quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O Insulto

O Insulto (L'Insulte, França / Chipre / Bélgica / Líbano / EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Ziad Doueiri
Elenco – Adel Karam, Kamel El Basha, Camille Salameh, Diamand Bou Abboud, Rita Hayek, Tala Jurdi, Christine Choueiri.

Beirute, capital do Líbano. Tony Hanna (Adel Karam) é um libanês cristão dono de uma oficina mecânica. Yasser Salameh (Kamel El Basha) é um palestino responsável por uma obra na rede elétrica no bairro em que vive Tony. 

Um problema com uma calha ilegal resulta numa forte discussão entre os dois e numa consequente agressão. O caso é levado para justiça e a briga pessoal se torna uma batalha entre libaneses cristãos e palestinos. 

O diretor libanês Ziad Doueiri abordou o conflito entre judeus e palestinos no competente “O Atentado”. Aqui, Doueiri abre o leque da discussão focando no ódio entre os povos árabes que é consequência dos vários conflitos que ocorreram na história do Oriente Médio. 

O roteiro coloca como opositores dois homens honestos, trabalhadores e chefes de família, porém marcados pelo ódio que carregam por causa de injustiças e traumas que sofreram na juventude. O passado deles é detalhado durante o julgamento e explica o porquê da intolerância. 

É um filme que deixa claro como a paz está bem longe daquela parte do planeta. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Puro-Sangue

Puro-Sangue (Thoroughbreds, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Cory Finley
Elenco – Olivia Cooke, Anya Taylor Joy, Anton Yelchin, Paul Sparks, Francie Swift, Kaili Vernoff.

No subúrbio de Connecticut, a adolescente Amanda (Olivia Cooke) é considerada desajustada após uma determinada atitude. Sua mãe paga para a antiga amiga Lily (Anya Taylor Joy) convidar Amanda para ajudá-la nos estudos. 

Amanda descobre rapidamente o que está acontecendo, ao mesmo tempo em que a aparente doce Lily também se mostra tão problemática como a amiga e com um ódio mortal pelo padrasto (Paul Sparks). 

A duas jovens com mentes perturbadas iniciam uma estranha relação de amizade, envolvendo ainda um jovem traficante (Anton Yelchin). 

O roteiro escrito pelo diretor estreante Cory Finley mistura crítica social e problemas psicológicos para criar um longa que não se define entre drama ou suspense. A questão da crítica social é desenvolvida através da futilidade dos pais das garotas e a forma como elas são tratadas por eles. 

O outro lado do roteiro detalha como este tipo de família rica e vazia pode ser o combustível para atitudes bizarras dos filhos, no caso duas adolescentes com traços que beiram a psicopatia. 

Infelizmente este conteúdo complexo é desenvolvido de forma irregular, sem emoção e entregando ainda um final no mínimo estranho.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A Noite do Jogo

A Noite do Jogo (Game Night. EUA, 2017) – Nota 7
Direção – John Francis Daley & Jonathan Goldstein
Elenco – Jason Bateman, Rachel McAdams, Kyle Chandler, Jesse Plemons, Billy Magnussen, Sharon Horgan, Lamorne Morris, Kylie Burnbury, Michael C. Hall, Danny Huston.

O casal Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) são viciados em jogos, seja de tabuleiro, quiz ou mímicas. Uma vez por semana eles organizam uma noite de jogos com os amigos em sua casa. Em uma destas noites, o irmão bem sucedido de Max reaparece. 

Brooks (Kyle Chandler) é um empresário de sucesso competitivo e egocêntrico, que diz ter preparado para a semana seguinte um jogo que será o melhor da vida dos envolvidos. Na verdade será o início de uma noite totalmente maluca. 

Além de uma inspirada dupla principal que demonstra uma ótima química, vale destacar a atuação do estranho policial vivido por Jesse Plemons, que se torna figura importante na trama.

O filme entrega várias piadas divertidas sem apelar para a escatologia ou algo semelhante, fazendo rir dos absurdos e das reviravoltas malucas do roteiro. A montagem criativa é outro destaque. 

Entre tantas comédias ruins que são lançadas todos os anos, esta se mostra uma exceção que vale ser conferida por causa da criatividade.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

No Coração da Escuridão

No Coração da Escuridão (First Reformed, EUA / Inglaterra / Austrália, 2017) – Nota 7
Direção – Paul Schrader
Elenco – Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Cedric the Entertainer, Victoria Hill, Philip Ettinger, Michael Gaston, Bill Hoag.

Toller (Ethan Hawke) se tornou padre após um trauma pessoal acabar com seu casamento. Tomando conta de uma igreja que está prestes a comemorar duzentos e cinquenta anos, a First Reformed do título original, Toller é obrigado a lidar com situações que mexem com seu psicológico. 

Um problema de saúde, a conversa com um ativista ambiental pessimista (Philip Ettinger) que sofre ao saber que sua esposa (Amanda Seyfried) está grávida e por fim a descoberta da ligação do líder de sua igreja (Cedric the Entertainer) com um empresário envolvido em crime ambiental (Michael Gaston) o levam a uma encruzilhada. 

Paul Schrader foi sempre melhor roteirista do que diretor. Aqui ele abraça as duas funções e quase como em toda a carreira entrega um filme com boas ideias, algumas falhas e uma narrativa irregular. Ele tenta criticar ao mesmo tempo o terrorismo ecológico, as indústrias que poluem o meio ambiente e a hipocrisia de muitos líderes religiosos. 

