sábado, 31 de outubro de 2015

Suburbia

Suburbia (SubUrbia, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Richard Linklater
Elenco – Giovanni Ribisi, Steve Zahn, Nicky Katt, Amie Carey, Jayce Bartok, Parker Posey, Dina Spybey, Ajay Naidu.

No subúrbio de Austin no Texas, um grupo de jovens se reúne todas as noites ao lado de uma loja de conveniência para passar o tempo e as vezes discutir com o comerciante Nazeer (Ajay Naidu).

Jeff (Giovanni Ribisi) é um inconformado com a vida suburbana, mas que não sabe como mudar seu caminho. Ele namora Sooze (Amy Carey), que planeja sair da cidade para começar nova vida. O grupo tem ainda a alcoólatra em recuperação Bee (Dina Spybey), o rebelde Tim (Nicki Katt) e o confuso Buff (Steve Zahn). 

Numa determinada noite, o grupo recebe a inesperada visita de Pony (Jayce Bartok), um amigo que se tornou roqueiro famoso. O reencontro desperta emoções como amargura e inveja entre os amigos, que terão uma madrugada inteira para discutir a amizade. 

Apesar de ser um trabalho quase esquecido do ótimo diretor Richard Linklater, este longa é interessante retrato sobre as dificuldades dos jovens em encontrar seu lugar na sociedade e sobre a consequente angústia pessoal. 

Como todos os filmes do diretor, a força do roteiro está no desenvolvimento dos complexos personagens e na enorme quantidade de diálogos. Por outro lado, diferente da maioria dos trabalhos de Linklater, que geralmente escreve seus roteiros, a história aqui foi escrita pelo ator Eric Bogosian, que alguns anos antes havia assinado o roteiro e protagonizado o ótimo “Talk Radio – Verdades que Matam” dirigido por Oliver Stone. 

Para quem gosta de dramas sobre juventude e do estilo de Linklater, este “Suburbia” é uma ótima opção. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Love and Mercy

Love and Mercy (Love and Mercy, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Bill Pohlad
Elenco – John Cusack, Paul Dano, Elizabeth Banks, Paul Giamatti, Erin Darke, Joanna Going, Jake Abel, Graham Rogers, Bill Camp.

No início dos anos sessenta, a banda de rock “The Beach Boys” chegou ao sucesso. Composta pelos três irmãos Wilson, pelo primo Mike Love e por Al Jardine, a banda tem como mente criativa Brian Wilson (Paul Dano), o irmão mais novo da família. 

Considerado um prodígio por tocar piano desde criança, compor e criar arranjos com facilidade, os irmãos e o pai, que foi empresário da banda, se interessam apenas pelas novas músicas que Brian possa criar, sem grandes preocupações com os problemas psicológicos que o jovem apresenta com o passar do tempo. 

Em paralelo, o roteiro avança no tempo e segue Brian (John Cuscak agora) nos anos oitenta, quando ele se apaixona pela vendedora de automóveis Melinda (Elizabeth Banks), mas sua vida está um caos. Ele vive dominado pelo psiquiatra Eugene Landry (Paul Giamatti), que se tornou seu tutor e o trata a base de remédios fortíssimos. 

O músico Brian Wilson é considerado quase um gênio por muitos críticos, ao mesmo tempo em que sua vida beirou o absurdo por vários anos. Estas insanidades provocadas por sua doença e pelas drogas, ao lado de seu talento musical, são os pontos principais do roteiro. 

Para os fãs da banda e de Wilson, as cenas de gravação do álbum “Pet Sounds” são perfeitas ao retratar a obsessão do músico pelos mínimos detalhes. Para o espectador comum, como eu, estes detalhes se mostram cansativos, assim como as várias sequências que mostram as “viagens mentais” do personagem, que parece um zumbi. 

Outro ponto que incomoda é a falta de informação sobre algumas situações. A mãe do personagem é citada, porém não aparece em sequência alguma, assim como suas filhas. Os irmãos e a ex-esposa são quase figurantes. Além disso, não é explicado como o psiquiatra interpretado por Paul Giamatti entrou na vida do músico. 

Apesar das boas atuações de Paul Dano, Elizabeth Banks e John Cusack, este último após vários papéis ruins nos últimos anos, fica a sensação de um filme que contou uma história picotada e sem emoção alguma.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

As Margens de um Crime

As Margens de um Crime (In the Electric Mist, EUA / França, 2009) – Nota 6,5
Direção – Bertrand Tavernier
Elenco – Tommy Lee Jones, John Goodman, Peter Sarsgaard, Mary Steenburgen, Kelly Macdonald, Justina Machado, Ned Beatty, James Gammon, Pruitt Taylor Vince, Levon Helm, Buddy Guy, Julio Cesar Cedillo, John Sayles, Gary Grubbs.

O corpo de uma garota é encontrado nos pântanos da Louisiana com marcas de tortura. O policial Dave Robicheaux (Tommy Lee Jones) é o encarregado da investigação. Seu suspeito principal é o mafioso Julie Balboni (John Goodman), que alega desconhecer a garota. 

