terça-feira, 7 de agosto de 2012

2 Coelhos

2 Coelhos (Brasil, 2012) – Nota 8
Direção – Afonso Poyart
Elenco – Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Thaíde, Thogun, Neco Villa Lobos, Roberto Marchese, Norival Rizzo, Robson Nunes, Aldine Muller, Djair Guilherme.

Existe vida nova no cinema brasileiro. Este divertido longa do diretor estreante Afonso Poyart (que veio da publicidade e também é produtor, montador e roteirista do longa) bebe na fonte dos filmes de Guy Ritchie e nos diálogos divertidos de Tarantino, utilizando vários personagens do submundo numa trama não linear, misturando humor, violência, animação, cultura pop e uma ótima narração do protagonista Edgar (Fernando Alves Pinto), sujeito que comanda toda a história. 

Os personagens são a promotora de justiça Julia (Alessandra Negrini) casada com Henrique (Neco Villa Lobos), um advogado de porta de cadeia que defende o assaltante Maicon (Marat Descartes), que tem como segurança o violento Bolinha (Thogun). Henrique tem ligação com um deputado corrupto (Roberto Marchese), que por seu lado está ligado ao passado de Edgar. Temos ainda um ladrão que se disfarça de motoboy (Thaíde) e o pai de Edgar (Norival Rizzo) dono de um restaurante que tem como funcionário o calado Walter (Caco Ciocler). 

O inteligente roteiro liga todos os personagens numa trama que faz ainda uma crítica a corrupção instalada no país, sem precisar fazer panfletagem ou algo parecido. 

A parte técnica é outro destaque, com uma montagem dinâmica sem exageros e cenas de ação bem filmadas, inclusive algumas explosões que não ficam a dever em comparação com os filmes americanos, além disso o diretor explora bem o centro de São Paulo como cenário de vários sequências. 

O elenco está perfeito, com Fernando Alves Pinto tendo um ótimo e merecido papel principal, o rapper Thaíde como o escape cômico da trama e o ótimo e pouco conhecido Marat Descartes brilhando como o violento Maicon. Marat já havia feito um ótimo trabalho em “Os Inquilinos” de Sergio Bianchi. 

O resultado é um ótimo filme e uma grande e promissora estreia de Afonso Poyart, provando que o cinema brasileiro pode produzir filmes comerciais de qualidade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Julgamento em Nuremberg (1961 & 2000)


Estas duas produções separadas por quase quarenta anos, utilizam como cenário o tribunal criado pelos aliados (principalmente americanos e ingleses) em Nuremberg na Alemanha, para julgar os nazistas considerados criminosos de guerra, porém os longas mostram julgamentos diferentes. O original de 1961 foca no julgamento de quatro juízes ligados ao Partido Nazista e a versão para a tv produzida em 2000, mostra o julgamento da alta cúpula nazista que sobreviveu ao final da guerra.

Julgamento em Nuremberg (Judgement at Nuremberg, EUA, 1961) – Nota 9
Direção – Stanley Kramer
Elenco – Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Maximilian Schell, Judy Garland, Montgomery Clift, William Shatner, Werner Klemperer, Kenneth MacKenna, Edward Binns.

Em 1948 os aliados criaram um tribunal em Nuremberg para julgar nazistas criminosos de guerra. Neste contexto, o juiz aposentado Dan Haywood (Spencer Tracy) é convidado para comandar um importante julgamento de quatro juízes alemães que teriam colaborado com os nazistas e condenado injustamente a morte milhares de pessoas. Tentando entender o que realmente aconteceu e até que ponto a população alemã sabia das atrocidades cometidas pelos nazistas, Dan procura se manter imparcial no embate no tribunal entre o promotor americano coronel Ted Lawson (Richard Widmark) e o brilhante advogado alemão Hans Rolfe (Maximilian Schell). 

