sábado, 31 de agosto de 2019

A História de Luke

A História de Luke (The Story of Luke, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Alonso Mayo
Elenco – Lou Taylor Pucci, Seth Green, Cary Elwes, Kristin Bauer van Straten, Kenneth Welsh, Tyler Stentiford, Mackenzie Munro, Dewshane Williams.

Após a morte da avó, Luke (Lou Taylor Pucci) e seu avô Jonas (Kenneth Welsh) são obrigados a morar com o tio Paul (Cary Elwes), sua esposa Cindy (Kristin Bauer van Straten) e o casal de filhos destes. 

Não demora para Cindy exigir que o avô seja colocado em um asilo. Mesmo convivendo com um pequeno atraso mental, Luke percebe que a família do tio está desestruturada e que ele mesmo precisa seguir sua vida. Luke inicia uma busca por emprego, enfrentando diversos obstáculos. 

Mesmo tendo sido produzido para o cinema, este curioso longa lembra as produções para TV sobre dramas familiares. Indo bem mais longe, também mostra semelhanças com o clássico “Muito Além do Jardim” com Peter Sellers. O protagonista é o agente involuntário de mudanças na família e também na vida de um excêntrico personagem vivido por Seth Green. 

É uma história de otimismo com um pé na realidade, mesmo entregando algumas sequências que fogem do lugar comum.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Pânico na Floresta & O Silêncio


Pânico na Floresta (Wrong Turn, EUA / Alemanha / Canadá, 2003) – Nota 6,5
Direção – Rob Schmidt
Elenco – Desmond Harrington, Eliza Dushku, Emmanuelle Chriqui, Jeremy Sisto, Kevin Zegers, Lindy Booth.

Preso em um congestionamento na estrada por causa de um acidente e atrasado para uma entrevista de emprego em uma cidade vizinha, Chris Flynn (Desmond Harrington) decide pegar um atalho em uma estrada vicinal. 

Ele sofre um pequeno acidente batendo em outro carro que estava quebrado no meio da estrada. No local estão três garotas e dois jovens que pretendiam acampar. O grupo decide procurar ajuda sem imaginar que estão sendo vigiados. 

O roteiro deste longa B segue o estilo dos filmes de terror em que adolescentes são perseguidos por estranhos, lembrando bastante o clássico “Quadrilha de Sádicos” de Wes Craven e um pouco do posterior e superior longa australiano “Wolf Creek – Viagem ao Inferno”. 

O roteiro não apresenta surpresas, o foco principal são as sequências de correria, suspense e violência, com o pouco conhecido diretor Rob Schmidt explorando bem os cenários naturais em meio a uma floresta. 

O filme se transformou em franquia e já está na parte sete.

O Silêncio (The Silence, Alemanha, 2019) – Nota 5
Direção – John R. Leonetti
Elenco – Stanley Tucci, Kiernan Shipka, Miranda Otto, John Corbett, Kate Trotter, Kyle Breitkopf.

Uma escavação arqueológica libera uma legião de aves pré-históricas que estavam presas em uma rede de cavernas. As aves são uma espécie de morcegos carnívoros que para se alimentar atacam as pessoas seguindo o som. A família de Hugh Andrews (Stanley Tucci) foge desesperadamente para as montanhas em busca de silêncio e de uma chance para sobreviver. 

Este longa produzido pela Netflix é uma cópia vagabunda de “Um Lugar Silencioso”. O roteiro altera o tipo de ameaça, mas utiliza da mesma premissa do silêncio, inclusive tendo com co-protagonista uma personagem surda (Kiernan Shipka). 

O início é até interessante, porém quando é necessário o uso de efeitos especiais e principalmente na meia-hora final quando entram em cena alguns personagens bizarros, a coisa desanda. São muitos furos no roteiro e vários clichês. É um filme para passar longe.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A Duquesa

A Duquesa (The Duchess, Inglaterra / França / Itália / EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Saul Dibb
Elenco – Keira Knightley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper, Hayley Atwell, Simon McBurney, Aidan McArdle, John Shrapnel.

