quarta-feira, 30 de setembro de 2015

De Repente Pai

De Repente Pai (Delivery Man, EUA / Índia, 2013) – Nota 7
Direção – Ken Scott
Elenco – Vince Vaughn, Chris Pratt, Cobie Smulders, Andrzej Blumenfeld, Simon Delaney, Bobbt Moynihan, Dabe Patten, Adam Chanler Berat, Britt Robertson, Jack Reynor.

David Wozniak (Vince Vaughn) é um sujeito irresponsável que trabalha como entregador de carnes no frigorífico da família. Solteiro, com uma enorme dívida com um agiota e sem dar atenção alguma a namorada Emma (Cobie Smulders), de repente David recebe duas notícias que o farão mudar suas atitudes. 

Ao mesmo tempo em que a namorada diz estar grávida, David é procurado pelo advogado de uma clínica de fertilização onde ele doou esperma quase setecentas vezes. O resultado deste "trabalho" foram 533 filhos, que hoje se uniram para tentar localizar o pai biológico. 

Esta trama absurda e até engraçada é uma refilmagem de um longa francês dirigido pelo mesmo Ken Scott em 2011. Não assisti ao original para comparar e provavelmente por isso gostei desta versão. 

O mais interessante é quando David recebe as fichas com o perfil de cada filho e decide procurá-los. A cada jovem que encontra, David oferece sua ajuda sem se identificar, como se fosse uma espécie de anjo da guarda. 

A história também funciona pelo carisma de Vince Vaughn, especialista em personagens cara de pau, além do estranho advogado interpretado por Chris Pratt. 

O resultado é uma divertida e inofensiva comédia. 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros

Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, EUA, 1993) – Nota 10
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough, Bob Peck, Samuel L. Jackson, Martin Ferrero, Wayne Knight, B. D. Wong, Miguel Sandoval, Ariana Richards, Joseph Mazzello.

De forma secreta, o milionário John Hammond (Richard Attenborogouh) financiou uma equipe de cientistas que conseguiu criar novos dinossauros através do DNA encontrado intacto em âmbares de milhares de anos. 

Para divulgar ao mundo sua experiência, Hammond convida algumas pessoas para visitarem uma ilha isolada próxima da Costa Rica. Os convidados são três cientistas (Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum), além de seus dois netinhos (Ariana Richards e Joseph Mazzello). 

A surpresa inicial dos convidados ao verem enormes dinossauros herbívoros soltos pela ilha e outros carnívoros e perigosos presos em um zoológico, se transforma terror quando um funcionário (Wayne Knight) desliga os mecanismos de segurança para roubar algumas espécimes e acaba soltando todos os animais. 

No mesmo ano em que lançou o premiado drama “A Lista de Schindler”, Spielberg comandou este sensacional longa que hoje tem a mesma importância de “Tubarão” em relação a história do cinema. O filme dos anos setenta foi o primeiro blockbuster, numa época que esta palavra sequer era utilizada, dando início a era dos filmes-pipoca. 

Quando “Jurassic Park” foi lançado, o espectador foi brindado com uma revolução nos efeitos especiais ao ver dinossauros dos mais variados tipos que pareciam de verdade. A obra mudou o conceito dos filmes de ação e provou que a tecnologia quando aliada a um bom roteiro e atores e diretores competentes se torna uma ótima ferramenta para o gênero. 

Muitos dos elementos de “Tubarão” são utilizados novamente por Spielberg, como as sequências de suspense que antecedem os ataques dos dinossauros. São segundos em que o espectador fica agarrado a poltrona, tão assustado quanto os personagens dentro da tela. 

A diferença principal está no orçamento, se em “Tubarão” Spielberg precisou esconder o animal por quase todo o filme por falta de dinheiro, aqui ele pode criar um número enorme cenas de ação com os diversos dinossauros. São inesquecíveis o verdadeiro “terremoto” criado pelos passos do Tiranossauro Rex e a corrida desenfreada dos Velociraptores. 

É sem dúvida um dos grandes filmes da história do cinema.   

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O Documento Holcroft & The Whistle Blower


O Documento Holcroft (The Holcroft Covenant, Inglaterra / EUA, 1985) – Nota 7
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Michael Caine, Anthony Andrews, Victoria Tennant, Lilli Palmer, Michael Lonsdale, Mario Adorf.

Baseado num best seller de Robert Ludlum, autor da “Trilogia Bourne”, a trama tem como protagonista o arquiteto Noel Holcroft (Michael Caine), que após a morte do pai, descobre ter como herança uma fortuna em bancos suíços junto com outras duas pessoas, sendo que os três são filhos de generais nazistas que conspiraram contra Hitler e fizeram um pacto para suas famílias ficarem com o dinheiro roubado do Terceiro Reich. Para receber a herança, que está em nome de uma fundação que terá de administrar, Holcroft é obrigado a localizar os outros dois herdeiros. Assim que inicia a busca, ele passa a ser perseguido por estranhos que sabem da fortuna. 

