segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Sabotador & Os 39 Degraus


Sabotador (Saboteur, EUA, 1942) – Nota 7,5
Direção – Alfred Hithcock
Elenco – Robert Cummings, Priscilla Lane, Otto Kruger, Alan Baxter, Clem Bevans, Norman Lloyd, Alma Kruger.

Um incêndio ocorre no galpão de uma fábrica de aviões. Ao tentar apagar o fogo utilizando um extintor, um funcionário morre queimado. Seu amigo Barry Kane (Robert Cummings) havia recebido o extintor de outro sujeito (Norman Lloyd), sem saber que o mesmo estava cheio de gasolina. Barry é acusado pelo crime, pois o outro homem desapareceu. Antes de ser preso, ele consegue fugir para procurar o sujeito e tentar esclarecer o que ocorreu, sem imaginar que o crime faz parte de uma grande conspiração.

O tema do inocente acusado injustamente é comum na filmografia de Hitchcock. Longas como “Os 39 Degraus” e “O Homem Errado” exploram este tema. Aqui, o roteiro aumenta o grau da acusação ao mostrar o crime como um ato de terrorismo em plena Segunda Guerra Mundial.

É interessante também a escolha do diretor em colocar como vilões personagens americanos, deixando de lado o esteriótipo do estrangeiro tentando destruir a América. Por outro lado, o filme perde alguns pontos ao fazer com que o protagonista atravesse o país como muita facilidade.

Finalizando, vale destacar a cena dos tiros dentro do cinema, que mistura o som do filme na tela com os tiros disparados por um vilão. Como todo filme de Hitchcock, é uma obra que merece ser conferida.

Os 39 Degraus (The 39 Steps, Inglaterra, 1935) – Nota 7
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Robert Donat, Madeleine Carroll, Lucie Manheim, Peggy Ashcroft.

Richard Hannay (Robert Donat) está passando férias em Londres e decide assistir a uma famosa peça de teatro. Sem explicação, tiros são disparados durante o espetáculo e as pessoas correm para fugir do local. Na saída do teatro, Hannay cruza o caminho de uma jovem que lhe conta uma história sobre conspiração. Ele leva a garota para o hotel. Na mesma noite, a jovem é assassinada e Hannay se torna o grande suspeito do crime, tendo de correr contra o tempo para provar sua inocência. 

Ainda na fase inglesa de Hitchcock, este longa apresenta situações que o diretor voltaria a explorar várias vezes na carreira. O acusado tentando provar sua inocência, uma personagem feminina misteriosa, a clássica conspiração e as cenas de suspense criativas. Por mais que tenha envelhecido bastante na forma e na ingenuidade de algumas situações, o trabalho ainda merece destaque pela carisma do protagonista e até pelo bom humor da narrativa.  

domingo, 20 de agosto de 2017

Borboleta Negra

Borboleta Negra (Black Butterfly, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Brian Goodman
Elenco – Antonio Banderas, Jonathan Rhys Meyers, Piper Perabo, Abel Ferrara.

Paul (Antonio Banderas) é um escritor espanhol que vive em uma casa isolada no interior dos EUA. Separado da esposa e enfrentando um bloqueio criativo, Paul ainda se envolve em um conflito dentro de um restaurante. 

O fato faz Paul se aproximar de Jack (Jonathan Rhys Meyers), que o ajuda e que diz estar viajando pelo país sem rumo. Paul deixa o jovem ficar alguns dias em sua casa, mesmo sem saber nada de sua vida. Aos poucos, ele passa a desconfiar que Jack seja um serial killer que está sendo procurado pela polícia. 

O roteiro esconde duas grandes reviravoltas que vem à tona no terço final. A primeira, por mais interessante que pareça a princípio, se mostra exagerada ao ser analisada com frieza e nos detalhes. A surpresa final é muito mais verdadeira, ao mesmo tempo em que praticamente tira um sarro da cara do espectador. 

