segunda-feira, 16 de julho de 2018

Mac

Mac (Mac, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – John Turturro
Elenco – John Turturro, Michael Badalucco, Carl Capotorto, Katherine Borowitz, Olek Krupa, Ellen Barkin, John Amos, Dennis Farina, Nicholas Turturro, Aida Turturro.

Nova York, anos cinquenta. Após a morte do pai, os irmãos Vitelli montam uma pequena empresa de construção. Eles tentam sobreviver em meio a um concorrente desonesto, além de precisarem lidar com seu próprios problemas de relacionamento. 

O mais velho e líder da empresa é Mac (John Turturro), sujeito de sangue quente igual ao pai imigrante italiano, que muitas vezes se deixa levar pela emoção. Vico (Michael Badalucco) é o irmão um pouco irresponsável, enquanto o caçula Bruno (Carl Capotorto) fica dividido entre a empresa dos irmãos e os estudos. 

Este drama marcou a estreia na direção do ator John Turturro e chegou a ter algum destaque quando foi lançado em Cannes. Visto hoje, a história tem pontos interessante, porém a narrativa é bastante irregular. 

A ideia de mostrar as mudanças que estavam ocorrendo nas relações de trabalho é talvez o maior destaque. A cena final deixa claro que a importância na época das pessoas que faziam o serviço pesado estava sendo deixada de lado em prol dos pensadores e teóricos. O talento do personagem de John Turturro em construir casas era inversamente proporcional a sua dificuldade em interagir com a pessoas. 

Apesar de retratar uma típica família italiana, as crises entre os irmãos são mostradas de modo exagerado, com gritarias e discussões, inclusive com o personagem de mãe jamais aparecendo em cena. Apenas ouvimos a senhora gritando para falar com os filhos. 

Vale citar que Turturro escalou quase toda sua família no longa. Ele é casado com Katherine Borowitz, que interpreta sua esposa, seu filho Amedeo aparece ainda bebê, além do irmão Nicholas e da irmã Aida em papéis menores.

domingo, 15 de julho de 2018

Quero Matar Meu Chefe & Mulher Infernal


Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Seth Gordon
Elenco – Jason Bateman, Charlie Day, Jason Sudeikis, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell, Jamie Foxx, Donald Sutherland, John Francis Daley, P.J. Byrne, Ioan Gruffudd, Julie Bowen, Wendell Pierce, Ron White, Bob Newhart.

Três amigos desesperados que são tratados pessimamente por seus chefes, decidem armar um plano para matá-los. Nick (Jason Bateman) espera há oito anos por uma promoção no emprego, sendo obrigado a aguentar o arrogante executivo Dave (Kevin Spacey). Kurt (Jason Sudeikis) é contador de uma empresa química que precisa enfrentar o drogado Bobby (Colin Farrell), após o pai do sujeito falecer (Donald Sutherland). O terceiro amigo é Dale (Charlie Day), que trabalha como assistente da dentista Julia (Jennifer Aniston), que o trata como um brinquedo sexual e ameaça contar tudo para sua noiva.

A premissa é semelhante a comédia “Como Eliminar Seu Chefe” de 1980, com a diferença de que naquele filme eram três mulheres que planejavam matar o mesmo chefe. Aqui a trama brinca com o clássico “Pacto Sinistro”,  em que dois homens decidiam assassinar a pessoa que atrapalhava a vida da outra.

Infelizmente poucos momentos engraçados se salvam. São muitos diálogos comuns, algumas cenas exageradas e poucas risadas. Os destaques ficam para o agitado Charlie Day, para o assassino picareta vivido por James Foxx e pelas sequências com a voz do GPS do carro.

O filme fez um razoável sucesso e gerou uma sequência, mas que com certeza passarei longe.

Mulher Infernal (Saving Silverman, EUA, 2001) – Nota 5,5
Direção – Dennis Dugan
Elenco – Jason Biggs, Steve Zahn, Jack Black, Amanda Peet, R. Lee Ermey, Amanda Detmer, Neil Diamond.

Wayne (Steve Zahn), J.D. (Jack Black) e Darren Silverman (Jason Biggs) são amigos desde a infância e tocam juntos em uma banda cover do cantor Neil Diamond. Quando Silverman começa a namorar Judith (Amanda Peet), tudo muda. A jovem possessiva e manipuladora domina a vida do pobre Silverman, o afastando dos amigos. 

