segunda-feira, 31 de março de 2014

Todomundo & O Que Era Aquilo?

Nesta postagem comento dois documentários sobre futebol com abordagens bem diferentes entre si e produzidos com mais de trinta anos de diferença.

Todomundo (Brasil, 1980) – Nota 8
Direção – Thomaz Farkas
Documentário

Nos anos setenta e oitenta, o futebol brasileiro viveu o auge na questão de público nos estádios. Os grandes clássicos e as partidas decisivas atraíam multidões, eram jogos com públicos de cem mil pessoas. Em São Paulo, até mesmo as equipes do interior lotavam seus estádios cada vez que jogava contra um clube da capital. Era uma época completamente diferente e inesquecível para quem gosta de futebol e vivenciou aqueles momentos em que este esporte era algo realmente popular, bem diferente dos dias atuais, onde os estádios estão sendo substituídos pelas arenas e os ingressos com preços absurdos afastam o público.

Este documentário dirigido pelo fotógrafo e produtor húngaro Thomaz Farkas, que viveu grande parte de sua vida no Brasil, é um fantástico registro histórico, ao mostrar todos os detalhes que cercavam uma grande partida de futebol. A câmera de Farkas capta a chegada das torcidas, o trabalho da polícia, os cânticos e as reclamações dos torcedores, as entrevistas dos jogadores e a festa que acontecia nas arquibancadas. Papel picado, rolos de papel higiênico, faixas e bandeiras tremulando davam um colorido todo especial ao futebol, enquanto hoje vemos cada mais vez um triste processo de higienização das arquibancadas, tanto pela proibição destes adereços, quanto pelo novo público, hoje quase todo da classe média. Já o chamado “povão” foi deixado de lado na nova ordem do futebol. O doc deixa isso bem claro ao mostrar os rostos daquela época, em sua maioria pessoas simples que tinham no futebol seu lazer principal.

Finalizando, outro detalhe interessante é que poucos torcedores iam ao estádio com a camisa do time, diferente dos dias de hoje em quase a totalidade dos frequentadores vestem a camisa do clube de coração.

O documentário está disponível no Youtube.

O Que Era Aquilo? (Brasil, 2013) – Nota 7,5
Direção – André Patroni, Kleomar Carneiro e Paulo Henrique Higa
Documentário 

Em 6 de março de 1982, no estádio Morenão (Pedro Pedrossian) em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, Operário e Vasco da Gama jogavam pelo campeonato brasileiro quando no meio do primeiro tempo uma luz muito forte surgiu nos céus chamando a atenção do público e até dos jogadores, que começaram a olhar para o alto. Grande parte das vinte e quatro mil pessoas que assistiram ao jogo viram a luz, resultando na aparição de OVNI com o maior número de espectadores da história, fato que aumenta a credibilidade do evento, como cita no documentário o famoso ufólogo Ademar José Gevaerd, editor da revista UFO e um dos maiores especialistas do mundo no assunto. 

O documentário foca este evento na primeira parte através de depoimentos de várias pessoas, inclusive jogadores que participaram da partida e que até hoje não entendem o que era aquela luz. O doc mostra ainda cenas do jogo que foi transmitido ao vivo para o Rio de Janeiro, porém como na época as emissoras de tv utilizavam apenas uma câmera para transmissão de partidas de futebol, não existiam celulares e nem máquinas fotográficas digitais, o fenômeno não foi captado. 

A segunda parte do doc muda foco para a decadência do futebol no Estado do Mato Grosso do Sul. Nos anos setenta a ditadura utilizou o futebol como instrumento de propaganda política através de uma integração nacional, fazendo com que todos os Estados tivessem equipes no campeonato nacional, chegando ao absurdo de noventa e seis times no torneio de 1979. A partir da criação do Clube dos Treze em 1987, os maiores times do país pressionaram o CBF para diminuir o número de participantes para apenas dezesseis clubes. Nos anos seguintes ocorreram várias mudanças, até chegarem a vinte times na primeira divisão. Se por um lado isso fortaleceu os clubes grandes que recebem milhões em direitos de tv e patrocínios, os clubes menores e outros que eram grandes nos seus Estados foram deixados de lado e entraram em decadência. 

