domingo, 17 de março de 2019

Um Sonho Distante

Um Sonho Distante (Far and Away, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Tom Cruise, Nicole Kidman, Thomas Gibson, Robert Prosky, Barbara Babcock, Cyril Cusack, Colm Meaney, Michelle Johnson, Jared Harris.

Irlanda, 1862. Joe Donnelly (Tom Cruise) é o filho mais novo de um velho fazendeiro que morre após um conflito. Joe e seus irmãos são expulsos de casa pelo capataz (Thomas Gibson) que trabalha para o dono das terras (Robert Prosky). 

Disposto a vingar a morte do pai, Joe tenta matar o fazendeiro e falha, mas termina chamando a atenção da jovem filha do sujeito, a bela e rebelde Shannon (Nicole Kidman). Shannon convence Joe a fugir e juntos viajam de navio até os Estados Unidos em busca de uma nova vida. 

Lançado na época como se fosse um épico dividido em três partes que se passam na Irlanda, em Boston e por fim nas planícies de Oklahoma, este longa fracassou nas bilheterias americanas e também sofreu com as críticas ruins de forma merecida. 

Por mais que a produção seja caprichada e entregue algumas boas cenas de brigas, além da cavalgada final, o filme perde pontos pela longa duração que resulta em uma narrativa irregular e pela forma como o diretor Ron Howard insere pitadas de comédia em algumas sequências, principalmente nas briguinhas bobas entre o casal de protagonistas. 

As atuações quase juvenis de Tom Cruise e Nicole Kidman também não ajudam. Por sinal, o filme foi um veículo produzido especialmente para o então casal que era a sensação do momento no mundo das celebridades.

sábado, 16 de março de 2019

O Novato & O Assassino: O Primeiro Alvo


O Novato (The Recruit, EUA, 2003) – Nota 7
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Al Pacino, Colin Farrell, Bridget Moynahan, Gabriel Macht, Kenneth Mitchell.

James Clayton (Colin Farrell) é um universitário que desenvolveu um avançado projeto de criptografia de dados e por este motivo passou a receber convites de grandes empresas. Tudo muda quando ele é procurado por Walter Burke (Al Pacino), um recrutador da CIA que diz saber detalhes da morte de seu pai. 

Instigado, James aceita o convite para se tornar agente. Ele é levado para uma fazenda e ao lado de vários jovens inicia um duríssimo treinamento envolvendo lutas, torturas e humilhações. Aos poucos, James começa a desconfiar de que algo errado está ocorrendo naquele local. 

Os pontos altos do longa são a disputa entre os personagens de Colin Farrell e Al Pacino, além das várias reviravoltas do roteiro. Mesmo não sendo um primor, o roteiro acerta ao deixar o espectador e o protagonista em dúvida sobre em quem confiar. Algumas boas cenas de tensão e ação também fazem parte do cardápio. 

Não chega a ser um filme marcante, mas prende a atenção dos fãs do gênero.

O Assassino: O Primeiro Alvo (American Assassin, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Michael Cuesta
Elenco – Dylan O’Brien, Michael Keaton, Taylor Kitsch, Sanaa Lathan, Shiva Negar, David Suchet, Scott Adkins, Navid Negahban, Charlotte Vega.

Passando férias com a noiva nas praias de Ibiza, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) é surpreendido por um ataque terrorista. Ele fica ferido e sua noiva é assassinada. Enquanto se recupera fisicamente, Mitch planeja vingança. Na busca pelo terrorista que organizou o ataque, Mitch é interceptado por agentes da CIA. Ele termina recrutado por uma agente (Sanaa Lathan) e enviado para ser treinado por outro veterano agente (Michael Keaton), que tem uma espécie de escola para mercenários. 

Este longa pode ser comentado por dois ângulos. Ele é competente nas sequências de ação intercalando tiros, lutas e perseguições. Por outro lado, o desenrolar da trama deixa bastante a desejar. O exagero dramático e até piegas da sequência inicial do casal na praia, além da forma ingênua como o protagonista tenta se vingar são apenas o começo de várias soluções que não funcionam, além de um caminhão de clichês, incluindo o aluno rebelde (Taylor Kitsch) que também busca vingança contra seu mentor. 