Inglaterra, século 18. William (Ralph Fiennes) é o poderoso Duque de Devonshire que casa com a quase adolescente Georgiana (Keira Knightley). 

Aos poucos, a alegre e falante Georgiana percebe que se casou com um sujeito frio e de poucas palavras, que tem no casamento o único objetivo de ter um filho homem para ser seu sucessor. 

Para piorar ainda mais a situação, William leva suas amantes ao palácio onde vivem, enquanto Georgiana tenta se entreter com outras coisas, como a amizade com pessoas ligadas ao teatro. 

Baseado numa história real, este longa detalha uma época em que existia um abismo de poder na relação entre homem e mulher, mesmo com a traição sendo algo inerente aos dois.

O filme resvala no estilo novelão em alguns momentos, situação até comum em dramas de época. O ponto alto é a belíssima reconstituição de época através do figurino e dos cenários. 

Apesar do elenco de nomes famosos, a bela Keira Knightley e o sisudo Ralph Fiennes interpretam papéis semelhantes ao que viveriam em outros longas. Ela exagerando um pouco nas caras e bocas e ele se mostrando apático em algumas sequências. 

É um filme indicado para quem curte dramas de época.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Hipócrates

Hipócrates (Hippocrate, França, 2014) – Nota 7,5
Direção – Thomas Lilti
Elenco – Vincent Lacoste, Reda Kateb, Marianne Denicourt, Jacques Gamblin.

Benjamin (Vincent Lacoste) é um jovem médico recém-formado que começa a trabalhar como residente em um hospital em que seu pai (Jacques Gamblin) é um dos diretores. 

Sua confiança inicial em realizar um bom trabalho aos poucos diminui ao enfrentar obstáculos como falta de equipamentos e limitações de orçamento. 

O jovem também inicia uma complicada relação profissional com o médico Abdel (Reda Kateb), um argelino que é obrigado a trabalhar como residente por não ter seu diploma validado pelo governo francês. 

Este interessante drama francês acerta ao detalhar os problemas enfrentados pelos médicos em uma hospital público de uma forma realista, pelo menos até os quinze minutos finais quando o roteiro prefere seguir uma linha menos amarga, talvez para agradar ao espectador médio. 

Alguns temas polêmicos são abordados, como as condições precárias do hospital por causa da política de orçamento criada por um burocrata que não está nem aí com os pacientes, a falta de humanidade em alguns tratamentos e as mentiras contadas pelos médicos aos familiares para encobrir seus próprios erros. 

O personagem de Reda Kateb é o médico humanista que entra em conflito com os superiores que colocam o dinheiro e a questão política acima do bem estar dos pacientes. 

Analisando a fundo, chega a ser assustador saber como funciona o sistema de saúde pela visão do médico.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Fora de Série

Fora de Série (Booksmart, EUA, 2019) – Nota 5,5
Direção – Olivia Wilde
Elenco – Kaitlyn Dever, Beanie Feldstein, Jessica Williams, Jason Sudeikis, Lisa Kudrow, Will Forte, Victoria Ruesga, Mason Gooding, Skyler Gisondo, Billie Lourd.

Um dia antes da formatura no colégio, Molly (Beanie Feldstein) percebe que pouco aproveitou da vida, dando prioridade apenas aos estudos para chegar na universidade. 

Ela consegue convencer a amiga Amy (Kaitlyn Dever) para ir na festa de despedida e assim curtirem os últimos momentos antes de entrarem na vida adulta. É o início de uma noite de confusões. 

Dirigido pela atriz Olivia Wilde e comparado por muitas pessoas como a versão feminina do divertido “Superbad”, este filme na verdade é uma grande decepção para quem esperava uma comédia maluca. O erro principal está na falta de graça das situações. A única piada que funciona é a sequência com o entregador de pizza. 