No mesmo dia em que interroga Balboni, Dave cruza o caminho do ator Elrod Sykes (Peter Sarsgaard), que está dirigindo bêbado ao lado da namorada (Kelly Macdonald). Para se safar da prisão, Elrod conta para Dave que encontrou os restos mortais de um desconhecido enquanto estava filmando no pântano. A vítima estava acorrentada, o que faz com Dave acredite que seja o corpo de um caso em que ele foi testemunha quando criança. 

A interessante premissa que coloca em paralelo as investigações dos dois crimes cometidos com quarenta anos de diferença, perde força na direção frouxa do francês Bertrand Tarvernier, responsável por bons filmes como “A Isca” e “Por Volta da Meia-Noite”, mas que falha neste seu único longa americano. 

São vários personagens e situações que parecem não se encaixar, mesmo que no final exista uma explicação para os crimes. A narrativa fria e irregular é outro ponto negativo. 

Os destaques ficam para o sempre competente Tommy Lee Jones, para os belos cenários naturais da Louisiana e as curiosas participações do músico Buddy Guy e do diretor John Sayles.  

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Último Golpe

O Último Golpe (American Heist, EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Sarik Andreasyan
Elenco – Hayden Christensen, Adrien Brody, Jordana Brewster, Akon, Tory Kittles, Luis da Silva Jr.

Após cumprir dez anos de prisão por ter assassinado um policial, Frankie (Adrien Brody) procura seu irmão James (Hayden Christensen) com uma estranha proposta de trabalho. Mesmo desconfiado e com raiva do irmão por ter sido condenado a seis meses de cadeia como cúmplice, James aceita conhecer dois sujeitos (Tory Kittles e Akon) que estiveram na prisão com Frankie. Ingenuamente, James acompanha os sujeitos e novamente se torna cúmplice de um crime, sendo obrigado a participar de um golpe ainda mais perigoso. 

A competente parte técnica é pouco para segurar o filme. O roteiro totalmente previsível, os personagens clichês e o final absurdo comprometem o longa por completo. 

As interpretações são ruins, com Hayden Christensen inexpressivo como sempre e até o ótimo Adrien Brody exagerando na composição do malandro que sempre se dá mal. Nem mesmo o interesse romântico entre Christensen e Jordana Brewster funciona. 

O diretor armênio Sarik Andreasyan estreou muito mal em Hollywood.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O Exterminador do Futuro: Gênesis

O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Alan Taylor
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke, Jai Courtney, J. K. Simmons, Dayo Okeniyi, Matt Smith, Courtney B. Vance, Byung Hun Lee.

Pegue os quatros roteiros dos filmes anteriores da franquia, jogue em um liquidificador, bata em velocidade alta e o resultado será este acelerado longa. Não que isto seja ruim, o filme em si é eletrizante, tem cenas de ação de primeira, muita correria, perseguições e a trama mais complexa dos cinco filmes, porém ao final de sessão fica a sensação de que já havíamos assistido tudo aquilo nos anteriores. 

Fica até complicado comentar a trama repleta de idas e vindas no tempo. Basicamente, a história começa em 2029 quando os rebeldes liderados por John Connor (Jason Clark) estão prestes a derrotar a Skynet, porém para a vitória ser decisiva, será necessário que Kyle Reese (Jai Courtney) volte no tempo até 1984 para encontrar Sarah Connor (Emilia Clark). Ao chegar em 1984, Reese descobre que o mundo citado por John Connor é bem diferente do que ele realmente encontra. 

As várias sequências inspiradas nos filmes anteriores podem ser consideradas homenagens, como também podem ser vistas como reciclagem de ideias e falta de novidades. 

Para os mais jovens acostumados com franquias e que não assistiram no cinema os dois primeiros filmes, este novo longa agradará bastante, mas no meu caso, que assisti ao original no cinema quando era adolescente, saindo de olhos arregalados após a sessão, esta sequência pouco acrescenta. 

Finalizando, o destaque fica para o veterano Schwarzenegger como o envelhecido exterminador T-800. Apesar do vários sucessos que teve no cinema, este é o papel pelo qual ele será lembrado eternamente. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Aventuras Antigas - Resenhas Rápidas

Tesouro de Matecumbe (Treasure of Matecumbe, EUA, 1976) – Nota 7
Direção – Vincent McEveety
Elenco – Robert Foxworth, Joan Hacket, Peter Ustinov, Vic Morrow, Johnny Doran, Billy Attmore.

No Kentucky, após a Guerra Civil Americana, dois garotos (Johnny Doran e Billy Attmore) conseguem o mapa de um tesouro que estaria enterrado na ilha de Matecumbe na Flórida. Os dois iniciam uma perigosa viagem em busca do tesouro. Pelo caminho, eles cruzam com uma noiva (Joan Hacket) que fugiu do casamento e um vigarista (Robert Foxworth), que se juntam a eles na corrida pelo tesouro. Eles terão ainda de enfrentar índios hostis, uma estranha seita e um bandido (Vic Morrow) que também está atrás do tesouro. Esta divertida e inofensiva aventura da Disney foi reprisada dezenas de vezes na antiga Sessão da Tarde dos anos oitenta.

