Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Horas de Desespero (1955 e 1990)

Horas de Desespero (The Desperate Hours, EUA, 1955) – Nota 8
Direção – William Wyler
Elenco – Humphrey Bogart, Fredric March, Arthur Kennedy, Martha Hascott, Dewey Martin, Robert Middleton, Richard Eyer, Mary Murphy, Gig Young.

Horas de Desespero (Desperate Hours, EUA, 1990) – Nota 7
Direção – Michael CiminoElenco – Mickey Rourke, Anthony Hopkins, Kelly Lynch, Mimi Rogers, Lindsay Crouse, Elias Koteas, David Morse, Shawnee Smith, Danny Gerard, Dean Norris, John Finn.

Em mais uma postagem dupla, eu destaco este drama policial chamado "Horas de Desespero", filmado com sucesso por William Wyler em 1955 com Humphrey Bogart no papel principal e refilmado com críticas pelo hoje esquecido diretor Michael Cimino, com Mickey Rourke encabeçando o elenco. Para quem gosta do gênero, vale a pena comparar as versões.

Na versão original, um trio de perigosos bandidos (Humphrey Bogart, Dewey Martin e Robert Middleton) foge da prisão e se esconde na casa da família Hilliard num bairro de classe média. Violentos, eles dominam o pai (Fredric March), que precisa controlar a esposa (Martha Scott) e seu casal de filhos (Richard Eyer e Mary Murphy). A situação se complica em razão dos bandidos terem de esperar a namorada do líder chegar com o dinheiro para eles poderem fugir e enquanto isso o filho se rebela contra o pai acusando-o de covardia por aceitar as ordens dos bandidos.

Este suspense mantém a alta tensão durante toda a trama e tem com um dos pontos principais a disputa de poder entre os personagens de Bogart e March. O primeiro precisar controlar seus violentos parceiros, sendo um deles seu irmão, enquanto o pai tem de ser a voz da razão para tentar salvar sua família. Outro grande filme de William Wyler (“Ben-Hur”) que apesar de um pouco esquecido no tempo, merece ser relembrado.

Na refilmagem a história muda um pouco. Aqui o bandido Michael Bosworth (Mickey Rourke) está sendo julgado, porém extremamente charmoso acaba seduzindo sua advogada (Kelly Lynch) que o ajuda a fugir, mas ela acaba sendo capturada. Na fuga, Michael se esconde na casa da família Cornell e domina o casal (Anthony Hopkins e Mimi Rogers), trazendo dois parceiros, seu violento irmão (Elias Koteas) e o sinistro Albert (David Morse). A história se complica porque a polícia usa a advogada como isca para procurar o foragido, além do problemático casal refém que está se separando e não se entende, não conseguindo também controlar os filhos (Shawnee Smith e Danny Gerard).

Esta versão muda um pouco o foco e aumenta a violência, porém não consegue se igualar na qualidade.

Mickey Rourke foi muito criticado pelo papel de bandido violento, sendo que realmente ele parece exagerar em alguns momentos, mas no geral o filme é um bom misto de drama, suspense e policial.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Os Heróis Não Tem Idade e O Vôo do Navegador


Os Heróis Não Tem Idade (Cloak and Dagger, EUA, 1984) – Nota 6,5
Direção – Richard Franklin
Elenco – Henry Thomas, Dabney Coleman, Michael Murphy, John McIntire, Jeanette Nolan, Tim Rossovich, William Forsythe.

O Vôo do Navegador (Flight of the Navigator, EUA, 1986) – Nota 6,5
Direção – Randal Kleiser
Elenco – Joey Cramer, Paul Reubens, Veronica Cartwright, Cliff DeYoung, Sarah Jessica Parker, Matt Adler, Howard Hesseman.

Estes dois longas de ficção e aventura com a cara dos anos oitenta foram estrelados por garotos, sendo que o astro do primeiro filme, Henry Thomas, cresceu e continua firme na carreira, enquanto o garoto segundo filme, Joey Cramer ficou pelo caminho.

Este é mais um clássico da sessão da tarde. O garotinho Davey (Henry Thomas vindo do sucesso de “ET – O Extraterrestre”) perdeu a mãe e vive assustado com a situação e pelo distanciamento do pai (Dabney Coleman). Com isso ele acaba criando um amigo imaginário, o super-herói Jack Flack (também vivido por Dabney Coleman) que o ajuda em tudo, porém num certo dia ele presencia um homem sendo assassinado e este entrega ao garoto um cartucho de video-game com informações secretas. É o início da aventura do garoto em fugir dos bandidos com a ajuda do herói imaginário.

