segunda-feira, 26 de março de 2018

Roman J. Israel, Esq.

Roman J. Israel, Esq. (Roman J. Israel, Esq., EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Dan Gilroy
Elenco – Denzel Washington, Colin Farrell, Carmen Ejogo, Tony Plana, Amanda Warren, Sam Gilroy, DeRon Horton.

Após trinta e cinco anos trabalhando nos bastidores como parceiro de um advogado criminal, Roman J. Israel (Denzel Washington) não sabe que caminho seguir após o amigo entrar em coma irreversível. 

Extremamente inteligente, Roman é quase um gênio para encontrar brechas nas leis e criar estratégias de defesa para seus clientes. O problema é que ele tem muita dificuldade em lidar com as pessoas. 

Por causa disso, o amigo deixou por escrito que os casos pendentes seriam repassados para um grande escritório comandado por George Pierce (Colin Farrell). Desamparado e sem saber qual caminho seguir, Roman se envolve numa série de situações que o farão mudar a forma de encarar o mundo. 

O roteiro escrito pelo diretor Dan Gilroy (“O Abutre”) explora temas interessantes. O principal é mostrar o sofrimento de uma pessoa que não se encaixa nos padrões exigidos pela sociedade. Quando o protagonista vivido por Denzel Washington é obrigado a enfrentar a vida normal, sem um parceiro para ser o interlocutor de seu trabalho, seus ideais entram em conflito com a “normalidade”. 

Algumas sequências são dolorosas, como no caso da palestra quando sua gentileza é confrontada por uma feminista raivosa ou quando ele tenta procurar emprego em uma ONG e um dos funcionários o trata como um aberração. 

Outro ponto interessante do roteiro é a crítica ao sistema judiciário americano e aos advogados que vendem seus serviços por um alto valor assustando os familiares dos réus, para depois aceitar a primeira proposta que os promotores oferecem para encerrar o caso rapidamente. Uma verdadeira indústria da justiça. 

O filme muda um pouco o foco na segunda metade, mas ainda faz pensar sobre até que ponto vale a pena sofrer para manter seus ideais ou se o melhor seria mesmo abraçar o sistema.

Vale destacar a interpretação de Denzel Washington. Seu personagem parece viver ainda nos anos sessenta.

2 comentários:

Luli Ap. disse...

Olá Hugo
Fiquei impressionada com esse filme viu?
Como pode né, uma pessoa tão articulada e inteligente como ele ser tão pouco sociável :/
Cheguei até pensar que eles iam abordar a síndrome de Asperger, mas não, ele tinha uma espécie de zona de conforto.
De certa maneira talvez seu sócio até o tenha prejudicado pensando em ajudar :/
E talvez o Colin Farrell (aaaaahhhhh eu amo o Colin Farrell só porque ele parece meu namorado hihihi) não tenha prejudicado ao forçar que ele tivesse contato com os clientes.
Polêmica a conduta nem um pouco ética, mas que foi divertido ver ele gastando aquele dinheiro foi :) como disse o CF: quebrou o cofrinho para comprar o terno rsrs
Interessante a prerrogativa dele ao defender a si mesmo no diálogo quando diz que: se a mente não acha que é culpa, então o ato não é culpado.
Só poderia mesmo ser um advogado de defesa, no entanto tudo é muito subjetivo, e com certeza absoluta eu nunca seria uma advogada :))
Amei a cena em que o Colina Farrell dá entrada na petição final e quando a advogada da ONG está dando uma palestra e fala da importância das pessoas que inspiram e da importância das transformações e de se reinventar ao longo do tempo <3

Bjs Luli
Café com Leitura na Rede



Hugo disse...

Luli - Existem muitas pessoas brilhantes no que fazem, mas que tem dificuldades em lidar com outras pessoas e com o sistema que vivemos. O personagem de Denzel Washington aqui é talvez excêntrico demais, mas não deixa de ser um exemplo para este tipo de caso.

Por isso que muitas vezes uma pessoa que não tem tanto conhecimento consegue uma grande carreira porque tem jogo de cintura para lidar com os problemas que surgem no seu caminho.

Bjos