O resultado é um filme de ação genérico e totalmente esquecível.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Bob Lazar: Area 51 & Flying Saucers

Bob Lazar: Area 51 & Flying Saucers (Bob Lazar: Area 51 & Flying Saucers, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Jeremy Kenyon Lockyer Corbell
Narração – Mickey Rourke
Documentário

Em 1989, o jornalista George Knapp entrevistou um homem que a princípio não se identificou e que afirmava ter trabalhado em um projeto secreto do governo americano na chamada Área 51 no deserto de Nevada. 

O projeto consistia em estudar e desenvolver uma tecnologia desconhecida na Terra, que aparentemente havia sido descoberta em contatos com naves alienígenas. Não demorou para o sujeito ser identificado e decidir dar uma entrevista de cara limpa. 

O homem era Bob Lazar, um jovem engenheiro que foi recrutado pelo governo e que ao mesmo tempo ficou assustado e fascinado com o projeto. A vida de Lazar virou de cabeça para baixo. Tratado como maluco por muitos e vigiado pelo governo, ele terminou se afastando das câmeras. 

Quase trinta anos depois, o documentarista Jeremy Kenyon Lockyer Corbell convenceu Lazar a contar novamente sua história. Por mais que seja difícil acreditar em alienígenas e tecnologias desconhecidas, algumas coisas que Lazar contou em 1989 se tornaram realidades, como o caso do scanner de ossos utilizado por uma empresa americana. 

Neste doc de 2018 ele repetiu tudo que disse em 1989, inclusive tendo passado pelo teste do polígrafo. Lazar por várias vezes cita que não ganhou nada contando sua história, pelo contrário, sua vida ficou muito mais difícil após o fato. 

Ao final do doc fica a clara sensação de que ele realmente foi testemunha de algo extraordinário. 

É um doc indicado para quem tem curiosidade sobre o tema.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Salyut-7

Salyut-7 (Salyut-7, Rússia, 2017) – Nota 7
Direção – Klim Shipenko
Elenco – Vladimir Vdovichenkov, Pavel Derevyanko, Aleksandr Samoylenko, Mariya Mironova, Oksana Fandera, Lyubov Aksyonova.

União Soviética, junho de 1985. A estação espacial Salyut-7 apresenta problemas e fica à deriva no espaço. Sem tripulação para fazer o conserto, a estação em pouco tempo cairá na Terra e poderá causar uma tragédia. 

Desesperados para resolver o problema antes dos americanos, os russos desejam acoplar uma segunda nave na estação, fato que jamais havia sido feito no espaço. 

O único astronauta apto para o trabalho quase suicida é Fedorov (Vladimir Vdovichenkov), que estava afastado do programa espacial russo após alegar ter visto anjos no espaço em sua última viagem. Ele é enviado para a nova missão ao lado do engenheiro espacial Alekhin (Pavel Derevyanko), para tentar fazer o milagre. 

Baseado numa história real, esta caprichada produção russa segue a linha hollywoodiana do gênero, criando tensas sequências de suspense dentro da estação espacial e também do lado de fora com os astronautas tentando fazer o reparo a todo custo. 

O roteiro explora também o drama das esposas dos astronautas e do chefe do programa espacial que é pressionado por seus superiores e também sofre tentando salvar os amigos na missão. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma boa opção.

quarta-feira, 13 de março de 2019

A Vida em Si

A Vida em Si (Life Itself, EUA / Espanha, 2018) – Nota 7
Direção – Dan Fogelman
Elenco – Oscar Isaac, Olivia Wilde, Annette Bening, Mandy Patinkin, Jean Smart, Olivia Cooke, Sergio Peris Mencheta, Antonio Banderas, Laia Costa, Àlex Monner, Isabel Durant, Lorenza Izzo, Samuel L. Jackson.

Em Nova York, Will (Oscar Isaac) é um sujeito em depressão profunda que participa de sessões com uma psiquiatra (Annette Bening). Alternando passado e presente, o roteiro detalha porque Will chegou naquele estado e as consequências do mesmo fato na vida de outras pessoas. 

É um roteiro que consegue ser ao mesmo tempo previsível e complexo. Ele é dividido em quatro partes com nomes de personagens, explorando épocas e até cidades diferentes, porém a coincidência final é tipicamente hollywoodiana. 

