sábado, 26 de julho de 2014

Sem Dor, Sem Ganho

Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Michael Bay
Elenco – Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Tony Shalhoub, Ed Harris, Rob Corddry, Bar Paly, Rebel Wilson, Ken Jeong, Michael Rispoli, Emily Rutherfurd, Larry Hankin, Tony Plana, Peter Stormare.

As vezes uma história real é tão absurda que se fosse criada por um roteirista o filme seria execrado. É o caso da maluca história real retratada aqui de forma surpreendente pelo diretor Michael Bay. 

Tudo começa no final de 1995, quando o ambicioso personal trainer Daniel Lugo (Mark Wahlberg) assiste a palestra de um guru picareta (Ken Jeong de “Se Beber, Não Case!) e decide que para mudar de vida precisará ganhar dinheiro rapidamente. Seu plano é sequestrar um empresário (Tony Shalhoub, o eterno Monk), sujeito intragável que é dono de uma famosa lanchonete. 

Para aplicar o golpe, Daniel recruta outros dois marombeiros, ainda mais burros que ele. Os parceiros são o ex-presidiário Paul (Dwayne Johnson), um cara forte e ao mesmo tempo ingênuo, que se converteu ao catolicismo e que tenta se livrar das drogas e o idiota Adrian (Anthony Mackie), que sofre de impotência sexual após anos de uso de anabolizantes. 

O desenrolar da trama é tão inacreditável que sequer vale a pena citar muitos detalhes, sendo interessante destacar os diversos personagens estúpidos que surgem pelo caminho, como uma stripper romena (Bar Paly), o canalha dono da academia (Rob Corddry) e o padre pervertido (Larry Hankin), sem contar a falta de ação da polícia. O único personagem integro é o detetive interpretado por Ed Harris, que surge na segunda metade do filme e tem participação importantíssima na trama. 

Outro destaque é a direção de Michael Bay, que desta vez não exagera nas cenas em câmera lenta e nem nos cortes rápidos, imprimindo um ótimo ritmo na narrativa, de uma forma que a trágica e absurda história se torne engraçada. É com certeza o melhor filme do diretor desde “Os Bad Boys” e “A Rocha”, seus dois primeiros trabalhos no cinema.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Desperation & Vôo Noturno


Em maio desta ano publiquei duas postagens sobre filmes ruins baseados em obras de Stephen King (postagem 1 e postagem 2), porém depois disso encontrei no Youtube outras duas adaptações baseadas em livros do autor que eu não conhecia e resolvi arriscar. Um dos filmes é um suspense razoável, enquanto o outro é uma verdadeira bomba.

Desperation (Desperation, EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Mick Garris
Elenco – Tom Skerritt, Steven Weber, Annabeth Gish, Ron Perlman, Charles Durning, Matt Frewer, Henry Thomas, Shane Haboucha, Kelli Overton, Sylva Kelegian.

O casal Peter (Henry Thomas) e Mary (Annabeth Gish) viaja por uma estrada no deserto de Nevada quando são parados por um policial (Ron Perlman), que age de forma estranha e encontra um pacote de drogas no porta-malas do carro, produto que ele mesmo colocou no local. O policial leva o casal para a cadeia da pequena cidade de Desperation, com o sinistro detalhe de que existem vários corpos pelo caminho e aparentemente não tem pessoa alguma viva pelas ruas. Na delegacia, outras pessoas comuns estão presas sem saber porque, desesperadas com medo de serem assassinadas. Além disso, um escritor (Tom Skerritt) que viaja em uma motocicleta, seu auxliar (Steven Weber) que dirige um pequeno caminhão e uma caronista (Kelly Overton), também cruzarão o caminho do policial. 

Baseada num conto de Stephen King, esta produção para a tv prende a atenção ao misturar misticismo e religião numa trama repleta de violência. A premissa é bem interessante e a explicação para o ocorrido também não fere a inteligência do espectador, lógico que sendo um filme para a tv, os efeitos especiais não são grande coisa e os cortes no meio de algumas cenas também atrapalham um pouco. O destaque do elenco é o grandalhão Ron Perlman, sujeito estranho perfeito para o papel do policial maluco. 

Como informação, o diretor Mick Garris comandou algumas outras produções baseadas em Stephen King, como “Sonâmbulos”, “Montado na Bala” e a minissérie “A Dança da Morte”, além de uma versão para a tv de “O Iluminado”.