Desesperados em manter a amizade, Wayne e J.D. armam um plano maluco. Tentam reaproximar Silverman de Sandy (Amanda Detmer), que foi seu amor adolescente e que hoje está prestes a se tornar freira. Em paralelo, eles também pretendem sequestrar e forjar a morte de Judith. 

A premissa absurda é mais engraçada do que a realização. O diretor Dennis Dugan, parceiro habitual de Adam Sandler, explora a comédia pastelão e as piadas politicamente incorretas. Algumas acertam o alvo e outras passam longe de fazer rir. 

O filme fez algum sucesso na época, muito pelo trio principal de comediantes que estavam no auge da carreira. É basicamente uma comédia adolescente. 

sábado, 14 de julho de 2018

O Outro Irmão

O Outro Irmão (El Otro Hermano, Argentina / Uruguai / Espanha / França, 2017) – Nota 7,5
Direção – Israel Adrian Caetano
Elenco – Leonardo Sbaraglia, Daniel Hendler, Angela Molina, Alian Devetac, Pablo Cedron, Alejandra Flechner.

Cetarti (Daniel Hendler) viaja de Buenos Aires para a pequena vila de Lapachito no interior do país para cuidar do funeral da mãe e do irmão que foram assassinados pelo padrasto. 

Ao chegar no local, Cetarti é recebido por Duarte (Leonardo Sbaraglia), que diz ser o responsável por cobrar o seguro que foi deixado pela falecida. O simplório Cetarti aceita a ajuda do esperto Duarte. Enquanto espera receber sua parte do dinheiro, ele fica na antiga casa do irmão e aos poucos se envolve nos negócios escusos de Duarte. 

O decadente e melancólico interior da Argentina é quase um personagem neste drama policial filmado em um ritmo lento e de forma crua. As estradas empoeiradas, casas caindo aos pedaços, ruas vazias e pobreza são os ingredientes desta parte do mundo. O personagem de Leonardo Sbaraglia é o malandro que explora o local isolado para suas contravenções e crimes. 

Por mais que o filme praticamente não tenha cenas de ação, algumas sequências chamam a atenção pela crueldade, incluindo o violento clímax.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Alta Fidelidade

Alta Fidelidade (High Fidelity, Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Stephen Frears
Elenco – John Cusack, Iben Hjejle, Todd Louiso, Jack Black, Lisa Bonet, Joan Cusack, Catherine Zeta Jones, Tim Robbins, Lili Taylor, Natasha Gregson Wagner.

Como homenagem ao Dia do Rock, comento este divertido longa em que a música faz toda a diferença. 

Rob Gordon (John Cusack) é dono de uma loja de vinil em Chicago. Após ser dispensado pela namorada (a dinamarquesa Iben Hjejle), Rob se mostra triste, amargurado e quase depressivo. Conversando direto com a câmera, ele conta os detalhes de seus cinco relacionamentos que terminaram em desilusão. 

Por sinal, Rob é um fanático por música e cultura pop, sempre criando listas dos “cinco melhores” sobre algum tema. Seu conhecimento é dividido com os dois funcionários da loja. O tímido e sensível Dick (Todd Louiso) e o falastrão Barry (Jack Black), este último que praticamente expulsa da loja os clientes que procuram discos que ele odeia. 

O filme é baseado numa obra do inglês Nick Hornby, autor de outros dois livros que resultaram em divertidos longas (“O Grande Garoto” e Febre de Bola”). Os livros de Hornby são baseados na obsessão do escritor por música (rock), cultura pop (cinema, quadrinhos) e pelo futebol (torcedor fanático do Arsenal). O protagonista vivido por John Cusack é uma espécie de alter ego do escritor transportado de Londres para Chicago. 

Um dos grandes acertos do escritor e também do diretor Stephen Frears foi mostrar o protagonista como um sujeito comum, com virtudes e defeitos e que mesmo sofrendo pelos relacionamentos que não deram certo, deixa claro em sua narração que muitas vezes ele também errou. 

Tudo isso é detalhado com muito bom humor, ótimos diálogos sobre relacionamentos e cultura pop, além de uma sensacional trilha sonora com clássicos do rock e do pop, inclusive com a performance maluca de Jack Black em uma sequência. Por sinal, este papel de coadjuvante alavancou a carreira de Black. 

