quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ajuste de Contas & Amigos Inseparáveis


Ajuste de Contas (Grudge Match, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Peter Segal
Elenco – Sylvester Stallone, Robert De Niro, Alan Arkin, Kim Basinger, Kevin Hart, Jon Bernthal, Paul Ben Victor, LL Cool J, Anthony Anderson, Chael Sonnen.

Nos anos oitenta, os boxeadores Henry “Razor” Sharp (Sylvester Stallone) e Billy “The Kid” McDonenn (Robert De Niro) disputaram duas grandes lutas pelo título mundial, com uma vitória de cada. Após a segunda luta vencida por Razor, ele desiste da carreira, deixando Kid revoltado por desejar uma luta de desempate. 

Trinta anos depois, o jovem Dante (Kevin Hart) consegue reunir os dois ex-lutadores para gravarem seus golpes para um jogo de videogame. O ódio entre os lutadores gera uma ridícula briga no estúdio, que é filmada e se torna viral na internet. O sucesso do vídeo faz Dante tentar convencer os dois brigões para uma nova luta, mesmo com os sujeitos estando com mais de sessenta anos. 

O objetivo principal do roteiro é fazer rir através de piadas e sequências de constrangimento ligadas a idade dos personagens principais.

A química criada pela rivalidade entre os personagens de Stallone e De Niro é um dos pontos altos do filme, inclusive pela citação cinematográfica, já que os dois atores quando jovens interpretaram boxeadores em clássicos do cinema. 

As piadas na comparação do boxe com MMA também funcionam, inclusive com a participação do lutador Chael Sonnen, assim como o veteraníssimo Alan Arkin, hilário no papel do treinador de Stallone. Por outro lado, o pequeno drama sobre a disputa dos boxeadores pela bela Kim Basinger e a verdadeira história de seu filho vivido por Jon Bernthal se mostram puro clichê. 

O resultado é uma simpática sessão da tarde.

Amigos Inseparáveis (Stand Up Guys, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Fisher Stevens
Elenco – Al Pacino, Christopher Walken, Alan Arkin, Julianna Margulies, Mark Margolis, Lucy Punch, Addison Timlin, Vanessa Ferlito, Craig Sheffer.

Após cumprir uma pena de vinte e oitos anos, Val (Al Pacino) ganha liberdade e encontra a sua espera o amigo Doc (Christopher Walken). Os dois trabalhavam para o mafioso Claphands (Mark Margolis), que esperou quase três décadas para vingar a morte de seu filho, que foi assassinado por Val. Claphands deu a ordem para Doc assassinar Val assim que ele saísse da cadeia. Sem querer cumprir o acordo, Doc leva Val para curtir a noite, aproveitar um pouco dos anos perdidos. Os dois buscam ainda em uma casa de repouso o terceiro amigo, o motorista de fuga Hirsch (Alan Arkin). 

A premissa de reunir bandidos de terceira idade para uma última noite de loucuras resulta num divertido longa, que brinca com as dificuldades da idade e com o sentimento de amizade, tocando ainda nas relações de família, além de algumas boas cenas de brigas e tiros. 

Os diálogos entre Pacino, Walken e Arkin é outro ponto alto do filme, com os atores deixando a impressão de que se divertiram com os bons papéis.

É legal veteranos talentosos sendo bem aproveitados no cinema, mesmo sendo em um filme pequeno.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Livre

Livre (Wild, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Jean Marc Vallée
Elenco – Reese Witherspoon, Laura Dern, Thomas Sadoski, Keene McRae, Michiel Huisman, W. Earl Brown, Gaby Hoffmann, Kevin Rankin, Brian Van Holt, Cliff De Young, Mo McRae.

Em 1995, Cheryl Strayed (Reese Whiterspoon) passa por uma terrível crise na vida pessoal. Viciada em drogas e recém divorciada de Paul (Thomas Sadoski), Cheryl quer mudar de vida e como primeiro passo decide enfrentar sozinha a Pacific Trail Crest, uma trilha de 1.800 quilômetros que segue pelo deserto entre as fronteiras dos Estados Unidos e México, passando por montanhas geladas até chegar ao Canadá. Durante mais de três meses, Cheryl atravessa regiões isoladas, faz amizades, enfrenta situações complicadas e relembra sua vida, principalmente o relacionamento com a mãe (Laura Dern). 

Baseado no livro autobiográfico de Cheryl Strayed, este longa resulta numa simpática e sensível história de vida de alguém que precisou fazer algo radical para sair do fundo do poço. A história é valorizada pela boa interpretação de Reese Witherspoon, que deu uma virada na carreira após “Johnny & June” de 2005, deixando de lado os papéis em comédias, para se aventurar em filmes mais complexos como “Sem Evidências”, Vício Inerente” e este “Livre”. 

Vale destacar ainda a direção de Jean Marc Vallée, que mesmo não repetindo algo como o ótimo “Clube de Compras Dallas”, entrega aqui um filme competente, além da bela fotografia que explora os territórios inóspitos por onde passa a personagem principal. 

O roteiro do inglês Nick Hornby (“Um Grande Garoto”) consegue adaptar o livro sem abusar dos clichês dramáticos comuns aos filmes de superação. 

