quarta-feira, 31 de julho de 2019

Longford

Longford (Longford, Inglaterra / EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Tom Hooper
Elenco – Jim Broadbent, Samantha Morton, Lindsay Duncan, Andy Serkis, Lee Boardman.

Inglaterra, 1965. Lord Longford (Jim Broadbent) é um político religioso que tem por hábito auxiliar detentos que desejam mudar de vida. 

Ele é surpreendido ao receber uma carta de Myra Hindley (Samantha Morton), uma jovem condenada a prisão perpétua por ter assassinado algumas crianças e adolescentes junto com o namorado Ian Brady (Andy Serkis). 

Apesar de sua esposa Elizabeth (Lindsay Duncan) ser totalmente contra, Longford aceita visitar Myra, sempre acreditando que todo ser humano merece uma segunda chance. 

Esta produção da HBO é baseada numa história real que explora temas complexos como política, perdão e principalmente a maldade pura. O roteiro de Peter Morgan, que também levou outras histórias reais famosas para a tela como “A Rainha” e “Frost/Nixon”, faz uma paralelo entre uma certa ingenuidade do protagonista que defende seus princípios de valorizar o ser humano e a maldade em pessoa encarnada pela jovem assassina e também por seu parceiro. 

As atuações deste trio também são destaques. Vale citar que Andy Serkis cria uma figura assustadora, que mesmo com pouco tempo na tela rouba as cenas em que aparece. 

É um filme, ou melhor, uma história sobre o que o ser humano tem de melhor e também de pior.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Joe Berlinger
Elenco – Zac Efron, Lily Collins, Kaya Scodelario, John Malkovich, Haley Joel Osment, Jim Parsons, Terry Kinney, Brian Geraghty. Jeffrey Donovan, Dylan Baker, Angela Sarafyan, James Hetfield.

Início dos anos setenta. Uma série de assassinatos de mulheres assusta a população de cidades nos Estados de Utah e Colorado. 

Uma denúncia anônima leva a polícia até Ted Bundy (Zac Efron), um estudante de direito que mora com a namorada Liz (Lily Collins) e com a enteada. Apesar de todas as pistas apontarem para Bundy, ele nega veementemente ser o assassino. 

Baseado no livro escrito pela verdadeira Liz que foi namorada de Bundy, este longa detalha o relacionamento do casal e a luta jurídica do assassino em tentar esconder seus crimes. Bundy é mostrado como um sujeito calmo e carinhoso com a família, além de estudante inteligente e articulado, como se o seu lado de psicopata não existisse ou fosse uma vida de outra pessoa. 

Apesar do título original escandaloso, o filme não explora cenas de violência, o foco é o drama das relações e o conflito judiciário. Apenas na sequência final vemos uma rápida cena de como Bundy era cruel. 

Acostumado com comédias e filmes adolescentes, Zac Efron acerta ao tentar mudar o rumo de sua carreira em um papel sério e complexo. Destaques ainda para John Malkovich interpretando sarcástico juiz, a curiosidade de ver o vocalista da banda "Metallica" James Hetfield como um guarda do tribunal e a presença de Haley Joel Osment, famoso por ser o garotinho de “O Sexto Sentido”.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Manhunt

Manhunt (Manhunt, Inglaterra, 2019) – Nota 7
Direção – Marc Evans
Elenco – Martin Clunes, Katie Lyons, Claudie Blakley, Stephen Wight.

Londres, 2004. Duas mulheres são assassinadas de forma semelhante na mesma região da cidade. Para investigar os casos é criada uma força-tarefa liderada por Colin Sutton (Martin Clunes), um veterano policial mal visto pelos superiores. 

Decidido a encontrar o assassino, que ele acredita ser um serial killer, Sutton precisa enfrentar a insegurança de alguns colegas, além de ter seu casamento abalado por divergências com sua esposa (Claudie Blakley) que também trabalha na polícia. 

Baseado numa história real retratada em livro pelo verdadeiro Colin Sutton, esta minissérie em três episódios tem um bom desenvolvimento através da investigação policial, mas deixa a desejar em alguns quesitos, principalmente no episódio final. 

Não existe cena de ação alguma e nem mesmo suspense, tudo gira em torno da investigação através de pistas e vigilância policial. Como a história é longa e segue por dois anos, a parte final se mostra corrida ao deixar de lado detalhes mais profundos. A questão do casamento do protagonista também fica sem desfecho. 

O espectador que gosta de séries investigativas vai encontrar uma minissérie apenas correta.

domingo, 28 de julho de 2019

Turbo Kid

Turbo Kid (Turbo Kid, Canadá / Nova Zelândia / EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – François Simard, Anouk Whissell & Yoann Karl Whissell
Elenco – Munro Chambers, Laurence Leboeuf, Michael Ironside, Edwin Wright, Aaron Jeffery, Romano Orzari.

Este longa dirigido pelo trio responsável pelo surpreendente “Verão de 84” tem uma história que se passa em 1997, apesar de ter sido produzido em 2015. 

A proposta dos diretores é fazer uma espécie de homenagem aos filmes dos anos oitenta. A inspiração principal vem de “Mad Max”, porém os detalhes e as situações brincam com “Karatê Kid” e “Indiana Jones”, entre outros longas. 

A história é simples. Em um mundo apocalíptico um garoto (Munro Chambers) sobrevive caçando pequenos animais e recolhendo objetos de um lixão. Sua solidão diminui quando surge do nada a garota Apple (Laurence Leboeuf), ao mesmo tempo em que ele entra em conflito com o vilão Zeus (Michael Ironside) e seus capangas. 

