sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sem Segurança Nenhuma

Sem Segurança Nenhuma (Safety Not Guaranteed, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Colin Trevorrow
Elenco – Aubrey Plaza, Mark Duplass, Jake Johnson, Karan Soni, Jenice Bergere, Kristen Bell, Jeff Garlin, Mary Lynn Rajskub.

Corre na internet uma história sobre um jornalista que teria publicado em 1997 como piada e uma espécie de pesquisa maluca, um anúncio dizendo que procurava um parceiro para uma viagem no tempo. Dizem que até hoje o sujeito recebe correspondências sobre o assunto na caixa postal que ele divulgou no anúncio. Partindo desta história, o desconhecido roteirista Derek Connolly escreveu o roteiro deste simpático longa, que a princípio pode parecer uma comédia idiota, mas que no desenrolar da trama se revela uma história bem mais profunda do que aparenta. 

A protagonista da trama é a jovem Darius (Aubrey Plaza de “Tá Rindo do Que?”), uma tímida estagiária que trabalha numa revista e acaba se interessando em participar de uma matéria sobre o tal anúncio que fica a cargo do jornalista Jeff (Jake Johnson), um sujeito cínico e mulherengo que na verdade pretende encontrar um velho amor da época de colégio que mora na cidade onde foi postado o anúncio da viagem no tempo. Junto com a dupla segue o estagiário Arnau (Karan Soni), um nerd de origem indiana que tem grande dificuldade em se comunicar. 

Chegando no local, eles descobrem que o homem do anúncio é Kenneth (Mark Duplass), um sujeito paranóico que trabalha num supermercado. Logo, Darius se aproxima de Kenneth para ganhar sua confiança e acaba criando um forte ligação com ele, descobrindo que os dois tem várias coisas em comum. 

O bom roteiro é valorizado pelo elenco, a jovem Aubrey Plaza acerta no tom da personagem que é ao mesmo tempo triste, tímida e sincera, criando um tipo de humor diferente, que em alguns momentos lembra a “Juno” de Ellen Page do filme homônimo. O desconhecido Mark Duplass está bem como o sujeito meio maluco e Jake Johnson como o cínico que no fundo procura o amor. 

Esta produção é mais um exemplo de como o cinema independente é importante no cenário atual e muito mais original que a maioria das grandes produções.    

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Bombas - Atores Famosos, Filmes Ruins - Parte III

Os quatro filmes que comento aqui além de serem ruins, são obras praticamente esquecidas. Cada um destes filmes podem ser considerados um grande erro na carreira dos envolvidos.

Diabolique (Diabolique, EUA, 1996) – Nota 5
Direção – Jeremiah Chechik
Elenco – Sharon Stone, Isabelle Adjani, Chazz Palminteri, Kathy Bates, Spalding Gray, Allen Garfield, Adam Hann Byrd, Donal Logue.

Numa escola no interior dos Estados Undidos, o diretor Guy Baran (Chaz Palminteri) é casado com Mia (Isabelle Adjani), a quem humilha sem piedade na frente de outras pessoas. Para piorar, Guy tem um caso com uma professora da escola, Nicole (Sharon Stone), que também não está feliz com o modo como é tratada pelo amante. Por incrível que pareça, esposa e amante se unem para matar o sujeito. Uma investigadora (Kathy Bates) é designada para investigar o caso, que começa a ficar ainda mais estranho quando o corpo da vítima desaparece. 

Este longa é uma refilmagem do clássico francês “As Diabólicas” de Henry George Clouzot, filme que ainda não assisti. Mesmo sem ter como comparar, fica claro a fragilidade desta versão, muito pelo roteiro e a fraca direção, que entrega uma narrativa frouxa com sequências de suspense previsível, além da péssima interpretação da bela Isabelle Adjani, que passa o filme inteiro com expressão de assustada. Mesmo com Sharon Stone no auge da beleza e as presenças de competentes coadjuvantes como Chazz Palminteri e Kathy Bathes, o longa não se sustenta.