O resultado é um simpático drama, que tem semelhanças com o pouco conhecido “The Way – O Caminho de Santiago” protagonizado por Martin Sheen. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Dramas Sobre Criminosos da Segunda Guerra

Um dos temas mais explorados na história do cinema é a Segunda Guerra Mundial, na maioria das vezes em filme sobre combates, batalhas, heroísmos e massacres.

Nesta postagem, eu comento quatro filmes que fogem deste lugar comum. Estes filmes contam história pós-guerra, focando em criminosos nazistas foragidos e são baseados em livros, sendo que três deles misturam realidade com ficção e o quarto descreve a historia real de uma famosa missão secreta.

O Homem que Capturou Eichmann (The Man Who Captured Eichmann, EUA, 1996) – Nota 6,5
Direção – William A. Graham
Elenco – Robert Duvall, Arliss Howard, Jeffrey Tambor, Jack Laufer, Nicolas Surovy, Joel Brooks, Sam Robards, Rusty Schwimmer.

Buenos Aires, 1960, por ironia do destino, o criminoso de guerra Adolf Eichmann (Robert Duvall), que vive no país utilizando um nome falso, é reconhecido por um cego, que foi prisioneiro de guerra e que diz jamais ter esquecido da voz e do cheiro de seu algoz. A pista sobre o paradeiro de Eichamnn chega ao Mossad, o serviço secreto de Israel, que envia um agente (Nicolas Surovy) para investigar o caso. O agente confirma que o sujeito é mesmo Eichmann, que vive nos arredores de Buenos Aires com a esposa e os três filhos. Sabendo que o governo argentino deu abrigo a muitos nazistas que fugiram da Europa após a guerra e jamais negociaria uma extradição, o Mossad decide investir em um ousado plano, enviar um grupo de agentes para sequestrar Eichmann e levá-lo a Israel para ser julgado. 

Este filme produzido para tv é baseado na famosa história real descrita no livro de Peter Malkim (Arliss Howard), um agente do Mossad que participou da ação e que conta em detalhes seus diálogos com Eichmann durante o cativeiro. O criminoso é mostrado como um sujeito inteligente, pai de família carinhoso e extremamente disciplinado, que não demonstra remorso e diz ter apenas cumprido ordens dos superiores nazistas. Eichmann foi o responsável pela logística do transporte de prisioneiros para os campos de concentração. 

Ao mesmo tempo em que o filme tem uma história por si só interessante e uma ótima atuação de Robert Duvall, a narrativa é irregular e fria, falta emoção até mesmo nas sequências do sequestro e na fuga na parte final. 

Os Meninos do Brasil (The Boys from Brazil, Inglaterra / EUA, 1978) – Nota 7
Direção – Franklin J. Schaffner
Elenco – Gregory Peck, Laurence Olivier, James Mason, Lilli Palmer, Uta Hagen, Denholm Elliott, Steve Guttenberg, Rosemary Harris, John Dehner, John Rubinstein, Anne Meara, Bruno Ganz.

Barry Kohler (Steve Guttenberg) é um jovem caçador de nazistas que localiza o temido médico Joseph Mengele (Gregory Peck) vivendo escondido no Paraguai e trabalhando em uma experiência secreta. Antes de ser assassinado, Kohler consegue avisar Ezra Lierberman (Laurence Olivier), outro caçador de nazistas. A partir daí, Lieberman segue a pista e descobre que Mengele trabalha em um antigo plano do Partido Nazista, que tem como objetivo criar diversos clones de Hitler. 

Esta fantasiosa trama baseada em um famoso livro de Ira Levin, chegou a fazer algum sucesso nos cinemas e se tornou uma obra cult. A narrativa que segue a investigação feita pelo personagem de Laurence Olivier e as sinistras cenas com o criminoso nazista interpretado por Gregory Peck, lembram um pouco os filmes de terror e suspense dos anos setenta. Por sinal, a participação destes dois grandes atores, além de bons coadjuvantes como James Mason, Lilli Palmer e Denholm Elliott, ajudam o espectador aceitar a história. 

É curioso que analisando como cinema, hoje o filme envelheceu, enquanto a questão da clonagem e as experiências com células que eram consideradas coisas de maluco, agora são temas atuais da ciência.

A Nação do Medo (Fatherland, EUA, 1994) – Nota 6
Direção – Christopher Menaul
Elenco – Rutger Hauer, Miranda Richardson, Peter Vaughan, Michael Keaton, John Woodvine, Jean Marsh, John Shrapnel.

O que teria acontecido no mundo se a Alemanha de Hitler tivesse vencido a Segunda Guerra? Este longa produzido pela HBO e baseado em um livro de Robert Harris tenta responder esta pergunta. 

Estamos em 1964, a Europa inteira está sob o domínio nazista e por este motivo o Holocausto ainda é desconhecido do resto do mundo. A União Soviética ainda tenta lutar contra a Alemanha, porém sem grande força. Neste contexto, a Alemanha e os Estados Unidos estão prestes a assinar um tratado de paz em Berlim, que comemoraria também os setenta e cinco anos de Hitler. O acordo pode ir por água abaixo, quando um policial da SS (Rutger Hauer) investiga o assassinato de um oficial nazista e cruza o caminho de uma jornalista americana (Miranda Richardson), que foi procurada por outro nazista do alto escalão que deseja revelar ao mundo as atrocidades de Hitler. 

A trama fantasiosa a princípio desperta curiosidade, assim como a produção caprichada, mas infelizmente o filme é irregular e as poucas cenas de suspense são fracas, assim como o clímax. 

