segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Guerra Mundial Z

Guerra Mundial Z (World War Z, EUA / Malta, 2013) – Nota 8
Direção – Marc Forster
Elenco – Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Ludi Boeken, Matthew Fox, Fana Mokoena, David Morse, David Andrews, Elyes Gabel, Peter Capaldi, Piefrancesco Favino, Ruth Negga, Moritz Bleibtreu.

Notícias sobre pessoas agindo com violência surgem em vários países. A princípio as autoridades acreditam ser alguma doença que possa ser controlada, mas com o passar dos dias a situação se torna desesperadora. Quando um grande número de pessoas é infectada na Filadélfia e o terror toma conta da cidade, o ex-investigador da ONU Gerry Lane (Brad Pitt) faz de tudo para sobreviver com a esposa (Mireille Enos) e as duas filhas enquanto espera ser resgatado. 

Gerry consegue ser resgatado com sua família por um helicóptero da ONU, porém para mantê-las a salvo é obrigado por um comandante naval (David Andrews) a aceitar chefiar uma missão com destino a Coréia do Sul, levando um cientista (Elyes Gabel) com o objetivo de tentar chegar ao “ponto zero” do doença e assim quem sabe encontrar um caminho para desenvolver uma vacina. 

Pegando carona no sucesso da série “The Walking Dead”, o bom diretor Marc Forster (“Mais Estranho que a Ficção”,”007: Quantum of Solace”) levou às telas esta trama sob um apocalipse zumbi se baseando num conhecido livro, resultando num ótimo longa. 

A novidade em relação aos zumbis de”The Walking Dead” e aos trabalhos do mestre George Romero está na voracidade dos ataques, que lembram a violência do também ótimo “Extermínio”. Os zumbis clássicos atacam em bandos de forma lenta, enquanto aqui os ataques são rápidos e violentos, não dando praticamente chance alguma as vítimas. 

Outro ponto positivo é o ritmo alucinante da primeira meia hora, onde o espectador tem pouco tempo para respirar, sendo jogado quase que diretamente no meio da ação. 

A partir do momento do resgate da família do personagem de Pitt, o roteiro passa a mesclar as ótimas cenas de ação com a interessante história da busca por uma possível cura da doença, com sequências que passam pela Coréia do Sul, Israel e País de Gales. 

Para quem gosta do gênero, este longa é diversão de primeira qualidade. 

domingo, 27 de outubro de 2013

Primeiro Tempo

Primeiro Tempo (Brasil, 2013) – Nota 10
Direção – Rogério Zagallo
Documentário

Este documentário de 47 minutos é a primeira parte sobre a história do estádio Palestra Itália, a casa do Palmeiras. 

O diretor Rogério Zagallo filmou o último jogo oficial do Palmeiras no local, uma vitória de 4 x 2 contra o Grêmio em 2010, começando a mostrar o estádio e seus arredores desde o início da manhã até o final da partida. 

Durante o dia ele colheu depoimentos de ídolos eternos do clube, como o goleiro Marcos, César Maluco, Valdir Joaquim de Moraes, Evair, o maior craque da história do Palmeiras Ademir da Guia e o goleiro Oberdan Cattani, que na época tinha 91 anos e hoje é o único atleta vivo que jogou pelo clube quando este ainda se chamada Palestra Itália, ou seja, ele vive o Palmeiras desde 1940. 

O doc resgata ainda fotos do estádio desde o final dos anos dez, passando pelas décadas seguintes e citando as duas grandes reformas anteriores. A primeira em 1933 quando se transformou no primeiro estádio brasileiro com arquibancadas de concreto armado e a segunda em 1964 quando o estádio foi transformado no Jardim Suspenso. 

É um documentário simples, mas vale nota 10 por ser um fantástico registro histórico para os torcedores do clube que esperam ansiosamente a inauguração do novo estádio no próximo ano quando comemoraremos o centenário, fato que renderá a sequência do documentário que terá o título de ”Segundo Tempo”.

sábado, 26 de outubro de 2013

Quem Não Corre, Voa & Um Rally Muito Louco


Ontem o cinema perdeu Hal Needham, um nome quase desconhecido para a geração atual, mas que deixou uma bela carreira de quarenta anos como dublê e coordenador de cenas de ação, além de uma parceria com o astro Burt Reynolds em vários filmes, com destaque para o clássico da sessão da tarde "Agarra-me se Puderes".