Não é um filme ruim, mas também está longe de ser uma obra marcante. É um daqueles filmes que geram discussões após a sessão para entender o que realmente aconteceu, mas que logo são esquecidos.   

sábado, 19 de agosto de 2017

Tudo em Família

Tudo em Família (The Family Stone, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Thomas Bezucha
Elenco – Diane Keaton, Dermot Mulroney, Sarah Jessica Parker, Claire Danes, Craig T. Nelson, Luke Wilson, Rachel McAdams, Tyrone Giordano, Brian White, Elizabeth Reaser.

Meredith (Sarah Jessica Parker) é uma típica mulher de Nova York. Sempre preocupada com o trabalho e com a aparência, ela se mostra insegura quando seu namorado Everett (Dermot Mulroney) a convida para conhecer seus pais durante os festejos de final de ano. 

Ao chegar na casa dos sogros, ela logo se sente julgada pela família de estilo liberal. Os poucos dias de convivência resultarão em discussões e lavagem de roupa suja. 

A premissa de mostrar conflitos familiares já foi explorada dezenas de vezes pelo cinema. O diferencial de qualidade está quando se une bom elenco, personagens próximos da realidade e roteiro afiado. Infelizmente, nesse longa pouca coisa se salva. 

Os personagens são caricatos e o roteiro totalmente clichê, incluindo um forçado final feliz e uma patética sequência que beira o pastelão. Entre os familiares temos a mãe liberal, o pai observador, o irmão gay, o outro irmão irresponsável, a irmã rebelde e outra irmã caxias. 

O resultado é uma total perda de tempo para o espectador.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mia Madre

Mia Madre (Mia Madre, Itália / França / Alemanha, 2015) – Nota 7,5
Direção – Nanni Moretti
Elenco – Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti, Beatrice Mancini.

Margherita (Margherita Buy) é uma cineasta famosa trabalhando em seu novo filme e tendo de lidar com um excêntrico ator americano (John Turturro) que se enrola todo para falar em italiano. Seu irmão Giovanni (Nanni Moretti) é um engenheiro que aparenta não estar feliz com a carreira. 

Os dois reavaliam as próprias vidas ao terem de lidar com a doença da mãe (Giulia Lazzarini), uma professora inteligente, adorada pelos ex-alunos, mas que a cada dia fica mais próxima da morte. 

O diretor, produtor e roteirista Nanni Moretti é especialista em dramas sobre pessoas comuns e perdas. Em filmes como “Caos Calmo”, onde ele apenas é o roteirista e em “O Quarto do Filho”, a dor pela perda é o ponto principal. Aqui, o sentimento dos irmãos é pela iminente perda, focando no sofrimento das pessoas que convivem com familiares que tem pouco tempo de vida. 

O roteiro explora a ainda as frustrações pessoais, principalmente da personagem de Margherita Buy, que não consegue manter um relacionamento. 

É um filme sensível que atinge principalmente quem já passou pela situação de perder um pai ou um mãe. Ver um familiar sofrer é tão difícil quanto aceitar a partida do mesmo.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Splice - A Nova Espécie & A Experiência


Splice – A Nova Espécie (Splice, Canadá / França / EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Vincenzo Natali
Elenco – Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chaneac, Brandon McGibbon, David Hewlett, Simona Maicanescu, Abigail Chu.

Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) são um casal de cientistas que conseguiram desenvolver em laboratório uma nova criatura a partir da mistura de células de diversos animais. A corporação que financia o projeto espera conseguir uma nova proteína para alimentar gado, enquanto o sonho do casal é testar células humanas no experimento. Mesmo proibidos pela empresa, eles decidem seguir o projeto em paralelo e conseguem um aparente sucesso. Uma estranho bebê é gerado, dando início a uma série de consequências inesperadas e bizarras.

O diretor Vincenzo Natali é especialista em filmes B de ficção. Seu melhor trabalho é o ótimo “Cubo”. Aqui, a trama lembra os longas de ficção dos anos cinquenta, em que experimentos bizarros resultam em criaturas que fogem ao controle dos cientistas. O roteiro explora a discussão sobre até que ponto a ciência pode chegar e por incrível que pareça, discute ainda a questão de ter ou não filhos. As cenas de suspense e os efeitos da criatura são competentes. O filme perde pontos pela narrativa irregular e por alguns furos no roteiro.