Divertida aventura infanto-juvenil que fez sucesso em vídeo na época e tem como resultado um bom divertimento.

Este filme também é um clássico, porém do “Cinema em Casa” do SBT e tem como personagem principal o garoto David (Joey Cramer que não fez carreira), que acaba sequestrado por um nave alienígena, retornando para Terra após algumas horas no espaço, porém aqui se passaram seis anos e aí começa o problema. Ele reencontra os pais (Veronica Cartwright e Cliff DeYoung) incrédulos e o irmão mais novo (Matt Adler) hoje mais velho que ele. Para resolver a situação ele precisa da ajuda do alienígena Trimaxi (voz de Paul Reubens, o “Pee-Wee Herman”).

O diretor Randal Kleiser que havia feito sucessos como “Nos Tempos da Brilhatina” e “A Lagoa Azul”, acerta a mão novamente nesta ficção feita com efeitos especiais simples e que também fez sucesso no mercado de vídeo na época. A Disney pretente refilmar a história em breve.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Surface

Surface (EUA, 2005)
Criadores - Jonas e Josh Pate
Elenco - Lake Bell, Jay R. Ferguson, Carter Jenkins, Leighton Meester, Ian Anthony Dale, Eddie Hassell, Rade Sherbergia.

Esta série “Surface” pode ser chamada de “guilty pleasure”. A trama é totalmente B, estrelada por um elenco desconhecido, mas é um prazer para quem gosta de ficção feita com pouca grana e muita criatividade.

A história se divide em três personagens que tendo objetivos diferentes acabam se cruzando em torno de uma espécie pré-histórica que vem a tona em virtude de um experimento científico onde participa a espertíssima Dr. Laura Daughtery (Lake Bell) e quando algo dá errado, ela é dispensada do projeto, mas não se conformando e sabendo que algo não-oficial está acontecendo, inicia um investigação própria que incomodorá o exército e o cientista chefe Dr. Alexander Cirko (Rade Sherbedgia).

Numa segunda trama o bonachão Rich (Jay R. Ferguson), vive com sua mulher e filha em uma pequena cidade, sendo praticante de pesca e mergulho, até que num destes passeios vê seu irmão sendo arrastado para o fundo do mar por uma estranha criatura. O fato o deixa obcecado em descobrir o que ouve com o irmão e o faz iniciar uma busca maluca e inconsequente depois de descobrir informações sobre o monstro marinho na internet.

A terceira ponta da história nos brinda com um pouco de comédia, onde o adolescente Miles (Carter Jenkins) junto com o amigo Phil (Eddie Hassell), encontram no mar alguns ovos enormes, levando um para casa e por ali nasce uma pequena criatura que ele dá o nome de Nim e o esconde da família, porém com o tempo o pequeno bichinho vai crescendo e cada vez que se assusta ou se sente perseguido, solta uma descarga elétrica violentíssima, o que gera cenas perigosas e engraçadas.

Estes três personagens se cruzarão em busca de respostas e terão de fugir de agentes envolvidos em uma grande conspiração governamental que poderá acabar em tragédia.

A série teve apenas uma temporada e com certeza um dos motivos do cancelamento é que da forma que termina, ficaria extremamente cara uma continuação, onde seria necessário um número bem maior de efeitos especiais, mas mesmo assim o final é interessante.

Para que gosta do gênero e tiver oportunidade, vale a pena assistir apesar de ser apenas uma temporada.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Paixões Violentas

Paixões Violentas (Against All Odds, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Taylor Hackford
Elenco – Jeff Bridges, Rachel Ward, James Woods, Richard Widmark, Jane Greer, Alex Karras, Swoosie Kurtz, Saul Rubinek, Pat Corley, Bill McKinney.

O ex-jogador de futebol Terry Brogan (Jeff Bridges) está falido e recebe a proposta de localizar a ex-amante de Jake (James Woods), proprietário de um clube noturno, sendo que a garota fugiu com 50.000 dólares e deixou ferido o amante. Aceitando a proposta, Terry encontra a garota Jessie (Rachel Ward) no México e acaba se apaixonando e vivendo um romance tórrido, até que Jake resolve enviar um capanga para traze-los de volta e dá início a um espiral de violência e de várias reviravoltas na trama, onde ninguém será inocente.

A sensualidade e a violência que no filme original (“Fuga do Passado” de 1947) era comedida, aqui ganha contornos fortes, com cenas quentes entre Briges e a bela e hoje sumida Rachel Ward, mas que mesmo assim não consegue superar o longa em que se baseou.

Como curiosidade, a atriz Jane Greer que no filme original fez a garota sensual, aqui interpreta a mãe da moça.