Hans defende o juiz alemão Dr. Ernst Janning (Burt Lancaster), considerado um sujeito brilhante em sua profissão, que supreendeu muitas pessoas quando aceitou se aliar aos nazistas. Durante boa parte do julgamento o Dr. Janning fica calado, porém quando resolve dar seu depoimento temos um dos grandes momentos do filme, que são vários por sinal. O momento mais chocante são os filmes que mostram quando os campos de concentração foram libertados e milhares de corpos empilhados foram descobertos. 

Vale destacar ainda os depoimentos de Montgomery Clift como um sujeito que foi esterelizado em virtude de seu pai ser comunista e de Judy Garland em um dos seus últimos papéis. Com trinta e nove anos na época, ela interpreta uma sofrida mulher que fora julgada por sua relação com um judeu e nem de longe lembrava a garotinha adorável do clássico “O Mágico de Oz”. 

O elenco é fantástico, além de Clift e Garland que concorreram ao Oscar de Coadjuvantes, Spencer Tracy concorreu a Melhor Ator e perdeu para seu colega de filme, o austríaco Maximilian Schell, sem contar ainda Burt Lancaster muito bem como o nazista arrependido e o mito Marlene Dietrich como a víuva de um oficial nazista. No total, o filme concorreu a onze prêmios Oscar e venceu dois, além de Schell, venceu também o de roteiro. 

Finalizando, mesmo não sendo surpreendente nos dias de hoje, após tantos do Holocausto, este longa do diretor Stanley Kramer (“Deu a Louca no Mundo” e “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”, protagonizados também com Spencer Tracy) ainda emociona ao debater os horrores da guerra. 

O Julgamento de Nuremberg (Nuremberg, EUA / Canadá, 2000) – Nota 7
Direção – Yves Simoneau
Elenco – Alec Baldwin, Jill Hennessy, Brian Cox, Christopher Plummer, Herbert Knaup, Len Cariou, Matt Craven, Michael Ironside, Colm Feore, Charlotte Gainsbourg, Robert Joy, Scott Gibson, Max Von Sydow.

Esta produção para a tv é uma versão do julgamento de parte da alta cúpula nazista após o final da Segunda Guerra. Alec Baldwin é o promotor americano Robert Jackson encarregado de liderar a acusação contra os criminosos nazistas. O longa mostra desde a escolha do local do julgamento, a análise de uma lista dos nazistas que seriam julgados, tendo sido escolhidos de acordo com a importância deles na guerra, passando por provas e testemunhos do Holocausto, finalizando com a execução daqueles que foram considerados culpados. 

O desenrolar da história é frio e didático, com poucos momentos de emoção, destacando a cena em que um filme verdadeiro com cenas de campos de concentração é mostrado no julgamento e principalmente a atuação de Brian Cox como Herman Goring, o primeiro homem abaixo de Hitler. Cox cria uma sujeito inteligente, cínico e manipulador, que acredita nos seus ideais e na lealdade a Hitler até a morte. 

Algumas tramas paralelas são mal inseridas, como a disputa entre o personagem de Baldwin e o juiz americano Biddle interpretado por Len Cariou e o caso de amor com sua secretária, a bela Jill Hennessy de “Crossing Jordan”. 

Outra interessantre atuação é a do alemão Herbert Knaup como Albert Speer, um dos ministros mais poderosos aliados de Hitler, que tenta mostrar todo seu remorso pela participação no absurdo daquela guerra. 

Vale a sessão para quem gosta do tema e quer saber um pouco mais sobre este julgamento que tinha como objetivo servir como um exemplo de justiça. 

domingo, 5 de agosto de 2012

Rede de Mentiras

Rede de Mentiras (Body of Lies, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Ridley Scott
Elenco – Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong, Golshifteh Farahani, Oscar Isaac, Ali Suliman, Alon Aboutboul, Vince Colosimo, Simon McBurney, Michael Gaston.

Roger Ferris (Leonardo DiCaprio) é um agente da CIA que vive disfarçado no Oriente Médio. Ferris trabalha diretamente para Ed Hoffman (Russell Crowe), um veterano agente que hoje é um burocrata e que segue os passos das missões do subordinado através de satélites e telefones celulares. 