Vôo Noturno (Night Flier, EUA, 1997) – Nota 4
Direção – Mark Pavia
Elenco – Miguel Ferrer, Julie Entwisle, Dan Monahan, Michael H. Moss.

Richard Dees (Miguel Ferrer) trabalha como fotógrafo e repórter para um jornal sensacionalista especializado em mortes, crimes e situações bizarras. Quando uma série de mortes violentas começam a ocorrer em pequenos aeroportos do interior do país, tendo como suspeito um sujeito que pilota um pequeno avião e usa uma capa, o editor do jornal (Dan Monahan) deseja que Richard investigue o ocorrido, porém o egocêntrico repórter não acredita na história. O editor repassa o caso para uma jornalista novata (Julie Entwisle), que após descobrir alguns fatos, desperta no ambicioso Richard a vontade de recuperar a história e que decide sair pelo país em busca do assassino. 

Dentre as diversas adaptações de Stephen King para o cinema, esta com certeza é uma das piores. Não que a premissa seja ruim, mas um dos problemas principais é o péssimo roteiro escrito pelo diretor Mark Pavia, que não explica quase nada e tem mais furos que um tabuleiro de pirulito. 

As atuações também são no mínimo precárias. O protagonista Miguel Ferrer abusa do estilo canalha, enquanto a jovem Julie Entwisle e o editor interpretado por Dan Monahan são verdadeiras piadas atuando. Por sinal, este é o único trabalho desta atriz, já o aposentado Monahan teve alguma fama no início dos anos oitenta quando interpretou o atrapalhado jovem Pee Wee na série de filmes “Porky’s”. 

Como informação, não confunda esta bomba com o bom suspense homônimo dirigido por Wes Craven.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Corrente do Bem

A Corrente do Bem (Pay It Forward, EUA, 2000) – Nota 7,5
Direção – Mimi Leder
Elenco – Kevin Spacey, Helen Hunt, Haley Joel Osment, Jay Mohr, Jim Caviezel, Jon Bon Jovi, Angie Dickinson, David Ramsey.

O garoto Trevor (Haley Joel Osment) tem uma vida difícil com a mãe Arlene (Helen Hunt), mulher frustrada pelo fracasso do seu casamento e que hoje está separada do violento marido (Jon Bon Jovi). Durante uma aula, o professor Eugene Simonet (Kevin Spacey) desafia os alunos a desenvolverem um trabalho para melhorar o mundo. 

O que seria um simples trabalho escolar, faz Trevor pensar em como colocar em prática na vida real. A oportunidade surge quando o garoto vê um morador de rua (Jim Caviezel) procurando comida no lixo e decide levá-lo para casa para ajudá-lo. A atitude de Trevor faz com que o sujeito decida mudar de vida, ao mesmo tempo em que o garoto procura ajudar outros pessoas, inclusive sua mãe, porém nem sempre o resultado será o esperado. 

Esta sensível história foi uma tentativa de aproveitar o sucesso do garoto Haley Joel Osment, que no ano anterior ficou famoso pelo trabalho em “O Sexto Sentido”.

Se não chega a ser um grande filme e inclusive escorrega um pouco no dramático final, por outro lado apresenta uma premissa bem interessante, a de tentar fazer o bem em um mundo tão complicado como o que vivemos atualmente. 

O trabalho de Osment é competente, assim como as interpretações de Kevin Spacey como o professor marcado pelo passado e de Helen Hunt como a sofrida mãe. 

O promissor Osment ainda fez alguns filmes antes de dar uma parada na carreira para estudar, retornado a partir de 2010 em pequenos trabalhos sem grande repercussão.  

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Os Espíritos

Os Espíritos (The Frighteners, EUA / Nova Zelândia, 1996) – Nota 7,5
Direção – Peter Jackson
Elenco – Michael J. Fox, Trini Alvarado, Peter Dobson, Jeffrey Combs, John Astin, Jake Busey, Dee Wallace Stone, Chi McBride, Jim Fyfe, R. Lee Ermey, Troy Evans.

Frank Bannister (Michael J. Fox) é um paranormal que vive numa pequena cidade onde ganha dinheiro afastando fantasmas de casas mal assombradas. Mesmo sendo paranormal de verdade, Bannister é um charlatão que trabalha em conjunto com três fantasmas: Stuart (Jim Fyfe), Cyrus (Chi McBride) e o hilário Juiz (John Astin da antiga série “A Familia Adams”).  O trio assusta as pessoas e Bannister é contratado para resolver o caso. 

