quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Ghost Story

A Ghost Story (A Ghost Story, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – David Lowery
Elenco – Casey Affleck, Rooney Mara.

Um músico (Casey Affleck) morre em um acidente de automóvel ocorrido em frente de sua própria casa. Enquanto sua esposa (Rooney Mara) sofre com a perda e tenta seguir a vida, o fantasma do marido vaga pela casa tentando se conectar com ela. 

Com efeitos especiais simples e colocando o ator Casey Affleck debaixo de um lençol branco como se fosse um fantasma de uma brincadeira de criança, este longa é quase uma obra experimental. 

Com planos-sequências longos e pouquíssimos diálogos, a primeira impressão é de um filme monótono. O espectador que tiver a paciência para aguentar os extremamente lentos trinta minutos iniciais, vai se surpreender e até se emocionar com a história. 

Não é um filme de terror, a premissa do roteiro é fazer o público pensar sobre a questão do desapego após a morte, tanto das pessoas que ficam, como daquele que se foi. É uma interessante premissa que lembra a doutrina espírita. 

Vale citar ainda a ótima sequência do monólogo maluco de um personagem em uma festa. 

É um filme indicado para quem gosta de obras fora do comum.  

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Theodore Melfi
Elenco – Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monae, Kevin Costner, Kristen Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali, Aldis Hodge, Glen Powell, Kimberly Quinn, Olek Krupa.

Em 1961, o governo americano vivia o auge da disputa pela conquista espacial contra a União Soviética. O país ainda sofria com uma forte divisão racial. Na Nasa não era diferente. Funcionários negros trabalhavam separados dos brancos. 

Neste contexto, as amigas Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monae) eram funcionárias do departamento de cálculos. Com inteligência acima da média, as três amigas são obrigadas a enfrentar o preconceito para mostrar seu talento e tentar crescer na carreira. 

Baseado numa história real, este longa detalha a vida profissional de três mulheres que conseguiram vencer a barreira do racismo e se destacar em meio a um sistema perverso. Ao mesmo tempo em que vemos uma história de superação e sucesso, é possível imaginar quantas outras pessoas também foram importantes no desenvolvimento espacial da Nasa e que hoje estão esquecidas, independente da cor da pele. 

É interessante fazer um paralelo com os dias atuais, não na questão racial, mas quanto a disputa entre funcionários dentro de qualquer empresa. A questão mostrada aqui com o personagem de Jim Parsons que prefere não dividir seus conhecimentos com a de Taraji P. Henson, infelizmente ainda é fato comum. Geralmente quem está em uma posição superior na hierarquia não gosta de passar conhecimentos para quem está abaixo com medo de perder seu cargo no futuro. 

O resultado é um bom filme com uma história que merece ser conhecida. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Velozes e Furiosos 8

Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious, China / EUA / Japão, 2017) – Nota 5
Direção – F. Gary Gray
Elenco – Vin Diesel, Jason Statham, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Charlize Theron, Kurt Russell, Nathalie Emmanuel, Luke Evans, Elsa Pataky, Kristofer Hivju, Scott Eastwood, Patrick St. Espirit.

Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão vivendo tranquilamente em Havana quando uma desconhecida (Charlize Theron) aborda Dom e o chantageia com algo misterioso. 

Em paralelo, Hobbs (Dwayne Johnson) é enviado pelo agente americano Sr. Ninguém (Kurt Russell) para uma perigosa missão. Hobbs convoca Dom, Letty e toda a equipe, sem imaginar que seria traído. Dom foge com um artefato e abandona Letty e os amigos, que tentarão descobrir o que realmente aconteceu. 

Os dois últimos filmes da série já demonstravam que a fórmula estava desgastada. Este novo filme empurra a série ladeira abaixo em termos de qualidade. A trama é totalmente maluca, com uma vilã megalomaníaca que lembra uma cópia pálida dos piores filmes de 007 e diálogos quase infantis. 

As cenas de ação que até o quinto filme variavam entre perseguições de automóveis e brigas, a partir do sexto se transformaram em sequências absurdas de carros voando, mega explosões e personagens que parecem super heróis. 

