quinta-feira, 7 de junho de 2018

Cobra Kai

Cobra Kai (Cobra Kai, EUA, 2018)
Elenco – Ralph Macchio, William Zabka, Courtney Henggeler, Xolo Maradueña, Tanner Buchannan, Mary Mouser, Jacob Bertrand, Nichole Brown, Griffin Santopietro, Gianni Decenzo.

Esta série é com certeza a maior surpresa do ano. Quem poderia imaginar que trinta e quatro anos depois, a franquia “Karatê Kid” renasceria com uma história divertida, com pitadas de drama e as clássicas lutas de karatê. 

A história começa mostrando Johnny Lawrence (William Zabka), que foi derrotado na adolescência por Daniel LaRusso (Ralph Macchio), hoje como um sujeito fracassado que perdeu o emprego, está divorciado e tem um péssimo relacionamento com o filho Robby (Tanner Buchannan). 

Em paralelo, Daniel é dono de uma rede de concessionárias de automóveis, tem uma bela esposa (Courtney Henggeler) e um casal de filhos (Mary Mouser e Griffin Santopietro). 

A vida de Johnny começa a mudar quando cruza o caminho do jovem latino Miguel (Xolo Maradueña). Mesmo relutante, ele aceita ajudar o garoto a aprender karatê para se defender dos valentões da escola. Quando Daniel descobre que Johnny pretende reabrir o dojo Cobra Kai, os conflitos do passado entre os dois voltam à tona. 

O roteiro praticamente atualiza a história de Karatê Kid, brincando com as diferenças entre as gerações, com o politicamente correto e deixando claro que personagem algum é perfeito. 

A série também é um renascimento para os atores Ralph Macchio e William Zabka. Macchio foi um grande astro com os três filmes “Karatê Kid” e com o cult “A Encruzilhada”, porém sua carreira praticamente acabou nos anos oitenta, tendo somente papéis esporádicos nos anos seguintes. 

Zabka tem semelhanças com seu personagem aqui. Ele sempre foi um desconhecido, sua carreira jamais decolou após “Karatê Kid”, tendo apenas papéis pequenos nos últimos trinta anos. Por uma estranha curiosidade, o personagem de Zabka aqui é mais interessante do que o de Macchio, assim como sua interpretação é melhor também. 

Por enquanto foram dez episódios de trinta minutos cada, porém um gancho enorme e o surpreendente sucesso com certeza renderão uma merecida segunda temporada.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Serpico

Serpico (Serpico, EUA, 1973) – Nota 8
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Al Pacino, John Randolph, Jack Kehoe, Tony Roberts, Cornelia Sharp, Biff McGuire, James Tolkan, M. Emmet Walsh, Kenneth McMillan, F. Murray Abraham, Allan Rich, Barbara Eda Young.

Na sequência inicial, o detetive Frank Serpico (Al Pacino) é levado para a emergência de um hospital após ser baleado. A trama volta para o final dos anos sessenta, quando Serpico se formou na academia e iniciou sua carreira na polícia. 

Não demora para ele perceber a corrupção que domina a polícia de Nova York. Ao se recusar de participar da arrecadação de dinheiro extorquido pelos parceiros, Serpico se torna persona non grata dentro da corporação. 

Sua relação com Leslie (Cornelia Sharpe) o leva a conhecer a contracultura e sua rebeldia vem à tona, fato que dificulta ainda mais sua relação com os colegas. Com o passar do tempo, Serpico sofre ao ter que decidir se denuncia a corrupção ou se fecha os olhos e segue sua vida. 

Dois anos antes do diretor Sidney Lumet e o astro Al Pacino entregarem o clássico “Um Dia de Cão”, a dupla fez este ótimo longa sobre a corrupção policial baseado num livro de Peter Maas. 

Esqueçam a Manhattan globalizada dos dias atuais, aqui vemos a ameaçadora Nova York dos anos setenta, uma cidade suja, repleta de traficantes, prostitutas e policiais corruptos. 

O roteiro escrito por Waldo Salt detalha de uma forma humana o sofrimento do honesto protagonista em meio a tentação do dinheiro do fácil e a pressão dos parceiros. São várias situações em que Serpico é tratado com desprezo por outros policiais, enganado por superiores e forçado a mudar de delegacia imaginando encontrar um mundo melhor. 

O resultado é um filme obrigatório.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Marcando Território

Marcando Território (Standoff, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Adam Alleca
Elenco – Thomas Jane, Laurence Fishburne, Ella Ballentine, Jim Watson, Joanna Douglas.

Durante um funeral em um cemitério isolado, um assassino profissional (Laurence Fishburne) mata a viúva, o padre e dois seguranças que acompanhavam a cerimônia. 