Vale citar que na época as lojas de discos já eram uma raridade, as poucas que ainda existiam sobreviviam pela teimosia de alguns apaixonados pelo vinil, igual ao protagonista. 

Apesar da aparente simplicidade da história, este longa se tornou merecidamente um clássico cult, principalmente para quem gosta de música e foi jovem nos anos oitenta e noventa.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Estado das Coisas

O Estado das Coisas (Brad's Status, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Mike White
Elenco – Ben Stiller, Austin Abrams, Jenna Fischer, Michael Sheen, Jemaine Clement, Luke Wilson, Shazi Raja, Luisa Lee, Mike White.

Ao quarenta e sete anos, Brad Sloan (Ben Stiller) passa por uma crise existencial. Ele sente que fracassou na vida, mesmo tendo uma ONG sem fins lucrativos e um bom casamento com Melanie (Jenna Fischer). 

Brad se compara a seus colegas de universidade que ganharam muito dinheiro e conseguiram sucesso em suas carreiras. Ao acompanhar seu filho Troy (Austin Abrams) para conhecer algumas universidades, Brad relembra seu passado e sofre com os problemas que acredita que irá enfrentar no futuro. 

O roteiro escrito pelo ator e diretor Mike White acerta em cheio ao descrever a chamada crise da meia-idade de uma forma sensível e racional, sem apelar para os exageros comuns deste tipo de filme, que geralmente resvala para a comédia rasgada. 

A narração melancólica do personagem de Ben Stiller descreve com perfeição as frustrações do homem comum, que em algum momento da vida passa a questionar o sentido de suas conquistas comparando com os sonhos que tinha na juventude, além é claro de sofrer ao perceber que talvez a melhor parte de sua vida tenha ficado para trás. 

O roteiro também deixa claro que comparar a vida das pessoas é algo sem sentido. Cada um percorre seu caminho e enfrenta seus desafios e problemas, sendo que a imagem pública muitas vezes esconde as frustrações, os erros e o sofrimento.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Trapped

Trapped (Ofaerd, Islândia, 2015) – Nota 8,5
Criação -  Baltasar Kormakur
Elenco – Olafur Darri Olafsson, Ilmur Kristjansdottir, Ingvar Eggert Sigurdsson, Nina Dogg Filippusdottir, Baltasar Breki Samper, Porsteinn Bachmann, Palmi Gestsson, Steinunm Olina Porsteindottir.

Um corpo sem braços, pernas e cabeça é encontrado por pescadores na baía de uma pequena cidade costeira na Islândia. No mesmo dia, um navio de cruzeiro atraca no porto da cidade. O chefe de polícia Andri (Olafur Darri Olafsson) acredita que a vítima tenha sido jogada do navio e que o criminoso ainda esteja no local. 

Uma forte nevasca que cobre a região impede que a polícia da capital Reykjavic viaje para investigar o caso. Com ajuda apenas de dois assistentes, a séria Hinrika (Ilmur Kristjansdottir) e o veterano Asgeir (Ingvar Eggert Sigurdsson), Andri também precisa lidar com novos crimes que ocorrem como consequência de sua investigação, além de enfrentar problemas pessoais com a ex-esposa (Nina Dogg Filippusdottir). 

Esta ótima série é a produção mais cara da história da pequena Islândia, resultando numa complexa trama que envolve traições, segredos, exploração imobiliária e até tráfico humano. O roteiro amarra de forma correta vários crimes que vem à tona com a investigação. Mesmo com algumas cenas violentas, a série é muito mais um drama investigativo. 

O desenvolvimento dos personagens é outro ponto de destaque, principalmente o protagonista vivido pelo grandalhão Olafur Darri Olafsson. Ele interpreta um policial que aparenta tristeza em várias sequências, que carrega um peso de um caso antigo, que por sinal pode ser o plot da segunda temporada que deve ser lançada em breve, sofre pela separação da esposa e ainda precisa resolver os novos crimes com pouca ajuda. Ele está longe de ser o herói comum aos dramas policiais. 

