terça-feira, 7 de agosto de 2018

À Queima Roupa

À Queima Roupa (À Bout Portant, França, 2010) – Nota 7
Direção – Fred Cavayé
Elenco – Gilles Lellouche, Roschdy Zem, Gerard Lanvin, Elena Anaya, Mireille Perrier, Claire Perot.

Dois ladrões são perseguidos pela polícia, sendo que um deles (Roschdy Zem) é baleado, enquanto o outro consegue fugir. O sujeito chamado Hugo sobrevive ao tiro, mas fica detido no quarto do hospital. Logo, um desconhecido tenta matar o bandido, mas termina impedido pelo enfermeiro Samuel (Gilles Lellouche) que salva o paciente. 

No dia seguinte, a esposa de Samuel (Elena Anaya) é sequestrada e um bandido exige que o enfermeiro tire Hugo do hospital antes que a polícia o leve para a cadeia. É o início de uma corrida desesperada de Samuel para salvar a esposa. 

Nos últimos anos o cinema francês se especializou em filmes de ação e suspense que copiam o modelo hollywoodiano. Este longa é um exemplo que prende a atenção do início ao fim. O roteiro tem alguns furos e vários exageros que são compensados pelo ritmo ágil e pelas boas cenas de ação. 

O astro Gilles Lellouche e o diretor Fred Cavayé repetiram a dose no um pouco inferior “Mea Culpa”, que tem ainda Vincent Lindon no elenco. 

Para quem gosta de uma diversão agitada e passageira, este filme é uma boa opção.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Estrangeiro

O Estrangeiro (The Foreigner, Inglaterra / China / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Jackie Chan, Pierce Brosnan, Michael McElhatton, Charlie Murphy, Orla Brady.

Um atentado terrorista em Londres cometido por uma dissidência do IRA (Exército Republicano Irlandês) deixa como uma das vítimas a filha do imigrante chinês Quan (Jackie Chan). 

Após perceber que a polícia não tem pistas sobre os autores do atentado, Quan entra em contato com o Primeiro Ministro Irlandês Liam Hennessy (Pierce Brosnan), que é um ex-combatente do IRA que costurou a paz com os ingleses. 

Sem conseguir a ajuda do Ministro pelo telefone, Quan decide ir até Belfast, capital da Irlanda do Norte, para pressionar o sujeito pessoalmente e assim buscar vingança pela morte da filha. 

Mesmo com algumas boas cenas de brigas, esqueça os filmes de lutas acrobáticas de Jackie Chan, o foco principal aqui é um drama sobre terrorismo e vingança. 

O diretor neozelandês Martin Campbell utiliza sua experiências em filmes de James Bond (“007 Contra Goldeneye” e “007 Cassino Royale”) para criar boas cenas de ação e suspense, além de uma narrativa ágil que explora uma complexa trama política por trás do atentado. 

Aos sessenta e três anos, o astro Jackie Chan ainda dá conta do recado em algumas criativas cenas de brigas, lógico que sem as loucuras que costumava inventar anos atrás. Sua interpretação também é correta como o sujeito de poucas palavras que carrega um passado trágico. 

O longa é uma agradável surpresa.

domingo, 5 de agosto de 2018

O Lenço Amarelo

O Lenço Amarelo (The Yellow Handkerchief, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Udayan Prasad
Elenco – William Hurt, Maria Bello, Kristen Stewart, Eddie Redmayne.

Numa pequena cidade da Louisiana, Brett (William Hurt) é libertado após cumprir cinco anos de prisão. 

Ao parar em uma lanchonete, ele faz amizade com a jovem Martine (Kristen Stewart), que por seu lado deseja chegar até New Orleans e para isso aceita carona do falante Gordy (Eddie Redmayne). 

Como Brett deseja reencontrar sua ex-esposa (Maria Bello), o trio se junta para seguir viagem. O desconhecidos aos poucos revelam suas alegrias, tristezas, frustrações e sonhos. 

