domingo, 7 de janeiro de 2018

Encarcerado

Encarcerado (Starred Up, Inglaterra, 2013) – Nota 7,5
Direção – David Mackenzie
Elenco – Jack O’Connell, Ben Mendelsohn, Rupert Friend, Sam Spruell, Peter Ferdinando.

Ao completar dezenove anos de idade, Eric Love (Jack O’Connell) é transferido do reformatório para uma prisão de adultos, local onde reencontra o pai Neville (Ben Mendelsohn). 

Violento e revoltado por ter sido criado como órfão, Eric não demora para arrumar confusão na cadeia. Enquanto seu pai se preocupa com as consequências dos atos de Eric, um assistente social (Rupert Friend) tenta fazer o jovem participar de um grupo de presos que desejam mudar de vida. 

Como é normal aos filmes de prisão, vemos aqui uma violenta história desenvolvida de forma crua com personagens que vivem em meio ao inferno. Por mais que alguns detentos queiram paz e o local tenha um chefão (Peter Ferdinando) que deseja tranquilidade para comandar seus negócios sujos, a violência sempre vem à tona. 

O ator Jack O’Connell, que ficaria famoso no ano seguinte com o drama “Invencível”, desenvolve uma interpretação furiosa, mostrando todo o ódio que seu personagem carrega. 

É um filme forte, com cenas violentas e personagens marginais.

sábado, 6 de janeiro de 2018

It: A Coisa

It: A Coisa (It, EUA / Canadá, 2017) – Nota 8
Direção – Andy Muschietti
Elenco – Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgard, Nicholas Hamilton, Jackson Robert Scott.

Derry, 1988. Na pequena cidade algumas crianças desapareceram. Entre elas está Georgie (Jackson Robert Scott), que foi puxado para dentro do esgoto por um sinistro palhaço (Bill Skarsgard). 

Completando um ano do desaparecimento, um grupo de garotos e uma garota tem pesadelos que parecem reais com o palhaço. Bill (Jaeden Lieberher) acredita que o palhaço seja verdadeiro e que seu irmão Georgie esteja vivo. Com ajuda de informações conseguidas por Ben (Jeremy Ray Taylor) sobre desaparecimentos que ocorrem há anos na cidade, Bill convence seus amigos a investigarem o caso. 

Este longa foca na primeira parte de um famoso livro de Stephen King e termina deixando claro que haverá uma sequência. Esta escolha pareceu mais interessante do que a versão produzida para TV em 1990 em formato de minissérie com três horas de duração e que focava no livro inteiro. Na versão antiga, a trama com as crianças também é muito boa e se passa nos anos sessenta, porém a produção peca na segunda parte quando os adultos entram em cena. 

Esta nova versão lembra o estilo de filmes com crianças dos anos oitenta como “Os Goonies”, porém com cenas de terror assustadoras semelhantes ao seriado atual “Stranger Things”. O longa funciona muito bem, tanto pelas cenas citadas e os bons efeitos especiais, como pela química entre o elenco de crianças e o assustador palhaço Pennywise vivido por Bill Skarsgard, tão competente como o interpretado por Tim Curry na minissérie. 

Agora é esperar a sequência. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Liberdade Condicional & A Outra Face da Violência


Liberdade Condicional (Straight Time, EUA, 1978) – Nota 7
Direção – Ulu Grosbard
Elenco – Dustin Hoffman, Theresa Russell, Gary Busey, Harry Dean Stanton, M. Emmet Walsh, Rita Taggart, Kathy Bates, Jake Busey, Sandy Baron.

Max Dembo (Dustin Hoffman) é um assaltante que ao ganhar liberdade condicional tenta mudar o rumo de sua vida. Ele consegue um emprego e uma namorada (Theresa Russell). Sua vida volta a se complicar por causa do oficial da condicional (M. Emmet Walsh), um sujeito arrogante que o faz voltar para cadeia. A partir daí, Max espera novamente sair da prisão para se vingar do algoz e retornar ao mundo do crime. 