Momento do Destino (A Time of Destiny, EUA, 1988) – Nota 5
Direção – Gregory Nava
Elenco – William Hurt, Timothy Hutton, Melissa Leo, Francisco Rabal, Concha Hidalgo, Megan Follows, Frederick Coffin, Stockard Channing.

O jovem Jack (Timothy Hutton) namora Josie (Melissa Leo), filha de imigrantes bascos que não aceitam o rapaz. Quando ele é convocado para lutar na Segunda Guerra, Josie o procura para se despedir e acaba perseguida pelo pai (Francisco Rabal) que morre em um acidente. Inconformado com a morte do pai, Martin (William Hurt), o irmão de Josie, planeja como vingança matar o cunhado nos campos de batalha da Itália. 

Este dramalhão dirigido por Gregory Nava (“Selena”) é inspirado numa ópera de Verdi, porém se perde no roteiro ralo e nas fracas interpretações, até mesmo de bons atores como Wiliam Hurt e Timothy Hutton. O resultado foi um merecido fracasso. 

O 4º Anjo (The Fourth Angel, Inglaterra / Canadá, 2001) – Nota 5
Direção – John Irvin
Elenco – Jeremy Irons, Forest Whitaker, Charlotte Rampling, Jason Priestley, Brionny Glassco, Lois Maxwell, Ian McNeice.

O jornalista Jack Elgin (Jeremy Irons) trabalha demais e até mesmo as férias são planejadas de acordo com sua vida profissional. Ele decide passar as férias na Índia com as esposa e os três filhos (duas garotas e um menino) para passear e também trabalhar em um matéria para seu jornal. Uma inesperada situação ocorre quando o avião em que eles viajam é sequestrado e sua esposa e as duas filhas acabam assassinadas. Jack fica revoltado quando dois dos terroristas são soltos por uma manobra política e assim decide fazer justiça com as próprias mãos. 

Não existe bom ator que salve um longa com roteiro ruim nas mãos de diretor sem talento. Jeremy Irons e Forest Whitaker até tentam passar credibilidade a história, que a partir da metade se transforma num filme de espionagem sobre vingança apresentando uma trama totalmente inverossímil, chegando até uma absurda sequência final. 

A única curiosidade é ver a falecida atriz Lois Maxwell em um papel diferente da Miss Moneypenny que tantas vezes interpretou nos filmes de 007. 

Trauma (Trauma, Inglaterra, 2004) – Nota 5,5
Direção – Marc Evans
Elenco – Colin Firth, Mena Suvari, Naomie Harris, Kenneth Cranham, Tommy Flanagan, Brenda Fricker.

Numa noite chuvosa, Ben (Colin Firth) sofre um acidente de automóvel onde morre sua esposa Elisa (Naomie Harris). Ao acordar do coma após o acidente, Ben tenta se recuperar do trauma, primeiro procurando o psiquiatra que o atendia quando criança após ele perder os pais, depois mudando de apartamento e ainda procurando o velho amigo Tommy (Tommy Flanagan) para trabalhar. Extremamente abalado, ele começa a ter visões da esposa morta e após fazer amizade com uma vizinha (Mena Suvari) e visitar uma vidente (Brenda Fricker), tudo fica ainda mais complicado, pois ele passa a acreditar que possa ter assassinado uma famosa cantora que foi encontrada morta no mesmo dia do seu acidente e com quem sua esposa trabalhava. 

O longa tem um roteiro que tenta surpreender o espectador mostrando aos poucos o que realmente aconteceu naquele dia, porém a história é confusa, com pelo menos duas reviravoltas forçadas. Além disso, as cenas de alucinação do personagem de Colin Firth não convencem. 

A história do sujeito sem memória que pode ser um assassino, já foi contada de forma bem melhor em outras oportunidades. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Os Infratores

Os Infratores (Lawless, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – John Hillcoat
Elenco – Shia LaBeouf, Tom Hardy, Jason Clark, Gary Oldman, Guy Pearce, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Dane DeHaan.

