sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Excêntrica Família de Antonia

A Excêntrica Família de Antonia (Antonia, Holanda / Bélgica / Inglaterra, 1995) – Nota 7,5
Direção – Marleen Gorris
Elenco – Willeke van Ammelrooy, Els Dottermans, Dora van der Groen, Veerle van Overloop, Jan Decleir, Mil Seghers.

Sem uma data específica, mas provavelmente nos anos cinquenta, a viúva Antonia (Willeke van Ammelrooy) retorna para a pequena vila onde nasceu no interior da Holanda, levando sua jovem filha Danielle (Els Dottermans). 

Mulher de gênio forte e com mentalidade à frente de sua época, Antonia enfrenta o machismo presente no local e acolhe em sua propriedade várias pessoas consideradas descartáveis pelos moradores. 

Um rapaz com atraso mental, uma jovem abusada pelo pai e o irmão, uma prostituta mãe de dois filhos, um ex-padre e um velho senhor intelectual que não sai de casa traumatizado por causa dos horrores que testemunhou durante a Segunda Guerra, se tornam sua família. 

O roteiro seguirá a vida destas pessoas durante algumas décadas, incluindo ainda o crescimento da “família”, tanto pelo nascimento de Therese (Veerle van Overloop na fase adulta), filha de Danielle, uma garota com inteligência acima da média, quanto pelas crianças frutos dos agregados de Antonia. 

Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, o roteiro deste interessante drama foca em vários temas universais, ao mesmo tempo em que os situa na vida aparentemente pacata da pequena vila holandesa. Temos os conflitos familiares, a solidariedade, o preconceito, a violência, a religião, o suicídio e as pequenas mudanças de costumes com o passar do tempo. 

Em meio a tudo isto, o ponto principal é a liberdade de escolha da mulher. Antonia é uma personagem que defende seus ideais sem medo, numa época em isso era incomum. Sua filha Danielle dá um passo a mais com “a produção independente” que resulta em Therese e também no relacionamento com outra mulher. Todos estes fatos são mostrados através de uma narrativa peculiar, num estilo diferente do que estamos acostumados, sem pressa, porém na medida certa do drama. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Closer - Perto Demais

Closer – Perto Demais (Closer, EUA / Inglaterra, 2004) – Nota 7,5
Direção – Mike Nichols
Elenco – Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman, Clive Owen.

Ontem o cinema perdeu o diretor Mike Nichols, responsável pelo clássico "A Primeira Noite de um Homem" e por bons filmes como "Ardil 22", "Silkwood - O Retrato de uma Coragem" e "Jogos do Poder".

Nesta postagem comento seu maior sucesso de crítica dos últimos trinta anos, o drama "Closer - Perto Demais".

Em Londres, Dan (Jude Law) é um jornalista fracassado que escreve obituários. Por acaso, ele cruza o caminho da stripper Alice (Natalie Portman), com quem se envolve. Depois de algum tempo, Dan conhece a fotógrafa Ana (Julia Roberts), com quem também passa se relacionar. Depois de mais algum tempo, Ana é quem se envolve com outra pessoa, o médico Larry (Clive Owen). Mesmo assim, Ana continua se encontrando com Dan. Quando Larry descobre a traição, acaba conhecendo também Alice, criando uma ciranda amorosa e sexual entre os quatro personagens. 

O longa é baseado em uma peça de Patrick Marber, que também escreveu o roteiro e que foca nas relações amorosas entre pessoas comuns. Não existe julgamento, o que vemos são situações reais de relacionamentos complicados entre casais. Discussões, traições e mentiras são escancarados em diálogos diretos e cortantes. 

É um filme que se sustenta pela direção firme de Nichols, pelo roteiro e as interpretações que valeram indicações a prêmios importantes, principalmente para Natalie Portman e Clive Owen.

Quem não se importar com o excesso de diálogos e abraçar a premissa, aproveitará um interessante espetáculo sobre as fraquezas de caráter do ser humano.   

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

7 Caixas

7 Caixas (7 Cajas, Paraguai, 2012) – Nota 8
Direção – Juan Carlos Maneglia & Tana Schembori
Elenco – Celso Franco, Lali Gonzalez, Victor Sosa, Nico Garcia, Paletita, Manu Portillo, Mario Toñanez, Roberto Cardozo, Nelly Davalos.

Este longa paraguaio foi uma das grandes surpresas do cinema nos últimos anos, principalmente por ser uma produção de um país que não tem tradição alguma no cinema. 

