domingo, 31 de março de 2019

Bom Comportamento

Bom Comportamento (Good Time, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Benny Safdie & Josh Safdie
Elenco – Robert Pattinson, Benny Safdie, Buddy Duress, Taliah Webster, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdi, Necro.

Connie (Robert Pattinson) resgata seu irmão Nick (Benny Safdie) de uma instituição psiquiátrica e o leva para participar do assalto a um banco. A situação sai do controle e Nick termina preso. 

Desesperado, Connie procura ajuda para pagar a fiança do irmão, porém uma sucessão de fatos inesperados transforma a noite do ladrão em um inferno. 

Os irmão Benny e Josh Safdie entregam um interessantíssimo longa que lembra os trabalhos de Michael Mann, principalmente na belíssima fotografia noturna e na marcante trilha sonora. 

A trama policial que dura um dia e uma noite é repleta de personagens incomuns e acontecimentos que variam entre o bizarro e o violento. A dupla de diretores mostra que tem potencial para uma bela carreira. 

Vale destacar também a atuação de Robert Pattinson, que a cada novo trabalho demonstra talento para personagens fortes e assim se afasta da marca de astro adolescente da série “Crepúsculo”. 

Para quem gosta de filmes policiais criativos, este longa é uma ótima opção.

sábado, 30 de março de 2019

O Experimento de Aprisionamento de Stanford

O Experimento de Aprisionamento de Stanford (The Stanford Prison Experiment, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Kyle Patrick Alvarez
Elenco – Billy Crudup, Michael Angarano, Ezra Miller, Tye Sheridan, Moises Arias, Nicholas Braun, Gaius Charles, Keir Gilchrist, Ki Hong Lee, Thomas Mann, Logan Miller, Johnny Simmons, James Wolk, Nelsan Ellis, Olivia Thirlby.

Universidade de Stanford na Califórnia, férias de verão de 1971.

O psicólogo Phil Zimbardo (Billy Crudup) oferece um valor para estudantes participarem de um experimento de duas semanas sobre os efeitos da vida na prisão.

O grupo de estudantes é dividido entre guardas e prisioneiros. O que para alguns a princípio parece ser uma brincadeira tranquila, rapidamente se transforma numa verdadeira guerra dentro das salas da universidade que foram adaptadas como celas.

Baseado em um famoso e absurdo experimento real, este longa mostra como o poder mexe com a cabeça de muitas pessoas. O uniforme de guarda e o poder de autoridade levam pessoas comuns a cometerem atos cruéis, como se não fossem eles, mas sim personagens que estivessem interpretando.

O filme é interessante analisando apenas como cinema, porém indicado para pessoas fortes. As cenas de humilhação e submissão revoltam, assim como o ego do psicólogo responsável pelo estudo, que mesmo sendo criticado por colegas, até hoje ganha a vida com palestras e livros sobre o experimento.

Esta história tem uma versão alemã de 2001 com qualidade superior chamada “A Experiência”, que foi dirigida por Oliver Hirschbiegel.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Amor Impossível & O Inglês que Subiu a Colina e Desceu a Montanha


Amor Impossível (Salmon Fishing in the Yemen, Inglaterra, 2011) – Nota 6,5
Direção – Lasse Hallstrom
Elenco – Ewan McGregor, Emily Blunt, Amr Waked, Kristin Scott Thomas, Tom Mison, Rachael Stirling, Conleth Hill.

Alfred Jones (Ewan McGregor) é um funcionário do Ministério da Pesca na Inglaterra especialista na criação de peixes. Ele é obrigado por seu chefe (Conleth Hill) e por uma assessora do governo (Kristin Scott Thomas) a participar de uma reunião com Harriet (Emily Blunt), que trabalha para um sheik do Iémen (Amr Waked) que deseja construir um lago artificial para criação de salmão em pleno deserto. Mesmo a contragosto e apresentando um projeto maluco, Alfred é contratado pelo sheik. 

A premissa absurda que começa pelo estranho título é na verdade um gancho para um drama romântico. Além do projeto, o roteiro explora o casamento falido de Alfred e o relacionamento de Harriet com um soldado que está lutando no Afeganistão, sem contar o personagem do sheik que solta frases como se fosse um guru de autoajuda. 