O holandês Rutger Hauer é um bom ator, teve um interessante início de carreira nos anos setenta em seu país e se tornou quase um astro mundial nos anos oitenta em Hollywood, porém a partir dos anos noventa se tornou um operário padrão do cinema, alternando poucos papéis em bons filmes e muitos trabalhos em longas inexpressivos. 

O Dossiê de Odessa (The Odessa File, Inglaterra / Alemanha Ocidental, 1974) – Nota 7
Direção – Ronald Neame
Elenco – Jon Voight, Mary Tamin, Maximilian Schell, Maria Schell, Derek Jacobi

Em 1963, no mesmo dia em que o presidente Kennedy foi assassinado, o jornalista Peter Miller (Jon Voight) está em Hamburgo na Alemanha, quando presencia uma ambulância e uma viatura de polícia em alta velocidade. Com faro pela notícia, Miller segue a viatura e descobre que um velho judeu cometeu suicídio. No local, ele encontra um diário onde o morto conta sua vida como prisioneiro nazista em Riga na Letônia e como foi testemunha do massacre comandado pelo oficial nazista Roschmann (Maximiliam Schell). Curioso, Miller decide procurar Roschmann e aos poucos descobre pistas sobre uma organização conhecida como Odessa, composta por ex-oficiais nazistas, ao mesmo tempo em que passa a ser perseguido. 

Baseado em uma obra de Frederick Forsyth, este longa mistura ficção com realidade para criar a trama, resultando num drama de espionagem morno em alguns momentos, mas com uma história forte. 

Como informação, o criminoso nazista Roschmann realmente existiu e ficou conhecido como o “Açougueiro de Riga”, por ter comandando um dos maiores massacres da Segunda Guerra. Na época do lançamento do filme, Roschmann era um fugitivo e apenas em 1977 foi descoberto seu paradeiro, quando faleceu em Assunção no Paraguai e seu corpo foi reconhecido por um sobrevivente do Holocausto.

domingo, 24 de maio de 2015

Noite Sem Fim

Noite Sem Fim (Run All Night, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Jaume Collet Serra
Elenco – Liam Neeson, Ed Harris, Joel Kinnaman, Vincent D’Onofrio, Boyd Holbrook, Bruce McGill, Genesis Rodriguez, Common, Holt McCallany, Aubrey Joseph, Nick Nolte.

Jimmy Conlon (Liam Neeson) é um assassino de aluguel que tem sua vida ligada ao mafioso Shawn Maguire (Ed Harris). Amigos de infância, Jimmy sobrevive recebendo migalhas de Shawn como pagamento por não delatar o amigo para o polícia anos atrás. A aparente paz entre os bandidos termina quando o filho de Shawn, Danny (Boyd Holbrook) se envolve no assassinato de mafiosos rivais e percebe que Mike (Joel Kinnaman), filho de Jimmy, foi testemunha do crime. É o início de um jogo de gato e rato, em que Jimmy e seu filho Mike precisam enfrentar os capangas do mafioso e fugir da polícia. 

Depois de “Sem Escalas” e “Desconhecido”, esta é terceira parceria entre o diretor catalão Jaume Collet Serra e o astro Liam Neeson. Assim como nos filmes anteriores, o foco principal aqui é a ação, com sequências extremamente bem filmadas em meio a uma narrativa ágil e um criativo jogo de câmeras. Em várias sequências, a câmera praticamente voa de um ponto para outro. Mesmo com os clichês habituais do gênero, a história é interessante, prende a atenção ao enfocar relacionamento de pai e filho, amizade, corrupção e vingança. 

É muito legal ver o caminho que tomou a carreira de Liam Neeson nos últimos dez anos. Desde o western “À Procura da Vingança” de 2006 e principalmente após o sucesso de “Busca Implacável” em 2008, Neeson engatou uma sequência de divertidos filmes de ação, situação fora do comum para a idade do ator, que hoje tem sessenta e três anos e que continua mostrando uma forma impecável, além do carisma habitual para interpretar personagens durões. 

Para quem gosta do gênero, resta torcer para que o ator continue neste ritmo por muitos anos.

sábado, 23 de maio de 2015

O Passado

O Passado (Le Passé, França / Itália / Irã, 2013) – Nota 8
Direção – Asghar Farhadi
Elenco – Bérénice Bejo, Ali Mosaffa, Tahar Rahim, Pauline Burlet, Elyes Aguis, Jeanne Jestin, Sabrina Ouazani, Babak Karimi.

Após quatro anos vivendo em sua terra natal no Irã, Ahmad (Ali Mosaffa) retorna para França a pedido da ex-esposa Marie (Bérénice Bejo) que deseja oficializar o divórcio. Ao chegar na casa da ex-esposa, Ahmad se surpreende ao saber que ela pretende se casar novamente e também com o comportamento da filha mais velha de Marie, a jovem Lucie (Pauline Burlet), que não aceita o novo relacionamento da mãe com Samir (Tahar Rahim de “O Profeta”), que também tem um filho pequeno chamado Fouad (Elyes Aguis). 

Lucie e sua irmã pequena Léa (Jeanne Jestin) são frutos do primeiro casamento de Marie, mas criaram um laço especial com Ahmad. Marie utiliza este laço para fazer com que Ahmad converse com Lucie para descobrir qual o problema da garota com Samir. Sem perceber, Ahmad é levado para o meio de uma crise de família que não é mais a dele, ao mesmo em que ele não consegue esconder o carinho pelas meninas e a preocupação com a situação. 

