domingo, 7 de junho de 2020

Sem Saída

Sem Saída (Eden Lake, Inglaterra, 2008) – Nota 6,5
Direção – James Watkins
Elenco – Kelly Reilly, Michael Fassbender, Jack O’Connell, Thomas Turgoose, Tara Ellis, Jumayn Hunter.

A professora Jenny (Kelly Reilly) é levada por seu namorado Steve (Michael Fassbender) para passar o final de semana acampando na beira de um belíssimo lago em uma pequena cidade no interior da Inglaterra. 

Logo na primeira manhã da passeio, um grupo de adolescentes começa a importunar o casal. Conforme Steve rebate as atitudes dos garotos, a situação vai ficando mais tensa, até chegar a um terrível confronto na floresta. 

O ponto principal deste longa escrito e dirigido por James Watkins é mostrar que o mal não tem idade e que muitas vezes ele é enraizado nos jovens pelas próprias famílias. A forma brutal como o casal é atacado gratuitamente é consequência de um ódio passado de pai para filho, em que o diferente ou o forasteiro é visto como um inimigo que deve expulso ou castigado. 

O filme segue para lado do horror, criando sequências repletas de violência e sangue, sem contar a crescente tensão. O problema é que algumas destas sequências são exageradas e o final em aberto é claramente voltado para uma continuação que jamais saiu do papel. 

É um filme para o espectador que tem nervos fortes.

sábado, 6 de junho de 2020

O Preço da Verdade

O Preço da Verdade (Dark Waters, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Todd Haynes
Elenco – Mark Ruffalo, Anne Hathaway, Tim Robbins, Bill Pullman, Bill Camp, Victor Garber, Mare Winningham,William Jackson Harper.

Em 1998, o advogado Rob Bilott (Mark Ruffalo) é procurado pelo fazendeiro Wilbur Tennant (Bill Camp) que acusa a empresa química Du Pont de ter envenenado suas terras com lixo tóxico. A fazenda fica na pequena Parkesburg em West Virginia, cidade natal de Rob e onde ainda vive sua avó. 

Após ver a situação do local e a quantidade de vacas que morreram doentes, Rob utiliza seus contatos na grande empresa de advocacia a qual é sócio para entender o que ocorreu. Aos poucos ele percebe que um enorme crime ambiental foi cometido. 

Baseado em uma história real que ainda gera consequências, este longa segue o estilo de obras como “Erin Brockovich” em que uma denúncia cai nas mãos de alguém que fica obcecado em buscar justiça. 

O roteiro não apresenta surpresas, por sinal ele é até bastante burocrático e previsível. A grande força do filme é a própria história de abuso e irresponsabilidade cometidos pelas corporação. 

A curiosidade é a presença de Mark Ruffalo, que trabalhou em outro filme em que a empresa Du Pont é citada. Na realidade é um longa sobre a vida maluca de um dos herdeiros da empresa, o falecido John Du Pont, que foi detalhada no superior “Foxcatcher”.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Os Aeronautas & Amundsen


Os Aeronautas (The Aeronauts, Inglaterra / EUA, 2019) – Nota 6,5
Direção – Tom Harper
Elenco – Felicity Jones, Eddie Redmayne, Himesh Patel, Vincent Perez, Phoebe Fox, Tom Courtenay, Robert Glenister, Tim McInnerny, Lewin Lloyd.

Londres, 1862. O cientista James Glaisher (Eddie Redmayne) é ridicularizado por defender que é possível fazer previsões meteorológicas. Ele luta para conseguir dinheiro para financiar uma viagem de balão. Ele alcança p sonho quando convence a viúva Amelia Wren (Felicity Jones) a participar da viagem. Amelia perdeu o marido (Vincent Perez) durante uma aventura em um balão.

O roteiro escrito pelo diretor Tom Harper é inspirado na história real de James Glaisher, o pioneiro dos estudos de meteorologia. O filme tem uma narrativa agradável intercalando a aventura no balão com flashbacks detalhando como Glaisher sofreu para conseguir realizar seu objetivo.

