segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Crimes em Primeiro Grau & O Diabo Veste Azul


Crimes em Primeiro Grau (High Crimes, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Carl Franklin
Elenco – Ashley Judd, Morgan Freeman, Jim Caviezel, Adam Scott, Amanda Peet, Bruce Davison, Tom Bower, Michael Gaston, Juan Carlos Hernandez, Emilio Rivero, Jude Ciccolella.

A advogada Claire Kubik (Ashley Judd) leva uma vida tranquila ao lado do marido Tom (Jim Caviezel), que trabalha como empreiteiro. Numa certa noite, sua casa é invadida e o ladrão foge. O fato deixa Tom extremamente preocupado, porém algo pior está para ocorrer. Pouco tempo depois, durante um passeio do casal, Tom é preso por agentes do FBI. Claire descobre que Tom na verdade é um militar que desertou e trocou de nome após uma operação secreta em que civis foram assassinados. Tom alega inocência em relação ao crime, mas confessa sua verdadeira identidade. Para tentar salvar o marido da prisão, Claire contrata Charles Grimes (Morgan Freeman), um advogado militar que está aposentado, mas que aceita retornar ao trabalho para defender o sujeito. 

A premissa do sujeito que esconde seu passado já foi explorada várias vezes no cinema, o que por si só tornaria o filme previsível. O roteiro até tenta criar suspense soltando pistas para deixar o espectador em dúvida sobre a culpa do sujeito durante o desenrolar da trama, porém o final decepciona. 

É um filme que prende a atenção, mas que falha por não apresentar nada de diferente em relação a obras similares. 

O Diabo Veste Azul (Devil In a Blue Dress, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Carl Franklin
Elenco – Denzel Washington, Tom Sizemore, Jennifer Beals, Don Cheadle, Maury Chaykin, Terry Kinney, Albert Hall.

Los Angeles, 1948. Ezekiel “Easy” Rawlins (Denzel Washington) é um veterano da Segunda Guerra que está em busca de trabalho. No bar de um amigo, Easy é apresentado a DeWitt Albright (Tom Sizemore), que trabalha para Todd Carter (Terry Kinney), futuro candidato a prefeito. DeWitt está procurando Daphne Monet (Jennifer Beals), que é noiva de Carter e que aparentemente está escondida no meio da comunidade negra da cidade. Como DeWitt é branco, ele acredita que o negro Easy teria maior facilidade em investigar. Easy aceita o trabalho, sem imaginar que está sendo envolvendo em uma perigosa trama que envolve policiais, criminosos e políticos corruptos. 

A trama de estilo de noir apresenta uma boa premissa, inclusive explorando o preconceito racial e criando uma competente reconstituição de época nos figurinos. O problema é a narrativa fria e irregular, com alguns momentos mortos. 

Além do habitual carisma de Denzel Washington, vale destacar a estrela de “Flashdance” Jennifer Beals como mulher fatal, em um dos seus poucos papéis de destaque na carreira, apesar dos muitos trabalhos que fez.

domingo, 2 de agosto de 2015

Hércules

Hércules (Hercules, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Brett Ratner
Elenco – Dwayne Johnson, Ian McShane, John Hurt, Rufus Sewell, Aksel Hennie, Ingrid Bolso Berdal, Reece Ritchie, Joseph Fiennes, Tobias Santelmann, Peter Mullan, Rebecca Ferguson, Joe Anderson.

Na Grécia Antiga, a lenda de Hércules (Dwayne Johnson) o descrevia como um imortal, filho de Zeus com uma humana e que completou doze trabalhos matando feras míticas. 

Neste contexto, Hércules e seus companheiros são procurados por uma princesa (Rebecca Ferguson) que deseja contratá-los para defender o reino de seu pai, Lord Cotys (John Hurt), que está sendo atacado pelo exército de Rhesus (Tobias Santelmann). Hércules aceita o trabalho, sem imaginar que a verdade sobre o conflito é bem diferente da versão que lhe foi contada. 

A proposta do filme de Brettt Ratner foi humanizar o mito, transformando o personagem em um guerreiro mercenário de carne e osso. A escolha foi acertada, assim como filmar as cenas de algumas batalhas com dublês no mano a mano, ao estilo dos filmes antigos do gênero. Estas cenas de batalhas são o ponto alto do filme. Rattner dá uma escorregada apenas na sequência final, quando exagera na dose do CGI. 

Vale destacar ainda Dwayne Johnson à vontade como o herói e o veterano Ian McShane como um misto de guerreiro e oráculo, além de ser o narrador da história. 