Depois dos ótimos “Procurando Elly” e “A Separação”, este último premiado com o Urso de Ouro em Berlim, o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, novamente o diretor e roteirista iraniano Asghar Farhadi entrega um belíssimo drama. Sem trilha sonora, utilizando apenas o som ambiente, focando em diálogos e situações do dia a dia, Farhard prende a atenção do espectador desvendando aos poucos os segredos por trás das atitudes de cada personagem. 

Diferente do cinema iraniano dos anos noventa, que apresentava uma narrativa extremamente lenta em tramas cheias de simbolismos, o estilo de Farhadi é voltado para os dramas pessoais do mundo real, com ênfase nos personagens. 

O tópico principal aqui são as consequências das atitudes dos personagens, que agem pensando apenas em si mesmos, causando sofrimento em quem está próximo. O personagem de Ahmad se torna o catalisador da lavagem de roupa suja. 

Agora é esperar o próximo drama comandado por Asghar Farhadi. 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Adoradores do Diabo & A Sétima Profecia


Adoradores do Diabo (The Believers, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – John Schlesinger
Elenco – Martin Sheen, Helen Shaver, Harley Cross, Robert Loggia, Elizabeth Wilson, Harris Yulin, Lee Richardson, Richard Masur, Jimmy Smits.

Após perder a esposa em um acidente doméstico, o psiquiatra Cal Jamison (Martin Sheen) decide mudar para Nova York com o filho pequeno Chris (Harley Cross). Cal começa a trabalhar como psiquiatra na polícia e tenta recomeçar a vida com Jessica (Helen Shaver), a dona do apartamento que ele alugou na nova cidade. 

Tudo vai bem até um passeio pelo Central Park, quando Chris encontra restos de um ritual de santeria (a macumba brasileira), inclusive com um gato morto sem cabeça. Poucos dias depois, em seu trabalho, Cal atende um jovem policial (Jimmy Smits) que foi encontrado ao lado de uma criança morta com sinais de ritual e que está falando frases sem sentido. Os dois episódios dão inicio a fatos estranhos que passam a aterrorizar Cal, Jessica e Chris, este último podendo ser alvo de fanáticos assassinos. 

O diretor inglês John Schlesinger (“Perdidos na Noite” e “Maratona da Morte”) comandou aqui seu único trabalho voltado para o terror, com algumas cenas mais fortes, porém bem diferente dos filmes do gênero dos anos oitenta. Aqui o ponto principal é o terror psicológico criado pelo roteiro de Mark Frost, que era conhecido por ter escrito episódios da famosa série policial “Hill Street Bues” e que ficaria famoso três anos depois ao assinar o roteiro de “Twin Peaks” em parceria com David Lynch. 

Existe a história ou lenda, de que a mãe do diretor Schlesinger faleceu logo depois do filme terminado e ele teria acreditado em uma maldição. É mais uma das várias histórias de maldição ligadas a filmes de terror. 

A Sétima Profecia (The Seventh Sign, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Carl Schultz
Elenco – Demi Moore, Michael Biehn, Peter Friedman, Jurgen Prochnow, Lee Garlington, Akousa Busia.

Em várias partes do mundo estão ocorrendo fatos inexplicáveis, sempre tendo como testemunha uma figura desconhecida (Jurgen Prochnow). A Igreja envia o padre Lucci (Peter Friedman) para investigar os fenômenos. Aos poucos, o padre desconfia que estas manifestações sejam as sete profecias descritas nos Antigo Testamento, que antecedem o apocalipse com a chegada do anticristo. 

As pistas levam o padre até o casal Quinn, que pode ser o elo final da profecia. Com uma gravidez complicada, a esposa Abby (Demi Moore) espera o primeiro filho ao lado marido Russell (Michael Biehn), a princípio, sem imaginar o terror que pode se transformar sua vida. 

Misturando misticismo e religião em um roteiro previsível, este longa utiliza parte da premissa do clássico “O Bebê de Rosemary” para tentar assustar o público através da sugestão e do clima de suspense, criando uma luta entre o bem e o mal. 

É um filme razoável, com cara de produção de B e que tem como destaque Demi Moore na auge da beleza.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sonhos à Deriva

Sonhos à Deriva (Rudderless, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – William H. Macy
Elenco – Billy Crudup, Anton Yelchin, Felicity Huffman, William H. Macy, Selena Gomez, Laurence Fishburne, Miles Heizer.

O publicitário Sam (Billy Crudup) espera o filho Josh (Miles Heizer) em um bar para comemorar um novo contrato que fechou no trabalho, quando vê pela televisão a notícia de que um atirador fez várias vítimas na universidade onde o jovem estuda. Separado da esposa (Felicity Huffman), Sam perde totalmente o rumo com a morte do filho. 

A história pula dois anos a frente. Agora Sam mora em um barco e trabalha como pintor em um bairro de subúrbio. Quando a ex-esposa, que está de mudança, lhe entrega as coisas do filho, Sam descobre vários CDs em que o jovem cantava músicas de sua própria autoria. Pouco tempo depois, Sam vai com dois colegas de trabalho a um bar com música ao vivo e tem uma ideia. No dia seguinte ele volta com um violão e decide tocar uma música do filho. O público não dá atenção, porém o jovem Quentin (Anton Yelchin) fica empolgado, se aproxima de Sam querendo saber se ele tem outras músicas e se deseja tocar junto. É o início de uma inusitada amizade entre dois sujeitos que precisam encontrar o caminho na vida. 