Este simpático road movie tem como ponto alto o desenvolvimento dos personagens. O trio de viajantes tenta seguir a vida da melhor forma possível, mesmo carregando traumas. 

A narrativa ainda explora flashbacks para detalhar a vida do personagem de William Hurt antes da prisão através de sua relação com a ex-mulher. 

É basicamente um drama independente sobre pessoas comuns enfrentando as dificuldades da vida.

sábado, 4 de agosto de 2018

Bomb City

Bomb City (Bomb City, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Jameson Brooks
Elenco – Dave Davis, Glenn Morshower, Logan Huffman, Lorelei Linklater, Eddie Hassell, Henry Knotts, Luke Shelton.

Amarillo, Texas, 1997. Após viver algum tempo em Nova York, o jovem Brian (Dave Davis) volta para a cidade e reencontra seus amigos que curtem o movimento punk. 

Vistos como inimigos pelos jovens de classe média, principalmente os jogadores de futebol colegial da cidade, aos poucos a tensão entre os grupos aumenta, chegando até um inevitável e violento confronto. 

Baseado numa história real, este longa segue duas narrativas. A principal mostra a escalada da tensão entre os jovens e a secundária foca em um julgamento que é consequência do conflito. 

É interessante conferir o filme sem saber toda a história, pois os detalhes do julgamento não deixam claro quem são o réu e a vítima até próximo do final. 

O roteiro explora a questão do preconceito em relação a quem não se encaixa nas “regras do sistema”. 

É um filme simples, violento em alguns momentos e que vai direto ao tema sem rodeios.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Terra de Paixões & Segredos Imperdoáveis


Terra de Paixões (The Hi-Lo Country, EUA, 1998) – Nota 6
Direção – Stephen Frears
Elenco – Woody Harrelson, Billy Crudup, Patricia Arquette, Cole Hauser, Penelope Cruz, Sam Elliott, John Diehl, Darren Burrows, Jacob Vargas, Enrique Castillo, James Gammon, Katy Jurado, Lane Smith.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os amigos Pete (Billy Crudup) e Big Boy (Woody Harrelson) voltam para a pequena cidade de Hi-Lo no Texas. Grande parte das terras da região pertencem ao fazendeiro Jim Ed Love (Sam Elliott). Mesmo assim, os amigos preferem trabalhar em suas terras, sem prestar conta a Jim Ed. 

A forte amizade fica abalada quando Big Boy se envolve com a bela Mona (Patricia Arquette), por quem Pete é apaixonado. Para complicar ainda mais a situação, Mona é casada com o violento capataz de Jim Ed, Les (John Diehl). 

Esta escolha do diretor inglês Stephen Frears em levar às telas uma obra tipicamente americana com os pés nos antigos westerns resulta num longa arrastado que lembra uma novela. Os conflitos causados pelo triângulo amoroso e também pela questão das terras em momento algum empolgam. O filme ganha pontos pela bela fotografia e as atuações de Woody Harrelson e Sam Elliott. 

É um filme no máximo razoável.

Segredos Imperdoáveis (The Locusts, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – John Patrick Kelley
Elenco – Vince Vaughn, Jeremy Davies, Kate Capshaw, Ashley Judd, Paul Rudd, Daniel Meyer, Jessica Capshaw.

Anos cinquenta, interior do Kansas. O jovem Clay (Vince Vaughn) é um andarilho que viaja de carona com o objetivo de chegar na Califórnia. Precisando de dinheiro, ele consegue emprego na fazenda da viúva Mrs. Potts (Jessica Capshaw). 

Enquanto aprende o serviço, Clay faz amizade com o filho da mulher, o garoto Flyboy (Jeremy Davies), que ficou internado por anos em uma instituição psiquiátrica após a morte do pai e que hoje vive sob a sombra da mãe. Clay se envolve com a jovem Kitty (Ashley Judd) e ainda precisa administrar as investidas da manipuladora Mrs. Potts. 

