (Dwayne Johnson) é enviado pelo agente americano Sr. Ninguém (Kurt Russell) para uma perigosa missão. Hobbs convoca Dom, Letty e toda a equipe, sem imaginar que seria traído. Dom foge com um artefato e abandona Letty e os amigos, que tentarão descobrir o que realmente aconteceu. 

Os dois últimos filmes da série já demonstravam que a fórmula estava desgastada. Este novo filme empurra a série ladeira abaixo em termos de qualidade. A trama é totalmente maluca, com uma vilã megalomaníaca que lembra uma cópia pálida dos piores filmes de 007 e diálogos quase infantis. 

As cenas de ação que até o quinto filme variavam entre perseguições de automóveis e brigas, a partir do sexto se transformaram em sequências absurdas de carros voando, mega explosões e personagens que parecem super heróis. 

A morte terrível de Paul Walker é outro fator que deveria ter encerrado a série, mas a ganância por dinheiro gerou este longa, sem contar que ainda existem rumores para produção de mais dois filmes. Um absurdo tão grande quanto as cenas de ação vistas aqui.  

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Hangman & Busca Sem Limites


Hangman (Hangman, EUA, 2017) – Nota 5
Direção – Johnny Martin
Elenco – Al Pacino, Karl Urban, Brittany Snow, Sarah Shahi, Joe Anderson.

Os números dos distintivos de dois detetives são marcados em uma mesa no local de um assassinato brutal. Ruiney (Karl Urban) e o policial aposentado Archer (Al Pacino) se unem para investigar o caso e descobrir qual a ligação deles com o assassino. Uma jornalista (Brittany Snow) acompanha a dupla na busca pelo criminoso, que comete um novo assassinato por dia, sempre deixando pistas ligadas ao conhecido “Jogo da Forca”.  

É uma pena ver o grande Al Pacino em um filme tão ruim como este. O roteiro é um amontoado de clichês repleto de furos e soluções fáceis. Os diálogos fracos ficam ainda piores com as atuações do canastrão Karl Urban e da fraquinha Brittany Snow. O único ponto positivo é o ritmo da narrativa, que até prende a atenção com sua agilidade. 

O resultado é um filme totalmente descartável.

Busca Sem Limites (Collide, Inglaterra / Alemanha / China, 2016) – Nota 4
Direção – Eran Creevy
Elenco – Nicholas Hoult, Felicity Jones, Anthony Hopkins, Ben Kingsley, Marwan Kenzari.

Em Colônia na Alemanha, o jovem americano Casey (Nicholas Hoult) ganha a vida vendendo drogas para o traficante maluco Geran (Ben Kingsley). Ao conhecer a garçonete Juliette (Felicity Jones), que também é americana, ele se apaixona e decide abandonar o crime. Após algum tempo juntos, uma surpresa desagradável obriga Casey a conseguir dinheiro rapidamente. Ele decide aceitar um novo trabalho de Geran e termina por se envolver numa guerra entre chefões, tendo do lado contrário o milionário Hagen Kahl (Anthony Hopkins). 

As únicas explicações para grandes atores como Ben Kingsley e Anthony Hopkins aceitarem trabalhar num filme tão ruim quanto este é o dinheiro ou alguma obrigação contratual. Além da história ser um amontoado de clichês, os diálogos são constrangedores e as cenas de ação totalmente absurdas. A cereja do bolo surge com a patética reviravolta final. 

É uma bomba para o espectador passar longe.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Enfurecidos

Enfurecidos (Enragés, França / Canadá, 2015) – Nota 7,5
Direção – Eric Hannezo
Elenco – Lambert Wilson, Virginie Ledoyen, Guillaume Gouix, François Arnaud, Franck Gastambide, Laurent Lucas.

Uma quadrilha assalta um banco, algo dá errado e um dos bandidos é baleado e morre. Durante a fuga, os outros três assaltantes levam uma mulher como refém (Virginie Ledoyen) e sequestram um carro dirigido por um pai (Lambert Wilson) que estava indo para o hospital levar a filha para fazer um transplante. É o início de uma viagem infernal pelo interior da França. 

Em 1974, o diretor italiano Mario Bava filmou a mesma história, porém um problema com o produtor fez com o que longa fosse engavetado. Bava morreu em 1980 e seu filme foi resgatado somente nos anos noventa, se transformando em cult. Não assisti ao filme de Bava para comparar e acabei me surpreendendo de forma positiva com esta versão francesa. 

É um filme com uma tensão crescente entre os personagens em fuga dentro do carro e com sequências de violência muito bem filmadas, inclusive as cenas no estranho festival em um vilarejo. Vale destacar ainda a reviravolta na sequência final. Depois da surpresa, fica fácil lembrar das pistas que foram deixadas durante o desenvolvimento da trama. 

O resultado é uma competente mistura de drama e suspense com bastante violência.