A trama se passa em 2005 durante um dia e uma noite dentro do enorme Mercado 4, um misto de mercado livre e camelódromo situado no centro de Assunção, capital do Paraguai. 

O personagem principal é Victor (Celso Franco), um jovem que percorre o mercado trabalhando como carregador utilizando um carrinho de mão. Quando sua irmã (Nelly Davalos) mostra um celular com câmera que sua amiga está vendendo, produto que era novidade na época, o garoto fica obcecado em arranjar dinheiro para comprá-lo. 

A oportunidade surge quando o funcionário de um açougue (Roberto Cardozo) o contrata para esconder sete caixas, que segundo ele devem ser protegidas com sua vida. O sujeito oferece cem dólares pelo trabalho. Victor aceita, mas não imagina que será perseguido pela polícia, por um grupo de carregadores rivais e até pelo dono do açougue que deseja reaver as caixas, contando apenas com a ajuda de sua amiga Liz (Lali Gonzalez). 

A dupla de diretores segue o estilo hollywoodiano de filmes policiais, com uma trama bem amarrada, que esconde o conteúdo das caixas até a metade da história e que envolve vários personagens que se cruzam até o explosivo climax. 

É interessante notar que os diretores criaram divertidas e criativas cenas de perseguição utilizando as vielas apertadas do mercado, colocando a câmera no corpo dos personagens e nos carrinhos de mão. 

O filme se tornou o maior sucesso da história do cinema paraguaio e com certeza é uma ótima diversão para quem gosta do gênero policial.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

No Olho do Tornado

No Olho do Tornado (Into the Storm, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Steven Quale
Elenco – Richard Armitage, Sarah Wayne Callies, Matt Walsh, Max Deacon, Nathan Kress, Alycia Debnan Carey, Arlen Scarpeta, Jeremy Sumpter, Lee Whittaker, Kyle Davis, John Reep.

Uma equipe de caçadores de tornado, um colégio cheio de estudantes celebrando a formatura e uma dupla de malucos que criam vídeos ao estilo Jackass, precisam enfrentar uma gigantesco tornado que atravessa a pequena cidade de Silverton, no meio-oeste americano. 

Utilizando a premissa de “Twister”, misturada com o estilo câmera na mão de “Cloverfield”, o diretor Steven Quale (do fraco “Premonição 5”) acerta em cheio ao criar uma divertida aventura catástrofe com cara de filme B. 

O grande destaque são as sequências em que surgem os tornados. Vemos carros voando, torres de iluminação caindo, construções sendo destruídas e a incrível cena em que o veículo tanque utilizado pelos caçadores é levado para o vórtice do tornado. 

Sem grandes astros, o rosto mais conhecido é da bela Sarah Wayne Callies de “The Walking Dead”, o longa se sustenta pela narrativa ágil e as ótimas sequências de ação.               

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Kiefer Sutherland

Antes de se consagrar como Jack Bauer, A carreira de Kiefer Sutherland teve altos e baixos. Após alguns pequenos papéis nos anos oitenta, Sutherland chamou atenção por atuações como vilão em "Conta Comigo" e "Os Garotos Perdidos". A carreira deslanchou e teve seu auge em 1990 com o sucesso de "Linha Mortal" e o noivado com Julia Roberts.

Tudo começou a desabar quando Julia Roberts o abandonou dias antes do casamento. Em seguida, filmes como "Hospital de Heróis" e "O Silêncio do Lago" fracassaram, restando ao ator papéis de coadjuvantes em grandes produções ou de protagonista em filmes menores sem grande qualidade.

Quando sua carreira parecia condenada a mediocridade, surgiu a chance na série "24 Horas" e o personagem de Jack Bauer o transformou novamente em astro.

Nesta postagem comento alguns fracassos da carreira de Sutherland.

Procura-se (Woman Wanted, EUA, 2000) – Nota 6
Direção – Kiefer Sutherland (Alan Smithee)
Elenco – Holly Hunter, Kiefer Sutherland, Michael Moriarty, Carrie Preston.

Este drama familiar tem como personagem principal a governanta Emma (Holly Hunter), que aceita um emprego na casa do professor viúvo Richard (Michael Moriarty), que vive com o filho problemático Wendell (Kiefer Sutherland). Após pouco tempo, percebe-se que os três personagens tem problemas, a relação entre pai e filho praticamente não existe e a governanta tem um passado triste com seu ex-marido. Este mar de sofrimentos fará com que eles se aproximem e tentem esquecer o passado. 