O que encobre um pouco esta previsibilidade é a questão do tema do “narrador não confiável” utilizado por uma personagem em sua tese de universidade e repetido vários vezes durante o filme. 

A proposta é mostrar que a narração de uma história sempre é feita de acordo com a visão, a experiência e a memória afetiva do narrador, nem sempre relatando a verdade. Esta situação é detalhada no prólogo em que o ator Samuel L. Jackson interpreta ele mesmo narrando uma versão da história de vida do personagem de Oscar Isaac. 

O filme em si é irregular e as vezes resvala para o melodrama, principalmente na parte da história que se passa na Espanha. Eu considero uma obra interessante, mesmo com as falhas citadas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Antiga Alegria

 Antiga Alegria (Old Joy, EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – Kelly Reichardt
Elenco – Daniel London, Will Oldham.

Mark (Daniel London) recebe uma ligação do antigo amigo Kurt (Will Oldham) o convidando para acampar numa floresta da região. Mark convence a esposa que está grávida e busca o amigo para passar o dia na floresta. 

Enquanto para Mark a aventura é uma espécie de sossego longe da vida ordinária que leva, Kurt vê o reencontro com o amigo como uma chance de relembrar o passado e quem sabe encontrar um novo caminho na vida. 

A proposta do roteiro escrito pela diretora Kelly Reichardt foca aparentemente em dois pontos. A amizade e a natureza. Se por um lado as locações em meio a estrada deserta beirando a floresta, os córregos e a natureza em si sejam agradáveis, por outro lado os diálogos entre os personagens parecem não chegar a lugar a algum. 

Por mais que eles conversem sobre diversos assuntos, tudo parece muito superficial e as vezes até sem sentido. Pouca coisa é explicada sobre a vida deles, ficando claro apenas que Mark é um sujeito comum, enquanto Kurt é um cara totalmente perdido na vida, situação mostrada na simbólica sequência final. 

É um filme lento, contemplativo e vazio.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Papillon

Papillon (Papillon, República Tcheca / Espanha / EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Michael Noer
Elenco – Charlie Hunnam, Rami Malek, Roland Moller, Yorick van Wageningen, Michael Socha, Eve Hewson, Joel Basman.

Paris, 1931. O ladrão Henry “Papillon” Charriere (Charlie Hunnam) é preso acusado injustamente de assassinato. Ele é condenado a prisão perpétua e enviado para uma colônia penal em uma ilha na antiga Guiana Francesa. 

No navio que transporta os detentos, Papillon se aproxima do famoso falsificador Louis Dega (Rami Malek), um sujeito rico que acredita que conseguirá reverter sua condenação. Enquanto Papillon cuidará da segurança de Dega, este financiará a fuga desejada pelo novo parceiro. 

Esta cruel história real foi levada às telas em 1973 com Franklin J. Schaffner na direção e os astros Steve McQueen e Dustin Hoffman nos papéis principais, resultando em um clássico. 

A refilmagem que comento é um bom filme, porém sofre na comparação com a força do original. Mesmo inserindo alguns detalhes a mais como o prólogo em Paris e uma sequência final explicando o destino de Papillon, este novo longa pouco tem a acrescentar na história para quem viu o original. 

Para a nova geração que não viu ou não conhece o filme de Schaffner, encontrará aqui uma obra correta sobre crueldade, injustiças e amizade.

domingo, 10 de março de 2019

Grande Coisa

Grande Coisa (Big Nothing, Inglaterra / Canadá, 2006) – Nota 6,5
Direção – Jean Baptiste Andrea
Elenco – David Schwimmer, Simon Pegg, Alice Eve, Natasha McElhone, Jon Polito, Mimi Rogers.

Em uma cidade na divisa dos EUA com o Canadá, Charlie (David Schwimmer) está frustrado por não conseguir editora para publicar seu primeiro livro. 

Precisando trabalhar para ajudar a esposa que é policial (Natasha McElhone) a cuidar de sua filha pequena, Charlie consegue um emprego em um call center. Ele é dispensado no primeiro dia, porém faz amizade com Gus (Simon Pegg), que diz precisar de dinheiro para pagar uma cirurgia urgente de sua filha. 

Gus acredita ter o plano perfeito para conseguir dinheiro. Extorquir um padre que visita regularmente sites de pornografia. Com ajuda de Josie (Alice Eve), Gus e Charlie decidem colocar o plano em prática. 