O ótimo ator William H. Macy tinha no currículo como diretor apenas um filme para tv nos anos oitenta e aqui surpreende ao entregar uma sensível história de perda, amizade e esperança. É interessante também a surpresa que o roteiro revela na metade do filme, que dá a dimensão real da tragédia enfrentada por Sam e por sua ex-esposa. 

Por sinal, a interpretação de Billy Crudup é um dos pontos altos do longa, voltando a um papel de músico, assim como no ótimo “Quase Famosos”, mesmo que aqui seja uma forma de renascer, não uma diversão. O jovem Anton Yelchin também defende bem o papel do confuso Quentin. Por sinal, os dois atores aparentemente cantam e tocam algumas músicas. 

A ótima trilha sonora com músicas que misturam rock e melancolia é outro grande acerto. 

É um filme pequeno que merece ser descoberto.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Preço do Amanhã

O Preço do Amanhã (In Time, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Andrew Niccol
Elenco – Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Vincent Kartheiser, Alex Pettyfer, Olivia Wilde, Johnny Galecki, Yaya daCosta, Matt Bomer.

Em um futuro distante, as pessoas estão programadas para envelhecer até os vinte e cinco anos. Após completar esta idade, “nasce” um relógio sob a pele do braço dando apenas mais um ano de vida para a pessoa. As pessoas estão separadas em zonas. Os pobres vivem nos guetos e precisam trabalhar muito para receber um pagamento diário e sobreviver por mais dia, enquanto os ricos moram em uma zona especial chamada “New Greenwich” e vivem rodeados de seguranças para garantir seu tempo de vida. 

Neste contexto, Will Salas (Justin Timberlake), que luta diariamente para conseguir horas a mais para pagar as despesas e sobreviver, salva um sujeito deprimido (Matt Bomer) e aparentemente rico, que decide doar um século de sua vida para o jovem, antes de cometer suicídio. Com o tempo de uma pessoa rica, Will decide entrar em New Greenwich, onde se envolve com a jovem rebelde e milionária Sylvia (Amanda Seyfried), ao mesmo tempo em que tem de fugir dos guardiões do tempo liderados por Raymond Leon (Cillian Murphy), que acreditam que Will roubou o tempo do suicida. 

A premissa do roteiro escrito pelo diretor neozelandês Andrew Niccol pode ser destacada pela clássica frase “tempo é dinheiro”, que se mostra de forma literal no futuro criado aqui. Niccol, dos interessantes “Gattaca – A Experiência a Genética” e “O Senhor das Armas”, utiliza citações e simbolismos para fazer uma crítica a divisão de classes, ao capitalismo, a ganância e até ao controle das massas, porém estas boas ideias se perdem em meio ao roteiro que deixa algumas pontas soltas, como a história do pai do personagem de Justin Timberlake e sua relação com o guardião vivido por Cillian Murphy, além da falta de explicação para a motivação do suicida. 

Era uma história com potencial para render um grande, mas que resultou numa ficção comum, que dá ênfase as cenas de ação e as soluções fáceis.  

terça-feira, 19 de maio de 2015

Dirigindo no Escuro

Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Téa Leoni, Treat Williams, Mark Rydell, Debra Messing, George Hamilton, Tiffani Thiessen, Peter Gerety, Mark Webber, Jodie Markell.

Val Waxman (Woody Allen) é um diretor de cinema que foi famoso e hoje está com a carreira praticamente acabada. Uma nova chance surge quando sua ex-esposa Ellie (Téa Leoni) convence seu atual marido Ed (Treat Williams) a contratar Val para dirigir sua nova produção, um remake milionário de um filme de época. Mesmo sem confiar em Val, Ed aceita o pedido da esposa e entrega a direção para o sujeito. 

Assim que começam as filmagens, Val subitamente perde a visão. Após vários exames, os especialistas dizem que a cegueira é psicológica. Val pensa em desistir do trabalho, porém seu empresário Al (o também diretor Mark Rydell) o convence a continuar dirigindo o filme e esconder o problema da equipe e dos produtores. 

A premissa é de uma comédia rasgada, porém o estilo de Woody Allen é bem diferente. Seus filmes são baseados em diálogos irônicos e situações constrangedoras, além é claro, dos conflitos de relacionamento com mentiras e traições. 

Aqui, a crítica de Allen se volta também para os bastidores do cinema, retratando os tipos que cercam este ambiente. Além do produtor poderoso de Treat Williams e do agente de Mark Rydell, temos o puxa-saco (George Hamilton) preocupado com o orçamento, a atriz (Tiffany Thiessen) que quer transar com o diretor, a namorada burra do diretor (Debra Messsing) que ganha uma ponta no filme, o câmera temperamental e o sujeito que deseja recriar até mesmo o Central Park em estúdio. 

Apesar de render alguns diálogos engraçados, o filme fica abaixo da qualidade de outros trabalhos de Allen. Algumas coisas não funcionam, como o filho do diretor que surge na parte final e até mesmo a premissa da falta de visão não convence totalmente. As quase duas horas de duração também deixam o filme um pouco cansativo. 

