terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Os Últimos Dias & Cargo


Os Últimos Dias (Los Últimos Dias, Espanha / França, 2013) – Nota 7
Direção – David & Alex Pastor
Elenco – Quim Gutiérrez, Jose Coronado, Marta Etura, Leticia Dolera, Mikel Iglesias, Ivan Massagué.

Barcelona, 2013. Uma estranha epidemia levou o mundo a uma espécie de apocalipse, com várias pessoas presas dentro de um edifício comercial. O jovem Marc (Quim Gutiérrez) deseja sair do local para procurar sua noiva (Marta Etura), a quem não vê desde que começou a epidemia. Ele se junta ao veterano Enrique (Jose Coronado), que também deseja encontrar alguém em meio ao caos. Em flashbacks vemos o que realmente ocorreu no mundo e os detalhes da relação de Marc com sua noiva.

Os irmãos David e Alex Pastor estrearam no cinema com outro longa apocalíptico chamado “Vírus”, porém inferior a este que comento aqui. O roteiro deste “Os Últimos Dias” é bem melhor trabalhado, desenvolvendo de forma interessante a história e criando um passado importante para os protagonistas. A causa da epidemia também é bastante criativa, bem diferente dos filmes do gênero.

O longa tem ainda competentes cenas de ação e suspense, além de uma boa produção, com exceção dos fracos especiais especiais em uma determinada sequência com fogo.

É um bom filme indicado para quem gosta do gênero.

Cargo (Cargo, Austrália, 2017) – Nota 6
Direção – Ben Howling & Yolanda Ramke
Elenco – Martin Freeman, Anthony Hayes, Susie Porter, Caren Pistorius, Kris McQuade, Simone Landers.

O casal Andy (Martin Freeman) e Kay (Susan Porter) viajam com sua bebê Rosie em uma espécie de barco/casa por um rio no interior da Austrália. Logo, descobrimos que o mundo vive um apocalipse zumbi, em que pessoas que são infectadas tem apenas quarenta e oito horas de vida. Um determinado fato obriga o casal a sair do barco e seguir pela estrada para chegar até um hospital, tendo de enfrentar os perigos do novo mundo. 

Explorando a temática atual dos filmes com zumbis, este longa australiano se divide entre a violência e o drama familiar, além de inserir costumes aborígenes no meio da trama através da participação da garotinha Thoomi (Simone Landers) e de um grupo de caçadores de zumbis. 

Infelizmente a narrativa é arrastada e algumas situação são mal explicadas. Além disso, as poucas cenas de ação são fracas. De positivo temos algumas sequências um pouco mais emotivas relacionadas ao bebê e a paisagem ensolarada do deserto australiana. 

É um produção da Netflix que deixa a desejar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

A Sala de Fermat

A Sala de Fermat (La Habitación de Fermat, Espanha, 2007) – Nota 7,5
Direção – Luis Piedrahita & Rodrigo Sopeña
Elenco – Alejo Sauras, Elena Ballesteros, Lluís Homar, Santi Millan, Federico Luppi.

Quatro matemáticos (três homens e uma mulher) são convidados para uma reunião em uma velha fábrica isolada. Eles receberam o convite pelo correio e um crachá com um apelido, não podendo revelar suas verdadeiras identidades. 

Algum após chegaram na fábrica aparece o anfitrião que diz se chamar Fermat (Federico Luppi). Para surpresa geral, antes de Fermat dizer qual enigma o grupo terá de resolver, ele recebe um telefonema e os abandona na sala. Em seguida os quatro convidados percebem que estão presos no local. 

Este criativo longa espanhol explora enigmas matemáticos para criar suspense. Mesmo sem saber o porquê, os convidados precisam utilizar seu talento matemático para resolver problemas complexos e assim escapar da armadilha. O roteiro vai entregando pequenas pistas para o espectador tentar montar o quebra-cabeça junto com os personagens. 

É basicamente um criativo filme B de suspense.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Esperança e Glória

Esperança e Glória (Hope and Glory, Inglaterra / EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – John Boorman
Elenco – Sebastian Rice Edwards, Sarah Miles, David Hayman, Sammi Davis, Derrick O’Connor, Susan Woolbridge, Geraldine Muir, Jean Marc Barr, Ian Bannen, Annie Leon.

Londres, 1939. A Inglaterra declara guerra contra Alemanha. O garoto Billy (Sebastian Rice Edwards) tenta seguir uma vida normal com os amigos, mesmo após seu pai (David Hayman) se alistar no exército. 