Quando ataques terroristas acontecem na Europa, Ferris é encarregado de encontrar o responsável pelos crimes, um líder radical chamado Al Saleem (Alon Aboutboul), mas para isso ele pede ajuda ao chefe do serviço secreto da Jordania, o poderoso Hani (Mark Strong). O que Ferris não imaginava é que todos os envolvidos estariam sempre um passo a frente na história, o que o transforma em peão num perigoso jogo de xadrex. 

O tema terrorismo é um dos mais explorados por Hollywood nos últimos anos, sempre criando tramas complexas onde nada é o que parece ser. Este é mais um exemplo onde segredos e mentiras são utilizados para ludibriar inimigos e até aliados. 

Não chega a ser um grande filme, falta provavelmente um clímax melhor, mas no geral as reviravoltas prendem a atenção, a trama tem várias e interessantes locações (Turquia, Emirados Árabes, Jordania, Iraque, Washington) assim com as boas atuações de DiCaprio como o agente correto, Crowe como o chefe manipulador e de Mark Strong, que cada vez mais mostra ter personalidade para personagens fortes. 

Finalizando, mesmo longe de seus melhores trabalhos, a direção de Ridley Scott é correta. 

sábado, 4 de agosto de 2012

O Vôo da Fênix (1965 & 2004)


O Vôo da Fênix (The Flight of the Fenix, EUA, 1965) – Nota 8
Direção – Robert Aldrich
Elenco – James Stewart, Richard Attenborough, Peter Finch, Hardy Kruger, Ernest Borgnine, Ian Bannen, Ronald Fraser, Christian Marquand, R. G. Armstrong, Dan Dureya, George Kennedy.

Um avião carregando trabalhadores de uma empresa de petróleo sofre uma pane e cai no deserto do Saara. O piloto Frank (James Stewart) e o co-piloto Lew (o diretor Richard Attenborough) precisam manter a ordem entre os sobreviventes, cuidando do feridos e racionando água e alimentação. Enquanto isso, Heinrich (Hardy Kruger) um dos funcionários sobreviventes, diz saber como consertar o avião, porém precisará de tempo para finalizar o trabalho. 

Este ótimo drama com pitadas de ação é um dos vários trabalhos de sucesso de Robert Aldrich (“Os Doze Condenados”, “Assim Nascem os Heróis” e “O Imperador do Norte”), aqui ambientado todo no deserto, o que com certeza dificultou as filmagens, mas deu um toque de realidade aos personagens sujos e suados sendo obrigados a enfrentar o sol e a areia. Aldrich era também produtor de seus filmes, o que dava independência em suas decisões de arriscar, inclusive filmando em locação, como neste longa. 

O foco principal do roteiro está nos conflitos entre os sobreviventes, interpretados po um elenco de atores conhecidos por papéis de durões. Além dos citados, temos ainda nomes de respeito como Peter Finch, Ernest Borgnine, George Kennedy, Ian Bannen e R. G. Armstrong. Um dos pontos altos e de maior tensão é a revelação do personagem de Hardy Kruger num momento crucial da trama. 

O resultado é extremamente superior a refilmagem de 2004.

O Vôo da Fênix (Flight of the Phoenix, EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – John Moore
Elenco – Dennis Quaid, Giovanni Ribisi, Tyrese Gibson, Miranda Otto, Tony Curran, Sticky Fingaz, Jacob Vargas, Hugh Laurie, Scott Michael Campbell, Kevork Malikyan, Jared Padalecki.

Um avião de uma companhia de petróleto sofre um acidente no deserto da Mongólia e os sobreviventes percebem que dificilmente serão resgatados porque a carga que transportam tem pouco valor. O piloto e também chefe do pessoal (Dennis Quaid) precisa organizar o grupo, enquanto um engenheiro (Giovanni Ribisi) tenta consertar o avião, porém conflitos entre os dois vem à tona, além de discussões entre os sobreviventes e o perigo de ataque de um grupo de beduínos. 