Os diretores do doc fazem uma ligação irônica dizendo que a luz do OVNI levou o futebol sul matogrossense para o espaço, já que o Operário era uma equipe forte até meados dos anos oitenta e hoje sequer disputa o campeonato regional. 

Como opinião pessoal, considero um absurdo um país continental como o Brasil ter um campeonato nacional com apenas vinte clubes, deixando de fora vários Estados como Pará, Mato Grosso do Sul e quase todo o nordeste, locais onde o povo adora futebol. A longo prazo isso pode ser um tiro no pé, pois quem acompanha futebol percebe que a cada ano o público é menor no estádios e muitos garotos hoje preferem torcer para times do exterior do que para as equipes brasileiras. 

Este doc também está disponível no Youtube.

domingo, 30 de março de 2014

Uma Cidade Sem Passado

Uma Cidade Sem Passado (Das Schreckliche Mädchen, Alemanha Ocidental, 1990) – Nota 7,5
Direção – Michael Verhoeven
Elenco – Lena Stolze, Hans Reinhard Muller, Monika Baumgartner, Elisabeth Bertram, Michael Gahr, Robert Giggenbach.

Em meados dos anos setenta, numa cidade do interior da então Alemanha Ocidental, a adolescente Sonja (Lena Stolze) vence um concurso nacional de redação e se torna a queridinha da professora de literatura. Esta mesma professora inscreve Sonya em outro concurso onde um dos temas é “Como era sua cidade na época do III Reich”. Para susto da professora, Sonja escolha o tema, mas diz que pretende escrever como a Igreja lutou contra o nazismo. 

Não demora para Sonja descobrir que habitante algum do local deseja falar sobre o fato, exceto uma velha senhora que antes de morrer cita que a única pessoa da cidade presa como nazista ao final da guerra foi o prefeito e que o culpado era um sujeito apelidado de “Heinrich Marrom”. As dificuldades fazem Sonja desistir da pesquisas, mas não esquecer do tema. Após alguns anos, já casada e com filhos, ela decide estudar história e recomeça suas pesquisas, fato que desenterrará segredos e fará grande parte da cidade se voltar contra ela e sua família. 

O diretor alemão Michael Verhoeven (sem ligação alguma com o holandês Paul Verhoeven), que já havia cutucado as feridas do nazismo em “A Rosa Branca” de 1982, também protagonizado por Lena Stolze, aqui remexe ainda mais nas tristes lembranças do povo alemão. 

Os letreiros iniciais informam que o filme é uma ficção, mas ao mesmo tempo poderia ser realidade em qualquer cidade da Alemanha, além de mostrar um poema que cita como as pessoas tendem a apagar as lembranças que lhe são vergonhosas. 

A partir daí, o roteiro do próprio diretor faz uma severa e ao mesmo inteligente crítica à sociedade alemã, que varreu para debaixo do tapete muitos crimes cometidos por pessoas poderosas que apoiavam o nazismo e que após a guerra tentaram reescrever suas histórias de vida, algo muito parecido com que ocorre no Brasil e em toda a América do Sul em relação as ditaduras que reinaram entre os anos sessenta e oitenta. Por aqui, torturadores e terroristas tentam modificar suas biografias se autoproclamando patriotas e defensores da liberdade, sem que lado algum assuma sua culpa. 

O longa de Verhoeven mostra também como estas pessoas que continuam no poder fazem de tudo para dificultar o acesso a informação. A luta da personagem de Lena Stolze em busca dos fatos é uma verdadeira saga repleta de obstáculos, muitos deles ridículos e imorais. 