A complexa trama que passa por vários países era especialidade do falecido escritor Ludlum, como a citada série Bourne e o esquecido “O Casal Osterman” de Sam Peckinpah. Filmes mais novos como “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” tem o mesmo estilo. Muito provavelmente o escritor Dan Brown utilizou os livros de Ludlum como fonte de pesquisa para suas obras. 

Os pontos altos deste “O Documento Holcroft” são o bom ritmo da narrativa, as interessantes cenas de suspense, a direção firme de John Frankenheimer e o sempre competente Michael Caine como o protagonista. 

É um bom filme de suspense hoje praticamente esquecido.

The Whistle Blower (The Whistle Blower, Inglaterra, 1986) – Nota 6
Direção – Simon Langton
Elenco – Michael Caine, James Fox, Nigel Havers, John Gielgud, Felicity Dean, Barry Foster, Gordon Jackson.

Frank Jones (Michael Caine) é um veterano da marinha inglesa que fica preocupado após visitar o filho Bob (Nigel Havers), que é especialista em línguas, principalmente em russo. Bob trabalha em um órgão do governo responsável por monitorar atividades russas pela Europa. O trabalho de Bob é traduzir mensagens interceptadas pelo serviço de espionagem. Desmotivado com o trabalho, principalmente com os superiores que obrigam os funcionários a espionarem uns aos outros, ele pensa em pedir demissão, sem saber que está sendo alvo de uma investigação interna. 

Produzido nos anos oitenta, quando a Guerra Fria estava nos últimos dias, este longa tem todo o estilo das produções do gênero dos anos sessenta. O que a princípio poderia ser interessante, se perde na narrativa fria e irregular, na trama confusa e na falta de cenas de ação ou suspense, inclusive sem um clímax. 

O destaque fica para Michael Caine, competente no papel do sujeito que demonstra lealdade ao país, mas que descobre da pior forma possível toda sujeira dos bastidores do poder.

domingo, 27 de setembro de 2015

A Um Passo do Poder

A Um Passo do Poder (True Colors, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Herbert Ross
Elenco – John Cusack, James Spader, Imogen Stubbs, Mandy Patinkin, Richard Widmark, Dina Merrill, Philip Bosco, Paul Guilfoyle.

Em um hotel, Peter Burton (John Cusack) está em frente à tv aguardando ao lado de assessores o resultado das eleições para o Congresso Americano em 1990. Sua ansiedade contrasta com o olhar enigmático do amigo Tim Gerrity (James Spader), deixando claro que algo está errado. 

A trama volta para 1983, quando o destino coloca os dois jovens na mesma universidade onde começariam o curso de Direito. Tim é um jovem de classe média alta que namora Diana (Imogen Stubbs), que é filha de um senador (Richard Widmark), fato que abre o caminho para o rapaz conhecer pessoas influentes. 

Tim mostra este novo mundo a Peter, que a princípio tenta esconder suas raízes humildes. Mesmo em meio a poderosos, Tim se mostra um idealista, enquanto Peter demonstra grande ambição, fato que o fará tomar atitudes questionáveis durante sua carreira. 

O falecido diretor Herbert Ross foi um especialista em comédias e dramas, tendo aqui surpreendido ao investir numa trama enfocando os meandros da política e dos poderosos.

As carreiras paralelas da dupla de protagonistas seguem uma linha tênue entre legalidade, moralidade e desonestidade. Os dois enfrentam situações tentadoras que podem resultar em poder e riqueza, ao mesmo tempo em que a ética e até a honestidade são jogadas na lata do lixo. 

É um filme que não teve boa recepção da crítica na época, mas que é interessante para quem gosta de histórias sobre os bastidores do poder.

sábado, 26 de setembro de 2015

No Silêncio da Noite

No Silêncio da Noite (In a Lonely Place, EUA, 1950) – Nota 7,5
Direção – Nicholas Ray
Elenco – Humphrey Bogart, Gloria Grahame, Frank Lovejoy, Carl Benton Reid, Art Smith, Jeff Donnell, Martha Stewart.

Em Hollywood, o famoso roteirista Dixon Steele (Humphrey Bogart) é conhecido também por seu temperamento explosivo. Dono de uma língua afiada e sempre pronto para uma briga, Dixon se torna o principal suspeito da morte de uma jovem que fora assassinada na mesma noite em que havia visitado sua casa. 

Mesmo tendo como álibi a bela vizinha Laurel (Gloria Grahame), com quem ele logo se envolve, o chefe de polícia (Carl Benton Reid) continua a acreditar que Dixon seja o assassino. A pressão da polícia e as atitudes de Dixon fazem com que Laurel tenha dúvidas sobre a inocência do namorado. 