Sua amizade com Reynolds e a experiência como dublê, principalmente em cenas de perseguições automobilísticas, resultou nestes dois filmes sobre uma corrida ilegal que reuniu diversos astros e fez sucesso nos início dos anos oitenta, principalmente "Quem Não Corre, Voa".

Quem Não Corre, Voa (The Cannonball Run, EUA, 1981) – Nota 6,5
Direção – Hal Needham
Elenco – Burt Reynolds, Roger Moore, Dom DeLuise, Farrah Fawcett, Dean Martin, Sammy Davis Jr, Jack Elam, Jackie Chan, Michael Hui,Adrienne Barbeau, Jamie Farr, Peter Fonda.

Várias pessoas se preparam para participar de uma corrida ilegal que cruzará os Estados Unidos. Cada dupla pode escolher o veículo que desejar e para não serem perseguidos pela polícia, alguns chegam a disfarçar os carros. 

J. J. McClure (Burt Reynolds) e seu parceiro Victor (Dom DeLuise) utilizam uma ambulância e carregam como “paciente” o velho médico bêbado Nikolas Van Helsing (o veterano de westerns Jack Elam). Entre os outros concorrentes temos um inglês (Roger Moore) correndo com um Aston Martin cheio de traquitanas, uma dupla de amigos que sempre discute (Dean Martin e Sammy Davis Jr), as gostosas (Farraw Fawcett e Adrienne Barbeau), os orientais atrapalhados (Jack Chan e Michael Hui) e o filho de um sheik (Jamie Farr). 

Grande sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, este longa com algumas sequências engraçadas tem como destaque o elenco recheado de famosos que tiram sarro de suas próprias carreiras. Reynolds faz como sempre o sujeito machão, Roger Morre que era o 007 na época faz uma paródia do personagem, além dos eternos amigos Dean Martin e Sammy Davis Jr se divertindo como nos tempos do “Rat Pack”. 

Apesar de ser inferior, o longa segue a linha de sucessos dos anos sessenta como “A Corrida do Século” e “Deu a Louca no Mundo”.

Um Rally Muito Louco (Cannonball Run II, EUA, 1984) – Nota 5
Direção – Hal Needham
Elenco – Burt Reynolds, Dom DeLuise, Dean Martin, Sammy Davis Jr, Jamie Farr, Marilu Henner, Telly Savalas, Jackie Chan, Frank Sinatra, Shirley MacLaine, Catherine Bach, Jack Elam,Susan Anton, Tony Danza, Richard Kiel, Ricardo Montalban, Henry Silva.

Nesta sequência do sucesso de 1981, os competidores malucos recebem uma proposta de um sheik para participar de uma corrida que pagará um milhão de dólares ao vencedor. O sheik deseja que seu filho (Jamie Farr) tenha chance de se redimir de um fracasso vencendo a corrida. A corrida seguirá o caminho contrário da disputa anterior e novamente será um evento ilegal. 

Não tenho muito mais o que citar sobre a trama, que é praticamente a mesma do filme anterior, sem contar que as piadas repetidas não ajudam. Infelizmente é um verdadeiro caça-níquel em que a maioria do elenco resolveu retornar os papéis provavelmente pela diversão (Roger Moore, Farrah Fawcett e Adrienne Barbeau caíram fora do projeto). 

O sucesso do original fez com que astros como Frank Sinatra e Shirley MacLaine aceitassem participar, mas pouco acrescentando ao filme. A única novidade engraçada é a parceria de Jackie Chan com o gigante Richard Kiel, o “Dentes de Aço” da série 007. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Amor

Amor (Amour, França / Alemanha / Áustria, 2012) – Nota 8,5
Direção – Michael Haneke
Elenco – Jean Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Hupert, Alexandre Tharaud, William Shimell.