É interessante a escolha do diretor em criar cenas simbólicas e quase surreais, como a reunião da família de Sonja no que seria na sala de sua casa, porém com a praça da cidade ao fundo, ou os depoimentos dos personagens olhando direto para a câmera, inclusive utilizando a protagonista como narradora. 

O resultado é um filme obrigatório para entender como a história é sempre manipulada pelos poderosos e os vencedores. 

Como curiosidade, as cenas do passado são em preto e branco e as demais coloridas. 

O longa também concorreu ao Oscar de Filme de Estrangeiro. 

sábado, 29 de março de 2014

A Casa do Espanto I e II


A Casa do Espanto (House, EUA, 1986) – Nota 7
Direção – Steve Miner
Elenco – William Katt, George Wendt, Richard Moll, Kay Lenz, Mary Stavin.

Em poucos meses, a vida de Roger Cobb (William Katt) vira de ponta cabeça. Seu filho pequeno desaparece na piscina da casa de sua tia, que algum tempo depois comete suicídio. Neste meio tempo, o casamento de Roger com Sandy (Kay Lenz) também acaba. Para recomeçar a vida, Roger se muda para a casa da tia com o objetivo de escrever um livro de memórias sobre sua experiência na Guerra do Vietnã. Não demora para situações estranhas começaram a acontecer e ele perceber que a casa é assombrada. 

Produzido por Sean S. Cunninghan, o criador da série “Sexta-Feira 13” e pelo mestre dos filmes B Roger Corman, que não aparece nos créditos, este longa é uma divertida mistura de terror e comédia que fez sucesso nos cinemas. 

O grande acerto do diretor Steve Miner, que comandou “Sexta-Feira 13 partes II e III”, foi brincar com o espectador criando sustos que logo em seguida se transformam em risada, sendo assim na cena do espelho por exemplo. 

A participação do gordinho George Wendt da série “Cheers” como o vizinho é outro destaque que auxilia no contraponto cômico da narrativa.

O ator William Katt era famoso por protagonizar a série “Super-Herói Americano” (The Greatest American Hero), porém não conseguiu se firmar na carreira.

A Casa do Espanto II (House II: The Second History, EUA, 1987) – Nota 5
Direção – Ethan Wiley
Elenco – Arye Gross, Jonathan Stark, Royal Dano, Bill Maher, John Ratzenberger, Lar Park Lincoln, Amy Yasbeck, Dwier Brown.

Jesse (Arye Gross) vai morar na casa que seu tataravô construiu e onde seus pais foram assassinados quando ele ainda era bebê. Junto com a namorada (Lar Park Lincoln) e um amigo (Jonathan Stark), Jesse acredita que o tataravô tenho deixado uma fortuna escondida. Escavando o porão, Jesse encontra o corpo do tataravô (Royal Dano) e uma caveira de cristal, que ao ser tocada faz o velho reviver. Para complicar ainda mais a situação, aparece um sujeito de outra dimensão que rouba a caveira. Jesse e seu amigo começam uma caçada dentro da enorme casa para recuperar a caveira e afastar as forças do mal. 

Como era comum nos anos oitenta, qualquer filme de terror que fizesse algum sucesso resultava numa sequência produzida o mais rápido possível. Foi o que aconteceu com este filme, que foi novamente produzido por Sean S. Cunningham e agora dirigido por Ethan Wiley, roteirista do original que aqui também assina o roteiro, porém cria uma trama sem ligação alguma com a história original, apenas a casa é a mesma. Para piorar, o roteiro é uma verdadeira salada russa  sendo contar que as cenas não assustam e nem mesmo fazem rir.

O único ponto de destaque é o personagem do tataravô interpretado pelo veterano Royal Dano, que cria uma sujeito ranzinza que solta frases engraçadas geralmente criticando as diferenças entre a época em que vivia e o mundo que ele reencontrou.