Indicado para quem curte o gênero.

A Experiência (Species, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Ben Kingsley, Michael Madsen, Forest Whitaker, Alfred Molina, Marg Helgenberger, Natasha Henstridge, Michelle Williams.

Um centro de observação espacial recebe uma mensagem desconhecida do que seria um código genético alienígena. Acreditando ser algo útil para o avanço da ciência, o governo americano financia um projeto para criar um ser híbrido. O cientista Xavier Fitch (Ben Knigsley) consegue sucesso no projeto, resultado em uma garotinha (Michelle Williams). 

Ao perceber que existe algo de errado com a criação, eles tentaram neutralizar a criatura, que foge em busca de um parceiro para acasalar. Ela consegue “tomar” o corpo de uma bela mulher (Natasha Henstridge) e se torna uma ameaça para o governo, que envia um grupo liderado pelo mercenário Preston Lennox (Michael Madesen) para caçar a criatura. Junto com Preston seguem um cientista (Alfred Molina), um sensitivo (Forest Whitaker) e uma bióloga (Marg Helgenberger). 

Mesmo com falhas no roteiro, alguns absurdos e uma história clichê semelhante a uma caçada a um serial killer, esta mistura de ficção e terror fez sucesso na época, principalmente no mercado de dvd. Além de clichê, a trama é basicamente de um filme B disfarçada pelos efeitos especiais que hoje parecem envelhecidos, mas que na época eram de primeiro linha, inclusive a criatura desenvolvida pelo famoso H. R. Giger, criador da sinistra ameaça de “Alien – O Oitavo Passageiro”. Vale destacar a beleza e a nudez de Natasha Henstridge e o elenco recheado de rostos conhecidos, inclusive uma ainda adolescente Michelle Williams. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Toda Prova

A Toda Prova (Haywire, Irlanda / EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Gina Carano, Channing Tatum, Ewan McGregor, Michael Douglas, Michael Fassbender, Antonio Banderas, Michael Angarano, Bill Paxton, Mathieu Kassovitz.

Mallory Kane (a lutadora de MMA Gina Carano) é uma ex-agente de operações especiais do governo que trabalha para uma empresa privada de segurança internacional. 

Uma missão para resgatar um dissidente chinês termina em traição e Mallory escapa por pouco de ser assassinada. A partir daí, ela precisa descobrir quem planejou sua morte. 

A aparente complexidade do roteiro esconde uma previsível trama de vingança. Os personagens também são mal desenvolvidos e a protagonista Gina Carano se destaca apenas pela beleza e a destreza nas cenas de lutas, que por sinal são o melhor do filme. 

A estranha trilha sonora que parece ter saído direto de algum filme de baixo orçamento dos anos setenta é outra coisa que incomoda. 

Levando em conta também os coadjuvantes famosos e a direção de Steven Soderbergh, o filme fica abaixo do esperado.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Espaço Entre Nós

O Espaço Entre Nós (The Space Between Us, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Peter Chelsom
Elenco – Asa Butterfield, Gary Oldman, Carla Gugino, Britt Robertson, Janet Montgomery.

A primeira expedição em direção a Marte parte com cinco astronautas homens e uma mulher (Janet Montgomery). Para surpresa geral, a mulher descobre que está grávida durante a viagem. Ela dá luz chegando na colônia em Marte, mas acaba falecendo. O fato abala o cientista responsável pela viagem (Gary Oldman), mesmo com ele tendo ficado na Terra. Ele decide esconder a história da imprensa e abandona o trabalho em seguida. 

Dezesseis anos depois, o adolescente Gardner (Asa Butterfield) continua vivendo na colônia em Marte, mas sonha em voltar para Terra e encontrar seu pai, sujeito que ele conhece apenas por uma foto e sequer sabe o nome. Ao mesmo tempo, Gardner conversa por uma espécie de internet espacial com a jovem Tulsa (Britt Robertson), que vive em Oklahoma com o pai beberrão. 