O austríaco Michael Haneke é um dos cineastas mais originais surgidos nos últimos vinte anos. Ele que tinha uma carreira na tv desde os anos setenta, chamou atenção de crítica e público em 1997 com o assustador “Violência Gratuita”. A partir daí seguiu uma carreira consistente com filmes marcantes como “A Fita Branca”, “Caché” e “A Professora de Piano”. Uma de suas marcas são as cenas silenciosas, onde pequenos detalhes como um gesto ou olhar tem importância crucial para entender o contexto. 

Neste novo longa que venceu a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Filme Estrangeiro, Haneke situa praticamente toda a história dentro de um velho apartamento em Paris onde vive o casal de idosos Georges (Jean Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), dois músicos aposentados. O casal que vive junto há décadas, vê seu mundo virar de ponta cabeça quando Anne sofre um derrame que a deixa com sequelas. A esperança de melhora que surge logo após o problema, se transforma em agonia e tristeza com o passar do tempo, com Georges fazendo de tudo para dar algum conforto a esposa, que infelizmente definha aos poucos. 

O roteiro do próprio Haneke mostra uma realidade que todos temos de medo de enfrentar, as doenças que podem surgir com a velhice e como isso afeta os parceiros. Aqui mesmo tendo como protagonistas um casal que se ama e se respeita, as dificuldades enfrentadas pelo marido são dolorosas, não apenas a questão de ver a mulher amada sofrendo, mas também a difícil relação com a filha (Isabelle Hupert), que questiona o tratamento mesmo sem saber o que poderia fazer de diferente. Outra cena marcante é a discussão com a enfermeira, que nos faz pensar como muitas pessoas acreditam que ser profissional é mais importante do que pensar no lado humano. 

Não se pode deixar de destacar o ótimo casal principal. Os octogenários Jean Louis Trintignant e Emmanuelle Riva tem grandes atuações, inclusive com Riva sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Por outro lado, Trintignant que foi um dos maiores atores franceses dos anos sessenta e setenta, estava afastado das telas há quase uma década. 

O resultado é um realista e doloroso drama.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Veículo 19

Veículo 19 (Vehicle 19, EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – Mukunda Michael Dewil
Elenco – Paul Walker, Naima McLean, Gys de Villiers.

O filme começa com Michael Woods (Paul Walker) pegando um carro alugado em um aeroporto e reclamando pelo telefone por terem entregado um modelo diferente do que ele pediu. Aos poucos o espectador descobre que Michael está na África do Sul para tentar se reconciliar com a esposa, com quem ele conversa pelo telefone. Não demora para Michael encontrar dentro do carro uma arma, um celular e uma surpresa no porta-molas, deixando claro que o sujeito entrou numa grande roubada. 

Esta produção do próprio Paul Walker rodada em Joanesburgo na África do Sul, tem até uma premissa interessante ao esconder os detalhes da trama do espectador, deixando um certo clima de suspense, mas infelizmente o desenrolar da trama falha por causa do roteiro confuso que não consegue amarrar a história de forma verossímil, chegando a um clímax exagerado. 

A história se passa praticamente toda com Paul Walker dentro do carro participando de várias perseguições, fazendo uma clara alusão a franquia “Velozes e Furiosos”, porém o resultado está mais para um filme de ação vagabundo. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Capitães da Areia

Capitães da Areia (Brasil, 2011) – Nota 6,5
Direção – Cecilia Amado
Elenco – Jean Luís Amorim, Ana Graciela, Robério Lima, Israel Gouveia, Paulo Abade, Marinho Gonçalves, Ana Cecília Costa, Diogo Lopes Filho, Jordan Mateus, Elielson Conceição, Zéu Britto, Edelvan de Deus.