Dirigido pela ator Kiefer Sutherland, esta obra é um pouco arrastada e apesar dos dramas da história, o filme não empolga. Os momentos que deveriam ter emoção são frios demais, além disso, provavelmente deve ter ocorrido algum problema entre Sutherland e os produtores, pois ele assina o filme utilizando o famoso pseudônimo Alan Smithee. Para quem não sabe, este pseudônimo foi criado nos anos sessenta, sendo utilizado quando o diretor não aceita a intromissão do produtor na montagem final do filme. Com certeza você já assistiu algum filme dirigido por Alan Smithee.

Quase Sem Destino (Flashback, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Franco Amurri
Elenco – Dennis Hopper, Kiefer Sutherland, Carol Kane, Paul Dooley, Cliff DeYoung, Richard Masur, Michael McKean.

O agente do FBI John Buckner (Kiefer Sutherland) é encarregado de levar para uma prisão federal o fugitivo Huey Walker (Dennis Hopper), um hippie que fora condenado por um atentado nos anos sessenta. Buckner é um sujeito totalmente correto, que segue a risca as regras do FBI. Mesmo assim, o malandro Huey consegue enganá-lo durante a viagem de trem e foge, para desespero de Buckner que precisa recapturá-lo para manter a carreira. 

Mesmo longe de ser um grande filme, a premissa é uma ótima sacada, ao colocar o ícone da rebeldia Dennis Hopper como o hippie fora de época, sujeito que parece não ter saído dos anos sessenta, em contraste com o careta Buckner, que tenta deixar de lado seu passado de filho de um casal de hippies. Este diferença de personalidades gera alguns bons momentos, assim como a trilha sonora recheada de clássicos dos anos sessenta, como a marcante “Born To Be Wild”, consagrada em “Sem Destino”, obra cult de Dennis Hopper.

Renegados Pela Justiça (Renegades, EUA, 1989) – Nota 5
Direção – Jack Sholder
Elenco – Kiefer Sutherland, Lou Diamond Phillips, Jami Gertz, Robert Knepper, Bill Smitrovich, Clark Johnson, Floyd Red Crow Westerman.

Buster McHenry (Kiefer Sutherland) é um policial que consegue se infiltrar em uma quadrilha de assaltantes. Quando o bando assalta um banco e mata duas pessoas, Buster fica a um passo de se tornar criminoso. Para piorar, eles roubam uma lança indígena considerada sagrada. Um jovem índio (Lou Diamond Phillips) toma para si a missão de recuperar a lança. 

Com uma trama absurda e uma fraca direção de Jack Sholder (do péssimo “A Hora do Pesadelo II” e do cult “The Hidden – O Escondido”), o filme tem como único destaque as cenas de ação. É o típico filme descartável dos anos oitenta.

A Sombra do Desejo (The Last Days of Frank Fly, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Peter Markle
Elenco – Dennis Hopper, Kiefer Sutherland, Daryl Hannah, Michael Madsen, Tia Carrere, Dayton Callie.

Frank (Dennis Hopper) é um subalterno da Máfia sempre desrespeitado pelo chefão Sal (Michael Madsen) e seu comparsa Vic (Dayton Callie). Quando Frank é enviado ao set de um filme pornô dirigido por Joey (Kiefer Sutherland), sujeito que foi obrigado a aceitar o trabalho por dever dinheiro para Sal, ele conhece a bela atriz Margareth (Daryl Hannah), por quem se apaixona. Margareth tentou ser atriz séria, mas se afundou nas drogas e prostituição, se tornando propriedade do violento Sal. Para salvar a garota, Frank cria um plano para eliminar Sal com a ajuda de Joey e Margareth, porém as coisas não acontecem como o planejado. 

A trama repleta de traições e mentiras, que poderia lembrar um filme noir, na verdade resulta numa história confusa com personagens caricatos. Além do roteiro ruim escrito pelo ator Dayton Callie, a direção de Peter Markle, com carreira apenas em séries e telefilmes, também não ajuda.

Visões Perigosas (After Alice, Inglaterra / Canadá / Alemanha, 2000) – Nota 5,5
Direção – Paul Marcus
Elenco – Kiefer Sutherland, Henry Czerny, Polly Walker, Gary Hudson.