O ponto principal do roteiro é a crítica social da dificuldade que um ex-presidiário enfrenta quando deseja mudar de vida, expondo o poder absurdo que o agente da condicional possui nos Estados Unidos. Vale lembrar que o filme foi produzido há quarenta anos, época em que a quantidade de criminosos violentos era bem menor que nos dias atuais. 

Outro destaque fica para a atuação de Dustin Hoffman, em um papel bem diferente do que estava acostumado a interpretar.

A Outra Face da Violência (Rolling Thunder, EUA, 1977) – Nota 7
Direção – John Flynn
Elenco – William Devane, Tommy Lee Jones, Linda Haynes, James Best, Dabney Coleman, Luke Askew.

O major Charles Rane (William Devane) volta para sua cidade natal sendo recebido como herói após ter lutado no Vietnã. Ele recebe como prêmio um carro e uma maleta com moedas de prata. Pouco tempo depois, assaltantes invadem sua casa, o deixam ferido, matam sua mulher e filho e roubam as moedas. Com auxílio de outro veterano de guerra (Tommy Lee Jones), Rane prepara sua vingança contra os criminosos. 

No ano anterior, “Taxi Driver” de Martin Scorsese foi o primeiro grande filme a focar nos traumas dos soldados que voltavam do Vietnã. Naquele clássico, o personagem de Robert De Niro é um sujeito que perdia o controle em meio a loucura de uma metrópole como Nova York. 

Aqui, os personagens de William Devane e Tommy Lee Jones são pessoas simples, de uma cidade pequena que planejam a vingança de forma fria. Nos dois filmes os protagonistas sofrem por terem dado parte de suas vidas ao país e receberem em troca desprezo e violência ao voltarem para casa. 

O longa é inferior a Taxi Driver”, mas não deixa de ser uma obra instigante sobre as consequências da guerra em pessoas comuns. 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A Passageira

A Passageira (Magallanes, Peru / Argentina / Espanha, 2015) – Nota 8
Direção – Santiago Del Solar
Elenco – Damian Alcazar, Magaly Solier, Federico Luppi, Bruno Odar, Christian Meier.

Em Lima, capital do Peru, Harvey Magallanes (Damian Alcazar) é um motorista de táxi que fica abalado ao transportar uma passageira. 

Aos poucos, descobrimos que a jovem se chama Celina (Magaly Solier) e que está ligada ao passado de Magallanes quando este era um soldado e se reportava ao coronel Rivero (Federico Luppi), que hoje sofre de Alzheimer e que também tem ligação com a jovem. 

O reencontro faz com que Magallanes tome decisões perigosas para tentar corrigir um erro do passado. 

O ótimo roteiro escrito pelo diretor peruano Santiago Del Solar mistura drama com uma trama policial focada em personagens que carregam traumas, tanto os “vilões”, como a inocente Celina. Não vou detalhar muito para não entregar a trama, mas posso citar que é dolorosa a forma como os personagens lidam com a situação e com o passado. 

O protagonista vivido pelo mexicano Damian Alcazar está corroído pelo remorso, enquanto o veterano Federico Luppi não fala absolutamente nada, mas mesmo assim consegue passar a agonia do idoso somente com suas expressões faciais. 

Vale citar também algumas boas cenas de suspense e as locações em Lima, tanto na região central, como na periferia. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma ótima opção. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Uma Noite em Sampa

Uma Noite em Sampa (Brasil, 2016) – Nota 6
Direção – Ugo Giorgetti
Elenco – Flávia Garrafa, Cris Couto, Roney Facchini, Susana Alves, Thiago Amaral, Angelo Brandini.

Após assistir uma peça no conhecido Teatro Ruth Escobar em São Paulo, um grupo de pessoas se prepara para voltar para suas casas no interior do Estado em um ônibus de excursão. 

Eles e a guia da viagem (Flávia Garrafa) se surpreendem ao encontrarem o ônibus trancado sem o motorista. A princípio imaginando que o sujeito foi para algum local próximo, com o passar do tempo as pessoas começam a se irritar com o desaparecimento do sujeito e mostram suas personalidades em diálogos repletos de preconceitos e medos. 