É um filme indicado apenas para os fãs de Woody Allen.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A Lei de Cada Dia & Assassinato em Primeiro Grau


O diretor Marc Rocco faleceu com apenas quarenta e seis anos em 2009, deixando uma carreira de quatro filmes. Seu dois primeiros trabalhos foram comédias românticas adolescentes sem grande impacto, que não davam pistas de que Rocco poderia ter talento para algo mais.

Seus dois filmes seguintes foram dramas fortes que resultaram em gratas surpresas para o público. 

Nesta postagem comento estes dois trabalhos.

A Lei de Cada Dia ou Por Onde a Vida Te Leva (Where the Day Takes You, EUA, 1991) – Nota 7,5
Direção – Marc Rocco
Elenco – Dermot Mulroney, Lara Flynn Boyle, Sean Astin, Balthazar Getty, Laura San Giacomo, Ricki Lake, Will Smith, James LeGros, Peter Dobson, Kyle MacLachlan, Nancy McKeon, Adam Baldwin, Rachel Ticotin, Alyssa Milano, David Arquette, Leo Rossi, Stephen Tobolowsky, Christian Slater.

Vários jovens que fugiram de casa tentam sobreviver pelas ruas de Los Angeles. Liderados informalmente por King (Dermot Mulroney), que vive nas ruas desde criança, os jovens dormem embaixo de um viaduto ao lado de uma rodovia e durante o dia lutam para conseguir dinheiro através de esmolas, pequenos roubos e prostituição. Entre os jovens temos a bela Heather (Laura Flynn Boyle), o nervosinho Little J (Balthazar Getty), o drogado Greg (Sean Astin), a gordinha Brenda (Rickie Lake), o veterano Crasher (James LeGros) e o cadeirante Manny (Will Smith). 

O roteiro escrito pelo próprio diretor Marc Rocco, foca no complicado problema dos adolescentes que fogem de casa por causa de abuso de familiares ou do vício em drogas. 

A trama é intercalada por uma entrevista do personagem de Dermot Mulroney com uma assistente social interpretada por Laura San Giacomo, que tenta tirar do jovem respostas sobre sua vida, seus sentimentos, sonhos e a dureza da vida nas ruas. 

É uma história sobre uma triste realidade, que conforme os letreiros no final do longa, a cada menos de trinta segundos, um adolescente foge de casa nos Estados Unidos, pelo menos era este cálculo em 1991. 

Vale destacar ainda o elenco recheado de jovens que ficariam famosos, como Dermot Mulroney, Sean Astin (“Senhor dos Anéis”), Laura Flynn Boyle, David Arquete (“Pânico”) e Will Smith no seu primeiro papel no cinema.

Assassinato em Primeiro Grau (Murder in the First, EUA, 1995) - Nota 8
Direção – Marc Rocco
Elenco – Kevin Bacon, Christian Slater, Gary Oldman, Embeth Davidtz, William H. Macy, Stephen Tobolowsky, Brad Dourif, R. Lee Ermey, Mia Kirshner, Kyra Sedgwick.

Henri Young (Kevin Bacon) rouba alguns trocados em uma agência dos correios e termina preso. Ao invés de receber uma pena leve, o homem é enviado para temida prisão de Alcatraz. Inconformado com a injustiça, Henri tenta fugir e falha. A tentativa desperta a ira no diretor do presídio (Gary Oldman), um sádico que para vingar a audácia de Henri, o envia para a solitária, onde o homem fica preso por mais de três anos, além de ser torturado. 

Ao ser libertado e jogado no páteo com outros presos, Henri mata o sujeito que delatou sua fuga. Podendo ser condenado a morte, ele é defendido por um jovem advogado (Christian Slater), que deseja provar que os anos na solitária foram um abuso do diretor e a causa para o desequilíbrio emocional de Henri. 

Este ótimo drama faz uma forte crítica ao sistema penal americano da época, principalmente o tratamento dado aos presos. O filme se divide entre o sofrimento do personagem de Kevin Bacon na solitária, com o julgamento, que é um verdadeiro embate em o jovem interpretado por Christian Slater e o promotor de William H. Macy. Outro ponto alto do filme é o elenco, com destaque para Bacon, Slater, Macy e o quase sempre sinistro Gary Oldman. 

Para quem gosta de drama sobre injustiça, esta é uma ótima opção.

domingo, 17 de maio de 2015

Delírios de um Anormal

Delírios de um Anormal (Brasil, 1978) – Nota 4
Direção – José Mojica Marins
Elenco – José Mojica Marins, Jorge Peres, Magna Miller, Jaime Cortez.

O conceituado psiquiatra Hamilton (Jorge Peres) começa a imaginar que sua esposa Tânia (Magna Miller) será levada por Zé do Caixão (José Mojica Marins), sendo a escolhida para ter seu filho. Aos poucos, Hamilton vai enlouquecendo, tendo alucinações terríveis. Para tentar ajudá-lo, outros psiquiatras chamam José Mojica Marins para um espécie de terapia de choque, mostrando para Hamilton que Zé do Caixão é apenas um personagem. 

O longa em si é um colcha de retalhos com cenas de diversos outros filmes de Mojica, mas existe uma explicação. Nos anos setenta, a única forma de fazer um filme no Brasil era com dinheiro público e para isso existia a Embrafilme, que na época era dominada por cineastas do chamado “Cinema Novo”, que viam no filmes de terror de Mojica algo inferior, que não merecia ser financiado. 