Esta ficção é mais um exemplo de uma boa premissa desperdiçada. A questão das implicações de marketing sobre a imagem da Nasa e também de saúde para manter o jovem em Marte são interessantes, mas infelizmente o filme se perde completamente quando o protagonista viaja para Terra. São situações absurdas e grandes furos no roteiro, lembrando o estilo de muitas aventuras adolescentes dos anos oitenta, em que a única preocupação era a correria. O roteiro ainda guarda uma surpresa que o cinéfilo mais atento descobrirá logo no início do filme. 

É uma pena, além da premissa, o longa desperdiça também a ótima produção e o bom elenco.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Garota Desconhecida

A Garota Desconhecida (La Fille Inconnue, Bélgica / França, 2016) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minella, Olivier Goumert, Fabrizio Rongione.

Jenny Davin (Adele Haenel) é uma jovem médica que está prestes a trocar o pequeno consultório na periferia de Liege na Bélgica, por um trabalho em uma clínica que atende a classe alta. 

Poucos dias antes da mudança, Jenny não atende uma pessoa que toca a campainha após o consultório estar fechado. No dia seguinte, a polícia a procura informando que uma jovem desconhecida morreu próximo ao local, provavelmente assassinada. Abalada por acreditar que teria salvo a vida da mulher se a atendesse, Jenny decide investigar para tentar descobrir a identidade da vítima. 

Os irmãos Dardenne são cineastas autorais como Michael Haneke e Gaspar Noé por exemplo. O cinema da dupla foca sempre em pessoas comuns que vivem situações complicadas envolvendo temas atuais. 

Aqui, o roteiro foca em duas questões principais: A exploração dos imigrantes no submundo das cidades européias e a dúvida dos jovens em escolher seguir a carreira que deseja ou almejar apenas o dinheiro. 

A protagonista vive este dilema ao conhecer os dois lados da carreira analisando em qual deles seu trabalho seria mais útil e também onde ela seria mais feliz. 

É interessante também ver um trabalho que praticamente não existe mais em nosso país, o do médico dedicado que atende com preço popular e interesse nos pacientes, além de ainda fazer visitas em casa. É algo simples que infelizmente se perdeu por aqui em troca do lucro fácil através de consultas caras e impessoais. 

Como informação, coadjuvantes como Jeremie Renier, Olivier Goumet e Fabrizio Rongione são parceiros habituais dos irmãos Dardenne.

domingo, 13 de agosto de 2017

A Hora da Vingança & A Floresta Petrificada


A Hora da Vingança (Deadline – U.S.A., EUA, 1952) – Nota 8
Direção – Richard Brooks
Elenco – Humphrey Bogart, Ethel Barrymore, Kim Hunter, Ed Begley, Warren Stevens, Paul Stewart, Martin Gabel.

Ed Hutcheson (Humphrey Bogart) é o editor do jornal “New York Day”, conhecido por ser um veículo de notícias totalmente independente. A morte do proprietário e fundador do jornal coloca a sucessão da empresa nas mãos das duas filhas que desejam vendê-la para um concorrente e de sua viúva (Ethel Barrymore) que a princípio não se manifesta contra a venda. 

Sabendo que o comprador seria um concorrente alinhado a políticos e que o jornal perderia sua essência, Ed faz de tudo para tentar mudar a ideia das herdeiras, ao mesmo tempo em que investiga um mafioso (Martin Gabel) que teria assassinado sua amante para esconder o pagamento de suborno a um senador. 

Sessenta e cinco anos após ser produzido, o tema deste longa escrito e dirigido por Richard Brooks (“Os Profissionais”, “A Sangue Frio”) continua extremamente atual. A fusão de veículos de imprensa com o objetivo de criar um monopólio, pressionar e boicotar os profissionais que prezam a verdade utilizando até mesmo de violência e a família que se preocupa apenas com o dinheiro deixado pelo patriarca ignorando seu legado são situações atuais, além é claro da corrupção envolvendo políticos e autoridades. Hoje é cada vez mais difícil existirem profissionais como o corajoso protagonista vivido por Humphrey Bogart. 

É um belo filme sobre liberdade de imprensa.  