Antes de fugir, ele percebe que uma garotinha (Ella Balletine) tirou fotos do crime. O assassino mata o tio da menina, que foge até chegar a uma casa numa pequena fazenda. 

A garota é recebida pelo dono (Thomas Jane), que a leva para o primeiro andar, enquanto o assassino chega a térreo. Os dois homens trocam tiros e ficam feridos, iniciando uma terrível disputa física e psicológica. 

A guerra entre apenas dois homens se tornou comum no cinema após o sucesso do clássico “Inferno no Pacífico” dirigido por John Boorman em 1968. O tema foi explorado com diversas variações, até mesmo em um conflito em outro planeta no ótimo “Inimigo Meu”. 

A simplicidade deste tipo de trama funciona de acordo com a criatividade do diretor e a qualidade dos diálogos. Neste filme que comento, o acerto está em colocar uma garota como estopim do conflito e inserir um trauma do passado na vida do personagem de Thomas Jane. 

As cenas de ação são bem filmadas, porém o pouco espaço do local limita a criatividade para algo diferente neste tipo de sequência. Os diálogos e o climax são previsíveis. 

O resultado é um filme que prende a atenção para quem não exigir muito.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O Relógio Verde & Envolto nas Sombras


O Relógio Verde (The Big Clock, EUA, 1948) – Nota 8
Direção – John Farrow
Elenco – Ray Milland, Charles Laughton, Maureen O’Sullivan, George Macready, Rita Johnson, Elsa Lanchester.

George Stroud (Ray Milland) é um executivo de uma grande editora que planeja sair de férias com sua esposa Georgette (Maureen O’Sullivan) após anos de trabalho sem descanso para o empresário Earl Janoth (Charles Laughton). 

Especialista em encontrar pessoas que se escondem por causa de escândalos ou que são foragidas da lei, George é pressionado por Janoth para aceitar mais um trabalho ao invés de sair de férias. A crise que se instala entre os dois aumenta quando a bela atriz Pauline (Rita Johnson), que é amante de Janoth, decide se aproximar de George. 

Este ótimo longa noir tem como ponto principal a rocambolesca trama, em que o protagonista vivido por Ray Milland utiliza toda sua inteligência e criatividade para resolver um crime que ocorre no meio da história. 

Destaque também para o trabalho do esquecido diretor John Farrow, que consegue imprimir um ritmo ágil e criar soluções divertidas para manter o suspense, com a maioria destas cenas filmadas dentro do edifício da editora. 

As atuações de Ray Milland e do grande Charles Laughton são outros positivos, com o segundo perfeito como o empresário arrogante. 

É uma ótima opção para que gosta de longas antigos do gênero.

Envolto nas Sombras (The Dark Corner, EUA, 1946) – Nota 7
Direção – Henry Hathaway
Elenco – Mark Stevens, Lucille Ball, Clifton Webb, William Bendix, Kurt Krueger, Cathy Downs.

Após cumprir dois anos de prisão, Bradford Galt (Mark Stevens) tenta retomar a vida como detetive particular. Ao ser seguido por um estranho (William Bendix), Galt acredita que o sujeito esteja trabalhando para seu antigo parceiro Tony Jardine (Kurt Krueger). 

Quando Jardine é assassinado, Galt se torna o principal suspeito. Com a ajuda de sua secretária (Lucille Ball), o detetive precisa descobrir quem encomendou o assassinato e assim provar sua inocência. 

Este competente longa de estilo noir inclui ainda um velho milionário (Clifton Webb) e sua jovem esposa interesseira (Cathy Downs), resultando numa trama repleta de mentiras, traições e violência. 

O diretor Henry Hathaway era uma verdadeiro operário de Hollywood. Dos anos trinta até o início dos setenta, Hathaway dirigiu quase setenta filmes, a maioria deles policiais e westerns, com destaque para “Os Filhos de Katie Elder” e o original “Bravura Indômita”, os dois protagonizados por John Wayne. 

A curiosidade neste longa que comento é a participação da atriz Lucille Ball em um papel sério. Ela que no início dos anos cinquenta, ainda nos primórdios da tv, ficaria famosa com o seriado “I Love Lucy”. Ela repetiu a personagem Lucy em diversos filmes para a tv e em cinco versões do seriado em épocas diferentes. 

domingo, 3 de junho de 2018

Em Busca da Terra do Nunca

Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland, EUA / Inglaterra, 2004) – Nota 8
Direção – Marc Forster
Elenco – Johnny Depp, Kate Winslet, Julie Christie, Radha Mitchell, Dustin Hoffman, Freddie Highmore, Joe Prospero, Ian Hart, Kelly Macdonald.