A morte terrível de Paul Walker é outro fator que deveria ter encerrado a série, mas a ganância por dinheiro gerou este longa, sem contar que ainda existem rumores para produção de mais dois filmes. Um absurdo tão grande quanto as cenas de ação vistas aqui.  

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Hangman & Busca Sem Limites


Hangman (Hangman, EUA, 2017) – Nota 5
Direção – Johnny Martin
Elenco – Al Pacino, Karl Urban, Brittany Snow, Sarah Shahi, Joe Anderson.

Os números dos distintivos de dois detetives são marcados em uma mesa no local de um assassinato brutal. Ruiney (Karl Urban) e o policial aposentado Archer (Al Pacino) se unem para investigar o caso e descobrir qual a ligação deles com o assassino. Uma jornalista (Brittany Snow) acompanha a dupla na busca pelo criminoso, que comete um novo assassinato por dia, sempre deixando pistas ligadas ao conhecido “Jogo da Forca”.  

É uma pena ver o grande Al Pacino em um filme tão ruim como este. O roteiro é um amontoado de clichês repleto de furos e soluções fáceis. Os diálogos fracos ficam ainda piores com as atuações do canastrão Karl Urban e da fraquinha Brittany Snow. O único ponto positivo é o ritmo da narrativa, que até prende a atenção com sua agilidade. 

O resultado é um filme totalmente descartável.

Busca Sem Limites (Collide, Inglaterra / Alemanha / China, 2016) – Nota 4
Direção – Eran Creevy
Elenco – Nicholas Hoult, Felicity Jones, Anthony Hopkins, Ben Kingsley, Marwan Kenzari.

Em Colônia na Alemanha, o jovem americano Casey (Nicholas Hoult) ganha a vida vendendo drogas para o traficante maluco Geran (Ben Kingsley). Ao conhecer a garçonete Juliette (Felicity Jones), que também é americana, ele se apaixona e decide abandonar o crime. Após algum tempo juntos, uma surpresa desagradável obriga Casey a conseguir dinheiro rapidamente. Ele decide aceitar um novo trabalho de Geran e termina por se envolver numa guerra entre chefões, tendo do lado contrário o milionário Hagen Kahl (Anthony Hopkins). 

As únicas explicações para grandes atores como Ben Kingsley e Anthony Hopkins aceitarem trabalhar num filme tão ruim quanto este é o dinheiro ou alguma obrigação contratual. Além da história ser um amontoado de clichês, os diálogos são constrangedores e as cenas de ação totalmente absurdas. A cereja do bolo surge com a patética reviravolta final. 

É uma bomba para o espectador passar longe.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Enfurecidos

Enfurecidos (Enragés, França / Canadá, 2015) – Nota 7,5
Direção – Eric Hannezo
Elenco – Lambert Wilson, Virginie Ledoyen, Guillaume Gouix, François Arnaud, Franck Gastambide, Laurent Lucas.

Uma quadrilha assalta um banco, algo dá errado e um dos bandidos é baleado e morre. Durante a fuga, os outros três assaltantes levam uma mulher como refém (Virginie Ledoyen) e sequestram um carro dirigido por um pai (Lambert Wilson) que estava indo para o hospital levar a filha para fazer um transplante. É o início de uma viagem infernal pelo interior da França. 

Em 1974, o diretor italiano Mario Bava filmou a mesma história, porém um problema com o produtor fez com o que longa fosse engavetado. Bava morreu em 1980 e seu filme foi resgatado somente nos anos noventa, se transformando em cult. Não assisti ao filme de Bava para comparar e acabei me surpreendendo de forma positiva com esta versão francesa. 

É um filme com uma tensão crescente entre os personagens em fuga dentro do carro e com sequências de violência muito bem filmadas, inclusive as cenas no estranho festival em um vilarejo. Vale destacar ainda a reviravolta na sequência final. Depois da surpresa, fica fácil lembrar das pistas que foram deixadas durante o desenvolvimento da trama. 