A trama policial é desenvolvida no estilo do humor negro inglês, com piadas cínicas a cargo de Simon Pegg, misturando com a o jeito bobalhão de David Schwimmer e a agitação de Alice Eve. É até divertida a forma como o plano dá errado e os bandidos precisam eliminar os demais envolvidos. 

O filme ainda entrega a habitual reviravolta final com direito a mais uma piada de humor negro.

sábado, 9 de março de 2019

Sr. Ninguém

Sr. Ninguém (Mr. Nobody, Bélgica / Alemanha / Canadá / França / EUA / Inglaterra, 2009) – Nota 8
Direção – Jaco Van Dormael
Elenco – Jared Leto, Sarah Polley, Diane Kruger, Linh Dan Pham, Rhys Ifans, Natasha Little, Toby Regbo, Juno Temple, Clare Stone, Daniel Mays.

Em 2092, aos cento e dezessete anos de idade, Nemo Nobody (Jared Leto) é o último homem mortal vivendo na Terra. 

Com um programa de tv esperando por sua morte, um jornalista (Daniel Mays) consegue entrar no hospital para entrevistar o velho homem. Ao descrever sua vida, Nemo mistura três histórias, cada uma delas com esposas e profissões diferentes. 

Este longa escrito e dirigido pelo belga Jaco Van Dormael, do recente “O Novíssimo Testamento”, tem como objetivo principal mostrar como nossas escolhas podem mudar completamente nossas vidas. 

O filme é bastante longo (duas horas e trinta e cinco minutos) e repleto de idas e vindas. A primeira parte foca na vida de Nemo quando criança e adolescente, mostrando sua relação com os pais (Rhys Ifans e Natasha Little) até uma determinada situação em que ele precisa fazer uma escolha cruel. 

A consequência desta escolha leva o roteiro a dividir a vida adulta de Nemo em três histórias diferentes, que se modificam também de acordo com suas escolhas nesta fase. 

Esta forma maluca de como a história é detalhada se casa perfeitamente com a ótima parte técnica, que cria sequências que misturam sonho, memórias e realidade de um jeito quase surreal. 

É um filme que faz as pessoas pensarem em suas próprias escolhas. Pare e pense em determinadas escolhas que o levaram a sua vida atual, seja nas relações pessoais ou na questão profissional. Depois imagine ter tomado decisões diferentes e no que elas teriam modificado sua vida. 

Este longa é uma experiência diferente, um pouco cansativa pela duração, mas que vale a pena para pensarmos um pouco sobre nós mesmos.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Nossa Vida Sem Grace

Nossa Vida Sem Grace (Grace Is Gone, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – James C. Strouse
Elenco – John Cusack, Shélan O’Keefe, Grace Bednarczyk, Alessandro Nivola.

Ao receber a notícia de que sua esposa Grace morreu no Iraque, Stanley Phillips (John Cusack) não tem coragem de contar a verdade para suas filhas pequenas (Shélan O’Keefe e Grace Bednarczyk). 

Sem saber o que fazer, Stanley decide levar as garotas em uma viagem de carro até uma parque de diversões na Flórida. 

O roteiro escrito pelo diretor James C. Strouse explora o drama familiar através de um road movie de descobertas entre pai e filhas. 

O filme não tem grandes surpresas, o foco é o sofrimento do pai e a total insegurança em contar a verdade para as crianças. 

O longa ganha pontos na espontaneidade das meninas e nas atuações de John Cusack e Alessandro Nivola, este segundo vivendo o irmão do protagonista. 

É um filme sensível em sua simplicidade.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Um Segredo Entre Nós

Um Segredo Entre Nós (Fireflies in the Garden, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Dennis Lee
Elenco – Ryan Reynolds, Willem Dafoe, Emily Watson, Carrie Anne Moss, Julia Roberts, Ioan Gruffud, Hayden Panettiere, Shannon Lucio, Cayden Boyd, George Newbern.

Um acidente de automóvel termina com a morte de uma pessoa de uma família que estava prestes a se reunir. A tragédia faz segredos e frustrações virem à tona.