A Floresta Petrificada (The Petrified Forest, EUA, 1936) – Nota 6,5
Direção – Archie Mayo
Elenco – Leslie Howard, Bette Davis, Humphrey Bogart, Dick Foran, Genevieve Tobin, Joe Sawyer, Porter Hall, Charley Grapewin, Paul Harvey.

Gabrielle (Bette Davis), seu pai Jason (Porter Hall) e seu avô (Charley Grapewin) são os donos de um pequeno restaurante de beira de estrada no meio do deserto de Nevada. A vida tranquila e isolada da família muda completamente em apenas um dia. A chegada de um escritor inglês (Leslie Howard) que viaja sem rumo desperta uma paixão em Gabrielle e posteriormente a “visita” de uma quadrilha de assaltantes liderada por Duke Mantee (Humphrey Bogart) transforma o local em alvo da polícia. 

Produzido há mais de oitenta anos, este longa mistura algumas situações ingênuas com diálogos afiados e um final explosivo. As atuações teatrais de Leslie Howard e Bette Davis podem incomodar um pouco, assim como a locação quase toda filmada com fundo falso. Por outro lado, vale destacar os personagens do avô falastrão vivido por Charley Grapewin e um Humphrey Bogart como vilão antes de se tornar astro. 

É um filme que vale como curiosidade para quem curte obras antigas.

sábado, 12 de agosto de 2017

The Fall

The Fall (The Fall, Inglaterra, 2013 a 2016)
Direção – Allan Cubitt
Elenco – Gillian Anderson, Jamie Dornan, John Lynch, Aisling Franciosi, Niamh McGrady, Bronagh Waugh, Stuart Graham, Colin Morgan, Archie Panjabi.

Em Belfast na Irlanda do Norte, duas mulheres na casa dos trinta anos são encontradas mortas por estrangulamento. A polícia inglesa envia a investigadora Stella Gibson (Gillian Anderson, a Dana Scully de “Arquivo X”) para cuidar do caso. As poucas pistas levam a acreditar que os crimes sejam obra de um meticuloso serial killer. 

Em paralelo, o roteiro detalha a vida e as obsessões do assassino. Paul Spector (Jamie Dornan) é casado, pai de um casal de filhos pequenos e trabalha como uma espécie de assistente social aconselhando pessoas. A investigação e alguns novos crimes resultam num verdadeiro jogo de gato e rato entre polícia e assassino. 

Esta competente série policial tem dezessete episódios de uma hora cada, divididos em três temporadas. O roteiro acerta em não esconder a identidade do assassino e principalmente por explorar sua obsessão em detalhes, assim como desenvolve também de forma correta a protagonista vivida por Gillian Anderson. Assim como o assassino, ela também é detalhista e obcecada em resolver o caso. Em várias sequências suas emoções vem à tona, deixando de lado a frieza que demonstra para os homens a sua volta. 

O desenvolvimento dos coadjuvantes também é competente, com destaque para o chefe de polícia (John Lynch), para a esposa do assassino (Bronagh Waugh) e para a adolescente rebelde que se apaixona pelo psicopata (Aisling Franciosi). Todos terão suas vidas marcadas para sempre em consequência dos crimes. 

A grande falha da série é a duração de uma hora para cada episódio. Muitas sequências como interrogatórios, depoimentos e discussões são longas, passando a impressão de que o roteiro precisava se estender para preencher o tempo programado. Isso termina cansando um pouco. 

Destaque também para o tenso e ao mesmo tempo melancólico episódio final.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Quase 18

Quase 18 (The Edge of Seventeen, EUA / China, 2016) – Nota 7,5
Direção – Kelly Fremon Craig
Elenco – Hailee Steinfeld, Woody Harrelson, Kyra Sedgwick, Blake Jenner, Haley Lu Richardson, Hayden Szeto, Alexander Calvert, Eric Keenleyside.

Ao completar dezessete anos, Nadine (Hailee Steinfeld) entra numa grande crise quando sua melhor amiga Krista (Haley Lu Richardson) começa a namorar com seu irmão Darian (Blake Jenner). 

Narrado pela protagonista, o longa mostra em flashbacks como desde criança Nadine teve dificuldades em conviver com o irmão e principalmente com a mãe (Kyra Sedgwick), fato que piorou após a morte do pai. Com esta introdução, o roteiro explora as crises e dificuldades enfrentadas por Nadine no dias atuais. 