O diretor Nicholas Ray foi um dos grandes nomes do cinema americano nos anos quarenta e cinquenta, comandando clássicos como “Juventude Transviada” e “Johnny Guitar”. Este “No Silêncio da Noite” pode ser considerado um drama com toques de policial, que explora as atitudes explosivas do personagem de Bogart para criar a dúvida no espectador. 

Além de Bogart, que interpreta aqui um personagem  durão, especialidade de sua carreira, vale destacar ainda a beleza e o talento de Gloria Grahame como a atormentada jovem apaixonada.  

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Um Álibi Perfeito

Um Álibi Perfeito (Reasonable Doubt, Alemanha / Canadá / EUA, 2014) – Nota 5
Direção – Peter Howitt
Elenco – Dominic Cooper, Samuel L. Jackson, Gloria Reuben. Ryan Robbins, Erin Karpluk, Dylan Taylor.

Após uma noite de comemoração com os amigos, o promotor de justiça Mitch Brockden (Dominic Cooper) decide voltar para casa dirigindo seu carro mesmo tendo bebido várias doses. Assustado com um carro de polícia ao seu lado, Mitch decide mudar de caminho e acaba atropelando um sujeito. Desesperado, ele liga para emergência, mas deixa o homem caído na rua. 

No dia seguinte, Mitch descobre que o sujeito fora assassinado e que um homem (Samuel L. Jackson) está preso como suspeito do crime. Se deixando levar pela curiosidade e pelo remorso, Mitch assume o caso, sem saber que a história é mais complicada do que ele imagina. 

Por mais que eu goste de tramas policiais, fica difícil engolir um roteiro repleto de furos que faz com que o protagonista tome várias atitudes idiotas, como se estivesse fazendo de tudo para se mostrar culpado. 

Além dos furos na trama, o filme é um amontoado de clichês, como o sujeito que desconta seu trauma cometendo assassinatos, o protagonista honesto com um irmão presidiário e até o tiro salvador no último instante. 

O protagonista Dominic Cooper é fraco para carregar um filme e o grande Samuel L. Jackson repete mais uma vez o sujeito assustador.  

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Êxodo: Deuses e Reis

Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings, Inglaterra / EUA / Espanha, 2014) – Nota 6,5
Direção – Ridley Scott
Elenco – Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Aaron Paul, Ben Mendelsohn, Maria Valverde, Sigourney Weaver, Ben Kingsley, Isaac Andrews, Hiam Abbas, Indira Varna, Ewen Bremner, Golshifeth Farahani.

Após mais de quatrocentos anos vivendo como escravos no Egito, o povo hebreu ainda espera a chegada de um salvador para guiá-los de volta à Terra Prometida. 

Neste contexto, quando Faraó Seti (John Turturro) adoece e seu filho Ramses (Joel Edgerton) se prepara para sucedê-lo, o então general de guerra Moisés (Christian Bale) descobre ser filho de escravos e ter sido adotado pela irmã do Faraó. Mesmo criados como irmãos, o fato transforma Ramses e Moisés em inimigos, com o segundo sendo expulso para viver no deserto, local onde encontrará seu caminho planejado por Deus. 

Quando se fala em gênero épico, logo vem à cabeça dos cinéfilos os grandes filmes dos anos cinquenta e sessenta. Há mais ou menos dez anos, várias produções reativaram o gênero com razoável sucesso de público e quase nenhum de crítica. Inclusive o diretor Ridley Scott se aventurou no mediano “Cruzada”. Esta nova incursão de Scott ao gênero resulta também numa obra apenas razoável. 

É interessante notar que os filmes épicos antigos demandavam um trabalho extremamente complicado para o diretor e a equipe técnica. Imagine lidar com centenas de figurantes nas batalhas ou nas cenas em que reis e faraós discursavam para o povo, ou ainda, em como criar cenas como a abertura do Mar Vermelho em “Os Dez Mandamentos”. 

Como opinião pessoal, a maioria dos épicos atuais não passam realismo algum nas grandes batalhas anabolizadas pelo CGI e quando a narrativa é longa e irregular, como acontece neste trabalho de Ridley Scott, o filme perde boa parte de sua força. 

O roteiro abrange os fatos mais importantes na vida de Moisés, porém o transforma num misto de gladiador e profeta, talvez para tentar agradar tanto os que gostariam de uma história mais próxima da bíblia, como para as novas gerações que desejam ver cenas de ação. 

Não é uma bomba como “Noé” por exemplo, mas se o cinéfilo quiser ver um grande filme sobre a vida de Moisés, “Os Dez Mandamentos “ continua imbatível.