A vida de Bannister se complica quando um fantasma (Peter Dobson) se comunica querendo enviar uma mensagem para sua esposa Lucy (Trini Alvarado), uma bela jovem que desperta o interesse no paranormal. Ao mesmo tempo, um violento espírito começa a assassinar pessoas na cidade, de um modo que apenas Bannister saiba como ocorreram os crimes. O fato faz o paranormal investigar sozinho o caso e depois de algumas trapalhadas se torna o principal suspeito aos olhos de um estranho agente do FBI (Jeffrey Combs). 

Após chamar a atenção dos fãs de terror com os exagerados “Fome Animal” e  “Náusea Total” e depois da crítica com “Almas Gêmeas”, o neozelandês Peter Jackson ganhou a chance de dirigir seu primeiro filme em Hollywood graças ao também diretor Robert Zemeckis, que conseguiu com que a Universal produzisse o longa. Zemeckis indicou ainda o astro Michael J. Fox para o papel principal, provavelmente sem imaginar que seria o último trabalho do ator como protagonista no cinema. Fox teve ainda um papel em “Marte Ataca!” de Tim Burton antes de voltar para TV no seriado “Spin City” e deixar o cinema de lado, muito por causa do Mal de Parkinson que começava dar seus sinais. 

O filme não chegou a ser lançado nos cinemas por aqui, mas não deixa de ser um bom trabalho de Peter Jackson, que consegue dosar na medida certa comédia com terror, em muito apoiado por ótimos efeitos especiais. Na época chegaram a comparar com “Os Caça-Fantasmas”, porém a trama aqui é mais forte, assim com algumas cenas são bem assustadoras. 

Como informação, assim como a trilogia “Senhor do Anéis”, que seria o próximo projeto de Jackson, este longa também foi filmado na Nova Zelândia.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Império

Império (Empire, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Franc. Reyes
Elenco – John Leguizamo, Peter Sarsgaard, Denise Richards, Vincent Laresca, Delilah Cotto, Isabella Rossellini, Sonia Braga, Nestor Serrano, Anthony “Treach” Criss, Rafael Baez, Fat Joe, Carlos Leon.

Victor Rosa (John Leguizamo) é um traficante que tem a ajuda de três amigos para dominar uma área no bairro do Brooklin em Nova York. A região tem ainda três outros traficantes que atuam em áreas próximas. Esta grupos respondem e respeitam a chefe do tráfico conhecida como Colombiana (Isabella Rossellini), que junto com seu irmão Rafael (Nestor Serrano), comandam o crime na região. 

Quando Victor descobre que sua namorada Carmen (Delilah Cotto) está grávida, ele pensa em mudar de vida e vê a chance surgir quando conhece o investidor Jack (Peter Sarsgaard), que namora a fútil Trish (Denise Richards) que é amiga de Carmen. Logo, Victor fica fascinado com o modo de vida de Jack, de quem se torna sócio, porém não imagina que o mundo dos grandes negócios pode ser tão duro quanto a vida de traficante. 

Narrado pelo próprio personagem de John Leguizamo, que conta sua história como se fosse a vida de um empresário ambicioso que começou do nada e chegou a topo da carreira, o filme acerta ao mostrar como funciona a “cadeia de comando” no mundo das drogas, negócio onde todas os envolvidos são descartáveis, mesmo aqueles que acreditam serem importantes dentro da organização. 

A aparente distância entre o mundo dos que ganham milhões com a venda de drogas e o dos investidores que enriquecem aplicando dinheiro sujo, são muito mais próximos do que se imagina, a diferença está principalmente em como cada lado esconde sua sujeira. 

Vale destacar a boa atuação de John Leguizamo, que não exagera nas atitudes e nos trejeitos no papel do traficante, criando um sujeito que fica dividido entre o mundo do crime e uma vida pessoal normal. O longa tem ainda uma pequena participação de Sonia Braga como a mãe da personagem Carmen. 

Para quem gosta de dramas sobre o submundo, este longa é uma boa pedida.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Maverick

Maverick (Maverick, EUA, 1994) – Nota 7,5
Direção – Richard Donner
Elenco – Mel Gibson, Jodie Foster, James Garner, Graham Greene, James Coburn, Alfred Molina, Geoffrey Lewis, Danny Glover, Max Perlich, Paul L. Smith, Dan Hedaya, Denver Pyle, Art La Fleur, Dub Taylor.