Este simpático longa tem como destaques principais a atuação espontânea da jovem Hailee Steinfeld e o roteiro escrito pela diretora estreante Kelly Fremon Craig, que acerta no tom ao explorar as crises da adolescência de uma forma realista, sem apelar para piadas ofensivas ou personagens caricatos. 

Não chega a ser um alívio cômico, mas mesmo assim as pitadas engraçadas ficam a cargo de Woody Harrelson como o veterano professor de história. 

É um filme que mostra como uma história bem contada e personagens próximos da realidade são os pilares para um bom drama. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Jolene & À Procura de Mr. Goodbar


Jolene (Jolene, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Dan Ireland
Elenco – Jessica Chastain, Dermot Mulroney, Frances Fisher, Theresa Russell, Rupert Friend, Zeb Newman, Chazz Palminteri, Denise Richards, Michael Vartan.

Este longa é baseado num livro de E. L. Doctorow, que acompanha uma verdadeira saga de vida da protagonista Jolene vivida com brilhantismo e ousadia por uma então desconhecida Jessica Chastain, que estreava no cinema após alguns trabalhos na tv.

A trama detalha a vida da orfã Jolene dos quinze aos vinte e cinco anos, passando por quatro cidades, vários relacionamentos, crises e tragédias. Por mais que algumas passagens sejam um pouco exageradas, o longa prende atenção pela fluidez da narrativa e pelas mudanças da protagonista. As roupas e as atitudes mudam em cada segmento, como se a difícil vida de orfã tivesse feito com que a jovem fosse obrigada a se adaptar as novas situações.

Um ponto interessante são as contradições nas atitudes de Jolene. Ela varia entre o frescor adolescente, a ingenuidade em algumas situações, se transforma em manipuladora em outras e sabe muito bem usar sua sexualidade para conquistar o que deseja. Esta complexa personalidade é o que dá vida ao filme.

À Procura de Mr. Goodbar (Looking for Mr. Goodbar, EUA, 1977) – Nota 7,5
Direção – Richard Brooks
Elenco – Diane Keaton, Tuesday Weld, William Atherton, Richard Gere, Richard Kiley, Alan Feinstein, Tom Berenger, Priscilla Pointer, Julius Harris, LeVar Burton.    

Theresa (Diane Keaton) é uma jovem estudante de pedagogia que se envolve com seu professor. Ele se torna o primeiro homem de sua vida. Ao se formar e iniciar sua carreira como professora, Theresa é dispensada pelo amante que é casado. A partir daí, ela decide sair de casa para morar sozinha e aproveitar a liberdade curtindo bares noturnos e relações com desconhecidos. 

Com cenas ousadas de sexo e nudez para a época, este longa tem como ponto principal mostrar de forma crua como as mulheres estavam aproveitando a liberdade sexual nos anos setenta. A protagonista explora esta situação com coragem, desejo e até mesmo de forma ingênua. Ela entra em conflito com o pai moralista, é confidente da irmã que sempre escolhe homens errados e ela mesma enfrenta amantes abusivos e mentirosos. 

Mesmo com uma narrativa datada, algumas cenas noturnas repetitivas e um final que pode ser considerado um castigo, o longa é ousado e retrata um novo mundo que a geração anterior tinha dificuldades em aceitar. É acima de tudo um filme marcante, mesmo com seus defeitos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos (The Most Hated Woman in America, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Tommy O’Haver
Elenco – Melissa Leo, Josh Lucas, Juno Temple, Michael Chernus, Brandon Mychal Smith, Adam Scott, Vicent Kartheiser, Rory Cochrane, Alex Frost, Sally Kirkland, Ryan Cutrona, José Zuñiga.

Texas, 1995. A ativista fundadora da organização dos “American Atheists” Madalyn Murray O’Hair (Melissa Leo), seu filho Garth (Michael Chernus) e a neta Robin (Juno Temple) são vítimas de sequestro. 