Michael (Ryan Reynolds) é o filho mais velho que escreveu um livro sobre a família e que pretende lançá-lo. Aparentemente ele conta segredos da tensa convivência com o pai (Willem Dafoe) quando era criança, das falhas da mãe em protegê-lo (Julia Roberts) e da relação com a tia (Emily Watson). Os fatos da infância de Michael (quando criança vivido por Cayden Boyd) são detalhados em flashbacks. 

A premissa de focar em famílias problemáticas é comum no cinema, muitas vezes rendendo filmes dolorosos ou de redenção. O roteiro do diretor Dennis Lee explora estas situações, porém deixando algumas perguntas sem resposta e criando uma espécie de perdão forçado no final. 

O desenvolvimento da trama é triste, principalmente nas cenas em flashback mostrando como um adulto pode ser cruel com uma criança ao tentar descontar suas frustrações. 

O ótimo elenco tem boas atuações e ajuda a apagar um pouco as falhas do roteiro. O resultado é no máximo mediano.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Filmes Brasileiros - Resenhas Rápidas

O Invasor (Brasil, 2002) – Nota 8 
Direção– Beto Brant 
Elenco – Marco Ricca, Alexandre Borges, Paulo Miklos, Mariana Ximenes, Malu Mader, Chris Couto, George Freire, Sabotage.

Dois engenheiros (Alexandre Borges e Marco Ricca) armam um plano para assassinar o terceiro sócio (George Freire), mas não imaginam que após cometer o crime, o matador profissional (Paulo Miklos) decide se tornar sócio da empresa, transformando a vida da dupla em um pesadelo. Bom filme que mistura drama, suspense e policial com personagens desonestos e ambiciosos. Destaque também para a beleza de Malu Mader interpretando uma garota de programa

O Xangô de Baker Street (Brasil, 2001) – Nota 7
Direção – Miguel Faria Jr
Elenco – Joaquim de Almeida, Marco Nanini, Maria de Medeiros, Anthony O’Donnell, Claudia Abreu, Claudio Marzo, Thalma de Freitas, Caco Ciocler, Marcello Antony, Leticia Sabatella, Emiliano Queiroz, Antonio Pompeo, Jô Soares.

Divertido longa de ficção baseado no livro de Jô Soares que explora uma viagem de Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) ao Rio de Janeiro no século XIX. Os pontos altos são a ótima reconstituição de época e os diálogos que brincam com a diferença de costumes entre Holmes e os brasileiros.  Destaque para a sequência no terreiro de candomblé. O caso policial investigado pelo protagonista é previsível.

Boca de Ouro (Brasil, 1963) – Nota 7,5
Direção – Nelson Pereira dos Santos
Elenco – Jece Valadão, Odete Lara, Daniel Filho, Ivan Cândido, Mauricio do Valle.

Após a morte do excêntrico bicheiro Boca de Ouro (Jece Valadão), um jornalista (Ivan Cândido) tenta fazer uma reportagem sobre sujeito através de uma entrevista com a amante do falecido (Odete Lara). Baseado numa obra de Nelson Rodrigues, o filme detalha a vida bandido Boca de Ouro no submundo do Rio de Janeiro dos anos cinquenta.

O Que é Isso Companheiro? (Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Bruno Barreto
Elenco – Alan Arkin, Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Luis Fernando Guimarães, Nelson Dantas, Matheus Nachtergaele, Caroline Kava, Fisher Stevens, Claudia Abreu, Selton Mello, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Caio Junqueira, Eduardo Moscovis.

Em 1969, um grupo revolucionário sequestrou o embaixador americano (Alan Arkin) exigindo a libertação de companheiros que estavam presos por crimes contra o governo. Baseado em um livro do jornalista e político Fernando Gabeira, que participou do sequestro, este longa foi uma tentativa de alçar um produção brasileira ao nível internacional, porém resultou em uma obra comercial no máximo mediana. As poucas cenas de tensão não convencem.

Guerra de Canudos (Brasil, 1997) – Nota 6,5
Direção – Sergio Rezende
Elenco – José Wilker, Paulo Betti, Marieta Severo, Claudia Abreu, Selton Mello, Roberto Bontempo, José de Abreu, Tuca Andrada, Tonico Pereira.

Esta superprodução brasileira resultou em uma obra irregular baseada na história de Antonio Conselheiro (José Wilker) que liderou uma revolução no interior da Bahia no final século XIX e que terminou em tragédia. As quase três de duração são cansativas, assim como as interpretações e a narrativa que não conseguem fugir do estilo das obras para tv. 