O filme funciona nos questionamentos enfrentados pelo protagonista, que escreve um diário narrando suas angústias e dúvidas. A atuação atormentada de Ethan Hawke é um destaque. Por outro lado, a forma como o filme acaba deixa bastante a desejar. Fica a impressão de que a história não foi desenvolvida em todo seu potencial.

domingo, 27 de janeiro de 2019

O Teorema Zero & Número 9


O Teorema Zero (The Zero Theorem, Inglaterra / Romênia / França / EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – Terry Gilliam
Elenco – Christoph Waltz, David Thewlis, Melanie Thierry, Matt Damon, Lucas Hedges, Tilda Swinton, Peter Stormare, Ben Whishaw, Sanjeev Bhaskar.

Em um futuro distópico, Qoehn Leth (Christoph Waltz) é um funcionário de uma corporação que trabalha com uma espécie de operador de informática. Antissocial e obsessivo em relação ao trabalho, Qoehn é convocado por seu supervisor (David Thewlis) para cumprir um determinado projeto pedido pelo administrador da corporação (Matt Damon).

Qohen terá de resolver um complexo teorema com ajuda de um jovem (Lucas Hedges), que é filho do administrador. Em paralelo, ele é desejado por uma jovem (Melanie Thierry) e faz estranhas sessões com uma psicanalista virtual (Tilda Swinton).

Por mais que a criatividade do diretor Terry Gilliam tenha rendido vários filmes malucos e interessantes, este “O Teorema Zero” passou totalmente do ponto. Não existe um objetivo no roteiro, o filme é uma sucessão de sequências bizarras em que o protagonista é pressionado pelos superiores ou participa de diálogos sem sentido com os outros coadjuvantes.

Vale destacar apenas os cenários futuristas coloridos repletos de engenhocas.

Número 9 (The Nines, EUA, 2007) – Nota 5
Direção – John August
Elenco – Ryan Reynolds, Melissa McCarthy, Hope Davis, Elle Fanning, David Denman, Octavia Spencer.

Um ator famoso (Ryan Reynolds) se envolve com drogas, sofre um acidente e termina preso. Sendo obrigado a cumprir prisão domiciliar, seu agente envia uma assistente (Melissa McCarthy) para tomar conta do maluco, que mesmo assim faz amizade com uma vizinha (Hope Davis). Esta é apenas a primeira história. Outras duas histórias interligadas em detalhes colocam os mesmos atores em papéis diferentes. 

O que a princípio parece ser um drama, na verdade com o desenrolar da trama vai se mostrando um filme bizarro e pretensioso. O roteiro escrito pelo diretor John August tenta explorar sem muito sucesso temas como mundos paralelos, religião e metafísica. Algumas sequências resultam em um humor involuntário, enquanto outras lembram adaptações de livros de autoajuda. 

A fraca atuação de Ryan Reynolds e uma Melissa McCarthy perdida longe das comédias também não ajudam. É um filme para passar longe.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Gente de Bem

Gente de Bem (The Land of Steady Habits, EUA, 2018) – Nota 7
Direção – Nicole Holofcener
Elenco – Ben Mendelsohn, Edie Falco, Thomas Mann, Charlie Tahan, Connie Britton, Michael Gaston, Elizabeth Marvel, Bill Camp, Josh Pais.

Um ano após se separar e também se aposentar, Anders (Ben Mendelsohn) ainda se sente perdido. Sua decisão em mudar de vida o transformou num pária na pequena cidade suburbana de classe média alta em que vive. 

Anders fica mais confuso ao descobrir que sua ex-esposa (Eddie Falco) está vivendo com um antigo conhecido (Bill Camp) e que seu filho (Thomas Mann) está tão perdido como o pai. 

A diretora e roteirista Nicole Holofcener é especialista em histórias sobre conflitos familiares e de relacionamentos. Assim como em seu trabalho anterior chamado “À Procura do Amor”, Nicole detalha os problemas e as frustrações da meia-idade, geralmente época em casais passam por crises, conflitos com filhos, problemas financeiros separações e o início confuso de novos relacionamentos. 

Nos dois filmes o sexo é um dos pontos principais e as cenas na cama resultam em constrangimentos e dificuldades, situações bem diferentes do que o cinema costuma retratar. 

Apesar do ritmo lento, o filme é bastante interessante para quem gosta de tramas sobre relacionamentos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O Retorno de um Herói

O Retorno de um Herói (Taking Chance, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Ross Katz
Elenco – Kevin Bacon, Paige Turco, John Magaro, Tom Aldredge, Gordon Clapp, Mike Colter, Ann Dowd, Tom Wopat, Noah Fleiss, John Bedford Lloyd, Felix Solis, Victor Slezak.

Abril de 2004. O Tenente-Coronel Mike Strobl (Kevin Bacon) é um veterano da Guerra do Golfo que agora ocupa uma função administrativa. 

Sem muita explicação, Mike se oferece para levar o corpo de um soldado morto no Iraque até sua cidade natal. Durante o percurso, ele se surpreende e se emociona com a reação das pessoas que testemunham o transporte do corpo. 

Baseado em um livro autobiográfico do verdadeiro Mike Strobl, este longa retrata com sensibilidade a forma como o governo americano tenta diminuir a dor dos familiares dos soldados mortos em combate. 

Vários filmes detalham a volta dos soldados vivos que sofrem para se reintegrar a sociedade, carregando traumas físicos ou psicológicos. A proposta aqui é mostrar o outro lado, através de um processo respeitoso para homenagear as vidas perdidas. 

O protagonista vivido por Kevin Bacon sente-se dividido por não ter voltado à guerra, mas ao mesmo tempo aliviado por todos os dias estar ao lado da esposa e dos filhos. A viagem com o corpo do soldado morto é uma forma de se sentir útil ao país novamente. 

O filme é extremamente curto e sensível, uma obra diferente sobre um tema espinhoso como a guerra.