O filme ganha pontos pela química entre a dupla principal e pela bizarrice do projeto. Uma sequência de ação bem fraquinha que destoa do contexto é um dos pontos falhos. A premissa poderia ter rendido um filme melhor.;

O Inglês que Subiu a Colina e Desceu a Montanha (The Englishman Who Went Up a Hill But Came Down a Mountain, Inglaterra, 1995) – Nota 7
Direção – Christopher Monger
Elenco – Hugh Grant, Tara Fitzgerald, Colm Meaney, Ian McNeice, Ian Hart, Kenneth Griffith.

País de Gales, 1917. Os cartógrafos ingleses Reginald (Hugh Grant) e George (Ian McNeice) chegam a uma pequena cidade que tem como maior orgulho da população uma montanha nos arredores do local. O trabalho dos cartógrafos é medir a altura da montanha. 

Tratados como convidados de honra a princípio, tudo muda quando eles terminam a medição e confirmam que na verdade aquilo seria uma colina e não uma montanha.

O fato desperta a ira dos moradores, principalmente Morgan “The Goat” (Colm Meaney), que vê a atitude dos forasteiros como uma ofensa. Surge a ideia de carregar terra colina acima para aumentar a altura até chegar no mínimo de uma montanha. 

Esta típica comédia inglesa é uma obra inofensiva que brinca com a questão do orgulho popular. As pessoas de fora se tornam inimigas ao questionarem aquilo que os moradores consideram importante, mesmo que não seja algo verdadeiro.

O roteiro explora o conflito de uma forma cômica em algumas sequências e ainda cria um interesse romântico para o personagem de Hugh Grant com o intuito de amenizar ainda mais a trama. 

É basicamente uma sessão da tarde inglesa.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Assunto de Família

Assunto de Família (Manbiki Kazoku, Japão, 2018) – Nota 8
Direção – Hirokazu Koreeda
Elenco – Lily Franky, Sakura Andô, Mayu Matsuoka, Jyo Kairi, Miyu Sasaki, Sosuke Ikematsu.

Osamu (Lily Franky) é um ladrão pé-de-chinelo que ensina seus conhecimentos para seu filho adolescente Shota (Jyo Kairi). 

Em um certo dia, Osamu encontra uma garotinha (Miyu Sasaki) brincando sozinha na porta de uma casa vazia. Ele decide levar a garota para casa e devolvê-la no dia seguinte. 

Rapidamente a garota ganha a simpatia da família de Osamu, que vive com a esposa, uma cunhada e a avó. O tempo passa e a garotinha se torna membro da família, que por seu lado esconde segredos que serão revelados aos poucos de forma surpreendente. 

Depois do mediano “O Terceiro Assassinato”, o diretor japonês Hirokazu Koreeda volta aos filmes sobre dramas familiares incomuns. A proposta aqui é fazer o espectador pensar sobre dois temas complexos. 

O primeiro seria até que ponto algo pode ser considerado certo ou errado e o segundo o que seria realmente uma família. Na visão do mundo de Koreeda tudo tem que ser analisado de vários lados. 

A cada novo filme ele comprova ser o melhor diretor japonês da atualidade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

White Boy Rick

White Boy Rick (White Boy Rick, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Yann Demange
Elenco – Matthew McConaughey, Richie Merritt, Bel Powley, Jennifer Jason Leigh, Brian Tyree Henry, Rory Cochrane, Eddie Marsan, RJ Cyler, Jonathan Majors, Taylour Page, Bruce Dern, Piper Laurie.

Detroit, anos oitenta. Richard Wershe (Matthew McConaughey) é um vendedor de armas que se vê enrolado com a polícia quando um de seus produtos é utilizado para um crime. 

Uma dupla de agentes do FBI (Jennifer Jason Leigh e Rory Cochrane) convence o filho de Richard, o adolescente Rick (Richie Merritt) a se tornar informante em troca da liberdade do pai. 

Tendo amizade com membros de uma gangue, Rick aceita a proposta para vigiá-los, ao mesmo tempo em que ele mesmo começa a vender drogas. 

Este longa do diretor francês Yann Demange (do competente “71 – Esquecido em Belfast”) é baseado numa absurda história real em que personagem algum é honesto. 

A periferia de Detroit dos anos oitenta é mostrada como um local dominado por traficantes, repleto de drogados e policiado por agentes da lei corruptos. 

