quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Estranho

O Estranho (The Stranger, EUA, 1946) – Nota 6,5
Direção – Orson Welles
Elenco – Edward G. Robinson, Loretta Young, Orson Welles, Philip Merivale, Richard Long, Konstantin Shayne.

Wilson (Edward G. Robinson) é um agente do governo que investiga o paradeiro de criminosos de guerra foragidos. Uma pista o leva até o alemão Konrad Melnike (Konstantin Shayne), que fora companheiro do criminoso nazista Franz Kindler. 

Melnik se tornou missionário e ao chegar nos Estados Unidos segue para uma pequena cidade de Connecticut com o objetivo de visitar o professor Charles Rankin (Orson Welles), que está prestes a casar com a jovem Mary (Loretta Young). Wilson desconfia que Rankin na verdade seja o nazista Kindler. 

Apesar dos elogios da crítica, principalmente por ser um trabalho de Orson Welles, este longa envelheceu bastante no formato e nas interpretações, com exceção do ótimo Edward G. Robinson. As atuações de Orson Welles e Loretta Young são exageradamente dramáticas. As cenas de violência são ingênuas, inclusive o final na torre do relógio. 

É um filme que vale como curiosidade para o cinéfilo que curte obras antigas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Hereditário

Hereditário (Hereditary, EUA, 2018) – Nota 7,5
Direção – Ari Aster
Elenco – Alex Wolff, Toni Collette, Gabriel Byrne, Milly Shapiro, Ann Dowd.

Após a morte da mãe, Annie (Toni Collette) tenta seguir a vida com o marido Steve (Gabriel Byrne) e o casal de filhos adolescentes Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro). 

A família vive em uma belíssima casa em um local afastado. A dificuldade em superar o luto aumenta na medida em que a garota Charlie passa a ter atitudes estranhas. Uma sequência de situações bizarras transforma a vida da família em um inferno. 

Os pontos altos deste longa são o criativo roteiro escrito pelo diretor estreante Ari Aster e a crescente tensão que resulta em uma clima assustador. Por mais que a história termine de forma estranha, existe uma explicação para toda a loucura. 

Os destaques do elenco ficam para as interpretações de Alex Wolff, que se mostra quase catatônico em algumas sequências e de Toni Collette, que aos poucos vai perdendo a razão. 

É um bom filme de suspense e terror que dá um novo gás ao gênero.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Os Olhos de Julia

Os Olhos de Julia (Los Ojos de Julia, Espanha, 2010) – Nota 6,5
Direção – Guillem Morales
Elenco – Belén Rueda, Lluís Homar, Pablo Derqui, Francesc Orella, Joan Dalmau, Boris Ruiz, Dani Codina.

Julia (Belén Rueda) se desespera ao descobrir que sua irmã gêmea Sara cometeu suicídio. A irmã sofria de uma doença degenerativa ocular, mas mesmo assim não demonstrava que queria morrer. 

Não acreditando na história e também sofrendo da mesma doença da irmã, Julia tenta convencer o marido (Lluís Homar) a investigar o aparente suicídio. 

Mesmo sem o aval do marido, Julia vasculha a vida da irmã e passa a acreditar que ela fora assassinada por um desconhecido. Não demora para ela mesma acreditar que está sendo vigiada. 

Nos últimos anos, o cinema espanhol entregou alguns ótimos longas de suspense assinados por Oriol Paulo. Este que comento foi seu primeiro roteiro para o cinema, porém ficou um pouco abaixo dos trabalhos seguintes como “El Cuerpo” e “Contratiempo”. 

Mesmo com uma surpresa revelada na parte final, situação habitual em seus roteiros, o desenrolar da trama deixa um pouco a desejar, explorando um estilo de sustos e perseguições nas sombras que lembram os filmes B de suspense produzidos nos Estados Unidos. 

Deixando esta questão de lado e relevando alguns absurdos, o filme prende a atenção do espectador que gosta do gênero.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Green Book: O Guia

Green Book: O Guia (Green Book, EUA, 2018) – Nota 8
Direção – Peter Farrelly
Elenco – Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, Sebastian Maniscalco, Dimiter D. Marinov, Mike Hatton, Don Stark.

Nova York, 1962. Tony “Lip” Vallelonga (Viggo Mortensen) trabalha como chefe de segurança na famosa boate Copacabana. Quando o local fecha as portas por algum tempo para reforma, Tony recebe a proposta para trabalhar como motorista do famoso pianista Dr. Don Shirley (Mahershala Ali). 

O problema é que o músico fará uma turnê pelo sul dos EUA, local onde os negros ainda eram tratados com grande preconceito. Deixando de lado seus próprios preconceitos e precisando de dinheiro, Tony aceita a proposta para ser uma mistura de motorista e segurança. É o início de uma inusitada amizade. 

Especialista em comédias escrachadas, o diretor Peter Farrelly consegue de forma surpreendente achar o tom certo para contar esta história real sem abusar das piadas infames ou cair na armadilha do vitimismo tão comum na atualidade. 

O roteiro escrito pelo também cineasta Nick Vallelonga, filho do personagem real Tony Vallelonga, mostra que o preconceito existe em todas as classes sociais e etnias. O personagem vivido por Mahershala Ali é tratado com desprezo pelos negros que o vêem como alguém que quer ser branco e por outro lado os brancos aceitam o pianista apenas por causa de seu talento. 

O personagem bruto de Viggo Mortensen acaba se mostrando muito mais realista e humano do que parecia a princípio. O filme ganha pontos também por mostrar como a amizade derruba barreiras. 