Goldie e o Pugilista (Goldie and the Boxer, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – David Miller
Elenco – O. J. Simpson, Melissa Michaelsen, Vincent Gardenia, Phil Silvers.

Joe (O. J. Simpson) é um soldado que após sair do exército se tornar sparring de um pugilista. Quando o pugilista morre, Joe se vê obrigado a cuidar da filha do sujeito, a garota Goldie (Melissa Michaelsen), ao mesmo tempo em que decide seguir a carreira de lutador. Este longa produzido para tv é outro clássico da Sessão da Tarde, que lembra um pouco o ótimo “O Campeão” de Franco Zeffirelli, que foi lançado no mesmo ano e fez muito mais sucesso. O longa rendeu uma continuação em 1981.

Robinson Crusoé ou Sexta-Feira (Man Friday, Inglaterra / EUA, 1975) – Nota 6
Direção – Jack Gold
Elenco – Peter O’Toole, Richard Roundtree.

Após sobreviver a um naufrágio, o inglês Robinson Crusoé (Peter O’Toole) se vê preso em uma remota ilha do Pacífico. Sua solidão é quebrada quando encontra um nativo (Richard Roundtree), que é batizado por ele como Sexta-Feira. Aos poucos, os dois homens criam uma amizade, porém a soberba de Crusoé, que acredita ser superior e tenta impor seus costumes e religião, cria um conflito entre os dois sujeitos. O filme até consegue transmitir um pouco da complexidade do relacionamento entre os personagens, porém sofre pelo ritmo irregular que deixa o longa um pouco cansativo.

A Grande Aventura (Olly, Olly, Oxen Free, EUA, 1978) – Nota 5
Direção – Richard A. Colla
Elenco – Katharine Hepburn, Kevin McKenzie, Dennis Dimster.

Dois garotos (Kevin McKenzie e Dennis Dimster) são acolhidos por uma excêntrica senhora (Katharine Hepburn), que é dona de um ferro velho e que planeja construir um balão para viajar pelo céu no dia em que seu falecido marido faria aniversário. É mais uma aventura totalmente inofensiva, produzida para as crianças ao estilo dos filmes da Disney das anos setenta. A curiosidade é a presença da veterana estrela Katharine Hepburn como protagonista. 

O Lobo do Mar (The Sea Wolf, EUA, 1993) – Nota 4
Direção – Gary McDonald
Elenco – Stacy Keach, Jaason Simmons, Alejandra Cruz, Stephen Davies, Mako.

Durante uma investigação marítima, o ambientalista Humphrey (Jaason Simmons) é atirado ao mar por tripulantes de um navio. Ele acaba resgatado por outro navio chamado “O Fantasma”. Jovem educado, Humphrey é obrigado a lidar com o complexo capitão Larsen (Stacy Keach), sujeito durão acostumado com a vida no mar. O famoso livro de Jack London já rendeu várias adaptações para o cinema, inclusive um clássico de 1941 com Edward G. Robinson. Esta versão para a TV é provavelmente a pior de todas.

domingo, 25 de outubro de 2015

Mama

Mama (Mama, Canadá / Espanha, 2013) – Nota 6
Direção – Andy Muschietti
Elenco – Jessica Chastain, Nikolaj Coster Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Daniel Kash.

Após um surto psicótico, o executivo Jeffrey (Nikolaj Coster Waldau) assassina seus sócios, volta para casa e mata sua ex-esposa. Ele foge de carro por uma estrada coberta de neve carregando as duas filhas de três e um ano. O carro desliza e sai da pista. Jeffrey tenta se esconder com as filhas em uma cabana na floresta, mas acaba sendo atacado por uma estranha entidade. 

Cinco anos depois, o irmão de Jeffrey, Luke (Nikolaj Coster Waldau novamente) continua procurando o irmão e as sobrinhas. Por incrível que pareça, dois caçadores encontram as meninas vivendo como animais na mesma cabana. Luke e sua namorada Annabel (Jessica Chastain) assumem a criação das meninas com a ajuda de um psiquiatra (Daniel Kash), sem saber que a entidade fantasma seguirá as crianças até  nova casa. 

Este longa produzido por Guillermo Del Toro é baseado num curta dirigido pelo mesmo Andy Muschietti, que reescreveu o roteiro resultando num terror apenas mediano. O roteiro não apresenta surpresas e falha em algumas soluções, colocando personagens em situações forçadas, como procurar respostas na floresta durante a noite. 

Talvez por já ter assistido filmes demais de terror, as cenas de suspense não me assustaram, nem mesmo as sequências dos ataques da entidade. Eu esperava mais, por isso a decepção.