O que o original tinha de interessante nos conflitos e no elenco, este se perde nos personagens rasos e na trama reciclada, que para tentar se mostrar moderno, coloca até uma personagem feminina (Miranda Otto) entre os funcionários da petrolífera. Para piorar, a interpretação de Giovanni Ribisi chega a ser afetada, irritando o espectador. 

É uma pensa que um original tão legal tenha resultado numa refilmagem pálida.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Lunar

Lunar (Moon, Inglaterra, 2009) – Nota 8
Direção – Duncan Jones
Elenco – Sam Rockwell, Kevin Spacey, Dominique McElligott.

Num futuro próximo, uma megacorporação construiu uma base na lua, onde faz uma espécie de colheita de um gás especial usado para gerar energia limpa na Terra. Na base vive apenas Sam Bell (Sam Rockwell), que tem a ajuda de um robô chamado Gerty (voz de Kevin Spacey) e espera com ansiedade voltar para a casa e encontrar sua esposa Tess (Dominique McElligott ) e a filha pequena após três anos de trabalho. Faltando apenas duas semanas para o retorno, Sam começa a sentir fortes dores de cabeça e ter visões. Para piorar, ele sofre um acidente dirigindo um veículo do lado de fora da base e quando acorda na enfermaria, descobre que foi resgatado por alguém digamos, próximo a ele. 

O diretor Duncan Jones (filho do astro do rock David Bowie e que dirigiu o bom “Contra o Tempo” com Jake Gyllenhall) estreou na direção com esta pequena produção (apenas 5 milhões de orçamento) que resultou num belo filme e segue o estilo filosófico de ficções como “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e “Blade Runner”. O pouco dinheiro foi bem utilizado em praticamente dois cenários: A base lunar simples e totalmente clean e as sequências na lua também filmadas de modo simples, que lembram um pouco as imagens da viagem original da Nasa à lua. 

O ponto principal é o roteiro, que a princípio deixa a impressão de que algo sobrenatural está por trás dos acontecimentos, mas aos poucos fica claro que as explicações estão bem próximas da realidade, ao criticar principalmente a falta de humanidade das corporações, que tratam as pessoas como descartáveis. 

Outro destaque é a bela atuação de Sam Rockwell, que conversa apenas com o robô dublado por Kevin Spacey e carrega o filme sozinho, primeiro com a esperança de reencontrar a família e depois sofrendo ao descobrir a verdade. 

Finalizando, a ótima trilha sonora de Clint Mansell, colaborador habitual de Darren Aronofsky (“Cisne Negro”, “Fonte da Vida” e “Pi”) pontua com qualidade o clima de paranoia que vai se instalando na base no decorrer do filme.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Árvore da Vida

A Árvore da Vida (The Tree of Life, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Terrence Malick
Elenco – Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Laramie Eppler, Tye Sheridan, Fiona Shaw.

O diretor Terrence Malick é com certeza um dos sujeitos mais estranhos do cinema. Completamente avesso as entrevistas, ele chamou a atenção da crítica com “Terra de Ninguém” em 1973 e em seguida com “Cinzas no Paraíso” em 1978, porém abandonou tudo para reaparecer vinte anos depois e comandar o belíssimo “Além da Linha Vermelha”. Sete anos depois ele faria “O Mundo Novo”, trabalho que ainda não conferi e pareceu ter resgatado o gosto pela direção. Além deste “A Árvore da Vida”, ele já tem mais quatro filmes em andamento, o que é ótimo para os cinéfilos. 

Malick filma com uma visão extremamente pessoal e em “A Árvore da Vida” fica claro o toque autobiográfico na história da família que vive numa pequena cidade do Texas nos anos cinquenta. O patriarca Mr. O’Brien (Brad Pitt) é um marido seco com a esposa (Jessica Chastain) e um pai rígido com os três filhos, a quem ele exige que o trate por senhor, como se fosse uma espécie de Deus da casa. O roteiro foca principalmente no filho mais velho, Jack (Hunter McCracken) que ao chegar na adolescência passa a enfrentar a autoridade do pai. Em paralelo, vemos Jack (vivido por Sean Penn) nos dias atuais como um executivo que parece viver alienado ao que acontece a sua volta, sempre lembrando o passado. 