Não espere perfeição ou boas interpretações, o filme é ao mesmo criativo e tosco. As cenas de ação são repletas de sangue, com coadjuvante bizarros e armas improvisadas. 

O espectador que gostar da proposta vai se divertir com os absurdos.

sábado, 27 de julho de 2019

Creep 1 & 2


Creep (Creep, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Patrick Brice
Elenco – Mark Duplass, Patrick Brice.

Aaron (Patrick Brice) responde um anúncio de um desconhecido que deseja contratar uma pessoa para filmá-lo durante um dia inteiro. Ao chegar na casa do sujeito que fica em um local afastado, Aaron é recebido pelo estranho Josef (Mark Duplass). Mesmo apreensivo, ele aceita o trabalho que renderá um bom valor. Com o passar o dia, Aaron fica cada vez mais assustado com as atitudes de Josef.

Este suspense de baixo orçamento explora o estilo batido da “câmera na mão”, porém consegue prender a atenção por causa do clima que deixa claro que algo ruim está prestes a ocorrer. A atuação de Mark Duplass é outro destaque. Seu sorriso maquiavélico e suas mudanças de comportamento são assustadoras.

É um filme curto que cumpre o que promete.

Creep 2 (Creep 2, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Patrick Brice
Elenco – Mark Duplass, Desiree Akhavan, Karan Soni.

Sara (Desiree Akhavan) é uma youtuber que tenta emplacar uma série de vídeos em que ela encontra homens que procuram namoradas pelas redes sociais e tenta descrever o perfil destes sujeitos. Seu trabalho chama a atenção do assustador Josef, que agora diz se chamar Aaron (Mark Duplass) e que a convida para um trabalho. Ele deseja que a confissão de seus crimes seja documentada pela jovem, que mesmo sem entender o porquê, aceita a proposta acreditando que irá alavancar sua carreira. 

Esta sequência tem até uma premissa interessante ao inserir uma youtuber como co-protagonista, porém as surpresas que vimos no futebol anterior não existem nesta sequência. O roteiro tenta criar uma bizarra relação de poder e loucura entre os protagonistas, mesmo com a jovem escondendo seu medo para chegar ao objetivo de terminar a série de vídeos. Novamente o destaque fica para Mark Duplass encarnando um vilão assustador. 

O ideal é ver os dois filmes em sequência. Cada um tem menos de uma hora e meia de duração. 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Perdoai as Nossas Dívidas

Perdoai as Nossas Dívidas (Rimetti a Noi i Nostri Debiti, Itália / Suíça / Albânia / Polônia, 2018) – Nota 7
Direção – Antonio Morabito
Elenco – Claudio Santamaria, Marco Giallini, Jerzy Stuhr, Flonja Kodheli.

Em Roma, Guido (Claudio Santamaria) está desempregado e cheio de dívidas. Ao ser atacado por um cobrador, Guido decide pedir emprego na mesma empresa onde o sujeito trabalha, para assim tentar pagar seus débitos. 

Ele é contratado e inicia o trabalho auxiliando o cobrador Franco (Marco Giallini), um sujeito arrogante que usa métodos pouco ortodoxos para receber as dívidas. 

A princípio sentindo-se mal com a forma como Franco trabalha, aos poucos Guido se entrega a chance de ganhar dinheiro e mudar de vida, mesmo sabendo que o tipo de cobrança utilizado pelo parceiro é no mínimo imoral. 

A premissa desta longa é diferente e criativa ao mostrar como funciona o mercado de cobranças de dívidas na Itália, situação muito parecida com que o ocorre em países de terceiro mundo. O roteiro toca em pontos polêmicos como ganância, falta de moralidade e remorso.

Os dois protagonistas lidam de formas diferentes com o serviço sujo que fazem, sendo que Franco apela até mesmo para a religião. Algumas sequências são engraçadas e outras cruéis. 

É um filme interessante, que mesmo não sendo desenvolvido da melhor forma e deixando um final em aberto, ainda vale a sessão para quem curte obras diferentes.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Anon

Anon (Anon, Alemanha / EUA / Canadá, 2018) – Nota 6
Direção – Andrew Niccol
Elenco – Clive Owen, Amanda Seyfried, Colm Feore, Joe Pingue, Jean Michel Le Gal.

No futuro as pessoas desenvolveram a habilidade de rever suas memórias como se fossem um filme e ao mesmo tempo acessar informações de outras pessoas que cruzam seu caminho. 

Neste contexto, o detetive Sal Frieland (Clive Owen) é encarregado de investigar alguns crimes em que o autor conseguiu hackear “a visão” da vítima, ou seja, escondeu sua identidade. As pistas levam até uma garota (Amanda Seyfried) que não tem registro algum. 

O diretor e roteirista Andrew Niccol estreou no cinema em 1997 com a ficção “Gattaca – A Experiência Genética” que se passava em um futuro dominado pela tecnologia que era era utilizada como ferramenta de controle e exclusão. 

A premissa deste “Anon” tem semelhanças com o mesmo tipo de sociedade, potencializada pelas descobertas tecnológicas dos últimos vinte anos e do que poderá surgir à partir deste ponto. 

Infelizmente o filme perde pontos pela narrativa fria e arrastada, em que falta emoção até mesmo nas poucas cenas de ação. O personagem perdido de Clive Owen também não passa empatia alguma para o espectador. O roteiro ainda entrega uma estranha reviravolta no final. 

É um longa que deixa a desejar.