quarta-feira, 2 de março de 2016

Mississippi Grind

Mississippi Grind (Mississippi Grind, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Anna Boden & Ryan Fleck
Elenco – Ryan Reynolds, Ben Mendelsohn, Sienna Miller, Analeigh Tipton, Alfre Woodard, Robin Weigert.

Gerry (Ben Mendelsohn) é um sujeito na casa dos quarenta anos, divorciado e solitário que perde dinheiro diariamente nas mesas de pôquer ou em qualquer outro tipo de aposta. Numa dessas rodadas de pôquer, ele conhece Curtis (Ryan Reynolds), que adora jogar, mas aparentemente não se preocupa em ganhar ou perder. 

Os dois sujeitos criam um laço de amizade e decidem atravessar as cidades que beiram o Rio Mississippi jogando em cassinos com o objetivo de arrecadar dinheiro para participar de um famoso jogo de pôquer em New Orleans. Gerry deseja pagar suas dívidas e reatar com a esposa que o abandonou, enquanto Curtis sonha em viajar pelo mundo ao lado de uma prostituta (Sienna Miller) por quem é apaixonado. 

O cinema já explorou dezenas de vezes o mundo dos viciados em jogos de azar, muitas vezes com mais qualidade do que neste filme. Aqui, o ritmo lento e a falta de emoção mantém o espectador distante da trama, que tem até dificuldades em criar alguma empatia pelos dois protagonistas. 

É basicamente um filme sobre como funciona a cabeça destas pessoas, que igual aos viciados em drogas, não se contentam em ganhar, o prazer está na emoção da aposta. 

O resultado é apenas mediano, nada mais do que isso.

terça-feira, 1 de março de 2016

007 - Cassino Royale

007 – Cassino Royale (Casino Royale, Inglaterra / EUA / República Tcheca, 2006) – Nota 8,5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Isaach De Bankolé, Simon Abkarian, Ivana Milicevic, Jesper Christensen, Sebastian Foucan.

Em sua primeira missão, James Bond é enviado a Madagascar para espionar o terrorista Mollaka (Sebastian Foucan), mas a situação se complica e Bond por conta própria resolve investigar toda a célula terrorista, indo para Bahamas e posteriormente para Montenegro, onde terá a companhia da bela agente Vesper Lynd (Eva Green), enviada pela chefe de Bond, M (Judi Dench). Em Montenegro, Bond e sua companheira tem como missão derrotar o financiador dos terroristas conhecido como Le Chiffre (Mads Mikkelsen). 

Este longa é praticamente uma reinvenção de James Bond, com Daniel Craig interpretando um sujeito violento, rebelde e ainda totalmente bruto, sem o mínimo charme e elegância de outros que interpretaram o papel. 

A violência do longa lembra a franquia Bourne e para quem é fã da série 007, o filme também lembra “007 Permissão Para Matar”, o segundo longa estrelado por Timothy Dalton e um dos mais violentos da série, com a diferença de que Dalton ainda fazia o papel de sedutor, diferente do mal encarado Bond de Daniel Craig. 

Um ótimo recomeço que com certeza trouxe novos fãs para a série. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Turistas

Turistas (Sightseers, Inglaterra, 2012) – Nota 5
Direção – Ben Wheatley
Elenco – Alice Lowe, Steve Oram, Eileen Davies.

Tina (Alice Lowe) é uma solitária mulher na casa dos trinta anos que vive com a mãe manipuladora (Eileen Davies). Tentando demonstrar uma rebeldia tardia e causando desespero na mãe, Tina decide viajar pelo interior da Inglaterra de trailer com o novo namorado Chris (Steve Oram). 

A aparente relação normal entre um novo casal de namorados é dissipada rapidamente. Logo na primeira parada da viagem, Chris se desentende com um sujeito, resultando numa tragédia. Este é apenas o início da viagem do casal, que aos poucos descobre ter um prazer em comum totalmente fora do normal. 

Na minha busca por filmes diferentes, as vezes encontro maluquices como este longa, que para alguns pode ser interessante, mas neste caso se mostrou uma perda de tempo.

O roteiro explora uma história de amor entre dois malucos, focando na violência, no sexo e no humor negro. Um dos problemas é que os personagens são irritantes, em momento algum temos empatia ou algum outro sentimento pelo casal. Também fica difícil achar graça nos absurdos ou interesse nos diálogos. 

Mesmo sendo um gênero em que pouca coisa me agrada, eu esperava algo diferente e com certeza melhor.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Sol É Para Todos

O Sol É Para Todos (To Kill a Mockingbird, EUA, 1962) – Nota 8,5
Direção – Robert Mulligan
Elenco – Gregory Peck, Mary Badham, Phillip Alford, Rosemary Murphy, Brock Peters, Frank Overton, James Anderson, Collin Wilcox, Robert Duvall.