O resultado é um sensível longa com uma abordagem sóbria para um tema extremamente complicado.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

O Ídolo

O Ídolo (Ya Tayr el Tayer, Palestina / Inglaterra / Qatar / Holanda / Egito / Emirados Árabes Unidos, 2015) – Nota 7
Direção – Hany Abu Assad
Elenco – Tawfeek Barhom, Qais Attalah, Hiba Attalah, Teya Hussein, Dima Awawdeh.

Faixa de Gaza, 2005. O garoto Mohammed Assaf (Qais Attalah), sua irmã Nour (Hiba Attalah) e mais dois amigos formam um banda que luta para conseguir instrumentos para tocar em pequenos eventos. Um triste acontecimento afasta Mohammed do sonho de se tornar cantor. 

A trama pula para 2012, quando Mohammed (agora vivido por Tawfeek Barhom) está trabalhando como motorista de táxi. Cansado da vida sem perspectivas, ele decide participar do famoso programa de tv "Arab Idol”. 

Além da dificuldade da disputa, sua luta começa para conseguir sair da região e chegar até o Cairo no Egito, local onde acontecerão as primeiras audições para o show. 

Baseado na história real do jovem palestino que conseguiu vencer o programa musical em 2013, este longa de Hany Abu Assad (do ótimo "Paradise Now" e do fraco “Depois Daquela Montanha”) apresenta erros e acertos. 

O diretor acerta na escolha do protagonista, que tem uma ótima voz e que lembra o verdadeiro Mohammed Assaf e também na primeira parte do longa que foca na infância do protagonista. As crianças tem um bom desempenho e a história apesar de triste mostra bem a realidade da vida na Faixa de Gaza. 

O filme perde alguns pontos na segunda parte ao exagerar algumas situações, como a forma utilizada pelo protagonista para conseguir participar da audição. 

É uma história de superação e talento nato, que entrega algumas cenas emocionantes.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Outside In & Conflitos em Família


Outside In (Outside In, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Lynn Shelton
Elenco – Edie Falco, Jay Duplass, Kaitlyn Dever, Ben Schwartz, Charles Leggett, Eryn Rea.

Após cumprir uma pena de vinte anos na prisão, Chris (Jay Duplass) consegue a liberdade com ajuda de sua ex-professora Carol (Edie Falco). Ele volta para a pequena cidade onde vivia e tenta se reintegrar à sociedade.

A dificuldade em conseguir emprego e a paixão que ele sente por Carol são obstáculos a serem enfrentados. Enquanto isso, a própria Carol sofre com um casamento falido e com a difícil relação com a filha adolescente (Kaitlyn Dever).

Apesar do ritmo lento e da sensação de que pouca coisa acontece, o longa tem a seu favor a forma sensível como a diretora Lynn Shelton desenvolve a narrativa.

Esqueça os filmes em que ex-presidiários voltam ao crime, o foco aqui é mostrar as dificuldades que o protagonista tem em se readaptar a um mundo completamente diferente do que ele conhecia, além é claro do desafio em criar novas laços de amizade e reatar os antigos. O roteiro também oferece uma explicação para o crime que levou o protagonista para prisão.

É basicamente um filme independente indicado para quem gosta de dramas sobre relacionamento.

Conflitos em Família (Landline, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Gillian Robespierre
Elenco – Jenny Slate, Edie Falco, John Turturro, Abby Quinn, Jay Duplass, Finn Wittrock.

Manhattan, 1995. Dana (Jenny Slate) está noiva de Ben (Jay Duplass), porém fica dividida ao reencontrar um antigo amor da universidade (Finn Wittrock). Sua irmã adolescente Ali (Abby Quinn) está na fase de odiar os pais, usando drogas e transando para mostrar um rebeldia sem sentido. Os pais (Edie Falco e John Turturro) precisam lidar também com o desgaste do próprio casamento. 

A diretora Gillian Robespierre explora esta ciranda de crises de relacionamento de uma forma totalmente parcial. Enquanto a traição feminina é mostrada como um deslize de alguém numa fase complicada, a infidelidade masculina é tratada como algo imperdoável. Esta diferença de tratamento deixa o longa com cara de obra panfletária em prol do feminismo. 

O longa ganha alguns pontos pelas boas interpretações do elenco, com destaque para a espevitada e pouco conhecida Jenny Slate. 

O resultado é no máximo mediano.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Nancy

Nancy (Nancy, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Christina Choe
Elenco – Andrea Riseborough, Steve Buscemi, J. Cameron Smith, Ann Dowd, John Leguizamo.

Nancy Freeman (Andrea Riseborough) mora com a mãe (Ann Dowd) que sofre de Parkinson. O péssimo relacionamento com a velha senhora transformou Nancy em uma pessoa estranha, que mente para esconder seus problemas. 

Após ver uma reportagem na tv sobre um casal (J. Cameron Smith e Steve Buscemi) que teve a filha desaparecida sem pistas há trinta anos, Nancy passa a acreditar ser a garota que foi raptada quando tinha apenas cinco anos de idade. Ela procura o casal, que a princípio se divide. Enquanto a mãe acredita em Nancy, o pai fica cheio de dúvidas. 

Este drama de baixo orçamento escrito pela diretora estreante em longas Christina Choe explora personagens sofridos em situações extremas. O inimaginável sofrimento de não saber o paradeiro da filha faz com que os pais desconfiem de todos e também renovem as esperanças com cada nova pista que surja. 

O outro lado da moeda é a jovem complicada que usa esse desespero para tentar resolver seus próprios problemas emocionais e a falta de uma família estruturada. 

O roteiro não apresenta surpresas e o ritmo é lento. O que pode despertar o interesse do espectador é a relação que nasce entre a protagonista e o sofrido casal.

O resultado é um drama mediano.