Em 1931, na comunidade rural de Franklyn na Virginia, os irmãos Bondurant vivem da fabricação de bebida ilegal e carregam a lenda de serem imortais. O mais velho é o calado Forrest (Tom Hardy), um veterano da 1º Guerra Mundial que foi o único sobrevivente de seu batalhão. O irmão do meio é o esquentado Howard (Jason Clark), que sobreviveu à Gripe Espanhola e o caçula é Jack (Shia LaBeouf), que é o protegido dos irmãos. Quando um promotor corrupto envia o agente Charlie Rakes (Guy Pearce) para cobrar um taxa de todos os fabricantes de bebida, os irmãos Bondurant se negam a pagar a extorsão, fato que dá início a uma violenta disputa ente eles. 

Baseado numa curiosa história real que ficou famosa em virtude da lenda sobre a imortalidade dos irmãos, o longa do diretor australiano John Hillcoat (“A Estrada”) foca principalmente na violência, com cenas fortes de espancamentos, brigas, tiroteiros e mortes. O diretor segue o estilo dos filmes de gângster, com um resultado que lembra os trabalhos de Howard Hawks, lógico que sem o mesmo talento do mestre e com uma violência mais explícita. 

Um ponto interessante é que o roteiro foi escrito pelo roqueiro australiano Nick Cave, parceiro do diretor em outros dois filmes. O elenco é irregular, com Shia LaBeouf dando conta do recado e o veterano Gary Oldman bem num pequeno papel, enquanto Tom Hardy parece preso a um personagem duro demais e Guy Pearce criando um vilão afetado e exagerado. Estes pequenos detalhe não diminuem a qualidade deste bom filme.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Caixa

A Caixa (The Box, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Richard Kelly
Elenco – Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, James Rebhorn, Holmes Osborne, Sam Oz Stone, Celia Weston.

Virginia, 1976, o casal Norma (Cameron Diaz) e Arthur (James Marsden) vive com o filho pré-adolescente Walter (Sam Oz Scott) em uma casa no subúrbio. Norma é uma corretora de imóveis e Arthur trabalha como cientista na Nasa, tendo a esperança de ser aprovado para se tornar astronauta. 

Num certo dia, alguém deixa um pacote na porta do casal e desaparece. Norma abre o pacote e descobre uma estranha caixa e um bilhete dizendo que alguém virá visitá-los no dia seguinte em determinado horário. No horário marcado, Norma recebe um sujeito com o rosto deformado que se apresenta como Arlington Steward (Frank Langella) que faz uma estranha proposta: A caixa tem um botão que ser for apertado alguém morrerá e quem apertar o botão receberá um milhão de dólares em dinheiro. O sujeito mostra o dinheiro e diz que a Norma terá um dia para decidir o que fazer. Se ela desistir, ele fará a proposta para outra pessoa. A cabeça de Norma entra em parafuso, enquanto o marido Arthur pensa que aquilo deve ser um trote de amigos. 

Esta instigante premissa é baseada num conto de Richard Matheson, escritor conhecido por histórias de terror, ficção e suspense e colaborador do antigo seriado “Além da Imaginação”, que por sinal já utilizou este conto em um episódio da série nos anos oitenta. 

Se o início deixa o espectador curioso, o desenrolar da trama decepciona. O que aparentava ser um suspense misturado com conspiração, se torna uma trama fria e pretensiosa, que mistura frases de efeito (Sartre é citado), filosofia barata e sequências sem explicação, até um final forte, mas ao mesmo tempo exagerado. 

