sábado, 30 de setembro de 2017

Carrie Pilby

Carrie Pilby (Carrie Pilby, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Susan Johnson
Elenco – Bel Powley, Nathan Lane, Gabriel Byrne, William Moseley, Vanessa Bayer, Colin O’Donoghue, Jason Ritter, Desmin Borges, Poorna Jagannathan.

Em Nova York, Carrie Pilby (Bel Powley) é uma jovem com QI elevado que pulou etapas e foi para universidade ainda adolescente. Formada aos dezoito anos, Carrie ainda se mostra confusa pela ausência da mãe que faleceu há alguns anos e a distância do pai (Gabriel Byrne) que vive na Inglaterra. 

Solitária e desconfiada de todos, ela tenta superar seus traumas em consultas com um terapeuta (Nathan Lane). Ao mesmo tempo em que Carrie inicia novas amizades, vemos em flashbacks o trauma causado por sua relação com um professor mais velho (Colin O’Donoghue). 

Esta simpático drama independente foca nas dificuldades de relacionamento das pessoas que não se encaixam no esteriótipos da idade. Por ser diferente nos pensamentos, nas ideias e no QI, Carrie sofre para compreender os outros e também para ser compreendida. 

É interessante também a ideia do roteiro em mostrar que uma inteligência acima da média não é garantia de uma carreira de sucesso ou muito dinheiro. As vezes a pessoa coloca a felicidade simples em primeiro lugar. 

Finalizando, vale destacar a simpática interpretação da inglesa Bel Powley.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O Fio da Inocência & Violento e Profano


O Fio da Inocência (Felicia’s Journey, Canadá / Inglaterra, 1999) – Nota 6,5
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Bob Hoskins, Elaine Cassidy, Arsinée Khanjian, Peter McDonald, Gerald McSorley.

No interior da Irlanda, ao avisar o namorado que está grávida, a garota Felicia (Elaine Cassidy) descobre que o jovem está indo para Londres em busca de emprego. Ele não deixa o novo endereço e diz que entrará em contato logo. Humilhada pelo pai que não aceita a gravidez, Felicia decide seguir para Londres em busca do namorado. Na cidade grande, ela cruza o caminho de Joe Hilditch (Bob Hoskins), um chef administrador de uma empresa de cozinha industrial. A aparente bondade do sujeito esconde um perigoso segredo.

Este filme dirigido pelo egípcio Atom Egoyan começa como uma drama e na metade final se transforma num suspense no mínimo estranho. A ingênua personagem de Elaine Cassidy é manipulada pelo esquisito Bob Hoskins, que vê na garota uma semelhança com sua mãe (Arsinée Khanjian), que era uma famosa chef de cozinha na tv. As cenas em que o personagem de Hoskins assiste as fitas da mãe e vê a si próprio como criança são de uma tristeza enorme, sequências patéticas para um adulto. No meio de toda esta mistura, ainda surge a questão religiosa na parte final através de uma missionária maluca.

A carreira de Egoyan é irregular, considero como seu melhor filme o recente “MemóriasSecretas”, ótimo longa protagonizado pelos veteranos Christopher Plummer, Martin Landau e Bruno Ganz. Este "O Fio da Inocência" é estranho e no máximo razoável.

Violento e Profano (Nil by Mouth, Inglaterra / França, 1997) – Nota 6,5
Direção – Gary Oldman
Elenco – Ray Winstone, Kathy Burke, Charlie Creed Miles, Laila Morse, Jamie Foreman.

Único filme dirigido pelo ator Gary Oldman, este longa foca na vida de uma família de classe baixa que vive em Londres em meio as drogas, a bebida e a violência. Oldman se baseou na sua própria experiência de vida para contar esta trágica história. 

O protagonista é o violento Raymond (Ray Winstone), que vive com a esposa grávida (Kathy Burke), o cunhado drogado (Charlie Creed Miles) e sua sogra (Laila Morse). Não existe espaço para amor, afeto ou amizade, as relações são cruas. 

O roteiro escrito por Oldman retrata um mundo sem perspectivas, onde a bebida e as drogas são os escapes para as frustrações, chegando até o momento em que a violência explode em algumas cenas cruéis. Até mesmo a forma de falar é peculiar. Ouvimos um inglês repleto de palavrões e gírias, parecendo uma língua diferente. 