A premissa deste drama lembra os westerns em que um estranho chega a uma pequena cidade e muda a vida dos moradores. O personagem de Vince Vaughn é o catalisador das mudanças e principalmente o responsável por desenterrar segredos que criam um conflito familiar. 

O filme perde pontos pelas interpretações ruins de Jeremy Davies e Kate Capshaw. O ator exagera no tom da timidez e insegurança do personagem, enquanto a atriz não convence ao tentar mostrar força e sensualidade. 

É um drama irregular, que pode agradar o cinéfilo menos exigente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Juventudes Roubadas

Juventudes Roubadas (Testament of Youth, Inglaterra / Dinamarca, 2014) – Nota 6
Direção – James Kent
Elenco – Alicia Vikander, Taron Egerton, Colin Morgan, Kit Harington, Dominic West, Emily Watson, Joana Scanlan, Miranda Richardson, Nicholas Farrell.

Inglaterra, 1914. A jovem Vera Brittain (Alicia Vikander) deseja estudar na Universidade de Oxford, mas precisa convencer seu pai (Dominic Weston). Com a ajuda do irmão Edward (Taron Egerton), Vera consegue dobrar o pai e assim fazer a prova para entrar na Universidade. 

Mesmo sabendo que um amigo de sua família chamado Victor (Colin Morgan) está apaixonado por ela, Vera abre seu coração para Roland (Kit Harington), que também estuda em Oxford. Assim que explode a Primeira Guerra Mundial, os jovens são enviados para o front, enquanto Vera decide trabalhar como enfermeira para ajudar os feridos. 

Baseado em um livro autobiográfico de Vera Brittain, este longa é um exemplo de uma história muito melhor do que o filme. A complexa história de vida da protagonista é contada através de uma narrativa arrastada. O foco principal do roteiro é o romance que toma praticamente toda primeira parte do longa. 

Quando começa a guerra, o longa se torna uma drama que explora o sofrimento da protagonista ajudando os feridos e na distância do amado e do irmão. Não existem sequências de ação, a guerra é mostrada em rápidas cenas com os soldados apenas nas trincheiras. O grande destaque fica para a caprichada reconstituição de época. 

É um filme que pode agradar quem curte histórias sobre sofrimento por amor. O cinéfilo que deseja algo mais consistente vai se decepcionar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O Sentido do Fim

O Sentido do Fim (The Sense of an Ending, Inglaterra, 2017) – Nota 7
Direção – Ritesh Batra
Elenco – Jim Broadbent, Charlotte Rampling, Harriet Walker, Michelle Dockery, Matthew Goode, Emily Mortimer, James Wilby, Edward Holcroft, Billy Howle, Freya Mavor, Joe Alwyn.

Tony Webster (Jim Broadbent) é surpreendido ao receber uma correspondência informando que um antigo amigo que acabou de falecer deixou para ele um diário. 

O problema é que a irmã do amigo chamada Veronica (Charlotte Rampling) se nega a entregar o diário. Extremamente curioso em saber o porquê da “herança”, Tony tenta se reaproximar de Veronica, com quem teve um breve relacionamento na juventude. 

A busca pelo objeto faz com que ele relembre fatos importantes da juventude, amizades e até mesmo o relacionamento com sua ex-esposa (Harriet Walker) e com sua filha que está grávida (Michelle Dockery). 

O roteiro que é baseado em um livro, tem como ponto principal a forma como manipulamos nossas lembranças. O protagonista conta sua história de acordo com seu interesse ou da forma que acredita ser verdadeira, ou seja, sua versão dos fatos vai se modificando com o passar do anos. É uma mistura de realidade com memória afetiva. O roteiro aos poucos confronta a versão do protagonista com a verdade do passado através de flashbacks. 

A simpática atuação do veterano Jim Broadbent ajuda bastante. Ele constrói um personagem que em determinado momento precisa aceitar que cometeu erros que mudaram sua vida e a de pessoas ao seu redor. 

É um bom drama apresentado de forma sóbria.