Sem este dinheiro e com dificuldade de conseguir outras fontes para produzir seus filmes, principalmente porque mesmo nos sucessos Mojica deixou de ganhar muito dinheiro (esta história está muito bem detalhada no livro “Maldito” de André Barcinski), o resultado aqui é quase um protesto cinematográfico.

Para tristeza de seus fãs e do cinema, Mojica ficou mais trinta anos esperando um financiamento decente para concluir um novo longa de terror. Neste meio tempo, ele produziu filmes pornográficos nos anos oitenta e dos noventa em diante se tornou esta figura curiosa que utilizou seu personagem Zé do Caixão em programas de TV como o Cine Trash até mesmo nas Noites de Terror do antigo Playcenter em São Paulo. 

Uma pena, o maior diretor do gênero terror do nosso país ficar tanto tempo afastado das telas.

sábado, 16 de maio de 2015

Sniper Americano

Sniper Americano (American Sniper, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Jake McDorman, Kevin Lacz, Kyle Gallner, Keir O’Donnell, Sammy Sheik, Eric Close, Mido Hamada.

Considerado o maior atirador de elite da história americana, Chris Kyle (Bradley Cooper) tem sua vida muito bem retratada neste drama de guerra dirigido por Clint Eastwood. 

Kyle era um cowboy de rodeio quando decidiu se alistar para ser um Navy Seal após os atentados de 11 de Setembro, impulsionado pelo patriotismo exacerbado do país e dele próprio, fato mostrado em flashbacks de sua infância, quando fora influenciado pelo discurso bélico do pai. A partir daí, o roteiro acompanha os quatro “tours” que Kyle faz como soldado ao Iraque, enfrentando situações absurdas e se tornando uma verdadeira máquina de matar. 

O roteiro também acompanha suas idas e vindas para casa e como a violência da guerra afetou sua vida familiar, principalmente seu casamento com Taya (Sienna Miller). Infelizmente, o roteiro deixa de lado seu relacionamento com o irmão (Keir O’Donnell), fato mostrado rapidamente em uma sequência no aeroporto. 

Para muitos, o que incomoda no filme é o aparente teor nacionalista da história, que na minha opinião se mostra um reflexo do pensamento e da vida do personagem principal, mesmo sendo um valor distorcido pela violência. Assim como milhares de jovens que estavam sem rumo na vida, Chris Kyle abraçou a vida militar como um modo de fazer parte de algo importante. Em seu pensamento a ideia seria defender o país do terrorismo, mesmo que os verdadeiros interesses da invasão ao Iraque tenham sido políticos e financeiros. 

Não se pode deixar de destacar o talento de Clint Eastwood nas ótimas sequências de ação repletas de violência e suspense, assim como a complexa interpretação de Bradley Cooper, que consegue passar todos os sentimentos de seu personagem, seja na frieza demonstrada nos combates, nos diálogos com a esposa e na falta de palavras quase constrangedora na cena em que um soldado o agradece por ele ter salvo sua vida. 

Assim como em “Guerra ao Terror”, este filme leva o espectador ao meio do conflito no Iraque de uma forma violenta e realista.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

As Duas Faces de Janeiro

As Duas Faces de Janeiro (The Two Faces of January, Inglaterra / França / EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Hossein Amini
Elenco – Viggo Mortensen, Oscar Isaac, Kirsten Dunst, Daisy Bevan, David Warshofsky.

Atenas, 1960, Rydal (Oscar Isaac) é um jovem americano que vive na cidade trabalhando como guia turístico. Enganando e seduzindo jovens turistas que visitam as ruínas gregas para ganhar alguns trocados, Rydal vê uma grande chance de lucrar ao se aproximar do casal Chester (Viggo Mortensen) e Colette (Kirsten Dunst). 

A diferença de idade entre o casal, faz Rydal acreditar que a jovem está com o sujeito apenas pelo dinheiro e que também poderá conquistá-la. O que ele não imagina, é que o casal fugiu dos Estados Unidos após Chester dar um golpe em diversos investidores. Quando um detetive particular (David Warshofsky) entra em cena, a vida dos três personagens mudará completamente. 

Baseado em um livro de Patricia Highsmith, a trama tem semelhanças com “O Talentoso Ripley”, também baseado em obra da autora. 

O foco principal do roteiro está na relação de mentiras e desconfiança que surge entre os três personagens principais. É um filme em que personagem algum é inocente. 

O roteiro ainda toca no tema das diferenças entre o novo e o velho, seja na relação do casal ou na disputa entre os dois sujeitos. 

Apesar da aparente frieza da narrativa em algumas passagens, o filme tem bons momentos de suspense, como as sequências no aeroporto, na alfândega e nas ruínas de Creta. 

A fotografia explora bem os cenários naturais de Atenas, da Ilha de Creta e de Istambul. 

É um filme indicado para quem gosta de tramas contidas, focadas em personagens.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Hora do Espanto 1985, 1988 & 2011


A Hora do Espanto (Fright Night, EUA, 1985) – Nota 7,5
Direção – Tom Holland
Elenco – Chris Sarandon, William Ragsdale, Roddy McDowall, Amanda Bearse, Stephen Geoffreys, Jonathan Stark, Dorothy Fielding, Art Evans.