O diretor Ugo Giorgetti é paulistano e fez toda sua carreira através de filmes em que a cidade de São Paulo é praticamente um dos personagens. Aqui, a visão crítica do diretor se volta para parte da classe média paulistana que saiu da capital para morar em condomínios em cidades próximas procurando uma melhor qualidade de vida e com medo da violência. Este medo enraizado é o combustível da maioria dos diálogos e ao mesmo tempo o “agente” que paralisa as pessoas naquele local. 

Entre os personagens temos a empresária irritante, o sujeito arrogante, o cara casado com uma ex-prostituta, o otimista, a mulher que adora contar casos de violência, entre outros. O diretor também utiliza manequins vestidos como fossem personagens, com a intenção de mostrar que a maioria das pessoas ali são semelhante a bonecos que não reagem. 

É um filme de baixo orçamento com estilo teatral, rodado totalmente na rua que fica em frente ao teatro Ruth Escobar. 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Especialista em Crise

Especialista em Crise (Our Brand Is Crisis, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – David Gordon Green
Elenco – Sandra Bullock, Billy Bob Thornton, Anthony Mackie, Joaquim de Almeida, Ann Dowd, Scoot McNairy, Zoe Kazan, Dominic Flores, Reynaldo Pacheco.

Jane Bodini (Sandra Bullock) é uma coordenadora de campanha política conhecida por ser implacável, mas que depois de algumas derrotas para Pat Candy (Billy Bob Thornton), decidiu abandonar a carreira. 

A chance de vencer Pat surge quando ela recebe a proposta de comandar a campanha de Pedro Castillo (Joaquim de Almeida) para presidência da Bolívia, sendo que o candidato de Pat está quase trinta pontos na frente nas pesquisas. É o início de uma guerra suja nos bastidores das campanhas. 

Pelas críticas ruins eu esperava uma pequena bomba, mas fiquei surpreso positivamente ao assistir este longa. Mesmo com pitadas de comédia sem muita graça, o filme é extremamente interessante ao mostrar as sujeiras por trás de uma campanha política. A forma como os coordenadores criam situações para manipular os eleitores, transformam o candidato em algo que ele não é e as clássicas promessas que são esquecidas após a eleição deixam uma sensação de vazio ao final. 

O personagem de um voluntário vivido por Reynaldo Pacheco é o típico jovem ingênuo que acredita que pode ajudar a mudar o mundo apoiando um político, assim como o candidato interpretado por Joaquim de Almeida é o exemplo perfeito do político latino-americano. 

O filme mostra que a política é um verdadeiro ímã para pessoas desonestas e sem caráter, não apenas os candidatos, mas também a maioria daqueles que circulam neste meio. 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Mãe

Mãe! (Mother!, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Darren Aronofsky
Elenco – Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Brian Gleeson, Domhnall Gleeson, Stephen McHattie, Kristen Wigg.

Um casal (Jennifer Lawrence e Javier Bardem) vive em um casarão antigo em um local isolado. Enquanto ela trabalha reformando o casa, ele tenta conseguir inspiração para um novo livro de poesias. 

Sem explicação, pessoas começam a chegar na casa à procura do escritor. Para ele é uma alegria receber os visitantes, enquanto ela sofre por sentir que seu espaço está sendo invadido. 

É muito difícil escrever uma sinopse direta sobre um filme criado em cima de simbolismos religiosos e familiares. Cada espectador encontrará referências diversas, de acordo com seu conhecimento sobre religião e também suas crenças pessoais. 

Temos referências sobre Adão e Eva, Caim e Abel, o dilúvio, o nascimento de Cristo, o apocalipse, a maternidade, o homem provedor e a mulher senhora da casa, entre outras situações. Os temas religiosos e os simbolismos são comuns aos trabalhos de Aronofsky. 

Ele entregou um grande filme em “Pi”, uma obra curiosa e razoável em “Fonte da Vida” e um fiasco com “Noé”. Na minha opinião este “Mãe!” é mais polêmico do que um grande filme, mas não chega a decepcionar. É uma experiência interessante e ao mesmo tempo bizarra.