Em “Superbad”, a dupla de amigos cruzava com coadjuvantes bizarros e marcantes, enquanto aqui as garotas e os coadjuvantes são a cara da geração atual que adora problematizar as situações. Bons comediantes como Jason Sudeikis e Lisa Kudrow passam pela tela sem destaque algum também. 

Se você gosta de comédia rasgada e politicamente incorreta, viaje ao passado e veja “Superbad” ou vá ainda mais longe e busque obras dos anos oitenta como “Porky’s” e “A Última Festa de Solteiro”.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A Esposa

A Esposa (The Wife, Inglaterra / Suécia / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Bjorn Runge
Elenco – Glenn Close, Jonathan Pryce, Max Irons, Christian Slater, Harry Lloyd, Annie Starke, Elizabeth McGovern, Johan Widerberg, Karin Franz Korlof.

Connecticut, 1992. O veterano escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce) fica eufórico ao ser avisado que foi escolhido para receber o Prêmio Nobel de Literatura. Ele divide a alegria com a esposa Joan (Glenn Close). 

O que seria o auge de sua carreira aos poucos se revela um enorme problema. A relação de Joe com o filho David (Max Irons) que é aspirante a escritor fica ainda pior. Além disso, um segredo de família acaba vindo à tona. 

Em paralelo, um segunda narrativa volta para os anos cinquenta detalhando o início da relação de Joe e Joan (Harry Lloyd e Annie Starkie). 

Baseado em um livro de ficção, este longa foca em complicadas relações familiares, especificamente em três situações clichês. O pai intelectual e infiel, a esposa devotada e o filho que sofre por se sentir excluído pelo pai. O Prêmio Nobel é o estopim para as frustrações chegarem ao limite. 

As atuações marcantes de uma envelhecida Glenn Close e de Jonathan Pryce são os destaques. 

O filme é correto e entrega algumas boas sequências de discussões, mas não chega a empolgar.

domingo, 25 de agosto de 2019

Choque e Pavor: A Verdade Importa

Choque e Pavor: A Verdade Importa (Shock and Awe, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Rob Reiner
Elenco – Woody Harrelson, James Marsden, Rob Reiner, Tommy Lee Jones, Jessica Biel, Milla Jovovich, Richard Schiff, Luke Tennie.

O atentado contras as Torres Gêmeas em 2011 foi o motivo que os aliados do então presidente americano George W. Bush queriam para tirar do caminho o tirano Saddam Hussein e entregar os poços de petróleo do Iraque para seus parceiros comerciais. 

Para conseguir apoio popular, o governo explorou o patriotismo exacerbado utilizando a imprensa como porta voz da chamada “Guerra ao Terror”. Em meio a esta situação, o pequeno jornal Knight Ridder tomou o caminho oposto. 

O então editor John Walcott (Rob Reiner) deu carta branca para seus repórteres Jonathan Landay (Woody Harrelson) e Warren Strobel (James Marsden) investigarem com suas fontes em Washington se realmente Saddam Hussein tinha em seu poder armas de destruição em massa. 

A história do petróleo como motivo da guerra é totalmente conhecida, a questão aqui é mostrar como um jornal independente tentou publicar a verdade enquanto os grandes veículos de mídia apoiavam cegamente o governo. 

O filme prende a atenção para quem gosta de histórias de bastidores políticos e investigação jornalística, porém o diretor Rob Reiner falhou ao condensar tudo em apenas uma hora e meia. Muitos detalhes são deixados de lado e a passagem de tempo é confusa, parecendo em alguns momentos uma produção para TV. 

A história do soldado ferido na guerra é outro ponto que não se encaixa na proposta, mesmo sendo uma tentativa de mostrar o absurdo do conflito. 

O ótimo elenco entrega atuações convincente, mas longe de serem marcantes. É um filme mediano sobre um tema que poderia ser bem melhor explorado. 

Finalizando, a tradução do título é horrorosa. Mesmo com "Choque e Pavor" sendo o nome do ataque das forças armadas contra o Iraque, um desavisado pensará que é um filme de terror.