O adolescente Charley Brewster (William Ragsdale) leva uma vida normal em um bairro de subúrbio, até que um novo vizinho muda para a casa ao lado. Entre os móveis da mudança do sujeito, está um estranho caixão. Intrigado, Charley passa a vigiar o vizinho metido a galã (Chris Sarandon), que sempre recebe jovens bonitas em sua casa. Numa determinada noite, assistindo na tv o programa trash do “caçador de vampiros” Peter Vincent (Roddy McDowall), Charley vê o sujeito morder o pescoço de uma garota e passa a acreditar que ele é um vampiro. Com ajuda da namorada (Amanda Bearse) e de um amigo maluco (Stephen Geoffreys), Charley invade a casa do vizinho para provar sua teoria, dando início a um jogo de rato com o sujeito. 

Este divertido longa pode ser um considerado um dos maiores clássicos de terror dos anos oitenta, que foi lançado durante o auge do gênero e se tornou um grande sucesso. São vários pontos positivos, desde a história simples que modernizava o mito dos vampiros, passando pela clima de suspense e finalizando com os personagens carismáticos, mesmo longe de serem interpretados grandes atores. O vampiro Chris Sarandon sempre foi um canastrão e provavelmente por isso se mostra perfeito para o papel. O veterano Roddy McDowall, que estava marcado pelo papel de Caesar em “O Planeta dos Macacos”, tem aqui seu último grande momento da carreira como o medroso Peter Vincent. Já o casal principal se mostra inexpressivo, com William Ragsdale e Amanda Bearse comprovando a falta de talento no decorrer da carreira. 

O outro destaque fica por conta de Stephen Geoffreys como o agitado Ed “Devil”, personagem que se transforma em vampiro. Geoffreys era um rosto conhecido em filmes adolescentes nos anos oitenta e considerado talentoso pelos críticos, porém sabe-se lá porque, no início dos anos noventa ele abandonou a carreira normal e foi trabalhar como ator pornô em filmes gay. Uma decisão totalmente estranha, que entrou para as histórias curiosas do cinema. 

Como informação, o diretor Tom Holland faria outro clássico do terror oitentista, o cultuado “Brinquedo Assassino”.

A Hora do Espanto 2 (Fright Night Part 2, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Tommy Lee Wallace
Elenco – William Ragsdale, Roddy McDowall, Traci Lind, Julie Carmen, Jonathan Gries, Brian Thompson.

Quatro anos após o incidente com o vampiro, Charley (William Ragsdale) faz de tudo para esquecer o que ocorreu, até mesmo sessões de terapia. Ele está com uma nova namorada (Traci Lind) e deseja recomeçar uma vida normal. Peter Vincent também quer esquecer que vampiros existem. O terror recomeça quando o carro de Charley é perseguido por uma gangue e um dos integrantes tenta morder seu pescoço. A gangue tem como líder uma bela mulher (Julie Carmen), mas que mais se tarde se revelará irmã do vampiro morto por Charley e Peter. 

As sequências de filmes de sucesso se tornaram comuns nos anos oitenta, muitas delas produzidas a toque de caixa e com péssima qualidade, porém em alguns casos houve uma capricho maior. Aqui, a sequência é apenas razoável, os problemas principais estão na falta de originalidade da trama e na perda dos personagens de Chris Sarandon e Stephen Geoffreys. 

O lado excêntrico ficou apenas no personagem de Roddy McDowall, que infelizmente não consegue segurar o filme sozinho. Os produtores até tentaram ressuscitar o personagem de Geoffreys,  mas o ator não aceitou voltar ao papel. O filme ainda tem um interessante clima de suspense e alguma sensualidade com a personagem de Julie Carmen. 

O longa chegou a fazer algum sucesso, mas não o suficiente para outra sequência. 

A Hora do Espanto (Fright Night, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Craig Gillespie
Elenco – Anton Yelchin, Colin Farrell, Imogen Poots, Christopher Mintz Plasse, Toni Collette, David Tennant, Dave Franco, Chris Sarandon.

Charley Brewster (Anton Yelchin) é um adolescente que mora com a mãe (Toni Collette) em uma casa de subúrbio em Las Vegas e namora com a bela Amy (Imogen Potts). Quando um sujeito (Colin Farrell) muda para a casa ao lado e tenta se aproximar da mãe de Charley, a princípio o jovem parece não se importar, porém ao ser procurado por seu antigo amigo Ed (Christopher Mintz Plasse), tudo se modifica. Ed alega que o vizinho de Charley é um vampiro, pois algumas pessoas desapareceram após a chegada do homem no bairro. Os dois decidem investigar e rapidamente despertam a atenção do sujeito. Para ajudar na caçada, Charley procura Peter Vincent (David Tennant), um excêntrico mágico especializado em shows de ocultismo. 

Para quem não assistiu ao original, esta nova versão chega a ser divertida. O roteiro modificou várias situações, as cenas de ação são corretas e o jovem Anton Yelchin segura bem o papel principal, assim como o carismático Christopher Mintz Plasse como o maluco Ed. 

O filme perde na comparação com o original em alguns aspectos. O clima de suspense do original era bem mais legal, como se fosse um filme B, assim como os personagens de Roddy McDowall e Chris Sarandon eram mais interessantes que as versões de David Tennant e Colin Farrell. Por sinal, Sarandon aparece em uma ponta neste novo filme. 

Mesmo sendo razoável, o resultado é uma refilmagem desnecessária.