Neste final de semana o cinema perdeu o veterano astro James Garner, que teve o auge da carreira nos anos sessenta e setenta, quando trabalhou em clássicos como “Fugindo do Inferno” e “Grand Prix”, mas para muitos ele será lembrado como o jogador de pôquer Brett Maverick, papel principal do seriado “Maverick” que foi ao ar de 1957 a 1962 e que inspirou esta versão para o cinema. O seriado misturava bem aventura e comédia, um pouco diferente do longa que é pura comédia, daquelas onde todos os personagens são picaretas tentando enganar uns aos outros do início ao fim. 

O longa começa com uma cena em que Maverick (interpretado por Mel Gibson) está prestes a ser enforcado por um grupo de bandidos (o líder é Alfred Molina), quando começa a falar que sua semana foi complicada. Esta sequência é claramente inspirada nos filmes de Sergio Leone, lembrando muito "Três Homens em Conflito", que tinha algumas cenas de enforcamentos que na realidade eram um golpe dado pelo personagem de Clint Eastwood para ganhar dinheiro com a recompensa do condenado, a quem ele salvava com um tiro certeiro na corda. 

A partir daí a trama volta uma semana e mostra Maverick chegando numa pequena cidade com o objetivo de arrecadar dinheiro para participar de um famoso torneio de pôquer em um barco. Na cidade, ele cruza o caminho da bela Annabelle (Jodie Foster), que parece uma dama, mas na realidade é uma picareta que tenta lhe roubar a carteira. 

Daí até o torneio no barco, acontecem várias peripécias com o aparecimento do xerife Cooper (James Garner), um hilário bando de índios (o líder é Graham Greene de “Dança com Lobos”), um arquiduque russo (Paul L. Smith), além de diversos jogadores trambiqueiros. 

O astro Mel Gibson e o diretor Richard Donner trabalharam juntos em seis filmes, sendo quatro da série “Máquina Mortífera”, o suspense policial “Teoria da Conspiração” e este ótimo “Maverick”, que resultou em um merecido sucesso de bilheteria. 

Vale lembrar que Donner deu pequenos papéis a atores marcados pelo gênero western, como Dub Taylor, Denver Pyle e o astro James Coburn, sem contar a rápida participação de Danny Glover como um assaltante de banco.

Hoje aposentado, o diretor Richard Donner fez uma bela carreira com vários longas comerciais de qualidade, tendo trabalhado primeiro em seriados de tv durante os anos sessenta e setenta, até sua ótima estreia no cinema com o clássico “A Profecia” em 1976. 

domingo, 20 de julho de 2014

Rolling Kansas

Rolling Kansas (Rolling Kansas, EUA, 2003) – Nota 5
Direção – Thomas Haden Church
Elenco – James Roday, Sam Huntington, Jay Paulson, Charlie Finn, Ryan McDow, Rip Torn, Thomas Haden Church, Kevin Pollak.

Os irmãos Dick (James Roday), Dink (Sam Huntington) e Dave (Jay Paulson) encontram um mapa deixado por seu pais que eram hippies, mostrando o caminho para um local que seria a “Mágica Floresta de Marijuana”, traduzindo, uma enorme plantação de maconha que estaria em terras do governo dentro do Estado de Kansas. 

Os irmãos se juntam aos amigos Kevin (Charlie Finn) e Hunter (Ryan McDow) e partem de Oklahoma em busca da fortuna ilegal. O restante da trama se resume a confusões, piadas sobre drogas e sexo, muitas delas sem graça,  além de personagens estranhos que cruzam o caminho do grupo. 

Este é o único trabalho do ator Thomas Haden Church atrás das câmeras, que na época estava em baixa na carreira e provavelmente arriscou os últimos cartuchos neste longa. Por sorte, o diretor Alexander Payne deu ao ator o papel em “Sideways – Entre Umas e Outras” e ressuscitou a carreira de Church. 

O único destaque deste filme é a participação do veterano Rip Torn como um caronista maconheiro e a curiosidade é ter como protagonista um então desconhecido James Roday, que ficaria famoso alguns anos depois com a série “Psych”.

sábado, 19 de julho de 2014

Noé

Noé (Noah, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Darren Aronofsky
Elenco – Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ray Winstone, Anthony Hopkins, Emma Watson, Logan Lerman, Douglas Booth, Nick Nolte, Mark Margolis, Kevin Durand, Leo McHugh Carroll, Marton Csokas.