Finalizando, as belíssimas locações em meio a neve são outro destaque e ajudam a elevar o grau de isolamento da região.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Artista do Desastre

Artista do Desastre (The Disaster Artist, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – James Franco
Elenco – James Franco, Dave Franco, Seth Rogen, Ari Graynor, Alison Brie, Jacki Weaver, Paul Scheer, Zac Efron, Josh Hutcherson, June Diane Raphael, Megan Mullally, Sharon Stone, Melanie Griffith, Bob Odenkirk, Randall Park.

San Francisco, 1998. Durante uma aula de teatro amador, o jovem Greg (Dave Franco) fica curioso ao ver uma performance maluca de um sujeito chamado Tommy (James Franco). Os dois iniciam uma amizade e dividem o sonho de fazer sucesso como ator. 

Tommy convida Greg para morar em seu apartamento em Los Angeles, cidade onde seria mais fácil conseguir trabalho. Após perceberem que as chances de serem chamados para algum papel são praticamente zero, Tommy decide produzir seu próprio filme, mesmo sem ter experiência alguma como diretor ou roteirista. 

Baseado na história real que resultou em dos piores filmes de todos os tempos, este longa é com certeza o melhor trabalho de James Franco como diretor e um dos seus melhores também em frente das câmeras. A carreira de James Franco está ficando marcada pela quantidade enorme de trabalhos, resultando numa impressionante irregularidade. 

Neste longa que comento, Franco acertou em cheio ao interpretar o maluco Tommy Wiseau. As cenas após os créditos finais mostrando o verdadeiro Tommy e as sequências do filme original são idênticas a versão de Franco. A interpretação então é sensacional. 

Apesar de algumas piadas bobas, o roteiro é perfeito ao explorar os clichês dos bastidores do mundo do cinema, como na pequena participação de Sharon Stone como uma agente. 

É basicamente um filme indicado para o cinéfilo que curte informações que vão além da sala de cinema. Para o público em geral, provavelmente a história não seja tão interessante.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Aliados

Aliados (Allied, Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Robert Zemeckis
Elenco – Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Simon McBurnley, Matthew Goode, August Diehl.

Marrocos, 1942. Em meio a Segunda Guerra Mundial, o espião Max Vatan (Brad Pitt) chega ao país com o objetivo de assassinar um oficial nazista. 

Max se faz passar pelo noivo da bela francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard), que também é uma espiã a serviço dos aliados. Enquanto se preparam para a missão, Max e Marianne se apaixonam e planejam viver juntos após cumprir o trabalho. 

As críticas divididas escondem um competente filme que mistura ação, espionagem e drama ao estilo dos longas antigos do gênero. A meia-hora inicial é um pouco arrastada, deixando a impressão de que a história seguiria o caminho do romance piegas, porém à partir do momento em que o casal de protagonistas inicia a missão do assassinato, tudo muda. 

O longa pode ser dividido em duas partes, com a primeira sendo a que se passa em Marrocos e a hora final levando a trama para Londres, incluindo uma interessante reviravolta. 

Vale citar a coragem do diretor Robert Zemeckis em entregar um final que foge dos padrões hollywoodianos. 

Mesmo um pouco irregular, o filme é uma boa diversão para quem curte obras de espionagem.

domingo, 8 de julho de 2018

Farenheit 451

Farenheit 451 (Farenheit 451, EUA, 2018) – Nota 5
Direção – Ramin Bahrani
Elenco – Michael B. Jordan, Michael Shannon, Sofia Boutella, Martin Donovan, Khandi Alexander, Keir Dullea.

Em um futuro distante, os livros se tornaram ilegais. Os bombeiros são os responsáveis por investigar e queimar todo livro que for encontrado, além de punir as pessoas que estiverem desobedecendo a lei. 

Neste contexto, o veterano bombeiro Beatty (Michael Shannon) e o novato Guy Montag (Michael B. Jordan) são os astros da transmissão ao vivo da queima de livros pela tv, na forma de uma enorme propaganda do governo. 

Quando Guy se envolve com uma informante de Beatty chamada Clarisse (Sofia Boutella), ele passa a questionar o porquê do seu trabalho, além de ser atormentado por sonhos com seu falecido pai. 

Eu não conferi o original de François Truffaut que é baseado em um livro de Ray Bradbury para comparar com esta nova versão. O que posso dizer é que este novo longa é fraco. Os personagens são clichês, fica fácil descobrir o que vai acontecer no final logo na primeira cena entre os dois Michael. 