Eu esperava uma aventura vazia, mas tive uma surpresa agradável. Mesmo não sendo uma grande obra, o filme é competente ao que se propõe e diverte sem ferir a inteligência do espectador.

sábado, 1 de agosto de 2015

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (I, Frankenstein, Austrália / EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Stuart Beattie
Elenco – Aaron Eckhart, Bill Nighy, Yvonne Strahovski, Miranda Otto, Jai Courtney, Socratis Otto, Aden Young.

Após se arrepender ter criado um monstro (Aaron Eckhart), o Dr. Victor Frankenstein (Aden Young) tenta destruí-lo sem sucesso. O monstro se vinga assassinando a esposa do criador, que também morre ao persegui-lo por uma região inóspita e gelada. 

Ao enterrar seu criador, o monstro é atacado por demônios e salvo por gárgulas, que na realidade são anjos. A líder dos gárgulas, Leonore (Miranda Otto), convida o monstro a se juntar a eles na luta contra os demônios, o que ele não aceita.  Duzentos anos depois, no mundo atual, o monstro ainda vive e se torna alvo de Naberius (Bill Nighy), que comanda os demônios e que deseja descobrir a fórmula para ressuscitar os mortos. 

Esta modernização da história clássica de Frankenstein se perde em meio a um roteiro fraco e ao excesso de CGI. A trama é apenas um detalhe para uma explosão de efeitos especiais. É o tipo de filme em que falta vida, tudo parece falso e os personagens são caricatos. É difícil gostar de um filme em que os efeitos especiais são o único destaque.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Cidadão Sob Custódia & Sob Suspeita


Cidadão Sob Custódia (Garde a Vue, França, 1981) – Nota 8
Direção – Claude Miller
Elenco – Lino Ventura, Michel Serrault, Romy Schneider, Guy Marchand.

Paris, véspera de Ano Novo. O inspetor de polícia Gallien (Lino Ventura) recebe na delegacia o advogado Emile Martinaud (Michel Serrault), que alguns dias antes, encontrou em um parque o corpo de uma menina que fora estuprada e estrangulada. Tratado a princípio como testemunha, o arrogante advogado demonstra um ar de superioridade, principalmente em relação a outro policial, o bruto Belmont (Guy Marchand). 

Aos poucos, Gallien apresenta contradições no depoimento de Martinaud e evidências de que o advogado esteve próximo do local de um brutal assassinato de outra menina. A situação fica ainda mais complicada para o advogado quando entra em cena sua bela esposa Chantal (Romy Schneider). 

Tendo como ponto alto o embate entre os personagens do inspetor e do advogado, este longa tem um belo roteiro que deixa o espectador em dúvida por quase todo o filme, até o final que se mostra simples e cruel ao mesmo tempo. 

Vale destacar o ótimo elenco, com Lino Ventura que fez “O Segredo da Cosa Nostra” ao lado de Charles Bronson, o francês Michel Serrault, famoso por interpretar o transformista Albin no original “A Gaiola das Loucas”, além da beleza da austríaca Romy Schneider, a eterna “Sissi, a Imperatriz”.

Sob Suspeita (Under Suspicion, França / EUA, 2000) – Nota 7
Direção – Stephen Hopkins
Elenco – Gene Hackman, Morgan Freeman, Thomas Jane, Monica Bellucci.

Em San Juan, Porto Rico, Henry Heast (Gene Hackman) é um bem sucedido advogado que leva uma vida de luxo e tem um jovem esposa, a bela Chantal (Monica Bellucci). Na noite que antecede uma festa em que Henry será um dos convidados principais, ele é chamado pelo chefe de polícia Victor Benezet (Morgan Freeman) para finalizar seu depoimento como testemunha no caso de uma jovem encontrada morta. A conversa que começa aparentemente amistosa, se transforma em um interrogatório conforme o depoimento de Henry é confrontado com as suspeitas de Benezet, que aos poucos descobre segredos do sujeito. 

Esta refilmagem do longa francês “Cidadão Sob Custódia”, tem como ponto principal o embate intelectual entre os personagens de Hackman e Freeman, muito bem auxiliados por Thomas Jane como um rude policial e uma voluptuosa Monica Bellucci. 

Apesar de ser inferior ao original e ter alguns momentos irregulares, o resultado é um interessante longa ao estilo de um teatro filmado.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Doador de Memórias

O Doador de Memórias (The Giver, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Phillip Noyce
Elenco – Jeff Bridges, Meryl Streep, Brenton Thwaites, Alexander Skarsgard, Katie Holmes, Odeya Rush, Cameron Monaghan, Taylor Swift, Emma Tremblay.