A série ainda rendeu a parte III que apresenta uma outra história sem ligação alguma com estes dois filmes e uma parte IV que tentou voltar ao original sendo protagonizada por William Katt, porém são dois longas que foram lançados direto em video e acabaram esquecidos nas prateleiras das locadoras.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Dinheiro Sujo

Dinheiro Sujo (Cold Comes the Night, EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – Tze Chun
Elenco – Alice Eve, Bryan Cranston, Logan Marshall Green, Ursula Parker, Leo Fitzpatrick, Erin Cummings, Robin Lord Taylor, Sarah Sokolovic.

Chloe (Alice Eve) é a gerente de um decadente motel de uma pequena cidade quase na divisa com o Canadá. Ela cuida da filha pequena (Ursula Parker) e está sendo pressionada por uma agente do serviço social para mudar de emprego, caso contrário a mulher ameaça tirar a filha dos seus cuidados. Precisando de dinheiro para a mudança, Chloe tem ligação com um policial corrupto (Logan Marshall Green), com quem faz negócios para ganhar alguns trocados. 

A chance de mudar de vida surge quando um assassino (Bryan Cranston) e seu ajudante (Robin Lord Taylor), que estão transportando alguns milhares de dólares, decidem passar a noite no motel e o ajudante se envolve em um crime com uma prostituta. Com a chegada da polícia, o assassino precisa da ajuda de Chloe para reaver o dinheiro, que aceita com a condição de ficar com metade do valor. 

O filme segue a linha das tramas onde não existem heróis, todos os personagens são gananciosos e não medem esforços para enganar os parceiros. 

O que poderia render um longa interessante, se perde na trama sem surpresas e com alguns furos, no ritmo irregular e nas interpretações ruins. Alice Eve é fraca e Logan Marshall Green totalmente canastrão, até o astro de “Breaking Bad” Bryan Cranston não convence como a o assassino que fala com um estranho sotaque do leste europeu. 

A única cena de destaque é a do tiroteio dentro do carro, que mostra apenas o veículo balançando enquanto voam tiros para todos os lados.  

quinta-feira, 27 de março de 2014

Azul É a Cor Mais Quente

Azul É a Cor Mais Quente (La Vie d’Adele – Chapitres 1 et 2, França / Bélgica / Espanha, 2012) – Nota 8
Direção – Abdllatif Kechiche
Elenco – Lea Seydoux, Adele Exarchopoulos, Salim Kechiouche, Aurelie Recoing, Catherine Salee.

A adolescente Adele (Adele Exarchopoulos) estuda literatura no colégio com o objetivo de se tornar professora. Levando uma vida de adolescente comum ao lado dos pais e dos amigos, Adele se envolve com um garoto e rapidamente descobre que a relação não a satisfaz. Num determinado dia, após uma situação constrangedora, Adele sai com um amigo de colégio que a leva para um bar gay, local onde ela conhece Emma (Lea Seydoux), uma jovem um pouco mais velha que estuda artes e tem os cabelos azuis. A atração mútua se transforma numa relação apaixonada e fortemente sexual. 

Chamado de pornográfico por alguns e de obra-prima por outros, considero que este longa fica no meio do caminho entre os dois termos, na realidade é um ótimo drama sobre amor e as descobertas da juventude intercaladas por cenas de sexo quentes que beiram o explícito, ao mesmo tempo sendo sequências extremamente realistas e interpretadas com uma entrega total das atrizes. 

O desenvolvimento das personagens é um dos pontos altos, tendo a um pouco mais experiente Lea Seydoux interpretando a jovem intelectual totalmente segura com sua sexualidade, enquanto a quase novata Adele Exarchopoulos é a garota insegura, sensível e que esconde seu fogo por trás do rosto angelical. 

A narrativa segue alguns anos na vida das garotas, principalmente focando em Adele, mostrando sua passagem da adolescência para a vida adulta, porém o diretor tunisiano Kechiche deixa algumas situações de lado, fazendo o espectador imaginar o que ocorreu. Por exemplo, não vemos o momento em que Adele conta para sua família que está apaixonada por uma garota, apenas ficando implícito no desenrolar da trama que houve um rompimento. 