A história é muito mal desenvolvida, com flashbacks previsíveis nas cenas de sonho e uma narrativa irregular. Falta emoção e ação, pouca coisa funciona. O diretor acreditou que apenas a produção caprichada e a fama do livro seriam suficientes para um grande filme. Ele errou feio. 

Para quem gosta do livro, procure o original de Truffaut.

sábado, 7 de julho de 2018

Terra de Minas & Kajaki


Terra de Minas (Under Sandet, Dinamarca / Alemanha, 2015) – Nota 8
Direção – Martin Zandvliet
Elenco – Roland Moller, Louis Hofmann, Joel Basman, Mikkel Bo Folsgaard, Laura Bro.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, o exército dinamarquês manteve um grande número de soldados alemães como prisioneiros, os obrigando a desarmar as milhares de minas terrestres que os próprios soldados nazistas enterraram em vários locais do país. 

Neste contexto, o sargento Rasmussen (Roland Moller) é o encarregado de liderar um grupo de jovens alemães, vários deles ainda adolescentes, para desarmarem minas enterradas em uma praia. O ódio de Rasmussen contra os alemães é colocado à prova conforme o veterano sargento passa a conhecer os garotos, que desejam apenas voltar para seu país e seguir a vida. 

O roteiro escrito pelo diretor Martin Zandvliet se baseia na história real da retirada das minas, porém utilizando personagens fictícios. É interessante a forma como o diretor explora o ódio criado pela guerra. Alguns soldados dinamarqueses procuram sua vingança humilhando os soldados alemães, que na realidade eram garotos assustados que foram empurrados para a guerra. 

Os cenários sujos que incluem os soldados cavando na areia com as mãos, o decadente galpão onde eles são obrigados a dormir e a fome pela falta de alimentos passam uma sensação de abandono que se mistura ao desespero cada vez que uma mina explode. 

No elenco, além da boa interpretação de Roland Moller, vale destacar o garoto alemão Louis Hofmann como o soldado inteligente e criativo que cria uma vínculo com o protagonista. Hofmann hoje é conhecido por seu papel na ótima série “Dark”.       

Kajaki (Kajaki, Inglaterra, 2014) – Nota 6,5
Direção – Paul Katis
Elenco – David Elliott, Mark Stanley, Scott Kyle, Benjamin O’Mahony, Bryan Parry, Liam Ainsworth.

Afeganistão, 2006. Um grupo de soldados britânicos instalados em uma colina no deserto vigia o movimento dos rebeldes numa estrada próxima ao local. Uma determinada situação faz com que alguns soldados tentem se aproximar dos rebeldes. Um dos soldados pisa em uma mina terrestre ficando extremamente ferido. Os colegas tentam ajudar e percebem que estão numa área repleta de minas, onde qualquer passo pode ser fatal. 

Baseado em uma história real, este longa é ao mesmo tempo cruel e cansativo. Na primeira meia-hora o foco são as piadas entre os soldados que parecem ter pouco o que fazer debaixo do sol escaldante. Quando a primeira mina é detonada, o filme se transforma num angustiante teste de paciência e sofrimento para os personagens. 

É um filme que incomoda ao mostrar como as minas terrestres são uma das mais perversas invenções do ser humano.                       

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O Livro de Henry

O Livro de Henry (The Book of Henry, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Colin Trevorrow
Direção – Naomi Watts, Jaeden Lieberher, Jacob Tremblay, Sarah Silverman, Dean Norris, Lee Pace, Madie Ziegler.

A garçonete Susan (Naomi Watts) cria sozinha os filhos Henry (Jaeden Lieberher) e Peter (Jacob Tremblay). Henry tem uma inteligência acima da média. Ele é o “homem da casa” que organiza as finanças da mãe e demonstra uma maturidade de adulto. 

Sua sensibilidade faz com que ele desconfie das atitudes do vizinho Glenn (Dean Norris), que cuida da enteada Christina (Madie Ziegler) após a morte da mãe da garota. Um fato inesperado mudará completamente a vida de Henry e das pessoas ao seu redor. 

Apesar das críticas apenas razoáveis, eu gostei do longa. Ou melhor, são quase dois filmes. A primeira metade segue a cartilha dos dramas atuais, para num determinado momento a história se transformar num suspense. Esta reviravolta inusitada faz o filme ganhar pontos e fugir um pouco do lugar comum. 