A vida da família é mostrada num ritmo lento e de forma não linear, dando ênfase a acontecimentos específicos, como quando o pai viaja e a casa se transforma num local alegre, com a mãe e os filhos brincando e sorrindo, ou ainda perto do final, quando o pai demonstra sua frustração com a vida e principalmente com a empresa onde trabalhou por muitos anos. 

O roteiro toca em temas universais como religião, família, frustração e perda, para contar a história de uma típica família americana dos anos cinquenta de uma maneira diferente, em alguns momentos de forma poética e em outros como um drama, além disso a parte técnica é de primeira qualidade, com uma bela fotografia  e algumas sequências com efeitos especiais que podem simbolizar religião, ciência e até mesmo o Big Bang.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Espionagem na Rede & Sob Controle


Espionagem na Rede (Demonlover, França, 2002) – Nota 6
Direção – Olivier Assayas
Elenco – Connie Nielsen, Charles Berling, Chloe Sevigny, Dominique Reymond, Jean Baptiste Malartre, Gina Gershon, Edwin Gerard, Thomas M. Pollard.

Numa grande corporação especializada em investir em empresas que trabalham com a internet, um grupo de executivos vive num mundo de disputas e traições em busca de lucro e poder. 

A ambiciosa Diane de Monx (Connie Nielsen) é a protagonista que consegue tomar o lugar de uma rival e ser indicada para negociar um grande contrato com uma empresa japonesa de animes adultos. Logo, ela percebe que a secretaria Elise (Chloe Servigny) a odeia e também desconfia que Hervé (Charles Berling), outro executivo da empresa, parece conhecer seu segredo, porém é apenas o início de uma intrincada trama envolvendo pessoas perigosas. 

A interessante premissa se perde na escolha do diretor em querer fazer um filme com cara de moderno, que passa um certo ar de arrogância principalmente no roteiro, que não conecta com clareza a complexa trama que começa com uma disputa de executivos, passa por algumas reviravoltas misturadas com violência e chega até o mundo dos snuff movies feitos diretamente para internet. 

Sob Controle (Surveillance, EUA / Alemanha / Canadá, 2008) – Nota 6
Direção – Jennifer Lynch
Elenco – Bill Pullman, Julia Ormond, Ryan Simpkins, Anita Smith, Michael Ironside, Cheri Oteri, Kent Harper, French Stewart.

Numa pequena cidade do oeste americano, um casal é atacado em sua residência. O marido é assassinado e a esposa aparentemente seqüestrada. Um dupla de agentes do FBI (Bill Pullman e Julia Ormond) chega na pequena delegacia do local para investigar o caso e também uma chacina ocorrida no dia anterior, quando vários pessoas foram assassinadas na estrada, entre elas um policial. 

Assim que começa a investigação, os sobreviventes da chacina, uma pequena garota (Ryan Simpkins), uma jovem viciada (Anita Smith) e um policial (Kent Harper) contam versões confusas da história, porém o espectador acompanha o que realmente ocorreu em flashnacks. 

Este estranho filme foi dirigido pela filha de David Lynch, que anteriormente havia feito apenas um longa quinze anos antes, o polêmico “Encaixotando Helena”, que na época rendeu uma disputa jurídica entre ela e a atriz Kim Basinger, que se recusou a atuar no filme após assinar o contrato e descobrir as cenas bizarras que teria de participar. 

O roteiro escrito pela diretora e pelo ator Kent Harper segue a linha dos filmes de suspense sobre psicopatas, porém tem alguns furos. Além disso, para quem prestar atenção, alguns detalhes entregam os criminosos logo após a primeira metade da história.