Por mais que o diretor Darren Aronofsky seja talentoso e seus trabalhos originais, fica difícil elogiar esta versão da história de Noé. Não sou uma pessoa religiosa e muito menos esperava um filme que fosse fiel ao texto da Bíblia, porém é complicado levar a sério um longa que faz uma verdadeira salada russa no roteiro, misturando religião, criacionismo, rebeldia adolescente, anjos caídos que lembram “Transformers”, um Matusalém (Anthony Hopkins) protótipo de hippie e um Noé (Russell Crowe) forte com a espada, vegetariano e quase bipolar, como comprova o maluco terceiro ato. 

A tentativa de discutir sobre Deus e a criação da vida foi explorada por Aronofsky de forma muito mais interessante no ótimo “Py”. O diretor voltou ao tema em “Fonte da Vida”, que mesmo sendo confuso, agradou parte do público. 

Já este “Noé” resulta em um blockbuster que utiliza uma história universal, mas que no final chama a atenção apenas pelos efeitos visuais, como as cenas com os gigantes de pedra, a construção da arca e a sequência do dilúvio. 

As tentativas de transformar histórias clássicas em filmes de ficção (“Rei Arthur”, “Van Helsing”) geralmente resultam em obras descartáveis. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A História de Alcatraz

A História de Alcatraz (Alcatraz: The Whole Schocking Story, EUA, 1980) – Nota 7,5
Direção – Paul Krasny
Elenco – Michael Beck, Art Carney, Telly Savalas, Ronny Cox, Peter Coyote, John Amos, G. W. Bailey, Robert Davi, Peter Jason, Alex Karras, Ed Lauter, Richard Lynch, Joe Pantoliano, Jeffrey Tambor, Will Sampson.

Esta postagem vale mais como memória afetiva do que uma crítica ao longa. 

Nos anos oitenta, antes da popularização do VHS, uma interessante opção para os cinéfilos assistirem clássicos ou filmes menos conhecidos era a sessão chamada de Corujão. Nas madrugadas de sexta para sábado e sábado para domingo, a TV Globo programava dois ou três filmes seguidos, dependendo da duração do longa. O sábado a noite começava com o Telecine apresentando um filme de sucesso, era seguido pela Sessão de Gala que geralmente mostrava um clássico e no restante da madrugada entrava o Corujão até as seis da manhã. 

Num destes sábados, após acabar a Sessão de Gala, fui surpreendido com este filme sobre Alcatraz, o que rapidamente me despertou a curiosidade, pois não conhecia a obra e tinha assistido pouco tempo antes o ótimo “Alcatraz – Fuga Impossível” com Clint Eastwood. 

Comecei a assistir e gostei, a trama tinha como objetivo mostrar a história do presídio através do protagonista vivido por Michael Beck (ator do clássico “Warriors – Selvagens da Noite”), que fora o detento mais jovem a cumprir no local e que durante anos tentou fugir. A história cobre mais de vinte anos, tem um elenco enorme e mostra inclusive a famosa fuga de Frank Morris em 1962, fato retratado no longa com Clint Eastwood. 

Como eu não sabia a duração, continuei assistindo curioso para chegar ao final e assim passei a noite em claro. Não lembro o horário exato que ele terminou, mas descobri ao final que o longa tinha mais de três horas de duração. 

Finalizando, este bom filme é uma produção para TV que acredito que jamais tenha passado novamente por aqui, seja na TV aberta ou fechada

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Grande Hotel Budapeste

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, EUA / Alemanha / Inglaterra, 2014) – Nota 8
Direção – Wes Anderson
Elenco – Ralph Fiennes, Tony Revolori, F. Murray Abraham, Jude Law, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Tom Wilkison, Owen Wilson, Larry Pine, Bob Balaban, Fisher Stevens, Waris Ahluwalia, Wallace Wolodarsky.

Até o ótimo “Moonrise Kingdom”, eu considerava Wes Anderson apenas um cineasta excêntrico, que gostava de histórias diferentes e personagens estranhos, mas após este “O Grande Hotel Budapeste” vejo que ele é um dos diretores mais originais que surgiram na última década. Lembrando um pouco o estilo visual das obras de Tim Burton, Anderson cria uma espécie de realidade paralela, em que o espectador que aceitar a ideia verá um ótimo espetáculo. 