Ao lado da mãe (Sarah Miles), da irmã caçula (Geraldine Muir) e da irmã adolescente (Sammi Davis), aos poucos Billy se torna testemunha das casas destruídas pelos bombardeios e do sofrimento de vizinhos que perderam parentes na guerra. 

O diretor John Boorman se baseou em sua experiência pessoal quando crianças para escrever o roteiro deste longa que tenta mostrar a guerra pelos olhos de um pré-adolescente. Pelo alemães jamais terem chegado em terra na Inglaterra, as crianças viam a ruínas da guerra como um terreno a ser explorado, não imaginando que houvesse um inimigo real. 

Boorman desenvolve a narrativa com pitadas normais de drama, mas também com bom humor e até cenas engraçadas, principalmente quando entra em cena o avô vivido por Ian Bannen. 

É um filme de guerra que foge do lugar comum, com uma visão diferente da vida de pessoas comuns durante o conflito.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Coisas que Perdemos Pelo Caminho

Coisas que Perdemos Pelo Caminho (Things We Lost in the Fire, EUA / Inglaterra / Canadá, 2007) – Nota 7,5
Direção – Susanne Bier
Elenco – Halle Berry, Benicio Del Toro, David Duchovny, John Carroll Lynch, Alexis Llewellyn, Micah Berry, Alison Lohman, Robin Weigert, Omar Benson Miller.

Brian (David Duchovny) e Audrey (Halle Berry) levam um vida feliz ao lado do casal de filhos (Alexis Llewellyn e Micah Berry). Quando Brian é assassinado em uma discussão na rua, o mundo da família desaba. 

Perdida, Audrey acaba se aproximando de um antigo amigo de infância do marido. Jerry (Benicio Del Toro) é um ex-advogado viciado em drogas que sofre para se reabilitar. 

O filme pode ser definido em duas palavras: luto e luta. Viúva e viciado criam uma complicada relação de apoio e ao mesmo tempo de cobranças, principalmente por parte dela, que sentia ciúmes da amizade do marido com o drogado. 

Por mais que o longa tenha alguns momentos pesados e outros emotivos, a diretora Susanne Bier consegue um equilíbrio na narrativa sem apelar para os exageros comuns ao gênero. 

O roteiro explora também as reações das crianças em consequência da perda do pai. 

É ao mesmo tempo uma história triste e de esperança, daquelas em que os personagens precisam enfrentar seu destino para seguir em frente.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Adeus Christopher Robin & Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível


Adeus Christopher Robin (Goodbye Christopher Robin, Inglaterra, 2017) – Nota 7
Direção – Simon Curtis
Elenco – Domhnall Gleeson, Margot Robbie, Will Tilston, Kelly Macdonald, Alex Lawther, Stephen Campbell Moore.

Após lutar na Primeira Guerra Mundial, o escritor Alan Milne (Domhnall Gleeson) volta para casa traumatizado. Ele perdeu a vontade de escrever peças e sofre por querer retratar em livro os horrores da guerra. O casamento com Daphne (Margot Robbie) e o nascimento do filho Christopher Robin (Will Tilston) não ajudam Alan, que decide se mudar com a família de Londres para uma casa no campo. 

Uma crise com Daphne que o abandona e volta para Londres e a viagem da babá (Kelly Macdonald) obrigam Alan a cuidar de Christopher por alguns dias. O relacionamento que era distante entre pai e filho se estreita e Alan tem a ideia de criar uma história infantil utilizando brinquedos do filho como personagens. 

Baseado na história real da criação da turma do Ursinho Pooh, este longa explora de forma sensível questões como o trauma de guerra e a relação entre pais e filhos na época, além de detalhar a difícil vida do verdadeiro Christopher Robin, que aqui é interpretado por dois atores. 

Na primeira parte o personagem tem oito anos de idade, sendo vivido de forma espontânea por Will Tilston. Apesar da narrativa ser um pouco irregular nesta fase, as relações dramáticas e também lúdicas, principalmente entre o garoto e sua babá são os pontos principais. 

A dramaticidade aumenta um pouco na parte final, porém ao mesmo tempo perde pontos pela fraca interpretação de Alex Lawther como o jovem Christopher Robin. Provavelmente por isso esta fase na vida do personagem é mostrada de forma rápida, acredito até mesmo que cenas do ator tenham sido cortadas. 

É um filme indicado para quem gosta de dramas e também quem quiser saber como o Ursinho Pooh foi criado.  