É um filme triste sobre uma realidade cruel. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Lilyhammer

Lilyhammer (Lilyhammer, Noruega / EUA, 2012 a 2014)
Criadores - Eilif Skodvin & Anne Bjornstad
Elenco - Steven Van Zandt, Trond Fausa, Steinar Sagen, Marian Saastad Ottesen, Fridtjov Saheim, Tommy Karlsen.

Em Nova York, após a morte de um chefão da Máfia, o sucessor decide eliminar um desafeto. Frank Tagliano (Steven Van Zandt) escapa da tentativa de assassinato e decide entregar seus antigo parceiros para o FBI. Em troca, ele exige uma nova vida em outro país.

O acordo é cumprido e Frank se muda para a pequena e gelada Lilyhammer na Noruega. Ele recebe uma nova identidade e passa a se chamar Giovanni Henriksen. Ao invés de tentar reconstruir sua vida de forma honesta, Frank utiliza os mesmos métodos da Máfia para ganhar dinheiro na pequena cidade.

A sensacional premissa é inspirada na famosa série "The Sopranos", em que Steven Van Zandt interpretava um mafioso coadjuvante dono de uma boate. Aqui, ele praticamente repete o papel. A série está repleta de citações a "The Sopranos", inclusive com pequenas participações de atores daquela série e um episódio em Nova York que pode ser considerado uma homenagem. Para quem não sabe, Steven Van Zandt na verdade é um músico que faz parte da banda que acompanha o cantor Bruce Springsteen há décadas.

A grande sacada da série é criar situações absurdas explorando o contraste entre o estilo de vida do mafioso, com os costumes e a cultura dos noruegueses. O roteiro deixa claro que existem picaretas e bandidos no mundo inteiro, basta procurar para encontrar estas figuras. Sobram piadas sobre imigrantes, empresários corruptos e policiais incompetentes.

O protagonista não demora para montar sua gangue. Por sinal, alguns coadjuvantes são engraçadíssimos e patéticos. Os parceiros de Frank são o confuso Torgeir (Trond Fausa), seu irmão gordinho Roar (Stainer Saigen) e um grupo de motoqueiros, sem contar o impagável assistente social Jan (Fridtjov Saheim). Frank ainda consegue uma namorada (Marian Saastad Ottesen), que a princípio não conhece o passado do novo amor.

A série tem três temporadas de oito episódios cada. A primeira e a segunda temporadas são extremamente divertidas. As histórias são criativas e bem amarradas. A série poderia ter parado por aí. Na última temporada o nível cai bastante. Fica a impressão de que os roteiristas não tinha mais ideias e acabaram criando histórias recortadas, inclusive com algumas sequências filmadas no Brasil.

Como curiosidade, esta foi a primeira série produzida pela Netflix.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Johnny & June

Johnny & June (Walk the Line, EUA / Alemanha, 2005) – Nota 8
Direção – James Mangold
Elenco – Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Dallas Roberts, Dan John Miller, Larry Bagby.

Ainda criança, o futuro astro da música Johnny Cash (Joaquin Phoenix) enfrentou a trágica morte do irmão, uma vida dura numa fazenda de plantação de algodão e o desprezo do pai (Robert Patrick). 

Na juventude ele se alista no exército e serve na Alemanha durante a Guerra da Coreia, sem jamais entrar em combate. Na volta, apaixonado pela música, Cash tenta a sorte em Memphis, dando início a uma grande carreira. 

O roteiro baseado no livro autobiográfico do cantor, foca em sua vida até seu casamento com June Carter (Reese Witherspoon) no final dos anos sessenta. Antes disso, o roteiro segue o início da carreira de Cash quando ele gravou e fez shows com lendas como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Roy Orbison, detalha seu casamento conturbado com Vivian (Ginnifer Goodwin) e seu vício em remédios. 

É uma biografia clássica que mostra os altos e baixos das vidas pessoal e profissional. Além da história, os destaques ficam para as ótimas interpretações de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, inclusive nas várias cenas de shows em que eles cantam. 