Londres, 1903. O escritor J. M. Barrie (Johnny Depp) procura novas ideias para uma peça de teatro após sua última adaptação ser recebida de forma fria pelo público. A inspiração surge quando Barrie cruza o caminho da viúva Sylvia (Kate Winslet) e de seus quatro filhos pequenos. 

Desiludido com seu casamento com Mary (Radha Mitchell), Barrie cria uma relação quase paternal com os filhos de Sylvia, principalmente com o sensível e inteligente Peter (Freddie Highmore), que ainda sofre bastante pela perda do pai. A convivência do escritor com as crianças resulta na criação do clássico da literatura infantil “Peter Pan”. 

Misturando drama e fantasia, o diretor Marc Forster entrega um longa de extrema sensibilidade baseado numa história que foca nas relações familiares, no sofrimento pela perda e na busca da felicidade. 

As brincadeiras lúdicas entre o escritor e as crianças recriam um tipo de infância que praticamente não existe mais, onde a imaginação e a criatividade eram os pontos principais. As sequências de fantasia são destaque, principalmente na parte final com a encenação da peça. 

As atuações de Johnny Depp, Kate Winslet e do então garoto Freddie Highmore são outros destaques. Mesmo entendendo que possivelmente a relação entre os personagens de Depp e Winslet tenha sido mais íntima na vida real, deixar isso de lado em momento algum atrapalha o resultado. 

É um filme mais do que recomendado.

sábado, 2 de junho de 2018

Wheelman: Motorista de Fuga

Wheelman: Motorista de Fuga (Wheelman, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Jeremy Rush
Elenco – Frank Grillo, Caitlin Carmichael, Garrett Dillahunt, Wendy Moniz, Shea Whigham, John Cenatiempo, Slaine.

Um sujeito (Frank Grillo) negocia a compra de um carro roubado em um local ermo. Em seguida, ele dá carona para dois homens que estão armados e preparados para assaltar um banco. 

Enquanto os ladrões entram no banco, o motorista recebe uma ligação de um desconhecido. O estranho diz que os ladrões irão matá-lo e que ele precisa abandonar os sujeitos e fugir com o dinheiro. O motorista segue a dica e logo percebe que entrou numa grande enrascada. 

Este filme de baixo orçamento e curta duração é uma agradável surpresa para quem gosta de tramas policiais que envolvem automóveis. Praticamente todo o filme se passa com o personagem de Frank Grillo dentro do carro, com direito a algumas boas sequências de perseguição e diálogos tensos repletos de palavrões e ameaças através de celulares. 

A história acontece durante algumas horas numa mesma noite, lembrando um pouco o estilo de filmar do diretor Michael Mann. Gosto bastante de filmes que exploram a fotografia noturna urbana, geralmente resultando em um ótimo clima para tramas policiais e de suspense. 

Para quem tiver curiosidade, a produção deste longa é da Netflix.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

La Casa de Papel

La Casa de Papel (La Casa de Papel, Espanha, 2017)
Criador – Álex Pina
Elenco – Úrsula Corberó, Itziar Ituño, Álvaro Morte, Paco Tous, Pedro Alonso, Alba Flores, Miguel Herran, Jaime Lorente, Esther Acebo, Darko Peric, Enrique Arce, Kiti Manver.

Oito ladrões invadem a Casa da Moeda em Madrid na Espanha. Usando máscaras de Salvador Dali, eles tomam como reféns os funcionários e um grupo de estudantes que estava em excursão no local. 

A polícia e o serviço secreto espanhol rapidamente cercam o local liderados pela inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituño) e passam a negociar com um sujeito que se intitula “O Professor” (Álvaro Morte). 

O diferencial é que o homem na verdade está escondido em outro local comandando o assalto através de uma parafernália tecnológica e dando suporte aos parceiros que estão na Casa do Moeda. É o início de uma longa negociação. 

Por mais que tramas de roubos mirabolantes sejam comuns no cinema, esta ótima série inova na questão do que realmente eles pretendem roubar e na forma que isso será feito. A série tem vários pontos positivos. A tensão crescente entre os próprios ladrões e alguns reféns, as relações que se criam entre vários personagens, as cenas de ação, as reviravoltas e principalmente a criatividade fora do comum do Professor. A narração em off da personagem Tokio (Úrsula Corberó) é outro acerto, assim como as cenas em flashback que detalham a preparação do roubo. 

O sucesso merecido vai render uma nova temporada, o que me deixa com um pé atrás. A trama aqui é praticamente fechada, uma sequência tende a ser completamente diferente, o que pode afetar a qualidade e tirar o interesse do espectador. 

Enquanto isso, assistam esta ótima primeira temporada. Mesmo levando em conta alguns furos e exageros, a série é um belíssima diversão para quem gosta do gênero.