O diretor Richard Kelly parece que não consegue se livrar das amarras do sensacional “Donnie Darko”, que ao invés de partir para projetos com estilo diferente, deixa a impressão de que deseja sempre criar algo cult e filosófico. Kelly errou feio no péssimo “Southland Tales” e aqui mesmo conseguindo um resultado melhor, ainda fica longe de comprovar o talento que parecia ter. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Um Barco e Nove Destinos

Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, EUA, 1944) – Nota 8
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Tallulah Bankhead, William Bendix, Walter Slezak, John Hodiak, Mary Anderson, Henry Hull, Hume Cronyn, Canada Lee, Heather Angel.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um navio de passageiros é atacado por um submarino alemão e os poucos sobreviventes ficam a deriva em um barco. 

Entre os sobreviventes estão um cínica jornalista (Tallulah Bankhead), um milionário (Henry Hull), quatro tripulantes do navio (William Bendix, John Hodiak, Hume Cronyn e Canada Lee), uma enfermeira (Mary Anderson) e uma mãe (Heather Angel) com um bebê. Este grupo heterogêneo de pessoas terá de lidar ainda com a presença do capitão do submarino alemão que afundou após o ataque (Walter Slezak). 

A pouca comida e água, a falta de uma bússola, uma tempestade, as diferenças de pensamento entre o grupo e a desconfiança com o alemão são os ingredientes para análise do comportamento de pessoas comuns em situação de risco. 

O grande acerto de Hitchcock, que se baseou num livro de John Steinbeck, foi criar personagens próximos da realidade, que sofrem com a situação, mas não tentam resolvê-la através de heroísmo ou cenas absurdas. Hitchcock procurou enfatizar o lado humano de cada personagem, com erros e acertos, sendo que até mesmo um ato de violência não é pré-determinado, mas sim consequência de uma gama de situações que explodem em certo momento. 

O longa ganha pontos ainda por ser o primeiro, ou pelo menos um dos primeiros a utilizar um único cenário em todo o filme e manter a atenção do espectador, sendo que Hitchcock explora com o talento usual o pequeno espaço para contar várias histórias e ainda criar uma ótima cena de tempestade. 

Apenas dois fatos hoje incomodam um pouco. Apesar da personagem de Tallulah Bankhead ser perfeita em seu cinismo, em algumas partes ela aparenta estar arrumada demais para quem esteve num naufrágio. Logo no início do longa, um dos personagens cita o fato, porém até quase na parte final ela ainda aparece com o cabelo sedoso e arrumado. 

O segundo ponto é a clara escolha do roteiro em transformar a história numa propaganda política contra os nazistas. Mesmo o ator Walter Slezak tendo uma boa interpretação, a ruindade do sujeito é exagerada. Esta situação pode ser relevada pelo fato do longa ter sido filmado no meio do conflito, onde o “esforço americano” para demonizar os nazistas era enorme. 

No geral é um ótimo drama, com algumas boas cenas de ação e personagens bem construídos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Três Enterros

Três Enterros (The Three Burials of Melquiades Estrada, EUA / França, 2005) – Nota 7,5
Direção – Tommy Lee Jones
Elenco – Tommy Lee Jones, Barry Pepper, Júlio César Cedillo, Dwight Yoakam, January Jones, Melissa Leo, Levon Helm, Mel Rodriguez, Vanessa Bauche.

Logo de início sabemos que Melquiades Estrada (Júlio César Cedillo) foi assassinado com um tiro. Aos poucos, o roteiro monta o quebra-cabeças do que realmente ocorreu com o pacato Melquiades, um imigrante mexicano ilegal que trabalhava em uma fazenda no Texas e tinha como melhor amigo o vaqueiro Pete Perkins (Tommy Lee Jones). 

A morte do amigo faz com que Pete pressione a polícia, principalmente o xerife Belmont (o cantor country Dwight Yoakam) para descobrir quem é o assassino, porém o sujeito não liga a mínima para a morte do imigrante. A situação faz com que Pete decida resolver a situação por conta própria, em virtude ter feito uma promessa para o amigo. 

A estreia do ator Tommy Lee Jones na direção de um longa para o cinema resultou num drama sobre amizade, família e preconceito contra imigrantes, tudo valorizado pelo roteiro do mexicano Guillermo Arriaga, colaborador habitual do diretor Alejandro Gonzalez Iñarritu. 