O título original é “A Vida de Adele – Capítulos 1 e 2”, o que demonstra que o diretor pensava em uma sequência, porém pipocaram na imprensa noticias de que as atrizes disseram que jamais voltariam a trabalhar com Kechiche, dizendo que a relação com o sujeito foi muito ruim, até mesmo a palavra abuso foi citada. Pela fortes sequências de sexo fica claro que no mínimo o diretor é um voyeur e que com certeza pressionou as atrizes ao extremo. 

O resultado é um ótimo drama, que além das cenas de sexo, tem outras boas sequências como a da discussão sobre preconceito na escola que termina em briga, as cenas no banco do parque e as várias outras em que a bela Adele mostra sua insegurança, seja ao tropeçar nas palavras ou desabar em lágrimas.        

quarta-feira, 26 de março de 2014

Trilogia Millenium

Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Män Som Hatar Kvinnor, Suécia / Dinamarca / Alemanha / Noruega, 2009) – Nota 8,5
Direção – Niels Arden Oplev
Elenco – Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Sven Bertil Taube, Peter Andersson, Annika Hallin, Sofia Ledarp, Jacob Erickssen.

O jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqyvist) é o chefe de uma revista especializada em reportagens investigativas chamada Millenium. Blomkvist está sendo processado por um poderoso empresário que alega ter sido acusado injustamente de associação a uma rede de crime organizado, sendo que na verdade o sujeito utiliza sua influência para manchar a imagem do jornalista, que acaba condenado a três anos de prisão. 

Antes de cumprir a pena, Blomkvist é procurado por outro empresário, o veterano Henrik Vanger (Sven Bertil Taube), que vive numa enorme casa no interior da Suécia e que há quarenta anos tenta descobrir o que aconteceu com sua sobrinha que desapareceu sem deixar vestígios. 

Em paralelo, Lisbeth Salander (Noomi Rapace) é uma jovem hacker que trabalha para uma empresa de segurança e que investigou Blomkvist a pedido de Henrik Vanger. Lisbeth ficou presa em um sanatório por toda a adolescência, se transformando numa jovem solitária que tem o corpo coberto de piercings e tatuagens. Durante a investigação sobre o paradeiro da sobrinha de Vanger, os caminhos de Lisbeth e Blomkvist se cruzam. 

Este é com certeza o melhor filme da trilogia, principalmente pela complexa trama extremamente bem amarrada, que inclui violência, abuso sexual, ganância, corrupção e até nazismo. O que poderia se tornar um bagunça, resulta num ótimo drama policial que apresenta surpresas até o final. 

O grande destaque do elenco é a jovem Noomi Rapace, que após o trabalho nesta trilogia foi a protagonista de “Prometheus”. A atriz interpreta com perfeição a jovem que tem uma inteligência acima da média, mas que vive traumatizada pelos abusos que sofreu e por este motivo não consegue se relacionar normalmente.

Ainda não assisti a refilmagem americana para comparar.   

A Menina que Brincava com Fogo (Flickan Som Lekte Med Elden, Suécia / Dinamarca / Alemanha, 2009) – Nota 7,5
Direção – Daniel Alfredson
Elenco – Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Andersson, Annika Hallin, Sofia Ledarp, Jacob Erickssen, Georgi Staykov, Anders Ahlbom, Mikael Spreitz.

Após fugir da Suécia no final do longa original, Lisbeth Salander (Noomi Rapace) decide voltar para obrigar seu tutor a declarar para a justiça que ela pode ser liberada para levar uma vida normal. Lisbeth não imagina que o sujeito tem ligação com um grupo ligado ao governo que agia ilegalmente e que tinha seu violento pai como um dos integrantes. 