Quem Matou Pixote? (Brasil, 1996) – Nota 6
Direção – José Joffily
Elenco – Cassiano Carneiro, Luciana Rigueira, Joana Fomm, Tuca Andrada, Roberto Bomtempo, Maria Luisa Mendonça, Anselmo Vasconcelos.<

O sucesso do filme “Pixote” em 1981 deu chance ao protagonista Fernando Ramos da Silva (Cassiano Carneiro) trabalhar como ator, porém a falta de estudo, de uma família estruturada e seus próprios erros o levaram de volta ao ostracismo, em seguida ao crime e a sua morte aos dezenove anos. O filme tenta romantizar a história real, colocando o jovem como uma vítima do sistema em relação ao fracasso na carreira. Vale citar que do elenco de garotos desconhecidos em “Pixote”, Fernando foi o único que teve chance de fazer uma carreira como ator.

A Maldição do Sanpaku (Brasil, 1991) – Nota 6
Direção – José Joffily
Elenco – Patricia Pillar, Felipe Camargo, Roberto Bomtempo, Sergio Britto, Anselmo Vasconcelos, Rogéria, Jonas Bloch, Nelson Dantas.

Um ladrão pé-de-chinelo (Roberto Bomtempo) rouba uma pedra preciosa e por isso se torna alvo de uma quadrilha. Para tentar se safar, o sujeito envolve no crime seu melhor amigo (Felipe Camargo) e a namorada deste (Patricia Pillar). O longa tenta copiar o estilo noir misturado com a malandragem do brasileiro sem muito sucesso. A narrativa arrastada e a falta de ação também não ajudam. 

Baile Perfumado (Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Paulo Caldas & Lírio Ferreira
Elenco – Duda Mamberti, Luís Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Claudio Mamberti, Giovanna Gold, Jofre Soares.

Década de trinta, nordeste brasileiro. Um vendedor libanês (Duda Mamberti) decide arriscar a vida para filmar o dia a dia do bando de Lampião (Luís Carlos Vasconcelos). O sujeito acredita que o filme o deixará rico assim que Lampião for assassinado. O filme explora a folclórica e violenta história do cangaceiro Lampião através de uma narrativa que insere pitadas de humor. O filme fez sucesso com a crítica, mas está longe de ser uma obra que agrade ao público em geral.

A Terceira Morte de Joaquim Bolivar (Brasil, 2000) – Nota 5
Direção – Flávio Cândido
Elenco – Sérgio Siviero, Othon Bastos, Jonas Bloch, Antonio Pitanga, Maria Lúcia Dahl, Jorge Cherques.

A trama dividida em três épocas (1964, 1979 e 2000) foca na briga entre um barbeiro comunista Joaquim Bolivar (Sergio Siviero) e o Coronel Gaudêncio (Othon Bastos), o homem mais rico de uma cidade fictícia no interior do Rio de Janeiro. O roteiro tenta explorar a questão a corrupção política no país nas épocas citadas em uma trama que em momento algum empolga. É um drama com cara de teatro filmado.

O Quatrilho (Brasil, 1995) – Nota 6
Direção – Fábio Barreto
Elenco – Glória Pires, Patricia Pillar, Alexandre Paternost, Bruno Campos, Gianfrancesco Guarnieri, Claudio Mamberti, José Lewgoy, Cecil Thiré.

Interior do Rio Grande do Sul, 1910. A falta de dinheiro faz com que dois casais decidam morar na mesma casa. Em meio a pobreza, o marido de uma se apaixona pela esposa do outro e o novo casal foge. Os parceiros abandonados precisam enfrentar a situação juntos. A indicação deste drama triste e ao mesmo tempo previsível ao Oscar de Filme Estrangeiro foi um exagero que elevou o patamar do longa para mais alto do que realmente merece. As interpretações novelescas e o ritmo lento atrapalham bastante.

terça-feira, 5 de março de 2019

Risco Duplo & Evidências de um Crime


Risco Duplo (Double Jeopardy, EUA / Alemanha / Canadá, 1999) – Nota 7
Direção – Bruce Beresford
Elenco – Tommy Lee Jones, Ashley Judd, Bruce Greenwood, Annabeth Gish, Roma Maffia, Michael Gaston.