Vale destacar as boas atuações dos garotos Jaeden Lieberher e Jacob Tremblay, que a cada novo trabalho demonstram potencial para uma sólida carreira adulta daqui alguns anos.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

15h17: Trem Para Paris

15h17: Trem Para Paris (The 15:17 to Paris, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Alek Skarlatos, Spencer Stone, Anthony Sadler, Judy Greer, Jenna Fischer, Tony Hale, Steve Coulter.

Agosto de 2015. Os amigos Alex (Alex Skarlatos), Spencer (Spencer Stone) e Anthony (Anthony Sadler) viajam de trem em direção a Paris quando são surpreendidos por um terrorista. Os dois primeiros são militares e percebem que a única chance de sobreviver é enfrentar o criminoso. 

O diretor Clint Eastwood presta aqui uma homenagem aos três americanos que se tornaram heróis. Os personagens são interpretados por eles mesmos, resultando em atuações amadoras. Foi uma escolha arriscada do diretor, que divide ainda a trama em duas narrativas. 

A primeira mostra a vida dos três personagens desde a adolescência, quando iniciaram a amizade na escola. A segunda narrativa é intercalada com pequenas cenas do ataque no trem, até o explosivo clímax. 

É um filme que vale a sessão pela força da história e a coragem dos protagonistas. Analisando apenas como cinema, a obra deixa a desejar.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Buster's Mal Heart

Buster’s Mal Heart (Buster’s Mal Heart, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Sarah Adina Smith
Elenco – Rami Malek, DJ Qualls, Kate Lyn Sheil, Toby Huss, Lin Shaye.

Um sujeito conhecido como Buster (Rami Malek) é perseguido pela polícia por invadir casas de temporada que estão vazias em uma região montanhosa. Em seguida, o filme se divide em três narrativas. 

A principal detalha a vida pregressa de Buster, quando este trabalhava como gerente de um decadente hotel e sonhava em ter uma vida melhor com a esposa (Kate Lyn Sheil) e a filha pequena, até conhecer um estranho (DJ Qualls) que influenciará seu destino. 

A narrativa seguinte mostra as ações malucas de Buster durante as invasões das casas isoladas e a terceira parece uma espécie de sonho em que o protagonista está em um pequeno barco à deriva no mar. 

O roteiro escrito pela diretora Sarah Adina Smith explora o estilo peculiar de interpretação do ator Rami Malek, que cria um personagem estranho semelhante ao Mr. Robot da série que o transformou em ator conhecido. A fala pausada, o olhar perdido e a personalidade complexa são muito parecidas no filme e na série. 

O resultado passa longe de ser um grande filme, na verdade é um longa que tem a seu favor fazer o espectador quebrar a cabeça, deixando claro que algumas situações não tem respostas perfeitas.

terça-feira, 3 de julho de 2018

71: Esquecido em Belfast

71: Esquecido em Belfast (’71, Inglaterra, 2014) – Nota 7,5
Direção – Yann Demange
Elenco – Jack O’Connell, Sean Harris, Sam Hazeldine, Jack Lowden, Paul Anderson.

Belfast, Irlanda do Norte, 1971. Um grupo de soldados do exército britânico é enviado para prender uma pessoa em sua própria casa em um bairro proletário da cidade, local tomado por separatistas do IRA (Exército Republicano Irlandês). 

Um inevitável conflito se inicia e dois soldados ao perseguirem um garoto são deixados para trás pelo tropa que foge da multidão. Um dos soldados é assassinado e outro chamado Gary (Jack O’Connell) consegue escapar, sendo perseguido pelos separatistas. Enquanto espera que seus companheiros voltem à sua procura, Gary precisa sobreviver em meio a hostilidade dos locais. 

Belfast era uma verdadeira panela de pressão prestes a explodir nos anos setenta e oitenta. O conflito entre separatistas e exército inglês na época é o ponto principal deste violento drama. 

Além da perseguição ao protagonista, que por sinal era irlandês, o roteiro explora também as disputas entre os próprios líderes locais do IRA e o medo das pessoas comuns em se envolver no conflito. 

O longa não chega a ter a qualidade do ótimo “Domingo Sangrento”, mas mesmo assim é uma obra competente e interessante para quem tem curiosidade sobre o tema.