O detetive Mickey (Kiefer Sutherland) está no limite. Bebe e fuma demais, atormentado por visões dos crimes que investiga. Mickey fica ainda mais confuso quando um serial killer apelidado de Jabberwocky voltar a atacar após um hiato de dez anos. Em meio a investigação, Mickey conhece uma doutora (Polly Walker) especialista em paranormalidade, que o ajuda a entender o porque de suas visões. 

Mesmo tendo um razoável clima de suspense, o longa perde força com uma trama confusa que parece um episódio esticado de seriado de tv. O espectador que gosta do gênero não terá dificuldades em descobrir a identidade do assassino. 

A Hora da Morte (The Killing Time, EUA, 1987) – Nota 5,5
Direção – Rick King
Elenco – Beau Bridges, Kiefer Sutherland, Wayne Rodgers, Joe Don Baker, Camelia Kath, Michael Madsen.

Um psicopata (Kiefer Sutherland) assassina um sujeito que seguia para uma cidade costeira da Califórnia, onde tomaria posse como assistente do xerife. O maluco decide tomar o lugar da vítima e se apresenta no local. Ele toma posse do cargo, mas não imagina que o xerife (Beau Bridges) tem uma amante (Camelia Kath) e que o casal tem um plano para assassinar o marido da adúltera (Wayne Rodgers) e incriminá-lo. 

A trama cheia de mentiras e traições tinha potencial para render um bom filme, assim como o elenco competente, porém o ritmo arrastado e a falta de talento do diretor Rick King comprometem muito o resultado. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Apagar Histórico

Apagar Histórico (Clear History, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Greg Mottola
Elenco – Larry David, Jon Hamm, Kate Hudson, Danny McBride, Michael Keaton, Bill Hader, Eva Mendes, Amy Ryan, J. B. Smoove, Philip Baker Hall, Liev Schreiber.

Califórnia, 2003, Nathan Flomm (Larry David) é o responsável pelo marketing de uma montadora que está prestes a lançar um carro elétrico revolucionário. Quando o dono da empresa, Will Haney (Jon Hamm), apresenta o novo carro e informa que o nome veículo será Howard, Nathan considera um absurdo a decisão. Ele entra em conflito com Will e decide vender sua parte das ações da empresa. Ao perceber a besteira que fez, Nathan tenta desfazer o negócio, mas acaba ignorado por Will. Não demora para o carro se tornar sucesso e Nathan motivo de piada, por ter perdido uma fortuna de dinheiro. Sem emprego e abandonado pela esposa, Nathan abandona a cidade. 

Dez anos depois, Nathan está vivendo em Martha’s Vineyard, utilizando o nome de Rolly e com muitos amigos que não sabem do seu passado. A tranquilidade de Rolly desmorona quando Will compra um velhão casarão na região e decide transformar uma mansão para viver com sua bela esposa (Kate Hudson). Para tentar esconder seu segredo, Rolly se junta a dois malucos (Michael Keaton e Bill Hader) para destruir a mansão, sendo que um deles está revoltado por ter perdido a propriedade que pertencia a sua família, local onde hoje está a mansão de Will.

O estilo do comediante Larry David é fazer o espectador rir de situações constrangedoras, geralmente por conta de mal entendidos resultantes de mentiras ou verdades que não deveriam ser contadas. Para quem não sabe, Larry David foi o parceiro de Jerry Seinfeld na aclamada sitcom “Seinfeld” e criou o personagem George (interpretado por Jason Alexander) como seu alter ego. 

Ao final da série, David decidiu enfrentar a frente das câmeras com a série “Curb Your Entusiasm”, onde durante oito temporadas interpretou a si mesmo, sempre se metendo em conflitos e discussões por conta de seu temperamento complicado e sua mania de dizer sempre o que vem a cabeça. 

Este estilo foi aproveitado por Woody Allen no mediano “Tudo Pode Dar Certo” e agora neste “Apagar Histórico”, que também é mediano, mas pelo menos apresenta coadjuvantes engraçados. A dupla de malucos interpretados por Michael Keaton e Bill Hader, o agitado J. B. Smoove, o traficante de armas checheno de Liev Schreiber e a bela Eva Mendes como a ex-gordinha são os destaques, além da pequena participação da clássica banda pop Chicago. 

sábado, 15 de novembro de 2014

42: A História de uma Lenda

42: A História de uma Lenda (42, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Brian Helgeland
Elenco – Chadwick Boseman, Harrison Ford, Nicole Beharie, Christopher Meloni, Ryan Merriman, Lucas Black, André Holland, Alan Tudyk, Hamish Linklater, John C. McGinley, Max Gail, Brad Beyer, James Pickens Jr.

