sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Primeiro Ano

Primeiro Ano (Premiere Année, França, 2018) – Nota 7
Direção – Thomas Lilti
Elenco – Vincent Lacoste, William Lebghil, Michel Lerousseau, Darina Al Joundi.

Benjamin (William Lebghill) é um jovem que está iniciando o primeiro ano no curso de medicina influenciado pelo pai, porém deixa transparecer uma certa dúvida em relação a carreira. 

Antoine (Vincent Lacoste) repetiu duas vezes o primeiro ano e agora tem a última chance de realizar o sonho de se tornar médico. Os dois criam um laço de amizade e passam a estudar juntos para enfrentar o desafio. 

Citei em uma postagem recente do filme “Hipócrates” a história do diretor Thomas Lilti, que também é médico. Ele fez uma trilogia sobre a profissão que segue com “O Insubstituível” que eu ainda não conferi e termina com este “Primeiro Ano”. 

O foco aqui é mostrar a pressão que os alunos enfrentam no primeiro ano de curso de medicina na França, que é utilizado como peneira. No filme é citado que de 2500 alunos, apenas os 329 primeiros serão aprovados e poderão seguir para o segundo ano de curso. 

O roteiro escrito pelo diretor utiliza como exemplo dois protagonistas diferentes no pensamento em relação a profissão. Ele explora também a questão de como estudar. Enquanto alguns aprendem determinada matéria facilmente, outros estudam horas a fio e sofrem para entender ou memorizar. 

É interessante também um coadjuvante citando que os alunos que passam neste concorrido curso nem sempre são os melhores, mas geralmente são aqueles que entendem melhores “os códigos”, ou seja, focam direto no resultado sem preocupação no aprofundamento da matéria. 

É um bom filme para o público comum e provavelmente mais interessante para quem estuda ou estudou medicina.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O Segredo de Vera Drake

O Segredo de Vera Drake (Vera Drake, Inglaterra / França, 2004) – Nota 7,5
Direção – Mike Leigh
Elenco – Imelda Staunton, Phil Davis, Peter Wight, Daniel Mays, Eddie Marsan, Anna Keaveney, Jim Broadbent, Lesley Manville, Sally Hawkins, Ruth Sheen, Chris O’Dowd.

Londres, 1950. Vera Drake (Imelda Staunton) trabalha como doméstica em várias casas, ajuda alguns vizinhos que enfrentam problemas e ainda cuida de sua família. 

O que o marido (Phil Davis) e o casal de filhos adultos (Daniel Mays e Anna Keaveney) não sabem é que Vera também auxilia jovens solteiras grávidas que querem abortar. A vida da família vira um inferno quando um determinado fato leva Vera a enfrentar a justiça. 

Especialista em dramas que focam em pessoas comuns enfrentando problemas da vida real, neste longa o diretor Mike Leigh explora o polêmico tema do aborto sem apelar para panfletagem. 

Ele deixa claro que a forma que a protagoniza utiliza para auxiliar as jovens é totalmente errada, mas ao mesmo tempo ele cria uma pequena narrativa em paralelo com a personagem de Sally Hawkins mostrando como as pessoas da classe alta na época tinham facilidade para resolver este “problema” pelas vias normais. É um tema que até hoje desperta discussões acaloradas e que acredito que jamais terá um consenso. 

Vale destacar a brilhante atuação de Imelda Staunton, que praticamente cria duas personagens diferentes no mesmo filme. Na primeira parte se mostrando feliz e pronta para ajudar, enquanto na segunda afundando na tristeza ao ver sua vida ser destruída. 

É um drama forte que merece ser conhecido.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Stuber

Stuber (Stuber, EUA, 2019) – Nota 7
Direção – Michael Dowse
Elenco – Kumail Nanjiani, Dave Bautista, Mira Sorvino, Natalie Morales, Iko Uwais, Betty Gilpin, Karen Gillan, Jimmy Tatro.

Vic (Dave Bautista) é um policial que teve a parceira assassinada por um terrorista (Iko Uwais). 

Algum tempo depois, no dia em que fez uma cirurgia para correção de um problema nos olhos, surge uma pista do paradeiro do sujeito.