Em Salvador nos anos cinquenta, um grupo de crianças de rua lideradas por Pedro Bala (Jean Luis Amorim) sobrevivem de pequenos roubos e utilizam como casa um velho trapiche na beira da mar. O grupo que tem ainda Professor (Robério Lima), Sem Pernas (Israel Gouveia), Gato (Paulo Abade), entre outros, é ajudado por um padre (Diogo Lopes Filho) e um mestre de capoeira (Marinho Gonçalves), mas isso é pouco em relação aos problemas que precisam enfrentar com a polícia, com a epidemia de varíola e entre eles mesmos, principalmente por causa de dois fatos. 

A expulsão de Ezequiel (Edelvan de Deus) que tenta roubar um dos garotos e que cria um outro grupo e jura vingança a Pedro Bala. O segundo fato é a chegada da menina Dora (Ana Graciela), que é trazida para o trapiche junto com seu irmão pequeno pelo Professor (Robério Lima), o único garoto do grupo que sabe ler. A chegada da menina causa uma excitação em todos os garotos e quase acaba em tragédia. 

A diretoria Cecilia Amado é neta do escritor Jorge Amado, autor do livro que é considerado um clássico da literatura brasileira e por isso considerado de difícil transposição para a tela. Não li a obra para fazer uma comparação, mas pelo filme fica claro que são várias pequenas histórias de cada personagem, o que dificultou ainda mais a adaptação, resultando em algumas passagens mal explicadas. 

Outro ponto que me incomodou foi a sequência final em que Professor narra o que seria o destino de cada personagem, cena que tenta criar uma emoção forçada. 

Mesmo com estas falhas, é um filme que merece ser visto por ter uma história triste e ainda atual, lembrando que o livro foi lançado em 1937 e a questão das crianças de rua está ainda pior nos dias de hoje. 

Finalizando, apesar de não comprometer, o elenco de crianças é irregular. A maioria das atuações são naturais, mas o protagonista Jean Luís Amorim é inexpressivo como Pedro Bala e na minha opinião o destaque é o garoto Robério Lima como o Professor.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

300

300 (300, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Zack Snyder
Elenco – Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Tim Wisdom, Andrew Pleavin, Andrew Tiernan, Rodrigo Santoro, Stephen McHattie.

Em 480 A.C., o rei dos persas Xerxes (Rodrigo Santoro) prepara suas tropas para invadir a Grécia após o rei de Esparta Leônidas (Gerard Butler) se negar a aceitá-lo como Deus. Os espartanos eram um povo guerreiro, mas mesmo assim o Conselho nega o pedido de Leônidas para entrar em guerra. Desobedecendo as ordens, Leônidas leva trezentos guerreiros para enfrentar o exército de Xerxes no litoral da Grécia, mesmo sabendo que o inimigo tem dez vezes mais soldados. 

O diretor Zack Snyder se baseou no graphic novel de Frank Miller, que por seu lado foi inspirado pela histórica batalha que transformou Leônidas e os espartanos em sinônimos de guerreiros. Os fãs do trabalho de Miller e com certeza a nova geração habituada com estilo videogame adoraram o filme, que realmente é um fantástico trabalho de CGI, com destaque para as violentas cenas de batalhas. 

O roteiro é apenas razoável, se apegando muito na questão da honra que o personagem de Leônidas cita várias vezes, sem se aprofundar na história e oferecendo até algumas soluções simplistas, como no conflito da rainha (Lean Headey) com um conselheiro corrupto (Dominic West). 

Sou de uma geração que cresceu nos anos oitenta e que gostava de épicos em que as batalhas eram repletas de figurantes, como “Ben Hur” e “Os Dez Mandamentos”, ou mesmo de filmes não tão antigos como “Dança com Lobos”, que também utilizou inúmeros figurantes, como na fantástica sequência do estouro de búfalos. 

Estes filmes atuais em que o CGI é ponto primordial me deixam a sensação de estar vendo algo feito para videogame e não cinema. Entendo que estes recursos são sensacionais quando utilizados em meio a um bom roteiro e bons atores como na trilogia “Senhor dos Anéis”, mas nunca devem ser o ponto principal do filme. Por este pensamento vejo “300” como uma experiência diferente, que diverte, mas fica aquém dos grandes épicos. 

Como informação, uma sequência está em pós-produção e será lançada em 2014.