O resultado é uma competente mistura de drama e suspense com bastante violência.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Mindhunter

Mindhunter (Mindhunter, EUA, 2017)
Criação – Joe Penhall
Direção – David Fincher (4 episódios), Andrew Douglas (2), Asif Kapadia (2) & Tobias Lindholm (2)
Elenco – Jonathan Groff, Holt McCallany, Hannah Gross, Anna Torv, Cotter Smith, Cameron Britton, Joe Tuttle, Happy Anderson, Sonny Valicenti.

Em 1977, o agente do FBI Holden Ford (Jonathan Groff) ministra aulas para agentes em formação sobre negociação de reféns. Seu interesse em entender o aspecto psicológico dos criminosos chama a atenção do experiente agente Bill Tench (Holt McCallany), responsável pelo trabalho de análise de comportamento do FBI. 

Tench e Ford passam a trabalhar juntos fazendo palestras para policiais por todo o país. O interesse no assunto faz com que a dupla decida visitar na prisão o famoso assassino Ed Kemper (Cameron Britton). A conversa com Kemper leva a dupla a iniciar uma série de entrevistas com criminosos violentos. 

Esta ótima série em dez episódios produzida pela Netflix é inspirada em um livro escrito por Mark Olshaker e John Douglas sobre as entrevistas que o segundo fez com vários serial killers nos anos setenta. O resultado das entrevistas de Douglas ajudou o FBI e a polícia americana a entenderem melhor como funciona a mente de um serial killer e quais "armas" utilizar para enfrentar este tipo de assassino. 

Os agentes do FBI são personagens fictícios, enquanto os serial killers são baseados em assassinos reais, inclusive utilizando seus nomes verdadeiros e com atuações baseadas no comportamente real deles. É curiosa as pequenas participações de um sujeito (Sonny Valicenti) que parece alheio a trama, mas que será importante provavelmente na segunda temporada quando mostrará seu lado obscuro. É um personagem baseado num serial killer chamado Dennis Rader. 

Além de enfrentarem o desafio de conversar com assassinos malucos, os protagonistas também precisam convencer seus superiores e os policiais que eles ajudam a compreenderem algo que até então não existia. Um assassino deste porte era visto apenas como um maluco, policial algum tinha o interesse de entender o porquê do seu comportamento. 

Não espere cenas de ação, o foco é a análise psicológica que se aprofunda principalmente nas conversas com os assassinos. O grande destaque fica para o assustador Cameron Bright que interpreta o assassino Ed Kemper, conhecido como Big Ed. Um sujeito gigante, de fala doce, muito bem articulado, porém autor de crimes assustadores.

Vale citar que um dos nomes por trás da série é David Fincher, diretor de longas como "Clube da Luta" e "Zodíaco", que aqui dirige os dois primeiros episódios e os dois últimos.

Agora é esperar pela segunda temporada.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Hóspede

O Hóspede (The Guest, EUA / Inglaterra, 2014) – Nota 7
Direção – Adam Wingard
Elenco – Dan Stevens, Maika Monroe, Brendan Meyer, Sheila Kelley, Leland Orser, Lance Reddick, Tabatha Shaun.

Um sujeito (Dan Stevens) bate à porta da casa da família Peterson e se apresenta para Laura (Sheila Kelley) como David, um ex-companheiro de exército de seu filho que faleceu no Iraque. 

O choque inicial pela lembrança da morte do filho dá lugar a uma nova esperança de saber algo mais sobre o que aconteceu na guerra. Mesmo sem a aprovação do marido Spencer (Leland Orser), Laura deixa que David fique alguns dias na casa da família. 

Não demora para a filha mais velha Anna (Maika Monroe) perceber que existe algo de errado com David, enquanto o irmão mais novo Luke (Brendan Meyer) vê o sujeito como um amigo. 

O mais interessante deste filme é a reviravolta que o roteiro explora na metade final. Fica claro desde o início que a situação não terminaria bem, porém a explicação para o caso é inesperada e resulta numa agitada meia-hora final. 

É um filme que prende a atenção e entrega até mais do que o esperado pela premissa.