Sem apelar para o estilo hollywoodiano, Jones alterna sequências no dias atuais com flashbacks, para mostrar a jornada de um sujeito simples que busca conhecer as raízes do amigo e por consequência analisar sua própria vida. 

Além da ótima atuação de Jones, vale destacar Barry Pepper como o preconceituoso policial da fronteira, a bela January Jones como a esposa frustrada de Pepper e Melissa Leo como a garçonete amante de Jones. 

Outro ponto positivo é a bela fotografia de Chris Menges (Oscar por “A Missão”), que capta a beleza natural do deserto na fronteira entre México e Estados Unidos.  

domingo, 27 de janeiro de 2013

A Grande Arte e Bufo & Spallanzani


A Grande Arte (Exposure, Brasil / Estados Unidos, 1991) – Nota 6,5
Direção – Walter Salles
Elenco – Peter Coyote, Tcheky Karyo, Amanda Pays, Raul Cortez, Giulia Gam, Eduardo Conde, Raul Ruiz, Miguel Angel Fuentes, Cassia Kiss, Tony Tornado, Tonico Pereira.

O fotógrafo americano Peter Mandrake (Peter Coyote) chega ao Rio de Janeiro com a namorada Mariet (Amanda Pays) com o objetivo de fazer um livro de fotos sobre a cidade. Durante o trabalho, ele se aproxima da prostituta Gisela (Giulia Gam) que acaba assassinada. Para piorar, sua namorada é violentada. Em busca de vingança, Peter decide aprender o manuseio de facas com o francês Hermes (Tcheky Karyo) e passa a investigar os dois casos, situação que o levará a Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. 

Baseado num romance de Ruben Fonseca, este filme marcou a estreia de Walter Salles na direção de um longa de ficção e apesar de ter chamado a atenção por ser uma co-produção americana e pelo elenco internacional, o filme fica aquém do esperado. O roteiro apresenta algumas soluções confusas e a narrativa não empolga, deixando o filme com cara de produção policial para tv. 

É uma pena, a premissa tinha potencial para um resultado bem melhor.

Bufo & Spallanzani (Brasil, 2001) – Nota 7
Direção – Flávio R. Tambellini
Elenco – José Mayer, Tony Ramos, Isabel Guéron, Zezé Polessa, Gracindo Júnior, Maitê Proença, Matheus Nachtergaele, Juca de Oliveira, Milton Gonçalves, Dirce Migliaccio.

Uma mulher (Maitê Proença) é assassinada dentro de um carro. O detetive responsável pelo caso é Guedes (Tony Ramos), que logo descobre que ela era esposa de um empresário do ramo de seguros, o canalha Eugênio Delamare (Gracindo Júnior). Em seguida, Guedes é procurado pelo escritor Gustavo Flávio (José Mayer) que confessa ser amante da mulher assassinada e que diz ter medo de ser assassinado também, pois tem certeza que a mulher foi morta a mando do marido que sabia do affair. Em paralelo, a trama volta alguns anos quando o investigador de seguros Ivan Canabrava (José Mayer também) descobre um golpe milionário na empresa de Delamare e passa a correr perigo pelo fato. 

Baseado num livro de Ruben Fonseca, este longa marcou a estreia na direção de Flávio R. Tambellini, filho do também diretor Flávio Tambellini, responsável por filmes produzidos nos anos setenta, como o policial “A Extorsão”. O diretor novato consegue criar um clima de suspense com as idas e vindas da história, mesmo com um roteiro que falha em alguns momentos, principalmente na solução da trama. 

Vale destacar no elenco a atuação de José Mayer, da bela e desinibida Isabel Guerón e até de Tony Ramos, que cria um polícia honesto e mostra que é bom ator, pena que na maioria do tempo desperdice seu talento trabalhando em novelas. 

O resultado é um interessante longa policial, com uma trama complexa e bons personagens.