Mesmo com a visão prejudicada, Vic decide seguir a pista, porém logo tem um acidente com o carro. Obcecado, ele chama o Uber do pobre Stu (Kumail Nanjiani), que se torna seu inusitado parceiro na caçada ao assassino. 

Esta divertida mistura de ação e comédia bebe na fonte dos filmes do gênero dos anos oitenta ao unir o brutamontes Dave Bautista com o comediante Kumail Nanjiani. 

Mesmo com alguns exageros habituais do gênero, o longa tem vários pontos positivos como a química entre a dupla de atores, as agitadas cenas de ação e correria com a boa participação do astro indonésio Iko Uwais, além de diálogos divertidos, vários deles com referência a outros filmes. 

Não se pode deixar de citar também a enorme propaganda do Uber. 

Para um gênero tão desgastado quanto a comédia, este longa acaba sendo uma agradável surpresa.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A Freira & Exorcismos e Demônios


A Freira (The Nun, EUA, 2018) – Nota 5,5
Direção – Corin Hardy
Elenco – Demian Bichir, Taissa Farmiga, Jonas Bloquet, Bonnie Aarons, Ingrid Bisu, Patrick Wilson, Vera Farmiga, Lili Taylor.

Interior da Romênia, 1952. Em um convento isolado, duas freiras são atacadas por uma força sobrenatural. O corpo de uma delas é encontrado por um jovem aldeão (Jonas Bloquet). O Vaticano envia o padre Burke (Demian Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) para investigar o ocorrido. Na vila próxima ao convento, os moradores demonstram medo acreditando que o local é amaldiçoado. 

O sucesso dos ótimos “Invocação do Mal  1 e 2” abriu caminho para franquias paralelas explorando o mesmo universo, resultando nos três filmes “Annabelle”, em “A Maldição da Chorona” e este "A Freira" que comento aqui. 

O longa começa de forma interessante ao apresentar um clima de tragédia e uma locação sinistra, porém o desenrolar do roteiro e da narrativa deixam bastante a desejar. A história é previsível e várias sequências parecem perdidas, sem grande conexão. São sequências que intercalam sustos com o padre e a noviça, porém sem aprofundamento algum na roteiro. 

É um filme fraco indicado apenas os fãs radicais do gênero.

Exorcismos e Demônios (The Crucifixion, Inlgaterra / Romênia / EUA, 2017) – Nota 5,5
Direção – Xavier Gens
Elenco – Sophie Cookson, Corneliu Ulici, Ada Lupu, Brittany Ashworth, Catalin Babliuc, Matthew Zajac.

Romênia, 2004. Numa pequena vila, um exorcismo comandando por um padre termina na morte da freira que aparentemente estava possuída por um demônio. A notícia chega aos Estados Unidos e a jovem repórter Nicole (Sophie Cookson) consegue convencer seu editor a enviá-la para Romênia para fazer uma matéria sobre o fato. Ao chegar no local e começar sua investigação, a descrente Nicole passa a sofrer com pesadelos e alucinações, ficando em dúvida se realmente o que ocorreu foi algo sobrenatural. 

Os créditos iniciais citam que o filme é baseado em uma história real e a primeira sequência do exorcismo chega a assustar. O clima de misticismo da vila também é interessante, mas infelizmente os pontos positivos ficam por aí. 

O desenvolvimento da história é repleto de clichês ao explorar sustos, personagens bizarros e segredos religiosos. O filme perde pontos também pelas fracas atuações do elenco. 

Como acontece muito neste gênero, a boa premissa acaba desperdiçada, resultando em um obra abaixo do razoável.  

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Tristeza e Alegria

Tristeza e Alegria (Sorg og Glaede, Dinamarca, 2013) – Nota  7,5
Direção – Nils Mamros
Elenco – Jakob Cedergren, Helle Fagralid, Ida Dwinger, Kristian Halken, Nicolas Bro, Soren Pilmark.

Dinamarca, 1984. O diretor de cinema Johannes (Jakob Cedergren) volta de viagem e descobre que sua esposa Signe (Helle Fagralid) matou o bebê do casal. 

Tentando entender os motivos que levaram a mulher a cometer um ato tão terrível e ao mesmo tempo sendo obrigado a lidar com a questão judicial, Johannes é entrevistado por um psiquiatra forense (Nicolas Bro). 