Além da interessante trama, o filme tem como destaque mais um ótima interpretação de Matthew McConaughey, sempre vivendo papéis marcantes. A inglesa Bel Powley também entrega uma boa atuação como a filha drogada do protagonista. 

Os créditos finais explicando as consequências da história mostram como a situação terminou de forma ainda mais absurda do que a premissa.    

terça-feira, 26 de março de 2019

Pequena Grande Vida

Pequena Grande Vida (Downsizing, EUA / Noruega, 2017) – Nota 6
Direção – Alexander Payne
Elenco – Matt Damon, Christoph Waltz, Hong Chau, Kristen Wiig, Rolf Lassgard, Ingjerd Egeberg, Udo Kier, Soren Pilmark, Jason Sudeikis, Maribeth Monroe, James Van Der Beek, Tom Driscoll, Neil Patrick Harris, Laura Dern, Margo Martindale.

Uma dupla de cientista suecos (Rolf Lassgard e Soren Pilmark) descobre uma forma de encolher as pessoas. A princípio a descoberta é divulgada como uma forma de salvar o planeta, pois pessoas em miniatura consumiriam uma quantidade ínfima de alimentos e produtos.

Dez anos depois, cidades miniaturas foram construídas paras as pessoas que quiserem participar da experiência de serem encolhidas. Sonhando com uma vida sem preocupações com dinheiro e uma casa melhor, o casal Paul (Matt Damon) e Audrey (Kristen Wiig) decide enfrentar o processo de encolhimento. Uma atitude inesperada mudará completamente a vida de Paul. 

A premissa explorada no roteiro escrito pelo diretor Alexander Payne é criativa e com um ótimo potencial, mas infelizmente o desenvolvimento da história deixa a desejar. São várias boas ideias que se perdem em meio a uma história bobinha e um personagem totalmente sem carisma interpretado por Matt Damon. 

São interessantes as tentativas de mostrar que independente do tamanho, o ser humano sempre apresentará os mesmo problemas de caráter e ambição, a questão da crítica às pessoas que seguem novos modelos de vida que são semelhantes a uma seita, além da injustiça social e do exagero dos ambientalistas que acreditam na destruição total da natureza e no consequente fim da civilização. 

Apesar de tantos tópicos interessantes, o melhor do filme acaba sendo a personagem da refugiada vietnamita vivida pela engraçada Hong Chau. Ela rouba o filme em praticamente todas as cenas que aparece. 

O resultado fica bem abaixo do esperado.

segunda-feira, 25 de março de 2019

A Garota na Névoa

A Garota na Névoa (La Ragazza Nella Nebbia, Itália / Alemanha / França, 2017) – Nota 7,5
Direção – Donato Carrisi
Elenco – Toni Servillo, Alessandro Boni, Lorenzo Richelmy, Jean Reno, Galatea Ranzi, Michela Cescon, Lucrezia Guidone, Greta Scacchi.

Nos dias atuais, o veterano agente policial Vogel (Tony Servillo) é entrevistado por um psiquiatra (Jean Reno) após se envolver em um acidente numa pequena cidade no interior da Itália. 

O acidente está ligado ao caso de uma adolescente de dezesseis anos que desapareceu no caminho entre sua casa e a congregação religiosa a qual sua família pertencia. Vogel foi o responsável pela investigação que será detalhada ao espectador em flashbacks. 

Tendo ajuda apenas de outro agente (Lorenzo Richelmy) e dos poucos policiais da cidade, o orgulhoso Vogel utilizou uma jornalista para divulgar pequenas pistas que poderiam levar ao provável sequestrador. 

Quando um professor (Alessandro Boni) surge como suspeito, a situação sai do controle e a cidade se vira contra o homem, mesmo sem ter certeza de que ele seja o culpado. 

Baseado em um livro do próprio diretor Donato Carrisi, este longa explora questões atuais interessantes, como o policial arrogante que deseja resolver o crime a qualquer custo e o papel canalha da imprensa que deseja apenas audiência, sem se preocupar se vidas serão destruídas. 

O roteiro é muito bem amarrado e entrega pelo menos duas reviravoltas criativas. 

O ótimo Toni Servillo, ator habitual dos filmes de Paolo Sorrentino, está perfeito como o policial que acredita estar acima da lei. 

O resultado é bom filme de suspense policial que prende a atenção do início ao fim.