Em 1945, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, Branch Rickey (Harrison Ford), o dono da equipe de beisebol Brooklyn Dodgers, decide contratar um atleta negro para disputar a liga principal. Apenas brancos jogavam nesta liga, os negros participavam de um liga paralela. 

Sabendo que sua equipe e principalmente o atleta teriam de enfrentar o racismo de várias formas, Rickey escolhe Jackie Robinson (Chadwick Boseman), ótimo atleta, porém ao mesmo tempo um sujeito com coragem de enfrentar o preconceito. A ousada contratação e o sucesso de Robinson abriram caminho para os negros serem escolhidos para jogar a liga principal. 

Filmes sobre beisebol são difíceis de emplacar no Brasil, o esporte que é uma verdadeira paixão americana, é quase inexistente por aqui. Mesmo assim, alguns longas como “O Campo dos Sonhos”, conseguem ir além, atingindo o público em virtude da história no seu todo. Este também é o caso deste interessante longa, que tem como ponto principal a coragem de dois sujeitos em lutar contra o preconceito, de uma forma em que encorajaram outros a mostrar a sua opinião e a enfrentar os racistas. 

O filme é correto, as cenas de jogo são bem filmadas, o roteiro do próprio diretor Brian Helgeland detalha passagens importantes da chegada de Robinson nos Dodgers e os conflitos com torcedores, adversários e até mesmo companheiros de equipe. 

O elenco também é competente, com o quase desconhecido Chadwick Boseman acertando na interpretação de Robinson, que não podia reagir com violência contras as ofensas que recebia, mas tinha como grande trunfo mostrar seu talento no esporte e assim calar a boca dos racistas. Esta boa interpretação fez com que o ator fosse o escolhido para viver James Brown no filme que foi lançado este ano. 

É legal também ver o astro Harrison Ford debaixo de maquiagem interpretando o velho Branch Rickey, um sujeito peculiar que utilizava até mesma a religião para defender sua ideias. 

Para quem gosta de filmes sobre superação, este é uma boa pedida.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Primeiro Milhão

O Primeiro Milhão (Boiler Room, EUA, 2000) – Nota 7
Direção – Ben Younger
Elenco – Giovanni Ribisi, Vin Diesel, Nia Long, Nicky Katt, Scott Caan, Ron Rifkin, Jamie Kennedy, Bill Sage, Taylor Nichols, Tom Everett Scott, Ben Affleck.

O ambicioso Seth (Giovanni Ribisi) abandona a universidade desiludido com a possibilidade de ter uma carreira comum. Com habilidade para finanças, Seth monta um cassino clandestino em sua casa, onde começa a ganhar dinheiro fácil de outros jovens gananciosos. O cassino de Seth chama a atenção de seu amigo de infância Greg (Nicky Katt), que o convida para trabalhar em uma corretora de valores. Greg tem um carrão e muito dinheiro bolso, o que aguça a ambição de Seth, que aceita o emprego. 

Logo no primeiro dia de trabalho, Seth participa de uma espécie de palestra de boas vindas, onde um corretor sênior (Ben Affleck) discursa sobre como conseguiu seu primeiro milhão e que todos naquela sala tinham a mesma oportunidade, a questão seria a força de vontade e principalmente a ambição de cada um deles. Lógico que os jovens gananciosos abraçam a ideia e começam a corrida pelo milhão. 

Mesmo ganhando dinheiro rapidamente, aproveitando as regalias da situação e se envolvendo com a bela secretária Abbie (Nia Long), não demora para Seth perceber que existe algo de errado na empresa, desconfiando da legalidade das transações. 

Na época, este longa foi rotulado como uma versão quase adolescente do superior “Wall Street” de Oliver Stone. Realmente as semelhanças são grandes, a diferença aqui está na forma como se mostram as técnicas para doutrinar os jovens corretores, algo que parece um culto pelo dinheiro, principalmente na sequência da palestra do personagem de Ben Affleck, que tem apenas uma pequena participação. 

Além disso, aqui vemos com detalhes como funciona a picaretagem da venda de “papéis podres” para as pessoas comuns, tendo como o exemplo o pobre personagem de Taylor Nichols, que perde as economias de sua família ao cair na conversa de um corretor e que se desespera. 