A conversa abre o caminho para flashbacks que detalham a relação do casal e principalmente como o estado mental de Signe foi se deteriorando. 

Este longa é baseado em um fato real ocorrido na vida do diretor Nils Mamros, que por sinal explorou situações de sua vida pessoal em todos os seus trabalhos. Este “Tristeza e Alegria” é considerado pelo diretor como o fechamento de sua carreira. 

É interessante verificar que ele mesmo faz um mea-culpa em relação a forma como tratava a esposa antes da tragédia, sempre demonstrando uma espécie de superioridade intelectual. 

O roteiro escrito por ele também foca em como o ser humano é influenciado por seus sentimentos. A tristeza e a alegria do título muitas vezes surgem da forma como encaramos uma determinada situação ou um simples comentário. 

Apesar do tema forte no início, o filme é sóbrio e realista, que faz pensar sobre o porquê de nossas atitudes e também sobre a complexidade dos relacionamentos.

domingo, 24 de novembro de 2019

O Sonho de Cassandra

O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream, EUA / Inglaterra / França, 2007) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Ewan McGregor, Colin Farrell, Tom Wilkinson, Hayley Atwell, Sally Hawkins, John Benfield, Clare Higgins, Phil Davis.

Em Londres, os irmãos Ian (Ewan McGregor) e Terry (Colin Farrell) tem vidas e objetivos bem diferentes, mas em comum a necessidade de conseguir dinheiro. 

Ian administra o restaurante dos pais, mas deseja investir em uma rede de hotéis nos EUA, enquanto Terry perdeu um fortuna no jogo de cartas e precisa de dinheiro com urgência. 

A aparente chance de resolver seus problemas surge quando o tio rico que vive nos EUA (Tom Wilkinson) vem para Londres visitar a família. Ao pedir dinheiro para o tio, os irmãos recebem uma inusitada contraproposta. 

Apesar das críticas ruins na época, este longa segue o estilo comum aos filmes de Woody Allen, explorando situações habituais como relacionamentos, traições, ganância e até uma pitada de violência, além é claro dos diálogos recheados de sarcasmo e ironia. 

Além do trio de ótimos atores britânicos, vale destacar no elenco a bela e então jovem Hayley Atwell e a pouco conhecida na época Sally Hawkins, as duas interpretando as namoradas dos protagonistas. 

Pode parecer repetitivo, mas filmes de Woody Allen são indicados para quem gosta do estilo do diretor. O espectador comum pode ficar um pouco decepcionado com a história e a narrativa.

sábado, 23 de novembro de 2019

Arctic

Arctic (Arctic, Islândia, 2018) – Nota 6
Direção – Joe Penna
Elenco – Mads Mikkelsen, Maria Thelma Smaradottir.

Um sujeito (Mads Mikkelsen) tenta sobreviver no Ártico após sofrer um acidente aéreo. Ele utiliza a fuselagem do pequeno avião para se proteger enquanto espera a chegada do socorro, passando o dia criando formas de conseguir comida e afastar os perigos que o cercam. 

Uma tentativa de resgate por helicóptero fracassa, resultando em um novo acidente e deixando uma sobrevivente (Maria Thelma Smaradottir) em estado grave. O homem precisa decidir entre aguardar um novo resgate ou arriscar a vida enfrentando a região gelada em uma longa caminhada. 

A luta do homem contra a natureza já foi explorada várias vezes no cinema, sendo que algumas destas tentativas falharam pela dificuldade em fazer o espectador manter o interesse na narrativa, principalmente quando são apenas um ou dois atores em cena no meio de uma região inóspita. 

Este filme que marca a estreia como diretor de longa metragem do brasileiro Joe Penna falha exatamente neste quesito e na lentidão da narrativa. As belíssimas paisagens geladas e a criatividade em inventar soluções demonstrada pelo protagonista vivido pelo dinamarquês Mads Mikkelsen não são suficientes para entregar um bom filme. Falta também um pouco mais de suspense, sendo raras as sequências que mexem com o público. 

É um filme indicado muito mais para quem gosta de paisagens e natureza, do que para quem espera ação e emoção.