Nos anos trinta, em uma pequena cidade do Alabama, um homem negro (Brock Peters) é preso acusado de violentar uma jovem branca. O advogado viúvo Atticus Finch (Gregory Peck) é indicado pelo juiz para defender o sujeito e por consequência é obrigado a enfrentar algumas pessoas racistas da cidade. 

Em paralelo, o casal de filhos de Atticus, Jem (Phillip Alford) e Scout (Mary Badham) aproveitam as descobertas da infância e aos poucos se envolvem nos problemas dos adultos. 

Baseado num famoso livro sobre o racismo no sul dos EUA, este longa é um grande exemplo de como a ignorância e o preconceito seguem de mãos juntas e cegam as pessoas. 

O roteiro consegue dividir bem o drama do julgamento, com a leveza da vida das crianças, mesmo utilizando de alguma violência. 

A sequência em que um grupo de homens pretende invadir a delegacia se revela um pouco ingênua, mas não atrapalha o geral. 

Um dos destaques do elenco fica para a garotinha Mary Badham, que é ao mesmo tempo inteligente, ingênua e espontânea. É uma pena que ela não fez carreira, aparentemente tinha um grande potencial. 

O outro ponto forte é Gregory Peck, que interpreta o advogado correto, que tenta fazer a justiça prevalecer em meio ao preconceito. Vale lembra que Peck foi um participante ativo pelos direitos civis nos EUA, além de ter deixado uma belíssima carreira no cinema.

O filme tem também uma pequena, mas importante participação de um jovem Robert Duvall.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Mergulho Profundo & Imensidão Azul


Mergulho Profundo (Pioneer, Noruega / Alemanha / Suécia / França / Finlândia, 2013) – Nota 6
Direção – Erik Skjoldberg    
Elenco – Aksel Hennie, Wes Bentley, Stephen Lang, Stephanie Sigman, Jonathan LaPaglia, Ane Dahl Torp, Jorgen Langhelle, Andre Eriksen.

Nos anos setenta, o governo da Noruega descobre petróleo no fundo do Mar do Norte. Para extrair o petróleo é necessário a construção de uma oleoduto submarino. O problema é a questão da profundidade, pois naquela época era impossível algum mergulhador suportar a pressão de um local tão profundo.

Para mudar a situação, os noruegueses se unem a uma empresa americana, que desenvolveu um gás que faz com que os mergulhadores possam aguentar a pressão e trabalhar no fundo do mar. Os problemas aumentam quando dois irmãos mergulhadores sofrem um acidente, com um deles falecendo. O sobrevivente (Aksel Hennie) acredita que a culpa é da empresa e do gás que está afetando o cérebro dos mergulhadores. Sozinho, ele tenta provar a culpa da empresa.

O roteiro se aproveita de um fato real, a construção do duto para exploração do petróleo e as consequências para os mergulhadores, para criar uma trama de ficção sobre como as pessoas são consideradas descartáveis em meio aos chamados grandes projetos.

O filme tem algumas cenas de suspense e um pouco de violência, uma trama um pouco confusa sobre os bastidores do projeto e uma narrativa irregular. As cenas no fundo do mar são estranhas, assim como o treinamento dos mergulhadores nas cápsulas de pressurização. É um filme que tem uma história mais interessante do que a realização.

Imensidão Azul (Le Grand Blue, França / EUA / Itália, 1988) – Nota 7,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Jean Marc Barr, Jean Reno, Rosanna Arquette, Paul Shenar, Sergio Castellito, Griffin Dunne, Valentina Vargas.

O francês Jacques Mayol (Jean Marc Barr) e o italiano Enzo Molinari (Jean Reno) são amigos de infância que cresceram apaixonados pelo mar e se tornaram mergulhadores profissionais. A vida os afastou por algum tempo, até que eles se reencontram em um campeonato de mergulho na costa italiana. 

A diferença de personalidades e a disputa pessoal são outros fatores fortes na relação. Jacques é tímido e calado, fato que atrapalha sua relação com Johana (Rosana Arquette), que é fascinada pela sua capacidade em mergulhar por longos períodos. Enquanto Enzo é o típico italiano expansivo, que rouba a cena cada vez que aparece na tela. 

A história é básica, não tem grandes surpresas, os pontos principais estão na estética e nos personagens. A fotografia belíssima transforma o mar quase em um personagem, valorizado pela sensível trilha sonora de Eric Serra. 