No elenco recheado de jovens conhecidos, temos ainda Vin Diesel antes de ficar famoso com “Velozes e Furiosos” e Scott Caan da série “Hawai Five-O”. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Frontera

Frontera (Frontera, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Michael Berry
Elenco – Ed Harris, Michael Peña, Eva Longoria, Amy Madigan, Aden Young, Michael Ray Escamilla, Daniel Zacapa, Tenaya Torres.

Para tentar uma vida melhor, Miguel (Michael Peña), que vive no México em um povoado, deixa sua esposa grávida (Eva Longoria) e decide atravessar a fronteira com os Estados Unidos pelo deserto. Seu sogro (Daniel Zacapa), pede que ele leve o jovem Jose (Michael Ray Escamilla). 

Os dois conseguem entrar em território americano, até cruzar o caminho de Olivia (Amy Madigan), que é proprietária das terras e casada com Roy (Ed Harris). A simpática Olivia ajuda os forasteiros, que agradecem e seguem viagem, porém três adolescentes irresponsáveis que estão escondidos em uma colina, decidem brincar com uma espingarda para assustar os mexicanos e acabam causando uma tragédia que resultará em duras consequências para várias pessoas. 

A complicada questão dos imigrantes ilegais é o ponto principal deste interessante drama. O roteiro do diretor Michael Berry e de Louis Moulinet apresenta situações comuns em relação aos imigrantes ilegais, como o preconceito de muitos americanos, a violência que os chamados “coiotes” utilizam para arrancar dinheiro das pessoas que desejam atravessar o deserto e a corrupção policial conivente com estes abusos. 

O enfoque vai além ao criar uma trama em que estes problemas com os imigrantes terminam por afetar vários personagens de uma forma ou de outra, no final, pessoa alguma sai ilesa dos acontecimentos. 

Sem apelar para perseguições ou cenas de ação, o filme cumpre seu papel ao criticar uma situação que parece não ter solução. 

Como curiosidade, Ed Harris e Amy Madigan são casados desde 1983 e trabalharam juntos em oitos filmes.  

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Politicamente Incorreto

Politicamente Incorreto (Brasil, 2014)
Direção - Fabricio Bittar
Elenco - Danilo Gentili, Paula Possani, José Dumont, Chris Couto, Sérgio Menezes, Rominho Braga, Letícia Fagnani, Claudia Campolina.

Produzida praticamente toda em estúdio e provavelmente com pouco dinheiro, esta série com oito episódios esculacha com a vergonhosa política brasileira.

O personagem principal é o deputado Atílio Pereira (Danilo Gentili), um sujeito tapado, preconceituoso, racista e corrupto que por causa de um incidente com uma câmera escondida, a mídia o rotula como o político mais honesto do Brasil.

Pensando em capitalizar votos com a inesperada fama de Atílio, o líder de seu partido (José Dumont) contrata uma consultora de imagem (Paula Possani) para moldar o complicado deputado e assim lançá-lo como candidato a presidência da república.

Esta premissa é o início de uma série de situações escrachadas, que atacam a imprensa, as redes de tv e principalmente as campanhas políticas. A proposta da série é fazer rir com os exageros cometidos pelos personagens, que sempre podem ser comparados com situações reais, muitas delas semelhantes a verdadeira e terrível campanha presidencial que acompanhamos mês passado.

Mesmo sem grandes atuações, os personagens se mostram engraçados. Na equipe de Atílio temos o assessor puxa-saco (Sérgio Menezes), o nerd técnico em informática (Rominho Braga), a secretaria ingênua (Letícia Fagnani) e o funcionário concursado (Kiko Vianello) sempre desrespeitado pelo deputado. Vale destacar ainda a perua namorada de Atílio (Claudia Campolina) e a candidata a presidência (Chris Couto) que utiliza na campanha um mantra picareta de autoajuda.

Em comparação com as comédias nacionais atuais, esta série ganha de goleada por fazer rir através de críticas diretas, sem ter pudores ou medo de atacar os políticos.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Em Busca Pela Verdade

Em Busca Pela Verdade (A Dark Truth, Canadá, 2012) – Nota 5,5
Direção – Damian Lee
Elenco – Andy Garcia, Forest Whitaker, Eva Longoria, Kim Coates, Deborar Kara Unger, Kevin Durand, Lara Daans, Steven Bauer, Al Sapienza, Julio Oscar Mechoso, Devon Bostick.