Libby (Ashley Judd) e seu marido Nick (Bruce Greenwood) estão velejando e curtindo o mar. Após uma noite de sono, Libby acorda ensanguentada e com uma faca na mão. Seu marido também desapareceu. Sem saber o que realmente ocorreu, Libby terminada condenada pelo assassinato do marido. Sua melhor amiga (Annabeth Gish) se torna tutora de sua filha pequena. Tempos depois, dentro da cadeia, Libby desconfia que o marido está vivo, mas terá que esperar terminar a pena para descobrir o que realmente ocorreu.

Este misto de policial, drama e suspense explora dois temas principais. A questão da aplicação da lei em relação aos crimes e também a vingança pelas próprias mãos, tema comum no cinema.

O roteiro não apresenta grandes surpresas, inclusive o “Double Jeopardy” do título original se refere a impossibilidade da mesma pessoa ser condenada duas vezes pelo mesmo crime, o que antecipa o final do longa.

Por outro lado, a narrativa ágil e tensa prende a atenção do espectador até a agitada meia-hora final. Além da bela Ashley Judd no auge da carreira, vale destacar Tommy Lee Jones como o agente da condicional. 

É um longa com a cara dos anos noventa.

Evidências de um Crime (Cleaner, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Renny Harlin
Elenco – Samuel L. Jackson, Ed Harris, Eva Mendes, Luis Guzman, Keke Palmer, Maggie Lawson, Jose Pablo Cantillo, Robert Forster.

Tom Cutler (Samuel L. Jackson) é um ex-policial que se tornou dono de uma empresa especializada em limpar cenas de crimes. Ele recebe um pedido para limpar uma casa num bairro de luxo. Um sofá sujo de sangue, assim como o chão da sala e a parede mostram que houve um assassinato. Tom faz o serviço e por acaso leva consigo a chave da casa. No dia seguinte ele volta para devolvê-la e encontra a dona da casa (Eva Mendes) que não sabe o que aconteceu e que diz que seu marido está viajando. É o início de um perigosa história para Tom. 

Este é mais um filme com uma premissa interessante e um pouco diferente ao focar em um “limpador” como protagonista. Infelizmente o que aparentemente seria uma trama complexa se revela em algo previsível e repleto de clichês. Fica fácil descobrir quem está por trás da armação, a única dívida é a questão da motivação. 

O roteiro ainda tenta inserir questões como corrupção no alto escalão da polícia e um segredo que o personagem de Samuel L. Jackson carrega, porém as duas subtramas são mal desenvolvidas. 

Os pontos positivos são as criativas cenas em que o diretor Renny Harlin coloca a câmera em ângulos inusitados e a sempre forte presença de Samuel L. Jackson. No restante é um filme que deixa a desejar.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Música e Rebeldia

Música e Rebeldia (Not Fade Away, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – David Chase
Elenco – John Magaro, Bella Heathcote, Jack Huston, Will Brill, Brahm Vacarella, Gregory Perry, James Gandolfini, Molly Price, Meg Guzulescu, Christopher McDonald, Brad Garrett, Isiah Whitlock Jr.

Anos sessenta, subúrbio de Nova Jersey.

Doug (John Magaro) abandona a universidade para tentar a sorte com um grupo de rock formado com alguns amigos.

Sua atitude desagrada muito seus pais (James Gandolfini e Molly Price).Doug também se envolve com a bela Grace (Bella Heathcote). 

O roteiro escrito pelo diretor David Chase, um dos responsáveis pela série “The Sopranos”, foca nas mudanças de comportamento dos jovens dos anos sessenta e o conflito de gerações com os pais conservadores. 

O personagem de John Magaro não tem medo de buscar seus sonhos, porém pelo caminho surgem obstáculos comuns da vida adulta. As divergências com os amigos da banda, a questão do comportamento sexual da namorada que era avançada para a época e a difícil relação com os pais que tinham um modo completamente diferente de encarar a vida. 

O roteiro foca também nas frustrações do casamento, que na época para muitas pessoas era algo indissolúvel.

As boas sequências musicais com a banda do protagonista é outro destaque.

É um filme bem interessante sobre um período de transição nos costumes, em que a vida era bem diferente dos dias atuais.