Após o caos que se abateu sobre a Terra, uma nova sociedade emergiu. A nova geração vive sob o controle de um grupo de anciões liderados por Elder (Meryl Streep), que prega uma vida igual para todos, sem emoções e por consequência sem conflitos. 

Para manter as pessoas sem emoções, diariamente elas recebem uma injeção imaginando ser algum tipo de vitamina. Sem emoções, as pessoas não conseguem ver cores, não podem se tocar e nem mesmo questionar a situação. 

Neste contexto, quando os jovens terminam o colégio, Elder faz a designação de trabalho para cada um deles. Quando Jonas (Brenton Thwaites) é escolhido para ser o “recebedor de memórias”, tudo muda. Jonas se torna aluno do antigo “recebedor” (Jeff Bridges), a única pessoa que tem o dom de guardar todas as memórias do mundo antes do caos. Conforme Jonas começa a descobrir como era o mundo antigo, seu lado questionador vem à tona. 

Este longa une duas vertentes do cinema atual voltadas para o público jovem: Ficção científica e best seller adolescente. A premissa recicla ideias de filmes como “A Vida em Preto e Branco”, “1984” e vários outros longas futuristas sobre sociedades totalitárias. 

Infelizmente, a tentativa do diretor australiano Phillip Noyce em criar sequências com simbolismos falha. A narrativa se mostra frouxa e algumas cenas são desconexas e sem explicação, principalmente na parte final, quando o personagem principal decide desbravar o resto do mundo. 

As presenças de Meryl Streep e Jeff Bridges tentam um dar algo a mais ao filme, o que funciona apenas na interpretação de Bridges como o desiludido ancião que guarda as memórias. 

Basicamente é um filme com uma bela produção e um ótimo cuidado visual, porém genérico na história e até piegas em alguns momentos.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Need For Speed

Need For Speed (Need For Speed, EUA / França / Inglaterra / Filipinas, 2014) – Nota 6
Direção – Scott Waugh
Elenco – Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots, Michael Keaton, Scott Mescudi, Rami Malek, Ramon Rodriguez, Harrison Gilbertson.

Tobey Marshall (Aaron Paul) é um piloto de corridas clandestinas que tem uma oficina mecânica com um grupo de amigos especializados em equipar carros de corrida. Passando por grande dificuldade financeira, Tobey aceita a proposta de um rival, o arrogante Dino Brewster (Dominic Cooper), que deseja restaurar um carro clássico que valerá uma fortuna numa provável venda. Uma aposta entre Tobey e Dino termina em tragédia, com o primeiro sendo condenado injustamente. Ao sair da cadeia, Tobey deseja vingança. 

Baseado em um game de sucesso, este longa é uma colcha de retalhos que recicla ideias de filmes como a série “Velozes e Furiosos”, de “Agarra-em se Puderes”, sucesso nos anos setenta com Burt Reynolds e até do clássico “Corrida Contra o Destino”, principalmente pelo papel de Michael Keaton, que é uma espécie de homenagem ao radialista interpretada por Cleavon Little naquele filme. Por sinal, em relação ao elenco, Michael Keaton é o único destaque.

É basicamente um produto para a geração atual que gosta de carros tunados, com sequências de perseguições do início ao fim, um roteiro requentado e diálogos constrangedores. 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Dose Dupla

Dose Dupla (2 Guns, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Denzel Washington, Mark Wahlberg, Paula Patton, Edward James Olmos, Bill Paxton, Robert John Burke, James Marsden, Fred Ward.

Bobby (Denzel Washington) e Stig (Mark Wahlberg) são parceiros que estão intermediando uma compra de cocaína com o traficante mexicano Papi Greco (Edward James Olmos). Quando Papi se mostra relutante em fechar o negócio, a dupla decide lucrar de outra forma. Eles planejam assaltar um banco de uma pequena cidade mexicana onde o traficante supostamente guarda sua fortuna. Os dois picaretas se conhecem há poucos meses e não imaginam que o outro é um agente disfarçado. Bobby é um detetive da narcóticos, enquanto Stig é um investigador da marinha. 

Baseado em uma história em quadrinhos, este longa tem algumas ideias interessantes, como mostrar que não existe pessoa totalmente honesta e os divertidos diálogos que resultam em uma ótima química entre a dupla de protagonistas. 

Infelizmente, o filme perde pontos por ficar em cima do muro entre ser uma trama séria de tráfico ou uma comédia policial. O diretor ainda escolhe dar ênfase as cenas de ação e violência, deixando a desejar no desenvolvimento da trama. A sequência final no rancho no deserto mexicano é exagerada, típica dos filmes em que o diretor quer resolver tudo de uma só vez. 

No final, fica a sensação de que o resultado poderia ser bem melhor.