O problema é que por ser baseado em história real, Harper criou a fictícia personagem de Amelia Wren, que é uma homenagem a aviadora Amelia Earhart, deixando de lado o verdadeiro parceiro de Glaisher chamado Henry Coxwell. Além disso, Glaisher é mostrado como um nerd atrapalhado, bem diferente do que deve ter sido o verdadeiro cientista.

Todas estas mudanças transformaram o filme em uma ficção ao estilo sessão da tarde, com direito a boas cenas de aventura no balão, sendo algumas até exageradas e personagens rasos.

Amundsen (Amundsen, Noruega / Suécia / República Tcheca, 2019) – Nota 6,5
Direção – Espen Sandberg
Elenco – Pal Sverre Hagen, Christian Rubeck, Katherine Waterston, Trond Espen Seim, Glenn Andre Kaada, Ida Ursin Holm, Fridtjov Saheim.

Desde criança, os noruegueses Roald Amundsen (Pal Sverre Hagen) e seu irmão Leon (Christian Rubeck) desejavam se tornar exploradores. Após algumas aventuras, Leon preferiu se tornar uma espécie de agente do irmão, buscando fundos para financiar as viagens de Roald. O grande sonho de Roald era chegar a um dos Pólos antes de outros exploradores, principalmente na frente do inglês Robert Falcon Scott. 

Este longa detalha a vida e as aventuras do herói norueguês Roald Amundsen. O roteiro intercala as perigosas expedições com os intervalos em que precisava lidar com questões financeiras e um complicado relacionamento amoroso. Sua vida é narrada por seu irmão durante um período em que este esperava notícias relacionadas a última aventura de Roald. 

O filme peca pelo ritmo irregular e pela frieza da narrativa, até mesmo nas sequências das expedições. É um filme que fica abaixo do esperado e vale a sessão apenas para quem gostaria de saber um pouco mais sobre a vida do explorador.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

303

303 (303, Alemanha, 2018) – Nota 8
Direção – Hans Weingartner
Elenco – Mala Emde, Anton Spieker.

Berlin, Alemanha. Jule (Mala Emde) é uma estudante de biologia que acabou de repetir em uma disciplina. Jan (Anton Spieker) é um aluno de ciências sociais que perdeu uma bolsa de estudos por não fazer política em um trabalho universitário. 

O destino faz com que os dois cruzem seus caminhos em um posto de gasolina durante o início das férias de verão. Jule que está dirigindo um velho trailer (modelo 303 do título) a caminho de Portugal para encontrar o namorado, aceita da carona para Jan, que por seu lado segue para Bilbao na Espanha com o objetivo de conhecer seu pai biológico. É o início de uma viagem que mudará a vida dos dois. 

Existem alguns filmes que fazem bem para a alma e o coração. É o caso de“303”, um road movie inspirado na trilogia de Richard Linklater que começou com “Antes do Amanhecer” em 1995. O filme de Hans Weingartner segue o mesmo estilo, porém alongando a relação dos jovens durante uma viagem que atravessa Alemanha, Bélgica, França. Espanha e Portugal. 

A dupla principal conversa sobre temas diversos como capitalismo e comunismo, problemas familiares, amorosos, sexo, frustrações, além de aproveitar para visitar locais belos e simples, com grande destaque para a fotografia. 

A qualidade dos diálogos se casa perfeitamente com as atuações espontâneas de Mala Emde e Anton Spieker. São quase duas horas e meia que passam rapidamente. 

Vale a sessão para quem gosta de obras realistas sobre a expectativa dos jovens em relação a vida.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

White House Farm

White House Farm (White House Farm, Inglaterra, 2020) – Nota 7,5
Direção – Paul Whittington
Elenco – Freddie Fox, Mark Addy, Stephen Graham, Alexa Davies, Scott Reid, Mark Stanley, Gemma Whelan, Cressida Bonas, Nicholas Farrell, Amanda Burton, Alfie Allen.

Essex, Inglaterra, agosto de 1985. Em uma fazenda, pai, mãe, filha e dois netos pequenos da família Bamber são assassinados a tiros. 