Para os fãs, podemos destacar a canção título na voz de Phil Collins.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Fuga do Passado

Fuga do Passado (Out of The Past, EUA, 1947) – Nota 8
Direção – Jacques Tourneur
Elenco – Robert Mitchum, Jane Greer, Kirk Douglas, Rhonda Fleming, Richard Webb, Steve Brodie, Virginia Huston, Paul Valentine.

Jeff Bailey (Robert Mitchum) é dono de um posto de gasolina em uma pequena cidade e vive tranquilamente com sua noiva (Virgina Huston), até que é encontrado por um velho conhecido, Joe (Paul Valentine) que vem busca-lo para que resolva um problema que deixou pendente com o gângster Whit Sterling (Kirk Douglas). No passado ele era o investigador contratado por Whit para encontrar a ex-amante Kathie (Jane Greer) que atirou nele e fugiu com 40.000 dólares, porém Jeff acabou se apaixonando pela garota e teve um romance com ela antes desta desaparecer, algo que o vilão não esqueceu.

Este clássico tem como destaques o confronto entre Mitchum e Douglas, este em seu segundo filme apenas e o clima de sensualidade criado pela personagem de Jane Greer, que usa todo seu charme para jogar com os dois homens, por sinal ela faz um tipo de personagem usual em filmes noir.

A história foi refilmada nos anos oitenta como “Paixões Violentas”, com Jeff Bridges e James Woods como os antagonistas e a bela e hoje sumida Rachel Ward como a esperta sensual e aumentou em doses cavalares os níveis de sensualidade e violência, mas não superou o original. Por sinal este filme será o tema da minha próxima postagem.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Caché

Caché (Caché, França / Áustria / Alemanha / Itália, 2005) – Nota 8
Direção – Michael Haneke
Elenco – Daniel Auteuil, Juliette Binoche, Maurice Benichou, Annie Girardot, Lester Makedonsky, Walid Afkir.

Em Paris, o casal Georges Laurent (Daniel Auteuil) e Anne (Juliette Binoche) vivem aparentemente muito bem com o filho adolescente Pierrot (Lester Makedonsky), ele sendo apresentador de um programa de TV sobre literatura e ela trabalhando como editora, até que em um certo dia eles recebem uma fita vhs onde o conteúdo é uma filmagem estática da frente de sua casa por algumas horas. Intrigados, eles começam a pensar quem seria o responsável por aquilo e a situação piora quando recebem outras fitas e alguns cartões com um determinado desenho.

Esta situação inusitada é o início de um jogo que parece ter como objetivo destruir a vida do casal e principalmente ser uma vingança contra Georges e a cada novo movimento ficamos com a clara impressão de que aquela família distinta tem alguns segredos escondidos (Caché do título significa Escondido em francês), segredos que o diretor Haneke tenta manipular com as fitas entregues ao casal e assim desestrutura-los.

Um detalhe importante da trama é que não vemos praticamente gesto algum de carinho entre o casal, além de um distanciamento do filho, que demonstra saber dos pecados dos pais mas não tem a mínima intenção de discutir o assunto. Haneke manipula com inteligência também o espectador, que fica sempre a espera da revelação, mas terá de se contentar em analisar as camadas abaixo da superfície.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Jean Charles

Jean Charles (Brasil, 2009) – Nota 7
Direção – Henrique Goldman
Elenco – Selton Mello, Vanessa Giácomo, Luís Miranda, Patricia Armani, Maurício Varoltta, Sidney Magal, Daniel de Oliveira.

A história do brasileiro Jean Charles de Menezes assassinado pela polícia inglesa é conhecida por todos, mas esta adaptação de sua vida em Londres até a tragédia trás detalhes surpreendentes da vida do rapaz.

O filme começa quando sua prima Vivian (Vanessa Giácomo) chega a Londres e Jean (Selton Mello) engana o oficial de imigração para conseguir o visto de turista para garota. Logo neste início vemos que Jean era um pessoa comum, com virtudes e defeitos. A partir daí conheceremos a vida de Jean que mora com outros dois primos, Alex (Luis Miranda) e Patricia (Patricia Armani) e juntos precisam driblar a língua, as dificuldades de trabalho e ainda ajudar na adaptação da prima. A surpresa do roteiro é mostrar Jean como um sujeito ambicioso, que usava sua lábia e inteligência para fazer amigos e conseguir favores, até mesmo tendo atitudes que deixavam dúvidas sobre seu cárater.

O resultado final vale por conhecermos um pouco mais sobre a vida deste rapaz que foi abreviada estupidamente e ainda detalhes sobre como vivem os brasileiros em Londres, que precisam se ajudar para poder sobreviver.