O homem acaba assassinado, assim como um casal em que o homem era um jornalista que trabalhava para Mikael Bloomkvist (Michael Nyqyvist) e que estava perto de conseguir provas para incriminar pessoas influentes ligadas a este grupo. Lisbeth se torna a principal suspeita dos crimes e mesmo a distância, Blomkvist investiga o caso por conta própria para provar a inocência da amiga. 

Esta sequência foca mais no passado de Lisbeth, mostrando em flashback o sofrimento da garota no sanatório e apresenta novos personagens que carregam segredos perigosos. Além da atuação de Noomi Rapace, vale destacar a gigante assassino vivido pelo estranho Mikael Spreitz, um dos vilões mais assustadores dos últimos anos.  

A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet Som Sprängdes, Suécia / Dinamarca / Alemanha, 2009) – Nota 7,5
Direção – Daniel Alfredson
Elenco – Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Annika Hallin, Sofia Ledarp, Jacob Erickssen, Georgi Staykov, Anders Ahlbom, Mikael Spreitz.

Após tentar matar o pai e quase morrer nas mãos do gigante assassino (Mikael Spreitz), Lisbeth (Noomi Rapace) fica muito ferida e vai parar no hospital, onde fica sob custódia da polícia. Após tentar matar Lisbeth sem sucesso, a última chance que o grupo clandestino tem para não ser exposto é ajudar a promotoria a condenar a garota pela tentativa de assassinato. Eles utilizam até mesmo o falso testemunho do corrupto psiquiatra que manteve Lisbeth no sanatório. Para ajudar a Lisbeth, Blomkvist (Michael Nyqyvist) indica sua irmã Annika (Annika Hallin) para defender a garota no tribunal e se alia a polícia que também investiga o caso. Como consequência, Blomkvist e seus parceiros de revista passam a receber ameaças. 

O fechamento da trilogia tem como ponto principal o julgamento de Lisbeth, situação em que se descobre mais sobre o passado da garota e todos os segredos do grupo vem à tona. 

Mesmo com o original sendo o melhor da trilogia, principalmente pela história mais complexa, estas duas sequências são longas acima da média que valem a sessão. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Empire Falls

Empire Falls (Empire Falls, EUA, 2005) – Nota 8
Direção – Fred Schepisi
Elenco – Ed Harris, Philip Seymour Hoffman, Helen Hunt, Paul Newman, Robin Wright Penn, Aidan Quinn, Joanne Woodward, Dennis Farina, William Fichtner, Estelle Parsons, Theresa Russell, Kate Burton, Jeffrey DeMunn, Trevor Morgan, Danielle Panabaker, Lou Taylor Pucci.

Na decadente cidade industrial de Empire Falls no Maine, Miles Roby (Ed Harris) é o gerente da principal lanchonete, cargo que ocupa há mais de vinte anos, desde que desistiu dos estudos e decidiu ficar na cidade para cuidar da mãe (Robin Wright Penn) que estava doente. 

Esta escolha o persegue por toda vida, sendo um dos fatores que fez sua ex-esposa Janine (Helen Hunt) trocá-lo por Walt (Dennis Farina), o proprietário de uma academia. Miles tem ainda uma boa relação com a filha adolescente (Danielle Panabaker), enfrenta problemas com o pai alcoólatra (Paul Newman) e precisa lidar com a arrogante Francine (Joanne Woodward), a mulher mais rica da cidade e dona da lanchonete. 

Baseado num livro vencedor do Prêmio Pulitzer, esta obra foi produzida como minissérie pela HBO e venceu o Globo de Ouro, além dos prêmios de Melhor Ator Coadjuvante para Paul Newman no Globo de Ouro e no Emmy, sendo este o último trabalho do ator. 

Por sinal, o elenco é o grande destaque, que além dos citados tem ainda Philip Seymour Hoffman como um misterioso sujeito que tem um romance com a personagem de Robin Wright, situação mostrada em flashbacks. 

É um típico drama baseado em personagens próximos da realidade, que levam uma vida aparentemente simples em uma cidade pequena, mas que carregam histórias de alegrias, frustrações e segredos.