É um ótimo filme indicado para quem gosta de biografias e também para quem curte as músicas de Johnny Cash.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Free Fire

Free Fire (Free Fire, Inglaterra / França, 2016) – Nota 6,5
Direção – Ben Wheatley
Elenco – Cillian Murphy, Brie Larson, Sharlto Copley, Armie Hammer, Sam Riley, Michael Smiley, Enzo Cilenti, Babou Ceesay, Noah Taylor, Jack Reynor, Patrick Bergin.

Boston, 1978. Uma jovem (Brie Larson) e um intermediário (Armie Hammer) negociam um acordo de venda de armas clandestinas em um galpão abandonado. 

De um lado dois irlandeses ligados ao IRA (Cillian Murphy e Michael Smiley), do outro dois sul-africanos traficantes de armas (Sharlto Copley e Babou Ceesay). Os dois grupos levam ainda alguns ajudantes que acabam se desentendendo, dando início a uma verdadeira guerra dentro do local. 

O diretor inglês Ben Wheatley tem um certo cartaz com a crítica por causa dos estranhos e violentos “Kill List” e “Turistas”. Assisti e não gostei destes filmes. O que me fez conferir este novo trabalho foi o interessante elenco e a trama que busca inspiração nas obras de Tarantino, principalmente “Cães de Aluguel”. 

Para meu gosto, este filme é um pouco melhor que os trabalhos anteriores, principalmente pela curiosa premissa e pelos personagens excêntricos, mas infelizmente o roteiro bate em uma nota só, transformando o longa em um interminável tiroteio que cansa o espectador. 

Para quem gosta do estilo, o filme vai divertir principalmente na primeira metade.  

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Silêncio de Melinda

O Silêncio de Melinda (Speak, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Jessica Sharzer
Elenco – Kristen Stewart, Michael Angarano, Steve Zahn, Elizabeth Perkins, D. B. Sweeney, Robert John Burke, Allison Siko, Hallee Hirsh, Eric Lively.

Após ser violentada em uma festa, em seguida chamar a polícia, mas mesmo assim fugir com medo de denunciar o agressor, Melinda (Kristen Stewart) volta para o colégio alguns dias depois tendo de enfrentar o desprezo das amigas que não sabem da violência ocorrida. 

Solitária, Melinda se torna uma garota fechada, mal humorada e de poucas palavras. O trauma afeta também sua vida em família e seu desempenho escolar. Sua única motivação surge nas aulas de arte ministradas por um excêntrico professor (Steve Zahn). 

Baseado em um livro de sucesso, este longa tem como um dos pontos altos a forma sóbria como a triste história é contada. Esta escolha da diretora se casa perfeitamente com a interpretação contida de Kristen Stewart, que passa toda a sua frustração e tristeza através de olhares e poucas palavras. 

Os momentos de maior tensão surgem naturalmente, sem exageros. Além da questão da violência, o roteiro foca também no difícil relacionamento de amizade entre adolescentes, que muitas vezes gera desentendimentos e conflitos. 

É uma opção para quem gosta deste estilo de drama.   

domingo, 24 de setembro de 2017

Novo Mundo

Novo Mundo (Sinsegye, Coreia do Sul, 2013) – Nota 7,5
Direção – Hoon Jung Park
Elenco – Jung Jae Lee, Min Sik Choi, Jung Min Hwang, Sung Woong Park, Ji Hyo Song.

O chefão de uma quadrilha morre em um suspeito acidente de automóvel, abrindo espaço para uma disputa interna entre dois grupos. Um dos postulantes ao cargo é o agitado Jung Chung (Jung Min Hwang) que tem como braço-direito Lee Ja Sung (Jung Jae Lee). 

Considerado um sujeito racional dentro da organização, Lee esconde sua verdadeira identidade. Ele é um policial infiltrado que tem como único contato o Capitão Kang (Min Sik Choi de “Oldboy”). Querendo abandonar o trabalho, Lee é pressionado pelo Capitão a ajudá-lo a colocar Jung no comando da organização, para facilitar a ação da polícia. 

Como é comum aos filmes do gênero, algumas reviravoltas mudam completamente a situação. O ponto principal do longa é o roteiro que explora as brigas, mortes e traições entre os bandidos que disputam o posto mais alto da organização. 

As reviravoltas citadas são interessantes, porém o filme perde alguns pontos pela narrativa irregular. Algumas passagens também são lentas. No geral, é mais um bom filme policial sul-coreano.