Eu gostei, mas considero as quase três horas de duração um pouco exageradas, que tornam o filme cansativo em alguns momentos. Muitos consideram este o melhor trabalho de Luc Besson como diretor, porém ainda tenho como favorito o seu filme anterior, o cultuado “Subway”. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Olhos da Justiça

Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Billy Ray
Elenco – Chiwetel Ejiofor, Nicole Kidman, Julia Roberts, Dean Norris, Alfred Molina, Joe Cole, Michael Kelly, Zoe Graham.

Ray Kasten (Chiwetel Ejiofor) é um ex-agente do FBI que volta para Los Angeles aparentemente para fazer uma visita à amiga Claire Sloane (Nicole Kidman), que tomará posse como chefe da promotoria, mas na verdade, Ray deseja que ela reabra um caso de assassinato ocorrido treze anos antes. 

Em paralelo, a trama volta para 2002, quando Ray fazia parte de um esquadrão que investigava terrorismo, na mesma época em que ocorre o crime que afeta em cheio a vida de sua parceira Jessica Colb (Julia Roberts). 

É comum Hollywood importar histórias de sucessos de filmes produzidos em outros países para fazer sua própria versão. O problema é que na maioria das vezes a refilmagem fica abaixo do original na qualidade, sem contar a total falta de originalidade. É o caso desta refilmagem da sensacional produção argentina “O Segredo dos Seus Olhos”, vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro. 

Muita coisa da trama original está aqui, inclusive o final impactante, porém quase tudo se perde para quem assistiu ao longa argentino, que além da originalidade, também era rico em detalhes. O roteiro citava ditadura, a importância do futebol e a paixão dos personagens, além de uma sequência em um estádio de futebol que pode ser considerada uma das melhores da história do cinema, que foi copiada aqui de uma forma totalmente vazia. 

Para quem assistir a refilmagem sem ter visto o original, vai até achar o filme interessante, para os demais será um perda de tempo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Trumbo: Lista Negra

Trumbo: Lista Negra (Trumbo, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Jay Roach
Elenco – Bryan Cranston, Diane Lane, Louis C. K.. John Goodman, Helen Mirren, Alan Tudyk, Elle Fanning, Michael Stuhlbarg, Christian Berkel, Adewale Akinnuoye Agbaje, David James Elliott, Roger Bart, John Getz, Richard Portnow, Stephen Root, Dean O’Gorman.

Hollywood, 1947. Dalton Trumbo (Bryan Cranston) é o roteirista com maior salário na cidade, mas ao invés de aproveitar a vida tranquilamente, o que faria qualquer outro em seu lugar, prefere participar de protestos por melhores salários para os trabalhadores da indústria do cinema, além de se associar ao Partido Comunista. 

Na mesma época, o governo americano inicia a chamada “Caça às Bruxas”, convocando para depor no congresso todos aqueles que foram considerados suspeitos de atividades antiamericanas. Junto com alguns outros roteiristas, Trumbo é colocado numa lista negra e por consequência sendo dispensado do trabalho. Desempregado e respondendo a um processo que pode levá-lo para cadeia, ele precisa escolher entre seguir seus ideais e enfrentar as consequências ou mudar seu discurso. 

Baseado na história real de um dos maiores roteiristas de todos os tempos, este longa também é o retrato de uma época em que muitos americanos foram perseguidos por causa de suas posições políticas. 

O roteiro foca nos bastidores de Hollywood, que ficou dividido entre conservadores que perseguiam e deduravam colegas e os liberais que em parte foram proibidos de trabalhar e outros que tentaram defender estes companheiros. Para quem conhece um pouco de cinema, é muito interessante ver a posição de atores e diretores famosos em relação a situação. 

Entre os conservadores aparecem figuras como o astro John Wayne (David James Elliott), o diretor Sam Wood (John Getz) e a colunista Hedda Hopper (uma maligna Helen Mirren). Do outro lado se destacam Kirk Douglas (Dean O’Gorman) e o diretor austríaco Otto Preminger (Christian Berkel). 

Vale destacar ainda as atuações de Michael Stuhlbarg como Edward G. Robinson, Louis C. K. como o roteirista Arlen Hird, que se tornou grande amigo de Trumbo e o sempre marcante John Goodman como o produtor de filmes B Frank King. 

Hoje, no mundo em que vivemos onde a intolerância prevalece, o politicamente correto persegue e as pessoas aprenderam a “patrulhar” as outras através das redes sociais, fotos e filmagens de celular, criticando cada palavra, ideia ou atitude do próximo, estas atitudes se mostram semelhantes a caça aos comunistas retratadas no filme. Infelizmente, muitos acreditam que se você não pensa igual a ele, você é um inimigo.