Conhecida e odiada por sua luta contra as imposições das religiões, seu desaparecimento é tratado com desprezo pela polícia e pela imprensa, que acreditam ser uma jogada de marketing da mulher. 

Apenas um funcionário da sua organização (Brandon Mychal Smith) luta para provar que a família foi sequestrada, nem mesmo Bill (Vincent Kartheiser), filho mais velho de Madalyn que havia se afastado da família acredita na história. 

Baseado numa bizarra história real, este longa se divide em duas narrativas. A principal se passa em 1995 focando no sequestro e a segunda em flashbacks que seguem dos anos sessenta quando Madalyn começou sua luta, até os anos noventa. 

São muitos detalhes e situações que foram condensados em apenas uma hora e meia. Vários fatos vem à tona sem grandes explicações, a narrativa parece correr para fechar a trama em um tempo pré-determinado. O filme não chega a ser ruim, mas fica claro que faltou um roteiro melhor detalhado para a complexa história. 

Determinada, manipuladora e com uma personalidade forte, a protagonista era uma mulher que vivia entre polêmicas e contradições, criando uma oportunidade para Melissa Leo entregar uma ótima interpretação. 

Finalizando, o filme é uma produção da Netflix.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Acordo & Rápida Vingança


O Acordo (Snitch, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2013) – Nota 7
Direção – Ric Roman Waugh
Elenco – Dwayne Johnson, Barry Pepper, Jon Bernthal, Susan Sarandon, Michael Kenneth Williams, Rafi Gavron, Melina Kanakaredes, Benjamin Brett, Lela Loren, David Harbour, Harold Perrineau.

Para ajudar um amigo, o jovem Jason (Rafi Gavron) recebe em casa um pacote com muitos comprimidos de ecstasy e termina preso por agentes federais. A única chance de Jason diminuir sua pena é ajudar os agentes e a promotora (Susan Sarandon) a prender algum outro traficante, ou seja, repetir o que o amigo fez com ele. Jason se nega a fazer o acordo. Para tentar cumprir o acordo no lugar do filho, seu pai John (Dwayne Johnson) decide se infiltrar em uma quadrilha de traficantes e ajudar os agentes a realizarem uma grande prisão.

Inspirado em uma história real, este longa surpreende por causa do roteiro bem amarrado, da boa narrativa e até pela atuação de Dwayne Johnson, que aqui interpreta um sujeito comum, diferente dos brutamontes violentos que está acostumado a viver. Lógico que o filme tem algumas boas cenas de ação e violência, com destaque para a perseguição na estrada entre um caminhão e vários carros. O filme ainda tem bons coadjuvantes, como o ex-detento que auxilia o protagonista vivido por Jon Bernthal e o sempre assustador Michael Kenneth Williams novamente interpretando um traficante.

Para quem gosta do gênero, o longa é uma boa opção.

Rápida Vingança (Faster, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – George Tillman Jr
Elenco – Dwayne Johnson, Billy Bob Thornton, Oliver Jackson Cohen, Carla Gugino, Maggie Grace, Adewale Akinnuoye Agbaje, Matt Gerald, Moon Bloodgood, Courtney Gains, Mike Epps, Tom Berenger, Xander Berkeley, John Cirigliano.

Após cumprir pena por assalto, um sujeito (Dwayne Johnson) sai da cadeia em busca de vingança pela morte do irmão. Ele tem uma lista com quatro nomes para serem eliminados. Após assassinar o primeiro da lista, um matador profissional (Oliver Jackson Cohen) é contratado por um desconhecido para eliminar o ex-presidiário. O terceiro elo da trama segue um policial viciado em drogas (Billy Bob Thorton) e sua parceira (Carla Gugino) que são encarregados de investigar o primeiro assassinato. 

O roteiro explora a clássica trama de vingança através de uma roupagem moderna, com sequências estilosas em câmera lenta e ângulos inusitados, além de guardar um segredo para o final, mesmo não sendo tão surpreendente assim. Por outro lado, o filme tem uma narrativa irregular e vários furos no roteiro. O romance entre o matador de aluguel e a bela Maggie Grace também parece algo deslocado do resto da trama. 

É uma diversão passageira, razoável e esquecível.