A trama se passa em quatro épocas diferentes, começando nos dias atuais com uma adolescente lendo um livro chamado “O Grande Hotel Budapeste” e prestando uma homenagem ao autor colocando um determinado objeto na estátua do sujeito . Em seguida, a trama volta para 1985 e mostra o escritor (Tom Wilkinson) contando como soube da história do hotel e escreveu o famoso livro. 

Após estas duas passagens rápidas, voltamos a 1964 quando o escritor ainda jovem (agora vivido por Jude Law) está hospedado no hotel, na época um local decadente e acaba conhecendo o dono, o Sr. Zero Moustafa (F. Murray Abraham), que o convida para jantar e conta como se transformou em dono do hotel. 

Novamente a trama volta no tempo e chega em 1932, quando o hotel vivia seu auge e o adolescente Zero (interpretado por Tony Revolori) é contratado para ser mensageiro e se torna o protegido de Gustave (Ralph Fiennes), o administrador do local, sujeito que seduz velhas senhoras ricas. Zero ajudará Gustave numa disputa que envolverá uma herança e uma famoso quadro.

Além do belíssimo visual e da originalidade, vale destacar o ótimo roteiro, que em paralelo ao crescimento e posterior decadência do hotel, apresenta detalhes das transformações na Europa da época, como o avanço do fascismo e do nazismo e a consequente Segunda Guerra Mundial. 

Finalizando, o elenco é um show a parte, destacando ainda Edward Norton como um oficial do exército, Willem Dafoe como um sinistro assassino, Harvey Keitel como um presidiário totalmente careca, além da pequena participação de Bill Murray e o veterano F. Murray Abraham (vencedor do Oscar de Melhor Ator por “Amadeus”) tendo um raro bom papel depois de anos trabalhando em produções menores. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Jardins de Pedra

Jardins de Pedra (Gardens of Stone, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – James Caan, Anjelica Huston, James Earl Jones, D. B. Sweeney, Dean Stockwell, Mary Stuart Masterson, Dick Anthony Williams, Casey Siemaszko, Elias Koteas, Larry Fishburne, Lonette McKee, Sam Bottoms, Peter Masterson.

Em 1968, o sargento Hazard (James Caan) é um veterano da Guerra da Coréia que tem a missão de treinar recrutas para serem enviados ao Vietnã. Hazard também participa dos funerais dos jovens soldados mortos em batalha, que retornam ao país para serem enterrados com honras no cemitério de Arlington. 

Entre os jovens que começam um novo treinamento está Willow (D. B. Sweeney), que está ansioso para ser enviado a frente de combate, porém além do treinamento, precisa enfrentar a resignação de Hazard, que depois de testemunhar muitas mortes na Coréia e enterrar diariamente jovens em Arlington, já não acredita mais que a guerra seja solução para resolver conflitos políticos. Hazard mantém ainda uma relacionamento com uma jornalista (Anjelica Huston), que também é contra a guerra, enquanto Willow se envolve com uma jovem (Mary Stuart Masterson) e sofre porque terá de deixá-la para lutar. 

Diferente dos vários filmes sobre a Guerra do Vietnã que foram produzidos nos anos oitenta, inclusive o explosivo clássico “Apocalipse Now” dirigido pelo próprio Coppola, aqui o diretor procura mostrar uma visão sobre as pessoas que ficaram no país e que sofreram de longe ao ver a quantidade de jovens vidas que foram desperdiçadas no conflito. 

O personagem de James Caan vê no recruta interpretado por D.B.Sweeney a mesma ingenuidade que ele tinha quando lutou na Coréia, fato comum em muitos jovens que acreditam poder mudar o mundo ao lutar em uma guerra, quando na verdade estão apenas colocando suas vidas em perigo por uma causa política. 

Por ser um drama lento e melancólico, o longa não fez sucesso nos cinemas e se tornou uma obra pouco lembrada na filmografia de Coppola, mas que está longe de ser ruim.   

terça-feira, 15 de julho de 2014

Desafio à Corrupção & A Cor do Dinheiro


Desafio à Corrupção (The Hustler, EUA, 1961) – Nota 8,5
Direção – Robert Rossen
Elenco – Paul Newman, Jackie Gleason, Piper Laurie, George C. Scott, Myron McCormick, Murray Hamilton, Michael Constantine, Vincent Gardenia, Jake LaMotta. 