Quando uma epidemia de tifo atinge uma pequena cidade do interior do Equador, o exército é acionado para matar todos os habitantes e por consequência esconder a tragédia causada pela corporação ClearBec, responsável pelo abastecimento e contaminação da água na região. 

Alguns moradores do local conseguem se esconder na floresta, liderados por Francisco Francis (Forest Whitaker), o sujeito que descobriu a culpa da corporação. O único que consegue fugir do país é o jovem Renaldo (Devon Bostick), que ao chegar ao Canadá, entrega uma gravação para Morgan Swinton (Deborah Kara Unger), herdeira da ClearBec, segundos antes de cometer suicídio. 

Morgan tenta descobrir a verdade sobre o ocorrido no Equador confrontando seu irmão (Kim Coates), CEO da ClearBec, que não revela o que sabe e que deseja encobrir o fato para não prejudicar o contrato milionário que está prestes a assinar com o governo da África do Sul. A saída encontrada por Morgan é contratar Jack Begosian (Andy Garcia), um ex-agente da CIA que hoje tem um polêmico programa de rádio e enviá-lo ao Equador para investigar a situação e resgatar Francisco Francis. 

Esta trama rocambolesca esconde um péssimo roteiro escrito pelo próprio diretor Damian Lee. A temática da exploração da água por corporações em países de terceiro mundo é atual, mas infelizmente a obra fica no meio caminho entre um filme denúncia e um longa de ação vagabundo. 

Bons atores como Andy Garcia e Forest Whitaker pouco podem fazer com personagens rasos e diálogos cheios de clichês, sem contar no exagerado tiroteio na floresta, onde até a pequena Eva Longoria se mostra desenvolta com uma metralhadora. 

É uma pena, no final vemos mais um filme que desperdiça um interessante argumento.  

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Terra em Transe

Terra em Transe (Brasil, 1967) – Nota 7,5
Direção – Glauber Rocha
Elenco – Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha, Paulo Gracindo, Hugo Carvana, Danuza Leão, Jofre Soares, Modesto de Souza, Mário Lago, Flávio Migliaccio, Telma Reston, Francisco Milani, Paulo César Peréio.

No fictício país de Eldorado, Paulo Martins (Jardel Filho) é um jornalista que apoiou o Senador Diaz (Paulo Autran), um político de esquerda que ao ser eleito abandonou seus ideais em troca do poder. Desiludido, Paulo decide se mudar para a província de Alecrim, onde novamente se envolve com a política auxiliando Felipe Vieira (José Lewgoy), um político populista que consegue ser eleito e que almeja vencer Diaz em uma eleição. 

No meio desta disputa, surge o empresário Don Julio Fuentes (Paulo Gracindo), dono das empresas de comunicação do país, que decide ajudar Diaz, impedindo qualquer chance de vitória para Vieira. Desta vez revoltado com a situação, Paulo deseja pegar em armas para iniciar uma revolução. 

É o segundo filme que assisto de Glauber Rocha, o primeiro foi “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e fiquei com a mesma impressão em relação aos dois trabalhos, Glauber tinha ótimas ideias, porém não o vejo como um grande cineasta, diferente do que muitos críticos o consideram. 

No texto sobre o filme anterior citei que vi Glauber melhor como roteirista do que cineasta, mas fui bem corrigido pela amiga Amanda do site CinePipocaCult, que comentou que Glauber foi na verdade um “pensador de cinema”. 

Ela tem toda a razão, neste “Terra em Transe” fica claro seu pensamento crítico a respeito dos políticos em geral, do gosto pelo poder e principalmente do desprezo ao povo, que é visto por eles apenas como massa de manobra e quando estes exigem seus direitos são rapidamente oprimidos, até mesmo com violência. 

É interessante notar também que o filme não pode ser rotulado de direita ou esquerda, o roteiro mostra que isso não tem importância, os dois lados tem o mesmo objetivo que é chegar ao poder, o que muda é apenas o discurso.

Assim como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, não gostei do estilo teatral das interpretações, que fica ainda mais afetado pelo filme ter sido dublado. 

A narrativa não linear, comum em muitos filmes atuais, aqui é ao mesmo tempo um ponto positivo por ser quase uma novidade na época e negativo por se mostrar confusa nas idas e vindas da trama. 