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin, EUA, 2018) – Nota 6,5
Direção – Marc Forster
Elenco – Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss, Jim Cummings, Brad Garrett, Peter Capaldi, Sophie Okonedo, Toby Jones.

Quando criança, Christopher Robin brincava na floresta com o Ursinho Pooh e seus amigos. Agora adulto, Christopher (Ewan McGregor) dedica quase todo seu tempo para o emprego, deixando sua esposa (Hayley Atwell) e filha (Bronte Carmichael) em segundo plano. 

No mesmo final de semana em que precisa analisar um corte de custos para evitar que seus funcionários sejam dispensados pelo dono da empresa, ele recebe a inesperada visita de Pooh, que pede ajuda para encontrar seus amigos que desapareceram. Mesmo a contragosto, Christopher decide ajudar o antigo amigo. 

Diferente da versão de 2017 que era voltada para o drama e focava no criador dos personagens que era o pai de Christopher Robin, este novo longa escolhe o caminho da fábula. O roteiro explora as mudanças de comportamento, arrependimento e crise familiar que será contornada com ajuda de um agente externo. 

Eu esperava algo mais complexo. São vários clichês em meio a situações infantis. Por mais que a produção seja caprichada e a interação entre humanos e os animais bem realistas, o longa acabará agradando mais as crianças e as pessoas que desejam algo inofensivo e esquecível. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Frank e o Robô

Frank e o Robô (Robot & Frank, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Jake Schreier
Elenco – Frank Langella, Peter Sarsgaard, Susan Sarandon, James Marsden, Liv Tyler, Jeremy Strong, Jeremy Sisto, Ana Gasteyer, Katherine Waterston, Bonnie Bentley.

Em um futuro próximo, Frank (Frank Langella) é um idoso que foi ladrão na juventude e que hoje vive solitário numa casa na região rural de uma pequena cidade. 

Cansado por ter de viajar semanalmente para visitar o pai, Hunter (James Marsden) compra um robô (voz de Peter Sarsgaard) para cuidar do velho, que aos poucos demonstra problemas de esquecimento. 

A princípio Frank não quer aceitar a ajuda, até ele descobrir que o robô pode ir além de fazer comida ou limpar a casa. Ele decide ensinar o robô a abrir fechaduras e o transforma em parceiro para cometer roubos na cidade. 

O criativo roteiro mistura ficção, policial, pitadas de comédia e até drama familiar neste interessante longa. A questão da solidão e dos problemas da terceira idade são mostradas de forma sensível, assim como a bizarra relação de amizade que nasce entre o protagonista e o robô. 

O roteiro critica também a questão do excesso de tecnologia através da velha biblioteca pública que é digitalizada e termina tratada como um museu. 

O ótimo Frank Langella está perfeito como o sujeito que começa a sentir que está perdendo o controle de sua vida e que precisa aproveitar os últimos momentos de lucidez, mesmo que suas atitudes passem longe da honestidade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A Cordilheira

A Cordilheira (La Cordillera, Argentina / França / Espanha, 2017) – Nota 7
Direção – Santiago Mitre
Elenco – Ricardo Darin, Dolores Fonzi, Erica Rivas, Daniel Gimenez Cacho, Christian Slater, Paulina Garcia, Gerardo Romano, Leonardo Franco, Elena Anaya.

Hernan Blanco (Ricardo Darin) é o presidente argentino que passa por um momento decisivo no cargo. Visto como um sujeito que não se arrisca, ele precisará tomar decisões complexas durante o encontro dos países da América do Sul em um resort no Chile. Os países pretendem criar uma aliança para extração de petróleo na região. 

Ao mesmo tempo em que é pressionado de um lado para apoiar o Brasil e de outro pelo presidente do México (Daniel Gimenez Cacho) para ajudar os EUA, Blanco precisa resolver o problema com sua filha (Dolores Fonzi) que sofre de problemas psicológicos e com o ex-marido dela que ameaça entregar para a imprensa a história de uma grande desvio de dinheiro do seu partido. 

Além dos conchavos dos bastidores da política que são detalhados pelo roteiro, outro ponto interessante é como vem à tona a verdadeira face do protagonista vivido por Ricardo Darin, que no início se mostra um sujeito de poucas falas e aparente submissão. 

Algumas situações do roteiro são claramente inspiradas na realidade política da América do Sul. Vale destacar ainda a pequena, mas importante participação de Christian Slater como um lobista trabalhando para o governo americano de forma clandestina. 

Apesar das críticas ruins, em parte pela história não ter exatamente um final, o filme é extremamente interessante para quem acompanha política internacional.