O jovem Eddie Felson (Paul Newman) e o veterano Charlie (Myron McCormick) são jogadores de sinuca que viajam por pequenas cidades aplicando um golpe extremamente simples, mas que funciona facilmente contra sujeitos ambiciosos. A grande chance da dupla ganhar um dinheiro alto surge quando chegam a Nova York e Felson consegue desafiar o famoso Minnesota Fats (Jackie Gleason), um veterano jogador considerado uma lenda da sinuca. Após uma verdadeira maratona em cima da mesa de sinuca, Felson é derrotado e perde uma grande quantia de dinheiro. 

Com uma personalidade complicada e abalado por ter perdido a partida, Felson se envolve com Sarah (Piper Laurie), uma jovem que tem problema em uma das pernas e que bebe demais. Sua última chance de reerguer a vida está em aceitar uma parceria com um empresário picareta (George C. Scott), que promete conseguir uma revanche com Minnesota Fats, em troca de parte do dinheiro da aposta. 

Este drama sobre o submundo da sinuca com certeza serviu de inspiração para os trabalhos de Martin Scorsese. Os personagens marginais deste filme vivem no mesmo mundo retratado por Scorsese em suas obras.& 

A fotografia em preto e branco realça ainda mais o estilo quase noir da narrativa, além dar um clima especial para as disputas de sinuca nos salões, alguns decadentes e outros grandiosos, como aquele em que ocorre a disputa entre Felson e Minnesota. 

Vale destacar o ótimo desempenho de todo o elenco e o prólogo que é uma verdadeira aula de cinema, sequência que detalha o golpe aplicado pelos personagens de Paul Newman e Myron McCormick. 

Como curiosidade, o lutador de boxe Jake LaMotta, o verdadeiro “Touro Indomável”, que teria sua vida levada ao cinema por Scorsese, tem uma ponta no filme como um barman.   

A Cor do Dinheiro (The Color of Money, EUA, 1986) – Nota 7,5
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Paul Newman, Tom Cruise, Mary Elizabeth Mastrantonio, Helen Shaver, John Turturro, Bill Cobbs, Elizabeth Bracco, Forest Whitaker.

O aposentado jogador de sinuca Eddie Felson (Paul Newman) encontra um em bar o jovem Vincent (Tom Cruise), sujeito com grande talento para a sinuca, mas ao mesmo tempo arrogante e exibicionista. Vendo o potencial do jovem, Felson se aproxima e diz que Vincent está desperdiçando seu talento. Felson diz ainda que pode fazê-lo ganhar muito dinheiro com o jogo, ensinando truques e dando dicas de como se portar nas disputas clandestinas. Eles entram em acordo e partem em busca de dinheiro nas mesas de sinuca, mas não demora para entrarem em conflito, em parte por causa da namorada de Vincent, a bela Carmen (Mary Elizabeth Mastrantonio). Toda esta situação faz reascender em Felson o desejo de jogar, se transformando num rival de Vincent. 

Esta sequência de “Desafio à Corrupção”, produzida vinte e cinco anos depois, foi um projeto do astro Paul Newman, que viu as claras semelhanças do longa original com o estilo desenvolvido por Scorsese. A escolha de Tom Cruise também foi um tiro certeiro, pois o jovem se transformaria em astro no mesmo ano com o estrondoso sucesso de “Top Gun – Astros Indomáveis”. 

Mesmo a distância de tempo entre os filmes e sendo inferior ao original, a trama se casa perfeitamente com o desenvolvimento do personagem de Paul Newman, que aqui carrega as amarguras do passado e vê no talentoso rebelde interpretado por Tom Cruise, um espelho do que ele mesmo era quando jovem. 

O longa serviu também para colocar a carreira de Scorsese de volta aos trilhos do sucesso. Ele que vinha do fracasso de “O Rei da Comédia” e do divertido “Depois de Horas”, tomou novo fôlego, em seguida comandou o polêmico “A Última Tentação de Cristo” e engatou uma série de sucessos nos anos noventa. 