Vale destacar também a coragem de Glauber em criticar fortemente os políticos numa época em que o país vivia uma ditadura e por este motivo o filme chegou a ser proibido. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Chef

Chef (Chef, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Jon Favreau
Elenco – Jon Favreau, John Leguizamo, Sofia Vergara, Emjay Anthony, Scarlett Johansson, Oliver Platt, Dustin Hoffman, Bobby Cannavale, Robert Downey Jr, Amy Sedaris.

Carl Casper (Jon Favreau) é o chef de cozinha de um badalado restaurante em Los Angeles, que perde o emprego após entrar em conflito com um crítico de gastronomia (Oliver Platt) e por consequência com o proprietário do restaurante (Dustin Hoffman). Sem saber o que fazer da vida, Carl aceita a ideia de sua ex-mulher (Sofia Vergara) e assim decide recomeçar a carreira comandando um food truck e levando a tiracolo o filho pré-adolescente (Emjay Anthony). 

O diretor, ator e roteirista Jon Favreau, que vinha de sucessos como diretor em “Homem de Ferro 1 e 2” e do fracasso de “Cowboys & Aliens”, teve como inspiração sua própria carreira de altos e baixos para investir neste projeto pessoal, inclusive desistindo de comandar a terceira aventura do super herói. 

O resultado é extremamente simpático, mas ao mesmo tempo é um filme onde tudo parece certinho demais, a crise pessoal na parte inicial é até curiosa, o problema é que a partir deste momento não existe mais conflito algum, tudo se resolve com facilidade. 

A minha boa nota se baseia na simpatia dos personagens, nas deliciosas comidas que são apresentadas e na ótima trilha sonora que utiliza músicas de gêneros relacionados com as cidades (Miami, Nova Orleans e Austin) por onde passa o food truck. 

Outra boa sacada é utilizar o garoto Emjay Anthony como uma espécie de professor que ensina o pai sobre as redes sociais e sua força, tanto do lado positivo, quanto do negativo. 

Vale destacar ainda a rápida e divertida participação de Robert Downey Jr, como o sarcástico empresário que auxiliar o personagem de Jon Favreau na compra do veículo gastronômico.

Mesmo estando longe de ser um grande filme, vale a sessão para quem gosta de diversão leve. 

sábado, 8 de novembro de 2014

Planeta dos Macacos: O Confronto

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Matt Reeves
Elenco – Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russell, Toby Kebbell, Kodi Smit McPhee, Kirk Acevedo, Judy Greer, Jon Eyez, Enrique Murciano.

Dez anos após os macacos liderados por Cesar (Andy Serkis) se rebelarem e fugirem para a floresta nos arredores de San Francisco, a sociedade humana entrou em colapso. A gripe que surgiu em consequência das experiências em laboratório com os macacos dizimou grande parte da população, com os sobreviventes vivendo em condições precárias. Quando o combustível está prestes a acabar, os sobreviventes precisam chegar até uma represa para ligar uma pequena hidrelétrica para gerar energia, porém a construção fica exatamente onde os macacos criaram sua sociedade. Uma série de desentendimentos e alguns atos de violência levarão os dois grupos a um brutal confronto. 

O original “Planeta dos Macacos” é um dos maiores clássicos da história do cinema, que gerou quatro sequências e uma série de tv. Em 2001, a nova versão assinada por Tim Burton modificou grande parte da história e com seu final polêmico dividiu crítica e pública, fato que abortou uma possível franquia. 

Em 2011, o prequel “Planeta dos Macacos – A Origem” surpreendeu com um ótimo roteiro, narrativa ágil e uma ótima caracterização dos macacos, principalmente de Andy Serkis como Cesar. O merecido sucesso abriu as a portas para esta continuação que resulta em um filme da mesma qualidade, dando seguimento a história novamente com um belo roteiro. 

É basicamente um filme de guerra, com vários elementos que caracterizam este tipo de conflito, sendo muito parecido com as guerras entre nações que conhecemos. Dos dois lados temos líderes divididos entre a paz e a guerra, atos de lealdade e traição, preconceito e defesa da família, tudo em nome da sobrevivência e para alguns também a busca pelo poder. 

O grande destaque do elenco é o trabalho de Andy Serkis como Cesar. Ele consegue dar vida ao líder dos macacos demonstrando todo o tipo de sentimento por trás da maquiagem pesada. 

O gancho final e a qualidade do filme criam a obrigação de uma nova sequência. O espectador espera e agradece.