As evidências à primeira vista, a ânsia do chefe de polícia (Stephen Graham) em fechar o caso e principalmente o depoimento de Jeremy (Freddie Fox), o outro filho do casal, levam a crer que a filha Sheila (Cressida Bones) matou a família e cometeu suicídio. 

O que eles não esperavam era o olhar apurado do veterano detetive Stan Jones (Mark Addy), que aos poucos percebe detalhes que confrontam a versão de Jeremy. Praticamente sozinho, Stan tenta chegar até a verdade. 

Baseada numa terrível história real, esta minissérie em seis episódios detalha em flashbacks os acontecimentos que levaram ao crime, além é claro da complexa investigação que envolveu diversos personagens, disputa por herança e ódio familiar. 

O roteiro explora ainda a questão política em relação ao chefe de polícia que colocou sua carreira acima da verdade dificultando a solução do caso. 

Os destaques do elenco ficam para Freddie Fox como o arrogante Jeremy Bamber e o comediante Mark Addy em um papel sério como o obcecado detetive. 

É uma boa opção para quem gosta de dramas policiais.

terça-feira, 2 de junho de 2020

The Eichmann Show

The Eichmann Show (The Eichmann Show, Ingaterra / Lituânia, 2015) – Nota 7
Direção – Paul Andrew Williams
Elenco – Anthony LaPaglia, Martin Freeman, Rebecca Front, Andy Nyman, Nicholas Woodeson, Ben Addis.

Israel, 1961. Após ser capturado na Argentina, o criminoso nazista Adolf Eichmann é levado a julgamento. 

Com o objetivo de mostrar os horrores cometidos pelos nazistas nos campos de concentração, o governo de Israel autoriza um canal de TV a transmitir o julgamento. 

O diretor de programação Martin Fruchtman (Martin Freeman) contrata o americano Leo Hurwitz (Anthony La Paglia) para comandar a transmissão. Enquanto Fruchtman a princípio pensa apenas na audiência, Hurtwitz está ansioso para tentar entender o que levou Eichmann a cometer os crimes. 

Baseado numa história real, este longa detalha os bastidores da transmissão do julgamento e também como ele impactou no mundo, alcançando pessoas que ainda não acreditavam que o Holocausto tivesse ocorrido. 

A curiosidade do personagem de Anthony LaPaglia é semelhante ao pensamento da escritora Hannah Arendt, que também queria entender Eichmann através de suas reações no julgamento. 

Existe um filme de 2012 sobra Hannah Arendt que também é extremamente interessante para quem tem interesse no tema.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Anna: O Perigo Tem Nome

Anna: O Perigo Tem Nome (Anna, França / EUA / Canadá / Rússia, 2019) – Nota 7
Direção – Luc Besson
Elenco – Sasha Luss, Helen Mirren, Cillian Murphy, Luke Evans, Lera Abova, Eric Godon, Andrew Howard.

Europa, 1990. Anna (Sasha Luss) é uma agente da KGB que utiliza como disfarce o trabalho de modelo em Paris. 

Enquanto sonha em se aposentar após cinco anos de serviço, Anna participa de inúmeras missões de assassinatos, até se ver envolvida em uma complicada trama de espionagem entre a KGB e a CIA. 

O diretor francês Luc Besson buscou a premissa de “Nikita – Criada Para Matar” que ele mesmo comandou em 1990 e reinventou uma história sobre a jovem drogada que é transformada em assassina profissional. 

Besson também tentou fazer com a modelo Sasha Luss a mesma coisa que fez com sua então namorada Milla Jovovich com “O Quinto Elemento” em 1997 ao transformá-la em heroína de ação. 

Outra fonte de inspiração para o diretor é o atual sucesso da franquia “John Wick” ao criar sequências de ação absurdas, em que a protagonista sozinha elemina um número enorme de inimigos. As sequências no restaurante e na sede da KGB são porradaria pura. 

Um dos acertos é a montagem que desenvolve a história com idas e vindas no tempo para explicar algumas situações, sempre detalhando uma pequena surpresa ou traição. 

O resultado é uma boa diversão para os fãs do cinema de ação.