Finalizando, Paul Newman que havia recebido um Oscar pela carreira um ano antes, finalmente venceu o Prêmio de Melhor Ator pelo papel de Eddie Felson.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sem Escalas

Sem Escalas (Non-Stop, Inglaterra / França / Estados Unidos, 2014) – Nota 7,5
Direção – Jaume Collet Serra
Elenco – Liam Neeson, Julianne Moore, Scott McNairy, Michelle Dockery, Nate Parker, Corey Stoll, Lupita Nyong’o, Omar Metwally, Jason Butler Harner, Linus Roache, Shea Wigham, Anson Mount, Quinn McColgan, Corey Hawkins.

Na cena inicial, somos apresentados a um sujeito (Liam Neeson) com rosto abatido, que está dentro de um carro ao lado de um aeroporto. Ele toma uma bebida antes de sair do carro e segue para entrar em um avião. A dúvida inicial aumenta quando o homem recebe mensagens de texto em uma rede privativa onde alguém o ameaça. Aos poucos, descobrimos que ele é um agente federal que viaja disfarçado fazendo segurança em voos comerciais e por algum motivo, está sendo ameaçado por um desconhecido. Para descobrir quem o ameaça, o agente toma atitudes que começam a assustar os passageiros e os tripulantes em pleno voo, tendo apoio apenas de uma mulher (Julianne Moore) que sentou ao seu lado no avião. 

Tramas de suspense e ação dentro de avião não são novidades no cinema, o que deixa este longa mais interessante é esconder o criminoso até a sequência final e criar um clima de paranoia através das mensagens de texto, resultando em uma tensão crescente. 

Mesmo com furos no roteiro, a trama não chega a ser tão absurda como outros filmes do gênero e o espectador consegue se divertir sem ser obrigado a engolir grandes exageros. 

O astro Liam Neeson, hoje na casa dos sessenta anos, desde “Busca Implacável” de 2008, pegou gosto pelos filmes de ação e protagonizou bons trabalhos no gênero. Além deste filme, vale destacar “A Perseguição”, “Desconhecido” e “Busca Implacável 2”, que ainda terá um sequência lançada em 2015. 

É muito legal quando um filme de suspense e ação tem um história interessante e não se apoia apenas em cenas de ação exageradas.

domingo, 13 de julho de 2014

O Besouro Verde

O Besouro Verde (The Green Hornet, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Michel Gondry
Elenco – Seth Rogen, Jay Chou, Cameron Diaz, Christoph Waltz, Tom Wilkinson, David Harbour, Edward James Olmos, Jamie Harris, Chad L. Coleman, Edward Furlong, James Franco.

Britt Reid (Seth Rogen) é o filho irresponsável de James Reid (Tom Wilkinson), um milionário dono de um jornal que morre de repente. Sem saber nada sobre a empresa, Britt deixa os negócios nas mãos de Mike (Edward James Olmos), uma espécie de braço direito do pai. Por acaso, ele descobre que o mecânico que trabalhava para seu pai, Kato (Jay Chou), é especialista em equipar carros com geringonças criativas. Após uma noite de farra com Kato, utilizando um dos carros modificados pelo sujeito e sem outra motivação qualquer, Britt decide sair pelas ruas com o novo amigo para enfrentar bandidos, como se fossem uma nova gangue que desejaria dominar a região. Logo, os dois amigos malucos entram em conflito com o traficante Chudnofsky (Christoph Waltz), um sujeito estranho que passa por uma crise de identidade.

A trama maluca e os absurdos do roteiro já eram esperados quando surgiu a notícia de que Seth Rogen, especialista em interpretar o “maconheiro gente boa”, iria adaptar a série dos anos sessenta que teve apenas uma temporada, mas que ficou marcada por ter o então desconhecido Bruce Lee no papel de Kato. Esta versão é praticamente uma sátira da série, com Rogen interpretando o papel de sempre e o chinês Jay Chou sendo mal aproveitado no que melhor sabe fazer, que é lutar.

O diretor francês Michel Gondry (do ótimo “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”) cria um efeito em câmera lenta para a visão do personagem Kato quando este se prepara para lutar, algo inusitado e que não funciona muito bem, deixando o longa ainda mais estranho.

A participação de Cameron Diaz vale apenas pela beleza, como um interesse romântico da dupla principal que se mostra forçado, assim como o bom Edward James Olmos é praticamente deixado de lado no meio da trama.

Os únicos destaques são a participação de James Franco na cena inicial e o vilão excêntrico interpretado por Christoph Waltz, que parece estar se divertindo no papel.

É o tipo de filme indicado para quem gosta de comédias rasteiras.